AO JUÍZO DO TRABALHO DA 8ª VARA DO TRABALHO DE ARACAJU/SE
REFERENTE AO PROCESSO N.
CONTESTAÇÃO
NEGATIVA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO – AUTONOMO
XAVIER TRANSPORTES LTDA – ME, devidamente
qualificada nos autos em epígrafe, por seu procurador in fine assinado, vem mui
respeitosamente a presença de V.Exa., apresentar CONTESTAÇÃO em face da
reclamação trabalhista movida por CLEVERTON SILVA SANTOS, pelos seguintes
motivos de fato e de direito:
SINTESE PROCESSUAL
O reclamante pretende o reconhecimento do vinculo
empregatício pelo período de 01/07/2022 a 30/06/2023, com a importância mensal de
R$ 2.000,00 (dois mil reais).
Alega que realizava diversas horas extras, incluindo sábados
domingos e feriados.
Afirma que prestou serviços na cidade de Nossa Senhora do
Socorro/SE.
Alega que fora demitido sem justa causa, sem ter a sua CTPS
anotada, sem o devido pagamento de FGTS, Férias, 13º Salário, Aviso Prévio,
pretendendo a condenação da Reclamada ao pagamento das verbas recisórias,
acrescidos da multa do art. 477 e 467 da CLT.
Requereu indenização por danos morais em virtude de
supostamente ter feito negócio com pessoa não autorizada pela empresa, sem qualquer
relação de trabalho ou vínculo com a reclamada. Total falta de nexo de causalidade.
Nesses breves termos foi o alegado pelo reclamante.
DA REALIDADE DOS FATOS
Diferente do alegado pelo reclamante, o início de seu trabalho
aconteceu em 01/07/2022, conforme se faz prova o pagamento da sua prestação de
serviços. Id 229d3c2, pág 1.
Acontece que o reclamante foi contratado como prestador de
serviços autônomos, pois o galpão como afirmado pelo reclamante era apenas para
carga e descarga de mercadorias eventuais, como ponto de apoio dos motoristas
encarregados.
Muitas das vezes, passava-se dias sem qualquer tipo de serviço
para ser efetuado pelo reclamante.
Como o mesmo salientou, foi contratado como empilhador,
utilizando o maquinário adequado. Porém, não havia a necessidade do obreiro de
segunda a sexta, sábados e domingos.
O trabalho era eventual, foi acordado o valor de R$ 2.000,00
(dois mil reais), pois o mesmo era o único disponível na região que sabia operar a
maquina, para fazer carga e descarga de caminhões.
Além disso, o obreiro prestava serviços para outras
transportadoras, inclusive deixando as vezes de efetuar o serviço por falta de
compatibilidade.
Nesse local de prestação de serviços inexiste qualquer tipo de
controle de jornada, tão pouco subordinação, pois os mesmo chegavam a hora que
queriam e iam embora quando quissessem. A reclamada só solicitava sua presença
quando havia serviços a serem realizados.
Portanto, não há que se falar em vinculo empregatício, o mesmo
era prestador de serviços autônomo, sendo indevido qualquer tipo de verbas rescisórias.
DO DANO MORAL – INDEVIDO
O reclamente traz aos autos, causa totalmente diversa da relação
de trabalho, veja-se que a negociação partiu de terceiros, sem qualquer autorização da
reclamada.
Pelas provas colacionadas aos autos e áudios, o próprio
reclamante acertou com pessoa diversa, sem qualquer ligação com a reclamada.
Onde de está a conivência da Reclamada no objeto da presente
negociação?
A presente causa, é totalmente incompetente na seara
trabalhista, devendo o reclamante ajuizar a demanda pra reaver seu bem, na Justiça
Comum, onde é a devida competência para conhecer e julgar o presente pedido.
DO MÉRITO
DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DO
NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS ARROLADOS NO ART. 3º DA
CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO.
A análise perfunctória do disposto na petição inicial permite
verificar que o Reclamante postula direitos aos quais não faz jus, haja vista
INEXISTIR qualquer liame empregatício entre o profissional e a Empresa Reclamada.
