Processo Penal
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Processo Penal
Prof.ª Letícia Neves
Prof. Mauro Stürmer
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Processo Penal
Sumário
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para
a 1ª Fase OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. Além disso,
recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.
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Processo Penal
Princípio da Humanidade
► Art. 5° incisos III e XLIX da CF
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Igualdade Processual
Nada mais é do que um desdobramento do mandamento esculpido no caput do art. 5º de
nossa Constituição que nos informa de que todos são iguais perante a Lei. Assim, em
juízo as partes devem ter mas mesmas oportunidades.
Atenuação: princípio do favor rei. O acusado goza de alguns privilégios em contraste com
a pretensão acusatória. Exemplos:
◦ Art. 609, parágrafo único (embargos infringentes e de nulidade); art. 621 e
seguintes (revisão criminal).
Contraditório
As partes tem o direito de não apenas produzir provas e de sustentar suas razões, mas
também de vê-las seriamente apreciadas e valoradas pelo julgador.
Dessa forma elas tem o direito de ser cientificadas sobre os fatos ocorridos no processo
(citações, intimações e notificações).
Tal principio foi mais uma vez prestigiado com a reforma de 2008 que proibiu (art. 155 do
CPP) a fundamentação da decisão com base exclusivamente em elementos informativos.
Ampla Defesa
► Implica no dever do Estado em proporcionar a todo o acusado a mais completa defesa,
seja autodefesa (pessoal) ou técnica (efetivada por profissional do Direito inscrito na
OAB). Implica, ainda, no fato de que ao Estado cabe prestar assistência jurídica e integral
ao necessitados (art. 5º, LXXIV).
► Decorre ainda a necessidade de se observar, como regra, a ordem natural do processo
em que a defesa será a última a se manifestar.
Da Ação ou da Demanda
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Processo Penal
► Cabe sempre a parte provocar a prestação da Jurisdição, tendo em vista que os órgãos
jurisdicionais são inertes.
Garantia contra a autoincriminação
► Art. 5º, inciso LXIII, da Constituição com a seguinte redação: "O preso será informado de
seus direitos, entre os quais o de permanecer calado (...)".
► Nemo tenetur se detegere,
► Art. 14, §3º, alínea ´g´, do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos — Pacto de
Nova Iorque que toda pessoa humana tem o direito de não ser obrigada a depor contra si
mesma nem a confessar-se culpada.
► art. 8º, §2º, alínea ´g´, do Pacto de São José da Costa Rica o direito que toda pessoa tem
de "não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada
Indisponibilidade e Obrigatoriedade
Ao contrário do Processo Civil onde a regra é da disponibilidade – ressalvadas algumas
limitações que decorrem da natureza indisponível de certos direitos materiais – no
Processo Penal vigora o princípio da indisponibilidade ou obrigatoriedade, uma vez que o
crime é uma lesão irreparável ao interesse coletivo. Exemplifica-se:
A autoridade policial não pode recusar-se a proceder uma investigações
Não poderá haver o arquivamento do IP sem a manifestação do Poder
Judiciário
O MP não pode desistir da ação proposta ou do recurso interposto.
◦ Excepcionalmente o Processo Penal mitiga tal princípio:
Crimes de Ação Penal Privada
Crimes de Ação Penal Pública Condicionada a Representação do Ofendido
ou do Ministro da Justiça.
Princípio da inocência
► Princípio da inocência revela-se no fato de que ninguém pode ser considerado culpado
senão após o trânsito em julgado de uma sentença condenatória (conforme art. 5º, inciso
LVII, CF/88).
Princípio do juiz natural
► Previsto no art. 5º, LIII da Carta Magna de 1988, e significa dizer que é a garantia de um
julgamento por um juiz competente.
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Princípio da publicidade
► A possibilidade de qualquer indivíduo verificar os autos de um processo e de estar
presente em audiência, revela-se como um instrumento de fiscalização dos trabalhos dos
operadores do Direito.
Princípio da oficialidade
► Compete a órgãos oficiais de persecução criminal, para investigar os delitos e realizar o
processamento dos crimes, no sistema acusatório.
► Investigação pelo detetive particular - LEI Nº 13.432, DE 11 DE ABRIL DE 2017.
Princípio da Persuasão Racional do Magistrado
► O Juiz decide com base nos elementos existentes no processo, mas deve avaliá-los por
critérios racionais e sempre motivar suas decisões.
► Atenção: no Tribunal do Júri vale a sistema do Livre Convencimento.
Da Lealdade Processual
► Veda-se o emprego fraudulento de provas (ilícitos processuais).
► Acarreta sanção de ordem processual.
Duplo Grau de Jurisdição
► Consiste na possibilidade de revisão, por via recursal, das causas já analisadas/julgadas
pelo Juiz de primeiro grau.
► Não é tratado de forma expressa nos textos legais e Constitucional, mas decorre da
própria organização do poder judiciário.
► Há casos em que o mencionado princípio não é aplicável.
► JULGAMENTO PELO STF
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► Art. 5º, LIII, CF - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente.
► Não pode haver designação casuística de um determinado membro do MP (STF).
Razoável duração do Processo
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
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Inquisitivo
•As funções de acusar, defender e julgar se reúnem em uma só pessoa, no juiz inquisidor.
•Características: processo sigiloso, sem contraditório visando sempre a confissão do réu (a
confissão era considerada a rainha das provas).
Acusatório
Misto
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Atenção: Ainda que prejudique a situação do réu ela é aplicável retroativamente; Isso porque é
diferente da Lei Penal (essa sim não retroage para prejudicar o acusado).
Tempus regit actum
• Atos processuais praticados sob a égide da lei antiga são considerados válidos e
não são atingidos pela nova lei processual;
• Normas novas tem aplicação imediata.
Quanto ao Sujeito
Quanto ao Meio/Modo
Quanto ao Resultado
Quanto ao Sujeito
A) Autêntica ou Legislativa: feita pelo próprio órgão encarregado da elaboração da
lei. Exemplo: a própria lei explica do que é funcionário público para fins penais.
Atenção: está interpretação vincula os intérpretes.
Quanto ao Meio:
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Quanto ao Resultado
A) Declarativa: a letra da lei corresponde exatamente ao significado desejado pelo
legislador.
B) Restritiva: o legislador disse mais do que desejava dizer, cabendo ao intérprete
restringir seu significado.
C) Extensiva: a Lei ficou aquém da vontade do legislador (disse menos do que
desejava), cabendo ao intérprete ampliar seu significado.
Interpretação Analógica
Muito cuidado: É intra legem (dentro da lei). O texto traz uma cláusula genérica, após
trazer uma fórmula casuística.
Não é forma de interpretação, mas sim de integração, pois serve para suprir lacunas
legislativas.
Nada mais é do que a utilização de lei para outro caso semelhante.
Espécies de Analogia
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• In Bonam partem: aplica-se ao caso omisso uma lei que beneficia o réu.
• In Malam partem: consiste em aplicar a um caso concreto uma lei que irá prejudicar
o réu.
Imunidades Diplomáticas
• Chefes de Estado, representantes de governo estrangeiros, agentes diplomáticos,
pessoal técnico e administrativo;
• Admite-se renúncia (pelo Estado);
• Embaixadas (sede diplomática) não são consideradas extensões do território
estrangeiro (são, porém, invioláveis).
Imunidades Parlamentares
• Material
Art. 53 do CPP: Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)
• Processual ou Formal
₋ Garantia quanto a instauração do Processo;
₋ Não ser preso (salvo Flagrante Delito de crime inafiançável);
₋ Foro Privilegiado;
₋ Servir como testemunha.
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3. Inquérito Policial
O processo penal não serve apenas para que o Estado aplique o seu direito de punir,
mas também para que o indivíduo possa defender-se deste Estado.
Persecução Penal
O caminho a ser percorrido pelo Estado para exercer seu direito de punir:
Etapas:
1ª
Extraprocessual Inquisitiva Inquérito
ETAPA
2ª
Judicial Contraditória Ação Penal
ETAPA
Conceito
O Inquérito Policial pode ser conceituado como um procedimento administrativo,
preparatório. inquisitivo e sigiloso, presidido pela autoridade policial, que tem por finalidade reunir
elementos necessários à apuração da prática de uma infração penal e sua autoria, a fim de
propiciar a propositura da denúncia ou queixa-crime.
Natureza Jurídica
Atenção: Pessoal, sempre que lhe for perguntado: “Qual a natureza Jurídica?” de algum
instituto, na verdade, o que se deseja saber é: “o que é isso para o direito”.
Assim, percebemos que a natureza jurídica do inquérito (o que ele é para o direito) é de
um procedimento administrativo – não é processo, pois não se constitui de uma relação
trilateral (delegado – parte A, parte B contraria – contraditório e ampla defesa), por isso se fala
em investigado, que pode ser o objeto de uma investigação.
Espécies de Inquéritos:
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Art. 4º do CPP: A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território
de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da
sua autoria.
Parágrafo único: A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.
Destinatários:
Imediatos
Ofendido ou Representante
Legal
Destinatários (Ação Penal Privada)
Finalidade:
Fornecer elementos de convicção para que o titular da ação penal (MP ou Ofendido)
ingressem em juízo.
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Instauração do IP:
Atenção: A forma de início do Inquérito irá depender, necessariamente, da espécie de
ação penal.
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Cuidado! No caso de o crime deixar vestígios (não-transeunte) o Exame de Corpo de Delito (art. 158
do CPP) será obrigatório.
Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer
diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.
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6) Escrito
Art. 9°.Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito
ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.
7) Sigiloso
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou
exigido pelo interesse da sociedade.
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Súmula Vinculante 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
10) Temporário– é uma garantia constitucional, art. 5º, LXXVIII, CF – duração razoável
do processo.
Prazo Do IP
Regra Geral:
Art.10 do CPP:
• Indiciado preso – 10 dias. Improrrogável
• Indiciado solto – 30 dias. Prorrogável
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Prazos Especiais
➢ Lei 5.010/66 – prazo de conclusão do IP na justiça Federal – art. 66:
• Indiciado preso - 15 dias, prorrogado por mais 15 dias;
Segundo o art. 66, o preso deverá ser apresentado ao Juiz para a prorrogação.
• Indiciado solto – 30 dias, prorrogáveis a critério do juiz – segue o CPP.
CUIDADO!
Indiciamento
É o ato pelo qual o delegado atribui a alguém a prática de uma infração penal, baseado
em indícios da autoria e prova da materialidade.
Pergunta: seria possível o indiciamento determinado por um juiz ou promotor?
O SFT já respondeu e disse que NÃO.
STF. 2ª Turma. HC 115015/SP, rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 27/8/13 (Info 717).
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Previsão Legal
Art. 10 do CPP. § 1 A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e
enviará autos ao juiz competente.
§ 2 No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas.
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante
traslado.
Procedimentos no Encerramento
Novo art. 28 do CPP e a Suspensão pelo STF:
Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos
informativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima,
ao investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
§ 1º Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do
inquérito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação,
submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e
Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela
chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
Importante!
