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Casos e Perguntas

O documento discute dois casos de violação de normas trabalhistas por empresas de engenharia, incluindo a condenação de uma empresa por exigir horas extras não pagas e o reconhecimento de vínculo empregatício de um eletrotécnico que foi forçado a abrir uma pessoa jurídica. Ambos os casos evidenciam os riscos jurídicos e sociais associados à burla de normas trabalhistas, como danos morais coletivos e a precarização das relações de trabalho. O texto também levanta questões sobre a responsabilidade dos engenheiros em prevenir práticas abusivas e os dilemas enfrentados por profissionais ao considerar a pejotização.

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Leticia Torres
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Casos e Perguntas

O documento discute dois casos de violação de normas trabalhistas por empresas de engenharia, incluindo a condenação de uma empresa por exigir horas extras não pagas e o reconhecimento de vínculo empregatício de um eletrotécnico que foi forçado a abrir uma pessoa jurídica. Ambos os casos evidenciam os riscos jurídicos e sociais associados à burla de normas trabalhistas, como danos morais coletivos e a precarização das relações de trabalho. O texto também levanta questões sobre a responsabilidade dos engenheiros em prevenir práticas abusivas e os dilemas enfrentados por profissionais ao considerar a pejotização.

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Atividade baseada nos casos da legislação que envolvem julgamentos que afetam

profissionais no quesito trabalho e previdência

NOTÍCIA 1: Empresa de engenharia é condenada em ação civil pública por


descumprir legislação sobre jornada de trabalho (17/09/2014)
As normas que fixam a duração máxima da jornada de trabalho em 08 horas
diárias ou 44 semanais, admitida a prorrogação em até duas horas extraordinárias, visam
a proteger a saúde e a integridade física dos empregados e, consequentemente, reduzir
os riscos inerentes ao trabalho. São, todas elas, normas de ordem pública que devem ser
cumpridas fielmente. A Constituição Federal prevê, como um dos direitos sociais, o
direito à saúde, sendo que o artigo 7º, inciso XXII, determina que são direitos dos
trabalhadores a redução de riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
higiene e segurança.
Foi lembrando todas essas normas que o juiz Alexandre Chibante Martins, titular
da Vara do Trabalho de Iturama, decidiu condenar uma empresa de engenharia a
cumprir as normas relativas à jornada de trabalho e a pagar indenização no valor de
R$500 mil por danos morais coletivos. A denúncia de que a empresa exigia, de forma
reiterada, que seus empregados realizassem horas extras, sem a devida retribuição, foi
feita pelo Ministério Público do Trabalho, por meio de Ação Civil Pública, e ficou
amplamente provada no processo.
Na sentença, o julgador observou que ele próprio havia condenado a empresa
pelo mesmo motivo, em decisões que já transitaram em julgado. Ficou claro que a ré
não pretendia mudar seu comportamento, tanto que se negou a firmar termo de
ajustamento de conduta com o MPT. "A reiteração da conduta danosa e sucessiva pela
requerida, e a sua intenção na prática dos mesmos atos para o futuro, revela a desfaçatez
com os direitos fundamentais dos trabalhadores", destacou.
Embora negando a existência de horas extras, a empresa apresentou cartões de
ponto sem nenhuma variação de horário, o que, a teor da Súmula 338, I, do TST, torna
os cartões inválidos como prova. Isto porque trata-se de algo inviável, na prática, a
marcação britânica do mesmo horário exato, em todos os dias do mês. Nessas situações,
inverte-se o ônus da prova, que passa a ser da ré, nos termos dos artigos 818, da CLT e
333, inciso II, do CPC bem como artigo 769, da CLT. No caso, a empresa não
apresentou qualquer outra prova do cumprimento do horário alegado e nem do
pagamento de horas extras.
O descumprimento pela reclamada das normas relativas à jornada foi
veementemente repudiado na sentença: "Exigir cotidianamente trabalho suplementar e
sem a devida remuneração afeta toda a sociedade e vai de encontro ao princípio social
da empresa, haja vista a precarização das relações de trabalho pela investida contra a
saúde do empregado, que se desgasta acima do patamar suportado pelo organismo
humano, e deságua na sangria dos cofres públicos, porquanto a prática reiterada de
horas extras ocasiona constantes acidentes de trabalho, doenças ocasionadas pelo stress
e pela estafa, obrigando os trabalhadores a se afastar dos seus postos de trabalho,
recebendo benefícios pagos pela previdência social, da qual é contribuinte a sociedade",
ponderou.
Segundo pontuou o magistrado, o contrato de trabalho deve ter como objetivo o
cumprimento de sua função social para que possa servir de instrumento de garantia da
erradicação da pobreza, por meio da distribuição de renda e da humanização do vínculo
jurídico, a preservação dos direitos fundamentais e, em especial, a dignidade da pessoa
humana como o valor central de toda a produção jurídica protetiva. Nesse sentido, o
disposto no artigo 170 da Constituição.
"O extrapolamento reiterado da jornada acima dos limites constitucionais e
legais, bem como o não pagamento das horas extras viola a dignidade da pessoa humana
e desconsidera o valor social do trabalho, os quais integram os fundamentos da
República Federativa do Brasil (art. 1º, III e IV, CF). Afronta a valorização do trabalho
humano, na qual se funda a ordem econômica (art. 170, CF), menospreza os objetivos
fundamentais de construir uma sociedade livre, justa e solidária, de erradicar a pobreza
e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3º, I, II, III e IV,
CF)", destacou na decisão.
Para o julgador, o comportamento da empregadora causou dano moral coletivo,
que tem aplicação no campo dos chamados interesses difusos e coletivos. Ele ponderou
que o conceito deve ser ampliado, para deixar de ser o dano moral um equivalente da
dor psíquica, que seria exclusividade de pessoas físicas para decorrer da gravidade do
ato ilícito em si, sendo desnecessária sua efetiva demonstração, na medida em que se
trata de dano presumido.
Assim, considerando que a reclamada agiu com abuso de direito, violando os
princípios da dignidade humana e do valor social do trabalho, da isonomia e ainda o da
legalidade, o julgador reconheceu a presença dos requisitos para a caracterização da
responsabilidade e condenou a ré por danos morais coletivos. A indenização foi fixada
em R$500 mil, levando em conta inclusive o fato de se tratar de uma das maiores e mais
sólidas empresas do País no seu segmento, valor que deverá ser revertido a programas e
entidades beneficentes da região.
A empresa de engenharia foi condenada ainda a deixar de exigir o cumprimento
da jornada superior à legal, sendo fixada multa diária por cada trabalhador encontrado
em situação irregular. A decisão está pendente de recurso em tramitação no TRT de
Minas.
(0000188-13.2014.5.03.0157 RO)
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 3° Região
(https://www.legisweb.com.br/noticia/?id=12567)

