REPÚBLICA DE ANGOLA
GOVERNO PROVINCIAL DA HUÍLA
GABINETE PROVINCIAL DA EDUCAÇÃO DA HUÍLA
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE INTEGRAL
ITPSI - LUBANGO
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
ANTEPROJECTO TECNOLÓGICO
ESTUDO DE CASO: EM PACIENTES COM AUTO RISCO
OBSTÉTRICOS NO HOSPITAL MATERNIDADE IRENE NETO, NO
PERÍODO DE JANEIRO À MARÇO DE 2025
ORIENTADOR LIC. HIGINO OSÓRIO
LUBANGO 2024 / 2025
INSTITUTO TÉCNICO DE SAÚDE PRIVADO INTEGRAL
ITSPI- LUBANGO
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
ESTUDO DE CASO: EM PACIENTES COM AUTO RISCO
OBSTÉTRICOS NO HOSPITAL MATERNIDADE IRENE NETO,
NO PERÍODO DE JANEIRO À MARÇO DE 2025
Autoras:
Balbina Jaime Tchicambe Constantino
Jacilina Kämia Moisés Tchimbuenga
Julia Kalumbo Ochoa Chindupo
Juliana Candeia Kaveto Gabriel
Milca Irene de Lurdes Bernardo
Paciência Neomi Sangongue
Projecto de conclusão de curso
apresentado sob forma de Prova de
Aptidão profissional ao Instituto
Técnico Privado de saúde Integral
como requisito parcial para a obtenção
do título de Técnico Médio de
Enfermagem Geral, sob Orientação
científica do Professor Lic. Higino
Osório
LUBANGO 2024 / 2025
ÍNDICE
DEDICATÓRIAS..........................................................................................................................5
AGRADECIMENTOS...................................................................................................................7
LISTA DE FIGURAS....................................................................................................................8
LISTA DE ABREVIATURAS......................................................................................................9
RESUMO.....................................................................................................................................10
Abstract........................................................................................................................................11
INTRODUÇÃO............................................................................................................................12
JUSTIFICATIVA.........................................................................................................................13
PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO...........................................................................................13
OBJECTIVOS..............................................................................................................................14
Objectivos Específicos.............................................................................................................14
1.1. Definição e Conceitos..................................................................................................16
1.2. Avaliação Pré-Concepcional........................................................................................16
1.3. Humanização da Assistência Obstétrica.......................................................................17
1.4. Sinais e sintomas do alto risco obstetrico.....................................................................19
1.5. Causas...........................................................................................................................19
1.6. Factores de Risco..........................................................................................................20
Os marcadores e factores de risco gestacionais presentes anteriormente à gestação se dividem
em:............................................................................................................................................21
1.7. Complicações...............................................................................................................23
1.8. Diagnostico...................................................................................................................24
1.9. Cuidados.......................................................................................................................25
1.11. Actuação Do Enfermeiro No Alto Risco Obstétrico................................................26
1.12. Avaliação do auto risco obstétrico...........................................................................27
1.13 O papel da gestante no mane jo do risco..................................................................27
1.14 Atendimento a Gestantes com Auto Risco Obstétrico.................................................28
1.15 Benefícios do acompanhamento a gestantes com Auto Risco Obstétrico................28
1.16 Diagnóstico precoce de problemas...............................................................................28
1.17 Princípios Éticos...........................................................................................................29
2 Metodologia.....................................................................................................................30
2.1 Tipo de estudo................................................................................................................30
2.2 Pesquisa Bibliográfica..............................................................................................30
2.3 Critérios de Inclusão e Exclusão..............................................................................30
2.4 Pesquisa de Campo...................................................................................................30
2.6 Procedimentos Éticos...............................................................................................31
CAPÍTULO III – ABORDAGEM PRATICA.............................................................................32
3.1. Nota de admissão de Enfermagem (PROCESSO).......................................................32
3.2. Anaminese principais queixas......................................................................................32
3.2.1. Historia clinica...........................................................................................................32
3.2.2. Antecedentes pessoais..........................................................................................32
3.2.3. Antecedentes familiares.............................................................................................32
3.3. Diagnostico médico......................................................................................................32
3.4. Tratamento terapêutico.................................................................................................32
3.5. Cuidados de enfermagem.............................................................................................32
3.5.1. Cuidados (avaliação dos sinais vitais)..................................................................32
3.6. Nota de evolução diária durante 5 dias, nota de alta médica ou óbito.........................32
CONCLUSÃO E SUGESTÕES..................................................................................................33
4. CONCLUSÃO..................................................................................................................34
5. SUGESTÕES...................................................................................................................35
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................................36
APÊNDICE..................................................................................................................................40
DEDICATÓRIAS
Dedicatória 1
Dedico este trabalho de fim de curso primeiramente a Deus aos meus pais pelo
amor incondicional na minha formação ao meu futuro marido que deu sempre
aquele apoio aos meus familiares que deram aquela força aos meus colegas e
professores que ensinarão -me incansavelmente e a todos q indirectamente
ajudaram o meu muito obrigado.
Júlia Kalumbo Ochoa
Chindupo
Dedicatória 2
Dedico este trabalho de fim do curso, primeiramente a Deus pai todo poderoso
pela dádiva da vida, posteriormente a senhora Josefa Esperança Kaveto
«Mãe» e ao senhor José Irineu Kaveto «Tio» que sempre foram o motivo de
tanto esforço empenho e dedicação durante a minha jornada académica á
busca do conhecimento e a todas as pessoas que contribuíram directa ou
indirectamente para que esse trabalho tivesse corpo, a todos o meu muito
obrigado
Juliana Candeia Kaveto
Gabriel
Dedicatória 3
Primeiro lugar a gradeço a Deus pela vida e saúde diva por todo quanto Deus
tem feito em minha vida. Gradeço aos meus pais pelo apoio incondicional ao
longo destes 4 anos porque foi uma caminhada que parecia não terminar só
mim resta gradece Dedico este trabalho de final de curso primeiro a todas as
pessoas que acreditaram em mim e me apoiaram ao longo da minha jornada. À
minha família, pelo amor incondicional; aos amigos, pela força e inspiração; e a
todos que me ensinaram a nunca desistir dos meus sonhos e especialmente o
meu clássico.
Jaciliny
[Link]
Dedicatória 4
Dedico este trabalho de fim de curso, à Deus todo-poderoso por estar sempre
no comando da minha vida e pela saúde, Agradeço aos meus avós paternos e
maternos por mim dar os melhores pais sem eles este trabalho e os meus
sonhos não conseguiria realizar e a chegar até aqui, e, é através deles que eu
só o que mi tornei hoje, agradeço aos professores que bom contar com os seus
ensinamentos e boa vontade aos meus familiares pelo apoio incondicional e às
pessoas que convivi ao longo do espaço desses longos anos, a todos meu
muito obrigado!
Milca Irene de Lurdes
Bernardo
Dedicatória 5
Dedico este trabalho de final de curso, Primeiramente, a Deus, por toda a graça
e luz que iluminaram este percurso e por me fortalecer nestes momentos. A
este trabalho dedico-me, com o coração grato pela jornada e pela oportunidade
de aprender e crescer. Aos "Meus queridos pais, vocês são a fonte inesgotável
de amor, paciência e sabedoria. Agradeço por serem meus pilares e me
guiarem pelos caminhos certos, mesmo quando eu não sabia para onde ir. Aos
meus professores, pela sabedoria e orientação; aos meus amigos, pelo apoio
incondicional; e aos meus colegas, pelo companheirismo e pela troca de
experiências. Amo vocês de coração. Sem esquecer ah Minha Cassongo
Belma.
Paciência Neomi Sangongue
Dedicatória 6
Consagre ao Senhor tudo que você faz e os seus planos serão bem-sucedidos
“ provérbios 16:3
Dedico este trabalho de fim de curso primeiramente a Deus e aos meus pais
por nunca desistirem de mim, ao meu Eng. pelo apoio incondicional a minha
família por apoiaram-me sempre que fosse necessário aos meus professores
aos colegas por tornarem essa caminhada mais leve
A todos, gratidão
Balbina
Constantino
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por me proporcionar saúde, aos meus estimados professores
por darem de si incansavelmente o seu tempo, energia, esforço, dedicação
para que se tornasse verdade a nossa formação.
Agradeço aos meus familiares pela ajuda financeira, emocional e moral.
Agradeço aos colegas por estarem sempre comigo e ajudar a compreender
melhor a matéria fora da sala de aulas.
