INSTITUTO SUPERIOR MUTASA
DELEGAÇÃO DE CHIMOIO
LICENCIATURA EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
Cadeira:
Gestão Financeira III
Tema:
Influencia de Analise de Investimento na tomada de decisão
Docente: Msc. Cláudio Manhoca
Chimoio, Junho de 2025
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INSTITUTO SUPERIOR MUTASA
Delegação de Chimoio
Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos
3º Ano
Cadeira:
Gestão Financeira III
Tema:
Influencia de Analise de Investimento na tomada de decisão
Discente:
Cristina Pedro Tapera
Docente: Msc. Cláudio Manhoca
Chimoio, Junho de 2025
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Índice
1.0.Introdução…………………………………………………………………………1
2.0 Objectivos................................................................................................................1
2.1 Geral........................................................................................................................1
2.2 Específicos...............................................................................................................1
2.3 Metodologias...........................................................................................................1
3.0 Contextualização.....................................................................................................2
3.1 Definição de investimentos.....................................................................................2
3.1 Investimento: comprometer capital.........................................................................2
3.2 Investimento: expectativa decisão do futuro...........................................................3
4.0 Classificação e natureza dos investimentos.............................................................4
4.1 A natureza dos investimentos..................................................................................4
4.2 Quanto ao objectivo proposto do investimento.......................................................4
4.3 Quanto à forma física do investimento....................................................................5
4.4 Quanto ao impacto potencial do investimento........................................................5
5.0 Métodos da determinação de análise de Investimentos...........................................5
5.1 Influência da análise de investimentos....................................................................6
6.0 Principais factores que influenciam essa análise.....................................................7
6.1 Factores Financeiros e Contábeis da Empresa........................................................7
6.2 Factores de Mercado e Sector..................................................................................7
6.3 Fatores Macroeconómicos.......................................................................................8
6.4 Factores Qualitativos e de Gestão...........................................................................8
6.5 Factores de Risco.....................................................................................................9
6.6 Métodos de Análise.................................................................................................9
7.0 Factores de influência a análise de investimentos em Moçambique.....................10
7.1 Localização Estratégica e Infraestrutura...............................................................10
7.2 Ambiente Político e de Segurança.........................................................................10
7.3 Políticas Governamentais e Regulamentação........................................................11
7.4 Factores Macroeconómicos...................................................................................12
7.5 Desafios de Capital Humano e Infraestrutura.......................................................12
8.0 Conclusão..............................................................................................................13
9.0 Referências Bibliográficas.....................................................................................14
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1.0. Introdução
Análise de investimento desempenha um papel crucial na tomada de decisões
financeiras, fornecendo informações valiosas sobre a viabilidade e os riscos associados
a diferentes opções de investimento. Ao avaliar cuidadosamente os potenciais retornos,
custos e riscos, a análise de investimento permite que investidores e empresas tomem
decisões mais informadas e estratégicas, maximizando as chances de sucesso e
minimizando perdas.
A análise de projecto de investimento é um processo amplo e multidisciplinar no qual
diversos dados e informações (técnicas, financeiras e económicas, tributárias, entre
outras) são processados e analisados para auxílio na tomada de decisão a respeito de
novos investimentos pelos gestores da alta administração de uma organização.
2.0 Objectivos
2.1 Geral
Estudar a Influencia de Analise de Investimento na tomada de decisão.
2.2 Específicos
Entender o conceito de investimentos;
Abordar a classificação e natureza dos investimentos;
Falar dos métodos da determinação de análise de Investimentos;
Analisar os factores de influência a análise de investimentos em Moçambique
2.3 Metodologias
PRODANOV e FREITAS (2013), conceituam “Metodologia como sendo a aplicação de
procedimentos e técnicas que devem ser observados para construção do conhecimento,
com o propósito de comprovar sua validade e utilidade nos diversos âmbitos da
sociedade”. Partindo da concepção de que método é um procedimento ou caminho para
alcançar determinado fim e que a finalidade da ciência é a busca do conhecimento,
podemos dizer que o método científico é um conjunto de procedimentos adoptados com
o propósito de atingir o conhecimento. Em termos de metodologia, neste estudo
recorreu-se as pesquisas bibliográficas, nomeadamente, doutrinas, Internet, artigos
científicos que conceituam, na sua concepção, deu-se prioridade a revisão bibliográfica
onde se privilegiou o estudo profundo do tema em alusão.