Consoante abalizado pela doutrina e legislação pátria, a
configuração do vínculo de emprego pressupõe o preenchimento de determinados
requisitos de maneira cumulativa, o que faz concluir que o perecimento de qualquer um
deles compromete a pretensão de reconhecimento.
Para que seja reconhecida a relação empregatícia, necessário que
estejam presentes, na relação jurídica em análise, os seguintes requisitos: subordinação,
pessoalidade, onerosidade e não eventualidade.
No caso em tela, não demanda muito esforço intelectual para
verificar que o Reclamante não preenche as condições estabelecidas por lei, razão pela
qual seus pedidos devem ser julgados improcedentes.
O Reclamante não sofria, por parte da Empresa Reclamada,
qualquer forma de subordinação ou controle. Poderia aparecer para trabalhar no
dia que quisesse e, acaso faltasse, não lhe era aplicada qualquer sanção ou punição.
Em assim sendo, verifica-se que o Reclamante não estava
submisso a qualquer ordem exarada pela Empresa Reclamada ou seus prepostos. O que
havia, na verdade, era uma “oferta” de trabalho: efetuar carga e descarga de caminhões.
Caso não quisesse, poderia rejeitar de forma livre, sem sofrer qualquer sanção por isso.
De mais a mais, diferente do que alega em sua exordial, o
Reclamante NUNCA laborou na jornada de trabalho afirmada, haja vista que, assim
como os demais motoqueiros que prestam serviços para a Empresa Reclamada, trabalha
de forma autônoma, trabalhando apenas nos dias que lhe interessar e realizando a rota
que melhor lhe aprouver.
Desse modo, não há como se estabelecer uma constância na
prestação dos serviços pelo Reclamante, especialmente pelo fato de que não existia
nenhuma expectativa em torno de seu serviço. Se viesse trabalhar, teria entregas para
efetuar, assim como os demais; se não viesse, os prepostos direcionariam as entregas
para os motoqueiros que tivessem disponibilidade, sem designar qualquer sanção ou
punição ao Reclamante pela sua ausência.
Conforme o art. 442-B da CLT, legaliza a contratação de
profissionais autônomos, afastando a qualidade do art. 3º da CLT. Vejamos:
art. 442-B. A contratação do autônomo,
cumpridas por este todas as formalidades
legais, com ou sem exclusividade, de forma
contínua ou não, afasta a qualidade de
empregado prevista no Art. 3º desta
Consolidação.
Portanto Excelência, resta improcedente todos os pedidos
elencados na exordial, notadamente o não reconhecimento do vínculo empregatício.
Assim, resta prejudicado os demais pedidos de verbas
rescisórias, Aviso, Férias, 13 Salário, Horas Extras, Multa do art 477 e 467 da CLT.
NÃO CABIMENTO DA INDENIZAÇÃO SUBSTITIVA
É indevido o pleito de indenização substituitiva do seguro
desemprego, uma vez que, tal benefício é concedido pelo governo, não podendo a
reclamada ser imputada tal pleito em virtude de eventuais reconhecimentos de vinculo,
devendo o reclamante, solicitar ao juízo ofício para habilitação caso preencha os
requisitos.
Portanto, improcedente tal pleito de condenação da Reclamada.
CONCLUSÃO
Por todo exposto, requer a V.Exa., o recebimento e
processamento da presente peça defensiva, para ao final da INSTRUÇÃO
PROCESSUAL, julgar IMPROCEDENTE o pedido de reconhecimento de vínculo
empregatício, consequentemente, improcedente os pedidos de condenação das verbas
rescisórias, Aviso, Férias, 13 Salario, Horas Extras, multa do art. 477 e 467, FGTS e
multa de 40%.
Por ser medida de inteira justiça.
]
Termos em que,
Pede-se e espera deferimento.
Aracaju/SE, data da assinatura eletrônica.
Dr. João Bosco Scarcela
OAB/CE 38346