Prática jurídica
Matheus (19 anos)
Local: Vitória- ES
Juízo: 2º Vara Criminal de Vitória- ES
- Erro do garçom: Carlos
-Art. 28 CPP – exame de alcoolimina encontrava-se completamente embriagado
- Culposo
- Embriagues Preordenada (o sujeito bebê para cometer o crime)
- Acidental
Testemunhas: os amigos José e Antônio
Ficou completamente embriagado
MP ofereceu denuncia apenas com as Informações de Caio
ART. 98 da lei 9.099
Citado: 16 de novembro de 2022 quarta feira
NOME DA PEÇA: Resposta a acusação (art. 396 e 396 A CPP)
DATA DA PEÇA: 28 de novembro de 2022
PRELIMINARES: LESÃO CORPORAL GRAVE- Caio ficou mais de 30 dias
afastado (necessita do exame de corpo de delito, art. 158 CPP) – NÃO TEM
PROVA justificativa: art. 395 inciso III do CPP “pedir ao juiz que ele reconsidere
e rejeite a denúncia”
MERÍTO: - Analisar o artigo 89 do CPP
- Ausência de provas – art. 158 CPP
- art. 28 e art. 397, inciso II absolvição sumariamente pela excludente de
culpabilidade (completamente embriagado)
PEDIDO: - Rejeição da denuncia art. 395 e 158 cpp
- Absolvição por ausência de prova
-Absolvição sumaria por excludente de culpabilidade art. 28
- Requer a oitiva as seguintes testemunhas (Carlos mora em ...., Jose e antonio)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO
DA 2º VARA CRIMINAL DE VITÓRIA/ES
Processo número:...
já qualificado nos autos, por seu procurador infra-
Matheus,
assinado, com procuração anexa, vem respeitosamente à
presença de Vossa Excelência, apresentar RESPOSTA À
ACUSAÇÃO, com base nos artigos 396 e 396-A do Código de
Processo Penal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:
I – DOS FATOS:
No dia 31 de dezembro de 2019, Matheus, nascido em 10 de
fevereiro de 2000, compareceu a uma festa de Ano Novo, em
Vitória, Espírito Santo, juntamente com seus amigos.
Animados com o evento, os amigos de Matheus ingeriram
grande quantidade de bebidas alcoólica, enquanto Matheus
permaneceu bebendo somente água tônica, pois sabia que
tinha intolerância ao álcool e que qualquer pequena
quantidade de bebida alcoólica já o colocaria em situação de
embriaguez. Ocorre que, em determinado momento, solicitou
água tônica ao funcionário do bar, que, contudo, em erro,
entregou a Matheus o drink “gin tônica”, que é feito com uma
dose de gin misturada com água tônica. Matheus, com sede,
deu um grande gole na bebida, vindo a ficar completamente
embriagado, em razão da intolerância ao álcool. Sentindo-se
mal, quando deixava o local dos fatos, Matheus é
surpreendido com a presença de Caio, 25 anos, com quem já
discutira em diversas oportunidades em jogos de futebol.
Caio, ao verificar a situação de completa embriaguez de seu
rival, começa a rir, momento em que Matheus usa a garrafa
de refrigerante, de vidro, que estava em suas mãos, para
desferir um golpe na cabeça de Caio. Caio é imediatamente
encaminhado para o hospital e, após atendimento médico,
comparece à Delegacia, narra o ocorrido e informa que teve
de levar 15 pontos na cabeça, razão pela qual ficaria
incapacitado de trabalhar por 45 dias. Em razão da dor que
sentia na cabeça, deixou de comparecer, naquele momento,
para a realização de exame de corpo de delito, informando,
ainda, que não teve acesso ao Boletim de Atendimento
Médico (BAM) no hospital, não sabendo se ele foi,
efetivamente, realizado. Concluído o procedimento, o
inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que, com
base apenas nas declarações de Caio, ofereceu denúncia em
face de Matheus, perante a 2º Vara Criminal de Vitória/ES,
imputando-lhe a prática do crime do Art. 129, § 1º, inciso I, do
Código Penal, informou o parquet que deixou de oferecer
proposta de suspensão condicional do processo, em razão da
significativa pena máxima prevista para o delito ( 5 anos de
reclusão), bem como diante da Folha de Antecedentes
Criminais, que registrava apenas uma condenação anterior de
Matheus, com trânsito em julgado no ano de 2018, pela
prática da infração prevista no art. 42 do Decreto-lei no
3.688/41. Como documentação, o Ministério Público
apresentou apenas imagens da câmera de segurança do local
da festa e a Folha de antecedentes criminais. Após
recebimento da denúncia, Matheus foi pessoalmente citado e
intimado para adoção das medidas cabíveis, em 16 de
novembro de 2022, quarta-feira, data em que os mandados
foram juntados aos autos.
