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Apontamentos de DIP 03

O Direito Internacional Público (DIP) é definido por critérios que incluem sujeitos, matérias e fontes, abrangendo normas que regulam as relações entre estados e outros atores internacionais. As principais fontes do DIP são tratados internacionais, costumes e atos unilaterais, com princípios gerais do direito e jurisprudência como fontes secundárias. A codificação no DIP visa transformar costumes em tratados, promovendo estabilidade e segurança nas normas jurídicas internacionais.

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Apontamentos de DIP 03

O Direito Internacional Público (DIP) é definido por critérios que incluem sujeitos, matérias e fontes, abrangendo normas que regulam as relações entre estados e outros atores internacionais. As principais fontes do DIP são tratados internacionais, costumes e atos unilaterais, com princípios gerais do direito e jurisprudência como fontes secundárias. A codificação no DIP visa transformar costumes em tratados, promovendo estabilidade e segurança nas normas jurídicas internacionais.

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DIREITO INTERNACIONAL PUBLICO

Para definir o DIP há 3 critérios:


1. O critério dos sujeitos
2. O critério das matéria
3. O critério das fontes

1. O critério dos sujeitos

Qualquer destes critérios por si só não é considerado suficiente para alcançar


toda a plenitude do objecto deste ramo do dto porquê?
Porque a definição que distingue o DIP dos outros ramos do dto definindo-o
como o dto que disciplina a relação entre estados, é claramente insuficiente
uma vez que os sujeitos de DIP não são só os estados.
Por um lado, este critério, tem um visão subjectiva, não atende ás matérias ás
fontes, etc, por outro lado parte de uma posição de principio ou seja é sujeito
de DIP quem o DIP definir.

2. O critério das matérias

Ocupa-se dos assuntos quem oferecem implicações nas relações


internacionais, suscitando a sua intervenção reguladora.
Este critério tem o apoio na letra da lei no nº7 do art. 2º da CNU, ou seja há
matéria exclusivas dos estados e o DIP não se imiscuiu.
Criticas:
Há matérias que não são internacionalizáveis, têm que se distinguir.

3. O critério das fontes

É o conjunto de normas jurídicas criadas pelos processos de produção jurídica


próprios da Comunidade Internacional e que transcendem o âmbito estadual.

Definição de DIP segundo o Dr. Bacelar Gouveia: (definição que assenta em


4 elementos)

DIP é o conjunto de princípios e normas de natureza jurídica, que disciplinam os


membros da sociedade internacional ao agirem numa posição jurídica ou publica,
no âmbito das suas relações internacionais.
Os 4 elementos em que assenta esta definição são:
 Um elemento formal

1
Conjunto dos princípios e das normas com conteúdo jurídico, que entre si
se articulam sistematicamente, formando um ordenamento normativo por si
só.
 Um elemento subjectivo
Os membros da sociedade internacional que mutuamente estabelecem
relações e vinculações, de coordenação e subordinação
Relações que podem ser:
 de cooperação
resultando da necessidade de relacionamento internacional
 de reciprocidade
havendo neste caso vantagens recíprocas que derivam do
estabelecimento das posições subjectivas individuais
 de subordinação
através das quais alguns sujeitos aceitam limitações na sua soberania,
interna e internacional, mesmo contra a sua vontade expressa.
 Um elemento funcional
O estatuto jurídico público das pessoas jurídicas envolvidas, que
desenvolvem a sua actividade jurídico-internacional
 Um elemento material
As matérias abrangidas pela regulação em causa, imputadas á órbita das
relações internacionais em função da sua internacionalização.

Características do DIP
 Parcela do dto Público
 Topocêntrico nas suas fontes e nos seus sujeitos
 Fragmentário nas matérias abrangidas pela sua regulação
 Fragmentarismo horizontal – determina-se pela ausência de uma regulação
sobre os assuntos conexos com aqueles que já obtiveram essa regulação
surgindo assim um ordenamento internacional dispersivo e intermitente
 Fragmentarismo vertical – espelha a circunstância de, quando a certa
matéria, o DIP normalmente estabelecer orientações mais gerais.

Divisões do DIP
3 Critérios
 O critério do âmbito de aplicação: O dto Internacional Comum (art. 8º nº1
CRP) ( ex: as relações multilaterais à escala planetária) e o Dto Internacional
privado (uma zona do planeta; Europa por ex:).
 O critério da hierarquização regulativa: o Dto Internacional Constitucional e
o Dto Internacional Ordinário

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 O critério das matérias reguladas: o Dto Internacional Geral e o Dto
Internacional Especial.

FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL


(art.38º ETIJ – art.21º ETPI)

Principais fontes de dto Internacional:


1. Tratados Internacionais
2. Os Costumes Internacionais
3. Os Actos Jurídicos Unilaterais
Fontes secundárias ou pretensas fontes:
4. Os Princípios Gerais do Direito
5. A jurisprudência
6. A doutrina
7. A equidade

1. Tratados Internacionais

São acordos de vontade / consenso de vontades que, portanto, têm uma


estrutura de contrato, que produzem normas jurídicas que se destinam a
regular a vida internacional.
Hoje em dia o Tratado Internacional é a principal fonte de DI
Quanto ao nome, os tratados podem ser:
 Estatuto – normalmente se cria uma organização internacional
 Declaração, Convenção ou Pacto – se for 1 texto que declare dtos
humanos
 Concordata – se for um texto entre a Santa Sé e um estado
Os tratados são registados na ONU que funciona como um “DR”
internacional. (Nota: este registo é obrigatório para que emcaso de conflito se
poder apelar ao TIJ, caso não seja feito não é possível)

2. Costumes Internacionais

Nota: o costume NÃO é um acto jurídico


O costume tem 2 dimensões: o corpus e o animus (elemento material e
psicológico)
O costume é uma prática reiterada de uma conduta, conduta essa que tem de
ser encarada como uma conduta juridicamente normativa, tem de estar

3
enraizada; Tem de verificar-se uma prática que se sinta como
normativamente vinculativa.

Importante fonte de dto no DI


 Quando os países fazem tratados estão a perder um pouco da sua
soberania, logo são comedidos, fazem-nos conforme as situações vão
surgindo, hoje um sobre o ambiente, depois outro sobre o ozono, etc.
 Esta situação cria uma característica do DI que é o fragmentarismo; o DI é
feito aos bocados, há muitos espaços vazios.
 Fragmentarismo horizontal – isto é não haver intervenção normativa
de tratados em todos os aspectos da vida.
 Fragmentarismo vertical – por vezes as normas do DI são meramente
de enquadramento, os pormenores o DI delega nos países.
 A ocupação desses espaços vazios tem de ser resolvida, tem de haver
solução. Assim o DI arranja costumes internacionais para resolver os
conflitos.

3. Actos Unilaterais Internacionais (não são mencionados no art.38 ETIJ)

Importante: diferenciar actos de tratados

Tratados: são acordos entre duas ou mais partes


Actos: são manifestações de vontade de uma única entidade, não tem
estrutura contratual.

Os actos unilaterais nem sempre podem ser considerados como verdadeira


fonte do DI porque os respectivos efeitos podem não ascender à categoria de
efeitos normativos.

Há dois tipos de Actos Unilaterais

a) Actos que são feitos pelos Estados


b) Actos que são feitos pelas organizações

São 5 os actos que são feitos pelos Estados:

A Notificação – acto através do qual se dá a conhecer a outro país o sentido


da decisão (acto formal de transmissão de conteúdo)
O Reconhecimento – quer dizer que o país aceita uma realidade como
sujeito de DI. (um novo país, organização, etc.

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A Promessa – o estado assume uma obrigação de fazer alguma coisa, de
conceder uma vantagem que passa a ser juridicamente
protegida
A Renuncia – significa a vontade de o sujeito internacional fazer extinguir um
dto que pretença à sua esfera jurídica.
O Protesto – o estado não aceita uma realidade. Manifestação de
discordância factual ou jurídica. Ex: Espanha em relação às
olhas selvagens na Madeira)

São 3 os actos que são feitos pelas organizações


 Actos legislativos
 Actos administrativos (nomeação de pessoas)
 Actos judiciais
São actos importantes para a compreensão da dinâmica das organizações
internacionais.

