Universidade Estadual de Santa Cruz
Beatriz Silvino Ferreira Oliveira
Medicina XXI – 2023
Percepção, Consciência e Emoção
TUTORIAL 6 – SEM GOSTO E SEM CHEIRO OLFATO
01. Descrever a morfologia das estruturas relacionadas ao olfato O olfato traz tanto bons quanto maus sinais.
1.1 Epitélio olfatório
Ela combina-se com a gustação para nos ajudar a identificar alimentos e aumentar nossa
1.2 Bulbo olfatório
apreciação de muitos deles.
Sugestão de referências:
“Princípios de anatomia e fisiologia”, Tortora 14° ed. pág. 781 Contudo, ele também pode alertar sobre o perigo potencial de algumas substâncias (como carne
“Neurociências ilustrada”, Krebs, pág. 391 estragada) ou lugares (ambiente repleto de fumaça).
“Histologia básica”, Junqueira 13° ed. 1.156
02. Descrever a morfologia das estruturas relacionadas ao paladar No olfato, os sinais relativos a odores ruins podem se sobrepor àqueles dos agradáveis. Segundo
2.1 Cálicos gustativos algumas estimativas, podemos sentir o odor de centenas de milhares de substâncias, mas
2.2 Papilas linguais somente cerca de 20% destas apresentam odor agradável.
Sugestão de referências: A prática ajuda no olfato: os profissionais de perfumes e de bebidas podem chegar a distinguir
- “Princípios de anatomia e fisiologia”, Tortora 14° ed. pág. 786 milhares de odores.
- “Neurociências ilustrada”, Krebs, pág. 396
- “Histologia básica”, Junqueira 13° ed. 1.107 O olfato é também um modo de comunicação. Substâncias químicas liberadas pelo organismo,
03. Abordar a fisiologia: chamadas de feromônios, são sinais importantes para comportamentos reprodutivos, e elas
3.1 Olfato também podem ser utilizadas para marcar território, identificar indivíduos e indicar agressão ou
3.1.1. Receptores olfatórios submissão.
3.1.2. Vias centrais do olfato
Embora sistemas de feromônios sejam bem desenvolvidos em muitos animais, a sua importância
Sugestão de referências:
em seres humanos não está bem clara
- “Neurociências, desvendando o SN”, Bear 4° ed. pág. 281
- “Fisiologia humana”, Silverthon 7° ed. pág. 324 ANATOMIA DOS RECEPTORES OLFATÓRIOS
3.2 Paladar
3.2.1 Receptores gustatórios Epitélio olfatório
3.2.2 Mecanismos da transdução gustatória Nós não cheiramos com o nariz. Em vez disso, cheiramos com uma pequena e fina camada de
3.2.3 Vias centrais da gustação células do alto da cavidade nasal, que é o epitélio olfatório
04. Explanar a interrelação entre olfato e paladar, bem como suas vias de associação.
Ele tem cerca de 10 cm²
INTRODUÇÃO
Obs: epitélio olfatório de certos cães pode ter mais de 170 cm²
A olfação e a gustação são formas de quimiorrecepção, um dos sentidos mais antigos na
perspectiva evolutiva Ocupa a parte superior da cavidade nasal
As bactérias unicelulares utilizam a quimiorrecepção para “sentir” o seu meio externo, e os animais Cobre a face inferior da lâmina cribriforme e se estende ao longo da concha nasal superior
primitivos sem sistema nervoso organizado utilizam a quimiorrecepção para localizar alimento e Contém quimiorreceptores da olfação
se reproduzir. Tem sido proposto que a quimiorrecepção evoluiu, originando a comunicação
sináptica química dos animais. É um neuroepitélio colunar pseudoestratificado
Ele é composto por 3 tipo de células:
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1. Receptores olfatórios Apresentam na sua superfície microvilos que se projetam para o interior da camada de muco que
2. Células de sustentação cobre o epitélio
3. Células basais
Elas células contem um pigmento acastanhado que é responsável pela cor amarelo-castanha da
Receptores olfatórios mucosa olfatória
Locais da transdução Função: sustentação física, nutrição e isolamento elétrico para os receptores olfatórios. Além de
ajudar a detoxificar substâncias químicas que entram em contato com o epitélio olfatório
Neurônios de primeira ordem da via olfatória
Células Basais
Se distinguem das células de sustentação porque seus núcleos se localizam em uma posição
mais basal São pequenas, arredondadas
