0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações23 páginas

E Book Bolsonaro

O documento narra a trajetória de Jair Messias Bolsonaro, desde sua infância simples no interior de São Paulo até sua ascensão como presidente do Brasil. A obra aborda sua formação militar, transição para a política, atuação como deputado e os desafios enfrentados durante seu governo, incluindo a gestão da pandemia e as eleições de 2022. Além disso, discute seu legado e o impacto que teve na política brasileira, especialmente na consolidação da direita popular.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
11 visualizações23 páginas

E Book Bolsonaro

O documento narra a trajetória de Jair Messias Bolsonaro, desde sua infância simples no interior de São Paulo até sua ascensão como presidente do Brasil. A obra aborda sua formação militar, transição para a política, atuação como deputado e os desafios enfrentados durante seu governo, incluindo a gestão da pandemia e as eleições de 2022. Além disso, discute seu legado e o impacto que teve na política brasileira, especialmente na consolidação da direita popular.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Sumário

1. As Raízes – Infância e Juventude


A origem simples no interior paulista, a vida em Eldorado e os primeiros passos rumo à
carreira militar.
2. A Formação Militar
A entrada na Escola Preparatória, a disciplina da AMAN e o surgimento de um espírito
patriota e combativo.
3. A Transição para a Política
Do Exército às urnas: o episódio com a revista Veja e a eleição como vereador no Rio de
Janeiro.
4. O Deputado Combativo
Trinta anos de atuação parlamentar, pautada pela defesa da família, das Forças Armadas e
do conservadorismo.
5. Ascensão Popular
A força das redes sociais, o contato direto com o povo e o crescimento como liderança
política nacional.
6. A Campanha Presidencial de 2018
O atentado em Juiz de Fora, a comunicação direta e a vitória que surpreendeu o país.
7. O Governo Bolsonaro – Primeiros Anos
As primeiras medidas, o estilo inédito de governar e os desafios enfrentados no Congresso.
8. Pandemia e Críticas
A gestão da COVID-19, a luta pela liberdade individual e os confrontos com o
establishment.
9. Eleições de 2022 e o Pós-Governo
A disputa eleitoral, o resultado controverso e o papel de Bolsonaro após deixar a
presidência.
10. Legado e Futuro
O impacto de sua passagem pelo poder, a consolidação da direita popular e o que ainda
pode vir.
Introdução
A história de um país é moldada por homens e mulheres que, em momentos decisivos, se
colocam à frente de seu tempo para desafiar o sistema, dar voz ao povo e defender valores que
muitos consideram inegociáveis. Jair Messias Bolsonaro é, sem dúvida, um desses personagens.

Com uma trajetória que vai das fileiras do Exército até o cargo mais alto da República, Bolsonaro
construiu uma carreira marcada por coragem, convicção e confronto com o que chamou de
“velha política”. Por três décadas, ocupou uma cadeira no Congresso Nacional sem nunca
abandonar seus princípios: defesa da pátria, da família, da liberdade e da soberania nacional.

Sua ascensão à Presidência da República em 2018 representou mais do que uma vitória eleitoral
– foi um divisor de águas na política brasileira. Pela primeira vez em muitos anos, milhões de
brasileiros se sentiram representados por alguém que falava como eles, pensava como eles e
não temia enfrentar os poderes estabelecidos.

Este eBook, “A Trajetória de Bolsonaro”, propõe-se a contar essa história desde o início. Não se
trata apenas de uma biografia política, mas de uma jornada humana – com seus desafios,
conquistas, erros e acertos. Desde a infância simples no interior de São Paulo, passando pela
vida militar, sua atuação como parlamentar e os anos de presidência, até o impacto de seu
legado e o papel que ainda pode vir a desempenhar no futuro.

Ao longo destes dez capítulos, o leitor é convidado a conhecer, com profundidade e clareza,
quem é Jair Bolsonaro. Um homem que, mesmo diante de adversidades, permaneceu fiel ao
que acredita – e por isso, conquistou milhões de admiradores e também enfrentou duras
críticas. Acima de tudo, um líder que entrou para a história do Brasil.
Capítulo 1 – As Raízes: Infância e Juventude
A trajetória de Jair Messias Bolsonaro começa em 21 de março de 1955, na pacata cidade de
Glicério, interior de São Paulo. Filho de Percy Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi Bolsonaro,
Jair nasceu em uma família simples, de valores tradicionais e forte ligação com o trabalho, a fé e
a disciplina.

Durante a infância, a família se mudou para Eldorado, no Vale do Ribeira, região rural onde
Bolsonaro cresceu em contato direto com o campo, os rios e a mata. Essa vivência moldou seu
caráter e sua conexão com o Brasil profundo – um país que trabalha duro, valoriza a ordem e
respeita suas tradições. Ele mesmo já afirmou diversas vezes que a infância foi marcada pela
simplicidade, mas também pelo orgulho de carregar o nome da pátria no peito.

Desde cedo, Jair se mostrava determinado. Era um garoto ativo, que gostava de esportes e já
demonstrava uma personalidade firme e direta. Ao lado dos irmãos, enfrentou as dificuldades
da vida no interior com espírito de resiliência, ajudando nos afazeres da casa e cultivando desde
novo uma admiração pelas Forças Armadas, vista como símbolo de ordem, patriotismo e
segurança.