Fontes secundárias

4. Os Princípios Gerais do Direito


Vêm referenciados no art. 38 ETIJ
I. Levanta problemas porque dá a entender que há nações civilizadas e
outras não
II. Os princípios em causa nunca derivam das nações mas sim dos estados.
Nação é um conceito psicológico e não jurídico-público.
III. Ao referir-se aos estados desconsidera outros sujeitos de DI. E: as
organizações

5. A jurisprudência
Tanto no DI como no dto interno não há uma força obrigatória geral, não há
tecnicamente falando decisões judiciais que sejam fontes de dto.

6. A Doutrina
O que os provedores escrevem ou dizem não é para levar a sério ao ponto de
ser uma fonte, é um elemento explicativo do conhecimento mas não é uma
fonte.

7. Equidade
Está no nº2 do art. 38 ETIJ

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Equidade é a justiça do caso concreto. Significa que num caso o juiz vai
despir-se por completo das normas que já estão pré-estabelecidas e vai
inventar um caso concreto numa decisão que seja uma decisão justa de
acordo com o seu conceito de justiça.

Relações entre normas jurídicas e as fontes do DI


Em qualquer ordem jurídica pode haver contradições normativas. Como é que
resolvemos essas contradições?
Resolvem-se através dos seguintes princípios:

Critério da Cronologia
 Diz que se o tratado posterior for contrário ao anterior, prevalece o posterior

Critério da Especialidade
 A norma especial prevalece em relação à norma geral.

Critério da Hierarquia
 É o factor de prevalência entre fontes e normas do DI.
 O DI é um dto horizontal: Todos os estados são iguais; todas as organizações
são iguais; não há normas umas acima das outras.
 Excepção: art. 103 da Carta da Nações Unidas que estabelece que se houver
um conflito entre uma norma das Nações Unidas e outra norma de DI
prevalece a norma das NU.

Critério Ético-Valorativo
 É a ideia de que há certas normas mais importantes do que outras, embora
formalmente iguais, em função do seu conteúdo. Ex: dtos humanos ou
princípios fundamentais do DI.
 São as normas Ius Cogens (art.53 e 64 CVDTE)
 A diferença entre o critério hierárquico e o ético-valorativo reside no facto de a
prevalência hierárquica não ser materialmente selectiva, apenas se afigura
relevante a entidade que a produz, bem como o lugar na hierarquia das fontes
e normas de DI.

Resumo:
 Quando há um conflito entre fontes eles resolvem-se:

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 Ou a fonte posterior prevalece sobre a anterior.
 A fonte especial prevalece sobre a geral
 A fonte inferior tem que respeitar a superior se for um caso de conflito de
organizações e sendo organizações que derivam da Carta das Nações
Unidas.
 Se for conflito com normas Ius Cogens estas prevalecem sobre todas as
outras.
Codificação

Consiste numa lei, acto produzido pelo poder público que se manifesta
exclusivamente no âmbito das fontes internacionais do dto com a força jurídica
dos texto legais.
No dto interno a codificação foi transformar costumes em leis.
No DI consiste em transformar costumes em tratados porque o DI como qualquer
ordem jurídica precisa de estabilidade, segurança e estabilidade. Ninguém está
perfeitamente seguro da norma que tem de cumprir se essa norma teve origem
costumeira, agora se as normas tiverem uma origem de tratado já está tudo preto
no branco.
Nas ultimas décadas tem havido um esforço enorme em muitas instituições a
codificar normas, ou seja fazer tratados em áreas novas onde não havia nenhum.
A codificação tem 2 vias:
A codificação cientifica – que significa que as normas ás vezes aparecem
redigidas por porf. universitários e por instituições cientificas que reúnem ponto
por ponto novos textos.
A codificação jurídica – quando os países recolhem esse contributo doutrinário e
transformam esses textos em textos vinculativos através de tratados
internacionais.

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TRATADOS

Referência: Convenção de Viena sobre os Tratados entre Estados assinada em


23 Maio de 1969.
Há outra assinada em 1986 que se aplica aos tratados entre estados e
organizações.

Elaboração dos tratados

Os tratados são elaborados em 5 fases:

1. Fase – NEGOCIAÇÃO
2. Fase – ADOPÇÃO DE UM TEXTO
3. Fase – VINCULAÇÃO
4. Fase – VIGÊNCIA
5. Fase – REGISTO DA PUBLICAÇÃO DOS TRATADOS

1. NEGOCIAÇÃO

A questão que se põe é: Se 2 ou mais estados decidem negociar um tratado


quem é que tem poder para negociar?
Há 2 tipos de poder:
 Ou o poder é dado pelo estado ou seja confere um mandato para negociar
a uma pessoa;
 Ou certas entidades ou certos particulares pela sua posição especifica não
precisam de mostrar á outra parte esses poderes, basta que eles aparecem
na sua qualidade de titulares de órgãos institucionais; esses poderes são
inerentes à sua função. Ex: PR, PM, MNE.

- Há poderes automáticos da função


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- Há poderes que têm de ser conferidos

Na negociação é definido:
- qual o tema do tratado; quais são os dtos e os deveres; qual é a matéria; etc,
mas tudo numa base informal.
Só se passa para a 2ª fase se tudo correr bem caso contrário fica-se por aqui.

2. ADOPÇÃO DE UM TEXTO

Significa que os negociadores consideraram que a sua negociação foi bem


transporta para um texto e esse texto é a expressão fiel daquilo que
negociaram.
Significa a aprovação do texto;
O texto é assinado pelos negociadores

Isto não significa que aquele texto seja vigente ou vinculativo para o estado; o
ser redigido não significa nada ainda.
Esses tratado fica conhecido ou pelo local ou pela data onde foi feita a
cerimónia da assinatura mas não significa que seja vinculativo a não ser que
seja um acordo simplificado em que o momento da assinatura é também o
momento da vinculação.

Estrutura do texto
Tem um preambulo;
Tem uma parte descritiva;
Alguns têm anexos

Língua
Normalmente na língua oficial dos estados envolvidos.

3. VINCULAÇÃO

Esta fase é simbolizada pela ratificação (mas não é obrigatória, pode ser
adesão)
É a fase em que cada país diz que quer ficar vinculado àquele texto.

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A partir da ratificação o estado considera-se obrigado ao tratado mas não é
ainda a entrada em vigor.

4. VIGÊNCIA

Aqui há 2 regras:
1. Cada tratado tem a liberdade de estabelecer o momento da sua vigência.
2. Se nada disser temos de ir à CVDTE ao art. 24 que estabelece vacatio
legis dos tratados, que diz que o tratado entra em vigor quando o ultimo
estado o tenha ratificado.
Nos tratados multilaterais com muitas partes, estabelece-se um quórum
mínimo de ratificação a partir do qual o tratado entra em vigor para aqueles
que o ratificam; o nº que é muitas vezes sugerido é o 60. Para os restantes
vai entrando em vigor conforme vão ratificando.
Mas isto é uma clausula. Regra geral, se nada disser, é quando todos tenham
ratificado.
Aqui há uma subtileza, 2 conceitos:
1. A Pré-Vigência
Por um lado há certas disposições de um tratado que entram em vigor na fase
2, pelo menos aquelas que dizem com se faz a vinculação.
2. Aplicação Provisória
Por outro lado os estados podem aplicar provisoriamente o tratado, ou seja,
pô-lo em vigência logo a seguir á fase 2 porque por vezes chegar á fase 4
demora muito tempo.

5. REGISTO DA PUBLICAÇÃO DOS TRATADOS

O registo é feito junto do secretariado das Nações Unidas. Todos os tratados


têm de ser comunicados sob pena, não de perderem a sua vigência nem a
sua validade, mas as NU não reconhecem esse tratado e portanto se houver
um problema que seja necessário uma intervenção de órgãos das NU elas
dizem que não o reconhecem.

Há tratados com particularidades, os multilaterais:


1. Tem a ver com a negociação ou seja os representantes de todos os países
reúnem-se num só lugar formando assim uma assembleia de negociadores,
chama-se negociação em conferência internacional.

2. Tem a ver com a fase da adopção do texto


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No final há um único exemplar do documento que é assinado por todos os
estados membros e depois daquele exemplar é que são tiradas fotocópias.

