Poder Constituinte Originário
Poder Constituinte Originário
Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Aula 04
Direito Constitucional – Poder Constituinte
Originário
Direito Constitucional (Curso Avançado) –
Turma Regular
1 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Sumário
SUMÁRIO 2
(1) INTRODUÇÃO 3
(2) NATUREZA DO PODER CONSTITUINTE 5
(3) TITULARIDADE 8
(4) ESPÉCIES 10
(5) EXERCÍCIO 11
(6) AS CARACTERÍSTICAS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO 12
(7) O PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO E OS DIREITOS ADQUIRIDOS 18
(8) QUESTÕES RESOLVIDAS EM AULAS 21
(9) OUTRAS QUESTÕES: PARA TREINAR 27
(10) RESUMO DIRECIONADO 39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42
2 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Comentário:
Assinalou a assertiva como verdadeira? Ótimo, pois está correta. Realmente o poder constituinte originário
tem por tarefa criar a Constituição do novo Estado, para organiza-lo. Lembremos, ademais, que é um poder
inicial, já que o produto de seu trabalho, a Constituição, é a base do ordenamento jurídico, sendo o
documento que inaugura juridicamente um novo Estado e ocasiona a ruptura total com a ordem anterior.
Gabarito: Certo
[NUCEPE - 2018 - PC-PI - Delegado de Polícia Civil - Adaptada] Sobre o Poder Constituinte, julgue a
assertiva:
O Poder chamado de Originário é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, provocando uma ruptura
com a ordem jurídica anterior.
Comentário:
O poder constituinte originário é, de fato, o poder responsável pela elaboração da Constituição, norma
jurídica superior que inicia a nova ordem jurídica (rompendo com a anterior) e lhe confere fundamento de
validade. A assertiva, portanto, é verdadeira.
Gabarito: Certo
3 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Sobre o surgimento do PCO, entenda que ele sempre existiu, pois desde os primórdios das
organizações políticas ele esteve presente. Isso significa dizer que desde a antiguidade, em todos os atos
sociais de fundação e estruturação de uma comunidade, até aquelas mais arcaicas, tivemos a sua
manifestação. Afinal, mesmo nas sociedades mais primitivas, já era necessário definir um conjunto de
regras regentes daquele corpo social, e o poder originário era o responsável por fazer isso. Claro que os
preceitos que dirigiam a vida daquela comunidade não estavam, ainda, organizados em normas escritas:
as primeiras constituições escritas só vão surgir no final do séc. XVIII (nos EUA, em 1787; na França, em
1791).
A teorização do PCO, todavia, é bem mais recente. Isso quer dizer que o poder já existia no
inconsciente dos indivíduos (já sabíamos, desde a pré-história, que regras estruturantes precisavam ser
definidas para que aquela comunidade pudesse funcionar e se diferenciar das demais), mas ainda não
havia uma existência jurídica e racional deste poder.
Eis que no século XVIII, às vésperas da Revolução Francesa (que aconteceu em 1789) um abade
francês, chamado Emmanuel Joseph Sieyès, publica um panfleto (que o tornou mundialmente
conhecido) cujo título era Qu’est-ce que le tiers État? (“O que é o terceiro Estado?”).
Considera-se que Sieyès foi o precursor dos estudos sobre o poder originário porque nesta obra (que,
inclusive, foi um dos estopins da Revolução), o abade apresentou as reivindicações do Terceiro Estado
contestando as vantagens dos nobres e do alto clero. Composto pelos não integrantes dessas duas
classes privilegiadas (nobreza e alto clero) o que, portanto, incluía a burguesia, o Terceiro Estado era o
responsável pelas atividades de produção que culminavam na formação da riqueza do país; todavia, era
completamente alijado do processo político. Sem privilégios e sem participação nas decisões, o Terceiro
Estado (a rigor, a burguesia) passa a reivindicar seu papel na conformação política do país, tendo como
seu principal defensor o abade francês.
Em seu manifesto, Sieyés identificou que a formação de uma sociedade política passava por três
fases:
- Na sequência, num 2º momento, estes sujeitos começariam a se organizar e debater, ainda que forma
rudimentar, as melhores fórmulas para satisfazerem suas necessidades básicas comuns.
- Mas, como os componentes desse grupo vão se tornando muitos e se espalhando por territórios cada
vez mais amplos, fica inviável a manifestação direta de cada integrante sobre todos os assuntos. É nesse
4 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
contexto que surge a 3ª fase, na qual passa a ser necessária a delegação das decisões a alguns poucos
indivíduos que, representantes legítimos dos demais, vão decidir por todos.
Precisamente no momento em que esta 3ª fase de uma sociedade é alcançada, o autor defende ser
essencial a organização desse corpo de indivíduos por uma Constituição. Esta, segundo o abade francês,
deveria ser criada pelo poder constituinte, titularizado pela nação, entidade que sintetizaria a unidade
política do povo, e que, em sua percepção, existiria antes de tudo e seria a origem de tudo. A nação,
enquanto titular do poder originário, seria soberana “para ordenar o seu próprio destino e o da sua
sociedade, expressando-se por meio da Constituição”.
Segundo Sieyés, portanto, a Constituição seria produto dos trabalhos do poder constituinte
originário e estruturaria os poderes (constituídos) do Estado, se diferenciando destes por sua
superioridade e capacidade criadora.
Bom, caríssimo aluno, agora que já foram apresentadas as noções históricas que inicialmente
delimitaram o poder constituinte e inspiraram os atributos que, ainda hoje, depois de mais de duzentos
anos, são associados ao PCO, te convido a acompanhar, nos itens seguintes, os aspectos mais
importantes (e com mais incidência em provas) que envolvem o estudo deste tema. Antes, todavia, quero
chamar sua atenção para um ponto específico: o tema que estudaremos nessa aula é puramente
doutrinário – o que significa que não farei apontamentos sobre artigos específicos da Constituição,
tampouco acerca de manifestações do STF. Simplesmente vamos entender como a doutrina apresenta
o PCO (natureza, titularidade, espécies, características...) e, no transcurso dessa conversa, avaliaremos
juntos como cada um desses tópicos tem sido explorado nas provas (e, claro, como podem ser cobrados
em seu concurso). Vamos avançar!
E a primeira escola que disputa a natureza do poder é a jusnaturalista, que o considera um poder de
direito, haja vista admitir a existência de um direito natural (decorrente da natureza humana e dos ideais
de Justiça), anterior ao direito positivo. Nesses termos, mesmo que o poder originário venha antes da
formação do Estado, existiria uma base normativa, que é o direito natural, capaz de lhe dar
5 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
fundamentação jurídica e permitir que o classifiquemos como um poder de direito. Veja se o esquema
lhe ajuda a compreender mais facilmente:
Notou que o PCO vem antes do Estado, já que o Estado só surge depois que a Constituição é
apresentada? Mas, ainda assim, mesmo aparecendo antes do Estado, o PCO teria (para os
jusnaturalistas) natureza de poder de direito, porque retiraria sua fundamentação jurídica de um direito
que antecede o Estado, que é o direito natural.
O Direito não se resume ao Direito positivo. Há um Direito natural, anterior ao Direito do Estado e
superior a este. Deste Direito Natural decorre a liberdade de o homem estabelecer as instituições por
que há de ser governado. Destarte, o poder que organiza o Estado, estabelecendo a Constituição, é
um poder de Direito1.
