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Processo Penal

O documento é um material de apoio para a 1ª Fase do 36° Exame da OAB, focando em Processo Penal e abordando princípios fundamentais, aplicação da lei penal, inquérito policial, ação penal, e outros tópicos relevantes. Ele serve como um roteiro para aulas e recomenda que os alunos assistam às aulas com a legislação pertinente. O conteúdo foi atualizado em agosto de 2022.

Enviado por

Amanda Novaes
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Processo Penal

O documento é um material de apoio para a 1ª Fase do 36° Exame da OAB, focando em Processo Penal e abordando princípios fundamentais, aplicação da lei penal, inquérito policial, ação penal, e outros tópicos relevantes. Ele serve como um roteiro para aulas e recomenda que os alunos assistam às aulas com a legislação pertinente. O conteúdo foi atualizado em agosto de 2022.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB

Processo Penal

1ª FASE 36° EXAME

Processo Penal
Prof.ª Letícia Neves
Prof. Mauro Stürmer

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

1ª FASE OAB | 36° EXAME DA OAB

Processo Penal

Sumário

[Link]ípios fundamentais do direito processual penal ........................................................................3


2. Aplicação da Lei Penal..............................................................................................................................8
[Link]érito Policial.....................................................................................................................................12
[Link] de não persecução penal .......................................................................................................21
5.Ação Penal..............................................................................................................................................27
[Link]ências e Jurisdição ..................................................................................................................35
[Link] De Jurisdição ...........................................................................................................................48
[Link]......................................................................................................................................................49
[Link] Processuais .............................................................................................................................60
[Link]ção Dos Atos Processuais ...............................................................................................62
[Link]ões ..................................................................................................................................................70
12. Procedimentos Penais .......................................................................................................................79
13. Juizados Especiais Criminais ...........................................................................................................91
14. Lei de Execução Penal ....................................................................................................................100
15. Recursos Em Processo Penal........................................................................................................114
16. Recursos em Espécie ......................................................................................................................117
17. Ações Impugnativas E Nulidades E Processo Penal .................................................................130
18. Nulidades no Processo Penal ........................................................................................................138

Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para
a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso,
recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.

Bons estudos, Equipe Ceisc.


Atualizado em agosto de 2022

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

1. Princípios fundamentais do direito processual penal

Princípio da Humanidade
► Art. 5° incisos III e XLIX da CF

► "ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”


► "é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral”
► garantias processuais que de o processo penal não pode expor o homem a situações
degradantes e torturante.

Princípio do Devido Processo Legal


► A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 asseverava que “Ninguém
pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo
com as formas por esta prescrita. Os que solicitam, expedem executam ou mandam
executar ordens arbitrárias devem ser punidos (...)”
► art. 5°, inciso LIV, que "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido
processo legal.

Princípio do Devido Processo Legal


 O Juiz, no processo penal, situa-se entre as partes e acima delas – tendo em vista o seu
caráter substitutivo. Certo de que ele não vai ao processo em nome próprio jamais poderá
haver conflito de interesse entre o Magistrado e a parte. Trata-se de uma característica
subjetiva do órgão jurisdicional.
 Para isso estipulam-se:
◦ Garantias (art. 95 da CF)
◦ Proibi-se Tribunais e Juízes de Exceção (art. 5º, XXXVII).
◦ Dessas regras decorre que ninguém será processado por órgão criado após
a ocorrência do fato.

Limite ao Poder Punitivo do Estado

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

► Processo – instrumento de contenção na persecução penal


► Instrumento que inibe a opressão do estatal/judicial – não é instrumento de arbítrio do
estado Ministério Público".
► O acusado não necessita provar sua inocência.

Igualdade Processual
 Nada mais é do que um desdobramento do mandamento esculpido no caput do art. 5º de
nossa Constituição que nos informa de que todos são iguais perante a Lei. Assim, em
juízo as partes devem ter mas mesmas oportunidades.
 Atenuação: princípio do favor rei. O acusado goza de alguns privilégios em contraste com
a pretensão acusatória. Exemplos:
◦ Art. 609, parágrafo único (embargos infringentes e de nulidade); art. 621 e
seguintes (revisão criminal).

Contraditório
 As partes tem o direito de não apenas produzir provas e de sustentar suas razões, mas
também de vê-las seriamente apreciadas e valoradas pelo julgador.
 Dessa forma elas tem o direito de ser cientificadas sobre os fatos ocorridos no processo
(citações, intimações e notificações).
 Tal principio foi mais uma vez prestigiado com a reforma de 2008 que proibiu (art. 155 do
CPP) a fundamentação da decisão com base exclusivamente em elementos informativos.

Ampla Defesa
► Implica no dever do Estado em proporcionar a todo o acusado a mais completa defesa,
seja autodefesa (pessoal) ou técnica (efetivada por profissional do Direito inscrito na
OAB). Implica, ainda, no fato de que ao Estado cabe prestar assistência jurídica e integral
ao necessitados (art. 5º, LXXIV).
► Decorre ainda a necessidade de se observar, como regra, a ordem natural do processo
em que a defesa será a última a se manifestar.

Da Ação ou da Demanda

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

► Cabe sempre a parte provocar a prestação da Jurisdição, tendo em vista que os órgãos
jurisdicionais são inertes.
Garantia contra a autoincriminação
► Art. 5º, inciso LXIII, da Constituição com a seguinte redação: "O preso será informado de
seus direitos, entre os quais o de permanecer calado (...)".
► Nemo tenetur se detegere,
► Art. 14, §3º, alínea ´g´, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos — Pacto de
Nova Iorque que toda pessoa humana tem o direito de não ser obrigada a depor contra si
mesma nem a confessar-se culpada.
► art. 8º, §2º, alínea ´g´, do Pacto de São José da Costa Rica o direito que toda pessoa tem
de "não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada

Indisponibilidade e Obrigatoriedade
 Ao contrário do Processo Civil onde a regra é da disponibilidade – ressalvadas algumas
limitações que decorrem da natureza indisponível de certos direitos materiais – no
Processo Penal vigora o princípio da indisponibilidade ou obrigatoriedade, uma vez que o
crime é uma lesão irreparável ao interesse coletivo. Exemplifica-se:
 A autoridade policial não pode recusar-se a proceder uma investigações
 Não poderá haver o arquivamento do IP sem a manifestação do Poder
Judiciário
 O MP não pode desistir da ação proposta ou do recurso interposto.
◦ Excepcionalmente o Processo Penal mitiga tal princípio:
 Crimes de Ação Penal Privada
 Crimes de Ação Penal Pública Condicionada a Representação do Ofendido
ou do Ministro da Justiça.
Princípio da inocência
► Princípio da inocência revela-se no fato de que ninguém pode ser considerado culpado
senão após o trânsito em julgado de uma sentença condenatória (conforme art. 5º, inciso
LVII, CF/88).
Princípio do juiz natural
► Previsto no art. 5º, LIII da Carta Magna de 1988, e significa dizer que é a garantia de um
julgamento por um juiz competente.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

► Estabelecido por regras objetivas (de competência) previamente previstas no


ordenamento jurídico.
► Proibição de criação de tribunais de exceção, constituídos à posteriori a
infração penal e especificamente para julgá-la.

Princípio da publicidade
► A possibilidade de qualquer indivíduo verificar os autos de um processo e de estar
presente em audiência, revela-se como um instrumento de fiscalização dos trabalhos dos
operadores do Direito.

Princípio da oficialidade
► Compete a órgãos oficiais de persecução criminal, para investigar os delitos e realizar o
processamento dos crimes, no sistema acusatório.
► Investigação pelo detetive particular - LEI Nº 13.432, DE 11 DE ABRIL DE 2017.
Princípio da Persuasão Racional do Magistrado
► O Juiz decide com base nos elementos existentes no processo, mas deve avaliá-los por
critérios racionais e sempre motivar suas decisões.
► Atenção: no Tribunal do Júri vale a sistema do Livre Convencimento.

Da Lealdade Processual
► Veda-se o emprego fraudulento de provas (ilícitos processuais).
► Acarreta sanção de ordem processual.
Duplo Grau de Jurisdição
► Consiste na possibilidade de revisão, por via recursal, das causas já analisadas/julgadas
pelo Juiz de primeiro grau.
► Não é tratado de forma expressa nos textos legais e Constitucional, mas decorre da
própria organização do poder judiciário.
► Há casos em que o mencionado princípio não é aplicável.
► JULGAMENTO PELO STF

Princípio do Promotor Natural

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

► Art. 5º, LIII, CF - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente.
► Não pode haver designação casuística de um determinado membro do MP (STF).
Razoável duração do Processo
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

Princípio ne bis in idem


► Art. 14, §7º, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, "Ninguém poderá ser
processado ou punido por um delito pelo qual já foi absolvido ou condenado por sentença
passada em julgado, em conformidade com a lei e os procedimentos penais de cada país”.
► art. 8º, §4º, do Pacto de São José da Costa Rica "O acusado absolvido por sentença
passada em julgado não poderá ser submetido a novo processo pelos mesmos fatos".

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

2. Aplicação da Lei Penal

Conceito de Processo Penal


É um conjunto de princípios e normas que disciplinam a composição das lides penais,
por meio da aplicação do direito penal objetivo.
É o conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do Direito
Penal, bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária, e a estruturação dos órgãos
da função jurisdicional e respectivos auxiliares.

Tipo De Processo Penal – Sistemas

Inquisitivo

•As funções de acusar, defender e julgar se reúnem em uma só pessoa, no juiz inquisidor.
•Características: processo sigiloso, sem contraditório visando sempre a confissão do réu (a
confissão era considerada a rainha das provas).

Acusatório

• As funções de acusar, defender e julgar são distribuídas para personagens


diferentes, especializados.
• Características: pressupõe processo em que todas as garantias constitucionais são
observadas.

Misto

• É uma combinação dos dois sistemas anteriores, dividindo em duas fases.

Atenção: adotamos no Processo Penal Brasileiro o sistema Acusatório.

Lei Processual No Tempo


O mais importante artigo sobre esse assunto é o abaixo transcrito:
Art. 2ºdo CPP: A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade
dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Atenção: Ainda que prejudique a situação do réu ela é aplicável retroativamente; Isso porque é
diferente da Lei Penal (essa sim não retroage para prejudicar o acusado).
Tempus regit actum
• Atos processuais praticados sob a égide da lei antiga são considerados válidos e
não são atingidos pela nova lei processual;
• Normas novas tem aplicação imediata.

Lei Processual e Sua Interpretação:


Interpretar é o ato pelo qual se extrai da norma o seu exato alcance.
Espécies de Interpretação

Quanto ao Sujeito

Quanto ao Meio/Modo

Quanto ao Resultado

Existe um recurso mnemônico que vai te auxiliar a não esquecer as espécies de


interpretação:
“Um (i) sujeito busca um (ii) meio de chegar a um (iii) resultado.”

Quanto ao Sujeito
A) Autêntica ou Legislativa: feita pelo próprio órgão encarregado da elaboração da
lei. Exemplo: a própria lei explica do que é funcionário público para fins penais.
Atenção: está interpretação vincula os intérpretes.

B) Doutrinária: feita pelos estudiosos do direito.


Atenção: a exposição de motivos do CP é interpretação doutrinária e não autêntica.

C) Judicial: feita pelos órgãos do poder judiciário (não é obrigatória).


Cuidado: poderá ter caráter vinculante. Ex.: Súmulas Vinculantes.

Quanto ao Meio:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

A) Gramatical / filológica: leva-se em conta o sentido literal das palavras.


B) Lógica ou Teleológica: busca-se a vontade da lei, atendendo-se aos seus fins no
ordenamento jurídico.
C) Sistemática: analisa a coerência da lei com as demais normas do sistema, bem como
em conjunto com os demais princípios de direito.
D) Histórica: analisa as condições e fundamento da origem da norma. Busca investigar
a sociedade na época da edição da norma.
E) Progressiva: busca o significado legal de acordo com o progresso da ciência.

Quanto ao Resultado
A) Declarativa: a letra da lei corresponde exatamente ao significado desejado pelo
legislador.
B) Restritiva: o legislador disse mais do que desejava dizer, cabendo ao intérprete
restringir seu significado.
C) Extensiva: a Lei ficou aquém da vontade do legislador (disse menos do que
desejava), cabendo ao intérprete ampliar seu significado.

Interpretação Analógica
Muito cuidado: É intra legem (dentro da lei). O texto traz uma cláusula genérica, após
trazer uma fórmula casuística.

Ocorre, por exemplo, no homicídio qualificado, veja:


Art. 121, § 2° - Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; [...]
IV – outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima

Muita atenção quando se fala em analogia, pois:

Não é forma de interpretação, mas sim de integração, pois serve para suprir lacunas
legislativas.
Nada mais é do que a utilização de lei para outro caso semelhante.

Fundamento: “Onde está a mesma razão, aplica-se o mesmo direito.”

Espécies de Analogia

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• In Bonam partem: aplica-se ao caso omisso uma lei que beneficia o réu.
• In Malam partem: consiste em aplicar a um caso concreto uma lei que irá prejudicar
o réu.

Interpretação da Norma Processual:


Art. 3º do CPP: A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação
analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.

Imunidades Diplomáticas
• Chefes de Estado, representantes de governo estrangeiros, agentes diplomáticos,
pessoal técnico e administrativo;
• Admite-se renúncia (pelo Estado);
• Embaixadas (sede diplomática) não são consideradas extensões do território
estrangeiro (são, porém, invioláveis).

Imunidades Parlamentares
• Material
Art. 53 do CPP: Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)

• Processual ou Formal
₋ Garantia quanto a instauração do Processo;
₋ Não ser preso (salvo Flagrante Delito de crime inafiançável);
₋ Foro Privilegiado;
₋ Servir como testemunha.

Imunidades Temporárias do Presidente da República


Art. 86, § 4º. O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser
responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

3. Inquérito Policial

O processo penal não serve apenas para que o Estado aplique o seu direito de punir,
mas também para que o indivíduo possa defender-se deste Estado.
Persecução Penal
O caminho a ser percorrido pelo Estado para exercer seu direito de punir:
Etapas:


Extraprocessual Inquisitiva Inquérito
ETAPA


Judicial Contraditória Ação Penal
ETAPA

Conceito
O Inquérito Policial pode ser conceituado como um procedimento administrativo,
preparatório. inquisitivo e sigiloso, presidido pela autoridade policial, que tem por finalidade reunir
elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e sua autoria, a fim de
propiciar a propositura da denúncia ou queixa-crime.

Natureza Jurídica
Atenção: Pessoal, sempre que lhe for perguntado: “Qual a natureza Jurídica?” de algum
instituto, na verdade, o que se deseja saber é: “o que é isso para o direito”.

Assim, percebemos que a natureza jurídica do inquérito (o que ele é para o direito) é de
um procedimento administrativo – não é processo, pois não se constitui de uma relação
trilateral (delegado – parte A, parte B contraria – contraditório e ampla defesa), por isso se fala
em investigado, que pode ser o objeto de uma investigação.

Espécies de Inquéritos:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 4º do CPP: A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território
de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da
sua autoria.
Parágrafo único: A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

Policiais Não Policiais

•Inquérito Policial •Inquéritos Parlamentares - Súmula 397 do STF


•Delegados de Polícia de Carreira - PC ou PF (Crime Ocorrido na CD ou SF)
•Inquéritos Presididos por Autoridades Judiciárias
ou do MP
•Inquérito Civil - MP
•Inquéritos Policiais Militares - IPM

Cuidado: Segundo o STF o Ministério Público poderá investigar. O fundamento


encontrado pela Suprema Corte foi a teoria dos poderes implícitos. Tal investigação será
instrumentalizada por meio de um PIC (procedimento investigatória criminal) e não por meio de
Inquérito Policial.

Destinatários:

MP (Ação Penal Pública)

Imediatos
Ofendido ou Representante
Legal
Destinatários (Ação Penal Privada)

Juiz - para fundamentar decisões


Mediato cautelares (prisão preventiva,
busca e apreensão, etc...)

Finalidade:
Fornecer elementos de convicção para que o titular da ação penal (MP ou Ofendido)
ingressem em juízo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Instauração do IP:
Atenção: A forma de início do Inquérito irá depender, necessariamente, da espécie de
ação penal.

Ler com muita atenção o art. 5º do CPP. Explicado abaixo:

1 - Crimes De Ação Penal Pública Incondicionada

A) De ofício– a autoridade inicia o IP sem a necessidade de que alguém o informe, toma


conhecimento da infração sem a necessidade da ação penal, a peça inaugural é uma portaria e
se trata de uma cognição imediata.
B) Requisição do juiz ou do MP – o delegado age provocado pelo juiz ou pelo MP – a
peça inaugural pode ser a própria requisição, ou pode ser uma portaria, é uma cognição
mediata.
Cuidado: essa forma é importante saber para os casos de HC. Autoridade Coatora.
Perceba que nela a autoridade coatora não será o Delegado, mas sim a Juiz o Promotor que
requisitou a instauração do IP.
C) Requerimento da vítima ou do seu representante legal– art. 5º, II CPP
A peça inaugural pode ser a petição da vítima, ou o delegado inaugura por portaria,
trata-se de uma cognição mediata.
D) Flagrante – pode ser instaurado mediante prisão em flagrante.
A peça inaugural é o auto de prisão em flagrante, trata-se de uma cognição coercitiva.
E) Notícia formulada por qualquer do povo–

A notícia pode ser anônima ou apócrifa?


Notícia anônima pode fundamentar a instauração de IP, desde que se apure
preliminarmente a viabilidade da notícia, investiga antes, realiza rápida diligência
para verificar a veracidade da notícia, se procedente elabora portaria e instaura o IP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

2 - Crimes De Ação Penal Pública Condicionada


ART. 5º, §4º, CPP: § 4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação [Ação Penal Pública Condicionada], não poderá sem ela ser iniciado.

3 - Crimes De Ação Penal De Iniciativa Privada


ART. 5º, §5º, CPP: § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá
proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Características do Inquérito Policial

1) Instrumental – o IP tem por finalidade apurar a materialidade da infração penal e


indícios da autoria. Ele não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para a instauração da
futura ação penal.

2) Obrigatório– havendo justa causa, o delegado não pode deixar de instaurar o


procedimento investigatório, a autoridade não pode deixar de instaurar.
E no caso de ser requerida a instauração e o Delegado indeferir? Aplica-se o artigo
abaixo:
Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: [...]
§ 2º Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso para o
chefe de Polícia.

3) Discricionário – os atos de investigação são da análise exclusiva da autoridade


policial, que estudará sua conveniência e oportunidade; a discricionariedade diz respeito às
diligências;

Cuidado! No caso de o crime deixar vestígios (não-transeunte) o Exame de Corpo de Delito (art. 158
do CPP) será obrigatório.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer
diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

4) Dispensável – se o titular da ação penal tiver provas da materialidade e indícios da


autoria por outro meio, o IP é dispensável;

Art. 39. [...] § 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a


representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e,
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias.

5) Informativo– os elementos colhidos no IP servirão apenas para subsidiar a ação


penal;
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares,
não repetíveis e antecipadas.

6) Escrito
Art. 9°.Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito
ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

7) Sigiloso
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou
exigido pelo interesse da sociedade.

Porém ele não é sigiloso para:


(i) o juiz;
(ii) o MP – pode acompanhar o inquérito e ser o mesmo promotor na ação penal – Sumula
234 STJ.

Súmula 234 - A participação de membro do ministério público na fase investigatória


criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

(iii) o advogado – art. 7º, XIV do EOAB e Súmula Vinculante 14.

Atenção especial para esses dispositivos do Estatuto da OAB:


Art. 7 XXI (EAOB) - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações,
sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento e,
subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes
ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva
apuração:
a) apresentar razões e quesitos; (perguntas...)
Art. 7, XIV da Lei 8.906/94 (EOAB) - examinar, em qualquer instituição responsável por
conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de
qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo
copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

Súmula Vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

8) Inquisitivo– não havendo acusado, mas somente suspeito, não se aplica ao IP o


contraditório.
Atenção: Segundo a doutrina, o contraditório fica postergado (diferido) para ser usado
durante a Ação Penal.
9) Indisponível – art. 17 CPP.
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

10) Temporário– é uma garantia constitucional, art. 5º, LXXVIII, CF – duração razoável
do processo.

Prazo Do IP
Regra Geral:
Art.10 do CPP:
• Indiciado preso – 10 dias. Improrrogável
• Indiciado solto – 30 dias. Prorrogável

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Prazos Especiais
➢ Lei 5.010/66 – prazo de conclusão do IP na justiça Federal – art. 66:
• Indiciado preso - 15 dias, prorrogado por mais 15 dias;
Segundo o art. 66, o preso deverá ser apresentado ao Juiz para a prorrogação.
• Indiciado solto – 30 dias, prorrogáveis a critério do juiz – segue o CPP.

➢ Lei 11.343/06 – lei de drogas


• Indiciado preso – 30 dias, prorrogável por mais 30 dias;
• Indiciado solto – 90 dias, prorrogável por mais 90 dias.

Vícios no Inquérito Policial


Não sendo o Inquérito Policial um ato do Poder Judiciário, mas sim um procedimento
administrativo os vícios que existam nesta fase da persecução penal não acarretam
nulidade processual.

CUIDADO!

A irregularidade poderá, entretanto, acarretar a invalidade de um ato. É o que ocorre com


a prisão em flagrante irregular etc.

Indiciamento
É o ato pelo qual o delegado atribui a alguém a prática de uma infração penal, baseado
em indícios da autoria e prova da materialidade.
Pergunta: seria possível o indiciamento determinado por um juiz ou promotor?
O SFT já respondeu e disse que NÃO.
STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/8/13 (Info 717).

O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-


jurídica do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o
indiciamento de alguém.

Encerramento do Inquérito Policial

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Previsão Legal
Art. 10 do CPP. § 1 A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e
enviará autos ao juiz competente.
§ 2 No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas.
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante
traslado.

Procedimentos no Encerramento
Novo art. 28 do CPP e a Suspensão pelo STF:
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos
informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima,
ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do
inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação,
submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e
Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela
chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)

Importante!
O STF (Min. Luiz Fux) suspendeu o trecho que modificou o Artigo 28 do Código de
Processo Penal (CPP) e estabeleceu regras para o arquivamento de inquéritos policiais.
Com a norma, o Ministério Público (MP) deveria comunicar a vítima, o investigado e a
polícia no caso de arquivamento do inquérito, além de encaminhar os "autos para a
instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei". Para Fux, a
medida desconsiderou os impactos financeiros no âmbito do MP em todo o país. Assim,
continuamos utilizando, enquanto a decisão do STF não for revisada, a sistemática do
revogado art. 28, abaixo transcrito:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Com a suspensão do art. 28 do CPP, em face da decisão acima apresentada, o


arquivamento na prática continua a ser realizado mediante requerimento
(promoção) do MP e por decisão judicial.

Assim:

Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o


arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de
considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de
informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do
Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então
estará o juiz obrigado a atender.

Cuidado com a Alteração Legislativa:


Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas no art. 144
da Constituição Federal figurarem como investigados em inquéritos policiais, inquéritos
policiais militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a investigação de
fatos relacionados ao uso da força letal praticados no exercício profissional, de forma
consumada ou tentada, incluindo as situações dispostas no art. 23 do Decreto-Lei nº
2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o indiciado poderá constituir
defensor. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
§ 1º Para os casos previstos no caput deste artigo, o investigado deverá ser citado da
instauração do procedimento investigatório, podendo constituir defensor no prazo de
até 48 (quarenta e oito) horas a contar do recebimento da citação. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019) (Vigência)
§ 2º Esgotado o prazo disposto no § 1º deste artigo com ausência de nomeação de
defensor pelo investigado, a autoridade responsável pela investigação deverá intimar a
instituição a que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos fatos, para
que essa, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, indique defensor para a representação
do investigado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
§ 3º Havendo necessidade de indicação de defensor nos termos do § 2º deste artigo, a
defesa caberá preferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais em que ela não
estiver instalada, a União ou a Unidade da Federação correspondente à respectiva
competência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar profissional para
acompanhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do
investigado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
§ 4º A indicação do profissional a que se refere o § 3º deste artigo deverá ser precedida
de manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita
o inquérito e com atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado
profissional que não integre os quadros próprios da Administração. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019) (Vigência)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

§ 5º Na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, os custos com o patrocínio dos


interesses dos investigados nos procedimentos de que trata este artigo correrão por conta
do orçamento próprio da instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos
fatos investigados. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
§ 6º As disposições constantes deste artigo se aplicam aos servidores militares vinculados
às instituições dispostas no art. 142 da Constituição Federal, desde que os fatos
investigados digam respeito a missões para a Garantia da Lei e da Ordem. (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)

4. Acordo de não persecução penal

• Introduzido a nossa Legislação pelo Pacote Anticrime.


