SAÚDE DO TRABALHADOR
MATERIAL DIDÁTICO – AULA 03
PROFESSORA LIZÂNIA MELO
DOENÇAS OCUPACIONAIS
As doenças do trabalho ou doenças ocupacionais são aquelas decorrentes da exposição dos
trabalhadores aos riscos ambientais, ergonômicos ou de acidentes.
As doenças ocupacionais são decorrentes da exposição do trabalhador aos riscos da
atividade que desenvolve. Podem causar afastamentos temporários, repetitivos e até definitivos. A
maior incidência destas doenças ocorre na faixa dos 30 aos 40 anos, prejudicando a produtividade do
trabalhador e podendo interromper sua carreira e desestabilizar a sua vida. As doenças ocupacionais
são causadas ou agravadas por determinadas atividades.
Elas se caracterizam quando se estabelece o nexo causal entre os danos observados na
saúde do trabalhador e a exposição a determinados riscos relacionados ao trabalho.
Assim, se o risco ocupacional está presente, uma consequência é a atuação sobre o
organismo humano exposto, alterando sua qualidade de vida. Essa alteração pode ocorrer de diversas
formas, dependendo dos agentes atuantes, do tempo de exposição, das condições inerentes a cada
indivíduo e de fatores do meio em que se vive.
Ela pode evitar que tanto os trabalhadores como os empregadores se prejudiquem com as
consequências das doenças ocupacionais. A recuperação pode ser demorada e custar muito dinheiro
tanto para o empregador quanto para o INSS.
As possíveis causas das doenças ocupacionais são:
• Agentes físicos: ruído, temperatura, vibrações e radiações;
• Agentes químicos: utilizados nas indústrias, podem causar danos à saúde;
• Agentes biológicos: micro-organismos como bactérias, vírus e fungos.
Atualmente, um profissional que desenvolve uma doença ocupacional possui, legalmente, os
mesmos direitos que o envolvido em acidente de trabalho. Trabalhadores e empregadores precisam
ficar alertas em relação às principais causas de doenças ocupacionais (veja abaixo) e a como evitá-las,
buscando o constante aprimoramento das condições de saúde e segurança do ambiente de trabalho.
Além disso, é preciso estar atento aos primeiros sinais de desconforto físico ou mental, procurando
auxílio médico o quanto antes.
Grande parte das doenças ocupacionais registradas não são reconhecidas pelas empresas,
mas sim pela pericia médica do INSS, ou seja, são registros sem emissão da CAT, documento utilizado
para reconhecer tanto um acidente de trabalho ou de trajeto quanto uma doença ocupacional. Ainda
existe uma dificuldade em fazer o nexo da doença com o trabalho, o que resulta em uma subnotificação
dos casos. No acidente típico, a lesão é evidente e compatível com o relato da vítima, e dificilmente há
dúvida quanto à relação entre a ocorrência e o trabalho. O diagnóstico das doenças ocupacionais é
mais subjetivo e, além de realizar a análise clínica, é preciso observar se o trabalho teve ou não
influência no desencadeamento ou agravamento dos sintomas.
Uma doença relacionada ao trabalho normalmente é adquirida quando um trabalhador é
exposto acima do limite permitido por lei a agentes químicos, físicos, biológicos ou radioativos, sem
proteção compatível com o risco envolvido.
Essa proteção pode ser na forma de Equipamento de Proteção Coletiva (EPC) ou
Equipamento de Proteção Individual (EPI). Existem também medidas administrativas e organizacionais
capazes de reduzir os riscos. No Brasil, a doença ocupacional é equiparada ao acidente de trabalho,
gerando os mesmos direitos e benefícios.
Caso o trabalhador apresente uma doença ocupacional grave, ele tem direito a pedir
afastamento do INSS pelo auxílio-doença. Para isso, deve passar por uma perícia médica, que fará a
avaliação do quadro da doença.
É necessária também a comprovação que a doença está relacionada ao seu emprego atual
e, além disso, deve ter um mínimo de 12 meses de contribuição ao INSS.
DOENÇAS OCUPACIONAIS MAIS COMUNS ENTRE TRABALHADORES
1. Ler/Dort – Lesões por esforços repetitivo/Distúrbios Osteo musculares relacionados ao
trabalho (tendinites, tenossinovites e lesões de ombro).
• Principais causas:
– Movimentos repetitivos;
– Posturas inadequadas;
– Pressão psicológica.
Prevenção:
– Adequação do mobiliário, redução da necessidade do número de repetições; pausas e
exercícios preparatórios e compensatórios.
– Definição de metas adequadas; boas relações interpessoais, clareza sobre o que é esperado
de cada profissional.
- Programas de incentivo à prática regular de atividades físicas e ingestão frequente de líquidos.
2. Dorsalgias (hérnias de disco, “problemas de coluna”).
• Principais causas:
– Movimentos repetitivos e força com uso do tronco.
– Levantamento e transportes de pesos.
– Posturas inadequadas.
– Obesidade e sedentarismo (fatores não necessariamente ocupacionais, porém muito
significativos).
Prevenção:
- Adequação do mobiliário e equipamentos, fracionamento das cargas e do número de
repetições (redução da velocidade de execução das tarefas).
- Pausas e exercícios preparatórios e compensatórios.
- Programas de incentivo à educação alimentar e à prática regular de atividades físicas.