3. Particularidade
Se são:
Tratados Abertos
Tratados Fechados
Tratados Semi-Abertos / Semi-Fechados

Tratados Abertos
São tratados que apesar de terem sido feitos por poucos estados, o
conteúdo é bom e interessa a todos, e os países que fizeram aquele
tratado não se importam nada de haver outros países a fazer parte daquele
tratado.
Ex: tratados sobre dtos humanos.

Tratados Fechados
São tratados que não admitem a participação de mais nenhum estado, ou
porque não faz sentido ou porque os que lá estão não querem.

O caso do tratado da UE. É um tratado fechado, isto é, os países não


podem entrar na UE por simples vontade unilateral, não, nem mesmo
condicionadamente, é por isso que quando outros países querem participar
na UE fala-se de tratado de adesão que é no fundo pedir aos países que
já estão dentro, sem excepção, tem que ser por unanimidade.

Tratados Semi-Abertos / Semi-Fechados


É uma situação intermédia. Há um tratado que aceita outros países, mas
não um país qualquer, ou seja, só por vontade dele. Aceita sim mas com
condições, ou seja, quem quiser aderir tem de preencher certos requisitos;
ou seja, o acto de adesão só é válido se preencher certos requisitos.

Figura Jurídica do Depositário


Art. 76 e 77 CVDTE

O depositário é a entidade que guarda os textos.

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É um país que centraliza os actos burocráticos que tem a ver com a entrada em
vigor, recebe os originais das cartas de ratificação, guarda o original do tratado,
tira fotocópias, etc.
Resumindo: esse país centraliza todas as operações burocráticas sobre o tratado.

Reservas
A reserva traduz o equilíbrio entre o todo e o nada, porque quando se faz o texto
de um tratado não agrada a todos e há países que não aceitam determinados art.
do tratado.
Significa a possibilidade de um estado não aceitar a totalidade de um tratado mas
aceitar o tratado sem este ou aquele artigo, ou seja, eu aceito o tratado mas
formulo uma reserva em relação ao art. tal e tal.

Clausula de Reserva Proibida


O tratado tem uma clausula que diz não poder haver reserva sobre determinados
artigos; ou diz o contrário: este tratado só admite reservas nos art. tal e tal.
O normal é o tratado nada dizer e assim aplica-se o art. 19 alínea c) da CVDTE,
ou seja, se nada se disser o tratado não admite reservas que sejam incompatíveis
com o objecto e o fim do tratado.

Como se faz a reserva?


No momento da ratificação do texto o país tem de comunicar ao depositário que
assina com reserva dos art. tal e tal.

INTERPRETAÇÃO DOS TRATADOS

Objecto de interpretação
No DI a interpretação dos tratados é:
 Objectivista
 Actualista

Objectivista, porque nos tratados pretendemos captar a vontade expressa nos


tratados, a vontade que os tratados exprimem nos tratados, no texto dos tratados
e por outro lado essa interpretação deve ser sempre referida
(actualista) ao momento em que se está a interpretar a norma não aquilo que era
considerado possível à data do tratado. Quanto mais velho mais actualizado tem
de ser.

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Art. 31º CVDTE homologo ao art. 9º CC

O art.31º nº4 estabelece a excepção, se tiver sido intenção das partes


(interpretação subjectiva).

O sujeito da interpretação
Aquele a quem são dirigidas as fontes, relativamente às quais deve confirmar o
seu comportamento.

Interpretação autêntica – feita pelos autores do tratado.


Interpretação jurisprudencial – feita pelos órgãos judiciais a quem incumbe a
aplicação do tratado.

Os Elementos da Interpretação
O modo como se faz a interpretação dos tartados.

O elemento linguístico
O próprio texto

Elementos extra-linguísticos
 O elemento sistemático
 O elemento teológico
 O elemento histórico

O art. 31º na parte final faz referência a estes elementos


Ver art. 32 e art. 33 CVDTE
Tratados feitos em diferentes línguas autênticas.

INTEGRAÇÃO DAS LACUNAS

A questão que se levanta é saber o que é uma lacuna no DI?


Lacuna é a ausência de uma norma que deveria existir para resolver certas
situações.

Porque é que a lacuna no DI é mais complicada do que no dto interno?

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Porque o DI está muito próximo da politica internacional, ou seja, muitas vezes se
não há uma norma internacional não é que haja uma lacuna é que não há nem
deveria haver essa norma, e se é uma situação que não deve ter norma isso
tecnicamente não é uma lacuna, é uma situação extra jurídica ou seja é um
espaço vazio que o DI não tem que ocupar.
A CVDTE também não diz nada e não há nada para resolver o problema e a
única solução para resolver a situação é aplicar a técnica, que é recorrer á
analogia ou aplicar os princípios gerais do DI.

APLICAÇÃO DOS TRATADOS


São aplicados em 4 aspectos a considerar:
 A Aplicação Temporal
 A Aplicação Espacial
 A Aplicação Pessoal
 A Aplicação Interna

1. A Aplicação Temporal (aplicação no tempo)


O inicio da vigência do tratado, ou seja o tratado entra em vigor ou na data
que o próprio estabelece ou de acordo com a norma supletiva que está na
CVDTE art. 24º
A questão que se põe é saber se o tratado pode ser retroactivo?
A CVDTE não tem uma resposta especifica, assim na falta de uma indicação
especifica no próprio tratado ele só diz para o futuro. Art. 28º CVDTE.

2. A Aplicação no Espaço
Os tratados aplicam-se à totalidade do estado envolvido no tratado.
Obriga os estados no âmbito da sua jurisdição, terrestre, marítima e aérea.
Art. 29º CVDTE – regra geral.

Ressalvas:
Aplica-se o tratado onde faz sentido. Ex: tratado sobre sardinhas não se
aplica no Alentejo.
Se não houver clausulas referentes ao modo como se aplica o tratado no
território dos estados, aplica-se o art. 29º ou seja é em todo o território.
Foi uma clausula importante na altura das colónias ultramarinas e ainda é
para os estados federados.

3. A Aplicação Pessoal
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Saber se o tratado pode vincular terceiros estados que sejam externos ao
tratado?
Art. 34 CVDTE – regra geral – um tratado não cria obrigações nem dtos a
terceiro sem o consentimento dele.

Como os tratados são um acordo de vontades, se não há acordo nem


vontade não há tratado. Ninguém é obrigado a cumprir aquilo a que se
vinculou.
Há a considerar 2 situações:
Se se tratar de um dto estes integram a esfera jurídica dos estados terceiros
se nada disserem; vale o seu silêncio como consentimento.
Se se tratar de obrigações só integram a esfera jurídica dos estados terceiros
se nisso EXPRESSAMENTE tiverem consentido.

CAUSAS DE EXTINÇÃO DOS TRATADOS

Podem-se dividir em 2 grupos:


 Causa voluntárias
 Causas Exteriores á Vontade dos Estados Envolvidos

1. Causas Voluntárias

Isto é, as causas que levam à extinção de um tratado e que são determinadas


pela vontade das partes.
O que os estados podem fazer para extinguir um tratado? (aqui extinguir pode
ser o tratado no seu conjunto, ou extinguir a posição de cada estado nesse
tratado).

a) Revogação Colectiva (vontade colectiva)


Se todos os estados que o criaram (os signatários) decidirem acabar com
ele.
A revogação tem o mesmo numero de estados que tiveram na sua gene.
Quem criou um tartado também pode acabar com ele.

b) Revogação individual (vontade individual)


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Regra: só sai se os outros o permitirem.
O tratado cessa para esse estado mas continua para os outros.

