1º BIMESTRE
TEORIA GERAL DOS RECURSOS
O recurso é um instrumento processual que visa combater decisões judiciais.
- Decisões judiciais em sentido amplo (sentença - decisão interlocutória)
- Previsto em Lei
- Preclusão (perda de uma oportunidade de interpor o recurso
- Mesma relação jurídica (recurso tem que ocorrer entre MP, juiz e réu - ex:
habeas corpus não está na mesma relação jurídica)
- Reforma (visa reforma, anulação e integração)
FUNDAMENTOS
● Falibilidade humana: Juiz é falho por ser humano e por esse motivo existem
os recursos, para reanalisar a situação;
● Inconformismo: as partes não se conformam com a sentença
● Duplo grau de jurisdição: quem julga é o próprio juiz de piso, embargos de
declaração e pode ocorrer depois.
PRINCÍPIOS
1 - Voluntariedade - Todo recurso depende da vontade da pessoa para interpor o
recurso
Art. 574. do CPP
Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que deverão
ser interpostos, de ofício, pelo juiz:
I - da sentença que conceder habeas corpus;
II - da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de
circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos do art. 411.
(o juiz de piso não consegue sozinho, precisa de um superior para validar a decisão)
Recurso de ofício: é uma exceção, o Juiz, por conta própria leva para o 2º grau de
jurisdição da sentença que concede habeas corpus e de absolvição sumária
Súmula 425, STF: Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso
ex officio, que se considera interposto ex lege.
Quando o Juiz esquece do recurso em ofício e não transita em julgado, atrapalhando o
réu
Efeito extensivo
Art. 580.do CPP.
No caso de concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão do recurso interposto por
um dos réus, se fundado em motivos que não sejam de caráter exclusivamente pessoal,
aproveitará aos outros.
É uma exceção, no caso que tenha concurso de agente (mais de um réu) e quando
não houver circunstância pessoal, o recurso se estende aos demais.
2- Taxatividade/Unirrecorribilidade
Taxatividade: todos os recursos estão previstos em Lei, não existe recurso sem
previsão
Unirrecorribilidade: para cada decisão só serve um recurso, com exceção aos
embargos de declaração.
Fonte material: a União privativamente cria novos recursos
Art. 22. da CF.
Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial
e do trabalho;
Excessão: Recurso Especial -STJ; Recurso Extraordinario STF
3- Duplo grau de jurisdição - É a necessidade de reanalisar a matéria
Art. 5º, LV da CF.
Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes
4- Fungibilidade - A parte não será prejudicada se não tiver má-fé (perder o prazo e
utilizar recurso de prazo maior), o recurso interposto errado ainda sim será aproveitado
Art. 579. Salvo a hipótese de má-fé, a parte não será prejudicada pela interposição de
um recurso por outro.
Parágrafo único. Se o juiz, desde logo, reconhecer a impropriedade do recurso
interposto pela parte, mandará processá-lo de acordo com o rito do recurso cabível.
5- Disponibilidade - Se o recurso é voluntário também é disponível para o réu.
O MP é indisponível, se entrou tem que continuar
Art. 576. O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja interposto
6- Reformatio in pejus
Proibido reforma em prejuízo do réu. Uma sentença só pode ser reformada em
prejuízo se a acusação recorrer.
Súmula 160 STF: é nula a decisão do Tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não
argüida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício.
Direta: se o MP não recorreu e o tribunal reformou in pejus;
Indireta: o prejuízo não vem do recurso, a pena não pode ser maior que a anterior.
Reformatio in mellius: MP recorre e pode ser feita uma melhoria.
7- Dialeticidade - Todo recurso tem que estar exposto de forma clara o que ele deseja
CLASSIFICAÇÃO
Ordinário: é possível o debate a matéria fática (o fato ocorrido; ex: absolvição), se
limitam a 2º instância (no máximo);
Extraordinário: para instâncias superiores (STF/STJ) não discute fato e sim normas
que foram violadas; ex: juiz deu a pena errada
GRAU HIERÁRQUICO
Vertical: regra (reanalisar matérias em um grau superior).Tem efeito devolutivo.
Horizontal: embargos de declaração (remetido ao mesmo juiz que dá a decisão).
Casos de obscuridade, erro material, etc.
EFEITOS
1- Devolutivo
Garantia constitucional do duplo grau de jurisdição devolvendo a matéria para ser
reanalisada (sanções adm. Também entram)
2- Suspensivo
Obsta os efeitos da decisão decorrida.
