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O documento aborda a ocupação urbana, destacando a diversidade de espaços públicos e privados nas cidades e suas funções, como moradia, comércio e lazer. Também discute a relação entre centro e periferia, as condições de vida, a importância de serviços públicos como saúde e educação, e os problemas urbanos, como moradias precárias e transporte coletivo. Além disso, menciona questões de poluição e gestão de resíduos, enfatizando a necessidade de planejamento urbano para melhorar a qualidade de vida da população.
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O documento aborda a ocupação urbana, destacando a diversidade de espaços públicos e privados nas cidades e suas funções, como moradia, comércio e lazer. Também discute a relação entre centro e periferia, as condições de vida, a importância de serviços públicos como saúde e educação, e os problemas urbanos, como moradias precárias e transporte coletivo. Além disso, menciona questões de poluição e gestão de resíduos, enfatizando a necessidade de planejamento urbano para melhorar a qualidade de vida da população.
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OCUPA[^O E U50 D0

E5PA[O URBANO

05 E5PA[05 DE UMA CIDADE


As cidades possuem diversos espa€os que sao utilizados pela po-
pula€ao de acordo com suas fun€6es e caracteri'sticas especi'ficas.
As fun€6es e as Entre as diversas finalidades atribui'das aos espa¢os urbanos
c`aracteristicas dos estao a moradia, o comercio, a atividade industrial e o lazer. Muitas
espa€os urbanos vezes urn espaEo urbano cumpre diferentes fun€5es ao mesmo
influenciam as tempo. As areas mistas, que comportam residencias e estabeleci-
condi€6es de vida mentos comerciais, sao urn exemplo.
da popula€ao?

E5PA[05 POBLIC05 E E5PA[05 PRIVADOS


Nas cidades existem espa€os pdblicos e espa€os privados. Os espa-
€os ptlblicos sao administrados pelo governo e acessiveis a toda a po-
pula€ao. Parques, pra¢as, ruas, avenidas, ciclovias e estabelecimentos
que oferecem a popula¢ao servi€os pdblicos de sadde, educacao,
cultura e lazer sao exemplos de espa[os pdblicos (figura 6).

• A prasa 6 do povo
Maria Ldcia de Arruda Aranha.
Sao Paulo: Modema, 2001.
0 respeito a diversidade e a consciencia de que
em uma sociedade fazemos parte de urn coletivo
sao fundamentais para a vida nas cidades em
qualquer lugar do mundo. Este 6 o tema principal
desse livro.

Figllra 6. Pessoas caminhando na Feira da Praca


General Os6rio, no municfpio de Curitiba (PR, 2017).

EE
Os espasos privados sao espasos de propriedade particular, perten-
centes a urn jndjvi`duo ou grupo, e podem ter fung5es di`sti'ntas: moradi'a,
ldzer e cultura, presta¢ao de serv;cos (escolas e ho5pjtajs part;culares,
por exemplo), comercio e inddstria.
Esses espa€os sao de acesso restrito e sua entrada e regulada pelo
proprietario ou administrador do local, o que pode envolver pagamento, No
entanto, qualquer tipo de discriminaEao no acesso a esses espaEos ou na
utilizaEao de seus servi€os e vetado par lei e considerado crime no Brasil.

CENTRO E PERIFERIA

Quando falamos em "centro da cidade", podemos nos referir ao centro


geografico da area urbana, ao centro comercial e financeiro (area que
concentra as sedes de empresas, bancos e ediffcios comerciais) ou ao
centro hist6rico, ao redor do qual a cidade se formou (figura 7).

Em muitos casos, a regiao do centro hist6rico representa tambem o


centro comercial e financeiro; no entanto, isso nem sempre acontece,
Figura 7. Fachada do Paco Imperial,
devido as transformac5es no espa€o urbano ao longo do tempo. inaugurado em 1743, na Pra;a XV de
Novembro, no centro hist6rico da cidade
As areas situadas nos arredores dos centros urbanos sao chamadas
do Rio de janeiro (RJ, 2017).
periferias, No Brasil, o conceito de periferia teve origem com o desenvol-
vimento urbano, principalmente a partir dos anos 1980. Embora as areas
perifericas concentrem a maior parte da populaEao de baixo poder aquisi-
tivo, hoje ha condoml'nios de alto padrao localizados em areas perif6ricas
de muitas cidades brasileiras e estrangeiras,

Na realidade, atualmente o termo esta associado mais a precariedade


e a falta de assistencia, planejamento urbano, infraestrutura e servigos
do que a localizacao propriamente dita de urn bairro (figura 8).

