Apontamentos de DIP 03
Apontamentos de DIP 03
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Conjunto dos princípios e das normas com conteúdo jurídico, que entre si
se articulam sistematicamente, formando um ordenamento normativo por si
só.
Um elemento subjectivo
Os membros da sociedade internacional que mutuamente estabelecem
relações e vinculações, de coordenação e subordinação
Relações que podem ser:
de cooperação
resultando da necessidade de relacionamento internacional
de reciprocidade
havendo neste caso vantagens recíprocas que derivam do
estabelecimento das posições subjectivas individuais
de subordinação
através das quais alguns sujeitos aceitam limitações na sua soberania,
interna e internacional, mesmo contra a sua vontade expressa.
Um elemento funcional
O estatuto jurídico público das pessoas jurídicas envolvidas, que
desenvolvem a sua actividade jurídico-internacional
Um elemento material
As matérias abrangidas pela regulação em causa, imputadas á órbita das
relações internacionais em função da sua internacionalização.
Características do DIP
Parcela do dto Público
Topocêntrico nas suas fontes e nos seus sujeitos
Fragmentário nas matérias abrangidas pela sua regulação
Fragmentarismo horizontal – determina-se pela ausência de uma regulação
sobre os assuntos conexos com aqueles que já obtiveram essa regulação
surgindo assim um ordenamento internacional dispersivo e intermitente
Fragmentarismo vertical – espelha a circunstância de, quando a certa
matéria, o DIP normalmente estabelecer orientações mais gerais.
Divisões do DIP
3 Critérios
O critério do âmbito de aplicação: O dto Internacional Comum (art. 8º nº1
CRP) ( ex: as relações multilaterais à escala planetária) e o Dto Internacional
privado (uma zona do planeta; Europa por ex:).
O critério da hierarquização regulativa: o Dto Internacional Constitucional e
o Dto Internacional Ordinário
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O critério das matérias reguladas: o Dto Internacional Geral e o Dto
Internacional Especial.
1. Tratados Internacionais
2. Costumes Internacionais
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enraizada; Tem de verificar-se uma prática que se sinta como
normativamente vinculativa.
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A Promessa – o estado assume uma obrigação de fazer alguma coisa, de
conceder uma vantagem que passa a ser juridicamente
protegida
A Renuncia – significa a vontade de o sujeito internacional fazer extinguir um
dto que pretença à sua esfera jurídica.
O Protesto – o estado não aceita uma realidade. Manifestação de
discordância factual ou jurídica. Ex: Espanha em relação às
olhas selvagens na Madeira)
Fontes secundárias
5. A jurisprudência
Tanto no DI como no dto interno não há uma força obrigatória geral, não há
tecnicamente falando decisões judiciais que sejam fontes de dto.
6. A Doutrina
O que os provedores escrevem ou dizem não é para levar a sério ao ponto de
ser uma fonte, é um elemento explicativo do conhecimento mas não é uma
fonte.
7. Equidade
Está no nº2 do art. 38 ETIJ
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Equidade é a justiça do caso concreto. Significa que num caso o juiz vai
despir-se por completo das normas que já estão pré-estabelecidas e vai
inventar um caso concreto numa decisão que seja uma decisão justa de
acordo com o seu conceito de justiça.
Critério da Cronologia
Diz que se o tratado posterior for contrário ao anterior, prevalece o posterior
Critério da Especialidade
A norma especial prevalece em relação à norma geral.
Critério da Hierarquia
É o factor de prevalência entre fontes e normas do DI.
O DI é um dto horizontal: Todos os estados são iguais; todas as organizações
são iguais; não há normas umas acima das outras.
Excepção: art. 103 da Carta da Nações Unidas que estabelece que se houver
um conflito entre uma norma das Nações Unidas e outra norma de DI
prevalece a norma das NU.
Critério Ético-Valorativo
É a ideia de que há certas normas mais importantes do que outras, embora
formalmente iguais, em função do seu conteúdo. Ex: dtos humanos ou
princípios fundamentais do DI.