Apelação: sempre tem efeito suspensivo. Para os demais, é necessário solicitar.
Se for recurso da sentença absolutória: n tem efeito suspensivo
3- Regressivo
Presente no RESE e no Agravo em execução, impossibilita o juízo de retratação por
parte do juiz.
Art. 589. Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz, que,
dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando instruir o recurso
com os traslados que Ihe parecerem necessários.
Parágrafo único. Se o juiz reformar o despacho recorrido, a parte contrária, por simples
petição, poderá recorrer da nova decisão, se couber recurso, não sendo mais lícito ao juiz
modificá-la. Neste caso, independentemente de novos arrazoados, subirá o recurso nos
próprios autos ou em traslado.
4- Extensivo
Exceção a voluntariedade dos recursos, não precisa recorrer para ser beneficiado de
um recurso. (art. 580)
PREPARO
● Só há preparo no final, caso haja condenação
Em ações penais públicas, o recurso é gratuito.
Em ações penais privadas, o recorrente deve pagar custas judiciais para que o recurso
seja julgado, sob pena de deserção. Ele recolhe no ato da interposição ou quando juiz
intima.
Deserção: quando não paga o preparo
Prazo: fixado em lei ou marcado pelo juiz.
Art. 806. Salvo o caso do art. 32, nas ações intentadas mediante queixa, nenhum ato
ou diligência se realizará, sem que seja depositada em cartório a importância das custas.
§ 1o Igualmente, nenhum ato requerido no interesse da defesa será realizado, sem o
prévio pagamento das custas, salvo se o acusado for pobre.
§ 2o A falta do pagamento das custas, nos prazos fixados em lei, ou marcados pelo
juiz, importará renúncia à diligência requerida ou deserção do recurso interposto.
§ 3o A falta de qualquer prova ou diligência que deixe de realizar-se em virtude do não-
pagamento de custas não implicará a nulidade do processo, se a prova de pobreza do
acusado só posteriormente foi feita.
PRESSUPOSTOS
OBJETIVOS (tem que preencher os requisitos objetivos)
I - Cabimento: um recurso só pode ser apresentado se houver uma decisão que seja
passível de recurso.
Coisa julgada formal impede a admissão de recursos, pois representa uma decisão
definitiva do processo.
Decisões interlocutórias → pode ou não caber
Despacho → não tem recurso
Sentença → cabe recurso
II - Adequação: unirrecorribilidade, verificar se o recurso que está utilizando é correto.
Existe um recurso específico para cada situação.
Exceção: princípio da fungibilidade (ex: errei o nome do recurso)
III - Tempestividade: precisa estar dentro do prazo previsto
A tempestividade está na interposição, que é preclusiva.
Art. 575. Não serão prejudicados os recursos que, por erro, falta ou omissão dos
funcionários, não tiverem seguimento ou não forem apresentados dentro do prazo.
Súmula 428 STF: Não fica prejudicada a apelação entregue em cartório no prazo
legal, embora despachada tardiamente
Contagem do prazo (art. 798 CPP):
Art. 798. Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não
se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.
§ 1o Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém, o do
vencimento.
§ 2o A terminação dos prazos será certificada nos autos pelo escrivão; será, porém,
considerado findo o prazo, ainda que omitida aquela formalidade, se feita a prova do dia em
que começou a correr.
§ 3o O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á prorrogado até o
dia útil imediato.
§ 4o Não correrão os prazos, se houver impedimento do juiz, força maior, ou obstáculo
judicial oposto pela parte contrária.
§ 5o Salvo os casos expressos, os prazos correrão:
a) da intimação;
b) da audiência ou sessão em que for proferida a decisão, se a ela estiver presente a
parte;
c) do dia em que a parte manifestar nos autos ciência inequívoca da sentença ou
despacho.
Art. 798-A. Suspende-se o curso do prazo processual nos dias compreendidos entre
20 de dezembro e 20 de janeiro, inclusive, salvo nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº
14.365, de 2022)
I - que envolvam réus presos, nos processos vinculados a essas prisões; (Incluído
pela Lei nº 14.365, de 2022)
II - nos procedimentos regidos pela Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria
da Penha); (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022)
III - nas medidas consideradas urgentes, mediante despacho fundamentado do juízo
competente. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022)
Parágrafo único. Durante o período a que se refere o caput deste artigo, fica vedada a
realização de audiências e de sessões de julgamento, salvo nas hipóteses dos incisos I, II e
III do caput deste artigo
- Contínuo
- Exclui o dia do início e inclui o do final
- Não pode começar em fim de semana ou feriado (começa no próximo dia útil)
- No seu curso, não se interrompe por férias, domingos ou feriados.
