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14393/SN-v35-2023-66679
Recebido: 15 Agosto, 2022 |Aceito: 09 Novembro, 2022 | Publicado: 18 Janeiro, 2023
Artigos
Palavras-chave: Resumo
Amazônia Pesquisar uma bacia hidrográfica na região Amazônica requer assimilar que esta apresenta uma
Planejamento Ambiental relevância nacional e mundial, estando a área de estudo situada no chamado arco do
Uso e cobertura da terra desmatamento, eleva a necessidade de entender seu contexto, vulnerabilidades e componentes
Recursos Hídricos físicos, ambientais e antrópicos. Esta pesquisa objetivou avaliar a vulnerabilidade ambiental da
Geoprocessamento Bacia Hidrográfica do rio Buriticupu/Maranhão, com vistas a fomentar melhorias que possam
contribuir com o processo de planejamento ambiental e, especificamente, de recursos hídricos.
Para tanto, utilizou-se o ambiente de Sistema de Informação Geográfica para trabalhar com a
Álgebra de Mapas, interrelacionando dados primários e secundários sobre a geologia, relevo,
pedologia e uso e cobertura da terra, para gerar uma cartografia de síntese. Os resultados
apontaram áreas com predominância das classes médias de vulnerabilidade, entretanto, o
destaque fica por conta das planícies aluviais, que se tornaram, nas análises, as áreas mais
frágeis do ponto de vista ambiental, sobretudo por serem solos saturados em água (gleissolos),
depósitos inconsolidados de areia e silte (depósitos aluvionares) e por exibirem extensas
vegetações úmidas, características de matas de igapó e de várzea. Este estudo foi capaz de gerar
um documento que seja aplicável à área de estudo, além de propiciar, de modo sistêmico e
integrado, um produto que contribuirá para possíveis planejamentos, sobretudo para um futuro
comitê de bacia hidrográfica, algo necessário e ainda embrionário do Maranhão..
Keywords Abstract
Amazon Studying a watershed in the Amazon region requires understanding that this region has
Environmental Planning national and global relevance. The fact that the study area is located in the so-called arc of
Land Use and Land Cover deforestation raises the need to understand its context, its vulnerabilities, and its physical,
Water Resources environmental, and anthropic components. This research assesses the environmental
Geoprocessing vulnerability of the Buriticupu River Watershed in Maranhão State, Brazil. The aim is to foster
improvements that may contribute to environmental planning and, specifically, to water
resource management. For this purpose, the authors used the Geographic Information System
environment to work with Map Algebra, interrelating primary and secondary data on geology,
relief, pedology, and land use and land cover to generate synthesis cartography. The results
pointed to areas with predominantly medium vulnerability. However, the analyses highlight
alluvial plains, which became the most fragile areas from an environmental point of view. This
is mainly because these areas comprise water-saturated soils (gleysols), unconsolidated deposits
of sand and silt (alluvial deposits), and extensive humid vegetation, characteristics of igapó and
floodplain forests. This research generated a document that applies is applicable to the study
area. It also provided, in a systemic and integrated way, a product that will help in planning,
which is very important for the creation of a watershed committee, something necessary and
still embryonic in Maranhão State, Brazil.
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1 Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, São Luís, MA, Brasil. rafael_bmedeiros@[Link]
2 Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, São Luís, MA, Brasil. [Link]@[Link]
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MEDEIROS et al. Vulnerabilidade Ambiental
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durante o período seco de 2021 (setembro), informações contidas nos órgãos oficiais do estado
utilizando equipamentos como um GPS Portátil e do Brasil. Silva e Berezuk (2021) afirmam que o
Garmin eTrex 22x SA, câmera fotográfica e um campo jamais pode ser substituído frente às
Drone DJI Mavic. Mesmo com uma essência experiências cognitivas e sensoriais que ele traz
ligada ao Geoprocessamento, esse trabalho consigo, essenciais no auxílio à construção do
destaca que a saída de campo é fundamental conhecimento geográfico.
para promover um panorama real e validar as
identificar as feições existentes), imagens de para uma hierarquia que vai desde a classe de
satélite e relevo sombreado (Hillshade). vulnerabilidade: Muito Baixa (1), Baixa (2),
Para o uso e cobertura da terra, contou-se com Média (3), Alta (4) e Muito Alta (5). Para
a coleção 6 do MapBiomas (2020), que consistiu alcançar esses pesos em cada variável, adotou-se
em um mapeamento utilizando a imagem critérios pré-estabelecidos, conforme o Quadro 1.
