UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
FILOSOFIA POLÍTICA NA ANTIGUIDADE
TONÉLIO DE MELO ALFREDO: 708240134
CURSO: LICENCIATURA EM
ENSINO DE MATEMÁTICA
DISCIPLINA: INTRODUÇÃO A
FILOSOFIA
ANO DE FREQUÊNCIA: 2º ANO
MAPUTO, MAIO DE 2025
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ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 3
1.1.Objetivo Geral ....................................................................................................................... 3
1.2. Objetivos Específicos ........................................................................................................... 3
1.3. Metodologia .......................................................................................................................... 3
1.4. Estrutura do Trabalho ........................................................................................................... 3
2. DEFINIÇÃO DE CONCEITOS FUNDAMENTAIS ................................................................. 5
3. FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA POLÍTICA NA ANTIGUIDADE .................................... 5
4. O PENSAMENTO POLÍTICO DE PLATÃO ......................................................................... 5
5. O PENSAMENTO POLÍTICO DE ARISTÓTELES .............................................................. 6
6. CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES ................ 7
6.1. Convergências: .................................................................................................................. 7
6.2. Divergências: .................................................................................................................... 7
7. ATUALIDADE DAS IDEIAS POLÍTICAS ANTIGAS ......................................................... 8
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 9
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 10
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1. INTRODUÇÃO
A Filosofia Política na Antiguidade representa um dos pilares fundamentais da organização do
pensamento político ocidental. Os grandes filósofos gregos, sobretudo Platão e Aristóteles,
procuraram compreender e sistematizar as bases do poder, do Estado, da justiça e da ordem
social, numa tentativa de oferecer modelos racionais para a convivência humana. Este trabalho
tem como objectivo principal explorar as concepções políticas desses dois pensadores, com foco
na origem do Estado, nas formas de governo e nas classes sociais, assim como analisar os pontos
de convergência e divergência entre os seus pensamentos.
1.1.Objetivo Geral
Analisar os fundamentos da Filosofia Política na Antiguidade, com enfoque nas contribuições de
Platão e Aristóteles, refletindo criticamente sobre a atualidade das suas ideias no contexto
político contemporâneo.
1.2. Objetivos Específicos
1. Identificar os principais conceitos e categorias da Filosofia Política na Antiguidade;
2. Compreender as propostas de organização política segundo Platão e Aristóteles;
3. Comparar os modelos filosófico-políticos destes autores quanto à sua visão do Estado, da
justiça e da cidadania;
4. Refletir sobre a relevância e atualidade das ideias clássicas para os desafios políticos
atuais.
1.3. Metodologia
A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, com base em obras clássicas dos autores
estudados e em comentadores contemporâneos. O trabalho está estruturado em sete secções:
introdução, fundamentos teóricos, análise do pensamento de Platão e Aristóteles, comparação
entre ambos, atualidade das ideias políticas antigas, considerações finais e referências.
1.4. Estrutura do Trabalho
O presente trabalho está organizado de forma a garantir uma abordagem lógica e progressiva do
tema. Inicia-se com a introdução, onde se apresentam os objetivos, a metodologia e a relevância
da investigação. Em seguida, define-se um conjunto de conceitos fundamentais que sustentam a
análise filosófico-política, como política, poder, ética e Estado.
Posteriormente, são analisados separadamente os pensamentos de Platão e Aristóteles,
destacando-se os principais elementos das suas concepções sobre justiça, governo e cidadania. A
secção seguinte compara os dois autores, evidenciando semelhanças e diferenças. A penúltima
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parte discute a atualidade das ideias políticas antigas, relacionando-as com desafios
contemporâneos. Por fim, as considerações finais sintetizam os principais contributos do estudo,
seguidas das referências bibliográficas utilizadas.
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2. DEFINIÇÃO DE CONCEITOS FUNDAMENTAIS
Política: Deriva do grego polis, significando "cidade". Política é a arte ou ciência de governar e
organizar a sociedade visando o bem comum (Bastos, 2010).
Filosofia: Palavra de origem grega (philo = amor, sophia = sabedoria), significa o amor pela
sabedoria, e refere-se ao esforço racional para compreender a realidade e orientar a acção
humana.
Filosofia Política: Ramo da Filosofia que se ocupa das questões relativas à organização da
sociedade, ao poder, à justiça, à liberdade e ao papel do Estado (Martínez, 2012).
Poder: Capacidade de um indivíduo ou grupo influenciar o comportamento de outros. Na
política, relaciona-se com a autoridade legítima de tomar decisões obrigatórias para a
colectividade.
Ética Política: Refere-se aos princípios morais que devem orientar a acção dos governantes e
cidadãos, visando uma sociedade justa.
Estado de Direito: Modelo político em que todos os cidadãos e instituições estão sujeitos à lei,
garantindo direitos e deveres sob normas jurídicas legítimas.
3. FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA POLÍTICA NA ANTIGUIDADE
A Filosofia Política na Grécia Antiga emerge como uma tentativa racional de compreender as
formas de convivência coletiva e de organização do poder. [...] Estas noções revelam que a
Filosofia Política antiga não se limitava a descrever a realidade, mas visava transformá-la com
base em princípios éticos e racionais.
4. O PENSAMENTO POLÍTICO DE PLATÃO
O pensamento político de Platão está profundamente ligado à sua concepção filosófica da
realidade, marcada pelo dualismo entre o mundo sensível e o mundo das ideias. Na sua obra A
República, Platão propõe um modelo ideal de Estado, baseado na justiça como princípio
estruturante da ordem social.
Justiça, para Platão, é entendida como a harmonia entre as partes da alma — racional, irascível e
apetitiva — e, por analogia, entre as classes da cidade. Cada classe deve exercer a função para a
qual está naturalmente vocacionada: os filósofos governam, os guerreiros defendem e os
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produtores sustentam a cidade. “A justiça consiste em cada um fazer aquilo para que está
naturalmente apto, sem se intrometer nas funções dos outros” (Platão, República, 433a).
Esta concepção de justiça reflete uma visão orgânica da sociedade, em que a estabilidade resulta
da cooperação funcional entre os seus elementos. Segundo Martínez (2010), “Platão rejeita
qualquer forma de igualdade absoluta entre os cidadãos, pois considera que as diferenças naturais
impõem uma hierarquia de competências e funções” (p. 79).
A teoria do governante-filósofo é outro ponto central. Para Platão, apenas os que conhecem a
verdade — isto é, os filósofos — estão aptos a governar com justiça. “Enquanto os filósofos não
forem reis nas cidades, ou os que hoje são reis e soberanos não se tornarem verdadeiros filósofos
[…] não cessarão os males para as cidades” (República, 473c-d).
Esta proposta representa uma crítica radical à democracia ateniense, que, segundo o autor,
entregava o poder aos ignorantes. Reale (2003) observa que, para Platão, “a democracia era um
regime instável, propenso à demagogia, que levava à tirania” (p. 92). Por isso, o seu modelo de
Estado ideal é uma aristocracia do saber, onde o poder é confiado aos mais sábios e virtuosos.
5. O PENSAMENTO POLÍTICO DE ARISTÓTELES
Diferente de Platão, Aristóteles adota uma abordagem empírica e realista da política. Em vez de
imaginar uma cidade ideal, analisa as constituições existentes na Grécia do seu tempo, buscando
identificar os elementos que conduzem à estabilidade e ao bem comum.
Aristóteles define o ser humano como um “animal político” (zoon politikon), isto é, um ser
naturalmente destinado à vida em sociedade. “A cidade é uma das coisas naturais, e o homem é,
por natureza, um animal destinado à vida política” (Política, 1253a). A polis é, para ele, a forma
mais elevada de associação humana, pois visa não apenas a sobrevivência, mas o bem viver.
Para Aristóteles, a finalidade da política é promover a eudaimonia, ou seja, a realização plena
da vida humana. Como destaca Arendt (2009), “a política aristotélica está intrinsecamente ligada
à ética, pois ambas visam a excelência humana” (p. 47).
Em termos de regime político, Aristóteles classifica as formas de governo de acordo com o
número de governantes e o interesse que perseguem:
Governos justos: monarquia (governo de um só para o bem comum), aristocracia
(governo de poucos virtuosos) e politeia (governo da maioria virtuosa);
Governos corruptos: tirania (governo de um só para benefício próprio), oligarquia
(governo dos ricos) e democracia populista (governo das massas ignorantes) (Política,
1279a–1289a).
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A sua preferência recai sobre a politeia, um regime misto e moderado, baseado na força da classe
média. Como sublinha Bastos (2015), “Aristóteles é um defensor da moderação política, da
estabilidade institucional e da primazia da lei como princípio de justiça” (p. 72).
Além disso, Aristóteles valoriza a participação ativa do cidadão na vida política, considerando
que a virtude só se desenvolve plenamente através do exercício público da razão e da deliberação
coletiva.
6. CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE PLATÃO E ARISTÓTELES
Apesar de Aristóteles ter sido discípulo de Platão, os dois filósofos apresentam diferenças
significativas nas suas concepções políticas, embora partilhem algumas bases comuns.
6.1. Convergências:
Ambos entendem a política como um meio para a realização do bem comum e a justiça como o
princípio estruturador da sociedade. Concordam que a cidade deve orientar-se por princípios
éticos e que o governo deve ser exercido por indivíduos virtuosos.
De acordo com Reale (2003), “tanto Platão como Aristóteles reconhecem que a política deve
estar subordinada à ética, sendo o Estado um instrumento de formação moral dos cidadãos” (p.
85). Também rejeitam as formas degeneradas de governo, como a tirania e a demagogia, por não
promoverem a virtude e o bem-estar coletivo.