Figura 8. Paisagem urbana de contraste:


no primeiro plano, habitaf6es populares
autoconstruidas e, ao fundo, edificios de
alto padrao, no municfpio de Sao Paulo
(SP, 2016).

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Ei' 'jj'} f

'\
A VIDA NA5 CIDADE5
As condiE5es de vida nas cidades estao sujeitas a uma serie de fatores e
dependem da a¢ao de governantes e de como a espago urbano e ocupado e
utilizado pela popula¢ao. A concentra[ao de pessoas no espaco urbano, por
exemplo, faz com que haja maior demanda por comercio, servigos, moradia etc,
Vamos conhecer a seguir algumas necessidades basicas da popula[ao que
interferem muito nas condic5es de vida.

5AODE E EDUCAEAO

Sadde e educas5o sao servi€os pdblicos indispensaveis para garantir a qua-


De oLho ha imagem
lidade de vida das pessoas. Para isso, € necessario que haja hospitals, postos de
Coma voce avalia o5 servl[os
sadde (figura 9), escolas e universidades bern distribul'dos pelo espa€o urbano, de sailde do local onde mora?
acessi'veis e em quantidade suficiente para atender toda a popula9ao. Quando E 5uficiente para atender
os ser`vigos pdblicos e gratuitos sao ineficientes, muitas pessoas, quando tern toda a populaEao?
condi56es financeiras para isso, recorrem a servi€os privados.
Figura 9. Posto de satide ptiblico
E importante tambem que a popula€ao disponha de servicos de saneamento
no municipio de Belo Horizonte
basico, coma abastecimento de agua tratada, coleta e tratamento do esgoto e (Mci, 2016). Espera-se que os
municfpios disi)onham de servi;os
coleta de lixo. 0 acesso ao saneamento basico influencia diretamente a sadde
de satide gratuitos e de qualidade
das pessoas, evitando contaminaE6es e a proliferaEao de doen€as. para toda a populacao.
TRAN5PORTE E AAOBILIDADE No Brasil, o principal meio de locomosao

[Link] urbana se refere as condic6es utilizado pela populasao urbana 6 o transporte


realizado por linhas de 6nibus (figura 10).
de deslocamento da popula€ao no espa[o ur-
bano, Quanto maiores as cidades, mais op€5es
de transporte coletivo, como linhas de 6nibus, CULTURA E LAZER
trem e metro, devem ser oferecidas a populagao. Proporcionar cultura e lazer aos habi-
Alem disso, os centros urbanos devem contar tantes de uma cidade significa oferecer a po-
com infraestrutura que permita a seus mora-
pulagao oportunidade de acesso a cinemas,
dores utilizar meios de transporte alternativos. teatros, museus, estadios e eventos culturais,
A constru5ao de ciclovias, por exemplo, a que propicia maior interaEao entre os mo-

possibilita que muitas pessoas se desloquem radores das cidades e melhoria na qualidade

para fazer suas atividades de bicicleta. 0 uso de vida.


da bicicleta traz benefi'cios para a cidade, por As areas verdes, como praFas, parques,
ser urn meio de transporte nao poluente e que jardins botanicos, areas de proteEao ambien-
reduz os congestionamentos, e para os usua- tal e ruas arborizadas, alem de contribui'rem
rios, porque o simples fato de usa-Ia no dia a para a melhoria das condiE5es ambientais nas
dia os afasta do sedentarismo e de problemas grandes cidades, constituem espa€os de con-
de satlde relacionados a ele. vivencia para a popula5ao (figura 11).

De oLho na imagem
Em 2017, o major percentual
a
da popula¢ao da5 cidades
bra5ileiras locomc)viaie
utilizando urn meio de
tran5porte pi]blico ou privado?

Fonte: CNT. Pesquisa mobill'dade


da populacdo urbana 2017, p. 48.
Disponivel em : <[Link]
[Link]/novo/upload/Publicacao/
[Link]>.
Acesso em: 2 mar. 2018.

fiE`=q=--.,,`Tas

Figura 11. Areas verdes, como


parques, oferecem oportunidade
de lazer e diversao a populacao
das cidades. Na toto, Parque
Villa lobos, inaugurado em 1994
numa area que antes era usada
como dep6sito de lixo e residuos
de constru¢ao civil, no municfpio
de Sao Paulo (SP, 2017).
PROBLEMA5 URBAN05

