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CAPÍTULO I: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA SOBRE A EVASÃO
FISCAL: A PERSPECTIVA DOS CONTRIBUINTES
CERTIFICADOS E O IMPACTO NA SOCIEDADE
1.1. Definições e Conceitos
O termo "evasão fiscal" deriva do latim. "Evasio" significa "fuga" e "fiscalis" refere-se
a
algo "relativo aos impostos". Juntas, essas palavras formam o conceito de "fuga dos
impostos".
Segundo Allingham e Sandmo(1972) "definem a evasão fiscal como a tentativa de
reduzir a carga tributária mediante a ocultação de rendimentos ou a declaração de
despesas fictícias,sendo uma práticailegal".
Historicamente, a evasão fiscal tem sido praticada desde os tempos antigos,
quando
indivídouos e comerciantes buscavam evitar a tributação imposta pelos governantes.
Esta é uma prática que existe há a milhares de anos. No terceiro século, os romanos
mais poderosos enterravam as suas joias e peças de ouro para evitar o pagamento
de imposto (Webber & Wildavsky, 1986). No
contexto moderno evasão fiscal refere-se às práticas ilegais utilizadas para esconder
rendas ou reduzir a carga tributária de forma fraudulenta, impactando
negativamente a arrecadação de impostos e a economia de um país.
Sendo a evasão fiscal um ílicito, quer isso dizer que está em contradição com
a lei, ou seja, o Direito Tributário, que segundo RAFAEL e LUNETA (2020) "O
Direito Tributário é o ramo do direito formado
pelo conjunto de princípios e normas jurídicas que versam sobre a instituiçāo,
existência, e extinção da dívida tributária".
A Evasão Fiscal tem sido, como referido anteriormente, um tema de interesse de
estudo há vários anos, contudo é um fenómeno altamente complexo para se
conseguir mensurar, pois
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envolve comportamentos que são executados através de mecanismos complexos
para que não sejam facilmente detetados, como por exemplo através do uso do
sigilo bancário e através do aproveitamento indevido de benefícios fiscais.
Infelizmente, grande parte dos dados cruciais para abordar esta temática estão
geralmente presentes nas declarações fiscais de rendimento, é sendo altamente
restrito o seu acesso público. Alguns países recusam-se mesmo a quantificar ou a
permitir a quantificação deste fenómeno (Murphy, 2019).
A relação entre o aumento da Evasão Fiscal e o aumento da carga fiscal é uma
questão
de longa data que tem intrigado vários economistas, estudiosos e as autoridades
fiscais. Remontando a 1920, o economista Taussig já sinalizava que, à medida que a
carga tributária cresce, aumenta o risco de evasão fiscal e a possível
desmoralização dos contribuintes (Taussig,
1920).
Em 1972, um marco importante neste campo de estudo foi estabelecido por
Allingham
& Sandmo, que apresentaram um dos principais modelos pioneiros para entender
esta relação estratégica entre a carga tributária e a Evasão Fiscal. O estudo
elaborado por estes visava examinar como a tributação está ligada à Evasão Fiscal,
baseando-se na premissa de que os
contribuintes menos avessos ao risco são mais propensos a evadir os impostos.
Para alcançar uma melhor compreensão, o modelo incorporou variáveis cruciais
como os níveis de rendimento, as taxas de imposto, a probabilidade de deteção por
parte das autoridades fiscais competentes, bem como as penalidades associadas a
Evasão (Allingham & Sandmo, 1972). O estudo realizado por estes autores abordou
estas variáveis tendo em consideração duas
perspetivas: uma estática, onde não considera o fator temporal, e outra dinâmica,
onde as ações futuras impactam as decisões passadas. Este estudo pioneiro revelou
a natureza da evasão fiscal, reconhecendo não apenas variáveis incluídas no
modelo, mas também fatores sociais como a reputação, que influenciam de forma
significativa os comportamentos dos contribuintes. Os resultados apontaram que a
probabilidade de deteção e as penalidades associadas a este
comportamento exercem uma influência negativa sobre a Evasão Fiscal. O estudo
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mostrou resultados inconclusivos no que diz respeito às taxas de juro e ao nível do
rendimento, ou seja, a variação destas variáveis pode resultam tanto num aumento
como numa diminuição da evasão fiscal. Passado dois anos desta publicação,
Yitzhaki (1974) apresentou uma nota ao estudo original que divergiu das principais
conclusões apontadas por Allingham & Sandmo (1972).
Enquanto, que, para os primeiros autores os impactos das taxas de juro influenciam
de forma ambígua a evasão fiscal, este último defendeu no seu estudo, através das
suas análises, que o aumento das taxas de juro levava a uma redução da evasão
fiscal (Yitzhaki, 1974). Tanzi (1983) conduziu um estudo sobre a economia
subterrânea nos Estados Unidos, abrangendo o período de 1930 a 1980, onde
estabeleceu uma conexão entre a quantidade de dinheiro em circulação e a evasão
fiscal, um tema anteriormente explorado por Gutmann (Gutmann, 1977). Segundo
Tanzi, o aumento da carga tributária incentiva os contribuintes a explorarem
atividades que facilitem a Evasão Fiscal. Muitas dessas atividades envolvem
transações em dinheiro, como restaurantes, que permitem que o dinheiro circule sem
deixar qualquer rasto fiscal. Estas atividades contribuem de forma contínua para o
aumento da evasão fiscal e resulta em mais dinheiro mantido pelos indivíduos em
circulação na economia (Tanzi, 1983).
