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Caso Da Vi CBDPP

O caso envolve a Fraternidade da Pureza Divina e o Círculo das Ervas Eternas, duas religiões em conflito no Estado de Nova Veredas, culminando em um atentado terrorista contra o templo do Círculo, resultando na morte de 17 pessoas. Juan Vidigal, influenciador e proprietário de uma plataforma de apostas, foi acusado de financiar a seita radicalizada, a Ordem dos Castos, e de obstruir a justiça durante as investigações. Após um julgamento, Juan foi condenado a 24 anos de prisão por seus crimes relacionados ao atentado e à manipulação de provas.

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Luiz Andrade
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Caso Da Vi CBDPP

O caso envolve a Fraternidade da Pureza Divina e o Círculo das Ervas Eternas, duas religiões em conflito no Estado de Nova Veredas, culminando em um atentado terrorista contra o templo do Círculo, resultando na morte de 17 pessoas. Juan Vidigal, influenciador e proprietário de uma plataforma de apostas, foi acusado de financiar a seita radicalizada, a Ordem dos Castos, e de obstruir a justiça durante as investigações. Após um julgamento, Juan foi condenado a 24 anos de prisão por seus crimes relacionados ao atentado e à manipulação de provas.

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CASO

Realização:

Belo Horizonte/MG
2025
DESCRIÇÃO DO CASO

Dentre a população do Estado brasileiro de Nova Veredas, nota-se uma forte presença de duas
religiões minoritárias no cenário nacional: a “Fraternidade da Pureza Divina”, seguida por cerca de
35% da população do Estado e que tem como dogmas a abstenção de qualquer forma de
embriaguez; e o “Círculo das Ervas Eternas”, cujos fiéis representam cerca de 4% dos habitantes
do Estado e cujo objetivo central é a busca pela purificação das aflições humanas por meio da
prática de rituais envolvendo o consumo de chás medicinais.
Nos últimos anos, a Fraternidade da Pureza Divina passou a contar com a adesão de figuras
públicas de grande visibilidade, entre as quais se destacava Juan Vidigal, influenciador digital com
milhões de seguidores, fisiculturista premiado e proprietário da plataforma de apostas VidiBet,
conhecido também por sua atuação em causas sociais ligadas à juventude e ao “autocontrole
espiritual e corporal”. Juan associava sua trajetória de superação pessoal aos preceitos da
Fraternidade e, em suas redes sociais, exaltava os princípios de pureza e denunciava os “vícios que
corrompem o corpo e o espírito”.
Paralelamente, ganhou força uma ala radicalizada de tal religião, conhecida como “Ordem dos
Castos”, que interpretava os preceitos da Fraternidade de maneira absoluta, sustentando que a
verdadeira pureza espiritual exigiria não apenas a abstenção voluntária e individual do uso de
substâncias que podem interferir nos estados da consciência, mas a imposição coletiva desse ideal
como forma de "purificação social". Recentemente, a seita havia passado a ser monitorada pelas
autoridades em razão do envolvimento de alguns de seus membros em atos como o apedrejamento
de bares, a destruição de carregamentos de bebidas alcoólicas e remédios, bem como a suposta
coação física e moral de ex-membros.
Um dos fundadores e principal líder da seita é o Mestre Pablo Gaviria, responsável pela gestão do
setor de filantropia da Fraternidade da Pureza Divina e também apontado como o real proprietário
de uma controversa clínica de recuperação para dependentes químicos sem fins lucrativos,
denominada “Instituto Esperança e Luz” e registrada formalmente em nome do seu cunhado
Matheus Souza. A maioria dos pacientes era formada por ex-fiéis do Círculo, tornados
dependentes do chá ritualístico Ayavita. A imprensa local já havia denunciado que a clínica atuava,
na prática, como centro de doutrinação, promovendo a conversão à Ordem dos Castos e pregando,
de forma velada, a necessidade de impedir a disseminação da doutrina do Círculo entre os jovens.
Em 17/09/2024, o Círculo promoveu uma grande cerimônia religiosa na Praça Central da capital
do Estado, Vale das Nuvens, para marcar um eclipse lunar, distribuindo gratuitamente pequenas
porções do chá Ayavita, inclusive para crianças e adolescentes. A iniciativa gerou forte indignação
nos seguidores da Fraternidade, que consideraram o evento um atentado à moral e à saúde da
população. Em razão disso, sua líder, missionária Lúcia Navarro, convocou manifestações públicas
nas proximidades dos templos do Círculo das Ervas Eternas em defesa da “pureza espiritual”.
Ao longo do dia 19/10/2024, as manifestações ocorreram nas proximidades dos referidos templos
ao redor do país; em alguns locais, os atos tiveram caráter violento, envolvendo, inclusive,

-1-
confrontos com a polícia, gritos e faixas contendo mensagens discriminatórias e depredações de
espaços públicos e privados. Seguidores do Círculo foram, inclusive, alvos de agressões físicas e
verbais. Contudo, o principal foco das manifestações era o Templo das Águas Floridas, na Serra
das Fontes Altas, sede do Círculo e local considerado sagrado para seus fiéis, que há décadas havia
sido tombado como patrimônio histórico nacional. Após algumas horas de manifestação, quando
o público se dispersava, alguns indivíduos que participavam do ato, de forma aparentemente
coordenada, arremessaram bombas contra o edifício. As múltiplas explosões levaram a um grande
incêndio que destruiu completamente o local. Após os trabalhos de rescaldo, foi constatado que
17 seguidores do Círculo, que estavam há dias reclusos nas dependências do templo realizando um
ritual. Segundo se apurou, a presença de tais pessoas ali não era de conhecimento dos
manifestantes.
Na manhã seguinte, em coletiva de imprensa, o Ministro da Justiça classificou o ataque como um
atentado terrorista, determinando a apuração dos fatos pela Polícia Federal, por meio da Delegacia
de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito para o Estado de Nova Veredas.
O comando da investigação foi atribuído ao Delegado Federal Rafael Gontijo.
Em 31/10/2024, foi deflagrada a 1ª fase da Operação Fake Natty, cumprindo mandado de prisão
expedido pelo Juiz Federal Sérgio Salatiel, da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Vale das
Nuvens/VN, contra Tales Coelho, apontado como responsável pelo arremesso de uma das
bombas contra o templo, bem como em nome do qual estava registrado o veículo que levou os
demais agentes e os explosivos ao local do ato.
Nos dias seguintes, Tales celebrou acordo de delação premiada, no qual confessou sua participação
e indicou os demais coautores, revelando que todos haviam se conhecido durante tratamento no
Instituto Esperança e Luz e compartilhavam ideais fundamentalistas inspirados na Ordem dos
Castos. Disse ter transportado as bombas até o local, se certificado de quem todos os artefatos
estavam preparados e distribuído eles para os outros 3 indivíduos. Além disso, relatou que o ataque
havia sido planejado sob orientação de Pablo Gaviria como forma de aterrorizar os “infiéis” e
eliminar “templos impuros” do Círculo das Ervas Eternas, de modo que também serviria de
motivação para que os demais seguidores da Fraternidade destruíssem os demais templos do
Círculo e “eliminassem os infiéis”. Contudo, a concretização do plano não teria sido possível
devido à forte mobilização policial no entorno de tais locais, o que impediu que eles chegassem a
outros templos. Ao final, ele relatou que Pablo utilizava doações destinadas à Fraternidade para
financiar tanto a seita como suas ações violentas.
A delação foi homologada pelo Juiz Federal Sérgio Salatiel em 05/11/2024. No dia seguinte, diante
das informações e provas fornecidas pelo delator, a Polícia Federal representou (i) pela prisão
preventiva dos outros 3 executores do ato; (ii) a realização de busca e apreensão em todos os
endereços ligados ao Instituto, à Ordem dos Castos e aos investigados; (iii) a quebra dos sigilos
fiscal, bancário, telefônico e telemático de todas as instituições e pessoas investigadas e (iv) o
bloqueio de todos os seus bens. Os pedidos tiveram concordância do MPF e foram deferidos pelo
Juízo ainda naquele dia.

-2-
Na 2ª fase da operação, deflagrada em 08/11/2024, Pablo Gaviria foi preso preventivamente, após
ser interceptado a caminho de um aeroporto executivo com passagem marcada para os Estados
Federados da Micronésia. Pablo alegou não saber da existência da operação e disse que a viagem
havia sido planejada para férias familiares. Entretanto, as quebras de sigilo bancário e fiscal
autorizadas judicialmente revelaram intenso fluxo de recursos entre Pablo, a clínica e contas ligadas
à Ordem dos Castos.
Em razão da obtenção dos dados resultantes das quebras de sigilo, foi constatado que um cartão
de crédito de titularidade de Matheus Souza havia sido utilizado para a compra dos materiais
necessários para a fabricação do tipo de explosivo utilizado no atentado; que a conta corporativa
da instituição havia sido utilizada para pagar as hospedagens e gastos em Vale das Nuvens dos 4
executores do atentado; que o Instituto recebeu diversos repasses financeiros das contas da Ordem
dos Castos e de líder Pablo, em valores incompatíveis com a renda por ele declarada ao fisco; bem
como extensas trocas de mensagens entre os envolvidos se utilizando de linguagem codificada.
No dia 15/11/2024, o Presidente da República, antigo rival político de Pablo Gaviria em eleições
para o governo de Nova Veredas, em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão pelo
Dia da Proclamação da República, anunciou que a Ordem dos Castos havia passado a ser
oficialmente considerada como uma “organização terrorista”, bem como que seu ex-opositor e
crítico era o mentor dos ataques de 19 de outubro.
Considerando a grande quantidade de envolvidos, a complexidade do caso e as grandes cobranças
de agilidade na elucidação do atentado advindas da capital federal, o Delegado concluiu que a
melhor saída era o envio do imediato inquérito para o Ministério Público Federal, visando o
oferecimento de denúncia contra os executores e o suposto mentor do ato, de modo que a
investigação prosseguiria quanto aos eventuais financiadores. Assim, em 17/11/2024 os 4
executores, Pablo e Matheus foram denunciados pela Procuradora da República Rebeca Utsch,
chefe do GAECO da Procuradoria da República em Nova Veredas, e acusados, em concurso de
pessoas e em concurso material, da prática dos delitos previstos nos arts. 2º e 3º, na forma do art.
7º, todos da Lei nº 13.260/2016; bem como pela prática, por 17 vezes, do delito do art. 121, § 2º,
inc. III, do Código Penal e pela prática do delito previsto no art. 62 da Lei nº 9.605/1998. A
denúncia foi recebida pela 1ª Vara Federal do Tribunal do Júri de Vale das Nuvens/VN e a ação
penal está em tramitação, não tendo ainda sido julgada.
Em razão da grande quantidade de documentos e dados que estavam sendo analisados pelos
investigadores, apenas após alguns dias foi notado, nas contas bancárias de Pablo, o constante
recebimento de vultosas quantias enviadas por Juan Vidigal. Em 25/11/2024, foi requerida a
quebra dos sigilos de Juan, medida que foi autorizada pelo Juiz no dia seguinte. Foi descoberto,
então, que o dinheiro enviado por ele para Pablo era arrecadado com sua casa de apostas, que já
era alvo de investigação após o recebimento de diversas denúncias no sentido de que ela estaria
enganando seus apostadores por meio da divulgação de vídeos falsos de supostos ganhadores, que
se utilizavam de contas “demo”, bem como que utilizava “bots” para inflar resultados e modificar
as “odds”, tudo com o objetivo de impedir vitórias reais, além de dificultar os saques dos poucos
indivíduos que efetivamente tinham sucesso nas apostas.

