DISCIPLINA COMUNICAÇÃO
EM PORTUGUÊS
São Paulo
2021
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OBJETIVOS DO CURSO
▪ Melhorar a capacidade de escrever e de se comunicar em público.
▪ Ter mais autonomia para esclarecer suas dúvidas de linguagem.
▪ Aprimorar a capacidade de leitura, de pesquisa e de síntese.
Em um aprendizado aplicável por toda a vida:
▪ Ênfase na formação geral do aluno a partir de capacitação específica.
▪ A comunicação é capacidade aplicável às mais diversas atividades que você
venha a exercer ao longo da vida.
▪ Em um mundo em constante mutação, é um conhecimento que sempre será
utilizado.
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QUATRO FRENTES DE AÇÃO
▪ Comunicação geral (escrita e oral)
▪ Revisão de pontos críticos de português
▪ Leitura profissional, pesquisas e sínteses
▪ Comunicação na empresa e para a empresa
FICA A DICA
“Quem não se comunica se trumbica. ”
Abelardo Barbosa, o Chacrinha, notável comunicador brasileiro (1917-
1988)
Fonte: Reprodução do Google
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INTRODUÇÃO
Este curso foi pensado no âmbito da FACSP para alavancar o crescimento
profissional e acadêmico de seus alunos. Como se sabe, a comunicação é um
elemento fundamental nas mais diversas carreiras e, notadamente, nas do comércio.
No mundo atual, em que há um excesso de informação que chega até nós pelos
mais diversos meios, cabe a preparação para filtrá-la e, sobretudo, para emitir os
sinais certos em nossas interações, seja na escrita, na fala e mesmo em nossas
atitudes e gestual.
A formação dos estudantes brasileiros nesse campo possui historicamente
deficiências que se acumulam nos níveis fundamental e médio, como atestam as
avaliações de língua portuguesa realizadas regularmente.
A revolução digital, com a multiplicação de mensagens rápidas, pouco tem
contribuído para a valoração da linguagem formal e das suas possibilidades. De fato,
a própria língua é em dada medida substituída por imagens e símbolos, como no caso
dos emojis.
Não se trata, neste curso, de ir contra a ampliação das formas de comunicação
e das possibilidades de linguagem, mas, sim, de trazer aos alunos a importância da
linguagem culta, de seu papel formativo do intelecto e da consciência crítica.
O enriquecimento da linguagem é elemento insubstituível da qualificação e do
sucesso profissional. Esse é o foco deste curso, considerando o novo contexto digital
como suporte ao ensino.
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METODOLOGIA
Este é um curso prático, voltado para alunos que querem ampliar a capacidade
de comunicação com o foco nas atividades profissionais e, paralelamente, revisar
pontos centrais de gramática.
A comunicação qualificada possibilita a você almejar melhores posições no
mundo do trabalho; a revisão da língua visa dar confiança e autonomia na
comunicação.
De caráter instrumental, as aulas não se detêm em aspectos teóricos e em
termos técnicos. A revisão de pontos básicos da língua, por exemplo, é feita com base
em dicas práticas, sem o uso de jargão gramatical.
Você é incentivado a memorizar a lógica das regras e suas exceções. O
importante aqui é evitar que você cometa erros comuns no uso da língua, o que
prescinde de discussões teóricas.
Paralelamente, a tecnologia hoje disponível em nossos celulares é grande
aliada no ensino e no esclarecimento de dúvidas. Você é incentivado a usar
eficientemente a internet como forma de se expressar melhor.
As unidades deste curso ensinam a comunicação ordenada na estruturação de
textos, em apresentações e na própria comunicação pessoal no ambiente de trabalho.
A ideia de ordenamento e organização é transmitida de forma intuitiva.
Este e-book contêm textos breves e dicas consolidadas sobre os temas. Textos
de apoio e vídeos complementam o aprendizado. É decisivo que você faça as leituras
e as atividades.
Ao fim dos trabalhos, você estará mais capacitado e confiante em sua
comunicação profissional.
