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IVUBs

O documento aborda as infecções das vias urinárias baixas (IVUBs), destacando sua definição, etiologia, fatores de risco e impacto na saúde pública, especialmente em mulheres e populações vulneráveis. Inclui informações sobre diagnóstico, tratamento e medidas preventivas, com base em evidências científicas e diretrizes nacionais de Moçambique. A compreensão dos aspectos clínicos e fisiopatológicos é essencial para um manejo adequado e redução de complicações.

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O documento aborda as infecções das vias urinárias baixas (IVUBs), destacando sua definição, etiologia, fatores de risco e impacto na saúde pública, especialmente em mulheres e populações vulneráveis. Inclui informações sobre diagnóstico, tratamento e medidas preventivas, com base em evidências científicas e diretrizes nacionais de Moçambique. A compreensão dos aspectos clínicos e fisiopatológicos é essencial para um manejo adequado e redução de complicações.

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Índice

1. Introdução................................................................................................................................ 2
1.1 objetivo geral ..................................................................................................................... 3
1.2 Objetivos específicos ......................................................................................................... 3
1.3 Metodologia ....................................................................................................................... 4
Infecções das vias urinárias baixas ................................................................................................. 5
2. Definição ................................................................................................................................. 5
3. Factores de risco ...................................................................................................................... 5
4. Etiologia .................................................................................................................................. 5
5. Epidemiologia ......................................................................................................................... 6
6. Tipos de infecções das vias urinárias baixas ........................................................................... 6
7. Fisiopatologia detalhada .......................................................................................................... 6
8. Quadro clínico ......................................................................................................................... 7
8.1 Quadro Clínico Geral......................................................................................................... 7
8.2 Quadro Clínico por Tipo.................................................................................................... 7
9. Complicações .......................................................................................................................... 8
10. Diagnóstico diferencial ......................................................................................................... 8
11. Exames auxiliares e achados diagnósticos ............................................................................ 9
12. Conduta terapêutica ............................................................................................................... 9
13. Medidas gerais e cuidados de suporte ................................................................................. 10
14. Tratamento das condições etiológicas ................................................................................. 10
15. Prevenção ............................................................................................................................ 10
16. Conclusão ............................................................................................................................ 12
17. Referências bibliográficas ................................................................................................... 13
1. Introdução

As infecções das vias urinárias baixas (IVUBs) são consideradas uma das patologias mais comuns
na prática clínica, afetando milhões de pessoas ao redor do mundo todos os anos. Caracterizam-se
por inflamações e infecções localizadas na uretra, bexiga e, em homens, também na próstata. A
maioria dos casos é causada por bactérias gram-negativas, sendo a Escherichia coli o principal
agente etiológico. O impacto das IVUBs é significativo, pois além dos desconfortos físicos, há
risco de complicações mais graves como pielonefrite e sepse urinária, especialmente se não forem
diagnosticadas e tratadas a tempo.
A elevada incidência entre mulheres, especialmente em idade fértil, e em populações vulneráveis
como idosos, diabéticos e pacientes sondados, torna o tema de extrema relevância para os
profissionais de saúde. Este trabalho visa abordar as infecções das vias urinárias baixas de forma
abrangente, desde seus aspectos clínicos e fisiopatológicos até o diagnóstico, tratamento e
prevenção com base em evidências científicas atualizadas e orientações terapêuticas nacionais.

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1.1 Objetivo geral
Estudar, compreender e descrever de forma detalhada as infecções das vias urinárias baixas,
abordando sua definição, etiologia, fatores de risco, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico,
tratamento e medidas preventivas, com enfoque no contexto clínico moçambicano.

1.2 Objetivos específicos


➢ Identificar os principais agentes etiológicos das IVUBs.
➢ Compreender a fisiopatologia das infecções urinárias baixas.
➢ Reconhecer os sinais e sintomas clínicos das diferentes formas de apresentação.
➢ Avaliar os exames complementares mais indicados para diagnóstico.
➢ Determinar o diagnóstico diferencial com outras patologias semelhantes.
➢ Descrever a conduta terapêutica baseada no Formulário Nacional de Medicamentos de
Moçambique.
➢ Sugerir medidas gerais e estratégias de prevenção das IVUBs.

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1.3 Metodologia

Este trabalho foi desenvolvido com base em uma pesquisa bibliográfica qualitativa, utilizando
como principais fontes o "Harrison’s Principles of Internal Medicine", o "Tratado de Fisiologia
Médica de Guyton & Hall", o "Goldman-Cecil Medicina Interna", materiais do Medcurso e o
"Formulário Nacional de Medicamentos de Moçambique". A seleção dos conteúdos priorizou
dados atuais, diretrizes terapêuticas e revisões clínicas de referência. O levantamento foi feito por
meio da leitura crítica e integrada dos conteúdos teóricos, visando à construção de um material
coeso, atualizado e adaptado à realidade clínica moçambicana. Foram incluídos também dados
epidemiológicos e protocolos terapêuticos indicados por órgãos oficiais de saúde.