Os neurônios sensoriais olfatórios possuem um único dendrito, que se estende do corpo celular Situam-se na região basal do epitélio, entre as células olfatórias e as de sustentação
para a superfície do epitélio olfatório, e um único axônio, que se estende até o bulbo olfatório
São as células-tronco do epitélio olfatório
Cada receptor é um neurônio bipolar com um dendrito exposto com formato de calículo e um
axônio que se projeta através da placa cribiforme e termina no bulbo olfatório Elas sofrem divisão celular continuamente para produzirem novos receptores olfatórios, que
vivem apenas cerca de 1 mês antes de serem substituídos
Estendendo-se a partir do dendrito de uma célula receptora olfatória encontram-se vários cílios
Os receptores olfatórios (de forma semelhante aos receptores gustatórios) crescem
olfatórios imóveis (8), que são os locais da transdução olfatória. Os cílios são responsáveis por
continuamente, morrem e regeneram-se em um ciclo que dura cerca de 4 a 8 semanas. De fato,
ampliarem enormemente a superfície receptora odorante
as células receptoras olfatórias estão entre os poucos tipos de neurônios no sistema nervoso que
Nas membranas plasmáticas dos cílios olfatórios encontram-se os receptores olfatórios que são regularmente substituídos ao longo da vida
detectam as substâncias químicas inaladas, ou seja, são quimiorreceptores excitáveis pelas
Tecido conjuntivo de sustentação do epitélio olfatório
substâncias odoríferas.
Na lâmina própria dessa mucosa, além dos vasos e nervos abundantes, observam-se glândulas
Obs: as substâncias químicas que possuem um odor que se ligue e estimule os receptores
ramificadas tubuloacinosas alveolares (glândulas de Bowman), as quais são serosas
olfatórios nos cílios olfatórios são chamadas de odoríferas (odorantes).
É nele que se encontram as glândulas olfatórias ou glândulas de Bowman, as quais são
É importante saber que esses receptores olfatórios respondem ao estímulo químico de uma
produtoras de muco, que é transportado para a superfície do epitélio por ductos
molécula odorífera produzindo um potencial gerador e iniciando assim a resposta olfatória.
A secreção umedece a superfície do epitélio olfatório e dissolve os odoríferos de modo que possa
Os axônios que se originam na porção basal desses neurônios sensoriais reúnem-se em
ocorrer a transdução.
pequenos feixes. O conjunto dos feixes atravessa o osso pela lâmina crivosa, e seus axônios
estabelecem sinapses com outros neurônios cujos axônios se dirigem para o sistema nervoso Obs: O ato de “cheirar” leva o ar através das tortuosas passagens nasais, porém apenas uma
central (SNC) em forma do nervo olfatório pequena porcentagem desse ar passa sobre o epitélio olfatório. O epitélio produz uma fina
Células de sustentação cobertura de muco, que flui constantemente e é substituída a cada 10 minutos. Estímulos
químicos presentes no ar, chamados de odorantes, dissolvem-se na camada de muco antes de
São células epiteliais colunares da túnica mucosa que reveste o nariz atingirem as células receptoras.
São prismáticas, largas no seu ápice e mais estreitas na sua base
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O muco consiste em uma solução aquosa contendo proteoglicanos (que contêm longas cadeias
de açúcares), uma variedade de proteínas (incluindo anticorpos, enzimas e proteínas capazes de
ligar odorantes) e sais. A presença de anticorpos no muco é crucial, uma vez que as células
olfatórias podem ser uma via direta para a entrada no encéfalo de alguns vírus (como o vírus da
raiva) e de bactérias. As proteínas ligantes de odorantes também são importantes, pois são
pequenas e solúveis e podem auxiliar a concentrar odorantes no muco.
Tanto as células de sustentação do epitélio nasal quanto as glândulas olfatórias são inervadas
por neurônios parassimpáticos dos ramos do nervo facial (NC VII), que podem ser estimulados
por determinadas substâncias químicas.
Impulsos desses nervos, por sua vez, podem estimular as glândulas lacrimais nos olhos e as
glândulas mucosas nasais.
O resultado são lágrimas e coriza após a inalação de substâncias como pimenta ou de vapores
de amônia.
