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Casamento-Do-Jeca Oficial

A peça 'O Casamento do Jeca em Santo Antônio' retrata um casamento tumultuado entre Reinivaldo e Migurtina, marcado por confusões, desentendimentos familiares e revelações inesperadas. A noiva, grávida, enfrenta a desaprovação dos pais, enquanto o noivo tenta justificar sua situação e lidar com uma mulher grávida que o acusa de abandono. No final, após muitas peripécias, o padre consegue realizar a cerimônia, e a festa se inicia.

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Casamento-Do-Jeca Oficial

A peça 'O Casamento do Jeca em Santo Antônio' retrata um casamento tumultuado entre Reinivaldo e Migurtina, marcado por confusões, desentendimentos familiares e revelações inesperadas. A noiva, grávida, enfrenta a desaprovação dos pais, enquanto o noivo tenta justificar sua situação e lidar com uma mulher grávida que o acusa de abandono. No final, após muitas peripécias, o padre consegue realizar a cerimônia, e a festa se inicia.

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O CASAMENTO DO JECA EM SANTO ANTÔNIO

CENA ÙNICA

Todos entram dançando forró de quadrilha. Depois entra o noivo pilotando uma
moto. Vem ao som de: De quem é esse jegue? De Genival Lacerda. A moto
pifa a cada minuto. Ele xinga, e diz:

NOIVO:
Êta troço que empaca, Meu Santo Antônio!
Que diacho de jegue, ou, de motoca infusada!
Vem Jurema! Jurema, caminha Jurema,
Que é hoje, é hoje que eu desencaio!

(CHEGA PRÓXIMO AO ALTAR)

NOIVO:

Uai, e cadê a muier?


Será que ela desistiu de mim?

TESTEMUNHA 1:
Uai, mas quem não deseste
Com uma cara de manga chupada dessa?

MÃE DO NOIVO:
O quê? O que foi que esse infeliz falou do meu fiiin lindo?
Não ta vendo que ele é o rapaz mais bonito de Santo Antônio? Não é gente?
(PERGUNTA AO PÚBLICO)

TODOS:
Nãaaaaaaaaaaaaaao!

(A MÃE DO NOIVO PARTE PRA CIMA DA TESTEMUNHA)

(ENTRAM OS PAIS DA NOIVA E A NOIVA.


A NOIVA, ESTÁ GRÁVIDA. E CHORA DESESPERADAMENTE!)

MAE DA NOIVA:
Ieu já disse que não quero que ocê se case com o pé rapado do Reinivaldo

PAI DA NOIVA:
A minha fia, que na hora que eu fiz ela eu caprichei tanto, mas tanto, que saiu
essa prencesa linda, igual ao papai... e agora ieu ver ela embuxada

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dessezinho magrelo, amarelo, desavergonhado, que desencaminhou a minha
filha, eu não agüento.

NOIVA:
O pai, o mãe, ele é fein mas ieu gosto dele mermo assim! Ieu quero que nosso
fiiin nasça a cara dele!

MAE DA NOIVA:
Mas a vizinhaça inteira fala que ele é muierengo, raparigueiro, não pode ver um
rabo de saia que já ta cantando.

NOIVO:
O que é que a bruxa da minha sogra da falando de mim, hem mãe? Que ieu
num to ouvindo direito?

MAE DO NOIVO:
Há meu fiiin, ela disse que você é lindo! É o genro que ela sempre sonhou!

TESTEMUNHA 1:
Num foi isso não. Ela falou que você é um galinha!

NOIVO:
O que? Mas que mentira deslavada! Um homem sério Cuma eu. Ela podia
agradecer a Santo Antônio por ieu ta tampando o buraco da fia dela.

PAI DA NOIVA:
Mas que sujeitinho mais desavergonhado! Minha fia era pura, inté oce bulir
com ela. Não era fia?

NOIVA:
(Toda sem graça)
Eeeera pai!!

(Nesse momento há uma confusão. O padre pede pra parar).

PADRE:
Vamos cabá com essa confusão que nessa época ieu
tenho é muito casamento pra fazer. E por falar nisso,
que é quem vai pagar esse casamento?

TODOS (REAGEM QUE NÃO SABEM)

PADRE:

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Hà é? Pois intão não tem casamento. (ARRUMA AS
COISAS DA MESA, COM RAIVA)

NOIVA:
Nãaaaaaaaaaao! (CHORANDO)

NOIVO:
É, ieu só tenho a Jurema. Se pricisar ieu vende ela pro seu Padre.

NOIVA
O dó, ieu gosto tanto da Jurema.

PADRE:
Jurema é essa coisa horrorosa que ocê chegou amuntado?
Deus que me livra duma encrenca dessa. Prefiro fazer
fiado. Depois cês me pagam, viu? (Em tom ameaçador).

TESTEMUNHA:
Então vamos começar logo isso aí, que ieu vim aqui foi só comer mermo. Eu
quero mermo é a festa. Ieu to com uma fome!.... ( Alguém cutuca ela)

PADRE:
Então vamos começar esse casamento. Cadê as
aliança?

(TODOS SE ENTREOLHAM E PERGUNTAM? ALIANÇA, E TEM ISSO?)

PADRE:
Mas Cuma é que é que oces querem casar, num tem
dinheiro, num tem aliança,

MÂE DA NOIVA:
Por mim nem tinha a noiva também.