• Prevista infralegalmente antes: criticada pela doutrina e jurisprudência
• Resoluções do CNMP (181/2017 e 183/2018)
• Dano superior a 20 salário mínimo
• Homologação do acordo pelo juiz (sem audiência)
• Fiscalização pelo MP (na Lei pela VEC)
• Cumprimento ocasionava o arquivamento (na Lei extinção da punibilidade)

Natureza Jurídica do ANPP


Negócio jurídico (que inicia extraprocessual, mas se que se encerra judiciamente).
Sua oferta é exclusiva do MP. Não pode o juiz determinar sua apresentação.
O juiz não pode participar das negociações.
O Juiz não pode alterar as condições propostas pelo MP (na transação penal art. 74 da Lei
9.099/95 o juiz pode reduzir a pena pela ½. Aqui nada pode fazer).
Não é um direito subjetivo do acusado, pois o MP irá analisar se o ANPP serve para a
Reprovação e prevenção do crime.

Recusa do MP em ofertar o ANPP


No caso de recusa, por parte do Ministério Público, em propor o acordo de não persecução penal,
o investigado poderá requerer a remessa dos autos a órgão superior, na forma do art. 28 deste
Código.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

§ 14 do art. 28 do CPP

Requisitos para concessão do ANPP


a) não seja caso de arquivamento da investigação;
b) o agente confesse formal e circunstanciamete o crime
c) a pena MÍNIMA em abstrato seja inferior a 4 anos;
Aqui considera-se as causas de aumento e diminuição da pena (§1º)
Na causa de aumento, a fração que menos aumentar a pena mínima e na causa de diminuição,
a fração que mais diminuir.
d) não seja crime praticado com violência ou grave ameaça contra pessoa;
e) não seja crime de violência doméstica
f) não seja o agente reincidente;
g) não seja cabível a transação penal;
h) o agente não possua antecedentes que denotem conduta criminosa habitual
l) não ter sido beneficiado nos últimos 5 anos com ANPP, transação ou sursis processual.

Não aplicação do ANPP


I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos
da lei;
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem conduta
criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações penais
pretéritas;
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento da infração, em
acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão condicional do processo; e
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou familiar, ou praticados contra a
mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do agressor.

Condições para implementação:


Essa condições poderão ser alternativa ou cumulativa
I - reparar o dano ou restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo;
II - renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como
instrumentos, produto ou proveito do crime;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena
mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da
execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal);
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser
indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens
jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.

Erro
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e
circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena
mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução
penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as
seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente:

Atenção:
O ANPP deve ser, sob a ótica do MP, suficiente para a reprovação e prevenção do crime.

Formalização do ANPP
• Por escrito
• Firmado entre o MP, investigado e seu defensor
Após será realizada uma AUDIÊNCIA obrigatória. Nela o Juiz irá verificar:
• Legalidade do acordo
• Voluntariedade do investigado (ele será necessáriamente ouvido)
• Devolução do ANPP ao MP

Entendendo o juiz que o ANPP é:


Inadequado, Insuficiente ou Abusivo. Devolve ao MP para reformulação da proposta. Para
isso o investigado e seu defensor devem concordar.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Homologado o ANPP: encaminha ao MP para que ele seja executado junto a Vara de Execução
Penal.

Recusa de homologação pelo Juiz


Motivos:
Não estão atendidos os requisitos legais.
Após devolução ao MP não houve adequação necessária.
Neste caso devolverá ao MP para:
• Complementação da investigação
• Oferecimento da Denúncia

Recusa do Juiz em Homologar o ANPP


Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:
XXV - que recusar homologação à proposta de acordo de não persecução penal, previsto no art.
28-A desta Lei.

Intimação da vítima
A vítima será intimada:
1. da homologação do acordo de não persecução penal, e
2. de seu descumprimento.

Ocorrendo o descumprimento do ANPP


O Ministério Público deverá comunicar ao juízo, para fins de:
1. rescisão
2. oferecimento de denúncia.

Súmula Vinculante 35
A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada
material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao
Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou
requisição de inquérito policial.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Não oferecimento da Suspensão Condicional do Processo


O descumprimento do acordo de não persecução penal pelo investigado também poderá ser
utilizado pelo Ministério Público como justificativa para o eventual não oferecimento de
suspensão condicional do processo.

Art. 89, Lei 9.099/95 - Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um
ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor
a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo
processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena.

Cumprido o ANPP
Não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III
do § 2º deste artigo.
• Ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento
da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou
suspensão condicional do processo;
- Decretação judicial da extinção da punibilidade
Atenção
Art. 116 do CP - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da
existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no exterior;
III - na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores, quando
inadmissíveis; e
IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal.

Questão intertemporal

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.
Assim, o crime foi praticado antes do dia 23 de janeiro de 2020.
Se já houve denúncia não cabe o ANPP
Se ainda está na fase de investigação – em tese é possível aplicar o ANPP

EMENTA: Direito penal e processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Acordo de não persecução penal
(art. 28-A do CPP). Retroatividade até o recebimento da denúncia. 1. A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui
o acordo de não persecução penal (ANPP), é considerada lei penal de natureza híbrida, admitindo conformação
entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum. 2. O ANPP se esgota na etapa pré-processual,
sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase
de oferecimento e de recebimento da denúncia. 3. O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual,
devendo ser considerados válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente. Dessa forma, a
retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja viabilizado a fatos anteriores à Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. 4. Na hipótese concreta, ao tempo da entrada em vigor da Lei nº
13.964/2019, havia sentença penal condenatória e sua confirmação em sede recursal, o que inviabiliza restaurar
fase da persecução penal já encerrada para admitir-se o ANPP. 5. Agravo regimental a que se nega provimento
com a fixação da seguinte tese: “o acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei
nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia”.
(HC 191464 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 11/11/2020, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25-11-2020 PUBLIC 26-11-2020)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

5. Ação Penal

É o direito subjetivo de pedir ao Estado-Juiz, titular exclusivo do ius puniendi (direito de


punir), a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto.

Condições Da Ação Penal


São requisitos que irão subordinar o exercício do direito de ação.

Espécies:

GENÉRICAS ESPECÍFICAS

• Necessárias em todos os tipos de ação, para • Presentes apenas em determinadas ações.


um exercício válido de tal direito.

Condições Genéricas
1) Possibilidade jurídica do pedido – pedido na ação de estar previsto no ordenamento –
tipicidade;
2) Legitimidade para agir – possibilidade de ocupar o polo passivo e ativo da ação;
3) Interesse em agir (necessidade, utilidade, adequação);
4) Justa causa.

Exemplos de Condições Específicas:


• Representação do ofendido (art. 88 da Lei do JeCrim – Lei 9.099/95)
• Requisição do Ministro da Justiça (art. 145 do CP)

Classificação da Ação Penal


No processo civil a classificação das ações leva em conta o provimento jurisdicional
invocado (ação de conhecimento, ação cautelar, ação de execução).
No processo penal a classificação se dá não pelo provimento, mas sim pela titularidade
do sujeito ativo.
* Para todos verem: esquema abaixo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Pública – titular o Ministério Público - MP

Privada – Vítima ou seu representante legal

Ação Penal Pública Ação Penal Privada


1. Incondicionada 1. Personalíssima
2. Condicionada 2. Exclusiva
2.1. Representação 3. Subsidiária da Pública
2.2. Requisição
Regra Geral:
Art. 100, Código Penal– A ação penal
será pública, salvo quando a lei
expressamente a declara privativa do
ofendido.

Princípios da Ação Penal

PÚBLICA PRIVADA
• Obrigatoriedade; • Conveniência e Oportunidade;
• Indisponibilidade; • Disponibilidade - (poderá desistir da
• Oficialidade – O órgão ministerial Ação – perdão ou perempção);
é uma instituição Oficial – • Indivisibilidade (importantíssima para
pertencente ao Estado; as hipóteses de renúncia ou perdão do
ofendido – estudaremos a seguir)

Ação Penal Pública


Ação Penal Pública– titular é o MP – art. 129, I, CF.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 129, CF/88: São funções institucionais do Ministério Público:


I - Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;

Pode ser classificada como:


A) Ação penal pública incondicionada
B) Ação penal pública condicionada

Ação Penal Pública Incondicionada


• Regra no Direito Penal

• Titular – MP

• Não está adstrita ao preenchimento de qualquer condição específica. Bastam as


genéricas.

Ação Penal Pública Condicionada: a Representação do Ofendido


Quanto a Representação (condição específica da ação penal) não podemos esquecer:
• Manifestação de que tem interesse na persecução penal do agente.
• Natureza Jurídica – Condição objetiva de Procedibilidade
• Não há formalismo.
• Não vincula o Ministério Público.
• Prazo: decadencial de 6 meses. Leia o artigo abaixo:

Art. 38 do CPP: Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante


legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer
dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o
autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o
oferecimento da denúncia.

É possível a Retratação (volta atrás) da Representação.


• Sim, até o oferecimento da denúncia.
• Recurso mnemônico – RETRO (RETR – de retratação, O de oferecimento)
Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Retratação da Retratação da Representação (aqui a vítima autorizou, depois desautorizou


(voltou atrás) e agora deseja autorizar a persecução penal novamente. Possível?
• Sim, até o prazo decadencial de 6 meses.

Ação Penal Pública Condicionada a Requisição do Ministro da Justiça


• Natureza jurídica – condição específica objetiva de procedibilidade
• É ato político. Não vincula o Ministério Público a oferecer a denúncia.
• Prazo – não tem prazo decadencial, porém, o delito está sujeito ao prazo prescricional.

• Hipóteses:
✓ Crime cometido por estrangeiro contra Brasileiro, fora do país. (art. 7º, § 3º, b, do CP)
✓ Crimes contra a honra praticados contra o PR (art. 141, c/c art. 145 do § único).

Muita atenção:
Art. 24, § 2o do CPP - Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do
patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação penal será pública.

Ação Penal Privada


Classificação:

Ação penal privada – em alguns casos, o crime atenta a um interesse particular da pessoa
que o Estado deixa a seu cargo o início da ação penal. A legitimidade é do ofendido ou do
representante legal;

Espécies:

A) Ação penal privada personalíssima – não há sucessão processual, ou seja, morrendo


o ofendido, estará extinta a punibilidade. Temos apenas um caso em nosso ordenamento jurídico
(art. 236 do CP)

Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 236. Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou


ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos.
§ ú - A ação penal depende de queixa do contraente enganado(somente ele pode
ingressar com a queixa) e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a
sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.

B) Ação penal privada exclusivamente privada – há sucessão processual, se o autor


morrer, o direito de ingressar com a queixa é transmitida aos sucessores. Art. 31 do CPP – CADI
(cônjuge, ascendente, descendente ou irmão)

C) Ação penal privada subsidiária da pública– só é cabível diante da inércia do MP,


ou seja, se o MP não fizer nada pode se entrar com a queixa subsidiária.

Observações:
• É possível quando houver inércia do MP
• Direito Fundamental
• Prazo para oferecer a Denúncia (CPP) – que deve ser cumprido pelo MP (sob pena de
autorizar a ação penal privada subsidiária):
✓ Réu Preso: 5 dias
✓ Réu Solto: 15 dias
• Poderes do Ministério Público: a ação penal privada subsidiária da pública continua a
ter natureza jurídica de ação pública. (veja o artigo 29 do CPP abaixo)

Art. 29. Do CPP. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer
elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte principal.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Ação Penal – Peças Acusatórias

• APPública – Denúncia (capacidade postulatório do promotor)


• APPrivada - Queixa-crime (capacidade postulatória do Advogado)

Institutos Previstos Apenas Para a Ação Penal Privada.

Aqui veremos a importância do princípio da indivisibilidade da ação penal privada.


Atenção: Esses institutos não se aplicam a ação penal privada subsidiária da pública, pois
nela –segundo o art. 29 do CPP – o MP poderá reassumir a titularidade do MP.

1 - Renúncia:
• É um ato unilateral (não depende do outro) do ofendido ou do seu representante
legal renunciando ao direito de promover a ação penal privada, com a consequente extinção
da punibilidade (art. 107, V do CP)
• Só é cabível antes do início do processo;
• Renúncia concedida a um dos coautores, se estende aos demais – em virtude do
princípio da indivisibilidade.

Art. 49 do CPP. A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores


do crime, a todos se estenderá

Pode ser:

Renúncia expressa – é aquela feita por declaração inequívoca;

Art. 50. Do CPP. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por
seu representante legal ou procurador com poderes especiais.

Renúncia tácita – ocorre diante da prática de ato incompatível com a vontade de processar;
• O fato de o ofendido receber indenização pelo dano causado pelo crime não implica
em renúncia expressa ou tácita do direito de queixa;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 104 do CP - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa
ou tacitamente.
§ ú - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a
vontade de exercê-lo;

2 - Perdão – Ação Penal Privada

Conceito: É o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir
com o andamento do processo já em curso, perdoando seu ofensor com a consequente
extinção da punibilidade, o querelante deve aceitar, pois é bilateral.

O perdão só é cabível após o início do processo e até o trânsito em julgado de


sentença penal condenatória

Coautores:
- Perdão concedido a um dos coautores, estende-se aos demais (indivisibilidade), mas
uns poderão aceitar e outros não.

Art. 51 do CPP. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que
produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.

- O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.

Art. 55 do CPP. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.

Perdão poderá ser:


• Processual: Quando concedido dentro do processo. Neste caso a aceitação
poderá ser expressa ou tácita. Será tácita quando não houver manifestação após 3 dias da
intimação (deve constar do mandado de intimação) art. 58, CPP.

• Extraprocessual: Neste caso a aceitação também poderá ser expressa ou tácita.


A expressa, conforme o art. 59, deverá ser feita por declaração assinada pelo querelado ou por
seu representante legal (com poderes especiais), já na aceitação tácita ocorrerá quando
praticar ato incompatível com a intenção de prosseguir com o processo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Não confunda com perdão judicial! O perdão judicial é oferecido pelo juiz; o perdão do
ofendido é concedido pelo ofendido; o perdão judicial é previsto na lei;

Art. 121, §5º do CP. “Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a
pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que
a sanção penal se torne desnecessária”.

Perdão e Renúncia – Naturezas jurídicas


A renúncia e o perdão são institutos que geram a extinção da punibilidade, tudo na forma
do art. 107 do CP.

3 - Perempção
Art. 60-Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á
perempta a ação penal:
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo
durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em
juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do
processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas
alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor .

Ação Civil – Ex Delicto


É aquela oriunda de uma condenação em processo penal onde o autor busca uma
indenização em face do dano sofrido pelo crime do qual foi vítima.
Artigo fundamentais:
Art. 63 - Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a
execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu
representante legal ou seus herdeiros.
Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser
efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem
prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei
nº 11.719, de 2008).

Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano
poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o
responsável civil.
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso
desta, até o julgamento definitivo daquela.
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato
praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento
de dever legal ou no exercício regular de direito.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser
proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material
do fato.
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.
Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a
execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a
seu requerimento, pelo Ministério Público.

6. Competências e Jurisdição

Conceitos
Poder atribuído, com exclusividade ao Judiciário, para decidir um determinado litígio
segundo as regras legais existentes.
É o poder das autoridades judiciárias, regularmente investidas no cargo de dizer o direito
no caso concreto

Jurisdição x Competência
Não se pode confundir a Jurisdição com a competência, sendo que esta é uma limitação
daquela.
Competência seria a parte da jurisdição que cada órgão jurisdicional pode legalmente
exercer.

Características da Jurisdição
• Substitutividade: a Jurisdição é a atividade desenvolvida pelo órgão judicial em
substituição as partes.
• Inércia: Não há, como regra, prestação jurisdicional de ofício. O Poder Judiciário deve ser
provocado.
Exceção: Concessão de HC de ofício.
• Coisa Julgada: impossibilidade de decisão judicial se revista por órgão estranho ao poder
judiciário.

Princípio do Juiz Natural

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Quando se busca fixar de maneira correta a competência, temos por objetivo respeitar o
princípio do Juiz Natural (princípio de assento constitucional).
✓ Art. 5º da CF.
✓ XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;
✓ LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente

Aplicação IMEDITA de lei que altera competência:


Tenha cuidado com a lei processual penal no tempo, pois, segundo o artigo 2º do CPP,
ela é aplicada imediatamente (ainda que o processo esteja tramitando). Neste caso o juiz que
deixou de ser competente encaminha os autos ao que passou a ser.

Lei processual que altera as regras de competência


Art. 2º -A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.

Principais critério para definição da competência

Ratione materiae: Em razão da matéria.

Ratione Personae: Em razão da pessoa.

Ratione Loci: Em razão do local.

Competências

Absoluta

• Regra de competência criada com base no interesse público.


• A regra de competência absoluta não pode ser modificada, ou seja, cuida-se de
competência improrrogável ou imodificável.
• Exemplos: ratione materiae, ratione personae e competência funcional.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Relativa

• Regra de competência criada com base no interesse preponderantemente das


partes.
• A regra de competência relativa pode ser modificada, ou seja, cuida-se de
competência prorrogável ou modificável.
• Exemplos: ratione loci, competência por distribuição, competência por prevenção
(Súmula 706 do STF), conexão e continência.

Guia de fixação de competência: Aqui temos “perguntas” que devem ser


respondidas para fixarmos corretamente a competência.
✓ Competência originária – o acusado tem foro por prerrogativa de função?
✓ Competência de jurisdição – qual é a justiça competente?
✓ Competência territorial – qual a comarca competente?
✓ Competência de juízo – qual a vara competente?
✓ Competência interna – qual o juiz competente?
✓ Competência recursal – para onde vai o recurso?

A fixação da competência por prerrogativa da função é aquela que deriva da relevante


função pública exercida pelo autor da infração. Como regra ela está prevista na Constituição
Federal. Ocorre que o STF vem cada vez restringindo sua aplicação, tudo em respeito ao
princípio republicano. Segundo nossa Suprema corte:

“As normas da Constituição de 1988 que estabelecem as hipóteses de foro por


prerrogativa de função devem ser interpretadas restritivamente, aplicando-se apenas aos
crimes que tenham sido praticados durante o exercício do cargo e em razão dele. Assim,
por exemplo, se o crime foi praticado antes de o indivíduo ser diplomado como Deputado Federal,
não se justifica a competência do STF, devendo ele ser julgado pela 1ª instância mesmo
ocupando o cargo de parlamentar federal. Além disso, mesmo que o crime tenha sido cometido
após a investidura no mandato, se o delito não apresentar relação direta com as funções
exercidas, também não haverá foro privilegiado. Foi fixada, portanto, a seguinte tese: O foro por

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante o exercício do


cargo e relacionados às funções desempenhadas. STF. Plenário. AP 937 QO/RJ, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 03/05/2018 (Info 900).
Em resumo: O foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos
durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
Previsão Legal para fixação da Competência:
Art. 69. Determinará a competência jurisdicional:
I – o lugar da infração:
II – o domicílio ou residência do réu;
III - a natureza da infração;
IV – a distribuição;
V – a conexão ou continência;
VI – a prevenção;
VII - a prerrogativa de função.

Crimes Contra Vida – Teoria do Esboço do Resultado


Em regra, o CPP acolhe a teoria do resultado, considerando como lugar do crime o local onde o
delito se consumou (crime consumado) ou onde foi praticado o último ato de execução (no caso
de crime tentado), nos termos do art. 70 do CPP. Excepcionalmente, no caso de crimes contra a
vida (dolosos ou culposos), se os atos de execução ocorreram em um lugar e a consumação se
deu em outro, a competência para julgar o fato será do local onde foi praticada a conduta (local
da execução). Adota-se a teoria da atividade. STF. 1ª Turma. RHC 116200/RJ, rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 13/8/2013

A) Competência Pelo Lugar da Infração

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a
infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de
execução.
§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a
competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último
ato de execução.
§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será
competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou
devia produzir seu resultado.
§ 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a
jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais
jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção(art. 83do CPP abaixo transcrito).

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Novidade Legislativa Abaixo


§ 4º Nos crimes previstos no art. 171 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
1940 (Código Penal), quando praticados mediante depósito, mediante emissão de
cheques sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento
frustrado ou mediante transferência de valores, a competência será definida pelo local
do domicílio da vítima, e, em caso de pluralidade de vítimas, a competência firmar-
se-á pela prevenção. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021)
Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em território de
duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

Aqui adotamos, como regra, a teoria do resultado, pois a competência será determinada
pelo lugar da consumação do delito. Sendo este tentado, pelo lugar do último ato de execução.
Devemos dar muita atenção para os crimes permanentes, aquele que a consumação se
prolonga no tempo, pois neste caso a competência será firmada pela prevenção (art. 83 do CPP,
abaixo transcrito).
Por derradeiro, não se pode esquecer da recente alteração legislativa do parágrafo 4º do
art. 70, pois agora os estelionatos por meio de depósito, mediante emissão de cheques sem
suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou mediante
transferência de valores a competência será do local de residência da vítima. No caso de termos
várias vítimas, mais uma vez, adota-se o critério da prevenção (art. 83 do CPP).

Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou
mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver
antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa,
ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2º,
e 78, II, c).

D) Competência Pelo Domicílio Ou Residência Do Réu


Este critério de fixação da competência é subsidiário, ou seja, será utilizado quando não
conhecermos o local em que o crime foi praticado. No caso de a vítima possuir mais de
uma residência o critério será o da prevenção (art. 83 do CPP). No caso de não possuir
residência fixa (a exemplo de um circense) a competência será o primeiro juiz que tiver
conhecimento do fato.
Art. 72. Não sendo conhecido o lugar da infração, a competência regular-se-á pelo
domicílio ou residência do réu.
§ 1º Se o réu tiver mais de uma residência, a competência firmar-se-á pela prevenção.
§ 2º Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente
o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Foro de Eleição em Processo Penal


Nesta espécie de competência é possível que a vítima de um crime de ação privada
(calúnia, difamação ou injúria, por exemplo) escolha onde irá propor a ação: se no seu
domicílio ou no local em que o crime foi praticado.
Art. 73. Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá preferir o foro de
domicílio ou da residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração.

Crime dolosos contra a Vida


Segundo a Constituição Federal de 1988, os crimes dolosos contra a vida, previstos nos
art. 121 a 124 do CP, são de competência do Tribunal do Júri. Veja o dispositivo constitucional:

Art. 5º, XXXVIII da CF - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der
a lei, assegurados:

a) a plenitude de defesa;

b) o sigilo das votações;

c) a soberania dos veredictos;

d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;

Causas De Modificação Da Competência


Agora que você já leu os dispositivos que determinam a fixação da competência, devemos
atentar para situações que ela poderá ser modificada. É o que ocorre com os casos de conexão
e competência.
Conexão:
Art. 76. A competência será determinada pela conexão:
I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por
várias pessoas reunidas (simultaneidade), ou por várias pessoas em concurso, embora
diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras (reciprocidade);
II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras,
ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; (lógica, objetiva
e material)
III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares
influir na prova de outra infração. (instrumental ou probatória)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

→ Conexão Intersubjetiva Por Simultaneidade


Diante da primeira parte do art. 76 (CONEXÃO INTERSUBJETIVA POR
SIMULTANEIDADE), há conexão se, ocorrendo duas ou mais infrações, “houverem sido

praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas”. – não há liame subjetivo

Exemplo: diversos expectadores de um jogo de futebol, ocasionalmente reunidos,


praticarem depredações no estádio.

→ Conexão Intersubjetiva Por Concurso


Pelo art. 76, I, 2ª parte, há conexão se as infrações forem praticadas “por várias pessoas
em concurso, embora diverso o tempo e lugar”. É a hipótese de concurso de pessoas em
várias infrações.
Exemplo: quadrilha que trafica entorpecentes em vários pontos da cidade.