A revogação individual pode ser através:


 Do Recesso – quando o tratado admite a saída do mesmo em
qualquer momento por vontade unilateral dos sujeitos.
 Da Denuncia – quando um tratado de vigência periódica uma das
partes se oponha à sua revogação, comunicando-o nos termos
estabelecidos.
 Por incumprimento do Tratado

2. Causas Exteriores à vontade dos Estados Envolvidos


Podem ser 3 situações:
 Caducidade
 Incapacidade de Cumprimento do Tratado
 Alteração das circunstâncias

a) Caducidade
 Esgotamento de um prazo pré-estabelecido. Ex: CECA foi celebrado por
50 anos ao fim dos quais acabou (1951)
 Fim dos pressupostos que justificavam o tratado
 Esgotamento do objecto. Ex: tratado sobre a sardinha: ela acaba, acaba
o tratado.

b) Incapacidade de Cumprimento do Tratado


Durante a vigência do tratado pode ter havido alguma fenómeno que leve
à impossibilidade de uma das partes de cumprir o tratado
Ex: vigilância alternada do espaço aéreo entre Portugal e Espanha. A
destruição dos aviões de um deles implica a impossibilidade desse cumprir
o acordo, logo ou se extingue ou se suspende o tratado até a situação
estar resolvida.
Tem de ser uma impossibilidade objectiva.

c) Alteração das circunstâncias


Pode haver uma alteração das circunstâncias, relativas ás existentes no
momento da conclusão do tratado, de tal modo que torna as obrigações
que os estados assumiram ruinosas, desajustadas aso próprios estados.

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Ex: 2 estados: A e B. A tem sardinha; B tem carapau
Ambos se comprometeram a dar metade das licenças de pesca um ao
outro, ou seja trocaram para que ambos ficassem com ambas as espécies.
Surge um problema: a sardinha desapareceu, acabou, imigrou.
O país que tem o carapau vai ter de suportar a pesca do carapau
efectuada pelo outro país mas não tem o beneficio de lá ir pescar a
sardinha. Aqui há uma alteração das circunstâncias.
Caso típico da alteração das circunstâncias:
Se for temporário há uma suspensão.
Se for definitiva o tratado tem de cessar ou ser modificado para
restabelecer o equilíbrio das relações. Art. 62º CVDTE alínea b)

Numa situação de guerra


A CVDTE nada dizem, no entanto o mais próximo é o art. 74º - ruptura das
relações diplomáticas ou consulares.
Há também tratados que só aparecem em situações de guerra, é o caso
dos dtos humanos, que apesar de existirem em tempo de paz os seu
efeitos são mínimos, mas visam principalmente as situações de guerra,
que é onde fazem sentido.
COMO É QUE OS TRATADOS SÃO CELEBRADOS EM PORTUGAL

Os tratados são feitos em 5 fases e essas 5 fases são comuns a todos os países
e também existem em Portugal.
Quem é que intervém em cada fase? Quem são os actores?

1ª fase – Negociação
2ª fase – Adopção do Texto

GOVERNO
Á luz da CRP quem tem o poder para a fase 1 e fase 2 de uma convenção
internacional é o GOVERNO.
É o órgão constitucional, em Portugal, que pode fazer a negociação e a adopção
do texto.
Nº 1 do art.197º b) CRP

3ª fase – vinculação

A vinculação em Portugal:
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Desdobra-se em 2 momentos num caso – tratados solenes e
Noutro caso fica-se por um único acto – acordos simplificados.

Temos que fazer a diferença entre:


 Tratados solenes – o tratado é sempre ratificado
 Acordo em forma simplificada – o acordo não é ratificado

Se for um tratado, para preencher a fase 3, ou seja, a vinculação de Portugal a


um tratado internacional é preciso:
 APROVAÇÃO pela AR
 RATIFICAÇÃO pelo PR

Se for um acordo já não é preciso um acto autónomo de ratificação.


Há um único acto com 2 assinaturas:
Um acto de aprovação pela AR ou pelo GOV conforme as matérias, mas em
qualquer dos casos tem de ser assinado pelo PR. É uma assinatura no
próprio documento de aprovação.

4ª fase – Vigência
5ª fase – registo da Publicação dos Tratados

Em Portugal estas 2 fases estão ao contrário: Primeiro a fase 5 e depois a fase 4,


Porquê?
Porque logo a seguir á decisão do estado português se vincular ao tratado ou
acordo, esse acto assinado pelo PR tem de ser publicado no DR antes da entrada
em vigor.
Em qualquer dos casos, tratados ou acordos, é necessária a publicação quer do
documento de ratificação quer do acto de aprovação, está previsto na Lei 74/98.

Podem haver fases especificas ou seja situações raras mas que podem
acontecer:
1. A possibilidade de haver fiscalização preventiva de tratados e de acordos.
Art. 278º CRP
2. A possibilidade de poder haver um referendo sobre tratados. Art. 115 CRP.
Tem-se prometido referendos mas ainda não foi feito nenhum em Portugal
sobre tratados.

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A RELEVÂNCIA DO DI NO DTO INTERNO

Nas relações susceptíveis de ser aplicadas entre estes 2 conjuntos normativos


surgiram duas grandes teorias
1. Teoria dualista
2. Teoria monista
1. Teoria Dualista
Prevaleceu no séc XIX porque assentava no pressuposto da soberania dos
estados. Consideravam que o dto constituinte era um dto supremo e o DI era
um dto secundário que não deveria limitar a soberania dos estados
Nesta teoria os autores consideravam haver uma incompatibilidade de natureza
entre o DI e o dto estadual:
I. Na diferença das fontes (leis no dto estadual, tratados no DI)
II. Na diferença dos sujeitos
III. Na diferença dos mecanismos garantísticos
1. Teoria Monista
Esta pelo contrário, reconhecendo a existência de 2 ordens jurídicas
autónomas, elas não são incompatíveis, podendo internamente relacionar-se
entre si na:
I. Aproximação das fontes
II. Coincidência dos sujeitos
III. Diversidade dos mecanismos de garantia
Os problemas do sec XX, 2 guerras, multiplicação do comércio, etc, hoje a
globalização tornou-se obvio que isso da soberania absoluta não fazia sentido,
e os estados pelo contrário têm transferido cada vez mais para a esfera
internacional um conjunto de temas.
O que é que isto trouxe? A multiplicação dos tratados e a multiplicação de
instituições internacionais.
Assim esta teoria ganhou terreno
Os problemas que se colocam são 2
1. Saber como o DI entra em cada ordem jurídica.
Aqui há 2 modelos que tê sido utilizados embora 1 em larga maioria
I. Modelo de transformação
II. Modelo de recepção

a) O sistema de transformação

19
A incorporação por transformação ou seja, o DI para entrar cá dentro vais
transformar a sua natureza e deixa de ser DI para ser dto estadual e para
isso é necessário que o estado adopte um procedimento transformativo da
natureza daquele tratado. Transforma o tratado em leis internas.
b) Sistema de recepção

Significa uma incorporação em que algo que tinha uma certa natureza é
recebido mantendo essa mesma natureza, não tem que se transformar.
E em Portugal? (a inserção do DI no dto português)
A resposta está no art.8º nº 1, 2 e 3 da CRP
Nestes primeiros 3 números está consagrado o sistema da recepção mas há
2 subsistemas na recepção:
I. A recepção automática – a integração não fica dependente de
qualquer acto intercalar para a sua vigência se efectivar
II. A recepção condicionada – carece de um acto de interposição que
condiciona a sua vigência
No art.8º nº 1 e 3 a recepção é automática
No art.8º nº 2 a recepção é condicionada
Qual a diferença entre a recepção automática e a condicionada?
A recepção automática significa que o DI sendo lá fora válido também o é cá,
nem sequer é preciso publicar esse dto.
A recepção condicionada pelo contrário esse dto é válido como DI mas isso
só é possível através de preenchimento de condições de natureza formal, há
um certo condicionamento:
O nº 2 estabelece 3 condições para que a recepção funcione
1º lugar – a necessidade de os tratados serem rectificados e aprovados
2º lugar - a necessidade de os tratados estarem vigentes na esfera
internacional
3º lugar - a necessidade de os tratados serem publicados no DR

