Formação e diversidade
cultural da população
brasileira
A diversidade cultural no Brasil é ampla
desde o processo de colonização de nosso
país. Prova disso é o fato de que não há
um traço fenotípico único que caracterize o
brasileiro, como existe com povos de
diferentes localidades da África e da
Europa, da Índia ou dos países da Ásia
Oriental.
Uma notícia chama a atenção para esse
fato: em 2018, o mundo descobriu que o
ditador norte-coreano Kim Jong-Un e seu pai utilizaram passaportes falsos com
nacionalidade brasileira para viajar para países ocidentais. Sim, é possível a
um oriental coreano se passar por brasileiro, assim como pode fazer um
nigeriano, um holandês, um indiano ou um nepalês. A verdade é que não
temos, no Brasil, um fenótipo que nos defina, pois somos o resultado de uma
intensa mistura.
Por que o Brasil é um país com diversidade cultural?
O antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro (um dos chamados intérpretes do Brasil)
escreveu um livro sobre a diversidade cultural brasileira. É um livro complexo,
que tenta entender por qual motivo o Brasil se tornou o que é, mas que
também celebra a nossa diversidade cultural.
O autor não aceita uma fórmula pronta, que apenas afirma que o Brasil é
resultado da mistura de indígenas com povos africanos e europeus. Segundo
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Darcy Ribeiro, o Brasil agrupou, na sua formação colonial, cinco grandes eixos
culturais, que por si só já têm diversidade. São eles:
O Brasil crioulo, da área litorânea do extremo norte da região Nordeste ao Rio
de Janeiro, com bastante influência da cultura africana (que também é diversa).
O Brasil sertanejo, no interior do Nordeste, onde predomina a Caatinga.
O Brasil caboclo, predominante na região Norte, com forte presença de culturas
indígenas.
O Brasil caipira, com predominância nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
O Brasil sulino, com predominância de miscigenação mameluca e grande
influência europeia e indígena.
Isso nos mostra que falar da diversidade cultural brasileira é mais complexo do
que parece. Podemos começar falando dos povos indígenas. Hoje existem 305
etnias indígenas brasileiras que ainda resistem ao genocídio europeu e ao
etnocídio provocado pela cultura branca. São contados, aproximadamente, 900
mil indígenas vivendo em território brasileiro, de acordo com o Censo de 2010.
Estima-se que, em 1500, eram mais de cinco milhões de indígenas, o que
sustenta a fecunda hipótese de que havia muito mais do que 305 etnias.
Apesar de cultura muito similar dentro dos agrupamentos próximos, havia uma
diversidade cultural imensa entre os povos indígenas.
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O Cacique Raoni é uma liderança indígena que luta pelo reconhecimento dos direitos
e respeito à cultura dos povos indígenas.
Em 1530, começou um intenso plano de colonização do Brasil por meio do
sistema de capitanias hereditárias, o que motivou a vinda de portugueses para
nosso território. Com as primeiras levas de portugueses que vieram para cá, já
começou um processo de tentativa de aculturação dos povos indígenas e de
miscigenação entre portugueses e nossos nativos que viviam nas regiões
litorâneas, sobretudo do Nordeste e Sudeste.
Entre a segunda metade do século XVI e o século XVII, os colonos começaram
a buscar uma mão de obra barata para trabalhar naquela que era a principal
fazenda econômica da época: o engenho de açúcar. Com isso, colonos
portugueses se valeram de um mercado que vinha crescendo e rendia muito
lucro, o tráfico negreiro.
Africanos eram capturados e escravizados na África, eram vendidos para
comerciantes, principalmente ingleses e portugueses, que traziam essas
pessoas abarrotadas em porões de navios para o continente americano, para
trabalharem nas lavouras. Essa prática foi mantida no Brasil até o século XIX.
