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Fisioterapia No Climatério E Menopausa

O documento aborda a fisioterapia no climatério e menopausa, destacando as mudanças hormonais e suas consequências físicas, psíquicas e sociais para as mulheres. Enfatiza a importância da atuação multidisciplinar e da prática de exercícios físicos para melhorar a qualidade de vida e minimizar os sintomas associados a essa fase da vida. A pesquisa bibliográfica utilizada reforça a necessidade de uma abordagem integral na assistência à saúde da mulher durante o climatério.
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Fisioterapia No Climatério E Menopausa

O documento aborda a fisioterapia no climatério e menopausa, destacando as mudanças hormonais e suas consequências físicas, psíquicas e sociais para as mulheres. Enfatiza a importância da atuação multidisciplinar e da prática de exercícios físicos para melhorar a qualidade de vida e minimizar os sintomas associados a essa fase da vida. A pesquisa bibliográfica utilizada reforça a necessidade de uma abordagem integral na assistência à saúde da mulher durante o climatério.
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FISIOTERAPIA NO CLIMATÉRIO E MENOPAUSA

1

• • Sumário ............................................................... 1
o INTRODUÇÃO .......................................................................... 2
1.1- METODOLOGIA ................................................................. 4
o CLIMATERIO E MENOPAUSA .................................................. 5
o A MULHER NO CLIMATÉRIO E A EQÜIDADE ....................... 11
o CLIMATÉRIO: MAIS UMA FASE NA VIDA DA MULHER ........ 15
o A TERAPIA HORMONAL ........................................................ 16
o CIRURGIA ............................................................................... 17
o TERAPIA HORMONAL E SEXUALIDADE ............................... 24
o ABORDAGEM CLÍNICA .......................................................... 26
o ANAMNESE ............................................................................ 28
o EXAME FÍSICO ....................................................................... 29
o EXAMES COMPLEMENTARES .............................................. 30
o EXAMES LABORATORIAIS .................................................... 31
o PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS DISTOPIAS GENITAIS
(EXERCÍCIOS DE KEGEL) ..................................................................... 32
o TABAGISMO ........................................................................... 34
o TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NA INCONTINÊN-CIA
URINÁRIA ............................................................................................... 34
o TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NO CLIMATÉRIO E
MENOPAUSA ......................................................................................... 36
o CONCLUSÃO .......................................................................... 37
o REFERÊNCIAS ....................................................................... 39

1
o INTRODUÇÃO

O climatério é a etapa de transição entre o período reprodutivo e o não


reprodutivo, que ocorre aproximadamente entre os 40 e 55 anos na mulher. Tem
como marco principal a menopausa, que é a última menstruação espontânea.

Após 1 ano da interrupção completa das menstruações, considera-se que a


mulher esteja na pós- menopausa. Na menopausa os ovários deixam de produzir
os hormônios estrogênio e progesterona, de forma gradativa até perderem de vez
a capacidade de funcionar. O hipoestrogenismo causado pelo declínio da função
ovariana é o principal responsável pelos sinais e sintomas das mulheres nesta fase.

A menopausa remete a mulher a um recolhimento, a uma reavaliação da


própria vida, de si mesma, de seus valores e também para tomada de decisões. È
chamada a crise da meia-idade. Todo período de crise desencadeia angústia e
insegurança, mas também surge a possibilidade de transformação e
amadurecimento da personalidade.

Surgem, então, intensas modificações físicas, psíquicas e sociais. Podem


aparecer as queixas de ondas de calor (fogachos), insônia, irritabilidade, fadiga,
diminuição da libido, dores musculares, enfraquecimento nos músculos do
assoalho pélvico, dor ou desconforto na relação sexual, ressecamento vaginal entre
outras.

Muitas mulheres apresentam quadros depressivos, com sentimentos de


autopiedade, vitimização, somatizações e doenças. Outras, apesar de dolorosa e
estressante, vivenciam mais profundamente a crise e aproveitam a oportunidade
para se autoconhecer, descobrir novos interesses, aprofundar ou buscar novos
relacionamentos, tanto amorosos quanto sociais.

2
Algumas mulheres podem sentir diminuição do interesse e desejo sexual,
enquanto outras, maior liberação do desejo e o exercício de uma sexualidade
menos conflitada. No entanto, é sabido que a diminuição do desejo sexual pode
ocorrer em qualquer época da vida e depende mais de questões afetivas e
interpessoais do que endócrinas ou do envelhecimento.

Uma queixa comum das mulheres no climatério e, mais especialmente, na


pós-menopausa, é a fragilidade da mucosa genital e diminuição da lubrificação,
provocando irritação e dores (dispareunia) durante a penetração.

Esses sintomas são consequências do decréscimo da produção de


estrogênio, mas, podem se minimizados com o uso de hormônios tópicos e
exercícios perineais para melhorar elasticidade vaginal e a lubrificação.

A diminuição dos níveis de estrógeno, também acarreta em alteração da


mucosa uretral, o que pode causar uma insuficiência deste esfíncter e consequente
perda urinária aos esforços.

A pessoa que sofre de incontinência urinária tem de lidar constantemente


com o receio e constrangimento da eliminação involuntária de urina, o desconforto
de roupas úmidas, o uso de protetores ou fraldas, o cheiro desagradável de urina.
Consequentemente, isso pode causar a diminuição da autoestima, insegurança no
convívio com outras pessoas e restrição das atividades físicas.

Portanto, é tão importante nesta fase o acompanhamento e a interação


multidisciplinar (Ginecologista, Fisioterapeuta, Nutricionista, Psicólogo, Enfermeiro)
para que essa etapa possa transcorrer com menos sofrimento e mais qualidade de
vida.

O estímulo e a prática aos exercícios físicos, alimentação balanceada,


fisioterapia pélvica e acompanhamento anual com o ginecologista e o enfermeiro,
são caminhos seguros para prevenir e tratar tais disfunções.

3
A atuação precoce do Fisioterapeuta especializada nesta fase pode evitar
perda de qualidade de vida, uma vez que, estes sintomas podem perdurar ao longo
de todo processo do envelhecimento.

1.1- METODOLOGIA
Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada de
pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de maior
conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados.

Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se


desenvolve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a formação
e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para o alcance dos
objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e podem também se
converter nos principais objetivos da gestão de pessoas no setor público e no
fundamento de sua existência.

Segundo Gil, a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de


informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes materiais
bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes autores e dados.

Entende-se por pesquisa bibliográfica a revisão da literatura sobre as


principais teorias que norteiam o trabalho científico. Essa revisão é o que
chamamos de levantamento bibliográfico ou revisão bibliográfica, a qual pode ser
realizada em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre outras
fontes.

Com tudo, o intuito desta apostila é possibilitar os estudos e contribuir para


a aprendizagem de forma eficaz, clara e objetiva, sobre os conhecimentos de
aprendizagem organizacional e gerencial.

4
o CLIMATÉRIO E MENOPAUSA

O período do climatério é uma fase biológica do ciclo vital feminino que tem
início normalmente por volta dos 40 anos de idade, podendo se estender até os 65.
É determinado pela queda de produção dos hormônios estrogênio e progesterona
pelos ovários.

O climatério nem sempre está associado às alterações físicas e emocionais


comuns que ocorrem neste período, mas quando surge é caracterizado como
síndrome do climatério.

Os sintomas do climatério sofrem influência de inúmeros fatores de ordem


biológica (ligados à queda dos níveis de estrógenos ou em decorrência da
senilidade),aspectos psicológicos (envolvendo a auto percepção da mulher, ou
seja, como essa mulher enfrenta esse momento da sua vida) e aspectos sociais
(relacionados à interação da mulher com os familiares, amigos e comunidade).

Este último tem uma forte relação com os aspectos socioculturais, tais como
os mitos, crenças e preconceitos que a sociedade constitui, dissemina e vivencia
em cada época.

Mulheres no climatério que apresentam alguns dos sintomas característicos


da síndrome, tais como ondas de calor ou fogachos, insônia, nervosismo,
depressão, hipertensão arterial, incontinência urinária e sem parceiros fixos ou com
uma autopercepção ruim do seu estado geral, tendem a apresentar alterações na
sua sexualidade.

As alterações fisiológicas que ocorrem na mulher que vivencia o climatério,


mesmo com sintomas de intensidades diferentes, geram consequências que
podem afetar o seu bem-estar geral.

