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Questionário

O documento discute a evolução da Administração Pública no Brasil, destacando a transição do modelo burocrático de Getúlio Vargas para o modelo gerencial a partir de 1995, com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. A crise do Estado nos anos 1980 e a necessidade de redefinir seu papel foram fatores cruciais para a implementação de reformas que buscavam aumentar a eficiência e a governança. A relação entre Estado e sociedade é enfatizada, com um foco na cidadania e na equidade na prestação de serviços públicos.

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Questionário

O documento discute a evolução da Administração Pública no Brasil, destacando a transição do modelo burocrático de Getúlio Vargas para o modelo gerencial a partir de 1995, com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. A crise do Estado nos anos 1980 e a necessidade de redefinir seu papel foram fatores cruciais para a implementação de reformas que buscavam aumentar a eficiência e a governança. A relação entre Estado e sociedade é enfatizada, com um foco na cidadania e na equidade na prestação de serviços públicos.

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Uma breve reflexão sobre a evolução da Administração Pública e a Reforma

do Estado

Perguntas e Respostas Frequentes em Provas de Concursos:


P1: Qual documento é considerado o alicerce do modelo de modernização da
burocracia brasileira implementado a partir de 1995 e em qual governo ele foi
elaborado?


R1: O documento fundamental é o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do
Estado, elaborado em 1995 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso1.
Este plano marcou o início da implantação do modelo gerencial no Brasil.


P2: Qual foi a principal motivação de Getúlio Vargas para adotar o modelo
burocrático no Brasil e qual era a prática que ele buscava combater?


R2: Vargas optou pela adoção do modelo burocrático para combater as práticas
patrimonialistas. Essas práticas são descritas como "rent-seeking" ou
"privatização do Estado", que significa usar a máquina administrativa com fins
privados e escusos. A ideia era "colocar ordem na casa" através de um controle
minucioso das atividades-meio.


P3: O modelo burocrático implementado por Vargas buscou inspiração em
qual pensador e quais eram suas características esperadas para a
administração pública brasileira?


R3: O modelo idealizado por Vargas buscou referências no modelo de Weber.
Acreditava-se que a burocracia, devido ao seu caráter rígido e hierarquizado,
poderia ordenar a máquina administrativa no Brasil.


P4: Quais eram os três principais objetivos de Vargas ao implementar o
modelo burocrático no Brasil?


R4: Vargas almejava basicamente três coisas:


Criar uma estrutura administrativa organizada e uniforme.


Estabelecer uma política de pessoal com base no mérito.


Acabar com o nepotismo e a corrupção existentes. Nessa época, o modelo
burocrático era visto como o mais adaptado devido à desconfiança total que havia
no servidor público.


P5: Qual órgão foi criado para apoiar a implementação do modelo burocrático
de Vargas e qual foi seu sucesso em sua missão principal?


R5: Para facilitar a implementação do modelo, contou-se com o apoio do DASP
(Departamento Administrativo do Setor Público). Infelizmente, o DASP não
logrou êxito em sua missão de suprimir as práticas patrimonialistas.


P6: Por que o modelo burocrático, com o passar do tempo, revelou-se
inadequado em certos cenários, mesmo tendo sido a base inicial da
administração pública brasileira?


R6: Com o passar do tempo, percebeu-se que a burocracia, se exacerbada em suas
características, revela-se um modelo pouco flexível e inadequado em cenários
dinâmicos, que exigem agilidade.


P7: Cite algumas das tentativas de desburocratização no Brasil que ocorreram
antes da implantação do modelo gerencial em 1995.


R7: Identificam-se diversas tentativas de desburocratizar a máquina administrativa,
como a criação do COSB (Comitê de Simplificação da Burocracia), da SEMOR
(Secretaria de Modernização da Reforma Administrativa), o Decreto-Lei nº 200, de
1967, e o PND (Programa Nacional de Desburocratização). No entanto, nenhuma
dessas iniciativas teve o sucesso desejado.

P1: De que forma o modelo gerencial, em sua fase inicial, propõe a


administração da res publica e qual era o objetivo principal dessa abordagem?


R1: O modelo gerencial, em sua fase inicial, implica em administrar a res publica
de forma semelhante ao setor privado, com foco na eficiência. O objetivo
principal era maximizar a riqueza do acionista ou a satisfação do usuário
(considerando-se a realidade do serviço público). Isso envolvia a adoção de uma
postura mais empresarial, empreendedora, aberta a novas ideias e voltada
para o incremento na geração de receitas e no maior controle dos gastos
públicos.