-3-
Ocorre que, em 01/12/2024, o blogueiro e jornalista Emanuel Mendes, conhecido pelos seus
precisos furos jornalísticos na cobertura da atividade policial, publicou em sua conta na rede social
Y que algumas de suas fontes haviam lhe informado que um famoso do meio do coaching teria
bancado o ataque ao Templo das Águas Floridas.
Na tarde do dia 09/12/2024, funcionários da Delegacia de Polícia Civil de Vale das Nuvens foram
surpreendidos por Maicon Braga, contador da Vidibet, que chegou ao local aos prantos clamando
por proteção dos policiais. Em sua oitiva, relatou que logo após a divulgação da referida notícia
por Emanuel, Juan passou a adotar uma série de medidas para destruir ou ocultar documentos e
aparelhos eletrônicos, eliminar os servidores de dados vinculados à VidiBet, além de ter coagido
funcionários da empresa a prestarem depoimentos falsos, com o aparente intuito de dificultar ou
impedir o avanço de eventuais investigações que existissem contra ele. O relato motivou a
formulação de representação pela decretação de sua prisão preventiva em 10/12/2024, o que foi
autorizado no dia seguinte pelo Juiz Federal Sérgio Salatiel. Juan foi preso no dia 12/12/2024 e
foi ouvido dois dias depois.
O inquérito foi relatado em 06/01/2025. Então, em 10/02/2025, a Procuradora Rebeca Utsch
ofereceu denúncia contra Juan Vidigal, imputando-lhe os delitos previstos nos arts. 3º e 6º da Lei
nº 13.260/2016; art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013; e art. 344 do Código Penal. A denúncia foi
distribuída para a 3ª Vara Criminal Federal de Vale das Nuvens/VN, cuja titular é a Juíza Federal
Maria Antônia Girodo.
A denúncia foi recebida em 28/02/2025, tendo sido determinada a citação de Juan, que foi
efetivada no Centro de Detenção Provisória de Vale das Nuvens em 07/03/2025. Em
19/03/2025, foi apresentada a resposta à acusação de Juan pelos Advogados Dr. Lino Bornia e
Dr. Lucas Braga. Foi designada audiência de instrução e julgamento para 24/06/2025. Na
audiência, foram ouvidas a vítima Kauani Mattar e as testemunhas Tales Coelho, Maicon Braga,
Lúcia Navarro, Rafael Gontijo e Pablo Gaviria; ao final, o réu foi interrogado e foi aberto prazo
sucessivo para apresentação de alegações finais na forma de memoriais, o que foi feito
tempestivamente.
Na sentença, datada de 03/07/2025, a denúncia foi julgada procedente. A Juíza entendeu existirem
elementos suficientes para reconhecer que as ações da Ordem dos Castos se enquadram nos
moldes do art. 2º da Lei nº 13.260/2016. Quanto a Juan Vidigal, a magistrada destacou que sua
conduta se insere no contexto do financiamento consciente das atividades da seita, com pleno
conhecimento dos vínculos de Pablo Gaviria com os executores do atentado, dos objetivos
intolerantes da organização e da destinação dos valores repassados. Considerou, ainda, que as ações
por ele praticadas após o início da investigação, como a destruição de documentos e dados
vinculados à VidiBet e a tentativa de manipular testemunhos, configuram os delitos de coação no
curso do processo e obstrução de justiça. Ao final, Juan foi condenado pelos crimes de previstos
nos arts. 3º e 6º da Lei nº 13.260/2016; art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013; e art. 344 do Código
Penal; impondo-lhe pena de 24 anos de reclusão, em regime inicial fechado, tendo determinado a
manutenção da sua prisão preventiva.

-4-
Em sua edição de 04/07/2025, noticiando a condenação de Juan, o jornal “Folha Veredense”
relembrou que a Juíza Federal Maria Antônia Girodo, responsável pela condução do feito estava
presente em um bar de Vale das Nuvens que, há cerca de um ano, foi apedrejado por supostos
seguidores da Ordem dos Castos. Embora ela não tenha sido diretamente atingida, presenciou o
tumulto. O acontecimento e a presença da magistrada no bar já haviam sido largamente noticiados
pela imprensa.
Inconformada com a condenação de Juan, sua defesa, no último dia do prazo, interpôs o recurso
cabível em face da dita sentença e apresentou conjuntamente as respectivas razões recursais,
instando o Tribunal Regional Federal (TRF) da 10ª Região, sem prejuízo de outras teses
pertinentes, a adjudicar obrigatoriamente sobre:
1) A responsabilidade penal de Juan pelas condutas a ele atribuídas;
2) A licitude do relatório de extração de dados do celular de Pablo e dos prints juntados
pela defesa de Juan sob o prisma do instituto processual da cadeia de custódia;
3) A eventual ocorrência de suspeição ou impedimento da Juíza de instrução, bem como
a não ocorrência de preclusão e da “nulidade de algibeira” sobre tais pedidos.
4) A caracterização dos repasses à Ordem dos Castos como financiamento à organização
terrorista ou doações de caráter religioso;
5) A discussão sobre o dolo necessário para a configuração dos crimes imputados à Juan
e a possibilidade da ocorrência de bis in idem entre alguns deles.

-5-
Orientações da comissão redatora
1. O caso acima descrito é uma narrativa fictícia, desenvolvida com fins acadêmicos e
pedagógicos, conforme itens 1.1 a 1.3 do edital da VI CBDPP e não corresponde a pessoas ou
acontecimentos reais.
2. Os documentos a seguir instruem o recurso a ser interposto pela defesa constituída. Na versão
dos autos apresentada a seguir constam todas as petições e documentos considerados
imprescindíveis para a elaboração das peças, sendo eles os únicos passíveis de utilização para
a elaboração das peças.
3. Apesar da localidade onde ocorrem os fatos ser fictícia, são aplicáveis a legislação e as
regulamentações do Brasil, bem como a jurisprudência dos tribunais brasileiros.

-6-
20 de outubro de 2024

DIÁRIO NOVA-VEREDENSE
ATAQUE À BOMBA DESTRÓI O
TEMPLO DAS ÁGUAS FLORIDAS
MANIFESTAÇÃO DE SEGUIDORES DA FRATERNIDADE DA
PUREZA DIVINA TERMINOU NO ARREMESSO DE BOMBAS
CASEIRAS POR INDIVÍDUOS NÃO INDENTIFICADOS. INCÊNDIO
CAUSOU O DESABAMENTO DO LOCAL E 17 MORTES.
A manifestação convocada pela Missionária Lúcia
Navarro para os templos do Círculo das Ervas Eternas
terminou em tragédia. Após horas de protesto em frente
ao Templo das Águas Floridas, na Serra das Fontes Altas,
bombas foram arremessadas contra o edifício, que
sofreu várias explosões e foi tomado por um incêndio.
Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, ele já
havia sido completamente destruído pelas chamas,
tendo desabado poucas horas depois. Dentre os fiéis do
Círculo que estavam no local realizando um ritual, 17
morreram. É aguardado um pronunciamento da Polícia
para hoje. Além do referido protesto, outros também
ocorreram nas proximidades de templos do círculo ao
redor do país; em alguns deles, os atos foram violentos e
envolveram confrontos com as autoridades, faixas como
“Morte aos infiéis” e o arremesso de pedras. Nas redes
sociais há vários relatos de seguidores do Círculo que
foram agredidos em diversas partes do país. Mais
informações na pag. 3 e na edição de amanhã.

SUSPEITA DAS AUTORIDADES É DE QUE


SEITA DE RELIGIOSOS FANÁTICOS SEJA A
RESPONSÁVEL PELO ATAQUE
Fontes ouvidas sob condição de anonimato pelos nossos
jornalistas relataram que a principal suspeita das
autoridades de Nova Veredas é de que a seita
fundamentalista “Ordem dos Castos” seja a responsável
pelo ataque, por defender de forma pública e constante a
eliminação do Círculo das Ervas Eternas e a conversão
forçada dos seus fiéis. Membros da referida seita teriam
participado das manifestações, convocadas pela
Missionária Lúcia Navarro, em razão da sua ligação com a
Fraternidade da Pureza Divina. Até o momento a
investigação não começou oficialmente, já que as Policias
Civil e Federal discutem de quem é a competência. Há
poucos meses foi noticiado neste veículo que seguidores
da referida seita que atacaram com pedras um bar no
centro histórico da capital; relembre o caso na página 3.
“ORDEM DOS CASTOS” TEM PASSADO SOMBRIO E ENVOLTO
EM POLÊMICAS E ACUSAÇÕES DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
A Fraternidade da Pureza Divina, que segundo o último censo é seguida por cerca de 35% da população de Nova
Veredas, está em franco crescimento. Recentemente, passou a contar com a adesão de figuras públicas de
grande visibilidade, incluindo diversos influenciadores digitais que, juntos, somam milhões de seguidores nas
redes sociais. Porém, nem tudo são flores. Também vem ganhando força nos últimos meses uma ala
radicalizada de tal religião, por alguns classificada como seita, que se intitula como “Ordem dos Castos”. Os
seguidores da fraternidade que seguem tal seita defendem que a verdadeira pureza espiritual exige a imposição
coletiva da abstenção do uso de substâncias que podem interferir nos estados da consciência, como forma de
"purificação social". Um dos fundadores e principal líder da seita é o Mestre Pablo Gaviria, figura polêmica que é
o responsável pela gestão do setor de filantropia da Fraternidade da Pureza Divina e, no passado, perdeu as
eleições para o governo de Nova Veredas para a atual Presidente da República Clara Dias Kauani.
Essa busca pela “purificação social” vem sendo utilizada por alguns para justificar a adoção de medidas
violentas. Seguidores da “Ordem dos Castos” ainda não identificados são apontados pela Polícia Civil como
responsáveis por um ataque com pedras ao Bar Zanbai, no centro histórico de Vale das Nuvens, na noite do dia
02 de agosto de 2024. O estabelecimento estava lotado em razão de uma “After party” com juízes federais de
todo o Estado, que haviam participado de um congresso jurídico. Por volta das 22h40, um grupo de homens
encapuzados chegaram ao local e passaram a arremesar pedras contra a fachada do bar, quebrando janelas e
causando pânico nos clientes, enquanto gritavam palavras de ordem como “abaixo aos infiéis” e “purificação já”.
Uma das juízas presentes no local, Maria Antônia Girodo, em entrevista à TVeredas relatou os momentos de
pânico por ela sofridos: “Estavamos todos distraidos quanto uns criminosos chegaram e já começaram com as
pedradas; corremos para dentro do Zanbai mas as janelas foram sendo extouradas e os estilhaços de vidro
machuraram todo mundo; inclusive, alguns colegas tiveram de ir para o hospital. Logo depois já ficamos
sabendo que isso era coisa de uns religiosos fanáticos da tal Ordem dos Castos”.

CASA DE APOSTAS “VIDIBET” REGISTRA RECORDE DE RECLAMAÇÕES E


DENÚNCIAS DE FRAUDE POR APOSTADORES. EXPECTATIVA É DE QUE
INQUÉRITO SEJA INSTAURADO PELA POLÍCIA CIVIL NOS PRÓXIMOS DIAS.
Uma onda de reclamações nas redes sociais e de denúncias
vem chamando a atenção das autoridades de Nova Veredas. A
Casa de Apostas Vidibet, de propriedade do influenciador,
coach e Fisiculturista Juan Vidigal, atual patrocinadora
master do Campeonato Veredense, é acusada de uma série
de fraudes por centenas de apostadores. Segundo um deles,
ouvido em condição de anonimato pela nossa equipe, a
Vidibet estaria enganando seus apostadores através da
divulgação de vídeos falsos de supostos ganhadores e de
grandes propagandas por influenciadores digitais que se
utilizavam de contas “demo”, bem como através da utilização
de “bots” para inflar resultados e modificar as “odds”, tudo
com o objetivo de impedir vitórias reais dos apostadores
comuns. Como se não bastasse isso, os poucos indivíduos que
efetivamente tem sucesso em suas apostas enfrentam
grandes dificuldades para sacar seus ganhos.

DISCUSSÃO EM BINGO DE ASILO TERMINA EM PANCADARIA GENERALIZADA


O que era uma mera tarde de diversão no Asilo de Nova Aliança/AB acabou se tornando um caso de polícia
quando uma acalorada discussão sobre uma cartela premiada evoluiu para uma troca de agressões físicas entre
as residentes. A faísca, segundo testemunhas, teria sido a Sra. Zilda (87), que acusou a Sra. Cremilda (92) de
marcar um número não cantado. "Ela sempre faz isso, a danada! Pensa que a gente é boba!", teria bradado Zilda,
antes de, supostamente, arremessar sua própria cartela na direção da rival. O que se seguiu foi um pandemônio
geriátrico, com amigas das envolvidas tomando parte e partindo para o confronto. "Foi uma cena surreal,"
relata o enfermeiro Carlos; "A Dona Jurema (90), que mal consegue andar, levantou-se da cadeira de rodas e deu
uma 'gravata' na Dona Adelaide (85) que puxava o cabelo de outra colega. Nunca vi tanta agilidade!". Os
funcionários, com ajuda policial, controlara, a situação. Algumas das envolvidas foram hospitalizadas.

3
A TRIBUNA POLÊMICA 21 DE OUTUBRO DE 2024

EDIÇÃO ESPECIAL

TERRORISMO
EM NOVA VEREDAS!

MINISTRO DA JUSTIÇA CLASSIFICOU O ATAQUE AO TEMPLO


DAS ÁGUAS FLORIDAS COMO UM ATENTADO TERRORISTA. PF
INVESTIGARÁ O CASO E JÁ EXISTEM SUSPEITOS.
Em coletiva de imprensa na sede do Ministério da Justiça no fim da manhã de ontem (20/10), o Ministro da Justiça Emanuel
Bernal classificou o ataque que destruiu o Templo das Águas Floridas e vitimou 17 fiéis do Círculo das Ervas Eternas como um
atentado terrorista. Dentre as autoridades presentes na entrevista estava a Diretora Geral da Polícia Federal, Gabriele Barreto,
tendo sido determinado à ela pelo Ministro que a apuração dos fatos seja feita pela PF, por meio da Delegacia de
Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito para o Estado de Nova Veredas. O comando da investigação foi
atribuído ao Delegado Federal Rafael Gontijo, agente que, segundo fontes da Folha Veredense, possui um grande histórico de
amizade com o Ministro Emanuel. Após a entrevista, o Delegado relatou à nossa equipe que algns suspeitos já estão sendo
investigados, mas não forneceu detalhes sobre quem seriam nem quais suas intenções. O inquérito tramitará sob sigilo total.
O OBSERVATÓRIO DE VALE DAS NUVENS
16 de novembro de 2024 [Link]

ORDEM DOS CASTOS É DECLARADA ORGANIZAÇÃO


TERORRISTA PELA PRESIDENTE DA REPÚBLICA
A SEITA, QUE JÁ ERA INVESTIGADA PELAS AUTORIDADES POR
ESTIMULAR PRÁTICAS VIOLENTAS POR SEUS SEGUIDORES, É
APONTADA PELA POLÍCIA FEDERAL COMO A RESPONSÁVEL
PELO ATAQUE AO TEMPLO DAS ÁGUAS FLORIDAS.

Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na


noite de ontem pelo o Dia da Proclamação da República, a
Presidente Clara Dias Kauani declarou que a seita “Ordem dos
Castos”, ala fundamentalista da Fraternidade da Pureza Divina,
passou a considerada pelas autoridades como uma organização
terrorista.
O líder da organização, Mestre Pablo Gaviria, foi preso no na semana
passada na 2ª fase da Operação Fake Natty. Ele é apontado pela
Polícia Federal como o mentor e articulador do atentado à bomba
ao Templo das Águas Floridas, no mês passado, que resultou em 17
mortes e na destruição completa do local.
Desde a prisão preventiva do líder da seita, manifestantes fazem
vigília em frente à carceragem da Delegacia de Antiterrorismo e No início da semana, a Delegacia precisou ser
Defesa do Estado Democrático de Direito de Nova Veredas, onde ele esvaziada em razão de uma ameaça anônima de
está detido. Na internet, se multiplicam os ataques dos seus explosão do local.
seguidores à honra dos policiais envolvidos na apuração do caso e,
Fontes do Observatório de Vale das Nuvens dão
até mesmo, dos familiares das vítimas do atentado.
conta de que o Ministério Público Federal
São comuns postagens alegando que Pablo é vítima de uma considerada que o caso já foi esclarecido, de
perseguição política, já que no passado perdeu as eleições para o modo que nos próximos dias a denúncia contra
Governo de Nova Veredas para a atual Presidente da República e os Executores e o mentor do atentado deve ser
desde então vem sendo um dos seus principais críticos. Além disso, apresentada. Até o momento não foram
alguns de seus seguidores alegam que o atentado teria sido armado identificados outros envolvidos no plano
pelos próprios seguidores do Círculo das Ervas Eternas com o terrorista, mas a suspeita dos investigadores é
objetivo de “se vitimizarem” e acabarem com a Fraternidade da de que o plano teve grandes financiadores. Com
Pureza Divina. Um internatura ainda não identificado seguiu por o reconhecimento da Ordem dos Castos como
outra linha, tendo postado na rede social Y que “explodiram foi organização terrorista, a expectativa é que seus
pouco” e que “o certo mesmo era matar todos eles no soco”. apoiadores também sejam presos.
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

IPL nº 2024-93654387

PORTARIA

A POLÍCIA FEDERAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS, pelo (a) Delegado (a) de


Polícia Federal que esta subscreve, no uso de suas atribuições legais, considerando
os termos do Despacho Administrativo nº 14/2025 do GAECO de Nova Veredas,
referente ao IPL nº 2024-92548574, instaura o presente INQUÉRITO POLICIAL
para apurar a possível prática dos delitos previstos nos arts. 3º e 6º, da Lei nº
13.260/2016; art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013 e art. 344 do Código Penal por
JUAN VIDIGAL, determinando ao Sr. (a) Escrivão (ã) que adote as seguintes
providências:

I - Juntar peças de informação do IPL nº 2024-92548574 pertinentes à apuração


das condutas do investigado;
II. Proceder a tomada de depoimento de eventuais testemunhas arroladas;
III. Proceder à tomada de declarações do investigado;
IV. Juntar ficha de antecedentes policiais do investigado;
V. Realizar demais diligências necessárias à devida apuração dos fatos.

Após, retornar-me os autos conclusos, observando-se o prazo legal.

Cumpra-se.
Vale das Nuvens/NV, 20 de novembro de 2024.

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

Fls. 12
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

IPL nº 2024-93654387

TERMO DE JUNTADA

Aos 20 de novembro de 2025, faço a juntada das seguintes peças de informação,


produzidas no bojo do IPL nº 2024-92548574:

I. Autos da busca e apreensão;


II. Laudo de extração de dados do aparelho celular pertencente a Pablo Gaviria,
apreendido em 08 de novembro de 2024;
III. Termos de depoimento das testemunhas Lúcia Navarro e Kauani Mattar;
IV. Termo de colaboração premiada firmado com Tales Coelho e sua respectiva
homologação;
V. Relatório de quebra de sigilo bancário de Pablo Gaviria;
VI. Relatório final.

Para constar, lavro este termo.

Eu, Ana Maria, escrivão (ã) de polícia.

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

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IPL nº 2024-92548574

LAUDO DE BUSCA E APREENSÃO

Data da diligência: 08 de novembro de 2024


Referência: Operação “Fake Natty” – 2ª FASE
Local: Diversos endereços relacionados à Ordem dos Castos, Instituto Esperança e
Luz e investigados​
Mandado Judicial: Mandado de busca e apreensão expedido pela 1ª Vara Federal
de Garantias da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens/VN

I. INTRODUÇÃO

Em cumprimento à ordem judicial expedida nos autos do Inquérito Policial


nº 2024-92548574, foram realizadas diligências simultâneas em 08 de novembro
de 2024, nas localidades abaixo especificadas, com apoio de agentes desta Polícia
Federal, resultando na apreensão dos materiais a seguir relacionados.

II. ENDEREÇOS VISITADOS E ITENS APREENDIDOS

1. Instituto Esperança e Luz – Sede administrativa


Endereço: Rua das Oliveiras, nº 121, Bairro Horizonte Azul, Vale das Nuvens/VN
Itens apreendidos:
●​ 03 (três) HDs externos com rotulagem “contabilidade” e “doações”
●​ 01 (um) notebook marca Lenovo, contendo planilhas financeiras
●​ 12 (doze) pastas com documentos físicos, incluindo:
o​ Registros de internações;
o​ Listas de doadores e doações;
o​ Correspondências com remetentes ligados à Fraternidade da Pureza
Divina

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●​ 02 (dois) celulares de funcionários da administração


●​ 01 (um) caderno manuscrito com anotações sobre reuniões internas da
“Ordem dos Castos”
●​ Cartazes com frases “Purificar para Salvar” e “A Verdade é Castidade”

2. Residência de Pablo Gaviria


Endereço: Condomínio Morada das Fontes, Casa 06, Vale das Nuvens/VN​
Obs.: Não localizado em sua residência, todavia, foi preso cerca de 2 horas
depois enquanto se dirigia para um aeroporto executivo, localizado na região
metropolitana de Vale das Nuvens.
Itens apreendidos:
●​ 1 celular marca Chiomix, cor azul marinho;
●​ Passaporte

3. Sede da Ordem dos Castos


Endereço: Estrada da Montanha Sagrada, km 7, Serra das Fontes Altas​
Itens apreendidos:
●​ 01 (um) computador de mesa com sistema de criptografia
●​ 04 (quatro) HDs internos (acoplados e soltos)
●​ 02 (dois) rádios comunicadores
●​ Diversas bandeiras, cartazes e panfletos com conteúdo radical
●​ Livro com registro de participantes das últimas 10 reuniões
●​ Caixa com anotações de estratégias “de purificação social”
●​ Mapas com marcações de templos do Círculo das Ervas Eternas

III. ENCERRAMENTO

Todos os materiais foram devidamente catalogados, lacrados e


encaminhados para o Setor de Perícias e Análise Digital da Polícia Federal em Nova
Veredas para exame técnico e extração de dados. O presente laudo será anexado
integralmente aos autos do Inquérito Policial nº 2024-92548574.

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Vale das Nuvens, 10 de novembro de 2024.

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

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Instituto de Criminalística
Núcleo de Perícias de Informática

Na data de 09 de novembro de 2024, neste NÚCLEO DE PERÍCIAS CRIMINALÍSTICAS, da


Superintendência da Polícia Técnico Científica, da Secretaria de Segurança Pública do Estado de
Nova Veredas, de conformidade com o disposto no Artigo 178 do Decreto-Lei no 9.999, de 03 de
outubro de 1.941, pelo Diretor deste I.C., foi designado o Perito Criminal para Afonso Pais para
proceder ao exame nos três celulares disponibilizados conforme números de lacres que serão
demonstrados.

I – NOTAS PRELIMINARES:

Juntamente à requisição de Perícia foi encaminhada a DECISÃO referente ao processo digital


1222222-33.2024.0.10.2345, assinada digitalmente pelo M.M. Juiz de Direito Dr. Sérgio Salatiel,
da 1ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária da Comarca de Vale das Nuvens/VN que,
entre outros, enunciava:

“Ante o exposto, DEFIRO o pedido e DETERMINO a quebra do sigilo fiscal,


bancário, telefônico e telemático de todas as instituições e pessoas investigadas.
[...]
Referente à quebra do sigilo telemático dos celulares / smartphones, DEFIRO e
DETERMINO a quebra dos sigilos para viabilizar a inspeção e extração de
dados do aparelho de telefonia apreendido, notadamente histórico das ligações
e conteúdos de mensagens de texto (SMS, Whatsapp ou qualquer outro
aplicativo de comunicação que utilize dados de internet).”

II – DO REQUISITADO

Tem este exame, em atenção ao descrito em sua requisição, os seguintes quesitos a serem
respondidos:

Objetivo da Perícia:

1.​ Requisito a [Link]. providências no sentido de determinar a perícia abaixo:

Natureza do exame:

Inspeção e extração de dados dos aparelhos de telefonia apreendidos, notadamente


histórico das ligações e conteúdo de mensagens de texto (SMS, Whatsapp ou qualquer
outro aplicativo de comunicação que utilize dados de internet) referente às conversas e

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Instituto de Criminalística
Núcleo de Perícias de Informática

troca de informações entre os averiguados. Os dados deverão ser fotografados e


transcritos.

III – DAS PEÇAS RECEBIDAS E DOS EXAMES (descrição):

Importante:

Os três aparelhos descritos abaixo foram lançados no mercado entre os meses de outubro de
2024 e começo de novembro de 2024. Esses lançamentos continham novos sistemas de
criptografias e sistemas operacionais. A atualização do UFED (Universal Forensic Extraction
Device) da empresa Cellebrite disponível ainda não capta as informações desses celulares.

Mesmo sem a utilização do Cellebrite, foi possível o acesso aos celulares devido aos usuários
terem cadastrado a mesma senha (“VCBNOV25”) nos três aparelhos.

Como de conhecimento público, “VCBNOV25” tem conexão com valores da Religião


“Fraternidade da Pureza Divina” (como “INRI” tem sentido para os Cristãos).

Utilizando essa senha foi possível destravar os três aparelhos abaixo descritos e realizar a
extração que será apresentada, sem nenhum prejuízo à cadeia de custódia ou integridade dos
dados nos aparelhos.

Do recebimento e análise:

Foram recebidos por este relator, acondicionados em embalagens transparentes guarnecidas pelos
lacres azuis descritos abaixo, na data de 06 de novembro de 2024:

a)​ Lacre Azul de número 00099997, um celular da marca Strawberry, cor branca, modelo
I-red 23 Pro Máximo, nº de série 0123456789, número IMEI 0123456789012, que era
acompanhado de um SIM card NANO da operadora OLÁ. Número do SIM card: +55 99
99999-5555

Abaixo, imagem do celular disponibilizado:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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O aparelho contava com a bateria carregada e pronto para uso.


A partir do destravamento do celular utilizando a senha “VCBNOV25”, foi possível
acessar o aplicativo Whatsapp. A conversa abaixo extraída foi com o número + 55 99
98746-8877, que está salvo com o nome “Pietro Instituto”

Abaixo, print da agenda telefônica com o nome e número de telefone:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Núcleo de Perícias de Informática

Abaixo, a transcrição da conversa encontrada no aparelho. A conversa é da data de


08 de outubro de 2024:

[08/10, 01:13] +55 99 99999-5555: Olá


[08/10, 01:36] Pietro Instituto: seguinte, tudo certo para o santo grande dia que serão
purificados os locais necessários
[08/10, 01:36] +55 99 99999-5555: Glória
[08/10, 01:37] +55 99 99999-5555: Só fiquei com algumas dúvidas, você vem me buscar
no grande dia?
[08/10, 01:37] Pietro Instituto: claro que sim
[08/10, 01:38] Pietro Instituto: você é fundamental
[08/10, 01:38] +55 99 99999-5555: Como vou comprar o que precisamos para o dia da
purificação?
[08/10, 01:39] Pietro Instituto: isso não é problema, irmão
[08/10, 01:39] Pietro Instituto: falei para confiar na providência fraternal
[08/10, 01:40] Pietro Instituto: o nosso superior falou com o Juan, o da Bet. ele tem
dinheiro e entende que sua vida será abençoada se nós formos ajudados pelo dinheiro
dele
[08/10, 01:40] Pietro Instituto: vão transferir e chegará em você

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Núcleo de Perícias de Informática

[08/10, 01:41] Pietro Instituto: para comprar os produtos para o grande fogo da
purificação
[08/10, 01:41] +55 99 99999-5555: Glória 🙌
[08/10, 01:41] +55 99 99999-5555: O instituto nos ajudou a repensar a life
[08/10, 01:42] +55 99 99999-5555: Tudo pela purificação

Por fim, print da conversa retirada do aplicativo Whatsapp referente a conversa de


08 de outubro de 2024:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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b)​ Lacre Azul de número 00100001, um celular da marca Chiomix, cor azul marinho,
modelo 38T, nº de série 0123456777, número IMEI 0123456789330, que era
acompanhado de um SIM card NANO da operadora Lumière. Número do SIM card: +55
99 99999-4444

Abaixo, imagem do celular vistoriado:

A partir do destravamento do celular utilizando a senha “VCBNOV25”, foi possível


acessar o aplicativo Whatsapp. Foram extraídas duas conversas.