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Essas modificações não necessariamente irão provocar a diminuição do
prazer, mas poderá influenciar diretamente na sua resposta sexual, tornando-a
mais lenta e menos prazerosa podendo causar insatisfação sexual.

A dispaurenia (dor durante o ato sexual) como consequência do


ressecamento vaginal, devido ao hipoestrogenismo é um dos principais causadores
do desconforto sexual que pode causar alterações sexuais na vida da mulher.

Sabe-se que a assistência à mulher no climatério, incluindo a sexualidade, é


uma das prioridades das Políticas Públicas de Saúde direcionadas às mulheres,
muito embora esta ainda esteja focada por parte dos profissionais de saúde no
diagnóstico e tratamento das queixas clínicas apresentadas pelas mulheres,
acarretando, com isso, a medicalização e a não valorização das queixas subjetivas,
tais como: a insatisfação sexual, medo em relação à falta de desejo, sensação de
culpa diante das alterações que ocorrem com o ambiente familiar, com o seu corpo
e no relacionamento com o seu parceiro.

A sexualidade mostra-se como aspecto importante na qualidade de vida no


período do climatério, pois as alterações hormonais influenciam na libido das
mulheres. Além disso, a temática da sexualidade historicamente e até os dias atuais
tem sido construída em torno dos mitos, crenças e tabus que cada sociedade vive
numa determinada época, revelando a necessidade de atenção que o assunto
merece por parte dos profissionais de saúde, para que dessa forma seja prestada
uma assistência de qualidade as mulheres com o objetivo de promover a promoção
da saúde de uma forma integral.

Sabe-se que atualmente, as mulheres têm se preocupado mais com as


mudanças que ocorrem com o seu corpo, inclusive com o aspecto prazeroso do
sexo, dissociado da finalidade puramente reprodutiva, a fim de obter uma melhor
qualidade e de vida, o que significa também ficar livre dos sintomas do climatério
que prejudica seu bem-estar geral, tornando evidente a necessidade de atenção
nesta área.

6
Na assistência à mulher que está vivenciando o climatério, sabe-se que se
deve atender a mesma de maneira integral. Porém, na prática, essas ações ainda
não são desenvolvidas. Ressalta-se também a escassez de estudos nesta área o
que remete a importância de enfocar melhor as questões relacionadas ao
climatério, pois, torna-se necessário a identificação dos problemas vivenciados no
período do climatério para que os mesmos sejam amenizados.

As mulheres pesquisadas praticavam atividade física por, pelo menos, três


vezes na semana durante um mês, e, com base na escala IMBK, dentre elas, a
minoria referiu ter sintomas intensos. Estudo realizado verificou que os sintomas do
climatério se manifestam em menor propensão (p<0,01) em mulheres que praticam
atividade física.

Outro estudo de base populacional, realizado em Natal-RN com 365


mulheres entre 35 e 65anos de idade, também identificou um menor percentual dos
sintomas intensos do climatério (8,0%) quando as mulheres eram ativas
fisicamente.

Estudo do tipo caso-controle revelou que 63,6%das mulheres sedentárias,


apresentaram sintomas de intensidade moderada a severa no climatério e que há
melhores escores no nível de qualidade de vida entre mulheres que realizavam
atividade física regular.

Por isso, a fase do climatério merece atenção especial, pois a orientação


sobre adoção de hábitos de vida saudáveis (prática regular de atividade física e
alimentação adequada) pode representar uma mudança significativa na redução da
intensidade dos sintomas, conferindo às mulheres, melhor qualidade de vida.

Psicologicamente, na experiência do climatério as mulheres devem lidar com


mudanças internas de correntes das alterações hormonais, como também da perda
do potencial reprodutivo e do envelhecimento propriamente dito. Socialmente,
neste período, é comum também a presença de problemas sociais como a saída
dos filhos de casa, doenças instaladas, perda de entes queridos e, por vezes
estresse e incompreensão no relacionamento conjugal.

7
Essas mudanças podem desencadear grandes repercussões no bem estar
e na autoestima da mulher, tornando-a vulnerável ao aparecimento da síndrome do
climatério e alterações na sua sexualidade.

A síndrome do climatério apresenta sinais e sintomas transitórios e


permanentes e de prevalência altamente variável, uma vez que, é diretamente
influenciada por fatores ligados ao meio e a singularidade de cada mulher.

Quanto ao desempenho sexual, verificou-se associação entre o padrão de


desempenho sexual(QS-F) e a intensidade dos sintomas (IMBK) das mulheres
investigadas. Assim, o padrão de desempenho sexual elevado pode estar
associado a uma menor intensidade dos sintomas no climatério.

Pesquisa realizada em um centro de saúde, na cidade de Jequié (BA), de


enfoque qualitativo, envolvendo 16 mulheres entre 45 e 59 anos deidade, sobre os
motivos que favoreciam as mudanças no relacionamento sexual no período do
climatério, revelou que a presença dos sintomas como cefaleia, náuseas, fogachos,
menorragia, alterações fisiológicas no ato sexual, falta de apetite sexual, diminuição
do prazer e alterações psicológicas, afetam a vida sexual, podendo interferir na
resposta sexual das mulheres.

No entanto, neste mesmo estudo, identificou-se que no grupo de mulheres


estudadas, havia aquelas que não apresentaram quaisquer alterações na
qualidade das suas atividades sexuais, tanto pela inexistência dos sintomas, quanto
por sentirem-se mais à vontade em exercitar a sua sexualidade, em virtude das
cessações dos ciclos menstruais e da possibilidade de engravidar.

Tal achado remete a pesquisas que avaliem a complexidade que envolve o


desempenho sexual, para além de alterações orgânicas como no caso da fase do
climatério, pois, sabe-se que a sexualidade vai muito além dos processos
fisiológicos desencadeados por estímulo genitais, sendo algo mais complexo que
envolve diferentes fatores de ordem emocionais e afetivos, boa comunicação com
o parceiro sexual, fantasias e estímulos sensoriais únicos, todos, em conjunto são
responsáveis por efetivar a obtenção do desejo,prazer e satisfação sexual.

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Portanto, o padrão de desempenho sexual também pode estar diminuído em
mulheres no climatério, em virtude da presença de transtornos psicológicos
(depressão, ansiedade), humor alterado (irritabilidade, nervosismo), do uso de
medicações que inibe a libido (antidepressivos) e da qualidade no relacionamento
com o seu parceiro.

É importante ressaltar que, com base na média de idade das mulheres do


presente estudo(51 anos), constata-se que as mesmas se encontravam mais
próximas do período de transição para a menopausa (já que esta ocorre por volta
dos 50anos) e estudos referem diminuição do padrão de desempenho/satisfação
sexual da mulher, com o avanço da idade.

Os resultados apresentados em nosso estudo possibilitam levantar


hipóteses de que a prática da atividade física pode está associada com uma menor
intensidade dos sintomas do climatério e padrões de desempenho sexuais mais
elevados podendo variar de regular a bom/excelente.

A recomendação da pratica regular de atividade física aeróbica tem sido uma


estratégia eficaz para a prevenção e redução dos sintomas climatéricos.

Fato de extrema importância a ser mencionado é a questão do


hipoestrogenismo no climatério, condição na qual a lubrificação vaginal torna o
período de excitação mais demorado e menos intenso, sendo determinante no
aparecimento da dispaurenia, trazendo como consequência, modificação da
resposta orgástica feminina.

Isto explica o fato de que ao iniciar uma atividade física, o organismo


feminino desenvolve melhor capacidade de contração do aparelho músculo
esquelético, melhorando a flexibilidade e tônus muscular, oxigenando os órgãos
pélvicos responsáveis pela lubrificação vaginal, contribuindo para um melhor
desempenho e satisfação sexual.

A sexualidade da mulher no climatério ainda sofre preconceitos e tabus e a


sociedade tem acreditado que mulheres fora do período reprodutivo são

9
assexuadas ou incapazes de exercer a sua sexualidade. Neste estudo em
questão observou-se que grande parte das mulheres mantém suas atividades
sexuais. Sabendo que o aspecto biopsicossocial da vida da mulher tem grande
influência no período do climatério, quanto maior a informação conferida sobre os
sintomas, maior o ganho para enfrentar essa etapa com positividade.

É imprescindível que as mulheres no climatério sejam abordadas de forma


adequada por profissionais de saúde preparados para atender as demandas deste
grupo, para orientar às mulheres sobre as modificações desta nova etapa de suas
vidas.

