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Ensino de Inteligência Artificial: Abordando Aspectos Éticos Na Formação Docente

O artigo discute a importância do ensino de Inteligência Artificial (IA) na educação, enfatizando a necessidade de abordar questões éticas na formação docente. A UNESCO recomenda a integração da IA nos currículos escolares, destacando a importância de preparar os educadores para lidar com os desafios e oportunidades que a IA apresenta. O documento também apresenta uma proposta de formação continuada para docentes, focando em princípios éticos e práticas pedagógicas relacionadas à IA.
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Ensino de Inteligência Artificial: Abordando Aspectos Éticos Na Formação Docente

O artigo discute a importância do ensino de Inteligência Artificial (IA) na educação, enfatizando a necessidade de abordar questões éticas na formação docente. A UNESCO recomenda a integração da IA nos currículos escolares, destacando a importância de preparar os educadores para lidar com os desafios e oportunidades que a IA apresenta. O documento também apresenta uma proposta de formação continuada para docentes, focando em princípios éticos e práticas pedagógicas relacionadas à IA.
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CINTED-UFRGS Revista Novas Tecnologias na Educação


Inteligência Artificial na Educação
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ENSINO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: ABORDANDO


ASPECTOS ÉTICOS NA FORMAÇÃO DOCENTE

Carine G. Webber, Universidade de Caxias do Sul


cgwebber@[Link], 0000-0001-7778-6740
Diego Flores, Universidade de Caxias do Sul
dflores2@[Link], 0000-0001-8243-2269

Resumo. Internacionalmente, o ensino da IA tem emergido como uma prioridade


uma vez que tem-se a primeira geração de crianças usuárias de produtos de IA.
Sensível às questões éticas relacionadas ao uso da IA, a UNESCO recomenda a
implementação de ações em resposta às oportunidades e desafios apresentados
pela IA e relacionados à educação. Os valores e princípios que devem ser
observados compreendem o respeito aos direitos humanos, justiça e não
discriminação e a transparência e explicabilidade da IA. Nesta direção, currículos
e materiais didáticos têm sido criados e disponibilizados. Contudo, a integração
aos componentes curriculares depende da formação docente apropriada. Neste
sentido, este artigo descreve uma proposta de formação docente continuada em IA.
Palavras chaves: Ensino da IA, Formação docente, Ética na IA

ARTIFICIAL INTELLIGENCE IN EDUCATION: ADDRESSING


ETHICAL ISSUES IN TEACHER'S FORMATION

Abstract. Internationally, AI education has emerged as a priority as we have the


first generation of children using AI products. Sensitive to the ethical issues related
to the use of AI, UNESCO recommends the implementation of actions in response
to the opportunities and challenges presented by AI and related to education. The
values and principles that must be observed include respect for human rights,
justice and non-discrimination and the transparency and explainability of AI. In
this direction, curricula and teaching materials have been created and made
available. However, integration into the curricular components depends on
appropriate teacher training. In this sense, this article outlines a proposal for
continued teaching in AI.
Keywords: AI Teaching, Teacher formation,Ethics in AI

1. Introdução
O ensino da Inteligência Artificial (IA) é um dos temas atuais de grande relevância e
discussão na área da Educação (GOEL, 2017; UNESCO, 2019; CHIU e CHAI, 2020).
Sensível às metas educacionais globais, a Unesco recomenda que a IA seja área
prioritária para ser desenvolvida na Educação, conforme detalhamento presente no
Consenso de Beijing, que aborda as relações da IA com a educação. De acordo com este
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CINTED-UFRGS Revista Novas Tecnologias na Educação

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documento, a IA tem o potencial de lidar com os maiores desafios da Educação: inovar