P2: Qual foi o cenário econômico que impulsionou o surgimento do modelo
gerencial e o que aconteceu com o conceito de Welfare State (Estado de Bem-
Estar Social) nesse contexto?


R2: O modelo gerencial foi concebido em um cenário de crise do petróleo na
década de 1970, que esgotou as condições que viabilizavam a manutenção do
Welfare State (Estado de Bem-Estar Social). Nesse modelo anterior, o Estado era
entendido como o responsável por proporcionar uma vasta gama de serviços à
população, como saúde, educação e habitação. A partir da crise, começou a ser
difundida a ideia de devolução ao setor privado dos serviços que o Poder
Público não tinha condições de prestar com eficiência (privatizações).


P3: No contexto do modelo gerencial e da crise do Welfare State, qual nova
redefinição de papel foi proposta para o Estado? Qual conceito voltou a
ganhar força?


R3: A proposta foi a redefinição do que caberia efetivamente ao Estado fazer e
o que deveria ser delegado ao setor privado. O Estado deveria desenvolver
aquilo que lhe é intrínseco, como Diplomacia, Segurança e Fiscalização. Nesse
cenário, o conceito de "Estado Mínimo" voltou a ganhar força. Ou seja, o que se
propôs foi a quebra de um paradigma.


P4: Qual obra é citada como referência para a construção do modelo gerencial
e quais são alguns dos princípios destacados para este modelo?


R4: Como referência, é possível citar a obra de Osborne & Gaebler,
"Reinventando o Governo". Dentre os princípios destacados a serem observados
na construção deste modelo, estão:


Formação de parcerias;


Foco em resultados;


Visão estratégica;


Estado catalisador, em vez de remador;

Visão compartilhada; e


Busca da excelência.


P5: Qual era o principal anseio da sociedade que o modelo gerencial (puro,
inicial) buscou responder e quais são as duas correntes que o Managerialism
congrega atualmente?


R5: O modelo gerencial (puro, inicial) buscou responder com maior agilidade e
eficiência aos anseios da sociedade, que estava insatisfeita com os serviços
recebidos do setor público. Atualmente, o Managerialism congrega ainda duas
correntes: o Consumerism e o Public Service Orientation (PSO).


P6: Como se descreve a evolução da administração gerencial em termos de
suas fases? O PSO representa a versão final dessa evolução?


R6: Se considerarmos um continuum, é possível inferir que a administração
gerencial evoluiu do Managerialism para o PSO3. Contudo, não é possível
afirmar que o PSO representa a versão final da administração gerencial.

P1: Explique as razões pelas quais o conceito de "usuário do serviço público"


como "cliente-consumidor" perdeu força na fase mais recente da
Administração Gerencial, e qual conceito o substituiu, justificando a mudança.


R1: O conceito de "usuário do serviço público" como "cliente-consumidor" perdeu
força na fase mais recente da Administração Gerencial, principalmente porque a
ideia de consumidor poderia levar a um atendimento melhor para alguns e pior
para outros1, em um universo onde todos têm os mesmos direitos.


Essa preocupação surge do entendimento de que clientes mais bem organizados e
estruturados teriam mais poder para pleitear mais ou melhores serviços,
culminando em prejuízo para os menos estruturados.


Por essa razão, nesta abordagem mais recente, é preferível o uso do conceito de
cidadão1. Ao invés de buscar a sua satisfação individual, o foco passa a ser a
consecução do bem-comum. O que se busca é a equidade, ou seja, o
tratamento igual a todos os que se encontram em situações equivalentes.


Nesse diapasão, os cidadãos teriam, além de direitos, obrigações perante à
sociedade, tais como a fiscalização da res publica, vindo a cobrar, inclusive, que os
maus gestores sejam responsabilizados (accountability) por atos praticados com
inobservância da Legislação ou do interesse público.


P2: De acordo com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, como é
caracterizada a relação entre Estado e sociedade em uma democracia, e qual o
papel do diálogo entre ambos na definição das prioridades governamentais?


R2: De acordo com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, em uma
democracia, Estado e sociedade formam um todo indivisível.


O Estado, cuja competência e limites de atuação estão definidos precipuamente na
Constituição, deriva seu poder de legislar e de tributar a população da
legitimidade que lhe outorga a cidadania, via processo eleitoral.