MORADIA5 PREC^RIA5
Muitos problemas de moradia encontrados nas cidades estao relacionadas
a desigualdade social. Na atualidade, nas areas urbanas, milh6es de fami'lias
vivem em condic6es de pobreza, em moradias precarias, construi'das em areas
De que mode os inadequadas, como morros, margens de rios e viadutos.
probLemas urbanos i grande tambem o ndmero de pessoas que nao tern onde morar e residem etii
afetam a qualidade de
aglomera¢5es habitacionais improvisadas conhecidas como favelas.
vida da popuLa€ao?
Tradicionalmente, as favelas ocupam areas com pouca infraestrutura, em
que muitas vezes nao ha coleta de lixo, rede de esgoto, linhas de transporte
ou ruas asfaltadas, No entanto, a configura€ao das favelas mudou muito com o
passar do tempo e hoje existem muitas favelas que contain com uma s€rie de
servigos (comercio, bancos, consult6rios medicos etc.) e infraestrutura urbana.
Nas grandes cidades, tambem sao comuns os corti!os, habita€5es ocupadas por
• Favela
wirias fami'lias de baixa renda. Essas moradias se concentram em areas urbanas
I:stevao Civaitta e
Regina Case. desvalorizadas e, em geral, apresentam condi¢5es de sadde e higiene precarias.
Sao Paulo: Martins
Fontes, 2011.
Hoje em dia, favela
designa urn bairro E5CA55EZ DE TRAN5PORTE COLETIVO
formado por moradias Nas grandes e medias cidades do mundo, o transporte urbano apresen-
muito precirias.
ta tres graves problemas: poluigao (sonora e do ar), congestionamentos e
A palavra, por6m,
deficiencias no transporte coletivo.
tern origem em uma
arvore nativa da Nos paises em desenvolvimento, esses problemas se agravam, pois ha ca-
caatinga nordestina. rencia de recursos financeiros para a melhoria dos sistemas viarios -avenidas,
Conheca essa hist6ria
lendo esse livro. ttlneis, viadutos -e da infraestrutura dos transportes coletivos -metro, trens
e 6nibus (figura 12).

Figura 12. A superlota¢ao em


pontos de 6nibus e terminais
e urn problema frequente
principalmente em grandes
cidades e pode indicar falta de
planejamento urbano ou escassa
oferta desse servico. Na toto,
aglomera¢ao de pessoas em urn
terminal de 6nibus no municfpio
do Rio de janeiro (Rj, 2017).

112
a diversas doengas a a uma das principais causas de
POLul[A0 ATM05FERICA. morte em areas urbanas.
50NORA E V15UAL Em muitos casos, a pavimentasao das areas urba-
Nas cidades, a concentra[ao de verculos, a presenga nizadas, somada ao acdmulo de lixo, faz com que a
agua da chuva nao seja absorvida pelo solo nem escoe
de fabricas, alem de outras atividades que realizam a
de forma adequada, acumulando-se na superfi'cie e
queima de combustiveis, liberam, diariamente, grande
causando alagamentos, que aumentam a ocorrencia
quantidade de substancias poluentes na atmosfera,
de doencas e causam prejul'zos materiais.
causando a poluiEao do ar.

Ja o rui'do excessivo das sirenes e buzinas, alem


do constante barulho dos motores e das maquinas,
lLHA5 DE CALOR
causam a poluigao sonora.
Nas cidades em que ha poucas areas com vegeta-
Por fim, outro tipo de poluicao comum nos espa¢os
gao, em geral ocorre maior aquecimento da camada de
urbanos e a poluicao visual, causada pelo excesso de
ar mais pr6xima ao solo. Par causa desse fen6meno,
cartazes e paineis publicitarios. A poluiEao visual, assim
chamado ilha de calor, os centres urbanos chegam
coma a sonora, pode causar problemas de sadde, como a apresentar diferenEas de ate 10 °C em rela€ao ao
crises de ansiedade, depressao e irritabilidade. entorno (figura 13).

A eleva€ao da temperatura nos centros urbanos


explica-se:
CONTAMINA[A0 DA AGUA • pelo grande ndmero de constru€6es, uma vez que
E ALAGAMENT05 o concreto e o asfalto absorvem maior quantidade
de calor solar;
A falta de saneamento basico i uma realidade para
• pela concentra[ao de gases poluentes, que con-
milh5es de habitantes. 0 esgoto nao tratado contami-
na c6rregos, rios e nascentes. A ocupacao irregular tribuem para a elevaEao da temperatura;
das margens de rios e represas contribui para a po- • pela concentragao de edifi'cios, que dificultam a
luicao e prejudica o abastecimento de agua nas cida- dissipa[ao dos poluentes e do calor acumulado
des. 0 consumo de agua contaminada esta associado na atmosfera.