O STF (Min. Luiz Fux) suspendeu o trecho que modificou o Artigo 28 do Código de
Processo Penal (CPP) e estabeleceu regras para o arquivamento de inquéritos policiais.
Com a norma, o Ministério Público (MP) deveria comunicar a vítima, o investigado e a
polícia no caso de arquivamento do inquérito, além de encaminhar os "autos para a
instância de revisão ministerial para fins de homologação, na forma da lei". Para Fux, a
medida desconsiderou os impactos financeiros no âmbito do MP em todo o país. Assim,
continuamos utilizando, enquanto a decisão do STF não for revisada, a sistemática do
revogado art. 28, abaixo transcrito:
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Assim:
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§ 14 do art. 28 do CPP
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III - prestar serviço à comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena
mínima cominada ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da
execução, na forma do art. 46 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal);
IV - pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser
indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens
jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou
V - cumprir, por prazo determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que
proporcional e compatível com a infração penal imputada.
Erro
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e
circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena
mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução
penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime, mediante as
seguintes condições ajustadas cumulativa e alternativamente:
Atenção:
O ANPP deve ser, sob a ótica do MP, suficiente para a reprovação e prevenção do crime.
Formalização do ANPP
• Por escrito
• Firmado entre o MP, investigado e seu defensor
Após será realizada uma AUDIÊNCIA obrigatória. Nela o Juiz irá verificar:
• Legalidade do acordo
• Voluntariedade do investigado (ele será necessáriamente ouvido)
• Devolução do ANPP ao MP
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Homologado o ANPP: encaminha ao MP para que ele seja executado junto a Vara de Execução
Penal.
Intimação da vítima
A vítima será intimada:
1. da homologação do acordo de não persecução penal, e
2. de seu descumprimento.
Súmula Vinculante 35
A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada
material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao
Ministério Público a continuidade da persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou
requisição de inquérito policial.
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Art. 89, Lei 9.099/95 - Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um
ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor
a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo
processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena.
Cumprido o ANPP
Não constarão de certidão de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III
do § 2º deste artigo.
• Ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao cometimento
da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou
suspensão condicional do processo;
- Decretação judicial da extinção da punibilidade
Atenção
Art. 116 do CP - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da
existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no exterior;
III - na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores, quando
inadmissíveis; e
IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal.
Questão intertemporal
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O acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.
Assim, o crime foi praticado antes do dia 23 de janeiro de 2020.
Se já houve denúncia não cabe o ANPP
Se ainda está na fase de investigação – em tese é possível aplicar o ANPP
EMENTA: Direito penal e processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Acordo de não persecução penal
(art. 28-A do CPP). Retroatividade até o recebimento da denúncia. 1. A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui
o acordo de não persecução penal (ANPP), é considerada lei penal de natureza híbrida, admitindo conformação
entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum. 2. O ANPP se esgota na etapa pré-processual,
sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase
de oferecimento e de recebimento da denúncia. 3. O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual,
devendo ser considerados válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente. Dessa forma, a
retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja viabilizado a fatos anteriores à Lei nº
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. 4. Na hipótese concreta, ao tempo da entrada em vigor da Lei nº
13.964/2019, havia sentença penal condenatória e sua confirmação em sede recursal, o que inviabiliza restaurar
fase da persecução penal já encerrada para admitir-se o ANPP. 5. Agravo regimental a que se nega provimento
com a fixação da seguinte tese: “o acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei
nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia”.
(HC 191464 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 11/11/2020, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25-11-2020 PUBLIC 26-11-2020)
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5. Ação Penal
Espécies:
GENÉRICAS ESPECÍFICAS
Condições Genéricas
1) Possibilidade jurídica do pedido – pedido na ação de estar previsto no ordenamento –
tipicidade;
2) Legitimidade para agir – possibilidade de ocupar o polo passivo e ativo da ação;
3) Interesse em agir (necessidade, utilidade, adequação);
4) Justa causa.
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PÚBLICA PRIVADA
• Obrigatoriedade; • Conveniência e Oportunidade;
• Indisponibilidade; • Disponibilidade - (poderá desistir da
• Oficialidade – O órgão ministerial Ação – perdão ou perempção);
é uma instituição Oficial – • Indivisibilidade (importantíssima para
pertencente ao Estado; as hipóteses de renúncia ou perdão do
ofendido – estudaremos a seguir)
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Processo Penal
• Titular – MP
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• Hipóteses:
✓ Crime cometido por estrangeiro contra Brasileiro, fora do país. (art. 7º, § 3º, b, do CP)
✓ Crimes contra a honra praticados contra o PR (art. 141, c/c art. 145 do § único).
Muita atenção:
Art. 24, § 2o do CPP - Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do
patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação penal será pública.
Ação penal privada – em alguns casos, o crime atenta a um interesse particular da pessoa
que o Estado deixa a seu cargo o início da ação penal. A legitimidade é do ofendido ou do
representante legal;
Espécies:
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Observações:
• É possível quando houver inércia do MP
• Direito Fundamental
• Prazo para oferecer a Denúncia (CPP) – que deve ser cumprido pelo MP (sob pena de
autorizar a ação penal privada subsidiária):
✓ Réu Preso: 5 dias
✓ Réu Solto: 15 dias
• Poderes do Ministério Público: a ação penal privada subsidiária da pública continua a
ter natureza jurídica de ação pública. (veja o artigo 29 do CPP abaixo)
Art. 29. Do CPP. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for
intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e
oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer
elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do
querelante, retomar a ação como parte principal.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
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1 - Renúncia:
• É um ato unilateral (não depende do outro) do ofendido ou do seu representante
legal renunciando ao direito de promover a ação penal privada, com a consequente extinção
da punibilidade (art. 107, V do CP)
• Só é cabível antes do início do processo;
• Renúncia concedida a um dos coautores, se estende aos demais – em virtude do
princípio da indivisibilidade.
Pode ser:
Art. 50. Do CPP. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por
seu representante legal ou procurador com poderes especiais.
Renúncia tácita – ocorre diante da prática de ato incompatível com a vontade de processar;
• O fato de o ofendido receber indenização pelo dano causado pelo crime não implica
em renúncia expressa ou tácita do direito de queixa;
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 104 do CP - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa
ou tacitamente.
§ ú - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com a
vontade de exercê-lo;
Conceito: É o ato pelo qual o ofendido ou seu representante legal desiste de prosseguir
com o andamento do processo já em curso, perdoando seu ofensor com a consequente
extinção da punibilidade, o querelante deve aceitar, pois é bilateral.
Coautores:
- Perdão concedido a um dos coautores, estende-se aos demais (indivisibilidade), mas
uns poderão aceitar e outros não.
Art. 51 do CPP. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que
produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.
Art. 55 do CPP. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Não confunda com perdão judicial! O perdão judicial é oferecido pelo juiz; o perdão do
ofendido é concedido pelo ofendido; o perdão judicial é previsto na lei;
Art. 121, §5º do CP. “Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a
pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que
a sanção penal se torne desnecessária”.
3 - Perempção
Art. 60-Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á
perempta a ação penal:
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo
durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em
juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do
processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas
alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor .
Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano
poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o
responsável civil.
Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso
desta, até o julgamento definitivo daquela.
Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença penal que reconhecer ter sido o ato
praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento
de dever legal ou no exercício regular de direito.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser
proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material
do fato.
Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil:
I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação;
II - a decisão que julgar extinta a punibilidade;
III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime.
Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a
execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a
seu requerimento, pelo Ministério Público.
6. Competências e Jurisdição
Conceitos
Poder atribuído, com exclusividade ao Judiciário, para decidir um determinado litígio
segundo as regras legais existentes.
É o poder das autoridades judiciárias, regularmente investidas no cargo de dizer o direito
no caso concreto
Jurisdição x Competência
Não se pode confundir a Jurisdição com a competência, sendo que esta é uma limitação
daquela.
Competência seria a parte da jurisdição que cada órgão jurisdicional pode legalmente
exercer.
Características da Jurisdição
• Substitutividade: a Jurisdição é a atividade desenvolvida pelo órgão judicial em
substituição as partes.
• Inércia: Não há, como regra, prestação jurisdicional de ofício. O Poder Judiciário deve ser
provocado.
Exceção: Concessão de HC de ofício.
• Coisa Julgada: impossibilidade de decisão judicial se revista por órgão estranho ao poder
judiciário.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Quando se busca fixar de maneira correta a competência, temos por objetivo respeitar o
princípio do Juiz Natural (princípio de assento constitucional).
✓ Art. 5º da CF.
✓ XXXVII – não haverá juízo ou tribunal de exceção;
✓ LIII – ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente
Competências
Absoluta
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Processo Penal
Relativa
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Processo Penal
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a
infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de
execução.
§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a
competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último
ato de execução.
§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será
competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou
devia produzir seu resultado.
§ 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a
jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais
jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção(art. 83do CPP abaixo transcrito).
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Aqui adotamos, como regra, a teoria do resultado, pois a competência será determinada
pelo lugar da consumação do delito. Sendo este tentado, pelo lugar do último ato de execução.
Devemos dar muita atenção para os crimes permanentes, aquele que a consumação se
prolonga no tempo, pois neste caso a competência será firmada pela prevenção (art. 83 do CPP,
abaixo transcrito).
Por derradeiro, não se pode esquecer da recente alteração legislativa do parágrafo 4º do
art. 70, pois agora os estelionatos por meio de depósito, mediante emissão de cheques sem
suficiente provisão de fundos em poder do sacado ou com o pagamento frustrado ou mediante
transferência de valores a competência será do local de residência da vítima. No caso de termos
várias vítimas, mais uma vez, adota-se o critério da prevenção (art. 83 do CPP).
Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou
mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver
antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa,
ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2º,
e 78, II, c).
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 5º, XXXVIII da CF - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der
a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas”. – não há liame subjetivo
Continência:
Art. 77. A competência será determinada pela continência quando:
I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; (concurso de pessoas –
cumulação subjetiva)
II - no caso de infração cometida nas condições previstas nos arts. 51, § 1º, 53, segunda
parte, e 54 do Código Penal.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Em todos os casos, está-se diante de concurso formal, razão pela qual, na essência,
o fato a ser apurado é um só, embora existam dois ou mais resultados.
Agora que você entendeu o que é conexão e continência, devemos saber como resolver
as situações apresentadas. Para tanto temos que seguir as regras trazidas pelo art. 78 do CPP.
Art. 78. Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas
as seguintes regras:
I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum,
prevalecerá a competência do júri;
Il - no concurso de jurisdições da mesma categoria:
a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave;
b) prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as
respectivas penas forem de igual gravidade;
c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos;
III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação;
IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta.
Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo:
I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar;
II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores.
§ 1º Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co-réu,
sobrevier o caso previsto no art. 152. (doença mental)
§ 2º A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido
que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461.
Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido
praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo
relevante, o juiz reputar conveniente a separação.
Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no
processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença
absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua
competência, continuará competente em relação aos demais processos.
Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou
continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o
acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeterá o processo ao juízo
competente.
Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos
diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram
perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a
unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para o efeito de soma ou de unificação
das penas.
Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou
mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver
antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa,
ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3º, 71, 72, § 2o,
e 78, II, c).
ATENÇÃO!
Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da
Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil,
será competente o juízo da Capital da República.
Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos
rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, serão
processados e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após
o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado.
[...]
Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo
correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira,
dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, serão processados e julgados pela
justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de
onde houver partido a aeronave.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Questão: Quem julga crime eleitoral conexo a crime doloso contra a vida?
Resposta: O crime eleitoral é julgado pela Justiça Eleitoral e o crime doloso contra a vida será
julgado pelo Tribunal do Júri, porque a competências desses crimes estão previstas na CF.
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Processo Penal
Súmula nº 140 STJ - Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar crime em que o
indígena figure como autor ou vítima.
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Processo Penal
Súmula 42 STJ – 'Compete a Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é
parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento.'
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Súmula N. 147 STJ - Compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados contra
funcionário público federal, quando relacionados com o exercício da função.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Não esqueça que NUNCA um juiz federal julgará uma contravenção penal:
As contravenções penais não são processadas e julgadas pela justiça federal, conforme
dispõe a Súmula 38 do STJ, cabendo à justiça estadual a competência, ainda que praticado
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou entidades autárquicas.
Desse modo, mesmo que haja conexão entre um crime federal e uma contravenção penal,
prevalece a regra constitucional, indicando a necessidade do desmembramento do
processo, não se aplicando neste caso o teor da Súmula 122 do STJ.
Súmula 38 do STJ - Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de
1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades.
7. Conflito De Jurisdição
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Processo Penal
Processamento
Muita atenção!
Entre juiz e tribunal ao qual ele está vinculado não se fala em Conflito de Jurisdição
é resolvido pela Hierarquia.
8. Provas
Conceito Doutrinário
“Conjunto de elementos produzidos pelas partes ou determinados pelo juiz visando à
formação do convencimento quanto a atos, fatos e circunstâncias”. (AVENA, 2011, pág.: 460)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Liberdade De Provas
Vige como regra, conforme art. 155 do CPP abaixo transcrito, no processo penal a ampla
liberdade probatória.
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.
A exceção à ampla liberdade está no parágrafo único e refere-se ao estado das pessoas.
Vejam:
Parágrafo Único: Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil.
Objetivo Da Prova
→ Formar a convicção do juiz ou tribunal acerca dos elementos necessários para a decisão da
lide.
Muita atenção:
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Processo Penal
b) Princípio da Audiência Contraditória: toda prova admite a contraprova, não sendo admissível
a produção por uma parte sem o conhecimento da outra.
f) Princípio da Publicidade: os atos judiciais (entre os quais a produção de prova) são públicos.
Excepcionalmente admite-se o segredo de justiça para alguns casos, legalmente estipulados.
- Art. 93, IX, da CF
1 - Sistema da certeza moral, da íntima convicção do juiz – permite que o juiz avalie a
prova com ampla liberdade, decidindo ao final de acordo com sua livre convicção, sem
necessidade de fundamentar a decisão;
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Cuidado! Como regra não mais existe em nosso processo penal, prevalece no Tribunal do Júri –
jurados não fundamentam a decisão.
2 - Sistema da verdade legal, tarifado de provas – a lei atribui o valor a cada prova,
cabendo ao juiz simplesmente fazer um cálculo aritmético. Não há convicção pessoal do
julgador na valoração do contexto probatório, mas sim uma obediência estrita ao sistema de
pesos e valores imposto pela lei.
3 - Sistema do livre convencimento motivado, da persuasão racional do juiz – o juiz
tem ampla liberdade na valoração das provas, mas deve fundamentar seu convencimento;
Este é o sistema adotado pelo art. 93, IX, CF e art. 155 do CPP;
Cuidado! Exceção:
• Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas, embora sejam produzidas na fase
investigatória, podem ser utilizadas para fundamentar sentença condenatória, pois em
relação a elas o contraditório é diferido;
Ônus da Prova
Conceito: É o encargo que tem a parte de provar, pelos meios que em direito são admitidos,
a veracidade do fato alegado.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao
juiz de ofício: [...] (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
Prova Emprestada
É aquela que foi produzida em um processo e depois será carreada para outro. Isso pode
acontecer por certidão ou qualquer outro meio de autenticação para produzir efeitos como prova
em outro processo.
A prova emprestada sempre será considerada uma prova documental, ainda que no
processo original tenha sido testemunhal ou, até mesmo, pericial. Não se admite prova
emprestada carreada de inquérito policial. Primeiro porque ela não esteve sujeita ao crivo do
contraditório, segundo uma vez que nem prova ela é e sim mero elemento informativo.
Prova Ilegal
É ilegal toda vez que sua obtenção caracterize violação de normas legais ou de princípios
gerais do ordenamento, de natureza processual ou material.
Prova ilegal é gênero, que tem como espécies:
A - Provas ilícitas– obtidas por meios ilícitos – quando for obtida em violação a regra de
direito material; em regra, a obtenção da prova ilícita é obtida fora do processo; é
extraprocessual;
Exemplo: confissão mediante tortura; prisão de traficante e apreensão de celular com últimas
chamadas, mensagens;
Prova ilícita tem-se o chamado direito de exclusão, surgiu no direito americano se
materializa através do desentranhamento e a inutilização da prova;
B - Provas legítimas – obtidas por meios ilegítimos – sua obtenção viola uma regra de direito
processual; além disso, em regra, a ilegalidade ocorre no momento de sua produção no
processo; é intraprocessual;
Exemplo: juntada e leitura de documentos no plenário do júri com menos de 3 dias úteis de
antecedência;
Prova ilegítima deve ser analisada através da teoria das nulidades;
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Provas Em Espécie
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
→ Espécies de ECD:
DIRETO
INDIRETO
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os
vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
Perícia de Laboratório
Os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre
que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas,
desenhos ou esquemas.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Incêndios
Os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver
resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais
circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.
Exame Grafotécnico
Art. 174. No exame para o reconhecimento de escritos, por comparação de letra, observar-
se-á o seguinte:
I - A pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato, se
for encontrada;
II - Para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa
reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre
cuja autenticidade não houver dúvida;
III - A autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que
existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a diligência, se
daí não puderem ser retirados;
IV - Quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a
autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a
pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que
se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever.
Segundo a melhor doutrina, a previsão do inciso IV não foi recepcionada pela Constituição
Federal, pois ele fere o princípio do Nemo Tenetur se Detegere.
Perito
É um auxiliar da Justiça, compromissado, portador de um conhecimento técnico e sem
impedimentos.
• Espécies:
▪ Oficial – 1 (concursado)
▪ Louvado ou não-oficial – 2
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Atenção!
Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes.
Art. 281. Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos.
Assistente Técnico
Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao
querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.
O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos
exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta
decisão.
ECDL e o Juiz
Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou
em parte.
Art. 184. Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará
a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade.
Interrogatório
Ato judicial pelo qual o Juiz ouve o acusado acerca da imputação que contra ele foi
formulada.
• Passou a ser o último ato de instrução (dentro da audiência una – art. 400 do CPP)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
o O STF passou a entender que esse procedimento se aplica aos processos de sua
competência originária.
• No caso de mutatio libelli pode o juiz proceder a novo interrogatório
Art. 196. A todo tempo o juiz poderá proceder a novo interrogatório de ofício ou a pedido
fundamentado de qualquer das partes.
Ausência de Interrogatório
Nulidade relativa ou Nulidade Absoluta? Prevalece que se trata de nulidade absoluta,
cujo prejuízo é presumido.
• Tal prejuízo é de ordem constitucional _ ampla defesa.
Prova Testemunhal
O depoimento deverá ser oral, não sendo possível trazer por escrito;
→É possível, todavia, consultar apontamentos
Não poderá a testemunha se eximir da obrigação de depor;
As testemunhas não poderão ouvir o depoimento uma das outras;
•São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada,
quiserem dar o seu testemunho.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e deficientes
mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206.
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das
indicadas pelas partes.
§ 1º Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se
referirem.
§ 2º Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse
à decisão da causa
Dispensa e Proibição
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, entretanto,
recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda
que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, salvo quando não
for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas
circunstâncias.
Art. 207. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício
ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada,
quiserem dar o seu testemunho.
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e deficientes
mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206.
Número de Testemunhas
Rito Ordinário 8
Rito Sumário 5
Rito Sumaríssimo 3
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Procedimento
• Não mais vige o sistema presidencialista
• Atualmente o sistema é o do crossexamination (inspiração americana)
Perguntas direta pelas partes as testemunhas:
Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo
o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na
repetição de outra já respondida.
Questões Finais
• Falso Testemunho → Crime previsto no art. 324 do CP.
9. Sujeitos Processuais
Assistentes
Podem ser assistentes nas ações públicas:
Ofendido
Representante Legal
NÃO C-O-N-F-U-N-D-A
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Ingresso do Assistente
• É decidido pelo Juiz da causa.
• Trata-se de uma decisão interlocutória (simples) segundo o CPP (art. 273) é irrecorrível.
• É necessária a oitiva prévia do RMP.
O MP, embora deve ser previamente ouvido, não analisa a conveniência e oportunidade do
ingresso do Assistente. Seu parecer deve ater-se a legalidade ou não do ato.
• No caso de codelinquência o outro agente não poderá habilitar-se como assistente, pois
também figura no polo passivo.
• Uma vez admitido no processo o Assistente deve ser intimado de todos os atos processuais
– por meio de seu advogado.
Cuidado! Caso intimado deixe de comparecer a algum ato não será mais intimado para os
demais.
Obs2: o assistente de acusação não pode recorrer contra ato privativo do MP.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Súmula n.º 448-STF: O prazo para o assistente recorrer supletivamente começa a correr
imediatamente após o transcurso do prazo do MP.
Art. 363. O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do
acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
O destinatário da citação sempre o Réu. Não pode ser citada qualquer outra pessoa em
seu lugar, nem mesmo o Advogado, ainda que possua procuração com poderes para tanto.
Como regra o réu é citado para apresentar resposta a acusação.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se
não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de
2008).
Espécies de Citação
Real ou Ficta (presumida)
Real Ficta
• É aquela realizada na pessoa do réu, sendo • Efetivada por meio de edital (publicado na
efetivada por: mandado (cumprido por imprensa ou fixado no átrio ou na porta do
Oficial de Justiça no âmbito da Jurisdição do Fórum) ou no caso de citação por hora certa.
Juiz da causa - carta precatória, carta
rogatória, carta de ordem, ofício requisitório)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Carta de Ordem:
Usada quando o Tribunal determina que o Juiz de primeiro grau cumpra uma
determinação.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Questões Pontuais
• Réu Militar: não é citado por mandado, mas sim por intermédio de seu Comandante. (art.