A primeira conversa abaixo extraída foi com o número + 55 99 98746-0123, que está
salvo com o nome “Ivan Casto”

Abaixo, print da agenda telefônica com o nome e número de telefone:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Abaixo, a transcrição da conversa encontrada no aparelho com “Ivan Casto”. A


conversa é da data de 10 de outubro de 2024:

[10/10, 04:13] Ivan Casto: Olá


[10/10, 04:15] Ivan Casto: a paz
[10/10, 04:15] +55 99 99999-4444: A paz, meu amigo
[10/10, 04:15] +55 99 99999-4444: Como estamos?
[10/10, 04:16] Ivan Casto: tudo em paz. Gostaria de avisar que tudo está caminhando
bem. O Juan aprovou o valor, já caiu na conta o dinheiro
[10/10, 04:17] Ivan Casto: falei que tudo sairia como nos foi revelado?
[10/10, 04:17] +55 99 99999-4444: Não acreditoooooooo
[10/10, 04:18] +55 99 99999-4444: São os sinais, né! Que benção
[10/10, 04:18] +55 99 99999-4444: Agora é comprar o que estava faltando
[10/10, 04:18] +55 99 99999-4444: Para algo do bem será usado o dinheiro do jogo
[10/10, 04:19] +55 99 99999-4444: Ufa, e ainda iremos colaborarmos para a salvação de
uma pessoa como o Juan
[10/10, 04:19] +55 99 99999-4444: É muita coisa boa junta
[10/10, 04:19] +55 99 99999-4444: Agora é arrepiarmos os templos profanos

Print da conversa retirada do aplicativo Whatsapp referente a conversa de 10 de


outubro de 2024 com “Ivan Casto”:
____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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A segunda conversa foi realizada com o número + 55 99 98749-0171, com o nome salvo
“Juan Vidigal Bets”

Abaixo, print da agenda telefônica com o nome e número de telefone:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Abaixo, a transcrição da conversa encontrada no aparelho com “Juan Vidigal Bets”.


A conversa é da data de 15 de outubro de 2024:

[15/10, 06:14] Juan Vidigal Bets: Ivan me contou que você recebeu uma pequena parte
do que enviei para a Fraternidade.
Fico muito feliz
[15/10, 06:14] +55 99 99999-4444: se você está feliz
[15/10, 06:14] +55 99 99999-4444: Imagine eu
[15/10, 06:15] +55 99 99999-4444: Você sabe o que eu estou montando para a nossa obra
com esse dinheiro né
[15/10, 06:15] Juan Vidigal Bets: não pergunto nada. fico feliz que o valor que ganho no
jogo vá para o bom caminho da obra. confio sempre em vocês

Print da conversa retirada do aplicativo Whatsapp referente a conversa de 15 de


outubro de 2024 com “Juan Vidigal Bets”:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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c)​ Lacre Azul de número 0088888881, um celular da marca MotoSatélite, cor preta, modelo
Edge 6000, nº de série 083256777, número IMEI 7432456789330, que era acompanhado
de um SIM card NANO da operadora Vivamais. Número do SIM card: +55 99
99999-1239

A partir do destravamento do celular utilizando a senha “VCBNOV25”, foi possível


acessar o aplicativo Whatsapp. Foram extraídas duas conversas.

A primeira conversa foi com o número + 55 99 98749-7177, que está salvo com o nome
“Matheus Casto Dia Do Fogo” e a segunda com o número + 55 99 98749-0171, com o
nome salvo “Juan Vidigal Financiador”

Primeiramente a extração da conversa com o número + 55 99 98749-7177, que está salvo


com o nome “Matheus Casto Dia Do Fogo”

Abaixo, print da agenda telefônica com o nome e número de telefone:

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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Abaixo, a transcrição da conversa encontrada no aparelho. A conversa é da data de


16 de outubro de 2024:

[16/10, 04:41] +55 99 99999-1239: Bom dia, meu amigo. Tudo bem?
[16/10, 04:41] Matheus Casto Dia Do Fogo: tudo ótimo
[16/10, 04:43] Matheus Casto Dia Do Fogo: estava pensando em como vivemos em um
Estado corrompido. Como um local profano foi tombado como "patrimônio histórico".
[16/10, 04:43] +55 99 99999-1239: Isso não tem mais tanta importância
[16/10, 04:45] +55 99 99999-1239: Com o dinheiro que conseguimos das apostas tudo
deu certo. Já temos tudo para espalhar a mensagem da nossa escolha de vida, a escolha
correta.
[16/10, 04:46] +55 99 99999-1239: Se não fosse o Juan… doou para o conselho e o
conselho enviou para as compras do que precisamos.
[16/10, 04:47] +55 99 99999-1239: Agora é fazer o local tombado “tombar”
____________________________________________________
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(99) 9876-9000 – [Link]

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[16/10, 04:47] Matheus Casto Dia Do Fogo: hahahaha, na pureza casta, mas ri
[16/10, 04:48] +55 99 99999-1239: Justo kkkkkkk

Por fim, print da conversa retirada do aplicativo Whatsapp referente a conversa de


16 de outubro de 2024:

Agora a segunda conversa extraída, com o número + 55 99 98749-0171, com o nome


salvo “Juan Vidigal Financiador”

Abaixo, print da agenda telefônica com o nome e número de telefone:

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Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
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17 de outubro de 2024:

[17/10, 05:32] Juan Vidigal Financiador: olá tudo bem?


[17/10, 05:32] +55 99 99999-1239: Meu mestre, a mão da providência. Tudo ótimo e
contigo?
[17/10, 05:33] +55 99 99999-1239: Tirando toda a profanação que nos tira do centro,
tudo bem
[17/10, 05:33] Juan Vidigal Financiador: isso está ferindo o coração mesmo
[17/10, 05:35] Juan Vidigal Financiador: enviei um pequeno valor para a fraternidade,
você viu?
[17/10, 05:35] Juan Vidigal Financiador: é para fazer o que for preciso, confio em vocês
[17/10, 05:37] +55 99 99999-1239: Pequeno valor para você que é bilionário, para nós é
um valor relevante, o necessário para fazermos o que é necessário para mantermos a
ordem e mostrarmos o caminho correto ao nosso país
[17/10, 05:37] Juan Vidigal Financiador: confio em vocês
[17/10, 05:37] Juan Vidigal Financiador: sempre
[17/10, 05:38] +55 99 99999-1239: Somos um só
[17/10, 05:38] +55 99 99999-1239: Dará tudo certo
[17/10, 05:38] Juan Vidigal Financiador: assim seja
[17/10, 05:38] Juan Vidigal Financiador: e temos muita mais caso precise
[17/10, 05:39] Juan Vidigal Financiador: as vezes tenho que mandar de outras contas

____________________________________________________
Rua Elucidação da Verdade, nº 1.988 – Conjunto 10, 5º andar – Bairro da Justiça – Vale das Nuvens/NV
(99) 9876-9000 – [Link]

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[17/10, 05:39] +55 99 99999-1239: Dinheiro não tem cheiro, o importante é ser
depositado. Aí fazemos a grande obra
[17/10, 05:45] Juan Vidigal Financiador: “outras contas”

Este relatório foi assinado digitalmente na data de 09 de novembro de 2024.


________________________________.
Afonso Pais – Perito Criminal Oficial

******************************************************************************
Este laudo vai impresso em 15 (quinze) páginas deste papel, foi redigido por este relator e dele fica arquivado o original na forma digital no
Sistema Gestor de Laudos desta Superintendência. Acompanha-o as peças enviadas para exame, acondicionadas em embalagens transparentes de
lacres descritos na capa deste laudo.

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TERMO DE DEPOIMENTO

Aos 13 dias do mês de novembro de 2024, na cidade de Vale das Nuvens/NV,


na sede da Polícia Federal, perante o Delegado de Polícia Federal Rafael Gontijo, foi
tomado o presente depoimento de:

Nome: Lúcia Navarro;


Pai: Alberto Navarro;
Mãe: Clara Navarro;
Nacionalidade: Brasileira;
Naturalidade: Vale das Nuvens/NV;
Estado Civil: Viúva;
Profissão: Missionária;
Data de Nascimento: 12/03/1981;
Endereço: Rua das Flores, nº 104, Vale das Nuvens/NV;
Telefone: (00) 99800-1122;
Documento de Identidade: 01.567.890;
CPF: 103.000.009-XX;
Lê: Sim
Escreve: Sim
Grau de Instrução: Superior Completo em Teologia;
Costumes: Seguidora da Fraternidade da Pureza Divina, com crenças em pureza
espiritual e corporal;

Advertida da obrigatoriedade de dizer a verdade, sob pena de incorrer no


crime previsto no art. 342 do Código Penal, declarou a depoente: QUE a
Fraternidade da Pureza Divina prega a purificação do corpo como caminho para a
elevação espiritual, sendo a santidade do corpo como templo da alma; QUE
consideram o consumo de substâncias como álcool e drogas, mesmo as disfarçadas

Fls. 33
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de rituais, corrompem a alma e afasta o ser humano de sua essência divina,


afirmando ainda que o corpo é templo da alma, e que a pureza é dever individual e
compromisso coletivo; QUE ouviu falar da chamada “Ordem dos Castos”, a qual,
embora não seja uma frente oficial da Fraternidade, compartilha seus valores;
declarou, contudo, que não conhecia a fundo o grupo e que os atos violentos
atribuídos a eles lhe foram estranhos, tendo tomado conhecimento pelos meios de
comunicação; QUE Pablo era um irmão de fé, dedicado e ativo dentro da
Fraternidade, mas que nunca teve confirmação sobre práticas específicas dentro de
sua clínica, apesar de saber que atuava com programas de recuperação; QUE
convocou os fiéis para as manifestações em nome de um apelo à consciência
pública e para mostrarem a posição da Fraternidade diante do que considerava um
atentado à saúde pública e à moral, especialmente por envolver jovens; QUE o
objetivo inicial era uma vigília pacífica de denúncia e oração e que não previa a
violência ocorrida, embora compreenda que excessos possam surgir em contextos
de revolta coletiva; QUE o que aconteceu na referida manifestação foi uma tragédia,
mas é uma causa maior do que todos; QUE lamenta as perdas, mas afirmou que
considera essa uma “guerra silenciosa por valores”; QUE falou sim em resistência a
religião Círculo das Ervas Finas, mas no sentido espiritual, reiterando que nunca
incentivou a violência, ainda que reconheça que o zelo excessivo de alguns possa
ultrapassar limites; QUE a Fraternidade está sendo vítima de uma leitura
distorcida; QUE recorda-se de uma reunião recente, ocorrida dias antes da
manifestação, na qual o irmão Juan Vidigal demonstrou comportamento exaltado
ao debater com o Mestre Pablo Gaviria sobre os rumos da atuação pública da
Fraternidade; QUE ficou visivelmente desconfortável com a forma como Juan
elevou o tom de voz e interrompeu Pablo em diversas ocasiões, o que destoava das
práticas costumeiras da comunidade.
Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Feita a leitura do presente termo
para que a depoente indicasse as retificações julgadas necessárias, de modo a
registrar expressamente a espontaneidade de suas declarações, este disse não ter
correções a fazer, por estar de acordo com o seu inteiro teor. Nada mais havendo,
determinou a Autoridade Policial o encerramento do presente termo.