São as normas Ius Cogens (art.53 e 64 CVDTE)
A diferença entre o critério hierárquico e o ético-valorativo reside no facto de a
prevalência hierárquica não ser materialmente selectiva, apenas se afigura
relevante a entidade que a produz, bem como o lugar na hierarquia das fontes
e normas de DI.
Resumo:
Quando há um conflito entre fontes eles resolvem-se:
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Ou a fonte posterior prevalece sobre a anterior.
A fonte especial prevalece sobre a geral
A fonte inferior tem que respeitar a superior se for um caso de conflito de
organizações e sendo organizações que derivam da Carta das Nações
Unidas.
Se for conflito com normas Ius Cogens estas prevalecem sobre todas as
outras.
Codificação
Consiste numa lei, acto produzido pelo poder público que se manifesta
exclusivamente no âmbito das fontes internacionais do dto com a força jurídica
dos texto legais.
No dto interno a codificação foi transformar costumes em leis.
No DI consiste em transformar costumes em tratados porque o DI como qualquer
ordem jurídica precisa de estabilidade, segurança e estabilidade. Ninguém está
perfeitamente seguro da norma que tem de cumprir se essa norma teve origem
costumeira, agora se as normas tiverem uma origem de tratado já está tudo preto
no branco.
Nas ultimas décadas tem havido um esforço enorme em muitas instituições a
codificar normas, ou seja fazer tratados em áreas novas onde não havia nenhum.
A codificação tem 2 vias:
A codificação cientifica – que significa que as normas ás vezes aparecem
redigidas por porf. universitários e por instituições cientificas que reúnem ponto
por ponto novos textos.
A codificação jurídica – quando os países recolhem esse contributo doutrinário e
transformam esses textos em textos vinculativos através de tratados
internacionais.
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TRATADOS
1. Fase – NEGOCIAÇÃO
2. Fase – ADOPÇÃO DE UM TEXTO
3. Fase – VINCULAÇÃO
4. Fase – VIGÊNCIA
5. Fase – REGISTO DA PUBLICAÇÃO DOS TRATADOS
1. NEGOCIAÇÃO
Na negociação é definido:
- qual o tema do tratado; quais são os dtos e os deveres; qual é a matéria; etc,
mas tudo numa base informal.
Só se passa para a 2ª fase se tudo correr bem caso contrário fica-se por aqui.
2. ADOPÇÃO DE UM TEXTO
Isto não significa que aquele texto seja vigente ou vinculativo para o estado; o
ser redigido não significa nada ainda.
Esses tratado fica conhecido ou pelo local ou pela data onde foi feita a
cerimónia da assinatura mas não significa que seja vinculativo a não ser que
seja um acordo simplificado em que o momento da assinatura é também o
momento da vinculação.
Estrutura do texto
Tem um preambulo;
Tem uma parte descritiva;
Alguns têm anexos
Língua
Normalmente na língua oficial dos estados envolvidos.
3. VINCULAÇÃO
Esta fase é simbolizada pela ratificação (mas não é obrigatória, pode ser
adesão)
É a fase em que cada país diz que quer ficar vinculado àquele texto.
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A partir da ratificação o estado considera-se obrigado ao tratado mas não é
ainda a entrada em vigor.
4. VIGÊNCIA
Aqui há 2 regras:
1. Cada tratado tem a liberdade de estabelecer o momento da sua vigência.
2. Se nada disser temos de ir à CVDTE ao art. 24 que estabelece vacatio
legis dos tratados, que diz que o tratado entra em vigor quando o ultimo
estado o tenha ratificado.
Nos tratados multilaterais com muitas partes, estabelece-se um quórum
mínimo de ratificação a partir do qual o tratado entra em vigor para aqueles
que o ratificam; o nº que é muitas vezes sugerido é o 60. Para os restantes
vai entrando em vigor conforme vão ratificando.
Mas isto é uma clausula. Regra geral, se nada disser, é quando todos tenham
ratificado.
Aqui há uma subtileza, 2 conceitos:
1. A Pré-Vigência
Por um lado há certas disposições de um tratado que entram em vigor na fase
2, pelo menos aquelas que dizem com se faz a vinculação.