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UNIDADE 1
A NORMA CULTA
A comunicação profissional e acadêmica se dá em regra no âmbito da norma
culta ou norma padrão. Esses dois termos são equivalentes ao expressar uma língua
consolidada e padronizada, que serve de base para a comunicação dos integrantes
de dada unidade político-cultural.
Trata-se da língua presente nas gramáticas, com suas palavras devidamente
registradas nos dicionários. A norma padrão ou culta é produto de um processo
histórico de consolidação dos Estados nacionais. O Brasil herdou a língua portuguesa
de Portugal, mas aqui ela ganhou contornos próprios.
A norma padrão tem o objetivo de uniformizar a comunicação, de conferir a ela
um padrão nacional. As leis e os documentos, por exemplo, são escritos respeitando
a norma.
Assim a chamada língua culta pode ser comparada ao sistema de peso e
medidas vigente em dada região, o que torna possíveis os elementos comuns de
comparação e troca.
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Cabe notar que a linguagem é dinâmica. Cada grupo, com determinada
identidade e valores comuns, molda pouco a pouco sua língua. Dessa maneira, o
português de Portugal é diferente do brasileiro. Isso também se pode dizer das
nuances do português entre as diferentes regiões do Brasil.
A norma culta ou padrão muda apenas lentamente e, portanto, se diferencia da
língua falada. A sua missão é integrativa, no entanto: trata-se de preservar o núcleo
comum de entendimento.
Dominar a norma culta é um diferencial de capacitação. Este curso possibilita
que você avance nesse processo.
OS PRINCIPAIS TÓPICOS
• A norma padrão ou norma culta é a forma linguística padronizada pelos
gramáticos e demais autoridades no uso da língua. É a língua oficial.
• Ela estabelece a padronização da língua escrita para o uso comum reconhecido
e documentado.
• É o padrão da comunicação do mundo acadêmico e profissional.
• Ela possibilita uma comunicação menos ambígua, isto é, menos propensa a
erros de entendimento.
• Em outras palavras, uniformiza o idioma, de maneira a garantir o entendimento
comum e verificável da língua.
• Ela indica preparo escolar e de conhecimento das normas básicas da língua.
• É elemento da construção da identidade nacional.
• A norma culta ou padrão muda apenas lentamente e, portanto, se diferencia da
língua falada, conforme os exemplos abaixo:
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A norma culta A fala informal
Está bom? Tá bom?
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2 Fez isso para quê? Fez isso prá quê?
3 Fui à escola. Fui na escola.
4 Cheguei à faculdade. Cheguei na faculdade.
5 Há alunos lá fora. Tem alunos lá fora.
6 Você a cumprimentou? Você cumprimentou ela?
✓ Nos exemplos 1 e 2, ocorrem formas contraídas coloquiais (tá e prá), que não
devem ser reproduzidas na escrita formal.
✓ No exemplo 3, o verbo ir é registrado na norma culta com a preposição a (vai-
se a algum lugar). A forma fui na escola é, do ponto de vista da norma, errada.
✓ O exemplo 4 é semelhante ao anterior. Chega-se a um lugar, e não em um
lugar.
✓ No exemplo 5, o verbo ter é aplicado fora da norma, em que caberia haver.
✓ O uso do ela está mal aplicado no exemplo 6 – note a sonoridade feia que a
frase ganha.
COMO SE AJUSTAR À NORMA
Você foi educado dentro da norma culta nos diversos níveis de ensino.
Infelizmente, existem muitas lacunas de conhecimento da língua mesmo entre
a população mais escolarizada.
A boa notícia é que os conhecimentos básicos do idioma estão disponíveis na
internet de forma gratuita.
Então é uma excelente estratégia você se habituar a resolver suas dúvidas
diretamente na rede mundial de informação, com a ajuda de sites e apps.
Lembre-se de que o conhecimento da linguagem é um processo constante e
continuado.