no ensino e nas práticas pedagógicas, acelerando assim o progresso em direção às metas
de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.
Identifica-se três áreas envolvendo as conexões entre a IA e a Educação, assim
denominadas: aprendendo com a IA (uso de ferramentas de IA em sala de aula),
aprendendo sobre a IA (suas tecnologias e técnicas) e preparando para a IA
(desenvolvendo habilidades nas pessoas para que melhor compreendam o potencial e os
impactos da IA na sociedade). A UNESCO (2019) considera ainda que o ensino da IA
na escola deve compreender as duas últimas conexões. Partindo-se desta visão,
percebe-se que o ensino da IA tem assumido um sentido mais amplo na educação, à
medida que se tem considerado no mundo que todos os estudantes devem aprender o
básico sobre a IA e ética na IA ( SHIH, LIN, WU e YU, 2021).
Como usuários é notável o aumento na oferta de produtos e serviços baseados
em IA (Youtube, Waze, Alexa, Netflix, Spotify, Uber, Ifood, entre outros). Aplicativos e
serviços inteligentes possuem a capacidade de processar dados, raciocinar e deliberar
a partir deles, demonstrando potencial de aprendizagem, percepção, comunicação,
planejamento e tomada de decisão autônoma (LUGER, 2010). Especialmente as
crianças nascidas nos últimos dez anos, pertencentes a geração IA, usufruem destes
serviços desde que nasceram. Elas precisam aprender sobre a IA, sobreviver em um
mundo com a IA e estar aptos a desenvolver produtos inovadores usando a IA
(UNESCO, 2022).
Para além de um conteúdo tecnológico, a IA constitui um agente transformador
do mercado de trabalho e da forma como a sociedade evolui. Excluir os estudantes deste
processo representa não prepará-los para as mudanças que já estão ocorrendo nas
profissões, retirando as oportunidades que eles poderão ter no futuro.
Observando este movimento mundial, percebe-se a necessidade de iniciativas no
Brasil para o ensino da IA na Educação Básica, compreendendo a formação docente e a
produção de materiais didáticos em língua portuguesa. Partindo-se destas necessidades,
o objetivo deste trabalho compreendeu identificar princípios da ética na IA que guiaram
o planejamento de uma formação docente, na forma de um curso de extensão,
ministrado no ano de 2022 para docentes da Educação Básica. O presente artigo, que
constitui um recorte da dissertação de mestrado correspondente, aborda as principais
questões éticas tratadas, bem como descreve a formação docente proposta e como ela
transcorreu.

2. Princípios Éticos para o ensino da IA

Iniciativas nacionais como a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA)1, e


internacionais com as propostas pela UNESCO2 têm apresentado recomendações sobre
o uso da IA, defendendo a Ética, a transparência e a responsabilidade. Desde 2019, a

1
Disponível em
[Link]
ia-documento_referencia_4-979_2021.pdf

2
Disponível em [Link]

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UNESCO, em particular, tem discutido e disponibilizado guias e recomendações quanto


ao uso da IA no que tange os seus objetivos de desenvolvimento sustentável (UNESCO,
2019; UNESCO, 2022).
A figura 1 representa os princípios éticos que devem ser observados pela IA. Os
princípios propostos pela UNESCO e outros autores (JOBIN, IENCA, VAYENA, 2019;
HAGENDORFF, 2020) compreendem: planejar a IA nas políticas educacionais,
capacitar professores, promover o desenvolvimento de valores e habilidades para a vida
e para o trabalho na era da IA, garantir o uso ético, transparente e auditável dos dados e
algoritmos. Neste cenário, o desenvolvimento da IA deve ocorrer em uma direção
responsável. Isso significa que a IA deve priorizar a dignidade humana e os direitos
humanos, bem como a igualdade de gênero, seguir a justiça e o desenvolvimento social
e econômico, garantindo o bem-estar físico e mental, respeitando a diversidade,
favorecendo a inter-conectividade, a inclusão e defendendo a proteção ambiental e o
ecossistema.

Figura 1- Princípios éticos que devem ser observados pela IA

Fonte: UNESCO (2019) e adaptado de [Link]

Para que todos os direitos defendidos sejam garantidos, os sistemas de IA


precisam evoluir para se tornarem transparentes e explicáveis. A transparência está
associada ao fato de que a área da IA ainda é pouco conhecida e compreendida. Torná-la
de amplo conhecimento da sociedade é um dos passos para que a sua influência e
interferência nos contextos onde atua sejam avaliados e considerados (ou descartados)
pelos seres humanos. A explicabilidade da IA se deve ao fato de que seus algoritmos
são caixas pretas, que carecem de elementos que justifiquem suas decisões ou
recomendações. Somente com a transparência e a explicabilidade, a sociedade será
capaz de avaliar os produtos de IA e seus impactos, fazendo uso ou descartando-os.
A IA, como área de estudo, é muito ampla e rica em métodos e técnicas. Os
documentos da própria UNESCO orientam que o ensino da IA deve priorizar os
métodos de base e expandir-se para tratar aqueles mais utilizados (figura 2). Um
formação deve iniciar com a conceituação da IA, desenvolvendo em seguida os temas
relacionados à aprendizagem das máquinas, uso de dados, comunicação via linguagem

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falada (speech-to-text e text-to-speech) chegando aos chatbots, sistemas de


recomendação e decisão e a ética.
Para a concepção de uma formação docente, priorizou-se a conceituação geral da
IA e a área de aprendizado de máquina, por entender-se que ela mobiliza dilemas éticos
evidentes e possíveis de serem compreendidos e trabalhos em um curso de curta
duração.