II - DO DIREITO
A) PRELIMINAR
A.1) REJEIÇÃO DA DENÚNCIA
Como previsto no artigo 129, I do Código Penal configura-se
lesão corporal grave à incapacidade para ocupações habituais
por mais de 30 (trinta dias), entretanto, necessita do exame
de corpo delito como prova material para a comprovação do
delito.
Na Denúncia oferecida pelo Ministério Público não foi
apresentada tal prova pelo fato de não ter sido feito por Caio,
o réu disse que não foi no dia marcado pois estava com muita
dor de cabeça. Além de não ter está prova de fundamental
importância também não apresentou o Boletim de
Atendimento Médico (BAM) no hospital, não sabendo se ele
foi, efetivamente, realizado.
Portanto, peço que seja rejeitada a denúncia tendo em vista
que não possui prova justificada que por se tratar de lesão
corporal grave se trata do exame de corpo de delito como
previsto no artigo 158 e no artigo 395, III do Código de
Processo Penal.
“LESÃO CORPORAL GRAVE- Caio ficou mais de 30 dias afastado (necessita do
exame de corpo de delito, art. 158 CPP) – NÃO TEM PROVA justificativa: art. 395
inciso III do CPP “pedir ao juiz que ele reconsidere e rejeite a denúncia”
B) DO MÉRITO
MERÍTO:
A) AUSÊNCIA DE PROVAS:
O réu foi denunciado pela prática do crime de lesão corporal grave, entretanto,
não existe prova justificada. Nos termos do artigo 158 caput é indispensável o
exame de corpo de delito nos casos em que há vestígios, desta maneira a
ausência de justa causa para o exercício da ação penal causará a rejeição da
denuncia pelo juiz como previsto no artigo 395, III do Código de
Processo Penal.
b) ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA:
Com base no art. 28, §1º do Código Penal É isento de pena o agente que, por
embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação
ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento. Tendo em vista tal artigo pode-se
concluir que Carlos estava incapaz de entender o carácter ilícito de sua ação tendo em
razão da sua embriaguez completa e acidental pelo fato de ter sido um erro do garçom
Carlos.
Esse argumento será comprovado por meio do exame de alcoolemia que Caio realizou na
data do fato assim como o testemunho de seus amigos José e Antônio que presenciaram o
fato. Desta forma com a existência da excludente de culpabilidade pede-se a absolvição
sumariamente pela excludente de culpabilidade como previsto no art. 397, II do CPP.
III - DOS PEDIDOS
Ante ao exposto, requer-se:
A) A rejeição da denúncia, nos termos dos art. 395 e 158 do Código de
Processo Penal;
B) A absolvição por ausência de prova, nos termos do art. artigo 395, III
do Código de Processo Penal.
C)absolvição sumária, nos termos do Art. 397, inciso ii,
do código processo penal; (existência manifesta de causa
excludente da culpabilidade);
D) Produção de todas as provas admitidas em direito;
E) Produção de prova testemunhal.
Rol de Testemunhas:
1. José morador do endereço ...
2. Antônio morador do endereço ...
3. Carlos morador do endereço ....
Termos em que,
Pede deferimento.
Vitória/ES, 28 de novembro de 2022
Advogado...
OAB...