Os povos africanos também eram diversos e muitos foram capturados em seus
territórios por africanos de outros reinos ou aldeias. Havia africanos de reinos e
de aldeias, das mais variadas localidades da África, que foram escravizados
aqui. No início, eles não tinham uma língua comum nem falavam a língua de
seus senhores, o que dificultava a resistência. Somou-se à diversidade cultural
indígena a diversidade cultural africana. Também houve a influência
portuguesa.
Mais tarde, chegou ao nosso território também descendentes de holandeses,
franceses, espanhóis e, no século XIX, italianos. Ainda teve um intenso fluxo
migratório de japoneses, árabes, turcos, libaneses e judeus de vários locais da
Europa.
Como não houve, inicialmente, uma segregação racial na reprodução
(diferentemente de outros povos europeus, os portugueses já eram
miscigenados), a miscigenação aconteceu e a diversidade cultural se instalou
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em nosso país. Nós herdamos, portanto, traços culturais comuns de todos
esses povos que aqui estavam ou que para cá vieram.
Desigualdades e exclusão
social no Brasil e no Acre
A Exclusão Social designa um processo de afastamento e privação de
determinados indivíduos ou de grupos sociais em diversos âmbitos da estrutura
da sociedade.
Trata-se de uma condição inerente ao capitalismo contemporâneo, ou seja,
esse problema social foi impulsionado pela estrutura desse sistema econômico
e político.
Assim, as pessoas que possuem essa condição social sofrem diversos
preconceitos. Elas são marginalizadas pela sociedade e impedidas de exercer
livremente seus direitos de cidadãos.
Podemos salientar as condições financeiras, religião, cultura, sexualidade,
escolhas de vida, dentre outros.
Os excluídos sociais, geralmente são minorias étnicas, culturais e religiosas.
Como exemplos, temos os negros, índios, idosos, pobres, homossexuais,
toxicodependentes, desempregados, pessoas portadoras de deficiência, dentre
outros.
Observe que essas pessoas ou grupos sociais sofrem muitos preconceitos.
Isso afeta diretamente aspectos da vida, e, em muitos casos, gera outro
problema chamado de “isolamento social”.
A Exclusão Social designa um processo de afastamento e privação de
determinados indivíduos ou de grupos sociais em diversos âmbitos da estrutura
da sociedade.
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Trata-se de uma condição inerente ao capitalismo contemporâneo, ou seja,
esse problema social foi impulsionado pela estrutura desse sistema econômico
e político.
Assim, as pessoas que possuem essa condição social sofrem diversos
preconceitos. Elas são marginalizadas pela sociedade e impedidas de exercer
livremente seus direitos de cidadãos.
Podemos salientar as condições financeiras, religião, cultura, sexualidade,
escolhas de vida, dentre outros.
Os excluídos sociais, geralmente são minorias étnicas, culturais e religiosas.
Como exemplos, temos os negros, índios, idosos, pobres, homossexuais,
toxicodependentes, desempregados, pessoas portadoras de deficiência, dentre
outros.
Observe que essas pessoas ou grupos sociais sofrem muitos preconceitos.
Isso afeta diretamente aspectos da vida, e, em muitos casos, gera outro
problema chamado de “isolamento social”.
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Composição étnica da
população brasileira e acreana
O Brasil, como se sabe, é um país com uma grande diversidade étnica, ou
seja, apresenta uma elevada variedade de raças e etnias. Nesse caso, o termo
“raça” não é compreendido em seu sentido biológico, mas sim em seus
aspectos socioculturais de modo a diferenciar os grupos populacionais por
características físicas externas, geralmente a cor e outros aspectos. Já o termo
“etnia” costuma definir as populações com base também em suas
diferenciações culturais e linguísticas, envolvendo também tradições, religiões
e outros elementos.
Há, dessa forma, uma incontável variedade de tipos que definem a composição
étnica do Brasil. Por exemplo, só de indígenas, segundo dados do IBGE,
existem cerca de 305 etnias que pronunciam mais de 270 idiomas. Esse
número é acrescido às diferentes ramificações de povos europeus, africanos,
asiáticos e tantos outros que descenderam dos povos que migraram para o
país durante o seu período histórico pós-descobrimento.
