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Aula 1 Fatef Filosofia 1

O documento aborda a filosofia, sua definição e suas relações com a ciência, destacando a busca pela verdade e o papel do filósofo como pesquisador. Discute conceitos de filósofos como Aristóteles, Kant, Comte e Marx, além de apresentar as disciplinas filosóficas e suas estruturas. A relação entre filosofia e ciência é explorada, enfatizando a importância da lógica e da verificação na construção do conhecimento.
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Aula 1 Fatef Filosofia 1

O documento aborda a filosofia, sua definição e suas relações com a ciência, destacando a busca pela verdade e o papel do filósofo como pesquisador. Discute conceitos de filósofos como Aristóteles, Kant, Comte e Marx, além de apresentar as disciplinas filosóficas e suas estruturas. A relação entre filosofia e ciência é explorada, enfatizando a importância da lógica e da verificação na construção do conhecimento.
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Filosofia I

Aula 1 – O que é filosofia?

Prolegômenos

Vida espiritual e intelectualidade.

“Para um apóstolo moderno, uma hora de estudos equivale a uma hora de

oração.” Josemaría Escrivá

“A fé aperfeiçoa a razão.” Santo Agostinho

“A fé busca entendimento.” S. Anselmo de Cantuária.

Conceitos de filosofia

Pelas raízes etimológicas do termo, a palavra significa amizade, ou amor pela

sabedoria. Philosophia: Philo vem de Philia( amor ou amizade) e Sophia (sabedoria).

Aristóteles:

“Filosofia é essencialmente teorética com a missão de decifrar o enigma do

universo, tendo sua atitude inicial o assombro do mistério.”

A Filosofia reflete no mais alto grau essa paixão da verdade, o amor pela verdade
que se quer conhecida sempre com maior perfeição, tendo-se em mira os
pressupostos últimos daquilo que se sabe.
O filósofo autêntico, e não o mero expositor de sistemas, é como o verdadeiro
cientista, um pesquisador incansável, que procura sempre renovar as perguntas
formuladas, no sentido de atingir respostas que sejam “condições” das demais. A
Filosofia começa com um estado de inquietação e de perplexidade, para culminar
numa atitude crítica diante do real e da vida.

Kant: “ A filosofia é uma doutrina da habilidade e o filósofo é um técnico da

razão, que constrói regras para um fim qualquer.”


Kant faz distinção entre filosofia e filosofia da história, o que vai contra a

principal corrente da filosofia hoje, a da linguagem. Para Kant, o valor da filosofia

não está na história da disciplina, mas no uso que essa faz da razão que a ciência

provoca.

August Comte (Positivismo):

“Filosofia é algo de inseparável do saber empírico e positivo, uma forma


ou momento das próprias ciências, quando não as ciências em sua visão
unitária.”

Na determinação da natureza do saber filosófico, é preferível começar pela resposta


mais simples e acessível.
Vamos iniciar o estudo dessa matéria, apreciando, embora rapidamente, a posição
do positivismo.
É possível que o leitor já saiba, pelo menos de maneira geral, o que se entende por
positivismo. De qualquer forma, não será demais acrescentar algo sobre essa
grande corrente de pensamento que exerceu e ainda exerce inegável influência no
Brasil, especialmente através das obras do mais conhecido filósofo francês do
século passado, Augusto Comte, cuja “lei dos três estados” é invocada como sendo
a pedra angular de seu sistema, que atribui, com efeito, à humanidade três estádios
históricos sucessivos fundamentais, o teológico, o metafísico e o positivo.
Augusto Comte (1798-1857), o pensador europeu que no século XIX mais influiu na
história cultural e política brasileira, era um homem de formação matemática,
animado do propósito de dar à Filosofia uma certeza igual àquela que as ciências
exatas possuem ou pretendem possuir. Para Comte, a Filosofia só é digna desse
nome enquanto não se diversifica da própria Ciência, marcando uma visão orgânica
da natureza e da sociedade, fundada nos resultados de um saber constituído
objetivamente à luz dos fatos ou das suas relações. Tal posição e tendência de
Augusto Comte, baseando o saber filosófico sobre o alicerce das ciências exatas,
estavam destinadas a obter repercussão muito grande em sua época, notadamente
por sua declarada aversão à Metafísica e a quaisquer formas de conhecimento a
priori, isto é, estabelecido independentemente da experiência, ou anteriormente à
verificação dos fatos.
O positivismo veio a contrapor a filosofia da Idade Média, onde a filosofia era uma
serva da teologia. No positivismo, ela perde seu caráter autônomo, criador e fica
sendo a própria ciência.