Em 1991, Feinstein (1991) introduz variáveis socioeconômicas adicionais que afetam
a evasão fiscal. No decorrer do seu estudo, este autor prova que a evasão tende a
aumentar com o aumento da carga tributária e dos níveis de rendimento, mas
reconhece a complexidade de analisar o efeito individual de cada uma dessas
variáveis (Feinstein, 1991), alinhando-se com as conclusões de Allingham & Sandmo
(1972).
1.2 Planeamento Tributário
Segundo "(Amorim, 2007) " podemos distinguir três tipos de comportamentos de os
contribuintes se posicionarem ao abrigo do pagamento de imposto nomeadamente:
comportamentos intra legem (vias legais), extra legem (vias antijurídicas) ou contra
legem (vias ilícitas)".
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O comportamento Intra Legem (Por vias Legais) dá lugar ao Planeamento tributário
(tax planning) que é a forma de poupança fiscal, com o intuito de diminuir os
impostos a pagar de uma determinada entidade, consoante os limites permitidos por
lei. A própria lei incentiva a realização de poupança fiscal através de deduções
específicas, abatimentos a matéria coletável, isenções ficais e benefícios ficais, por
exemplo.
1.2.1. Modalidades do Planeamento tributário
No Planeamento tributário existem duas modalidades que referem-se às diferentes
estratégias e métodos que os contribuintes podem usar para organizar suas
actividades econômicas de modo a minimizar a carga fiscal.
Essas modalidades abragem uma série de ações legais e éticas para reduzir, evitar
ou adiar o pagamento de impostos. As principais modalidades do Planeamento
tributário são:
Elisão Fiscal-extra legem (vias antijurídicas)
Evasão Fiscal-contra legem (vias ilícitas).
1.2.1.1 Elisão Fiscal
Elisão Fiscal refere-se à economia de tributos (tax savings ou tax avoid
ance),onde as ações do contribuinte estão em consonância com a lei, sem
simulação.
Esta estratégia não se traduz na diminuição da carga fiscal a pagar pelos
contribuintes ou pelas entidades, mas sim, segundo Sanches (2000), na “intenção
manifesta de tornear o ordenamento jurídico-tributário, para conseguir um objetivo
contrário
aos valores que o estruturam".Correspondendo a um planeamento fiscal abusivo.
Traduz-se em negócios jurídicos menos onerosos, que apesar de serem
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considerados lícitos, são considerados antijurídicos. Ou seja, não se verifica uma
violação direta das normas fiscais, mas sim no desenvolvimento de habilidades
fiscais, praticando-se práticas contabilísticas que são favoráveis para as entidades e
para os contribuintes (Almeida, 2021).
A empresa ou indivíduo faz escolhas estratégicas de
acordo com a lei para reduzir a incidência de tributos,como reestruturar operações
ou escolher diferentes formas de contratação.
Exemplo: Optar por arrendamento mercantil em vez de adquirir um bem
para economizar tributos.
1.3. Evasão Fiscal
Segundo RAFAEL e LUNETA (2020), "a evasāo fiscal (tax avoidance), consiste na
actuação do negócio menos tributado de forma ilícita, ou seja, tendo como seu pano
de fundo a sonegação, vulgo fuga ao Fisco, e a fraude fiscal, alicerçada na
simulação, na dissimulação e no dolo como
meio de actuação".
Este tipo de comportamento é caracterizado como um ato ilícito, que viola de
forma intencional e de forma direta as normas existentes com o objetivo de ver a sua
carga fiscal diminuída. Segundo a OCDE, este comportamento é definido como “o
processo ilegal onde as responsabilidades fiscais são escondidas ou ignoradas ”
(OCDE, 2023).
Estamos perante este comportamento quando o contribuinte não cumpre a
obrigação fiscal de pagar o tributo (ou imposto) que lhe incumbia pagar, evitando ou
contrariando o facto legal ou contrato ao qual a lei fiscalliga o pagamento de imposto.
Exemplo: Não declarar a totalidade das receitas para reduzir a base de
cálculo do imposto.
Segundo BirdeZolt(2008) "destacam que a evasão fiscal se diferencia da elisão e do
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planejamento fiscal pela legalidade das práticas envolvidas.A evasão fiscal é ilícita,
enquanto a elusão se aproveita de lacunas legais,e o planejamento fiscal utiliza
mecanismos permitidos por lei para reduzir a carga tributária".
Comportamento
Contra Legem Tax Evasion
Práticas que
violam de forma
direta e
intencional as
normas.
Comportamento
Extra Legem Tax Avoidance
Redução dos
pagamentos
tributários
através do uso
abusivo dos
benefícios
fiscais ou
lacunas da lei.
Comportamento
Intra Legem Tax Planning
Aproveitamento
da lei.
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O contribuinte
opta pela opção
com menor
encargo.
Figura 1 - Tipos de Comportamentos face ao pagamento de impostos
Fonte: Elaboração própria
1.3.1. Práticas Comuns de Evasão Fiscal
A evasão fiscal ocorre quando contribuintes deliberadamente omitem
informações ou
fornecem informações falsas às autoridades fiscais. Desta forma, a prática pode
incluir
subdeclarar rendimentos, ocultar bens ou transações financeiras, utilizar empresas
de fachada para mascarar atividades econômicas reais, entre outras estratégias
ilícitas.
