1.
Introdução
A análise sintática é um dos ramos fundamentais da gramática, responsável por identificar e
descrever as funções exercidas pelas palavras ou expressões dentro de uma oração ou período.
Ao compreender as funções sintáticas, torna-se possível interpretar e produzir frases com maior
clareza, coesão e correção. Este trabalho tem como objetivo apresentar e explicar as principais
funções sintáticas da língua portuguesa, com exemplos e observações práticas para facilitar a
compreensão.
2. Objectivos
2.1. Geral
Analisar e compreender as funções sintáticas na língua portuguesa, identificando seus
elementos constituintes, sua classificação e importância na estruturação e interpretação
das orações e períodos, a fim de aprimorar a produção textual e a competência linguística
dos estudantes.
2.2 Específicos
Identificar os principais componentes da estrutura sintática das orações: sujeito,
predicado e complementos;
Distinguir os termos essenciais, integrantes e acessórios da oração segundo a gramática
normativa da língua portuguesa;
Explicar as diferentes classificações do sujeito e suas características sintáticas;
Analisar os tipos de predicado e suas estruturas em contextos diversos;
Reconhecer os objectos directo e indirecto e diferenciá-los dos complementos nominais;
Aplicar os conhecimentos de análise sintática na produção de textos mais claros e coesos;
Desenvolver a capacidade de leitura crítica por meio da análise das relações sintáticas nos
textos escritos.
3. Conceito de Sintaxe e Função Sintática
A língua portuguesa é estruturada em diferentes níveis de análise, sendo a sintaxe um dos mais
relevantes quando se trata da organização das palavras nas frases. A sintaxe é o ramo da
gramática que estuda a disposição e a função das palavras e expressões dentro de uma oração ou
de um período. Ela permite compreender como os elementos linguísticos se relacionam entre si
para formar estruturas coerentes e com sentido.
A unidade básica da sintaxe é a oração, definida como o enunciado que contém, no mínimo, um
verbo (ou uma locução verbal), e que expressa um pensamento completo. Dentro da oração, cada
palavra ou grupo de palavras exerce uma função sintática, ou seja, desempenha um papel
específico na construção do sentido global da frase.
A função sintática não depende apenas da classe gramatical da palavra, mas principalmente da
posição que ela ocupa e da relação que estabelece com os demais termos. Por exemplo:
Na frase: O menino comeu a maçã, a palavra menino é um substantivo que exerce a
função de sujeito (é quem realiza a ação); já a maçã, também substantivo, exerce a
função de objeto direto, pois recebe a ação do verbo comer.
Já em: A maçã foi comida pelo menino, a estrutura muda para a voz passiva, e a maçã
passa a ser o sujeito paciente, enquanto pelo menino é o agente da passiva, ou seja,
quem executa a ação.
A análise das funções sintáticas permite identificar:
Quem pratica ou sofre a ação (sujeito, objeto, agente da passiva);
Qual é o complemento necessário para o sentido de um verbo ou nome (objeto direto,
objeto indireto, complemento nominal);
Que elementos qualificam ou modificam outros (adjuntos);
E até mesmo as chamadas interrupções ou chamadas diretas ao interlocutor (vocativo).
4. Termos Essenciais da Oração
Os termos essenciais da oração são aqueles indispensáveis à construção de uma oração com
sentido completo. São eles: o sujeito e o predicado. Esses dois elementos estabelecem a base
sintática de qualquer oração, já que o predicado expressa algo sobre o sujeito. Abaixo, cada um
será detalhado com explicações e exemplos práticos.
4.1 Sujeito
O sujeito é o termo da oração que geralmente realiza ou sofre a ação verbal, ou ainda, é o ser
sobre o qual se declara algo. Seu núcleo costuma ser um substantivo ou uma palavra com valor
substantivo. O sujeito concorda com o verbo em número e pessoa.