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Não se desanime se você tem muitas dúvidas, pois elas são facilmente
sanáveis.
Depois que você se habituar a aperfeiçoar seus conhecimentos, isso se torna
algo até mesmo divertido, uma espécie de passatempo.
FONTES DE CONHECIMENTO DA LÍNGUA
DICIONÁRIOS
São fonte básica de consulta. Há diversos disponíveis na internet, alguns deles
de forma gratuita. Um dicionário traz muitas informações úteis para o uso da norma
culta além dos significados das palavras.
Há dicionários tradicionais do português brasileiro, como o Houaiss e o Aurélio,
mas essas duas obras não são de acesso livre.
O Caldas Aulete, outro dicionário tradicional, tem versão digital gratuita
([Link]). Um dicionário gratuito e bastante completo – pois, por exemplo,
traz conjugação verbal – é o Dicio ([Link]), disponível em site e em app.
Um dicionário traz muitas informações além do significado das palavras.
Exemplificamos abaixo algumas em uma consulta ao Dicio.
Fonte: Reprodução [Link]
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A figura acima traz apenas parte do verbete. Ao fazer a consulta, você pode
constatar as seguintes informações no mesmo dicionário:
Etimologia
Origem da palavra implicar: do latim implicare.
Sinônimos
Implicar é sinônimo de: hostilizar, originar, requerer, discordar, comprometer,
confundir.
Antônimos
Implicar é o contrário de desimplicar.
Classe gramatical
Verbo bitransitivo, verbo intransitivo, verbo pronominal, verbo transitivo direto e
verbo transitivo indireto.
Você pode notar que as mudanças de classe gramatical estão relacionadas às
mudanças de significado, embora essa não seja uma regra geral.
No caso do verbo implicar, na acepção de acarretar consequências, ele é
transitivo direto, ou seja, não necessita de preposição. Assim escrevemos:
A medida implica gastos.
e não
A medida implica em (!) gastos.
A segunda forma é um erro comum em português e a simples consulta ao
dicionário resolve a questão.
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CONJUGAÇÃO VERBAL
Nem sempre a conjugação de um verbo é fácil e intuitiva. O verbo intervir, por
exemplo, causa confusão. Não devem ser utilizadas as formas interviu e intervi, mas
intervim e interveio. Veja abaixo:
PRESENTE PRETÉRITO PERFEITO
Eu intervenho Eu intervim (e não intervi)
Tu intervéns Tu interviste
Ele intervém Ele interveio (e não interviu)
Nós intervimos Nós interviemos
Vós intervindes Vós interviestes
Eles intervêm Eles intervieram
A consulta às conjugações, disponíveis na internet e em alguns dicionários,
ajuda a resolver esse tipo de dúvida.
As consultas aos dicionários, como exemplificado, são fundamentais para enriquecer
nossa cultura sobre a língua e para evitar erros.
SITES
Há vários sites de língua portuguesa com explicações qualificadas e de acesso
gratuito. O ponto de partida é o próprio Google. Escreva sua dúvida no mecanismo de
busca e ele trará diversas sugestões a você.
Por exemplo: escreva porque ou por que na busca do Google. Aparecerão diversos
sites que explicam os diferentes usos dos porquês. Procure escolher explicações de
sites especializados, com credibilidade, ou seja, com origem, autoria e autoridade no
assunto.
Entre as diversas sugestões que aparecem na busca sugerida acima,
encontram-se a do site Brasil Escola, do site da Universidade Federal de Lavras, do
site da BBC, a do site Toda Matéria etc. Dessa forma, você tem diversos sites que
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ajudam a resolver a dúvida. O site TodaMatéria resume logo de cara a questão
(verifique).
As explicações mais resumidas trazem uma simplificação da questão, mas não
costumam envolver todas as variações que a língua possibilita. Portanto convém ler a
explicação completa para abarcar todos os casos.
É importante você escolher os sites com credibilidade e que tragam modo de explicar
que seja adequado a seu entendimento.
