INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
CAMPUS VITÓRIA
CAIO VILELLA LISBOA
EDUARDO PEREIRA SCHUMACHER RIBEIRO
FRITZ AUGUSTO GOMES THOM
HELENA HILUEY SANTA CRUZ
ISABELLE PIRES PIGNATON
MEMORIAL DESCRITIVO
VITÓRIA
2025
CAIO VILELLA LISBOA
EDUARDO PEREIRA SCHUMACHER RIBEIRO
FRITZ AUGUSTO GOMES THOM
HELENA HILUEY SANTA CRUZ
ISABELLE PIRES PIGNATON
MEMORIAL DESCRITIVO DA OCORRÊNCIA DE MATERIAIS
Trabalho apresentado para avaliação do
rendimento escolar da matéria de Construção
Civil Pesada, oferecido pelo Instituto Federal do
Espírito Santo para o Curso Técnico em
Estradas Integrado ao Ensino Médio.
Professor: Daniel Pereira Silva
VITÓRIA
2025
Sumário
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................4
2.CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS.................................................................5
3.ESTUDOS GEOLÓGICOS................................................................................................. 8
4. OCORRÊNCIA DE MATERIAIS NOS ESTUDOS GEOTÉCNICOS................... 11
5. ANTEPROJETO DE TERRAPLENAGEM.......................................................... 13
6. PROJETO DE PAVIMENTAÇÃO RELACIONADO À OCORRÊNCIA DE
MATERIAIS..............................................................................................................16
7. TERMO DE ENCERRAMENTO.......................................................................... 19
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................... 19
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1. INTRODUÇÃO
Este memorial descreve os estudos e as justificativas técnicas referentes à
ocorrência, caracterização e aproveitamento de materiais para as obras de
terraplenagem e pavimentação do Anteprojeto da 3ª Ponte de Colatina e seus
acessos. O objetivo do estudo foi identificar e analisar as fontes de materiais
disponíveis, tanto comerciais quanto oriundas das escavações da própria obra, a
fim de subsidiar as soluções de engenharia. Para tal, este trabalho foi
fundamentado nos relatórios técnicos do projeto, que consolidam os resultados de
32 sondagens geotécnicas executadas ao longo do traçado
As investigações de campo e os ensaios laboratoriais permitiram:
● Identificar e validar ocorrências comerciais: Foi confirmada a viabilidade
técnica da Pedreira Britacol para o fornecimento de agregados e do Areal
Irmãos Nardi para o fornecimento de areia
● Viabilizar o aproveitamento de materiais locais: Foi definida a utilização de
solos provenientes das escavações do pavimento existente e do corte
localizado entre as estacas 152 e 158
● Fundamentar as soluções de projeto: Os dados subsidiaram a definição de
camadas estruturais, com destaque para a sub-base em mistura solo-brita
(50/50 em massa) e a base em brita graduada, otimizando o uso dos
recursos e garantindo o desempenho técnico do pavimento.
5
2.CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS
Os estudos geotécnicos para o projeto da 3ª Ponte de Colatina foram essenciais
para identificar as ocorrências e caracterizar os materiais a serem empregados nas
camadas de pavimentação e terraplenagem. A metodologia envolveu a prospecção
de fontes comerciais na região e a avaliação do material proveniente das próprias
escavações da obra, garantindo que as soluções de engenharia fossem
tecnicamente viáveis e economicamente otimizadas.
2.1. Classificação dos Materiais por Categoria de Escavação
No âmbito da terraplenagem, os materiais escavados são classificados em
categorias que definem a dificuldade de extração e o equipamento necessário para
o serviço. Para este projeto, foram consideradas as seguintes classificações:
Material de 1ª Categoria: Corresponde a solos em geral (argilas, siltes, areias)
que podem ser escavados diretamente por equipamentos de concha, como
escavadeiras hidráulicas. A grande maioria do volume de corte do projeto,
totalizando 719.151 m³, foi classificada nesta categoria.
Material de 2ª Categoria: Refere-se a materiais de maior resistência, como rochas
alteradas ou solos de alta compactação, que exigem escarificação mecânica prévia
à escavação. O equipamento típico para este serviço é o trator de esteira com
ripper. No projeto, foi previsto um volume de 14.901 m³ de material desta categoria.