Seu interesse pela carreira militar surgiu ainda jovem, quando lia revistas e livros sobre
soldados, batalhas e o Exército Brasileiro. Não demorou muito até que essa paixão se
transformasse em objetivo. Determinado a mudar sua realidade e buscar um futuro de honra e
disciplina, decidiu seguir o caminho militar.

Ainda na adolescência, deixou a casa dos pais para ingressar na Escola Preparatória de
Cadetes do Exército, em Campinas, e mais tarde foi aceito na Academia Militar das Agulhas
Negras (AMAN), em Resende – a mesma que formou gerações de oficiais e líderes do país. Esse
passo marcou não apenas o início de sua carreira, mas também o nascimento de uma
mentalidade voltada ao serviço público e à defesa do Brasil.

A juventude de Bolsonaro foi, portanto, construída sobre pilares sólidos: a família, a fé cristã, o
amor pela pátria e o desejo de servir. Esses valores, que o acompanharam por toda a vida,
seriam a base de suas decisões e de sua forma de ver o mundo. O garoto do interior, de origens
simples, já carregava dentro de si a força de quem buscava fazer a diferença – e a história
mostraria que ele estava apenas começando.
Capítulo 2 – A Formação Militar
A vocação para a vida militar surgiu cedo na vida de Jair Messias Bolsonaro. Ainda adolescente,
encantado com a disciplina, o patriotismo e a ordem que via nas Forças Armadas, tomou a
decisão de seguir um caminho diferente da maioria dos jovens de sua geração. Para Bolsonaro,
vestir a farda significava muito mais do que uma profissão – era um chamado.

Em 1973, foi aprovado na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), localizada em


Campinas (SP), uma instituição voltada para a formação inicial de futuros oficiais. Ali, já
demonstrava características marcantes: determinação, espírito de liderança e uma visão clara
sobre o papel do Exército no fortalecimento da nação.

No ano seguinte, foi aceito na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ),
um dos centros de formação mais prestigiados do Brasil. A AMAN não forma apenas soldados –
forma líderes. É uma escola que molda o caráter, onde o rigor da disciplina é acompanhado pelo
senso de dever com a pátria. Bolsonaro se destacou como um cadete firme, persistente e
obstinado, qualidades que carregaria por toda a vida.

Formado como aspirante a oficial em 1977, passou a atuar no campo da artilharia, sendo
transferido para diferentes regiões do Brasil. Durante o serviço militar, era respeitado por sua
conduta e coragem, mas também chamava atenção por sua franqueza ao se posicionar sobre
questões internas do Exército, especialmente quando o assunto envolvia a valorização da
carreira e os direitos dos militares.

Em 1986, ganhou projeção nacional ao escrever um artigo para a revista Veja, intitulado “O
salário está baixo”, onde denunciava o tratamento dado aos militares em termos salariais e
estruturais. A publicação gerou repercussão imediata. Enquanto alguns superiores o criticaram,
muitos militares e civis aplaudiram sua ousadia. A matéria marcava o início de um traço que o
acompanharia por toda a sua trajetória: a coragem de dizer o que pensa, mesmo sob risco de
punição.

Essa passagem reforçou ainda mais sua imagem de militar combativo e comprometido com os
interesses da tropa. Pouco depois, Jair Bolsonaro passou a considerar uma nova missão:
representar os militares e os brasileiros em geral na arena política.

A vida militar não apenas formou o homem, mas também o líder que mais tarde chegaria à
presidência. Foi no Exército que Bolsonaro moldou sua visão de mundo: baseada na ordem, na
hierarquia, na defesa da soberania nacional e na importância do mérito. Essa formação se
tornaria a base ideológica de sua atuação política – uma atuação que estava prestes a começar.
Capítulo 3: A Transição para a Política

A década de 1980 foi um período de grandes mudanças no Brasil. O país deixava para trás o
regime militar e caminhava para a redemocratização. Nesse contexto turbulento, um jovem
oficial do Exército começava a chamar atenção fora dos quartéis: Jair Messias Bolsonaro.

A Polêmica Reportagem na Revista Veja

O nome de Bolsonaro surgiu no cenário nacional de forma inesperada. Em setembro de 1986,


uma reportagem da revista Veja o acusava de planejar, junto a outro militar, um suposto
atentado com explosivos em unidades militares como forma de protesto contra os baixos
salários dos oficiais. A denúncia, embora nunca comprovada judicialmente, causou enorme
repercussão dentro e fora das Forças Armadas. Bolsonaro negou as acusações e afirmou que
tudo não passava de uma distorção de um esboço de protesto, sem intenções violentas.

Apesar da controvérsia, o episódio teve o efeito de torná-lo conhecido entre os militares de


baixa e média patente, que se identificaram com sua postura crítica em relação ao comando e à
situação da tropa. A reportagem acabou funcionando como um trampolim involuntário para a
política. Bolsonaro percebeu que sua voz poderia ter mais peso fora da caserna.