2. Aplicação Provisória
Por outro lado os estados podem aplicar provisoriamente o tratado, ou seja,
pô-lo em vigência logo a seguir á fase 2 porque por vezes chegar á fase 4
demora muito tempo.
3. Particularidade
Se são:
Tratados Abertos
Tratados Fechados
Tratados Semi-Abertos / Semi-Fechados
Tratados Abertos
São tratados que apesar de terem sido feitos por poucos estados, o
conteúdo é bom e interessa a todos, e os países que fizeram aquele
tratado não se importam nada de haver outros países a fazer parte daquele
tratado.
Ex: tratados sobre dtos humanos.
Tratados Fechados
São tratados que não admitem a participação de mais nenhum estado, ou
porque não faz sentido ou porque os que lá estão não querem.
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É um país que centraliza os actos burocráticos que tem a ver com a entrada em
vigor, recebe os originais das cartas de ratificação, guarda o original do tratado,
tira fotocópias, etc.
Resumindo: esse país centraliza todas as operações burocráticas sobre o tratado.
Reservas
A reserva traduz o equilíbrio entre o todo e o nada, porque quando se faz o texto
de um tratado não agrada a todos e há países que não aceitam determinados art.
do tratado.
Significa a possibilidade de um estado não aceitar a totalidade de um tratado mas
aceitar o tratado sem este ou aquele artigo, ou seja, eu aceito o tratado mas
formulo uma reserva em relação ao art. tal e tal.
Objecto de interpretação
No DI a interpretação dos tratados é:
Objectivista
Actualista
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Art. 31º CVDTE homologo ao art. 9º CC
O sujeito da interpretação
Aquele a quem são dirigidas as fontes, relativamente às quais deve confirmar o
seu comportamento.
Os Elementos da Interpretação
O modo como se faz a interpretação dos tartados.
O elemento linguístico
O próprio texto
Elementos extra-linguísticos
O elemento sistemático
O elemento teológico
O elemento histórico
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Porque o DI está muito próximo da politica internacional, ou seja, muitas vezes se
não há uma norma internacional não é que haja uma lacuna é que não há nem
deveria haver essa norma, e se é uma situação que não deve ter norma isso
tecnicamente não é uma lacuna, é uma situação extra jurídica ou seja é um
espaço vazio que o DI não tem que ocupar.
A CVDTE também não diz nada e não há nada para resolver o problema e a
única solução para resolver a situação é aplicar a técnica, que é recorrer á
analogia ou aplicar os princípios gerais do DI.
2. A Aplicação no Espaço
Os tratados aplicam-se à totalidade do estado envolvido no tratado.
Obriga os estados no âmbito da sua jurisdição, terrestre, marítima e aérea.
Art. 29º CVDTE – regra geral.
Ressalvas:
Aplica-se o tratado onde faz sentido. Ex: tratado sobre sardinhas não se
aplica no Alentejo.
Se não houver clausulas referentes ao modo como se aplica o tratado no
território dos estados, aplica-se o art. 29º ou seja é em todo o território.
Foi uma clausula importante na altura das colónias ultramarinas e ainda é
para os estados federados.
3. A Aplicação Pessoal
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Saber se o tratado pode vincular terceiros estados que sejam externos ao
tratado?
Art. 34 CVDTE – regra geral – um tratado não cria obrigações nem dtos a
terceiro sem o consentimento dele.
1. Causas Voluntárias
a) Caducidade
Esgotamento de um prazo pré-estabelecido. Ex: CECA foi celebrado por
50 anos ao fim dos quais acabou (1951)
Fim dos pressupostos que justificavam o tratado
Esgotamento do objecto. Ex: tratado sobre a sardinha: ela acaba, acaba
o tratado.
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Ex: 2 estados: A e B. A tem sardinha; B tem carapau
Ambos se comprometeram a dar metade das licenças de pesca um ao
outro, ou seja trocaram para que ambos ficassem com ambas as espécies.