Em qualquer um dos casos existem riscos diretos que impactam a empresa. Afinal, a
evasão fiscal é uma prática ilegal e pode resultar em penalidades diversas, que vão
desde multas, sanções e até mesmo detenção dos responsáveis pelo negócio.
Todas as empresas angolanas arcam com obrigações fiscais. Essas podem ser de
cunho municipal, províncial. No entanto, em todos os casos as obrigações devem
ser honradas para evitar problemas legais.
No entanto, neste contexto ocorre a evasão fiscal. Ela se dá quando a
empresa altera dados de suas declarações para reduzir ou isentar-se de tributos que
deveriam ser pagos. É uma prática ilegal e passível de penalidades. Os meios mais
comuns de evasão fiscal são:
Subdeclaração de Rendimentos: Indivíduos ou empresas omitem parte de seus
rendimentos ao declarar imposto de renda, seja através da não declaração de certas
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fontes de renda ou pela manipulação de registros contábeis.
Uso de Paraísos fiscais: são também conhecidos como jurisdições de baixa
tributação ou centro financeiros offshore. Os paraísos fiscais tem sido alvo de
debates intensos numa escala global devido à sua natureza opaca e ao impacto que
exercem sobre as financeiras no global. Estes países oferecem benefícios fiscais
atrativos, com impostos baixos ou inexistentes, sigilo
financeiro e regulamentações flexíveis, que atraem os contribuintes e as empresas
,evitando o pagamento de impostos mais altos nas em seus países de origem.
Subfaturamento de Transações: Empresas podem declarar valores inferiores em
suas
transações comerciais para reduzir a base tributável sobre a qual os impostos são
calculados.
Fraudes e Emissão de Notas Fiscais Falsas: Alguns contribuintes emitem notas
fiscais
fraudulentas ou utilizam documentos falsos para justificar despesas inexistentes ou
infladas, reduzindo assim seus lucros tributáveis.
Uso de Estruturas Complexas e Empresas de Fachada: Criar empresas fictícias ou
estruturas complexas de negócios pode ser uma maneira de camuflar transações
financeiras e evitar a detecção pelas autoridades fiscais.
Todos esses casos representam práticas de evasão fiscal e podem ser penalizados
como tal. Para a empresa isso traz consequências graves, assim como para a
sociedade. Trataremos desse tópico no capítulo a seguir.
1.3.2. Principais causas da Evasão Fiscal
Segundo Correia (2019), citado de Pereira (2007), para este último existem quatro
causas principais para o incumprimento fiscal que são: as causas económicas,
políticas, psicológicas e as causas técnicas.
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Causa económica: Em períodos de crise económica existe uma maior
propensão para a realização de fuga fiscal. O agravamento das condições sociais, o
desemprego, o aumento da tributação sobre o consumo e sobre o rendimento
apelam a tentação da prática de evasão fiscal e fraude fiscal
Causas políticas: Dizem respeito à falta de equidade existente entre os impostos.
Causas psicológicas: resultam de um clima social que aceita as condutas de fraude
fiscal e evasão fiscal.
Causas técnicas: Estas estão associadas
com o grau de instabilidade, segurança e complexidade do sistema fiscal.
1.4. A Perspectiva dos contribuintes Certificados
O sujeito passive é aquele que responde pelo débito inerente a obrigação
tributária. Usualmente, é o contribuinte, é aquele que protagoniza a situação factice
descrita na incidência objectiva.
Contribuinte: é qualquer pessoa física ou jurídica que está sujeito ao pagamento de
impostos.
Em Angola, isso inclui cidadãos, empresas, e qualquer entidadde que obtenha renda,
possua bens ou realize transações sujeitas a tributação.
Um contribuinte certificado é aquele que cumpre regularmente com suas obrigações
fiscais e é reconhecido pelass autoridades fiscais por seu comportamento exemplar.
Este reconhecimento
pode trazer benefícios, como:
Acesso a Incentivos Fiscais: Contribuites certificados podem ter direito a incentivos
fiscais e outras vantagens que não estão disponíveis para outros contribuintes.
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Facilitação de Processos Fiscais: O reconhecimento facilita a tramitação de
processos
fiscais, tornando-os menos burocráticos.
Credibilidade e Reputação: Ser um contribuinte certificado aumenta a credibilidade
junto
a parceiros comerciais e instituições financeiras, demonstrando responsabilidade e
transparência.
A certificação é um sinal de que o contribuinte está em conformidade com as leis
fiscai.
Em Angola os contribuintes certificados representam a menoria, enfrentando assim
vários desafios, e tal motivo chega a desincentivar a permanência no caminho da
Legalidade. As princípais causas da evasão fiscal em Angola na perspectiva dos
contribuintes certificado são:
Corrupção Institucional: A corrupção dentro das instituições fiscais cria um ambiente
onde a evasão é facilitatada através de subornos e fraudes.
Complexidade e Ineficiência do Sistema fiscal: Leis fiscais complexas e mal
administradas fazem com que os contribuintes busquem formas de evitar o
pagamento de
impostos.
Desconfiança nas Instituições Públicas: Muitos cidadãos não confiam que seus
imostos serão utilizados de forma eficiente e justa, levando à resistência em pagar.
Económia Informal Predominante: Grande parte da economia angola opera de forma
informal, dificultando a fiscaliação e a coleta de impostos.