3. Transtornos mentais (depressão/ansiedade/stress pós-traumático).
Principais causas:
– Alta demanda, imprecisão quanto às expectativas.
– Metas inalcançáveis.
– Trabalho extremamente monótono.
– Percepção de trabalho “sem importância”.
– Violência no trabalho.
– Situações momentâneas e súbitas de alto nível de estresse.
– Testemunha constante de sofrimento humano de terceiros (profissionais de saúde, assistentes
sociais).
Prevenção:
– Definição de metas adequadas; boas relações interpessoais; melhora da comunicação,
reconhecimento do valor do trabalho realizado.
– Programas de prevenção da violência nas atividades com risco elevado de
assaltos/envolvimento ou repressão de atos violentos.
– Programa de apoio e acompanhamento de profissionais vítimas de violência no trabalho ou
submetidos a situações de estresse agudo de alta intensidade.
– Profissionais que lidam constantemente com o sofrimento humano de terceiros.
4. PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruídos)
Provocada pela exposição por tempo prolongado ao ruído. Essa perda é irreversível,
geralmente atinge os dois ouvidos e avança, se não ocorrer a interrupção ao ruído.
Principais sintomas:
A dificuldade de audição é um dos sintomas mais importantes, contudo pode ser percebido
pelo trabalhador apenas quando a perda já está avançada. Por esse motivo é importante que todo
trabalhador exposto a ruído no seu ambiente de trabalho faça avaliação audiométrica pelo menos uma
vez ao ano.
A PAIR, além de reduzir a audição, pode provocar zumbidos nos ouvidos e dificuldade em
entender palavras. A exposição a ruídos intensos no trabalho também pode provocar dificuldade na
comunicação, alterações do sono, irritabilidade, alterações na pressão arterial, etc.
Prevenção:
Melhoria dos ambientes de trabalho, com a eliminação ou redução da emissão de ruídos,
através da utilização de máquinas e ferramentas menos barulhentas, do isolamento ou
enclausuramento das operações que causam ruído e outras medidas de engenharia. Durante a
implantação dessas medidas, ou caso essas não sejam tecnicamente viáveis, o trabalhador deve
utilizar protetores auriculares e realizar exames audiométricos periodicamente.
5. Varizes de membros inferiores
Varizes são veias tortuosas, dilatadas e insuficientes. Qualquer veia pode ficar varicosa, mas
é mais comum as varizes afetarem as pernas e pés, isso porque ficar em pé, por tempos prolongados
ou sentado por longos períodos aumenta a pressão nas veias da parte inferior do corpo.
Principais causas:
– Trabalho em pé ou sentado com pouca movimentação.
– Obesidade e sedentarismo (fatores não necessariamente ocupacionais, porém muito significativos).
Prevenção:
– Análise ergonômica das tarefas para adequação do mobiliário e equipamentos, permitindo a
alternância de posturas e mobilidade no posto de trabalho; exercícios preparatórios e compensatórios.
– Programas de incentivo à educação alimentar e à prática regular de atividades físicas de intensidade
moderada.
6. Asma Ocupacional
Causada pela inalação de agentes tóxicos que provocam alergia. A asma se caracteriza
pela obstrução das vias respiratórias do trabalhador por poeiras de substâncias como algodão,
borracha, linho, madeira, etc. É a doença respiratória mais comum relacionada ao trabalho.
A sua prevenção depende, em grande medida, da utilização de adequados equipamentos de
proteção individual. A eficácia do tratamento, quando a patologia já está instalada, depende do
afastamento do trabalhador dos agentes causadores da obstrução de suas vias áreas.
7. Dermatose ocupacional
É uma doença do trabalho, que se caracteriza por alterações na pele e na mucosa do
trabalhador, em razão da sua exposição a determinados agentes nocivos durante o desempenho de
suas atividades laborais, como a graxa ou óleo mecânico, por exemplo. O termo engloba os seguintes
males: dermatite de contato, ulcerações, infecções e cânceres.
A sua prevenção depende da utilização contínua de EPI — Equipamento de Proteção
Individual — e o tratamento reclama o afastamento do trabalhador de suas funções habituais e do
contato com os agentes nocivos.
Todos devem aprender a identificar os sinais do seu corpo para perceber o início de qualquer
desconforto, procurando, assim, adaptar as técnicas da ergonomia ao seu local de trabalho.
Os sintomas mais comuns de uma doença ocupacional, e que requerem a procura por um
médico:
• Cansaço excessivo;
• Desconforto após a jornada de trabalho;
• Inchaço;
• Formigamento dos pés e das mãos;
• Sensação de choque nas mãos;
• Dor nas mãos;
• Perda dos movimentos da mão.
Para manter a qualidade de vida, é essencial que o trabalhador procure manter um equilíbrio entre
corpo e mente. Realizar exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana é uma ótima forma de
prevenção de doenças ocupacionais, além de uma dieta balanceada e saudável, sem esquecer o lazer,
pois assim o estresse do dia a dia poderá ser diminuído.
REFERÊNCIAS
• Ministério da Saúde do Brasil. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO. Brasília/DF –
Brasil 2001. Disponível em:
[Link]
[Link]
• Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Ministério do Trabalho: Como prevenir as
doenças ocupacionais. Disponível em: [Link]
trabalho-como-prevenir-as-doencas-ocupacionais/
• Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde sobre as Doenças Relacionadas ao
Trabalho do Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana de Saúde. Disponível em:
[Link]