Juntada de Intimação (Súmula 710 STF): No processo penal, contam-se os prazos da
data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou
de ordem.
Se a intimação é feita ao réu e seu defensor, os prazos contam-se a partir da última
intimação.
Intimação na Sexta (Súmula 316 STJ): A contagem do prazo exclui o dia da intimação,
iniciando-se na segunda-feira, caso não seja feriado.
SUBJETIVOS
Legitimidade - quem pode recorrer.
Interesse - Todo recurso pressupõe um prejuízo para a parte recorrente, ou seja,
uma diferença injustificada entre sua pretensão e o que foi concedido na sentença. O
recorrente deve alegar e justificar esse prejuízo legalmente para que o recurso seja
conhecido e fundamentado.
Art. 577. O recurso poderá ser interposto pelo Ministério Público, ou pelo querelante,
ou pelo réu, seu procurador ou seu defensor.
Parágrafo único. Não se admitirá, entretanto, recurso da parte que não tiver interesse
na reforma ou modificação da decisão.
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
Feito no juízo a quo, onde é interposto o recurso
Os requisitos objetivos e subjetivos dos recursos são analisados para determinar se o
recurso deve ser conhecido ou não, sem entrar no mérito da questão. O juiz que
proferiu a sentença verifica se as exigências legais estão atendidas e decide se o
recurso pode ser admitido, checando a presença dos pressupostos necessários.
Feito pelo tribunal ad quem
Uma vez admitido o recurso, o tribunal passa a analisar o mérito, ou seja, o objeto do
recurso. Nessa etapa, o tribunal pode decidir por dar provimento (aceitar o pedido) ou
negar provimento (rejeitar o pedido) ao recurso.
Conhecimento: verifica se recurso preenche os requisitos
Provimento: verifica o mérito
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Momento processual
Se assemelha ao agravo de instrumento, a regra é a irrecorribilidade, precisa ser
irrecorrível.
Não tem momento processual adequado (específico).
Regra: Irrecorribilidade: não é toda decisão interlocutória no 581
Rol taxativo - Somente as decisões interlocutórias do artigo 581.
Fundamento - Artigo 581 do CPP
Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:
I - que não receber a denúncia ou a queixa;
II - que concluir pela incompetência do juízo;
III - que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição;
IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir
requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou relaxar a
prisão em flagrante; (Redação dada pela Lei nº 7.780, de 22.6.1989)
VII - que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor;
VIII - que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade;
IX - que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva
da punibilidade;
X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus;
XI - que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena;
XII - que conceder, negar ou revogar livramento condicional;
XIII - que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte;
XIV - que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir;
XV - que denegar a apelação ou a julgar deserta;
XVI - que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial;
XVII - que decidir sobre a unificação de penas;
XVIII - que decidir o incidente de falsidade;
XIX - que decretar medida de segurança, depois de transitar a sentença em julgado;
XX - que impuser medida de segurança por transgressão de outra;
XXI - que mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos do art. 774;
XXII - que revogar a medida de segurança;
XXIII - que deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em que a lei admita a
revogação;
XXIV - que converter a multa em detenção ou em prisão simples.
XXV - que recusar homologação à proposta de acordo de não persecução penal,
previsto no art. 28-A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
despacho irrecorrível
● Imprecisão técnica
sentença apelação
“a doutrina diz que este artigo tem impressão técnica, sendo elas despacho e
sentença, pois está errado”
CARACTERÍSTICAS DA RESE
● Caráter residual - Só é cabível quando não couber apelação.
Art. 593, §4° → NÃO PODE ESTAR DENTRO DE UMA SENTENÇA ➔
APELAÇÃO
Ex: sentença condenou pelo 147 e 129 §9, porém 147 está prescrito.
Ao invés de entrar com RESE, entrará com apelação, pois houve uma sentença
condenatória para outro crime.
Se fosse condenado somente pelo 147, caberia RESE.