F A 13. IIHA DE CALOR NAS ^REA5 URBANA5

Centro urbano

11113
LIX0 URBAN0
As cidades produzem grande quantidade
di6ricl de lixo. A coleta, o tratamento e a
fiscaliza€6o do lixo devem ser rigorosos,
pois seu descarte inadequado pode comprometer
a scldde da populaEdo. Nas cidades brasileiras, o
lixo nijo coletado 6 queimado, depositado em ruas, Tanto no aterro controlado quanto
rios e mares, ou 6 enterrado em terrenos baldios, no sanitario, o lixo 6 depositado
gerando graves problemas de poluiEdo ambiental. em camadas que sao compactadas
Mesmo o lixo coletado tern diferentes destinos, por tratores e cobertas de terra.
Os aterros sanitarios tern o solo
como voce vai ver a seguir. impermeabilizado e possuem sistema
de drenagem para captar o chorume.

Onde vai parar o lixo coletado no Brasil?

I Aterros sanit5rios
I Dep6sitos a c6u aberto (lix6es)
H Aterros controlados
RE Esta[6es de triagem
I Usinas de compostagem
.::::pogs:i::cs:%eE::a:ra::,ss,

Nos chamados lix6es, o lixo e depositado


em terrenos a c6u aberto, provocando mau
cheiro e atraindo animais que transmjtem
doen¢as. A decomposi¢ao do lixo produz
o chorume, urn lI'quido escuro que polui o
as aguas subterraneas e os rios.
A compostagem processa o lixo
organico -restos de comida,
cascas de frutas e de legumes -,
que e destinado a produ€ao
de adubo e gas metano.

78,3 milh6es
de toneladas foi o total de
lixo gerado no Brasil em
2016. Isso equivale a
1 kg de lixo produzido
por pessoa por dia.

A incinera¢ao consiste
em transformar o
lixo em cinzas, urn
procedimento que pode

:bee:aprr::::Sapp°r:::jnptaeisinente do pl5stico
no processamento do lixo (PET) recolhido
hospitalar, que oferece risco foi reciclado.
de contamina¢ao.

do papel
recolhido foi
reaproveitado.
do aluminio coletado
foi reciclado em 2016. 0 Brasil
6 o pals que mais recicla latas
de alumi'nio no mundo.

Na triagem, o lixo inorganico -papel,


vidro, plastico e metal -e separado,
classificado e tratado. Depois, segue
para a inddstria, onde € reciclado,
isto e, reaproveitado
na confec¢ao de
novos produtos.

da popula€ao brasileira
nao tinha acesso a coleta
seletiva de lixo em 2016.

dos municipios
brasileiros tern algum
Forltes.. IBGE. Pesquisa Nocional de Saneamento 86sico 2008.
tipo de coleta de lixo. Rio de janeiro: lBGE, 2010,. ABRELPE. Ponoromo dos #es/duos
S6Iidos no Brasil 2016. Sao Paulo.. Albrelpe. 2016: MMA. Plano
9% Nacional de Resl'duas S6Iidos 2012; ONIJ. [Link] em..
dos municrpios nao con- <[Link]/mediacentre/news/releases/2017/pollution-child-
death/en/>. Acesso em: 16 maio 2018.
com o servi¢o de coleta.

I" 115

Common questions

Com tecnologia de IA

A distribuição inadequada de serviços públicos, como saúde e educação, impacta negativamente a qualidade de vida urbana ao criar desigualdades de acesso. Quando serviços gratuitos e públicos são ineficientes ou insuficientes, as pessoas que têm condições financeiras recorrem a serviços privados, acentuando a desigualdade . Além disso, a falta de infraestrutura em transporte público e saneamento básico agrava problemas de saúde, mobilidade e segurança social. Sem serviços bem distribuídos, a população enfrenta risco aumentado de doenças e restrições no acesso a oportunidades de educação e no mercado de trabalho .

A falta de saneamento básico nas áreas urbanas impacta gravemente a saúde da população, promovendo a disseminação de doenças associadas à água contaminada. Sem esgoto tratado, muitas águas subterrâneas e rios são poluídos, aumentando o risco de enfermidades como diarreia e doenças parasitárias, que são comuns em comunidades sem acesso a serviços sanitários adequados . Além disso, a ausência de coleta e tratamento eficaz de lixo e resíduos agrava os riscos ambientais e de saúde pública, criando condições insalubres que afetam desproporcionalmente as populações mais vulneráveis .