358 do CPP);
• Funcionário Público: deve-se, além de citar o funcionário público, oficiar a sua chefia para
que não seja interrompido a prestação do serviço (continuidade do serviço público). (art. 359
do CPP);
• Réu preso: será citado pessoalmente. (art. 360 do CPP).
Situações possíveis:
a) O réu não encontrado pelo Oficial de Justiça:
• Citação por edital (ficta) com prazo de 15 dias.
➢ (Art. 361 do CPP)
• O edital deve ser:
➢ Publicado na imprensa oficial
➢ Publicado em jornal local de grande circulação
➢ Afixado no átrio do fórum.
A citação editalícia é medida excepcional, que só pode ser adotada depois de esgotados todos
os meios de localização.
Súmula 351 STF - É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em
que o juiz exerce a sua jurisdição.
Art. 366. Se o acusado, citado por edital, (1) não comparecer, (2) nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz
determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso,
decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. (Redação dada pela Lei nº
9.271, de 17.4.1996) (Vide Lei nº 11.719, de 2008)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 362. Verificando que o réu se oculta para não ser citado, o oficial de justiça certificará
a ocorrência e procederá à citação com hora certa, na forma estabelecida nos arts. 227 a
229 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. (Redação dada
pela Lei nº 11.719, de 2008).
Parágrafo único. Completada a citação com hora certa, se o acusado não comparecer,
ser-lhe-á nomeado defensor dativo.
Intimações
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Intimação Notificação
Regras Gerais
• Aplica-se a elas o que foi estudado para citação (art. 370 – caput)
• Ministério Público – Defensor Nomeado e Defensoria Pública: intimação pessoal. Segundo
o STF, ainda que o defensor público esteja presente ao ato, terá direito a intimação
pessoal.
• Advogado Constituído, Querelante, Assistente: intimação pela imprensa oficial.
• No caso de intimação direta pelo Escrivão a publicação fica dispensada.
• Não havendo imprensa oficial: escrivão, mandado, via postal (AR) ou através de outro
meio hábil.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 370, § 3º A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará a aplicação a que alude
o § 1º.
Art. § 4º A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.
Art. 371. Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida,
observado o disposto no art. 357.
Art. 357. São requisitos da citação por mandado:
I - Leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé, na qual se mencionarão
dia e hora da citação;
II - Declaração do oficial, na certidão, da entrega da contrafé, e sua aceitação ou recusa.
SÚMULAS IMPORTANTES
Súmula 310 do STF - Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com efeito
de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda-feira imediata, salvo se
não houver expediente, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir.
Súmula 710 do STF- No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da
juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Questão que gerou muita controvérsia era o exato momento em que o prazo iniciava a
correr para o MP e Defensorias. Se do ingresso dos autos no Órgão ou do “ciente” do Membro.
Atualmente o STF pacificou a questão ao afirmar que “reputa-se intimado da decisão o
MP” a partir da data “de entrega dos autos, com vista, à secretaria do órgão ou ao
representante mesmo”(Cezar Peluso– HC 84.166/SP)
Parágrafo único. Durante o período a que se refere o caput deste artigo, fica
vedada a realização de audiências e de sessões de julgamento, salvo nas hipóteses dos
incisos I, II e III do caput deste artigo.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
11. Prisões
Art. 5º, LXI, CF - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e
fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar
ou crime propriamente militar, definidos em lei;
Espécies De Prisão
Preventiva
É aquela que não cabe
mais recurso.
Temporária (Lei
7.906/90)
Prisão Em Flagrante
Art. 301. Qualquer do povo poderá (facultativo) e as autoridades policiais e seus agentes
deverão (obrigatório) prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal; (próprio)
II - acaba de cometê-la; (próprio)
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em
situação que faça presumir ser autor da infração; (impróprio, quase-flagranteou irreal)
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração. (presumido)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Infrações Permanentes
Art. 303. Nas infrações permanentes, entende-se o agente em flagrante delito enquanto
não cessar a permanência.
Art. 304, § 2º A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante;
mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que hajam
testemunhado a apresentação do preso à autoridade.
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à
pessoa por ele indicada.
§ 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao
juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de
seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública.
§ 2º No mesmo prazo (24h), será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa,
assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das
testemunhas.
Atenção: a não comunicação leva a prisão ilegal que dever ser relaxada (art. 5º, LXV, da CF e
art. 310, I do CPP)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de até 24 (vinte
e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover audiência de custódia
com a presença do acusado, seu advogado constituído ou membro da Defensoria Pública
e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência, o juiz deverá, fundamentadamente:
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I -relaxar a prisão ilegal; ou
II -converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as
medidas cautelares diversas da prisão; ou
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
§ 1º Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas
condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7
de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao
acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos
processuais, sob pena de revogação.
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização criminosa
armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá denegar a liberdade
provisória, com ou sem medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da audiência
de custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá administrativa, civil e
penalmente pela omissão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo estabelecido no
caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem motivação idônea
ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela autoridade competente, sem
prejuízo da possibilidade de imediata decretação de prisão preventiva. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019) – Suspensa por decisão do Min FUX
Prisão Preventiva
Cabimento e Competência
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Atenção!
Até o pacote anticrime (Lei 13.964/19) era possível que durante o processo o juiz
determinasse a prisão preventiva de ofício. Hoje, como vimos na leitura acima, não é mais
possível. Abaixo a antiga redação:
Redação antiga para comparação:
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do
Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.
Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da
ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a
aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de
autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado. (Redação dada pela Lei
nº 13.964, de 2019)
Resumindo:
Quando houver:
1) prova da existência do crime e
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
→ Outros fundamentos:
Casos de Admissão Da Preventiva. Não basta que a situação se aperfeiçoe ao art. 312 do
CPP se não estiver admitida na forma do artigo abaixo:
Atenção: essas situações são alternativas e não cumulativa. Ou seja: basta uma para possibilitar
a prisão preventiva.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão
preventiva:
I -nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4
(quatro) anos;
II -se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado,
ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 - Código Penal;
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança,
adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das
medidas protetivas de urgência;
§ 1º.Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade
civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la,
devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se
outra hipótese recomendar a manutenção da medida.
§ 2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação
de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da
apresentação ou recebimento de denúncia. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas
constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I, II e III do
caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
preventiva, bem como elencou algumas situações que não será considerada válida a
fundamentação apresentada.
Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre
motivada e fundamentada. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 316. O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a prisão preventiva se, no
correr da investigação ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista,
bem como novamente decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem
Art. 316 .Parágrafo único. Decretada a prisão preventiva, deverá o órgão emissor da
decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada 90 (noventa) dias, mediante
decisão fundamentada, de ofício, sob pena de tornar a prisão ilegal.
11.4.2. Cabimento.
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou
com deficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze)
anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos
estabelecidos neste artigo.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável
por crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
(Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei
nº 13.769, de 2018).
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente
Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada sem
prejuízo da aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319
deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
Prisão Temporária
Prevista na Lei 7.960/92, com cabimento somente na fase do Inquérito Policial, em
hipótese alguma pode ser decretada de oficial pelo Juiz (se for é ilegal e o pedido deve ser de
relaxamento). No caso de não mais ser necessária a prisão temporária legalmente imposta o
pedido deve ser revogação, forte no art. 316 do CPP.
Tal medida restritiva de liberdade só é cabível nos casos dos crimes previstos no rol
taxativo do art. art. 1º, III da Lei de Regência. Será ela decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de
5 (cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.
Nos casos de prisão temporária por crime hediondo (Lei 8.072/90) o prazo será de 30 dias
prorrogável por mais 30. O mandado de prisão conterá necessariamente o período de duração
da prisão e o dia o preso deverá ser libertado. Sua execução somente poderá ocorrer depois da
expedição de mandado judicial.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Procedimento comum
Infrações de menor
Crimes cuja pena máxima Crimes cuja pena máxima potencial ofensivo –
seja igual ou superior a seja inferior a quatro anos art. 61 da Lei no 9.099/1995
quatro anos Observação: Art. 94 do Estatuto
do Idoso (Lei no 10.741/2003)
Ex.: art. 213 do CP – pena Ex.: art. 306 do CTB – Ex.: art. 163, caput, do CP
de 6 a 10 anos - art. 147 do CP – pena de
pena de 6 meses a 3 anos
1 mês a 6 meses
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
O regramento que deverá ser observado está disposto nos arts. 395 a 405 do CPP4.
Resposta à
Se recebida a Citação acusação, no
Magistrado denúncia prazo de 10 dias
Oferecimento decide pelo (art. 396-A do CPP)
da denúncia recebimento ou
ou queixa rejeição
(art. 395 do CPP)
Se rejeitada a Cabível Recurso em
denúncia Sentido Estrito
(art. 581, I, do CPP)
Observação:
• No âmbito do Juizado Especial Criminal, o recurso cabível da rejeição da
denúncia ou queixa é o de Apelação, nos termos do art. 82 da Lei n. 9.099/95.
4A Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime) introduziu no Código de Processo Penal o chamado “juiz das garantias”, delimitando a atuação do “juiz
da instrução”. Conforme dispõe o art. 3º-B, XIV, do CPP, o juiz competente para decidir sobre a rejeição ou o recebimento da denúncia será o
“juiz das garantias”, o qual terá a atuação encerrada com o recebimento da denúncia (art. 3º-C, 1ª parte, do CPP). A partir desse momento, a
condução do processo competirá a um juiz criminal diferente, ao chamado “juiz da instrução e julgamento”, a quem incumbirá acompanhar a
instrução processual e a apreciação do caso concreto. Entretanto, atualmente, a implementação do denominado “juiz das garantias” e as demais
modificações decorrentes da nova estrutura processual estão suspensas, em razão de uma decisão de caráter liminar proferida pelo Ministro
Luiz Fux, em face de quatro ações diretas de inconstitucionalidade propostas no âmbito do Supremo Tribunal Federal (Medida Cautelar na ADI
nº 6.299 e ADIs nos 6.298, 6.300 e 6.305). Por consequência, o que se tem em vigência é a manutenção da estrutura processual penal brasileira
com apenas um juiz criminal, que será competente para apreciar a peça acusatória e acompanhar o processo até a sentença.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
• No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir
docomparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído (art. 363, § 4o, do
CPP).
A decisão que absolve sumariamente o acusado produz coisa julgada material, logo,
transitada em julgado não será possível modificar esta decisão.
81
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Nesses casos, serão apresentados memoriais escritos, no prazo de cinco dias. O juiz
terá o prazo de dez dias para proferir sentença, nos termos dos arts. 403, §3º, e 404, §único,
fundamentando a decisão com base nos arts. 386 ou 387 do CPP.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Desta forma, importante relembrar o instituto da emendatio libelli, previsto no art. 383
do CPP, que permite ao magistrado dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da
queixa ou da denúncia, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. Diferente
é a situação quando encerrada a instrução probatória, for cabível nova definição jurídica do fato,
em consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal
não contida na acusação. Neste caso, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa,
nos termos do art. 384 do CPP, configurando o que se denomina mutatio libelli.