Um site bastante completo, como se fosse uma gramática online, é o Norma Culta
([Link]). Nele você pode revisar todos os pontos gramaticais de
interesse. Outro exemplo é o já mencionado Toda Matéria
([Link]/lingua-portuguesa)
YOUTUBE
Muitas palestras e aulas resumidas estão disponíveis na internet. Assim, em
poucos minutos, você pode revisar temas de uma forma prática. Dentre as diversas
possibilidades, há as aulas do professor Noslen, no Youtube, que se destaca pela
linguagem acessível, divertida e didática.
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REPRODUÇÃO YOUTUBE
BIBLIOTECA A, MANUAIS, GRAMÁTICAS
A FACSP disponibiliza uma biblioteca virtual a que você tem acesso, a
Biblioteca A. Nela se encontram diversos livros de comunicação que abordam temas
de gramática. Citam-se aqui os seguintes:
AZEVEDO, Roberta. Português básico. – Porto Alegre: Penso, 2015. Digital -
Biblioteca A.
SANGALETTI Letícia, et al. Comunicação e expressão – 2. ed. – Porto Alegre:
SAGAH, 2019. Digital - Biblioteca A. (em especial a Unidade 4).
Existem diversas gramáticas – por exemplo, Bechara (2018) e Kury (2013) – e
guias práticos de português. Não se recomenda aqui nenhum livro em particular.
Ressalta-se que é proveitoso que você consulte obras que sejam acessíveis e
práticas, de tal sorte que seus conhecimentos possam evoluir tranquila e rapidamente.
Nesse sentido, as gramáticas costumam ser volumosas e muito especializadas, além
de utilizar nomenclaturas específicas. Portanto são preferíveis os guias práticos e os
manuais de redação.
DICAS BÁSICAS DE REDAÇÃO
FICA A DICA
Deve-se evitar toda prolixidade e todo entrelaçamento de observações que
não valem o esforço de leitura. É preciso ser econômico com o tempo, a
dedicação e a paciência do leitor, de modo receber dele o crédito de
considerar o que foi escrito digno de uma leitura atenta e capaz de compensar
o esforço empregado nela.
Artur Schopenhauer, filósofo alemão do século 19.
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A frase de Schopenhauer (2005) deve seguir de orientação para todos aqueles
que escrevem. Prolixidade significa falar ou escrever mais do que seria adequado.
Devemos ter noção de medida e de necessidade de mostrarmos que aquilo que
vamos escrever é útil.
De uma forma geral, podemos dizer que há oito problemas que você deve superar ao
escrever:
1) Escrever muito ou pouco. Devemos ser objetivos e escrever o necessário,
nem mais nem menos.
2) Não prestar atenção. Atenha-se aos pontos centrais da sua mensagem e
releia o que escreveu para corrigir eventuais erros (eles sempre ocorrem).
3) Falta de organização. Siga uma ordem lógica e hierárquica. Estabeleça
parágrafos.
4) Frases muito longas. Elas envolvem pontuação mais complexa e alguma
paciência do leitor. Prefira frases menores e claras.
5) Pontuação errada. Pontuar determina a estrutura, o ritmo e o sentido da frase.
Erros de pontuação comprometem muito a escrita.
6) Vírgula mal colocada. É o problema mais comum de pontuação. A vírgula é
muito importante, pois organiza a frase.
7) Falta de acentuação. Erro básico de revisão. É necessário especial cuidado
com o uso da crase. O corretor ortográfico ajuda na acentuação.
8) Erros de ortografia. O corretor ortográfico ajuda bastante nesses casos.
A base de um bom texto se funda na organização, clareza e concisão.
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A organização implica o uso de parágrafos, que nada mais são do que tópicos
temáticos de um texto. Os parágrafos delimitam um assunto do outro dentro do mesmo
tema.
O uso dos parágrafos deixa o texto mais arejado, mais fácil de ler. É, portanto,
algo que ajuda o leitor a manter o foco na leitura.