De Capitão a Vereador no Rio de Janeiro (1989)

Em 1988, Bolsonaro deu um passo decisivo: entrou para a reserva do Exército com a patente de
capitão e se lançou como candidato a vereador pelo Rio de Janeiro no ano seguinte, em 1989.
Com uma campanha modesta, mas baseada em discurso firme, defesa dos militares e da
ordem, conseguiu se eleger com expressiva votação, especialmente entre policiais, bombeiros e
militares da ativa e reserva.

Como vereador, destacou-se mais por sua postura combativa do que por projetos concretos.
Suas falas diretas, sem rodeios, já começavam a chamar atenção da imprensa e de setores
conservadores da população. Apesar de ter apenas um mandato municipal, Bolsonaro usou sua
passagem pela Câmara dos Vereadores como plataforma para voos mais altos.

A Chegada à Câmara dos Deputados (1991)

Em 1990, Bolsonaro se candidatou a deputado federal pelo Rio de Janeiro. Novamente com uma
campanha simples, mas com discurso contundente e voltado à defesa da classe militar, foi eleito
e tomou posse em 1991. Assim começava uma trajetória de sete mandatos consecutivos na
Câmara dos Deputados.

Desde os primeiros anos, Bolsonaro posicionou-se como uma voz fora do coro. Criticava
abertamente os rumos da política brasileira, os escândalos de corrupção e o que chamava de
"ideologização da sociedade". Em uma época de domínio da centro-esquerda e das pautas
progressistas, sua postura destoante não era bem-vista por todos, mas começava a conquistar
um nicho de apoiadores fiéis.
Com o tempo, Bolsonaro passou de uma figura folclórica e polêmica no Congresso para um
símbolo da insatisfação de parte da população com o sistema político tradicional. A transição do
militar ao político foi marcada por confrontos, visibilidade e, principalmente, pela construção de
uma identidade pública que mais tarde se transformaria em fenômeno eleitoral.
Capítulo 4: O Deputado Combativo

Ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000, Jair Bolsonaro consolidou-se como um dos
parlamentares mais polêmicos e controversos da Câmara dos Deputados. Sem ocupar grandes
cargos de liderança ou relatoria de projetos emblemáticos, ele construiu sua carreira política
com base em posicionamentos firmes, críticas contundentes e uma retórica voltada para a
defesa das Forças Armadas, da família tradicional e de valores conservadores.

Destaque por Discursos Firmes e Opiniões Fortes

Em um Congresso marcado por coalizões pragmáticas e discursos moderados, Bolsonaro


destoava com sua linguagem direta, muitas vezes agressiva. Seus pronunciamentos em plenário
frequentemente abordavam temas como o combate ao comunismo, a defesa do porte de
armas, a crítica à ideologia de gênero e o repúdio a políticas consideradas "esquerdistas".

Essa postura, embora gerasse reações negativas de muitos colegas e da imprensa, também
chamava atenção de parte do eleitorado, que via em Bolsonaro uma figura autêntica e corajosa.
Para seus apoiadores, ele dizia "o que muitos pensavam, mas não tinham coragem de dizer".
Para seus críticos, era apenas um provocador com discursos ultrapassados e retrógrados.

Defesa das Forças Armadas, Família e Valores Conservadores

Durante seus mandatos, Bolsonaro tornou-se um dos principais representantes da ala militar no
Congresso. Defendia melhores salários e condições de trabalho para os integrantes das Forças
Armadas, além de um maior reconhecimento institucional do papel dos militares na história do
Brasil, especialmente durante o regime de 1964 a 1985, que ele nunca deixou de elogiar.

Além disso, firmou-se como um defensor intransigente da família tradicional, se opondo a


pautas progressistas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a legalização do aborto
e a descriminalização das drogas. Esses posicionamentos o colocaram em rota de colisão com a
maioria dos movimentos sociais e ONGs de direitos humanos, mas também o tornaram símbolo
de resistência a uma cultura política que muitos brasileiros começavam a rejeitar.

Rejeição à “Velha Política” e Embates no Congresso

Mesmo tendo sido parte do Congresso por quase três décadas, Bolsonaro frequentemente se
apresentava como um outsider dentro do sistema. Criticava a "velha política", as trocas de
favores, o fisiologismo e a atuação dos grandes partidos. Isso o colocava em uma posição
paradoxal: era um deputado com longa carreira, mas que se posicionava como antissistema.

Suas brigas públicas com colegas, suas críticas à esquerda e sua constante defesa da
meritocracia e do patriotismo criaram um personagem político singular — alguém que, embora
marginalizado no centro do poder, começava a ser cultuado nas margens dele.

Com o tempo, Bolsonaro deixou de ser apenas um deputado “de nicho”. Suas ideias passaram a
ressoar entre segmentos mais amplos da sociedade, especialmente em um cenário político
desgastado por escândalos de corrupção, como o Mensalão e, mais tarde, a Lava Jato. A imagem
do deputado combativo começava a dar lugar ao de possível candidato nacional.
Capítulo 5: Ascensão Popular

Durante boa parte de sua carreira política, Jair Bolsonaro foi visto como uma figura excêntrica e
polarizadora, com espaço limitado na grande mídia e pouco protagonismo institucional. No
entanto, a partir da segunda metade da década de 2010, um novo cenário começou a se
desenhar. O Brasil vivia uma intensa crise política, moral e econômica. Os escândalos de
corrupção abalavam os pilares da confiança pública, e muitos brasileiros buscavam alternativas
fora do espectro tradicional. Foi nesse ambiente de descrença generalizada que Bolsonaro
emergiu com força inédita.