Bulbo olfatório
É a extensão do prosencéfalo que recebe estímulos de neurônios olfatórios primários.
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É muito mais desenvolvida nos vertebrados cuja sobrevivência está mais intimamente relacionada
com o monitoramento químico de seu ambiente
FISIOLOGIA OLFATÓRIA
Receptores olfatórios
Eles reagem às moléculas odoríferas do mesmo modo que a maior parte dos receptores
sensitivos reage a seus estímulos específicos, ou seja é através de um potencial gerador
(despolarização) que se desenvolve e dispara um ou mais impulsos nervosos. Esse processo é
denominado de transdução olfatória.
Processo de transdução olfatória
• Ligação de um odorante a uma proteína receptora olfatória localizada em um cílio olfatório
• Essa ligação estimula a proteína G, que é uma proteína de membrana
A combinação da maioria das moléculas odoríferas com seus receptores olfatórios ativa uma
proteína G especial, a G olf.
• A proteína G ativa a enzima adenilato ciclase a produzir a substancia monofosfato de
adenosina cíclico (AMP cíclico ou cAMP)
• cAMP abre um canal de sódio (Na+), que permite que o Na+ entre no citosol, causando um
potencial gerador despolarizante na membrana do receptor olfatório
Limiares e Adaptação aos odores
• Se a despolarização alcançar o limiar, é gerado um potencial de ação pelo axônio do receptor
olfatório. Ou seja, Se o potencial receptor graduado resultante for suficientemente forte, ele O olfato apresenta um limiar baixo
dispara um potencial de ação que percorre o axônio do neurônio sensorial até o bulbo
olfatório Apenas algumas moléculas de determinadas substâncias devem estar presentes no ar para que
sejam percebidas como um odor
Obs: Os genes dos receptores para substâncias odoríferas formam a maior família de genes nos
vertebrados (cerca de 1.000 genes, ou 3-5% do genoma), mas somente cerca de 400 proteínas A adaptação aos odores (diminuição da sensibilidade) ocorre rapidamente
receptoras de substâncias odoríferas são expressas nos seres humanos Os receptores olfatórios se adaptam em cerca de 50% após o primeiro segundo de estímulo, mas
se adaptam bem mais devagar depois disso.
Ainda assim, pode ocorrer insensibilidade completa a determinados odores fortes após um minuto
de exposição
Aparentemente, a redução da sensibilidade envolve um processo adaptativo também no SNC
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Importante!
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As pesquisas atuais sugerem que cada neurônio olfatório individual contém um único tipo de
receptor olfatório, que responde a uma faixa limitada de moléculas odoríferas. Os axônios das
células com os mesmos receptores convergem para poucos neurônios secundários do bulbo
olfatório, os quais podem modificar a informação antes de enviá-la para o córtex olfatório. O
cérebro utiliza informações provenientes de centenas de neurônios sensoriais olfatórios, em
diferentes combinações, para criar a percepção de muitos odores diferentes, exatamente como
as combinações de letras criam palavras diferentes. Esse é outro exemplo de código populacional
no sistema nervoso
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Curiosidade!
A substância química metilmercaptano, cujo odor é semelhante a repolho estragado e pode ser
detectada em concentrações tão baixas quanto 1/25 bilionésimo de miligrama por mililitro de ar.
Como o gás natural utilizado na cozinha e no aquecimento das casas é inodoro, porém letal e
potencialmente explosivo se for acumulado, um pouco de metilmercaptano é adicionado ao gás
natural para fornecer um aviso olfatório a respeito de vazamentos de gás.
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Vias olfatórias
Em cada lado do nariz, cerca de 40 ramos de axônios delgados e não mielinizados dos receptores
olfatórios se estendem através de cerca de 20 forames olfatórios na lâmina cribriforme do etmoide
Esses cerca de 40 ramos de axônios formam coletivamente os nervos olfatórios ou nervo craniano
I (I) direito e esquerdo
Os nervos olfatórios terminam no encéfalo em massas pareadas de matérias cinzas denominadas
de bulbos olfatórios, os quais estão localizados abaixo dos lobos frontais do cérebro e laterais à
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crista etmoidal do etmoide. Esse nervo olfatório faz sinapse com os neurônios sensoriais Estudos utilizando tomografia por emissão de pósitrons (PET) sugerem algum grau de
secundários no bulbo olfatório. Posteriormente esses neurônios sencundários e de ordem lateralização hemisférica: a área orbitofrontal do hemisfério direito exibe uma atividade maior
superior e projetam do bulbo olfatório, através do trato olfatório, para o córtex olfatório. durante o processamento olfatório]
É nos bulbos olfatórios que os terminais axônicos dos receptores olfatórios formam sinapses com ..........................................................................................................................................................
os dendritos e os corpos celulares dos neurônios do bulbo olfatório na via olfatória
Depois, os axônios dos neurônios do bulbo olfatório se estendem posteriormente e formam o trato
olfatório.