A Filosofia viria depois, como Enciclopédia das ciências ou sistematização das


concepções científicas. Terminada a tarefa de cada cientista no seu campo
particular, ao filósofo caberia realizar a síntese ou o compêndio dos resultados.
Surgiu mesmo a afirmação de que a Filosofia não devia ser vista senão como uma
“Enciclopédia” (en, kuklos, paideia), o que quer dizer conhecimento cíclico, total, das
coisas. Assim sendo, se cada cientista trabalha no seu setor, ignorando muitas
vezes a tarefa e o êxito dos outros, é necessário, depois, que todos os resultados se
componham e se integrem em uma unidade de caráter provisório, sempre sujeita às
revisões resultantes do progresso científico.
Marx:
Filosofia é uma combinação entre teoria e práxis em uma perspectiva histórico-
materialista dialética que não apenas pense o mundo, mas transforme-o.

Marx faz o processo inverso da dialética em Hegel, pois considera-o um idealista. Logo,
Marx inverte seu processo dialético colocando o materialismo como base da sua
dialética, enquanto Hegel concebe o mundo das ideias sua base dialética, por isso Marx
rompe e critica à dialética hegeliana, mas sempre a usa como ponto de partida.

Assim, Marx diz que não é o homem que cria o seu meio, mas é o meio que cria o
homem, negando assim o transcendente e postulando o homem como mero animal,
sem um propósito nem antes, nem depois dele.

Hegel usava sua dialética na economia, Marx coloca a sua no trabalho, sendo uma
contradição da luta de classes.

Filosofia cristã:

Uma filosofia cristã se define quando mantendo-se distinta da teologia, não abre
mão da revelação cristã para escolher o que lhe interessa considerar. Deve guardar
sua integridade racional e preservar o auxílio da revelação cristã que é
indispensável.

Estrutura e disciplinas da filosofia

Há dois critérios de estruturação e organização da filosofia, o critério temático e o


critério cronológico.

Critério temático:

Metafísica, estética, epistemologia, lógica, política, ética e etc.

Metafísica

Esse termo parece misterioso para os novatos em filosofia, mas o termo é


empregado para designar teorias imaginativas ou místicas. Ele recebeu esse nome
por um fato simples. O nome provém do grego que significa “depois da física”.
O termo é usado pelos filósofos para o estudo do ser ou da realidade.
A metafísica faz perguntas que não estão ligadas a realidade física, da natureza, do
tipo: Qual a natureza do espaço e do tempo? O home tem mesmo livre arbítrio?

Estética

Faz parte do campo da teoria dos valores ou axiologia. Analisa as ideias sobre arte,
beleza, gosto. O que produz uma boa pintura? Uma boa música?
Epistemologia

Essa disciplina investiga a origem e a natureza do conhecimento. É uma das mais


importantes áreas da filosofia. Como podemos conhecer algo? É possível conhecer
tudo? O conhecimento tem limite?

Lógica

A área mais fundamental da filosofia é a lógica, visto que a mesma sistematiza as


leis do pensamento e do argumento.
A lógica se constitui de inferências dedutivas, com uma premissa maior, uma menor
e uma conclusão:

Premissa Maior: Sócrates é homem.


Premissa menor: Todos os homens são racionais.
Conclusão: Sócrates é racional.

A lógica está dividida entre clássica (Aristóteles) e moderna. A lógica modrena tem
Gottlob Frege (1848-1925) como seu principal inspirador. Hoje está ligada ao
desenvolvimento da inteligência artificial.

Política:

Está ligada a ética, porém em contexto de grupo, social. Traz questões do tipo:
Quem deve governar a cidade? O que é democracia? Qual deve ser o papel do
governo em uma comunidade?

Ética:

Essa seja talvez a área mais conhecida da filosofia. Todos os dias somos
confrontados com questões éticas: Será que fiz a coisa certa? O aborto é correto?
A ética teoria os modos de ação humana e também recomenda valores a serem
seguidos.

