0% acharam este documento útil (0 voto)
25 visualizações18 páginas

Contratos Especiaisde Comércio

O documento aborda os contratos especiais de comércio, com foco no contrato de compra e venda mercantil e no contrato de transporte mercantil. O contrato de compra e venda é definido como um acordo entre comerciantes para a transferência de bens, enquanto o contrato de transporte envolve a entrega de mercadorias entre remetente e destinatário. O texto detalha as características, espécies e obrigações das partes envolvidas em ambos os tipos de contrato.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
25 visualizações18 páginas

Contratos Especiaisde Comércio

O documento aborda os contratos especiais de comércio, com foco no contrato de compra e venda mercantil e no contrato de transporte mercantil. O contrato de compra e venda é definido como um acordo entre comerciantes para a transferência de bens, enquanto o contrato de transporte envolve a entrega de mercadorias entre remetente e destinatário. O texto detalha as características, espécies e obrigações das partes envolvidas em ambos os tipos de contrato.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS E EMPRESARIAIS

CURSO DE GESTÃO DE ADMINISTRAÇÃO E MARKETING


DISCIPLINA: Direito Comercial
ANO ACADÉMICO: 2024/2025
2.º Ano – Pós Laboral
DOCENTE: José Coelho da Cruz

TEMA: CONTRATOS ESPECIAIS DE COMÉRCIO

[Link] de Compra e venda mercantil

Quando se aborda o tema contrato mercantil deve-se


centrar no estudo das relações negociais que são celebradas
entre comerciantes, podendo ser realizado entre um grande
comerciante e um pequeno comerciante, mas sempre
ocorrendo entre pessoas jurídicas. Tal relevância jurídica se dá
pelo facto de que todo e qualquer comerciante realiza uma
série de contratos para que possa atingir a melhor exploração
da sua actividade afim.
Quando abordamos a questão dos contratos de compra e
venda mercantil, devemos analisa-lo em várias etapas. Por
exemplo, observemos o comportamento dos comerciantes do
ramo industrial ou fabril:
Para que o mesmo atinja o seu objectivo terá de produzir
produtos acabados. Mas, esta produção só é possível com a
compra de matéria-prima). Assim, já na sua fase primária da
sua actividade, este comerciante tem que celebrar um ou mais
contratos de compra e venda de matéria prima.
Ainda assim, as unidades fabris só funcionam com a
aquisição de equipamentos, maquinarias, tecnologia,
embalagens, etc. Nesta vertente, o comerciante também tem
que celebrar contratos de compra e venda com os fornecedores
destes materiais, que constituem o seu capital fixo + capital
circulante.

1
O ciclo de contratos de compra e venda só termina,
quando o comerciante coloca o produto final em poder dos
retalhistas, para a obtenção do capital dinheiro, que é o
objectivo final do comerciante.

Definição jurídica de um contrato de compra e venda


mercantil

No que tange à definição jurídica do contrato de compra e


venda mercantil, deve ser trazida em primeiro lugar a
definição de “Compra e Venda”: é o contrato em que uma
pessoa (vendedor) se obriga a transferir o domínio de coisa à
outra (comprador), que, por sua vez, se obriga a pagar à
primeira o preço entre elas acertado. O direito comercial
ocupa-se de uma das modalidades de compra e venda: a
mercantil. Trata-se do contrato que melhor retrata a actividade
de intermediação característica do comércio. Por meio dele, o
comerciante vende as mercadorias. Também é mercantil a
compra e venda de maquinarias e modelos de utilidades e a
compra e venda de matéria-prima.

A cadeia de circulação de mercadorias é uma


sucessão de contratos de compra e venda mercantis:

→A indústria química vende produtos para a indústria


farmacêutica, que vende remédios para os depósitos de
medicamentos, que os revende para farmácias;

→A indústria siderúrgica fornece aço para a indústria


automobilística, que vende os veículos para as concessionárias;

→A fábrica têxtil vende tecido para a confecção, que


comercializa as suas roupas para o importador, que as negocia
com lojistas no shopping center etc.
2
Tote bem: Não são mercantis os contratos de compra e venda
situados fora da cadeia de circulação de mercadorias (compra
e venda entre não empresários) ou no elo final da cadeia
(compra e venda entre empresário e consumidor).
A compra e venda é mercantil quando celebrada entre
dois comerciantes. A mercantilidade deste contrato depende do
atendimento a três requisitos: subjectivo e finalístico.