NOTÍCIA 2: Eletrotécnico que teve que abrir PJ para receber remuneração tem
vínculo de emprego reconhecido (09/08/2017)
Um eletrotécnico que teve que abrir pessoa jurídica para prestar serviços para
uma empresa de engenharia e receber sua remuneração por meio de notas fiscais teve o
vínculo de emprego reconhecido pela Justiça do Trabalho. Para o juiz Alcir Kenupp
Cunha, da 14ª Vara do Trabalho de Brasília, estão presentes, no caso, todos os elementos
que configuram a relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, subordinação,
controle de horário e onerosidade.
O autor da reclamação contou que prestou serviços à empresa reclamada, sem
vínculo de emprego. Ele afirmou que foi obrigado a abrir uma pessoa jurídica em seu
nome, para receber os pagamentos devidos mediante emissão de notas fiscais. Afirmou,
contudo, que laborava com pessoalidade, subordinação, controle de horário e
remuneração mensal. Com esses argumentos, pediu em juízo o reconhecimento do
vínculo de emprego e, em consequência, o pagamento das verbas trabalhistas devidas.
A empresa, por sua vez, disse que firmou vários contratos de prestação de
serviços com a empresa da qual o autor da reclamação é sócio, para consultoria em
projetos de engenharia elétrica. Frisou que não havia pessoalidade, subordinação
jurídica e nem controle de horário e negou que os contratos tinham intuito de fraude,
uma vez que a relação era entre pessoas jurídicas.
Em sua decisão, o magistrado salientou não haver dúvidas de que o autor da
reclamação desempenhava atividades inerentes ao objeto social da empresa contratante,
e nem de que estão presentes, no caso, todos os elementos configuradores de um
contrato de emprego. Nesse sentido, o magistrado apontou que havia prestação de
serviços por pessoa física, com pessoalidade, uma vez que não há prova de que o autor
da reclamação tivesse empregados em sua empresa ou se fizesse substituir por outra
pessoa, na época em que prestou serviços para a contratante.
Havia, ainda, apontou o magistrado, a prestação de serviços não eventual, já que
os contratos e notais fiscais juntados aos autos demonstram que a prestação de serviços
foi constante e por longos períodos de tempo. Além disso, prosseguiu o juiz, as
testemunhas do autor da reclamação apontaram que a prestação de serviços se deu de
forma ininterrupta durante todo o período apontado na inicial, e que os contratos eram
meros “simulacros destinados a fraudar a legislação laboral, com o fim de caracterizar
uma relação entre pessoas jurídicas que, de fato, não existia”. A prova oral confirmou,
também, que havia subordinação e controle de horários. Da mesma forma, os
pagamentos efetuados indicam que havia a onerosidade.
Assim, presentes os elementos configuradores, o magistrado reconheceu a
existência de vínculo de emprego entre as partes, no período indicado na petição inicial,
e condenou a empresa contratante a efetuar a respectiva anotação na carteira de
trabalho, em até 10 dias após o trânsito em julgado da decisão, sob pena de multa diária
de R$ 500,00, bem como ao pagamento das devidas verbas contratuais e rescisórias.
Fonte: TRT10 (https://www.csjt.jus.br/web/csjt/noticias3/-
/asset_publisher/RPt2/content/id/5775183)

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO BASEADA NOS CASOS JULGADOS


1. Ambos os casos envolvem práticas ilegais adotadas por empresas de engenharia.
Quais são os riscos jurídicos e sociais para uma empresa que insiste em burlar
normas trabalhistas, como o excesso de jornada sem pagamento e a
"pejotização"1 fraudulenta?

1
Pejotização é uma prática irregular adotada por algumas empresas em que um trabalhador é obrigado a
abrir uma empresa (geralmente uma "Pessoa Jurídica", ou PJ) para prestar serviços como se fosse um
prestador autônomo, quando, na verdade, exerce suas funções com todas as características de um
empregado CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
2. Considerando a repetição das infrações no primeiro caso e a simulação
contratual no segundo, como a atuação dos engenheiros responsáveis pode
contribuir para prevenir práticas empresariais abusivas ou, ao contrário, reforçá-
las?

3. Você aceitaria abrir uma empresa (CNPJ) para prestar serviços em tempo
integral a uma única empresa, sem direito a férias, 13º salário ou FGTS, em
troca de um salário maior no curto prazo? Quais os riscos e vantagens dessa
escolha na sua carreira de engenheiro(a)?

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