Landsat 8 – sensor OLI e, conforme o É importante ressaltar que os critérios
MapBiomas (2020) enfatiza, a metodologia de adotados não partiram apenas das metodologias
classificação é dinâmica e processual, para discutidas na introdução, considerou-se os
aperfeiçoar a classificação de cada tipologia. Para processos de saída de campo e o conhecimento
buscar um maior detalhe, foi realizada a dos pesquisadores, podendo ser replicada em
averiguação dos dados com imagens do Satélite outras áreas. Fatos que possibilitaram que o
Sentinel 2B (USGS, 2020), além da já citada mapeamento gerado seja realmente aplicável à
saída de campo. área e possa contribuir, não só no
Por fim, na geração do mapa de (re)ordenamento do uso da terra, na utilização
vulnerabilidade ambiental, as cartografias foram mais racional, mas também propiciar dados
agrupadas utilizando um Raster Calculator no relevantes para o manejo de recursos hídricos e
QGIS Desktop 3.22.5, no método chamado de para um futuro comitê da bacia do rio Pindaré
Álgebra de Mapas, isto é, uma sobreposição
cartográfica em que cada elemento terá um peso
sobre o outro, uma combinação pixel a pixel que INVENTÁRIO DOS COMPONENTES DA
resultará em uma cartografia de síntese. Os BHRB
procedimentos podem ser de subtração, adição e
multiplicação, nesse caso, utilizou-se a equação 1:
Partindo de uma compartimentação do relevo,
Equação 1 – Vulnerabilidade base desta metodologia, propôs-se a descrição e o
Ambiental: inventário dos componentes físicos da BHRB.
Esse inventário é fundamental dentro do
ge + de + so + uct processo de alcance da vulnerabilidade. Deixando
VA = Ug + claro o destaque feito à questão climática, o clima
4 da região é equatorial quente e úmido, uma
subdivisão do clima tropical. Apresenta duas
Em que: estações bem definidas: o período chuvoso, de
VA: Vulnerabilidade Ambiental dezembro a junho e o período de estiagem, de
Ug: Unidades Geomorfológicas julho a novembro, que atingem um total
ge: Geologia pluviométrico de 1.800 mm e 2.000 mm. A
de: Declividade temperatura média anual varia de 25ºC a 27ºC e
so: Solo a umidade relativa do ar é de 80%, em média
uct: Uso e cobertura da Terra (CAJAIBA et al., 2019). No caso deste estudo, a
relação sistêmica se deu diante das rochas,
Como pode ser visto, a variável relevo ganha relevo, solos e uso e cobertura da terra (Figura 3).
destaque nessa proposta pelos motivos já citados
na introdução. Todos os elementos apontaram
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De modo geral, o relevo da região é constituído (2013), essas áreas de Coberturas Lateríticas são
por formações de tabuleiros, separados em faixas resistentes ao intemperismo e à erosão e
por drenos e grotões, situado a uma altitude de sustentam relevos tabulares em distintas cotas
200 m acima do nível do mar (LIMA et al., 2018), altimétricas representadas por chapadas. Esses
exibindo a foz do rio Buriticupu à apenas 89 perfis lateríticos são registrados sob topos
metros acima do nível do mar. Mais aplainados e posicionados em cotas que variam,
especificamente, na BHRB ocorreu uma na BHRB, entre 300 m e 450 m, se vinculando
compartimentação geomorfológica que ficou clara aos interflúvios entre os rios da região, entre eles
a relação destas com o contexto geológico o Pindaré e Buriticupu.
