1.
Introdução
A biodiversidade representa a variedade de formas de vida existentes na Terra, incluindo a
diversidade genética, de espécies e de ecossistemas. Ela é fundamental para a estabilidade
ecológica e para o bem-estar humano, fornecendo serviços ecossistêmicos essenciais como o
fornecimento de alimentos, regulação do clima e purificação da água. Contudo, a ação
humana tem provocado uma perda acelerada da biodiversidade, comprometendo o equilíbrio
natural e ameaçando a sobrevivência de inúmeras espécies. Entre os fatores mais impactantes
estão a destruição de habitats, poluição, mudanças climáticas, espécies invasoras e a
superexploração de recursos naturais. Diante desse cenário, torna-se essencial compreender as
causas dessa perda e propor estratégias de conservação eficazes.
1.1.Objetivos
1.1.1. Objetivo geral
Analisar as principais ameaças à biodiversidade provocadas pelas ações humanas e os
mecanismos legais existentes para sua proteção.
1.1.2. Objetivos específicos
Identificar as principais ameaças à biodiversidade;
Descrever as principais ações humanas que contribuem para a perda da
biodiversidade;
Apresentar as leis e estratégias estabelecidas para a conservação da biodiversidade.
1.2.Metodologia
Este trabalho foi elaborado com base em uma pesquisa qualitativa e exploratória, por meio de
revisão bibliográfica. Foram consultadas obras científicas, relatórios internacionais, artigos
acadêmicos e legislações relevantes que tratam da biodiversidade, suas ameaças e estratégias
de conservação. A seleção das fontes priorizou publicações atualizadas e reconhecidas,
conforme as normas da APA 6ª edição. A análise permitiu identificar e organizar as principais
ações humanas que impactam negativamente os ecossistemas, bem como os mecanismos
legais e práticas sustentáveis voltadas à proteção da diversidade biológica no contexto global
e nacional.
2. Desenvolvimento
2.1.A importância da biodiversidade para o equilíbrio ecológico
A biodiversidade é essencial para o funcionamento dos ecossistemas, promovendo
estabilidade e resiliência frente a mudanças ambientais. Ecossistemas ricos em espécies
desempenham múltiplos papéis, como a polinização, dispersão de sementes, controle de
pragas e reciclagem de nutrientes (Wilson, 1992). A diversidade genética, por sua vez,
aumenta a capacidade de adaptação dos organismos, contribuindo para a sobrevivência em
ambientes em constante mudança.
Segundo Mittermeier et al. (2005), a biodiversidade também tem um valor econômico, pois
fornece matérias-primas, medicamentos e alimentos, além de possuir valor cultural e
espiritual para muitas comunidades. A perda da biodiversidade, portanto, ameaça não apenas
os ecossistemas, mas também o bem-estar humano. A interdependência entre as espécies
demonstra que a extinção de uma pode comprometer toda uma cadeia alimentar, alterando
drasticamente o equilíbrio natural (MEA, 2005).
2.2.Principais ameaças à biodiversidade
A perda de biodiversidade é causada por diversos fatores, quase todos associados à ação
antrópica. A Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos
(IPBES, 2019) identificou cinco principais causas diretas: mudanças no uso da terra e do mar,
exploração direta dos organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.
A alteração de habitats para agricultura, urbanização e infraestrutura é considerada a principal
ameaça. A destruição de florestas tropicais, por exemplo, elimina nichos ecológicos essenciais
para muitas espécies (Myers et al., 2000). A exploração excessiva da fauna e flora, como a
caça e a pesca predatórias, também reduz drasticamente populações de espécies.
As mudanças climáticas agravam a situação, afetando padrões de migração, reprodução e
disponibilidade de recursos. Além disso, a introdução de espécies exóticas pode resultar na
competição com espécies nativas, levando à sua extinção. A poluição, principalmente por
agrotóxicos e resíduos industriais, contamina solos, águas e ar, afetando diretamente os
organismos vivos (Primack, 2010).
2.3.Ação humana e seus impactos sobre a biodiversidade
As atividades humanas afetam a biodiversidade de forma direta e indireta. A expansão
agrícola intensiva, com o uso de monoculturas e agrotóxicos, é um dos maiores fatores de
perda de habitat e contaminação ambiental (Altieri, 1999). A urbanização desordenada leva à
fragmentação dos ecossistemas, dificultando a sobrevivência e a reprodução das espécies.
