ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA
Penas e Medidas Alternativas
Profª Tatiana Andrade
A atividade consiste na elaboração de uma sentença, analisando todos os termos
abaixo propostos e valorados na fixação da respectiva reprimenda.
Como toda decisão judicial, deve estar amparada por adequada fundamentação,
apoiando-se em ao menos duas obras doutrinárias e dois julgados (um do STJ e
outro do STF) que enfrentem o tema central.
A atividade é manuscrita e pode ser preparada INDIVIDUALMENTE ou EM
DUPLA APENAS. Utilize folha de almaço, caneta azul ou preta e letra legível.
Deve ser redigida em 10 laudas (5 folhas frente e verso)
A entrega ocorre impreterivelmente no dia da avaliação N2 – Regimental
Romualdo foi preso em flagrante pela prática do crime previsto no art. 157,
§3º, CP. Segundo consta, em 10.05.2024 agindo em companhia de
Dilermando, abordou a vítima Otoniel no cruzamento da avenida
Brigadeiro Faria Lima x avenida Juscelino Kubitscheck, em SP, anunciando
o roubo. Queriam o telefone celular e o par de tênis da vítima. Esta, ao ser
interpelada pelos agressores, agarrou um deles e conseguiu imobilizá-lo. O
comparsa, que detinha uma arma e estava distante alguns passos, efetuou
um disparo que atingiu mortalmente o parceiro criminoso.
A arma utilizada no crime foi apreendida. Devidamente periciada, o laudo
constatou a capacidade e funcionalidade do item.
Populares acionaram a Polícia Militar que rapidamente chegou ao local do
fato. O socorro médico igualmente foi chamado, mas a vítima morreu antes
do atendimento.
Otoniel foi ouvido e informou que no dia dos fatos seguia de bicicleta pela
ciclofaixa quando foi abordado pelos roubadores. Iniciou luta corporal com
um deles e apenas ouviu o barulho que parecia ser um tiro, confirmando sua
impressão na sequência quando viu o roubador caído. Pensou que o disparo
tivesse sido efetuado por algum policial, mas viu que o outro roubador havia
atirado e tentava fugir. Foi impedido por pessoas que estavam na calçada.
Emivaldo, policial militar estava em patrulhamento e foi acionado pelo
COPOM dando notícia do crime. Esclareceu que populares acompanhavam
a ocorrência e um dos criminosos havia sido baleado e o outro foi amarrado
em um poste por populares que ali se encontravam. A arma usada lhe foi
entregue por uma pessoa que estava na avenida e viu como ocorreu o crime.
Paulo Cesar era o outro policial que estava em companhia de Emivaldo e
seu depoimento foi no mesmo sentido.
André Felipe contou que trabalhava em uma farmácia em frente ao local dos
fatos e que viu quando a vítima foi abordada e começou a lutar com um dos
criminosos. Na sequência, esse criminoso caiu sangrando e pode perceber
que ele estava ferido. Viu o outro roubador tentando fugir, mas imobilizado
por outras pessoas. Ajudou a amarrá-lo no poste até a chegada da polícia.
Na fase policial, Romualdo foi ouvido e afirmou que não estava roubando a
vítima e que atirou no criminoso assim que viu o roubo acontecendo. Disse
ter sido confundido, mas que não cometeu nenhum crime e não conhecia o
falecido. No local dos fatos, as pessoas que ali estavam passaram a dizer,
segundo sua versão, que ele era o segundo criminoso, mas que o verdadeiro
autor do disparo tinha conseguido entrar em um ônibus e fugido.
A vítima o reconheceu com segurança. O funcionário da farmácia disse já
ter visto a dupla agindo na região outras vezes, e que inclusive 3 dias antes
subtraíram o celular de uma idosa que saía da agência bancária próxima.
Denunciado, o acusado constituiu advogado e arrolou testemunhas.
As testemunhas de acusação foram:
a) Sheila Daniela, atual companheira da vítima Dilermando, disse que o
marido saía cedo para trabalhar e que apenas encontrava ‘bicos’ para fazer.
Não tinha trabalho fixo nem profissão definida, mas que saía cedo todos os
dias. Disse que estranhava as amizades que o companheiro mantinha e que
por várias vezes sugeriu que se afastasse de certas pessoas, sem nominá-las
b) Patricia Vania, namorada de Romualdo. A moça informou que o
namorado tinha vida desregrada e que várias vezes tentou terminar o
relacionamento, mas ele não aceitava. Chegou a ameaçá-la caso rompesse o
namoro, e que com sua prisão, estava aliviada porque poderia retomar sua
vida e que já considerava encerrado o relacionamento amoroso. Falou ainda
que ele mantinha armas de fogo em casa e que juntamente com Dilermando,
cometia crimes de roubo, sem indicar datas e vítimas
A defesa de Romualdo arrolou:
a) Antonieta, vizinha de Romualdo e sua professora de matemática. A
senhora disse que ele sempre foi um aluno mediano, que não se destacava
pelo conhecimento, mas que se esforçava para aprender. Embora fosse
agressivo com alguns colegas, era gentil com os mais velhos
b) Juarez, dono do bar frequentado por Romualdo, disse que ele era freguês
do bar, mas quando bebia além da conta, era problemático. Arrumava brigas
e depois sumia uns tempos.
c) Maria de Fátima, mãe de Romualdo, destacou os problemas de uma
infância violenta com o pai alcoólatra e desde criança, o grande desejo do
filho em conseguir bens materiais. Nunca se envolveu com religião e não
aceitava o fato de que a mãe era diarista e não podia lhe proporcionar certos
confortos. Apesar disso, era carinhoso com ela e com as irmãs.
Encerrada a fase de produção de provas, a defesa sustentou a inocência de
Romualdo, e a acusação postulou a condenação pelo crime praticado. Os
autos foram à conclusão para sentença.
Neste caso, analisando a prova dos autos, o aluno deve elaborar sentença
condenatória com a respectiva pena (s). Observe que a sentença precisa
conter relatório, fundamentação e dispositivo. Não se esqueça de calcular
eventualmente a multa imposta.