Aqui há um problema que é encaixar o art.8º nas fontes do o DI


Em relação ao nº 2 não há muitas duvidas pois ele identifica as “convenções
internacionais” (fonte do DI)
O que são convenções internacionais? São tratados solenes ou acordos
simplificados.
Em relação ao nº1, que não fala em fontes, subentende-se que abrange os
costumes universais e os princípios gerais do dto. (não abrange os tratados
porque estão no nº2)
20
Fica assim por acolher:
- actos jurídicos unilaterais dos estados normativos
- actos jurídicos unilaterais dos organismos internacionais regionais e locais.
- os costumes internacionais que não sejam de DI comum.
(DI comum é uma categoria que o dto constitucional português utiliza para
referenciar o conjunto das normas do DI que se aplicam á globalidade do DI.
Aqui há outra questão: os actos jurídicos derivados.
O dto da UE no que respeita ás fontes tem 2 tipos:
- O dto originário – que corresponde ás leis de base da UE os seja
corresponde a 2 tratados: o de Roma actual TFUE e ao de Maastricht
actual TUE
- O dto derivado – que corresponde ás normas que a própria lei produz ao
abrigo do dto originário
O poder legislativo da UE oriundo destes tratados é o dto derivado que é
flexível porque é aceite pelo dto originário
Em relação a este dto derivado a CRP tem uma resposta no art.8º nº 3 tendo
aqui uma recepção automática. Nós no dto da UE temos recepção automática
nos regulamentos e em alguns casos de directivas.
Em Portugal não temos só o modelo de recepção mas temos também um
caso de transformação, as directivas da UE são objecto de transformação,
têm que ser transpostas para um acto jurídico interno
2. Uma vez o DI dentro de uma ordem jurídica estadual qual é o lugar
hierárquico que vai ocupar no dto português.
Podemos dividir o problema em 2 partes
- a relação do DIP com a CRP
Aqui a CRP é clara, até diz que o DI tem de estar conforme a CRP, logo
tem que estar abaixo da CRP, porque por ex: a CRP admite a possibilidade
de os tratados e os acórdãos serem submetidos a fiscalização preventiva
assim como as leis, os tratados e os acórdãos podem ser submetidos a
fiscalização preventiva por parte do PR, ora se são susceptíveis de serem
submetidos é porque têm de estar conforme a CRP, e se têm de estar
conforma a CRP é porque têm de estar abaixo dela.
Há 2 situações em que a CRP admite que o DI seja igual ou superior a ela:
Art.7º da CRP subordina o estado ao respeito por certo princípios
fundamentais - dto humanos, na paz, etc.
Art.16º da CRP que diz que quando estamos perante dto humanos a CRP
aceita que os seus dto atípicos sejam subjugados pelos dtos humanos
consagrados no DI.
21
- a relação do DIP com a lei ordinária
Aqui a CRP não diz nada mas subentende-se que as leis e os decretos-lei estão
abaixo do DI.
1º argumento tem a ver com a lógica das coisas: se um tratado tivesse o mesmo
valor de uma lei, no dia seguinte á sua entrada em vigor bastava criar uma lei que
o revoga-se para ele ir para ao lixo. Ou seja uma lei interna não pode pôr em
causa um tratado internacional.
2º argumento é o relacionado com o que se escreve no art.119 nº2 da CRP
quando na listagem põe em 2º lugar as convenções internacionais.

Parte IV - SUJEITOS INTERNACIONAIS

Quem são os membros da Comunidade Internacional?

Antigamente eram as entidades que tinham os seguintes direitos:


 Ius tractuum – O Dto de celebrar contratos
 Ius legationis – O Dto de estabelecer relações diplomáticas
 Ius belli – O Dto de fazer a guerra

Hoje em dia é mais complexo pois deixou de haver o ius belli, e ainda bem, os
estados não têm o dto de declarar guerra a outros estados.
A subjectividade Internacional continua a medir-se pelos dtos associados à
capacidade jurídica internacional que são:
 Ius tractuum – O Dto de celebrar contratos
 Ius legationis – O Dto de estabelecer relações diplomáticas
 Pela possibilidade que as entidades têm de participar em organizações
internacionais
 Pela possibilidade de se queixarem junto de tribunais internacionais.

Quem são esses sujeitos? – Dividem-se em 5 Categorias


1. Estados (elemento humano (povo), territorial (território) e Funcional
(soberania – poder interno e a nível externo, independência e igualdade)
2. Para-estaduais
3. Inter-estaduais
4. Colectividades não estaduais
5. A pessoa humana
22
1. Estados
Os estados têm o poder político soberano que se subdivide em:
- Soberania interna e
- Soberania externa
É aqui que funciona a ideia de soberania externa, para os estados serem
sujeitos de DI têm de ser estados soberanos na ordem internacional, na
ordem externa.

Excepções:
 Estados que não têm soberania internacional:
a) Estados federados, por exemplo os 26 estados Brasileiros e os EUA;
são estados federados dentro de uma federação; quem tem ius
tractuum não é o estado federado mas sim o estado federal.
Estados membros de uniões reais ex: o Reino Unido.
 Estados semi-soberanos – têm alguns poderes do DI mas não têm a
plenitude dos poderes que normalmente se reconhece aos estados:
Ex: históricos: os Estados Vassalo e os Estados Protegidos que
transferem para o estado protector parte dos seus poderes de DI;
 Estados exíguos: ex: Andorra, Mónaco, etc. que não fazer não fazem
aparte das N.U. devido à sua pequenez, mas podem fazer alguns tratados.
 Estados neutralizados – ex: Suíça e a Áustria que não podem intervir em
assuntos de natureza militar.
 Por fim a mais frequente que são os estados que fazem parte de
organizações internacionais supra-nacionais: ex: os países membros
da UE – Portugal já não é um estado soberano, porque houve transferência
de poderes para a UE

2. Para-estaduais
São entidades que não sendo estados são muito parecidas com os estados
e em certas circunstâncias essas entidades podem ter também poderes na
esfera internacional.

 Beligerantes – grupos armados que ocupam dentro de um estado um


determinado território com a finalidade de mudar o sistema politico do país
mas reconhecem-se nele, só querem mudar o sistema constitucional.

23
 Insurrectos – grupos armados que não ocupam nenhuma parte do
território, fazem acções armadas isoladas mas não têm uma administração
localizada.
Estes grupos muitas vezes lutam pelos valores da democracia e há
necessidade de reconhecer-lhe um estatuto internacional para que possa
haver negociações.
 Movimentos de libertação – grupos armados que usam da violência ou da
acção politica e que pretendem a criação de um novo estado, ou seja que o
seu território e a sua população deixem de pertencer ao estado que
pertenciam e possam formar um novo estado. Ex: OLP.
Também são reconhecidos na esfera internacional.
 Governos no exílio – são governos que continuam a governar o estado
mas o estado está ocupado ou seja, os órgãos de soberania de um país
estão reunidos noutro país para aí continuarem a governar. Podem
celebrar tratados com outros países com vista à recuperação do estado.
 Regiões autónomas com poderes de DI – ex: de Macau e Hong kong –
não são estados mas têm poderes muito próximos dos estados.

3. Inter-estaduais
 Associações de estados – relacionam estados entre si e formam uma
nova entidade diferente de cada um dos estados que dela faz parte. Ex: as
confederações (ex: URRS) e as Uniões Reais (Ex: Escócia, Pais de gales
Inglaterra)
 Organizações Internacionais – podem ser entre estados e entre estados
e outras entidades. É uma realidade do sec. XX. A 1ª grande organização
foi a Liga das Nações, organização política que surgiu no fim da 1ª guerra.
Hoje existe a ONU que foi criada por Tratado Internacional chamado Carta
de S. Francisco em 26JUN1945.
Há vários tipos de organizações:
1º Distinção: Organizações de fins gerais e Org. de fins especiais
As de fins gerais tratam um pouco de tudo, assuntos políticos, económicos,
culturais enquanto as de fins especiais apenas tratam de um assunto
específico
2º Distinção: tem a ver com o número dos seus membros e o seu âmbito
de aplicação.
Pode ser uma org. Internacional universal, mundial como pode ser uma org.
internacional regional ou com um numero restrito de estados, Ex: CPLP
que só tem 8 membros.

24
3º Distinção: org. internacionais clássicas e org. internacionais
supranacionais
As clássicas deliberam por unanimidade mas não podem impor as
respectivas deliberações, as supranacionais podem deliberar por maioria e
têm a faculdade de subordinar os respectivos estados.