Fraqueza na Capacitação e Fiscalização:A falta de recursos e treinamento
adequados
para os funcionários fiscais resultaem uma fiscalização ineficiente.
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Regimes Fiscais Priveligiados: Existem muitos regimes fiscais que oferecem
incentivos fiscais ineficientes, permitindo
que os contribuintes explorem as lacunas da lei para diminuir os seus impostos.
Quando as políticas tributárias não são bem projetadas e definidas, podem criar
oportunidades para práticas
fraudulentas. Isenções, deduções e incentivos excessivos podem ser usados de
forma indevida para reduzir a carga tribuária dos contribuintes.
Falta de consciencialização e educação fiscal: A consciencialização e a educação
fiscal são fundamentais para aumentar a conformidade com as obrigações
tributárias. A falta de conhecimento sobre as obrigações fiscais e os seus efeitos
pode levar os contribuintes a cometerem erros não intencionais ou a não cumprir as
suas obrigações fiscais de maneira adequada.
Pressão económica: Períodos de crise económica podem impulsionar a fraude fiscal,
pois as empresas e as pessoas procuram formas de reduzir os seus custos e
aumentar a sua competitividade, e muitas vezes para atingir este objetivo recorrem a
praticas ilícitas. A instabilidade política pode levar a que os indivíduos e as empresas
considerem a Evasão Fiscal como uma estratégia para enfrentar as dificuldades
financeiras.
1.5. O papel do Estado Angolano no combate a Evasão Fiscal
A evasão fiscal é uma preocupação global, o Estado desempenha um papel proativo
e crucial na contenção deste desafio complexo adotando para tal estratégias,
abordagens multifacetadas, abordagens legais, abordagens tecnológicas e
colaboração internacional para combater eficazmente a evasão fiscal.
Uma das estratégias mais evidentes aplicadas pelo Estado Angolano no combate a
evasão fiscal é a implementação de uma legislação rigorosa e abrangente. Através
da
promulgação de leis e regulamentos que tem como objetivo acabar com as possíveis
lacunas legais e reforçar as penalizações para os infratores, o Estado Angolano
procurar criar um ambiente desfavorável para aqueles que tentam reduzir ou fugir
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aos impostos. A implementação de regulamentações rigorosas cria um ambiente no
qual a evasão fiscal é mais difícil de ser praticada, dissuadindo assim os invasores
em grande escala. A Lei de Combate à Fraude e Evasão Fiscal, por exemplo, é um
marco nesse esforço, estabelecendo medidas para prevenir e reprimir a evasão
fiscal por meio de mecanismos legais. Além destes aspetos, o Estado Angolano tem
investido de forma contínua e significativa em tecnologias de monitorização e
fiscalização
com o objetivo de aprimorar a sua capacidade para detetar práticas evasivas. A
modernização dos sistemas de coleta e de análise permite identificar padrões de
transações suspeitas,
possibilitando desta forma investigações mais precisas e eficazes.
Além disso, a Autoridade Tributária e Aduaneira implementou medidas como a fatura
eletrónica obrigatória, que aumenta a transparência nas transações comerciais e
reduz a oportunidade de manipulação. Este é um exemplo concreto do esforço
tecnológico, que visa rastrear as transações financeiras e reduzir as oportunidades
para a prática de evasão fiscal.
A colaboração internacional é outro pilar fundamental na abordagem de Portugal à
evasão fiscal. O país é signatário de acordos bilaterais e multilaterais que facilitam a
troca de informações fiscais com outros países. A Convenção Multilateral sobre
Assistência Mútua Administrativa em Matéria Tributária, promovida pela OCDE,
desempenha um papel crucial nesse sentido. Através desse acordo, Portugal
compartilha informações financeiras com outras jurisdições, dificultando a ocultação
de ativos no exterior. Além dos pontos acima referidos,
Portugal adotou medidas de divulgação de informações financeiras para aumentar a
transparência e desencorajar a evasão fiscal. Através do Regime de Reporte de
Informações
Financeiras (CRS), é exigido as instituições financeiras que relatem informações
sobre contas financeiras mantidas por não residentes, ajudando a identificar
possíveis ativos não declarados no exterior. Essa abordagem reforça a fiscalização
das operações financeiras internacionais e contribui para uma maior justiça fiscal
(OCDE, 2022).
É importante destacar que o combate à evasão fiscal não é apenas uma questão
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governamental, mas também uma responsabilidade que é partilhada com a
sociedade civil e com
o setor empresarial. A consciencialização sobre a importância dos impostos na
construção de uma sociedade equitativa e no financiamento de serviços públicos é
fundamental para promover uma cultura de conformidade tributária. Em conclusão, o
Estado Angolano tem implementado uma abordagem abrangente e coordenada para
combater a evasão fiscal. Através de legislação rigorosa, tecnologias avançadas,
colaboração internacional e divulgação de informações financeiras, Angola tem como
objetivo salvaguardar as suas receitas fiscais e promover a justiça tributária.
1.6. Os Impactos da Evasão Fiscal na sociedade Angolana
Como falamos anteriormente, a evasão fiscal tem várias consequências negativas.
Afinal, se trata de uma prática ilegal.
Segundo Alves da Rocha(2009)"discute como a evasão fiscal afeta negativamente a
economia ao reduzir a capacidade do governo de arrecadar recursos necessários
para o desenvolvimento. Em Angola, essa prática compromete a implementação de
políticas públicas, agravando desigualdades sociais elimitando investimentos em
setores cruciais".