A sociedade, por seu turno, manifesta seus anseios e demandas por meio de
canais formais ou informais de contato com as autoridades constituídas.


É precisamente através do diálogo democrático entre o Estado e a sociedade
que se definem as prioridades a que o Governo deve ater-se para a construção
de um país mais próspero e justo.


P3: No contexto brasileiro, qual a principal especificidade da atuação do
Estado que justificou a necessidade de uma reforma profunda, especialmente
na década de 1990?


R3: No Brasil, o tema da reforma da Administração Pública adquire relevância
particular, porque o Estado, em razão do modelo de desenvolvimento adotado,
desviou-se de suas funções precípuas para atuar com grande ênfase na esfera
produtiva.


Essa maciça interferência do Estado no mercado acarretou distorções
crescentes e levou à convivência com artificialismos que se tornaram
insustentáveis na década de 1912.


Essa situação destacou a necessidade de uma reforma que buscasse redefinir o
papel do Estado, diferentemente do debate acalorado que se observava em todo o
mundo sobre o grau de intervenção estatal na economia.

P1: Descreva as principais características da crise do Estado que se tornou


evidente nos anos 1980 e, segundo o texto, qual foi sua causa fundamental.


R1: A crise do Estado teve início nos anos 1970, mas só se tornou evidente nos
anos 19801. Suas manifestações incluíram descontrole fiscal, redução nas taxas
de crescimento econômico, aumento do desemprego e elevados índices de
inflação em diversos países.


Após várias tentativas de explicação, ficou claro que a causa fundamental dessa
desaceleração econômica nos países desenvolvidos e dos graves desequilíbrios na
América Latina e no Leste Europeu era a crise do Estado, que não soubera
processar de forma adequada a sobrecarga de demandas a ele dirigidas. A
desordem econômica expressava a dificuldade do Estado em continuar a
administrar as crescentes expectativas em relação à política de bem-estar aplicada
com relativo sucesso no pós-guerra.


A crise do Estado, então, define-se como uma crise fiscal (perda de crédito do
Estado, poupança pública negativa), o esgotamento da estratégia estatizante de
intervenção do Estado (como o Estado do bem-estar social, a substituição de
importações e o estatismo comunista) e a superação da administração pública
burocrática.


P2: No contexto brasileiro, qual a principal especificidade que tornou a
redefinição do papel do Estado uma questão de "importância decisiva", e qual
foi a resposta "consistente" para a crise que surgiu em meados dos anos
1990?


R2: A redefinição do papel do Estado foi um tema de alcance universal nos anos
19905. No Brasil, essa questão adquiriu importância decisiva devido ao peso da
presença do Estado na economia nacional5. O Estado brasileiro, em razão do
modelo de desenvolvimento adotado, desviou-se de suas funções precípuas
para atuar com grande ênfase na esfera produtiva, o que acarretou distorções
crescentes e artificialismos que se tornaram insustentáveis na década de 1990.


Historicamente, o aparelho do Estado brasileiro concentrava e centralizava funções,
caracterizando-se pela rigidez dos procedimentos e pelo excesso de normas e
regulamentos, contribuindo para a crise.

Inicialmente, a reação à crise nos anos 1980 foi ignorá-la, e uma segunda resposta
inadequada foi a ideologia neoliberal do "Estado mínimo". No entanto, foi somente
em meados dos anos 1990 que surgiu uma resposta consistente para o desafio
de superação da crise: a ideia da reforma ou reconstrução do Estado, visando
resgatar sua autonomia financeira e sua capacidade de implementar políticas
públicas.


P3: O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado de 1995 propôs
diversas ações "inadiáveis" para a reconstrução do Estado e o aumento de
sua "governança". Enumere as cinco principais ações listadas.


R3: Para superar a crise e aumentar a "governança" do Estado – ou seja, sua
capacidade de implementar de forma eficiente políticas públicas – o Plano Diretor
apontou como inadiáveis as seguintes cinco ações:

1.
O ajustamento fiscal duradouro.

2.
As reformas econômicas orientadas para o mercado, que, acompanhadas de
uma política industrial e tecnológica, garantam a concorrência interna e criem as
condições para o enfrentamento da competição internacional.

3.
A reforma da previdência social.

4.
A inovação dos instrumentos de política social, proporcionando maior
abrangência e promovendo melhor qualidade para os serviços sociais.