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3.0 Contextualização
3.1 Definição de investimentos
A crescente exposição das organizações empresariais à concorrência interna e mundial
exige dos analistas de negócios uma actualização e um aprofundamento nos métodos de
análise pouco experimentados pelos empresários, em geral, até o início da década de
1990, principalmente na busca da compreensão dos métodos de análise de investimentos
adotados.
HUMMEL(1995) afirma que foco é a descrição e a análise das decisões de negócios,
que envolve optimizar os resultados para a organização empresarial remonta ao início
do século XX; a preocupação de gestão operacional e económica também não é coisa
recente.
No entanto, a importância de uma sólida compreensão dessas abordagens para o
processo de selecção de investimentos, tanto as analíticas quanto as normativas, em
todos os seus aspectos, estão sendo relevantes no momento de preparação para a
competição global (HUMMEL, 1995 pág 245).
Os dirigentes modernos têm hoje funções variadas do ponto de vista das estratégicas
empresariais, da gestão, do controle, da captação de recursos e da alocação de capitais
para a organização, bem como análise e selecção de projectos
de investimentos produtivos.
No entendimento de MATARAZZO(2003), a definição de investimento consiste, para
uma organização empresarial, em comprometer capital, monetário ou não, de modo
durável, e a expectativa de manter ou agregar valor em sua situação económica.
Portanto, as características relevantes da definição de investimento são: o carácter
durável do comprometimento de recursos e o carácter esperança sobre o futuro do
negócio.
3.1 Investimento: comprometer capital
O comprometimento de uma organização empresarial em determinado exercício fiscal é
classificado em: imobilização de capital e despesas correntes. Todo dispêndio
imobilizado por um período superior ao do exercício social corrente é considerado uma
“imobilização de capital” e, quando for período inferior, é considerado “despesas
correntes”. (MATARAZZO, 2003 6ª Ed.)
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A concepção de duração da imobilização de capitais deve observar o seguinte.
a) Incluir nas imobilizações de capital os comprometimentos novos relacionados ao
acréscimo de certos elementos circulantes. Os profissionais da contabilidade e
áreas funcionais afins defendem que o acréscimo do estoque não constitui uma
imobilização de capital, devido à alta rotação dos capitais utilizados para essa
finalidade. Argumentam que a organização empresarial deve manter uma
proporcionalidade entre a produção e o estoque para evitar tanto ruptura de um
suprimento quanto a perda de uma venda. Esse estoque mínimo, indispensável
ao bom funcionamento da organização, constitui, sem dúvida, uma imobilização
permanente de capitais. Assim, toda a variação do estoque mínimo necessária
pelo acréscimo do nível de actividades deve ser considerada como um
investimento.
b) Incluir certos dispêndios classificáveis como despesas correntes, que se
constituem em acréscimo do potencial da capacidade produtiva da organização
empresarial, particularmente as despesas com a capacitação de pessoal, as
despesas com pesquisa e desenvolvimento e algumas despesas com publicidade.
3.2 Investimento: expectativa decisão do futuro
Já é amplamente discutido no meio académico e nos segmentos empresariais que
qualquer investimento tem embutida uma parcela de risco, ou seja, toda aposta
comporta risco. No âmbito da decisão de investimento, que se materializa pelo sacrifício
de uma satisfação imediata e certa, em troca de uma expectativa (aposta) futura, não é
diferente. Segundo MIRANDA(2006), os gestores e/ou investidores em seus
empreendimentos empresariais não estão em condições de eliminar o risco de um
determinado investimento, o melhor que podem fazer será reduzir ou mitigar o campo
de incerteza do projecto de investimento pela realização de estudos e planeamentos
técnicos. No caso de prejuízo, abandonar o projecto se o prejuízo for considerado
insuportável. É notório que a decisão de investir não deve ser tomada de forma
amadora.
Deve ser a etapa final de uma série de estudos, ao longo dos quais o projecto de
investimento é constantemente submetido a análises: o investimento realizado poderia,
então, ser considerado como um projecto de investimento que passou com sucesso todas
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as etapas essenciais da trajectória de um projecto de investimento, (MIRANDA, 6ªed.
2006, pág.135).