Resposta à
Se recebida a Citação acusação, no
Magistrado denúncia prazo de 10 dias
Oferecimento decide pelo (art. 396-A do CPP)
da denúncia recebimento ou
ou queixa rejeição
(art. 395 do CPP)
Se rejeitada a Cabível Recurso em
denúncia Sentido Estrito
(art. 581, I, do CPP)
83
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Após o interrogatório, será dada a palavra para acusação e para a defesa, para
alegações finais orais (art. 534 do CPP), por vinte minutos prorrogáveis por mais dez minutos
para cada parte. Se existir assistente de acusação habilitado a sua manifestação será após o
Ministério Público, pelo prazo de dez minutos; sendo oportunizado igual período para
manifestação da defesa. Após o magistrado proferirá sentença.
Procedimentos Especiais
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
a) procedimento especial para apuração dos crimes dolosos contra a vida (arts. 406 a 497
do CPP);
b) crimes de responsabilidade dos funcionários públicos (arts. 513 a 518 do CPP);
c) procedimento especial das ações penais originárias dos Tribunais (arts. 1o a 12 da Lei
no 8.038/1990);
d) procedimento especial da Lei de Drogas (arts. 54 a 58 da Lei no 11.343/2006);
e) procedimento especial dos crimes contra a honra – arts. 519 ao 523 do CPP (obs.: em
regra aplica-se a Lei n. 9.099/95);
f) procedimento para os crimes contra a propriedade imaterial – arts. 524 a 530, I, CPP.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Art. 413 do CPP Art. 414 do CPP Art. 415 do CPP Art. 419 do CPP
Preclusa a decisão, os autos serão remetidos ao juiz Presidente do Tribunal do Júri (art.
421 do CPP).
*Para todos verem: esquema
Oferecimento da
denúncia ou Pronúncia
queixa
Impronúncia
Decisão
Absolvição sumária
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
O Tribunal do Júri, em conformidade com o art. 447 do CPP, é composto por um juiz
togado, seu presidente, e 25 jurados, sorteados entre os previamente alistados na forma do
art. 425 do CPP. Desses 25 jurados, serão sorteados 7, que formarão o Conselho de Sentença.
No dia da sessão de julgamento, deverão comparecer, no mínimo, 15 jurados daqueles
25 convocados (arts. 447 e 463 do CPP), para que seja feito o sorteio do Conselho de Sentença.
Formado o Conselho, será iniciada a instrução em Plenário (art. 473 do CPP).
A instrução em plenário segue a mesma ordem que o procedimento comum ordinário
(lembrando que, nesta segunda fase, o número de testemunhas é de cinco para cada parte –
art. 422, CPP). A oitiva da vítima e testemunhas deve observar as orientações do artigo 474-A,
CPP.
Após a instrução, iniciam-se os debates orais, sendo concedida a palavra primeiramente
à acusação e após à defesa, sendo o tempo destinado para cada parte de uma hora e meia.
Além disso, poderá a acusação replicar e a defesa treplicar, utilizando-se do tempo de uma hora
cada parte. Havendo mais de um acusado, o tempo para a acusação e a defesa será acrescido
de uma hora e elevado ao dobro o da réplica e da tréplica.
Importante:
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Destaca-se que com a publicação da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), foi inserida a regra
de execução provisória de pena nos processos julgados pelo Tribunal do Júri quando a pena
cominada na sentença condenatória for igual ou superior a 15 anos (art. 492, I, e, 2ª parte),
sem prejuízo do conhecimento de eventual recurso a ser interposto. Entretanto, poderá ser
concedido efeito suspensivo a esta apelação desde que observado o disposto no §5º do referido
dispositivo.
Art. 422 do Intimação das Sorteio dos jurados; Acusação Quesitação Recurso Cabivel:
CPP partes – art. Arts. 483, APELAÇÃO – art. 593,
431 do CPP Oitiva do ofendido Defesa 488 e 489, III, do CPP c/c a Súmula
todos do 713 do STF
T.A./T.D. Réplica CPP
*Demais provas Tréplica
Condenação igual ou
*Interrogatório superior a 15 anos –
execução imediata da
Art. 473 do CPP Art. 476 do CPP pena – art. 492, alínea
e, do CPP
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
inquirição das testemunhas de acusação e defesa, ao final, será oportunizada a palavra para o
Ministério Público e ao defensor do acusado. Após os debates, o juiz proferirá sentença.
No tocante ao interrogatório, destaca-se que o entendimento jurisprudencial atualizado
do STF e STJ tem determinado a observância do interrogatório como último, aplicando a
ordem prevista no art. 400 do CPP. Inclusive, caracterizado nulidade a inobservância do
interrogatório como último ato (Informativo 683 do STJ – REsp 1.808.389-AM. DJe 23/11/2020 e
HC 127.900/AM - STF).
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Considerações Iniciais
Em conformidade com o art. 24, inc. X e XI, da CF, compete à União, aos Estados e ao
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: a criação, funcionamento e processo do juizado
de pequenas causas (inciso X); procedimentos em matéria processual (inciso XI).
O art. 98 da CF/88 dispõem que os Juizados serão providos por juízes togados ou
togados e leigos competentes para conciliação, o julgamento e execução de infrações de menor
potencial ofensivo.
Importante:
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
C Celeridade
E Economia processual
I Informalidade
O Oralidade
S Simplicidade
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, quando o juizado especial criminal
encaminhar ao juízo comum as peças existentes para a adoção de outro procedimento,
observar-se-á o procedimento sumário previsto neste Capítulo.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Fase Preliminar
A fase preliminar ao processo está prevista nos artigos 69 a 76 da Lei n. 9.099/95. Nesta
fase, fica evidenciado o caráter consensual do Juizado, visto que inclui a possibilidade de
composição civil dos danos ou a aceitação da proposta de transação penal como medidas
despenalizadoras, que evitariam a propositura da ação penal.
Audiência Preliminar
De acordo com os artigos 70 e 71 a audiência ocorreria imediatamente, porém na prática
o que ocorre é a remessa do Termo Circunstanciado ao JECRIM, para após ser marcada uma
data para audiência, sendo as partes intimadas a comparecerem.
Na audiência preliminar o juiz esclarecerá sobre a possibilidade de composição
civil ou de aceitação da transação (art. 72 da Lei n. 9.099/95).
A composição civil dos danos constitui um acordo de natureza civil, que, se
realizado pelas partes no caso de ação penal privada ou pública condicionada à
representação, resultará na extinção da punibilidade. Nos casos de ação penal pública
incondicionada, a composição dos danos não gera nenhuma consequência no tocante à
punibilidade, dando-se continuidade ao trâmite legal.
Em caso de não haver a composição civil, ou sendo o caso de ação penal
incondicionada, e, em qualquer situação não caracterizar possibilidade de arquivamento, será
oferecida a proposta de transação, ainda na audiência preliminar, que se trata de uma proposta
de aplicação de pena restritiva de direito ou pena de multa para evitar que haja processo penal.
A transação penal evita o processo e não gera reincidência ou maus antecedentes.
Todavia, há a exigência de preenchimento dos seguintes requisitos:
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
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Processo Penal
Embargos Declaratórios
Os Embargos Declaratórios no JECRIM possuem o prazo de 5 dias, conforme dispõe o
art. 83 da Lei 9.099/95, e poderão ser opostos diante da obscuridade, contradição ou omissão
contida na sentença ou acórdão. Interrompem a contagem do prazo para os demais recursos.
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Processo Penal
Habeas Corpus
As turmas recursais julgarão os habeas corpus impetrados contra atos de Juízes dos
Juizados. Porém, o julgamento de habeas corpus contra ato das Turmas Recursais Criminais
deverá ser julgado pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou Tribunal Regional Federal.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Caso não seja oferecido o sursis processual, aplica-se o teor da Súmula 696 do STF.
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Processo Penal
Considerações Iniciais
A execução das penas e medidas de segurança no Brasil é regulada pela Lei n. 7.210/84
(LEP). A sua finalidade é efetivar as disposições da sentença ou decisão criminal, propiciando
condições para harmônica integração social do condenado ou internado.
A formação do Processo de Execução Criminal (PEC), em regra, se dá quando se está
diante de uma sentença penal condenatória transitada em julgado. Todavia, antes do trânsito em
julgado tem sido admitida a execução penal provisória com frequência em nosso país, nos casos
em que houver necessidade de se manter a prisão preventiva, mesmo após a sentença
condenatória. Neste sentido, a Súmula 716 do STF assegura a possibilidade de progredir de
regime antes do trânsito em julgado. Da mesma forma, dispõe que caso haja execução provisória
o regime da sentença deverá ser aplicado, por exemplo, se a pessoa foi condenada ao
semiaberto, deverá ser transferida ao regime menos gravoso, previsto na sentença.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Esse exame criminológico que a Lei está tratando é para o início da execução da
pena e não para progressão de regime / livramento condicional.
Além disso, a LEP prevê,em seu artigo 9º-A, de forma obrigatória,a identificação do
perfil genético do condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa,
bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra
vulnerável.
Detração Penal
A detração penal é o cômputo na pena privativa de liberdade e na medida de segurança,
de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, ou de internação. O instituto está previsto no
artigo 42 do CP.
A detração penal deverá ser observada, desde logo, na sentença condenatória, para fins
de fixação de regime prisional, conforme artigo 387, § 2º, do CPP.
101
1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
60% da pena Se o ou
equiparado; apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou
equiparado (reincidência específica)
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia
70% da pena Se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado
privada;
com resultado morte, vedado o livramento condicional (reincidência)
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
da vigência do Pacote Anticrime (Lei 13.964/19), qual seja, dia 23 de janeiro de 2020. Neste
sentido, sempre que a nova lei trouxer algum benefício ao apenado deverá retroagir.
Dentro deste contexto, não se pode olvidar a Súmula 471 do STJ, que assegura a
aplicação do prazo de 1/6 para todos os crimes, inclusive os hediondos e equiparados, desde
que praticados antes do dia 29 de março de 2007, haja vista os efeitos atribuídos ao habeas
corpus n. 82.959-7/SP, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2006.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Regressão de Regime
As hipóteses de regressão estão previstas nos artigos 118 e 146-C, parágrafo único, da
LEP, vejamos:
• o apenado praticar fato definido como crime doloso ou falta grave
(artigo 50 a 52 da LEP) – artigo 118, I, LEP.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Prisão Domiciliar
Para cumprir a pena em residência particular o preso deverá estar em regime aberto e
se enquadrar em uma das quatro hipóteses do artigo 117 da LEP, quais sejam:
▪ condenado maior de setenta anos;
▪ condenado acometido de doença grave;
▪ condenada com filho menor ou deficiente físico ou metal;
▪ condenada gestante.