Figura 2- Áreas básicas para o Ensino da IA

Fonte: Os autores

3. Materiais e Método: Formação Docente em IA


O projeto de pesquisa buscou desenvolver um produto educacional para docentes na
forma de um curso de extensão introdutório sobre os conceitos de pensamento
computacional (WING, 2006) e seus pilares, com ênfase em métodos da IA
(PERRENOUD, 2000; PAPERT, 1994). Nesse contexto, o curso foi estruturado com a
intenção de desenvolver durante o curso, aplicativos programáveis, por programação em
blocos na plataforma do App inventor, além disso, proporcionar situações de
aprendizagem que produzam experiências computacionais.
A formação docente “Ensinado IA na Escola” foi planejada na modalidade de
curso de extensão de curta duração (18h). O curso é de natureza interdisciplinar, pois
estão envolvidas duas ou mais disciplinas em cada tarefa. Desta forma cada docente
participante pode adaptar a tarefa para o seu componente curricular. O curso está
estruturado em seis encontros, conforme tabela 1. O detalhamento da formação,
incluindo materiais didáticos, códigos e projetos está disponível via Google Drive3.
O primeiro encontro foi planejado para promover a familiarização entre os
docentes em formação, o Pensamento Computacional e as aplicações de IA. Ao longo
de toda a formação buscou-se criar momentos didáticos e orientativos para assimilação
dos conceitos, mesclando com momentos de prática e mão na massa.

3
Disponível em
[Link]
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Tabela 1- Planejamento didático para a formação docente em IA.

Encontro Objetivo do encontro Atividades com os estudantes

1 Conceituar Pensamento Computacional Dinâmica de apresentação. Questionário


e IA no contexto da resolução de Inicial. Uso de material didático de apoio.
problemas. Investigar as concepções Jogos e vídeos. Coleta de impressões sobre
pré-existentes. Apresentar exemplos. a etapa inicial de aprendizado.

2 Conceitos básicos da IA e Aprendizado Plataformas para o ensino da IA. Introdução


de Máquina. Introdução ao MIT App ao MIT App Inventor. Construção passo a
Inventor. Conhecer a linguagem de passo de aplicativos simples. Integração
programação em blocos para criação de MIT App Inventor e extensões de IA.
aplicativos para dispositivos móveis. Coleta de impressões sobre o aprendizado.

3 Testar e desenvolver aplicativos usando Conhecer e utilizar extensões do MIT App


componentes de IA. Proporcionar uma Inventor para as tarefas de IA. Construção
experiência computacional aos de um aplicativo para um problema de
professores participantes integrando Aprendizado de Máquina.
soluções com a IA.

4 Examinar documentos da UNESCO Promover uma roda de conversa sobre IA e


acerca das questões da Ética e seu uso educacional Ético e Responsável a
Responsabilidade no uso da IA. partir de documentos da UNESCO.
Promover discussões sobre valores e Construir um aplicativo para detecção de
princípios da IA. vozes falsas (fakevoices).

5 Proporcionar a construção de uma Consolidar os materiais e extensões para


experiência computacional pelo desenvolvimento de produtos com IA.
professor (para seus estudantes), Orientar os professores participantes na
utilizando a plataforma MIT App elaboração do projeto de aplicativo.
Inventor, a linguagem de programação Auxiliar na elaboração do aplicativo em
visual e extensões de IA. construção pelos professores participantes.