Agradeço de igual modo a todos aqueles que directamente ou indirectamente
contribuíram neste trabalho e incentivaram-me a prosseguir com a minha
formação.
Muito obrigada!
LISTA DE ABREVIATURAS
IMC – Índice de Massa Corporal
RPM - Rotura prematura de membranas
IV – Intravenosa
IM - Intramuscular
VO - Vial Oral
OMS – Organização Mundial da Saúde
CP – Comprimido
RESUMO
Trata-se de uma revisão integrativa, que buscou evidenciar e discutir os
principais cuidados de enfermagem a gestantes de alto risco, bem como suas
contribuições para a prática assistencial. De forma geral, a gravidez ocorre sem
grandes problemas, se pensarmos na reprodução como um evento fisiológico
da mulher. Porém, nem sempre ela acontece de forma natural e não
patológica. Algumas gestações são consideradas de alto risco obstétrico e
requerem maiores cuidados dos profissionais de saúde na assistência à
gestante, tanto no pré-natal, quanto na maternidade. A gestação de alto risco é
caracterizada por algum distúrbio ameaçador à saúde da mãe e/ou do feto. As
produções científicas voltadas à temática da actuação de enfermagem num
sector de alto risco obstétrico foram delimitadas como objecto de estudo, tendo
como bases algumas questões norteadoras: como a produção científica pode
fundamentar a assistência? Quais são as principais actividades desenvolvidas
pelo enfermeiro na gestação de alto risco? Tem por objectivo identificar a
produção de conhecimento da enfermagem em relação aos cuidados de
enfermagem na gestação de alto risco e fundamentar a prática baseada em
evidências científicas. É necessário o fomento à pesquisa nessa temática, a fim
de criar evidências científicas para nortear o cuidado da enfermagem
obstétrica. Ressalta-se a importância de realizar outras pesquisas relacionadas
à implementação da sistematização de assistência a gestantes de alto risco,
para possibilitar uma melhora na qualidade do cuidado e desenvolver as etapas
do processo de enfermagem, com a implementação dos cuidados e avaliação
dos resultados.
Palavras-chave: Gestação de alto risco; Pré-natal; Enfermagem Obstétrica,
Gravidez de alto risco, Cuidados de Enfermagem.
ABSTRACT
This is an integrative review that aimed to highlight and discuss the main
nursing care practices for high-risk pregnant women, as well as their
contributions to clinical practice.
In general, pregnancy occurs without major complications when we consider
reproduction as a physiological event in a woman's life. However, it does not
always happen naturally or without pathology. Some pregnancies are
considered to be of high obstetric risk and require greater attention from
healthcare professionals during both prenatal care and hospitalization.
High-risk pregnancy is characterized by some condition that poses a threat to
the health of the mother and/or fetus. Scientific studies focused on nursing
performance in high-risk obstetric settings were selected as the object of study,
guided by the following key questions: How can scientific literature support
clinical practice? What are the main activities performed by nurses during high-
risk pregnancies?
The objective is to identify the body of nursing knowledge regarding care in
high-risk pregnancies and to support evidence-based practice. It is necessary to
promote research on this topic in order to build scientific evidence to guide
obstetric nursing care.
The importance of conducting further research on the implementation of the
systematization of care for high-risk pregnant women is emphasized, in order to
improve the quality of care and to support the development of the nursing
process, including care implementation and outcome evaluation.
Keywords: High-risk pregnancy; Prenatal care; Obstetric nursing; High-risk
gestation; Nursing care.
INTRODUÇÃO
A assistência de enfermagem desempenha um papel essencial na promoção
da saúde materno fetal, especialmente em gestantes classificadas como de
alto risco obstétrico. Esse grupo inclui mulheres com condições médicas pré-
existentes ou adquiridas durante a gestação, como hipertensão arterial,
diabetes gestacional e pré-eclâmpsia, que aumentam significativamente a
probabilidade de complicações maternas e neonatais (WHO, 2022).
A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2022) destaca que cerca de 15% das
gestações são consideradas de alto risco, exigindo acompanhamento contínuo
e intervenções especializadas. A enfermagem obstétrica, dentro desse
contexto, exerce funções que vão desde a triagem precoce até a
implementação de medidas preventivas para reduzir a morbimortalidade
materno-infantil (ICN, 2020).
A assistência pré-natal desempenha um papel crucial na mitigação de riscos,
na prevenção de doenças e na promoção da saúde tanto da mulher quanto da
criança. Seu principal objectivo é detectar precocemente tais riscos potenciais
e fornecer o cuidado apropriado para gerenciá-los, prevenindo, assim, as
mortes maternas e infantis ou reduzindo os riscos de sua ocorrência (GARCIA,
2019). O acompanhamento do pré-natal de alto risco deve ser conduzido por
enfermeiros, que integram a equipe multiprofissional, por meio de iniciativas
voltadas para a prevenção e tratamento das condições mórbidas que afectam
tanto a mãe quanto o feto, além de oferecerem orientações sobre parto normal,
amamentação e puerpério (JORGE, SILVA, & MAKUCH, 2020).
A gravidez considerada de alto risco é uma experiência extremamente
estressante, portanto, um apoio e cuidado adequados, tanto psicológicos
quanto físicos, são essenciais para essas gestantes, exigindo uma equipe
preparada, empática e paciente (SANTOS, 2016).
JUSTIFICATIVA
A mortalidade materna ainda é um desafio significativo em diversos países,
especialmente em contextos de baixa e média renda, onde a assistência pré-
natal é muitas vezes insuficiente (ACOG, 2021). O fortalecimento das práticas
de enfermagem pode contribuir directamente para a redução de complicações
e para um atendimento mais humanizado.
Além disso, compreender e aprimorar os cuidados de enfermagem prestados a
gestantes de alto risco permite a implementação de protocolos mais eficazes,
beneficiando tanto os profissionais quanto as pacientes. Assim, o presente
trabalho se torna relevante para a formação académica e profissional na área
da saúde, possibilitando a ampliação do conhecimento sobre assistência
obstétrica de qualidade.
PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO
Diante do problema identificado sobre os cuidados de enfermagem em
pacientes que apresentam alto risco obstétrico no Hospital Materno Infantil
Irene Neto, de acordo aos relatos a um grande aumento de casos de risco
obstétrico nas gestantes, movidos pelo crescente número de mulheres com
esse problema de saúde, tivemos a motivação que originou a seguinte
pergunta de partida:
Como os cuidados de enfermagem podem contribuir para a redução das
complicações materno-fetais em gestantes de alto risco?
OBJECTIVOS
Os objectivos são declarações claras e objectivas de que se deseja obter
fornecendo direcção e foco para as actividades (Lansky, 2014).
OBJECTOVO GERAL
Analisar a situação da enfermagem na assistência a gestante com alto risco
obstétrico.
Objectivos Específicos
Identificar os principais factores de risco associados às gestações de
alto risco.
Descrever as estratégias de cuidado e monitoramento utilizadas pela
equipe de enfermagem.
Avaliar a eficácia das intervenções de enfermagem na redução de
complicações materno-fetais.
CAPÍTULO I – REFERENCIAL TEÓRICO
1.1. Definição e Conceitos
Gestação
A gestação é um fenómeno fisiológico e deve ser vista pelas gestantes e
equipes de saúde como parte de uma experiência de vida saudável envolvendo
mudanças dinâmicas do ponto de vista físico, social e emocional. Entretanto,
trata-se de uma situação limítrofe que pode implicar riscos tanto para a mãe
quanto para o feto e há um determinado número de gestantes que, por
características particulares, apresentam maior probabilidade de evolução
desfavorável, são as chamadas 'gestantes de alto risco (Brasil, 2024).
Gestão Obstétrica
Conjunto de práticas e cuidados para monitorar e intervir na gestação, parto e
pós-parto, visando a segurança materno-fetal (OMS, 2018).
Embora os esforços dos cientistas para criar um sistema de pontuação e
tabelas para discriminar as gestantes de alto risco das de baixo risco não
tenham gerado nenhuma classificação capaz de predizer problemas de
maneira acurada, existem factores de risco conhecidos mais comuns na
população em geral que devem ser identificados nas gestantes, pois podem
alertar a equipe de saúde no sentido de uma vigilância maior com relação ao
eventual surgimento de factor complicador (Regan & Rai, 2000).
Gestação de Alto Risco
Gestação de Alto Risco é “aquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do
feto e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da
média da população considerada”. (CALDEYRO-BARCIA, 1973).