Critério cronológico:

Filosofia Antiga (Períodos pré-Socrático e Clássico com Sócrates, Platão e


Aristóteles)

Medieval (Patrísticas grega e latina, Escolástica, Santo Agostinho e São Tomás de


Aquino)

Moderna (René Descartes, Francis Bacon, Ciência, Iluminismo)

Contemporânea (Filosofia da linguagem, ordem do discurso, pós-modernidade).


Aula 2 – A Relação da Filosofia com as ciências

1-Filosofia e conhecimento

A questão da gênese diz respeito a onde buscar o conhecimento. Muito se tem


discutido sobre a existência de fontes ideais de conhecimento.
Deveria a experiência ser privilegiada, ou a razão? Como uma concepção de
método científico se escora numa filosofia da ciência e esta numa teoria do
conhecimento, essa pergunta tem dado origem a intermináveis polêmicas que se
espraiam da teoria do conhecimento para a filosofia da ciência.
De Platão a Bertrand Russell tem prevalecido a definição de conhecimento como
crença verdadeira justificada. No extremo oposto, alguns autores chegaram a
conceber conhecimento como crença social legitimada.

O século XX assistiu a um amplo questionamento do velho ideal da episteme


traduzido como a busca do conhecimento certo e definitivo.
O justificacionismo, enquanto crença na conquista do conhecimento provado, foi
deixando de ser respaldado pelos avanços da ciência.
Com isso, foi ganhando força o [falibilismo] com sua tese de que as teorias, por
serem falíveis e sujeitas a desmentidos futuros, merecem endosso apenas
provisório.
O questionamento permanente, posto em prática pelo cientista, evita que ele
mergulhe em crises de desconfiança absoluta em relação aos procedimentos
metodológicos que emprega e aos resultados que alcança.
Como tudo é o tempo todo submetido a escrutínio crítico, o cientista também
encontra diminuto espaço para defender dogmaticamente qualquer suposta verdade.
A diuturna avaliação dos resultados alcançados pode ser vista como o mais
importante traço distintivo do espírito científico. A credibilidade especial das teorias
científicas resulta de seus constituintes lógico-empíricos poderem ser
implacavelmente dissecados pela comunidade de especialistas.
O que conhecemos? Os debates se arrastam ao longo dos séculos com alguns
teóricos defendendo a tese de que só é cognoscível o que se oferece à observação
como fato, ao passo que outros são de opinião que o conhecimento se estende a
tudo o que é passível de explicação por meio da razão. Não é fácil determinar a
extensão do conhecimento humano.
A impressão mais forte é a de que se sabe muito pouca coisa em relação ao que se
desconhece. É que se está ainda longe de um critério universalmente aceito que
permita, para cada caso particular, definir se algo é de jure conhecimento e não uma
mera opinião. É claro que de facto as elites de pesquisadores estão a todo instante
classificando e hierarquizando a produção científica.
Não há, em termos epistemológicos, consenso quanto aos critérios ou padrões que
devem ser adotados para que se possa especificar o que é conhecimento: pode-se
justificar uma ação invocando determinados padrões morais. Uma decisão,
indicando os fins perseguidos. Com relação ao conhecimento, a justificação de uma
teoria depende de sua consistência lógica e de sua fundamentação empírica.
Diga-me o método que empregas e te direi o tipo de credibilidade
epistêmica que pode ser alcançada pelos resultados que obténs.
2- Os tipos de ciência:

As ciências formais — constituídas pela lógica e a matemática — não


tratam de objetos empíricos. Suas proposições não são fatos verificáveis e
os procedimentos inferenciais que empregam são de natureza dedutiva.
Em seu interior prevalecem os requisitos da consistência — os enunciados
só devem ser aceitos quando mantêm relações de coerência entre si — e
da derivação lógica — o enunciado posterior tem de decorrer do(s)
anterior(es).
As regras de inferência — que definem as formas aceitáveis de transição
de um enunciado para outro — são demonstrativas.
A verdade é transmitida das premissas (logicamente mais fortes) para as
conclusões (logicamente mais fracas) e a falsidade é retransmitida das
conclusões para as premissas. A Filosofia da Matemática e a Filosofia da
Linguagem estão nesse tipo de lógica.