Além disso, dentre as diversas formas de atuação do fisioterapeuta na


sociedade moderna, a prática educativa como um dispositivo essencial para a
promoção da saúde, vem despontando como principal estratégia.

A saúde da mulher, no Brasil, foi incorporada às políticas nacionais no início


do século XX e a atenção à saúde deste grupo populacional vem seguindo um
processo de evolução no qual os antecedentes podem ser considerados a partir da
década de 70. Neste período o Ministério da Saúde adotava uma concepção mais
restrita da saúde da mulher, que se limitava à saúde materna ou à ausência de
agravos associados à reprodução biológica.

Na década de 1980 ocorreu o lançamento do documento “Assistência


Integral a Saúde da Mulher: bases de ação programática”, que serviu de apoio
para o Programa desistência Integral a Saúde da Mulher, o PAISM, elaborado pelo
Ministério da Saúde em1983 e publicado em 1984.

Esse programa incorporou o ideário feminista para a atenção a saúde da


mulher, com ênfase em aspectos da saúde reprodutiva, mas com propostas de
ações dirigidas atenção integral da população feminina, nas suas necessidades
prioritárias, significando uma ruptura com o modelo de atenção materno-infantil até
então desenvolvida. Nas prioridades estava incluída a atenção ao climatério, já que

10
contemplava uma abordagem geracional da mulher em todas as fases da vida, da
adolescente a idosa.

Dentro dessa perspectiva passaram a ser desenvolvidas, em diversos


estados da federação, atividades de capacitação em atenção integral a saúde da
mulher e em alguns deles, ações de saúde especificas direcionadas as mulheres
no climatério.

Nesse contexto, em 1994, foi lançada pelo Ministério da Saúde a Norma de


Assistência ao Climatério. Em 1999, a Área Técnica de Saúde da Mulher do
Ministério da Saúde incorporou no seu planejamento à atenção a saúde da mulher
acima de 50 anos. No entanto, nenhuma ação específica foi implementada naquela
oportunidade. Um balanço institucional realizado em 2002 apontou, entre outras,
esta lacuna, considerando necessário superá-la.

Em 2003, essa área técnica assumiu a decisão política de iniciar ações de


saúde voltadas para as mulheres no climatério e incluiu um capitulo especifico
sobre esse tema no documento Política Nacional de Atenção Integral a Saúde da
Mulher-Princípios e Diretrizes.

No Plano de Ação dessa política nacional com relação ao climatério, o


objetivo e implantar e implementar a atenção a saúde da mulher no climatério, em
nível nacional, que e detalhado na estratégia de ampliar o acesso e qualificar a
atenção com ações e indicadores definidos.

o A MULHER NO CLIMATÉRIO E A EQUIDADE


As mulheres são a maioria da população brasileira e as principais usuárias
do Sistema Único de Saúde. Considerando a saúde numa visão ampliada, diversos
aspectos da vida estão a ela relacionados, como a alimentação, o lazer, as
condições de trabalho, a moradia, a educação/informação e renda, as relações
sociais e familiares, a autoimagem e a autoestima e o meio ambiente.

Nessa perspectiva, a saúde está para além do simples acesso aos serviços
de saúde ou a ausência de doença. Outras variáveis relacionadas a discriminação

11
e aos preconceitos também compõem o processo de saúde-doença e aumentam a
vulnerabilidade frente a determinados agravos que estão – para a população
feminina – mais relacionados com situações de discriminação que aos fatores
biológicos.

A equidade e um dos princípios do SUS e significa a garantia de acesso de


qualquer pessoa, em igualdade de condições, aos diferentes níveis de
complexidade do sistema, de acordo com as suas necessidades. Esse princípio
está relacionado com a justiça e a igualdade social e pretende romper as barreiras
da discriminação e das desigualdades.

Uma das principais discriminações se refere às relações de gênero.


Enquanto o sexo define as características biológicas de cada indivíduo, gênero e
uma construção social e histórica dos atributos e papeis da masculinidade e da
feminilidade. O gênero delimita campos de atuação para cada sexo e do suporte a
elaboração de leis e suas formas de aplicação.

Na maioria das sociedades as relações de gêneros são desiguais e com


base nisso que se distinguem os papéis do homem e da mulher na família, na
divisão do trabalho, na oferta de bens e de serviços. Em função da organização
social das relações de gênero, homens e mulheres estão expostos a padrões
distintos de adoecimento, sofrimento e morte.

A discriminação por raça/cor e por etnia e também determinante para o


adoecimento das pessoas. O racismo e uma doença social que repercute nas
instituições, inclusive nos serviços de saúde. Apesar de ser crime no nosso país, o
racismo é praticado de diversas formas, desde as mais sutis e disfarçadas as
violentamente explicitas.

Ele se concretiza nos relacionamentos estabelecidos entre as pessoas. A


dor e o sofrimento – que não tem visibilidade concreta – geram adoecimento e
morte. Segundo dados da “SAÚDE BRASIL2005”, a mulher negra tem menos

12
chances de passar por consultas ginecológicas completas, por consultas de pré-
natal e de puérperio.

A precariedade das condições de vida das mulheres negras leva-as a


apresentar em maiores taxas de doenças relacionadas à pobreza, como o câncer
de colo de útero, cuja incidência e duas vezes maior do que entre as mulheres
brancas.

Além disso, a população negra está mais sujeita a anemia falciforme, a


hipertensão arterial, a Diabetes mellitus e a infecção por HIV. E também alta a
ocorrência de depressão, estresse e alcoolismo neste grupo populacional. Apesar
destes e de outros dados, as políticas públicas historicamente tem ignorado a
perspectiva étnico-racial da mesma forma que a existência do racismo institucional
na saúde. E necessário, portanto, que medidas sejam implementadas para o seu
combate.

Com relação às mulheres índias, a atenção a sua saúde ainda e precária e


os dados epidemiológicos disponíveis são insuficientes. Na maioria dos povos
indígenas, o envelhecimento é encarado com respeito e as mulheres mais velhas,
após a menopausa, tornam-se mais aceitas e valorizadas, pois o significado do
sangue menstrual assume conotação diversa da usual entre as não índias.

Mas em que pese este melhor espaço social, as iniquidades na atenção a


saúde dos povos indígenas ao longo da vida repercutem na saúde das mulheres
índias. Para superá-las são necessárias políticas contextualizadas na perspectiva
do etno-desenvolvimento.

Outra discriminação importante se refere à orientação sexual. As políticas de


saúde precisam incorporar a agenda de necessidades das mulheres lésbicas. Esta
agenda se refere a um atendimento ginecológico que considere a
homossexualidade, e que os profissionais de saúde reconheçam a orientação
sexual como um direito de cidadania e a possibilidade de parte de sua clientela ser
composta por pessoas não heterossexuais.

13
Alguns problemas de saúde devem ser priorizados no atendimento as
mulheres lésbicas, como a vulnerabilidade as DST principalmente AIDS e hepatites
e a sensibilização delas para o risco de câncer de colo de útero e de mama.

A discriminação geracional, com base na idade cronológica, ocorre na nossa


sociedade como algo naturalizado. Para as mulheres esta discriminação e mais
intensa e evidente. O mito da eterna juventude, a supervalorização da beleza física
padronizada e a relação entre o sucesso e a juventude são fatores de
tensionamento que interferem na autoestima e repercutem na saúde física, mental,
emocional e nas relações familiares e sociais.

Uma discriminação potencializa a outra e há diversos grupos femininos que


também sofrem preconceitos e discriminações. E o caso das mulheres com
deficiência, transtornos mentais e em situação de prisão. Estratégias de
humanização e qualificação na atenção ao climatério devem ser incorporadas pelo
SUS, atendendo ao princípio da equidade, em relação às variadas especificidades
e diferenças que existem entre as mulheres.

Perpassando toda esta problemática, está a questão da violência contra a


mulher, seja domestica intrafamiliar ou sexual. A violência atinge uma parcela
importante da população, repercute na saúde e um grave problema de saúde
pública. E também um dos principais indicadores da discriminação de gênero contra
a mulher, que ocorre tanto frente a sociedade em geral, quanto aos próprios
profissionais de saúde.

Mulheres que vivenciam situações de violência são tidas como “


poliqueixosas” com suas queixas vagas e seus sintomas crônicos que não são
esclarecidos em resultados de exames. Este quadro pode estar refletindo dores e
traumas vivenciados, traduzidos por meio da psicossomatização. As manifestações
da violência podem ser agudas ou crônicas, físicas, mentais ou sociais.