A Presença Crescente nas Redes Sociais

Com pouco espaço na imprensa tradicional, Bolsonaro e seus apoiadores recorreram às redes
sociais como principal meio de comunicação com o público. Facebook, Twitter, Instagram e,
mais tarde, o WhatsApp tornaram-se ferramentas poderosas para difundir sua mensagem
diretamente ao eleitorado, sem filtros ou intermediações.

Essa comunicação direta, feita em tom informal, agressivo e muitas vezes provocador,
encontrou eco em milhões de brasileiros que se sentiam esquecidos ou desiludidos com o
sistema. Lives semanais, vídeos em aeroportos, declarações polêmicas e interações com
seguidores criaram uma base engajada e leal, que passou a defendê-lo com fervor.

Bolsonaro compreendeu, talvez antes de muitos outros políticos, o poder das redes sociais
como ferramenta de mobilização e influência política.

A Aproximação com a Juventude e Movimentos Conservadores

Curiosamente, embora já tivesse mais de 60 anos, Bolsonaro passou a conquistar a atenção de


grande parte da juventude brasileira. Em escolas, universidades e entre jovens profissionais, seu
discurso antissistema, de valorização do mérito e do patriotismo, contrastava com o que muitos
viam como o “politicamente correto” dominante nas instituições.

Movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem Pra Rua, além de influenciadores
digitais conservadores, ajudaram a amplificar sua presença. Embora nem todos apoiassem
Bolsonaro integralmente, havia uma convergência em torno de valores como o combate à
corrupção, a crítica ao intervencionismo estatal e o resgate de símbolos nacionais.

Nas manifestações de rua contra o governo Dilma Rousseff e durante o processo de


impeachment em 2015 e 2016, o nome de Bolsonaro aparecia cada vez mais, estampado em
camisetas, faixas e cartazes. O "mito", como muitos passaram a chamá-lo, começava a tomar
forma.

O Fenômeno de Popularidade Espontânea

Ao contrário de muitos políticos que constroem suas candidaturas com base em grandes
partidos, marqueteiros e alianças tradicionais, a ascensão de Bolsonaro foi marcada por uma
popularidade espontânea e orgânica. Ele falava diretamente ao povo, muitas vezes em vídeos
gravados do próprio celular, sem roteiros, sem produção sofisticada. Essa autenticidade, mesmo
que cercada de controvérsias, era vista por muitos como sinal de honestidade.

Em um país marcado por promessas não cumpridas e escândalos em série, Bolsonaro


representava, para parte significativa da população, alguém que não tinha medo de falar o
que pensava, ainda que isso gerasse reações intensas de rejeição de outros setores da
sociedade.

Sua imagem como homem simples, pai de família, militar e patriota foi cuidadosamente
cultivada nas redes. E quando começou a circular a possibilidade de que ele pudesse disputar a
presidência, muitos não apenas acreditaram — passaram a fazer campanha por ele, antes
mesmo que tivesse um partido consolidado ou uma estrutura de campanha definida.

Esse movimento de base, com forte presença digital e apoio popular crescente, preparou o
terreno para a próxima etapa de sua trajetória: a disputa presidencial de 2018.
Capítulo 6: A Campanha Presidencial de 2018

Depois de quase trinta anos como deputado federal e após conquistar um espaço relevante nas
redes sociais e na opinião pública, Jair Bolsonaro lançou-se oficialmente como pré-candidato à
presidência da República em 2017. Naquele momento, poucos analistas o viam como favorito
real. No entanto, o cenário político brasileiro estava em ebulição: escândalos de corrupção,
desconfiança nas instituições e o descrédito generalizado da classe política tradicional
prepararam o terreno para um candidato fora dos moldes convencionais.

O Atentado em Juiz de Fora e Sua Repercussão

No dia 6 de setembro de 2018, durante uma caminhada de campanha em Juiz de Fora (MG),
Bolsonaro foi vítima de um atentado. Um homem o atingiu com uma facada no abdômen,
provocando hemorragia grave e exigindo cirurgias de urgência. O episódio teve um impacto
profundo na corrida eleitoral.

O atentado provocou comoção nacional. Mesmo entre adversários políticos, o ato foi
amplamente condenado. Bolsonaro, que já vinha ganhando força nas pesquisas, passou a ser
visto por muitos como vítima do sistema e da violência política. Impossibilitado de participar dos
debates presenciais e com limitações físicas durante boa parte da campanha, ele intensificou o
uso das redes sociais como canal direto com os eleitores.

A imagem do "homem que quase morreu pelo Brasil" ganhou força e ajudou a consolidar o que
seus apoiadores já chamavam de "mito". Para muitos brasileiros, o atentado não apenas
humanizou Bolsonaro, como também fortaleceu a ideia de que ele enfrentava um sistema
corrupto e estava disposto a pagar o preço por isso.