Já as ciências empíricas — ciências naturais e sociais — estudam


fenômenos direta ou indiretamente observáveis abordando-os por meio de
métodos quantitativos ou qualitativos. Em suas explicações, os
ingredientes teóricos e os empíricos estão em complexa interação. A
despeito de as técnicas inferenciais que empregam serem
predominantemente indutivas, estatísticas e probabilísticas, tais ciências
podem recorrer, ao menos de modo complementar, às dedutivas.

3- A relação entre lógica e empirismo. (definir)

Não há como fazer pesquisa de qualidade sem dar atenção aos aspectos lógico-
formais.
A consistência interna é tão fundamental quanto a correspondência aos fatos.
“Demonstre-me”, pediu alguém a Epíteto, “que devo estudar lógica.” Ao que o
filósofo retrucou: “E como saberá você que a demonstração é boa?” A lógica, como
ciência formal que é, estuda o que se segue do que. Não lhe cabe, portanto, definir
se determinada asserção é verdadeira ou não (verdade relativa), e sim o que se
pode inferir validamente a partir da (suposta) verdade de uma ou mais proposições.

De forma genérica, uma teoria científica deve ser definida como um conjunto de
enunciados de tal forma integrados que subsistem entre eles relações logicamente
organizadas de consequência e, em se tratando de ciência empírica, relações de
correspondência com a “realidade” (estados de coisas) com vistas a descrever com
fidedignidade, prover explicações seguras e fazer predições confiáveis.
A verdade ou falsidade de uma sentença empírica é determinada por seu acordo ou
desacordo com a experiência.
Mas há casos em que se pode inferir a verdade de uma sentença com base no
conhecimento já obtido sobre a verdade de outra(s) sentença(s).
A tarefa da lógica é prover as regras inferenciais que promovem tal tipo de transição.
Fatos não são nem verdadeiros nem falsos. Só o que se diz sobre eles — os
enunciados — pode ser assim avaliado. Fatos ocorrem ou não, manifestam-se como
evidências favoráveis ou desfavoráveis aos nossos pronunciamentos sobre a
“realidade”.
A verificabilidade como critério de cientificidade.

A possibilidade de verificação costuma ser encarada como a condição necessária,


ainda que não suficiente, para que uma asserção possa aspirar ao status de
científica. “Ser verificável” é precondição para ser científico. Mas isso não basta.
Em que pesem afirmações triviais, como as que são feitas no dia a dia, serem fácil e
prontamente verificáveis, nenhuma tem como ambicionar integrar o corpo teórico de
uma ciência. Se uma proposição é verificável pode receber um valor de verdade à
luz da experiência atual ou potencial. Se não é possível especificar que evidência, e
em que quantidade, enseja caracterizar uma afirmação como verdadeira ou, na pior
das hipóteses, como provável, então não é verificável.

4- Filosofia, a verdade e o desenvolvimento científico.

A – Método socrático: Maiêutica (interrogação)

É talvez o método mais antigo de verificação da verdade.


Segundo Platão, Sócrates suava o método de perguntas e respostas na prática da
filosofia. Sócrates se considerava um parteiro, que ajudava o indivíduo a dar à luz
ideias dentro de sua própria mente. Para ele a verdade é nativa à mente humana.

B – Método de Aristóteles: A dedução

Aristóteles (384-322 a.C) aceitava tanto a forma indutiva, quanto a forma dedutiva de
raciocinar. Mas como ele foi o primeiro filósofo ocidental que elaborou as regras para
o raciocínio dedutivo, seu nome está ligado ao método dedutivo.
O raciocínio dedutivo é argumentar do geral para o particular: Se todos os cavalos
são animais de quatro pernas (geral), e se Beleza Negra é um cavalo (particular),
então Beleza Negra também é um animal de quatro pernas.

C – Método indutivo

Francis Bacon (1561-1626) recebe o crédito por ter descoberto esse método e
derrubado o método dedutivo “antigo”. Bacon introduziu a experimentação.

D – Método Científico

O método científico não é nem indutivo, nem dedutivo, mas uma combinação entre
os dois.

1 – A situação que gera o problema. João ficou doente após o jantar.