Tipos de sujeito:
Sujeito simples: possui apenas um núcleo.
o Exemplo: A menina chorava.
o Núcleo: "menina".
Sujeito composto: possui dois ou mais núcleos.
o Exemplo: Pedro e João foram à escola.
o Núcleos: "Pedro" e "João".
Sujeito elíptico (ou desinencial): é aquele que está oculto na oração, mas pode ser
identificado pelo contexto ou pela desinência verbal.
o Exemplo: Estudamos muito para a prova. (nós)
o O sujeito está oculto, mas é identificado pela conjugação verbal.
Sujeito indeterminado: ocorre quando não se sabe ou não se quer identificar o agente da
ação. Há duas formas principais:
o Com verbo na 3.ª pessoa do singular + “se” (índice de indeterminação do
pronome):
Exemplo: Vive-se bem aqui.
o Com verbo na 3.ª pessoa do singular e sem sujeito expresso (geralmente com
verbos intransitivos ou de ligação):
Exemplo: Precisa-se de profissionais qualificados.
Sujeito inexistente: presente nas orações com verbos impessoais, onde não há um sujeito
definido.
o Exemplo: Choveu muito ontem.
o Verbos impessoais mais comuns: chover, nevar, fazer (indicando tempo), haver
(no sentido de existir), entre outros.
Observação importante: O verbo "haver" com o sentido de existir é impessoal e fica sempre na
terceira pessoa do singular.
Exemplo correto: Havia muitas pessoas no evento.
4.2 Predicado
O predicado é o termo da oração que contém a ação, estado ou característica atribuída ao
sujeito. Ele sempre se organiza em torno de um verbo (ou locução verbal), e pode ser
classificado de acordo com a natureza desse verbo.
Tipos de predicado:
Predicado verbal: o núcleo é um verbo significativo (verbo que expressa ação). Indica
ação praticada ou sofrida pelo sujeito.
o Exemplo: Os alunos correram no pátio.
o O verbo "correram" expressa ação.
Predicado nominal: o núcleo é um nome (geralmente um adjetivo ou substantivo) que
funciona como predicativo do sujeito, sendo introduzido por um verbo de ligação (ser,
estar, parecer, continuar, tornar-se, entre outros).
o Exemplo: A sala estava cheia.
o Verbo de ligação: "estava"
o Predicativo do sujeito: "cheia"
Predicado verbo-nominal: possui dois núcleos: um verbo significativo e um predicativo
(do sujeito ou do objeto). Expressa, ao mesmo tempo, uma ação e uma qualificação.
o Exemplo: O atleta chegou cansado.
o Verbo de ação: "chegou"
o Predicativo do sujeito: "cansado"
5. Termos Integrantes da Oração
Os termos integrantes da oração são aqueles que complementam o sentido de verbos e nomes,
sendo indispensáveis para a compreensão total de certas estruturas. Ao contrário dos termos
acessórios (que são dispensáveis), os termos integrantes são obrigatórios em muitos casos para
que a oração tenha sentido completo.
Os principais termos integrantes são:
Objeto direto;
Objeto indireto;
Complemento nominal;
Agente da passiva.
5.1 Objeto Direto
O objeto direto é o termo que completa o sentido de verbos transitivos diretos, ou seja, verbos
que exigem complemento, mas sem preposição obrigatória. O objeto direto geralmente indica o
ser que sofre ou recebe a ação verbal.
Exemplos:
Ela comprou um vestido novo.
o Verbo: comprar (transitivo direto)
o Objeto direto: "um vestido"
O aluno fez o trabalho com atenção.
o Objeto direto: "o trabalho"
5.2 Objeto Indireto
O objeto indireto complementa verbos transitivos indiretos, ou seja, verbos que exigem
complemento com preposição obrigatória. Ele indica geralmente o destinatário, o meio ou a
causa de uma ação verbal.