Material de 3ª Categoria: Consiste em rocha sã ou com pouca alteração, cuja
extração demanda o uso de explosivos e equipamentos de perfuração
(perfuratrizes). Embora a geologia local apresente gnaisses e granitos , o projeto
de terraplenagem foi otimizado para evitar cortes em rocha, não havendo, portanto,
volume de escavação classificado nesta categoria.
A seguir, detalha-se a caracterização dos principais materiais selecionados para o
projeto.
2.2. Brita (Agregado Graúdo)
Ocorrência e Fornecimento: O material pétreo para as camadas de base e para a
composição da sub-base é proveniente da Pedreira Britacol, uma fonte comercial
licenciada situada no município de Colatina, a uma distância de 10,9 km do
canteiro de obras.
Caracterização Técnica: Foram realizados ensaios para classificar o agregado,
cujos resultados confirmaram sua adequação para uso em camadas nobres do
pavimento. Os principais resultados são:
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Abrasão Los Angeles: Desgaste de 42,0%, enquadrando o material na Faixa "B" do
DNIT.
Adesividade: O ensaio indicou resultado satisfatório após a adição de 0,8% de
dopante,garantindo boa aderência ao ligante asfáltico.
Índice de Forma: Apresentou 49,09% de formato cúbico e 50,91% de formato
anelar.
2.3. Areia (Agregado Fino)
Ocorrência e Fornecimento: A areia utilizada no projeto, principalmente em
camadas drenantes e na composição de concreto, é fornecida pelo Areal Irmãos
Nardi, localizado em Colatina, a uma distância de 6,9 km do canteiro.
Caracterização Técnica: Os ensaios demonstraram a alta qualidade do material,
destacando-se:
Equivalente de Areia: Resultado de 95,71%, indicando baixo teor de material
pulverulento ou argiloso.
Impurezas Orgânicas: O material foi considerado isento de impurezas orgânicas
prejudiciais.
Granulometria: A curva granulométrica e o módulo de finura de 2,754 classificam a
areia como adequada para os usos previstos.
2.4. Materiais de 1ª Categoria (Solo) para Reaproveitamento
Ocorrência e Aplicação: O projeto priorizou o uso de materiais de 1ª categoria
(solos comuns) provenientes das próprias escavações da obra, visando à
sustentabilidade e à redução de custos com bota-fora e empréstimos. As principais
fontes de solo para a composição da camada de sub-base são:
Solo escavado do pavimento existente a ser removido.
Solo proveniente do corte a ser executado entre as estacas 152 e 158.
Solução em Mistura: A solução de engenharia adotada para a sub-base foi a
execução de uma camada de mistura solo-brita, na proporção de 50% de solo e
50% de brita corrida em massa. Essa abordagem técnica aproveita as
características do solo local, melhorando sua capacidade de suporte com a adição
de agregado pétreo da Pedreira Britacol.
Correlacionado a ocorrência dos materiais, a seguir, temos o seguinte mapa das
jazidas, de onde são a fonte dos materiais.
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2.5. Mapa das Jazidas ( Fonte dos Materiais)
Fonte: (Memória Justificativa - 3)
2.6. Materiais de 1ª Categoria escavados e transportados ( quantitativo)
Fonte: (Memória Justificativa - 3)
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3.ESTUDOS GEOLÓGICOS
3.1 Introdução
Os estudos geológicos realizados no âmbito do projeto da 3ª Ponte de Colatina e
seus acessos foram desenvolvidos conforme os critérios da IS-202, tendo como
objetivo principal a identificação das formações geológicas locais, incluindo os
aspectos morfológicos, pedológicos e fisiográficos. Um dos focos centrais foi o
levantamento de dados que subsidiassem a avaliação das ocorrências naturais de
materiais que poderiam ser utilizados na execução das obras, como solos para
terraplenagem e materiais pétreos para a pavimentação. Esses dados orientaram
também os estudos ambientais e a caracterização do comportamento geotécnico
das formações.
3.2 Metodologia Adotada
A metodologia combinou levantamentos de campo (Sondagens) com a
interpretação de imagens de satélite, mapas geológicos e fotografias aéreas,
visando mapear as principais ocorrências geológicas. Esse mapeamento orientou o
plano de sondagens, que identificou:
● Ocorrências de materiais de construção civil (areia, argila, brita);
● Áreas de solos com baixa capacidade de suporte (como os solos moles
próximos a rios);
● Regiões com potencial erosivo ou instabilidade de taludes.