Uma orientação geral é que devemos buscar clareza e concisão quando
redigimos.
A clareza está intimamente ligada às frases. Procure escrever frases simples
e de fácil entendimento.
A concisão significa não escrever nem mais, nem menos. Trata-se de escrever
na medida certa.
BASE ESTRUTURAL DOS TEXTOS
Frases. Devem ser claras para cumprir a tarefa de bem comunicar. Evite frases
longas, pois são mais complexas e exigem mais atenção do leitor.
Parágrafo. Corresponde a um tópico do texto. Por exemplo, num e-mail de
busca de emprego, podemos pensar em três parágrafos: 1) “minha apresentação
profissional”, 2) “por que estou interessado na vaga”, 3) “meu histórico profissional”
etc.
ROTEIRO BÁSICO DE UM TEXTO PROFISSIONAL
Os textos profissionais devem seguir uma sequência básica de começo, meio
e fim. Trata-se de um princípio de organização que deve ser bem executado,
respeitando as orientações vistas anteriormente.
Siga o seguinte roteiro:
1) Apresente o tema e convença o leitor de que vale a pena seguir em frente
na leitura. O (s) primeiro (s) parágrafo (s) deve (m) explicar do que se trata e
o que será feito. O leitor decidirá se vale a pena ler o restante do texto... (Se for
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algum tipo de correspondência, cabe, antes de tudo, o tratamento adequado:
Prezado sr., Prezada sra. etc.)
2) Desenvolvimento dos principais pontos. Os parágrafos seguintes devem
desenvolver o tema de forma ordenada e clara. Deve-se dar preferência por
começar pelo que é mais importante.
3) Conclusão. Ao final, cabe a conclusão com base no que foi relatado. (Se se
tratar de correspondência, não se esqueça de agradecer a atenção dispensada
ao final e utilizar as formas Cordialmente, Atenciosamente antes da assinatura).
PONTUAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA VÍRGULA
Uma abordagem prática
A pontuação é um elemento fundamental da linguagem escrita. Quando
falamos, dispomos de uma série de recursos de entonação e de expressão que não
estão presentes quando escrevemos.
Não se trata, ao pontuarmos, de literalmente reproduzir os efeitos da língua
falada, o que não seria factível. Como resume o dicionário Houaiss:
[Pontuação] “na língua escrita, sistema de sinais gráficos que indicam
separação entre unidades significativas para tornar mais claros o texto e a
frase, pausas, entonações etc.”
Algumas pontuações são bastante intuitivas. O ponto final (.), como todos
sabem, encerra frases de caráter descritivo/declaratório. Menos óbvio é seu emprego
adequado à clareza da comunicação escrita.
O que isso quer dizer? Muitas pessoas abusam de frases longas, o que requer
um bom domínio da pontuação e alguma paciência de quem está lendo. Portanto
devemos nos habituar a usar frases menores, mais fáceis de ler e menos complexas
ao pontuar.
Vejamos um exemplo de um texto mal pontuado:
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O meu nome é Antônio Almeida, tenho 24 anos, nasci em Andradina (SP) e
minha formação universitária é em psicologia, que terminei há dois anos na
Faculdade X, e gostaria de me candidatar ao cargo no setor de Recursos
Humanos, pois tenho formação compatível para isso e acompanho e admiro
muito a atuação da empresa de vocês, e seria um orgulho e um desafio fazer
parte do time.
Note que o trecho acima mistura informações e mostra desleixo na redação,
que poderia ser mais bem ordenada em frases menores. Por exemplo:
O meu nome é Antônio Almeida, tenho 24 anos e nasci em Andradina (SP).
Minha formação universitária é em psicologia, que terminei há dois anos na
Faculdade X. Gostaria de me candidatar ao cargo no setor de Recursos
Humanos, pois tenho formação compatível para isso. Acho importante
ressaltar que acompanho e admiro muito a atuação da empresa de vocês –
e seria um orgulho e um desafio fazer parte do time.