5.
A reforma do aparelho do Estado, com vistas a aumentar sua "governança".


P4: Qual o papel estratégico que o Estado assumiu após a Primeira Grande
Guerra Mundial e a Grande Depressão, e por que esse modelo se mostrou
"superado" nos 20 anos que antecederam a publicação do texto
(aproximadamente na década de 1970 em diante)?


R4: A Primeira Grande Guerra Mundial e a Grande Depressão foram o marco da
crise do mercado e do Estado liberal. Surge em seu lugar um novo formato de
Estado, que assume um papel decisivo na promoção do desenvolvimento
econômico e social. A partir desse momento, o Estado passa a desempenhar um
papel estratégico na coordenação da economia capitalista, promovendo
poupança forçada, alavancando o desenvolvimento econômico, corrigindo as
distorções do mercado e garantindo uma distribuição de renda mais igualitária9.


Não obstante, esse modelo se mostrou superado nos últimos 20 anos
(considerando a época da publicação do texto, o que remete aproximadamente à
década de 1970 em diante). Ele se tornou vítima de distorções decorrentes da
tendência observada em grupos de empresários e de funcionários que
buscavam utilizar o Estado em seu próprio benefício. Adicionalmente, foi vítima
da aceleração do desenvolvimento tecnológico e da globalização da economia
mundial, que tornaram a competição entre as nações muito mais aguda.

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 0O ESTADO: TRÊS PODERES

P1: De acordo com o texto, qual é a distinção fundamental entre "reforma do


Estado" e "reforma do aparelho do Estado", e quais são os componentes de
cada um dos conceitos de "Estado" e "aparelho do Estado"?


R1: A distinção fundamental entre a reforma do Estado e a reforma do aparelho
do Estado reside no seu escopo e objetivos.


A reforma do Estado é um projeto amplo que diz respeito às várias áreas do
governo e, ainda, ao conjunto da sociedade brasileira. Ela deve ser entendida
dentro do contexto da redefinição do papel do Estado, que deixa de ser o
responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social pela via da produção
de bens e serviços, para fortalecer-se na função de promotor e regulador desse
desenvolvimento.


Por outro lado, a reforma do aparelho do Estado tem um escopo mais restrito:
está orientada para tornar a administração pública mais eficiente e mais voltada
para a cidadania.


Em relação aos conceitos:


O aparelho do Estado entende-se como a administração pública em sentido
amplo, ou seja, a estrutura organizacional do Estado. Ele abrange os três
Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e os três níveis (União, Estados-
membros e Municípios). É constituído pelo governo (cúpula dirigente nos três
Poderes), por um corpo de funcionários e pela força militar.


O Estado, por sua vez, é mais abrangente que o aparelho. Ele compreende
adicionalmente o sistema constitucional-legal que regula a população nos limites
de um território. É a organização burocrática que tem o monopólio da violência
legal, e o aparelho que tem o poder de legislar e tributar a população de um
determinado território.


P2: O texto aponta que o Estado tendeu a assumir funções diretas de
execução para certos objetivos, mas que isso gerou distorções. Diante disso,
quais são os dois processos principais propostos para "reformar o Estado" e
qual a diferença entre eles, com exemplos?


R2: Para reformar o Estado e superar as distorções e ineficiências resultantes da
sua tendência de assumir funções diretas de execução para objetivos sociais e
econômicos, o texto salienta dois processos principais:


1. Privatização: Este processo envolve a transferência para o setor privado das
atividades que podem ser controladas pelo mercado. Há uma generalização dos
processos de privatização de empresas estatais.


2. Publicização: Este é um processo considerado tão importante quanto a
privatização, mas que, segundo o texto, não está tão claro. Consiste na
descentralização para o setor público não-estatal da execução de serviços que
não envolvem o exercício do poder de Estado, mas que devem ser
subsidiados pelo Estado.


Exemplos de serviços que se enquadram na publicização são os serviços de
educação, saúde, cultura e pesquisa científica.


A principal diferença entre eles reside no destinatário da transferência e na
natureza da atividade:


A privatização transfere para o setor privado (com fins lucrativos) atividades que
podem ser controladas pelo mercado.


A publicização transfere para o setor público não-estatal (geralmente
organizações sociais, sem fins lucrativos) serviços que, embora não envolvam
poder de Estado, necessitam de subsídio estatal, mantendo uma responsabilidade
pública indireta sobre eles.