A gravidez de alto risco é definida como aquela em que existem factores que
aumentam significativamente o risco de complicações para a mãe e/ou para o
feto ( ACOG, 2019).
Aborto
Aborto ou interrupção da gravidez é a interrupção de uma gravidez resultante
da remoção de um feto ou embrião antes de este ter a capacidade de
sobreviver fora do útero. Um aborto que ocorra de forma espontânea
denomina-se aborto espontâneo ou "interrupção involuntária da gravidez". Um
aborto deliberado denomina-se "aborto induzido" ou "interrupção voluntária da
gravidez". Nos casos em que o feto já é capaz de sobreviver fora do útero, este
procedimento denomina-se "interrupção tardia da gravidez (WHO, 2020)
1.2. Avaliação Pré-Concepcional
Entende-se por avaliação pré-concepcional a consulta que o casal faz antes
de uma gravidez, objectivando identificar factores de risco ou doenças que
possam alterar a evolução normal de uma futura gestação. Constitui, assim,
instrumento importante na melhoria dos índices de morbidade e mortalidade
materna e infantil (WHO, 2015).
Ainda não podemos esperar, por parte das mulheres, expressiva percentagem
de procura espontânea para essa actividade. Mas, enquanto profissionais de
saúde, podemos motivá-las para essa avaliação em momentos distintos de
educação em saúde, em consultas médicas, ou de enfermagem, não
esquecendo de motivar especialmente as adolescentes (WHO, 2017).
Sabe-se que pelo menos metade das gestações não são inicialmente
planejadas, embora possam ser desejadas. Entretanto, em muitas ocasiões, o
não planeamento deve-se à falta de orientação ou de oportunidade para a
aquisição de um método anticoncepcional, e isso ocorre comumente com as
adolescentes. Faz-se necessário, portanto, a implementação da atenção em
planeamento familiar, num contexto de escolha livre e informada, com
incentivo à dupla protecção (prevenção da gravidez e do HIV e outras DST),
nas consultas médicas e de enfermagem, nas visitas domiciliares, durante as
consultas de puericultura, puerpério e nas actividades de vacinação (UNFPA,
2018).
1.3. Humanização da Assistência Obstétrica
O conceito de atenção humanizada é amplo e envolve um conjunto de
conhecimentos, práticas e atitudes que visam a promoção do parto e do
nascimento saudáveis e a prevenção da morbimortalidade materna e perinatal.
Inicia-se no pré-natal e procura garantir que a equipe de saúde realize
procedimentos comprovadamente benéficos para a mulher e o bebé, que evite
as intervenções desnecessárias e que preserve sua privacidade e autonomia
(Organização Mundial da Saúde, 2018).
A gravidez e o parto são eventos sociais que integram a vivência reprodutiva
de homens e mulheres. Este é um processo singular, uma experiência
especial no universo da mulher e de seu parceiro, que envolve também suas
famílias e a comunidade. A gestação, parto e puerpério constituem uma
experiência humana das mais significativas, com forte potencial positivo e
enriquecedora para todos que dela participam (Merighi & Freitas, 2003).
Os profissionais de saúde são, coadjuvantes desta experiência e
desempenham importante papel. Têm a oportunidade de colocar seu
conhecimento a serviço do bem-estar da mulher e do bebé, reconhecendo os
momentos críticos em que suas intervenções são necessárias para assegurar
a saúde de ambos. Podem minimizar a dor, ficar ao lado, dar conforto,
esclarecer, orientar, enfim, ajudar a parir e a nascer. Precisam lembrar que
são os primeiros que tocam cada ser que nasce e ter consciência dessa
responsabilidade. (Carvalho & Bosi, 2015)
A assistência pré-natal pressupõe avaliação dinâmica das situações de risco e
prontidão para identificar problemas de forma a poder actuar, a depender do
problema encontrado, de maneira a impedir um resultado desfavorável. A
ausência de controlo pré-natal, por si mesma, pode incrementar o risco para a
gestante ou o recém-nascido (Silva & Carvalho, 2017).
É importante alertar que uma gestação que está transcorrendo bem pode se
tornar de risco a qualquer momento, durante a evolução da gestação ou
durante o trabalho de parto. Portanto, há necessidade de reclassificar o risco a
cada consulta pré- natal e durante o trabalho de parto. A intervenção precisa e
precoce evita os retardos assistenciais capazes de gerar morbidade grave,
morte materna ou perinatal (Souza, 2013).
Existem vários tipos de factores geradores de risco gestacional. Alguns desses
factores podem estar presentes ainda antes da ocorrência da gravidez. Sua
identificação nas mulheres em idade fértil na comunidade permite orientações
às que estão vulneráveis no que concerne ao planeamento familiar e
aconselhamento pré-concepcional. Assim, é importante que as mulheres em
idade reprodutiva, especialmente aquelas em situações de vulnerabilidade,
tenham acesso aos serviços de saúde e oportunidade de estar bem informadas
e na melhor condição física possível antes de engravidar. Como exemplo
podemos citar uma mulher diabética, que deve estar bem controlada antes de
engravidar (WHO, 2015).
Os factores de risco gestacional podem ser prontamente identificados no
decorrer da assistência pré-natal desde que os profissionais de saúde estejam
atentos a todas as etapas da anamnese, exame físico geral e exame gineco-
obstétrico e podem ainda ser identificados por ocasião da visita domiciliar,
razão pela qual é importante a coesão da equipe (Leal, 2020).
Características ou circunstâncias que levam a uma probabilidade maior da
mulher e do recém-nascido desenvolverem complicações que favoreçam o
óbito, necessitando de acções de maior complexidade (WHO, 2015).
Para que a gravidez transcorra com segurança, são necessários cuidados da
própria gestante, do parceiro, da família e, especialmente, dos profissionais de
saúde. (Leal, 2019).
A atenção básica na gravidez inclui a prevenção, a promoção da saúde e o
tratamento dos problemas que ocorrem durante o período gestacional e após
parto (Starfield, 2002)
Melhorar a assistência à saúde, convém ressaltar, depende também da
atenção que cada profissional dedica à sua paciente (Cecílio, 2009).
Cabe à equipe de saúde, ao entrar em contacto com uma mulher gestante, na
unidade de saúde ou na comunidade, buscar compreender os múltiplos
significados da gestação para aquela mulheres sua família (Ayres, 2004).
O contexto de cada gestação é determinante para o seu desenvolvimento bem
como para a relação que a mulher e a família estabelecerão com a criança
desde as primeiras horas após o nascimento. Interfere, também, no processo
de amamentação e nos cuidados com a criança e com a mulher. Um contexto
favorável fortalece os vínculos familiares, condição básica para o
desenvolvimento saudável do ser humano (Tardif, 2009).
Assim, a história que cada mulher grávida traz deve ser acolhida integralmente,
a partir do relato da gestante e de seus acompanhantes (Schraiber, 2003).
São também parte desta história os fatos, emoções ou sentimentos percebidos
pelos membros da equipe envolvida no pré-natal (Ayres, 2004).
Contando sua história, as grávidas esperam partilhar experiências e obter
ajuda. Assim, a assistência pré-natal torna-se um momento privilegiado para
discutir e esclarecer questões que são únicas para cada mulher e seu parceiro,
aparecendo de forma individualizada, até mesmo para quem já teve outros
filhos. Temas tabus, como a sexualidade, poderão suscitar dúvidas ou
necessidade de esclarecimentos (Diniz, 2005).
O diálogo franco, a sensibilidade e a capacidade de percepção de quem
acompanha o pré-natal são, condições básicas para que o saber em saúde
seja colocado à disposição da mulher e sua família – atores principais da
gestação e parto (Deslandes, 2006).
1.4. Sinais e sintomas do alto risco obstétrico
Quanto aos sintomas, nesta fase, eles são muito subtis e quase podem não ser
sentidos. Porém, algumas mulheres podem registar alguma pressão na zona
da pélvis e nas ancas, assim como um aumento na vontade de urinar
(Fetalmed, 2023).
1.5. Causas
O risco pode ser classificado como alto risco ou baixo risco, dependendo das
condições clínicas e sociais da mulher e do bebé (Leal, 2020).