2 – A formulação do problema. Porque João, que tem muita saúde, ficou doente
após o jantar?
3 – A observação de fatos relevantes. No jantar, João comeu pizza com aliche,
tomou leite e comeu sorvete de baunilha.
4 – O emprego de conhecimentos prévios. João come pizza sem ficar doente, toma
leite sem problemas e sorvete de baunilha é sua sobremesa favorita, mas é primeira
vez que João teve aliche em sua pizza.
5 – Formulação de uma hipótese. O aliche era a causa da doença de João.
6 – Dedução da hipótese. Se João comer aliche, ficará doente outra vez.
7 – Testando a hipótese. João come uma noite sem aliche e não fica doente. João
come na terceira noite aliche e fica doente outra vez.
8 - Conclusão. O aliche deixa João doente.

Há dogmas no método científico: hipótese macro-evolucionária, onde houve padrões


de evolução em larga escala. Algo hipotético e não pode ser provado.
Uma das reações mais pertinentes ao método científico é que acusam ele querer ter
o monopólio da verdade, ou seja, ser o único método válido. Muitos pensadores hoje
tem buscado outros métodos.

Perspectiva Cristã:

Filosofia Escrituralista

Se eu fosse resumir a filosofia de Clark, a qual chamo


de escrituralismo, faria mais ou menos assim:

1. Epistemologia: revelação proposicional.


2. Soteriologia: somente a fé.
3. Metafísica: teísmo.
4. Ética: lei divina.
5. Política: república constitucional.
Traduzindo essas ideias numa linguagem mais familiar, poderíamos dizer:
1. Epistemologia: Assim me diz a Bíblia.
2. Soteriologia: Creia no Senhor Jesus Cristo e será salvo.

3. Metafísica: Nele vivemos, e nos movemos, e existimos.

4. Ética: Devemos obedecer antes a Deus que aos homens.

5. Política: Proclame a liberdade pelo mundo.


O primeiro ramo dessa filosofia, epistemologia, a teoria do conhecimento, é também
o mais importante.
O escrituralismo sustenta que o conhecimento, a verdade, é revelado por Deus. O
cristianismo é verdade proposicional revelada por Deus, proposições que foram
escritas nos 66 livros que chamamos de Bíblia. A revelação proposicional é o ponto
de partida do cristianismo, seu único axioma.

Algumas pessoas, tanto cristãs como não cristãs, insistem não ter nenhum axioma.
Mas isso é como alguém negar que fala em prosa. As pessoas e os sistemas de
filosofia devem ambos começar seu pensamento em algum lugar. Qualquer sistema
de pensamento — seja ele chamado de filosofia, teologia ou geometria — e
qualquer pessoa — seja ela chamada de cristã, humanista ou budista, devem
começar de algum lugar. Esse começo, por definição, é simplesmente isso, um
começo.
Nada vem antes. É um axioma, um princípio primeiro. Isso significa que as pessoas
que começam com a sensação — com a experiência sensorial — em vez da
revelação num esforço para evitar axiomas, não os evitam de forma alguma.
Elas meramente trocam o axioma cristão da revelação pelo axioma secular da
experiência sensorial.

Ao que parece, os teólogos de hoje aprenderam pouco do fracasso de Tomás em


combinar axiomas seculares e cristãos.
A lição do fracasso do tomismo não foi perdida em Gordon Clark.
Clark não aceitava a afirmação de que a experiência sensorial nos fornece
conhecimento. Ele apontou todos os problemas, falhas, enganos e falácias lógicas
envolvidas na crença da capacidade da experiência sensorial de nos fornecer a
verdade. Ele baseava sua filosofia no axioma cristão somente.
Sua rejeição da experiência sensorial como um caminho para a verdade tem muitas
consequências; uma destas é que as provas tradicionais para a existência de Deus
são todas falácias lógicas.
David Hume e Immanuel Kant estavam certos: a sensação não pode provar Deus.
Não meramente porque Deus não pode ser sentido ou validamente inferido da
sensação, mas porque nada de fato pode ser validamente inferido da sensação.
Os argumentos para a existência de Deus fracassam porque o axioma e o método
— o axioma da sensação e o método da indução — estão errados, não porque Deus
é um conto de fadas.

O axioma cristão, o fundamento sobre o qual toda a doutrina cristã é construída, não
é a sensação, mas a revelação. O método cristão é a dedução, não a indução.
Em vez de aceitar a visão secular de que o homem descobre a verdade por seu
próprio poder usando seus próprios recursos, Clark afirma que a verdade é um dom
de Deus, que graciosamente a revela aos homens.
A teoria de conhecimento de Clark anda lado a lado com a sua doutrina de salvação:
a soteriologia espelha a epistemologia.