regional. Nas planícies é possível notar a Outra compartimentação que se destaca na
presença de depósitos aluvionares, que são região são os vales encaixados, que apresentam
depósitos inconsolidados de areia, silte e argila declives acentuados, alguns até passando de 45%,
que, segundo a CPRM (2013) estão sendo o que a deixa em áreas protegidas pelo Código
transportadas e depositadas pelos rios e igarapés Florestal (BRASIL, 2012), entretanto, nota-se
desde os últimos 10 mil anos, período que no baixo curso, as áreas de vales exibem a
caracterizado pelo Quaternário. Essas áreas são pastagem como predominante. Por outro lado, no
sazonalmente, ou permanentemente, alagadas médio e alto curso, as vegetações florestais se
por água, com declividades reduzidas (não fazem presentes, sobretudo pelo fato de tais vales
alcançam mais que 3%), e devido a essa estarem localizados dentro da terra indígena
sazonalidade, seus solos são saturados em água, Araribóia.
como os gleissolos. Nessa terra indígena, inclusive, é possível
Passando para um patamar hipsométrico notar as mesas e mesetas, junto com os morros e
mais elevado, tem-se os baixos platôs e os platôs serras, que são os pontos mais elevados da
dissecados, que segundo CPRM (2013), BHRB, chegando até 489 metros. Nesses locais
apresentam grandes extensões referentes às são característicos os argissolos e latossolos, com
Formações Itapecuru e Ipixuna, ambas formadas grandes declives e vertentes íngremes, chegando
por arenitos, argilitos, siltitos, folhelhos até acima de 75%, isto é, um relevo escarpado,
intercalados com arenitos. O que difere uma sobretudo nas bordas das mesas e mesetas.
formação da outra, está no período geológico Segundo o CPRM (2013), destaca-se um relevo
(Itapecuru mais antigo) e no processo de movimentado, caracterizado por franca
conglomerados de arenitos com pelitos, que a dissecação de extensas superfícies planálticas.
Formação Ipixuna apresenta. Outro fato que Nesse cenário, sobressaem-se as vertentes
pode ser constatado na BHRB, é que a formação circunjacentes fortemente entalhadas, que,
Ipixuna está situada nas áreas mais elevadas, e a devido ao recuo progressivo dos declivosos
Formação Itapecuru se apresenta nas vertentes rebordos erosivos, vêm destruindo as baixas
mais baixas do médio e baixo curso (exceção feita superfícies planálticas. Esse relevo, localmente
aos fundos de vale, que são depósitos acidentado, caracteriza-se por colinas e morros
aluvionares). dissecados com vertentes declivosas, esculpidas
Nesses locais há uma predominância de por vales incisos com alta densidade de
pastagens com extensas áreas desmatadas, tanto drenagem, o que denota expressivo controle
que, segundo o MapBiomas (s.d.), é notável a estrutural no processo de esculturação do relevo
contínua retirada das vegetações nativas dessas regional.
áreas. De acordo com (IBGE, 2010; NICASIO et
al., 2019), as principais atividades econômicas no
município são a produção extrativista vegetal, VULNERABILIDADE AMBIENTAL DA
pecuária e fruticultura. Porém, ultimamente, BHRB: PROPOSIÇÕES PARA O USO E
atividades como a monocultura de eucaliptos e COBERTURA DA TERRA
soja têm se expandido pelo município. Segundo
Cajaiba et al. (2019), o município Buriticupu já
perdeu 97% da cobertura vegetal nativa. Essa avaliação da vulnerabilidade ambiental foi
Inclusive, essas áreas de soja e eucalipto se possível graças à interação entre os componentes
encontram nos planaltos tabulares, áreas planas físicos e antrópicos, que oferecem informações
que apresentam solos profundos como os capazes de definir restrições e traçar algumas
latossolos e que têm as Coberturas Lateríticas sugestões de melhoria ao uso e cobertura da
Maturas como destaque. Segundo o CPRM terra. Em suma, as ações antrópicas oferecem ao
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As áreas de vulnerabilidade muito baixa ocupação antrópica. Nas áreas que apresentam
ficaram restritas à Terra Indígena Governador, pastagens deve-se incorporar práticas de
em que a vegetação florestal ganhou destaque manejo para minimizar possíveis impactos
abrangendo apenas 64,59 km² (1,21% do total). negativos, sobretudo por algumas delas estarem
Somado aos remanescentes florestais, que se situadas em relevo ondulado (próximo a 20% de
vinculam à Floresta Amazônica (Ombrófila declividade).