Aliás, vale destacar que a maioria da doutrina pensa dessa forma, isto é, concorda que a tese que
melhor explica a natureza do PCO é a positivista. Veja o que diz Uadi Lammego:
1
. FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. 27ª ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2001, p. 23
6 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
O poder constituinte originário é um poder de fato. Sua natureza, pois, é fática. Não é um poder
jurídico, sujeito aos desígnios do mundo do Direito, e sim metajurídico ou extrajurídico. Brota das
relações político-sociais, porque seu fundamento reside nas necessidades econômicas, culturais,
antropológicas, filosóficas e, até, religiosas, da vida em sociedade. O poder constituinte originário não
tem como referencial nenhuma norma jurídica que o precedeu. Posta-se acima do plano legislativo;
afinal, é a produção legiferante do Estado que se lastreia nele. Resultado: o ordenamento jurídico
nasce a partir do momento em que ele cria a constituição. Então o poder constituinte originário é um
poder preexistente à ordem jurídica, sendo desnecessário haver preceitos normativos para
regulamentá-lo2.
Bom, veja o esquema3 abaixo, que estrutura as informações teóricas sobre a natureza do PCO:
Sendo um poder de fato ou político, o poder constituinte originário não tem natureza de poder jurídico.
Comentário:
Pode assinalar a assertiva como verdadeira. A corrente positivista propugna exatamente isso.
Gabarito: Certo
2
. BULOS, Uadi Lammêgo. Constituição Federal anotada. 8ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 394 e 400.
3
. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 7ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 116.
7 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(3) Titularidade
O titular do poder constituinte é aquele que o detém, estando apto a elaborar os contornos
normativos de um Estado. Em suma, é quem vai definir o conteúdo, as regras e a estrutura organizacional
daquela ordem jurídica.
No transcorrer dos vários séculos da Idade Média, a titularidade pertenceu aos soberanos,
compreendidos como verdadeiras reencarnações de entidades divinas. E, como os reis eram vistos como
divindades poderosas, eles podiam conformar sozinhos todo o aparato estatal, livres de quaisquer
limitações (por isso fala-se que, na época, vigorava o absolutismo).
Às vésperas da Revolução Francesa, quando Sieyés publicou o panfleto intitulado “O que é o terceiro
Estado?”, a formulação clássica da titularidade do poder constituinte como pertencente à nação surgiu.
Nesse sentido, o autor rompeu com a legitimação dinástica do poder, típica das monarquias absolutistas
e, associando o conceito de “nação” ao de Terceiro Estado, afirmou ser aquela o legítimo titular do poder
constituinte, apta a criar uma Constituição que organize o Estado de acordo com a vontade nacional.
Cuidado com essa mudança na titularidade do PCO, pois isso é objeto frequente de questionamento
em prova. Veja só:
Para a Teoria Clássica do Poder Constituinte de Emmanuel Joseph SIEYÈS, o titular do Poder Constituinte
seria o povo.
Comentário:
O item é falso, visto que para a Teoria Clássica do Poder Constituinte, formatada pelo abade francês
Emmanuel Joseph SIEYÈS, o titular do Poder Constituinte seria a nação (a ideia de a titularidade pertencer
ao povo veio depois).
Gabarito: Errado
O abade Sieyès foi o primeiro a sistematizar a doutrina do poder constituinte, em sua obra “O que é o
Terceiro Estado?”, que influenciou fortemente a Revolução Francesa. Nessa obra, a titularidade do poder
8 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
constituinte passou a ser atribuída ao povo – ou à nação, como preferia o padre Sieyès – abandonando-se,
desse modo, as visões que atribuíam ao monarca ou a Deus a titularidade do poder.
Comentário:
Essa é uma questão clássica sobre a titularidade do poder constituinte. Durante vários séculos na Idade
Média o poder constituinte pertenceu aos soberanos, compreendidos como verdadeiras reencarnações de
entidades divinas, que conformavam sozinhos todo o aparato estatal, livres de quaisquer limitações. Nas
vésperas da Revolução Francesa, quando o abade Emmanuel Sieyés publicou o panfleto intitulado “O que é
o terceiro estado?” a formulação clássica da titularidade do poder constituinte como pertencente à nação
emergiu. Uma leitura mais moderna, todavia, substitui o conceito de “nação” pelo de povo. Podemos
assinalar a assertiva como correta, pois está completamente de acordo com a melhor doutrina sobre o tema.
Gabarito: Certo
[UERR - 2018 - IPERON - RO - Auditor] “Só o povo entendido como um sujeito constituído por pessoas -
mulheres e homens - pode 'decidir' ou deliberar sobre a conformação da sua ordem político-social. Poder
constituinte significa, assim, poder constituinte do povo. Como já atrás foi referido, o povo, nas democracias
atuais, concebe-se como uma 'grandeza pluralística' (P. Haberle), ou seja, como uma pluralidade de forças
culturais, sociais e políticas, tais como partidos, igrejas, associações, personalidades, decisivamente
influenciadoras na formação de 'opiniões', 'vontades', 'correntes' ou 'sensibilidades ' políticas nos momentos
pré-constituintes e nos procedimentos constituintes”. (CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito Constitucional e
Teoria da Constituição. 7. ed. Coimbra: Edições Almedinas, 2003. p. 75).
Sobre a titularidade do poder constituinte no constitucionalismo brasileiro, é correto afirmar que é conferida
ao:
A) Estado, que a exerce por meio do Supremo Tribunal Federal, pois resta superada a lição que apregoava
pertencer ao povo.
B) povo que a exerce sempre indiretamente
C) Estado, que a exerce por meio da Assembleia Constituinte, pois resta superada a lição que apregoava
pertencerão povo.
A alternativa correta e que deverá ser marcada é a letra ‘b’, afinal, o titular do PCO é mesmo o povo, que
sempre o exerceu de forma indireta.
Gabarito: B
9 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(4) Espécies
Até aqui, caro aluno, creio que você já tenha se adaptado à ideia de que o poder constituinte
originário é um poder político (ou de fato), que antecede o direito, sendo responsável pela elaboração da
primeira Constituição de um novo Estado ou elaboração de uma nova Constituição daquele mesmo
Estado, recriando-o sob o aspecto jurídico.
São muitas e variadas, todavia, as nomenclaturas que a doutrina apresenta para identificar os
diferentes momentos e as distintas vertentes de manifestação do poder, o que torna essencial uma
organização classificatória como a que vou lhe apresentar a seguir.
(i) Quanto ao momento de sua manifestação, o PCO pode ser classificado da seguinte maneira:
(a) Fundacional (ou Histórico): quando confecciona a primeira Constituição de um Estado (primeira
Constituição Histórica – segundo Hans Kelsen). Agiu em nosso país na outorga do documento de 1824
(pois está foi nossa 1ª Constituição, lembra-se disso?).
(b) Pós-fundacional (por muitos chamado de Revolucionário): quando o PCO parte de uma ruptura de
uma ordem jurídica vigente para elaborar o novo documento que substituirá (por revogação) o anterior.
Essa espécie de PCO atua na feitura de todos os documentos posteriores ao primeiro, se existirem, de
modo revolucionário ou por meio de uma transição constitucional pacífica. No Brasil, apresentou-se nos
documentos posteriores a Carta de 1824 – nas Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967/1969 e 1988.