Fls. 34
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO
DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal

Lúcia Navarro
Depoente

Ana Maria
Escrivã

Fls. 35
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DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO
DEMOCRÁTICO DE DIREITO

IPL nº 2024-92548574

TERMO DE DEPOIMENTO

Aos 14 dias do mês de novembro de 2024, na cidade de Vale das Nuvens/NV,


na sede da Polícia Federal, perante o Delegado de Polícia Federal Rafael Gontijo, foi
tomado o presente depoimento de:

Nome: Kauani Mattar;


Pai: Mário Mattar;
Mãe: Beatriz Mattar;
Nacionalidade: Brasileira;
Naturalidade: Vale das Nuvens/NV;
Estado Civil: Solteira;
Profissão: Líder Espiritual;
Data de Nascimento: 25/07/1990;
Endereço: Rua do Sol, nº 250, Vale das Nuvens/NV;
Telefone: (00) 98765-4321;
Documento de Identidade: 12.345.678;
CPF: 003.008.700-44;
Lê: Sim;
Escreve: Sim;
Grau de Instrução: Superior Completo em Teologia;
Costumes: Seguidora de práticas de bem-estar e meditação, com crenças em saúde
mental e emocional equilibrada;

Advertida da obrigatoriedade de dizer a verdade, sob pena de incorrer no


crime previsto no art. 342 do Código Penal, declarou a depoente: QUE o Círculo das
Ervas Eternas segue uma filosofia de harmonia entre ser humano e natureza,
utilizando rituais como o consumo do “Ayavita” para promover purificação
emocional e abertura de consciência, sempre com respeito e responsabilidade,

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nunca de forma recreativa; QUE o chá é parte de um rito simbólico de introspecção


e cura, servindo para silenciar o ruído externo e escutar a alma; QUE o conflito com
a Fraternidade da Pureza Divina já existia e se intensificou com o crescimento do
Círculo, especialmente pela adesão de jovens que deixaram a outra doutrina; QUE
conhecia o nome da Ordem dos Castos por relatos de intolerância e ameaças, mas
só após o ataque surgiram vídeos em que o grupo assumia o atentado como
“limpeza espiritual”; QUE tomou conhecimento da convocação feita por Lúcia
Navarro por meio de uma entrevista em TV regional, em que a líder da
Fraternidade chamava os rituais do Círculo de “alucinação coletiva” e dizia que a
“pureza da cidade” estava em risco, conclamando seus fiéis à “resistência
espiritual”; QUE o dia foi um 19 de outubro foi um dia trágico, pois enquanto os
membros estavam recolhidos em ritual, manifestantes se aproximaram do templo
com cartazes e gritos ofensivos; QUE objetos foram arremessados, explosões foram
ouvidas e o fogo se alastrou rapidamente, resultando na morte de pessoas que
estavam em oração; QUE embora houvesse sinais prévios, como pichações e
ameaças nas redes sociais, nada indicava um ataque daquela proporção; QUE o
impacto, segundo ela, foi devastador; QUE cerimônias públicas foram suspensas,
membros estão com medo de demonstrar sua fé, e o grupo precisou buscar apoio
emocional e solicitar proteção das autoridades.
Nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Feita a leitura do presente termo
para que a depoente indicasse as retificações julgadas necessárias, de modo a
registrar expressamente a espontaneidade de suas declarações, este disse não ter
correções a fazer, por estar de acordo com o seu inteiro teor. Nada mais havendo,
determinou a Autoridade Policial o encerramento do presente termo.

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal

Fls. 37
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Kauani Mattar
Depoente

Ana Maria
Escrivã

Fls. 38
TERMO DE ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA

Referência: IPL nº 2024-92548574

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, doravante designado por sua denominação


completa ou simplesmente MPF, por intermédio da Procuradoria da República de Nova
Veredas, representado pela Procuradora da República Rebeca Utsch; a POLÍCIA
FEDERAL, doravante denominada por sua denominação completa ou simplesmente PF,
por intermédio do Delegado Rafael Gontijo e Tales Coelho, doravante denominado
COLABORADOR, portador do documento de identidade (RG) n.º 11-123.456, inscrito no
CPF sob o n.º [Link], filho de Tícia Coelho e Mévio Coelho, nascido em Vale das
Nuvens/NV, solteiro, empresário, residente e domiciliado na Avenida das Flores Raras, nº
321, Edifício Mirante da Serra, Apartamento 102, Bairro Jardim Celeste, Vale das Nuvens,
Estado de Nova Veredas, NV-88465-120, Brasil, doravante designado por seu nome
completo ou simplesmente COLABORADOR, devidamente assistido por seu advogado
constituído, que assinam o presente termo, formalizam e firmam o acordo de
colaboração premiada nos seguintes termos:

I – FUNDAMENTO JURÍDICO

Cláusula 1ª – O presente acordo encontra fundamento jurídico no art. 129, inciso I, da


Constituição Federal, nos arts. 4º e 8º da Lei n.º 12.859/13, nos arts. 13 a 15 da Lei n.º
9.807/99, nos arts.16 e 19, da Lei n.º 13.260/98, art. 5º da Convenção Internacional sobre a
Supressão de Atentados Terroristas com Bombas, bem como arts. 3º e 4º da Convenção de
Barbados.

Cláusula 2ª – O presente acordo atende aos interesses do COLABORADOR, nos termos


do art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal, dos arts. 5º e 6º, ambos da Lei 12.850/13, e
das cláusulas a seguir alinhavadas. Atende, de igual modo, ao interesse público, na medida
em que confere efetividade à persecução penal de outros suspeitos, inclusive agentes de alto
escalão dentro da organização terrorista investigada, e amplia e aprofunda as investigações
de graves crimes de Terrorismo, entre outros correlatos, tanto no complexo investigatório
desenvolvido na “Operação Fake Natty”, quanto em outros feitos e procedimentos, bem

Fls. 39
como auxilia na apuração e repressão desses ilícitos penais nas esferas civil, difusa/coletiva
e administrativa, inclusive administrativa sancionadora.

Parágrafo único – Faz saber para os devidos fins que o agente COLABORADOR
participou dos atos terroristas que ocasionaram a destruição do Templo das Águas Floridas
e a morte de 17 fiéis que se encontravam nas dependências do santuário. Apontado nas
investigações como um dos autores do atentado, se mostrou disposto, diante das
circunstâncias, a colaborar com o poder público na persecução dos demais envolvidos com
a empreitada criminosa.

II – OBJETO DA COLABORAÇÃO PREMIADA

Cláusula 3ª – O COLABORADOR, nos termos do art. 3º-B, § 3º, da Lei nº 12.850/2013,


compromete-se a colaborar na elucidação dos pontos abaixo elencados:

a) detalhamento de toda a cadeia fática que culminou no atentado terrorista ao Templo das
Águas Floridas, com a minuciosa descrição dos atos preparatórios, convocação,
planejamento e gerenciamento do plano criminoso e de todos os seus desdobramentos e
objetivos;

b) funcionamento minudenciado da organização terrorista e sua ligação com a entidade


religiosa “Fraternidade da Pureza Divina”, notadamente quanto às atividades afetas à seita
denominada “Ordem dos Castos”, bem como o envolvimento do Instituto Esperança e Luz
nos eventos investigados;

c) indicação dos demais envolvidos no planejamento e na prática efetiva do ato, bem como
outros integrantes da organização criminosa, a respeito dos quais o COLABORADOR
eventualmente tenha conhecimento e que possam ter concorrido direta ou indiretamente
com a empreitada criminosa, notadamente com a identificação dos demais membros
presentes no dia do atentado, bem como da liderança da organização terrorista.

Cláusula 4ª – São objeto do presente acordo de colaboração premiada, estando


compreendidos por ele, os crimes praticados pelo COLABORADOR até a data da sua
celebração, assim como todos os fatos ilícitos que sejam de seu conhecimento, desde que
efetivamente narrados no âmbito na colaboração ora entabulada, conforme os anexos que

Fls. 40
compõem e integram o presente acordo, bem como outros declinados nos depoimentos que
serão prestados no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, contados da sua celebração e antes
da efetiva homologação judicial.

Parágrafo único – O objeto do presente acordo, tais como descritos na cláusula


antecedente, será pormenorizado e complementado pelo COLABORADOR após a
assinatura deste instrumento, por meio de depoimentos, bem como pelo fornecimento e
indicação de meios de prova.

III – PROPOSTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Cláusula 5ª – Considerando os antecedentes e a personalidade do colaborador, a gravidade


e a repercussão social dos fatos por ele praticados, e a utilidade potencial da colaboração
por ele prestada, uma vez cumpridas integralmente as condições impostas neste acordo para
o recebimento dos benefícios, e desde que obtido algum dos resultados previstos no art. 4º,
incisos I, II, III e IV, da Lei n.º 12.850/13, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL propõe
ao COLABORADOR na ação penal e nos inquéritos policiais e, cumulativamente, em
qualquer outro feito já instaurado ou que venha a ser instaurado cujo objeto coincida com
os fatos revelados por meio da colaboração aqui pactuada, a seguinte premiação legal,
desde logo aceita:

Parágrafo 1º – INQUÉRITO POLICIAL 2024-92548574 (operação “Fake Natty”): com


relação aos fatos investigados nos autos do Inquérito Policial n.º 2024-92548574, o
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL se compromete, em caso de condenação no âmbito da
correlata ação penal, a obter a redução da pena privativa de liberdade eventualmente
imposta, nos seguintes termos:

a) redução de 2/3 (dois terços) de todas as penas eventualmente impostas, cujo máximo
cumulativo não poderá ultrapassar 25 (vinte e cinco) anos de reclusão unificadas todas as
penas eventualmente impostas;

b) imposição do regime inicial semiaberto em caso de condenação, vedada a fixação de


regime mais gravoso, ressalvada a hipótese de eventual regressão durante o cumprimento
da pena;

Fls. 41
c) caso haja descumprimento do presente acordo pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, com o
oferecimento de ação penal contra o COLABORADOR, em decorrência dos referidos
inquéritos, será deferido o perdão judicial, nos termos do art. 4º, caput, da Lei n.º
12.850/13.

d) o oferecimento da denúncia, por si só, não importa no descumprimento do acordo, a que


se refere a alínea ‘c’.

Parágrafo 2º – PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA: A concessão do benefício disposto no


parágrafo 1º fica condicionado ao pagamento de prestação pecuniária no valor de R$
100.000,00 (cem mil reais), a ser integralmente destinado ao Fundo Nacional de Proteção
ao Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico (FUNPAP), e pagos da forma abaixo
descrita:

a) R$ 100.000,00 (cem mil reais) a serem pagos em 40 (quarenta) parcelas iguais de R$


2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), com vencimento no 5º dia útil de cada mês a partir
do mês seguinte à assinatura do presente termo;

b) se, por qualquer motivo, o COLABORADOR, comprovadamente, não puder arcar com a
parcela ou, podendo, propor-se a reduzir o número de parcelas, este se compromete a
notificar previamente o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL para que seja avaliada a
possibilidade de repactuação do parcelamento.

Cláusula 6ª – Sem prejuízo das demais obrigações impostas, o COLABORADOR se


compromete a apresentar nos apensos deste acordo, indicação de todas as provas e demais
elementos de corroboração, inclusive declaração de todo seu patrimônio, em nome próprio
ou de terceiros (pessoas físicas, jurídicas, offshores, trustes etc.), salvo impossibilidade
material de obtenção dessas informações devidamente comprovada pelo
COLABORADOR.

Cláusula 7ª – Caso o COLABORADOR desista do acordo antes de sua homologação


judicial ou em caso de não homologação judicial em que restar impossibilitada as
adequações necessárias, as provas por ele produzidas não poderão ser utilizadas
exclusivamente em seu desfavor.

Fls. 42
Cláusula 8ª – POSSIBILIDADE DE INVESTIGAÇÃO E PERSECUÇÃO PENAL DOS
DELATADOS E DEMAIS INVESTIGADOS: a celebração e homologação do presente
acordo de colaboração premiada somente produz efeitos com relação ao
COLABORADOR, sendo que, as investigações e persecuções penais poderão prosseguir
normalmente contra todos aqueles que foram delatados ou que não são beneficiados pelo
presente acordo.

Cláusula 9ª – Caso o COLABORADOR, pessoalmente ou por intermédio de seu


procurador, solicite medidas para garantia de sua segurança ou para segurança de seus
familiares, a POLÍCIA FEDERAL, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e o juízo ou
Tribunal competente adotarão as providências necessárias, que poderão abarcar sua
inclusão imediata no programa federal de proteção ao depoente especial, com as garantias
previstas nos arts. 8º e 15 da Lei n.º 9.807/99.

Cláusula 10ª – Nos processos e inquéritos que são objeto do presente acordo de
colaboração, o COLABORADOR poderá interpor todos os recursos e impetrar todas as
ações autônomas de impugnação que entender cabíveis, sem qualquer limitação.

IV – CONDIÇÕES DA PROPOSTA

Cláusula 11ª – Para que o presente acordo de colaboração premiada possa produzir os
benefícios nele relacionados, especialmente os constantes na cláusula 5ª, a colaboração
prestada pelo COLABORADOR deve ser voluntária, ampla, efetiva, eficaz e dar causa aos
seguintes resultados:

a) a identificação dos autores, coautores e partícipes das associações e organizações


criminosas e terroristas de que tenha ou venha a ter conhecimento, notadamente aquelas sob
investigação na operação policial relacionada ao objeto do presente acordo, bem como a
identificação e a comprovação das infrações penais por eles praticadas que sejam ou que
venham ser de seu conhecimento, inclusive com relação a agentes políticos que tenham
praticado ilícitos ou deles participado;

b) a revelação da estrutura hierárquica e a divisão de tarefas das organizações criminosas de


que tenha ou venha a ter conhecimento;

Fls. 43
c) a recuperação total ou parcial do produto e/ou proveito das infrações penais praticadas
pela organização criminosa de que tenha ou venha a ter conhecimento;

d) a identificação de pessoas físicas e jurídicas utilizadas pelas organizações criminosas


para a prática de ilícitos;

e) o fornecimento de documentos e outras provas materiais, notadamente com relação os


atos narrados no anexo do presente acordo, ou a indicação da forma pela qual podem ser
obtidas.