Organização da Nações Unidas

Surgem após a 2ª guerra num contexto difícil com a finalidade:


1. Levar mais a sério o uso da força estabelecendo um regime mais forte e
duro de proibição do uso da força por parte dos estados.
2. As NU entenderam que eram importante lançar um vasto programa de
cooperação económico e social criando agências especializadas para
ajudar os estados mais pobres.
Quem é que pode ser membros das NU? – Só Estados

Estrutura: - Principais Órgãos (6)


1. Assembleia Geral – com sede em New York e é um parlamento que
reúne todos os estados membros e cada um tem um voto (principio da
igualdade) no entanto não tem poderes vinculativos só tem poderes de
recomendação.
2. Conselho de Segurança – é um órgão aristocrático porque reúne só
com 15 Estados:
5- Permanentes: EUA, França, Rússia, China, Reino Unido
10 - Eleitos por 2 anos rotativamente
A principal função é tomar medidas quando há um conflito militar,
sanções económicas, diplomáticas, zonas de exclusão aérea, tem
plenos poderes, etc.
O conselho de segurança só pode deliberar se tiver 9 votos e nestes 9
tem de estar os 5 dos seus membros permanentes, basta um contra
para a decisão não poder ser aprovada. Art. 27º da Carta das NU.
3. Conselho económico e Social – órgão consultivo para estes assuntos
que pode fazer recomendações à Assembleia Geral.
4. Secretário-geral das NU
Tem um mandato de 5 anos renovável por mais 5 e é escolhido de 10
em 10 anos por uma diferente região geográfica, agora é Asiático.
5. Tribunal Internacional de Justiça
6. Agências especializadas
FMI; FAO; Banco mundial; UNESCO, Etc
25
4. Sujeitos de Dto Internacional - Colectividades não Estaduais

1. Santa Sé
Até ao sec. XIX tinha 2 dimenções:
- uma espiritual
- uma estadual – havia estados pontifícios que desapareceram no sec XIX.
Estes estados ocupavam zonas de Roma e uma boa parte á sua volta e
para criar um estado unificado era necessário anexar Roma
desaparecendo assim, mesmo com a oposição do Papa, porque impediam
a unificação da Itália que estava dividida em reinados.
A Santa Sé ficou somente com a basílica de S. Pedro e os jardins à volta
no que é conhecida como o Estado da Cidade do Vaticano.
A Santa Sé para efeitos de DI é admitida em muitas organizações como
membro, é observador nas NU, mas não tenta ser parte activa porque
entende que a sua missão é mais espiritual não se mete em questões
temporais.
No entanto exerce dois importantes poderes:
- Celebra tratados designados por Concordatas e
- O Núncio Apostólico da Santa Sé em Portugal é o decano do corpo
diplomático ou seja é aquele que representa todo o corpo diplomático em
Portugal quando há recepções oficiais é ele que fala em nome de todo
corpo diplomático.

2. Ordem Soberana e Militar de Malta


Remonta às cruzadas e teve várias localizações; foi sediada em vários
locais: Terra Santa; Chipre; Malta.
Começou por ser uma ordem para cuidar dos feridos das cruzadas.

3. Cruz Vermelha
Foi criada em 1864 por Henri Dunant para levar à prática o ideal
humanitário em situações de guerra ou seja socorrer feridos, prisioneiros e
sepultar os mortos durante um conflito militar e assim obter protecção e
imunidade dos beligerantes para esse pessoal humanitário poder socorrer.
Este é o ideal humanitário que a Cruz Vermelha representa;
Do ponto de vista da actuação assenta em 3 tipos de estruturas:
a) O comité Internacional da Cruz Vermelha;

26
b) A federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho;
c) As sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho;

O mais importante desta organização que ter sido através deste impulso
que foi criado o Direito Humanitário no DI, no sentido de se criarem
normas que possam num cenário bélico diminuir o sofrimento dos
intervenientes.

4. Organizações não Governamentais


São organizações que não são criadas pelos estados partem da
sociedade civil e são importantes principalmente na denúncia de violações
de dto internacional por ex: o green peace, a amnistia internacional, etc.

5. Pessoa Humana
Existem 6 biliões de seres humanos e o que é importante de realçar são
os Direitos Humanos, que significam em ultima instância que a pessoa
humana também é sujeito de DI, dtos Humanos esses consagrados ao
nível directo do DI portanto numa base internacional e universal, igual em
qualquer parte do mundo.
O 1º texto foi uma declaração da Assembleia Geral das NU – DUDH. Este
texto não foi feito como Tratado mas como Declaração.
No âmbito das NU só em 1966 é que apareceram 2 textos principais: o
Pacto de DI civis e políticos e o Pacto de Dtos Económicos Sociais e
Culturais, havendo a posteriori vários em diferentes áreas formando assim
o sistema das NU.
Ao nível dos Continentes tem havido sistemas autónomos sendo o
Europeu o primeiro em 1950, (Convenção Europeia dos Dtos Homem),
criado no Conselho da Europa, a seguir foi a América 1969, CIDH e dp em
África 1981, CADHP.
Qual deles o melhor? O Europeu não só porque foi o primeiro a aceitar a
petição individual dos cidadãos como é o que um sistema mais
aperfeiçoado de aplicação de sanções. O Trib. Europeu Dtos Humanos
condena países quando violam os dtos humanos obrigando-os a pagar
uma indemnização aos cidadãos cujos dtos foram violados por esse país.
O DUE tb tem um sistema próprio sobretudo com o tratado de LX com
uma carta de dtos fundamentais elaborada em 2000 em Nice mas só
entraria em vigor no tratado de LX mas a Polónia e o Reino Unido não
assinaram a carta.

27
DOMINIO INTERNACIONAL

Espaço Estadual

Domínio Terrestre
Corresponde ao território onde o Estado exerce a sua soberania (terra
seca) que se distingue de outros através de uma linha de fronteira.
Domínio público do estado, não se pode alienar (ex: praias, caminhos de
ferro, auto-estradas) e Domínio privado do estado, pode alienar (ex: carros
do estado, prédios, etc).

Domínio fluvial – Rios e Domínio lacustre – lagos


Aqui se forem rios e lagos internacionais pode haver restrições especiais
no modo como os estados gerem esses meios. (ex: a navegabilidade, a
poluição, etc).
Domínio aéreo
O estado tem tb domínio sobre o espaço aéreo que está subjacente ao seu
território terrestre e ao seu território marítimo até ao inicio do seu espaço
exterior. Mais ou menos 100KM
Extra territorialidade
Situação em que as leis do estado tb se aplicam em situações que estão
fora do seu território, seja terrestre Marítimo ou aéreo, são 3 casos:
- Nas embaixadas e em zonas de imunidade diplomática
- Nos navios, sob a bandeira desse país
- Nas Aeronaves, sob a bandeira desse país
Principalmente em matéria penal.

Os espaços Marítimos

Águas interiores – desde terra firme até à linha de água na baixa-mar


Mar territorial – desde a linha da baixa mar até às 12 milhas. Tanto o mar como
o solo, terra molhada, o fundo.
 Poderes de soberania no mar territorial:
Poder de cabotagem; pesca; utilização do espaço aéreo; exploração do
solo e subsolo; regulamentação de passagem de navios estrangeiros;
instalação de cabos e oleodutos; jurisdição penal e civil sobre os navios.
Plataforma Continental – zona entre as 12 milhas e as 350 no máximo
(juridicamente só 200).
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Aqui só diz respeito o leito e o subsolo e não as águas ou seja a água
que está por cima já não é soberania do estado
Os estreitos e os canais internacionais – os canais são ligações entre mares
feitas pelo homem, ex: canal Panamá; os estreitos são localizações onde a
terra seca se aproxima mas permite a passagem por via marítima.
Apesar de serem zonas de mar territorial, como são zonas de passagem
beneficia menos os estados costeiros, há mais liberdade de passagem.
Águas arquipelágicas – Espaço marítimo que rodeia os estados que são todos
eles constituídos por águas arquipelágicas, ex: um estado totalmente
constituído por ilhas. As águas entre as ilhas não são consideras mar
territorial mas sim águas arquipelágicas. O mar territorial fica para fora da
linha que limita exteriormente as ilhas.