Não custa lhe informar que é possível que o PCO, em determinado Estado, só se manifeste uma única
vez, de modo fundacional, criando a 1ª e única Constituição que vai reger aquele país. Foi o que se passou
(ao menos até o presente momento) com os EUA, que segue sendo regido pela Constituição de 1787 (sua
1ª constituição; aliás, a 1ª constituição escrita do mundo).
(a) material: anterior ao formal, é o poder que delimita os valores que serão prestigiados pela
Constituição e a ideia de direito que vai vigorar no novo ordenamento. Nesse sentido, pode ser traduzido
como o conjunto de forças político-sociais, geradoras da mudança institucional, que explicitam a ideia
de direito e produzem o conteúdo de uma nova Constituição.
(b) formal: aquele que exprime e formaliza a criação em si, estruturando a ideia de direito que foi pensada
e construída pelo poder constituinte material. Revela-se na entidade (no grupo constituinte) que
formalizará em normas jurídicas a ideia/concepção de direito consentida em dado momento histórico.
10 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Nos dizeres do prof. Português Jorge Miranda4, o poder constituinte na dimensão material é obviamente
anterior ao formal em dois aspectos, um lógico, outro histórico:
O poder constituinte material precede o poder constituinte formal. Precede-o logicamente, porque a
ideia de Direito precede a regra de Direito, o valor comanda a norma, a opção política fundamental, a
forma que elege para agir sobre os factos (...). E precede-o historicamente, porque (...) há sempre dois
tempos no processo constituinte, o do triunfo de certa ideia de Direito ou do nascimento de certo
regime e o da formalização dessa ideia ou desse regime.
Esquematicamente5:
(5) Exercício
Agora que já delimitamos a titularidade, vamos definir como se dá o exercício do poder constituinte,
afinal, nem sempre haverá coincidência entre o titular e o exercente, o que acarretará o exercício do
poder não pelo povo (seu titular) diretamente, mas sim por um corpo diverso, que o representa ou não.
4
. MIRANDA, Jorge. Manual de direito constitucional. 3ª ed., Tomo II. Coimbra: Coimbra Editora, 1996, p. 74-76.
5
. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 7ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 121.
11 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(i) Procedimento constituinte direto: quando o projeto elaborado pela Assembleia só obtém validade
jurídica por meio da aprovação direta do povo, que se manifesta através de um plebiscito ou de um
referendo.
(ii) Exercício democrático indireto: neste caso o povo escolhe os seus representantes, que se tornam
responsáveis pela elaboração de um novo documento constitucional, que renovará o ordenamento
jurídico. O poder constituinte atuará por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte, ou uma
Convenção Constituinte, sendo esta a forma que tipifica o exercício democrático desde as origens do
constitucionalismo, conforme nos certificam os exemplos da Convenção de Filadélfia de 1787 e a
Assembleia Nacional Francesa de 1789. No direito pátrio podemos citar como exemplos os documentos
constitucionais de 1891, 1934, 1946 e 1988.
(iii) Exercício autocrático: o poder se manifesta por meio da outorga, de modo que a Constituição seja
estabelecida por um indivíduo ou um grupo que alcança o poder sem qualquer resquício de participação
popular, constituindo o que se denomina poder constituinte usurpado. Como exemplos de Constituições
outorgadas no Brasil, temos as de 1824, 1937 e a de 1967 (bem como a EC nº 1 de 1969).
Uma questão vai ilustrar como o tema pode ser exigido em prova:
Comentário:
Assinalou a assertiva como verdadeira? De fato, como vimos acima, a outorga e a convenção são formas por
meio das quais o poder constituinte originário pode se expressar.
Gabarito: Certo
12 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Assim, vamos avaliar as características essenciais do PCO segundo a ótica positivista, vigente em
nosso ordenamento. Vejamos:
(i) Inicial: porque o produto de seu trabalho, a Constituição, é a base do ordenamento jurídico; é o ponto
a partir do qual o Direito começa. Sobre o poder constituinte, diz o professor português Canotilho “não
existe, antes dele, nem de fato nem de direito, qualquer outro poder. É nele que se situa, por excelência,
a vontade do soberano (instância jurídica-política dotada de autoridade suprema)"6.
Perceba, meu caro aluno, que o PCO é o ponto a partir do qual o Direito começa. Exatamente por
isso, ele não pode integrar à ordem jurídica que ele mesmo inicia, tampouco ser regido por ela. Como o
poder também não se conecta a ordem jurídica anterior, por ele rompida, a conclusão é a de que ele não
pertence a ordem jurídica alguma, por isso não pode ser objeto de nenhuma delas. Ainda sobre essa
característica, veja o que os constitucionalistas7 pátrios dizem sobre o tema:
É verdade que o exercício do poder constituinte originário representa, pelo menos sob o ângulo
formal, uma ruptura em relação ao ordenamento jurídico pretérito. Teoricamente, seria como se o
Estado e o Direito (re)começassem do zero, rompendo com passado.
E são justamente essas considerações que nos levam à próxima característica, que reconhece o
poder como ilimitado.
(ii) Ilimitado: pois o PCO não se submete ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor
de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica. Isso significa que as normas jurídicas
anteriormente estabelecidas não são capazes de limitar a sua atividade, restringindo juridicamente sua
atuação. Ele simplesmente pode decidir “o que quiser” e “como quiser”, o que nos encaminha para a
particularidade seguinte do poder: ser incondicionado.
(iii) Incondicionado: já que não se submete a qualquer regra ou procedimento formal prefixado pelo
ordenamento jurídico que o antecede. Assim, no curso de seus trabalhos, o poder constituinte atua
livremente, sem respeito às condições ou regras previamente estipuladas.
6
. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional. 6ª ed. Coimbra: Almedina, 1993, p. 94.
7
. Souza Neto, Cláudio Pereira de; Sarmento, Daniel. Direito constitucional: teoria, história e métodos de trabalho. Belo
Horizonte: Fórum, 2012, p. 499.
13 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(iv) Autônomo: porque é capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem
como sua estruturação e os termos de seu estabelecimento. Ressalte-se que para alguns autores essa
característica é só uma maneira diferente de expressar o fato de o poder ser ilimitado.
Há, ainda, outra característica do poder constituinte útil à complementação do rol apresentado. Diz-
se ser este um poder permanente, pois ele não se esgota quando da conclusão da Constituição. Ele
permanece em situação de latência, podendo ser ativado quando o “momento constituinte”, (de
necessária ruptura com a ordem estabelecida), se apresentar novamente. Veja que interessante, meu
caro aluno! O PCO não desaparece quando finaliza seus trabalhos e institui um novo Estado jurídico: ele
segue com o povo, que o titulariza, mas em estado de “hibernação” (aguardando um novo cenário que
exija sua manifestação).
E, para finalizarmos o estudo das características que definem o poder, é válido fazermos algumas
observações que nos darão a noção de que essa ausência de limites deve ser tratada com certas reservas.
Igualmente são limites as circunstâncias sociais e políticas que lhe dão causa, pois se o poder
constituinte é a expressão da vontade política soberana do povo, não pode ser entendido sem a
observância dos valores éticos, religiosos e culturais pelo povo partilhados e motivadores de suas ações.
(i) Sieyès, jusnaturalista que é, no quinto capítulo de “O que é o Terceiro Estado?” afirma que a nação e,
por consequência, o poder constituinte: “Existe antes de tudo, ela é a origem de tudo. Sua vontade é
sempre legal, é a própria lei. Antes dela e acima dela só existe o direito natural”8.
