Excelente proposta!
Comparar **José Honório Rodrigues** com **Michel de Certeau** permite refletir
sobre **duas formas críticas de pensar a história**, especialmente em relação à **escrita da história
(historiografia)**, ao **lugar do sujeito histórico** e ao **papel do historiador**. Apesar de atuarem
em contextos distintos — José Honório no Brasil do século XX e Michel de Certeau na França —, **há
pontos de convergência e importantes diferenças epistemológicas**.
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## ⚖️**COMPARAÇÃO: JOSÉ HONÓRIO RODRIGUES × MICHEL DE CERTEAU**
| **Aspecto** | **José Honório Rodrigues** |
**Michel de Certeau** |
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| **Contexto intelectual** | Brasil, século XX — foco na construção da identidade nacional e na
crítica à historiografia elitista | França, século XX — influência da psicanálise, linguística, pós-
estruturalismo e filosofia da linguagem |
| **Obra central sobre historiografia** | *Teoria da História do Brasil* (1966); *Historiografia do Brasil*
(1957) | *A escrita da história* (1975) |
| **Principal objetivo** | Criar uma **historiografia brasileira autônoma, nacionalista, crítica e
inclusiva** | Analisar a **história como prática discursiva**, com foco nos mecanismos de
produção de sentido |
| **Crítica à história tradicional** | Acusa a historiografia de ser **eurocêntrica, elitista e
excludente** | Critica a ideia de história como **representação objetiva do passado**;
história é narrativa, é construção |
| **Papel do historiador** | **Intelectual engajado** com o povo, a justiça histórica e a reforma
nacional | **Operador discursivo**, que organiza sentidos e cria narrativas; o historiador
está implicado na linguagem |
| **Sujeito da história** | O povo (negros, mestiços, indígenas) como **protagonista
silenciado** da história oficial | O sujeito é **efeito da linguagem** e da estrutura; não é fixo
nem plenamente autônomo |
| **História e poder** | A história dominante **oculta as lutas e os sujeitos populares**; o
historiador deve resgatá-los | Toda escrita da história **implica relações de poder** e obedece a
regras discursivas e institucionais |
| **Profissionalização da história** | Necessária para criar uma **ciência da história nacional**, ética
e crítica | Problematiza a história como ciência; ela é uma prática que **“fala do
ausente”**, com pretensões ilusórias de verdade |
| **Visão da linguagem** | Enfatiza o conteúdo histórico e o compromisso com o real
| Enfatiza que a história é **linguagem, construção, narrativa** |
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## 🧠 **Convergências**
✔️Ambos:
* **Criticam a historiografia tradicional** como ideológica e excludente;
* São sensíveis ao papel do **discurso** na construção da história;
* Valorizam os **sujeitos silenciados** ou ausentes na história oficial;
* Reconhecem que escrever história é um **ato político e ético**.
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## ⚠️**Diferenças fundamentais**
| Tema | **José Honório Rodrigues** | **Michel de Certeau**
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| Compromisso político | Nacionalista e reformista: o historiador deve **transformar a realidade**
| Crítico-discursivo: o historiador deve **revelar os mecanismos de exclusão** do discurso histórico |
| Concepção de verdade histórica | A verdade está no **resgate dos esquecidos** (negros, indígenas,
povo) | A “verdade” histórica é **uma produção textual, situada e instável** |
| Epistemologia | Busca uma **ciência nacional da história**, ética e patriótica | Recusa
a ciência histórica como neutra ou objetiva; é **uma prática discursiva** |
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## 📖 Citações ilustrativas
**José Honório Rodrigues**:
> “O historiador brasileiro deve ser um homem do povo, voltado para as verdades do povo, para os
valores populares que foram desprezados pela história oficial.”
> (*Teoria da História do Brasil*, 1966)
**Michel de Certeau**:
> “A história é o que dá sentido à ausência; é uma prática que transforma o passado em discurso
presente.”
> (*A escrita da história*, 1975)
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## ✅ **Conclusão: crítica e projeto vs. crítica e desconstrução**
| José Honório Rodrigues | Michel de Certeau
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| Usa a crítica da história oficial para **propor uma nova história nacional**, inclusiva e transformadora
| Usa a crítica da história oficial para **desconstruir os discursos históricos e suas pretensões de
verdade** |
| Quer **reformar o Brasil pela história** | Quer **mostrar que
toda história é construída, não natural** |
Ambos compartilham uma crítica à forma como a história é escrita, mas **José Honório constrói um
projeto nacional e ético**, enquanto **Certeau quer problematizar os fundamentos da própria escrita
da história**.
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Se quiser, posso montar um **roteiro de redação argumentativa** com essa comparação, ou relacioná-
los com autores como Paul Ricoeur, Hayden White ou Aníbal Quijano. Deseja isso?