Campanha Baseada em Valores, Internet e Simplicidade

Ao contrário das campanhas tradicionais, cheias de marqueteiros, jingles e programas


elaborados, a campanha de Bolsonaro foi marcada por espontaneidade e simplicidade. Ele
contava com uma estrutura enxuta, com poucos recursos do fundo eleitoral, e apostava quase
exclusivamente em redes sociais, lives no Facebook, vídeos curtos no WhatsApp e o
engajamento de voluntários e apoiadores orgânicos.

Seus discursos giravam em torno de valores como Deus, pátria, família e liberdade. Ele
criticava abertamente o PT, o comunismo, o “politicamente correto” e defendia o armamento da
população, a disciplina nas escolas e o endurecimento penal. Era uma mensagem direta, que
contrastava com as promessas genéricas de seus concorrentes.

Enquanto a esquerda tentava reconstruir sua imagem após o impeachment de Dilma Rousseff e
a prisão de Lula, e a centro-direita se desgastava com a rejeição ao governo Temer, Bolsonaro
ocupava o vácuo político com uma campanha que parecia mais um movimento popular do
que uma candidatura tradicional.

A Vitória no Segundo Turno Contra Fernando Haddad


O primeiro turno das eleições ocorreu em 7 de outubro de 2018. Bolsonaro terminou na frente,
com 46% dos votos válidos, muito à frente de Fernando Haddad (PT), que obteve 29%. A
disputa foi então para o segundo turno, marcado para o dia 28 de outubro.

Durante o período entre os dois turnos, o clima foi de tensão. A polarização política alcançou
níveis inéditos no país. As campanhas se enfrentavam com acusações, fake news e embates
ideológicos. Enquanto Haddad representava a continuidade do projeto petista, Bolsonaro se
colocava como ruptura total com o passado recente.

No fim, a vitória veio com ampla margem: 55,13% dos votos válidos, representando mais de 57
milhões de brasileiros. Jair Bolsonaro foi eleito o 38º presidente da República Federativa do
Brasil, quebrando a hegemonia de partidos tradicionais e inaugurando uma nova era na política
nacional.

Sua eleição foi mais do que uma simples vitória eleitoral. Foi o ápice de um processo iniciado
anos antes, marcado por rejeição ao sistema político, ascensão das redes sociais, fortalecimento
de pautas conservadoras e um forte desejo de mudança.

A partir de 1º de janeiro de 2019, Bolsonaro deixava de ser apenas o deputado polêmico ou o


mito das redes sociais. Passava a ocupar o cargo mais alto da República — e com ele, o desafio
de governar um país profundamente dividido.
Capítulo 7: O Governo Bolsonaro – Primeiros Anos

A posse de Jair Bolsonaro em 1º de janeiro de 2019 marcou o início de uma nova fase na
política brasileira. Com uma base popular forte, uma agenda conservadora e a promessa de
romper com as práticas da “velha política”, Bolsonaro iniciou seu governo sob grande
expectativa — tanto de apoio quanto de oposição.

Seu estilo direto, por vezes confrontador, contrastava com a liturgia do cargo, e sua
comunicação seguiu fortemente baseada nas redes sociais, em especial através das
transmissões ao vivo semanais e postagens diárias.

Reformas Econômicas e Medidas Anticorrupção

Logo no início do mandato, Bolsonaro deu sinais de que pretendia avançar com reformas
econômicas estruturais. Para isso, escolheu o economista Paulo Guedes como superministro da
Economia. Guedes, com forte formação liberal, assumiu a missão de reduzir o tamanho do
Estado, abrir a economia e controlar os gastos públicos.

Um dos marcos da gestão nesse período foi a Reforma da Previdência, aprovada em 2019
após anos de debate. Embora o Congresso tenha feito alterações no texto original, a reforma foi
considerada uma vitória política e técnica do governo.

Outras iniciativas incluíram medidas de desburocratização, privatizações de estatais e redução


do número de ministérios. No discurso oficial, havia o compromisso com o combate à
corrupção, com destaque para o apoio à Operação Lava Jato e a nomeação de Sérgio Moro,
ex-juiz da operação, como ministro da Justiça e Segurança Pública — um gesto simbólico que
fortaleceu a imagem do governo nos primeiros meses.

No entanto, a permanência de Moro no cargo seria temporária. Em 2020, o ex-juiz deixou o


governo acusando Bolsonaro de interferência na Polícia Federal, fato que gerou grande
repercussão e desgastou o governo perante parte do público que havia votado justamente pela
promessa de combate à corrupção.

Estilo Direto e Polêmico nas Comunicações

Ao assumir a presidência, Bolsonaro manteve o tom combativo que o caracterizava como


deputado e candidato. Suas falas frequentemente atacavam adversários políticos, jornalistas,
artistas, entidades internacionais e até membros do próprio governo.

Esse estilo de comunicação direta — muitas vezes criticado como agressivo ou desrespeitoso —
consolidou ainda mais a divisão na sociedade brasileira. Seus apoiadores viam nas falas do
presidente a autenticidade e firmeza que faltavam nos políticos tradicionais. Já seus críticos
apontavam para uma postura inadequada ao cargo, que incentivava o confronto e o
radicalismo.
A imprensa passou a ter uma relação cada vez mais tensa com o Planalto. Bolsonaro e seus
filhos, também atuantes na política e nas redes sociais, frequentemente acusavam jornalistas de
mentiras e militância. Como resposta, muitos veículos de mídia passaram a adotar uma
cobertura mais crítica, alimentando um ciclo constante de conflito entre o governo e a imprensa.