→ Conexão Intersubjetiva Por Reciprocidade


Pelo art. 76, I, última parte, há conexão se os crimes forem praticados “por várias pessoas,
umas contra as outras”.
Exemplo: agressões entre componentes de dois grupos de pessoas em um baile.

→ Conexão Objetiva, Lógica Ou Material: Art. 76, II


Nos termos do artigo 76, II, a competência é determinada pela conexão se, no caso de
várias infrações, “houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para
conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas”.

→ Conexão Instrumental Ou Probatória – Art. 76, III


Conforme o art. 76, III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas
circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.

Continência:
Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; (concurso de pessoas –
cumulação subjetiva)
II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda
parte, e 54 do Código Penal.

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Processo Penal

→ Continência em Razão Do Concurso De Pessoas – Art. 77, I (cumulação subjetiva)


Justifica-se a junção de processos contra diferentes réus, desde que eles tenham
cometido o crime em conluio, com unidade de propósitos, tornando único o fato a ser apurado.
Difere da conexão por concurso, porque nesta há vários agentes praticando vários fatos.

→ Continência em Razão Do Concurso Formal De Crimes – Art. 77, II (cumulação objetiva)


Ps.: A referência feita aos art. 51, 52, 53 e 53 do CP, atualmente corresponde aos art. 70, 73 e
74 do CP.
• O art. 70 refere-se ao concurso formal de crimes, em que, com uma mesma conduta o
agente pratica dois ou mais crimes.
• O art. 73, 2ª parte refere-se ao erro de execução (aberratio ictus), em que, por acidente
ou erro no uso dos meios de execução, o agente, além de atingir a pessoa que pretendia
ofender lesa outra.
• O art. 74, 2ª parte, refere-se ao resultado diverso do pretendido (aberratio criminis), em
que fora da hipótese anterior, o agente além do resultado pretendido, causa outro.

Em todos os casos, está-se diante de concurso formal, razão pela qual, na essência,
o fato a ser apurado é um só, embora existam dois ou mais resultados.
Agora que você entendeu o que é conexão e continência, devemos saber como resolver
as situações apresentadas. Para tanto temos que seguir as regras trazidas pelo art. 78 do CPP.
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas
as seguintes regras:
I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum,
prevalecerá a competência do júri;
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave;
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as
respectivas penas forem de igual gravidade;
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos;
III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação;
IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta.
Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo:
I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar;
II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores.
§ 1º Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu,
sobrevier o caso previsto no art. 152. (doença mental)
§ 2º A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido
que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461.
Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido
praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo
relevante, o juiz reputar conveniente a separação.
Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no
processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença
absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua
competência, continuará competente em relação aos demais processos.
Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou
continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o
acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo
competente.
Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos
diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram
perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a
unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação
das penas.

E) Competência Por Prevenção

Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou
mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver
antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa,
ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2o,
e 78, II, c).

ATENÇÃO!
Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da
Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil,
será competente o juízo da Capital da República.
Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos
rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão
processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após
o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado.
[...]
Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo
correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira,
dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela
justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de
onde houver partido a aeronave.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Competência da Justiça Federal


A) Órgãos Da Justiça Federal
São órgãos da Justiça Federal, segundo o Art. 106 da CF:
• Tribunais Regionais Federais
• Juízes Federais

Cuidado! o STJ é um Tribunal Nacional – não faz parte da Justiça Federal.

B) Competência Da Justiça Militar


• JMU (art. 124 da CF)
➢ Julga militares e civis
➢ Tem somente competência criminal
• JME (art. 125, § 4 da CF)
➢ Julga somente militares dos Estados
➢ Julga crimes e questões relacionadas a punições disciplinares militares.

C) Competência Criminal Da Justiça Eleitoral


É fixada em razão da matéria, cabendo a Justiça Eleitoral o processo e julgamento dos
crimes eleitorais. Os crimes eleitorais são aqueles previstos no Código Eleitoral e os que a lei,
eventual e expressamente, defina como eleitorais.

Questão: Quem julga crime eleitoral conexo a crime doloso contra a vida?
Resposta: O crime eleitoral é julgado pela Justiça Eleitoral e o crime doloso contra a vida será
julgado pelo Tribunal do Júri, porque a competências desses crimes estão previstas na CF.

Competência Dos TRFS


I - processar e julgar, originariamente:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Justiça


do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabilidade, e os membros do Ministério
Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;
• as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais
da região;
• os mandados de segurança e os "habeas-data" contra ato do próprio Tribunal ou de
juiz federal;
Competência Dos Juízes Federais
Atenção: Juiz Federal não julga contravenção penal. Mesmo que ela seja praticada contra Bens,
Interesses ou Serviços da União.
Súmula 38 do STJ - Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da CF/88, o processo por
contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União
ou de suas entidades.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


IV - os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços
ou interesse (BIS) da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas,
excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça
Eleitoral;
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a
execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente;
V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da
República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de
tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,
perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo,
incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)
VI – os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra
o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da
Justiça Militar

Algumas Questões Pontuais Sobre a Competência Da Justiça Federal


1) Processos contra índios:

Súmula nº 140 STJ - Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o
indígena figure como autor ou vítima.

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Processo Penal

2) Crimes Contra Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas (cuidado!):


Crime contra Sociedades de Economia Mista:
• BB
• Petrobras

Súmula 42 STJ – 'Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é
parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.'

3) Crimes contra os Correios:


• Exploração direta pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (casos de agências
oficiais): Justiça Federal
• Franquias (agências exploradas por particulares mediante o sistema de franquias):
Justiça Estadual

4) Fundação Pública Federal – FURG


• Justiça Federal
5) Bens Tombados
• Depende de quem tombou:
✓ Se tombado pela União – Justiça Federal
✓ Se tombado pelo Estado ou Município – Justiça Estadual
6) Desvio de Verba Federal por prefeito

Súmulas 208 e 209 do STJ.


• Verba já incorporada ao patrimônio do Município – O prefeito responde no Tribunal de
Justiça do Estado
• Verba sujeita a prestação de contas junto ao TCU – O prefeito responde no Tribunal
Regional Federal.
Cuidado: O prefeito responde no TER (Tribunal Regional Eleitoral) por crime eleitoral.

7) Crimes Contrabando e Descaminho


Em ambos o casos a competência será da Justiça Federal.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

A questão é saber: se do local que as mercadorias ingressaram no Brasil ou o local da


apreensão dos bens. A resposta é obtida pela súmula abaixo:

Súmula N. 151 - A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou


descaminho define-se pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens.

8) Crime cometido contra Funcionário Público Federal em razão de sua função


Se este funcionário for federal a Justiça Federal será a competente:

Súmula N. 147 STJ - Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra
funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função.

LARGA CELULAR E PRESTA ATENÇÃO!

Atenção para o art. 109, IX, da CF!


IX - os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da
Justiça Militar;
✓ Navio – é a embarcação apta para a navegação em alto mar;
✓ Aeronave – é todo aparelho manobrável em voo, que possa sustentar-se e circular
no espaço aéreo, mediante reações aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou
coisas.

Atenção para a súmula abaixo!


Súmula 546-STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de documento
falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento
público, não importando a qualificação do órgão expedidor.
Exemplo: falsifico uma Carteira Nacional de Habilitação (que é um documento expedido
pelo Estado Membro (via Detran). Utilizo para obter um benefício junto ao INSS (que é
uma autarquia federal). A competência será da Justiça Federal (Art. 109, IV da CF), pois
a União foi prejudicada. Não importa aqui que o documento era estadual.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Atenção especial para a súmula 122 do STJ


SÚMULA 122 - COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL O PROCESSO E JULGAMENTO
UNIFICADO DOS CRIMES CONEXOS DE COMPETENCIA FEDERAL E ESTADUAL,
NÃO SE APLICANDO A REGRA DO ART. 78, II, "A", DO CODIGO DE PROCESSO
PENAL.

Não esqueça que NUNCA um juiz federal julgará uma contravenção penal:
As contravenções penais não são processadas e julgadas pela justiça federal, conforme
dispõe a Súmula 38 do STJ, cabendo à justiça estadual a competência, ainda que praticado
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou entidades autárquicas.
Desse modo, mesmo que haja conexão entre um crime federal e uma contravenção penal,
prevalece a regra constitucional, indicando a necessidade do desmembramento do
processo, não se aplicando neste caso o teor da Súmula 122 do STJ.
Súmula 38 do STJ - Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de
1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades.

7. Conflito De Jurisdição

Ocorre sempre que, em qualquer fase do processo, um ou mais juízes, contemporaneamente,


tomam ou recusam tomar conhecimento do mesmo fato delituoso.
• Conflito positivo: quando 2 ou mais juízes se julgam competentes para conhecer e julgar
o mesmo fato;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• Conflito negativo: quando 2 ou mais juízes se julgam incompetentes para conhecer e


julgar o mesmo fato.

Processamento

A) Compete ao STJ os conflitos de competência:


• Entre quaisquer tribunais
• Entre tribunal e juiz a ele não vinculado
• Entre juízes vinculados a tribunais diversos
B) Compete ao STF os conflitos de competência:
• Entre o STJ e qualquer outro tribunal
• Entre Tribunais Superiores e qualquer outro tribunal
• Entre Tribunais Superior entre si
C) Compete aos TRF´s solucionar conflitos entre:
• Juízes Federais a eles vinculados
• Juiz Federal e juiz estadual investido na jurisdição federal
D) Na Justiça Militar da União os conflitos devem ser suscitados perante o STM.
E) Conflitos entre TRE ou juízes eleitorais de Estados diferentes são julgados pelo TSE. Se for
do mesmo estado, compete ao TRE.

Muita atenção!
Entre juiz e tribunal ao qual ele está vinculado não se fala em Conflito de Jurisdição
é resolvido pela Hierarquia.

8. Provas

Conceito Doutrinário
“Conjunto de elementos produzidos pelas partes ou determinados pelo juiz visando à
formação do convencimento quanto a atos, fatos e circunstâncias”. (AVENA, 2011, pág.: 460)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Liberdade De Provas
Vige como regra, conforme art. 155 do CPP abaixo transcrito, no processo penal a ampla
liberdade probatória.
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.

A exceção à ampla liberdade está no parágrafo único e refere-se ao estado das pessoas.
Vejam:

Parágrafo Único: Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil.

Objetivo Da Prova
→ Formar a convicção do juiz ou tribunal acerca dos elementos necessários para a decisão da
lide.

Muita atenção:

Princípios Gerais Da Prova

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

a) Princípio da autorresponsabilidade das partes: as partes assumem as consequências de sua


inatividade, erro e atos intencionais

b) Princípio da Audiência Contraditória: toda prova admite a contraprova, não sendo admissível
a produção por uma parte sem o conhecimento da outra.

c) Princípio da Aquisição ou Comunhão da Prova: a prova pertence ao processo. Não há prova


de uma ou de outra parte

d) Princípio da Oralidade: necessário haver predominância da palavra falada. Os depoimentos


devem ser orais.

e) Princípio da Concentração: deve-se buscar concentrar toda a produção de prova na


audiência. Audiência UNA (art. 400 do CPP)

f) Princípio da Publicidade: os atos judiciais (entre os quais a produção de prova) são públicos.
Excepcionalmente admite-se o segredo de justiça para alguns casos, legalmente estipulados.
- Art. 93, IX, da CF

g) Princípio do Livre Convencimento Motivado: as provas não recebem, previamente, um valor


pela lei. Deve o julgador ter liberdade para valorá-las, limitando-se apenas aos fatos e
circunstâncias constantes nos autos

Sistemas De Valoração Da Prova

1 - Sistema da certeza moral, da íntima convicção do juiz – permite que o juiz avalie a
prova com ampla liberdade, decidindo ao final de acordo com sua livre convicção, sem
necessidade de fundamentar a decisão;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Cuidado! Como regra não mais existe em nosso processo penal, prevalece no Tribunal do Júri –
jurados não fundamentam a decisão.

2 - Sistema da verdade legal, tarifado de provas – a lei atribui o valor a cada prova,
cabendo ao juiz simplesmente fazer um cálculo aritmético. Não há convicção pessoal do
julgador na valoração do contexto probatório, mas sim uma obediência estrita ao sistema de
pesos e valores imposto pela lei.
3 - Sistema do livre convencimento motivado, da persuasão racional do juiz – o juiz
tem ampla liberdade na valoração das provas, mas deve fundamentar seu convencimento;

 Este é o sistema adotado pelo art. 93, IX, CF e art. 155 do CPP;

Elementos Informativos e Prova. Diferenças


Anteriormente tal diferenciação era trabalhada tão somente pela doutrina, sendo que a
partir da reforma de 2008 passou a constar também na lei (art. 155 do CPP)
A) Elementos Informativos
São aqueles obtidos na fase investigatória, sem a participação dialética das partes;
caracterizam-se por não haver contraditório e ampla defesa quando da sua produção. Presta-se
para a fundamentação de medidas cautelares e também, para a formação da opinio delicti do
titular da ação penal.
B) Provas
As provas têm seu regime jurídico ligado ao contraditório judicial, são aquelas
produzidas com a participação do acusador e do acusado e mediante a direta e constante
supervisão do julgador

Cuidado! Exceção:
• Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas, embora sejam produzidas na fase
investigatória, podem ser utilizadas para fundamentar sentença condenatória, pois em
relação a elas o contraditório é diferido;
Ônus da Prova
Conceito: É o encargo que tem a parte de provar, pelos meios que em direito são admitidos,
a veracidade do fato alegado.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Prova da alegação incumbe a quem a fizer

Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao
juiz de ofício: [...] (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)

Prova Emprestada
É aquela que foi produzida em um processo e depois será carreada para outro. Isso pode
acontecer por certidão ou qualquer outro meio de autenticação para produzir efeitos como prova
em outro processo.
A prova emprestada sempre será considerada uma prova documental, ainda que no
processo original tenha sido testemunhal ou, até mesmo, pericial. Não se admite prova
emprestada carreada de inquérito policial. Primeiro porque ela não esteve sujeita ao crivo do
contraditório, segundo uma vez que nem prova ela é e sim mero elemento informativo.

Prova Ilegal
É ilegal toda vez que sua obtenção caracterize violação de normas legais ou de princípios
gerais do ordenamento, de natureza processual ou material.
Prova ilegal é gênero, que tem como espécies:
A - Provas ilícitas– obtidas por meios ilícitos – quando for obtida em violação a regra de
direito material; em regra, a obtenção da prova ilícita é obtida fora do processo; é
extraprocessual;
Exemplo: confissão mediante tortura; prisão de traficante e apreensão de celular com últimas
chamadas, mensagens;
Prova ilícita tem-se o chamado direito de exclusão, surgiu no direito americano se
materializa através do desentranhamento e a inutilização da prova;
B - Provas legítimas – obtidas por meios ilegítimos – sua obtenção viola uma regra de direito
processual; além disso, em regra, a ilegalidade ocorre no momento de sua produção no
processo; é intraprocessual;
Exemplo: juntada e leitura de documentos no plenário do júri com menos de 3 dias úteis de
antecedência;
Prova ilegítima deve ser analisada através da teoria das nulidades;

Prova ilícita por derivação

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Meios probatórios que não obstante, produzidos em momento posterior, encontram-se


afetados pelo vício da ilicitude originário, que a ele se transmite contaminando-os por efeito de
repercussão causal;
• Teoria dos frutos da árvore envenenada
• Essa teoria é adotada no Brasil; STF – RHC 90.376;
Art. 157, § 1º;
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem
ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.

Limitações a Prova Ilícita


Fonte independente
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas,
assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação
dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei
nº 11.690, de 2008)
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos
e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato
objeto da prova. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será
inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.

Princípio do Nemo Tenetur Se Detegere


O acusado não é obrigado a produzir prova contra si mesmo; muitos doutrinadores dizem
que esse princípio é o direito ao silêncio; mas o silencio é uma forma desse princípio; esse
é o princípio que veda a autoincriminação.
✓ O direito ao silêncio ou de ficar calado – art. 5º, LXIII, CF;
✓ Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa lhe incriminar;

Provas Em Espécie

Exame de Corpo De Delito. Obrigatoriedade (ainda que haja confissão do acusado)


Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

→ Espécies de ECD:

DIRETO

• Feito sobre o corpo de delito

INDIRETO

• Advém de um raciocínio dedutivo sobre um fato narrado por testemunhas,


sempre que não for possível realizar o direto

→ Impossibilidade do ECD. Supressão pela prova testemunhal.

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os
vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.

ATENÇÃO! QUESTÕES PONTUAIS:

→ O EDCL poderá ser feito em qualquer dia e horário


→ A autópsia deverá ser feita pelo menos 6 (seis) horas após a morte, salvo se os
peritos entenderem (e isso deverá constar do auto) que ela pode ser realizada antes.
→ Os cadáveres serão fotogravados na posição em que se encontrarem

ECDL e Lesão Corporal


• Se o primeiro for incompleto, poderá ser feito outro
• Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1o, I, do Código
Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime.
• A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal.

Perícia de Laboratório
Os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre
que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas,
desenhos ou esquemas.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Crimes com Rompimento De Obstáculo Ou Escalada


Os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, porque meios
e em que época presumem ter sido o fato praticado.

Incêndios
Os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver
resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais
circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.

Exame Grafotécnico
Art. 174. No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação de letra, observar-
se-á o seguinte:
I - A pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato, se
for encontrada;
II - Para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa
reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre
cuja autenticidade não houver dúvida;
III - A autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que
existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a diligência, se
daí não puderem ser retirados;
IV - Quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a
autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a
pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que
se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever.
Segundo a melhor doutrina, a previsão do inciso IV não foi recepcionada pela Constituição
Federal, pois ele fere o princípio do Nemo Tenetur se Detegere.

Perito
É um auxiliar da Justiça, compromissado, portador de um conhecimento técnico e sem
impedimentos.
• Espécies:

▪ Oficial – 1 (concursado)

▪ Louvado ou não-oficial – 2

Não podem ser peritos:


Art. 279. Não poderão ser peritos
I - Os que estiverem sujeitos à interdição de direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69
do Código Penal;
II - Os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o
objeto da perícia;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

III - os analfabetos e os menores de 21 anos.

Atenção!
Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes.
Art. 281. Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos.

Assistente Técnico
Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao
querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.
O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos
exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta
decisão.

ECDL e o Juiz
Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou
em parte.
Art. 184. Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará
a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade.

Interrogatório
Ato judicial pelo qual o Juiz ouve o acusado acerca da imputação que contra ele foi
formulada.

Ato privativo do juiz e personalíssimo do réu.

É, por sua natureza, um meio de prova e meio de meio de defesa

→ Alterações trazidas pela Lei 11.719/2008


• Reforçou a natureza de ser um meio de defesa

• Passou a ser o último ato de instrução (dentro da audiência una – art. 400 do CPP)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

o O STF passou a entender que esse procedimento se aplica aos processos de sua
competência originária.
• No caso de mutatio libelli pode o juiz proceder a novo interrogatório

O Interrogatório é ato não preclusivo (qualquer tempo)

Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido
fundamentado de qualquer das partes.

Ausência de Interrogatório
Nulidade relativa ou Nulidade Absoluta? Prevalece que se trata de nulidade absoluta,
cujo prejuízo é presumido.
• Tal prejuízo é de ordem constitucional _ ampla defesa.

Prova Testemunhal

O depoimento deverá ser oral, não sendo possível trazer por escrito;
→É possível, todavia, consultar apontamentos
Não poderá a testemunha se eximir da obrigação de depor;
As testemunhas não poderão ouvir o depoimento uma das outras;
•São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada,
quiserem dar o seu testemunho.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e deficientes
mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206.
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das
indicadas pelas partes.
§ 1º Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se
referirem.
§ 2º Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse
à decisão da causa

Dispensa e Proibição

Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto,
recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda
que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não
for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas
circunstâncias.
Art. 207. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício
ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada,
quiserem dar o seu testemunho.
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e deficientes
mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206.

Número de Testemunhas

Rito Ordinário 8
Rito Sumário 5

Rito Sumaríssimo 3

Júri (segunda fase) 5

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Procedimento
• Não mais vige o sistema presidencialista
• Atualmente o sistema é o do crossexamination (inspiração americana)
Perguntas direta pelas partes as testemunhas:

Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo
o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na
repetição de outra já respondida.

Questões Finais
• Falso Testemunho → Crime previsto no art. 324 do CP.

9. Sujeitos Processuais

Assistentes
Podem ser assistentes nas ações públicas:

Ofendido

Representante Legal

Pessoas enumeradas no art. 31 do CPPP - CADI

NÃO C-O-N-F-U-N-D-A

A figura do Assistente com a do seu advogado (capacidade postulatória).


O assistente poderá ser admitido no processo até o Trânsito em Julgado da Sentença.
Receberá os autos na forma em que se encontram. (cuidado: não há assistente na
fase do IP).

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Ingresso do Assistente
• É decidido pelo Juiz da causa.
• Trata-se de uma decisão interlocutória (simples) segundo o CPP (art. 273) é irrecorrível.
• É necessária a oitiva prévia do RMP.

O MP, embora deve ser previamente ouvido, não analisa a conveniência e oportunidade do
ingresso do Assistente. Seu parecer deve ater-se a legalidade ou não do ato.

• No caso de codelinquência o outro agente não poderá habilitar-se como assistente, pois
também figura no polo passivo.
• Uma vez admitido no processo o Assistente deve ser intimado de todos os atos processuais
– por meio de seu advogado.

Cuidado! Caso intimado deixe de comparecer a algum ato não será mais intimado para os
demais.

Quais os recursos que podem ser interpostos pelo assistente da acusação?


Segundo o entendimento majoritário, o assistente da acusação somente pode interpor:
• Apelação;
• RESE contra a decisão que extingue a punibilidade.

Obs1: o assistente da acusação somente poderá recorrer se o MP não tiver recorrido.

Obs2: o assistente de acusação não pode recorrer contra ato privativo do MP.

1.6.2. Poderes do Assistente


a) propor meios de prova;
b) formular quesitos para a perícia e indicar assistente técnico;
c) formular perguntas às testemunhas (sempre depois do MP);
d) aditar os articulados, ou seja, complementar as peças escritas apresentadas pelo MP;
e) participar do debate oral;
f) arrazoar os recursos interpostos pelo MP;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

g) interpor e arrazoar seus próprios recursos;


h) requerer a decretação da prisão preventiva e de outras medidas cautelares;
i) requerer o desaforamento no rito do júri.

Qual é o prazo para o ofendido (ou sucessores) apelar contra a sentença?


• Se já estava HABILITADO como assistente: 5 dias (art. 593 do CPP);
• Se ainda NÃO estava habilitado: 15 dias (art. 598, parágrafo único, do CPP).
• O prazo só tem início depois que o prazo do MP se encerra.

Súmula n.º 448-STF: O prazo para o assistente recorrer supletivamente começa a correr
imediatamente após o transcurso do prazo do MP.

10. Comunicação Dos Atos Processuais

Das Citações e intimações


Trata-se do ato processual por meio do qual é comunicado à parte (acusado) que contra
ele foi recebida uma denúncia (APPública) ou queixa-crime (APPrivada), com o objetivo de que
ele venha a juízo defender-se.
De acordo com o art. 363 do CPP – com a redação determinada pela Lei 11.719/08 - é
com citação que se tem completada a formação do processo.

Art. 363. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do
acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

O destinatário da citação sempre o Réu. Não pode ser citada qualquer outra pessoa em
seu lugar, nem mesmo o Advogado, ainda que possua procuração com poderes para tanto.
Como regra o réu é citado para apresentar resposta a acusação.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se
não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de
2008).

Espécies de Citação
Real ou Ficta (presumida)

Real Ficta

• É aquela realizada na pessoa do réu, sendo • Efetivada por meio de edital (publicado na
efetivada por: mandado (cumprido por imprensa ou fixado no átrio ou na porta do
Oficial de Justiça no âmbito da Jurisdição do Fórum) ou no caso de citação por hora certa.
Juiz da causa - carta precatória, carta
rogatória, carta de ordem, ofício requisitório)

A) Citação Real: Por mandado


Requisitos intrínsecos do Mandado:

Art. 352. O mandado de citação indicará:


I - o nome do juiz;
II - o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa;
III - o nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos;
IV - a residência do réu, se for conhecida;
V - o fim para que é feita a citação;
VI - o juízo e o lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer;
VII - a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz.