O corpo da mulher gestante sofre grandes transformações para que o
crescimento do bebé, que por sua vez, também espera-se que sua formação
seja saudável, sem anomalias ou doenças, entretanto, algumas causas estão
associadas à gestação de alto risco, como as listadas a seguir:
Portadoras de doenças cardíacas como hipertensão;
Disfunções da tireóide;
Doenças pulmonares;
Infecções, dentre elas as sexualmente transmissíveis, urinária;
Toxoplasmose;
Problemas de coagulação que levam à formação de trombos
(tromboembólicos);
Gestação gemelar ou múltipla;
Diagnóstico de malformação congénita fetal;
Alterações cromossómicas;
Redução e dilatação do colo uterino durante a gestação (insuficiência
istmo-cervical);
Rotura prematura de membranas ovulares precoce (RPM);
Trabalho de parto prematuro;
Pré eclâmpsia (hipertensão gestacional);
Diabetes, incluindo a diabetes gestacional;
Baixa imunidade da gestante;
Consumo de álcool, cigarro e drogas antes e durante a gestação;
Peso acima ou abaixo do esperado durante o período gestacional;
Mulheres que tiveram 5 ou gestações anteriores;
Complicações na gravidez anterior (Brasil, 2012).
Portanto, perceba que as causas que levam a uma gestação de alto risco não
necessariamente surgem no início da gravidez e que, mesmo uma mulher
saudável, se não tomar os cuidados necessários nas próximas 36 a 40
semanas, pode vir a desenvolver complicações para si e para o bebé (Rezende
& Montenegro, 2018).
1.6. Factores de Risco
Para implementar as actividades do controle pré-natal, é necessário identificar
os riscos aos quais cada gestante está exposta. Isso permitirá a orientação e
os encaminhamentos adequados em cada momento da gravidez. É
indispensável que essa avaliação do risco seja permanente, ou seja, aconteça
em toda consulta ( Santos & Oliveira, 2019).
A avaliação de risco não é tarefa fácil. O conceito de risco está associado ao
de probabilidades, e o encadeamento entre um factor de risco e um dano nem
sempre está explicitado. Os primeiros sistemas de avaliação de risco foram
elaborados com base na observação e experiência dos seus autores e só
recentemente têm sido submetidos a análises, persistindo, ainda, dúvidas
sobre sua efectividade como discriminadores. Os sistemas que utilizam pontos
ou notas sofrem, ainda, pela falta de exactidão do valor atribuído a cada factor
e a associação entre eles, assim como a constatação de grandes variações de
acordo com sua aplicação a indivíduos ou populações. Assim, a realidade
epidemiológica local deverá ser levada em consideração para dar maior ou
menor relevância aos factores mencionados no quadro sobre factores de risco
para a gravidez actual ( Mendes, 2017).
Da mesma forma, a caracterização de uma situação de risco não implica
necessariamente referência da gestante para acompanhamento em pré-natal
de alto risco. As situações que envolvem factores clínicos mais relevantes
(risco real) e/ou factores preveníeis que demandem intervenções mais
complexas devem ser necessariamente referenciadas, podendo, contudo,
retornar ao nível primário, quando se considerar a situação resolvida e/ou a
intervenção já realizada ( Santos & Oliveira, 2019).
De qualquer maneira, a unidade básica de saúde deve continuar responsável
pelo seguimento da gestante encaminhada a um nível de maior complexidade
no sistema. Na classificação a seguir, são apresentadas as situações em que
deve ser considerado o encaminhamento ao pré-natal de alto risco ou
avaliação com especialista ( Santos & Oliveira, 2019).
Os marcadores e factores de risco gestacionais presentes
anteriormente à gestação se dividem em:
1. Características individuais e condições sociodemográficas
desfavoráveis:
Idade maior que 35 anos;
Idade menor que 15 anos ou menarca há menos de 2 anos*;
Altura menor que 1,45m;
Peso pré-gestacional menor que 45kg e maior que 75kg (IMC<19 e
IMC>30);
Anormalidades estruturais nos órgãos reprodutivos;
Situação conjugal insegura;
Conflitos familiares;
Baixa escolaridade;
Condições ambientais desfavoráveis;
Dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
Hábitos de vida – fumo e álcool;
Exposição a riscos ocupacionais: esforço físico, carga horária,
rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e
biológicos nocivos, estresse (Souza & Lima, 2017).
A adolescência, em si, não é factor de risco para a gestação. Há, todavia,
possibilidade de risco psicossocial, associado à aceitação ou não da gravidez
(tentou interrompê-la?), com reflexos sobre a vida da gestante adolescente que
podem se traduzir na adesão (ou não) ao preconizado durante o
acompanhamento pré-natal (Moura, 2019;).
2. História reprodutiva anterior:
Abortamento habitual;
Morte perinatal explicada e inexplicada;
História de recém-nascido com crescimento restrito ou malformado;
Parto pré-termo anterior;
Esterilidade/infertilidade;
Intervalo inter partal menor que dois anos ou maior que cinco anos;
Nuliparidade e grande multiparidade;
Síndrome hemorrágica ou hipertensiva;
Diabetes gestacional;
Cirurgia uterina anterior (incluindo duas ou mais cesáreas anteriores)
(Rodrigues, 2017).
3. Condições clínicas preexistentes:
Hipertensão arterial;
Cardiopatias;
Pneumopatias;
Nefropatias;
Endocrinopatias (principalmente diabetes e tireoidopatias);
Hemopatias;
Epilepsia;
Doenças infecciosas (considerar a situação epidemiológica local);
Doenças auto-imunes;
Ginecopatias;
Neoplasias ( Oliveira & Santos, 2020).
Os outros grupos de factores de risco referem-se a condições ou complicações
que podem surgir no decorrer da gestação transformando-a em uma gestação
de alto risco:
1. Exposição indevida ou acidental a factores teratogénicos.
2. Doença obstétrica na gravidez actual:
- Desvio quanto ao crescimento uterino, número de fetos e volume de
líquido amniótico;
Trabalho de parto prematuro e gravidez prolongada;
Ganho ponderal inadequado;
Pré-eclâmpsia e eclâmpsia;
Diabetes gestacional;
Amniorrexe prematura;
- Hemorragias da gestação;
- Insuficiência istmo-cervical;
- Aloimunização;
- Óbito fetal. (Lima & Souza, 2018).
3. Intercorrências clínicas:
- Doenças infecto-contagiosas vividas durante a presente gestação (ITU,
doenças do trato respiratório, rubéola, toxoplasmose etc.);
- Doenças clínicas diagnosticadas pela primeira vez nessa gestação
(cardiopatias, endocrinopatias) (Souza & Silva, 2018).
Todos os profissionais que prestam assistência a gestantes devem estar
atentos
à existência desses factores de riscos e devem ser capazes de avaliá-los
dinamicamente, de maneira a determinar o momento em que a gestante
necessitará de assistência
especializada ou de inter-consultas com outros profissionais (Mendes, 2017).
As equipes de saúde que lidam com o pré-natal de baixo risco devem estar
preparadas para receber as gestantes com factores de risco identificados e
prestar um
primeiro atendimento e orientações no caso de dúvidas ou situações
imprevistas.
Uma vez encaminhada para acompanhamento em um serviço especializado
em pré-natal de alto risco é importante que a gestante seja orientada a não
perder o
vínculo com a equipe de atenção básica ou Saúde da Família que iniciou o
acompanhamento. Por sua vez esta equipe deve ser mantida informada a
respeito da evolução da gravidez e tratamentos administrados à gestante por
meio de contra referência e de busca activa das gestantes em seu território de
actuação, por meio da visita domiciliar (Mendes, 2017).
O estabelecimento dessa comunicação dinâmica entre os serviços é importante
porque a gestante tem maior facilidade de acesso aos serviços de atenção
básica, até
mesmo pela proximidade ao seu domicílio, possibilitando que as Equipes de
Saúde da
Família possam ofertar a essas gestantes acolhimento e apoio, por meio da
identificação e activação da rede de suporte familiar e social, participação em
actividades educativas individuais e em grupo, reforço para frequência nas
consultas especializadas e
maior adesão aos tratamentos instituídos, além do primeiro atendimento na
suspeita
de intercorrências, nos casos em que o acesso da gestante aos serviços
especializados
seja difícil ( Mendes, 2017).
1.7. Complicações
Durante a gravidez muitas mulheres sofrem de problemas de saúde. Alguns destes
problemas são de gravidade menor, mas, ocasionalmente, surgem
complicações mais graves, tais como:
Anemia: pode ocorrer em qualquer momento da gravidez. Quando é ligeira,
não traz problemas, mas, quando grave, pode ameaçar a saúde da mãe e do
bebé. As causas mais frequentes são as deficiências de ferro e folatos (ácido
fólico) ( WHO, 2016).