Além disso, a exploração desenfreada de recursos naturais – como a extração mineral, o
desmatamento e a pesca predatória – provoca a extinção de espécies e o empobrecimento
genético. As alterações climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis
fósseis e pelo desmatamento, têm efeitos devastadores sobre a fauna e flora, provocando
alterações no regime hídrico e aumento da temperatura média global (IPCC, 2014).
O transporte de espécies exóticas e a introdução deliberada de organismos não-nativos
alteram o equilíbrio ecológico, promovendo a extinção de espécies endêmicas. Tais ações
refletem uma relação insustentável entre o ser humano e o meio ambiente, exigindo mudanças
urgentes de paradigma (Sodhi & Ehrlich, 2010).
2.4.Estratégias e leis de conservação da biodiversidade
Diversas iniciativas nacionais e internacionais têm sido criadas para conter a perda da
biodiversidade. Entre os principais instrumentos legais internacionais, destacam-se a
Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), assinada durante a Rio-92, que estabelece
metas para conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade (CBD,
1992).
No Brasil, a Lei da Política Nacional de Biodiversidade (Decreto nº 4.339/2002) e a Lei da
Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006) são fundamentais para a preservação da diversidade
biológica. A criação de unidades de conservação, como parques nacionais e reservas
ecológicas, é uma das principais estratégias de proteção, regulamentada pelo Sistema
Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC – Lei nº 9.985/2000).
Além das leis, o engajamento de comunidades locais, o desenvolvimento de práticas agrícolas
sustentáveis e a educação ambiental são essenciais para a conservação da biodiversidade.
Estratégias como corredores ecológicos, reflorestamento e controle de espécies invasoras
também têm demonstrado resultados positivos (Chape et al., 2005).
2.5.Caminhos para uma convivência sustentável
A conservação da biodiversidade exige uma abordagem integrada que envolva governos,
comunidades, setor privado e sociedade civil. A promoção do desenvolvimento sustentável,
com práticas agrícolas e industriais menos impactantes, é um caminho necessário. A adoção
de políticas públicas baseadas em evidências científicas fortalece os instrumentos legais
existentes e contribui para a efetividade da conservação (Laurance et al., 2012).
A educação ambiental desempenha papel central, formando cidadãos conscientes sobre a
importância da biodiversidade e seu papel na sua preservação. Projetos de ciência cidadã,
onde a população participa da coleta de dados ambientais, fortalecem o vínculo com a
natureza e incentivam a proteção dos ecossistemas locais.
Investimentos em pesquisa científica, incentivos para tecnologias verdes e mecanismos de
pagamento por serviços ambientais também são estratégias promissoras. O respeito à
diversidade cultural e ao conhecimento tradicional das populações indígenas e comunidades
locais deve ser incorporado às políticas de conservação como um elemento essencial (Berkes,
2009).
3. Considerações Finais
A biodiversidade é um patrimônio natural indispensável à vida no planeta. No entanto,
encontra-se sob forte ameaça devido às atividades humanas que comprometem habitats,
alteram o clima, poluem os ecossistemas e exploram de forma predatória os recursos naturais.
A conscientização sobre essas ameaças é o primeiro passo para a transformação de práticas
insustentáveis. A legislação ambiental, aliada a estratégias de conservação eficazes e à
participação da sociedade, constitui o caminho mais promissor para garantir a preservação da
biodiversidade para as futuras gerações. Uma nova relação entre o ser humano e a natureza,
baseada no respeito, na sustentabilidade e no conhecimento, é urgente e necessária.
4. Referências bibliográficas
Altieri, M. A. (1999). Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável.
Porto Alegre: Editora da UFRGS.
Berkes, F. (2009). Sacred ecology (2nd ed.). New York: Routledge.
Chape, S., Harrison, J., Spalding, M., & Lysenko, I. (2005). Measuring the extent and
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Laurance, W. F., Sayer, J., & Cassman, K. G. (2012). Agricultural expansion and its
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Mittermeier, R. A., Robles Gil, P., Hoffmann, M., Pilgrim, J., Brooks, T., Mittermeier,
C. G., Lamoreux, J., & da Fonseca, G. A. B. (2005). Hotspots revisited: Earth’s biologically
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Myers, N., Mittermeier, R. A., Mittermeier, C. G., da Fonseca, G. A., & Kent, J.
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Primack, R. B. (2010). Essentials of conservation biology (5th ed.). Sunderland, MA:
Sinauer Associates.
Sodhi, N. S., & Ehrlich, P. R. (Eds.). (2010). Conservation biology for all. Oxford
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Wilson, E. O. (1992). The diversity of life. Cambridge, MA: Harvard University Press.