De um modo geral, podemos dizer que a composição étnica brasileira é
basicamente oriunda de três grandes e principais grupos étnicos: os indígenas,
os africanos e os europeus. Os índios formam os agrupamentos descendentes
daqueles que aqui habitavam antes do período do descobrimento efetuado
pelos portugueses. Com a invasão dos europeus, boa parte dos grupos
indígenas foi dizimada, de modo que várias de suas etnias foram erradicadas.
Já os negros africanos compõem o grupo dos povos que foram trazidos à força
da África e que aqui foram escravizados, sustentando a economia do país
durante vários anos por meio de seu trabalho. Boa parte de nossa cultura,
práticas sociais, religiões, tradições e costumes está associada a valores
oriundos desses povos. Dentre as etnias africanas que vieram para o Brasil,
destacam-se os bantos, os sudaneses e outras populações.
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Já os povos europeus que vieram para o Brasil basicamente se formaram de
populações portuguesas, além de grupos franceses, holandeses, italianos,
espanhóis e outros, que configuraram a matriz étnica predominante no país,
segundo vários estudos.
Há de se registrar também a miscigenação dessas diferentes composições
étnicas que habitam o Brasil. Por miscigenação entende-se a mistura das
diversas etnias, que deu origem a novas populações que resguardaram traços
físicos e também culturais de ambas as suas matrizes.
A miscigenação entre brancos e negros originou os povos chamados de
mulatos. Já da mistura entre índios e brancos surgiram os mamelucos,
considerados como os primeiros brasileiros no período após o descobrimento.
Já a miscigenação entre índios e negros deu origem aos cafuzos.
Mas é claro que essa divisão é apenas uma visão simplista, pois é impossível
dizer que apenas essas etnias formam a população brasileira, conforme o “mito
das três raças” e suas derivações. Na verdade, existem centenas ou talvez
milhares de agrupamentos diferentes ao longo do território brasileiro, de modo
que qualquer classificação sempre restringirá a um certo limite algo que é muito
mais amplo.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classifica a população
brasileira com base em cinco tipos diferentes de raças: os brancos, os negros,
os pardos, os amarelos e os indígenas, cuja distribuição podemos observar no
quadro a seguir, elaborado com base em informações obtidas pelo Censo
Demográfico de 2010:
População brasileira por cor ou raça, de acordo com o Censo de 2010
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A influência das culturas
indígena e africana na
formação da identidade
acreana
A cultura acreana é diretamente influenciada pela diversidade de indígenas que
habitam a região. Há 14,4 mil representantes de sete povos indígenas vivendo
em 13% do território.
São os Kaxinnawá, Katakina, Yawanawá, Arana, Jaminawa, Ashaninka, Kulina,
Nukini, Poliyanawa, Apurinã, Manchineri e Kaxarari, oriundos dos troncos
linguísticos Aruak e Pano.
A influência indígena é observada no modo de vida, na economia e na
alimentação. É um complexo conjunto cultural observado também nas demais
regiões brasileiras, que também exibe pontos do europeu.
No Acre, contudo, onde ainda habitam os chamados povos tradicionais da
floresta, os saberes da medicina, das rezas e das festas é latente.
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Os pratos são incrementados com a banana frita, castanha, buriti e açaí. Entre
as bebidas típicas está o Aluá, feito à base de abacaxi ou milho.
Na medicina tradicional, os produtos mais conhecidos são a "ayahuasca", um
chá alucinógeno, e a vacina do sapo kampô.
A tradição oral indígena é percebida de maneira acentuada no folclore acriano.
As histórias apontam animais que protegem a floresta com seus poderes
incríveis, indígenas que viram monstros e peixes que se transformam em
homens para seduzir as mulheres.
Entre as muitas festas está o festival Mariri, na aldeia Mutum. O evento é
promovido por uma semana no mês de agosto pelo povo indígena Yawanawa.
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/estado-do-acre/
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