6 Apresentação dos projetos criados pelos Apresentação dos aplicativos construídos


professores participantes. Estímulo às pelos professores participantes. Explicitação
reflexões sobre o pensamento crítico, da visão dos professores participantes sobre
ético e responsável no uso e o uso das técnicas de IA. Coleta de
desenvolvimento da IA. Apresentação impressões e sinais de aprendizado.
do repositório público do material
disponibilizado nos encontros.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)


Para as atividades práticas utilizou-se a plataforma MIT App Inventor4. Esta
plataforma consiste em uma ferramenta de programação visual, baseada em blocos, para
o ensino de programação por meio da construção de aplicativos para dispositivos
móveis (Android e IOS). Diversos trabalhos relatam o ensino de programação na
4
Disponível em [Link]

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Educação Básica por meio da plataforma App Inventor, especialmente a partir do


Ensino Fundamental II (DALLAGNESE et al, 2019; DALLAGNESE e WEBBER,
2019). Tais experiências têm evidenciado os seus benefícios no desenvolvimento de
competências relacionadas à Cultura Digital, tais como o Pensamento Computacional, o
uso de linguagens diversificadas e a resolução de problemas (BNCC, 2018).
A comunidade internacional de programadores para o App Inventor compreende
milhares de estudantes que desenvolvem aplicativos e extensões e os disponibilizam a
partir de um repositório compartilhado. Na área da IA, destaca-se alguns artefatos que
podem ser utilizados na forma de aplicativos, ou ainda combinados a outros produtos, a
fim de apoiar o uso de técnicas de IA. Tais artefatos se tratam de tarefas como:
classificação de imagens, classificação de áudios, processamento de imagens utilizando
filtros faciais, sistemas especialistas (simulando um terapeuta), sistema tutorial de
dança, além de alguns jogos (pedra, papel, tesoura). Do ponto de vista do ensino da IA,
a plataforma App Inventor oferece recursos e funcionalidades que possibilitam a criação
de aplicativos inteligentes. Contudo, não há em sua documentação referências ao estudo
de questões éticas.
O segundo e o terceiro encontros privilegiaram atividades mão na massa para
testes e construção de aplicativos utilizando extensões de IA. A linguagem de
programação visual utilizada foi o recurso para o ensino das instruções e da lógica de
programação. Os temas éticos devem ser abordados nos quatro primeiros encontros,
conforme detalhamento na tabela 2.
Tabela 2- Planejamento didático para a formação docente em IA.

Encontro Temática principal Princípios éticos

1 Conceitos básicos da IA Valores humanos e bem estar social


Resolução de problemas com IA Justica (evitar viéses injustos)
Transparência e explicabilidade
Rastreabilidade (sistemas auditáveis)

2 Conceitos básicos da IA Justica (evitar viéses injustos)


Aprendizado de Máquina Centrada no ser humano
Importância dos dados Privacidade e segurança

3 Aprendizado de máquina Justica (evitar viéses injustos)


Importância dos dados Centrada no ser humano

4 Aprendizado de máquina Valores humanos e bem estar social.


Responsabilidade no uso da IA Justica (evitar viéses injustos)
Valores e princípios da IA Transparência e explicabilidade
Criação de aplicativo para detecção de Rastreabilidade (sistemas auditáveis)
vozes falsas Justiça (evitar vieses injustos)
Privacidade e segurança. Governável
Confiável e seguro

Fonte: Os autores.

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A partir das experiências computacionais realizadas a cada encontro, os