MAE DO NOIVO:
È só nois emprestar as nossas inliança, né Jurubeba, pro nosso fiin casar bem
bonitinho.

(OS DOIS ARRANCAM AS ALIANÇAS COM BASTANTE DIFICULDADE.)

JURUBEBA (PAI DO NOIVO):


Ieu num disse que ocê engordou, inda assim comeu só onte uma leitoa
inteirinha assada.

JULIETA (MÃE DO NOIVO):

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Ô Jurubeba, não conta pra todo mundo não, que eu fico sem graça.
(ENTREGAM AS ALIANÇAS AO NOIVO)
NOIVO:
Pronto. Agora nois pode casar.

PADRE:

(LÊ IGUAL A NARRADOR DE FUTEBOL – GALVÃO BUENO)

Aos 13 dias do mês de junho, do ano de 2025, na


cidade de Comendador Venâncio, no Bairro ferroviário,
nº meia, meia sem sapato, na Capela Santo Antônio,
Travessa do Beijo Roubado, se enfiou, ou diga, entrou
o noivo Reinivaldo Pinto Tolado e em seguida entrou
Migurtina do Rego, e sua família Buraco Fundo. E os
noivos, que se conheceram rapidamente, e num vai pra
lá, vem pra cá, sobe aqui, sobe ali, evai, evem, e chuta
e é gooooooooooooool. A muier embuchou!!!!

TODOS GRITAM:
BRASIL!!!!

PADRE:
E não tendo mais nada pra atrapaiar, vamos terminar
logo esse jogo, quer dizer, casamento, que senão esse
menino nasce é aqui mermo e vou ter que fazer o
batismo também fiado.
Se tem alguém aqui que num concorda com esse
casório… fale agora ou calasse para sempre!

(ENTRA UMA MULHER GRÁVIDA. LOUCAMENTE. GRITANDO:

MULHER:
Pára, pára, pára;. Esse casamento não pode se realizar.

TODOS:
O quê??

MULHER:
Esse safado me deixou embuxada e nem o leite dá pra a sua fiinha Margarida

MAE DA NOIVA:
Bem que eu disse

MAE DO NOIVO:

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Quem é essa vagabunda mentirosa

(A noiva passa mal.


Confusão geral)

PADRE:
Êpa, epa, mas logo agora que eu já tava acabando com
o meu futebol, opa quer dizer com o casamento.

NOIVO:
Ieu nem conheço essa mulher, seu padre....

MULHER:
Ô Reinivaldo, na hora que nóis tava nos bem bão oce me conhecia né!!!
cê vai casar com ela? E aquele negócio de 'cê é meu chuchuzinho refogado
com amor' era mentira, é?

PAI DO NOIVO:
Vamo acaba com essa confusão que o nome da minha famía não é pinga, pra
viver na boca de cachaceira!

TESTEMUNHA 2:
(Falando para o noivo)
Sabe que essa danada é inté ajeitadinha!
To precisando arruma uma muier pra casar. Não quero ficar incaiado muito
tempo.

NOIVO:
E ela é bem jeitosinha. Ocê vai gostar dela Firmino. Os fiinho ieu ajudo a criar.
Pode acreditar.

(A TESTEMUNHA ENCOSTA PERTO DA MULHER, QUE ESTÁ COM MUITA


RAIVA.)

TESTEMUNHA 2:
Oia dona muier grávida, meu pai já dizia pra ieu num desanimar não que pra
cada pé tem um chinelo, pra cada panela uma tampa...
Ieu acho que to apaixonado pela belesura da senhora...
E como ieu to encaiada mermo, quer casar comigo??

TODOS:
Casa, casa, casa

A FILHA DA MULHER FALA:


Ô mãe, casa com ele, casa, que agora eu vou ter um pai de verdade!
Eu num quero mais ser filha só de mãe… eu quero pai pra ir no bingo da igreja
e me ensinar a pescá.

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MULHER:
Tá bão. Ruim por ruim, eu fico com esse docin.
(Todos comemoram.)

PAI DA NOIVA:
Ô seu padre, acaba logo com esse casamento, senão é capaz de aparecer
mais muier embuxada desse infusado.

NOIVA:
Não fala assim dele pai, que ieu amo ele mermo assim.

PADRE:
Vamo acabar com essa confusão, ou, digo, com esse
casamento, que neste dia de Santo Antônio eu tenho
mais 03 casamentos pra fazer.

NOIVA:
Tá faltando uma coisa seu padre...

PADRE:
Tá faltando o que minha filha??

NOIVA:
Ah, seu padre , tá fartando o beijo!!!

NOIVO:
Iche Maria, é mermo. Vem, minha potranquinha, que eu quero ocê é na nossa
lua de mel, numa fazenda lá nos mela pau...

PAI DA NOIVA:
Só se for lua de fel, porque o Mel já se foi há muito tempo!!!

PADRE:
E pra acabar logo com essa desavergonhação. A
senhora que se chamava Migurtina do Rego, como o
seu marido é Reinivaldo Pinto Tolado, a senhora agora
passa a assinar, Migurtina do Rego Tolado.
E eu vos declaro, marido e muier.

NOIVO:
Agora que ieu desencaiei, vamos comer, beber, e comemorar minha gente, que
hoje a cobra vai fumar.

(COMEÇA A QUADRILHA)

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