4.0 Classificação e natureza dos investimentos
Nesta secção, será apresentada a classificação quanto à natureza do investimento e da
relação recíproca existente entre os diversos projectos de um mesmo programa de
investimento. Aliás, DEAN (1951), estudioso sobre a classificação dos investimentos,
aborda que é possível caracterizar mais de uma centena de tipos de investimentos a
partir da utilização conjunta dos cinco elementos a seguir.
Origem das receitas do investimento
Orientação da concorrência
Forma do investimento
Relações com o progresso técnico
Aspectos estratégicos do investimento
4.1 A natureza dos investimentos
Algumas distinções podem ser feitas de acordo com esse critério e parece-nos de maior
interesse as seguintes: quanto ao objectivo buscado quando da proposição do
investimento; quanto à forma física que o investimento apresenta; quanto a seu impacto
potencial na organização empresarial.
4.2 Quanto ao objectivo proposto do investimento
Nesta classe de investimento, os objectivos principais são: a substituição de um
equipamento usado ou obsoleto, projectos de modernização com objectivo de
racionalização do modo actual de produção e os projectos de investimento de expansão
de capacidade, visando ao aumento da oferta de produtos no mercado.
Os investimentos de substituição ou reposição correspondem à troca por equipamento
novo de mesmas características que o antigo (mesma capacidade de produção e idêntico
nível de custos operacionais). Pode-se, considerar um investimento como de
substituição quando a intenção do tomador de decisão consiste em poder executar com o
novo equipamento as mesmas tarefas que eram executadas com o equipamento antigo.
Os investimentos de modernização correspondem aos investimentos que se traduzem
pela adopção de um novo modo de organização da produção, introdução de novos
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equipamentos, visando à melhoria de produtividade, à melhoria da qualidade dos
produtos ou serviços ofertados, à flexibilização do sistema produtivo etc.
Já os investimentos em expansão de capacidade correspondem aos projectos que
ampliam as actividades da organização empresarial, tanto em termos dos produtos
actuais como do lançamento de um produto novo ou nova linha de produtos. Esses
investimentos permitem à organização fazer frente ao futuro crescimento da demanda.
(MOTTA, 2002- pág 69)
4.3 Quanto à forma física do investimento
A expectativa é traçar a diferença entre investimentos materiais e materiais. Até os anos
1960, a preocupação foram os investimentos materiais, constituídos pela compra de
máquinas/equipamentos e pela construção de edificações destinadas à produção, depois
associaram os estoques e contas a receber. É ao conjunto desses investimentos que
correspondem os investimentos materiais.
No entendimento de MOTTA,2002 os investimentos materiais correspondem a todos os
dispêndios de longo prazo (exceto aquisição de activos fixos) que a organização
empresarial aplica com a intenção de manter ou melhorar os seus resultados. São
materiais os investimentos realizados em P & D – Pesquisa e Desenvolvimento, em
formação e capacitação, na estrutura de gestão, na pesquisa de mercado e na imagem de
produto ou da própria organização empresarial etc.
4.4 Quanto ao impacto potencial do investimento
Trata-se da distinção entre os investimentos correntes e estratégicos. Por investimentos
correntes entende-se os considerados de um nível de risco aceitável para a organização
empresarial, ou risco normal do negócio. É desse tipo a quase totalidade dos
investimentos de: substituição, de modernização e de expansão relacionados aos
produtos actuais da empresa, seja qual for a forma: material ou imaterial. São também
considerados correntes, mas com nível de risco mais elevado, os relacionados a novo
produto, geralmente aqueles que a organização empresarial executa para satisfazer
obrigações legais, como segurança, leis trabalhistas, leis ambientais etc.
5.0 Métodos da determinação de análise de Investimentos
Com o advento de técnicas de administração como o planeamento estratégico, as
empresas passaram a adotar filosofias, políticas e objectivos de longo prazo, que não
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raro apoiam a situação seguinte. Veja o cenário, pode ser conveniente que em
determinado exercício social a organização não tenha lucro, para que possamos
incrementar as vendas e alcançar o final do triénio como líderes do sector.
Esse enfoque de política empresarial traduz um novo posicionamento.
O objectivo do “lucro imediato” passa a ser substituído pelo objectivo de obter máximos
ganhos num determinado horizonte de análise. Para análise desse enfoque é necessário
introduzir um conceito muito utilizado em engenharia económica: o custo de
recuperação do capital.