Relação com o Congresso e Desafios Internos

Apesar do apoio popular, Bolsonaro assumiu sem uma base parlamentar consolidada.
Inicialmente, rejeitou alianças tradicionais e o sistema de distribuição de cargos para obter
apoio político, o que dificultou o andamento de algumas pautas no Congresso.

No entanto, com o tempo, houve uma mudança de postura. Em 2020, diante da crescente
pressão e da necessidade de aprovar projetos prioritários, o governo começou a se aproximar
do chamado “Centrão” — grupo de partidos do centro pragmático do Congresso. Essa
aproximação foi criticada por parte de seus próprios apoiadores, que viam ali uma contradição
com o discurso de campanha de rompimento com a velha política.

Ao mesmo tempo, Bolsonaro enfrentava desafios internos, como disputas entre ministros,
divergências públicas dentro da equipe econômica e dificuldades de articulação. Apesar disso,
conseguiu manter o apoio de uma base sólida da população, que se identificava com sua
postura, seus valores e sua disposição de confronto com as instituições que considerava hostis
ao governo.
Capítulo 8: Pandemia e Críticas

No início de 2020, o mundo foi surpreendido pelo avanço de uma nova ameaça global: o
coronavírus. A pandemia da COVID-19 exigiu respostas rápidas e coordenadas por parte dos
governos, além de uma comunicação clara com a população. No Brasil, a forma como Jair
Bolsonaro lidou com a crise sanitária acabou marcando profundamente seu governo, sua
imagem e o debate público nacional.

A Postura Diante da COVID-19

Desde os primeiros meses da pandemia, Bolsonaro adotou uma postura crítica às medidas
restritivas propostas por governadores, prefeitos, e até mesmo por órgãos internacionais de
saúde. O presidente minimizou os riscos da doença, chamando-a de "gripezinha" e alertando
contra os impactos econômicos das quarentenas e lockdowns.

Seu discurso foi centrado na defesa da liberdade individual e na proteção da atividade


econômica. Para Bolsonaro, as medidas de isolamento causariam mais danos do que a própria
doença, especialmente entre os mais pobres, que dependiam do trabalho informal e do
funcionamento do comércio para sobreviver.

Ele também passou a defender com veemência o uso de medicamentos sem comprovação
científica, como a cloroquina e a ivermectina, como alternativas preventivas ou de tratamento
precoce. Essas posições o colocaram em rota de colisão com a comunidade científica, entidades
médicas e a imprensa.

Embates com Governadores e o STF

Durante a pandemia, as divergências entre o governo federal e os governos estaduais se


intensificaram. Muitos governadores adotaram medidas de restrição mais rígidas, o que foi visto
por Bolsonaro como autoritarismo e interferência indevida na vida das pessoas. Essa tensão foi
alimentada publicamente, com discursos duros e trocas de acusações em redes sociais e
coletivas de imprensa.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também desempenhou um papel decisivo ao reafirmar, em


decisão de abril de 2020, que estados e municípios tinham autonomia para adotar medidas
sanitárias em seus territórios. Isso limitou a capacidade do governo federal de impor diretrizes
nacionais, algo que Bolsonaro usou como argumento para justificar a descentralização das
ações e transferir parte da responsabilidade pela crise.

O conflito institucional se tornou uma das marcas do período, ampliando ainda mais a
polarização política e social no país.

Defesa da Liberdade Individual e Economia

Enquanto muitos líderes mundiais adotavam posturas cautelosas, discursos de união nacional e
respeito às orientações da ciência, Bolsonaro seguiu um caminho próprio. Ele se manteve fiel ao
seu público e ao seu discurso ideológico, posicionando-se como o defensor das liberdades
individuais em tempos de crescente controle estatal.

Para seus apoiadores, isso representava coragem e coerência com os valores que o elegeram.
Para seus críticos, era irresponsabilidade diante de uma tragédia humanitária.

O governo federal, por sua vez, implementou ações de apoio econômico, como o Auxílio
Emergencial, que ajudou a reduzir os impactos sociais da pandemia e foi responsável por
manter a popularidade de Bolsonaro em alta durante parte de 2020. A medida, apesar de ter
sido proposta no Congresso com um valor inicial mais alto do que o desejado pelo Planalto, foi
abraçada pelo governo e amplamente divulgada em sua comunicação oficial.

A pandemia também afetou a estrutura do próprio governo. Em dois anos, o Ministério da


Saúde teve quatro ministros diferentes, refletindo o ambiente de instabilidade e divergências
internas em relação à condução da crise sanitária.

A condução da pandemia pelo governo Bolsonaro foi um divisor de águas. Ela intensificou as
divisões políticas no país, mobilizou protestos e apoio nas ruas, e colocou o Brasil sob os
olhos do mundo.