Surge um problema: a sardinha desapareceu, acabou, imigrou.
O país que tem o carapau vai ter de suportar a pesca do carapau
efectuada pelo outro país mas não tem o beneficio de lá ir pescar a
sardinha. Aqui há uma alteração das circunstâncias.
Caso típico da alteração das circunstâncias:
Se for temporário há uma suspensão.
Se for definitiva o tratado tem de cessar ou ser modificado para
restabelecer o equilíbrio das relações. Art. 62º CVDTE alínea b)
Os tratados são feitos em 5 fases e essas 5 fases são comuns a todos os países
e também existem em Portugal.
Quem é que intervém em cada fase? Quem são os actores?
1ª fase – Negociação
2ª fase – Adopção do Texto
GOVERNO
Á luz da CRP quem tem o poder para a fase 1 e fase 2 de uma convenção
internacional é o GOVERNO.
É o órgão constitucional, em Portugal, que pode fazer a negociação e a adopção
do texto.
Nº 1 do art.197º b) CRP
3ª fase – vinculação
A vinculação em Portugal:
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Desdobra-se em 2 momentos num caso – tratados solenes e
Noutro caso fica-se por um único acto – acordos simplificados.
4ª fase – Vigência
5ª fase – registo da Publicação dos Tratados
Podem haver fases especificas ou seja situações raras mas que podem
acontecer:
1. A possibilidade de haver fiscalização preventiva de tratados e de acordos.
Art. 278º CRP
2. A possibilidade de poder haver um referendo sobre tratados. Art. 115 CRP.
Tem-se prometido referendos mas ainda não foi feito nenhum em Portugal
sobre tratados.
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A RELEVÂNCIA DO DI NO DTO INTERNO
a) O sistema de transformação
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A incorporação por transformação ou seja, o DI para entrar cá dentro vais
transformar a sua natureza e deixa de ser DI para ser dto estadual e para
isso é necessário que o estado adopte um procedimento transformativo da
natureza daquele tratado. Transforma o tratado em leis internas.
b) Sistema de recepção
Significa uma incorporação em que algo que tinha uma certa natureza é
recebido mantendo essa mesma natureza, não tem que se transformar.
E em Portugal? (a inserção do DI no dto português)
A resposta está no art.8º nº 1, 2 e 3 da CRP
Nestes primeiros 3 números está consagrado o sistema da recepção mas há
2 subsistemas na recepção:
I. A recepção automática – a integração não fica dependente de
qualquer acto intercalar para a sua vigência se efectivar
II. A recepção condicionada – carece de um acto de interposição que
condiciona a sua vigência
No art.8º nº 1 e 3 a recepção é automática
No art.8º nº 2 a recepção é condicionada
Qual a diferença entre a recepção automática e a condicionada?
A recepção automática significa que o DI sendo lá fora válido também o é cá,
nem sequer é preciso publicar esse dto.
A recepção condicionada pelo contrário esse dto é válido como DI mas isso
só é possível através de preenchimento de condições de natureza formal, há
um certo condicionamento:
O nº 2 estabelece 3 condições para que a recepção funcione
1º lugar – a necessidade de os tratados serem rectificados e aprovados
2º lugar - a necessidade de os tratados estarem vigentes na esfera
internacional
3º lugar - a necessidade de os tratados serem publicados no DR
Hoje em dia é mais complexo pois deixou de haver o ius belli, e ainda bem, os
estados não têm o dto de declarar guerra a outros estados.
A subjectividade Internacional continua a medir-se pelos dtos associados à
capacidade jurídica internacional que são:
Ius tractuum – O Dto de celebrar contratos
Ius legationis – O Dto de estabelecer relações diplomáticas
Pela possibilidade que as entidades têm de participar em organizações
internacionais
Pela possibilidade de se queixarem junto de tribunais internacionais.
Excepções:
Estados que não têm soberania internacional:
a) Estados federados, por exemplo os 26 estados Brasileiros e os EUA;
são estados federados dentro de uma federação; quem tem ius
tractuum não é o estado federado mas sim o estado federal.