● Hipóteses revogadas (tacitamente) pela Lei de Execução Penal (LEP)
XI, XII, XVII, XIX, XII, XX, XXI, XXII, XXIV ➔ NÃO PODE RESE,
A LEP surgiu após o CPP
art. 197 → Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de
agravo, sem efeito suspensivo.
Assim, será, AGRAVO DE EXECUÇÃO.
● Juízo de retratação
Regressivo, possibilita que o próprio juiz se retrate daquela decisão.
- Art. 589 CPP: esse recurso será feito concluso e nele apresentar a retratação.
- Só existe o juízo de retratação na RESE e no agravo em execução.
IDENTIFICAÇÃO
1° precisa ser uma decisão dentro do artigo 581 e não pode estar dentro da sentença;
2° anterior a sentença condenatória transitada em julgado
3° não ser cabível em apelação
PRAZO
Interposição: 5 dias (art. 586 CPP)
Exceção: 581, XIV (que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir) 20 dias da publicação
Razões: 2 dias (art. 588 CPP)
HIPÓTESES:
I- Rejeição da denúncia
II- Juízo competente é a vara tal ou na desclassificação “não é homicídio
doloso, é culposo”
III- Pronúncia
IV- Liberdade provisória/prisão preventiva
V- Prescrição extinta a punibilidade
VI- Indeferir pedido reconhecido da prescrição
Juízo de retratação
Art. 589. Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao juiz,
que, dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho, mandando
instruir o recurso com os traslados que Ihe parecerem necessários.
Só existe retratação no RESE e Agravo em Execução
RECURSO DE APELAÇÃO
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias:
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular;
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos
casos não previstos no Capítulo anterior;
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia;
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
§ 1o Se a sentença do juiz-presidente for contrária à lei expressa ou divergir das
respostas dos jurados aos quesitos, o tribunal ad quem fará a devida retificação.
§ 2o Interposta a apelação com fundamento no no III, c, deste artigo, o tribunal ad
quem, se Ihe der provimento, retificará a aplicação da pena ou da medida de segurança.
§ 3o Se a apelação se fundar no n o III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se
convencer de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-
lhe-á provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo
motivo, segunda apelação.
§ 4o Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito,
ainda que somente de parte da decisão se recorra.
Cabimento (art. 593)
- Sentença condenatória
- Sentença absolutória
- Decisões dentro da sentença
- 5 dias
Extensão (Art. 599)
As apelações poderão ser interpostas quer em relação a todo o julgado, quer em
relação a parte dele.
Pode ser plena (total) ou parcial.
O tribunal pode julgar a parte que não recorrida, se verificar que a reforma é favorável
ao réu (reformatio in mellius)
Efeitos
- Devolutivo: é o padrão, a regra;
- Extensivo: se não se tratar de coisa pessoal, a decisão de um réu estende
para o outro
- Suspensivo: se recorrer, suspende os efeitos da sentença (quando há
condenação - presunção de inocência)
PROCEDIMENTOS
- Ordinário/sumário: Art. 593 do CPP. Sentença condenatória (decisão
interlocutória) ou sentença absolutória (própria ou imprópria). Na sentença no
ordinário que homologa ou não → É RESE E NÃO APELAÇÃO
- Sumaríssimo: Juizado especial, art. 82.
Em casos de rejeição de denúncia ou da queixa crime.
Transação penal, homologa ou não sentença, rejeita a queixa crime
ou a denúncia → É APELAÇÃO
Tribunal do júri “dubio pro societá”
Também cabe recurso de apelação
1° fase: art. 416 CPP → juízo de justa causa → indício de autoria e
materialidade
- pronúncia (RESE)
- impronúncia (APELAÇÃO)
- absolvição sumária (APELAÇÃO)
- desclassificação (RESE);
2° fase: art. 593, III CPP → antes, durante ou depois do plenário
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando:
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia;
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
nos casos A e D = novo juri
Obs: §3º
Só poderá recorrer com fundamento no D uma vez, enquanto nos demais
pode 2x
PRAZOS
Interposição: 5 dias (art. 593)
Razões e Contrarrazões: 8 dias (art. 600)
Sumaríssimo: o Interposição e Razões: 10 dias → conta da interposição
2º BIMESTRE
AGRAVO EM EXECUÇÃO
Após a sentença condenatória transitar em julgado
Meio de impugnação utilizado para converter decisões do juiz da execução
penal.
