PERFIL LIPÍDICO: DEFINIÇÃO,
RELEVÂNCIA CLÍNICA E AVALIAÇÃO
LABORATORIAL. DISLIPIDEMIAS
Professores: Fernanda
Cristiane
LIPIDOGRAMA
Lipides e lipoproteínas
Metabolismo endógeno e exógeno
Variáveis na interpretação do exame
Valores alvo de CT, HDL, LDL e TG
Total de mortes Brasil - 2000
Doenças
260.555 Cardiovasculares
Causas
120.493 externas
118.367 Neoplasia
s
Infecciosa
47.278
s
Endócrinas
44.496
DATASUS 2000
LIPÍDEOS
Principais lipídeos: colesterol e triglicérides;
Colesterol: componente das membranas, síntese
de ac biliares e hormônios esteróides;
Triglicérides: forma de armazenamento energético
no tecido adiposo e muscular.
COLESTEROL
Componente das membranas;
Precursor de hormônios esteróides, vitamina D e
ácidos biliares;
Regulação no fígado por:
- síntese intracelular ( HMG CoA redutase);
- armazenamento após esterificação;
- excreção pela bile.
TRIGLICÉRIDES
Sintetizados no fígado, intestino e menor
proporção no tecido adiposo;
Cerca de 90% da dieta são triglicérides (fonte
exógena);
Principal forma de reserva energética;
LIPOPROTEÍNAS
Moléculas transportadoras de lipídeos (solubilização
e transporte dos lipídeos);
Composta por lipídeos e proteínas;
Apolipoproteínas: se ligam a receptores específicos
na membrana da célula responsáveis pelo
metabolismo das lipoproteínas.
LIPOPROTEÍNAS
Quilomicrons: Ricas em TR, maiores e
menos densas;
VLDL: Lipoproteínas de densidade muito
Baixa
LDL: Lipoproteínas de densidade baixa
HDL: Lipoproteinas de densidade alta
LIPOPROTEÍNAS
Principais lipoproteínas
APOPROTEÍNAS DAS LIPOPROTEÍNAS
PLASMÁTICAS HUMANAS
Fazem parte da estrutura das lipoproteínas;
São cofatores enzimáticos;
Atuam como ligantes para a interação com os receptores de
lipoproteínas dos tecidos.
LIPOPROTEÍNAS
VIA EXOGENA: METABOLISMO DOS QUILOMICRONS
VIA ENDÓGENA: TRANSPORTE DE LIPIDIOS DE ORIGEM
HEPATICA
DISLIPIDEMIAS
CONCEITO:
São alterações metabólicas lipídicas decorrentes de
distúrbios em qualquer fase do metabolismo lipídico,
que ocasionem repercussões nos níveis séricos de
lipoproteínas (LP).
BASES FISIOPATOLÓGICA
Hipertrigliceridemia: Redução da hidrolise dos
TG das lipoproteínas pela lipase ou aumento da
sua síntese.
Hipercolesterolemia: Defeito LDL-R/ Apo100
DISLIPIDEMIAS
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA:
Primárias:
Genotípica: monogênicas e poligênicas
Fenotípica:
1) Hipercolesterolemia isolada (LDL-C ≥ 160 mg/dL)
2) Hipertrigliceridemia isolada (TG ≥ 150 mg/dL )
3) Hiperlipidemia mista (LDL-C ≥ 160 mg/dL e TG ≥ 150 mg/dL )
4) HDL-C baixo (HDL-C < 40 mg/dL H e < 50 mg/dL M)
DISLIPIDEMIAS
Secundárias:a doenças
- hipotireoidismo,
- diabetes melito (DM),
- síndrome nefrótica,
- insuficiência renal crônica,
- Hepatopatias colestásticas crônicas
- obesidade,
- icterícia obstrutiva,
DISLIPIDEMIAS
Secundárias: uso de medicamentos
- alcoolismo,
- uso de doses altas de diuréticos,
- betabloqueadores,
- corticosteróides,
- anabolizantes;
- estrógenos
- progestágenos
DISLIPIDEMIAS
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL:
As dislipidemias são investigadas em laboratório a
partir da análise do PERFIL LIPÍDICO, um conjunto
de testes bioquímicos que inclui as dosagens de:
Colesterol Total
Triglicerídeos
HDL - Colesterol (bom colesterol)
LDL - Colesterol (mal colesterol)
Não-HDL colesterol
V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose
VARIÁVEIS PRÉ-ANALITICAS
Intrinsecas ( Medicação; doença de base)
Uso do torniquete
Coleta
Jejum
Ingestão de álcool, dieta habitual
Atividade fisica
V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose
DISLIPIDEMIAS
RECOMENDAÇÕES PARA DIMINUIR AS
VARIAÇÕES ANTES DO EXAME:
O perfil lipídico deverá ser realizado em indivíduos com um
estado metabólico estável.
A dieta habitual e o peso devem ser mantidos por pelo menos
duas semanas antes da realização do exame.
Levar em consideração que após qualquer doença ou cirurgia
em geral, o perfil lipídico do paciente poderá estar
temporariamente comprometido. Recomenda-se, portanto,
aguardar pelo menos oito semanas.
DISLIPIDEMIAS
RECOMENDAÇÕES PARA DIMINUIR AS
VARIAÇÕES ANTES DO EXAME:
Evitar a ingestão de álcool nas 72h que antecederem a
coleta do sangue. Quando isso não ocorrer, considerar
as sabidas interferências das bebidas alcoólicas nos
lípides sangüíneos, sobretudo em relação aos TG.
