Jurisprudência
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53)
DECISÃO
Consta dos autos que o juízo singular condenou o paciente pela prática do
delito previsto no art. 33, caput, combinado com o artigo 40, inciso III, ambos da Lei n.
11.343/2006, ao cumprimento da pena privativa de liberdade de 6 anos e 9 meses de
reclusão, a ser cumprida em regime prisional inicialmente fechado, e 675 dias-multa.
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(e-STJ Fl.54)
É o relatório. Decido.
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(e-STJ Fl.55)
quem era o outro interno; que diante dos fatos, Maycon e Odair foram
conduzidos até a 16° delegacia regional, para os procedimentos de praxe.
No mesmo sentido se manifestou a testemunha Jardel Polli Leal, agente
penitenciário que também participou da apreensão, às fls. 07 dos autos físicos.
Vejamos:
Na data de hoje, por volta das 16:00 horas, estava realizando uma ronda na
parte externa da unidade, juntamente com os inspetores Felipe e Thiago, do
lado da janela dos cubículos, quando viram o interno Maycon Fernandes de
Faria, que se encontra recolhido na cela 211, passando alguma coisa amarrado
em uma cordinha, para o detento Odair José Lourenço, que se encontra na
cela 209; que quando foram ver o que Maycon estava passando para o detento
Odair, constataram que tratava-se de 03 (três) pequenos invólucros plástico,
contendo uma substância vegetal, aparentando ser a droga conhecida como
maconha; que Maycon assumiu que estava passando a droga para o Odair,
mas Odair alegou que estava apenas pegando a droga para um outro interno,
mas não falou quem era o outro interno;
Ao ser ouvido em juízo (mídia de fl. 92), o agente penitenciário confirmou os
termos do depoimento prestado na esfera policial, nos seguintes termos:
“Que se recorda dos fatos; que tem certeza que o Maicon passou uma droga
do lado externo da unidade, onde tem uma ventana, de mais ou menos um
metro por um metro; que os presos vão passando de uma cela para outra;
que ou o Maicon passou para o Odair ou o Odair passou para o Maicon; que
não se recorda do nome de cada um, mas presenciou os dois passando a
droga; que os acusados passaram por cordinha, que chamamos pelo apelido de
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(e-STJ Fl.56)
apelantes.
Isso porque, o § 3º, do supracitado dispositivo legal, se aplica a quem oferece
drogas, eventualmente, de forma gratuita, à pessoa de seu relacionamento,
para juntos consumirem, sendo esses requisitos cumulativos.
Nesse contexto, o elemento subjetivo do tipo é oferecer ou fornecer a droga
com o propósito de uso compartilhado e eventual, de modo que, se a conduta
de oferecimento for feita com habitualidade, ou caso não se destine ao uso em
conjunto, a conduta se adequará ao caput, do artigo 33, da Lei de Drogas, isto
é, ao crime de tráfico de entorpecentes.
No caso dos autos, conforme demonstrado na análise do pleito de absolvição,
o agente penitenciário foi expresso ao afirmar que os dois apelantes estavam
transferindo a droga de uma cela para outra.
Lado outro, os apelantes em nenhum momento dos autos aduziram que teriam
repassado a droga um para o outro para consumirem juntos, negando,
inclusive, que fazem consumo de drogas.
Assim, de todo o lastro probatório disposto no presente caderno processual,
vislumbra-se que a conduta empreendida pelos apelantes, isto é, entregar para
consumo ou fornecer 03 (três) buchas de maconha de uma cela para outra, não
se amolda à conduta prevista no artigo 33, § 3º, da Lei de Drogas, muito pelo
contrário, está devidamente prevista no caput, do artigo 33, da mesma lei, que
dispõe sobre a ação de entregar para consumo ou fornecer droga sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
Por todo o exposto, no caso em tela, não é cabível a desclassificação para a
conduta prevista no artigo 33, § 3º, da Lei nº 11.343/06.
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(e-STJ Fl.57)
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(e-STJ Fl.58)
Nesse sentido:
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. LEGISLAÇÃO
EXTRAVAGANTE. USO DE DROGAS PARA CONSUMO PRÓPRIO (23
G DE MACONHA). ART. 28 DA LEI N. 11.343/2006. PRETENSÃO DE
RECONHECIMENTO DA ATIPICIDADE DA CONDUTA.
OBSERVÂNCIA DAS TESES FIXADAS NO JULGAMENTO DO
RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 635.659/SP. PROVIMENTO QUE SE
IMPÕE. DETERMINADA A REMESSA DOS AUTOS AO JECRIM
COMPETENTE PARA A APURAÇÃO DO ILÍCITO ADMINISTRATIVO.
1. Em referência ao julgamento do Recurso Extraordinário n. 635.659/SP pelo
Supremo Tribunal Federal, realizado em 26/6/2024, verifica-se a necessidade
de modificação na situação do agravante, haja vista a compatibilidade do caso
concreto com as teses fixadas em sede de repercussão geral.
Documento eletrônico juntado ao processo em 26/06/2025 às 14:30:01 pelo usuário: SISTEMA JUSTIÇA - SERVIÇOS AUTOMÁTICOS
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(e-STJ Fl.59)
Intimem-se.
Brasília, 26 de junho de 2025.
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