INSTITUTO MÉDIO POLITÉCNICO GLOBO - NZERU MBAWIRI
CURSO DE AGRO-PECUARIA
CERTIFICADO VOCACIONAL V EM AGROPECUÁRIA
Título do Módulo: Conduzir e recolher dados de inquéritos, campos de demonstração e ensaios
on-farm
e Código do Modulo: MO AGR04503181
Tema: Instalação de monitoramento de campo de demostração de resultados de uma cultura de
alface
Formando:
Naércio António Pascoal
Código do estudante:
2412220804E
Docente: Jermias Vilankulos
Chimoio, Maio, 2025
Índice
Introdução .........................................................................................................................1
Objectivos ........................................................................................................................2
Métodos e materiais .........................................................................................................3
Descrição da cultura de alface .........................................................................................4
Recomendações técnicas...............................................................................................................4
Preparação do solo ...........................................................................................................5
Sementeira ......................................................................................................................6
Transplante ...........,..........................................................................................................7
Conclusão ......................................................................................................................8
Referência bibliográfica ................................................................................................9
1. INTRODUÇÃO
A horticultura desempenha um papel crucial na segurança alimentar, geração de renda e
diversificação das actividades agrícolas em países em desenvolvimento. A alface, como hortaliça
folhosa, possui ciclo curto, alto valor nutricional e aceitação ampla no mercado, sendo ideal para
sistemas de produção familiar e comercial.
Contudo, o sucesso do cultivo depende da adoção de boas práticas agrícolas desde o
planejamento do plantio até a comercialização. Os campos de demonstração de resultados são
ferramentas essenciais no processo de transferência de tecnologias, pois permitem validar,
adaptar e divulgar práticas sustentáveis de produção junto a agricultores e estudantes.
Este relatório descreve de forma detalhada a instalação e o monitoramento de um campo de
demonstração da cultura de alface, abordando aspectos técnicos, edafoclimáticos, fitossanitários
e produtivos, com o objectivo de promover práticas agrícolas sustentáveis adaptadas às
condições agroecológicas da região de Chimoio, Moçambique.
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2. OBJECTIVOS
2.1 Objectivo Geral
Implementar e monitorar um campo de demonstração para a cultura da alface, utilizando
boas práticas agrícolas, com foco em produtividade, sustentabilidade e capacitação
técnica de agricultores e extensionistas.
2.2 Objectivos específicos
Falar de descrição da cultura de alface
Mencionar e descrever as recomendações técnicas
Abordar sobre os amanhos culturas
Avaliar a eficiência de métodos de controle de pragas e doenças;
Gerar dados e informações que auxiliem na tomada de decisões futuras.
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3. MATERIAIS E MÉTODOS UTILIZADOS
3.1 Local de Instalação
O campo foi instalado na localidade de 1º de Maio, cidade de Chimoio, numa zona com solo
franco-arenoso, declive suave, boa exposição solar, disponibilidade de água e acesso por estrada
rural. A escolha do local foi baseada em critérios como acessibilidade, representatividade
agroecológica e segurança.
3.2 Materiais
Enxadas: Revolver e preparar o solo.
Catanas: Cortar vegetação e limpeza.
Pás: Escavar e movimentar terra.
Regadores: Irrigar plantas manualmente.
Fita métrica: Medir distâncias e espaços.
Cordas: Delimitar áreas e alinhar fileiras.
3.3 Metodologia
A metodologia baseou-se no modelo participativo, com envolvimento de produtores locais e
técnicos. As atividades seguiram as seguintes etapas:
1. Diagnóstico inicial e escolha do local;
2. Preparação do solo e construção dos canteiros;
3. Sementeira em viveiro protegido com substrato enriquecido;
4. Transplantação e monitoramento fenológico da cultura;
5. Aplicação de técnicas de manejo integrado de pragas e doenças;
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4. DESCRIÇÃO DA CULTURAL
A alface é uma hortaliça folhosa pertencente à família Asteraceae, amplamente cultivada e
consumida em todo o mundo devido ao seu valor nutritivo e comercial. É uma planta de ciclo
curto, adaptada a climas temperados e subtropicais, sendo sensível a temperaturas elevadas e ao
excesso de umidade. Apresenta diversas variedades, como americana, crespa, lisa e romana, que
diferem em formato, textura e sabor. A alface requer solos bem drenados, férteis e ricos em
matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 6,8, e boa disponibilidade de água ao longo do ciclo de
cultivo. Seu manejo exige cuidados específicos, principalmente na fase de germinação,
transplantio, irrigação, controle fitossanitário e colheita, visando obter alta produtividade e
qualidade comercial.