3.3. Situação Geográfica
O trecho do estudo está localizado entre a rodoviária de Colatina (estaca 0) e o
entroncamento entre a BR-259 e ES-080 (estaca 264+8,14), abrangendo 5,5 km. A
área foi georreferenciada em coordenadas UTM, e seu posicionamento permitiu
integrar os dados aos estudos topográficos e ambientais.
3.4 Clima e Vegetação
O clima do tipo Aw (segundo Köppen) influencia diretamente a alteração dos
materiais geológicos, contribuindo para a formação de solos argilosos e
coluvionares em áreas de relevo acidentado. A cobertura vegetal remanescente
(Mata Atlântica) foi reduzida a cerca de 10%, sendo predominante o uso
agropecuário. A presença de vegetação influencia a estabilidade dos taludes e a
proteção dos solos contra erosão.
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3.5. Aspecto Geológico e Ocorrência de Materiais
O trecho de estudo abrange formações do Proterozóico e do Cenozoico, com os
seguintes materiais geologicamente relevantes:
● Depósitos fluviais argilo-arenosos e arenosos recentes (Q2a):
Encontrados nas planícies de inundação do Rio Doce, são compostos por
areia grossa, cascalho e argila. São materiais potencialmente utilizáveis em
camadas de subleito ou, após tratamento, para sub-base de pavimentos.
● Grupo Barreiras:
Formação sedimentar com solos arenosos e latossolos amarelos,
característicos da região costeira e dos tabuleiros. Frequentemente utilizado
em obras de infraestrutura, embora necessite de estabilização.
● Suíte Ataléia (Granitoides):
Rochas graníticas pouco foliadas, ricas em sílica, adequadas para
produção de brita. A pedreira Britacol, por exemplo, explora esse tipo de
rocha.
● Complexo Nova Venécia (Gnaisses):
Formações metamórficas com potencial para uso como brita ou cascalho
após britagem. Apresentam presença de rochas migmatíticas e
calcissilicáticas que, embora não sejam ideais para camadas de rolamento,
podem ser empregadas na estrutura de fundação ou em filtros drenantes.
3.6. Aspectos Geomorfológicos
O relevo local é composto por:
● Planícies Costeiras: Valiosas como áreas de exploração de areias e
cascalhos para uso direto em pavimentação.
● Tabuleiros Terciários: Associados ao Grupo Barreiras, são fonte de solos
arenosos e latossolos.
Essas formações geomorfológicas são fundamentais para determinar onde e como
os materiais naturais podem ser extraídos ou aproveitados na obra.
Aspectos Pedológicos
O solo predominante é o Latossolo Amarelo Distrófico típico (LAd21), formado a
partir dos sedimentos do Grupo Barreiras. Caracteriza-se por:
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● Profundidade elevada;
● Textura argilosa a muito argilosa;
● Baixa fertilidade natural e alta acidez;
● Boa drenagem, porém com coesão nos horizontes subsuperficiais.
É um solo que pode ser utilizado como material de empréstimo, especialmente em
camadas inferiores da estrutura do pavimento, após análise de sua ISC e
estabilização se necessário.
Com base nos estudos, foram identificadas diversas ocorrências de materiais
potencialmente utilizáveis na obra:
● Areias e cascalhos recentes do Rio Doce e vales adjacentes (uso em
sub-base e drenos);
● Solos lateríticos e latossolos para corpo de aterro ou subleito;
● Gnaisses e granitos aptos à britagem e aplicação como base ou sub-base;
● Formações do Grupo Barreiras, úteis após estabilização.
No entanto, recomenda-se atenção aos seguintes pontos:
● Realizar sondagens detalhadas nas áreas próximas a cursos d’água, onde
há risco de solos moles;
● Evitar retirada de materiais in loco em áreas ambientalmente sensíveis ou
sem licenciamento;
● Priorizar o uso de jazidas comerciais licenciadas como a Pedreira Britacol e
o Areal Irmãos Nardi.
A correta identificação, avaliação e uso das ocorrências naturais de materiais
proporciona economia, sustentabilidade e eficiência técnica ao projeto rodoviário.