Sintomas mais comuns: fadiga, perda de energia, palidez, vertigens e
desmaios.
Diabetes gestacional: é um tipo de diabetes que pode surgir na gravidez, e
termina, normalmente, após a mesma. Ocorre devido ao facto de a grávida
apresentar maior resistência à insulina. Geralmente não tem sintomas, sendo
que a prova de rastreio é realizada entre a 24ª e 28ª semanas de gestação
(WHO, 2016).
Pré-eclâmpsia: é uma doença que só ocorre na gravidez e no pós-parto, e é
caracterizada pelo aumento da pressão arterial e presença de proteínas na
urina. Muitas mulheres com pré-eclâmpsia não apresentam sintomas e só
percebem que têm este problema, quando a pressão arterial se apresenta
elevada (≥ 140/90 mmHg). Numa situação mais grave surge retenção de
líquidos (edema) e/ou aumento de peso súbito e excessivo, dores de cabeça
persistentes, visão turva, dores no abdómen e convulsões. O maior risco
associado à pré-eclâmpsia é o descolamento prematuro da placenta da parede
do útero que pode levar ao aborto (WHO, 2016).
Hemorragias: Pequenos sangramentos são comuns, principalmente no
primeiro trimestre, e podem ocorrer após um exame pélvico ou uma relação
sexual, já que o colo do útero é sensível ao toque. Porém, eles também pode
ser sinal de que algo mais grave está acontecendo, como um aborto
espontâneo, por exemplo, que também é comum nas primeiras semanas de
gestação. Por isso, sempre que um sangramento ocorrer, é necessário buscar
um serviço de saúde para verificar se está tudo bem ou se é algo que merece
maior atenção (WHO, 2016).
Hiperémese gravídica: É normal a gestante ter náuseas e vómitos frequentes
durante o primeiro trimestre. Mas em alguns casos, ela pode desenvolver a
hiperémese gravídica, que causa vómitos excessivos e náuseas muito fortes.
“Por isso, pode haver necessidade de tratamento imediato, que inclui fluidos
intravenosos (IV) para reidratação e/ou medicamentos para reduzir náuseas e
vómitos”, explica a dra. Fátima Oladejo, ginecologista e obstetra (WHO, 2016).
Infecções do trato urinário: Segundo a médica, infecções do trato urinário que
costumam afectar a bexiga também são mais comuns no início da gravidez. Os
principais sinais são desejo frequente de urinar, dor ou ardor ao urinar e
presença de sangue na urina. “Assim que uma infecção é diagnosticada, são
prescritos medicamentos que são seguros para uso durante a gravidez.
Também é muito importante beber muita água, pelo menos 2 litros por dia para
auxiliar o tratamento”, explica. Sem tratamento, esse tipo de infecção pode
evoluir para uma infecção renal mais séria, que pode provocar dor nas costas,
febre e náuseas. O tratamento inclui antibióticos e pode ser necessária
hospitalização (Leal, 2020).
Aborto espontâneo: Estima-se que uma cada cinco gestações termine
em aborto espontâneo no primeiro trimestre. Os sintomas incluem
sangramento vaginal, cólica semelhante à cólica menstrual, dor lombar e sinais
de infecção, como calafrios e febre de 37 graus ou mais. “A maioria dos
abortos espontâneos não pode ser evitada. O aborto espontâneo geralmente
não é perigoso para a mulher, mas sentimentos de raiva, tristeza e culpa são
comuns. Como acontece com qualquer perda, conversar com seu parceiro,
família, amigos e médico sobre seus sentimentos pode ser útil”, orienta dra.
Oladejo (Leal, 2020).
Gravidez ectópica: A gravidez ectópica ou tubária acontece quando o óvulo
fertilizado é implantado fora do útero, como nas tubas uterinas. Esse tipo de
gestação não se desenvolve normalmente. O feto não sobrevive, e a condição
pode oferecer risco à vida da mulher. Os sintomas incluem sangramento
vaginal, fraqueza, tonturas ou desmaio, dor abdominal ou pélvica que pode ser
repentina e aguda, constante ou ficar indo e voltando (Leal, 2020).
1.8. Diagnostico
O diagnóstico de uma gravidez de risco é feito através análise do histórico
clínico e resultados de exames gestacionais realizados desde a primeira
consulta e, como em qualquer pré-natal, são de extrema importância para o
acompanhamento médico.
Exames como a ultra-sonografia, hemograma, testes de glicemia e exames
laboratoriais de fezes e urina são realizados para avaliar o estado de saúde da
mulher grávida e acompanhar o desenvolvimento do bebé (WHO, 2016).
Em casos especiais, quando existem riscos ou até malformação por causas
genéticas, os médicos solicitam exames mais avançados como o
ecocardiograma que verifica a frequência de batimentos cardíacos do bebé e a
amniocentese onde é colectada uma amostra do líquido amniótico presente na
placenta e investiga, entre outros, a Síndrome de Down (Leal et al., 2020).
O mais importante, em todos os casos em que a gravidez apresenta riscos, é
que o diagnóstico seja realizado de forma precisa e as orientações médicas
sejam seguidas rigorosamente para diminuir as chances de complicações.
1.9. Cuidados
Caso ainda não o esteja a fazer, deve começar a tomar ácido fólico, que
contribui para o desenvolvimento embrionário e fetal e diminui o risco de
malformações no tubo neural do bebé (Silva, 2020).
É importante que a gestante se informe quanto ao seu estado de saúde, bem
como, o andamento da gestação, para que o alto risco não leve a
consequências como a perda do bebé ou o óbito da mãe (Leal, 2020).
Portanto o primeiro cuidado é com a alimentação que inclui os suplementos
como ácido fólico e outros que podem ser solicitados de acordo com a saúde
materna (Silva, 2020).
Além das visitas às consultas de pré natal com uma médica obstetra é
interessante pedir uma avaliação de nutricionista e até de um educador físico
quando não há contra-indicação ( Melo, 2020).
Concluindo, quando a gestante encontra-se nesta condição, os riscos ainda
continuam, mesmo após o nascimento, conforme o diagnóstico encontrado,
que pode levar parturiente ou recém-nascido a tratamentos intensivos até a
melhora necessária (Leal, 2020).
Também pode ser importante fazer suplementação de iodo, para favorecer o
desenvolvimento cerebral do bebé. Além disso, o médico pode recomendar a
toma de vitaminas do complexo B (Silva, 2020).
Fazer uma dieta saudável é sempre importante, principalmente quando se está
grávida. Assim, deve-se praticar uma alimentação equilibrada e evitar certos
alimentos, como os lacticínios não pasteurizados e determinados peixes e
mariscos que podem conter mercúrio, como é o caso do espadarte, cação,
peixe-espada e peixe de água-doce (Leal, 2020).
Também devem ser tomadas algumas precauções com o consumo de peixe
azul, como atum, cavala, sardinha ou truta (Leal, 2020).
É ainda recomendável que se tenha cuidado com o contacto com as fezes ou
com a urina dos gatos, assim como com a ingestão de carne mal passada, na
eventualidade da grávida não estar imune à toxoplasmose (Leal, 2020).
Além disso, também se deve ter prudência ao comer ovos, devido ao risco da
existência de bactérias, como as salmonelas (WHO, 2016).
Outros hábitos a adoptar são:
Deixar de fumar (se o fizer);
Não ingerir bebidas alcoólicas e, em caso de dor, tomar apenas
paracetamol.
A suplementação e os hábitos alimentares aconselhados na primeira semana
de gestação devem manter-se nesta e nas próximas semanas de gravidez e
mesmo no período pós-parto e, sobretudo, durante a fase de amamentação
(WHO, 2016).
1.9 Prevenção e Cuidados Médicos
O acompanhamento médico regular e a implementação de práticas de saúde
preventiva são fundamentais para reduzir os riscos associados ao auto risco
obstétrico. O pré-natal adequado, que inclui monitoramento da pressão arterial,
glicemia e acompanhamento do ganho de peso, pode detectar precocemente
qualquer complicação (WHO, 2016).
Além disso, estratégias de modificação de estilo de vida, como a prática de
actividade física regular e a alimentação balanceada, são recomendadas para
controlar doenças como hipertensão e diabetes (Melo, 2020).