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Infecções das vias urinárias baixas

2. Definição
As IVUBs compreendem processos infecciosos que acometem as estruturas inferiores do trato
urinário, nomeadamente a uretra (uretrite), bexiga (cistite) e, em alguns casos, a próstata nos
homens (prostatite). Diferenciam-se das infecções urinárias altas por não envolverem os rins e por
geralmente apresentarem menor gravidade clínica.

3. Factores de risco
➢ Sexo feminino (uretra mais curta)
➢ Atividade sexual frequente
➢ Uso de contraceptivos diafragmáticos ou espermicidas
➢ Gravidez
➢ Idade avançada
➢ Diabetes mellitus
➢ Cateterismo urinário
➢ Obstruções do trato urinário (ex.: hiperplasia prostática)
➢ Imunossupressão

4. Etiologia
A maioria das IVUBs é causada por bactérias gram-negativas entéricas. As principais etiologias
incluem:
Micro-organismo Frequência Características
(%)
Escherichia coli 70-90% Principal causador, patógeno uropatogênico
clássico
Klebsiella spp. 5-10% Mais comum em infecções nosocomiais
Proteus mirabilis 5-10% Associado à formação de cálculos
Enterococcus spp. 5% Mais comum em pacientes hospitalizados
Staphylococcus 5% Mais comum em mulheres jovens
saprophyticus

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5. Epidemiologia
➢ Estima-se que cerca de 50-60% das mulheres terão pelo menos um episódio de IVU durante
a vida.
➢ As IVUBs representam 8 milhões de consultas médicas por ano no mundo.
➢ Homens jovens raramente desenvolvem IVUBs, mas a incidência aumenta após os 50 anos,
principalmente por doenças prostáticas.
➢ Em Moçambique, a escassez de água potável, condições sanitárias precárias e
automedicação aumentam a incidência.

6. Tipos de infecções das vias urinárias baixas


1. Cistite: Inflamação da bexiga.
2. Uretrite: Inflamação da uretra.
3. Prostatite aguda: Inflamação da próstata (em homens).
4. Infecção urinária recorrente: ≥ 2 episódios em 6 meses ou ≥ 3 em 1 ano.
5. Infecção complicada: Associada a anomalias urológicas, cateter, gravidez, ou
imunodepressão.

7. Fisiopatologia detalhada
O processo inicia-se pela ascensão bacteriana a partir da uretra. A Escherichia coli, principal
patógeno, adere às células epiteliais uroteliais através de fímbria tipo 1. Isso desencadeia:
1. Resposta inflamatória local: com liberação de IL-6, IL-8 e recrutamento de neutrófilos.
2. Ativação do epitélio vesical: que produz citocinas e atrai mais células de defesa.
3. Edema e destruição celular: causam sintomas como disúria e urgência.
4. Não tratada, a infecção pode ascender aos ureteres e rins (pielonefrite).

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8. Quadro clínico

8.1 Quadro Clínico Geral


As infecções das vias urinárias baixas compartilham um conjunto de sinais e sintomas
característicos:
➢ Disúria (dor ou ardor ao urinar)
➢ Polaciúria (aumento da frequência urinária)
➢ Urgência miccional
➢ Dor suprapúbica
➢ Urina turva ou com odor fétido
➢ Hematúria (em alguns casos)
➢ Febre baixa (menos comum)

8.2 Quadro Clínico por Tipo


Cistite Aguda
➢ Disúria intensa
➢ Polaciúria
➢ Urgência
➢ Sensação de esvaziamento incompleto
➢ Dor suprapúbica

Uretrite
➢ Corrimento uretral (mais comum em homens)
➢ Disúria sem urgência miccional
➢ Prurido uretral
➢ História de relação sexual desprotegida

Prostatite Aguda (Homens)


➢ Febre alta e calafrios
➢ Dor perineal
➢ Disúria

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➢ Urgência e frequência urinária
➢ Retenção urinária aguda (em casos graves)

9. Complicações
As complicações das IVUBs variam conforme a evolução do quadro, a resposta imunológica do
paciente e a presença de fatores de risco. As principais incluem:

9.1 Pielonefrite Ascendente


➢ Ocorre quando a infecção progride da bexiga para os rins.
➢ Fisiopatologia: ascensão via ureteres, com colonização do parênquima renal.