♦O primeiro, pertinente às qualidades dos contratantes,


determina que têm que ser comerciantes o comprador e o
vendedor.

♦O segundo requisito da mercantilidade da compra e venda diz


respeito aos objectivos do negócio, que devem ser os de inserir
o bem adquirido na cadeia de escoamento de mercadorias.

Vê-se, assim, segundo a posição doutrinária, aqui exposta


que, o contrato de compra e venda mercantil é a modalidade
mais importante dos contratos especiais de comércio, sendo
necessária à sua minuciosa análise em função de tamanha
aplicação na vida prática.

Das características do contrato de compra e venda


mercantil

O contrato de compra e venda mercantil conta com uma


série de características no seu processo de formação, como
poderá ser observado a seguir:

● Como primeiro ponto a ser estudado do contrato é que o


mesmo deve ser um contrato consensual, ou seja, o vínculo
contratual ocorre quando as partes estiverem de comum

3
acordo, não podendo haver vícios na sua formação sob pena de
nulidade do mesmo.

● Também deve ser visto que, nesta consensualidade em que o


mesmo ocorre, já se deve ter traçado os pontos como a
negociação se desenrolou, assim contendo a forma de
pagamento, valores e condições do contrato.

● Há de se ressaltar, que apesar da maioria quase absoluta dos


contratos mercantis de compra e venda serem solenes e
reduzidos a forma escrita, este pode ser feito também por meio
electrónico, que vem ganhando espaço no cenário actual, e até
mesmo por meio não solene e oral, forma pouco encontrada na
aplicação prática.

● É preciso ressaltar que a solenidade é obrigatória quando se


trata de bens imóveis, sendo dispensada somente no caso de
bens móveis. Não se pode deixar de rememorar que todo
contrato de compra e venda tem como característica
fundamental a bilateralidade. Assim sendo, necessita de duas
partes comerciais para que o mesmo ocorra de maneira legal.

● Ainda, há que se dizer que tal modalidade de contrato é


comutativa, onde ambas as partes devem saber das suas
obrigações no momento de assinatura do mesmo, onde no caso
do comprador é o pagamento do valor pactuado e o vendedor a
entrega da coisa ao comprador conforme explicitado no corpo
do contrato.

● Por fim, deve-se observar que o marco final do contrato de


compra e venda mercantil se dá pela tradição, no que tange a
bens móveis, como a entrega das chaves de um veículo ao
comprador, ou no caso de bens imóveis respeitando a

4
solenidade do acto e seguindo o registo do mesmo no cartório
de registo de imóveis com o registo da escritura do mesmo.

Espécies de contrato de compra e venda

Acerca das espécies de contrato de compra e venda


mercantil, deve-se observar as seguintes espécies: à vista, a
crédito, mediante amostra, com cláusula acessória, a contento
e venda com reserva de domínio.

No que diz respeito a compra e venda à vista deve-se


observar que neste caso, a comutatividade do contrato é
imediata, sendo que o comprador paga o preço acertado de
imediato, bem como que o vendedor entrega a coisa no mesmo
acto. Assim, com o pagamento, já ocorre de pleno a
transferência do domínio da coisa contratada. Nota-se que
nesta modalidade de contrato, a iniciativa para a execução do
mesmo se dá por parte do comprador, pois o início da execução
se dá com o pagamento da coisa, ficando o vendedor, somente
a partir deste momento obrigado a entregar a coisa.

Já quando tratamos do contrato de compra e venda a


crédito deve-se diferir o mesmo do contrato de compra e
venda à vista desde logo, pelo facto de que o contrato a crédito
tem a entrega da coisa antes de ocorrer o pagamento da
mesma, ou seja, o comprador recebe o bem e irá pagando em
diferimento parcelar único ou dividido, conforme pactuado.

Quando tratamos de compra e venda mediante


amostra, deve ser observado que se trata de uma categoria
peculiar de venda, onde o comprador já terá analisado uma
amostra do que está a comprar previamente e só aceitará a
mercadoria que seja da mesma espécie e qualidade da que lhe
enviada previamente. Desta maneira, deixa o vendedor
5
obrigado a mandar todas as mercadorias idênticas a que
enviou no momento da análise do comprador, não podendo
alegar que aquela era melhor e neste momento manda uma
mercadoria mediana ao comprador. Tem de ser uma
mercadoria com a mesma qualidade e especificação da que foi
enviada para amostra e análise. Caso não seja respeitado isso,
o comprador tem em sua mão a possibilidade de desfazer o
negócio e não efectuar o pagamento acertado no contrato de
compra e venda mercantil sujeito a amostra.