densa e aberta), os arenitos da Formação Na classe média é possível notar a
Itapecuru, um relevo de platôs dissecados que apresentação de uma maior geodiversidade, as
alcançam um máximo de 20% de declividade e pastagens são destaque em terrenos aplainados
solos profundos e bem drenados como o que tenham solo mais frágil, como o caso do
Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico fazem argissolo, bem como a presença florestal em
com que ocorra uma redução das áreas de declive fortemente ondulado a
vulnerabilidades. São ambientes estáveis do montanhoso, como na terra indígena Araribóia.
ponto de vista geológico, geomorfológico e Os aspectos geológicos acabam por não ser
pedológico. preponderantes na classe média, apresentando
Para essas áreas, sugere-se que ocorra a as Formações Itapecuru, Ipixuna e Cobertura
manutenção dos remanescentes florestais, Lateríticas Maturas.
incentivando ações de fiscalização, visando a Destaca-se que essas porções territoriais
proteção da biodiversidade e contra a ocupação devem, sobretudo nas pastagens, exibir manejo
antrópica. Por ser uma Terra Indígena, há das terras, o que potencializa e favorece
proteção legal amparada na Lei no. 5.371 de proteção ao solo. Por exibirem uma
1967 que se vincula à garantia de cumprimento vulnerabilidade ambiental média, é considerado
da política de respeito aos povos indígenas e a um ambiente integrades, isto é, em que equaliza
posse das terras que ocupam (BRASIL, 1967). os processos morfo e pedogenéticos. Contudo,
Na classe de vulnerabilidade baixa há um deve-se ter cuidado com o avanço antrópico
predomínio dos arenitos da formação e sobre os remanescentes florestais,
Cobertura Lateríticas Maturas e os principalmente por já ser possível visualizar a
conglomerados de arenitos e pelitos depositados fragmentação na paisagem, e o avanço
da Formação Ipixuna. Nesses locais é possível antrópico atingindo até as margens dos
notar a formação de um relevo plano a mananciais, em muitos casos, já com a retirada
suavemente ondulado característico dos baixos da mata ciliar.
platôs e até por serem áreas mais altas e A classe alta inicia um processo de
planas, a predominância de solos bem instabilidade, com culturas de soja e eucalipto
desenvolvidos como o latossolo amarelo adentrando em áreas frágeis. Aponta-se para
distrocoeso, amarelo distrófico e latossolo latossolos amarelo distrocoesos localizados em
vermelho-amarelo distrófico. planaltos tabulares e de relevo suave ondulado.
É possível notar, ao longo de toda a BHRB O fato de apresentar alta vulnerabilidade se
que existem duas grandes manchas de deve ao fato de o uso das terras exercer forte
vegetação florestal, que são as Terras influência sobre os processos que causam
Indígenas, fatos que mostram a importância instabilidade. A outra porção territorial está
destas para manutenção dos remanescentes, localizada nas áreas de planície, que apesar de
não apenas para o equilíbrio da bacia exibir relevo aplainado, seu solo frágil
hidrográfica, pelo fato de existir importantes (gleissolos), somado à vulnerabilidade da
nascentes do rio Buriticupu e de seu principal planície, o fato de ser local de ocorrência de
afluente, o rio Serozal. Salienta-se ainda, que a processos de deposição de sedimentos e da
proteção é fundamental para garantir a ocorrência de inundações fazem com que ocorra
manutenção dos serviços ecossistêmicos, além tal classificação.