Portanto, vale ressaltar que os impactos da evasão fiscal são diversos, e incluem
danos não somente à reputação das empresas, mas também para a sociedade. Veja
alguns casos
exemplificados a seguir:
Prejuízo à Economia: A arrecadação reduzida de impostos limita os recursos
disponíveis para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e outros serviços
públicos essenciais.
Desigualdade Social: Quando alguns indivíduos ou empresas não cumprem suas
obrigações fiscais, aumenta-se a carga tributária sobre os contribuintes honestos e
diminui-se a capacidade do Estado de promover políticas redistributivas.
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Desconfiança no Sistema Tributário: A evasão fiscal mina a confiança dos cidadãos
no sistema tributário e nas instituições governamentais, prejudicando o cumprimento
voluntário das leis fiscais.
Redução de investimentos estrangeiros: A presença de evasão fiscl massiva pode
desestimular investimentos estrangiros, que veem o país como instável e inseguro
para
negócios. Isso reduz as oportunidades de crescimento econômico e a criação de
empregos.
1.7. Infrações Tributárias e Sanções(Artigo 144°,n.º1 do CGT)
1.7.1. InfraçõesTributárias
Infração consiste na violação de uma norma de conduta prevista no ordenamento
jurídico. Quanto a sua natureza pode ser um ato omissivo ou comissivo contrário ao
direito.
Segundo Caneluti (2003)" infração é o evento que, devido à reprovação
social,resulta em sanção, é o evento danoso imposto ao infrator".
Nos termos do artigo 144.º ,n.° 1 do CGT, constitui infracção tributária todo o acto
típico, ilícito e culposo descrito e declarado punível por acto normativo
anterior à sua prática.
As Infrações dividem-se em:
-Crimes Tributários: Representam crimes de maior potencial ofensivo e tão-somente
puníveis nos termos do CGT e do Código Penal.
crimes tributários são puníveis com as penas principais de prisão ou de multa.(artigo
154°,n.°1, do CGT).
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-TransgressõesTributárias: Condutas contrárias à lei de menor potencial ofensivo,
puníveis nos termos do Artigo 145° do CGT .
As transgressões tributárias são puníveis com a pena principal de multa. artgo
155°,n.°1, do CGT).
1.8. Crimes Tributários
1.8.1. Fraude Fiscal
Segundo RAFAEL e LUNETA (2020)"a Fraude Fiscal entende-se como a infração à
Lei cometida com o objetivo de escapar à tributação ou de resuduzir o
montante. Tendo como elementos Transgressão da legalidade fiscal e propósito
deliberado de fugir à tributação.
A evasão fiscal está ligada directamente com a fraude fiscal pois este último é uma
via de ludibriação às autoridades fiscais angolanas aquando do devido pagamento
do imposto.
Por seu lado, compreende todos os procedimentos adoptados pelo contribuinte com
o intituito de, sem violação da Lei, minimizar o valor dos impostos que cabem
Tem,pois,subajacente o princípio de que assite aos cidadãos o " direito de arrumar
os seus negócios", o seu património ou o seu modo de vida, de maneira a pagar os
impostos menos elevados ou a não pagar impostos algum,desde que violem
nenhuma regra legal Semelhantemente,ensinam LÁUDIO CAMARGO FABRETTI &
DILENE RAMOS FABRETE a denominação evasão fiscal, a conduta que enseja o
não pagamento de tributos mediante a prática de actos que infrigem a Lei.
Contudo, a questão básica não é tanto a forma como se foge ao imposto,mas sim o
facto de estar perante um fenómeno permanente e de amplitude significativa,
relevador da existência de um elevado número de pessoas que consideram natural
fugir ao cumprimento das obrigações fiscais que lhes cabem, idependentemente de,
para isso, terem de assumir comportamentos deliquentes.
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A primeira classe mais visível de actos ilícitos compreende a fraude comum e a
simulação. A fraude comum que é diferente da fraude à lei, consiste em manobras
intencionalmente dirigidas, a iludir a AGT, produzindo uma falsa imagem de
realidade, mediante celebração de negócio simulado, ocultação ou alteração de
factos ou valores, ou qualquer outra prática ardilosa,visando a não liquidação e
pagamento de prestação tributária:
Definição próxima dá o artigo 417°., do novo CPA(Código Penal Angolano) à
burla,espécie do género fraude.
"Quem,usando do meio astucioso ou eganoso,induzir ou mantiver outrem em erro ou
engano e,com o propósito de obter para si ou para terceiro um enriquecimento ilícito,
a levar a praticar actos que lhe causem ou causem a terceira pessoa prejuízo
patrimonial é punido com as penas estabelecidas para o crime do furto no artigo
392°, atendendo ao valor patrimonial causado.
A fraude fiscal é essencialmente uma infracção formal, no sentido de não necessitar
de um resultado danoso para ter-se por consumada. Por fim, é essencial à fraude
comum, a intenção de iludir alguém, havendo essa vontade intecional específica de
lubriar alguém.
Já o que caracterizar a simulação é o fingimento ou manipulação dos factos
praticados. Explicação clara é aquela dada por SÍLVIO DE SALVO VENOSA,para
quem"na simulação,as partes fazem aparentar negócios que não tinham a intenção
de praticar.Na fraude, o negócio jurídico é real, verdadeiro, mas feito com o intuito de
prejudicar terceiros ou burlar a lei".Isso ocorre no plano do facto jurídico concreto,ou
seja,nos factos que tenham ocorrido,originem a hipótese de incidência tributária.
