0% acharam este documento útil (0 voto)
36 visualizações16 páginas

Teoria Democrática

O documento discute a emergência da democracia no século XX e as teorias democráticas contemporâneas, incluindo a teoria democrática competitiva de Schumpeter e Dahl, e a teoria democrática popular de Pateman e Habermas. Schumpeter propõe um modelo elitista onde a democracia é vista como competição entre elites, enquanto Dahl introduz o conceito de poliarquia, enfatizando a participação e contestação. A teoria participacionista de Pateman e o modelo deliberacionista de Habermas destacam a importância da participação cívica e da comunicação na formação de uma democracia efetiva.

Enviado por

jeisonheiler
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
36 visualizações16 páginas

Teoria Democrática

O documento discute a emergência da democracia no século XX e as teorias democráticas contemporâneas, incluindo a teoria democrática competitiva de Schumpeter e Dahl, e a teoria democrática popular de Pateman e Habermas. Schumpeter propõe um modelo elitista onde a democracia é vista como competição entre elites, enquanto Dahl introduz o conceito de poliarquia, enfatizando a participação e contestação. A teoria participacionista de Pateman e o modelo deliberacionista de Habermas destacam a importância da participação cívica e da comunicação na formação de uma democracia efetiva.

Enviado por

jeisonheiler
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Teoria democrática

A questão democrática
Filosofia do Direito
Emergência da democracia
• A segunda metade do século XX pode se caracterizar como o
momento da ascensão do modelo democrático enquanto
forma de governo
• início do século XXI, cerca de 119 países (correspondendo a
62% de todos os países do mundo) aderiram a algum modelo
democrático (ZAKARIA, 2004).
• nem sempre a democracia gozou do status de aceitação
quanto agora:, explica-se adesão atual dado:
• (1) o fato do período sangrento que foi a primeira metade
do século XX, que gerou um número aproximado de 60 Milhões de pessoas mortas
(FERGUSON, 2006)
• (2) decadência de regimes totalitários
• emergência democrática representou a busca por um
modelo que proporcione governos com menor concentração de poder e menos
autoritários.
Teorias democráticas
• 1) teoria democrática competitiva, com ênfase
em Schumpeter (elitismo democrático) e Dahl
(pluralismo democrático).

• 2) teoria democrática popular, “Participação e


teoria democrática”, de Carole Pateman
(participacionista) e “Três modelos normativos da
democracia” de Habermas (deliberacionista).
TEORIA DEMOCRÁTICA COMPETITIVA:
O MODELO ELITISTA
• Elitismo: Capitalismo, socialismo e democracia (1961), do autor austríaco
Schumpeter
• obra significa uma mudança na maneira de pensar a democracia. afastamento dos
“ideais normativos” de democracia ou seja, deve abandonar o “dever ser” típico da
teoria democrática clássica e concentrar a análise sobre “o que é”
• Para os teóricos clássicos, a democracia não deve ser vista ou pensada
diferentemente de “O governo do povo”. Schumpeter é totalmente contrário a essa
definição principalmente pelo fato da mesma não condizer com a realidade.
• é contrário aos posicionamentos que atribuem à coletividade o status de
racionalidade. Para Schumpeter, “a massa é irracional”, os movimentos coletivos são
tão racionais quanto uma “manada” e os indivíduos são apáticos em relação à
política
• “assumimos a visão de que o papel do povo é produzir um governo, ou melhor, um
corpo intermediário que, por sua vez, produzirá um governo ou um executivo
nacional” (SCHUMPETER, 1961:336).
• O papel do indivíduo ou “do povo” resume-se a votar para escolher quem os
governará. Schumpeter atribui um grande peso a competição entre elites pelos votos
do povo.
• Schumpeter é considerado um elitista por seu modo de observar a relação entre
massa e líderes políticos, que estão vinculados à elite política
Conceito democracia elitista
• Schumpeter (1961) define o método democrático como “a livre competição
entre líderes potenciais pelo voto do eleitorado”

• “Antes de mais nada, segundo a visão que adotamos, democracia não significa e
não pode significar que o povo realmente governe, em qualquer sentido
mais obvio do termo “povo” e “governo”. Democracia significa apenas que o povo
tem a capacidade de aceitar ou recusar as pessoas designadas para governá-lo”
(SCHUMPETER, 1984: 355).