princípios éticos emergem e são, então, conceituados. O quarto encontro culmina em
um aprofundamento da temática da ética na IA.
O quinto encontro marca o início de tarefas em que o docente em formação é o
protagonista de um projeto que visa o planejamento de uma experiência computacional
interdisciplinar, tendo como alvo os estudantes de uma turma em que o docente atue. O
planejamento é guiado por materiais e apoiado pelos recursos da plataforma MIT App
Inventor, sua linguagem de programação visual e as extensões de IA.
O quinto e sexto encontros devem ser realizados em um intervalo de tempo,
para que os docentes em formação possam produzir os materiais e o projeto. Durante
este período, o atendimento online deve ser oferecido. As atividades podem ser
adaptadas a cada contexto escolar e maturidade tecnológica.
4. Resultados Obtidos
A fim de avaliar o potencial formador da proposta para o Ensino da IA, descrita neste
artigo, realizou-se uma oferta de curso de extensão em uma Universidade. O curso de
extensão foi oferecido gratuitamente para licenciandos e docentes da Educação Básica.
Os encontros foram realizados em horário noturno. Para melhor acompanhamento
ofereceu-se apenas quatro vagas, ocupadas por docentes com formação em nível
superior nas áreas da Matemática, História e Pedagogia.
Os encontros foram ministrados na modalidade híbrida. Os encontros
presenciais (1, 2 e 6) foram realizados em laboratório de informática. Os encontros
remotos (3, 4 e 5) foram realizados via plataforma Google Meet.
O primeiro encontro proporcionou o contato inicial com dinâmicas e atividades
envolvendo conceitos do Pensamento Computacional, da IA, bem como a sondagem das
concepções prévias dos docentes em formação. Foram dados os primeiros passos no
ensino da programação visual em blocos, por meio de um jogo educativo. As sequências
de atividades de experiências em IA na plataforma de programação na plataforma MIT
App Inventor foram realizadas a partir do segundo encontro.
No terceiro encontro, os docentes em formação foram apresentados às extensões
da IA, disponibilizadas na plataforma MIT App Inventor. Todas as extensões foram
testadas para as tarefas de classificação de imagens, classificação de áudios (ética dos
Deep Fakes), processamento de imagens com os filtros faciais, sistemas especialistas
em terapias, sistema tutorial de dança e o jogo pedra, papel, tesoura5.
Logo após os testes com as aplicações utilizando as extensões de IA, os docentes
em formação foram desafiados a construir um aplicativo simples para reconhecer e
classificar objetos usando visão computacional. Para realizar esta tarefa, os docentes
foram orientados e acompanhados em suas dúvidas. Todos os docentes participantes
tiveram sucesso nesta tarefa, produzindo ao final dela um aplicativo que pode ser
executado em seus dispositivos celulares.

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Disponível em [Link]

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No quarto encontro, a temática ética foi reforçada com apoio de materiais


didáticos e documentos da UNESCO. A partir das experiências realizadas previamente,
os docentes perceberam e foram capazes de nomear benefícios, oportunidades, mas
também riscos e desafios que a IA carrega. A sensibilização dos docentes em formação
constituiu um passo importante sobre o impacto que aplicativos simples, do dia-a-dia,
podem produzir nas escolhas e tomadas de decisões humanas.
Em seguida, foi proposto o maior desafio da formação: planejar uma experiência
computacional interdisciplinar envolvendo o desenvolvimento de um aplicativo com IA.
Cada docente foi convidado a planejar no contexto do componente curricular em que
atua. Eles iniciaram criando um esboço do projeto do aplicativo, definindo temas,
conteúdos curriculares e área de aplicação. Todos os planejamentos fizeram uso da
plataforma MIT App Inventor e de pelo menos uma extensão de IA. Todos os docentes
trabalharam durante o período disponibilizado para o avanço de seus projetos,
compartilhando suas dúvidas e experiências por meio de grupo em software de
comunicação (whatsapp).
Por fim, no sexto encontro os participantes apresentaram seus projetos e
compartilharam seus produtos e aplicativos. Destaca-se aqui dois projetos
desenvolvidos durante a formação nas áreas de Ensino da Matemática e da Língua
Portuguesa. Na área de ensino de Matemática, o docente propôs um aplicativo com
funcionalidades de uma calculadora simples (figura 3). Para usá-la não é necessário
digitar os números, mas apenas falar em voz alta e clara qual a expressão aritmética a
ser avaliada. O resultado é apresentado na tela, na forma numérica. Outra
funcionalidade implementada pelo professor permite que o estudante digite um número
e o numeral seja lido pelo aplicativo. Operações matemáticas simples e leitura de
números são habilidades do componente de Matemática no Ensino Fundamental I.
Figura 3- Telas da calculadora que opera por comando de voz

Fonte: Os autores.

O segundo aplicativo em destaque foi proposto pela docente para uma


necessidade em Língua Portuguesa. A ausência de recursos computacionais na
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biblioteca da sua escola inviabilizam a pesquisa às obras disponíveis. Embora os


estudantes possam circular pela biblioteca, o acesso digital ao seu acervo seria de
grande utilidade, tanto para divulgação quanto controle das obras. Por isso, a docente
em formação desejou desenvolver um aplicativo que possibilitasse o cadastro das obras
e acesso por palavras-chave, assunto, entre outras formas, via comandos de voz.
A figura 4 ilustra duas telas desenvolvidas para o aplicativo de cadastro de obras
e consulta ao acervo de uma biblioteca. Não foi possível concluir o aplicativo devido à
limitações de tempo da formação. Contudo, foi possível demonstrar o potencial e a
viabilidade tecnológica de se produzir artefatos tanto para o aprendizado quanto para a
própria gestão escolar.
Figura 4 - Telas do aplicativo para gestão da biblioteca escolar

Fonte: Os autores.