Os homens são tanto iluminados como salvos por Deus.


O homem não pode fazer nada à parte da vontade de Deus, e não pode conhecer
nada à parte da revelação de Deus. A epistemologia de Clark é uma epistemologia
cristã do começo ao fim.

Mas ao tentar salvar a ciência da desgraça epistemológica, os filósofos da ciência


tiveram de abandonar qualquer reivindicação de conhecimento: a ciência não
passaria então de conjecturas e refutações de conjecturas.

Escreve Karl Popper:


Primeiro, embora façamos na ciência todo o possível para encontrar a verdade, estamos
cientes de que jamais podemos estar certos de tê-la alcançado… [Nós] sabemos que as
nossas teorias científicas permanecem sempre como hipóteses…na ciência não existe
nenhum “conhecimento” no sentido que implica finalidade; na ciência jamais temos razões
suficientes para crer que alcançamos a verdade… Einstein declarou que sua teoria era
falsa; que em relação à de Newton, ela estava mais próxima da verdade. Mas Einstein deu
razões por que não a consideraria uma teoria verdadeira, mesmo que todas as predições se
confirmassem… Nossas tentativas de ver e descobrir a verdade não são definitivas, mas
abertas a aprimoramento;… nosso conhecimento, nossa doutrina, é conjectural;… consiste
de suposições, hipóteses, em vez de verdades certas e definitivas.

Aqueles teólogos e filósofos que aceitam a observação e a ciência como base para
argumentar pela verdade do cristianismo tentam algo impossível. A observação, a
ciência, não pode fornecer nenhuma espécie de verdade, tampouco verdades sobre
Deus.

A Idéia Cosmonômica da Filosofia Cristã de Herman Dooyeweerd

Qual seria a ideia cosmonômica cristã, a partir do motivo-base bíblico criação-


queda-redenção? Ou seja, qual é o princípio de coerência cósmica de sentido, o
ponto arquimediano do pensamento, e o Arché de todo o sentido para a filosofia
cristã?

Seguindo o motivo-base bíblico, Dooyeweerd identifica o Arché como “a vontade


santa e soberana de Deus Criador, que se auto-revelou em Jesus Cristo.”7 5 Como a
Origem absoluta de todo o significado, o próprio Criador não é em si mesmo
significado, mas o Ser auto suficiente. Só Deus é “Ser” nesse sentido absoluto.
Todas as criaturas são derivadas e estruturalmente dependentes de Deus.
O limite entre o ser de Deus e suas criaturas é dado na lei de Deus, que tem um
caráter universal. A distinção essencial entre Deus e as criaturas fica evidente em
sua relação com a vontade divina, ou Lex:
“Como a Origem soberana, Deus não está sujeito à lei. Pelo contrário, a sujectibilidade
(subjectedness) é a verdadeira característica de tudo o que foi criado, cuja existência é
limitada e determinada pela lei [...] Calvino expressou a mesma concepção sobre o
relacionamento de Deus com a lei em sua declaração citada anteriormente: ‘Deus legibus
solutus est, sed non exlex’; no qual ele procurou ao mesmo tempo refutar qualquer noção de
que a soberania de Deus seja o mesmo que arbitrariedade despótica.”

Toda absolutização das realidades criaturais, que por natureza são relativas, ignora
este limite e eleva aquilo que está sujeito à lei ao status de Origem absoluta, como
algo que está acima da lei. Isso leva a um dualismo dentro da ideia de Arché, pois a
absolutização de uma dimensão do sentido encontra resistência de outras
dimensões. Assim, eventualmente, surgem dois ou mais princípios relativos e
opostos simultaneamente elevados ao absoluto, tornando-se impossível manter uma
idéia integral de Origem. Já na ideia cosmonômica cristã não há lugar para duas
Origens absolutas; Deus é a única e integral origem de todo o sentido, da lei divina
bem como de tudo o que está sujeito a ela.
A segunda ideia transcendental é a da totalidade do sentido, na qual se encontra o
ponto arquimediano do pensamento. O conhecimento do ponto arquimediano
pressupõe auto-conhecimento, que por seu turno é dependente do conhecimento de
Deus.

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