Exemplos:
Ela precisa de ajuda.
o Verbo: precisar (transitivo indireto)
o Objeto indireto: "de ajuda"
João gostava de música clássica.
o Objeto indireto: "de música clássica"
Observação: O objeto indireto é frequentemente introduzido por preposições como: de, em,
para, por, com, entre outras.
Dica prática: O verbo “precisar” exige preposição quando tem sentido de “necessitar”.
Ex.: Precisamos de tempo. ✔
Ex.: Precisamos tempo. ✘
5.3 Complemento Nominal
O complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo
ou advérbio) que exige complemento para que sua significação fique completa. Ele é sempre
precedido de preposição e nunca se refere ao sujeito da oração.
Exemplos:
Temos medo de altura.
o Nome: medo (substantivo abstrato)
o Complemento nominal: "de altura"
Estava orgulhoso do filho.
o Adjetivo: orgulhoso
o Complemento nominal: "do filho"
Ele agiu favoravelmente à proposta.
o Advérbio: favoravelmente
o Complemento nominal: "à proposta"
Diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal:
O complemento nominal complementa um nome abstrato e nunca pratica a ação.
O adjunto adnominal é normalmente ligado ao substantivo concreto e pode praticar a ação.
5.4 Agente da Passiva
O agente da passiva é o termo que realiza a ação em orações na voz passiva analítica. Ele é
sempre precedido pela preposição “por” ou suas variantes (“pelo”, “pela”, etc.).
Exemplos:
O prêmio foi entregue pela professora.
o Verbo: foi entregue (voz passiva)
o Agente da passiva: "pela professora"
As flores foram colhidas por João.
o Agente da passiva: "por João"
5. Termos Acessórios da Oração
Os termos acessórios da oração são aqueles que não são essenciais para a construção do
enunciado básico, mas que enriquecem a oração, oferecendo informações adicionais como
qualidades, circunstâncias ou ênfase. Apesar de serem dispensáveis na estrutura mínima de uma
oração, os termos acessórios têm um papel importante na clareza, expressividade e precisão da
comunicação.
Os principais termos acessórios são:
Adjunto adnominal;
Adjunto adverbial;
Aposto;
Vocativo.
6.1 Adjunto Adnominal
O adjunto adnominal é um termo acessório que acompanha e modifica um substantivo,
atribuindo-lhe características, especificações ou determinando-o.
Pode ser representado por:
Artigos (o, a, os, as),
Adjetivos,
Locuções adjetivas,
Pronomes adjetivos,
Numerais,
Locuções determinativas.
Exemplos:
As flores vermelhas da estufa são lindas.
o Adjunto adnominal: "As", "vermelhas", "da estufa" (todos ligados ao substantivo
"flores").
Meu irmão mais novo viajou.
o "Meu" e "mais novo" são adjuntos adnominais ligados a "irmão".
6.2 Adjunto Adverbial
O adjunto adverbial é o termo que modifica o sentido do verbo, do adjetivo ou até mesmo de
outro advérbio, indicando alguma circunstância: tempo, lugar, modo, causa, intensidade,
finalidade, instrumento, condição, entre outras.
Exemplos:
Ela saiu cedo.
o Indica tempo (quando?) ⇒ adjunto adverbial de tempo.
Os meninos correram no pátio.
o Indica lugar (onde?) ⇒ adjunto adverbial de lugar.
Ele agiu com cuidado.
o Indica modo (como?) ⇒ adjunto adverbial de modo.
Principais circunstâncias expressas por adjuntos adverbiais:
Tempo (ontem, amanhã, à tarde...)
Lugar (aqui, em casa, na escola...)
Modo (rapidamente, com calma...)
Causa (por medo, por raiva...)
Finalidade (para estudar, a fim de trabalhar...)
Instrumento (com a caneta, de faca...)
Intensidade (muito, pouco, bastante...)
Negação (não, jamais...)
Afirmação (sim, certamente...)