14
o CLIMATÉRIO: MAIS UMA FASE NA VIDA DA MULHER
Falando em discurso da ciência, Trench e Santos (2005) defenderam que, a
partir do século XX – período em que as mulheres pesquisadas nasceram e
passaram a maior parte de suas vidas, tendo, portanto, várias ligações culturais
com esse século –, há a apropriação do tema “menopausa” pela medicina de duas
maneiras.

A primeira dá-se minimizando os problemas relacionados a essa fase ao


compará-la a outras fases da mulher, como a gravidez e o parto, ou buscando
intervir no corpo feminino, procurando estender o ciclo menstrual através de
terapias de reposição hormonal, por exemplo.

Já na segunda metade do século, há um predomínio da visão


intervencionista sobre o assunto: é quando o término da ovulação passa a ser visto
como uma forma de morte prematura da mulher e surge a terapia de reposição
hormonal prometendo uma revolução biológica no organismo feminino e fazendo
às mulheres uma proposta de juventude eterna.

Dessa forma, estabelece-se a ligação menopausa/ patologia. Para frisar sua


proposta de eterna juventude e feminilidade, Wilson (1966), o criador da terapia de
reposição hormonal, compara a relação menopausa/ estrogênio com a relação
existente entre a diabetes e a insulina: Usando uma analogia grosseira, você
poderá comparar a menopausa a uma doença semelhante à diabetes.

Ambas são causadas pela falta de certa substância química orgânica. Para
curar a diabetes suprimimos a substância ausente com insulina. Uma lógica similar
pode ser aplicada à menopausa: os hormônios que faltam podem ser substituídos.
(p. 20)

Essa fase intervencionista dura até a década de 1980 quando, após vários
manifestos do movimento feminista, que enxergavam tais práticas como a utilização
do corpo da mulher para experimentos, iniciam-se as publicações que buscam

15
valorizar o período da meia-idade, evidenciando o quanto essa fase pode ser rica
e produtiva (Trench& Santos, 2005).

Assim, na década de 1990, surge o clássico de GermaineGreer (1994)


“Mulher, maturidade e mudança”, que polemizou a questão com livros de autoajuda
dirigidos às mulheres de meia-idade ao afirmar que não são necessárias mudanças
ou intervenções para que a mulher continue a ser como antes. Além disso, criticou
a mulher severamente, afirmando que ela possa estar farta de ter sempre
especialistas lhe dizendo o que deve ser feito.

Apesar da publicação, em 2002, no Journal of the American Medical


Association (Lacey et al.), de que a terapia de reposição hormonal poderia trazer
às mulheres uma série de consequências negativas, tal como maior risco do
desenvolvimento do câncer de mama, observa-se a construção de sentidos da
menopausa e sua medicalização com um interesse em comum: manterem-se
jovens conforme reza a cultura (Trench& Rosa, 2008): Tal construção não só nega
a alteridade e a diferença, como parte do pressuposto de que as questões
relacionadas à menopausa e ao envelhecimento se apresentam igualitariamente às
mulheres, independentemente das suas singularidades e inserção socioeconômica
e cultural. (p. 209).

o A TERAPIA HORMONAL
Em 1966, o Dr. Robert Wilson lançou o livro “Feminine Forever”, em que
valorizava os benefícios da terapia de reposição hormonal para “salvar as mulheres
da tragédia da menopausa”.

Para o autor, o estrogênio na terapia de reposição hormonal agiria como um


elixir da juventude, que retardaria o envelhecimento, popularizando o conceito de
que menopausa é uma doença de deficiência hormonal.

Muitos profissionais de saúde ainda hoje reforçam essa concepção


medicalizando o atendimento e prescrevendo hormônios generalizadamente. Além
disso, grande parte ignora ou não considera outras opções de tratamento

16
disponíveis para alívio dos sintomas, que inclui atitudes mais saudáveis, como
alimentação adequada, atividades físicas – e eventualmente o uso de fitoterapia,
homeopatia e/ou acupuntura.

É importante lembrar que nem todas as mulheres vivem essa fase da mesma
maneira e algumas podem não apresentar sintomas. Todavia, a terapia hormonal
pode ser utilizada sempre que houver indicação, individualizando cada caso,
optando-se pelo esquema mais adequado, com a menor dose e pelo período
necessário.

É importante estar atento aos princípios éticos da beneficência e da não


maleficência tendo em mente que qualquer procedimento terapêutico
desnecessário, além de infringir o princípio ético da beneficência, pode
desencadear futuras implicações à saúde.

É importante assegurar que, apesar de algumas vezes apresentar


dificuldades, o climatério é um período importante e inevitável na vida, devendo ser
encarado como um processo natural, e não como doença.

Às vezes é vivenciado como uma passagem silenciosa (sem queixas); outras


vezes, essa fase pode ser muito expressiva, acompanhada de sintomatologia que
gera alterações na rotina, mas, no geral, é uma fase com perdas e ganhos, altos e
baixos, novas liberdades, novas limitações e possibilidades para as mulheres.

Na atenção à sua saúde precisam ser oferecidas informações detalhadas


sobre as variadas facetas dessa nova etapa da vida, encorajando a mulher a vivê-
la com mais energia, coragem e a aprender os limites e oportunidades do processo
de envelhecimento, abrangendo as transformações que ocorrem durante esse
período.

o CIRURGIA
A histerectomia é a segunda cirurgia mais realizada em mulheres, só sendo
superada pela cesariana. Apesar de ter indicações precisas, alguns profissionais a
adotam como procedimento de rotina ao atender uma mulher no climatério,

17
principalmente se há queixa de sangramento vaginal um pouco mais acentuado,
antes mesmo de investigar a causa ou oferecer alternativas de tratamento.

É importante ter em mente que a histerectomia é um procedimento invasivo


e mutilante, que envolve riscos e complicações diversas durante e ou após o ato
cirúrgico.

Além disso, a mulher histerectomizada pode vir a sentir-se lesada, além de


fisicamente, também nos campos psicológico e sexual.

Quando houver indicação, esta deve ser precisa e muito discutida, ficando
claro, tanto para a mulher quanto para o profissional, que o procedimento só é
indicado e realizado quando todos os outros tratamentos oferecidos falharam.

O fato de o climatério ser caracterizado por mudanças biológicas, psíquicas


e sociais talvez induza a associá-lo com doença. É durante esta fase que as
mulheres são mais medicalizadas com psicotrópicos. Alguns estudos mostram que
há um nítido predomínio no uso de benzodiazepínicos entre as mulheres, quando
comparado aos homens, e este uso tende a ser mais acentuado nas mulheres
acima de 35 anos (de 3,7% entre 18 a 21 anos para 5,3% naquelas acima de 35
anos).

Isto pode indicar tanto uma maior demanda, de medicamentos para


amenizar diversos conflitos decorrentes de fatores relacionais, sociais e
psicológicos, como uma posição do profissional médico de medicalizar a mulher em
sofrimento antes de proporcionar a ela uma escuta mais qualificada.

Dessa forma, é importante que a prescrição de medicamentos seja feita de


maneira criteriosa, visando obter o efeito desejado, considerando a avaliação
individual. O potencial de dependência destas substâncias também deve ser revisto
em cada avaliação, durante a decisão pela prescrição ou não de psicotrópicos.

Felizmente, muitos profissionais de saúde reagem contra essa prática e


compreendem que o climatério é uma etapa da vida das mulheres, com

18
oportunidades de crescimento e de reavaliação. Opções passadas, atuais e futuras
podem ser reconsideradas sob o prisma de novas necessidades.

A prescrição indiscriminada e quase rotineira de terapia hormonal também


tem contribuído para a construção de uma imagem negativa em relação às
alterações hormonais na fisiologia feminina. Na tentativa de combater certo mal-
estar físico e psicológico, característico e passageiro desse momento de vida,
muitos médicos transformam as queixas ouvidas nas consultas ginecológicas em
uma doença, cujo tratamento passa a ser obrigatoriamente à base de hormônios e
antidepressivos, perdendo a oportunidade de uma abordagem integral, voltada
para a promoção da saúde.