Note que o uso de pontos finais ordenou a apresentação do candidato. De
forma organizada, cada frase é responsável por uma parte do conteúdo da
mensagem:
• A primeira traz nome, idade e local de nascimento;
• A segunda informa a formação do candidato;
• A terceira enuncia o cargo pretendido;
• A quarta ressalta conhecimento sobre a atuação da empresa.
Portanto são quatro elementos informativos que se ordenam em frases
menores, com bom uso dos pontos finais.
No final do texto, você deve ter percebido a presença de um sinal que não
constava inicialmente, um travessão (–). Trata-se de um recurso de ênfase, ou seja,
visa destacar o que vem a seguir, no caso que seria motivo de orgulho participar da
empresa.
Note que se trata de uma ênfase no plano visual. O travessão, em regra,
substitui vírgula ou parênteses com mais destaque na frase.
A inovação – é importante frisar – garantirá longa vida à organização.
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Outro recurso de ênfase é os dois-pontos (:). Sua função é preceder uma fala
direta, uma citação, uma enumeração, um esclarecimento ou uma síntese do que foi
dito antes.
Temos que seguir três etapas: preparar a terra, plantar e colher.
Agir rapidamente é importante: ao primeiro sintoma, procure um médico
especialista.
Os recursos de ênfase devem ser utilizados com moderação, pois seu uso
excessivo causa ruído de leitura e empobrece o texto do ponto de vista estilístico.
Falamos de parênteses, outro sinal de escrita. Eles, em regra, trazem
informações acessórias de esclarecimento. Exemplos:
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou duramente
o aumento dos juros.
O corredor deve percorrer 2 milhas (3,2 km).
Sinais como interrogação (?) e exclamação (!), por sua vez, são mais intuitivos
e subentendem entonações da fala, seja em perguntas ou aumento de tom de voz.
Por que você fez isso?
O locutor gritou: gooool!
O ponto e vírgula (;) é mais propriamente um recurso estilístico que pode ser
substituído pelo ponto. Ele é utilizado para separar frases independentes e em
enumerações que envolvam explicações separadas por vírgula.
Este ano foi de poucas chuvas e, portanto, de diminuição do volume de água
nos reservatórios; e surge mais uma vez o fantasma do apagão. (Note que o
ponto e vírgula pode ser substituído por ponto).
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Os homenageados foram: Antônio Luís, engenheiro; Bartolomeu, agrimensor;
José Carlos, supervisor; e Tomé, eletricista.
As reticências (...) marcam pausa de ênfase no enunciado, indicam omissão
de alguma coisa que não se quer revelar, emoção, insinuação.
Ele trabalhou tanto e... não obteve reconhecimento.
Victor te olha tanto e você sabe o motivo...
Parei porque... porque... tive medo.
Por fim, cabe um registro sobre as aspas (“”). Elas são usadas em citação
direta, significando que se reproduz exatamente como foi dito ou escrito.
“A situação é grave”, disse o médico à porta do hospital.
O PAPEL DA VÍRGULA
Os sinais de pontuação acima comentados são importantes, obviamente. Mas
a vírgula merece uma atenção especial, pois ela é elemento central de estruturação
das frases e seu uso suscita muitas dúvidas.
Vejamos o que diz o gramático Celso Luft (1921-1995) no livro A Vírgula:
A vírgula, ora, direis, a vírgula... Mas é justamente essa miúda coisa, esse
risquinho, que maior informação nos dá sobre as qualidades do ensino da
língua escrita. Sobre o ensino do cerne mesmo da língua: a frase, sua
estrutura, composição e decomposição.
(...)
As vírgulas erradas (...) retratam a confusão mental, a indisciplina do espírito,
o mau domínio das ideias e do fraseado.
(...)
Pontuar bem é ter visão clara da estrutura do pensamento e da frase. Pontuar
bem é governar as rédeas da frase. Pontuar bem é ter ordem, no pensar e na
expressão.