É um processo separado (processo de execução)
Fundamento: art. 197 LEP
Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito
suspensivo.
Cabimento: Decisões proferidas pelo juiz da execução
ex: Réu tá cumprindo a pena e acha q tem direito ao livramento condicional.
Mesmo preenchendo os requisitos, o juiz fala não.. Pode entrar com Agravo
em Execução
Em regra- Não tem efeito suspensivo
A parte pode pedir fundamentando ou o juiz pode determinar ao analisar o
caso
A lei prevê o efeito suspensivo em caso de desinternação ou liberação de
indivíduo submetido a medida de segurança
Procedimentos: Mesmas disposições do RESE
Hipóteses: toda decisão proferida pelo juiz da execução
Tem efeito regressivo - Juiz pode se retratar
Prazo
- Súmula 700, STF
É de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da
execução penal.
5 dias para interpor - 2 dias para apresentar razões
Legitimidade
MP e apenado (pode ser assistente de acusação nos casos em que MP perde
o prazo)
ex: progressão de regime
mesmo estando no 581, XII, não cabe RESE, pq o 197 LEP revogou
tacitamente
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - “embarguinhos”
Recurso horizontal - não tem duplo grau, o próprio juiz julga
CONCEITO: Meio de impugnação para esclarecer obscuridade, ambiguidade,
contradição ou omissão (toda decisão e sentença deve ser clara e
específica)
Natureza jurídica: recurso (parte da doutrina não vê como recurso por
não ter duplo grau)
Hipóteses:
● Obscuridade (juiz utiliza uma fundamentação nada a ver; palavras
difíceis; não consegue entender)
● Ambiguidade (permite duas interpretações)
● Contradição (um ponto não faz sentido com o outro; ex: fundamenta
uma absolvição mas condena no dispositivo)
● Omissão (faltou algum elemento; ex: condenou sem dosimetria)
Finalidade: Ao contrário dos outros recursos, não tem a finalidade de
mudar, mas sim esclarecer
Prazos
sumário-ordinário-especiais - 2 dias - art. 382 (sentença) - art. 619 (acórdão)
Art. 382. Qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz que
declare a sentença, sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade, contradição
ou omissão.
Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou turmas,
poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias contados da
sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade, obscuridade, contradição
ou omissão.
sumaríssimo - 5 dias - art. 83 Lei 9099/95
Art. 83. Cabem embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão,
houver obscuridade, contradição ou omissão.
§ 1º Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no
prazo de cinco dias, contados da ciência da decisão.
§ 2o Os embargos de declaração interrompem (conta do 0 depois) o prazo
para a interposição de recurso.
§ 3º Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício.
Embargos no STF - 5 dias
Efeitos
● Infringentes: quando o juiz faz alguma alteração que muda o
conteúdo (ex: MP pede prisão preventiva e o juiz indefere sem
analisar a reincidência; ele foi omisso, quando for analisar a
reincidência provavelmente vai mudar a decisão)
● Interrupção de prazo: há interrupção do prazo para interpor apelação,
por exemplo (exceção - às vezes a pessoa usa de má fé para ganhar
tempo, o que é chamado de embargos protelatórios. Não
interrompem)
*não tem efeito devolutivo pq o próprio juiz que julga
EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE
Exclusivo da defesa - Cabível quando, durante o julgamento de um recurso
(apelação ou RESE) em segunda instância, houver decisão não unânime
desfavorável ao réu.
Fundamento e prazo: Art 609 - 10 dias
Art. 609. Os recursos, apelações e embargos serão julgados pelos Tribunais de
Justiça, câmaras ou turmas criminais, de acordo com a competência estabelecida nas leis de
organização judiciária.
Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância,
desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que poderão ser
opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de acórdão, na forma do art. 613. Se
o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto de divergência.
Cabimento
● Decisão não unânime
● Decisão de 2° grau
● Decisão desfavorável
*não cabe em decisão de 1° grau
ou seja: cabe em decisões/acórdãos de 2° grau, qndo 1 desembargador for
a favor da Defesa
*Não tem efeito suspensivo e regressivo
Limitação a divergência
ex: a defesa pede absolvição e, subsidiariamente, para que a pena seja
diminuída
2 desembargadores negam tudo
1 nega a absolvição, mas reconhece que a pena tem que diminuir
Nesse caso caberá embargos só da questão de diminuição de pena
Finalidade: Pacificar o entendimento
Competência: Cada estado estabelece quem julgará. No MS muda a turma.