(ii) Para J.J. Gomes Canotilho, o poder constituinte originário obedece a “padrões e modelos de conduta
espirituais, culturais, éticos e sociais radicados na consciência jurídica geral da comunidade", devendo
observar os princípios do direito internacional (como a defesa da paz, a autodeterminação dos povos, a
prevalência dos direitos humanos) e de justiça.” 9
8
. A Constituição burguesa: qu"est-ce que le Tiers Etat. Rio de Janeiro: Liber Juris, 1986, p. 117
9
. CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional. 6ª ed. Coimbra: Almedina, 1993, p. 97
14 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(iii) Para Cláudio Pereira de Souza Neto e Daniel Sarmento: “Entendemos que até mesmo o poder
constituinte originário está sujeito a limites. Adotamos uma visão não positivista do fenômeno jurídico,
que afirma a existência de uma relação necessária, e não meramente contingente, entre Direito e Moral.
Nesta perspectiva, normas radicalmente injustas — como seria uma que instituísse a escravidão ou
determinasse a tortura de prisioneiros — não podem ser consideradas como integrantes do Direito,
independentemente da sua fonte ou estatura. Por isso, as normas intoleravelmente injustas não devem
ser aplicadas, ainda que estejam contidas no texto constitucional.10” (Fonte).
Um último comentário: segundo Genaro Carrió, esse costume de definir o poder constituinte como
autoridade suprema, autônomo, absoluto, incondicionado, ilimitado, coincide com os predicados que os
manuais religiosos ofertam para a ideia de Deus! Quer nos lembrar o autor que o poder constituinte é
mesmo uma potência, dotada de amplíssima capacidade de conformação da ordem jurídica, todavia, por
não ser uma entidade divina e metafísica, nem tudo a ele é possível.
Agora, um esquema que organiza as características centrais do PCO11 que estudamos ao longo desse
item da aula:
10
. Souza Neto, Cláudio Pereira de; Sarmento, Daniel. Direito constitucional: teoria, história e métodos de trabalho. Belo
Horizonte: Fórum, 2012, p. 499
11
. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 7ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2019, p. 125.
15 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Bom, vamos encerrar esse tópico verificando juntos o modo como as bancas estruturam perguntas
sobre este assunto. Força aí, caro aluno! A diversão começa aqui, na resolução das questões...
Comentário:
Para responder essa questão é necessário recordar algumas das características do poder constituinte
originário. Lembre-se que o poder constituinte originário é um poder ilimitado, haja vista não se submeter
ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor de ampla liberdade de conformação da nova
ordem jurídica. É também um poder incondicionado, visto que não se submete a qualquer regra ou
16 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
procedimento formal pré-fixado pelo ordenamento jurídico que o antecede. Outra característica
interessante é que se trata de um poder inicial, porque o produto de seu trabalho, a Constituição, é a base
do ordenamento jurídico, é o documento que inaugura juridicamente um novo Estado e ocasiona a ruptura
total com a ordem anterior. Nesse sentido, podemos assinalar a letra ‘c’ como nossa resposta.
Gabarito: C
[FEPESE - 2018 - Prefeitura de Rio das Antas - SC – Advogado - Adaptada] A respeito do poder constituinte
originário e do poder constituinte derivado, julgue a assertiva:
O poder constituinte originário possui características tradicionais que o diferenciam dos poderes
constituídos, tratando-se de um poder inicial, autônomo e incondicionado.
Comentário:
A assertiva está em harmonia com o que aprendemos acerca das características do poder constituinte
originário. Trata-se de um poder: inicial – porque o produto de seu trabalho, a Constituição, é a base do
ordenamento jurídico; autônomo – porque é capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova
Constituição, bem como sua estruturação e os termos de seu estabelecimento; e incondicionado – vez que
não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado pelo ordenamento jurídico que o
antecede.
Gabarito: Certo
[FCC - 2017 - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte I – Direito] Ao Poder que possibilita a
instauração de uma nova ordem jurídica dá-se o nome de Poder Constituinte:
A) inicial e autônomo, pois produz uma nova Constituição, mas deve respeitar as cláusulas pétreas, direitos
e garantias fundamentais constantes das cartas constitucionais anteriores.
B) originário, pois delibera e produz a nova ordem constitucional, sendo, assim, autônomo, incondicionado
e não estando limitado às normas constantes das Constituições anteriores.
C) derivado, tendo em vista que constitui a substituição dos ordenamentos jurídicos anteriores, embora seja
autônomo em relação a eles.
17 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
D) derivado, pois se presta a substituir a carta constitucional anterior, dela derivando e, portanto, devendo
respeitar o procedimento formal para essa medida, bem como as cláusulas pétreas.
E) originário, pois se consideram inexistentes as cartas constitucionais anteriores, salvo no que se refere às
cláusulas pétreas e à forma e sistema de governo.
Comentário:
O poder constituinte originário é o responsável pela elaboração da Constituição, esta norma jurídica superior
que inicia a ordem jurídica e lhe confere fundamento de validade. Tem por características ser um poder
inicial, ilimitado, incondicionado, autônomo e permanente. Nesse sentido, a letra ‘b’ deve ser assinalada. No
mais, não custa aproveitar essa questão para lhe lembrar que o PCO não respeita nada que juridicamente
tenha sido colocado na Constituição anterior, nem mesmo as chamadas cláusulas pétreas que ela possuía.
Essas últimas eram cláusulas muito importantes no documento anterior; mas com a entrada em vigor da
nova Constituição, a anterior é integralmente revogada.
Gabarito: B
Comentário:
Mas o que seria o “direito adquirido”? Essa expressão é definida pelo art. 6º, § 2º da LINDB (Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro – Decreto-Lei nº 4.657/42) da seguinte maneira: “consideram-
se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por êle, possa exercer, como aquêles cujo
comêço do exercício tenha têrmo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de
outrem” (sic).
Essa explicação que a lei traz não é tão boa, pois ela aproxima demais o conceito de “direito
adquirido” ao de “direito subjetivo”, praticamente os equivalendo (e eles não representam a mesma
coisa, sabemos disso!). Na verdade, as expressões se diferenciam na medida em que o direito subjetivo
só permanece enquanto tal até que uma das duas situações ocorram:
18 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
(ii) ou não é realizado (por indivíduo que já faz jus ao seu exercício) e, em virtude de normatização
ulterior com ele incompatível, passa a categoria de “direito adquirido”.
O direito torna-se adquirido, portanto, quando uma alteração na ordem jurídica torna inviável um
direito que o indivíduo ainda não desfrutou, mas já era passível de fruição desde antes da modificação.
Uma questão interessante é a seguinte: será que estes direitos (os “adquiridos”) podem ser
validamente invocados diante de manifestação do poder constituinte originário? Em outras palavras, o
que estamos questionando é se existe a possibilidade de preservarmos uma situação jurídica que envolva
um direito que foi adquirido na ordem jurídica anterior, mas não foi exercido e é incompatível com a nova
ordem jurídica.
Para ilustrar, imaginemos situação na qual determinada pessoa tenha cumprido todos os requisitos
determinados constitucionalmente para realizar determinado direito, todavia, antes mesmo de exercê-
lo, uma nova Constituição, que descarta esse tal direito, entra em vigor.