Estados membros de uniões reais ex: o Reino Unido.
Estados semi-soberanos – têm alguns poderes do DI mas não têm a
plenitude dos poderes que normalmente se reconhece aos estados:
Ex: históricos: os Estados Vassalo e os Estados Protegidos que
transferem para o estado protector parte dos seus poderes de DI;
Estados exíguos: ex: Andorra, Mónaco, etc. que não fazer não fazem
aparte das N.U. devido à sua pequenez, mas podem fazer alguns tratados.
Estados neutralizados – ex: Suíça e a Áustria que não podem intervir em
assuntos de natureza militar.
Por fim a mais frequente que são os estados que fazem parte de
organizações internacionais supra-nacionais: ex: os países membros
da UE – Portugal já não é um estado soberano, porque houve transferência
de poderes para a UE
2. Para-estaduais
São entidades que não sendo estados são muito parecidas com os estados
e em certas circunstâncias essas entidades podem ter também poderes na
esfera internacional.
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Insurrectos – grupos armados que não ocupam nenhuma parte do
território, fazem acções armadas isoladas mas não têm uma administração
localizada.
Estes grupos muitas vezes lutam pelos valores da democracia e há
necessidade de reconhecer-lhe um estatuto internacional para que possa
haver negociações.
Movimentos de libertação – grupos armados que usam da violência ou da
acção politica e que pretendem a criação de um novo estado, ou seja que o
seu território e a sua população deixem de pertencer ao estado que
pertenciam e possam formar um novo estado. Ex: OLP.
Também são reconhecidos na esfera internacional.
Governos no exílio – são governos que continuam a governar o estado
mas o estado está ocupado ou seja, os órgãos de soberania de um país
estão reunidos noutro país para aí continuarem a governar. Podem
celebrar tratados com outros países com vista à recuperação do estado.
Regiões autónomas com poderes de DI – ex: de Macau e Hong kong –
não são estados mas têm poderes muito próximos dos estados.
3. Inter-estaduais
Associações de estados – relacionam estados entre si e formam uma
nova entidade diferente de cada um dos estados que dela faz parte. Ex: as
confederações (ex: URRS) e as Uniões Reais (Ex: Escócia, Pais de gales
Inglaterra)
Organizações Internacionais – podem ser entre estados e entre estados
e outras entidades. É uma realidade do sec. XX. A 1ª grande organização
foi a Liga das Nações, organização política que surgiu no fim da 1ª guerra.
Hoje existe a ONU que foi criada por Tratado Internacional chamado Carta
de S. Francisco em 26JUN1945.
Há vários tipos de organizações:
1º Distinção: Organizações de fins gerais e Org. de fins especiais
As de fins gerais tratam um pouco de tudo, assuntos políticos, económicos,
culturais enquanto as de fins especiais apenas tratam de um assunto
específico
2º Distinção: tem a ver com o número dos seus membros e o seu âmbito
de aplicação.
Pode ser uma org. Internacional universal, mundial como pode ser uma org.
internacional regional ou com um numero restrito de estados, Ex: CPLP
que só tem 8 membros.
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3º Distinção: org. internacionais clássicas e org. internacionais
supranacionais
As clássicas deliberam por unanimidade mas não podem impor as
respectivas deliberações, as supranacionais podem deliberar por maioria e
têm a faculdade de subordinar os respectivos estados.
1. Santa Sé
Até ao sec. XIX tinha 2 dimenções:
- uma espiritual
- uma estadual – havia estados pontifícios que desapareceram no sec XIX.
Estes estados ocupavam zonas de Roma e uma boa parte á sua volta e
para criar um estado unificado era necessário anexar Roma
desaparecendo assim, mesmo com a oposição do Papa, porque impediam
a unificação da Itália que estava dividida em reinados.
A Santa Sé ficou somente com a basílica de S. Pedro e os jardins à volta
no que é conhecida como o Estado da Cidade do Vaticano.
A Santa Sé para efeitos de DI é admitida em muitas organizações como
membro, é observador nas NU, mas não tenta ser parte activa porque
entende que a sua missão é mais espiritual não se mete em questões
temporais.