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Processo Penal
"4. Havendo déficit de vagas, deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de
sentenciado no regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao
sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o
cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime
aberto. Até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a
prisão domiciliar ao sentenciado." (RE 641320, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno,
julgamento em 11.5.2016, DJe de 8.8.2016)
Remição de Pena
A remição, prevista nos artigos 126 a 130 da LEP, é o cômputo na pena dos dias
trabalhados ou estudados como pena efetivamente cumprida (artigo 128 da LEP). A remição
pode se dar em razão do trabalho ou estudo.
A remição de pena por trabalho pode ser usufruída por presos no regime fechado ou
semiaberto. A lei não prevê a hipótese de remição por trabalho no regime aberto, sendo o
entendimento do STF e STJ de que diante da ausência de previsão, não deve ser concedido.
A contagem se dá da seguinte forma: a cada 3 dias de trabalho equivale a 1 dia da pena.
O trabalho poderá ser realizado internamente ou externamente, a depender do caso específico.
Neste sentido, a súmula 562 do STJ reitera que é “possível a remição de parte do tempo de
execução da pena quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha
atividade laborativa, ainda que extramuros”.
Já a remição por estudo pode ser usufruída em qualquer regime (fechado, semiaberto
ou aberto) e, inclusive, quem estiver em livramento condicional. A cada 12 horas de estudo
divididas, no mínimo, em 3 dias, equivale a 1 dia da pena.
Alguns aspectos gerais que devem ser observados para fins de prova são:
• o preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos
estudos continuará a beneficiar-se com a remição;
• o tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um
terço) no caso de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o
cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente do sistema de
educação.
• a remição é aplicada também aos presos cautelares;
• forjar acidente de trabalho é falta grave (artigo 50 da LEP);
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Por fim, destaca-se que o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido
daquele que praticar falta grave durante a execução (artigo 127 da LEP).
Permissão de Saída
Em conformidade com a Lei de Execução Penal, poderão obter permissão de saída
(artigos 120 e 121 da LEP), mediante autorização do Diretor, os apenados que cumprem pena
em regime fechado, semiaberto e provisórios, devidamente escoltados, em duas hipóteses:
• falecimento ou doença grave do cônjuge, companheiro, ascendente,
descendente ou irmão (CCADI);
• necessidade de tratamento médico.
Saída Temporária
A saída temporária (artigos 122 a 125 da LEP), sem vigilância direta, isto é, sem escolta,
poderá ser concedida a apenados que cumprem pena em regime semiaberto.
Destaca-se, que a ausência de vigilância direta não impede que o juiz determine a
monitoração eletrônica. Constitui uma faculdade do Juiz, não uma obrigação legal.
Súmula 520, STJ - O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato
jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional.
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Será concedida por período não superior a 7 dias, podendo ser renovadas por mais 4
vezes. Logo, faz jus a 35 dias de saída,com intervalo de 45 dias entre as saídas.
De acordo com o artigo 122, § 2º, da LEP, não terá direito à saída temporária o
condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte.
Monitoramento Eletrônico
O monitoramento eletrônico é uma faculdade judicial, pois, de acordo com artigo 146-B
da LEP, poderá ser definido pelo juiz nos casos definidos em lei, desde que seja necessário, nos
casos de prisão domiciliar e saída temporária no regime semiaberto.
Em caso de descumprimento das regras da monitoração eletrônica poderá o juiz, ouvidos
o Ministério Público e a defesa, como consta no art. 146-C, parágrafo único, da LEP: regredir o
regime prisional; revogar a prisão domiciliar; revogar a saída temporária; ou apenas aplicar uma
advertência.
Atualmente, é muito comum a utilização do monitoramento eletrônico nos casos em que
se autoriza a prisão domiciliar em razão de falta de vagas no sistema prisional.
Livramento Condicional
O livramento condicional é a liberdade mediante condições. Trata-se da última etapa do
cumprimento de pena, não se confundido com progressão de regime, pois o livramento
condicional não é regime prisional. O instituto é regulado pelos artigos 83 a 90 do CP e artigos
131 a 146 da LEP. Acrescenta-se o artigo 44, parágrafo único, da Lei 11.343/06, que traz regras
específicas para o livramento nos casos de delitos da Lei de Drogas.
Diferente do que ocorre para progressão de regime, a prática de falta grave não
interrompe o prazo para obtenção do instituto, como dispõe a súmula 441 do STJ. Porém, a
prática de falta grave nos últimos 12 meses obsta o livramento condicional, sendo fator que
deverá ser observado por ocasião da elaboração do atestado de conduta carcerária.
A liberdade condicional poderá ser concedida para condenados com pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 anos.
Os requisitos para obtenção de livramento estão previstos no artigo 83 do CP em
combinação com o artigo 112, §2º, da LEP. São requisitos objetivos e subjetivos.
Os requisitos subjetivos estão no artigo 83, III e IV, e é exigido o bom comportamento
carcerário atestado pelo diretor, por força do artigo 112 da LEP.
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tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
Requisito
Hipóteses cabíveis
Objetivo
+ 1/3 Não reincidente em crime doloso
+½ Reincidente em crime doloso
Condenados por crimes hediondos, tráfico, tortura,
terrorismo e tráfico de pessoas se enquadram nesta hipótese.
+ 2/3
Ressaltando que em caso de reincidência em delitos dessa
natureza não será possível a concessão de livramento condicional.
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Portanto, são duas espécies de revogação: obrigatória e facultativa. Se chegar até o final
do período de provas sem que haja revogação ou suspensão, declara-se extinta a pena (art. 90
do CP). Se porventura, após o término do período de provas, se descobrirem causas de
revogação, não poderá afetar a declaração de extinção.
Os efeitos das diferentes formas de revogação, estão previstos nos arts. 88 do CP e 141
e 142 da LEP.
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Pressupostos Recursais
Classificam-se em subjetivos e objetivos.
a) Pressupostos recursais subjetivos:interesse e legitimidade
Não será admitido recurso em processo penal da parte que não tenha interesse na
reforma da decisão (art. 577, parágrafo único, do CPP).
Eventualmente é questionado em prova: é possível o réu absolvido recorrer? A resposta
é no sentido de que se existir interesse na alteração dos fundamentos indicados no art. 386 do
CPP seria possível, por exemplo, buscar alterar a hipótese de absolvição, visando evitar uma
eventual ação indenizatória no juízo civil.
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5º dia
Intimação 1º dia do 2º dia do 3º dia do 4º dia do
FIM DO
(prazo: 5d) prazo prazo prazo prazo
PRAZO
1º dia do
Intimação - -
prazo
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Processo Penal
ÚLTIMO
DIA DO
PRAZO
No processo penal os prazos são contados da ciência, e não da juntada aos autos de
eventuais mandados, conforme a Súmula nº 710 do STF. Da mesma forma, a Súmula nº 310 do
STF reforça a ideia ilustrada na tabela de que, se a intimação ocorrer na sexta, o início da
contagem se dará somente na segunda, pois é o dia útil subsequente ao da intimação, e o início
somente poderá ocorrer em dias úteis.
Importante registrar que a Lei n. 14.365/2022 introduziu o art. 798-A, do CPP, que dispõe
sobre a suspensão do curso do prazo processual nos dias 20 de dezembro a 20 de janeiro,
sendo proibida também a realização de audiências e sessões de julgamento, não se aplicando
essas disposições aos casos que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas
prisões; nos procedimentos regidos pela Lei Maria da Penha; e nas medidas consideradas
urgentes, mediante despacho fundamentado.
Por fim, de um modo geral, pode-se dizer que a lei prevê diversos prazos diferentes para
interposição dos recursos em matéria processual penal, observando-se que o prazo mais comum
é o prazo de cinco dias:
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Processo Penal
Hipóteses de cabimento
As hipóteses de cabimento do recurso em sentido estrito estão previstas no art. 581 do
CPP, podendo, eventualmente, ser adotada interpretação extensiva, desde que não modifique o
conteúdo da [Link] exemplo, recurso em sentido estrito contra decisão rejeitou o aditamento
próprio da denúncia ou queixa.
Cabe recurso em sentido contra as seguintes decisões:
• Decisão que concluir pela incompetência do juízo (art. 581, II, do CPP):
É o caso do reconhecimento ex officio da incompetência pelo próprio juiz, que determina
a remessa dos autos ao juízo competente, nos termos do art. 109 do CPP. No
procedimento do júri da decisão de desclassificação do fato para crime não doloso contra
a vida (art. 419 do CPP), cabe recurso em sentido estrito com base nesse inciso, pois o
juiz estará, em última análise, concluindo pela incompetência do Tribunal do Júri para
julgar a causa.
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Processo Penal
Da decisão do juiz dando-se por competente não cabe nenhum recurso, podendo
a parte prejudicada intentar apenas habeas corpus.
• Decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor (art. 581,
VII, do CPP): Quando houver o quebramento, implicando a obrigação de se recolher à
prisão, poder dar ensejo à impetração de habeas corpus.
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• Decisão que incluir ou excluir jurado na lista geral (art. 581, XIV, do
CPP): Há autores que sustentam a revogação desse inciso, em razão do art. 426, § 1º,
do CPP.
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Decisão que decidir o incidente de falsidade (art. 581, XVIII, do CPP): o incidente
de falsidade está previsto nos artigos 145 a 148 do CPP.
• Decisão que recusar homologação ao acordo de não persecução penal
(art. 581, XXV, do CPP): o acordo de não persecução penal está previsto no art. 28-A do
CPP.
• Além das hipóteses previstas no art. 581 do CPP, consta no art. 294 do
Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) que: Em qualquer fase da investigação ou
da ação penal, havendo necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz,
como medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou ainda
mediante representação da autoridade policial, decretar, em decisão motivada, a
suspensão da permissão ou da habilitação para dirigir veículo automotor, ou a proibição
de sua obtenção. Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou da que
indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso em sentido estrito, sem
efeito suspensivo.
Hipóteses revogadas:
• Art. 581, XII, XVII e XIX a XXIII, do CPP – Essas hipóteses não são mais
objeto de recurso em sentido estrito, e sim de agravo em execução penal, em virtude do
art. 197 da LEP, que introduziu recurso específico das decisões do juiz da Vara de
Execução Penal. Portanto, consideram-se hipóteses tacitamente revogadas.
• Art. 581, XXIV, do CPP também é hipótese em desuso, pois, com a atual
redação do art. 51 do CP, o descumprimento da pena de multa não poderá gerar prisão,
a não ser dívida da Fazenda Pública.
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Prazo
O prazo para interposição do recurso em sentido estrito é de cinco dias (art. 586 do
CPP).Já para oferecer as razões e contrarrazões, será de dois dias (art. 588 do CPP).
Exceções:
Prazo de 20 dias, no caso de inclusão ou exclusão de jurado na lista, conforme art. 581,
XIV, do CPP (como já mencionado, há posicionamento que sustenta a revogação desta
hipótese).