Requisitos extrínsecos do Mandado:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 357. São requisitos da citação por mandado:


I - Leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé, na qual se
mencionarão dia e hora da citação;
II - Declaração do oficial, na certidão, da entrega da contrafé, e sua aceitação ou recusa.

Hora e Dia para o Cumprimento:


• A Lei Processual Penal é silente quanto a isto. Poderá, portanto, o Oficial de Justiça
cumprir a qualquer dia e a qualquer hora.
• Respeitadas as inviolabilidades de domicílio.

Réu fora da área de jurisdição do Juiz processante:


No caso de estar o réu fora da área de jurisdição do juiz da causa – mas em território
nacional – deverá ele valer-se da citação por precatória (art. 353 CPP).
Precatória é uma comunicação processual entre juízes.
Temos:
• Juiz Deprecante: quem expede a precatória (art. 354)
• Juiz Deprecado: quem recebe a precatória (art. 354)
Após o cumprimento é devolvida ao juiz deprecante (Art. 355 do CPP)

Caráter Itinerante da Carta Precatória:


Segundo o art. 355, §1º do CPP, no caso de o réu não mais residir no território de
jurisdição do juiz deprecado e este souber onde se encontre o destinatário da carta deverá
encaminhá-la diretamente.

Carta de Ordem:
Usada quando o Tribunal determina que o Juiz de primeiro grau cumpra uma
determinação.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Questões Pontuais
• Réu Militar: não é citado por mandado, mas sim por intermédio de seu Comandante. (art.
358 do CPP);
• Funcionário Público: deve-se, além de citar o funcionário público, oficiar a sua chefia para
que não seja interrompido a prestação do serviço (continuidade do serviço público). (art. 359
do CPP);
• Réu preso: será citado pessoalmente. (art. 360 do CPP).

Situações possíveis:
a) O réu não encontrado pelo Oficial de Justiça:
• Citação por edital (ficta) com prazo de 15 dias.
➢ (Art. 361 do CPP)
• O edital deve ser:
➢ Publicado na imprensa oficial
➢ Publicado em jornal local de grande circulação
➢ Afixado no átrio do fórum.

A citação editalícia é medida excepcional, que só pode ser adotada depois de esgotados todos
os meios de localização.

Súmula 351 STF - É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em
que o juiz exerce a sua jurisdição.

Réu citado por edital – consequência:

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, (1) não comparecer, (2) nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz
determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. (Redação dada pela Lei nº
9.271, de 17.4.1996) (Vide Lei nº 11.719, de 2008)

• Súmula 415/STJ: “O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo


da pena cominada”.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

b) O réu que se oculta para não ser citado


• Neste caso deverá o Oficial de Justiça o proceder a citação por hora certa.
• Tal modalidade de citação passou a ser prevista no Processo Penal apenas em 2008 com o
advento da Lei 11.719 do mesmo ano.
Previsão Legal:

Art. 362. Verificando que o réu se oculta para não ser citado, o oficial de justiça certificará
a ocorrência e procederá à citação com hora certa, na forma estabelecida nos arts. 227 a
229 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. (Redação dada
pela Lei nº 11.719, de 2008).
Parágrafo único. Completada a citação com hora certa, se o acusado não comparecer,
ser-lhe-á nomeado defensor dativo.

Obedecerá ao regramento do Código de Processo Civil:


• Procura o acusado por 2 vezes:
➢ Não o encontra e suspeita de sua ocultação;
➢ Intima pessoa da família ou vizinho;
➢ No dia imediato comparece na hora marcada e efetua a citação.

c) O réu está no Estrangeiro - Art. 368, CPP


Estando em lugar sabido, será citado por Carta Rogatória. Comunicação entre Juízes de
países diferentes. Com o réu no estrangeiro – desde que em lugar sabido – proíbe o uso de
Edital e exige Carta Rogatória. Ocorrerá a Suspensão da Prescrição (até o seu
cumprimento). A rogatória seguirá a via diplomática.

Intimações

Diferença entre intimação e notificação

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Intimação Notificação

• Ciência de um ato já praticado; • Ciência de uma decisão ou despacho que


• Intima-se de uma sentença proferida. ordena fazer algo;
• Notifica-se a parte para juntar
documentos.

Regras Gerais
• Aplica-se a elas o que foi estudado para citação (art. 370 – caput)
• Ministério Público – Defensor Nomeado e Defensoria Pública: intimação pessoal. Segundo
o STF, ainda que o defensor público esteja presente ao ato, terá direito a intimação
pessoal.
• Advogado Constituído, Querelante, Assistente: intimação pela imprensa oficial.
• No caso de intimação direta pelo Escrivão a publicação fica dispensada.
• Não havendo imprensa oficial: escrivão, mandado, via postal (AR) ou através de outro
meio hábil.

Art. 370, § 1º A intimação do defensor constituído, do advogado do querelante e do


assistente far-se-á por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da
comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o nome do acusado. (Incluído Lei nº 9.271, de
17.4.1996)
Art. 370, § 2º Caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação
far-se-á diretamente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de
recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 370, § 3º A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará a aplicação a que alude
o § 1º.
Art. § 4º A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.
Art. 371. Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida,
observado o disposto no art. 357.
Art. 357. São requisitos da citação por mandado:
I - Leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé, na qual se mencionarão
dia e hora da citação;
II - Declaração do oficial, na certidão, da entrega da contrafé, e sua aceitação ou recusa.

Questões Relevantes De Intimação x Prazos


Sempre que a intimação (seja pessoal, seja por publicação) se der em uma sexta-feira o
início do prazo será na segunda-feira ou no primeiro dia seguinte, no caso de feriado.
• É o teor da Súmula 310 do STF
No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da juntada aos
autos do mandado u da carta precatória ou de ordem.
• É o teor da Súmula 710 do STF

SÚMULAS IMPORTANTES
Súmula 310 do STF - Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com efeito
de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata, salvo se
não houver expediente, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir.
Súmula 710 do STF- No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da
juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Questão que gerou muita controvérsia era o exato momento em que o prazo iniciava a
correr para o MP e Defensorias. Se do ingresso dos autos no Órgão ou do “ciente” do Membro.
Atualmente o STF pacificou a questão ao afirmar que “reputa-se intimado da decisão o
MP” a partir da data “de entrega dos autos, com vista, à secretaria do órgão ou ao
representante mesmo”(Cezar Peluso– HC 84.166/SP)

Atenção ao artigo abaixo:

Art. 798 do CPP


§ 1ºNão se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do
vencimento.
§ 3º O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado
até o dia útil imediato.
Novidade Legislativa:

Art. 798-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos


entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, salvo nos seguintes casos: (Incluído
pela Lei nº 14.365, de 2022)

I - que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas prisões;

II - nos procedimentos regidos pela Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei


Maria da Penha)

III - nas medidas consideradas urgentes, mediante despacho fundamentado do


juízo competente.

Parágrafo único. Durante o período a que se refere o caput deste artigo, fica
vedada a realização de audiências e de sessões de julgamento, salvo nas hipóteses dos
incisos I, II e III do caput deste artigo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

11. Prisões

É a privação a liberdade de locomoção determinada por ordem escrita e fundamentada


da autoridade competente ou em caso de flagrante delito.

Art. 5º, LXI, CF - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar
ou crime propriamente militar, definidos em lei;

Espécies De Prisão

Prisão processual Sentença Transitada em


Sem pena ou cautelar Julgado Prisão Pena

Preventiva
É aquela que não cabe
mais recurso.
Temporária (Lei
7.906/90)

Prisão Em Flagrante

Art. 301. Qualquer do povo poderá (facultativo) e as autoridades policiais e seus agentes
deverão (obrigatório) prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal; (próprio)
II - acaba de cometê-la; (próprio)
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em
situação que faça presumir ser autor da infração; (impróprio, quase-flagranteou irreal)
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração. (presumido)

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Infrações Permanentes

Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto
não cessar a permanência.

Falta de Testemunha Do Crime Impede A Prisão Em Flagrante?


Não. Neste caso necessitaremos de testemunhas para presenciar a apresentação do preso a
autoridade (essas testemunhas são conhecidas como fedatárias).
Fundamento:

Art. 304, § 2º A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante;
mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam
testemunhado a apresentação do preso à autoridade.

Procedimento – Comunicações Obrigatórias

Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à
pessoa por ele indicada.
§ 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao
juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de
seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública.
§ 2º No mesmo prazo (24h), será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa,
assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das
testemunhas.

Atenção: a não comunicação leva a prisão ilegal que dever ser relaxada (art. 5º, LXV, da CF e
art. 310, I do CPP)

11.2.4. Decisões Possíveis Do Juiz

71
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte
e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia
com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública
e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente:
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I -relaxar a prisão ilegal; ou
II -converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as
medidas cautelares diversas da prisão; ou
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas
condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7
de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao
acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos
processuais, sob pena de revogação.
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização criminosa
armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá denegar a liberdade
provisória, com ou sem medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da audiência
de custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá administrativa, civil e
penalmente pela omissão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido no
caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea
ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem
prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019) – Suspensa por decisão do Min FUX

Prisão Preventiva

Cabimento e Competência

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a


prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante
ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.

Atenção!
Até o pacote anticrime (Lei 13.964/19) era possível que durante o processo o juiz
determinasse a prisão preventiva de ofício. Hoje, como vimos na leitura acima, não é mais
possível. Abaixo a antiga redação:
Redação antiga para comparação:

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do
Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.

11.3.2. Fundamentos e Requisitos

Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da
ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de
autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. (Redação dada pela Lei
nº 13.964, de 2019)

Resumindo:
Quando houver:
1) prova da existência do crime e

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

2) indício suficiente de autoria.


3) Perigo gerado pela liberdade do imputado (esse requisito também foi acrescido pelo
pacote anticrime)
A prisão preventiva poderá ser decretada como:
1) garantia da ordem pública,
2)da ordem econômica,
3) por conveniência da instrução criminal, ou
4) para assegurar a aplicação da lei penal,

→ Outros fundamentos:

§ 1º A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de


qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282,
§ 4º). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019)

→ Necessidade de Fundamentação em fatos novos ou contemporâneos a prisão. Princípio


da Contemporaneidade

§ 2º A decisão que decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em


receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem
a aplicação da medida adotada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Casos de Admissão Da Preventiva. Não basta que a situação se aperfeiçoe ao art. 312 do
CPP se não estiver admitida na forma do artigo abaixo:
Atenção: essas situações são alternativas e não cumulativa. Ou seja: basta uma para possibilitar
a prisão preventiva.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão
preventiva:
I -nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4
(quatro) anos;
II -se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado,
ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal;
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das
medidas protetivas de urgência;

§ 1º.Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade
civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la,
devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se
outra hipótese recomendar a manutenção da medida.
§ 2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação
de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da
apresentação ou recebimento de denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

11.3.4. Não Admissão, Motivação e Revogação. Causa excludentes de ilicitude.

Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas
constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I, II e III do
caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal.

Apesar de o art. 93, IX da CF trazer a necessidade de motivação para todas as


decisões judiciais, a Lei 13.964/19, expressamente, passou a exigir nos casos de

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

preventiva, bem como elencou algumas situações que não será considerada válida a
fundamentação apresentada.

Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre
motivada e fundamentada. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

Art. 315. § 1º Na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra


cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou
contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 2º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória,
sentença ou acórdão, que: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - limitar-se à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua
relação com a causa ou a questão decidida; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua
incidência no caso; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,
infirmar a conclusão adotada pelo julgador; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
V - limitar-se a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus
fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela
parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação
do entendimento. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

Revogação da Preventiva – Previsão Legal.


Atenção: segundo a doutrina este fundamento para revogação – quando não mais é
necessária a prisão que foi legalmente imposta – serve também para a prisão temporária.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Art. 316. O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no
correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista,
bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem

Necessidade de revisão a cada 90 dias:

Art. 316 .Parágrafo único. Decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da
decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante
decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal.

Prisão Preventiva Domiciliar


Previsão Legal

Art. 317. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua


residência, só podendo dela ausentar-se com autorização judicial.

11.4.2. Cabimento.

Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou
com deficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze)
anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos
estabelecidos neste artigo.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

11.3.3. Prisão Domiciliar Mulher Ou Gestante

Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável
por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
(Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei
nº 13.769, de 2018).
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente

Possibilidade de cumulação da prisão preventiva domiciliar com medidas alternativas


diversas da prisão do art. 319 do CPP.

Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada sem
prejuízo da aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319
deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).

Prisão Temporária
Prevista na Lei 7.960/92, com cabimento somente na fase do Inquérito Policial, em
hipótese alguma pode ser decretada de oficial pelo Juiz (se for é ilegal e o pedido deve ser de
relaxamento). No caso de não mais ser necessária a prisão temporária legalmente imposta o
pedido deve ser revogação, forte no art. 316 do CPP.
Tal medida restritiva de liberdade só é cabível nos casos dos crimes previstos no rol
taxativo do art. art. 1º, III da Lei de Regência. Será ela decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de
5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.
Nos casos de prisão temporária por crime hediondo (Lei 8.072/90) o prazo será de 30 dias
prorrogável por mais 30. O mandado de prisão conterá necessariamente o período de duração
da prisão e o dia o preso deverá ser libertado. Sua execução somente poderá ocorrer depois da
expedição de mandado judicial.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Uma vez decorrido o prazo contido no mandado de prisão, a autoridade


responsável pela custódia deverá, independentemente de nova ordem da autoridade judicial, pôr
imediatamente o preso em liberdade, salvo se já tiver sido comunicada da prorrogação da prisão
temporária ou da decretação da prisão preventiva. O dia de início de cumprimento deve ser
computado no prazo da prisão. Os presos temporários deverão ficar separados dos demais
detentos.

12. Procedimentos Penais

O procedimento é a ordem, a sucessão de atos que devem ser respeitados durante o


processo penal. O art. 394 do CPP dispõe que os procedimentos penais podem ser divididos em
comum ou especial.
Nos termos do art. 394, §1º, do CPP o procedimento comum divide-se em: ordinário,
sumário e sumaríssimo. O critério adotado para diferenciá-los é a quantidade máxima de pena
privativa de liberdade prevista ao tipo penal, da seguinte forma:

Procedimento comum

Procedimento comum Procedimento comum Procedimento comum


ordinário sumário sumaríssimo

Infrações de menor
Crimes cuja pena máxima Crimes cuja pena máxima potencial ofensivo –
seja igual ou superior a seja inferior a quatro anos art. 61 da Lei no 9.099/1995
quatro anos Observação: Art. 94 do Estatuto
do Idoso (Lei no 10.741/2003)

Ex.: art. 213 do CP – pena Ex.: art. 306 do CTB – Ex.: art. 163, caput, do CP
de 6 a 10 anos - art. 147 do CP – pena de
pena de 6 meses a 3 anos
1 mês a 6 meses

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

É importante destacar alguns pontos, vejamos:


• Para adoção do procedimento comum deve ser observada a existência de
majorantes ou minorantes, as quais poderão interferir no procedimento a ser adotado.
• As disposições do procedimento comum ordinário aplicam-se
subsidiariamente aos procedimentos especiais, sumário e sumaríssimo (art. 394, § 5o, do
CPP).
• Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de
tramitação em todas as instâncias (art. 394-A do CPP).

Procedimento Comum Ordinário

O regramento que deverá ser observado está disposto nos arts. 395 a 405 do CPP4.

Resposta à
Se recebida a Citação acusação, no
Magistrado denúncia prazo de 10 dias
Oferecimento decide pelo (art. 396-A do CPP)
da denúncia recebimento ou
ou queixa rejeição
(art. 395 do CPP)
Se rejeitada a Cabível Recurso em
denúncia Sentido Estrito
(art. 581, I, do CPP)

Observação:
• No âmbito do Juizado Especial Criminal, o recurso cabível da rejeição da
denúncia ou queixa é o de Apelação, nos termos do art. 82 da Lei n. 9.099/95.

4A Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime) introduziu no Código de Processo Penal o chamado “juiz das garantias”, delimitando a atuação do “juiz
da instrução”. Conforme dispõe o art. 3º-B, XIV, do CPP, o juiz competente para decidir sobre a rejeição ou o recebimento da denúncia será o
“juiz das garantias”, o qual terá a atuação encerrada com o recebimento da denúncia (art. 3º-C, 1ª parte, do CPP). A partir desse momento, a
condução do processo competirá a um juiz criminal diferente, ao chamado “juiz da instrução e julgamento”, a quem incumbirá acompanhar a
instrução processual e a apreciação do caso concreto. Entretanto, atualmente, a implementação do denominado “juiz das garantias” e as demais
modificações decorrentes da nova estrutura processual estão suspensas, em razão de uma decisão de caráter liminar proferida pelo Ministro
Luiz Fux, em face de quatro ações diretas de inconstitucionalidade propostas no âmbito do Supremo Tribunal Federal (Medida Cautelar na ADI
nº 6.299 e ADIs nos 6.298, 6.300 e 6.305). Por consequência, o que se tem em vigência é a manutenção da estrutura processual penal brasileira
com apenas um juiz criminal, que será competente para apreciar a peça acusatória e acompanhar o processo até a sentença.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir
docomparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído (art. 363, § 4o, do
CPP).

A resposta à acusação é o momento processual que o defensor poderá arguir toda a


matéria pertinente à defesa, inclusive, apontar a necessidade de o magistrado reapreciar a o
recebimento da denúncia ou queixa, indicando a possibilidade de rejeição da peça acusatória
(art. 395 do CPP). Trata-se de peça obrigatória, nos termos do art. 396-A, § 2º, do CPP, caso
não seja apresentada no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz
nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por dez dias. A não
nomeação de defensor pelo juiz para oferecimento da defesa gerará nulidade absoluta.
Após a apresentação da resposta à acusação, ocasião que poderá ser alegado tudo que
interesse a defesa, o juiz decidirá pela absolvição sumária ou designará audiência de
instrução e julgamento.
O juiz absolverá sumariamente, nas hipóteses do art. 397 do CPP:

I. existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Ver: art. 23 do CP)


II. existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo
inimputabilidade; (Ver: art. 22 do CP).
III. que o fato narrado evidentemente não constitui crime;
IV. extinta a punibilidade do agente.

A decisão que absolve sumariamente o acusado produz coisa julgada material, logo,
transitada em julgado não será possível modificar esta decisão.

Não sendo caso de absolvição sumária, o magistrado designará audiência de instrução


e julgamento, nos termos do art. 400 do CPP, que deverá ser realizada no prazo de 60 dias. Na
audiência, será observada a seguinte ordem:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Oitiva do Oitiva das


testemunhas de Demais Interrogatório
ofendido provas
acusação e defesa,
nesta ordem •Irá observar as
• Esclarecimento dos regras dos arts.
• Exceção: art. 222 peritos, se 185 a 196 do
do CPP; previamente CPP
• Inversão na ordem: requerido;
desde que haja • Acareações (art. 229
concordância das do CPP)
partes; • Reconhecimento de
• Cada parte poderá pessoas e coisas
arrolar oito (arts. 226 e 227 do
testemunhas por CPP)
infração penal (arts.
209 e 401 do CPP)

Cuidado: Lei Mariana Ferrer – art. 400-A do CPP


Durante a audiência, e, em especial, nas que apurem crimes contra a dignidade sexual, todas as
partes e demais sujeitos processuais presentes no ato zelem pela integridade física e psicológica
da vítima, sob pena de responsabilização civil, penal e administrativa, cabendo ao juiz garantir a
observância, sendo vedado a manifestação sobre circunstâncias ou elementos alheios aos fatos
objeto de apuração nos autos; e a utilização de linguagem, de informações ou de material que
ofendam a dignidade da vítima ou de testemunhas.

Terminado o interrogatório, não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido,


serão oferecidas alegações finais orais por 20 minutos, respectivamente, pela acusação e pela
defesa, prorrogáveis por mais de 10 minutos, proferindo o juiz, a seguir sentença. Havendo mais
de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual.

A regra no procedimento comum ordinário é a oralidade. Exceções que admitimos a


conversão das Alegações Orais em Memoriais escritos, no prazo de 5 dias:

• Art. 404, parágrafo único, do CPP: se existirem diligências


imprescindíveis.
• Art. 403, §3º, CPP: complexidade da causa ou em razão do número
de acusados.

Nesses casos, serão apresentados memoriais escritos, no prazo de cinco dias. O juiz
terá o prazo de dez dias para proferir sentença, nos termos dos arts. 403, §3º, e 404, §único,
fundamentando a decisão com base nos arts. 386 ou 387 do CPP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Importante registrar que deverá ser observado o princípio da correlação entre a


denúncia e a sentença, a fim de se resguardar a máxima de que o acusado se defende dos
fatos e não da capitulação jurídica atribuída pela acusação.

Desta forma, importante relembrar o instituto da emendatio libelli, previsto no art. 383
do CPP, que permite ao magistrado dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da
queixa ou da denúncia, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. Diferente
é a situação quando encerrada a instrução probatória, for cabível nova definição jurídica do fato,
em consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal
não contida na acusação. Neste caso, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa,
nos termos do art. 384 do CPP, configurando o que se denomina mutatio libelli.

Procedimento Comum Sumário


O procedimento comum sumário deverá observar os arts. 396 e 397 do CPP,
acrescendo a parte específica dos arts. 531 a 538 do CPP. É similar ao comum ordinário, com
poucas alterações, vejamos:

Resposta à
Se recebida a Citação acusação, no
Magistrado denúncia prazo de 10 dias
Oferecimento decide pelo (art. 396-A do CPP)
da denúncia recebimento ou
ou queixa rejeição
(art. 395 do CPP)
Se rejeitada a Cabível Recurso em
denúncia Sentido Estrito
(art. 581, I, do CPP)

Com a resposta do acusado, o juiz analisará a possibilidade de absolvição sumária (art.


397 do CPP). Não sendo hipótese de absolvição sumária, o juiz designará dia e hora para a
audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 30 dias, ordenando a
intimação do acusado, seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do
assistente. Na audiência, será observada a seguinte ordem:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Oitiva das Demais


testemunhas provas Interrogatório
Oitiva do de acusação
• Esclarecimento •Irá observar as
ofendido e defesa, dos peritos, se regras dos arts.
• Art. 531 do CPP nesta ordem previamente 185 a 196 do CPP
requerido;
• Cada parte poderá • Acareações (art.
arrolar cinco 229 do CPP)
testemunhas, • Reconhecimento
ressalvado o disposto de pessoas e
no art. 222 do CPP coisas (arts. 226 e
(art. 532 do CPP) 227 do CPP)

Após o interrogatório, será dada a palavra para acusação e para a defesa, para
alegações finais orais (art. 534 do CPP), por vinte minutos prorrogáveis por mais dez minutos
para cada parte. Se existir assistente de acusação habilitado a sua manifestação será após o
Ministério Público, pelo prazo de dez minutos; sendo oportunizado igual período para
manifestação da defesa. Após o magistrado proferirá sentença.

No procedimento comum sumário não há previsão expressa acerca de eventuais


diligências, mas fique atento em caso de indeferimento de pedidos, pois poderá acarretar
cerceamento de defesa. Da mesma forma, não há previsão de conversão das alegações finais
orais em memoriais (aplica-se a regra do art. 394, §5º, do CPP, utilizando-se de forma subsidiária
as regras do procedimento comum ordinário).

Procedimento Comum Sumaríssimo

O procedimento será apresentado quando realizarmos o estudo dos Juizados


Especiais Criminais.

Procedimentos Especiais

O procedimento especial é a exceção, possui regramento próprio, sendo aplicado


em razão da prática de determinado crime (por exemplo crimes dolosos contra a vida) ou no
caso de acusado com foro determinado em virtude da função exercida (arts. 1º a 12º da Lei n.

84
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

8.038/90). Esses procedimentos podem estar previstos no Código de Processo Penal ou na


legislação especial, vejamos:

a) procedimento especial para apuração dos crimes dolosos contra a vida (arts. 406 a 497
do CPP);
b) crimes de responsabilidade dos funcionários públicos (arts. 513 a 518 do CPP);
c) procedimento especial das ações penais originárias dos Tribunais (arts. 1o a 12 da Lei
no 8.038/1990);
d) procedimento especial da Lei de Drogas (arts. 54 a 58 da Lei no 11.343/2006);
e) procedimento especial dos crimes contra a honra – arts. 519 ao 523 do CPP (obs.: em
regra aplica-se a Lei n. 9.099/95);
f) procedimento para os crimes contra a propriedade imaterial – arts. 524 a 530, I, CPP.