Diante dessas questões que se entrecruzam, é possível entender como um


mal estar psíquico gerado e, quando expresso pela mulher que o vivencia, muitas
vezes é diagnosticado como sintoma depressivo. Vários aspectos contribuem para
um estado de humor depressivo: a diminuição da autoestima, acompanhada de
labilidade afetiva e irritabilidade, isolamento, dificuldades de concentração e
memória, além de queixas relacionadas à esfera sexual, mais especificamente à
diminuição de interesse sexual.

No entanto, essas manifestações não deveriam ser tratadas


necessariamente com medicação psicoativa, mas entendidas como parte do
complexo processo de revisão da vida. Cabe verificar se os episódios de tristeza
ou sintomas depressivos estão associados à história prévia de depressão, ao pouco
suporte psicossocial na maturidade ou ao possível desconforto físico e emocional,
associados aos sintomas da menopausa.

As reações “depressivas” podem ser uma expressão afetiva comum desta


fase da vida, já que se trata de um momento caracterizado por fatores psicossociais
que alteram os papéis familiares e sociais – saída dos filhos de casa,
aposentadorias, perda dos pais, relacionamentos conjugais muitas vezes
desgastados – e intensificam perdas interpessoais.

19
Conflitos inerentes à subjetividade, além do próprio envelhecimento físico
com suas repercussões clínicas, podem fazer com que o climatério passe a ser
palco de sofrimento psíquico. Apesar de o corpo feminino ser marcado pelo ciclo
biológico-reprodutivo, o destino da mulher não pode ser reduzido à dimensão
fisiológica. No climatério, as alterações hormonais, acompanhadas pela
desvalorização estética do corpo e por toda uma sintomatologia de intensidade
variável – que no limite aparece como sofrimento depressivo – sinalizam o
envelhecimento inevitável.

Nesta etapa, as mulheres se dão conta que a vida tem um fim. Trata-se de
um tempo vivido com muita contradição, pois diante da percepção do limite de
tempo cronológico, certezas podem ruir e dúvidas aumentarem. Esta inter-relação
de aspectos biopsicossociais que abarca o climatério tem apontado para a
importância da participação de mulheres em grupos terapêuticos de caráter psico-
educativo.

Ouvir outras mulheres que vivenciam problemas tão semelhantes aos seus,
pode contribuir para que uma mulher compreenda melhor o processo, dê sentido
às próprias vivências do envelhecimento, amplie os grupos de amizades e aumente
sua autoestima.

No compartilhamento de experiências, a crise pessoal pode encontrar novas


possibilidades de se “resignificar” diante da complexidade enfrentada nesta etapa
de vida. Cabe aos profissionais da saúde incorporar na prática a perspectiva da
diversidade, atentando para a escuta de mulheres nas suas particularidades.

As mulheres no climatério vítimas de violência, por exemplo, podem


encontrar nesses espaços terapêuticos um lugar para expressarem o sofrimento
advindo das agressões psicológicas, morais e físicas vivenciadas e até então não
elaboradas.

As mulheres lésbicas e as mulheres negras, que enfrentam no decorrer da


vida, diversas manifestações de discriminação, inclusive nos serviços de saúde,
poderão se beneficiar com ações equânimes de escuta e apoio. Esta também é a

20
situação das mulheres com deficiência que estão alcançando idade mais avançada.
Dimensões psicossociais do climatério como estas precisam ser vistas sob o olhar
da inclusão.

É importante que os serviços de saúde promovam grupos psico-educativos,


espaços de escuta que sanem as dúvidas a respeito da vivência do climatério.
Assuntos como o significado da menopausa, a vivência da sexualidade, os estados
depressivos, a vivência do envelhecer e outros temas, sugeridos pelas próprias
mulheres, poderão alimentar as discussões desses grupos, sob a coordenação dos
profissionais de saúde sensibilizados e qualificados para essa ação.

Cabe também a esses profissionais estimular a participação das mulheres


em atividades comunitárias que incrementem estilos de vida mais saudáveis. O
compartilhamento de experiências possibilitará a construção de saberes acerca das
crises inevitáveis vivenciadas pelas mulheres no climatério e oportunidades de
expressão de sentimentos e sensações, muitas vezes não elaborados
conscientemente.

A crítica sobre como a contemporaneidade tem potencializado o sofrimento


psíquico pode amenizar o senso de inadequação das mulheres em relação ao
modo de estarem no mundo.

A sexualidade das mulheres ainda é, em parte, desconhecida, não somente


para os homens, mas, sobretudo, para as próprias mulheres. Durante anos, o
modelo de sexualidade dominante, normativo, aceito socialmente, é o que
corresponde à sexualidade masculina.

A ignorância e os tabus que ainda rodeiam a sexualidade durante o


climatério trazem como consequência que, as diversas mudanças que acontecem
no corpo e nas relações sexuais nesse período da vida, são frequentemente
atribuídas, muitas vezes indevidamente, à menopausa.

O comportamento sexual humano é influenciado por aspectos psicológicos


e socioculturais e está relacionado com a saúde física e mental, com a qualidade

21
de vida e a autoestima. Entretanto, como o ser humano é dotado de grande
versatilidade, reagindo de maneira diversa e de acordo com cada situação, não é
raro se observar manifestações da sexualidade mesmo em condições orgânicas,
psicológicas ou sociais adversas.

No climatério as repercussões hormonais no organismo da mulher se somam


às transformações biológicas, psicológicas, sociais e culturais. Embora os autores
se refiram ao climatério como sendo um fenômeno biopsicossocial, historicamente
o enfoque maior tem sido dado aos fatores biológicos, aos sinais e sintomas,
inclusive referindo o climatério algumas vezes como uma síndrome ou um período
patológico e anormal.

Apesar de constituir uma etapa normal do ciclo biológico da mulher, da


mesma forma que a adolescência, e não uma doença que incapacita ou a limita
para a vida, verifica-se que alguns profissionais de saúde, ao abordarem esse
assunto, acabam por reforçar uma visão do climatério como um fato anormal ou
uma doença.

Visto desta maneira, julgam ser necessário intervir quimicamente por meio
de terapia medicamentosa, caracterizando o uso indiscriminado e muitas vezes
desnecessário de medicamentos. Talvez esta seja uma das razões pelas quais a
terapia hormonal seja assunto de grande controvérsia.

A idade determina algumas mudanças fisiológicas na resposta sexual, mas


estas alterações funcionais, que são menos ostensivas nas mulheres que nos
homens, não podem ser dissociadas do contexto geral de outras funções orgânicas
também modificadas pelo tempo.

É o organismo como um todo que se modifica com a idade e, dentro desse


contexto, a sexualidade também se transforma. A maioria dos autores concorda
que o ressecamento e a hipotrofia vaginal são causados pelo decréscimo da
produção de estrogênio.

22
Em estudos sobre o efeito do tratamento hormonal em mulheres na
menopausa, com queixas sexuais, foram verificados: a existência de uma relação
direta entre alguns sintomas como secura vaginal, dor à penetração e sensação de
ardor e os níveis de estradiol. Esses sintomas responderam à terapia estrogênica
local ou sistêmica.

Já em relação a outros comportamentos sexuais mais complexos, como o


desejo sexual e o orgasmo, a maioria dos autores considera a influência de alguns
fatores responsáveis por esses fenômenos, entre os quais estão os psicológicos,
os socioculturais, os interpessoais e os biológicos.

Mulheres submetidas a cirurgias, como a mastectomia, a histerectomia e a


ooforectomia, podem muitas vezes desenvolver um sentimento de mutilação e
incompletude sexual. A presença de prolapsos genitais e incontinência urinária
também podem ser situações constrangedoras, atuando sobre a sensualidade e a
autoestima.

Mulheres que desenvolvem doenças endócrinas como Diabetes mellitus,


hiperprolactinemia, hipotireoidismo e disfunções adrenais podem evoluir com
diminuição da libido.

Estudos vêm demonstrando que doenças pulmonares relacionadas a algum


grau de hipóxia induzem à redução das concentrações séricas hormonais em
ambos os sexos, refletindo-se sobre a função sexual. Quadros depressivos,
neoplasias malignas e insuficiência cardíaca também influenciam na resposta
sexual, assim como alguns medicamentos e tratamentos utilizados para essas
situações.

Mulheres submetidas ao abuso ou violência sexual também podem


apresentar dificuldades no exercício da sua plena sexualidade, especialmente em
casos em que não foram devidamente acompanhadas por suporte psicológico.