Cláusula 12ª – Para o fiel cumprimento do presente acordo de colaboração, o


COLABORADOR obriga-se, sem malícia ou reservas mentais, a:

a) esclarecer espontaneamente cada um dos esquemas criminosos apontados nos diversos


anexos deste acordo, fornecendo todas as informações e evidências que estejam a seu
alcance, bem como indicando provas potencialmente passíveis de serem alcançadas;

b) dizer a verdade incondicionalmente, em todas as investigações (inclusive inquéritos


policiais e civis, ações civis públicas, procedimentos administrativos disciplinares entre
outras), além de ações penais em que venha a ser chamado a depor na condição de
testemunha ou interrogado, nos exatos termos deste acordo;

c) cooperar, sempre que solicitado, mediante comparecimento pessoal a qualquer das sedes
do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL ou do Departamento da POLÍCIA FEDERAL,
para analisar documentos e provas, reconhecer pessoas, prestar depoimentos e auxiliar
peritos na análise pericial que eventualmente seja objeto da presente colaboração;

d) entregar todos os documentos, papeis, escritos, fotografias, gravações de áudio e vídeo,


banco de dados, arquivos eletrônicos etc., de que disponha, quer estejam em seu poder, quer
sob a guarda de terceiros sob sua ordem, que possam contribuir, a juízo do MINISTÉRIO
PÚBLICO FEDERAL, para a elucidação dos crimes que são objeto da presente
colaboração;

e) declinar o nome e todas as informações de contato de quaisquer pessoas de seu


relacionamento que tenham a guarda de elementos de informação ou prova que se mostrem,

Fls. 44
a critério do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, relevantes ou úteis, bem como
empreender seus melhores esforços para entrar em contato com cada uma dessas pessoas e
obter delas o acesso necessário, comprometendo-se o MINISTÉRIO PÚBLICO
FEDERAL, se oportuno e cabível, a abrir as tratativas de colaboração;

f) não impugnar, por qualquer meio, o presente acordo de colaboração premiada em


qualquer dos inquéritos policiais ou ações penais nos quais esteja envolvido, salvo por fato
superveniente à homologação judicial e resultante do descumprimento dos termos do
acordo ou da lei por parte do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL ou do PODER
JUDICIÁRIO;

g) colaborar amplamente com o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e com outras


autoridades públicas no que diga respeito aos fatos do presente acordo;

h) afastar-se de suas atividades criminosas, especificamente não contribuindo mais com as


atividades da organização terrorista ora investigada ou de quaisquer outros partícipes ou
coautores dos ilícitos objeto deste acordo;

i) comunicar imediatamente ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL caso seja contatado


por qualquer dos demais integrantes da organização terrorista acima referida ou por outros
coautores ou partícipes das organizações criminosas/terroristas abrangidas pelo presente
acordo de colaboração;

j) indicar em anexo próprio e manter atualizado números de telefone e endereços


eletrônicos próprio e de seu advogado constituído, nos quais o COLABORADOR poderá
ser notificado para atender, no prazo estabelecido pelo MINISTÉRIO PÚBLICO
FEDERAL, a qualquer finalidade visando ao pleno cumprimento do acordo;

k) fornecer ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, quando requerido, informações e


documentação acerca de todas as contas bancárias e telefônicas, bem como, no último caso,
autorizações necessárias para que o MPF as obtenha diretamente;

l) colaborar amplamente com o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e com outros órgãos e


autoridades públicas, inclusive a POLÍCIA FEDERAL, bem como autoridades estrangeiras

Fls. 45
indicadas pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL no que diga respeito aos fatos
relacionados ao presente acordo.

Cláusula 13ª – A enumeração de casos específicos nos quais se reclama a colaboração não
tem caráter exaustivo, tendo o COLABORADOR o dever genérico de cooperar com o
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, com a POLÍCIA FEDERAL e com outras
autoridades públicas indicadas para esclarecimento de quaisquer fatos relacionados com o
objeto do presente acordo.

Cláusula 14ª – Cada anexo deste acordo de colaboração, assinado pelas partes, é parte
integrante deste instrumento e diz respeito a fato típico ou a um conjunto de fatos típicos
em relação ao qual o COLABORADOR prestará depoimento, bem como fornecerá as
provas em poder e/ou indicará diligências que possam ser empregadas para sua obtenção.

Cláusula 15ª – O sigilo das declarações prestadas pelo COLABORADOR será mantido
enquanto necessário à efetividade das investigações em andamento, inclusive quanto ao
teor do próprio anexo, a juízo do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e do PODER
JUDICIÁRIO, tudo nos termos da Súmula Vinculante n.º 14 do Supremo Tribunal Federal.

Cláusula 16ª – Os depoimentos prestados pelo colaborador serão prestados em 2 (duas)


vias de igual teor, das quais não terá cópia o COLABORADOR ou a sua defesa técnica,
resguardado o direito de receber, a cada depoimento prestado, ATESTADO de que prestou
as declarações em determinado dia e horário no interesse de determinada investigação.

Parágrafo único – Após a homologação do presente acordo, o COLABORADOR e sua


defesa técnica terão acesso à integralidade dos depoimentos por ele prestados, devendo
guardar sigilo sob o material, nos termos das cláusulas de sigilo estabelecidas.

Cláusula 17ª – A defesa não estará obrigada a desistir dos habeas corpus, recursos ou
ações autônomas de impugnação relacionadas com os inquéritos e processos objeto da
colaboração, podendo, caso entenda necessário, se valer de todos os meios de defesa, sejam
processuais ou de mérito.

V – VALIDADE DA PROVA

Fls. 46
Cláusula 18ª – A prova obtida por meio do presente acordo, após a devida homologação
judicial, será utilizada validamente para a instrução de inquéritos policiais, procedimentos
administrativo-criminais, medidas cautelares, ações penais, ações cíveis, ações de
improbidade administrativa e inquéritos civis, podendo ser emprestadas também ao
Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual, à Receita Federal, à
Procuradoria da Fazenda Nacional, ao Banco Central do Brasil e a outros órgãos, inclusive
disciplinares, de responsabilidade, bem como qualquer outro procedimento público de
apuração dos fatos, mesmo que rescindido este acordo, salvo se esta rescisão se der por
descumprimento desta avença por exclusiva responsabilidade do MINISTÉRIO PÚBLICO
FEDERAL.

Cláusula 19ª – O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL somente compartilhará os dados,


depoimentos, informações e provas com autoridade estrangeira para uso em face do
COLABORADOR, ou prestará cooperação jurídica internacional para tal finalidade, com
qualquer autoridade estrangeira cujo objeto sejam as provas obtidas no presente acordo de
colaboração premiada, ora pactuado, se a autoridade estrangeira celebrar com o
COLABORADOR acordo similar ou lhe fizer proposta formal de acordo, cujas condições e
efeito exoneratório sejam, no mínimo, equivalentes aos do presente acordo.

Parágrafo único – O acordo mencionado no caput poderá ser dispensado caso a autoridade
estrangeira se comprometa formalmente, por escrito, e na forma prescrita e válida nos
termos da legislação brasileira, a respeitar os termos deste acordo.

VI – RENÚNCIA À GARANTIA CONTRA AUTOINCRIMINAÇÃO E AO


DIREITO AO SILÊNCIO

Cláusula 20ª – Ao celebrar o presente acordo de colaboração premiada, opondo sua


assinatura ao termo, o COLABORADOR, na presença de seus advogados, ciente do direito
constitucional ao silêncio e da garantia contra a autoincriminação, a eles renuncia, nos
termos do art. 4º, §14, da Lei n.º 12.850/13, em especial no que tange aos depoimentos que
vier a prestar no âmbito da presente colaboração, estando sujeito ao compromisso legal de
dizer a verdade sobre o que lhe vier a ser perguntado.

VII – IMPRESCINDIBILIDADE DA DEFESA TÉCNICA

Fls. 47
Cláusula 21ª – O presente acordo de colaboração premiada somente terá validade se aceito,
integralmente e sem ressalvas, no momento da assinatura pelo COLABORADOR, assistido
por seu defensor: Günter Roxin (OAB/NV 99.999).

Parágrafo único. Nos termos do art. 40, §15, da Lei n.º 12.850/13, em todos os atos de
confirmação e execução da presente colaboração, o COLABORADOR deverá estar
assistido por ao menos um de seus defensores.

VIII – CLÁUSULA DE SIGILO

Cláusula 22ª – Nos termos do art. 70, §3º, da Lei n.º 12.850/13, as partes se comprometem
a preservar o sigilo sobre o presente acordo e seus anexos, bem como sobre os depoimentos
e as provas obtidas durante sua execução, o qual será levantado, a critério do Tribunal
competente, para os fins do art. 4º, § 1º, da Lei n.º 8.038/90, por ocasião do recebimento da
denúncia ou da execução de medidas cautelares restritivas de direito de terceiro e que tenha
como fundamento o acordo, exclusivamente com relação aos fatos nele contemplados, ou
por decisão motivada do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL.

Parágrafo único – O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL poderá requerer o


levantamento imediato do sigilo sobre o acordo, depoimentos tomados por escrito ou por
meio de recursos audiovisuais e sobre anexo específico, se assim recomendar as
circunstâncias ou a segurança do COLABORADOR ou de seus familiares ou,
independentemente de motivação, com a anuência escrita do COLABORADOR,
manifestada por seu defensor constituído.

Cláusula 23ª – Após o recebimento da denúncia contra os delatados, ou a critério do


Tribunal competente, após o oferecimento da denúncia contra os delatados, estes poderão
ter acesso a este termo de colaboração, bem como aos respectivos anexos e depoimentos
que tenham embasado a investigação que fundamentou a denúncia, mediante autorização
judicial, sem prejuízo aos direitos assegurados ao COLABORADOR previstos neste acordo
de colaboração e no art. 5º da Lei n.º 12.850/13.

Parágrafo 1º – À vista do presente termo de colaboração premiada, em caso de denúncia


dos delatados, será concedida apenas e tão-somente às partes e seus procuradores

Fls. 48
devidamente constituídos mediante instrumento de procuração, resguardando-se o sigilo do
presente acordo.

Parágrafo 2º – Os demais anexos, não relacionados à denúncia contra os delatados, serão


mantidos em sigilo enquanto for necessário para a conservação da efetividade das
investigações, nos termos do enunciado da Súmula Vinculante n.º 14 do Supremo Tribunal
Federal.

Parágrafo 3º. O sigilo pactuado no presente termo de colaboração premiada estende-se ao


registro de áudio e vídeo dos depoimentos prestados no seu bojo, inclusive na fase judicial.

Cláusula 24ª – As partes signatárias comprometem-se a preservar o sigilo do presente


acordo e de seus anexos perante qualquer autoridade distinta do MINISTÉRIO PÚBLICO
FEDERAL, do PODER JUDICIÁRIO e da POLÍCIA FEDERAL, enquanto o MPF
entender que a publicidade possa prejudicar a efetividade das investigações.

Cláusula 25ª – Dentre os defensores do COLABORADOR, somente terão acesso ao


presente acordo e às informações dele decorrentes os advogados signatários do presente
termo, ou os advogados que forem por eles substabelecidos com a específica finalidade.

Cláusula 26ª – O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL respeitará, exclusivamente em


favor do COLABORADOR, o sigilo dos extratos e dados bancários e telefônicos entregues
de forma espontânea como forma de cumprir o presente acordo.

IX – HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL

Cláusula 27ª – Para ter eficácia, o presente termo de colaboração será levado a
conhecimento do Juízo da 1ª Vara Federal do Tribunal do Júri Subseção Judiciária de Vale
das Nuvens/VN, competente para a apreciação dos fatos relatados em função do acordo,
juntamente com as declarações do COLABORADOR e de cópias das principais peças de
investigação até então existentes, para homologação, nos termos do art. 4º, §7º, da Lei n.º
12.850/13.

Cláusula 28ª – Homologado o acordo perante o Juízo competente, valerá em todo foro e
instância, independentemente de ratificação.

Fls. 49
X – RESCISÃO

Cláusula 29ª – O acordo perderá efeito, considerando-se rescindido, nas seguintes


hipóteses:

a) se o COLABORADOR descumprir, sem justificativa, qualquer das cláusulas, parágrafos,


alíneas ou itens em relação aos quais se obrigou;

b) se o COLABORADOR mentir ou omitir, total ou parcialmente, em suas declarações


com relação a fatos ilícitos que tenha praticado, participado ou tenha conhecimento e que
guardem qualquer relação com o objeto do presente acordo;

c) se o COLABORADOR se recusar a prestar qualquer informação que tenha


conhecimento com relação aos fatos que se obrigou a cooperar;

d) se o COLABORADOR se recusar a entregar documento ou prova que tenha em seu


poder ou sob a guarda de pessoas de sua relação ou sujeita a sua autoridade ou influência,
salvo se, diante da eventual impossibilidade de obtenção direta de tais documentos ou
provas, indicar ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL a pessoa de sua guarda e o local
onde poderá ser obtido, tudo para a adoção das providências cabíveis;

e) se ficar provado que, após a celebração do acordo de colaboração, o COLABORADOR


sonegou, adulterou, destruiu ou suprimiu provas que tinha em seu poder ou sob sua
responsabilidade;

f) se o COLABORADOR, após a homologação judicial do presente acordo de colaboração,


vier a praticar qualquer outro crime doloso da mesma natureza dos fatos em apuração ou
voluntariamente mantiver contato com qualquer das pessoas referidas nas alíneas ‘h’ e ‘i’,
da Cláusula 12ª;

g) se o COLABORADOR fugir ou tentar furtar-se à ação da JUSTIÇA CRIMINAL;

h) se o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL não pleitear em favor do colaborador os


benefícios legais neste termo acordados;

Fls. 50
i) se o sigilo a respeito do acordo for quebrado por parte do COLABORADOR, da
DEFESA, da POLÍCIA FEDERAL ou do MINISTÉRIO PÚBLICO;

j) se o COLABORADOR, direta ou indiretamente, impugnar os termos do presente acordo;

k) se não forem assegurados, por qualquer pessoa, ao COLABORADOR os direitos e


garantias previstos no art. 5º da Lei n.º 12.850/13;

l) se o COLABORADOR, podendo, não quitar nos prazos estabelecidos nesse acordo as


multas e prestações pecuniárias nele previstas ou, na hipótese de impossibilidade de
cumprimento, deixar de notificar previamente o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, nos
termos da alínea ‘b’, do Parágrafo 2º, da Cláusula 5ª do presente acordo.