O Direito Civil considera a dissimulação como forma de simulação conforme se
observa no CC de 1968 em seu artigo 240.° e 251.°. A bem da verdade, a teoria
simulação do Direito Civil presta-se também no Direito Tributário. Salvo melhor juízo,
é praticamente a mesma razão do princípio de unicidade do direito. O código Civil de
1967 traz consigo ideias no plano da eticidade, que aproximam às da Lei n.°
21/14,de 22 de Outubro,que aprova o Código Geral Tributário.
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Os tributaristas, em Angola e em outros Países, sempre seguiram as mesmos
passos com os civilistas na temática da simulação. No entanto, a simulação pode ser
absoluta e relactiva.
Nos escritos referenciados de ANTÔNIO ROBERTO SAMPAIO DÓRIA,encontra-se
a seguinte diferenciação"A simulação é o abuso quando não se quer nenhum
negócio(fingindo-se celebrar venda sem que realmente se pretenda a venda ou
constituir qualquer outra relação jurídica). E relativa,se deseja negócio diferente do
pactuado (venda ocultando doação),se o sujeito é diferente do que integra a relação
aparente(dou A para encobrir B), ou se qualquer outro elemento da relação é falso).
Existirá aí, então,um negócio verdadeiro(dissimulado),concretizando ordinariamente
numa contra declaração, e a ele sobreposto,escondendo-o, o negócio
aparente.Destarte,a evasão fiscal,como género que abrange os ilícitos, engendra a
aplicação da são prevista na lei,em virtude de respectiva condita.Assim,a prática da
evasão fiscal não só desconsidera o negócio jurídico ou a sua requalificação para
fins tributários,mas também esta sujeito à penalidade prevista na Lei.
Essa qualidade informal decorrente do comportamento de um número elevado de
contribuiçôes, em Angola,provém de duas situações específicas:abstenção total de
obediência de procedimentos previstos na Lei para a hipótese concreta,ou
adoptação de certos procedimentos, porém contrário daqueles estabelecidos na
norma para situação de facto.
Frequente são as manifestações do contribuintes quando questionados sobre a
decisão de absterem-se de suas obrigações legais, apontam una série de razões
que justificam seus comportamentos, entre elas,a qualidade de tributo e a
contraprestação do poder público, a complexibilidade das normas tributárias,as
frequentes alterações na legislação tributária, dificuldade no cumprimento das
obrigações acessórias, falta de celeridade do Tribunal Judicial dentre outras.
1.8.1.1 Sanções
Denomina-se por sanção toda a pena estabelecida por lei para reprimir um
acto,fazendo-o respeitar.
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As sanções no Direito Tributário podem incluir a cobrança coerciva do tributo devido
e imposição de sanções pecuniárias (multas). Em casos graves, a infração pode
implicar punições de ordem criminal, remetidas à jurisdição competente.
Deaclrdo ao abordado anteriormente nos importam apresentar apenas referir as
sanções Criminais e Administrativas, assim sendo:
- Sanção Administrativa: Mal ou castigo imposto pela Administração Pública ou
Judiciário por conduta ilegal com finalidade repressora ou disciplinar.
- Sanção Penal: Resposta jurídica à prática de um crime ou contravenção penal;
pode ter
função retributiva, preventiva ou mista. A sanção penal é mais gravosa, aplicada pelo
Tribunal judicial.
Em termos práticos, os comportamentos fiscalmente evasivos e fraudulentos
alimentam as chamadas economias paralelas dificultando, desta forma, a construção
de um Estado Social de
Direito e, implicitamente provoca um aumento do défice e da dívida. Os artigos 172.º
e 173.º da lei 21/14 do (CGT), Código Geral Tributário, dispõe as penalizações da
fraude fiscal quando convertidas em pena de prisão por não cumprimento das
obrigações fiscais tendo em conta o seguinte:
• Quem, visando a não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária,
falsifique, vicie documentos ou incorra em simulação de acto ou negócio jurídico e
tiver obtido, em virtude da falsificação, viciação ou simulação, uma vantagem
patrimonial ilegítima é punível com pena de prisão de 6 (seis) meses até 3 (três)
anos ou pena de multa 360 (trezentos e sessenta) dias.
• A fraude fiscal pode ter lugar por:
Ocultação ou alteração de factos ou valores que devam constar dos livros de
contabilidade ou escrituração, ou das declarações apresentadas ou prestadas a fim
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de que a administração tributária especificamente fiscalize, determine, avalie ou
controle a matéria colectável;
Ocultação de factos ou valores não declarados e que devam ser revelados à
administração tributaria;
Celebração de negócios simulados, quer quanto ao valor, quer quanto a
natureza, quer por interposição, omissão ou substituição de pessoas.
• Os factos previstos nos números anteriores, não são puníveis criminalmente se a
vantagem patrimonial ilegítima for inferior a kz 1.500.000.00.
• Os valores a considerar, para efeitos do disposto nos números anteriores, são os
que, nos termos da legislação aplicável, devam constar de cada declaração a
apresentar à administração tributária.