Outra espécie de contrato de compra e venda mercantil,


neste caso, mais especificamente, estamos a tratar de uma
compra e venda com cláusula acessória resolutiva, ou
seja, o bem vendido é devolvido ao vendedor quando já não se
tornar útil para o comprador, sem direito a reembolso.
Já a compra e venda a contento, neste caso temos uma
modalidade de compra e venda que num primeiro momento o
comprador somente pagará o valor pactuado no contrato, não
no momento que receber a coisa, mas depois de certo prazo
estipulado de uso e se contentar com a mesma, ou seja, em
que achar que o produto está dentro do padrão que desejava e
na sua margem de contentamento. Nesta espécie de contrato,
a dissolução do contrato é feita com o simples acto do
comprador mostrar o seu desagrado com a mercadoria
recebida, assim ficando com a incumbência de devolver a
mesma e não efectuar o pagamento.
Como última modalidade do contrato de compra e venda
mercantil, temos a espécie da compra e venda com reserva
de domínio, onde nada mais é que uma compra e venda à
crédito mas com a particularidade de o vendedor ficar com a
possibilidade de recuperar o bem vendido e torna-lo seu,
podendo renegociar com outros interessados, caso o
comprador viole os prazos contratuais para a conclusão do
pagamento do bem vendido.
6
[Link] de transporte mercantil

O Contrato de Transporte é aquele em que um


comerciante (transportador) se obriga a entregar mercadorias
de outro (contratante, remetente) no local e data ajustados de
comum acordo, zelando pela integridade delas durante o
deslocamento.

Modalidades de transporte e suas características

São quatro as modalidades tradicionais de transporte de


cargas: Transporte Rodoviário, Transporte Ferroviário,
Transporte Aéreo e Transporte Marítimo.

O transporte rodoviário de cargas é o mais comum e


utilizado a nível do comércio interno. Se nos atermos ao
mercado nacional, podemos dizer que, o transporte rodoviário
é recomendado para mercadorias perecíveis ou de alto valor
agregado em distâncias curtas. É um meio de transporte
acessível e de fácil contratação, além de que envolve menos
custos, tanto a nível do contratante, como do transportador.
Entretanto, possui desvantagens comparadas aos outros meios
de transporte no que se refere a baixa capacidade de cargas
transportadas e aos maiores riscos de extravio.

Cargas de grandes volumes que percorrerão longas


distâncias se adequam ao transporte ferroviário. Além do
seu baixo custo, os caminhos-de-ferro possuem maior
segurança no transporte da mercadoria dos contratantes.

A modalidade de transporte marítimo de cargas é a


mais comum a nível do comércio internacional. Possui as
vantagens de abarcar grandes distâncias nas suas rotas com
7
grandes quantidades de volumes. Apesar do custo baixo do
frete, o valor do seguro das mercadorias é alto, afinal, o
tempo de percurso é longo. Além disto, os navios que realizam
o transporte necessitam de instalações específicas para o seu
embarque e desembarque.

O transporte aéreo percorre longas distâncias num


curto período de tempo. Possui a facilidade de aproximar-se
de centros urbanos, com trajectos exclusivos e que não
dependem de acidentes geográficos existentes para a sua
efectivação. O valor do seguro contratado para este
transporte é baixo – em contraponto, o custo do frete é mais
elevado do que nos outros tipos de transporte. A quantidade
de carga transportada é bem limitada e necessita de terminais
de acesso para sua efectivação.

Obrigações das partes no contrato de transporte

De modo geral, os contratos de carga são revestidos das


seguintes características:

a) bilateralidade;
b) formalismo;
c) onerosidade e
d) consensualidade.

Dessa forma, em virtude dessas características, e


principalmente, da sua finalidade – transportar as
mercadorias recebidas pelo remetente até ao destinatário - o
contrato de carga impões às partes, direitos e obrigações,
envolvendo a participação de três sujeitos, sendo eles:

♦ Remetente – é o comerciante que entrega a mercadoria para


ser transportada;
8
♦ Transportador – é o comerciante que recebe a mercadoria
com a obrigação de transportá-la;

♦ Destinatário – é o comerciante que recebe as mercadorias,


como destinatário final.