1.10. Impactos Psicológicos
As gestantes que se enquadram em grupos de risco também podem enfrentar
impactos psicológicos significativos. A ansiedade e o estresse relacionados a
possíveis complicações podem afectar a saúde mental da mãe e,
consequentemente, a saúde do bebé. Estudos mostram que o apoio
psicológico, a educação sobre a gestação e o suporte social podem melhorar
os resultados para essas mulheres (Lindahl, 2016).
1.11. Actuação Do Enfermeiro No Alto Risco Obstétrico
O objectivo da assistência à gestante de alto risco é acolher e apoiar a mulher,
implementando uma assistência efectiva e segura nas diferentes indicações
clínicas, que levam as mulheres à internação para vigilância, o controle e a
redução dos agravos à saúde materna e neonatal (Domingues, 2014).
Enquanto as necessidades do grupo de baixo risco geralmente são atendidas
em uma unidade de assistência primária, as gestantes de alto risco requerem
atendimento especializado dos serviços de referência. No pré-natal, o
enfermeiro deve dar maior ênfase nos aspectos preventivos do cuidado,
motivando a mulher no autocuidado e a detectar precocemente possíveis
alterações (Silva & Oliveira, 2021).
É de extrema importância orientar sobre as condições de saúde e os aspectos
que envolvem a gestação. O acesso às informações de todo o andamento da
gestação, do momento da concepção ao parto, prepara melhor a mulher, física
e emocionalmente, de modo que ela saiba o que acontece com o bebé, com o
seu corpo e as emoções. Esclarecer as dúvidas desta mulher facilitará o
enfrentamento das situações, as preocupações, ansiedades e medos normais
deste processo (Silva, 2019).
Orientar sobre a importância de uma alimentação saudável na gestação,
evitando excessos como o sal, gorduras e açúcares faz parte da actuação da
enfermagem, visto que a alimentação influencia nos processos patológicos
mais frequentes na gestação de alto risco. Desta forma, é possível prevenir
grandes complicações no decorrer da gestação (Silva, 2019).
O controlo nutricional é primordial em doenças como diabetes, hipertensão,
anemia e obesidade. No momento de admissão, cabe à enfermagem avaliar
os níveis de complexidade de cuidado, estabelecendo as prioridades; instituir a
sistematização da assistência de enfermagem na avaliação materno-fetal, que
consiste em: identificar sinais e sintomas clínicos, queixas referidas, idade
gestacional, peso, alergias alimentares e medicamentosas, estado nutricional,
uso de drogas lícitas e ilícitas, exame físico completo, presença e
características das eliminações vesicais e intestinais, presença de perdas
transvaginais e suas características, condições de higiene, actividade e tónus
uterino, altura uterina, movimentos fetais e batimentos cardiofetais (Silva, 2020).
Durante a internação, é importante avaliar diariamente as condições materno-
fetais e a eficácia dos cuidados prestados, promovendo, se necessário, a
adequação do planeamento de enfermagem. Torna-se necessário manter a
cliente informada sobre seu estado de saúde diariamente e prestar um cuidado
individualizado e especializado às gestantes nas diferentes patologias ( Silva &
Oliveira, 2020).
1.12. Avaliação do auto risco obstétrico
Avaliação do risco obstétrico é algo muito importante não só para as gestantes mas
também para mulheres que querem conceber, de modo a saber os possíveis problema
e procedimentos a se ter para ultrapassar qualquer transtorno possível
A avaliação do risco obstétrico normalmente envolve:
Consultas regulares com o obstetra: Durante as consultas pré-natais,
o médico realiza exames de rotina e avalia a saúde geral da gestante.
Exames laboratoriais: Testes de sangue, urina, exames de imagem
(ultra-som, por exemplo) são importantes para monitorar a saúde da
gestante e do feto.
Histórico médico e obstétrico: O médico irá examinar o histórico
pessoal e familiar da gestante, considerando condições de saúde
preexistentes e complicações passadas.
Monitoramento da pressão arterial e níveis de glicose: A hipertensão
gestacional e a diabetes gestacional são monitoradas de perto para
evitar complicações (Rego, 2021).
1.13 O papel da gestante no manejo do risco
Embora o risco obstétrico envolva muitos factores que estão fora do controle da
gestante, como doenças preexistentes ou factores genéticos, algumas medidas
podem ser adoptadas para reduzir os riscos:
Adoptar hábitos saudáveis: Ter uma alimentação equilibrada, evitar o
consumo de álcool e tabaco, praticar actividades físicas adequadas e
garantir descanso suficiente.
Monitoramento e acompanhamento médico: Manter as consultas pré-
natais e seguir as orientações médicas para evitar complicações.
Controle de condições pré-existentes: Se a gestante tem doenças
como hipertensão ou diabetes, o controle adequado dessas condições é
crucial para evitar complicações durante a gestação.
Prevenção de infecções: Manter uma boa higiene, evitar infecções
sexualmente transmissíveis e tomar as vacinas recomendadas durante a
gestação como a vacina contra a gripe ou tétano ( Leal, 2020).
1.14 Atendimento a Gestantes com Auto Risco Obstétrico
A gestante de alto risco deve ser atendida em suas necessidades fisiológicas e
correntes de todas as mudanças corporais e desconfortos da gravidez, nas
complicações oriundas das patologias apresentadas e das condutas adoptadas
em nível hospitalar (Martinelli, 2020).
Especificamente, o conceito de risco gravídico surge para identificar graus de
vulnerabilidade nos períodos de gestação, parto, puerpério e vida da criança
em seu primeiro ano. Na assistência pré-natal, a gestação de alto risco diz
respeito as alterações relacionadas tanto a mãe como ao feto (Domingues,
2014).
Por isso é de fundamental importância o conhecimento de todo o histórico da
vida da gestante, como por exemplo, factor socioeconómico, história
reprodutiva, intercorrências clínicas e doença obstétrica da gravidez actual
(Lansky, 2014).
1.15 Benefícios do acompanhamento a gestantes com Auto Risco
Obstétrico
O acompanhamento médico na gestação é essencial para assegurar o bem-
estar materno fetal. Isso permite detectar precocemente complicações e
promover hábitos saudáveis contribuindo para uma experiencia gestacional
positiva (Domingues, 2014).
O objectivo deste acompanhamento a gestantes com auto risco obstétrico é
assegurar o desenvolvimento saudável da gestação, permitindo um parto com
menores riscos parta mãe e para o bebe. Aspectos psicossociais são também
avaliados e as suas actividades educativas e preventivas devem ser realizadas
pelos profissionais do serviço. (Lansky, 2014)
Como é o acompanhamento de uma gravidez de alto risco?
Em todos os casos de risco, a gestante deve seguir as orientações do médico
obstetra e realizar todos os exames recomendados, como ultra-sonografias,
monitoramento cardíaco fetal, exames de sangue e urina, entre outros (Lansky,
2014).
1.16 Diagnóstico precoce de problemas
Um dos benefícios mais evidentes da abordagem médica é a detecção precoce
e a gestação de potenciais complicações. Exames regulares como (Lansky,
2014)
1.17 Princípios Éticos
Uma das estratégias para que adolescentes e jovens procurem os serviços é
torná-los reservados e confiáveis, assim como caracterizá-los por atendimento
que dê apoio, sem emitir juízo de valor. É importante que os profissionais de
saúde assegurem serviços que ofereçam:
Privacidade: para que adolescentes e jovens tenham a oportunidade de
ser entrevistados e examinados, sem a presença de outras pessoas no
ambiente da consulta, se não for estritamente necessário, ou caso
assim o desejem;
Confidencialidade: para que adolescentes e jovens tenham a garantia
de que as informações obtidas no atendimento não serão repassadas
aos seus pais e/ou responsáveis, bem como aos seus pares, sem a
concordância explícita.
A viabilização desses princípios no atendimento de adolescentes e jovens
contribui para iniciativas interpessoais mais eficientes, colaborando para melhor
relação entre cliente e profissional, o que favorece a descrição das condições
de vida, problemas e dúvidas. Esses princípios também ampliam a capacidade
do profissional de saúde no encaminhamento das acções necessárias e
favorece a possibilidade de retorno de adolescentes e jovens aos serviços.
Também asseguram a adolescentes e jovens o direito de serem reconhecidos
como sujeitos capazes de tomarem decisões de forma responsável (Lansky,
2014).
CAPÍTULO II – FASE METODOLÓGICA
2 Metodologia
Este estudo adopta uma abordagem mista, combinando pesquisa bibliográfica
e pesquisa de campo, para investigar os cuidados de enfermagem prestados a
pacientes com alto risco obstétrico no hospital materno-infantil.