Alguns dos axônios do trato olfatório se projetam para a área olfatória primária do córtex cerebral
(localizada nas faces anterior e média do lobo temporal). Essa é a área olfatória em que começa Obs:
a percepção consciente do cheiro.
Esse arranjo parece muito simples, mas ocorre um processamento complexo antes de os sinais
Outros axônios do trato olfatório se projetam para a amígdala e ao hipocampo, partes do sistema passarem para o córtex. As evidências atuais sugerem que a modulação da informação sensorial
límbico envolvias na emoção e na memória, e para o hipotálamo. Essas conexões contribuem inicia no epitélio olfatório. Um processamento adicional ocorre no bulbo olfatório. Algumas vias
para as nossas respostas emocionais e nossas memórias evocadas por cheiros descendentes de modulação provenientes do córtex terminam no bulbo olfatório, e existem
conexões moduladoras recíprocas dentro e entre os dois bulbos olfatórios.
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Importante!
As sensações olfatórias são as únicas sensações que alcançam o córtex cerebral sem primeiro
fazer sinapse com o tálamo. Ou seja, o trato olfatório não passa pelo tálamo.
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ARTIGO SOBRE RELAÇÃO DO OLFATO COM O SISTEMA LÍMBICO
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A partir da área olfatória primária, outras vias também se estendem para o lobo frontal. É
importante saber que nessa área contem uma região importante para a identificação e a
discriminação dos odores, que é a área orbitofrontal.
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Curiosidade!
Pessoas que sofrem danos na área orbitofrontal apresentam dificuldades na identificação de
odores diferentes
Curiosidade!
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PALADAR
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INTERRELAÇÃO ENTRE OLFATO E PALADAR E VIAS DE ASSOCIAÇÃO
O paladar ou a gustação, assim como o olfato, é um sentido químico. Entretanto, ele é muito mais
simples do que o olfato uma vez que apenas cinco gostos primários podem ser distinguidos:
azedo, doce, amargo, salgado e umami.
O sabor umami, descoberto mais recentemente do que os outros, foi relatado primeiramente por
cientistas japoneses e é descrito como “carnoso” ou “saboroso”. Acreditase que o umami surja a
partir de receptores gustatórios estimulados por Lglutamato e por nucleotídios, substâncias
presentes em muitos alimentos.
O glutamato monossódico (GMS), adicionado a alimentos como intensificador de sabor, confere
o sabor umami aos alimentos. Todos os outros sabores, como chocolate, pimenta e café, são
apenas combinações dos cinco sabores primários, além das sensações olfatória e táteis que
acompanham o alimento.
Os odores dos alimentos podem passar da boca para a cavidade nasal, onde estimulam os
receptores olfatórios. Como o olfato é muito mais sensível do que o paladar, uma dada
concentração de substância alimentar pode estimular o sistema olfatório centenas de vezes mais
intensamente do que ela estimula o sistema gustatório. Quando você está gripado ou sofrendo
por alergia e não consegue sentir o sabor do seu alimento, na realidade é o olfato que está
bloqueado e não o paladar
Estudos recentes demonstraram que existe uma ação direta dos péptidos metabólicos na rede
neuronal olfativa. Péptidos orexigénicos, como a grelina aumentam a sensibilidade olfativa, o que,
por sua vez, diminui as hormonas anorexigénicas, como a insulina e a leptina. Além dos péptidos,
também os nutrientes podem ter um papel na regulação da atividade neuronal, embora pouco
ainda se saiba nesta área. Nutrientes como os hidratos de carbono, aminoácidos e lípidos
poderão ter uma ação na modulação da sensibilidade olfativa, de forma a ajustar os
comportamentos alimentares às necessidades metabólicas