No entanto exerce dois importantes poderes:
- Celebra tratados designados por Concordatas e
- O Núncio Apostólico da Santa Sé em Portugal é o decano do corpo
diplomático ou seja é aquele que representa todo o corpo diplomático em
Portugal quando há recepções oficiais é ele que fala em nome de todo
corpo diplomático.
3. Cruz Vermelha
Foi criada em 1864 por Henri Dunant para levar à prática o ideal
humanitário em situações de guerra ou seja socorrer feridos, prisioneiros e
sepultar os mortos durante um conflito militar e assim obter protecção e
imunidade dos beligerantes para esse pessoal humanitário poder socorrer.
Este é o ideal humanitário que a Cruz Vermelha representa;
Do ponto de vista da actuação assenta em 3 tipos de estruturas:
a) O comité Internacional da Cruz Vermelha;
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b) A federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do
Crescente Vermelho;
c) As sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho;
O mais importante desta organização que ter sido através deste impulso
que foi criado o Direito Humanitário no DI, no sentido de se criarem
normas que possam num cenário bélico diminuir o sofrimento dos
intervenientes.
5. Pessoa Humana
Existem 6 biliões de seres humanos e o que é importante de realçar são
os Direitos Humanos, que significam em ultima instância que a pessoa
humana também é sujeito de DI, dtos Humanos esses consagrados ao
nível directo do DI portanto numa base internacional e universal, igual em
qualquer parte do mundo.
O 1º texto foi uma declaração da Assembleia Geral das NU – DUDH. Este
texto não foi feito como Tratado mas como Declaração.
No âmbito das NU só em 1966 é que apareceram 2 textos principais: o
Pacto de DI civis e políticos e o Pacto de Dtos Económicos Sociais e
Culturais, havendo a posteriori vários em diferentes áreas formando assim
o sistema das NU.
Ao nível dos Continentes tem havido sistemas autónomos sendo o
Europeu o primeiro em 1950, (Convenção Europeia dos Dtos Homem),
criado no Conselho da Europa, a seguir foi a América 1969, CIDH e dp em
África 1981, CADHP.
Qual deles o melhor? O Europeu não só porque foi o primeiro a aceitar a
petição individual dos cidadãos como é o que um sistema mais
aperfeiçoado de aplicação de sanções. O Trib. Europeu Dtos Humanos
condena países quando violam os dtos humanos obrigando-os a pagar
uma indemnização aos cidadãos cujos dtos foram violados por esse país.
O DUE tb tem um sistema próprio sobretudo com o tratado de LX com
uma carta de dtos fundamentais elaborada em 2000 em Nice mas só
entraria em vigor no tratado de LX mas a Polónia e o Reino Unido não
assinaram a carta.
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DOMINIO INTERNACIONAL
Espaço Estadual
Domínio Terrestre
Corresponde ao território onde o Estado exerce a sua soberania (terra
seca) que se distingue de outros através de uma linha de fronteira.
Domínio público do estado, não se pode alienar (ex: praias, caminhos de
ferro, auto-estradas) e Domínio privado do estado, pode alienar (ex: carros
do estado, prédios, etc).
Os espaços Marítimos
O dto internacional não se impõe. É violado muitas vezes; o que não significa que
não tenha sanções e que não hajam normas jurídicas.
Como se resolve? Pela via dos tribunais? Por outros meios?
Há duas vias:
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Mediação – intervenção de entidade exterior com papel activo propondo
soluções
Inquérito – averiguação dos factos de desentendimento por parte de
entidade exterior
Conciliação – formação de 1 comissão com elementos nomeados pelas
partes em nº impar para propor uma solução
2. A via Bélica
Uso da força no Dto Internacional
Há que distinguir entre o dto internacional Clássico e o dto inter. Moderno.
No Clássico o uso da força era livre, era um dto dos estados no dto
moderno o uso da força deixa de ser um dto e passa a ser um monopólio
das NU.
