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12 Tratamento

O documento discute a definição e o tratamento da pré-hipertensão, que é considerada uma condição de risco cardiovascular elevado. Recomenda-se que modificações no estilo de vida sejam a primeira linha de tratamento, enquanto o uso de medicamentos é indicado para pacientes de alto risco. O estudo TROPHY sugere que o tratamento medicamentoso pode adiar o desenvolvimento de hipertensão, mas os benefícios ainda não são conclusivos.

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Elvis Vinicius
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O documento discute a definição e o tratamento da pré-hipertensão, que é considerada uma condição de risco cardiovascular elevado. Recomenda-se que modificações no estilo de vida sejam a primeira linha de tratamento, enquanto o uso de medicamentos é indicado para pacientes de alto risco. O estudo TROPHY sugere que o tratamento medicamentoso pode adiar o desenvolvimento de hipertensão, mas os benefícios ainda não são conclusivos.

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44 COMUNICAÇÃO BREVE Rev Bras Hipertens vol.16(1):44-45, 2009.

Editor: Eduardo Pimenta


Tratamento medicamentoso para a pré-hipertensão:
para todos?
Pharmacologic treatment for prehypertension: for all?

José Fernando Vilela Martin1, José Paulo Cipullo1


A linha demarcatória entre pressão arterial (PA) normal e hi- 84 mmHg. O estudo TROPHY (Trial of Preventing Hypertension)
pertensão arterial sistêmica (HAS) tem apresentado variações demonstrou taxa de progressão em quatro anos de 63% entre
ao longo dos anos e, atualmente, considera-se HAS a pressão os participantes na faixa de PA normal alta. A segunda razão é
arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg ou pressão arterial diastólica que a pré-hipertensão, per se, associa-se a maior risco cardio-
(PAD) ≥ 90 mmHg. Os valores próximos desse limite represen- vascular. No estudo de Framingham, observou-se risco elevado
tam difícil avaliação em relação ao prognóstico, e em décadas de eventos cardiovasculares (CV) nos portadores de PA normal
passadas receberam diferentes denominações: hipertensão alta (1,6 vez maior para homens e 2,5 vezes para mulheres),
transitória (1940), limítrofe ou borderline (1970), pressão arte- comparado ao risco na faixa de PA ótima (< 120 × 80 mmHg).
rial normal alta (1990) e, mais recentemente, pré-hipertensão O risco de eventos CV em pré-hipertensos não diabéticos foi
(2003). O VII Joint National Committee (VII JNC), tendo em 1,8 vez maior comparado aos normotensos. O diabetes mais a
vista a alta taxa de conversão para HAS em indivíduos com pré-hipertensão aumentaram o número de eventos CV em 3,7
elevação marginal da PA, introduziu o termo pré-hipertensão vezes. A pré-hipertensão também se associa à aterosclerose
para limites de PAS entre 120 e 139 mmHg ou PAD entre 80 e subclínica, com aumento da espessura íntima-média carotídea,
89 mmHg. Aproximadamente, 31% dos americanos adultos são níveis elevados de PCR, fator de necrose tumoral, homocisteína
pré-hipertensos. A prevalência ajustada por idade é maior em e LDL colesterol. A microalbuminúria pode ser futuro preditor
homens do que em mulheres (39% × 23%, respectivamente). do desenvolvimento de HAS, pois pré-hipertensos apresentam
A pré-hipertensão também tende a se associar a outros fatores maior risco de microalbuminúria. Parece haver associação entre
de risco para doença cardiovascular (DCV), como diabetes, pré-hipertensão e marcadores de resistência à insulina. Assim,
dislipidemia e obesidade. A proporção de pré-hipertensos com pré-hipertensão pode ser forte preditor de diabetes.
um ou mais fatores de risco é de 85%.
TRATAMENTO não medicamentoso
RAZÕES PARA O TRATAMENTO DA PRÉ- As modificações no estilo de vida representam o tratamento
HIPERTENSÃO primário recomendado para indivíduos pré-hipertensos de baixo
Há duas razões para se tratar os portadores de pré-hipertensão. risco, enquanto o tratamento medicamentoso é reservado para
A primeira é a probabilidade de progressão para hipertensão e aqueles de alto risco CV com insuficiência cardíaca congestiva,
a segunda é a associação de pré-hipertensão com aumento do doenças renais ou diabetes associados.
risco de DCV.
A taxa média de progressão para HAS é de 19% em quatro TRATAMENTO Medicamentoso
anos e depende do nível pressórico e da idade. Em indivíduos O risco individual do portador de pré-hipertensão deve ser es-
com PAS entre 130 e 139 mmHg e PAD entre 85 e 89 mmHg tratificado, levando-se em consideração a presença de fatores
(PA normal alta), a incidência de HAS em quatro anos é de de risco, lesões em órgãos-alvo, diabetes, doenças CV e renal.
43%; nos níveis de PAS entre 120 e 129 mmHg e PAD entre Os pré-hipertensos na faixa de PA normal alta apresentam maior
80 e 84 mmHg (PA normal) é de 20%. Em relação à idade, a risco CV por serem mais velhos, terem maior cintura abdominal,
HAS desenvolver-se-á em 39% dos 35 aos 64 anos, e em 53% maior índice de massa corpórea, hiperglicemia de jejum, hiper­
acima dos 65 anos, se a PA basal for 130 a 139 mmHg × 85 insulinemia, hipertrigliceridemia e menor nível HDL colesterol
a 89 mmHg; em 18% na faixa dos 35 aos 64 anos e em 29% do que indivíduos na faixa de PA normal e, por esses motivos,
acima dos 65 anos, se a PA basal for 120 a 129 mmHg × 80 a o tratamento medicamentoso pode ser imperativo.