Exinçãoda Punibilidade peloPagamento (Artigo165° do CGT)
A questão da Extinção da punibilidade pelo pagamento do tribute é questão
de grande
controvérsia. Por um lado, os que pretendem um direito penal desnudado de
utilitarismo, sustentam que admitir a extição da punibilidade pelo adimplemento
implica favorecer os mais abatinados, afortunados, que poderão livrar-se facilmente
das sanções, pagando o tribute cobrado. Por outro lado, os que sustentam a
criminalização do ilícito tributário, é uma farsa, faltando-lhe conteúdo ético-moral,
prestando-se mesmo como instrumento para compelir o contribuinte ao pagamento
do
tribute e que, por isso, deve ser galardoado o que paga, porque permite que seja
atingido o desiderato a final buscado com a cominação da sanção penal.
A despeito de tais controvérsias, Segundo RAFAEL e LUNETA (2020), " faz
mais sentido sustentar que a extinção da
punibilidade pelo pagamento ocorresse antes do recebimento da denúncia, e
20
tratando-se de
contribuições de segurança social, antes do ínicio da ação inspectiva".
No âmbito das penalidades administrativas, a questão resolve-se nos termos do
artigo 165.º do Código Geral Tributário. Se o pagamento é feito com a denúncia
espontânea da infracção, nenhuma penalidade deve ser aplicada. Porém, se, é feito
em face de exigência formalizada em acção inspectiva, o pagamento do crédito
tributário feito no prazo estabelecido para impugnação do auto de notícia, ou prazo
para o recurso administrativo, implica redução do valor da multa até 50% ( cinquenta
por cento) do montante mínimo aplicável.
1.9. Medidas Para a Mitigação da Evasão Fiscal
O combate à evasão fiscal exige ações coordenadas por parte das autoridades
fiscais, incluindo:
Melhoria da Fiscalização e Controle: Investimento em tecnologia e capacitação de
auditores para identificar e combater esquemas de evasão fiscal.
Transparência Financeira: Maior cooperação internacional e troca de
informações
entre países para combater o uso abusivo de paraísos fiscais e estruturas offshore.
Educação e Conscientização: Campanhas de educação pública sobre a importância
do
cumprimento das obrigações fiscais e as consequências da evasão.
Reforma Tributária: Simplificação do sistema tributário, redução de brechas e
incentivos fiscais abusivos que possam facilitar a evasão.
Criação de Órgãos Independentes: Estabelecer órgãos de controle independentes
que monitorem e avaliem continuamente o sistema tributário, sugerindo fraudes.
Assim, a evasão fiscal representa um desafio significativo para os governos
21
em todo o mundo. A implementação de medidas eficazes de combate à evasão fiscal
é fundamental para garantir a justiça fiscal e um gráfico de desenvolvimento
econômico nacional mais atrativo.
1.9.1. Aplicação da norma anti-abuso como um freio a Evasão Fiscal
### Aplicação da Norma Anti-Abuso como um Freio à Evasão Fiscal
#### Contexto e Objetivo
No âmbito da reforma estrutural em curso no país, a Administração Geral Tributária
(AGT) tem desenvolvido estudos para combater fraudes e evasões fiscais. A ideia é
que atos realizados por contribuintes que obtenham vantagens fiscais sem cumprir
as normas legais sejam desconsiderados. No entanto, permanece a obrigação de
cumprimento das normas tributárias, utilizando meios adequados para lidar com o
ilícito.
#### Cláusula Geral Anti-Abuso
A **Cláusula Geral Anti-Abuso**, também conhecida como **Norma Geral
Antielisão**, visa dissuadir contribuintes que recorrem a meios inadequados para
obter vantagens econômicas. Esta cláusula foi incorporada ao Código Geral
Tributário (CGT) para complementar as legislações específicas que podem não
conseguir inibir todas as formas de abuso e sonegação de tributos. Ela faz parte das
medidas descritas no artigo 76.º, alínea J), nº 1 da Lei nº 21/20, de 9 de julho, que
altera o CGT.
#### Aplicação da Norma
O Sistema Fiscal Angolano agora conta com a norma anti-abuso inscrita no artigo
119.º-A do CGT. Esta norma foi adicionada pela Lei nº 21/20, de 9 de julho, como
uma medida de controle e obstáculo aos negócios simulados. A aplicação da norma
anti-abuso é precedida do respectivo procedimento tributário, que deve ocorrer na
Repartição Fiscal ou serviço local equiparado onde o contribuinte está inscrito.
#### Procedimento de Notificação e Audição
22
Quando a AGT aplica a norma anti-abuso, o chefe da Repartição Fiscal ou serviço
local equiparado deve notificar o contribuinte sobre a aplicação da cláusula
anti-abuso. A notificação deve discriminar o ato ou negócio jurídico considerado
abusivo e demonstrar a finalidade de obter uma vantagem fiscal. A aplicação é
precedida de uma audição prévia, realizada após a notificação do contribuinte, com
um prazo de 15 dias para o contribuinte apresentar sua versão dos fatos.
#### Requalificação das Transações
A norma anti-abuso implica a requalificação das transações legais para evitar a
evasão e a elisão fiscal. Esta requalificação é realizada pela Administração Fiscal e
pelos Tribunais, mesmo sem uma previsão legal específica. Diferentemente dos
Estados Unidos, onde a construção da norma anti-abuso é judicial, em Angola, a
norma é administrativa e reforça a obediência ao princípio da legalidade tributária.