da manutenção do regime hidrológico, que Há, ainda, importantes áreas de
apesar de ser um rio extenso, não apresenta vulnerabilidade alta na terra indígena
grande vazão hídrica. Governador que vem, ao longo do tempo (Figura
Para essa classe salienta-se que devem 4), passando por processos de desmatamento
manter seus remanescentes florestais e pela extração de madeira, segundo Calentano et
preservar as nascentes, inclusive aquelas al. (2018), essa região vive sob ameaças
situadas em áreas úmidas, fiscalizando-as para constantes de desmatamento e de degradação
a proteção da biodiversidade e contra a pela extração ilegal de madeira, e por incêndios
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Figura 5 – Grande parte das ocorrências de queimadas estão localizadas em áreas de vulnerabilidade
ambiental muito alta na BHRB, Maranhão
uso das terras, identificar a real vulnerabilidade Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa;
das planícies, impossibilitando a ocupação ou, no altera as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de
mínimo, indicar uma maneira de adequar esses 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e
processos ante à propensão na perda de 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as
sedimentos e equilíbrio dessas porções Leis nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, e
territoriais. 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida
Lançar mão desses indicadores trouxeram Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001;
consigo a identificação que as áreas mais frágeis e dá outras providências. Diário Oficial da
do ponto de vista ambiental estão situadas em União: Brasília, 25 de maio de 2012.
três locais de destaque: a primeira são as BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997.
planícies; a segunda diz respeito às áreas de Institui a Política Nacional de Recursos
lavouras de soja e plantio de eucalipto do médio hídricos, cria o Sistema Nacional de
curso e a terceira nos focos de queimadas Gerenciamento de Recursos hídricos,
ocorridos, que deixaram marcas/cicatrizes na regulamenta o inciso XIX do art. 21 da
paisagem e trouxeram uma vulnerabilidade Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº
ambiental elevada, sobretudo na terra indígena 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a
Governador. Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.
Um ponto fundamental deste estudo, e que Diário Oficial da União: Brasília, 8 de
poderá contribuir para os demais que estão por janeiro de 1997.
vir nessa importante região maranhense e BRASIL. Lei no. 5.371 de dezembro de 1967.
Amazônica, está no fato da proteção exercida Autoriza a instituição da "Fundação Nacional
pelas terras indígenas, já que estas fizeram com do Índio" e dá outras providências. Diário
que mais de 50% das vegetações nativas ainda Oficial da União: Brasília, 5 de dezembro de
tenham ficado resistentes às ações antrópicas, e 1967; 146º da Independência e 79º da
tornando-se assim um importante refúgio da República.
biodiversidade. Além de exibir uma possibilidade BRUGNOLLI, R. M.; PINTO, A. L.; MIGUEL, A.
de criação do corredor ecológico do Gurupi, algo E. S.; OLIVEIRA, G. H. de. Avaliação da
necessário e fundamental para as bacias Vulnerabilidade Ambiental na Área do
hidrográficas da região. De fato, isso afetará Assentamento São Joaquim, Selvíria/MS.
positivamente em certa medida a BHRB. O Revista Caminhos de Geografia,
desafio atual está justamente na aplicação de tal Uberlândia. v. 15, n. 49, p. 126-137. 2014.
medida. Espera-se, portanto, que este trabalho [Link]
seja um ponto norteador para as ações de CAJAIBA, R.L.; PEREIRA, K.S.; MARTINS,
melhoria frente ao avanço da agricultura e J.S.C.; SOUSA, E.S.; SILVA, W.B. Megasoma
pastagens sobre as vegetações nativas. actaeon (Linnaeus) (Scarabaeidae: Dynastinae):
first record for Maranhão state, northeastern
Brazil. Scientia Amazonia, v. 8, p. 13-16,
AGRADECIMENTOS 2019. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 30 jul, 2022.
Os autores agradecem à CAPES (Coordenação de CELENTANO, D. et al. Desmatamento,
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) degradação e violência no "Mosaico Gurupi" - A
pelo financiamento do projeto e pela concessão de região mais ameaçada da Amazônia. Estudos
uma bolsa de Estágio Pós-Doc. Avançados, São Paulo, v. 32, n. 92, p. 315-339,
2018. [Link]
4014.20180021
REFERÊNCIAS CPRM, COMPANHIA DE PESQUISA DE
RECURSOS MINERAIS. Portal GeoBank.
2013. Disponível em:
ARGENTO, M. S. F. A Planície Deltaica do [Link] Acesso
Paraíba do Sul - Um Sistema Ambiental. em: 02 mai. 2021.
Dissertação (Mestrado em Geografia) - CREPANI, E. M.; et. al. Sensoriamento
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Remoto e Geoprocessamento aplicados ao
Janeiro. 1979. Zoneamento Ecológico-Econômico e ao
BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Ordenamento físico-territorial. São José dos
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