• democracia, não a considerando como um fim em si mesmo, mas um método para


alcançar decisões políticas. O método democrático é visto como um acordo
institucional para se chegar a decisões políticas onde políticos adquirem o poder
de decisão através de uma luta competitiva pelos votos da população

• Schumpeter inaugura assim o procedimentalismo em que a arena política passa a


ser entendida enquanto um mercado econômico cujas elites competem pelo voto
dos eleitores e o sufrágio apresenta-se como legitimador do processo
democrático.
A arena política, neste contexto, funciona como um mercado financeiro, onde os
partidos políticos e candidatos são produtos e os eleitores são consumidores
TEORIA DEMOCRÁTICA COMPETITIVA:
O MODELO Pluralista (Dahl)

• Dahl (1997), ao sistematizar sobre o conceito de


democracia, assume, assim como Schumpeter, que a ela é
um método político
• Segundo o autor, na prática não existem democracias, mas
“Poliarquias" – enquanto modelo teórico aplicável tanto no
mundo real (empírico) como elemento prescritivo.
• Uma poliarquia é caracterizada como um regime político
que possibilita um nível de participação (capital social) e de
contestação (oposição) alto.
• O pluralismo é entendido como a possibilidade de diferentes
grupos conseguirem poder político
• Diferente de Schumpeter, Dahl atribui à participação um
importante papel na arena da tomada de decisão política
Poliarquia
• Poliarquia - premissa de que todo e qualquer ator ou grupo político opta por
reprimir ou tolerar seus adversários com base no método de mero cálculo
(racional)

• AXIOMA 1: A probabilidade de um governo tolerar uma oposição aumenta com a


diminuição dos custos esperados da tolerância.

• AXIOMA 2: A probabilidade de um governo tolerar uma oposição aumenta na
medida em que crescem os custos de sua eliminação.

• AXIOMA 3: Quanto mais os custos da supressão excederem os custos da tolerância,
tanto maior a possibilidade de um regime competitivo.

• Estes três axiomas podem ser traduzidos na seguinte conclusão:

• Quanto mais baixos custos tolerância = governo seguro
• Quanto mais altos custos supressão = oposição segura
Exigências Poliarquia
• o conceito de poliarquia desenvolvido por Dahl
para classificar os regimes políticos envolve dois
eixos, participação e oposição, que derivam três
condições necessárias
• (1) direito de formular preferências;
• (2) direito de expressar essas preferências e
• (3) igualdade no que concerne às suas
preferências serem consideradas pelo governo
que por sua vez, para que existam dependem de
instituições que forneçam oito garantias.
TEORIA DEMOCRÁTICA POPULAR:
O MODELO PARTICIPACIONISTA
• Crítica ao modelo procedimental (Método e por acusar outros modelos de
normativos)
• Sua preocupação centrava-se na seguinte questão: qual o lugar da “participação”
numa teoria de democracia moderna e viável?
• participação provoca efeitos psicológicos baseados nas interrelações, que por sua
vez pode proporcionar melhor funcionamento e qualidade às instituições
democráticas
• ou seja, a participação democrática possui um “caráter educativo” e
pedagógico, tornando os indivíduos conscientes do seu papel dentro da sociedade,
e melhorando as instituições e as proprios indivíoduos que participam
• Argumento central é o de que o nível de participação política desenvolvida em
âmbito local pode proporcionar um certo nível de educação à sociedade que, por
sua vez, influenciará a participação direta na tomada de decisões
• atribui um elevado grau de importância às relações cotidianas dos indivíduos
dentro de
seus ambientes de trabalho, como uma das principais esferas de participação
• Pateman (1992:54) esclarece que para a democracia participativa “o individuo
deve ser capaz de participar em todas as associações que lhe dizem respeito; em
outros termos, é necessária uma sociedade participativa”
Modelo partipacionista
• Argumentos Defesa da democracia de modelo participativo
• (1) as teorias participativas apresentadas não são puramente
normativas, mas planos de ação e prescrições específicas para um
governo realmente democrático;
• (2) as instituições não podem ser pensadas afastadas dos indivíduos
que compõe a sociedade;
• (3) apenas instituições representativas em âmbitos nacionais, não
bastam para a democracia, deve-se existir espaços em organizações
locais para a participação efetiva dos indivíduos;
• (4) a principal função da participação é educativa, tanto nos
aspectos psicológicos quanto na aquisição de habilidades para o
processo democrático;
• (5) existência de uma sociedade participativa; e, por fim,
• (6) a participação (igual) na tomada de decisões.
Entendendo Habermas 1 -