P3: Explique a função essencial do Estado no plano econômico, conforme
descrito no texto, e como ele busca atingir seus objetivos clássicos, sociais e
econômicos.


R3: No plano econômico, o Estado é essencialmente um instrumento de
transferências de renda. Sua existência se torna necessária devido à presença de
bens públicos e de economias externas, que limitam a capacidade de alocação
de recursos do mercado. Para realizar essa função redistribuidora ou realocadora, o
Estado coleta impostos. Estes impostos são destinados a diversos objetivos:


Objetivos clássicos: Garantia da ordem interna e da segurança externa.


Objetivos sociais: Busca por maior justiça ou igualdade.


Objetivos econômicos: Promoção da estabilização e do desenvolvimento.


É importante notar que, para realizar os objetivos sociais e econômicos, que se
tornaram centrais no século da publicação do texto, o Estado tendeu a assumir
funções diretas de execução, o que, entretanto, resultou em distorções e
ineficiências, levando à necessidade da reforma.

GOVERNANÇA E GOVERNABILIDADE

R1: A reforma do Estado, segundo o texto, envolve múltiplos aspectos cruciais.


Além da reforma do aparelho do Estado, os principais são:


O ajuste fiscal, que tem como finalidade devolver ao Estado a capacidade de
definir e implementar políticas públicas.


A liberalização comercial, por meio da qual o Estado abandona a estratégia
protecionista da substituição de importações.


O programa de privatizações, que reflete a conscientização da grave crise fiscal e
da correlata limitação da capacidade do Estado de promover poupança forçada por
meio das empresas estatais. Sua finalidade é transferir para o setor privado a
tarefa da produção, pois, em princípio, este a realiza de forma mais eficiente.


O programa de publicização, que consiste na transferência para o setor público
não-estatal da produção dos serviços competitivos ou não-exclusivos de
Estado, estabelecendo um sistema de parceria entre Estado e sociedade para seu
financiamento e controle. Com isso, o Estado reduz seu papel de executor direto de
serviços, mas mantém-se como regulador e promotor.


P2: O texto diferencia os processos de privatização e publicização no contexto
da reforma do Estado. Explique o que cada um envolve e qual o papel do
Estado após a implementação de cada um deles, incluindo exemplos
específicos de serviços relacionados à publicização.


R2: Os processos de privatização e publicização são estratégias centrais na reforma
do Estado, com distinções claras.


A privatização envolve a transferência para o setor privado da tarefa da
produção. Esta medida é motivada pela crise fiscal e pela limitação da capacidade
do Estado em promover poupança forçada através de empresas estatais. O
pressuposto é que o setor privado realiza a produção de forma mais eficiente. Após
a privatização, o papel do Estado tende a se concentrar na regulação das
atividades transferidas.


A publicização implica a transferência para o setor público não-estatal da
produção de serviços competitivos ou não-exclusivos de Estado. É
estabelecido um sistema de parceria entre o Estado e a sociedade para o
financiamento e controle desses serviços. Por meio da publicização, o Estado
reduz seu papel como executor ou prestador direto de serviços, mas mantém-
se no papel de regulador e provedor ou promotor destes.


Exemplos de serviços para os quais se aplica a publicização são os serviços
sociais como educação e saúde. O Estado continua a subsidiá-los, buscando o
controle social direto e a participação da sociedade.


P3: No contexto da "nova perspectiva" da reforma do Estado, quais funções o
Estado busca fortalecer, e qual a principal estratégia de descentralização
vertical mencionada para a prestação de serviços? Por que a manutenção do
papel do Estado na promoção de serviços sociais é considerada essencial?


R3: Nesta nova perspectiva da reforma do Estado, busca-se o fortalecimento das
funções de regulação e de coordenação do Estado, particularmente no nível
federal.

A principal estratégia de descentralização vertical mencionada é a progressiva
descentralização para os níveis estadual e municipal das funções executivas
no campo da prestação de serviços sociais e de infra-estrutura.


A manutenção do papel do Estado como promotor desses serviços sociais (como
educação e saúde) é considerada essencial por várias razões:


Para o desenvolvimento, na medida em que envolvem investimento em capital
humano.


Para a democracia, pois promovem cidadãos.


Para uma distribuição de renda mais justa, visto que o mercado é incapaz de
garantir isso, dada a oferta muito superior à demanda de mão-de-obra não-
especializada. O Estado continuará a subsidiá-los, buscando, ao mesmo tempo, o
controle social direto e a participação da sociedade.