Em um passado recente, as empresas normalmente adotavam uma filosofia monista em
relação aos custos, ou seja, contabilidade de custos e contabilidade financeira
conjugadas. Com isso, o investimento realizado era amortizado em determinado número
de anos, sob a forma de depreciação. A recuperação do capital era lançada a uma taxa
“zero”. Pelo conceito de equivalência, deve haver uma taxa tal que tornasse equivalente
o investimento realizado e a sua recuperação. E é essa taxa que determina o custo do
capital investido a ser lançado como despesa.
Porém, é interessante que a empresa adote uma filosofia dualista: contabilidade de
custos separada da contabilidade financeira. Três são os métodos básicos da análise de
investimento, denominados de:
Método do Valor Presente Líquido (VPL);
Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE);
Método da Taxa Interna de Retorno (TIR).
Esses métodos são equivalentes e, se bem aplicados, conduzem ao mesmo resultado. A
escolha entre qual deles utilizar dependerá do problema a ser resolvido, cada um se
adapta melhor a um determinado tipo de situação.
5.1 Influência da análise de investimentos
A análise de investimentos em uma empresa é influenciada por uma série de factores,
tanto internos quanto externos. É um processo complexo que busca avaliar a viabilidade
e o potencial de retorno de um investimento, minimizando os riscos.
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6.0 Principais factores que influenciam essa análise
6.1 Factores Financeiros e Contábeis da Empresa
Segundo MATARAZZO, 2006, esses são os dados mais directos e fundamentais para a
análise:
Fluxo de Caixa: A capacidade da empresa de gerar caixa consistente é crucial. Um
fluxo de caixa positivo e previsível indica saúde financeira e capacidade de honrar
compromissos e gerar retornos.
Rentabilidade: Métricas como lucro líquido, margens de lucro, ROI (Retorno sobre
Investimento) e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização)
são essenciais para entender quão lucrativa a empresa é.
Liquidez: Capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo. Isso é
avaliado por meio de índices como a liquidez corrente e liquidez seca.
Endividamento: O nível de dívida da empresa e sua capacidade de gerenciá-la. Um
endividamento excessivo pode representar um risco significativo.
Património Líquido: Representa o valor dos activos da empresa após a dedução dos
passivos.
Desempenho Histórico: O histórico financeiro da empresa (lucros, perdas, crescimento
de receita) fornece insights sobre sua consistência e tendências.
Projecções Financeiras: A capacidade da empresa de projectar seus resultados futuros
de forma realista é crucial para avaliar o potencial de retorno do investimento.
6.2 Factores de Mercado e Sector
O ambiente em que a empresa opera tem um impacto significativo:
Crescimento do Sector: Sectores em crescimento tendem a oferecer mais
oportunidades para as empresas.
Concorrência: A intensidade da concorrência no sector e a posição da empresa em
relação aos seus rivais.
Tendências de Consumo: Mudanças nos hábitos e preferências dos consumidores
podem afectar positiva ou negativamente a demanda pelos produtos ou serviços da
empresa.
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Regulamentação: Políticas governamentais, impostos e regulamentações específicas do
sector podem influenciar a lucratividade e as operações da empresa.
Barreiras de Entrada: A dificuldade para novos competidores entrarem no sector pode
proteger as margens de lucro das empresas existentes.
6.3 Fatores Macroeconómicos
As condições económicas gerais influenciam todas as empresas e investimentos:
Crescimento Económico (PIB): Um cenário de crescimento económico geralmente
impulsiona o consumo e o investimento.
Taxas de Juros: Taxas de juros mais altas podem aumentar o custo do capital para as
empresas e tornar investimentos de renda fixa mais atraentes, desviando capital de
investimentos em rações.
Inflação: A inflação pode corroer o poder de compra e aumentar os custos de produção
para as empresas.
Taxa de Câmbio: Para empresas com operações ou receitas internacionais, a taxa de
câmbio é um factor importante.
Política Fiscal e Monetária: As decisões dos governos e bancos centrais podem afectar
directamente o ambiente de negócios.
Crédito/Inadimplência: A disponibilidade de crédito e os níveis de inadimplência na
economia podem impactar a capacidade das empresas de financiar suas operações e
vendas.
6.4 Factores Qualitativos e de Gestão
Embora não sejam números, esses factores são cruciais para o sucesso a longo prazo:
Qualidade da Gestão: A experiência, competência e ética da equipe de liderança são
fundamentais. Uma boa gestão pode adaptar-se a desafios e explorar oportunidades.