2.1 Tipo de estudo
Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa e
quantitativa, realizado no hospital materno-infantil.
Segundo Gil (2008), "a pesquisa descritiva tem como objectivo principal a
descrição das características de determinada população ou fenómeno". A
pesquisa quantitativa possibilita a análise estatística dos dados colectados,
enquanto a qualitativa permite compreender as percepções e experiências dos
profissionais e pacientes envolvidos. Para Minayo (2010), "a pesquisa
qualitativa é adequada para compreender significados, atitudes e práticas
dentro de um contexto específico".
2.2 Pesquisa Bibliográfica
A pesquisa bibliográfica fundamentou-se em artigos científicos, livros e
directrizes de órgãos de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS)
e o Ministério da Saúde.
2.3 Critérios de Inclusão e Exclusão
❖ Critérios de inclusão: Publicações entre 2013 e 2023. Estudos em
português, inglês ou espanhol. Trabalhos que abordem cuidados de
enfermagem em gestantes de alto risco. ❖ Critérios de exclusão: Artigos
repetidos nas bases de dados. Trabalhos que não tratem directamente dos
cuidados de enfermagem. De acordo com Marconi e Lakatos (2017), "a
pesquisa bibliográfica permite ao pesquisador conhecer e analisar criticamente
as contribuições teóricas existentes sobre o tema".
2.4 Pesquisa de Campo
A pesquisa de campo sera realizada no hospital materno-infantil, envolvendo
136 participantes, divididos em: 20 profissionais de enfermagem (técnicos de
enfermagem e enfermeiros). 116 Utentes (pacientes gestantes de alto risco
atendidas na unidade).
2.5 Instrumentos de Coleta de Dados
Serão utilizados questionários estruturados e entrevistas semiestruturadas,
abordando temas como: Rotinas e desafios no atendimento a gestantes de
alto risco. Principais complicações obstétricas enfrentadas. Percepção dos
pacientes sobre o atendimento recebido. Segundo Minayo (2010), "a
entrevista semiestruturada permite uma maior flexibilidade e aprofundamento
na colecta de informações".
2.6 Procedimentos Éticos
Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE), garantindo sigilo e voluntariedade na participação. Toda
pesquisa envolvendo seres humanos deve respeitar os princípios éticos de
autonomia, beneficência e não maleficência". Sendo a ética um conjunto de
normas que regulam a conduta humana no meio social, o nosso trabalho será
desenvolvido no Hospital Maternidade Irene Neto. Levando em consideração o
sigilo profissional, respeitando a confidencialidade de todas as informações
obtidas de forma a garantir aquelo que é, o bem-estar social da população
seleccionadas.
CAPÍTULO III – ABORDAGEM PRATICA
3.1. Caracterização do Campo de Acção
Este estudo realizou-se no hospital Maternidade "Irene Neto“, localizado na
província da Huila, no município do Lubango, bairro comercial.
No que toca ao pessoal em funcionamento este está constituído por 22
médicos, subdivididos em especialistas de diversas áreas, 45 técnicos de
análises clínicas, 180 enfermeiros, 15 funcionários administrativos. A referida
unidade tem nas suas instalações, uma sala de triagem, uma sala de Banco de
urgência, sala de espera, sala de parto, pós-p arto, sala de esterilização,
sala de cirurgias, laboratório, bloco operatório, consultório médico, farmácia,
enfermaria, genealogia, obstetrícia, consultas externas, secretária, sala de
estatística, acompanhamento e tratamento de utentes VIH/SIDA, malária, áreas
de apoio como psicologia, análises clínicas apoio hospital e serviços
administrativos.
3.2 Nota de admissão (Processo)
Instituição: Hospital Maternidade Irene Neto
Secção: Obstetrícia
Nome: M.F.S.
N.P: 112/2025 Leito: nº 12 Idade: 29 anos Raça: Negra Sexo:
Feminino
Filiação: L.S. e A.S.
Naturalidade: Lubango Morada: Bairro 11 de Novembro
Acompanhante: Esposo
Grupo Sanguíneo: O Rh-
Data de Internamento: 04/02/2025
Diagnóstico de admissão: Gravidez de alto risco (Hipertensão gestacional +
Anemia moderada
3.3 Nota de entrada de enfermagem
Tabela 1
Data Hora Nota de entrada de enfermagem Assinatura dos
alunos
12/03/202 14h Gestante de 29 anos, G3P1A1 com
5 32 semanas de gestação, referida
por US por apresentar pressão
arterial de 160x100 mmHg, cefaleia
persistente, edemas em membros
inferiores e queixas de fadiga.
Encaminhada para internamento
após triagem. Hb = 8.2 g/dL.
3.4 Queixa principal:
Cefaleia, edema nos membros inferiores, fadiga intensa.
3.5 Histórico clínico
Gestante de 32 semanas, em acompanhamento pré-natal irregular. Refere
piora dos sintomas nos últimos 3 dias. Diagnóstico de hipertensão gestacional
feito há 1 semana. Apresenta ainda anemia (Hb 8.2 g/dL), sem sinais de
hemorragia ativa.3.6 História da doença atual:
Gestante de 32 semanas, em acompanhamento pré-natal irregular. Refere
piora dos sintomas nos últimos 3 dias. Diagnóstico de hipertensão gestacional
feito há 1 semana. Apresenta ainda anemia (Hb 8.2 g/dL), sem sinais de
hemorragia ativa.
3.6 Antecedentes pessoais:
Abortamento espontâneo há 3 anos, uma cesariana há 6 anos. Não é fumante
nem alcoólica. Diagnóstico prévio de anemia
3.7 Antecedentes familiares:
História familiar de hipertensão arterial e pré-eclâmpsia.
3.8 Exame físico:
Estado geral: Lúcida, orientada, consciente, moderadamente pálida.
Sinais vitais: PA 160x100 mmHg | FC: 98 bpm | FR: 22 irpm | T: 37.8°C
Cardiovascular: Bulhas rítmicas, sem sopros.
Respiratório: Murmúrios vesiculares preservados.
Abdómen: Útero gravídico conforme IG, ausculta de BCF (+), sem contrações.
Neurológico: Sem sinais meníngeos, reflexos normais.
Edemas: (++/4) em MMII.
Exames complementares solicitados: Hemograma completo, proteinúria 24h,
ecografia obstétrica, glicemia capilar, grupo sanguíneo e fator Rh.
3.9 Exames complementares
Tabela n 2
Data Exame Resultado Valor de Observações
Realizado Referência
12/03/2025 Pressão 170/110 mmHg < 140/90 Hipertensão
arterial mmHg grave
12/03/2025 Proteinúria 650 mg/24h < 300 Proteinúria
24h mg/24h significativa
12/03/2025 Hemograma Hb: 11.5 Hb: 12–16 Discreto
completo g/dL<br>Htc: g/dL abaixamento
35%<br>Leu:
9.000/mm³
13/03/2025 Função Ureia: 35 U: 10–50 Limítrofe
renal (ureia mg/dL<br>Creat: mg/dL<br>C:
e creatinina) 1.1 mg/dL 0.6–1.2
mg/dL
13/03/2025 TGO / TGP TGO: 85 Até 40 U/L Indicando
(Enzimas U/L<br>TGP: 92 possível lesão
hepáticas) U/L hepática
14/03/2025 Plaquetas 135.000 /mm³ 150.000– Leve
400.000/mm³ trombocitopenia
4.1 Diagnóstico médico
Tabela n 2
Data Diagnóstico CID-10 Descrição
Médico Principal Complementar
12/03/2025 Pré-eclâmpsia O14.1 Hipertensão
Grave arterial ≥160/110
mmHg,
proteinúria
significativa,
cefaleia e
alterações visuais
12/03/2025 Pré-eclâmpsia O14.1 Hipertensão
Grave arterial ≥160/110
mmHg,
proteinúria
significativa,
cefaleia e
alterações visuais
Secundários Gestação a termo O48 G3P2, feto único
(35 semanas) vivo, em
apresentação
cefálica
Risco de Z03.7 Conduta
eclâmpsia expectante com
uso de sulfato de
magnésio
4.2 Registos dos sinais vitais
Tabela n 3
Data Hora Temperatur P.A FC FR BCF
a
12/03/2025 18h 36,8°C 170/110 98 22 145
mmHg bpm
13/03/2025 7h 36,7°C 150/100 92 20 144
mmHg bpm
14/03/2025 8h 36,5°C 140/90 88 20 144
mmHg bpm
15/03/2025 9h 36,6°C 140/85 86 19 146
mmHg bpm
16/03/2025 10h 36,4°C 130/85 84 18 145
mmHg bpm
4.3 Terapeutica
Tabela n 4
Medicamentos Dosagem Via de Hora Data
administração
Sulfato de ferro 40 mg Oral 3xd 05/03/2025
Metildopa 250 mg Oral 8/14/22h 05/03/2025
Acido folico 5 mg Oral 1x/dia 05/03/2025
Paracetamol 500 mg Oral sem dor SOS 05/03/2025
Hidratante horal Conforme a Horal . IV Continuo 05/03/2025
necessidade
4.4 Nota de evolução de enfermagem no 1ª dia
Tabela n 5
Data HORA Nota de evolução de enfermagem Assinatura dos
alunos
12/03/202 18h Paciente admitida com PA de
5 170/110 mmHg, cefaleia intensa e
edema acentuado. Iniciado
protocolo com sulfato de magnésio
e anti-hipertensivos conforme
prescrição. Realizada
monitorização fetal (BCF 145 bpm),
presença de movimentos fetais.