Conforme já noticiado neste capítulo, o poder originário é inicial, fornecendo as bases jurídicas que
inauguram o ordenamento; é também ilimitado sob o aspecto jurídico, não se subordinando às
determinações normativas traçadas pelo ordenamento precedente. Assim, somente é direito o que a
nova ordem disser que é, aquilo que por ela for aceito como tal. De acordo com Gilmar, “o que é
repudiado pelo novo sistema constitucional não há de receber status próprio de um direito, mesmo que
na vigência da Constituição anterior o detivesse”.
Assim, outra não pode ser a nossa conclusão senão a de que não se pode alegar “direitos adquiridos”
perante a nova Constituição, perante o trabalho do poder originário.
Para ilustrar, pensemos no art. 17 do ADCT, que assim determinou: “os vencimentos, a remuneração,
as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos
em desacordo com a Constituição serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se
admitindo, neste caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título”.
Em conclusão, não se pode alegar “direito adquirido” perante a nova Constituição, diante do
trabalho do poder originário.
19 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
A superveniência de nova Constituição não afetará o direito adquirido na ordem constitucional anterior.
Comentário:
O item é claramente falso. O poder constituinte originário é ilimitado, pois não se submete ao regramento
posto pelo direito precedente, sendo possuidor de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica.
Dessa forma, como vimos acima, não se pode alegar direitos adquiridos na vigência da Constituição anterior
frente ao trabalho do PCO.
Gabarito: Errado
[FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia - Bloco II - Adaptada] O poder constituinte pode ser
conceituado como o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição. A titularidade desse poder pertence
ao povo, como aponta a doutrina moderna. Sobre as proposições em relação ao tema, julgue a assertiva:
O poder constituinte originário tem como principais características ser: inicial, ilimitado e incondicionado.
Comentário:
O item é verdadeiro, pois lista corretamente as características do PCO.
Gabarito: Certo
20 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
QUESTÃO 02
[NUCEPE - 2018 - PC-PI - Delegado de Polícia Civil - Adaptada] Sobre o Poder Constituinte, julgue a
assertiva:
O Poder chamado de Originário é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, provocando uma ruptura
com a ordem jurídica anterior.
QUESTÃO 03
Sendo um poder de fato ou político, o poder constituinte originário não tem natureza de poder jurídico.
QUESTÃO 04
[UEPA - 2015 - PGE-PA - Procurador do Estado] Sobre o Poder Constituinte, julgue a assertiva:
Para a Teoria Clássica do Poder Constituinte de Emmanuel Joseph SIEYÈS, o titular do Poder
Constituinte seria o povo.
QUESTÃO 05
O abade Sieyès foi o primeiro a sistematizar a doutrina do poder constituinte, em sua obra “O que é o
Terceiro Estado?”, que influenciou fortemente a Revolução Francesa. Nessa obra, a titularidade do poder
constituinte passou a ser atribuída ao povo – ou à nação, como preferia o padre Sieyès – abandonando-
se, desse modo, as visões que atribuíam ao monarca ou a Deus a titularidade do poder.
21 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
QUESTÃO 06
[UERR - 2018 - IPERON - RO - Auditor] “Só o povo entendido como um sujeito constituído por pessoas -
mulheres e homens - pode 'decidir' ou deliberar sobre a conformação da sua ordem político-social. Poder
constituinte significa, assim, poder constituinte do povo. Como já atrás foi referido, o povo, nas
democracias atuais, concebe-se como uma 'grandeza pluralística' (P. Hãberle), ou seja, como uma
pluralidade de forças culturais, sociais e políticas, tais como partidos, igrejas, associações,
personalidades, decísivamente influenciadoras na formação de 'opiniões', 'vontades', 'correntes' ou
'sensibilidades ' políticas nos momentos preconstituintes e nos procedimentos constituintes”
A) Estado, que a exerce por meio do Supremo Tribunal Federal, pois resta superada a lição que apregoava
pertencer ao povo.
C) Estado, que a exerce por meio da Assembléia Constituinte, pois resta superada a lição que apregoava
pertencerão povo.
QUESTÃO 07
[CESPE - 2017 - TRT - 7ª Região (CE) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Adaptada] A respeito das
características do poder constituinte e de sua configuração em originário ou derivado, julgue a assertiva:
QUESTÃO 08
[UFPR - 2013 - TJ-PR/Juiz] Quais são as características fundamentais do poder constituinte originário?
22 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
QUESTÃO 09
[FEPESE - 2018 - Prefeitura de Rio das Antas - SC – Advogado - Adaptada] A respeito do poder
constituinte originário e do poder constituinte derivado, julgue a assertiva:
O poder constituinte originário possui características tradicionais que o diferenciam dos poderes
constituídos, tratando-se de um poder inicial, autônomo e incondicionado.
QUESTÃO 10
QUESTÃO 11
[FCC - 2017 - ARTESP - Especialista em Regulação de Transporte I – Direito] Ao Poder que possibilita a
instauração de uma nova ordem jurídica dá-se o nome de Poder Constituinte
A) inicial e autônomo, pois produz uma nova Constituição, mas deve respeitar as cláusulas pétreas,
direitos e garantias fundamentais constantes das cartas constitucionais anteriores.
B) originário, pois delibera e produz a nova ordem constitucional, sendo, assim, autônomo,
incondicionado e não estando limitado às normas constantes das Constituições anteriores.
C) derivado, tendo em vista que constitui a substituição dos ordenamentos jurídicos anteriores, embora
seja autônomo em relação a eles.
D) derivado, pois se presta a substituir a carta constitucional anterior, dela derivando e, portanto,
devendo respeitar o procedimento formal para essa medida, bem como as cláusulas pétreas.
E) originário, pois se consideram inexistentes as cartas constitucionais anteriores, salvo no que se refere
às cláusulas pétreas e à forma e sistema de governo.
QUESTÃO 12
23 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
O poder constituinte originário é considerado inicial porque instaura uma nova ordem jurídica, rompendo
integralmente com a ordem jurídica anterior.
QUESTÃO 13
[CESPE - 2015 - STJ - Conhecimentos Básicos para o Cargo 17] Julgue o item seguinte, acerca dos direitos
e garantias fundamentais da República Federativa do Brasil.
A superveniência de nova Constituição não afetará o direito adquirido na ordem constitucional anterior.
QUESTÃO 14
O poder constituinte pode ser conceituado como o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição. A
titularidade desse poder pertence ao povo, como aponta a doutrina moderna. Sobre as proposições em
relação ao tema, julgue a assertiva:
O poder constituinte originário tem como principais características ser: inicial, ilimitado e
incondicionado.
GABARITO
1–V 4–F 7–V 10 – V 13 – F
2–V 5–V 8–C 11 – B 14 – V
3–V 6–B 9–V 12 – V
24 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
25 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
26 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
27 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
28 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
[CESPE - 2017 - MPE-RR - Promotor de Justiça Substituto - Adaptada] A respeito do poder constituinte,
julgue a assertiva:
O poder constituinte originário pode limitar os proventos de aposentadoria que sejam percebidos em
desacordo com a CF, não sendo oponível, nesse caso, a alegação de direito adquirido.
QUESTÃO 14
[CESPE - 2012 - TCE-ES - Auditor de Controle Externo - Auditoria Governamental] No que se refere ao
poder constituinte, julgue os itens seguintes.
Denomina-se poder constituinte originário histórico aquele que cria, pela primeira vez, um Estado novo,
que não existia antes; e poder constituinte originário revolucionário, o poder seguinte ao histórico, que
cria um novo Estado mediante uma ruptura com o Estado anterior.