Procedimento Especial Dos Crimes Dolosos Contra A Vida

Trata-se de um procedimento especial, conforme o art. 394, § 3º, do CPP. Além da


previsão no art. 5º, XXXVIII, da CF, o CPP regula os atos nos arts. 406 a 497.
Conforme o artigo 74, parágrafo 1º, do CPP, são crimes dolosos contra a vida: a)
homicídio doloso; b) aborto; c) induzimento, instigação e auxílio ao suicídio; d) infanticídio. OBS.:
O Júri julgará também os crimes conexos (art. 78, I, CPP).
O procedimento dos crimes dolosos contra possui duas fases bem definidas:
* Para todos verem: esquema

Primeira Fase Segunda Fase

Inicia com o oferecimento da denúncia Recebimento dos autos pelo juiz


ou queixa, encerrando-se com a decisão presidente do Tribunal do Júri e
de pronúncia, impronúncia, absolvição encerramento com a sentença do Juiz
sumária ou desclassificação pelo juiz da Presidente, após o veredito dos jurados
primeira fase. (Conselho de Sentença).

Arts. 406 ao 421 do CPP Arts. 422 a 497 do CPP

Conhecida como fase da acusação, Conhecida como fase da causa ou


judicium accusationis ou sumário da judicium causae.
culpa

Procedimento da primeira fase – judicium accusationis

85
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

A chamada fase da acusação é muito similar ao procedimento comum ordinário, neste


momento há tão somente uma admissibilidade ou não de uma acusação.
Ao receber a denúncia ou queixa, é determinada a citação do acusado, com a abertura
do prazo para a defesa responder à acusação, no prazo de dez dias (art. 406 do CPP). Neste
momento, a defesa poderá arguir preliminares e alegar tudo que interesse à sua defesa, oferecer
documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, até o
máximo de oito, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.
A resposta à acusação é peça indispensável também no procedimento do Júri.
Apresentada, o juiz dará vista à acusação, pelo prazo de cinco dias, nos termos do art. 409 do
CPP. Logo após, será designada a realização de audiência de instrução, nos termos do art. 411
do CPP (não há possibilidade expressa em lei de o juiz absolver sumariamente antes da
audiência de instrução, como ocorre em outros procedimentos).
A audiência obedecerá a seguinte ordem: 1a) declarações do ofendido, se possível; 2a)
declarações de testemunhas; 3a) interrogatório do acusado; 4a) debates orais; 5a) decisão.
Durante as alegações orais, concede-se a palavra à acusação e à defesa,
respectivamente, pelo prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10; havendo mais de um
acusado, o tempo previsto para a acusação e a defesa de cada um deles será individual; ao
assistente do Ministério Público, após a manifestação deste, serão concedidos 10 minutos,
prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa.
Finda a primeira fase do procedimento do Júri, o magistrado possui quatro opções:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Pronúncia Impronúncia Absolvição sumária Desclassificação

Art. 413 do CPP Art. 414 do CPP Art. 415 do CPP Art. 419 do CPP

Decisão que julga Ocorrerá quando estiver Ocorre quando o juiz


Decisão que encerra a provada a inexistência do
admissível a acusação, primeira fase, deixando de se convencer, em
remetendo o caso ao fato, provado não ser o discordância com a
inaugurar a segunda, sem réu autor ou partícipe do
Tribunal do Júri. O juiz haver julgamento de mérito. acusação, da
admite a acusação, sem fato, o fato não constituir existência de crime
Ocorre quando o juiz não infração penal ou estiver
julgar o mérito, se estiver convencido da não doloso contra a
convencido da existência demonstrada causa de vida e se, não for
materialidade do fato ou dos isenção de pena ou de
do crime e de indícios indícios suficientes de competente para o
suficientes da autoria. exclusão do crime. No julgamento, remeterá
autoria ou participação. caso de inimputáveis, a
Sua fundamentação Enquanto não estiver extinta os autos ao juiz que
deverá ser comedida, absolvição sumária só é o seja, ficando à
a punibilidade, poderá ser possível se a
pois o julgamento será proposta nova ação penal, disposição deste o
feito pelos jurados na 2ª inimputabilidade for a acusado preso.
caso surjam novas provas. única tese defensiva.
Fase.

Recurso cabível: RESE -


Recurso cabível: RESE - art. Recurso cabível: Apelação - art. Recurso cabível: Apelação art. 581, inciso II, do CPP
581, inciso IV, do CPP 416 do CPP - art. 416 do CPP

Preclusa a decisão, os autos serão remetidos ao juiz Presidente do Tribunal do Júri (art.
421 do CPP).
*Para todos verem: esquema

1ª Fase do Júri – artigos 406/421 do CPP

Rejeição – RESE (581, I, CPP)

Oferecimento da
denúncia ou Pronúncia
queixa
Impronúncia
Decisão
Absolvição sumária

Ver artigo 412 do Desclassificação


Não há previsão legal para absolvição
CPP – 90 dias sumária antes da audiência de
instrução – em regra somente poderá
ocorrer no final da 1ª fase

Procedimento da Segunda Fase do Júri – judicium causae


A segunda fase do Tribunal do Júri destina-se ao julgamento do acusado perante
o Conselho de Sentença, está disposta nos arts. 422 a 497 do CPP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

O Tribunal do Júri, em conformidade com o art. 447 do CPP, é composto por um juiz
togado, seu presidente, e 25 jurados, sorteados entre os previamente alistados na forma do
art. 425 do CPP. Desses 25 jurados, serão sorteados 7, que formarão o Conselho de Sentença.
No dia da sessão de julgamento, deverão comparecer, no mínimo, 15 jurados daqueles
25 convocados (arts. 447 e 463 do CPP), para que seja feito o sorteio do Conselho de Sentença.
Formado o Conselho, será iniciada a instrução em Plenário (art. 473 do CPP).
A instrução em plenário segue a mesma ordem que o procedimento comum ordinário
(lembrando que, nesta segunda fase, o número de testemunhas é de cinco para cada parte –
art. 422, CPP). A oitiva da vítima e testemunhas deve observar as orientações do artigo 474-A,
CPP.
Após a instrução, iniciam-se os debates orais, sendo concedida a palavra primeiramente
à acusação e após à defesa, sendo o tempo destinado para cada parte de uma hora e meia.
Além disso, poderá a acusação replicar e a defesa treplicar, utilizando-se do tempo de uma hora
cada parte. Havendo mais de um acusado, o tempo para a acusação e a defesa será acrescido
de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica.

Importante:

• A decisão de pronúncia limita a acusação, não podendo, durantes os debates orais, a


acusação ultrapassar os limites ali previstos (art. 476 do CPP).
• Durante os debates orais não poderão as partes, sob pena de nulidade, fazer referência à
decisão de pronúncia ou de decisão posterior que a tenha confirmado como argumento de
autoridade. Da mesma forma, não poderão fazer referência ao silêncio do acusado (art. 478 do
CPP).
• Somente poderão ser mostrados no Plenário do Júri documentos juntados até três dias úteis
antes do julgamento, dando-se ciência à outra parte, conforme determina o art. 479 do CPP.

Encerrados os debates orais, o Conselho de Sentença será questionado sobre matéria


de fato e se o acusado deve ser absolvido, por meio de quesitos que serão formulados pelo juiz
presidente (art. 483 do CPP). A sentença será proferida após o julgamento pelos jurados e com
base na decisão tomada por maioria de votos (art. 489 do CPP).
Em caso de desclassificação pelos jurados para outra infração que não seja da
competência do Tribunal do Júri, o Juiz Presidente deverá sentenciar, conforme o art. 492, §1º,
do CPP.
Ainda, em caso de condenação, é competência do Juiz Presidente determinar a prisão
do condenado, se presentes os requisitos da prisão preventiva previstos no art. 312 do CPP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Destaca-se que com a publicação da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), foi inserida a regra
de execução provisória de pena nos processos julgados pelo Tribunal do Júri quando a pena
cominada na sentença condenatória for igual ou superior a 15 anos (art. 492, I, e, 2ª parte),
sem prejuízo do conhecimento de eventual recurso a ser interposto. Entretanto, poderá ser
concedido efeito suspensivo a esta apelação desde que observado o disposto no §5º do referido
dispositivo.

*Para todos verem: esquema

2ª Fase do Júri – arts 422/497 do CPP

Art. 422 do Intimação das Sorteio dos jurados; Acusação Quesitação Recurso Cabivel:
CPP partes – art. Arts. 483, APELAÇÃO – art. 593,
431 do CPP Oitiva do ofendido Defesa 488 e 489, III, do CPP c/c a Súmula
todos do 713 do STF
T.A./T.D. Réplica CPP
*Demais provas Tréplica
Condenação igual ou
*Interrogatório superior a 15 anos –
execução imediata da
Art. 473 do CPP Art. 476 do CPP pena – art. 492, alínea
e, do CPP

Alguns apontamentos sobre os demais Procedimentos Especiais

Procedimento da Lei 11.343/06


Na Lei n. 11.343/06, a instrução criminal está regulada a partir do art. 55, caracterizando-
se como um procedimento especial. Desta forma, oferecida a denúncia, o juiz notificará o
acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10 dias. Neste momento, o
acusado poderá invocar todos os argumentos para defesa, especificar as provas e arrolar até 5
testemunhas. Se não for apresentada o juiz nomeará defensor para oferecê-la.
Importante registrar, que a lei determina que recebida a denúncia o juiz designe dia e
hora para audiência de instrução, ordenando a citação do acusado. Na audiência de instrução,
nos termos do artigo 57, a lei dispõe como primeiro ato o interrogatório do acusado, após a

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

inquirição das testemunhas de acusação e defesa, ao final, será oportunizada a palavra para o
Ministério Público e ao defensor do acusado. Após os debates, o juiz proferirá sentença.
No tocante ao interrogatório, destaca-se que o entendimento jurisprudencial atualizado
do STF e STJ tem determinado a observância do interrogatório como último, aplicando a
ordem prevista no art. 400 do CPP. Inclusive, caracterizado nulidade a inobservância do
interrogatório como último ato (Informativo 683 do STJ – REsp 1.808.389-AM. DJe 23/11/2020 e
HC 127.900/AM - STF).

Crimes contra Administração Pública praticado por Funcionários Públicos


Nos termos do art. 514 do CPP, nos crimes funcionais afiançáveis, após o oferecimento
da denúncia, o réu será notificado para apresentar, no prazo de 15 dias, resposta preliminar. De
acordo com a Súmula 330 do STJ entende-se dispensável a resposta preliminar quando a ação
penal estiver instruída com inquérito policial.
Se recebida a denúncia, será o acusado citado, seguindo-se o rito comum, nos termos
do art. 518 do CPP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Considerações Iniciais
Em conformidade com o art. 24, inc. X e XI, da CF, compete à União, aos Estados e ao
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: a criação, funcionamento e processo do juizado
de pequenas causas (inciso X); procedimentos em matéria processual (inciso XI).
O art. 98 da CF/88 dispõem que os Juizados serão providos por juízes togados ou
togados e leigos competentes para conciliação, o julgamento e execução de infrações de menor
potencial ofensivo.

Juizado Especial Criminal – Juizado Especial Criminal –


Justiça Estadual Justiça Federal

Lei n. 9.099/95 Lei n. 10.259/01

Inobstante a existência de duas legislações, no âmbito do Juizado Especial Criminal


observa-se o regramento previsto na Lei n. 9.099/95, visto que na Lei n. 10.259/01 não há
previsão do procedimento a ser observado (artigo 1º da Lei n. 10.259/01).

Conceito De Infrações De Menor Potencial Ofensivo


Conforme o artigo 61 da Lei 9.099/95, considera-se infrações de menor potencial
ofensivo as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a
2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.

Importante:

• As contravenções não serão objeto de julgamento nos Juizados Especiais Criminais


Federais, por força do artigo 109, IV, da Constituição Federal que exclui da competência
de julgamento dos juízes federais o julgamento das contravenções.
• Súmula 38 do STJ: “Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da CF/88, o
processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços
ou interesse da União ou de suas entidades”.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Na reunião de processos, perante o juízo comum ou tribunal do júri, decorrentes das


regras de conexão ou continência, serão observados os institutos da transação penal e da
composição civil, conforme o art. 60, § único, da Lei n. 9.099/95.

Obs.: As causas de aumento e diminuição de pena (majorantes e minorantes)


deverão ser observadas para definição de competência. Assim, deverão incidir as causas
de aumento que mais aumentem a pena e as causas que menos diminuem. Por exemplo,
no caso de tentativa, deverá incidir a diminuição da pena máxima em abstrato no mínimo
em 1/3 (artigo 14, parágrafo único, CP).

Critérios e Objetivos dos Juizados Especiais


O artigo 62 da Lei n. 9.099/95 traz os critérios e objetivos que orientam os Juizados
Especiais Criminais. Vejamos os critérios:

C Celeridade

E Economia processual

I Informalidade

O Oralidade

S Simplicidade

Além dos critérios, os Juizados Especiais Criminais orientam-se pelos seguintes


objetivos:
1) Reparação do dano (diferente da ação civil ex delicto);
2) Aplicação de pena não privativa de liberdade (sempre que possível).

Competência no Juizado Especial Criminal


Conforme o artigo 63 da Lei n. 9.099/95, a competência do Juizado será determinada
pelo lugar em que foi praticada a infração penal.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Situações de remessa para o Juízo Comum


Existem algumas situações em que a competência de julgamento no âmbito dos
Juizados Especiais Criminais é afastada por determinação legal. Vejamos:

▪ complexidade ou circunstância do caso – artigo 77, §2° e § 3°, da Lei n.


9.099/95;
▪ acusado não localizado para ser citado – artigo 66, parágrafo único, da Lei
n. 9.099/95;
▪ quando ocorrer conexão ou continência com delitos da competência do Júri
ou crimes mais graves, será afastada a competência – artigo 60 da Lei n. 9.099/95;
▪ poderá também restar afastada a competência do JECRIM caso incida uma
causa de aumento de pena, ultrapassando o patamar da pena máxima de 2 anos;
▪ A Lei n. 11.340/06, no artigo 41, exclui a aplicação da Lei n. 9.099/95, logo
não há que se falar em JECRIM nos casos de violência doméstica e familiar.

Artigo 538 do Código de Processo Penal

Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado especial criminal
encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de outro procedimento,
observar-se-á o procedimento sumário previsto neste Capítulo.

Citação no âmbito do Juizado Especial Criminal


O artigo 66 da Lei n. 9.099/95 é claro ao informar que a citação será pessoal ou por
mandado. Logo, se o acusado não for encontrado, o processo será remetido ao juízo comum.
A regra é que a citação seja pessoal e no próprio Juizado Especial Criminal, pois a
pretensão legislativa é de que inexistindo acordo entre as partes ou não tendo ocorrido a
transação, seja determinada a citação do acusado no final da audiência preliminar, conforme
consta no artigo 78 da Lei n. 9.099/95.
Não cabe citação por edital no JECRim, pois não sendo encontrado o acusado
haverá remessa ao juízo comum.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Fase Preliminar
A fase preliminar ao processo está prevista nos artigos 69 a 76 da Lei n. 9.099/95. Nesta
fase, fica evidenciado o caráter consensual do Juizado, visto que inclui a possibilidade de
composição civil dos danos ou a aceitação da proposta de transação penal como medidas
despenalizadoras, que evitariam a propositura da ação penal.

Termo Circunstanciado – art. 69 da Lei 9.099/95


A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência de uma infração de menor
potencial ofensivo lavrará o chamado termo circunstanciado, que conterá de forma simplificada
o relato dos acontecimentos, indicações de eventuais testemunhas e, se for possível, o exame
de corpo de delito (neste momento pode ser dispensado).
Não se imporá prisão em flagrante para o autor do fato que se comprometer a
comparecer aos atos perante o Juizado Especial Criminal.

Audiência Preliminar
De acordo com os artigos 70 e 71 a audiência ocorreria imediatamente, porém na prática
o que ocorre é a remessa do Termo Circunstanciado ao JECRIM, para após ser marcada uma
data para audiência, sendo as partes intimadas a comparecerem.
Na audiência preliminar o juiz esclarecerá sobre a possibilidade de composição
civil ou de aceitação da transação (art. 72 da Lei n. 9.099/95).
A composição civil dos danos constitui um acordo de natureza civil, que, se
realizado pelas partes no caso de ação penal privada ou pública condicionada à
representação, resultará na extinção da punibilidade. Nos casos de ação penal pública
incondicionada, a composição dos danos não gera nenhuma consequência no tocante à
punibilidade, dando-se continuidade ao trâmite legal.
Em caso de não haver a composição civil, ou sendo o caso de ação penal
incondicionada, e, em qualquer situação não caracterizar possibilidade de arquivamento, será
oferecida a proposta de transação, ainda na audiência preliminar, que se trata de uma proposta
de aplicação de pena restritiva de direito ou pena de multa para evitar que haja processo penal.
A transação penal evita o processo e não gera reincidência ou maus antecedentes.
Todavia, há a exigência de preenchimento dos seguintes requisitos:

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

▪ o autor do fato não poderá ter usufruído de outra transação nos


últimos cinco anos;
▪ não pode ter sido condenado definitivamente a crime anterior por pena
privativa de liberdade;
▪ as circunstâncias, como antecedentes, conduta social, personalidade,
devem indicar a possibilidade da medida.
O cumprimento da transação penal resulta na extinção da punibilidade, já o
descumprimento resulta na retomada da situação no momento que parou, podendo, inclusive,
ser oferecida ação penal (Súmula Vinculantenº 35 do STF).
Da decisão que aplica a transação caberá recurso de apelação (arts. 76, § 5º, e 82,
da Lei n. 9.099/95).
Não sendo obtido qualquer acordo, prosseguirá a audiência preliminar e no final será
oferecida a denúncia ou queixa-crime, em regra oralmente, depois reduzida a termo, no
momento será realizada no próprio JECRIM a citação do acusado (art. 78 da Lei 9.099/95),
se possível. Neste momento, inicia-se o procedimento sumaríssimo.
Atente-se para o fato de que a audiência preliminar, como o próprio nome remete,
precede à fase processual, logo somente haverá procedimento sumaríssimo se não houver
adoção de nenhuma das medidas anteriores.

Procedimento Sumaríssimo (Fase Processual)


Após o oferecimento oral da acusação, será reduzida a termo, e o acusado, caso
presente na audiência, será citado pessoalmente, no Juizado Especial Criminal, e
imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiência de instrução e
julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável
civil e seus advogados. Caso o acusado não esteja presente, será citado na forma do art. 66 da
Lei, por mandado a ser cumprido pelo Oficial de Justiça.
No dia da audiência de instrução e julgamento (art. 81 da Lei 9.099/95), a sucessão dos
atos segue a seguinte ordem:
● proposta de composição ou transação, se não tiverem sido propostas;
● palavra ao defensor para responder à acusação;
● juiz decidirá se recebe ou não a denúncia ou queixa;

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

● em caso de recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e


defesa;
● após, o acusado será interrogado, se presente;
● debates orais (acusação e defesa);
● sentença.
As principais diferenças entre os demais procedimentos são as seguintes: no caso do
sumaríssimo a resposta à acusação é oral; a citação é feita antes do recebimento da acusação,
em audiência e na forma oral; se o juiz optar por rejeitar a denúncia ou queixa, caberá o recurso
de apelação, nos termos do art. 82 da Lei nº 9.099/1995. Inclusive, o prazo da apelação neste
procedimento é dez dias.

Recursos e Ações Impugnativas no âmbito do Juizado Especial Criminal


Recursos de Apelação
Conforme o artigo 82 da Lei n. 9.099/95, da decisão de rejeição da denúncia ou queixa
e da sentença caberá apelação. Também será cabível apelação na hipótese de concessão da
transação (art. 76, § 5º, da Lei n. 9.099/95).
O recurso de apelação no JECRIM é dirigido à Turma Recursal, sendo interposto no
prazo de 10 dias a contar da ciência da sentença. A petição é escrita e conterá as razões e o
pedido, não se aplicando o artigo 600, § 4° do CPP. Para contrarrazoar o prazo é o mesmo, 10
dias, artigo 82, §1° e 2°, da Lei n. 9.099/95.

Embargos Declaratórios
Os Embargos Declaratórios no JECRIM possuem o prazo de 5 dias, conforme dispõe o
art. 83 da Lei 9.099/95, e poderão ser opostos diante da obscuridade, contradição ou omissão
contida na sentença ou acórdão. Interrompem a contagem do prazo para os demais recursos.

Recurso Especial e Recurso Extraordinário


No âmbito do JECRIM não é cabível Recurso Especial. Há, inclusive, a Súmula 203 do
STJ, negando o cabimento de Recurso Especial. Tal posicionamento se justifica, em razão do
artigo 105, III, da CF somente mencionar decisões de Tribunais, não sendo o caso das Turmas
Recursais, por isso a ausência de competência do Superior Tribunal de Justiça para julgamento
nesse caso.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Destaca-se que é plenamente cabível Recurso Extraordinário das decisões das


Turmas Recusais (Súmula 640 do STF).

Habeas Corpus
As turmas recursais julgarão os habeas corpus impetrados contra atos de Juízes dos
Juizados. Porém, o julgamento de habeas corpus contra ato das Turmas Recursais Criminais
deverá ser julgado pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou Tribunal Regional Federal.

Suspensão condicional do processo


A suspensão condicional do processo viabiliza a suspensão do processo criminal
mediante o cumprimento de condições. Embora o instituto esteja previsto no art. 89 da Lei n .
9.099/1995, é aplicável em todos os procedimentos processuais, desde que não haja vedação
legal.
A sua aplicação deverá se destinar aos crimes em que a pena mínima prevista ao
delito não ultrapasse um ano, observando os seguintes requisitos:
▪ o acusado não esteja sendo processado por outro crime;
▪ não tenha sido condenado por outro crime;
▪ e a culpabilidade, os antecedentes, os motivos e as circunstâncias do crime
autorizem a concessão do instituto (demais exigências do art. 77 do CP).
Aceita as condições contidas na proposta e previstas no art. 89, §1º e 2º, da Lei 9.099/95,
o juiz receberá a denúncia e suspenderá o processo pelo período de 2 a 4 anos.

Cuidado – Súmula 536 do STJ e artigo 41 da Lei nº 9.099/95

A suspensão condicional do processo não se aplica na hipótese de delitos sujeitos ao rito


da Lei Maria da Penha.

Em regra, o oferecimento da proposta é feito pelo Ministério Público, no momento do


oferecimento da denúncia, conforme a Lei. Porém, poderá ser feita em momento posterior, nos
casos de desclassificação ou procedência parcial da acusação, nos termos da Súmula 337 do
STJ, e ainda nas hipóteses de emendatio e mutatio libelli (artigo 383, §1º, e 384, §3º, do CPP).

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

O legislador omitiu a possibilidade da suspensão condicional do processo no caso de


ações penais privadas, todavia tem a doutrina e jurisprudência admitem a hipótese. O que é
matéria controvertida é de quem seria a titularidade para o oferecimento da proposta, existindo
duas posições:
a) No âmbito do STJ a legitimidade seria titular da ação, ou seja, do querelante.
b) Enunciado 112 do FONAJE: a legitimidade para o oferecimento é do MP.

Caso não seja oferecido o sursis processual, aplica-se o teor da Súmula 696 do STF.

Concurso de crimes - Súmulas 243 do STJ e 723 do STF

a) concurso material: a suspensão condicional do processo somente será possível se a


soma das penas mínimas não exceder a 1 ano;
b) concurso formal e crime continuado: a suspensão somente será possível se o aumento
mínimo de 1/6 (arts. 70 e 71 do CP), aplicado sobre a pena mínima do crime mais grave
não superar o limite de 1 ano.