Prazo de 15 dias para interposição (dois dias para razões), quando a impugnação é feita
pelo assistente à acusação não habilitado, nos termos dos arts. 584, § 1º, e 598, parágrafo único,
do CPP.A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a regra
disposta na Súmula no 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa
a correr imediatamente após o transcurso do prazo do Ministério Público”.
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Processo Penal
Apelação
É o recurso interposto da sentença definitiva ou com força de definitiva, para a segunda
instância, com o fim de que se proceda ao reexame da matéria, com a consequente modificação
parcial ou total da decisão.
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Processo Penal
Decisões definitivas são aquelas que encerram o processo, incidental ou principal, com
julgamento do mérito, sem, no entanto, absolver ou condenar.
Decisões com força de definitivas são aquelas decisões que encerram o processo, sem
julgamento do mérito (decisão interlocutória mista terminativa) ou uma etapa procedimental
(decisão interlocutória mista não terminativa). Ex.: decisão de impronúncia(art. 416 do CPP).
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Processo Penal
d) Quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária à prova dos autos
Contrária à prova dos autos é a decisão que não encontra respaldo em nenhum elemento
de convicção colhido sob o crivo do contraditório. Não é o caso de condenação que apoia em
versão mais fraca.Só caberá apelação com base nesse fundamento uma única vez, não
importando qual das partes tenha apelado.
Prazo
O prazo de interposição é de cinco dias, conforme art. 593, caput, do CPP.
O prazo para razões de apelação e contrarrazões é de oito dias (art. 600 do CPP). No
caso de contravenção o prazo para razões e contrarrazões é de três dias quando não for da
competência do JECRIM.
No JECRIM, o prazo é único é 10 dias, devendo ser apresentadas as razões junto com
a interposição. Salienta-se que é cabível apelação da decisão que rejeitar a denúncia ou queixa;
da sentença e da decisão que conceder apelação (art. 76, §5º, e 82 da Lei 9.099/95).
Legitimidade
Podem interpor recurso de apelação o Ministério Público, o querelante (ação penal
privada), o réu ou seu defensor (art. 577 do CPP) e o assistente de acusação.
Importante a súmula 705 do STF.
A legitimidade do assistente de acusação está prevista no art. 598 do CPP. Pode ser: a)
habilitado nos autos, sendo, portanto, intimado dos atos processuais, podendo, nessa condição,
interpor recurso no prazo de cinco dias; b) não habilitado nos autos, não sendo até então,
portanto, intimado dos atos processuais, razão pela qual terá o prazo mais dilatado para interpor
recurso de apelação, qual seja, 15 dias, nos termos do art. 598, parágrafo único, do CPP.
A contagem do prazo para o assistente de acusação interpor recurso segue a regra disposta na Súmula
nº 448 do STF: “O prazo para o assistente recorrer, supletivamente, começa a correr imediatamente
após o transcurso do prazo do Ministério Público”.
Processamento
A apelação poderá ser interposta por termo ou petição. Interposta a apelação, as razões
devem ser oferecidas dentro do prazo de oito dias, se for crime, salvo nos crimes de competência
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Efeitos da apelação
São eles:
• Devolutivo: devolve o conhecimento da matéria à instância superior;
• Suspensivo: trata-se do efeito da dilação procedimental, que retarda a
execução da sentença condenatória.
• Extensivo (art. 580 do CPP): ocorre nos casos de concursos de agentes,
quando a decisão do recurso interposto somente por um dos corréus beneficia o corréu
que não recorreu, mas isso somente é possível se a matéria não for de caráter
exclusivamente pessoal.
• Não há efeito regressivo no recurso de apelação.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Assim, caso o réu seja condenado a cinco anos de reclusão, mas obtenha a defesa a
anulação dessa decisão, quando o magistrado – ainda que seja outro – venha a proferir outra
sentença, está restrito a uma condenação máxima de cinco anos.
A proibição de reformatio in pejus aplica-se a todos os recursos e ações penais,
não somente ao recurso de apelação.
Hipóteses de cabimento
Só são cabíveis embargos infringentes e de nulidades de acórdãos de apelação e
recurso em sentido estrito. A doutrina e jurisprudência ampliam para possibilidade de acórdãos
referentes ao agravo em execução, pois o processamento deste recurso segue as regras do
recurso em sentido estrito. Importante lembrar, que não são cabíveis de acórdãos de habeas
corpus e revisão criminal.
Prazo
O prazo para interposição é de dez dias, a contar da publicação do acórdão (art. 609,
parágrafo único, do CPP).Por ocasião da interposição, deve o recurso ser devidamente instruído
com as razões, pois não será aberta vista para essa finalidade.
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Processo Penal
Embargos de Declaração
Encontra-se previsto nos artigos 382 e 619 do CPP e 83 da Lei no 9.099/[Link]-se
de recurso posto à disposição de qualquer das partes, voltado ao esclarecimento de dúvidas
surgidas no acórdão, quando configurada ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão,
permitindo, então, o efetivo conhecimento do teor do julgado, facilitando a sua aplicação e
proporcionando, quando for o caso, a interposição de recurso especial ou extraordinário.
• Ambiguidade: é o estado daquilo que possui duplo sentido, gerando
equivocidade e incerteza, capaz de comprometer a segurança do afirmado. No julgado,
significa a utilização, pelo magistrado, de termos com duplo sentido, que ora apresentam
uma determinada orientação, ora seguem em caminho oposto, fazendo com que o leitor,
seja ele leigo, seja ele não leigo, termine não entendendo qual o seu real conteúdo.
• Obscuridade: é o estado daquilo que é difícil de entender, gerando confusão
e ininteligência, no receptor da mensagem. No julgado, evidencia-se a utilização de frases
e termos complexos e desconexos, impossibilitando ao leitor da decisão, leigo ou não,
captar-lhe o sentido e o conteúdo.
• Contradição: trata-se de uma incoerência entre uma afirmação anterior e
outra posterior, referentes ao mesmo tema e no mesmo contexto, gerando a
impossibilidade de compreensão do julgado.
• Omissão: é a lacuna ou o esquecimento. No julgado, traduz-se pela falta de
abordagem do magistrado acerca de alguma alegação ou requerimento formulado,
expressamente, pela parte interessada, merecedor de apreciação.
Prazo
Os embargos devem ser interpostos no prazo de dois dias perante o próprio juiz prolator
da sentença (art. 382 do CPP) ou, no caso dos tribunais (art. 619 do CPP), endereçados ao
próprio relator do acórdão embargado. No caso de embargos nos Juizados Especiais Criminais,
o prazo é de cinco dias.
Efeito interruptivo
Por analogia ao disposto no art. 1.026 do CPC, os embargos de declaração possuem o
efeito de interromper o prazo para interposição de recurso. Conforme art. 83, § 2º, da Lei
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Processo Penal
Carta Testemunhável
É o recurso que tem por fim provocar o reexame da decisão que denegar ou impedir o
seguimento de recurso em sentido estrito e do agravo em execução (artigo 639 do CPP).
Com relação ao não recebimento da apelação, cabe recurso em sentido estrito (art. 581,
XV, do CPP), não sendo necessária carta testemunhável.
Procedimento
A carta testemunhável deve ser requerida dentro de 48 horas, após a ciência do
despacho que denegar o recurso ou da decisão que obstar o seu seguimento. Não terá efeito
suspensivo.
O requerimento deve ser endereçado ao escrivão, indicando o requerente as peças do
processo que deverão ser trasladadas. O escrivão dará recibo à parte recorrente da entrega do
recurso. Este, dentro do prazo máximo de cinco dias, fará a entrega da carta devidamente
formada com as peças indicadas; o escrivão que se negar a dar o recibo ou deixar de entregar,
sob qualquer pretexto, será suspenso por 30 dias.
Na instância superior, o recurso seguirá o rito do recurso denegado. O tribunal mandará
processar o recurso ou, se a carta estiver suficientemente instruída, julgará diretamente o
recurso.
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Prazo
O prazo para interposição é de cinco dias, conforme se extrai da Súmula nº 700 do STF.
Prazo para razões e contrarrazões é de dois dias (art. 588 do CPP).
Processamento
Idêntico ao recurso em sentido estrito, pois na Lei de Execução Penal não há
processamento específico. Logo, no agravo em execução também é permitido o juízo de
retratação, nos termos do art. 589 do CPP.
Obs.: Em regra, o recurso de agravo não possui efeito suspensivo (art. 197 da LEP).
Todavia, é importante ressaltar que, no tocante às medidas de segurança, somente poderá
ocorrer a desinternação ou liberação de tratamento ambulatorial após transitar em julgado essa
decisão (art. 179 da LEP).
Cabimento
Cabe recurso ordinário constitucional ao STF da decisão dos Tribunais Superiores que
julgar em única instância o habeas corpus, desde que denegatória (art. 102, II, a, da CF).
Cabe recurso ordinário constitucional ao STJ da decisão denegatória de habeas corpus,
proferida em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais, ou pelos tribunais dos
Estados e do Distrito Federal (art. 105, II, a, da CF).
Prazo
O prazo para interposição e oferecimento das razões é de cinco dias, conforme art. 30
da Lei no 8.038/1990 e Súmula nº 319 do STF.
Obs.: Da mesma for das decisões denegatórias de mandado de segurança por
Tribunais caberá Recurso Ordinário em Mandando de Segurança, no prazo de 15 dias, nos
termos do artigo 33 da Lei n. 8.038/90 e artigos 102, II, e 105, II, da CF.
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Processo Penal
Revisão Criminal
A revisão criminal é uma ação autônoma de impugnação que, de forma excepcional, tem
como objetivo modificar a sentença penal condenatória transitada em julgado, relativizando
assim a coisa julgada, sempre em benefício do réu, sendo vedada a revisão criminal pro
societate.
É pressuposto da revisão criminal a existência de sentença penal condenatória
transitada em julgado.
Conforme dispõe o artigo 621 do Código de Processo Penal, é cabível revisão criminal:
• quando a sentença penal condenatória, transitada em julgado, for contrária
ao texto da lei ou à evidência dos autos;
• quando for fundamentada em depoimentos, exames ou documentos,
comprovadamente falsos;
• quando após a sentença penal condenatória transitada em julgado forem
descobertas novas provas de inocência ou de causa de diminuição da pena.
OBS: A doutrina e a jurisprudência admitem revisão criminal nas hipóteses de sentença
absolutória imprópria, visto que resultam na aplicação de medida de segurança, uma sanção
penal.
A revisão criminal pode ser proposta a qualquer tempo, desde que após o trânsito em
julgado, até mesmo após a morte do réu (artigo 622 do CPP).
Em regra, é vedada a reiteração de pedido, ou seja, o mesmo réu não pode propor
revisão criminal mais de uma vez, em relação ao mesmo fato tendo a mesma causa de pedir
(artigo 622, parágrafo único, do CPP).Todavia, a referida vedação é incabível quando se estiver
diante de novas provas ou circunstâncias diversas do pedido feito anteriormente.
Legitimidade
Pode propor ação de revisão criminal o réu ou o procurador legalmente habilitado, em
caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (artigo 623 do CPP).