QUESTÃO 15
[CESPE - 2011 - Correios - Analista de Correios - Advogado] Julgue a assertiva seguinte, referente ao
poder constituinte:
O poder constituinte originário, por ser aquele que instaura uma nova ordem jurídica, exige deliberação
da representação popular, razão pela qual não se admite a outorga como forma de sua expressão.
QUESTÃO 16
[FCC - 2010 - TCM-PA - Técnico de Controle Externo - Adaptada] Julgue a assertiva:
O poder constituinte originário é também um poder permanente, pois não se esgota no momento de seu
exercício. Mesmo depois de elaborada a nova Constituição, esse poder permanece em estado de
latência, na titularidade do povo.
QUESTÃO 17
[FCC - 2018 - SEFAZ-SC - Auditor-Fiscal da Receita Estadual - Auditoria e Fiscalização - Adaptada] Julgue
a assertiva:
Examinando a Constituição Federal vigente à luz da Doutrina do Poder Constituinte, conclui-se que o
texto constitucional não dispõe sobre o exercício do Poder Constituinte originário, uma vez que esse
poder, cujo titular é o povo, caracteriza-se por ser inicial e ilimitado.
QUESTÃO 18
[FCC - 2008 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Analista Judiciário - Área Judiciária] O Poder Constituinte originário
caracteriza-se por ser
A) inicial, ilimitado e reformador.
B) inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado.
C) autônomo e condicionado.
D) reformador e decorrente.
29 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
E) condicionado e decorrente.
QUESTÃO 19
[FCC - 2012 - TRT - 18ª Região (GO) - Juiz do Trabalho] A doutrina do poder constituinte foi elaborada na
obra
A) O Espírito das Leis, de Montesquieu.
B) O contrato social, de Jean Jacques Rousseau.
C) Leviatã, de Thomas Hobbes.
D) O que é o terceiro Estado?, de Emmanuel Joseph Sieyès.
E) Segundo Tratado sobre o Governo Civil, de John Locke.
QUESTÃO 20
[FCC - 2009 - TRT - 16ª REGIÃO (MA) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Execução de Mandados] Em
tema de Poder Constituinte Originário, é INCORRETO afirmar que
A) é limitado pelas normas expressas e implícitas do texto constitucional vigente, sob pena de
inconstitucionalidade.
B) é incondicionado, porque não tem ele que seguir qualquer procedimento determinado para realizar
sua obra de constitucionalização.
C) é autônomo, pois não está sujeito a qualquer limitação ou forma prefixada para manifestar sua
vontade.
D) caracteriza-se por ser ilimitado, autônomo e incondicionado.
E) se diz inicial, pois seu objeto final - a Constituição, é a base da ordem jurídica.
30 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
GABARITO COMENTADO
QUESTÃO 01
[CESPE - 2018 - EMAP - Analista Portuário - Área Jurídica] Julgue o item que segue, a respeito do poder
constituinte:
O poder constituinte originário gera e organiza os poderes do Estado, instaurando o próprio Estado
constitucional.
Comentário:
Item verdadeiro! O poder constituinte é a autoridade suprema do ordenamento jurídico, exatamente por
ser anterior a qualquer normatização jurídica, sendo o responsável pela elaboração da Constituição, esta
norma jurídica superior que inicia a ordem jurídica e instaura o Estado constitucional.
QUESTÃO 02
[CESPE - 2016 - PC-PE - Agente de Polícia - Adaptada] Julgue a assertiva a respeito da Constituição Federal
de 1988 (CF) e dos poderes constituintes.
O poder constituinte originário, que elaborou a CF, é essencialmente político, extrajurídico, sem limites
formais, e esgotou-se com a promulgação da CF.
Comentário:
A assertiva inicia bem ao dizer que poder constituinte originário é político (ou extrajurídico) e que não
possui limites formais. Entretanto, peca ao dizer que esse poder se esgota com a promulgação da
Constituição, pois trata-se de um poder permanente, não se esgota quando da elaboração da Constituição,
permanecendo apto a se manifestar a qualquer momento. A Assembleia Nacional Constituinte (ou
Convenção) que o materializou, se desfaz. Mas o PCO segue latente no povo, seu titular (só aguardando
um novo momento para se manifestar).
QUESTÃO 03
[CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área] À luz da doutrina
atual relativa ao poder constituinte, julgue o item a seguir.
O titular do poder constituinte é o povo, que, no Brasil, engloba tanto os brasileiros natos quanto os
naturalizados.
Comentário:
A assertiva está correta, o titular do poder constituinte é o povo. E povo é termo que engloba tanto os
brasileiros natos quanto os naturalizados, já que abraça todos aqueles que possuem um vínculo de direito
público com o Estado (“povo”, não se esqueça, é o vocábulo que designa o elemento pessoal do Estado).
QUESTÃO 04
[CESPE - 2013 - ANTT - Analista Administrativo - Direito] No que concerne ao poder constituinte e à
interpretação das normas constitucionais, julgue o item subsecutivo.
31 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
32 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
[CESPE - 2009 - TRF 1ªR - Juiz - Adaptada] Analise o item seguinte, relativo aos poderes constituintes
originário e derivado:
O poder constituinte originário não se esgota quando se edita uma Constituição, razão pela qual é
considerado um poder permanente.
Comentário:
Conseguiu identificar com facilidade que o item é verdadeiro? Realmente o poder constituinte originário
é um poder permanente, pois ele não se esgota quando finaliza a produção da Constituição.
UESTÃO 09
[CESPE - 2011 - AL-ES - Procurador - Adaptada] No que se refere à interpretação das normas
constitucionais e ao poder constituinte originário e derivado, analise a assertiva abaixo.
O poder constituinte originário, por sua própria natureza, não pode decorrer da atuação de uma única
pessoa ou de um grupo restrito de pessoas, sem a intervenção de um órgão de representação popular.
Comentário:
O item é falso, o exercício do poder originário pode ser autocrático, quando o poder se manifesta por
meio da outorga – de modo que a Constituição seja estabelecida por um indivíduo ou um grupo que
alcança o poder sem qualquer resquício de participação popular, constituindo o que se denomina poder
constituinte usurpado.
QUESTÃO 10
[CESPE - 2010 - AGU - Procurador] Julgue o item subsequente, relativo ao poder constituinte:
No que se refere ao poder constituinte originário, o Brasil adotou a corrente jusnaturalista, segundo a
qual o poder constituinte originário é ilimitado e apresenta natureza pré-jurídica.
Comentário:
Este é um item incorreto. Conseguiu identificar o porquê? Ora, no Brasil adota-se majoritariamente a
teoria juspositivista, em que o poder constituinte originário é tido por um poder de fato, metajurídico,
que se funda em si mesmo, não integrando o mundo jurídico nem possuindo natureza jurídica.
QUESTÃO 11
[CESPE - 2016 - TCE-PR - Analista de Controle] A respeito do poder constituinte, assinale a opção correta:
a) Se não houver ressalva expressa no seu próprio texto, a Constituição nova atingirá os efeitos
pendentes de situações jurídicas consolidadas sob a égide da Carta anterior.
b) O poder constituinte originário não desaparece com a promulgação da Constituição, permanecendo
em convívio estreito com os poderes constituídos.
c) As assembleias nacionais constituintes são as entidades que titularizam o poder constituinte
originário.