• [Link]
0A1s

[Link]
Modelo Deliberacionista
(Habermas)
• Habermas (2001) dialoga com Pateman, pois ambos estão
preocupados com a
formação de uma “cultura cívica” dentro da sociedade
• tentativa de resgatar a esfera pública como espaço
essencial para os debates entre os indivíduos sobre a
política e espaço público para deliberações com a
participação dos cidadãos
• esfera pública é um espaço para a discussão de questões
importantes que circulam por meios diversos, isto é,
neutros, que se situam fora do espectro político
• a ação política deve estar intrinsecamente relacionada à
comunicação entre os indivíduos dentro de sua
comunidade, atribuindo maior importância ao aspecto
comunicacional da esfera política
• Sua teorização sobre a deliberação pública é
impossível dissocia-la a ideia da ação comunicativa,
uma vez que é através desse mecanismo que se torna
possível o diálogo entre os indivíduos
• Habermas deixa claro a dificuldade de se esperar por
discursos éticos dentro de sociedades modernas, tendo
em vista sua heterogeneidade
• Porém, a partir do discurso racional podem-se atingir
decisões políticas que não são puramente vinculadas à
esfera da ética, cuja ação comunicativa racional é capaz
de gerar acordos ou equilíbrios de consenso entre os
indivíduos de uma mesma sociedade.
Democracia deliberativa
• O conceito de política deliberativa só ganha referencia
empírica quando fazemos jus a diversidade das formas
comunicativas na qual se constitui uma
vontade comum, não apenas por um auto-
entendimento mútuo de caráter ético, mas também
pela estabelecimento de acordos, da checagem de
coerência jurídica, de uma escolha de instrumentos
racionais e voltada a um fim especifico e por meio,
em fim, de uma fundamentação moral (HABERMAS,
2001: 277).
Referências
• DAHL, Robert. A Poliarquia: Paricipação e Oposição. Tradução Celso Mauro
Paciornik. São Paulo: Editora USP, 1997.
• DAHL, Robert. A democracia e seus críticos. São Paulo: Ed. WMF Martins Fontes.
2012. p. 356 – 476
• HABERMAS, J. “Três Modelos Normativos de Democracia”. In: HABERMAS, J. A
Inclusão do Outro. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2001
PATEMAN, Carole. Participação e Teoria Democrática. Trad. Luiz Paulo Rouanet.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992
• SILVA, Denisson et al. Teoria democrática contemporânea modelo democrático
competitivo e modelo democrático popular. Em Tese, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 1-
27, maio 2013. ISSN 1806-5023. Disponível em:
<[Link]
5023.2013v10n1p1>. Acesso em: 06 nov. 2015.
doi:[Link]
• SCHUMPETER, J. (1961). Capitalismo, Socialismo e Democracia. Rio de Janeiro:
Fundo de Cultura, 1961.

Você também pode gostar