Não faz sentido julgar aquele mesmo que negou
RECURSO ESPECIAL - QUESTÕES
Elaborem uma resposta sobre o Recurso Especial, aplicado ao processo
penal, abordando os seguintes pontos:
1. Cabimento: Quando é possível interpor recurso especial no processo
penal?
2. Hipóteses: Em quais situações específicas o recurso é admitido?
3. Fundamento: Base legal para o recurso especial, com referência à CF
e ao CPP
4. Súmula 7 do STJ: Explicação sobre a súmula e sua aplicação ao
recurso especial, especialmente a vedação à análise de provas.
O QUE É? O recurso especial criminal é um instrumento jurídico que permite à
defesa ou ao Ministério Público recorrer a decisões em processos criminais, visando
garantir o cumprimento adequado da legislação federal. Ele se destina a questionar
decisões judiciais que tenham sido violadas ou interpretadas de maneira equivocada
uma norma federal, permitindo que o caso seja reavaliado pelo Superior Tribunal de
Justiça (STJ), a instância responsável por uniformizar a interpretação das leis federais
no Brasil.
O recurso especial não analisa fatos ou provas, focando exclusivamente na
interpretação e aplicação da legislação federal, o que torna seu cabimento restrito a
questões jurídicas .
ONDE ESTÁ PREVISTO (FUNDAMENTO)? A sua previsão é de ordem
constitucional, conforme se vê do art. 105, III, CF, e art. 638 do CPP, devendo ser
julgado pelo Superior Tribunal de Justiça.
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos
Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios,
quando a decisão recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face de lei federal;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal.
Art. 638. O recurso extraordinário e o recurso especial serão processados e julgados no
Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça na forma estabelecida por leis
especiais, pela lei processual civil e pelos respectivos regimentos internos.
Caso o Tribunal de Justiça, ao julgar, tenha violado alguma disposição do Código de
Processo Penal, como as formas procedimentais, caberá o recurso especial cpp.
Outro exemplo é quando se viola alguma disposição do Código Penal como o não
reconhecimento de alguma causa extintiva de punibilidade (art. 107, CP),
desafiando-se, então, o presente recurso.
É necessário o prequestionamento da matéria no Tribunal a quo para que possa ser
conhecido o recurso. Caso não tenha o Tribunal de origem analisado a matéria de
ordem federal, deverá a parte interpor embargos de declaração para que seja feito o
devido prequestionamento.
QUANDO É CABÍVEL? De acordo com o CPP, a interposição do Recurso Especial
está condicionada aos seguintes casos:
1. Decisões Conflitantes: o Recurso Especial pode ser interposto quando
houver decisões conflitantes entre tribunais diferentes. Ou seja, se houver
interpretações distintas sobre a mesma matéria em diferentes regiões ou
tribunais, o recurso especial pode ser utilizado para uniformizar a
jurisprudência.
2. Violação de Lei Federal: se a decisão recorrida violar lei federal, incluindo
tratados e convenções internacionais, o Recurso Especial pode ser interposto.
É importante destacar que não basta alegar violação; é preciso indicar de
forma clara e específica qual dispositivo legal teria sido infringido.
3. Divergência Jurisprudencial: pode-se interpor o Recurso Especial quando a
decisão recorrida estiver em desacordo com o entendimento jurisprudencial
dominante em tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
ou o Supremo Tribunal Federal (STF).
4. Questões de Direito Local: embora mais raro, o Recurso Especial também é
cabível quando a decisão recorrida envolve questões de direito local em que há
divergência jurisprudencial entre tribunais estaduais.
CUIDADOS AO INTERPOR:
- Fundamentação Específica: é essencial fundamentar o recurso de forma
específica, indicando claramente os dispositivos legais violados ou a
divergência jurisprudencial.
- Relevância Federal: a matéria discutida deve ter relevância federal para que o
recurso seja admissível.
- Observância dos Prazos: respeitar os prazos estabelecidos no CPP para
interposição do recurso, evitando a preclusão do direito de recorrer.
- Análise Cautelosa: antes de interpor o recurso, é crucial realizar uma análise
cuidadosa da decisão, avaliando se atende aos requisitos específicos para a
aplicação do Recurso Especial Criminal.