Cláusula 30ª – Em caso de rescisão do acordo por responsabilidade exclusiva do


COLABORADOR, ele perderá automaticamente o direito aos benefícios que lhe forem
concedidos em virtude da colaboração celebrada, permanecendo hígidas e válidas todas as
provas produzidas, inclusive depoimentos que houver prestado e documentos que houver
apresentado, bem como válidos quaisquer valores pagos ou devidos a título de multa ou
prestação pecuniária.

Parágrafo 1º – Se a rescisão for imputável ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, o


COLABORADOR poderá, a seu critério, fazer cessar a cooperação, assegurada a
manutenção dos benefícios já concedidos e das provas já produzidas.

Parágrafo 2º – Independentemente da rescisão do presente acordo, o MINISTÉRIO


PÚBLICO FEDERAL poderá propor desde logo a respectiva ação penal em face do
COLABORADOR por fato criminoso não revelado no presente acordo (Cláusula 3ª), bem
como por fato criminoso superveniente a este acordo, perante o Juízo competente.

Parágrafo 3º – O COLABORADOR fica ciente de que, caso venha a imputar falsamente,


sob pretexto da colaboração pactuada, a prática de infração penal a pessoa que sabe
inocente, ou revelar informação sobre a estrutura da organização criminosa que sabe
inverídicas, poderá ser responsabilizado pela prática do crime previsto no art. 19 da Lei n.º

Fls. 51
12.850/13, com pena de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da rescisão do
presente acordo.

XI – DURAÇÃO

Cláusula 31ª – O presente acordo valerá, caso não sobrevenha sua rescisão, até o trânsito
em julgado da (s) sentença (s) condenatória (s) relacionadas aos fatos que forem revelados
em decorrência dele, já investigados ou a investigar em virtude da colaboração, inclusive
em relação aos processos de terceiros que forem atingidos pela presente colaboração.

XII – ACEITAÇÃO

Cláusula 32ª – Nos termos do art. 6º, inciso III, da Lei n.º 12.850/13, o COLABORADOR,
assistido por seus defensores, declara a aceitação ao presente acordo de livre e espontânea
vontade e, por estarem concordes, firmam as partes o presente instrumento de colaboração
premiada.

E assim, lido e achado conforme o presente pré-acordo, vai assinado em 02 (duas) vias de
igual teor e forma, para que surtam todos os correspondentes efeitos jurídicos.

Vale das Nuvens/NV, 02 de novembro de 2024.

Rebeca Utsch Rafael Gontijo


Procuradora da República
Delegado da Polícia Federal

Tales Coelho
Colaborador OAB/NV 99.999

Fls. 52
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
1ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

IPL nº 1222222-33.2024.0.10.2345

DECISÃO

Trata-se de pedido de homologação do acordo de colaboração premiada

celebrado entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o colaborador

Tales Coelho, nos autos do Inquérito Policial, nº 2024-92548574, instaurado para

apurar os gravíssimos fatos envolvendo o atentado ao Templo das Águas Floridas.

O acordo foi devidamente juntado aos autos, tendo o colaborador sido

regularmente assistido por defensor constituído. No ato de sua celebração, o

colaborador manifestou sua vontade de maneira livre e consciente, sem sinais de

coação ou vício de vontade.

Analisando os termos do ajuste, constata-se que o acordo atende aos

requisitos de regularidade, legalidade e voluntariedade, conforme o disposto no

§7º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013.

As cláusulas pactuadas não afrontam a ordem pública, a moralidade

administrativa ou direitos fundamentais.

Diante disso, presentes os requisitos legais, homologo o acordo de

colaboração premiada celebrado entre o Ministério Público Federal, a Polícia

Federal e Tales Coelho, para que produza seus jurídicos e legais efeitos.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Vale das Nuvens, 05 de outubro de 2024.

Sérgio Salatiel
Sérgio Salatiel
Juiz Federal

Fls. 53
RELATÓRIO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (SIGILOSO)

Referente ao investigado: Pablo Gaviria


Banco Novabrás
Período: 01/11/2023 a 31/10/2024
Relator: Fernando Lopes da Silva - Analista de Conformidade Sênior (CRC 258798-SP)

I. INTRODUÇÃO

Em atendimento ao oficio judicial expedido pela 1ª Vara Criminal Federal da Subseção


Judiciária de Vale das Nuvens/NV, referente à solicitação de quebra de sigilo bancário no
âmbito do Inquérito Policial nº 2024-92548574 – Operação Fake Natty, apresentamos o
relatório detalhado das movimentações bancárias do cliente Pablo Gaviria, CPF *.456.789-00,
titular da conta nº .-X, agência XXXX, mantida nesta instituição, no período de 01/11/2023 a
31/10/2024.

II. MOVIMENTAÇÕES RELACIONADAS A JUAN VIDIGAL

No intervalo analisado, identificamos 18 transações de crédito na conta do Sr. Pablo Gaviria,


CPF *.456.789-00, sendo 15 delas classificadas como transferências diretas via PIX ou TED e 3
como depósitos via conta de pessoa jurídica:

Data Tipo Valor (R$) Origem Observações

07/11/2023 TED 35.000,00 Juan Vidigal (Pessoa Física) Referência: "Projeto Pureza II"

23/11/2023 PIX 22.500,00 Juan Vidigal (Pessoa Física) Sem descrição

VidiBet Tecnologia e
05/12/2023 PIX 18.000,00 CNPJ vinculado a Juan Vidigal
Apostas LTDA

20/12/2023 TED 50.000,00 Juan Vidigal Referência: "Doação Filantropia"

15/01/2024 PIX 12.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

28/01/2024 TED 30.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

14/02/2024 PIX 25.500,00 VidiBet Tecnologia Descrição: "Iniciativa Jovens Puros"

Fls. 54
Referência: "Custo Base Esperança
01/03/2024 TED 40.000,00 Juan Vidigal
e Luz"

18/03/2024 PIX 15.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Descrição: "Reforma Unidade Vale


02/04/2024 TED 48.200,00 Juan Vidigal
das Nuvens"

10/05/2024 PIX 10.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Referência: "Expansão Núcleo


19/05/2024 TED 60.000,00 Juan Vidigal
Castos"

03/06/2024 TED 45.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

25/06/2024 PIX 8.500,00 VidiBet Descrição: "Apoio Evento Julho"

09/07/2024 TED 38.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

27/07/2024 PIX 20.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Descrição: "Nova Etapa


15/09/2024 TED 55.000,00 Juan Vidigal
Esperança"

03/10/2024 PIX 9.800,00 Juan Vidigal Sem descrição

Total movimentado no período: R$ 610.500,00

III. OBSERVAÇÕES ADICIONAIS

Este relatório é sigiloso e de uso exclusivo para fins judiciais.


Encaminhamos os extratos bancários completos e os comprovantes de transferência em
anexo digital criptografado, conforme protocolo padrão de segurança.

Vale das Nuvens, 20 de novembro de 2024.

Fernando Lopes da Silva


Analista Sênior de Conformidade – Banco Novabrás
Registro CRC nº 258798-SP

Fls. 55
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

IPL nº 2024-92548574 - Operação Fake Natty​


Investigado: Tales Coelho e outros​
Delegado responsável: Rafael Gontijo

A POLÍCIA FEDERAL, por intermédio do Delegado Federal signatário, no


exercício de suas funções expressamente definidas nos artigos 144, § 1º, da
Constituição Federal, artigo2º, § 1º, da Lei Federal no 12.830/2013, artigos 4º e
seguintes do Código de Processo Penal, e demais dispositivos correlatos, vem,
respeitosamente, nos moldes do artigo 10, § 1º do aludido diploma criminal,
reportar-se a Vossa Excelência ofertando o presente RELATÓRIO.

I – INTRODUÇÃO

O presente inquérito foi instaurado em 20 de outubro de 2024, com base


em determinação superior da Direção-Geral da Polícia Federal, para apurar o
atentado praticado contra o Templo das Águas Floridas, sede do grupo religioso
Círculo das Ervas Eternas, na Serra das Fontes Altas, Estado de Nova Veredas, que
resultou na morte de 17 pessoas e na destruição total de bem tombado como
patrimônio cultural da União.

Conforme apontado desde o início da investigação, o crime foi motivado


por ódio religioso e orquestrado por membros da seita Ordem dos Castos, ala
radicalizada da Fraternidade da Pureza Divina. Até o presente momento, o
inquérito logrou reunir elementos robustos de autoria e materialidade quanto aos
executores e mentores diretos do atentado, restando pendente o
aprofundamento sobre o núcleo financiador, cuja apuração demanda prorrogação
do prazo legal.

II – DILIGÊNCIAS JÁ REALIZADAS

1. Busca e Apreensão (08/11/2024)

Fls. 56
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

Foram cumpridos mandados judiciais de busca e apreensão em diversos


endereços vinculados à Ordem dos Castos, à clínica Instituto Esperança e Luz, e
aos investigados. Nessa ocasião, foram apreendidos:

●​ Telefones celulares, incluindo o de Pablo Gaviria, fundador da Ordem


dos Castos (Número do SIM card: +55 99 99999-4444);​

●​ Computadores, pen drives e mídias de armazenamento;​

●​ Documentos físicos, anotações manuscritas e cadernos de registros


vinculados às atividades da clínica e da seita.​

O conteúdo foi devidamente encaminhado para extração técnica e análise


pericial por especialistas do Setor de Informática Forense da Polícia Federal.

2. Extração e análise de dados telemáticos

A partir dos materiais apreendidos, a equipe de investigação obteve:

●​ Conversas de aplicativo entre Pablo Gaviria e membros da seita,


com forte teor ideológico, revelando estruturação interna, atribuições e
divisão de tarefas;​

●​ Trocas de mensagens cifradas com indícios de envolvimento de


terceiros ainda não formalmente identificados;​

●​ Diálogos entre Pablo e indivíduo identificado como possível


financiador, sugerindo aportes financeiros destinados a atividades da
seita, inclusive em datas próximas ao atentado.​

Fls. 57
POLÍCIA FEDERAL​
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DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

Esses dados reforçaram a hipótese de que a Ordem dos Castos se


estruturava como uma organização com planejamento voltado à prática de
atos violentos, e de que havia apoio financeiro externo à sua manutenção.

3. Delação premiada de Tales Coelho

A Polícia Federal celebrou acordo de colaboração premiada com Tales


Coelho, um dos autores confessos do atentado, e o primeiro investigado a ser
preso. A delação, homologada judicialmente, revelou:

●​ O modus operandi do atentado, com utilização de explosivos


artesanais;​

●​ Que os executores eram as pessoas de nome Eduardo Braga, Gabriel


Mendes e Mário Silva, ex-internos da clínica Instituto Esperança e
Luz, de onde saíram poucos dias antes do atentado;​

●​ Que os envolvidos estavam ideologicamente engajados com a Ordem


dos Castos, ainda que não formalmente registrados como membros;​

●​ Que Pablo Gaviria atuava como mentor intelectual do grupo,


fornecendo suporte doutrinário e incentivando ações de violência
contra o Círculo das Ervas Eternas.​

Tales também mencionou que Pablo relatava a existência de um


“patrocinador importante”, sem que ele soubesse precisar sua identidade ou
localização.

4. Depoimentos testemunhais

Foram colhidos os seguintes depoimentos:

Fls. 58
POLÍCIA FEDERAL​
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DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

●​ Lúcia Navarro, missionária e atual líder da Fraternidade da Pureza


Divina;​

●​ Kauani Mattar, sacerdotisa do Círculo das Ervas Eternas.

As demais intimações retornaram sem cumprimento (testemunhas em


local incerto e não sabido), sendo dispensadas as demais oitivas, por ora, devido à
urgência nas apurações. ​

5. Relatório da quebra de sigilo bancário de Pablo Gaviria

A quebra de sigilo bancário de Pablo, autorizada judicialmente, revelou:

●​ Constante recebimento de valores expressivos por transferência


bancária ao longo do tempo;​

●​ Diversos depósitos identificados como oriundos de Juan Vidigal,


empresário de destaque no ramo do coaching e proprietário da casa de
apostas VidiBet;​

●​ Inexistência de justificativa comercial, contratual ou religiosa formal


para os repasses, incompatíveis com a movimentação declarada por
Pablo às autoridades fiscais.​

Os valores transferidos por Juan, aliado à sua reconhecida ligação com a


Fraternidade da Pureza Divina, suscitaram fortes indícios de envolvimento
financeiro com a estrutura da seita radicalizada.