Durante o período de provas a suspensão condicional do processo poderá ser revogada


nos seguintes casos:
▪ Revogação Obrigatória: art. 89, §3º, da Lei 9.099/95 - se, no curso do
prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo
justificado, a reparação do dano.
▪ Revogação Facultativa: art. 89, §4º, da Lei 9.099/95 - se o acusado vier a
ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra
condição imposta.
A consequência da revogação será a retomada imediata do curso do processo e da
contagem do prazo prescricional. Importante destacar que durante a suspensão do processo a
contagem do prazo prescricional restará suspensa.
Por fim, expirado o período de provas e cumpridas as condições, o juiz declarará a
extinção da punibilidade, nos termos do art. 89, §5º, da Lei n. 9.099/95.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

14. Lei de Execução Penal

Considerações Iniciais
A execução das penas e medidas de segurança no Brasil é regulada pela Lei n. 7.210/84
(LEP). A sua finalidade é efetivar as disposições da sentença ou decisão criminal, propiciando
condições para harmônica integração social do condenado ou internado.
A formação do Processo de Execução Criminal (PEC), em regra, se dá quando se está
diante de uma sentença penal condenatória transitada em julgado. Todavia, antes do trânsito em
julgado tem sido admitida a execução penal provisória com frequência em nosso país, nos casos
em que houver necessidade de se manter a prisão preventiva, mesmo após a sentença
condenatória. Neste sentido, a Súmula 716 do STF assegura a possibilidade de progredir de
regime antes do trânsito em julgado. Da mesma forma, dispõe que caso haja execução provisória
o regime da sentença deverá ser aplicado, por exemplo, se a pessoa foi condenada ao
semiaberto, deverá ser transferida ao regime menos gravoso, previsto na sentença.

Competência do Juiz da Vara de Execução


O artigo 66 da Lei n. 7.210/84, traz um rol exemplificativo da competência do Juiz da
Vara de Execução. Por exemplo, competirá ao juiz da Vara de Execução aplicar aqui na
execução lei penal que favorecer o apenado, nos termos da súmula 611 do STF e art. 66, I, da
LEP, em atenção ao art. 5º, LV, da CF.
A competência na execução penal é determinada pelo local de recolhimento,
independente da origem da condenação. Por exemplo, condenada por tráfico internacional de
drogas, está recolhida em penitenciária estadual, o juiz competente para acompanhar a
execução é um juiz da vara de execução estadual e não federal. O inverso também acontece,
alguém foi condenado pela Justiça Estadual e por alguma razão foi transferido para uma
Penitenciária Federal, o juiz competente será um Juiz da Vara de Execução Federal. Isso se dá
em decorrência da aplicação da Súmula 192 do STJ.

Individualização da Pena na Execução

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Processo Penal

A individualização da pena na execução penal deverá observar as regras dos artigos 5º


ao 9º da LEP.
Os condenados serão classificados segundo os seus antecedentes e personalidade.
O condenado à pena privativa de liberdade em regime fechado, será submetido ao
exame criminológico para uma adequada classificação. Já os condenados em regime
semiaberto poderão ser submetidos ao exame criminológico (artigo 8°).

Esse exame criminológico que a Lei está tratando é para o início da execução da
pena e não para progressão de regime / livramento condicional.

Além disso, a LEP prevê,em seu artigo 9º-A, de forma obrigatória,a identificação do
perfil genético do condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa,
bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra
vulnerável.

Constitui falta grave a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de


identificação do perfil genético (arts. 9-A, § 8º, e 50, VIII, da LEP).

Detração Penal
A detração penal é o cômputo na pena privativa de liberdade e na medida de segurança,
de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, ou de internação. O instituto está previsto no
artigo 42 do CP.
A detração penal deverá ser observada, desde logo, na sentença condenatória, para fins
de fixação de regime prisional, conforme artigo 387, § 2º, do CPP.

Regimes prisionais e modificações durante a execução da pena


Em regra, o regime a ser cumprido vem estabelecido na sentença penal condenatória ou
quando for aplicada a pena em um acórdão pelo Tribunal. Será determinado conforme as regras
contidas no Código Penal, nos artigos 33, §2° e 59, do CP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Caso sobrevenha nova condenação durante o cumprimento de uma pena, a


determinação do regime será feita através da soma do restante da que está sendo cumprida com
a nova condenação, conforme artigo 111, §2°, da LEP.

Sistema Progressivo: Progressão de Regime


A LEP adotou o sistema progressivo para o cumprimento da pena, ou seja, a
transferência do regime mais rigoroso para um menos rigoroso mediante a observância de alguns
requisitos, sendo “inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional", nos
termos da Súmula 491 do STJ.
Para fins de progressão de regime observa-se a pena total, nos termos da súmula 715
do STF e não o limite máximo de cumprimento da pena, previsto no art. 75 do CP.
Desta forma, quem estiver executando pena, poderá progredir, ainda que esteja
aguardando definição de recurso (súmula 716 do STF), bastando o preenchimento do requisito
objetivo (lapso temporal) e subjetivo (bom comportamento), observando as especificidades
referentes à natureza do delito, vejamos:

Requisitos para Progressão de Regime


O instituto da progressão de regime sofreu profunda alteração com a Lei 13.964/2019 –
Pacote Anticrime. Vejamos o antigo tratamento legal (aplicável, em regra, ainda aos crimes
praticados antes do dia 23 de janeiro de 2020):

Progressão de Regime - Antes da Lei Base Legal


13.964/2019 anterior à Lei 13.964/2019

1 Primários e Reincidentes - Crimes Comuns Antiga redação do


/6 Artigo 112 da Lei 7.210/84

2 Primários – Crimes Hediondos e Antiga redação do


/5 Equiparados artigo 2º, §2º, da Lei
8.072/90
3 Reincidentes – Crimes Hediondos e
/5 equiparados

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

A progressão de regime exige o preenchimento de dois requisitos, quais sejam: requisito


subjetivo e objetivo. Em relação ao requisito subjetivo, foi mantido como requisito para concessão
da progressão o atestado de bom comportamento carcerário emitido pelo Diretor do
estabelecimento prisional, nos termos do artigo 112, §3º, da LEP.
Entretanto, no tocante ao lapso temporal, previamente estabelecido para o alcance da
progressão ao regime mais brando, o legislador optou por estabelecer uma exigência em
percentual de cumprimento de pena, não mais em formato de fração, restando a seguinte
previsão na nova redação do artigo 112 da LEP:

16% da pena Primário


Crime tiver sido cometido sem
violência à pessoa ou grave ameaça
20% da pena Reincidente

25% da pena Primário


Crime cometido com violência à
pessoa ou grave ameaça
Reincidente EM
30% da
40% Condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for
penada pena
primário
Se o apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com
50% da pena resultado morte, se for primário, vedado livramento condicional;

b) condenado por exercer comando, individual ou coletivo, de


organização criminosa estruturada para prática de crime hediondo ou

60% da pena Se o ou
equiparado; apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou
equiparado (reincidência específica)
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia
70% da pena Se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado
privada;
com resultado morte, vedado o livramento condicional (reincidência)

Somente estarão sujeitos aos novos prazos que eventualmente trouxerem um


específica)
tratamento mais gravoso à progressão de regime, aqueles que praticarem crimes a partir da data

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Processo Penal

da vigência do Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), qual seja, dia 23 de janeiro de 2020. Neste
sentido, sempre que a nova lei trouxer algum benefício ao apenado deverá retroagir.
Dentro deste contexto, não se pode olvidar a Súmula 471 do STJ, que assegura a
aplicação do prazo de 1/6 para todos os crimes, inclusive os hediondos e equiparados, desde
que praticados antes do dia 29 de março de 2007, haja vista os efeitos atribuídos ao habeas
corpus n. 82.959-7/SP, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2006.

a) Falta grave e Progressão de Regime


O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade
interrompe o prazo para a obtenção da progressão de regime, resultando no reinício da contagem
do requisito objetivo, que terá como base a pena remanescente, nos termos do artigo 112, §6º,
da LEP. Trata-se da incorporação do entendimento jurisprudencial, pois o novel parágrafo
incorporou o teor da Súmula 534 do STJ.

b) Progressão de Regime especial para mulheres


Conforme o artigo 112, parágrafo 3º, da LEP, no caso de mulher gestante ou que for mãe
ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de
regime são, cumulativamente:
1) não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
2) não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
3) ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior;
4) ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento;
5) não ter integrado organização criminosa.
Destaca-se que o cometimento de fato definido como crime doloso ou falta grave,
conforme dispõe a lei, implica na revogação da progressão de regime diferenciada (artigo 112,
§4º, LEP).

c) Tratamento diferenciado para integrantes de organização criminosa – reconhecidos


expressamente em sentença

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Processo Penal

É vedada a progressão de regime ou obtenção do livramento condicional, bem


como de outros benefícios prisionais, para os casos de integrante de organização criminosa,
expressamente reconhecido em sentença, ou de condenado por crime praticado por meio de
organização criminosa, quando houver elementos probatórios que indiquem a manutenção do
vínculo associativo, conforme consta no artigo 2º, §9º, da Lei 12.850/2013.

d) Progressão para o regime aberto


A progressão para o regime aberto possui algumas condições específicas, previstas nos
arts. 114 e 115 da LEP, como, por exemplo, estar trabalhando ou possuir condições de trabalhar
imediatamente. Neste caso, convém reforçar que a inexistência, por exemplo, de vaga para
trabalho, não autoriza o juiz a suprir essa condição impondo uma pena restritiva de direito, pois
caracteriza uma afronta à legalidade. Inclusive, há vedação expressa na súmula 493 do STJ,
matéria já cobrada no exame da OAB.

e) Exame Criminológico e Progressão de Regime


O exame criminológico não está previsto como requisito legal para concessão da
progressão de regime, ou seja, não há menção no art. 112 da LEP acerca da sua exigência.
Entretanto, é possível que o Juiz exija a realização do exame, desde que em decisão motivada,
nos termos da súmula 439 do STJ e Súmula Vinculante n. 26 do STF, parte final, pois o início
desta súmula está prejudicado pela alteração legislativa que permite a progressão de regime
para esses delitos.

f) Progressão de regime e crimes contra administração pública


Nos casos de condenados por crimes contra a administração pública, aplica-se como
requisito para progressão além do tempo e do comportamento, a reparação do prejuízo gerado
ao erário, conforme dispõe o artigo 33, §4º, do CP.

Regressão de Regime
As hipóteses de regressão estão previstas nos artigos 118 e 146-C, parágrafo único, da
LEP, vejamos:
• o apenado praticar fato definido como crime doloso ou falta grave
(artigo 50 a 52 da LEP) – artigo 118, I, LEP.

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Nestes casos, antes da regressão de regime deverá ser ouvido, previamente, o


apenado, conforme o artigo 118, § 2°, da LEP.
Regressão cautelar: a jurisprudência tem admitido a regressão cautelar, hipótese
que se regride o regime antes de ouvir o preso, dispensando a audiência, visto se tratar de
medida excepcional e emergencial, mas para a regressão em caráter definitivo exige-se a
oitiva.

Súmula 526, STJ - O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato


definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de
sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato.

• quando o apenado sofrer condenação, por crime anterior, cuja soma da


pena restante com a nova condenação torne impossível a manutenção do regime
(artigo 111 da LEP) – artigo 118, II, LEP.
• quando o apenado em regime aberto frustrar os fins da execução ou
não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta. Tal hipótese deve ser
analisada com cautela – artigo 118, §1º, LEP.
• aviolação comprovada dos deveres inerentes ao monitoramento
eletrônico poderá ensejar a regressão (artigo 146-C, parágrafo único, I, da LEP).

Prisão Domiciliar
Para cumprir a pena em residência particular o preso deverá estar em regime aberto e
se enquadrar em uma das quatro hipóteses do artigo 117 da LEP, quais sejam:
▪ condenado maior de setenta anos;
▪ condenado acometido de doença grave;
▪ condenada com filho menor ou deficiente físico ou metal;
▪ condenada gestante.

Conforme a Súmula Vinculante n. 56 do STF, a falta de estabelecimento penal adequado


não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se
observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS, precedente representativo
da Súmula:

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"4. Havendo déficit de vagas, deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de
sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao
sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o
cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime
aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a
prisão domiciliar ao sentenciado." (RE 641320, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno,
julgamento em 11.5.2016, DJe de 8.8.2016)

Remição de Pena
A remição, prevista nos artigos 126 a 130 da LEP, é o cômputo na pena dos dias
trabalhados ou estudados como pena efetivamente cumprida (artigo 128 da LEP). A remição
pode se dar em razão do trabalho ou estudo.
A remição de pena por trabalho pode ser usufruída por presos no regime fechado ou
semiaberto. A lei não prevê a hipótese de remição por trabalho no regime aberto, sendo o
entendimento do STF e STJ de que diante da ausência de previsão, não deve ser concedido.
A contagem se dá da seguinte forma: a cada 3 dias de trabalho equivale a 1 dia da pena.
O trabalho poderá ser realizado internamente ou externamente, a depender do caso específico.
Neste sentido, a súmula 562 do STJ reitera que é “possível a remição de parte do tempo de
execução da pena quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha
atividade laborativa, ainda que extramuros”.
Já a remição por estudo pode ser usufruída em qualquer regime (fechado, semiaberto
ou aberto) e, inclusive, quem estiver em livramento condicional. A cada 12 horas de estudo
divididas, no mínimo, em 3 dias, equivale a 1 dia da pena.
Alguns aspectos gerais que devem ser observados para fins de prova são:
• o preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos
estudos continuará a beneficiar-se com a remição;
• o tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um
terço) no caso de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o
cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente do sistema de
educação.
• a remição é aplicada também aos presos cautelares;
• forjar acidente de trabalho é falta grave (artigo 50 da LEP);

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• é possível cumular remição por trabalho e estudo, desde que compatíveis.

Por fim, destaca-se que o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido
daquele que praticar falta grave durante a execução (artigo 127 da LEP).

Autorizações de Saída: Permissão de Saída e Saída Temporária


As autorizações de saída dividem-se em: permissão de saída e saída temporária.

Permissão de Saída
Em conformidade com a Lei de Execução Penal, poderão obter permissão de saída
(artigos 120 e 121 da LEP), mediante autorização do Diretor, os apenados que cumprem pena
em regime fechado, semiaberto e provisórios, devidamente escoltados, em duas hipóteses:
• falecimento ou doença grave do cônjuge, companheiro, ascendente,
descendente ou irmão (CCADI);
• necessidade de tratamento médico.

Saída Temporária
A saída temporária (artigos 122 a 125 da LEP), sem vigilância direta, isto é, sem escolta,
poderá ser concedida a apenados que cumprem pena em regime semiaberto.
Destaca-se, que a ausência de vigilância direta não impede que o juiz determine a
monitoração eletrônica. Constitui uma faculdade do Juiz, não uma obrigação legal.

Súmula 520, STJ - O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato
jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional.

Para obtenção da saída temporária, os apenados em regime aberto deverão preencher


os seguintes requisitos:
• comportamento adequado;
• cumprimento mínimo de 1/6 para apenado primário e de, no mínimo, ¼ para
reincidentes;
• compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

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Será concedida por período não superior a 7 dias, podendo ser renovadas por mais 4
vezes. Logo, faz jus a 35 dias de saída,com intervalo de 45 dias entre as saídas.
De acordo com o artigo 122, § 2º, da LEP, não terá direito à saída temporária o
condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte.

Monitoramento Eletrônico
O monitoramento eletrônico é uma faculdade judicial, pois, de acordo com artigo 146-B
da LEP, poderá ser definido pelo juiz nos casos definidos em lei, desde que seja necessário, nos
casos de prisão domiciliar e saída temporária no regime semiaberto.
Em caso de descumprimento das regras da monitoração eletrônica poderá o juiz, ouvidos
o Ministério Público e a defesa, como consta no art. 146-C, parágrafo único, da LEP: regredir o
regime prisional; revogar a prisão domiciliar; revogar a saída temporária; ou apenas aplicar uma
advertência.
Atualmente, é muito comum a utilização do monitoramento eletrônico nos casos em que
se autoriza a prisão domiciliar em razão de falta de vagas no sistema prisional.

Livramento Condicional
O livramento condicional é a liberdade mediante condições. Trata-se da última etapa do
cumprimento de pena, não se confundido com progressão de regime, pois o livramento
condicional não é regime prisional. O instituto é regulado pelos artigos 83 a 90 do CP e artigos
131 a 146 da LEP. Acrescenta-se o artigo 44, parágrafo único, da Lei 11.343/06, que traz regras
específicas para o livramento nos casos de delitos da Lei de Drogas.
Diferente do que ocorre para progressão de regime, a prática de falta grave não
interrompe o prazo para obtenção do instituto, como dispõe a súmula 441 do STJ. Porém, a
prática de falta grave nos últimos 12 meses obsta o livramento condicional, sendo fator que
deverá ser observado por ocasião da elaboração do atestado de conduta carcerária.
A liberdade condicional poderá ser concedida para condenados com pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 anos.
Os requisitos para obtenção de livramento estão previstos no artigo 83 do CP em
combinação com o artigo 112, §2º, da LEP. São requisitos objetivos e subjetivos.
Os requisitos subjetivos estão no artigo 83, III e IV, e é exigido o bom comportamento
carcerário atestado pelo diretor, por força do artigo 112 da LEP.

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Processo Penal

Artigo 83, inciso III, do Código Penal

a) bom comportamento durante a execução da pena;


b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses;
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;

Artigo 83, inciso IV, do Código Penal

tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;

No tocante ao lapso temporal, deverá ser observado o enquadramento abaixo:

Requisito
Hipóteses cabíveis
Objetivo
+ 1/3 Não reincidente em crime doloso
+½ Reincidente em crime doloso
Condenados por crimes hediondos, tráfico, tortura,
terrorismo e tráfico de pessoas se enquadram nesta hipótese.
+ 2/3
Ressaltando que em caso de reincidência em delitos dessa
natureza não será possível a concessão de livramento condicional.

Após concedido, o livramento condicional somente poderá ser revogado


obrigatoriamente se durante o período de prova for trazida ao processo de execução nova
sentença penal condenatória irrecorrível por crime praticado antes ou durante o período em
que estava em liberdade (artigo 86 do CP).
Também é possível que a critério do juiz seja revogado o livramento condicional, nos
termos do artigo 87 da LEP, quando descumpridas as condições ou superveniência de
condenação irrecorrível por crime que não tenha sido determinada pena de prisão ou
contravenção penal.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Portanto, são duas espécies de revogação: obrigatória e facultativa. Se chegar até o final
do período de provas sem que haja revogação ou suspensão, declara-se extinta a pena (art. 90
do CP). Se porventura, após o término do período de provas, se descobrirem causas de
revogação, não poderá afetar a declaração de extinção.

Súmula 617, STJ: A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional


antes do término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral
cumprimento da pena.

Os efeitos das diferentes formas de revogação, estão previstos nos arts. 88 do CP e 141
e 142 da LEP.

Aspectos importantes no tocante ao livramento condicional no tocante ao delito


de associação ao tráfico (artigo 35 da Lei n. 11.343/06):
O crime de associação ao tráfico não é considerado hediondo pelo entendimento do
STJ, inclusive, não há previsão na Lei dos Crimes Hediondos do referido tipo [Link], para
progressão de regime se utiliza o lapso temporal de 1/6 da pena. Porém, o artigo 44, parágrafo
único, da Lei n. 11.343/06, dispõe para livramento condicional deverá ser exigido mais de 2/3 da
pena, incluindo o delito de associação.

Regime Disciplinar Diferenciado


O Regime Disciplinar Diferenciado foi um dos institutos da execução penal que sofreu
alterações com o advento do Pacote Anticrime.
Conforme o artigo 52 da LEP, a prática de fato previsto como crime doloso constitui falta
grave e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso
provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao regime
disciplinar diferenciado, com as seguintes características:
• duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção
por nova falta grave de mesma espécie;
• recolhimento em cela individual;

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• visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em


instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa
da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas)
horas;
• direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de sol,
em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com presos do mesmo
grupo criminoso;
• entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em
instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo
expressa autorização judicial em contrário;
• fiscalização do conteúdo da correspondência;
• participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência,
garantindo-se a participação do defensor no mesmo ambiente do preso.
Conforme o §1º do artigo 52 da LEP, o regime disciplinar diferenciado também será
aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros:
• que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento
penal ou da sociedade;
• sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação,
a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada,
independentemente da prática de falta grave.
Importante registrar que a inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado,
depende de decisão do Juiz.

Incidentes da Execução Penal


Durante a execução penal poderá ocorrer alguns incidentes, como, por
exemplo:superveniência de doença mental daquele que está cumprindo pena; a conversão da
pena restritiva de direito em pena privativa de liberdade diante do descumprimento, entre outras
possibilidades.
• Conversão da PPL em PRD (art. 180 da LEP) – PPL não superior a dois
anos; condenado em regime aberto; cumprido pelo menos ¼; antecedentes e
personalidade indiquem.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• Conversão da PRD em PPL (art. 181 da LEP) – ocorrerá na forma do art. 45


do CP.
• Conversão da Pena em Medida de Segurança (art. 183 da LEP)
• Desvio ou Excesso de Execução (artigo 185 da LEP)

Limite de cumprimento das Penas Privativas de Liberdade


O limite de cumprimento de pena é o previsto no artigo 75 do CP, qual seja, 40
[Link] da vigência do Pacote Anticrime o limite previsto era de 30 anos. Trata-se de novatio
legis in pejus, sendo aplicável somente para aqueles que praticarem crimes a partir da vigência
da norma.
No tocante à incidência dos benefícios (direitos), conforme preconiza a Súmula 715 do
STF, o limite do artigo 75 do CP não é parâmetro ou base de cálculo para os demais direitos em
sede de execução penal. A súmula refere o lapso temporal previsto antes das alterações do
Pacote Anticrime, logo deverá ser atualizada, observando o novo limite de 40 anos. Desta forma,
se o apenado estiver cumprindo uma pena que totaliza 60 anos, será sobre este total que deverá
ser calculada a viabilidade de concessão de algum direito, e não sobre o limite máximo.

Graça, Indulto e Comutação de Pena


São institutos que extinguem a punibilidade, conforme o artigo 107, II, do CP.
A graça é o perdão individual da pena, perdoa-se a pessoa. É concedida pelo Presidente
da República, por meio de uma avaliação discricionária. É uma medida de caráter excepcional,
concedida mediante análise do caso individual. De acordo com o artigo 5°, inc. XLIII, não é
permitida nem a graça nem a anistia para delitos considerados hediondos ou equiparados.
Já o indulto também é uma causa extintiva da [Link] entanto, é concedido de
forma coletiva, Assim sendo, qualquer preso que preencher as condições passará a ter direito
ao indulto, devendo ser apenas declarado pelo Juiz da Vara de Execuções.
A comutação de pena, por sua vez, difere-se do indulto por ser o abatimento parcial do
tempo da pena (prevista em forma de fração), desde que preenchido os requisitos previstos no
Decreto Presidencial.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

15. Recursos Em Processo Penal

Considerações Iniciais sobre Recursos em Processo Penal


Recurso é o meio processual adequado para impugnar decisões judiciais dentro de uma
mesma relação jurídica, provocando o reexame das questões. Recorre-se da decisão de um
julgador/órgão julgador, que será chamado de juízo a quo, e outro órgão jurisdicional apreciará
o recurso, que, nesse caso, será chamado de juízo ad quem.