Obrigações do remetente

a) Entregar a mercadoria a ser transportada para o


transportador, devendo declarar a sua natureza, valor, peso e
quantidade e o que mais for necessário para que não se
confunda com outras. O contrato de carga começa a ser
executado no momento da entrega da mercadoria ao
transportador. Dessa forma, é parte essencial do contrato a
entrega da mercadoria pelo remetente;

b) Pagar o frete. Por se tratar de um contrato oneroso, o


pagamento referente aos serviços prestados pela
transportadora, chama-se frete e pode ser feito antes ou
depois da execução. Assinar a relação discriminada das coisas
a serem transportadas, em duas vias, uma das quais, por ele
devidamente autenticada, fica fazer parte integrante do
“conhecimento de carga”. Essa obrigação decorre da tentativa
de evitar-se fraude por parte do remetente. O transportador
poderá ser indemnizado pelo prejuízo que sofrer em caso de
informação inexacta ou falsa descrição da mercadoria;

c) Embalar a mercadoria de forma adequada , de modo a não


colocar em risco a saúde das pessoas, ou danificar o veículo e
outros bens;

d) Não despachar mercadorias cujo transporte ou


comercialização não sejam permitidos, ou que venham
9
desacompanhadas dos documentos exigidos por lei ou
regulamento;

e) Instruir o transportador quando o transporte não puder ser


feito ou sofrer longa interrupção.

Obrigações do transportador

a)Receber a mercadoria do Remetente e transportá-la,


seguindo o itinerário previamente acordado, entregando-a ao
destinatário;

b)Guardar e conservar a mercadoria;

c) Fazer prova do recebimento da mercadoria e da sua


obrigação de entregá-la ao destinatário;

d) Recusar ou voltar a embalar a mercadoria cuja embalagem


seja inadequada, ou que possa pôr em risco a saúde das
pessoas, ou danificar o veículo e outros bens;

e) Recusar a mercadoria cujo transporte ou comercialização


não sejam permitidos, ou que venha desacompanhada dos
documentos exigidos por lei ou regulamento.

Obrigações do destinatário

a)Receber a mercadoria no prazo e lugar convencionados;

b) Conferir as mercadorias e apresentar as reclamações que


tiver dentro dos prazos de garantia, sob pena de
consentimento.

Responsabilidade civil nos contratos de transporte

10
Ao se tratar especificamente da responsabilidade civil
contratual no comércio, deve-se falar acerca das obrigações
das partes, quando houver um contrato devidamente
formalizado. Portanto, o contrato de transporte comercial é
nada mais que, um contrato em que uma empresa se
responsabiliza por transportar, de uma localização para outra,
mercadorias, mediante algum tipo de retribuição. Sendo um
negócio bilateral, pois gera obrigações em ambas as partes,
consensual, uma vez que ocorre com o simples acordo de
vontade, comutativo, porque as partes conhecem as
obrigações de início, não dependendo de futuro incerto. O
risco é inerente a actividade do transporte de mercadorias. O
que se deve perceber é a assunção da responsabilidade pelo
risco. Tratando-se de actividade da qual o transportador
aufere lucro, e sendo o risco de subtracção da coisa
transportada elemento intrínseco a essa actividade, posto que
ocorrido em percentuais elevados e absolutamente conhecidos
pelo mercado transportador, não há que se falar na ausência
de responsabilidade desse, aquando da ocorrência do sinistro.

[Link] de distribuição comercial

A formação de parcerias comerciais viabiliza aos


empresários vender produtos para consumidores que, sem a
parceria comercial, não seria possível. Por isso, não sem
razão, o Professor Fábio Ulhoa Coelho denomina algumas
parcerias comerciais como contratos de colaboração, pois,
nestas espécies de contratos, existe uma colaboração mútua
das partes contratantes para a consolidação e o crescimento
das vendas de um determinado produto ou serviço. Segundo
o referido jurista, pode-se falar em contrato de colaboração,
se “um dos empresários assume a obrigação contratual de

11
ajudar a formação ou ampliação do mercado consumidor do
produto fabricado ou comercializado pelo outro”.

O contrato de colaboração é o género de uma série de


contratos empresariais, entre os quais, cita-se: os contratos de
franquia, distribuição, representação comercial, agência,
comissão mercantil e mandato mercantil. Em todos estes
contratos a principal característica é a colaboração entre as
partes contratantes para atingirem um objectivo comum, que
é a criação, o aumento e a consolidação de um determinado
mercado.

O facto é que, os contratos da distribuição, são


instrumentos jurídicos necessários para reduzir os custos do
empresário no escoamento das mercadorias, proporcionando
a expansão da rede de produtos e serviços em diferentes
zonas geográficas.