Governança Corporativa: Boas práticas de governança, transparência e
responsabilidade da empresa em relação aos accionistas.
Modelo de Negócio: A clareza e a sustentabilidade do modelo de negócio da empresa,
como ela gera receita e se mantém competitiva.
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Reputação e Marca: A imagem da empresa no mercado, a lealdade dos clientes e a
força da marca.
Activos Intangíveis: Patentes, software, bases de dados, marcas registradas e o
goodwill (fundo de comércio) da empresa podem ter um valor significativo.
Inovação e Tecnologia: A capacidade da empresa de inovar e se manter actualizada
tecnologicamente.
6.5 Factores de Risco
A avaliação de riscos é parte integrante da análise de investimentos:
Riscos Operacionais: Problemas na produção, distribuição ou nos processos internos
da empresa.
Riscos Financeiros: Volatilidade do mercado, risco de crédito, risco de liquidez.
Riscos Estratégicos: Falhas na estratégia de negócios, entrada de novos concorrentes.
Riscos de Compliance: Não conformidade com leis e regulamentações.
Riscos de Mercado: Mudanças nas condições económicas, políticas ou sociais que
afectam o mercado como um todo.
6.6 Métodos de Análise
Para levar todos esses fatores em consideração, os analistas utilizam diversas
metodologias, como:
Análise Fundamentalista: Avalia a saúde financeira e o potencial de crescimento de
uma empresa, baseando-se em seus dados financeiros, sector e fatores
macroeconómicos.
Análise Técnica: Foca em padrões de preço e volume de negociação para prever
movimentos futuros do mercado.
Valuation: Utiliza modelos como Fluxo de Caixa Descontado (FCD), Valor Presente
Líquido (VPL) e Taxa Interna de Retorno (TIR) para estimar o valor intrínseco de uma
empresa ou projecto.
Análise SWOT: Identifica as Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças da empresa.
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7.0 Factores de influência a análise de investimentos em Moçambique
Segundo Dias(2002), Moçambique apresenta um cenário complexo para investimentos,
com uma combinação de oportunidades significativas e desafios persistentes. A análise
de investimentos no país é influenciada por vários fatores cruciais:
Recursos Naturais Abundantes: Gás Natural: Moçambique possui vastas reservas de
gás natural, especialmente na Bacia do Rovuma. Projectos de Gás Natural Liquefeito
(GNL), como o da TotalEnergies, são um grande atractivo e têm o potencial de
impulsionar significativamente a economia. A retoma prevista de projectos suspensos é
um factor muito positivo.
Minerais: O país é rico em minerais como grafite, carvão e pedras preciosas (incluindo
rubis), tornando o sector de mineração um dos principais alvos de investimento
estrangeiro.
Recursos Hídricos e Agrícolas: Com terras aráveis e abundância de água, o sector
agrícola e agroindustrial oferece grandes oportunidades, especialmente para culturas
como caju, algodão, tabaco e açúcar, e também para a pesca e aquacultura.
7.1 Localização Estratégica e Infraestrutura
Acesso ao Mar: A longa costa moçambicana e a presença de três portos de águas
profundas (Maputo, Beira e Nacala) são vantagens significativas, especialmente para os
países vizinhos sem litoral que dependem de Moçambique como porta de entrada para
os mercados globais.
Corredores de Transporte: Os corredores de transporte (ferroviários, rodoviários e
portuários) desempenham um papel central na economia, facilitando o comércio
regional.
Integração Regional: A integração na Comunidade de Desenvolvimento da África
Austral (SADC) oferece aos investidores acesso a um mercado maior, incluindo a
África do Sul. (Marques, 2006, pág 78)
7.2 Ambiente Político e de Segurança
Conflito em Cabo Delgado: O conflito na província de Cabo Delgado tem sido um
grande desafio, causando deslocamento de pessoas e danos à infraestrutura. Embora a
situação tenha estabilizado com o apoio de forças regionais, a volatilidade ainda existe e
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impacta a confiança dos investidores, especialmente em projectos de grande escala. A
retoma de grandes projectos de GNL, como o da TotalEnergies, sinaliza uma melhoria
na percepção de segurança.