Pressupostos Recursais
Classificam-se em subjetivos e objetivos.
a) Pressupostos recursais subjetivos:interesse e legitimidade
Não será admitido recurso em processo penal da parte que não tenha interesse na
reforma da decisão (art. 577, parágrafo único, do CPP).
Eventualmente é questionado em prova: é possível o réu absolvido recorrer? A resposta
é no sentido de que se existir interesse na alteração dos fundamentos indicados no art. 386 do
CPP seria possível, por exemplo, buscar alterar a hipótese de absolvição, visando evitar uma
eventual ação indenizatória no juízo civil.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Em relação à legitimidade, no processo penal temos o que chamamos de legitimidade


múltipla, em que o Ministério Público, o querelante, o réu, seu procurador ou defensor poderão
recorrer. Inclusive, em determinados casos a vítima, ou quem legalmente a represente ou as
pessoas do art. 31 do CPP, poderá recorrer, ainda que não tenha se habilitado como assistente
de acusação. Por exemplo, no caso do art. 598 do CPP.
b) Pressupostos recursais objetivos: previsão legal, adequação e tempestividade
O pressuposto recursal da previsão legal corresponde à existência do recurso em
matéria penal, ou seja, se há previsão na legislação processual penal do recurso em questão.
Por exemplo, aqui no processo penal não há previsão do chamado recurso de revista, utilizado
em matéria trabalhista.
Já a adequação pressupõe que, entre os recursos previstos na legislação, o recurso
utilizado esteja observando o seu adequado cabimento.
A tempestividade também é um pressuposto recursal objetivo. Todo recurso deverá
observar o prazo legal: os prazos são peremptórios e, se não observados, resultam em
intempestividade, ausência do requisito.
A contagem do prazo se dá na forma do art. 798 do CPP, excluindo o dia da ciência e
computando o último. Para tanto, devemos observar as seguintes regras: a) o primeiro dia
sempre terá que ser um dia útil; b) se o último dia não for útil, como sábado, domingos, ou
feriados, prorroga-se para o próximo dia útil; c) em regra, os prazos não se interrompem, nem
suspendem; d) a contagem é diferente daquela que se faz no processo civil.
* Para todos verem: esquema sobre contagem dos prazos

TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO DOMINGO SEGUNDA

5º dia
Intimação 1º dia do 2º dia do 3º dia do 4º dia do
FIM DO
(prazo: 5d) prazo prazo prazo prazo
PRAZO

1º dia do
Intimação - -
prazo

Intimação 1º dia do 2º dia do 3º dia do 4º dia do FIM DO


5º dia
(prazo: 5d) prazo prazo prazo prazo PRAZO

115
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

ÚLTIMO
DIA DO
PRAZO

No processo penal os prazos são contados da ciência, e não da juntada aos autos de
eventuais mandados, conforme a Súmula nº 710 do STF. Da mesma forma, a Súmula nº 310 do
STF reforça a ideia ilustrada na tabela de que, se a intimação ocorrer na sexta, o início da
contagem se dará somente na segunda, pois é o dia útil subsequente ao da intimação, e o início
somente poderá ocorrer em dias úteis.
Importante registrar que a Lei n. 14.365/2022 introduziu o art. 798-A, do CPP, que dispõe
sobre a suspensão do curso do prazo processual nos dias 20 de dezembro a 20 de janeiro,
sendo proibida também a realização de audiências e sessões de julgamento, não se aplicando
essas disposições aos casos que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas
prisões; nos procedimentos regidos pela Lei Maria da Penha; e nas medidas consideradas
urgentes, mediante despacho fundamentado.
Por fim, de um modo geral, pode-se dizer que a lei prevê diversos prazos diferentes para
interposição dos recursos em matéria processual penal, observando-se que o prazo mais comum
é o prazo de cinco dias:

Prazo Recursos – Interposição

48 horas Carta Testemunhável

2 dias Embargos Declaratórios no Código de Processo Penal

Apelação, Recurso em Sentido Estrito, Agravo em Execução,


5 dias Embargos Declaratórios no JECrim, Recurso Ordinário Constitucional em
Habeas Corpus

10 dias Apelação no JECrim e Embargos Infringentes e de Nulidades

Recurso Especial e Recurso Extraordinário, Recurso Ordinário em


15 dias
Mandado de Segurança

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

16. Recursos em Espécie

Os recursos processuais penais admitidos no Processo Penal são os seguintes:

Recurso em Sentido Estrito (RESE)


É o recurso destinado à impugnação de decisões interlocutórias, que não tenham caráter
definitivo ou terminativo. No entanto, é cabível contra decisões que encerram o processo ou
determinada fase processual, sem julgamento do mérito, como se verá.

Hipóteses de cabimento
As hipóteses de cabimento do recurso em sentido estrito estão previstas no art. 581 do
CPP, podendo, eventualmente, ser adotada interpretação extensiva, desde que não modifique o
conteúdo da [Link] exemplo, recurso em sentido estrito contra decisão rejeitou o aditamento
próprio da denúncia ou queixa.
Cabe recurso em sentido contra as seguintes decisões:

• Decisão que rejeitar a denúncia ou queixa (art. 581, I, do CPP): As


hipóteses de rejeição estão no art. 395 do CPP. Em regra, da decisão contrária, ou seja,
aquela que recebe a denúncia ou queixa, não cabe nenhum recurso, apenas impetração
de habeas corpus, ante a absoluta falta de previsão legal.
Obs.: No caso das infrações penais de competência do Juizado Especial Criminal,
não cabe recurso em sentido estrito da decisão que rejeitar a denúncia ou queixa, mas
apelação, com prazo de dez dias (art. 82, caput, da Lei nº 9.099/1995).

• Decisão que concluir pela incompetência do juízo (art. 581, II, do CPP):
É o caso do reconhecimento ex officio da incompetência pelo próprio juiz, que determina
a remessa dos autos ao juízo competente, nos termos do art. 109 do CPP. No
procedimento do júri da decisão de desclassificação do fato para crime não doloso contra
a vida (art. 419 do CPP), cabe recurso em sentido estrito com base nesse inciso, pois o
juiz estará, em última análise, concluindo pela incompetência do Tribunal do Júri para
julgar a causa.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Da decisão do juiz dando-se por competente não cabe nenhum recurso, podendo
a parte prejudicada intentar apenas habeas corpus.

• Decisão que julgar procedente as exceções, salvo a de suspeição


(art. 581, III, do CPP): O art. 95 do CPP enumera as cinco exceções oponíveis, a saber:
suspeição, incompetência do juízo, litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada.

• Decisão que pronunciar (art. 581, IV, do CPP): A decisão de pronúncia é


uma decisão interlocutória mista não terminativa, que encerra uma fase do procedimento,
sem julgar o mérito, isto é, sem declarar o réu culpado.

• Decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a


fiança, indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade
provisória ou relaxar a prisão em flagrante (art. 581, V, do CPP): Nessa hipótese, a lei
prevê tanto situação favorável ao réu quanto desfavorável. Assim, concedida a fiança ou
fixado um valor muito baixo, pode o Ministério Público recorrer. Negada, cassada ou
considerada inidônea, cabe ao acusado apresentar o seu inconformismo.

• Decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor (art. 581,
VII, do CPP): Quando houver o quebramento, implicando a obrigação de se recolher à
prisão, poder dar ensejo à impetração de habeas corpus.

• Decisão que julgar extinta a punibilidade do acusado (art. 581, VIII, do


CPP)
Trata-se de sentença terminativa de mérito, isto é, que encerra o processo com
julgamento do mérito, sem absolver ou condenar o réu.

• Decisão que indeferir pedido de extinção de punibilidade (art. 581, IX,


do CPP): É o contraponto do inciso anterior, negada a extinção da punibilidade, o
processo seguirá seu curso normal.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• Decisão que conceder ou negar a ordem de habeas corpus (art. 581, X,


do CPP): dispositivo refere-se à decisão do juiz de primeira instância, da qual, na hipótese
de concessão, cabe também recurso ex officio (art. 574, I, do CPP). Importante fazer
menção que quando o Juiz de 1º negar ordem de habeas corpus cabível Recurso no
Sentido Estrito; entretanto se a ordem de habeas corpus for denegada no âmbito de
Tribunal será cabível Recurso Ordinário Constitucional, como logo mais será explicado.

• Decisão que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da


pena (art. 581, XI, do CPP): No caso de a decisão estar embutida em sentença
condenatória, cabe apelação. Após o trânsito em julgado da condenação, cabe agravo em
execução (art. 197 da Lei nº 7.210/1984). Assim, esse dispositivo tem aplicação
prejudicada.
• Decisão que anular a instrução criminal no todo ou em parte (art. 581,
XIII, do CPP): Reconhecida essa hipótese, que é típica decisão interlocutória, cabe à parte
inconformada ter que reiniciar a instrução ou reproduzir determinados atos, impugnar a
decisão anulatória pelo recurso em sentido estrito.

• Decisão que incluir ou excluir jurado na lista geral (art. 581, XIV, do
CPP): Há autores que sustentam a revogação desse inciso, em razão do art. 426, § 1º,
do CPP.

• Decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta (art. 581, XV, do


CPP): No caso da apelação, o juízo de prelibação (admissibilidade) deve ser feito tanto
na primeira quanto na instância superior. Assim, o juiz a quo pode deixar de receber o
apelo (o que equivale a denegá-lo), se entender não preenchido algum pressuposto
recursal objetivo ou subjetivo.
Nessa hipótese, cabe recurso em sentido estrito contra o despacho denegatório
da apelação.
Se o juiz denegar também o recurso em sentido estrito dessa decisão caberá
carta testemunhável dirigida ao escrivão (artigos 639 e 640 do CPP).

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Processo Penal

• Decisão que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão


prejudicial (art. 581, XVI, do CPP): as questões prejudiciais estão previstas nos
artigos 92 e 93 do CPP.

Decisão que decidir o incidente de falsidade (art. 581, XVIII, do CPP): o incidente
de falsidade está previsto nos artigos 145 a 148 do CPP.
• Decisão que recusar homologação ao acordo de não persecução penal
(art. 581, XXV, do CPP): o acordo de não persecução penal está previsto no art. 28-A do
CPP.

• Além das hipóteses previstas no art. 581 do CPP, consta no art. 294 do
Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) que: Em qualquer fase da investigação ou
da ação penal, havendo necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz,
como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou ainda
mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a
suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição
de sua obtenção. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que
indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem
efeito suspensivo.

Hipóteses revogadas:
• Art. 581, XII, XVII e XIX a XXIII, do CPP – Essas hipóteses não são mais
objeto de recurso em sentido estrito, e sim de agravo em execução penal, em virtude do
art. 197 da LEP, que introduziu recurso específico das decisões do juiz da Vara de
Execução Penal. Portanto, consideram-se hipóteses tacitamente revogadas.
• Art. 581, XXIV, do CPP também é hipótese em desuso, pois, com a atual
redação do art. 51 do CP, o descumprimento da pena de multa não poderá gerar prisão,
a não ser dívida da Fazenda Pública.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Prazo
O prazo para interposição do recurso em sentido estrito é de cinco dias (art. 586 do
CPP).Já para oferecer as razões e contrarrazões, será de dois dias (art. 588 do CPP).

Exceções:
Prazo de 20 dias, no caso de inclusão ou exclusão de jurado na lista, conforme art. 581,
XIV, do CPP (como já mencionado, há posicionamento que sustenta a revogação desta
hipótese).
Prazo de 15 dias para interposição (dois dias para razões), quando a impugnação é feita
pelo assistente à acusação não habilitado, nos termos dos arts. 584, § 1º, e 598, parágrafo único,
do CPP.A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a regra
disposta na Súmula no 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa
a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”.

Competência para o julgamento – art. 582


A interposição do recurso deve ser dirigida ao juiz de primeiro grau que proferiu a
decisão, para que este possa rever a decisão, em sede de juízo de retratação.
As razões de recurso devem ser endereçadas ao Tribunal competente (Tribunal de
Justiça, se da competência da Justiça Comum Estadual; ou Tribunal Regional Federal, se da
competência da Justiça Federal).

Efeitos do recurso em sentido estrito


O recurso em sentido estrito possui efeito regressivo, uma vez que a interposição do
recurso obriga o juiz que prolatou a decisão recorrida a reapreciar a questão, mantendo-a ou
reformando-a, conforme dispõe o art. 589, caput, do CPP.
No tocante ao efeito regressivo do recurso: recebendo os autos, o juiz, dentro de dois
dias, reformará ou sustentará a sua decisão, mandando instruir o recurso com as cópias que lhe
parecerem necessárias.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Se o juiz mantiver o despacho, remeterá os autos à instância superior; se reformá-la, o


recorrido, por simples petição, e dentro do prazo de cinco dias, poderá requerer a subida dos
autos. O recorrido deverá ser intimado, no caso de retratação do juiz.
Em geral, o recurso em sentido estrito não tem efeito suspensivo, salvo nas hipóteses
previstas no art. 584 do CPP.

Apelação
É o recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a segunda
instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a consequente modificação
parcial ou total da decisão.

Hipóteses de cabimento da apelação – art. 593 do CPP


• Sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz
singular (art. 593, I, do CPP)
Cabe apelação nas sentenças definitivas de condenação ou absolvição. São as decisões
que encerram a relação jurídica processual, julgando o seu mérito, quer absolvendo, quer
condenando o acusado. De toda sentença condenatória cabe apelação, e de toda absolutória
também.

• Da sentença de absolvição sumária no júri (art. 416) e daquelas


proferidas nos processos de competência do juiz singular (art. 397 do CPP), exceto
a decisão que declara extinta a punibilidade (art. 397, IV, do CPP), como as
proferidas nos processos de competência do júri, na 1ª fase do procedimento
(art. 415 do CPP).

• Decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz


singular nos casos não previstos no capítulo anterior
Cabe, ainda, apelação das sentenças que, julgando o mérito, põe fim à relação jurídica
processual ou ao procedimento, sem, contudo, absolver ou condenar o acusado. Logo, no caso,
consistem na hipótese de decisões interlocutórias mistas (definitivas ou com força de definitivas),
que não integram o rol do art. 581 do CPP, sendo, assim, cabível, na forma residual, portanto, o
recurso de apelação, previsto no inciso II do art. 593 do CPP.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Decisões definitivas são aquelas que encerram o processo, incidental ou principal, com
julgamento do mérito, sem, no entanto, absolver ou condenar.
Decisões com força de definitivas são aquelas decisões que encerram o processo, sem
julgamento do mérito (decisão interlocutória mista terminativa) ou uma etapa procedimental
(decisão interlocutória mista não terminativa). Ex.: decisão de impronúncia(art. 416 do CPP).

• Apelação das decisões do júri


Quando a parte pretender recorrer de decisão proferida no Tribunal do Júri, deve
apresentar logo na petição de interposição qual o motivo que o leva a apelar, deixando expressa
a alínea eleita do inciso III do art. 593 do CPP. Posteriormente, no momento de apresentação
das razões, fica vinculado ao motivo declinado.
Assim sendo, o Tribunal somente pode julgar nos limites da interposição. Nesse sentido
é a Súmula n. 713 do STF: “O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos
fundamentos da sua interposição”. No caso de apelação das decisões da segunda fase do júri,
as hipóteses são as seguintes, expostas no art. 593, III, do CPP:

a) Nulidade posterior à pronúncia


Por exemplo, alguma das partes suscita em grau de recurso alguma nulidade ocorrida
após a pronúncia, a fim de anular o julgamento, em busca de um novo.

b) Sentença do juiz presidente contrária à letra expressa da lei ou à decisão dos


jurados
O juiz está obrigado a cumprir as decisões do Júri, não havendo supremacia do juiz
togado sobre os jurados, mas simples atribuições diversas de funções. Os jurados decidem o
fato e o juiz presidente aplica a pena, de acordo com essa decisão, não podendo dela desgarrar-
se.

c) Quando houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida


de segurança
Por exemplo, a aplicação de penas muito acima do mínimo legal para réus primários, ou
excessivamente brandas para reincidentes, sem ter fundamento razoável. Neste caso, o Tribunal
ao julgar o recurso pode alterar a pena.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

d) Quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos
Contrária à prova dos autos é a decisão que não encontra respaldo em nenhum elemento
de convicção colhido sob o crivo do contraditório. Não é o caso de condenação que apoia em
versão mais fraca.Só caberá apelação com base nesse fundamento uma única vez, não
importando qual das partes tenha apelado.

Prazo
O prazo de interposição é de cinco dias, conforme art. 593, caput, do CPP.
O prazo para razões de apelação e contrarrazões é de oito dias (art. 600 do CPP). No
caso de contravenção o prazo para razões e contrarrazões é de três dias quando não for da
competência do JECRIM.
No JECRIM, o prazo é único é 10 dias, devendo ser apresentadas as razões junto com
a interposição. Salienta-se que é cabível apelação da decisão que rejeitar a denúncia ou queixa;
da sentença e da decisão que conceder apelação (art. 76, §5º, e 82 da Lei 9.099/95).

Legitimidade
Podem interpor recurso de apelação o Ministério Público, o querelante (ação penal
privada), o réu ou seu defensor (art. 577 do CPP) e o assistente de acusação.
Importante a súmula 705 do STF.
A legitimidade do assistente de acusação está prevista no art. 598 do CPP. Pode ser: a)
habilitado nos autos, sendo, portanto, intimado dos atos processuais, podendo, nessa condição,
interpor recurso no prazo de cinco dias; b) não habilitado nos autos, não sendo até então,
portanto, intimado dos atos processuais, razão pela qual terá o prazo mais dilatado para interpor
recurso de apelação, qual seja, 15 dias, nos termos do art. 598, parágrafo único, do CPP.
A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a regra disposta na Súmula
nº 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr imediatamente
após o transcurso do prazo do Ministério Público”.

Processamento
A apelação poderá ser interposta por termo ou petição. Interposta a apelação, as razões
devem ser oferecidas dentro do prazo de oito dias, se for crime, salvo nos crimes de competência

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

do Juizado Especial Criminal, quando as razões deverão ser apresentadas no ato de


interposição. É obrigatória a intimação do apelante para que passe a correr o prazo para
oferecimento das razões de apelação.
Se houver assistente, este arrazoará no prazo de três dias após o Ministério Público.
Outra peculiaridade é se o apelante desejar poderá oferecer as suas razões em segunda
instância, perante o juízo ad quem (art. 600, § 4º, do CPP).
Importante registrar que a apresentação tardia das razões de apelação não impede
o conhecimento do recurso e é considerada mera irregularidade.

Efeitos da apelação
São eles:
• Devolutivo: devolve o conhecimento da matéria à instância superior;
• Suspensivo: trata-se do efeito da dilação procedimental, que retarda a
execução da sentença condenatória.
• Extensivo (art. 580 do CPP): ocorre nos casos de concursos de agentes,
quando a decisão do recurso interposto somente por um dos corréus beneficia o corréu
que não recorreu, mas isso somente é possível se a matéria não for de caráter
exclusivamente pessoal.
• Não há efeito regressivo no recurso de apelação.

Vedação à reformatio in pejus


Embora a apelação permita o reexame da matéria decidida na sentença, o efeito
devolutivo não é pleno. Quando apenas a defesa recorrer não é possível haver reforma da
sentença para agravar a situação, nos termos do art. 617 do CPP. De outro modo, importante
lembrar que o recurso da acusação tem caráter limitado, não pode o tribunal dar provimento em
maior extensão contra o apelado, inclusive temos a Súmula 160 do STF.
A reformatio in pejus pode ser indireta quando ocorre a anulação da sentença ou de
determinado ato do processo, por recurso exclusivo do réu, e a outra decisão proferida agravar
a situação do acusado. Ainda que seja uma nova decisão, deverá respeitar a antiga, não
podendo piorar a situação do réu.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Assim, caso o réu seja condenado a cinco anos de reclusão, mas obtenha a defesa a
anulação dessa decisão, quando o magistrado – ainda que seja outro – venha a proferir outra
sentença, está restrito a uma condenação máxima de cinco anos.
A proibição de reformatio in pejus aplica-se a todos os recursos e ações penais,
não somente ao recurso de apelação.

Embargos Infringentes e de Nulidade


Trata-se de recurso privativo da defesa, voltado a garantir o reexame da matéria decidida
em segundo grau, por ter havido decisão não unanimidade desfavorável ao réu, previsto no art.
609, § único, do CPP.
Importante referir que, quando se tratar de matéria de mérito, o nome que devemos
utilizar é embargos infringentes; caso a matéria em divergência seja de nulidades, utilizaremos
somente embargos de nulidade; se porventura a divergência for de matéria de mérito e nulidade,
utilizaremos o nome completo: embargos infringentes e de nulidade.
Por exemplo, se no julgamento de uma apelação, dois desembargadores mantiverem a
sentença e um desembargador proferir voto divergente absolvendo o acusado, caberá embargos
infringentes.

Hipóteses de cabimento
Só são cabíveis embargos infringentes e de nulidades de acórdãos de apelação e
recurso em sentido estrito. A doutrina e jurisprudência ampliam para possibilidade de acórdãos
referentes ao agravo em execução, pois o processamento deste recurso segue as regras do
recurso em sentido estrito. Importante lembrar, que não são cabíveis de acórdãos de habeas
corpus e revisão criminal.

Prazo
O prazo para interposição é de dez dias, a contar da publicação do acórdão (art. 609,
parágrafo único, do CPP).Por ocasião da interposição, deve o recurso ser devidamente instruído
com as razões, pois não será aberta vista para essa finalidade.

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Processo Penal

Embargos de Declaração
Encontra-se previsto nos artigos 382 e 619 do CPP e 83 da Lei no 9.099/[Link]-se
de recurso posto à disposição de qualquer das partes, voltado ao esclarecimento de dúvidas
surgidas no acórdão, quando configurada ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão,
permitindo, então, o efetivo conhecimento do teor do julgado, facilitando a sua aplicação e
proporcionando, quando for o caso, a interposição de recurso especial ou extraordinário.
• Ambiguidade: é o estado daquilo que possui duplo sentido, gerando
equivocidade e incerteza, capaz de comprometer a segurança do afirmado. No julgado,
significa a utilização, pelo magistrado, de termos com duplo sentido, que ora apresentam
uma determinada orientação, ora seguem em caminho oposto, fazendo com que o leitor,
seja ele leigo, seja ele não leigo, termine não entendendo qual o seu real conteúdo.
• Obscuridade: é o estado daquilo que é difícil de entender, gerando confusão
e ininteligência, no receptor da mensagem. No julgado, evidencia-se a utilização de frases
e termos complexos e desconexos, impossibilitando ao leitor da decisão, leigo ou não,
captar-lhe o sentido e o conteúdo.
• Contradição: trata-se de uma incoerência entre uma afirmação anterior e
outra posterior, referentes ao mesmo tema e no mesmo contexto, gerando a
impossibilidade de compreensão do julgado.
• Omissão: é a lacuna ou o esquecimento. No julgado, traduz-se pela falta de
abordagem do magistrado acerca de alguma alegação ou requerimento formulado,
expressamente, pela parte interessada, merecedor de apreciação.

Prazo
Os embargos devem ser interpostos no prazo de dois dias perante o próprio juiz prolator
da sentença (art. 382 do CPP) ou, no caso dos tribunais (art. 619 do CPP), endereçados ao
próprio relator do acórdão embargado. No caso de embargos nos Juizados Especiais Criminais,
o prazo é de cinco dias.

Efeito interruptivo
Por analogia ao disposto no art. 1.026 do CPC, os embargos de declaração possuem o
efeito de interromper o prazo para interposição de recurso. Conforme art. 83, § 2º, da Lei

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

nº 9.099/1995, os embargos de declaração no âmbito do Juizado Especial Criminal também


possuem efeito interruptivo.

Carta Testemunhável
É o recurso que tem por fim provocar o reexame da decisão que denegar ou impedir o
seguimento de recurso em sentido estrito e do agravo em execução (artigo 639 do CPP).
Com relação ao não recebimento da apelação, cabe recurso em sentido estrito (art. 581,
XV, do CPP), não sendo necessária carta testemunhável.

Procedimento
A carta testemunhável deve ser requerida dentro de 48 horas, após a ciência do
despacho que denegar o recurso ou da decisão que obstar o seu seguimento. Não terá efeito
suspensivo.
O requerimento deve ser endereçado ao escrivão, indicando o requerente as peças do
processo que deverão ser trasladadas. O escrivão dará recibo à parte recorrente da entrega do
recurso. Este, dentro do prazo máximo de cinco dias, fará a entrega da carta devidamente
formada com as peças indicadas; o escrivão que se negar a dar o recibo ou deixar de entregar,
sob qualquer pretexto, será suspenso por 30 dias.
Na instância superior, o recurso seguirá o rito do recurso denegado. O tribunal mandará
processar o recurso ou, se a carta estiver suficientemente instruída, julgará diretamente o
recurso.

Agravo em Execução Penal


É o recurso cabível das decisões do Juiz da Vara de Execução Penal, nos termos do
art. 197 da Lei nº 7.210/1984. É possível encontrar no art. 66 da LEP um rol exemplificativo da
competência do Juiz da Vara de Execução, por exemplo: decidir sobre progressão de regime,
livramento condicional, saída temporária, entre outros. Logo, dessas decisões o recurso será o
agravo em execução, que poderá ser interposto pelo Ministério Público ou pelo apenado,
conforme o interesse de cada parte.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Prazo
O prazo para interposição é de cinco dias, conforme se extrai da Súmula nº 700 do STF.
Prazo para razões e contrarrazões é de dois dias (art. 588 do CPP).