#### Importância da Substância Econômica
Para que um ato ou negócio jurídico seja sujeito à sanção de ineficácia no plano
fiscal, ele deve ser principalmente direcionado à obtenção de vantagens fiscais. Isso
significa que o ato deve ter um grau de substância econômica suficientemente
negligenciável para que a finalidade fiscal seja a principal razão de sua realização.
#### Comportamento do Contribuinte
A norma anti-abuso busca identificar se o comportamento adotado pelo contribuinte
para evitar ou suprimir tributos é lícito ou ilícito. A questão essencial é saber se, em
determinado caso, ocorreu o fato gerador da obrigação tributária e qual é a sua
efetiva dimensão econômica.
#### Diretriz Hermenêutica
A norma anti-abuso direciona o intérprete e aplicador da lei tributária a reconstruir os
fatos previstos na norma de incidência. Ela garante que os atos ou negócios
jurídicos que visam obter vantagens fiscais sejam reavaliados, promovendo uma
23
aplicação justa e equitativa das leis fiscais.
### Caso Prático
Imagine uma empresa que realiza uma transação financeira simulada com outra
empresa do mesmo grupo econômico, com o objetivo principal de reduzir a base de
cálculo do imposto de renda. A AGT, ao identificar essa prática, aplica a norma
anti-abuso para desconsiderar a transação e requalificá-la como uma tentativa de
evasão fiscal. A empresa é notificada e tem 15 dias para apresentar sua versão dos
fatos. Após a audição, se confirmada a prática abusiva, a AGT poderá cobrar os
tributos devidos, aplicando as sanções cabíveis.
Espero que essa explicação detalhada e o exemplo prático ajudem a esclarecer a
aplicação da norma anti-abuso. Se precisar de mais informações, estou aqui para
ajudar!
Conclusão
A Evasão Fiscal é um problema severo que afeta toda a sociedade. À medida que os
contribuintes singulares e coletivos procuram formas de evitar o pagamento de
impostos, as receitas do Estado diminuem, afetando negativamente a capacidade
de o Estado fornecer serviços essenciais, como a saúde, a educação e
infraestruturas. Além disso, a Evasão Fiscal cria um ambiente de concorrência
desleal, onde aqueles que evitam os pagamentos dos impostos tem
uma vantagem injusta sobre aqueles que cumprem com as suas obrigações fiscais.
Os impactos da Evasão Fiscal estendem-se além das questões financeiras. A
existência
desta prática mina a confiança na integridade do sistema tributário, o que leva a uma
maior
desigualdade económica, prejudicando os mais vulneráveis da sociedade. Assim, é
imperativo que a sociedade juntamente com o Governo tome medidas para combater
a Evasão Fiscal de forma eficiente, implementando para tal, medidas políticas e
24
praticas que promovam a transparência e a responsabilidade fiscal. Para atenuar os
efeitos negativos da Evasão Fiscal, é
essencial promover a consciencialização e a educação sobre a importância do
pagamento dos impostos e os benefícios que estes proporcionam para a sociedade.
Além disso, a adoção de tecnologias avançadas e a cooperação internacional são
cruciais para rastrear e punir os evasores Fiscais. Com estas alterações podem criar
uma sociedade mais justa e equitativa, na qual todos
contribuam de forma justa para o bem-estar comum.
Os resultados obtidos através da pesquisa realizada junto dos contribuintes,
profissionais da área da
contabilidade e funcionários da AGT revelarem insights valiosos sobre a perceção e
a compressão da Evasão Fiscal e o seu impacto na sociedade. A maior parte das
questões expressou a sua concordância com várias afirmações cruciais realizadas.
Estes concordaram que a Evasão Fiscal é combatida pelas repartições fiscais,
indicando um reconhecimento de padrões de comportamento no mundo empresarial.
Além disso, houve um consenso generalizado sobre a necessidade de se intensificar
a fiscalização por parte das entidades competentes, sugerindo uma procura por
medidas mais rigorosas e eficazes para combater esta prática. Através dos
resultados obtidos é percetível verificar que maior parte dos questionários
reconhecem que está pratica tem impactos nas receitas
do Estado e consequentemente na sociedade. É notável que a maioria dos
contribuintes questionados concordam que a Evasão Fiscal não é aceitável,
demostrando um compromisso ético.
Os contribuintes desempenham um papel fundamental na mitigação da Evasão
Fiscal e na promoção de uma cultura de conformidade tributária. A actuação destes
nas repartições fiscais capacita-os de auxiliar sistema tributário e a encontrar formas
legais, equitativas e simplificadas de cumprir as suas obrigações fiscais. Contudo,
para fortalecer ainda mais o papel dos contribuintes é crucial que estes continuem a
atualizar o seu conhecimento sobre as leis tributárias que estão em constante
evolução, promovendo práticas que reduzam as oportunidades de Evasão Fiscal.
A estreita colaboração destes com a sociedade e com as autoridades fiscais permite
a construção de um sistema tributário mais eficaz e justo.
Em conclusão, os resultados deste trabalho enfatizam a importância de abordar a
25
Evasão
Fiscal de forma mais eficaz e abrangente. Só através da colaboração entre o
governo, a sociedade e a comunidade internacional, juntamente com a
implementação de políticas e práticas mais rigorosas podemos atenuar os impactos
prejudiciais da Evasão Fiscal e criar uma sociedade mais
justa e equitativa.
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