Governança: Fraquezas na governança e um sistema judicial que pode ser influenciado
por interesses locais são preocupações contínuas para os investidores. A percepção de
corrupção também é um factor dissuasor.
Estabilidade Política: A instabilidade política, embora menos acentuada do que o
conflito em Cabo Delgado, pode gerar cautela entre os investidores, que buscam um
ambiente previsível.
7.3 Políticas Governamentais e Regulamentação
Incentivos ao Investimento: O governo moçambicano tem implementado reformas e
programas de privatização para atrair Investimento Direto Estrangeiro (IDE), incluindo
a criação da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX).
Legislação de Investimento: A Lei de Investimento (Lei n.º 8/2023, que substituiu a de
1993) e as suas regulamentações geralmente não discriminam com base na origem do
investidor, incentivando a participação estrangeira na maioria dos sectores.
Reforma do Ambiente de Negócios: Há esforços contínuos para reduzir a burocracia,
como a simplificação dos procedimentos para obtenção de licenças e a revisão da Lei de
Terras para tornar a transferência de direitos de uso e aproveitamento da terra (DUATs)
mais transparente e “bancável”.
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7.4 Factores Macroeconómicos
Crescimento do PIB: Moçambique tem um histórico de crescimento robusto
impulsionado, em grande parte, pelo sector extractivo. As perspectivas de crescimento
do PIB continuam positivas, impulsionadas pela produção de gás.
Inflação e Taxas de Juros: A política monetária e a inflação podem afectar os custos
operacionais e a atractividade dos investimentos. As taxas de juros elevadas são um
desafio para o financiamento local.
Dívida Pública: Apesar de Moçambique ter estado em “debt distress”, a sua dívida é
avaliada como sustentável a longo prazo, o que é um factor importante para a confiança
dos investidores e para o acesso a financiamento externo.
Dependência Externa: A economia moçambicana ainda é significativamente dependente
de financiamento externo (doações e empréstimos), o que pode gerar vulnerabilidades.
7.5 Desafios de Capital Humano e Infraestrutura
Mão de Obra: Apesar de uma força de trabalho jovem e em crescimento, há uma
escassez de mão de obra qualificada em Moçambique. As leis laborais são
consideradas rígidas, e o processo de visto para trabalhadores estrangeiros pode ser
complexo.
Infraestrutura Deficiente: Além das principais rotas, a infraestrutura de transporte e
portuária ainda é inadequada em muitas áreas, e os eventos climáticos extremos (chuvas
fortes e tempestades tropicais) frequentemente causam danos.
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8.0 Conclusão
Em suma, uma análise de investimentos completa exige uma visão holística,
combinando a avaliação de dados financeiros com a compreensão do ambiente de
negócios, das condições macroeconómicas e dos riscos inerentes. Isso permite ao
investidor tomar decisões mais informadas e alocar seus recursos de forma estratégica.
Por outro lado, Moçambique oferece um potencial de investimento considerável,
principalmente devido aos seus vastos recursos naturais e à sua localização estratégica.
No entanto, os investidores precisam ponderar cuidadosamente os riscos associados à
segurança, governança, infraestrutura e capacidade de mão de obra. A estabilidade
política e a implementação contínua de reformas eficazes são cruciais para desbloquear
plenamente o potencial de investimento do país.
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9.0 Referências Bibliográficas
HUMMEL, Paulo Roberto V. Análise e decisão sobre investimentos e financiamentos:
engenharia económica. São Paulo: Atlas, 1995.
MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem básica e
gerencial. 6.ed. São Paulo: Atlas, 2003.
MIRANDA, Roberto Vianna. Manual de decisões financeira e análise de negócios. São
Paulo: Record, 2006.
MOTTA, Regis da Rocha. Análise de investimentos: tomada de decisão em projectos
industriais. São Paulo: Atlas, 2002.
DIAS, Álvaro Lopes (2002); Análise Qualitativa de Projectos de Investimento, Edual –
Editora da universidade Autónoma, SA, Lisboa;
FEREIRA, Rogério Fernandes (1985); Lições de Gestão Financeira, Porto Editora, Lda,
Vol2, Portugal;
GIL, António Carlos (2002); Métodos e Técnicas de Pesquisa Social apud
BOAVENTURA, Edivaldo M (2007); Monografia, Dissertação e Tese, Editora
AtlasS.A, São Paulo;
Lei n.º 8/2023 lei de investimentos em Moçambique
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