Os dois projetos de aplicativos, aqui apresentados, utilizam recursos de


comunicação via voz (speech-to-text e text-to-speech). Pode-se observar nas figuras 3 e
4, logo abaixo das primeiras telas, os componentes invisíveis do MIT App Inventor que
implementam estas funcionalidades. No aplicativo calculadora, o professor utilizou o
reconhecimento de voz, para identificar quem está falando.
Ao término da formação, cada docente produziu uma autoavaliação sobre seu
percurso e sobre os aprendizados alcançados. Todos reconheceram que os desafios são
importantes e manifestaram a importância do percurso e aprendizados conquistados.
5. Considerações finais
Todos podemos atestar a importância da IA para as inovações humanas, reconhecendo
que os avanços que ela trará serão necessários e inevitáveis. Contudo, conforme
apontado nos documentos da UNESCO, ela traz riscos e oportunidades que precisam ser
conhecidos, monitorados por órgãos competentes. Enquanto os marcos legais da IA são
discutidos, a área da Educação precisa refletir sobre o impacto da IA em seus processos,
na formação humanística e científica dos estudantes. Há claramente o risco de atraso
social em países em que não houverem investimentos em Educação para a IA. Tal
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impacto pode provocar inclusive atrasos tecnológicos que repercutirão no alcance dos
objetivos globais de sustentabilidade da UNESCO. Outro ponto a ser considerado são as
dificuldades de inserção dos jovens no mercado de trabalho que tende a mudar
significativamente nos próximos anos.
O conhecimento sobre a IA precisa ser desenvolvido, especialmente em países
como o Brasil em que a geração IA é considerada uma das mais expostas do mundo6.
Fazer uso dos materiais didáticos disponíveis é um caminho para o desenvolvimento da
IA na escola. O estudo descrito neste artigo demonstrou que os recursos de IA que a
plataforma MIT App

6. Referências
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular - Versão Final. [Link].2018. Disponível
em:[Link] Acesso
em 6 out. 2019.
CHIU, T.K.; CHAI, C.-S. Sustainable Curriculum Planning for Artificial Intelligence Education: A
Self-Determination Theory Perspective. Sustainability 2020, 12, 5568.
DALL AGNESE DA COSTA, ROBERTA ; WEBBER, CARINE G. . Constructos orientativos para o
desenvolvimento de tecnologias por professores. Revista Educacional Interdisciplinar, v. 8, p. 1-17, 2019.
DALL AGNESE DA COSTA, R. [Link]. Desenvolvimento e avaliação de aplicativos para dispositivos
móveis por professores da Educação Básica. SCIENTIA CUM INDUSTRIA, v. 7, p. 27-32, 2019.
GOEL, A. Editorial: AI Education for the World. AI Mag. 2017, 38, 3.
HAGENDORFF, T. The Ethics of AI Ethics: An Evaluation of Guidelines. Minds Mach. 2020, 30,
99–120.
JOBIN, A.; IENCA, M.; VAYENA, E. The global landscape of AI ethics guidelines. Nat. Mach. Intell.
2019, 1, 389–399.
LUGER, G.F. Inteligência artificial; tradução Daniel Vieira. São Paulo: Pearson Education do Brasil,
2013.
PAPERT, Seymour. A Máquina das Crianças: Repensando a Escola na Era da Informática. Trad. Sandra
Costa. Porto Alegre: Artmed, 1994.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2000.
UNESCO. CONSENSO DE BEIJING. Conferência Int. sobre Inteligência Artificial e Educação,
Planejamento da Educação na Era da IA: Lead the Leap, Pequim, 2019.
UNESCO. Recommendation on the Ethics of Artificial Intelligence. Publicado em 2022 pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
SHIH, P.-K.; LIN, C.-H.; WU, L.Y.; YU, C.-C. Learning Ethics in AI, Teaching Non-Engineering
Undergraduates through Situated Learning. Sustainability 2021, 13, 3718.
WING, J. M. (2006). Computational thinking. Communications of the ACM, 49(3), 33-35.

6
Pesquisa disponível em :
[Link]
s-no-mundo/

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DOI: [Link]

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