33 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
d) O poder constituinte originário é incondicionado, embora deva respeitar os direitos adquiridos sob a
égide da Constituição anterior, ainda que esses direitos não sejam salvaguardados pela nova ordem
jurídica instaurada.
Comentário:
Nossa assertiva correta encontra-se na letra ‘a’, por ser um poder autônomo, o poder constituinte
originário tem a capacidade de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como
sua estruturação e os termos de seu estabelecimento. Assim, o que a afirmativa descreve (a chamada
retroatividade mínima das normas constitucionais) é possível de ser definido pelo Poder Originário,
sendo perfeitamente possível que as normas constitucionais possam ser aplicadas não apenas aos fatos
que venham a acontecer após a sua promulgação, mas também àqueles ocorridos antes da sua entrada
em vigor que continuem produzindo efeitos.
Vamos verificar porque as demais assertivas estão falsas?
- letra ‘b’: o poder constituinte originário é permanente, no sentido de que ele não se esgota quando da
conclusão da Constituição. Ele permanece, em situação de latência, podendo ser ativado quando um
novo “momento constituinte”, de necessária ruptura com a ordem estabelecida, se apresentar. No
entanto, apesar de permanente, o PCO se desmaterializa (não se mantém organizado, estruturado). Por
isso, não é correto afirmar que haja um convívio estreito do poder constituinte originário com os poderes
constituídos.
- letra ‘c’: titular do poder constituinte é aquele que o detém estando apto a elaborar os contornos
normativos de um Estado. Poder constituinte é poder do povo, pois o povo é o titular do PCO. É
importante, todavia, frisar que o seu exercício cabe normalmente a um grupo de pessoas que poderá
organizar-se, por exemplo, em assembleias nacionais, que atuarão em nome do povo (único titular do
poder constituinte).
- letra ‘d’: o Constituinte originário, por ser dotado de um poder inicial que fornece as bases jurídicas que
inauguram o ordenamento, tem atuação juridicamente ilimitada, não se subordina às determinações
normativas traçadas pelo ordenamento precedente. Assim sendo, inexiste impedimento de que o novo
texto constitucional tenha aplicação retroativa, regulando situações pretéritas, mesmo que em prejuízo
de direito adquirido ou de ato jurídico perfeito. Afinal, como já sabemos, não se pode alegar direitos
adquiridos frente ao trabalho do PCO, isto é, diante de uma nova ordem jurídica que foi inaugurada por
uma nova Constituição.
QUESTÃO 12
[CESPE - 2017 - Prefeitura de Belo Horizonte – MG - Procurador Municipal – Adaptada] Acerca das
Constituições, julgue o item subsequente.
Devido às características do poder constituinte originário, as normas de uma nova Constituição
prevalecem sobre o direito adquirido.
Comentário:
34 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
Eis uma assertiva correta. Não há direito adquirido oponível contra a nova Constituição, já que o poder
constituinte originário não tem limites no âmbito do direito positivo. Em outras palavras, como o poder
originário é inicial, fornecendo as bases jurídicas que inauguram o ordenamento (e também é ilimitado
sob o aspecto jurídico, não se subordinando às determinações normativas traçadas pelo ordenamento
precedente), só é direito o que a nova ordem disser que é, aquilo que por ela for aceito como tal.
QUESTÃO 13
[CESPE - 2017 - MPE-RR - Promotor de Justiça Substituto - Adaptada] A respeito do poder constituinte,
julgue a assertiva:
O poder constituinte originário pode limitar os proventos de aposentadoria que sejam percebidos em
desacordo com a CF, não sendo oponível, nesse caso, a alegação de direito adquirido.
Comentário:
A assertiva é verdadeira, pois não se pode alegar direitos adquiridos diante dos trabalhos do PCO.
Ademais, o exemplo da aposentadoria está em perfeita harmonia com o disposto no art. 17 do ADCT.
QUESTÃO 14
[CESPE - 2012 - TCE-ES - Auditor de Controle Externo - Auditoria Governamental] No que se refere ao
poder constituinte, julgue os itens seguintes.
Denomina-se poder constituinte originário histórico aquele que cria, pela primeira vez, um Estado novo,
que não existia antes; e poder constituinte originário revolucionário, o poder seguinte ao histórico, que
cria um novo Estado mediante uma ruptura com o Estado anterior.
Comentário:
A assertiva deverá ser marcada como correta! O poder constituinte originário histórico (também
denominado de fundacional) é aquele que produz a primeira Constituição de um Estado (em nosso país
foi observado quando da outorga da Carta Constitucional de 1824), fundando-o. Já o poder constituinte
originário revolucionário (ou pós-fundacional) é aquele que rompe com a ordem jurídica criada pelo
poder constituinte originário histórico, elaborando uma nova Constituição que sucederá a primeira.
QUESTÃO 15
[CESPE - 2011 - Correios - Analista de Correios - Advogado] Julgue a assertiva seguinte, referente ao
poder constituinte:
O poder constituinte originário, por ser aquele que instaura uma nova ordem jurídica, exige deliberação
da representação popular, razão pela qual não se admite a outorga como forma de sua expressão.
Comentário:
O item apresentado é falso. Sabemos que existem três formas de expressão (ou exercício) do poder
constituinte. São elas: (i) exercício democrático direto, quando o projeto elaborado pela Assembleia só é
considerado válido após a aprovação direta pelo povo, por meio de plebiscito ou referendo; (ii) exercício
35 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
democrático indireto, por meio do qual o povo escolhe seus representantes, que se tornarão
responsáveis pela elaboração de um novo documento constitucional capaz de renovar o ordenamento
jurídico e; (iii) exercício autocrático, onde o poder se manifesta por meio da outorga. Assim, a
Constituição é estabelecida por um grupo ou, ainda, por um indivíduo que alcança o poder sem qualquer
indício de participação popular (foi o que aconteceu, por exemplo, nas Constituições brasileiras de 1824,
1937 e 1967).
QUESTÃO 16
[FCC - 2010 - TCM-PA - Técnico de Controle Externo - Adaptada] Julgue a assertiva:
O poder constituinte originário é também um poder permanente, pois não se esgota no momento de seu
exercício. Mesmo depois de elaborada a nova Constituição, esse poder permanece em estado de
latência, na titularidade do povo.
Comentário:
O item está correto, pois o poder constituinte é realmente permanente, visto que não se esgota quando
da conclusão da Constituição. Ele permanece em situação de latência, podendo ser ativado quando o
“momento constituinte”, (de necessária ruptura com a ordem estabelecida), se apresentar novamente.
QUESTÃO 17
[FCC - 2018 - SEFAZ-SC - Auditor-Fiscal da Receita Estadual - Auditoria e Fiscalização - Adaptada] Julgue
a assertiva:
Examinando a Constituição Federal vigente à luz da Doutrina do Poder Constituinte, conclui-se que o
texto constitucional não dispõe sobre o exercício do Poder Constituinte originário, uma vez que esse
poder, cujo titular é o povo, caracteriza-se por ser inicial e ilimitado.
Comentário:
Eis um item verdadeiro! Realmente a Constituição Federal vigente não dispõe sobre o exercício do PCO,
pois é um poder inicial, já que ele é anterior ao próprio Estado. O PCO é considerado um Poder Político
(extrajurídico) que se funda em si mesmo. É um poder de fato, que nem integra o mundo jurídico nem
possui natureza jurídica. Trata-se também de poder um poder ilimitado, visto que não se submete ao
regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor de ampla liberdade de conformação da nova
ordem jurídica.