Disfunções sexuais do(a) parceiro(a) podem desencadear dificuldades


sexuais na mulher. Além disso, o interesse e disponibilidade do(a) parceiro(a) são

23
da mesma forma importantes para que a sexualidade possa continuar a ser
exercida satisfatoriamente no climatério, como em qualquer outra época da vida.

Em muitas situações a falta de comunicação e até mesmo de compreensão


e afeto entre os casais, com o culto à individualidade da vida moderna, induz à
perda da cumplicidade e intimidade. Assim, pode ser rompido o elo amoroso das
relações, comprometendo o interesse e a resposta sexual.

o TERAPIA HORMONAL E SEXUALIDADE


O papel dos hormônios no tratamento de problemas sexuais é bastante
controverso. É evidente o beneficio da estrogênioterapia no alívio dos sintomas
vasomotores e geniturinários. Em relação ao uso da testosterona, que tem sido
recomendado para mulheres que apresentam diminuição do desejo sexual, alguns
trabalhos sugerem que este hormônio pode aumentar a motivação sexual e/ou
melhorar a resposta sexual.

Outros estudos demonstram a possibilidade da interferência de muitos


outros fatores nesses resultados. O hipoestrogenismo pode acarretar alterações do
aparelho geniturinário que, se não forem corrigidas, podem afetar a qualidade de
vida da mulher no climatério.

A genitália feminina e as vias urinárias têm origem embriológica comum. Os


epitélios vaginal e uretral possuem receptores de estrogênio, de maneira que
ambos são comprometidos com a queda dos níveis estrogênicos e respondem à
terapia hormonal (TH), por via local ou sistêmica.

Quando são empregados esquemas adequados de esteróides sexuais, os


sintomas do climatério podem ser aliviados ou mesmo eliminados, impedindo o
aparecimento de disfunções sexuais decorrentes da deficiência hormonal.
Contudo, vários autores ressaltam que algumas mulheres mesmo não fazendo
tratamento hormonal, continuam mantendo atividade sexual sem dificuldade.

Esse fato é atribuído à regularidade da prática sexual, entre outros aspectos.


Um dos sintomas mais incômodos relatados pelas mulheres nessa fase da vida é

24
a fragilidade da mucosa vaginal, com sensação de ardor e prurido, que também
pode ser tratados com outros meios não hormonais. Como a lubrificação nessa fase
se faz mais lentamente, o período de estimulação sexual necessita ser mais
prolongado, podendo ser utilizado um lubrificante antes da penetração.

As carícias também necessitam de mais delicadeza porque o


adelgaçamento leva à maior sensibilidade da mucosa e do clitóris. É uma boa
ocasião para desgenitalizar um pouco a sexualidade e descobrir outras zonas de
prazer.

O conhecimento acerca da sexualidade humana está em constante


evolução, havendo ainda algumas lacunas. Por isso, é importante o
aprofundamento sobre aspectos orgânicos e, principalmente, sobre os aspectos
psicológicos e socioculturais da mulher no climatério, para nortear tanto as
orientações para a promoção da sua saúde sexual, quanto à conduta terapêutica
que se fizer necessária.

Ao abordar questões da sexualidade, é importante que se considere tanto a


saúde sexual quanto a saúde reprodutiva, numa perspectiva do exercício de direitos
humanos. Muitas das dificuldades enfrentadas por algumas mulheres nessa época
da vida, com relação à sexualidade, estão inseridas num contexto de mudanças de
valores e de paradigmas na sociedade e se referem, inclusive, à valorização tanto
da saúde sexual quanto da saúde reprodutiva.

Uma estratégia importante para sua superação é ter acesso a informações


sobre as mudanças biopsicossociais que ocorrem nesse período e os recursos
terapêuticos disponíveis. Isso contribui tanto para a vivência do climatério com
maior tranquilidade, segurança e satisfação quanto para o exercício pleno da
sexualidade sem culpa e sem preconceitos.

Atitudes positivas por parte dos profissionais devem incluir diversas ações,
tais como:

25
• estimular o autocuidado, que influencia positivamente na melhora da
autoestima e da insegurança que pode acompanhar esta fase;

• estimular a aquisição de informações sobre sexualidade (livros, revistas ou


por meio de outros recursos de mídia qualificada – programas direcionados sobre
o assunto) que estiverem disponíveis;

• oferecer tratamento para as queixas relacionadas ao climatério;

• encaminhar para os serviços de referência para avaliação, nos casos de


indicação cirúrgica, doenças endócrinas, pulmonares, psiquiátricas (depressão),
em busca de resolução do fator primário correlacionado, ou ajuste do tratamento,
de modo a abordar a mulher de forma integral, respeitando sempre seu
protagonismo;

• apoiar iniciativas da mulher na melhoria da qualidade das relações,


valorizando a experiência e o autoconhecimento adquiridos durante a vida;

• estimular a prática do sexo seguro em todas as relações sexuais. O número


de mulheres portadoras do HIV nesta faixa etária é relevante por diversos motivos
já mencionados orientações sobre “DST e HIV/aids no climatério;

• esclarecer às mulheres que utilizam a masturbação como forma de


satisfação sexual, que essa é uma prática normal e saudável, independente de
faixa etária;

• estimular o “reaquecimento” da relação ou a reativação da libido por


diversas formas, segundo o desejo e os valores das mulheres.

o ABORDAGEM CLÍNICA
A avaliação clínica da mulher no climatério deve ser voltada ao seu estado
de saúde atual e também pregresso e envolve uma equipe multidisciplinar. A
atenção precisa abranger além da promoção da saúde, prevenção de doenças,
assistência aos sintomas clínicos e possíveis dificuldades dessa fase cabendo ao
ginecologista muitas vezes o papel de clínico geral.

26
Podem ocorrer, concomitantemente, patologias sistêmicas, repercutindo em
queixas como as dores articulares ou musculares, o ganho de peso gradativo, a
depressão ou mesmo sintomas de um hipotireoidismo ainda não diagnosticado,
simulado por uma coincidência na transição hormonal ovariana.

A importância do ESCUTAR a mulher nessa fase é fundamental para um


diagnóstico e acompanhamento adequados. Assim como é necessária a atenção
para não considerar que todas as mulheres apresentarão sintomas ou agravos
relacionados com o hipoestrogenismo, também não se deve perder a oportunidade
de identificar doenças que se tornam mais comuns com o avançar da idade, como
Diabetes mellitus e hipertensão arterial ou realizar encaminhamentos que se façam
necessários.

O ginecologista necessita ir além de diagnosticar, tratar ou acompanhar as


patologias, transtornos ou alterações ginecológicas. É preciso adotar uma visão
mais global da mulher, em sua integralidade, complexidade e sensibilidade peculiar,
especialmente nessa etapa de vida.

Muitas vezes apenas a escuta, orientações simples e o esclarecimento sobre


o que está ocorrendo com o organismo durante o climatério tranquilizam a mulher,
ajudando-a a entender e aceitar melhor as possíveis mudanças, estimulando-a a
assumir mais amplamente o protagonismo de sua vida.

O apoio psicológico também é importante e faz com que as mulheres se


sintam compreendidas e acolhidas, o que repercute positivamente na melhora dos
sintomas. Na ausência de intercorrências, a consulta ginecológica da mulher no
climatério deve ser realizada a cada ano, principalmente em função dos exames
preventivos e orientações de promoção da saúde, assim como de acompanhar a
evolução desta fase.

Na presença de intercorrências, cada caso necessita de avaliação


individualizada. Atividades de apoio à mulher no climatério direcionadas à
promoção, à proteção e à recuperação da saúde envolvendo uma equipe

27
multidisciplinar são estratégias que podem ser oferecidas rotineiramente pelos
serviços de saúde, com resultados bastante positivos.

o ANAMNESE
A história da mulher deve ser semelhante a àquela colhida durante a
menacme, acrescida de alguns aspectos importantes para esta fase. Nas queixas
clínicas, pode haver referência a fogachos, insônia, irritabilidade, artralgia, mialgia,
palpitações, diminuição da memória e do interesse pelas atividades de rotina, da
libido, dispaurenia, astenia e sintomas geniturinários relacionados com a hipotrofia
das mucosas.

A idade da menarca e a data da última menstruação/menopausa são


importantes, além da forma como cada uma se instalou. A presença de
irregularidades menstruais é comum nesta fase, necessitando abordagem
individualizada.