Conceito: A distribuição mercantil de produtos é o contrato


pelo qual uma das partes (o distribuidor) adquire com
habitualidade os produtos fabricados por outra (o fabricante),
com a obrigação de revendê-los em um determinado território .
Na prática mercantil, o escoamento de mercadorias, por
intermédio do distribuidor, é conhecido como venda indirecta,
pois o produto não é adquirido directamente do fabricante,
mas sim, de um intermediário (“o distribuidor”).

Oportuno citar, também, o conceito do contrato de


distribuição dado por Paula Forgioni: “contrato bilateral,
sinalagmático, pelo qual um agente económico (fornecedor)
obriga-se ao fornecimento de certos bens ou serviços a outro
agente económico (distribuidor), para que este os revenda,
tendo como proveito económico a diferença entre o preço de

12
aquisição e o preço de revenda e assumindo à satisfação de
exigências do sistema de distribuição do qual participa”.

Características do Contrato de Distribuição

Os contratos de distribuição possuem características que os


diferenciam de outras espécies de contratos, sendo algumas
delas essenciais e outras acessórias, estas últimas podendo ou
não estar inseridas no contrato:

a)O distribuidor é um empresário que negocia o bem


profissionalmente em carácter não eventual – esta é uma
cláusula essencial do contrato de distribuição, pois, se não
houver o carácter habitual, a relação jurídica transforma-se
em um contrato de compra e venda mercantil específico, por
esta razão, o trato sucessivo é um requisito essencial do
contrato de distribuição;

b)A aquisição do produto pelo distribuidor é efectuada para a


revenda do mesmo – o principal objectivo do contrato de
distribuição é proporcionar o escoamento da mercadoria e o
crescimento da identificação da marca, junto aos
consumidores, através de um sistema de distribuição
integrado com a política de vendas do consumidor. Caso
contrário, se o adquirente do produto utiliza a mercadoria em
proveito próprio, seja como insumo ou matéria-prima de sua
linha de produção, o contrato de distribuição está
descaracterizado e o contrato em questão passaria a ser um
contrato de fornecimento ao invés de um contrato de
distribuição, por tais fundamentos o dever de revender o
produto adquirido pelo distribuidor tornar-se essencial no
contrato de distribuição;

13
c)Ao Distribuidor é assegurado um monopólio de revenda,
numa determinada zona territorial – Geralmente, as partes
contratantes estabelecem uma região em que o distribuidor
terá exclusividade para a comercialização dos produtos
adquiridos pelo fabricante. Com relação a esta cláusula,
entendemos não ser ela essencial ao contrato, mas apenas
acessória. Por óbvio, o empresário que pretende tornar-se um
distribuidor de uma determinada mercadoria deve negociar
com o fabricante dessa mercadoria o direito a exclusividade
em determinado território, caso contrário, o sucesso do
negócio e o próprio lucro ficariam seriamente comprometidos,
diante da própria concorrência que pode ser empreendida
pelo fabricante ou outros distribuidores.

d)O distribuidor assegura a exclusividade ao fabricante –


assim como a exclusividade territorial concedida pelo
fabricante ao distribuidor, a exclusividade do distribuidor ao
fabricante, também, é uma cláusula acessória ao contrato de
distribuição. A sua ausência não descaracteriza esta espécie
de contrato. A exclusividade concedida ao fabricante existe,
geralmente, para evitar o conflito de interesses das marcas
distribuídas pelo distribuidor, haja vista que, se o distribuidor
faz a distribuição de duas marcas concorrentes, em algumas
oportunidades, poderá haver o privilégio de uma delas em
detrimento de outra, por este motivo, é recomendável a
existência deste tipo de cláusula de exclusividade.

e)Garantia hipotecária concedida ao fabricante – Em


determinados contratos de distribuição, o fabricante concede
ao distribuidor um determinado crédito para que ele possa
adquirir as mercadorias e pagá-lo, quando conseguir revender
estas mercadorias. Como contrapartida deste crédito
concedido pelo fabricante, o distribuidor oferece ao fabricante
uma garantia de pagamento. Este tipo de cláusula depende da
14
forma como desenvolverá a relação entre o distribuidor e
fornecedor, exactamente, por isso, trata-se de uma cláusula
acessória ao contrato de distribuição;

f)Controle Externo sobre o distribuidor e suas actividades –


diante do facto de que, em última análise, é o distribuidor
responsável pela imagem da marca do fabricante, junto aos
consumidores, uma vez que o distribuidor é a última linha que
liga o consumidor ao produto, torna-se fundamental o
fabricante precaver-se para que a imagem do seu produto não
seja deturpada pelo distribuidor, zelando com relação ao
transporte da mercadoria, ao preço de revenda, entre outros
factores.