Perceba que o próprio réu pode ingressar com revisão criminal, mesmo que não seja
advogado.
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Processo Penal
Competência
O artigo 624 do CPP dispõe sobre o processamento e julgamento das revisões criminais.
O Supremo Tribunal Federal será competente para julgar as ações de revisão criminal
que dizerem respeito sobre as condenações por ele proferidas.A referida competência estará
restrita ao mérito, ou seja, o fundamento da revisão deve dizer respeito ao que foi discutido em
sede de recurso extraordinário (artigo 102, I, alínea J, da CF/88).
Nessa esteira, é a competência do Superior Tribunal de Justiça, sendo o referido órgão
competente para julgar as revisões criminais que versarem sobre as condenações por ele
proferidas, sendo a matéria restrita ao conteúdo discutido em Recurso Especial (artigo 105, I,
alínea E, da CF/88).
Em casos de condenação em segundo grau, o TJ ou TRF que a proferiu será competente
para julgar eventual revisão criminal, de igual forma, se o réu tiver sido absolvido em primeiro
grau e condenado em segundo grau após recurso interposto pelo Ministério Público.
Efeitos
Trata-se de uma ação de impugnação excepcional, admitida somente em favor do réu,
sendo assim, é possível que o Tribunal profira decisão ultra petita, como, por exemplo, decidir
pela absolvição do réu, ainda que o pedido tenha sido somente de anulação.
Julgada procedente a revisão criminal, o tribunal poderá alterar a classificação do réu,
absolvê-lo, modificar sua pena ou anular o processo (artigo 626 do CPP).
Não há possibilidade de decisão que agrave a situação do réu, sendo vedada reformatio
in pejus (artigo 626, parágrafo único, do CPP). Ainda que a decisão tenha anulado o processo e
tenhamos uma nova tramitação processual e, consequentemente, nova decisão, esta não pode
ser maios gravosa que a anterior, sob pena de reformatio in pejus indireta.
É chamado de juízo rescindente aquele que desconstitui a decisão impugnada, quando
cassa uma decisão. Já aquele que reforma a decisão impugnada, substituído a anterior,
reexaminando seu mérito, havendo ainda, novo julgamento, é chamado juízo rescisório ou
revisório.
Havendo decisão absolutória, todos os direitos perdidos pelo réu serão reestabelecidos,
devendo o tribunal, em caso de absolvição imprópria, impor a medida de segurança cabível
(artigo 627 do CPP).
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1ª Fase | 36° Exame da OAB
Processo Penal
Por fim, se tiver sido postulado pelo interessado, o tribunal poderá reconhecer o direito
a uma justa indenização, tendo em vista os prejuízos sofridos (artigo 630 do CPP).
Habeas Corpus
O Habeas Corpus é uma ação autônoma de impugnaçãocom o fim de garantir o direito
à liberdade do indivíduo. Embora se encontre no Livro III do Código de Processo Penal, não é
considerado um recurso e sim Ação Impugnativa, com previsão nos artigos 5º, LXVIII, da
Constituição Federal de 1988 e 647 e seguintesdo CPP.
Pressupostos
Para impetração de Habeas Corpus é necessária a exposição de fatos que possam
interferir na liberdade do indivíduo, fatos que devem ser revestidos de violência ou coação.
O termo violência refere-se ao emprego da força física com finalidade de restringir a
liberdade de alguém. É o que ocorre, por exemplo, em uma prisão em flagrante numa situação
não revestida de flagrância.
Já a expressão coação ilegal consiste no constrangimento da liberdade de locomoção
por meio de ameaça, medo ou intimidação (violência moral). Atos que representem perigo a
liberdade de alguém.
De acordo com o artigo 648 do Código de Processo Penal, a coação será considerada
ilegal quando:
1. Não houver justa causa;
2. Alguém estiver preso por mais tempo do que determina a Lei;
3. Ordenada por quem não tem competência para fazê-lo;
4. Houver cessado o motivo que autorizou a coação;
5. Não for admitida fiança nos casos em que a lei autoriza;
6. O processo for manifestamente nulo;
7. Estiver extinta a punibilidade.
Espécies
O Habeas Corpus pode ser liberatório/repressivo, preventivo ou trancativo/profilático.
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Legitimidade
Vislumbrada a ilegalidade na privação de liberdade de alguém, qualquer um poderá
impetrar Habeas Corpus, inclusive o próprio paciente e, até mesmo o Ministério Público (artigo
654, do CPP).
Ainda, se no curso do processo juízes e tribunais competentes que verificarem que
alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal, poderão expedir, exofficio, ordem de
habeas corpus (artigo 654, §2º, do CPP)
A ação de habeas corpus é judicialmente gratuita (artigo 5º, LXXVII, da CF/88).
Competência
A competência para recebimento do Habeas Corpus será definida da seguinte forma:
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Recurso
Súmulas – STF
- Súmula 606 - Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de
Turma, ou do Plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.
- Súmula 691 - Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas
corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior,
indefere a liminar.
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Mandado de Segurança
Considerações Gerais
Conforme artigo 5º, inciso LXIX, da CF e artigo 1º, caput, da Lei 12.016/09, mandando
de segurança é uma ação autônoma de impugnação, com status de remédio constitucional, que
intenta tutelar direito líquido e certo que estiver sendo [Link] esfera penal é utilizado de
forma subsidiária, na impossibilidade de impetração de habeas corpus ou habeas data, bem
como, se não houver recurso ordinário específico.
Prazo
Por força do artigo 23, da Lei nº 12.016/09, o mandando de segurança tem prazo
decadencial de 120 dias, contados da ciência do ato impugnado.
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Requisitos de Admissibilidade
• Ilegalidade ou abuso de poder praticado por uma autoridade (Artigo 1º, §1º, da
Lei 12.016/19)
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ser renovado dentro do prazo decadencial, se a decisão denegatória não lhe houver
apreciado o mérito.
Competência
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Recursos
Julgado o mandado de segurança, estará sujeito ao duplo grau de jurisdição (Art.14, §1º,
da Lei 12.016/09).
RESP ou REXT
ROC - em caso de
RECURSOS Decisões de tribunais denegação
Art. 18 da Lei 12.016/09
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pública), bem como naqueles que foram propostos pela vítima, em atividade substitutiva do
Estado‑acusação (ação privada subsidiária da pública) e nas ações privadas.
e) Falta ou nulidade da citação do réu para se ver processar (ampla defesa e
contraditório e interrogatório)– art. 564, III, e, do CPP.
e.1) Citação: se o réu não for citado ou se a citação for feita em desacordo com as
normas processuais, prejudicando ou cerceando o réu, é motivo para anulação do feito a partir
da ocorrência do vício. Trata‑se de nulidade absoluta.
A falta ou a nulidade da citação estará sanada desde que o interessado compareça antes
de o ato consumar‑se (art. 570 do CPP).
Porém, haverá nulidade insanável se a falta de citação prejudicar a defesa do acusado,
não sendo possível a convalidação do vício apenas pelo comparecimento do réu ao ato.
e.2) Interrogatório – art. 564, III, e, do CPP.
O interrogatório, sendo ato fundamental – mesmo que não imprescindível – deve sempre
ser realizado quando o acusado estiver presente, em qualquer momento do procedimento, a fim
de que ele, no exercício de sua defesa pessoal, possa apresentar diretamente a sua versão a
respeito do fato, influindo sobre o convencimento do juiz. Por isso, o CPP, estatui, no art. 564,
III, e, que há nulidade na falta de interrogatório do réu presente. Cuida‑se de nulidade insanável.
e.3) Concessão de prazos à acusação e à defesa: ao longo da instrução, vários prazos
para manifestações e produção de provas são concedidos às partes. Deixar de fazê‑lo pode
implicar um cerceamento de acusação ou de defesa, resultando em nulidade relativa, ou seja,
se houver prejuízo demonstrado.
f) Decisão de pronúncia– art. 564, III, f, do CPP - Com a abolição do libelo, a alínea f
fica restrita à pronúncia.
g) Intimação do réu para a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri– art. 564, III,
g, do CPP.
Tornou‑se possível a realização do julgamento em plenário do Tribunal do Júri, mesmo
estando o réu ausente (art. 457). Entretanto, é direito do acusado ter ciência de que se realizará
a sessão, podendo exercer o seu direito de comparecimento. Logo, a falta de intimação poderá
gerar nulidade.
h) Intimação de testemunhas– art. 564, III, h, do CPP.
Com a abolição do libelo, as partes poderão arrolar suas testemunhas para Plenário do
Júri, máximo cinco para cada uma das partes, conforme dispõem os arts. 422 e 423 do CPP. Se
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não forem intimadas e, sem embargo, comparecerem, a nulidade será considerada sanada, nos
termos do art. 572 do CPP. Não comparecendo, por não terem sido intimadas, a nulidade é
absoluta.
i) Instalação da sessão do júri – art. 564, III, i, do CPP
Trata‑se de norma cogente, implicando nulidade absoluta a instalação dos trabalhos, no
Tribunal do Júri, com menos de 15 jurados (art. 463 do CPP).
j) Incomunicabilidade dos jurados– art. 564, III, j, do CPP
É causa de nulidade absoluta a comunicação dos jurados, entre si, sobre os fatos
relacionados ao processo, ou com o mundo exterior – pessoas estranhas ao julgamento –, sobre
qualquer assunto.
k) Inexistência dos quesitos e suas respostas– art. 564, III, k, do CPP.
Súmula nº 156 do STF: “É absoluta a nulidade do julgamento pelo júri, por falta de quesito
obrigatório”.
l) Acusação e defesa no julgamento pelo Tribunal do Júri– art. 564, III, l, do CPP.
m) Ausência da sentença – art. 564, III, m, do CPP.
n) Recurso de ofício– art. 564, III, n, do CPP.
Na verdade, cuida-se do duplo grau de jurisdição necessário. Em determinadas
hipóteses, impôs a lei que a questão, julgada em primeiro grau, seja obrigatoriamente revista por
órgão de segundo grau. Ex.: a sentença concessiva de habeas corpus (art. 574, I, do CPP). O
desrespeito a esse dispositivo faz com que a sentença não transite em julgado (Súmula 423,
STF).
o) Intimação para recurso – art. 564, III, o, do CPP
As partes têm direito a recorrer de sentenças e despachos, quando a lei prevê a
possibilidade, motivo pelo qual devem ter ciência do que foi decidido. Omitindo‑se a intimação,
o que ocorrer, a partir daí, é nulo, por evidente cerceamento de acusação ou de defesa, conforme
o caso. Nos termos do art. 564, IV, do CPP, haverá nulidade por omissão de formalidade que
constitua elemento essencial do ato. Por exemplo, regularização da falta ou nulidade da citação,
intimação ou notificação – estabelece o art. 570 do CPP que o comparecimento do interessado,
ainda que somente com o fim de arguir a irregularidade, sana a falta ou nulidade da citação,
intimação ou notificação.
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