QUESTÃO 18
[FCC - 2008 - TRT - 2ª REGIÃO (SP) - Analista Judiciário - Área Judiciária] O Poder Constituinte originário
caracteriza-se por ser
A) inicial, ilimitado e reformador.
B) inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado.
C) autônomo e condicionado.
36 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
D) reformador e decorrente.
E) condicionado e decorrente.
Comentário:
Veja que questão interessante! O examinador mescla características do PCO com os nomes dados aos
poderes constituídos derivados. Nossa resposta encontra-se na letra ‘b’, já que o PCO é inicial (pois as
normas jurídicas anteriormente estabelecidas não são capazes de limitar a sua atividade, restringindo
juridicamente sua atuação), ilimitado (visto que as normas jurídicas anteriormente estabelecidas não são
capazes de limitar a sua atividade, restringindo juridicamente sua atuação), autônomo (porque é capaz
de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como sua estruturação e os termos
de seu estabelecimento) e incondicionado (pois no curso de seus trabalhos, o poder constituinte atua
livremente, sem respeito às condições ou regras previamente estipuladas).
QUESTÃO 19
[FCC - 2012 - TRT - 18ª Região (GO) - Juiz do Trabalho] A doutrina do poder constituinte foi elaborada na
obra
A) O Espírito das Leis, de Montesquieu.
B) O contrato social, de Jean Jacques Rousseau.
C) Leviatã, de Thomas Hobbes.
D) O que é o terceiro Estado?, de Emmanuel Joseph Sieyès.
E) Segundo Tratado sobre o Governo Civil, de John Locke.
Comentário:
Considera-se que Sieyès foi o precursor dos estudos sobre o poder originário, visto que em sua obra “O
que é o terceiro Estado” (que, inclusive, foi um dos estopins da Revolução Francesa), Sieyès apresentou
as reivindicações do Terceiro Estado contestando as vantagens dos nobres e do alto clero. Composto
pelos não integrantes dessas duas classes privilegiadas (nobreza e alto clero) o que, portanto, incluía a
burguesia, o Terceiro Estado era o responsável pelas atividades de produção que culminavam na
formação da riqueza do país; todavia, era completamente alijado do processo político. Sem privilégios e
sem participação nas decisões, o Terceiro Estado (a rigor, a burguesia) passa a reivindicar seu papel na
conformação política do país, tendo como seu principal defensor o abade francês. Nesse sentido,
podemos assinalar a assertiva ‘d’ como nossa resposta.
QUESTÃO 20
[FCC - 2009 - TRT - 16ª REGIÃO (MA) - Analista Judiciário - Área Judiciária - Execução de Mandados] Em
tema de Poder Constituinte Originário, é INCORRETO afirmar que
A) é limitado pelas normas expressas e implícitas do texto constitucional vigente, sob pena de
inconstitucionalidade.
37 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
B) é incondicionado, porque não tem ele que seguir qualquer procedimento determinado para realizar
sua obra de constitucionalização.
C) é autônomo, pois não está sujeito a qualquer limitação ou forma prefixada para manifestar sua
vontade.
D) caracteriza-se por ser ilimitado, autônomo e incondicionado.
E) se diz inicial, pois seu objeto final - a Constituição, é a base da ordem jurídica.
Comentário:
Observe que o examinador lhe pede para assinalar a alternativa incorreta. Ao examinarmos as
possibilidades, é possível perceber que a única assertiva que não define corretamente as características
do PCO é a constante da letra ‘a’. O PCO é um poder ilimitado, pois não se submete ao regramento posto
pelo direito precedente, sendo possuidor de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica.
38 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
- É o poder que constitui (que cria) todos os demais e não é por nenhum instituído.
- O PCO sempre existiu, pois desde os primórdios das organizações políticas, mesmo as
mais arcaicas, ele esteve presente.
- A teorização do PCO é bem mais recente, pois o poder já existia no inconsciente dos
Surgimento
indivíduos, mas ainda não havia uma existência jurídica e racional deste poder.
- Sieyès foi o precursor dos estudos sobre o poder originário com a obra (“O que é o
terceiro Estado?”).
- A maioria da doutrina concorda que a tese que melhor explica a natureza do PCO é a
positivista: o poder constituinte é um poder de fato, que nem integra o mundo jurídico
nem possui natureza jurídica
39 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
- Para a Teoria Clássica do Poder Constituinte, formatada pelo abade francês Emmanuel
Joseph SIEYÈS, o titular do Poder Constituinte seria a nação.
Titularidade - Uma leitura mais moderna, todavia, substitui o conceito de “nação” pelo de povo.
Quanto às (a) material: anterior ao formal, é o poder que delimita os valores que serão prestigiados
dimensões, o pela Constituição e a ideia de direito que vai vigorar no novo ordenamento.
poder originário
(b) formal: aquele que exprime e formaliza a criação em si, estruturando a ideia de direito
pode ser
que foi pensada e construída pelo poder constituinte material.
considerado
Procedimento
Quando o projeto elaborado pela Assembleia só obtém validade jurídica por meio da
constituinte
aprovação direta do povo, que se manifesta através de um plebiscito ou de um referendo.
direto
Exercício
Neste caso o povo escolhe os seus representantes, que se tornam responsáveis pela
democrático
elaboração de um novo documento constitucional, que renovará o ordenamento jurídico.
indireto
Exercício O poder se manifesta por meio da outorga, de modo que a Constituição seja estabelecida
autocrático por um indivíduo ou um grupo que alcança o poder sem qualquer resquício de
participação popular, constituindo o que se denomina poder constituinte usurpado.
40 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
O PCO não se submete ao regramento posto pelo direito precedente, sendo possuidor
Ilimitado
de ampla liberdade de conformação da nova ordem jurídica.
O PCO é capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem
Autônomo
como sua estruturação e os termos de seu estabelecimento.
- O poder originário é inicial, fornecendo as bases jurídicas que inauguram o ordenamento; é também
ilimitado sob o aspecto jurídico, não se subordinando às determinações normativas traçadas pelo
ordenamento precedente.
- Somente é direito o que a nova ordem disser que é, aquilo que por ela for aceito como tal.
- Não se pode alegar “direitos adquiridos” perante a nova Constituição, perante o trabalho do poder
originário.
41 de 42| www.direcaoconcursos.com.br
Prof. Nathalia Masson
Direito Constitucional (Curso Avançado) – Turma Regular
Aula 04
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANOTILHO, J. J. Gomes; SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz; MENDES, Gilmar Ferreira.
Comentários a Constituição do Brasil. São Paulo: Saraiva/Almedina, 2013.
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado. 24. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2003.
KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
HAURIOU, André. Droit Constitutionnel et Intitutions Politiques. Paris: Éd. Montchrétien, 1966.
MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 6ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2018.
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 10ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2015.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 21ª ed. São Paulo: Atlas, 2006.
RAMOS TAVARES, André. Curso de Direito Constitucional. 14. Ed — São Paulo: Saraiva, 2016.
REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 27. ed. — São Paulo: Saraiva, 2002.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional positivo. 33ª ed. atual. São Paulo: Malheiros,
2010.
SILVA, José Afonso da. Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 2005.
VELOSO, Zeno. O controle jurisdicional de constitucionalidade. 2ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2000.
42 de 42| www.direcaoconcursos.com.br