Se para alguns, Bolsonaro foi um líder firme que resistiu ao autoritarismo sanitário, para outros,
ele falhou em liderar o país no momento em que mais precisava. Essa divergência de visões
moldaria o cenário para as eleições seguintes — e para o legado político do presidente.
Capítulo 9: Eleições de 2022 e o Pós-Governo

Após quatro anos de um governo marcado por polarização, embates institucionais e forte
presença nas redes sociais, Jair Bolsonaro se preparou para disputar a reeleição em 2022. A
eleição foi uma das mais acirradas da história do Brasil, refletindo um país dividido entre dois
projetos distintos de nação.

A Campanha de Reeleição

A estratégia para 2022 manteve a essência do que havia dado certo em 2018: forte presença
digital, críticas ao sistema, defesa da família, da liberdade e da pátria, e um discurso firme contra
o retorno do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder.

Bolsonaro intensificou viagens pelo país, participou de motociatas, eventos religiosos, discursos
patrióticos e utilizou, como de costume, as lives semanais para prestar contas de seu governo e
fazer campanha direta ao seu público. O tom da campanha foi marcado por uma ênfase em
valores cristãos, anticomunismo e nacionalismo.

A máquina pública também teve papel importante: o Auxílio Brasil (programa social que
substituiu o Bolsa Família), a redução temporária de impostos e incentivos ao agronegócio
foram algumas das ações adotadas para impulsionar sua popularidade.

Do outro lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ter suas condenações anuladas e
seus direitos políticos restituídos pelo STF, lançava-se novamente à disputa, prometendo
“reconstruir o país”. A eleição se transformou em uma verdadeira batalha simbólica: Bolsonaro
contra Lula, conservadorismo contra progressismo, direita contra esquerda.

O Resultado Eleitoral e os Questionamentos

O primeiro turno, realizado em 2 de outubro de 2022, confirmou o cenário de polarização: Lula


obteve 48,4% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro conquistou 43,2%. O segundo turno foi
marcado por clima tenso, denúncias de desinformação, debates intensos e mobilização massiva
de ambos os lados.

No dia 30 de outubro de 2022, Lula foi eleito presidente do Brasil com 50,9% dos votos
válidos, contra 49,1% de Bolsonaro, em uma das eleições mais apertadas da história do país. A
diferença foi de pouco mais de dois milhões de votos.

Bolsonaro demorou dois dias para se pronunciar após o resultado. Em sua primeira fala, não
reconheceu explicitamente a derrota, embora tenha autorizado o início da transição de
governo. O silêncio e a falta de clareza nas declarações geraram especulações e alimentaram
protestos de seus apoiadores, muitos dos quais contestavam a legitimidade do resultado
eleitoral.

Seguiram-se manifestações em frente a quartéis, pedidos de intervenção militar e atos


organizados em todo o país por grupos bolsonaristas. O clima político ficou tenso, e a condução
desse período seria determinante para a forma como Bolsonaro seria visto no pós-governo.

O Papel Após Deixar o Planalto

Em 30 de dezembro de 2022, dois dias antes do fim de seu mandato, Jair Bolsonaro viajou aos
Estados Unidos, permanecendo por meses na Flórida. Sua ausência na cerimônia de posse de
Lula, em 1º de janeiro de 2023, marcou um gesto inédito na história recente da democracia
brasileira — um presidente eleito não sendo sucedido pessoalmente pelo antecessor.

Durante o ano de 2023, Bolsonaro manteve-se ativo politicamente. Voltou ao Brasil em março e
passou a atuar como liderança simbólica da oposição ao governo Lula, participando de eventos
políticos, encontros com apoiadores e liderando movimentos de direita.

No entanto, seu papel no episódio de 8 de janeiro de 2023 — quando apoiadores invadiram e


depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília — trouxe novos desafios. Embora Bolsonaro
tenha negado qualquer envolvimento direto, investigações e declarações de ex-aliados
levantaram questionamentos sobre sua responsabilidade moral e política nos atos.

Além disso, o ex-presidente passou a enfrentar processos na Justiça Eleitoral e no Supremo


Tribunal Federal, que investigavam desde ataques ao sistema eleitoral até uso indevido da
máquina pública durante o período de campanha.

Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou Bolsonaro inelegível até 2030, por
abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação em uma reunião com
embaixadores, onde ele questionou sem provas a segurança das urnas eletrônicas.

Apesar das controvérsias e das derrotas jurídicas, Bolsonaro manteve uma base fiel, com
milhões de brasileiros que continuam a vê-lo como uma liderança legítima da direita nacional.
Fora do poder, ele passou a atuar como figura de mobilização e inspiração para políticos
conservadores, influenciando candidaturas em eleições municipais e estaduais e contribuindo
para a consolidação de um campo político que ele ajudou a moldar.

Com ou sem mandato, o nome Bolsonaro permanece central no debate público brasileiro — e
sua influência ainda está longe de terminar.
apítulo 10: Legado e Futuro

A trajetória de Jair Messias Bolsonaro, do interior de São Paulo à presidência da República, é um


dos fenômenos políticos mais marcantes da história recente do Brasil. Independentemente das
opiniões a seu respeito, é impossível negar que ele reconfigurou o debate político nacional,
rompendo com padrões estabelecidos, desafiando instituições e consolidando uma nova força
social e ideológica no país.