A avaliação dos antecedentes pessoais, familiares, menstruais, sexuais e


obstétricos colabora muito para o entendimento do momento atual. A orientação
sexual da mulher é uma informação importante e deve ser considerada sem
preconceitos, de modo a oportunizar a abordagem desta questão durante a
consulta.

Este também é um bom momento para investigar os métodos de


anticoncepção utilizados, a vulnerabilidade da mulher a DST/aids e sobre a
realização de exames preventivos do câncer do colo do útero e de detecção
precoce do câncer de mama.

Dados sobre o funcionamento gastrointestinal indicam a existência ou o risco


para o desenvolvimento de doenças. Da mesma forma são importantes
informações acerca de sintomas urinários, como infecções ou incontinência.

É imprescindível investigar os hábitos alimentares (ingesta de fibras,


gorduras, alimentos com cálcio e carboidratos simples), atividades físicas (tipo,
regularidade e duração), além da existência de patologias concomitantes, uso de

28
medicações, alergias e problemas pessoais, do relacionamento amoroso ou
familiar.

Nos antecedentes familiares, a investigação sobre a ocorrência de doenças


crônico degenerativas, como Diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças
cardiovasculares, gastrointestinais, osteoporose, assim como de câncer de mama,
útero (colo ou endométrio), ovários ou outros, indica a necessidade de maior
atenção quanto à adoção de medidas de prevenção e de preservação da saúde
relacionadas.

o EXAME FÍSICO
A avaliação consta de um exame físico geral, com atenção voltada para
alguns aspectos específicos deste grupo etá[Link], a verificação do peso
e altura para cálculo do Índice de Massa Corpórea – IMC (peso/altura²) define a
necessidade de um maior cuidado com a alimentação, quando detectados índices
de baixo peso (IMC25) ou obesidade (IMC>30).

A verificação da pressão arterial também é de suma importância, sendo uma


boa oportunidade para rastreamento de alterações, acompanhamento e
encaminhamentos necessários.

A simples medida da circunferência abdominal (> 80 cm nas mulheres),


associada a outros fatores, indica a atenção para a avaliação da síndrome
metabólica e risco cardiovascular.

A inspeção deve iniciar pela fácies, aspecto da pele, fâneros, mucosas,


seguida da ausculta cardíaca e pulmonar, palpação da tireóide e do abdômen e
observação dos membros inferiores à procura de edema e outras alterações
circulatórias ou ortopédicas.

A saúde bucal no envelhecimento apresenta algumas especificidades,


portanto neste momento é também oportuno verificar a condição dos dentes,
gengivas e língua e orientar a mulher para adoção de hábitos saudáveis e consulta
regular ao dentista.

29
O exame ginecológico inicia-se pela avaliação mamária, com inspeção e
palpação cuidadosa das mesmas, culminando na expressão papilar, na procura de
descarga patológica que, se encontrada, deve ser colhida e enviada para análise.
Na sequência, são palpadas as axilas e a cadeia ganglionar, à procura de
alterações, com descrição detalhada de suas características e localização, quando
encontrada.

A palpação abdominal e da pelve é direcionada à investigação de


anormalidades na parede e na cavidade, como dor ou alterações nas
características dos órgãos internos, seja na sua localização, volume, consistência,
mobilidade, etc.

A seguir deve-se proceder à inspeção cuidadosa da vulva com atenção para


a ocorrência de alterações do trofismo, coloração ou adelgaçamento da pele e
mucosa.

Na inspeção dinâmica são comuns as distopias, com prolapsos genitais nos


mais variados graus e naturezas, acompanhados ou não de roturas perineais,
sendo um bom momento para indicação cirúrgica quando necessário e/ou
orientação da necessidade de realizar exercícios para recuperação da tonicidade
muscular da pelve.

Ao exame especular, a avaliação da rugosidade da mucosa e da lubrificação


do colo e vagina podem refletir nitidamente o status hormonal. Nesse momento se
observa a necessidade ou não do uso de estrogênio oral ou tópico prévio ao exame,
de preferência aqueles à base de estriol (creme) – 2cc intravaginal por sete dias.

O mesmo pode também ser usado regularmente – 2cc intravaginal, uma a


duas vezes por semana – para melhora do trofismo da mucosa, diminuição do
desconforto urogenital e ao coito e a predisposição maior a infecções.

o EXAMES COMPLEMENTARES
Os exames complementares essenciais para o acompanhamento do
climatério estão abaixo relacionados, cuja indicação e periodicidade de realização

30
deverá seguir as orientações definidas de acordo com os protocolos clínicos
adotados por este Ministério seguindo cada especificidade.

• Avaliação laboratorial

• Mamografia e ultra-sonografia mamária (de acordo com as diretrizes de


rastreamento para o câncer de mama)

• Exame Preventivo do câncer do colo do útero

• Ultra-sonografia transvaginal

• Densitometria óssea

A rotina básica de exames na primeira consulta da mulher no climatério


consta de exames para prevenção de doenças, detecção precoce ou mesmo para
a avaliação da saúde em geral.

Deve ser repetida com regularidade (semestral, anual, bianual, trianual) de


acordo com os protocolos específicos em vigor, o que pode ser modificado na
presença ou não de intercorrências ou alterações.

o EXAMES LABORATORIAIS
A instalação do climatério é gradativa e se evidencia clinicamente em maior
ou menor grau a depender de vários fatores. Porém a ocorrência da menopausa é
eminentemente clínica, caracterizada pela cessação das menstruações por um
período de 12 meses ou mais.

Não há, portanto, necessidade de dosagens hormonais a não ser quando a


menopausa for cirúrgica e/ou houver dúvidas em relação ao quadro hormonal. A
dosagem do FSH é suficiente para o diagnóstico de hipofunção ou falência
ovariana, quando o resultado for maior do que 40 mUI/ml.

Os exames laboratoriais de rotina para o acompanhamento do climatério


constam no quadro abaixo e devem ser colhidos após 12 horas de jejum, à exceção

31
da pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSO), que requer orientações dietéticas
para os dias anteriores ao exame.

As solicitações de exames relacionados com investigações mais específicas


devem seguir as indicações preconizadas para cada caso e sua possibilidade de
realização.

Quadro 1 – Exames laboratoriais para avaliação de rotina

o PREVENÇÃO E TRATAMENTO DAS DISTOPIAS


GENITAIS (EXERCÍCIOS DE KEGEL)
Os exercícios descritos a seguir apresentam comprovada eficácia para o
reforço da musculatura do assoalho pélvico e a conservação de sua estática.

A prática dos exercícios de Kegel necessita de continuidade em sua


realização, que pode ser iniciada a qualquer momento, em qualquer lugar e em
qualquer idade, independente da posição adotada (em pé, sentada ou em
decúbito).

Para identificar o grupo muscular a ser trabalhado, basta interromper o fluxo


urinário, pois a contração será proveniente da ação desses músculos, embora seja

32
questionada a realização dos exercícios durante a micção. Sugestão técnica de
realização dos exercícios de Kegel:

• Deve ser contraído com força o músculo pubo-coccígeo e mantê-lo assim


por três segundos. Relaxar três segundos e repetir consecutivamente. A duração
das 61 contrações deve aumentar gradativamente até chegar a dez segundos.

• Contrair e relaxar o mais rápido possível, iniciando com 30 repetições, até


chegar a 200 vezes.

• Em posição horizontal, encostar a coluna em uma base sólida, com os


joelhos dobrados e os pés apoiados no solo. Suspender a pelve e começar a
contrair.

Os exercícios podem ser realizados e incorporados às atividades diárias,


gradativamente, em relação ao tipo, à frequência e à força muscular aplicada nas
contrações.

Existe assim, uma oportunidade única para a formulação e a implementação


de ações efetivas e estratégicas para reduzir substancialmente as
morbidades/Incapacidades e mortes no Brasil por meio da melhoria dos hábitos
alimentares e de atividade física.

As evidências científicas são bastante convincentes ao mostrar a ligação


entre manutenção de hábitos saudáveis e a redução de morbimortalidade por
DCNT.

Oportunidades para promover e manter a saúde e prevenir o crescimento


das DCNT devem ser criadas e difundidas no país e no mundo.

Em um país como o Brasil, onde as desigualdades sociais e regionais são


imensas, a garantia da segurança alimentar e nutricional pressupõe a necessidade
de um modelo de atenção à saúde que integre essas duas faces: a desnutrição e
outras doenças associadas à fome de um lado, e do outro, o sobrepeso/obesidade
e as DCNT associadas.