Nenhuma atividade física vigorosa deve ser realizada
nas 24h que antecedem o exame.
Dosagem dos lipídios plasmáticos
CT
TG
- LDL: calculado pela formula de Friedwald:
- LDL-C = CT – (HDL-C + TG/5)
(não aplicável com TG > 400 mg/dl)
- VLDL = TG/5
- Colesterol não HDL: CT - HDL
HDL
Determinação da apo B e apo A
V Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose
“A interpretação clínica dos resultados deverá levar em consideração o
motivo da indicação do exame, o estado metabólico do paciente e
estratificação do risco para estabelecimento das metas terapêucas”.
Categoria referencial
Categoria de risco: Alvo terapêutico (manter/deixar) o LDL
VALORES REFERENCIAIS DESEJAVEIS DO PERFIL
LIPIDICO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Valores de Ref do perfil lipídico para adultos maiores de 20 anos: Arq Bras
Cardiol.2013,101
ATEROSCLEROSE
A ateroesclerose é o depósito no
interior das artérias de substâncias gordurosas
junto com colesterol, cálcio, produtos de
degradação celular e fibrina (material envolvido
na coagulação do sangue e formador de
coágulos). O local onde esse depósito ocorre
chama-se placa.
PAPEL DAS LIPO OXIDADAS NA FORMAÇÃO DA
PLACA DE ATEROMA
ATEROSCLEROSE
ATEROSCLEROSE
ATEROSCLEROSE
CASO CLINICO 1
Paciente do sexo masculino, 45 anos e obeso, em busca de
prevenção primária procura o clínico para uma avaliação
cardiovascular. O paciente tem pai falecido de infarto agudo do
miocárdio e já está hipertenso e diabético. Na avaliação, o médico
solicitou o seu perfil lipídico e calculou o seu risco cardiovascular na
calculadora de risco da SBC. O paciente apresentou risco
intermediário.
Perfil lipídico: CT: 214mg;dL; HDL-C:51mgdL; TG: 300mg dL; LDL-C
120mg;dL; não HDL-C: 163mg dL. ( Coleta do material em jejum de
12hs).
Alvo terapêutico do paciente.
Conduta médica
Nesse caso, o paciente deve ter como alvo terapêutico o LDL-C
inferior a 100 mg/dL ou o não HDL-C inferior a 130 mg/dL.
Terapia hipolipemiante
Categoria de risco: Alvo terapêutico (manter/deixar) o LDL Categoria referencial
CASO CLINICO 2
Paciente do sexo feminino, 28 anos, em exame periódico realizado
em laboratório que já implantou a flexibilização do jejum apresentou
os valores de TG de 4.780 mg/dL (realizado sem jejum de 12 horas),
colesterol total de 187 mg/dL e 56 HDL-C de 50 mg/dL. Mesmo
aplicando a fórmula de Martin, que permite valores altos de TG, o
valor de LDL-C será negativo. O laboratório clínico, nesse caso, pode
liberar o resultado como inferior a 10 mg/dL.
Alvo terapêutico do paciente.
Conduta médica
A paciente praticamente apresenta poucas partículas de lipoproteína
LDL e muitas partículas grandes de lipoproteína VLDL na circulação,
subestimando a quantidade de LDL circulante. Nesse caso, mesmo
dosando por método direto, os valores sempre se apresentam inferiores
à sensibilidade analítica do método.
O médico pode repetir o exame com o jejum de 12 horas, conforme
recomendado pelo consenso, ou, também, iniciar as terapias
específicas para redução dos TG e, posteriormente, avaliar a
necessidade da repetição do exame para acompanhamento clínico do
paciente.
TRG: 141mg/dL
CT: !72mg/dL
LIPIDOGRAMA 1
HDL:38 mg/dl
VLDL E LDL?
VLDL; 28mg/dl
LDL:106mg/dl
COLESTEROL NÃO HDL: 143mg/dL
A fração Colesterol não HDL é usada
como estimativa do numero total de
partículas aterogênicas no plasma. O
mesmo pode fornecer melhor estimativa
do risco em comparação com LDL-C,
principalmente nos casos de
hipertrigliceridemia associada ao
diabetes e a síndrome metabólica ou a
doença renal.
Valores CT maior ou igual a 230mg/dL ( 2-
19 anos) e em adultos com valores maior
ou igual 310mg/dl podem ser indicativos
de hipercolesterolemia familiar (
European Heart Journal)
TRG: 200mg/dL
CT: 205mg/dL LIPIDOGRAMA 2
HDL:35 mg/dl
VLDL E LDL?
VLDL: 40mg/dl
LDL:130mg/dl
COLESTEROL NÃO HDL: 170mg/dL
A fração Colesterol não HDL é usada
como estimativa do numero total de
partículas aterogênicas no plasma. O
mesmo pode fornecer melhor estimativa
do risco em comparação com LDL-C,
principalmente nos casos de
hipertrigliceridemia associada ao
diabetes e a síndrome metabólica ou a
doença renal.
Valores CT maior ou igual a 230mg/dL ( 2-
19 anos) e em adultos com valores maior
ou igual 310mg/dl podem ser indicativos
de hipercolesterolemia familiar (
ESCORE DE RISCO PARA DOENÇA ATEROSCLERÓTICA
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Video apresentado na aula:
[Link]
Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da
Aterosclerose – 2017
Diretrizes Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose.
Motta, Valter. Bioquímica Clinica para o Laboratório.