O Impacto Duradouro no Cenário Político Brasileiro

Antes de Bolsonaro, o espectro político brasileiro era amplamente dominado por disputas entre
o centro e a esquerda. A direita, por muito tempo associada ao passado militar ou ao discurso
econômico empresarial, carecia de um representante popular que dialogasse diretamente com
as massas.

A eleição de Bolsonaro em 2018 rompeu essa lógica. Ele deu voz e identidade a um eleitorado
conservador que, até então, se sentia à margem das grandes pautas políticas. Temas como
família, religião, armamento, combate ao comunismo e crítica à grande mídia passaram a
ocupar o centro do debate público.

Mesmo fora do poder, Bolsonaro deixou um legado institucional e cultural. Diversos políticos
eleitos em todo o Brasil — de vereadores a governadores — passaram a adotar o estilo e o
discurso bolsonarista, refletindo a influência do ex-presidente como líder de um movimento
mais amplo do que sua própria figura política.

O Surgimento da “Direita Popular”

Um dos legados mais evidentes de Bolsonaro é o fortalecimento de uma direita popular, com
forte presença nas redes sociais, engajamento religioso, nacionalismo, e oposição ao globalismo
e às pautas progressistas. Essa nova direita é menos associada à elite econômica tradicional e
mais conectada à base da sociedade — especialmente entre evangélicos, militares,
comerciantes, agricultores e parte expressiva da juventude conservadora.

Bolsonaro conseguiu transformar pautas antes consideradas marginais em bandeiras legítimas


no debate público. Essa mudança de paradigma levou partidos e candidatos a repensarem suas
estratégias e deu início a uma disputa ideológica mais clara e aberta entre projetos de país.

Além disso, a mobilização política fora das estruturas tradicionais — através de influenciadores,
canais de YouTube, grupos de WhatsApp e manifestações espontâneas — mostrou uma nova
forma de fazer política no Brasil, mais descentralizada e menos dependente da grande imprensa
ou dos partidos tradicionais.

O Que o Futuro Reserva para Bolsonaro e o Movimento Conservador

Mesmo inelegível até 2030, Jair Bolsonaro continua sendo uma figura central na política
brasileira. Sua capacidade de mobilização permanece alta, e ele segue como principal nome de
referência da direita nacional. Seja participando de eventos, orientando candidaturas, ou
comentando o cenário político, Bolsonaro influencia diretamente os rumos do debate público.

Há especulações sobre o papel que poderá desempenhar nas eleições municipais de 2024 e
nas eleições presidenciais de 2026, seja como cabo eleitoral, seja como articulador de um novo
projeto de poder — eventualmente através de um herdeiro político, como seus filhos ou aliados
próximos.

O futuro do movimento conservador, no entanto, dependerá da sua capacidade de se


institucionalizar, renovar lideranças e formular propostas concretas que vão além do
antipetismo e da pauta de costumes. Há um desafio evidente: manter a base engajada e
relevante em um ambiente democrático, respeitando as regras do jogo e buscando avanços
sociais e econômicos sustentáveis.

O nome Jair Bolsonaro estará, sem dúvida, registrado nos livros de história como protagonista
de uma virada política que transformou o Brasil no século XXI. Para seus apoiadores, ele é
símbolo de coragem, patriotismo e defesa de valores. Para seus opositores, representa a
ameaça ao equilíbrio institucional e ao discurso democrático.

Entre esses extremos, está o eleitor brasileiro — que seguirá, nos próximos anos, sendo
chamado a refletir, decidir e construir os rumos de um país ainda em busca de estabilidade,
justiça e identidade política.
Conclusão

A trajetória de Jair Bolsonaro é, antes de tudo, um reflexo das transformações profundas vividas
pelo Brasil nas últimas décadas. De suas origens simples no interior de São Paulo, passando
pela formação militar, até sua ascensão como figura central da política nacional, sua história é
marcada por polêmicas, convicções firmes e uma relação intensa com as massas populares.

Bolsonaro não apenas venceu uma eleição presidencial — ele inaugurou um novo capítulo no
debate político brasileiro. Sua forma de comunicação direta, o uso estratégico das redes sociais
e sua conexão com temas como religião, moral, segurança e soberania nacional deram forma a
um movimento político que ainda influencia milhões de brasileiros.

Ao mesmo tempo, sua liderança dividiu o país, despertando paixões e rejeições na mesma
intensidade. A condução da pandemia, os embates institucionais e as acusações de abuso de
poder deixaram marcas em seu governo e em sua imagem pública. O fim do mandato e a
inelegibilidade não significaram o fim de sua influência — pelo contrário, consolidaram sua
figura como símbolo de uma direita popular que veio para ficar.

O futuro político do Brasil seguirá sendo impactado pelo fenômeno Bolsonaro — seja por sua
atuação direta ou pelo legado ideológico que deixou. A sociedade brasileira, por sua vez,
continuará amadurecendo diante de desafios democráticos, sociais e culturais, onde o debate
plural e o respeito à Constituição precisarão prevalecer, independentemente das posições
políticas.

O ciclo iniciado com Bolsonaro ainda não se encerrou. E entender sua trajetória é também
compreender os dilemas e os caminhos de um Brasil em transformação.

Você também pode gostar