Distinção entre o Contrato de Distribuição Comercial


com outras espécies de contratos comerciais
semelhantes

Após a definição do contrato de distribuição e os


apontamentos das suas características essenciais e acessórias,
pode-se fazer um breve comentário da distinção do contrato
de distribuição e outras figuras jurídicas, inclusive, para
separá-lo de outros contratos que com ele guardam alguma
semelhança.

Contrato de distribuição e contrato de compra e venda

Em última instância, o contrato de distribuição não deixa


de ser um contrato de compra e venda mercantil, mas uma
compra e venda diferenciada, em função do carácter sucessivo
das relações mantidas entre o distribuidor e o fabricante.
Conforme a definição, observa-se que a distribuição apesar de
possuir características próprias, ela acoberta outras espécies

15
de contratos empresarias, entre os quais: a compra e venda
mercantil.

O facto de haver continuidade nas relações jurídicas


torna o contrato de distribuição distinto da compra e venda
simples, onde há a transferência da propriedade do bem – do
produtor/fabricante para o consumidor. Porém, ao contrário
da compra e venda que não coloca qualquer tipo de restrição
no uso do bem adquirido, o contrato de distribuição
necessariamente estabelece que o objecto do contrato de
compra e venda deve necessariamente ser revendido . Ainda
que o distribuidor tenha todos os poderes inerentes à
propriedade sobre o bem que é adquirido, junto ao produtor
ou fabricante, este bem não pode ser livremente disposto pelo
seu proprietário, ou melhor, pelo distribuidor.
A actividade empresarial do distribuidor é revender o
produto adquirido do fabricante, por isso, o bem acaba sendo
elemento fundamental do exercício da actividade do
distribuidor. Se não houver a revenda, o distribuidor não
cumpre com o seu objectivo social.

O carácter sucessivo da relação jurídica e o dever de


revender o produto adquirido do fabricante diferenciam o
contrato de compra e venda do contrato de distribuição.

Contrato de distribuição e contrato de fornecimento

Assim como o contrato de distribuição, o contrato de


fornecimento é pautado por relação jurídica de compra e
venda diferenciada de carácter sucessivo e, da mesma forma
que a distribuição mercantil, o contrato de fornecimento
possui – não necessariamente, mas, geralmente – a obrigação
de aquisição de uma determinada quantidade de produtos,

16
dentro de certo período tempo, a cada 30 dias, ou
quinzenalmente, etc.

O factor determinante de distinção entre estas duas


figuras jurídicas, está no poder de disposição da mercadoria
adquirida; no contrato de fornecimento, o adquirente pode
livremente dispor da mercadoria, prioritariamente, com a
finalidade de utilizá-la como insumo ou matéria-prima
no processo de industrialização; por outro lado, no contrato de
distribuição, o adquirente da mercadoria sofre restrição do
poder de disposição da mercadoria.

Para Rubens Requião, “o fornecimento serve para


satisfazer necessidades próprias do comprador, ao passo que
a compra e venda com exclusividade (distribuição) visa
fornecer ao concessionário produto para revender ou para dar
em locação”. Com razão, o ilustre jurista, Rubens Requião, diz
ainda que no contrato de distribuição, o distribuidor tem como
objectivo ampliar o mercado do fabricante, num determinado
território, para tanto a ligação comercial entre o distribuidor e
o fabricante é bem mais intensa, com cláusulas mais rígidas,
quanto ao fim da mercadoria adquirida, factos estes que não
se verificam no contrato de fornecimento.

Contrato de distribuição e contrato de representação


Comercial
A representação comercial é o contrato de colaboração
pelo qual o representante se obriga a fazer a mediação de
negócios mercantis em proveito do representado, em carácter
não eventual, tendo como objectivo o escoamento das
mercadorias produzidas pelo representado. Ou seja, na
representação comercial o dever do representante é apenas
fazer a aproximação entre o representado e seus clientes.
Com isso, a mercadoria não é sua propriedade, ao contrário
17
do contrato de distribuição. Por este motivo, se o cliente que
adquiriu a mercadoria deixa de honrar com o pagamento da
mercadoria, o representante não sofre o ónus da
inadimplência. O seu único eventual prejuízo seria deixar de
receber a comissão pela venda não concluída.

18

Você também pode gostar