É crucial observar que, para a interposição do Recurso Especial, é necessário que a
matéria discutida tenha relevância federal. Além disso, o recurso deve ser
fundamentado de forma específica, indicando claramente os dispositivos legais
violados ou a divergência jurisprudencial.
Os prazos para interposição do Recurso Especial são estabelecidos no próprio CPP, e
é fundamental atentar para esses prazos, pois a sua não observância pode resultar na
preclusão do direito de recorrer.
Uma importante anotação quanto ao recurso especial no processo penal é a nova
Súmula 518, STJ: “Para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível
recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula.
Por esse novo pensamento sumulado, o recorrente não pode valer-se do Recurso
Especial com base na suposta violação à lei federal quando questiona a contrariedade
a alguma súmula do STJ. Em outras palavras, o art. 105, III, a, CF, apenas admite a
impetração do recurso quando a violação é à lei federal, não sendo possível em caso
de violação à súmula, visto que a natureza jurídica é diversa.
REQUISITOS:
O recurso especial se limita a questões de direito, sem reavaliar fatos ou provas, o que
o torna um instrumento exclusivo para tratar de interpretações jurídicas.
Entre os principais requisitos para interpor um recurso especial criminal estão:
● Violação ou interpretação divergente de lei federal: o recurso é cabível
apenas quando a decisão de segunda instância apresenta uma denúncia direta
ou uma interpretação divergente de uma norma federal. Isso garante que o
STJ possa uniformizar a aplicação das leis em todo o país .
● Preclusão das vias ordinárias: antes de recorrer ao STJ, é necessário que
todas as possibilidades de recurso nas instâncias inferiores estejam esgotadas.
Isso inclui o uso de embargos de declaração e outros recursos ordinários.
● Questões exclusivamente jurídicas: o STJ não revisa fatos ou situações,
mas analisa se a decisão respeitou as normas jurídicas. O advogado deve
focar em apontar erros na interpretação ou aplicação da lei, sem trazer
discussão sobre provas.
● Prequestionamento: a questão jurídica a ser levada ao STJ deve ter sido
discutida em decisão de segunda instância. Se a matéria não foi apreciada
no acórdão recorrido, o STJ pode entender que o recurso não é cabível .
● Fundamentação detalhada : a petição deve conter uma argumentação clara e
precisa, demonstrando onde ocorreu a violação ou a divergência na
interpretação da norma federal. O advogado deve sustentar o recurso com
solicitações de leis e questões que reforçam seu ponto.
Cumprir todos esses requisitos é essencial para que o recurso especial penal seja
admitido e analisado pelo STJ. A atuação cuidadosa do advogado ao formular o
recurso é fundamental para garantir que os direitos do cidadão sejam
preservados e que a legislação seja aplicada de forma uniforme e justa.
PRAZO:
O CPC prevê o prazo de 15 dias para a interposição e a juntada das razões,
conforme disposto no art. 1.030, caput.
A perda dele implica na preclusão do direito de recorrer , tornando
impossível a apreciação do recurso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A interposição do recurso deverá ser realizada perante o Presidente ou Vice-
Presidente do Tribunal de origem, com as razões já incluídas, conforme
estipulado o art. 1.029 do NCPC. O processo segue os procedimentos de
admissibilidade, onde o Tribunal de origem verifica se os requisitos formais
estão cumpridos antes de enviar o recurso ao STJ .
A contagem do prazo de 15 dias deverá seguir as regras que determinam
que a contagem seja feita em dias corridos, excluindo-se o dia de início e
incluindo-se o dia final.
Seu efeito é meramente devolutivo, não impedindo a imediata execução da
sentença penal.
O STF e o STJ entendem que a interposição de embargos de declaração em
face de decisão proferida pelos Tribunais, negando seguimento a recurso
especial ou recurso extraordinário, não interrompe o prazo para a
interposição do recurso de agravo (que é o único cabível).
A súmula 7 do STJ dispõe que: A PRETENSÃO DE SIMPLES REEXAME DE
PROVA NÃO ENSEJA RECURSO ESPECIAL
O que significa que o STJ não pode reavaliar o conjunto probatório do
processo, limitando-se a reexaminar questões de direito. Essa vedação
assegura que o tribunal superior se concentre em aspectos jurídicos,
evitando a reanálise do mérito.
A finalidade é evitar que o se transforme em uma 3º instância.
Deve ser interposto em 15 dias, contados da intimação da decisão que
pretende recorrer