Recebido: 3/3/2009 Aceito: 31/3/2009

1 Clínica de Hipertensão da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), São Paulo.
Correspondência para: José Fernando Vilela Martin. Av. Anísio Haddad, 7.700 – 15093-000 – São José do Rio Preto, SP. Telefax: (17) 3227-2409. E-mail: [email protected]
Rev Bras Hipertens vol.16(1):44-45, 2009. Tratamento medicamentoso para a pré-hipertensão: para todos? 45
Martin JFV, Cipullo JP

O único estudo de intervenção farmacológica realizado para a O tratamento medicamentoso é recomendado quando modi-
prevenção de HAS foi o TROPHY, no qual pré-hipertensos foram ficações no estilo de vida não são suficientes para reduzir a PA
divididos em dois grupos: um grupo recebeu placebo por quatro em níveis ≤ 130 × 80 mmHg em pacientes com doença renal
anos, enquanto o outro recebeu candesartan por dois anos e, crônica ou diabetes ou ≤ 120 × 75 mmHg nesses indivíduos
logo após, foi desviado para placebo e acompanhado por mais com macroalbuminúria. Porém, os benefícios do tratamento
dois anos. O objetivo primário foi determinar se dois anos de medicamentoso em pré-hipertensos com diabetes ou doença
tratamento com 16 mg de candesartan reduziria a incidência de renal crônica não estão bem estabelecidos, quando comparados
HAS até dois anos após descontinuação do anti-hipertensivo. às mudanças do estilo de vida. Todavia, como são de alto risco
O objetivo secundário foi avaliar a incidência de HAS ao final do cardiovascular, o tratamento medicamentoso pode ser indicação
acompanhamento. Foram randomizados pré-hipertensos com PA obrigatória associado às medidas não farmacológicas.
normal alta (PAS de 130 a 139 mmHg e PAD < 89 mmHg ou
PAS < 139 mmHg e PAD de 85 a 89 mmHg). Houve 26,8% de BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
diferença absoluta de novos casos de HAS entre os dois grupos 1. Lewington S, Clarke R, Qizilbash N, et al. Age-specific relevance of usual blood
e redução do risco relativo (RR) de 66,3% no grupo candesartan pressure to vascular mortality: a meta-analyses of individual data for one million
adults in 61 prospective studies. Lancet. 2002;360:1903-13.
ao final do segundo ano. Dois anos após a descontinuação do 2. Vasan RS, Larson MG, Leip EP, et al. Impact of high-normal blood pressure on
candesartan houve diferença absoluta de 9,8% entre os dois the risk of cardiovascular disease. N Eng J Med. 2001;345:1291-7.
3. Wang Y, Wang OJ. The prevalence of prehypertension and hypertension among
grupos. A média de redução do RR durante todo o trial foi de US adults according to the new Joint National Committee Guidelines: new chal-
42% no grupo ativo. Esses dados sugerem que o tratamento lenges of the old problem. Arch Intern Med. 2005;164:2126-34.
medicamentoso pode adiar o desenvolvimento da HAS. Todavia, 4. Qureshi AI, Suri FK, Kirmani JF, Divani AA, Mohammad Y. Is prehypertension a
risk factor for cardiovascular diseases? Stroke. 2005;36:1859-63.
a redução absoluta de HAS (9,8%) ao final foi modesta e não 5. Zhang Y, Lee ET, Devereux RB, et al. Prehypertension, diabetes, and cardiovas-
suficiente para recomendar tratamento medicamentoso. Não cular disease risk in a population-based: the Strong Heart Study. Hypertension.
2006;47:410-4.
se sabe se maior tempo de tratamento prolongaria o período 6. Kazumi T, Kawaguchi A, Sakai K, Hirano T, Yoshino G. Young men with high-
livre de HAS. Metade dos indivíduos no grupo ativo estava normal blood pressure have lower serum adiponectin, smaller LDL size, and
higher elevated heart rate than those with optimal blood pressure. Diabetes
livre de HAS mais de um ano após a interrupção do fármaco, Care. 2002;25:971-6.
enquanto quase metade do grupo placebo já tinha se tornado 7. Cordero A, Laclaustra M, León M, Grima A, Casasnovas JA, Luengo E, et al.
Prehypertension is associated with insulin resistance state and not with an initial
hipertensa após dois anos iniciais. No entanto, dois terços do
renal function impairment. A Metabolic Syndrome in Active Subjects in Spain
grupo placebo desenvolveram HAS após quatro anos, mesmo (MESYAS) Registry Substudy. Am J Hypertens. 2006;19:189-96.
com as mudanças do estilo de vida. Será que não é tempo 8. Elmer PJ, Obarzanek E, Vollmer W, et al. Effects of comprehensive lifestyle
modification on diet, weight, physical fitness, and blood pressure control: 18-
para ações mais efetivas no manuseio da pré-hipertensão? month results of a randomized trial. Ann Intern Med. 2006;144:485-95.
Um estudo de desfechos clínicos de longo prazo comparando 9. Julius S, Nesbitt SD, Egan BM, et al. Feasibility of treating prehypertension with
an angiotensin-receptor blocker. N Eng J Med. 2006;354:1685-97.
mudanças do estilo de vida com tratamento medicamentoso 10. Nesbitt SD. Treatment options for prehypertension. Curr Opin Nephrol Hypertens.
poderia responder a essa questão. 2007;16:250-5.

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