Os trechos acima ilustram de forma impactante a importância da vírgula na
organização da escrita.
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Há uma visão bastante difundida de que a vírgula representaria uma pausa. Em
dadas construções, ela cumpre essa função. Cabe notar que se trata de uma pausa
interpretativa, que altera o significado:
Não espere. (Significado de não esperar)
Não, espere. (Pede para esperar)
De fato, a posição da vírgula altera o sentido das frases, conforme mostram os
exemplos abaixo:
UM SENTIDO... OUTRO SENTIDO...
Aceito, obrigado. Aceito obrigado.
Não, quero saber. Não quero saber.
Isso só, ele resolve. Isso só ele resolve.
Esse, juiz, é ladrão. Esse juiz é ladrão.
De uma forma mais completa, o papel da vírgula é a organização textual, isto
é, de estruturar a escrita, não se resumindo ao aspecto “pausa”.
Para entender esse papel estruturante, cabe o exemplo didático. Conforme explica
Luft, uma frase na ordem direta não necessita em regra de vírgula. O que é uma frase
em ordem direta? É a que tem o seguinte formato:
(1) Sujeito + (2) Verbo + (3) Complementos + (4) Circunstâncias (tempo, lugar, modo
e outras)
Um exemplo desse tipo de frase é:
(1) O aluno (2) deu (3a) o livro (3b) ao rapaz (4) no fim da aula.
Entre os três primeiros elementos, não cabe o uso da vírgula (se houver, deverá
se um elemento intercalado entre vírgulas). O elemento 4 pode ser separado por
vírgula, sobretudo em frases longas, como abaixo.
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(1) O aluno (2) deu (3a) o livro (3b) ao rapaz (4), no fim da aula e com má vontade.
Alterações nesse esquema estrutural costumam implicar o uso de vírgula. E a
língua é rica. As frases não são escritas sempre na ordem direta – nem deveriam ser.
Para ajudar o emprego correto da vírgula, exemplificam-se aqui os principais casos
(isto é, aceitos pela norma culta).
1) REGRA FUNDAMENTAL – DESLOCAMENTO/INTERCALAÇÃO: Não cabem
vírgula entre o Sujeito e o Verbo e entre o Verbo e o Complemento. Se algo se
colocar entre esses elementos, deverá ser intercalado entre vírgulas, como no
exemplo abaixo:
O aluno, no fim da aula, deu, com má vontade, o livro ao rapaz.
Na frase acima, no fim da aula aparece entre o sujeito e o verbo, mas entre
vírgulas, o que é correto. Com má vontade aparece entre o verbo e os complementos,
mas também entre vírgulas, o que é correto.
A frases em que há apenas uma vírgula entre o sujeito e o verbo e entre o verbo
e o complemento estão erradas. Algumas frases causam confusão, como aquelas que
possuem um sujeito longo:
A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, informou que o dia e o
horário da audiência ainda não estão confirmados.
A vírgula acima está errada, pois separa sujeito do verbo. Note que o sujeito é
longo: A assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda.
Em casos em que parece ser sugerida uma pausa, erros são frequentes:
A derrota de hoje, será a vitória de amanhã. (entre sujeito e verbo)
Quem ama, educa. (entre sujeito e verbo)
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Quando a Circunstância (tempo, modo, lugar e outras) for deslocada para o
início da frase, ela deve ser separada por vírgula:
Nos dias de hoje, devemos tomar cuidado com as viroses.
No Rio de Janeiro, fez 42°C na última semana.
Demoradamente, Pedro fez a prova.
Quando a circunstância deslocada se resumir a uma palavra apenas, a vírgula
é opcional:
Amanhã, farei aniversário.
ou
Amanhã farei aniversário.
2) ELEMENTOS EXPLICATIVOS (apostos) devem aparecer isolados por
vírgulas, assim como as Circunstâncias vistas acima. Exemplos:
São Paulo, a maior cidade brasileira, há muito deixou de ser uma cidade industrial.
Melhor aluno da classe, Carlos vai estudar no exterior.