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4. OCORRÊNCIA DE MATERIAIS NOS ESTUDOS GEOTÉCNICOS
Os estudos geotécnicos realizados para o projeto da 3ª Ponte e Acessos em
Colatina seguiram as diretrizes estabelecidas na IS 206 do DNIT (Diretrizes para
Estudos Geotécnicos), com o foco específico na identificação e caracterização das
ocorrências de materiais naturais e comerciais que subsidiassem a definição do
traçado, o dimensionamento estrutural do pavimento e os critérios técnicos das
fundações. Os objetivos principais foram:
i. Analisar as estruturas existentes nas vias urbanas e os materiais sob o
revestimento; ii. Investigar e ensaiar o subleito para determinação do seu índice de
suporte e comportamento mecânico; iii. Realizar prospecções voltadas à
identificação de materiais utilizáveis na construção do pavimento; iv. Caracterizar
materiais de jazidas e fontes comerciais de solos e agregados; v. Executar
sondagens complementares para estudos de estabilidade em aterros sobre solos
compressíveis e apoiar o projeto de obras especiais.
4.1. Metodologia Aplicada
As primeiras atividades consistiram na locação de sondagens a pá, picareta e trado
mecânico para avaliar tanto o subleito das vias novas como as estruturas
existentes. Foram executadas 32 sondagens, sendo 09 no lado sul e 23 no lado
norte do projeto, com espaçamento médio de 270 metros ao longo de 8,7 km de
extensão. As análises permitiram identificar a ausência de camadas estruturais
adequadas, sendo encontradas apenas camadas de areia sob blocos de concreto,
com espessuras variando de 10 a 40 cm, diretamente sobre subleito natural de
baixa capacidade de suporte.
Com base nesses resultados, foi determinada a necessidade de implantar uma
nova estrutura de pavimento em toda a extensão do trecho. Não foi considerada
viável a restauração, devido à baixa qualidade estrutural dos materiais existentes.
As amostras coletadas das 32 sondagens foram submetidas aos seguintes ensaios
geotécnicos:
● Análise granulométrica por peneiramento;
● Determinação dos Limites de Liquidez (LL) e Plasticidade (LP);
● Ensaio de compactação pelo Proctor Intermediário;
● Índice de Suporte Califórnia (CBR);
● Ensaio de expansão;
● Determinação da densidade “in situ”.
Tais ensaios possibilitaram a avaliação completa dos materiais de subleito e
auxiliaram na escolha dos materiais que deverão compor as camadas estruturais
do novo pavimento.
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4.2. Estudo e Seleção de Ocorrências de Materiais para Pavimentação
Foram realizadas buscas por jazidas naturais nos arredores do empreendimento,
mas não se identificaram materiais com qualidade e quantidade suficientes para
uso direto. Portanto, definiu-se a utilização de materiais comerciais e a composição
de misturas com reaproveitamento de solos escavados.
Fontes identificadas:
● Areal Irmãos Nardi – localizado a 6,9 km do canteiro de obras, fornece areia
lavada de boa qualidade, viável para uso em camadas drenantes ou
produção de concreto.
● Pedreira Britacol – situada a 10,9 km da obra, fornece brita corrida e
agregados graduados, adequados para compor a base do pavimento.
● Solos escavados – reaproveitamento de material escavado do pavimento
antigo e do trecho entre as estacas 152 e 158. Estes solos serão utilizados
na formação da sub-base, desde que apresentem características
geotécnicas satisfatórias.
Composição da Sub-base:
Foi especificada a mistura solo-brita na proporção 50% / 50% em massa. Essa
solução otimiza o uso de materiais disponíveis e reduz a necessidade de bota-fora,
contribuindo para a sustentabilidade e economia da obra. A escolha entre solo de
escavação ou solo de corte dependerá da viabilidade técnica e do volume
disponível à época da execução.
4.3. Estudo Geotécnico para Aterros sobre Solos Compressíveis
Foram executadas sondagens específicas para avaliação da estabilidade de
aterros previstos em áreas com solos potencialmente compressíveis. Essas
investigações visam à elaboração de anteprojetos geotécnicos conforme o art. 74
do Decreto nº 7.581/2011, que exige o fornecimento de dados técnicos mínimos
para caracterização da obra e estimativas de custo.