O domínio espacial de Portugal


Art 5º CRP
Problema de Olivença – pertenceu a Portugal até ao inicio do sec XIX mas
foi transferido para o domínio Espanhol pelas invasões Napoleónicas.
Temos outro problema com as ilhas selvagens as quais a Espanha não
reconhece como que tenha vida própria. Baseada no artº 121º da
convenção da NU sobre o Dto do Mar CNUDM

USO DA FORÇA NA SOCIEDADE INTERNACIONAL

O dto internacional não se impõe. É violado muitas vezes; o que não significa que
não tenha sanções e que não hajam normas jurídicas.
Como se resolve? Pela via dos tribunais? Por outros meios?
Há duas vias:

1. A via da resolução política


Esta é a via que se prefere e que tem menos danos e custos.
Quais são os mecanismos? Como é que os estados actuam para resolver
entre si as controvérsias?
CNU art.º 33º
Negociação - esquema mais simples e directo
Bons ofícios – integram já a intervenção de uma entidade exterior para as
aproximar.

29
Mediação – intervenção de entidade exterior com papel activo propondo
soluções
Inquérito – averiguação dos factos de desentendimento por parte de
entidade exterior
Conciliação – formação de 1 comissão com elementos nomeados pelas
partes em nº impar para propor uma solução

 A via de resolução pacifica jurisdicional


Aqui já temos a intervenção de 1 tribunal que podem ser de 2 naturezas:

Tribunais arbitrais – constituem-se para resolver certos litígios havendo


acordo das partes naquele conflito. É constituído na hora por 3 árbitros (um
escolhido por cada lado e um nomeado pela relação)
Qual é a vantagem: é 1 tribunal só para resolver aquele caso concreto;
os árbitros são especialistas naquele assunto.
Desvantagem: é muito caro pagar a estes especialistas
Quem opta por estes tribunais renuncia o recurso aos trib. Judiciais
comuns. O processo é declarativo e não executivo.
Características: escolha dos árbitros por ambas as partes; as partes
permitirem que o tribunal decida por equidade; renuncia à justiça pública.

 Tribunais Judiciais. No dto internacional


Também é possível recorrer aos tribunais e também á equidade art 38 nº2
do TIJ.
Só os estados é que podem recorrer ao TIJ que é composto por 15 Juízes.
Há uma crescente judicialização das relações internacionais, têm
aumentado os tribunais (principalmente os dos dtos humanos), o que
permite que os conflitos possam ser resolvidos por tribunais pré
constituídos.

2. A via Bélica
Uso da força no Dto Internacional
Há que distinguir entre o dto internacional Clássico e o dto inter. Moderno.
No Clássico o uso da força era livre, era um dto dos estados no dto
moderno o uso da força deixa de ser um dto e passa a ser um monopólio
das NU.
 1 momento – limitação ao uso da força em 1907 – no âmbito da
conferencia internacional de Haia onde se fizeram vários Tratados sobre o

30
Direito Internacional Humanitário. Pequeno mas significativo contra a
Guerra. Limitações de uso da força para Cobrança ou seja para cobrar os
Créditos não se pode invadir o outro Estado – Não Acção Directa mas
propor acção jurídica. Proíbe-se o uso da força na cobrança de dívidas
entre Estados.

 2º Momento – Fim da 1ª G. Guerra e a criação da Sociedade das Nações


1919, Tratado de Versailles – Pacto ficou estabelecida a Moratória de
guerra – conflito entre dois países – tinham de comunicar ao Conselho
esse litígio e deveriam de abster-se de actos de força durante 3 MESES.
Conselho poderia resolver entretanto.

 3º Momento – Tratado de 1928 – Tratado de Paris. Os países renunciavam


ao uso da força. Deixou de ser discricionária, vai para além dos 3 meses.

 4º Momento – Actual – Carta das Nações Unidas – Mudança profunda.


Uso da Força não está mais nos Estados. Quem tem autoridade é as
Nações Unidas através do seu Conselho de Segurança – 15 Membros =>
Determinar o Uso da Força no Direito Internacional.
Pacto de Varsóvia – não se substituíam ao poder das NU
São organizações regionais.
NATO – Organização Militar Defensiva. Um artigo. Colectiviza um direito de
legítima defesa de um dos seus membros. Legitima defesa Colectiva. Intervém
fora do âmbito dos territórios dos Estados Membros. Em países e espaços que
não pertencem à organização.
Não se socorre para o TJ das decisões do Conselho de Segurança. Basta que um
deles diga que não.
Ideia de Necessidade da Paz => Principio Fundamental das Constituições actuais
e do Direito Internacional
Art 7º CRP – Respeita a solução pacífica dos conflitos.
Importante no uso Espaços entre o Mar. Convenção sobre Direito do Mar. Art 301.
Tratado sobre o Espaço Exterior – uso pacífico do Espaço Art 4º. Parágrafo 2.
Utilizado com fins pacíficos.
Este é o Panorama Actual – Proibição do Uso da Força.
Como é que funciona no Conselho de Segurança – decide por sua iniciativa ou
por Estado Membro provoca uma reunião. Sempre pronto a reunir.
Pode o Estado Membro tomar a decisão e Pode o Conselho de Segurança tomar
decisões de sua livre iniciativa.
Decisões de Natureza Politica

31
Decisões de Natureza Coactiva – aplicar sanções aos Estados que coloquem em
causa a Paz e a Segurança Internacional.
2 tipos de Sanções:
 Não Militares
 Militares
Sanções para surtir efeitos.
Carta das Nações Unidas, art. 39 a 42. Ver art 41º
Este uso da força é compatível com uma legítima defesa – CNU art 51º

Direito Internacional Humanitário – CRUZ VERMELHA


O dto humanitário costuma ser referido por 3 Períodos Diferentes:
 Direito de Haia – limitar a acção dos Estados na utilização de tipo de
armas e proteger grupos de Paz. 1899 e 1907 – 2 conferências. 13
convenções aprovadas. De definiu o que é ser Beligerante, Neutral, como é
que a guerra se declara, etc.
 Direito de Genebra – 4 convenções. 1 Para situações terrestres; 1 para
feridos, náufragos e doentes no mar; 1 para os prisioneiros de guerra; 1
para a protecção de pessoas civis em tempo de guerra.
Complementaridade. Convenções esclarecem a protecção Grupos
Profissionais, Civis, Religiosos, médicos, prisioneiros de guerra, mínimo de
direitos. Identifica os Mortes, os Jornalistas. Comité da Cruz Vermelha,
Mar, Prisioneiros de Guerra, Proteger as Populações Civis. Definiu tb que o
Direito Humanitário se aplica tb às guerras civis (não apenas guerras locais
e internacionais mas à Guerra civil, motins armado, acto terrorismo e
guerrilha.)
 Direito de Nova York – Anos 60. As NU produziram Resoluções para
aproximar as pessoas num contexto de Direito Humanitário. 1954 Proteger
os Bens Culturais – Convenção de 1954 Proibir, 1962 – Armas
Bacteriológicas, 1992 Armas Quimicas e Laser. Mais recentemente
Convenções a proteger contra Minas Anti Pessoal – Diana Spencer.

OPERAÇÕES DE PAZ
Muitas vezes não se usa a força. Não há FA das Nações Unidas. São os Países
que colocam sobre a liderança das NU as suas próprias forças – CAPACETES
AZUIS. Está previsto na CNU requisitar forças armadas mas nunca foi cumprida.
Capacete Azuis – Forças Armadas de Operações de Paz.
Solução Intermédia entre a Pacífica e a Paz.
Forças de Interposição – Fiscalizar o “Cessar-Fogo” “Forçar a Paz” e Operações
de “PEACE BUILDING” ou “STATE BUILDING”, Consolidar a Paz e Instalar as
Instituições.