Márcia, a técnica responsável pelo sistema, está de folga hoje.
3) ISOLAR OS VOCATIVOS (elemento a que se chama atenção).
Paulo, venha cá por favor.
Venha cá, João!
Motorista, respeite os sinais de trânsito.
4) ANTES DE CONECTIVOS (mas, porém, contudo, todavia, logo, no entanto...).
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Gostaria de comer sobremesa, mas (porém, contudo, todavia, no entanto...)
estou de dieta.
Penso, logo existo.
5) LISTA de elementos, pessoas, cidades etc.
João, Pedro Paulo, Mariana e Maria vão ao cinema hoje.
6) SEPARA ORAÇÕES INDEPENDENTES
Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas.
O sol já ia fraco, e a tarde era amena.
Esses são os principais casos de uso de vírgula. Trata-se de tema importante,
recomenda-se praticar. Veja os vídeos abaixo para fixar o conteúdo.
VÍDEOS:
1) A VÍRGULA – VÍDEO 100 ANOS DA ABI
[Link]
(DURAÇÃO: 1 MINUTO)
2) USO DA VÍRGULA COM PROF. NOSLEN
[Link]
(DURAÇÃO: 25 MINUTOS)
É importante que você assista o vídeo acima para revisar a vírgula e praticar.
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A pontuação é um tema importante. Dominar esse tema certamente será um
diferencial para sua escrita e para sua carreira. É muito importante que você
assista aos vídeos acima para revisar e praticar.
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BIBLIOGRAFIA
Aqui você encontra obras de referência deste e-book, citadas ou não. São fontes de
pesquisa, parte delas acessíveis pela internet e pela Biblioteca A, que a FACSP
disponibiliza para você.
AIUB,Tânia. Português - práticas de leitura e escrita. Penso Editora, 2015. Digital
- Biblioteca A.
ARGENTI, Paul A. Comunicação empresarial: a construção da identidade, imagem e
reputação. Elsevier, 2014.
AZEVEDO, Roberta. Português básico. – Porto Alegre: Penso, 2015. Digital -
Biblioteca A.
BARBOSA, Cláudia Soares (org.). Sintaxe do português, Porto Alegre: SAGAH,
2016. Digital - Biblioteca A.
BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. Nova Fronteira,
2018.
CARDOSO, Onésimo de Oliveira. Comunicação empresarial versus comunicação
organizacional: novos desafios teóricos. Revista de Administração Pública, v. 40, n.
6, p. 1123-1144, 2006.
CHINEM, Rivaldo. Introdução à comunicação empresarial. Editora Saraiva, 2017.
DA COSTA BUENO, Wilson. A comunicação empresarial estratégica: definindo os
contornos de um conceito. Conexão Comunicação e Cultura, v. 4, n. 07, 2005.
DINIZ, Célia Regina; DA SILVA, Iolanda Barbosa. Como organizar e documentar a
leitura: esquemas, fichamentos, resumos e resenhas. Campina Grande; Natal:
UEPB/UFRN - EDUEP, 2008.
FARACO, Carlos Alberto; TEZZA, Cristóvão. Prática de texto para estudantes
universitários. Vozes, 2003.
FLATLEY, Marie et al. Comunicação empresarial – 2. ed. – Porto Alegre: AMGH,
2015. Digital - Biblioteca A.
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler. Cortez Editora, 1981.
FREITAS, Martinho Marcos de A.; MACIEL, Jose Fabio Rodrigues A.;
ALBUQUERQUE, Ricardo A. Português, bases gramaticais para a produção
textual. Saraiva, 2009.
GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. A Comunicação e linguagem. Pearson, 2012.
KLEIMAN, Angela. Oficina de leitura: teoria e prática. Pontes, 1993.
25
KOCHE, Vanilda Salton; MARINELLO, Adiane Fogali; BENETTI, Boff. Estudo e
produção de textos: gêneros textuais do relatar, narrar e descrever.
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