Esses estudos servirão de base para projetos básicos e executivos, os quais
aprofundaram as análises de comportamento de solos moles e das fundações em
regiões críticas. A execução das sondagens definitivas ficará a cargo da empresa
ou consórcio responsável pela obra, garantindo precisão no projeto final e
segurança na construção.
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5. ANTEPROJETO DE TERRAPLENAGEM
5.1. Introdução
O Anteprojeto de Terraplenagem tem como objetivo principal a caracterização,
quantificação e planejamento da movimentação de terras necessárias à
implantação da 3ª Ponte de Colatina e seus acessos, integrando o novo sistema ao
traçado urbano existente. A proposta visa otimizar a mobilidade urbana, aumentar
a fluidez e segurança viária e garantir a eficiência técnica da obra. O projeto
considerou a diferenciação entre área urbana (estacas 0 a 143) e área rural
(estacas 143 a 264+8,14), conforme acordo com a Fiscalização.
O escopo atendeu às diretrizes da IS-209 do DNIT, tomando como base dados dos
estudos topográficos, geotécnicos, geométricos e ambientais. O aproveitamento
dos materiais de corte foi priorizado, de forma a eliminar a necessidade de
utilização de empréstimos externos, assegurando a sustentabilidade no uso das
ocorrências naturais de materiais.
5.2. Seção Transversal Tipo de Projeto
As seções transversais foram definidas de acordo com o perfil geométrico da via,
acomodando faixa de rolamento, ombros, calçadas e drenagem. No lado sul, as
intervenções se restringem ao aterro confinado em terra armada e à reconstrução
do pavimento, respeitando cotas de meio-fio e edificações. No lado norte, as ações
envolvem:
● Construção de aterro confinado em terra armada após a ponte;
● Terraplenagem da interseção de São Silvano e do viaduto da Rua Mário
José Ferrari;
● Terraplenagem do segmento rural (estacas 143 a 264+8,14);
● Implantação de rótula (estacas 40 a 45) e acessos aos bairros Riviera e
Cidade Jardim.
Os materiais oriundos dos cortes foram aproveitados integralmente na
compensação de aterros, reduzindo custos e impactos ambientais.
5.3. Inclinação dos Taludes
Com base nos estudos geotécnicos e observações regionais, as inclinações dos
taludes adotadas foram:
● Aterro: 3H:2V
● Corte em Solo: 1H:1V
● Corte em Rocha: 1H:8V
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5.4. Intervenções de Terraplenagem
As atividades envolveram:
● Desmatamento e limpeza;
● Escavações em corte;
● Execução de aterros com reaproveitamento de solos de corte;
● Preenchimento com mistura de areia e pedra de mão;
● Aterros reforçados (terra armada);
● Transporte e compactação dos materiais.
Todas as ações consideraram a mitigação de impactos socioambientais e
priorizaram o uso de materiais com ocorrência local, conforme identificado nos
estudos anteriores.
5.5 Seções de Terraplenagem
As seções variam ao longo do traçado e estão apresentadas no Volume 2 – Projeto
de Execução, incluindo pistas simples e duplas conforme o zoneamento do trecho.
5.6 Fator de Compactação
Para o equilíbrio volumétrico entre cortes e aterros, foi utilizado um fator de
homogeneização igual a 1,23, considerando a relação entre densidade de
laboratório (compactação máxima) e densidade “in situ”, além de perdas por
transporte e acomodação natural. O parâmetro adotado assegura equivalência
entre os volumes escavados e os volumes compactados, facilitando o controle de
produção e de custos.
5.7. Compactação de Aterros
A compactação do corpo de aterro será executada com energia equivalente a
100% do Proctor Normal, sendo que nos 60 cm superiores será utilizada a energia
de compactação do Proctor Intermediário, garantindo resistência adequada às
camadas mais solicitadas.
5.8. Movimentação das Massas de Terraplenagem
O estudo das massas e suas origens/destinos considerou o seguinte:
● Cálculo de volumes: realizado com Civil 3D (2020) pelo método da
semi-soma de áreas entre seções sucessivas;
● Distribuição de volumes: otimizada com Diagrama de Bruckner,
minimizando deslocamentos;
● Cortes: solos escavados foram totalmente aproveitados para constituição
dos aterros, eliminando a necessidade de empréstimos. As ocorrências de
materiais naturais foram fundamentais para essa decisão.