Orientada e acolhida com
acompanhante.
Nota de evolução de enfermagem no 2ª dia
Tabela n 6
Data Hora Nota de evolução de enfermagem Assinatura dos
alunos
13/03/2025 7h Paciente mantida em vigilância
contínua, sem intercorrências
noturnas. Refere leve melhora na
cefaleia. PA 150/100 mmHg.
Medicação administrada conforme
prescrição. Feto ativo, ausculta fetal
presente. Iniciado jejum para possível
resolução obstétrica se necessário.
Nota de evolução de enfermagem no 3ª dia
Tabela n 7
Data Hor Nota de evolução de enfermagem Assinatura dos
a alunos
13/03/2025 8h Paciente permanece estável, sem
sinais de eclâmpsia. Referiu náuseas
matinais. PA 140/90 mmHg. Ausculta
fetal 144 bpm. Realizada avaliação
médica, programado amadurecimento
pulmonar fetal com dexametasona
completando o esquema.
Nota de evolução de enfermagem no 4ª dia
Tabela n 8
Data Hora Nota de evolução de enfermagem Assinatura dos
alunos
13/03/2025 8h Paciente bem-disposta, orientada, sem
queixas. Exames laboratoriais indicam
melhora de proteinúria. Feto com BCF
de 146 bpm. Avaliação obstétrica com
toque cervical: colo fechado, sem
trabalho de parto ativo. Decidido
manter em observação.
Nota de evolução de enfermagem no 4ª dia
Tabela n 9
Data Hora Nota de evolução de enfermagem Assinatura dos
alunos
13/03/2025 8h Paciente estável, sinais vitais dentro da
normalidade (PA 130/85 mmHg),
edema leve. Boa aceitação da dieta.
Realizado novo controle fetal – reativo.
Alta programada para o dia seguinte
com encaminhamento para
acompanhamento no pré-natal de alto
risco.
4.5 Nota de Alta (Programada para 17/03/2025)
Paciente deu entrada com diagnóstico de pré-eclâmpsia grave. Após 5 dias de
estabilização clínica e acompanhamento intensivo, apresenta melhora do
quadro clínico e pressão arterial controlada. Encaminhada para seguimento
ambulatorial no pré-natal de alto risco com retorno agendado em 7 dias.
Prescrições de metildopa mantidas.
CONCLUSÃO E SUGESTÕES
CONCLUSÃO
Pacientes com auto risco obstétrico enfrentam desafios significativos
durante a gestação, mas com acompanhamento médico adequado e
modificação de comportamentos de risco, muitos desses desafios podem ser
superados. Fatores como hipertensão, diabetes gestacional, obesidade e o
consumo de substâncias precisam ser monitorados e tratados para garantir
uma gestação saudável. Além disso, o apoio psicológico e o suporte social
desempenham um papel fundamental na redução do impacto emocional da
gravidez em grupos de risco. O investimento em políticas públicas que
promovam a conscientização e a prevenção é essencial para melhorar os
resultados de saúde materno-infantil.
O aborto espontâneo é uma condição comum, mas dolorosa, que afecta
muitas mulheres, especialmente no primeiro trimestre de gestação. Embora a
perda não possa ser sempre prevenida, a detecção precoce dos sintomas e o
acompanhamento médico adequado são essenciais para minimizar
complicações. Além disso, o suporte emocional é fundamental para ajudar a
mulher a lidar com o luto e as emoções decorrentes dessa perda. Informações
claras, tanto sobre os aspectos médicos quanto emocionais, podem ajudar as
mulheres a atravessar essa fase com maior resiliência.
CONCLUSÃO
Pacientes com auto risco obstétrico enfrentam desafios significativos
durante a gestação, mas com acompanhamento médico adequado e
modificação de comportamentos de risco, muitos desses desafios podem ser
superados. Fatores como hipertensão, diabetes gestacional, obesidade e o
consumo de substâncias precisam ser monitorados e tratados para garantir
uma gestação saudável. Além disso, o apoio psicológico e o suporte social
desempenham um papel fundamental na redução do impacto emocional da
gravidez em grupos de risco. O investimento em políticas públicas que
promovam a conscientização e a prevenção é essencial para melhorar os
resultados de saúde materno-infantil.
1. Oferecer aconselhamento genético, caso haja histórico familiar de
doenças genéticas ou anomalias congénitas.
REFERENCIA BIBLIOGRÁFICAS
GIL, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo:
Atlas.
Marcos R. Simões (2019). Ginecologia e Obstetrícia: Fundamentos e Prática
Clínica,
Marconi, M. A; Lakatos, E. M; (2010) Fundamentos de Metodologia Científica
7ª edição. São Paulo. Editora Atlas.
FERNANDES, N. (2010). Métodos de pesquisa em ciências sociais. Editora
Acadêmica.
Regan, L., & Rai, R. (2000). Epidemiology and the medical causes of recurrent
miscarriage. The Lancet, 356(9231), 728-733. [Link]
6736(00)02695-6
Lindahl, L. M., Ryding, E. L., & Lindqvist, M. (2016). Maternal stress and anxiety
during pregnancy and its association with preterm birth and low birth weight.
Journal of Reproductive and Infant Psychology, 34(4), 371-379.
[Link]
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento
de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico.
5. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.
PEREIRA, Adriana Lenho de Figueiredo; MOURA, Maria Aparecida
Vasconcelos. Relações de hegemonia e conflito cultural de assistência ao
parto. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, 2008 jan/mar; 16(1):119-24.
LUCIANO, Marta Pelizari; SILVA, Eveline Franco da; CECCHETTO, Fátima
Helena. Orientações de enfermagem na gestação de alto risco: percepções e
perfil de gestantes. Revista de enfermagem UFPE on line. 2011 jul.;5(5):1261-
266.
Ministério da Saúde Brasil. (2013). Caderno de Atenção Básica: Atenção ao
Pré-Natal de Baixo Risco. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de
Atenção Básica. Disponível em:
APÊNDICE
INSTITUTO TÉCNICO DE SAÚDE PRIVADO INTEGRAL
ITSPI- LUBANGO
CURSO TÉCNICO DE ENFERMAGEM
Um inquérito sobre pacientes com alto risco obstétrico é uma colecta
sistemática de informações para identificar, acompanhar e planejar o cuidado
de gestantes com maior probabilidade de complicações durante a gravidez,
parto ou puerpério.
INQUÉRITO DE PACIENTE COM ALTO RISCO OBSTÉTRICO
INFORMAÇÕES DA PACIENTE
Idade:_______
Estado
civil:____________________________________________________________
Escolaridade:____________________________________________________
_______
Profissão:_______________________________________________________
_______
1- Você sabe sobre o que é o Autorisco?
a) Sim___
b) Não ___
2- Quando é que os pacientes vão ter com os especialistas?
a) Nos primeiros dias da gestão____
b) Quando há possiveis complicações ____
c) Ou quando são aconselhadas a ir ao hospital____
3- Quando é que fazem Consulta pré-concepcional?
a) Quando são Identificados de factores de risco ____
b) Quando é para fazer Controle de condições prévias a gestação_____
c) Outras causas____
4- Os pacientes de risco são encaminhados a especialistas
a) Sim ____
b) Não___
5- Com que frequência os pacientes fazem consultas?
a) Todos os meses_____
b) Quando apresenta complicações ____
c) Quando___