Processamento
Idêntico ao recurso em sentido estrito, pois na Lei de Execução Penal não há
processamento específico. Logo, no agravo em execução também é permitido o juízo de
retratação, nos termos do art. 589 do CPP.
Obs.: Em regra, o recurso de agravo não possui efeito suspensivo (art. 197 da LEP).
Todavia, é importante ressaltar que, no tocante às medidas de segurança, somente poderá
ocorrer a desinternação ou liberação de tratamento ambulatorial após transitar em julgado essa
decisão (art. 179 da LEP).

Recurso ordinário constitucional em habeas corpus


É o recurso cabível das decisões denegatórias de habeas corpus proferidas no âmbito
dos Tribunais.

Cabimento
Cabe recurso ordinário constitucional ao STF da decisão dos Tribunais Superiores que
julgar em única instância o habeas corpus, desde que denegatória (art. 102, II, a, da CF).
Cabe recurso ordinário constitucional ao STJ da decisão denegatória de habeas corpus,
proferida em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais, ou pelos tribunais dos
Estados e do Distrito Federal (art. 105, II, a, da CF).

Prazo
O prazo para interposição e oferecimento das razões é de cinco dias, conforme art. 30
da Lei no 8.038/1990 e Súmula nº 319 do STF.
Obs.: Da mesma for das decisões denegatórias de mandado de segurança por
Tribunais caberá Recurso Ordinário em Mandando de Segurança, no prazo de 15 dias, nos
termos do artigo 33 da Lei n. 8.038/90 e artigos 102, II, e 105, II, da CF.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

17. Ações Impugnativas E Nulidades E Processo Penal

Revisão Criminal
A revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação que, de forma excepcional, tem
como objetivo modificar a sentença penal condenatória transitada em julgado, relativizando
assim a coisa julgada, sempre em benefício do réu, sendo vedada a revisão criminal pro
societate.
É pressuposto da revisão criminal a existência de sentença penal condenatória
transitada em julgado.
Conforme dispõe o artigo 621 do Código de Processo Penal, é cabível revisão criminal:
• quando a sentença penal condenatória, transitada em julgado, for contrária
ao texto da lei ou à evidência dos autos;
• quando for fundamentada em depoimentos, exames ou documentos,
comprovadamente falsos;
• quando após a sentença penal condenatória transitada em julgado forem
descobertas novas provas de inocência ou de causa de diminuição da pena.
OBS: A doutrina e a jurisprudência admitem revisão criminal nas hipóteses de sentença
absolutória imprópria, visto que resultam na aplicação de medida de segurança, uma sanção
penal.
A revisão criminal pode ser proposta a qualquer tempo, desde que após o trânsito em
julgado, até mesmo após a morte do réu (artigo 622 do CPP).
Em regra, é vedada a reiteração de pedido, ou seja, o mesmo réu não pode propor
revisão criminal mais de uma vez, em relação ao mesmo fato tendo a mesma causa de pedir
(artigo 622, parágrafo único, do CPP).Todavia, a referida vedação é incabível quando se estiver
diante de novas provas ou circunstâncias diversas do pedido feito anteriormente.

Legitimidade
Pode propor ação de revisão criminal o réu ou o procurador legalmente habilitado, em
caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (artigo 623 do CPP).
Perceba que o próprio réu pode ingressar com revisão criminal, mesmo que não seja
advogado.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Competência
O artigo 624 do CPP dispõe sobre o processamento e julgamento das revisões criminais.
O Supremo Tribunal Federal será competente para julgar as ações de revisão criminal
que dizerem respeito sobre as condenações por ele proferidas.A referida competência estará
restrita ao mérito, ou seja, o fundamento da revisão deve dizer respeito ao que foi discutido em
sede de recurso extraordinário (artigo 102, I, alínea J, da CF/88).
Nessa esteira, é a competência do Superior Tribunal de Justiça, sendo o referido órgão
competente para julgar as revisões criminais que versarem sobre as condenações por ele
proferidas, sendo a matéria restrita ao conteúdo discutido em Recurso Especial (artigo 105, I,
alínea E, da CF/88).
Em casos de condenação em segundo grau, o TJ ou TRF que a proferiu será competente
para julgar eventual revisão criminal, de igual forma, se o réu tiver sido absolvido em primeiro
grau e condenado em segundo grau após recurso interposto pelo Ministério Público.

Efeitos
Trata-se de uma ação de impugnação excepcional, admitida somente em favor do réu,
sendo assim, é possível que o Tribunal profira decisão ultra petita, como, por exemplo, decidir
pela absolvição do réu, ainda que o pedido tenha sido somente de anulação.
Julgada procedente a revisão criminal, o tribunal poderá alterar a classificação do réu,
absolvê-lo, modificar sua pena ou anular o processo (artigo 626 do CPP).
Não há possibilidade de decisão que agrave a situação do réu, sendo vedada reformatio
in pejus (artigo 626, parágrafo único, do CPP). Ainda que a decisão tenha anulado o processo e
tenhamos uma nova tramitação processual e, consequentemente, nova decisão, esta não pode
ser maios gravosa que a anterior, sob pena de reformatio in pejus indireta.
É chamado de juízo rescindente aquele que desconstitui a decisão impugnada, quando
cassa uma decisão. Já aquele que reforma a decisão impugnada, substituído a anterior,
reexaminando seu mérito, havendo ainda, novo julgamento, é chamado juízo rescisório ou
revisório.
Havendo decisão absolutória, todos os direitos perdidos pelo réu serão reestabelecidos,
devendo o tribunal, em caso de absolvição imprópria, impor a medida de segurança cabível
(artigo 627 do CPP).

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Por fim, se tiver sido postulado pelo interessado, o tribunal poderá reconhecer o direito
a uma justa indenização, tendo em vista os prejuízos sofridos (artigo 630 do CPP).

Habeas Corpus
O Habeas Corpus é uma ação autônoma de impugnaçãocom o fim de garantir o direito
à liberdade do indivíduo. Embora se encontre no Livro III do Código de Processo Penal, não é
considerado um recurso e sim Ação Impugnativa, com previsão nos artigos 5º, LXVIII, da
Constituição Federal de 1988 e 647 e seguintesdo CPP.

Pressupostos
Para impetração de Habeas Corpus é necessária a exposição de fatos que possam
interferir na liberdade do indivíduo, fatos que devem ser revestidos de violência ou coação.
O termo violência refere-se ao emprego da força física com finalidade de restringir a
liberdade de alguém. É o que ocorre, por exemplo, em uma prisão em flagrante numa situação
não revestida de flagrância.
Já a expressão coação ilegal consiste no constrangimento da liberdade de locomoção
por meio de ameaça, medo ou intimidação (violência moral). Atos que representem perigo a
liberdade de alguém.
De acordo com o artigo 648 do Código de Processo Penal, a coação será considerada
ilegal quando:
1. Não houver justa causa;
2. Alguém estiver preso por mais tempo do que determina a Lei;
3. Ordenada por quem não tem competência para fazê-lo;
4. Houver cessado o motivo que autorizou a coação;
5. Não for admitida fiança nos casos em que a lei autoriza;
6. O processo for manifestamente nulo;
7. Estiver extinta a punibilidade.

Espécies
O Habeas Corpus pode ser liberatório/repressivo, preventivo ou trancativo/profilático.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Quando estivermos diante da existência da restrição de liberdade ilegal, sob fato já


existente, com coação ou violência evidenciada, o impetrante o fará em caráter
liberatório/repressivo.
Existindo evidência de ameaça à liberdade do indivíduo, a impetração do habeas corpus
deverá ser feita em caráter preventivo, conhecido como salvo conduto, com o fim de prevenir a
ocorrência de restrição da liberdade.
Ainda, poderá ser impetrado com o fim de trancar o inquérito ou a ação penal, em caráter
trancativo/profilático.

Legitimidade
Vislumbrada a ilegalidade na privação de liberdade de alguém, qualquer um poderá
impetrar Habeas Corpus, inclusive o próprio paciente e, até mesmo o Ministério Público (artigo
654, do CPP).
Ainda, se no curso do processo juízes e tribunais competentes que verificarem que
alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal, poderão expedir, exofficio, ordem de
habeas corpus (artigo 654, §2º, do CPP)
A ação de habeas corpus é judicialmente gratuita (artigo 5º, LXXVII, da CF/88).

Competência
A competência para recebimento do Habeas Corpus será definida da seguinte forma:

AUTORIDADE COMPETENTE AUTORIDADE COAUTORA

Juiz de primeira instância Delegado de polícia

Àqueles sujeitos a sua jurisdição e


autoridade coautora for juiz de direito ou promotor
Tribunais de Justiça
de justiça.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

TRF Juiz Federal ou contra membros do MPU,


MPT, MPF e DF.

Tribunal superior ou autoridade, funcionário


público, cujos atos estejam sujeitos diretamente
STF
àquela jurisdição.

Governador de estado ou DF,


desembargadores do TJ ou DF e membros do TRF,
STJ
TRE e TRT. Ou, àqueles sujeitos à sua jurisdição,
ministro de estado ou comandante da marina, do
exército ou da aeronáutica, ressalvada a
competência da justiça eleitoral.

Turmas recursais Decisão exarada pelo JECRIM.

Recurso

Decisão que concede


RESE – art. 581, X, do
ou nega HC em 1º grau
CPP
de jurisdição
Recurso cabível
ROC – art. 102, II; e
Decisão de Tribunal 105, II, da CF e
que denegar HC
Art. 30 da Lei 8038/90

Súmulas – STF
- Súmula 606 - Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de
Turma, ou do Plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.
- Súmula 691 - Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas
corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior,
indefere a liminar.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

- Súmula 692 - Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de


extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi
ele provocado a respeito.
- Súmula 693 - Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa,
ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única
cominada.
- Súmula 694 - Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de
militar ou de perda de patente ou de função pública.
- Súmula 695 - Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade

Mandado de Segurança
Considerações Gerais
Conforme artigo 5º, inciso LXIX, da CF e artigo 1º, caput, da Lei 12.016/09, mandando
de segurança é uma ação autônoma de impugnação, com status de remédio constitucional, que
intenta tutelar direito líquido e certo que estiver sendo [Link] esfera penal é utilizado de
forma subsidiária, na impossibilidade de impetração de habeas corpus ou habeas data, bem
como, se não houver recurso ordinário específico.

Prazo
Por força do artigo 23, da Lei nº 12.016/09, o mandando de segurança tem prazo
decadencial de 120 dias, contados da ciência do ato impugnado.

Bem Jurídico Tutelado


O mandando de segurança tutela direito líquido e certoprejudicado por autoridade.
Eventual controvérsia sobre a matéria de direito não impede a concessão do mandando
de segurança, conforme súmula 625 do STF.

Hipóteses de Cabimento no Processo Penal

• Indeferimento de habilitação do Assistente de Acusação.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

• Trancamento do Inquérito Policial ou Ação Penal – que não tratar de delito


com pena privativa de liberdade.
• Proteção da Pessoa Jurídica no processo pena – ex: no processo ambiental
com dupla imputação, a pessoa jurídica não é dotada de liberdade de locomoção.
• Da determinação do sequestro de bens.
• Para concessão de efeito suspensivo a recurso que não o tenha. (Súmula
604, STJ – O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a
recurso criminal interposto pelo Ministério Público).
• Para franquear o acesso de advogado a Inquérito Policial, quando este se
ver impedido pela autoridade. (Súmula Vinculante n. 14, STF)

Hipóteses em que NÃO CABERÁ


A Lei 12.016/09, em seu artigo 5º dispõe sobre as hipóteses de não cabimento do
mandado de segurança, são elas:
• De ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo,
independentemente de caução:Havendo interposição de recurso administrativo com
efeito suspensivo, restará prejudicado o conhecimento do Mandando de Segurança.
• De decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo:Súmula
267, STF - “Não cabe Mandado de Segurança contra ato judicial passível de recurso ou
correição.”
• De decisão judicial transitada em julgado:Súmula 267, STF - “Não cabe
Mandado de Segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.”

Requisitos de Admissibilidade
• Ilegalidade ou abuso de poder praticado por uma autoridade (Artigo 1º, §1º, da
Lei 12.016/19)

• Demonstração do direito líquido e certo - que deverá ser provado


documentalmente, demonstrando a lesão ou ameaça de direito: Não havendo provas
suficientes, o MS não será admitido, pois não há dilação probatória em sua tramitação. A
denegação do MS sem julgamento do mérito não impede sua renovação (dentro do prazo
decadencial).Artigo 6º, §6º da Lei 12.016/19 - O pedido de mandado de segurança poderá

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver
apreciado o mérito.

• Comprovação da ilegalidade ou do abuso de poder: não se admite


impetração de MS de forma preventiva. Súmula 267 do STF: "Não cabe Mandado de
Segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição".

Legitimidade Ativa e Passiva

Podem impetrar Mandado de Segurança o querelante, o assistente de acusação, o


acusado ou seu defensor, bem como, terceiros interessados.
No processo penal o Ministério Público poderá impetrar mandado de segurança em
defesa da sua pretensão acusatória, neste caso,o acusado deverá ser citado como litisconsorte
passivo(Súmula 701 do STF).
A legitimidade passiva refere-se ao impetrado, autoridade que pratica o ato impugnado
ou da qual se emana a ordem para sua prática, conforme dispõe o artigo 6º, §3º, da Lei
12.016/09.

Competência

AUTORIDADE AUTORIDADE COAUTORA


COMPETENTE

Atos do presidente da república, das mesas da


câmara dos deputados e do senado federal, do TCU, do
STF
PGR e do próprio STF- art. 102, alínea ‘d’, da CF/88.

STJ Atos de ministro do estado, comandantes da


marinha, do exército e da aeronáutica, ou do próprio
STJ – art. 105 da CF/88.

TRF Ato do próprio tribunal ou de juiz federal– Art.


108, da CF/88.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Tribunais de justiça Simetria TRF

Juiz de primeiro grau Atos de autoridade de polícia

Recursos
Julgado o mandado de segurança, estará sujeito ao duplo grau de jurisdição (Art.14, §1º,
da Lei 12.016/09).

Sentença que denega Apelação


ou concede MS Art. 14, da Lei 12.016/09

RESP ou REXT
ROC - em caso de
RECURSOS Decisões de tribunais denegação
Art. 18 da Lei 12.016/09

Denegação por tribunais ROC


superiores Art. 102 da CF/88

18. Nulidades no Processo Penal

Nulidade é o vício que contamina determinado ato processual, praticado sem a


observância da forma prevista em lei, podendo invalidar o ato ou o processo, no todo ou em
parte.

Nulidade Absoluta e Relativa


Nulidades absolutas são aquelas que devem ser proclamadas pelo magistrado, de ofício
ou a requerimento de qualquer das partes, pois violam normas de interesse público, como por
exemplo, um interrogatório realizado sem a presença de defensor.

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Importante lembrar da Súmula 160 do STF, segundo a qual é nulo o reconhecimento de


nulidade não arguida pela acusação em desfavor do acusado.
Já as nulidades relativas são aquelas que somente serão reconhecidas caso arguidas
pela parte interessada, demonstrando o prejuízo sofrido pela inobservância da formalidade legal
prevista para ato realizado.
Se o ato, ainda que produzido de forma irregular, atingiu a sua finalidade, inexiste razão
para anulá‑lo (artigo 563 do CPP).Exige‑se tenha a parte prejudicada pela nulidade interesse no
seu reconhecimento. Logo, não pode ser ela a geradora do defeito (CPP, art. 565).

Alguns Princípios Referentes Às Nulidades


a) Princípio do prejuízo – art. 563 do CPP - Nenhum ato será declarado nulo, se da
nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa.
b) Princípio da Tipicidade – em regra todo o ato tem sua forma prescrita em lei, a
inobservância poderá acarretar nulidade.
c) Princípio da convalidação – trata-se de sanar o ato, aplicável, em regra, aos casos de
nulidade relativa. Em outros termos não se declara a nulidade se for possível suprir o vício. Ex.:
art. 569 do CPP - Nenhum ato será declarado nulo, se em razão da nulidade não resultar prejuízo
para a acusação ou para a defesa.

Nulidades Arroladas no art. 564 do CPP


Vícios Referentes à Jurisdição e Competência
a) Incompetência: A competência absoluta (em razão da matéria e de foro privilegiado)
não admite prorrogação; logo, se infringida, é de ser reconhecido o vício como nulidade absoluta.
b) Suspeição: Se houver suspeição do juiz, caberá às partes, se o próprio magistrado
não se abstiver de funcionar no feito, argui‑la, nos termos do art. 98 do CPP. Reconhecida a
suspeição, ficarão nulos todos os atos (probatórios e decisórios), como estabelece o art. 101 do
CPP. Os motivos legais de suspeição estão elencados no art. 254 do CPP.

Vícios Referentes À Ilegitimidade Da Parte


Tratando‑se de ilegitimidade do representante da parte, poderão ser sanados antes da
sentença, com a simples ratificação dos atos processuais (CPP, art. 564, II).

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

Falta De Atos Essenciais Ou Termos (CPP, art. 564, III)


Há, no processo, atos considerados essenciais, imprescindíveis para a validade da
relação processual. São assim considerados porque a omissão (do ato) de qualquer deles é
nulidade absoluta. São atos estruturais, ou essenciais, os alinhados no inciso III do art. 564 do
CPP. Faz‑se exceção àqueles elencados nas letras d e e, segunda parte, e, finalmente, g e h
desse mesmo inciso. O próprio legislador admitiu sanar esses atos, nos termos do art. 572 do
CPP. O inciso IV do art. 564 do CPP cuida da omissão da formalidade que constitua elemento
essencial do ato.
a) Denúncia ou queixa e a representação (art. 564, III, a, do CPP): a falta de denúncia
ou de queixa impossibilita o início da ação penal, razão pela qual este inciso, na realidade,
refere‑se à ausência das fórmulas legais previstas para essas peças processuais. Uma denúncia
ou queixa formulada sem os requisitos indispensáveis (art. 41 do CPP), certamente é nula.
A falta de representação pode gerar nulidade, pois termina provocando ilegitimidade para
o órgão acusatório agir. Entretanto, é possível convalidá‑la, se dentro do prazo decadencial.
b) Exame de corpo de delito – art. 564, III, b: quando o crime deixa vestígios, é
indispensável a realização do exame de corpo de delito, direto ou indireto, conforme preceitua o
art. 158 do CPP.
Assim, havendo um caso de homicídio, por exemplo, sem laudo necroscópico, nem outra
forma válida de produzir a prova de existência da infração penal, deve ser decretada a nulidade
do processo. Trata‑se de nulidade absoluta.
c) Defesa do réu – art. 564, III, c, do CPP: preceitua a Constituição Federal que “aos
litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (art. 5º, LV, da CF).
Nessa esteira, o Código de Processo Penal prevê que “nenhum acusado, ainda que
ausente ou foragido, será processado ou julgado sem defensor” (art. 261 do CPP). Assim, a falta
de defesa é motivo de nulidade absoluta.
c.1) Não nomeação de defensor dativo: é caso de nulidade absoluta.
c.2) Ausência de defesa ou deficiência de defesa: Súm. 523 do STF: “No processo penal,
a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova
de prejuízo para o réu”.
d) Falta de Intervenção do Ministério Público – art. 564, III, d, do CPP: é causa de
nulidade se o representante do Ministério Público não interferir nos feitos por ele intentados (ação

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

pública), bem como naqueles que foram propostos pela vítima, em atividade substitutiva do
Estado‑acusação (ação privada subsidiária da pública) e nas ações privadas.
e) Falta ou nulidade da citação do réu para se ver processar (ampla defesa e
contraditório e interrogatório)– art. 564, III, e, do CPP.
e.1) Citação: se o réu não for citado ou se a citação for feita em desacordo com as
normas processuais, prejudicando ou cerceando o réu, é motivo para anulação do feito a partir
da ocorrência do vício. Trata‑se de nulidade absoluta.
A falta ou a nulidade da citação estará sanada desde que o interessado compareça antes
de o ato consumar‑se (art. 570 do CPP).
Porém, haverá nulidade insanável se a falta de citação prejudicar a defesa do acusado,
não sendo possível a convalidação do vício apenas pelo comparecimento do réu ao ato.
e.2) Interrogatório – art. 564, III, e, do CPP.
O interrogatório, sendo ato fundamental – mesmo que não imprescindível – deve sempre
ser realizado quando o acusado estiver presente, em qualquer momento do procedimento, a fim
de que ele, no exercício de sua defesa pessoal, possa apresentar diretamente a sua versão a
respeito do fato, influindo sobre o convencimento do juiz. Por isso, o CPP, estatui, no art. 564,
III, e, que há nulidade na falta de interrogatório do réu presente. Cuida‑se de nulidade insanável.
e.3) Concessão de prazos à acusação e à defesa: ao longo da instrução, vários prazos
para manifestações e produção de provas são concedidos às partes. Deixar de fazê‑lo pode
implicar um cerceamento de acusação ou de defesa, resultando em nulidade relativa, ou seja,
se houver prejuízo demonstrado.
f) Decisão de pronúncia– art. 564, III, f, do CPP - Com a abolição do libelo, a alínea f
fica restrita à pronúncia.
g) Intimação do réu para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri– art. 564, III,
g, do CPP.
Tornou‑se possível a realização do julgamento em plenário do Tribunal do Júri, mesmo
estando o réu ausente (art. 457). Entretanto, é direito do acusado ter ciência de que se realizará
a sessão, podendo exercer o seu direito de comparecimento. Logo, a falta de intimação poderá
gerar nulidade.
h) Intimação de testemunhas– art. 564, III, h, do CPP.
Com a abolição do libelo, as partes poderão arrolar suas testemunhas para Plenário do
Júri, máximo cinco para cada uma das partes, conforme dispõem os arts. 422 e 423 do CPP. Se

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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal

não forem intimadas e, sem embargo, comparecerem, a nulidade será considerada sanada, nos
termos do art. 572 do CPP. Não comparecendo, por não terem sido intimadas, a nulidade é
absoluta.
i) Instalação da sessão do júri – art. 564, III, i, do CPP
Trata‑se de norma cogente, implicando nulidade absoluta a instalação dos trabalhos, no
Tribunal do Júri, com menos de 15 jurados (art. 463 do CPP).
j) Incomunicabilidade dos jurados– art. 564, III, j, do CPP
É causa de nulidade absoluta a comunicação dos jurados, entre si, sobre os fatos
relacionados ao processo, ou com o mundo exterior – pessoas estranhas ao julgamento –, sobre
qualquer assunto.
k) Inexistência dos quesitos e suas respostas– art. 564, III, k, do CPP.
Súmula nº 156 do STF: “É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, por falta de quesito
obrigatório”.
l) Acusação e defesa no julgamento pelo Tribunal do Júri– art. 564, III, l, do CPP.
m) Ausência da sentença – art. 564, III, m, do CPP.
n) Recurso de ofício– art. 564, III, n, do CPP.
Na verdade, cuida-se do duplo grau de jurisdição necessário. Em determinadas
hipóteses, impôs a lei que a questão, julgada em primeiro grau, seja obrigatoriamente revista por
órgão de segundo grau. Ex.: a sentença concessiva de habeas corpus (art. 574, I, do CPP). O
desrespeito a esse dispositivo faz com que a sentença não transite em julgado (Súmula 423,
STF).
o) Intimação para recurso – art. 564, III, o, do CPP
As partes têm direito a recorrer de sentenças e despachos, quando a lei prevê a
possibilidade, motivo pelo qual devem ter ciência do que foi decidido. Omitindo‑se a intimação,
o que ocorrer, a partir daí, é nulo, por evidente cerceamento de acusação ou de defesa, conforme
o caso. Nos termos do art. 564, IV, do CPP, haverá nulidade por omissão de formalidade que
constitua elemento essencial do ato. Por exemplo, regularização da falta ou nulidade da citação,
intimação ou notificação – estabelece o art. 570 do CPP que o comparecimento do interessado,
ainda que somente com o fim de arguir a irregularidade, sana a falta ou nulidade da citação,
intimação ou notificação.

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