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● Aterros: constituídos exclusivamente com o material dos cortes. Os
volumes foram separados entre corpo de aterro e acabamento (0,60 m
finais). Caso haja necessidade de alargamento, será aplicado
escalonamento do talude, promovendo uma maior resistência entre o aterro
existente e o novo, evitando trincas longitudinais.
5.9. Quadro resumo da distribuição da terraplanagem
Fonte: (Memória Justificativa - 3)
5.10. Aterros sobre solos moles
Este anteprojeto geotécnico teve como base a Norma PRO-381/98 e o Edital de
Licitação, buscando antecipar as necessidades técnicas para o projeto executivo.
Durante os estudos geológicos de campo, foram identificados talvegues com
potencial ocorrência de solos compressíveis, especialmente nos trechos:
● Estacas 146 a 152 – Aterro da Estaca 148 (extensão: 120 m; altura máxima:
3,5 m);
● Estacas 163 a 172 – Aterro da Estaca 167 (extensão: 180 m; altura máxima:
9,5 m).
Nesses locais foram observadas bacias de sedimentação com lençol freático
superficial e solos argilosos com fração orgânica, altamente compressíveis. Os
problemas mais críticos envolvem recalques por adensamento e deslocamentos
horizontais sob sobrecarga.
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A identificação e caracterização dessas ocorrências de materiais foram
fundamentais para estabelecer as diretrizes preliminares dos aterros e as futuras
medidas de mitigação no projeto executivo. Com isso, foi utilizado materiais como
rachão mais a areia para realizar aterro sobre esses solos moles
6. PROJETO DE PAVIMENTAÇÃO RELACIONADO À OCORRÊNCIA
DE MATERIAIS
Introdução
Este capítulo apresenta o Projeto de Pavimentação referente ao Sistema Viário da
3ª Ponte de Colatina, com ênfase na relação entre a estrutura adotada e a
disponibilidade de materiais identificada nos estudos geotécnicos. São abordados
os seguintes aspectos:
● Ocorrência e aproveitamento de materiais locais;
● Estrutura de pavimento dimensionada por segmento;
● Mistura solo-brita aplicada à camada de sub-base.
A análise e o uso racional das ocorrências de materiais foram determinantes na
definição das soluções técnicas, buscando eficiência estrutural, viabilidade
econômica e sustentabilidade no uso dos recursos naturais.
Estruturas Adotadas
As estruturas de pavimento foram definidas com base nos resultados dos estudos
de tráfego, características do subleito e disponibilidade de materiais na região.
Para otimizar a execução, em alguns trechos foi promovida a redistribuição de
espessura entre base e sub-base, permitindo a execução de camada única de
base sem comprometer a capacidade estrutural total.
Além disso, devido à pequena variação entre os valores de número N entre os
sentidos de tráfego no Lado Norte (diferença de apenas 1,0 cm na sub-base),
optou-se por adotar a estrutura mais robusta para ambos os sentidos, evitando
complexidade na execução.
A regularização do subleito foi considerada essencial, pois permite garantir
uniformidade na espessura da sub-base e adequada transferência de carga. A
seguir, são descritas as estruturas por trecho:
Lado Sul – Vias Urbanas:
● Revestimento: CBUQ – Faixa “C” do DNIT – 5,0 cm
● Base: Brita Graduada – 19,0 cm
● Sub-base: Mistura Solo-Brita – 30,0 cm
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Lado Norte – Vias Urbanas e Acesso a Bairros:
● Revestimento: CBUQ – Faixa “C” do DNIT – 5,0 cm
● Base: Brita Graduada – 18,0 cm
● Sub-base: Mistura Solo-Brita – 20,0 cm
Lado Norte – Segmento Rural (a partir da estaca 143):
● Revestimento: CBUQ – Faixa “C” do DNIT – 3,5 cm
● Revestimento adicional: CBUQ – Faixa “B” – 4,0 cm
● Base: Brita Graduada – 17,0 cm
● Sub-base: Mistura Solo-Brita – 20,0 cm
As escolhas visaram compatibilizar desempenho técnico com viabilidade
econômica e logística, considerando as distâncias e características das jazidas
disponíveis.