1 momento – limitação ao uso da força em 1907 – no âmbito da
conferencia internacional de Haia onde se fizeram vários Tratados sobre o
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Direito Internacional Humanitário. Pequeno mas significativo contra a
Guerra. Limitações de uso da força para Cobrança ou seja para cobrar os
Créditos não se pode invadir o outro Estado – Não Acção Directa mas
propor acção jurídica. Proíbe-se o uso da força na cobrança de dívidas
entre Estados.
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Decisões de Natureza Coactiva – aplicar sanções aos Estados que coloquem em
causa a Paz e a Segurança Internacional.
2 tipos de Sanções:
Não Militares
Militares
Sanções para surtir efeitos.
Carta das Nações Unidas, art. 39 a 42. Ver art 41º
Este uso da força é compatível com uma legítima defesa – CNU art 51º
OPERAÇÕES DE PAZ
Muitas vezes não se usa a força. Não há FA das Nações Unidas. São os Países
que colocam sobre a liderança das NU as suas próprias forças – CAPACETES
AZUIS. Está previsto na CNU requisitar forças armadas mas nunca foi cumprida.
Capacete Azuis – Forças Armadas de Operações de Paz.
Solução Intermédia entre a Pacífica e a Paz.
Forças de Interposição – Fiscalizar o “Cessar-Fogo” “Forçar a Paz” e Operações
de “PEACE BUILDING” ou “STATE BUILDING”, Consolidar a Paz e Instalar as
Instituições.
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Direito Internacional Penal
Não dependente da vontade dos Estados. A Pessoa Humana tem Protecção
Garantida. Direitos Humanitários. 185 países – Conv Genebra aderentes.
O DI Penal surgiu pela 1ª vez na 2ªGGM, depois – perante as atrocidades pelo
regime Nazi e Japonês, os Criminosos tinham de ser punidos. Genocídio Povo
Judeu ex.
Criados 2 Tribunais Internacionais:
Tribunal de Nuremberga – criado pelo acordo de Londres, Alemães. França, RU,
EUA, USSR
Tribunal de Tokio, criado pelo Gen MacArtur Cmdte Chefe EUA
É uma Realidade Nova
Tratados que definiam Crimes – os crimes Contra a Humanidade, Crimes de
Guerra e Crimes Contra a Paz.
Admitir a sua existência; Prevendo uma série de Práticas; Prevendo Sanções –
inclusive a Pena de Morte.
Tribunais estavam feridos por legitimidade – Tribunais dos Vencedores!
Direito Internacional foi progredindo.
9 Dez 1948 – Convenção Internacional para a punição do Crime de Genocídio –
definido no Acordo de Londres – temporais – por permanente certas categorias de
crimes – OS CRIMES IMPRESCRITÍVEIS.
No Coração da Europa! Pôs ao de cima da Agenda Política – O Conselho de
Segurança – Criou a Resolução numa Noite – 2 Tribunais:
Tribunal Penal Internacional ad hoc para a Jugoslávia e outro ad hoc para o
Ruanda, definindo a delimitação do tempo, para julgar os crimes cometidos, e
definindo as penas a aplicar.
Solução: Criou-se um Tribunal Permanente com capacidade para punir – 1998 –
adoptou-se o texto Estatuto TPI – Haia (T Justiça), (TJ Permanente)
O TPI só entrou em vigor em 2002. Não inclui os Crimes por Narcotráfico nem de
Terrorismo
Milosefic, Radovan Karasev e Pessoa de Medicinas alternativas.
TPI foi revisto para aí incluir outro tipo de crimes, recentemente.
Hussein – genocídio kurdos trib Iraque enforcamento
TPI só se aplica aos Crimes ocorridos após 1998 – 2002 – 60 países subscritores.
Jurisdição complementar => TPI
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Tribunal Internacional Justiça
É um órgão das Nações Unidas. Tem estatuto autónomo em relação à Carta. Art
92 e segs da CNU. Dirimir conflitos entre Estados.
É o Principal órgão judicial das Nações Unidas.
ETIJ Art 38. Estatuto do ETIJ. Tribunal 15 juízes. Assembleia Geral NU.