6.2. Divergências:
A principal diferença reside no método e na visão da realidade. Platão parte de um ideal
metafísico, propondo um Estado utópico e rigidamente hierarquizado, governado por filósofos. Já
Aristóteles adota uma abordagem empírica, estudando as constituições existentes e propondo
soluções práticas baseadas na observação.
Segundo Arendt (2009), “Aristóteles rompe com a tradição platónica ao recusar a construção de
uma cidade ideal, preferindo pensar a política a partir da experiência concreta e histórica” (p. 41).
Outra divergência fundamental refere-se à participação dos cidadãos. Enquanto Platão concebe
uma elite governante separada do povo, Aristóteles defende uma participação mais ampla,
sobretudo da classe média, como base da estabilidade política (Política, 1295b).
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7. ATUALIDADE DAS IDEIAS POLÍTICAS ANTIGAS
A reflexão política de Platão e Aristóteles permanece atual por várias razões. A crítica à
corrupção dos regimes, o ideal de justiça, a necessidade de virtude nos governantes e a
valorização do bem comum continuam a ser temas centrais nos debates contemporâneos.
A teoria do governante-filósofo, embora utópica, inspira modelos meritocráticos e tecnocráticos
na gestão pública. Já a visão aristotélica da política como realização da natureza humana e
promoção da cidadania fundamenta muitas democracias modernas.
Como afirma Nussbaum (2013), “a educação para a cidadania ativa, a preocupação com a justiça
distributiva e a crítica à concentração de poder são elementos que provêm diretamente da tradição
aristotélica” (p. 63).
Além disso, o ideal de ética na política, defendido por ambos os filósofos, é uma exigência
constante nas sociedades atuais, marcadas por escândalos, autoritarismo e desigualdades
crescentes.
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8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise comparativa revelou que, embora Platão e Aristóteles partam de pressupostos distintos
— o primeiro ancorado na razão ideal e o segundo na observação empírica —, ambos convergem
na busca por uma sociedade orientada pelo bem comum e pela virtude. Segundo Martínez (2012),
Platão propõe um modelo político utópico, fundado na supremacia dos sábios e na estruturação
hierárquica da sociedade. Em contrapartida, Aristóteles oferece uma abordagem mais pragmática,
defendendo que o Estado surge naturalmente da sociabilidade humana, e que a classe média é
fundamental para a estabilidade política (Bastos, 2010).
As ideias desenvolvidas por ambos mantêm-se relevantes na contemporaneidade, especialmente
no que se refere aos desafios persistentes como a desigualdade social, a corrupção política e a
crise de valores éticos. Conforme Bastos (2010), os princípios éticos e políticos elaborados na
Antiguidade continuam a oferecer referenciais teóricos indispensáveis para o debate moderno
sobre o poder, a legitimidade dos regimes e o papel do cidadão na vida pública.
Para além disso, a proposta platónica de governo dos mais sábios, embora utópica, suscita
reflexões actuais sobre a qualificação ética e intelectual dos líderes políticos. Como observa
Martínez (2012), a ideia de que o conhecimento e a virtude devem guiar a acção governativa
permanece como um ideal normativo para sociedades democráticas que buscam justiça e
racionalidade nas suas decisões públicas.
De igual modo, o realismo aristotélico, ao valorizar a experiência prática e a moderação, oferece
ferramentas analíticas valiosas para compreender os limites da política e a importância de
instituições equilibradas. A sua defesa da “justa medida” (mesótes) como virtude política
demonstra a necessidade de evitar os extremos ideológicos, o que é particularmente pertinente em
contextos contemporâneos marcados pela polarização.
Assim, conclui-se que Platão e Aristóteles não apenas inauguraram a reflexão sistemática sobre a
política, mas também legaram um património intelectual que permanece atual e inspirador para a
construção de uma sociedade mais justa e racional.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Arendt, H. (2009). A condição humana. São Paulo: Forense Universitária.
Aristóteles. (1995). Política (tradução de Nestor Silveira Chaves). Lisboa: Fundação
Gulbenkian.
Bastos, R. (2015). Filosofia Política: fundamentos e problemas. Lisboa: Edições 70.
Bastos, F. L. (2010). Ciências Políticas. Lisboa: Almedina.
Martínez, J. (2010). História da Filosofia Política Antiga. Coimbra: Almedina.
Martínez, T. C. (2012). História da Filosofia: dos pré-socráticos à Idade Moderna (Vols.
1-3). São Paulo: Paulus.
Nussbaum, M. (2013). Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das
humanidades. São Paulo: WMF Martins Fontes.
Platão. (2006). A República (tradução de Maria Helena da Rocha Pereira). Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian.
Reale, G. (2003). História da Filosofia Antiga, Vol. 1: Dos pré-socráticos a Aristóteles.
São Paulo: Paulus.
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