4.2. Parâmetros de Dimensionamento
Os cálculos para as espessuras das camadas foram fundamentados nos seguintes
parâmetros de projeto:
Número “N” de Projeto: Os valores foram definidos por segmento, conforme o
estudo de tráfego:
Lado Sul (vias urbanas): N = 2,0 x 10⁶
Lado Norte (vias urbanas e acessos): N = 2,0 x 10⁶
Lado Norte (segmento rural): N = 8,99 x 10⁶ (adotado o valor mais crítico para
ambos os sentidos de tráfego).
Índice de Suporte de Projeto (ISC): O suporte do subleito foi determinado
estatisticamente para cada trecho:
Lado Sul: ISCp = 5,0%.
Lado Norte: ISCp = 7,0%
Mistura Solo-Brita para Sub-base
A camada de sub-base será composta por mistura de solo e brita corrida em
proporção 50/50, conforme definido nos estudos geotécnicos. Os materiais que
compõem a mistura foram selecionados com base em sua disponibilidade local e
características geotécnicas adequadas:
● Brita Corrida: Proveniente da Pedreira Britacol (Colatina);
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● Solo Escavado: Retirado do pavimento existente, com volume determinado
na memória de cálculo (Volume 4);
● Solo de Corte: Proveniente do trecho entre as estacas 152 e 158, também
quantificado no Volume 4.
A combinação entre os materiais será definida durante a fase de projeto executivo,
podendo utilizar apenas brita e um dos solos, conforme viabilidade técnica e
disponibilidade no momento da execução. A inclusão do solo escavado visa reduzir
desperdício e necessidade de bota-fora, otimizando os recursos da própria obra.
Caso o volume reaproveitado seja insuficiente, será complementado com solo
proveniente do corte indicado.
Ocorrência de Materiais Disponíveis
A seleção das fontes de materiais foi resultado direto dos levantamentos de campo
e das análises laboratoriais realizadas durante os estudos geotécnicos. As
principais ocorrências de materiais indicadas para a execução do pavimento são:
● Pedreira Britacol (Colatina): Fornecedora de brita corrida e brita graduada
para base e composições de sub-base.
● Areal Irmãos Nardi (Colatina): Fonte de areia lavada com potencial uso em
camadas drenantes ou produção de concreto.
● Trecho de Corte (Estacas 152 a 158): Fonte de solo natural com
propriedades compatíveis com uso em mistura solo-brita.
A adoção desses materiais visa não apenas garantir qualidade técnica à estrutura
do pavimento, mas também promover o aproveitamento de recursos locais,
reduzindo custos de transporte e impactos ambientais.
Representação do Número “N” em tabela
Fonte: (Memória Justificativa - 3)
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7. TERMO DE ENCERRAMENTO
Este memorial descritivo consolidou a análise sobre a ocorrência, caracterização e
aplicação de materiais no projeto de implantação da 3ª Ponte de Colatina e seus
acessos, demonstrando a relação direta entre os estudos geológico-geotécnicos e
as soluções de engenharia adotadas.
O estudo de caso evidenciou que um planejamento criterioso, fundamentado em
investigações de campo e ensaios laboratoriais, foi determinante para o sucesso
do anteprojeto. A viabilidade técnica foi assegurada pela caracterização de fontes
1
comerciais licenciadas, como a Pedreira Britacol e o Areal Irmãos Nardi , que
garantiram o fornecimento de agregados e areia com a qualidade exigida para as
camadas de pavimento e concreto.
Adicionalmente, o projeto destacou-se pela abordagem sustentável, ao priorizar o
reaproveitamento de materiais de 1ª categoria (solos) oriundos das escavações da
2222
obra, como os do corte entre as estacas 152 e 158 . Essa estratégia,
materializada na solução da sub-base em mistura solo-brita, otimizou o uso de
recursos, reduziu custos de transporte e minimizou o impacto ambiental associado
a bota-fora.
Conclui-se, portanto, que o projeto da 3ª Ponte de Colatina exemplifica como o
estudo aprofundado da ocorrência de materiais é um pilar importante na
engenharia rodoviária. A correta identificação e caracterização dos insumos
disponíveis permitem desenvolver soluções técnicas eficientes, econômicas e
alinhadas às melhores práticas construtivas.
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Volume 3- Memória_Justificativa - SITE DO DER-ES - LICITAÇÕES - Terceira
Ponte de Colatina