6.3 Aposto
O aposto é um termo acessório que explica, especifica, resume, enumera ou desenvolve outro
termo da oração, geralmente um substantivo. O aposto pode aparecer entre vírgulas, dois-pontos,
parênteses ou travessões.
Tipos de aposto:
Explicativo: esclarece um termo anterior.
o Exemplo: Moçambique, país da África Austral, tem belas paisagens.
Especificativo: restringe ou identifica com precisão um nome próprio.
o Exemplo: O poeta Camões é admirado até hoje.
Enumerativo: enumera elementos relacionados ao termo anterior.
o Exemplo: Ela comprou tudo: livros, cadernos, lápis e borrachas.
Resumidor: retoma vários termos com um resumo.
o Exemplo: Livros, cadernos, canetas, lápis, tudo foi comprado.
Distributivo: distribui elementos mencionados.
o Exemplo: Uns, leram; outros, escreveram.
7. Considerações Sobre Análise Sintática
A análise sintática é uma das etapas mais importantes no estudo da gramática, pois permite
compreender a estrutura interna das orações e as relações entre os seus elementos. Vai além
da simples identificação de termos: ela proporciona ao estudante uma visão ampla sobre como o
idioma funciona e como as palavras se organizam para transmitir ideias de forma clara, lógica e
coerente.
Dominar a análise sintática não é apenas saber nomear funções como sujeito, objeto ou adjunto.
É compreender os mecanismos de construção de sentido por trás das frases, o que fortalece
significativamente a capacidade de comunicação, interpretação e produção textual.
7.1 Importância da Análise Sintática na Comunicação
A comunicação eficaz depende da estrutura correta das orações. Frases mal estruturadas
podem gerar ambiguidade, incoerência ou confusão. A análise sintática ajuda a:
Evitar equívocos na linguagem falada e escrita;
Construir períodos mais claros e bem organizados;
Aprimorar a leitura e a interpretação de textos complexos.
Exemplo de ambiguidade resolvida com a análise sintática:
Frase ambígua: Vi o homem com binóculos.
o Quem está com os binóculos? Eu ou o homem?
o Análise sintática pode esclarecer:
Com os binóculos, vi o homem. (Eu estou com os binóculos)
Vi o homem que estava com binóculos. (O homem está com os binóculos)
7.4 Vocativo
O vocativo é um termo acessório que tem a função de interpelar ou chamar o interlocutor. Ele
é independente sintaticamente da oração, mas estabelece uma relação direta com quem ou com o
que se fala. Aparece quase sempre entre vírgulas.
Exemplos:
Maria, venha aqui!
Escute, rapaz, o que estou dizendo.
Por favor, senhores, entrem!
Importante: O vocativo não exerce nenhuma função no predicado nem no sujeito. Serve apenas
para destacar ou nomear diretamente a pessoa a quem se dirige a fala.
8. Conclusão
As funções sintáticas organizam a estrutura da oração e garantem a coerência da comunicação.
Por meio delas, é possível compreender a relação entre as palavras e os sentidos que essas
relações transmitem. O domínio da sintaxe não se limita à gramática normativa; ele contribui
para a eficiência da comunicação escrita e falada, sendo indispensável no contexto educacional e
profissional.
9. Referências Bibliográficas
Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH).
Livro de Língua Portuguesa – 9ª Classe. Maputo: INDE, 2017.
Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH).
Livro de Língua Portuguesa – 10ª Classe. Maputo: INDE, 2016.
Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE).
Plano Curricular do Ensino Secundário Geral. Maputo: INDE, 2012.
Domingos, Samuel; Muanha, Paula.
Língua Portuguesa – 11ª Classe (Manual do Aluno). Maputo: Plural Editores, 2017.
Nhantumbo, Carlitos; Francisco, Lídia.
Língua Portuguesa – 12ª Classe (Manual do Aluno). Maputo: Plural Editores, 2018.