Os principais desafios enfrentados pelo transporte público em cidades em desenvolvimento incluem poluição sonora e atmosférica, congestionamentos exacerbados, e deficiências na infraestrutura de transporte coletivo. Recursos financeiros limitados dificultam a melhoria das vias, como avenidas e túneis, e o aprimoramento dos sistemas de transporte de massa, como metrôs e ônibus, que são essenciais para suportar o crescimento urbano acelerado . A falta de planejamento urbano adequado e de investimentos contínuos para ampliar e melhorar a eficiência do transporte público resulta na incapacidade de atender à crescente demanda por deslocamentos .

Sim, as funções e características dos espaços urbanos influenciam diretamente as condições de vida da população. Áreas urbanas mistas que combinam residências e comércios exemplificam essa influência ao oferecer acesso imediato a serviços e produtos. Espaços públicos, como parques e praças, são administrados pelo governo e acessíveis a todos, enquanto espaços privados, como condomínios e complexos comerciais, oferecem serviços essenciais, mas podem restringir o acesso . A configuração desses espaços pode determinar a qualidade de vida através da disponibilidade e acessibilidade a habitação, comércio, atividades industriais e lazer, todas fundamentais para o bem-estar urbano .

Zonas centrais nas cidades brasileiras são frequentemente identificadas como áreas comerciais e financeiras, enquanto áreas periféricas historicamente abrigam populações de renda mais baixa, embora hoje certas periferias também possuam condomínios de alto padrão. A periferia atualmente é mais associada à precariedade em infraestrutura e serviços do que à localização geográfica específica . Essas áreas são típicas do urbanismo brasileiro, refletindo desigualdade social e econômica significativas que persistem dentro da configuração espacial das cidades .

Áreas mistas urbanas, que combinam habitação com instalações comerciais, promovem a convivência social e econômica ao facilitar interações diárias entre diversos grupos de pessoas, fomentando o desenvolvimento econômico local. Esses espaços proporcionam acessibilidade a serviços e comércio próximo às residências, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos e promovendo a circulação econômica . Essa configuração espacial pode melhorar a qualidade de vida, aumentando o acesso a bens e serviços fundamentais e incentivando o desenvolvimento de comunidades coesas e interconectadas .

O fenômeno das ilhas de calor ocorre nas áreas urbanas devido à alta concentração de construções e à presença de superfícies como concreto e asfalto que absorvem grande quantidade de calor solar. A falta de áreas vegetadas piora a situação ao reduzir o efeito de resfriamento que as plantas podem proporcionar. Além disso, a presença de poluentes intensifica o aquecimento ao dificultar a dissipação do calor acumulado. As ilhas de calor podem aumentar as temperaturas urbanas em até 10 °C comparadas ao entorno, causando desconforto térmico e aumentando a demanda por energia para resfriamento .

A infraestrutura de transporte influencia diretamente a mobilidade urbana, especialmente em cidades grandes, ao determinar a eficiência e disponibilidade de deslocamentos. A existência de linhas de ônibus, trens e metrôs adequada é essencial para acomodar o grande número de passageiros. Falhas na infraestrutura, como a ausência de ciclovias, limitam alternativas de deslocamento menos poluentes e acessíveis, aumentando a dependência de carros e contribuindo para congestionamentos e poluição . Uma infraestrutura insuficiente ou mal planejada leva a dificuldades na mobilidade, afetando a produtividade e a qualidade de vida .

A gestão inadequada do lixo urbano gera graves problemas ambientais e de saúde pública. Nas cidades brasileiras, a coleta irregular de lixo leva a seu descarte em locais impróprios, como terrenos baldios e cursos d'água, liberando chorume que polui águas subterrâneas e rios. Esse gerenciamento inadequado provoca condições insalubres que podem facilitar a propagação de doenças e aumentar os riscos à saúde pública. Além disso, a queima e a decomposição inadequadas em lixões a céu aberto liberam substâncias nocivas no ambiente, comprometendo ainda mais a saúde dos habitantes urbanos .

Espaços culturais e de lazer, como cinemas, teatros, museus, parques e áreas verdes, desempenham um papel crucial na vida urbana, proporcionando locais de interação comunitária e recreação que melhoram a qualidade de vida. Além de promover bem-estar físico e mental, esses espaços incentivam a participação social e cultural, criando um sentido de comunidade e pertencimento. Por exemplo, a presença de parques ajuda a melhorar as condições ambientais, oferecendo um refúgio do ambiente urbano e contribuindo para a saúde e a coesão social dos residentes .

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