9.2 Sepse de origem urinária


➢ Disfunção orgânica grave devido à resposta inflamatória sistêmica à infecção urinária.
➢ Mais comum em idosos e imunocomprometidos.

9.3 Abscesso perirrenal


➢ Formação de coleção purulenta ao redor do rim, geralmente após pielonefrite mal tratada.

9.4 Insuficiência renal aguda


➢ Pode ocorrer secundariamente a obstruções urinárias ou pielonefrite grave.

10. Diagnóstico diferencial


O diagnóstico diferencial é essencial para excluir outras condições com sintomas similares:
Patologia Diferenças Clínicas
Vaginite Corrimento vaginal, prurido, dor à relação sexual
Uretrite por DST História sexual de risco, corrimento uretral, disúria
isolada
Pielonefrite Febre alta, dor lombar, calafrios, náuseas
Cistite intersticial Sintomas urinários crônicos sem infecção identificável

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Hiperplasia Prostática Benigna Jato urinário fraco, hesitação, noctúria
(HPB)

11. Exames auxiliares e achados diagnósticos


11.1 EAS (Exame de Urina Tipo I)
➢ Leucocitúria (>10 leucócitos/campo)
➢ Piúria (presença de pus)
➢ Hematúria microscópica
➢ Bacteriúria
➢ Nitrito positivo (bactérias gram-negativas)

11.2 Urocultura
➢ Confirma o agente etiológico e sua sensibilidade antimicrobiana.
➢ Definição de infecção: > 100.000 UFC/mL

11.3 Hemograma
➢ Leucocitose em infecções mais graves (prostatite, sepse)

11.4 PSA (em homens)


➢ Pode estar elevado na prostatite

11.5 Ultrassonografia Abdominal


➢ Avaliação da bexiga, próstata e possível retenção urinária ou cálculos

12. Conduta terapêutica


12.1 Cistite Não Complicada
➢ Nitrofurantoína 50 mg VO de 6/6h por 5 dias
➢ Trimetoprim + Sulfametoxazol 400/80 mg VO 12/12h por 3 dias (se sensível)

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12.2 Uretrite (Suspeita de DST)
➢ Ceftriaxona 500 mg IM dose única + Azitromicina 1g VO dose única

12.3 Prostatite Aguda


➢ Ciprofloxacina 500 mg VO 12/12h por 14-28 dias
➢ Ou Norfloxacina 400 mg 12/12h por 14 dias

12.4 Infecção Complicada


➢ Ceftriaxona 1g IV/dia
➢ Após melhora clínica, manter antibiótico VO por 10-14 dias

13. Medidas gerais e cuidados de suporte


➢ Hidratação adequada (2-3 litros/dia)
➢ Micção frequente (evitar retenção urinária)
➢ Higiene íntima correta
➢ Evitar uso de duchas vaginais
➢ Evitar automedicação

14. Tratamento das condições etiológicas


➢ Retirada de sondas vesicais se possível
➢ Cirurgias para correção de anomalias estruturais
➢ Controle do diabetes mellitus
➢ Tratamento de hiperplasia prostática
➢ Acompanhamento urológico em casos recorrentes

15. Prevenção
➢ Ingestão hídrica adequada
➢ Micção após relação sexual
➢ Boa higiene íntima
➢ Evitar uso de espermicidas
➢ Troca regular de absorventes

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➢ Educação em saúde sobre sinais e sintomas precoces

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16. Conclusão

As infecções das vias urinárias baixas são um importante problema de saúde pública devido à sua
elevada prevalência e ao impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Elas acometem
principalmente mulheres, mas também são frequentes em idosos, homens com alterações
prostáticas e pacientes com comorbidades ou uso de sondas urinárias.
A compreensão dos fatores de risco, do processo fisiopatológico e das formas clínicas é essencial
para um diagnóstico precoce e tratamento adequado. A terapêutica deve ser orientada por exames
laboratoriais e considerar a sensibilidade dos microrganismos, respeitando as diretrizes nacionais.
As medidas de prevenção e a educação em saúde são fundamentais para reduzir a incidência e
recorrência das IVUBs. Um manejo apropriado, baseado em evidências, contribui para a redução
de complicações como pielonefrite, sepse urinária e insuficiência renal, promovendo melhor
prognóstico e qualidade de vida aos pacientes.

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17. Referências bibliográficas

1. Harrison's Principles of Internal Medicine. 20ª edição. McGraw-Hill Education.


2. Guyton & Hall - Tratado de Fisiologia Médica. 14ª edição.
3. Goldman-Cecil Medicina Interna. 26ª edição.
4. Medcurso - Sistema Génito-Urinário.
5. Ministério da Saúde de Moçambique. Formulário Nacional de Medicamentos, 2020.

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