32
Direito Internacional Penal
Não dependente da vontade dos Estados. A Pessoa Humana tem Protecção
Garantida. Direitos Humanitários. 185 países – Conv Genebra aderentes.
O DI Penal surgiu pela 1ª vez na 2ªGGM, depois – perante as atrocidades pelo
regime Nazi e Japonês, os Criminosos tinham de ser punidos. Genocídio Povo
Judeu ex.
Criados 2 Tribunais Internacionais:
Tribunal de Nuremberga – criado pelo acordo de Londres, Alemães. França, RU,
EUA, USSR
Tribunal de Tokio, criado pelo Gen MacArtur Cmdte Chefe EUA
É uma Realidade Nova
Tratados que definiam Crimes – os crimes Contra a Humanidade, Crimes de
Guerra e Crimes Contra a Paz.
Admitir a sua existência; Prevendo uma série de Práticas; Prevendo Sanções –
inclusive a Pena de Morte.
Tribunais estavam feridos por legitimidade – Tribunais dos Vencedores!
Direito Internacional foi progredindo.
9 Dez 1948 – Convenção Internacional para a punição do Crime de Genocídio –
definido no Acordo de Londres – temporais – por permanente certas categorias de
crimes – OS CRIMES IMPRESCRITÍVEIS.
No Coração da Europa! Pôs ao de cima da Agenda Política – O Conselho de
Segurança – Criou a Resolução numa Noite – 2 Tribunais:
Tribunal Penal Internacional ad hoc para a Jugoslávia e outro ad hoc para o
Ruanda, definindo a delimitação do tempo, para julgar os crimes cometidos, e
definindo as penas a aplicar.
Solução: Criou-se um Tribunal Permanente com capacidade para punir – 1998 –
adoptou-se o texto Estatuto TPI – Haia (T Justiça), (TJ Permanente)
O TPI só entrou em vigor em 2002. Não inclui os Crimes por Narcotráfico nem de
Terrorismo
Milosefic, Radovan Karasev e Pessoa de Medicinas alternativas.
TPI foi revisto para aí incluir outro tipo de crimes, recentemente.
Hussein – genocídio kurdos trib Iraque enforcamento
TPI só se aplica aos Crimes ocorridos após 1998 – 2002 – 60 países subscritores.
Jurisdição complementar => TPI

33
Tribunal Internacional Justiça

É um órgão das Nações Unidas. Tem estatuto autónomo em relação à Carta. Art
92 e segs da CNU. Dirimir conflitos entre Estados.
É o Principal órgão judicial das Nações Unidas.
ETIJ Art 38. Estatuto do ETIJ. Tribunal 15 juízes. Assembleia Geral NU.
Representar sensibilidades e equilíbrio de interesses. Quem pode ser juiz art 2º
pessoas alta consideração moral mais altas funções judiciais. Mandato Tribunal –
juízes eleitos mandato por 9 anos. Podem ser reeleitos. Fazem-nos a título
exclusivo. Sede em Haia. 2 línguas oficiais: inglês e Francês.
Competências (art34 e seg.)
1º Tribunal de Estados – art 34, 1 – só funciona para estados.
2º Jurisdição tribunal obriga artigo 93 CNU nº 1 ratifica a carta e ratifica o ETIJ
Para que Estado fique abrangido no ETIJ e preciso que tribunal aceite a jurisdição
desse mesmo tribunal. Para ficar abrangido pela jurisdição é preciso que o Estado
aceite essa jurisdição.
Cláusula Facultativa de Jurisdição Obrigatória. Jurisdição aceite sob certas
condições.
Ver art 36º ETIJ
Jurisdição – PROCESSO DECLARATIVO e PROCESSO EXECUTIVO
 Proc Declarativo – Declarar o Direito – Quem tem razão
 Proc Executivo – Quem executa – art 94 da CNU

Competências – O tribunal tem simultaneamente


Competência Contenciosa para processos e
Competência Consultiva, para emissão de pareceres inclusive sobre a
interpretação da Carta Art 65, 1 ETIJ

Ex: Pareceres sobre os Muros que dividem Israel da Palestina – Muros são Ilegais
Kosovo poderia ou não ser independente – sim
Ex: Condições de aceitação dos Estados Membros.

Regras Processuais – Fase Oral e Fase Escrita


Partes – contestação, fase escrita – definem de facto o que o tribunal vai decidir.
Fase Oral a posteriori.
Fase da Sentença – definitiva e inapelável – art. 60 ETIJ
Não há recurso mas pode haver Revisão de Sentença
Tribunal de Instrução Única – art 61 ETIJ

34
Tribunal Penal Internacional

Chegou-se a uma altura no Direito Internacional em que deixar nas mãos a


punição dos criminosos não chegavam a lado nenhum.

O TPI não depende da vontade política dos Estados mas Supra Nacional.
Para punir os Criminosos que dentro dos Estados estes não os podem punir.
Distinção entre Direito Internacional Penal e Direito Penal Internacional
Há uma tendência para a fusão destes 2 dtos. O mais antigo é o DPI porque é o
dto que é do estado, baseia-se no código penal de cada estado, define os crimes
que vai punir e aceita em várias circunstâncias que a sua jurisdição se alargue
para certos espaços do DI. É de raiz estadual.
O DIP é diferente, a sua raiz já não é estadual é internacional e parte da ideia de
que onde está o centro das normas de punição não é no estado mas numa
instancia internacional supra-estadual.

O Dto Internacional Penal corresponde a um conjunto de normas e princípios


jurídicos neste caso do DI e podemos dizer que há 4 capítulos:
1. Um Dto objectivo - como sendo um conjunto das normas definidas pelo
código de dto internacional penal.
2. Dto penal substantivo - onde define as penas e os seus crimes
3. Processo penal – a parte que define as regras processuais
4. Dto penitenciário – condições regras em que são condenados nas prisões
Evolução Histórica – 5 Fases na Evolução Direito Internacional Penal

1ª Fase – é uma Pré-Fase. Não há Tribunal Internacional. Há da parte dos países


um despertar. Julgar cá dentro os criminosos lá fora. Desejo de combater o crime
de Alto Mar – Pirataria. Costume Internacional Ancestral – Estados Julgam os
Piratas – Insegurança
Seguir a 1ª GGM tratado que validou o fim. 1º ex. Tribunal Int Penal – Tratado de
Versailles – criou a Sociedade das Nações e pôs fim à 1ª GGM. No Art 227 e 228
e 229 criação de um tribunal internacional penal para punir o Kaiser alemão.
Definir os termos da sua condenação as potências aliadas – 227. Guilherme II –
Ofensas supremas Moral Internacional e Tratados. 5 Juizes EUA RU França
Japão e Itália. Principais Políticos. Paises baixos nunca entregaram o Imperador –
a Holanda. Foi julgado à revelia.
2ª Fase – Depois da 2ª GGM. Fase prática condenação e execução Tribunal
Nuremberga e de Tókio.
Acordo de Londres e com Gen Macartur Texto copia integral do Acordo Londres
para Tókio.
O julgamento durou entre Nov 1945 a Out 1946, 218 dias audiências. 12
Condenados à morte por enforcamento. 3 prisões perpétuas, 2 a 20 anos e 1 a 15
anos.

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Tókio – 7 condenações à morte por enforcamento, 16 prisões perétuas, 1 a 20
anos e 1 a 7 anos.
Crimes contra a Paz, A Guerra e a Humanidade. Penas de Prisão e de Morte
Art 27 – Tribunal direito impôs ao Réu pena de Morte ou outro que considere
justa.
3ª Fase – Politico legislativa ou doutrinária – Trabalho de bastidores para criar um
Código Penal Internacional. Diluindo com o avivar da guerra Fria 40/50, até aos
anos 90. Anos 90 reavivaram.
4ª Fase – 92, 94 – Jugoslávia, Haia, e Ruanda, Tanzânia. Criação de 2 tribunais
ad hoc por decisão das NU. Recuperaram a ideia de que instância penal supra
estadual. Jugoslávia não havia Estado.
2008 Jugoslávia, 50 condenações
Tanzânia – Ruanda, 6 julgamentos
2 Tribunais aplicaram a pena de morte. Associam jurisdição concorrente com a
dos Estados, em substituição da inércia dos Estados. Estado Português ratificou o
Tribunal ad hoc para a ex-jugoslávia.
TPI só julga quando os Estados não querem ou não podem julgar.
5ª Fase – Fase da Criação do TPI pelo Estatuto Roma Julho 98 a 01 Julho 2002.
Ideia de ser uma jurisdição permanente. Doc 5 Estatuto do Tribunal Penal
Internacional. Jurisdição independente processo de escolha em Assembleia das
NU. Justiça Automática. País que não aceite a jurisdição venha a ter de aceitar –
Sudão mandato do TPI
Estado recusou ratificar
Mais 2 Pontos
Para certos Crimes, os estados podem aceitar a Jurisdição
O Conselho de Segurança pode decidir alargar a jurisdição do TPI a um pais
mesmo que não tenha ratificado, se entender que é um acto necessário ao abrigo
do art 7º da CNU.

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