4.2 Caracterização Botânica
A alface é uma dicotiledônea herbácea de ciclo anual. Apresenta folhas dispostas em roseta
basal, podendo formar cabeça compacta (tipo americana) ou ficar soltas (tipo crespa). Suas flores
são hermafroditas, reunidas em inflorescências do tipo capítulo. A raiz é pivotante, superficial e
pouco ramificada, exigindo um solo fértil e bem drenado. A propagação é feita por sementes, e a
colheita ocorre de 30 a 60 dias após a transplantação, dependendo da variedade.
4.3 Exigências Edafoclimáticas
Solo: Profundo, bem drenado, fértil, textura média a leve, pH entre 6,0 e 6,8. Solos compactados
ou encharcados favorecem doenças radiculares.
Clima: Temperaturas entre 15°C e 22°C são ideais para o crescimento. Temperaturas altas
reduzem o tempo de ciclo, podendo afetar o tamanho e a qualidade das folhas. Alta umidade
favorece doenças fúngicas.
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5. RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS
5.1 Preparação do Solo
A área foi limpa, descompactada e lavrada a uma profundidade de 20–30 cm. Em seguida, foi
realizada a calagem (se necessário) e a adubação orgânica com esterco bem curtido (até 20 t/ha).
Canteiros com 1 m de largura e 20 cm de altura foram construídos para facilitar a drenagem e o
manejo.
5.2 Sementeira
A sementeira foi feita em viveiros sombreados, com substrato composto por solo, areia e
composto orgânico (1:1:1). As sementes foram distribuídas uniformemente, cobertas com
camada fina do substrato e mantidas úmidas com regas leves e frequentes.
5.3 Transplantação
Foi realizada aos 21 dias após a sementeira, com mudas de 4 a 6 folhas. A transplantação foi
feita no final da tarde, com espaçamento de 30 x 40 cm. Após o plantio, foi realizada rega de
fixação e sombreamento parcial nos primeiros dias, para evitar murchamento.
6.Amonhos culturas
6.1 Rega
A irrigação foi feita manualmente nos primeiros dias (manhã e tarde), passando a uma rega diária
no período fresco do dia. Em solos bem drenados, a frequência foi ajustada para evitar saturação
hídrica.
6.2 Adubação
Orgânica: Aplicação inicial de 20 t/ha de esterco.
Química: 300 kg/ha de NPK 12-24-12 na cova de transplantação e cobertura com 100 kg/ha de
ureia divididos em duas aplicações (15 e 30 dias após a transplantação).
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6.3 Controle de Doenças
Míldio: Aplicação preventiva de mancozebe; espaçamento adequado para circulação de ar.
Pinta preta : Eliminação de folhas afetadas; aplicação de fungicida cúprico.
Podridão de raiz : Uso de substrato esterilizado; boa drenagem e rotação de culturas.
6.4 Controle de Pragas
Pulgões: Monitoramento constante; aplicação de extrato de neem.
Lagartas: Controle biológico com Bacillus thuringiensis e aplicação seletiva de inseticidas.
Mosca-minadora: Uso de armadilhas adesivas; controle com inseticidas sistêmicos seletivos.
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8. CONCLUSÃO
A instalação do campo de demonstração de alface evidenciou a importância de um sistema
integrado de produção, onde a escolha adequada do local, uso de sementes certificadas, manejo
racional da água e dos nutrientes, e controle fitossanitário preventivo resultam em uma cultura
mais produtiva, saudável e sustentável.
O monitoramento constante da cultura permitiu intervenções oportunas e o aprendizado técnico
dos participantes, reforçando o papel pedagógico do campo de demonstração como instrumento
de extensão rural, pesquisa aplicada e formação prática. A replicabilidade das práticas testadas
abre portas para o fortalecimento da horticultura na região, com potencial para melhorar a
segurança alimentar e a renda das famílias produtoras.
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8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
EMBRAPA. Alface: cultivo, doenças e manejo integrado. Brasília: Embrapa Hortaliças, 2020.
FILGUEIRA, F. A. R. Novo Manual de Olericultura. Viçosa: UFV, 2013.
TAVARES, R. M. et al. Hortaliças: produção e mercado. Maputo: INIA, 2018.
MINAG – Ministério da Agricultura. Manual de Boas Práticas Agrícolas em Hortícolas. Maputo:
MINAG, 2019.
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9. ANEXOS
Fig1: Sementeira Fig2: Rega
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Fig3: Adubação
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