Representar sensibilidades e equilíbrio de interesses. Quem pode ser juiz art 2º
pessoas alta consideração moral mais altas funções judiciais. Mandato Tribunal –
juízes eleitos mandato por 9 anos. Podem ser reeleitos. Fazem-nos a título
exclusivo. Sede em Haia. 2 línguas oficiais: inglês e Francês.
Competências (art34 e seg.)
1º Tribunal de Estados – art 34, 1 – só funciona para estados.
2º Jurisdição tribunal obriga artigo 93 CNU nº 1 ratifica a carta e ratifica o ETIJ
Para que Estado fique abrangido no ETIJ e preciso que tribunal aceite a jurisdição
desse mesmo tribunal. Para ficar abrangido pela jurisdição é preciso que o Estado
aceite essa jurisdição.
Cláusula Facultativa de Jurisdição Obrigatória. Jurisdição aceite sob certas
condições.
Ver art 36º ETIJ
Jurisdição – PROCESSO DECLARATIVO e PROCESSO EXECUTIVO
Proc Declarativo – Declarar o Direito – Quem tem razão
Proc Executivo – Quem executa – art 94 da CNU
Ex: Pareceres sobre os Muros que dividem Israel da Palestina – Muros são Ilegais
Kosovo poderia ou não ser independente – sim
Ex: Condições de aceitação dos Estados Membros.
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Tribunal Penal Internacional
O TPI não depende da vontade política dos Estados mas Supra Nacional.
Para punir os Criminosos que dentro dos Estados estes não os podem punir.
Distinção entre Direito Internacional Penal e Direito Penal Internacional
Há uma tendência para a fusão destes 2 dtos. O mais antigo é o DPI porque é o
dto que é do estado, baseia-se no código penal de cada estado, define os crimes
que vai punir e aceita em várias circunstâncias que a sua jurisdição se alargue
para certos espaços do DI. É de raiz estadual.
O DIP é diferente, a sua raiz já não é estadual é internacional e parte da ideia de
que onde está o centro das normas de punição não é no estado mas numa
instancia internacional supra-estadual.
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Tókio – 7 condenações à morte por enforcamento, 16 prisões perétuas, 1 a 20
anos e 1 a 7 anos.
Crimes contra a Paz, A Guerra e a Humanidade. Penas de Prisão e de Morte
Art 27 – Tribunal direito impôs ao Réu pena de Morte ou outro que considere
justa.
3ª Fase – Politico legislativa ou doutrinária – Trabalho de bastidores para criar um
Código Penal Internacional. Diluindo com o avivar da guerra Fria 40/50, até aos
anos 90. Anos 90 reavivaram.
4ª Fase – 92, 94 – Jugoslávia, Haia, e Ruanda, Tanzânia. Criação de 2 tribunais
ad hoc por decisão das NU. Recuperaram a ideia de que instância penal supra
estadual. Jugoslávia não havia Estado.
2008 Jugoslávia, 50 condenações
Tanzânia – Ruanda, 6 julgamentos
2 Tribunais aplicaram a pena de morte. Associam jurisdição concorrente com a
dos Estados, em substituição da inércia dos Estados. Estado Português ratificou o
Tribunal ad hoc para a ex-jugoslávia.
TPI só julga quando os Estados não querem ou não podem julgar.
5ª Fase – Fase da Criação do TPI pelo Estatuto Roma Julho 98 a 01 Julho 2002.
Ideia de ser uma jurisdição permanente. Doc 5 Estatuto do Tribunal Penal
Internacional. Jurisdição independente processo de escolha em Assembleia das
NU. Justiça Automática. País que não aceite a jurisdição venha a ter de aceitar –
Sudão mandato do TPI
Estado recusou ratificar
Mais 2 Pontos
Para certos Crimes, os estados podem aceitar a Jurisdição
O Conselho de Segurança pode decidir alargar a jurisdição do TPI a um pais
mesmo que não tenha ratificado, se entender que é um acto necessário ao abrigo
do art 7º da CNU.
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