33
Dessa forma, propõe-se que as intervenções em saúde ampliem seu escopo,
tomando como objeto os problemas e necessidades de saúde, seus determinantes
e condicionantes, de modo que a organização da atenção e do cuidado envolva, ao
mesmo tempo, as ações e serviços que operem sobre os efeitos do adoecer e
àqueles que visem ao espaço para além dos muros das unidades e do sistema de
saúde, incidindo sobre as condições de vida e favorecendo a ampliação de
escolhas saudáveis por parte dos sujeitos e coletividades no território onde vivem
e trabalham.

As proposições da EG reforçam a temática intersetorial da segurança


alimentar e nutricional no país. A adoção desse conceito, em âmbito mundial,
redimensiona a alimentação e a nutrição como elementos essenciais para a
promoção, proteção e recuperação da saúde.

A proposta de promoção da alimentação saudável e da atividade física da


Organização Mundial da Saúde deve ser encarada como um avanço, trazendo para
a esfera dos debates econômicos e de relações externas do País os interesses da
saúde da população.

o TABAGISMO
O aconselhamento às mulheres para parar de fumar cigarros ou
semelhantes deve fazer parte da rotina de orientações para a prevenção de
doenças. Atualmente, o número de mulheres fumantes está muito próximo ao dos
homens, sendo que elas vêm respondendo bem menos favoravelmente às medidas
e campanhas anti-tabagismo. Evitar o tabagismo é essencial para promoção da
saúde e prevenção de muitas doenças.

o TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NA INCONTINÊN-


CIA URINÁRIA
A pessoa que sofre de incontinência urinária tem de lidar constantemente
com o receio e constrangimento da eliminação involuntária de urina, o desconforto
de roupas úmidas, o uso de protetores ou fraldas, o cheiro desagradável de urina.

34
Consequentemente, isso pode causar a diminuição da autoestima, insegurança no
convívio com outras pessoas e restrição das atividades físicas.

Dentre os vários tratamentos existentes, encontra-se a fisioterapia. Esta


pode ajudar a mulher a passar por essa fase de maneira mais saudável, atuando
tanto na prevenção quanto no tratamento. A atividade física é importante para a
prevenção de doenças cardiovasculares, osteoporose, alivia os eventos
vasomotores, além de ser uma ótima fonte de prazer, pois libera hormônios que
causam bem estar e melhoram inclusive a qualidade do sono.

Dessa forma a fisioterapia poderá atuar fazendo um programa completo


que associará diversos exercícios aeróbios e de musculação realizados de forma
contínua, visando: preservação da flexibilidade, da amplitude de movimento, da
força, resistência, equilíbrio, agilidade; estimulação axial; aumento do aporte de
sangue, oxigênio, glicose e cálcio propiciando a manutenção de minerais ósseos
prevenindo a osteoporose, além de melhorar a conscientização corporal e postural.

A Fisioterapia também pode atuar no tratamento da incontinência urinária


e disfunções sexuais. Muitas mulheres acreditam ser comum a perda de urina com
o avançar da idade, e não veem mais o seu corpo como forma de prazer em sua
vida sexual. Isso é um grande engano. Perder urina não é normal, e existem
diversos tratamentos. A atividade sexual pode acompanhar a mulher em toda sua
vida, se há presença de dor ou incomodo, também pode ser tratada.

A atividade física produz também vários efeitos psicológicos benéficos,


tais como: proporcionar prazer, melhorar o convívio social, redução da depressão
e tensão, auxiliar na estabilização do humor, prevenindo e conservando o bem estar
físico e mental.

Portanto, é tão importante nesta fase o acompanhamento e a interação


multidisciplinar (Ginecologista, Fisioterapeuta, Nutricionista, Psicólogo, Enfermeiro)
para que essa etapa possa transcorrer com menos sofrimento e mais qualidade de
vida.

35
O estímulo e a prática aos exercícios físicos, alimentação balanceada,
fisioterapia pélvica e acompanhamento anual com o ginecologista, são caminhos
seguros para prevenir e tratar tais disfunções.

o TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO NO CLIMATÉRIO E


MENOPAUSA
A atuação precoce do Fisioterapeuta especializado nesta fase pode evitar
perda de qualidade de vida, uma vez que, estes sintomas podem perdurar ao longo
de todo processo do envelhecimento.

Com o passar do tempo, tanto os homens como as mulheres, desenvolvem


a perda óssea. Porém, a queda nos níveis de estrogênio nas mulheres que estão
no período da menopausa acelera, fazendo os ossos ficarem fracos e,
consequentemente, ocasionam alguns problemas, como o rompimento dos
tendões e fraturas.

A fisioterapia pode atuar na prevenção e no tratamento dessas


manifestações. “A fisioterapia tem um papel importante tanto na precaução como
na reabilitação das alterações decorrentes do climatério – fase da vida em que
ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo – com o
objetivo de melhorar a qualidade de vida da mulher."

A menopausa ocorre após a última menstruação espontânea da mulher,


momento que se encerra os ciclos menstruais e ovulatórios. Não há uma data pré-
estabelecida para isso acontecer, porém ocorre frequentemente após os 40 anos.

Nesse processo, a menstruação tende a ficar mais espaçada, até parar. Com
isso, ocorrem mudanças hormonais e flutuações de humor importantes, causando
algumas sensações físicas, como as famosas “ondas de calor”.

É exatamente esta fase que causa a perda óssea nas mulheres, podendo
causar lesões e outros problemas relacionado aos ossos. Exercícios com algum

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tipo de impacto podem auxiliar e evitar. Além dessas precauções, é importante ficar
atento às taxas de colesterol e a pressão arterial, pois os ossos que mais rompem
são aqueles que recebem menos sangue e oxigênio e, ao mesmo tempo, são mais
sobrecarregados.

A fisioterapia auxilia na melhora dos sintomas causados pela menopausa


com exercícios desenvolvidos diariamente de alongamento, fortalecimento
muscular (com carga) e aeróbico, treino de equilíbrio, treinamento da musculatura
do assoalho pélvico (localizado na região inferior da pelve) para prevenção ou
melhora da incontinência urinária, recuperação da função sexual, melhora da
conscientização corporal e postural.

Além disso, o incentivo durante a atividade física produz vários efeitos


psicológicos benéficos como o bem-estar físico e mental. É importante ressaltar
que eles devem ser orientados por profissionais especializados, pois irão variar de
acordo com a idade, severidade da condição patológica (por exemplo,
osteoporose), doenças associadas e também a funcionalidade da paciente.

Alguns tratamentos podem aliviar e até mesmo curar o problema, como a


educação e informações sobre o significado do climatério, terapias de reposição
hormonal e fitoterápicas, terapia não hormonal (atividade física e fisioterapia).

o CONCLUSÃO
Os sintomas do climatério classificados como de intensidade leve estiveram
associados a um melhor padrão de desempenho sexual considerado
bom/excelente, presumindo-se que as alterações no padrão de desempenho
sexual das mulheres no climatério têm uma forte relação com a intensidade destes
sintomas.
Tais achados inferem que a intensidade dos sintomas do climatério pode
afetar a sexualidade, a resposta sexual ou o padrão de desempenho sexual da
mulher neste período. Além disso, este estudo possibilita ainda a hipótese de que

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a prática de atividade física pode estar associada à menor intensidade dos sintomas
do climatério e maior padrão de desempenho sexual.
Recomenda-se que o planejamento das ações oferecidas às mulheres no
climatério nos serviços de saúde inclua a promoção da saúde com o incentivo da
prática regular de atividade física.
Sendo assim, a experiência da menopausa, vivida no início do
envelhecimento feminino, apresentou-se como um marco na medida em que é a
partir desse momento que as mulheres vão lidar com a questão da decrepitude do
corpo e da finitude.

Desse modo, quando o envelhecimento, fisicamente, instaura-se através das


transformações corporais, impõe limitações às realizações pessoais até então
possíveis.

É justamente nesse ponto que a chegada do envelhecimento poderá ser


constitutiva de uma marca que, instaurada nas esferas biopsicossociais, exigirá da
mulher uma ressignificação que lhe permite manter a alteridade e sua
independência, trazendo à tona a colocação em xeque da ideia do corpo feminino
como moeda, segundo aponta Beauvoir (1949/2009), ou então como capital
(Goldenberg, 2007).

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