P4: O texto faz uma distinção clara entre "governabilidade" e "governança" no
contexto da reforma do Estado no Brasil. Explique o que cada um desses
termos significa e qual o principal desafio enfrentado pelo governo brasileiro,
de acordo com a análise apresentada.


R4: O texto distingue "governabilidade" e "governança" como conceitos cruciais
para a compreensão da reforma do Estado no Brasil.


Governabilidade refere-se ao poder para governar. No caso brasileiro, o governo
não carece de "governabilidade", dada sua legitimidade democrática e o apoio
com que conta na sociedade civil.


Governança refere-se à capacidade de governo do Estado, ou seja, sua
capacidade de implementar as políticas.


De acordo com a análise, o principal desafio enfrentado pelo governo brasileiro
é um problema de "governança". Sua capacidade de implementar as políticas é
limitada pela rigidez e ineficiência da máquina administrativa. Para reforçar
essa governança, busca-se a transição de uma administração pública
burocrática, rígida e ineficiente, para uma administração pública gerencial,
flexível e eficiente, voltada para o atendimento do cidadão.
REDES ORGANIZACIONAIS

R1: O principal objetivo da implementação de uma moderna rede de comunicação


de dados é interligar, de forma segura e ágil, a administração pública,
permitindo um compartilhamento adequado das informações e um serviço de
comunicação eletrônica para repassar à sociedade em geral e aos próprios órgãos
do governo a maior quantidade possível de informação. Isso contribui para melhor
transparência e maior eficiência na condução dos negócios do Estado. Os três
principais pontos de ênfase na construção da Rede do Governo são:


Segurança para garantir a privacidade e inviolabilidade da comunicação.


Padronização de procedimentos para diminuir custos e simplificar o uso.


Compartilhamento de informações para evitar desperdícios.


P2: Qual o objetivo geral dos sistemas administrativos voltados para a gestão
pública e qual a principal limitação identificada no texto em relação à sua
concepção e funcionalidade atual? Cite dois exemplos de sistemas
mencionados.


R2: O objetivo geral dos sistemas administrativos voltados para a gestão pública é
permitir a transparência na implementação das diversas ações do governo,
possibilitando seu acompanhamento e avaliação, bem como a disponibilização das
informações não privativas e não confidenciais para o governo como um todo e a
sociedade. A principal limitação identificada é que esses sistemas têm sido,
independentemente das intenções de sua concepção inicial, voltados para as
necessidades operacionais da administração pública56. Consequentemente,
tornaram secundárias ou inexistentes tanto as informações gerenciais quanto
as de interesse público, e não têm exercido a função de instrumentos de apoio
à tomada de decisão6. Dois exemplos de sistemas mencionados são:


SIAFI: Registro dos gastos efetuados pelo Tesouro Nacional.


SIAPE: Folha de pagamento e dados cadastrais dos servidores civis federais.
(Outros exemplos seriam SIDOR, SISPLAN, SIASG, SIORG).


P3: Para superar as limitações dos sistemas de gestão pública existentes, o
que é considerado necessário em termos de projeto e de qualidade da
informação? Como a melhoria e a acessibilidade desses sistemas se articulam
com o "Projeto Cidadão" e a "Rede de Governo"?


R3: Para superar as limitações dos sistemas de gestão pública, é necessário um
projeto que permita a interligação e o redirecionamento estratégico dos
diversos sistemas de informação, de forma a incorporar os novos conceitos de
gestão do aparelho do Estado. Além de estabelecer padrões de integração e
suporte tecnológico adequados, é preciso buscar informações coletadas de forma
coerente e sem duplicidade e processadas com segurança e eficiência, que
possuam um caráter gerencial e sejam disponibilizadas para toda a administração
pública. A melhoria e a acessibilidade desses sistemas se articulam com o "Projeto
Cidadão" e a "Rede de Governo" ao possibilitar que, aumentando a confiabilidade e
diminuindo seus custos, eles se tornem acessíveis à sociedade, para que esta
controle e julgue o desempenho da administração pública. Dessa forma, os
sistemas estarão articulados com os objetivos do Projeto Cidadão e da Rede do
Governo, permitindo que a disponibilização dessas informações ocorra por vários
meios (com ênfase em sistemas de fácil acesso, como a Internet) alimentados
permanentemente pelos serviços e recursos da Rede do Governo.

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