III – CONCLUSÕES E INDICIAMENTOS

Fls. 59
POLÍCIA FEDERAL​
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DE DIREITO

Com base nas diligências efetivamente já realizadas, o inquérito policial


reuniu lastro probatório suficiente para o indiciamento dos seguintes
investigados:

●​ Tales Coelho: executor direto do atentado, responsável pelo transporte


dos explosivos e sua distribuição entre os demais agentes;

●​ Eduardo Braga, Gabriel Mendes e Mário Silva, demais executores


identificados por Tales: autores materiais da ação, egressos da clínica,
cooptados ideologicamente;​

●​ Pablo Gaviria: líder da Ordem dos Castos, mentor ideológico,


responsável pelo recrutamento dos autores e pela articulação
doutrinária do ato;​

●​ Matheus Souza: diretor formal da clínica Instituto Esperança e Luz,


cuja estrutura servia de plataforma de radicalização e doutrinação
violenta.​

Enquadramentos penais:

●​ Lei nº 13.260/2016 – arts. 2º, 3º e 7º (organização terrorista e


execução de atos de terrorismo);​

●​ Código Penal – art. 121, §2º, III (homicídio qualificado – por motivo
torpe e meio que resultou em perigo comum – 17 vezes);​

●​ Lei nº 9.605/1998 – art. 62 (destruição de bem cultural protegido).​

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DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

Neste momento processual, não foi formulado indiciamento de Juan


Vidigal, cuja atuação está sob apuração complementar, diante dos elementos
ainda incipientes extraídos da análise bancária e telemática.

IV – PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DO INQUÉRITO

Considerando:

●​ A existência de repasses bancários relevantes feitos por Juan Vidigal


a Pablo Gaviria;​

●​ A ausência, até o momento, de justificativa formal, contratual ou


religiosa compatível com tais movimentações;​

●​ Os indícios, ainda em apuração, de que Juan tinha conhecimento do


destino dos recursos ou dos atos ideológicos promovidos pela seita;​

●​ A necessidade de aprofundar a investigação sobre o possível núcleo


financiador da organização criminosa;​

A autoridade policial requer, com fundamento no art. 10, §3º do Código de


Processo Penal, a PRORROGAÇÃO DO PRAZO DO INQUÉRITO POLICIAL POR 90
(NOVENTA) DIAS, exclusivamente para o aprofundamento da linha investigativa
relativa ao financiamento das ações da Ordem dos Castos e sua estrutura
logística.

V – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este relatório constitui a conclusão parcial do presente inquérito,


delimitada às condutas diretamente relacionadas à execução e autoria imediata
do atentado, cujos responsáveis foram formalmente indiciados.

Fls. 61
POLÍCIA FEDERAL​
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DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

Contudo, os indícios colhidos indicam a possível existência de


colaboradores financeiros conscientes, cuja atuação demanda exame técnico
mais aprofundado, especialmente diante da complexidade das operações bancárias
detectadas.

A prorrogação ora solicitada se mostra indispensável à efetiva


persecução penal do núcleo financiador, garantindo o pleno exercício do dever
estatal de apurar e responsabilizar todos os autores, diretos e indiretos, do grave
atentado investigado.

Vale das Nuvens/NV, 12 de novembro de 2024.

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

Fls. 62
DESPACHO ADMINISTRATIVO Nº 14/2025 – GAECO/NV

Referência: IPL nº 2024-92548574 - Operação Fake Natty


Assunto: Comunicação de desmembramento investigativo e oferecimento de denúncia
Interessados: Delegacia da Polícia Federal de Antiterrorismo e Defesa do Estado
Democrático de Direito – Nova Veredas​
​ ​ Defensoria Pública da União – Núcleo Nova Veredas​
​ ​ Procuradorias de Defesa dos Investigados/Denunciados​
​ Demais órgãos de persecução e controle

Tendo em vista os elementos colhidos no âmbito do Inquérito Policial nº


2024-92548574 – Operação Fake Natty, instaurado com o objetivo de apurar os
atentados ocorridos em 19 de outubro de 2024 contra o Templo das Águas Floridas,
sede do Círculo das Ervas Eternas, e considerando:

1.​ A complexidade do caso, a pluralidade de agentes e a diversidade de


condutas criminosas identificadas, inclusive com conexões entre a
organização radical denominada Ordem dos Castos e a estrutura institucional
do Instituto Esperança e Luz;​

2.​ A existência de lastro probatório suficiente para o oferecimento de denúncia


em face dos quatro executores diretos do atentado, bem como contra Pablo
Gaviria (líder religioso e apontado como mentor dos atos) e Matheus Souza
(dirigente da clínica), pelos crimes de organização terrorista, homicídio
qualificado e dano contra bem cultural;​

3.​ A necessidade de desmembramento do inquérito originário para viabilizar o


prosseguimento das apurações em relação a outros possíveis autores,
coautores e financiadores, que ainda dependem da conclusão de diligências em
curso, especialmente de natureza bancária, fiscal e telemática;​

4.​ Que dentre os alvos remanescentes encontra-se Juan Vidigal, empresário do


setor de apostas virtuais e figura pública ligada à Fraternidade da Pureza Divina,
que será objeto de denúncia própria e autônoma, tão logo concluídas
diligências pendentes relacionadas ao fluxo financeiro e à extensão de sua

Fls. 63
participação nas condutas terroristas em apuração;​

5.​ E, por fim, que foi instaurado inquérito policial próprio e independente, com
tramitação separada, para apurar eventuais práticas de fraudes em prejuízo
dos usuários da casa de apostas VidiBet, da qual Juan Vidigal é proprietário,
envolvendo suposta manipulação de odds, uso de bots, indução a erro e
impedimento de saques, fatos esses que, embora conexos em relação à origem
dos recursos, não guardam conexão direta com os atentados de 19/10/2024 e,
por isso, serão objeto de persecução autônoma;​

DETERMINO:

a) O envio do presente despacho à Delegacia da Polícia Federal responsável, à


Defensoria Pública da União e às defesas constituídas, para ciência;

b) Que conste dos autos a certificação da comunicação às partes interessadas e à
autoridade judicial competente.

Publique-se. Cumpra-se.

Vale das Nuvens, 18 de novembro de 2024.

____________________________
Rebeca Utsch​
Procuradora da República​

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DE DIREITO

IPL nº 2024-93654387

TERMO DE JUNTADA

Informa-se que, por meio de novas diligências, foi identificado conteúdo relevante
veiculado em mídia digital, consistente em gravação de áudio do podcast “15
minutos com Toninha”, do qual participou o investigado Juan Vidigal. O material
foi captado e analisado pela equipe de inteligência policial e ora juntado
integralmente ao inquérito policial em epígrafe.

Durante sua participação, o investigado proferiu falas como:

“Toda vez que você fraqueja, tem consequência. Pode demorar, mas ela vem. Passa perto
do Instituto Esperança e Luz... você vê no olhar das pessoas que elas se perderam..”

Tais declarações se inserem em um padrão discursivo já mapeado nesta


investigação, marcado por uma retórica de correção punitiva e fortalecimento
de narrativas excludentes, o que pode sugerir predisposição à adoção ou
incentivo de medidas corretivas contra indivíduos ou grupos que não se alinhem
a essa visão ideológica.
A entrevista completa pode ser acessada através do link:
[Link]

Vale das Nuvens, 21 de novembro de 2024.

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

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AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 1ª VARA CRIMINAL


FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE VALE DAS NUVENS/NV

IPL nº 2024-93654387
Investigado: Juan Vidigal
Assunto: Solicitação de quebra de sigilo bancário

No interesse da investigação em curso, vem a autoridade policial, no


exercício de suas atribuições legais, requerer a Vossa Excelência, com a urgência
que o caso demanda, a QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO de JUAN VIDIGAL,
abrangendo o período de 01/11/2023 a 31/10/2024, em relação a todas as
contas bancárias, inclusive de pessoas jurídicas a ele vinculadas, que guardem
pertinência com os fatos apurados.

O procedimento foi instaurado por dependência ao IPL nº 2024-92548574


(Operação Fake Natty), onde se apuram a prática dos crimes previstos nos arts. 2º
e 3º, na forma do art. 7º, todos da Lei nº 13.260/2016 (Lei Antiterrorismo), bem
como dos crimes tipificados no art. 121, § 2º, inciso III, do Código Penal (por 17
vezes), e no art. 62 da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais).

No curso das investigações, constatou-se movimentação bancária de elevada


quantia em favor de Pablo Gavira, indivíduo diretamente vinculado aos fatos sob
apuração, notadamente à prática de atos violentos de motivação intolerante e
conspiratória. Conforme dados financeiros já constantes dos autos, Juan Vidigal
realizou, ao longo de vários meses, diversas transferências de alto valor para Pablo
Gavira, sem que, até o momento, tenha sido identificada justificativa lícita ou
contraprestação correspondente.

Assim sendo, a continuidade das investigações demanda o aprofundamento


da análise financeira, com vistas à completa elucidação da autoria e da

Fls. 66
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

materialidade delitivas, mediante o rastreamento da origem dos recursos, de sua


destinação e da eventual utilização para o financiamento de atividades ilícitas, bem
como a identificação de interpostas pessoas ou contas correlacionadas.

Diante do exposto, requer-se a expedição de ofício ao Banco Central do


Brasil e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para que
sejam prestadas as seguintes informações e documentos:

●​ Relação de todas as contas bancárias mantidas em nome de JUAN


VIDIGAL, bem como de pessoas jurídicas a ele vinculadas;
●​ Fornecimento dos extratos bancários completos no período de
01/11/2023 a 31/10/2024, abrangendo todas as movimentações
financeiras (transferências via TED, DOC, PIX, aplicações financeiras,
investimentos e faturas de cartões de crédito);
●​ Identificação dos titulares e beneficiários de todas as contas
relacionadas às transações detectadas;
●​ Relatório de Inteligência Financeira (RIF) completo referente ao período de
01/11/2023 a 31/10/2024

Em razão da natureza da diligência e para preservação da eficácia da


investigação, requer-se, ainda, a decretação de sigilo sobre o presente pedido e seu
cumprimento, nos termos do art. 20 do Código de Processo Penal.

Vale das Nuvens, 25 de novembro de 2024.

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

Fls. 67
AO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA
DE VALE DAS NUVENS/NV

Referência: IPL nº 2024-93654387

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por intermédio da Procuradora da


República que esta subscreve, no uso de suas atribuições legais e institucionais, vem se
manifestar quanto ao requerimento formulado pela Autoridade Policial.

I – RELATÓRIO

Cuida-se de representação formulada pela autoridade policial para que seja


autorizada judicialmente a quebra do sigilo bancário de Juan Vidigal, empresário de
projeção nacional e proprietário da casa de apostas VidiBet, em razão de fundados
indícios de que teria financiado, de forma reiterada, as atividades da organização de
cunho terrorista denominada “Ordem dos Castos”, com envolvimento direto na
cadeia de financiamento do atentado ocorrido em 19 de outubro de 2024 contra o
Templo das Águas Floridas.

A medida foi apresentada em contexto de inquérito policial que apura os


crimes praticados por membros da mencionada seita radical, entre os quais homicídio
qualificado, terrorismo, organização criminosa e destruição de bem tombado, com
forte motivação de intolerância religiosa.

II – FUNDAMENTAÇÃO

A quebra de sigilo bancário é medida de natureza excepcional, porém


legitimamente admitida no ordenamento jurídico brasileiro, quando fundada em
indícios consistentes da prática de crimes graves e necessária à produção de prova
idônea. No caso em apreço, as diligências já realizadas demonstraram:

●​ A existência de transferências bancárias vultosas e recorrentes realizadas por


Juan Vidigal diretamente às contas de Pablo Gaviria, líder da Ordem dos Castos,
incompatíveis com sua alegada finalidade filantrópica ou religiosa;​

Fls. 68
●​ O relato voluntário e detalhado do contador da empresa VidiBet, que afirmou
que, após a divulgação pública do possível envolvimento de seu empregador nos
atentados, este teria determinado a eliminação de provas, destruição de
servidores de dados e coação de funcionários, condutas incompatíveis com o
comportamento de um mero doador desavisado;​

●​ O forte vínculo pessoal e ideológico entre Juan Vidigal e Pablo Gaviria,


aliado à identificação de discursos públicos em que o representado defendia
valores convergentes com a doutrina extremista pregada pela seita, o que reforça
o indicativo de que os repasses financeiros tinham finalidade ilícita e
consciente;​

●​ A relevância probatória da medida para identificar a origem e o destino dos


recursos, especialmente no que se refere à estruturação financeira da
organização criminosa e ao eventual patrocínio material das ações
terroristas ocorridas em Vale das Nuvens.​

A medida pleiteada pela autoridade policial é, portanto:

a) adequada, pois visa aprofundar a investigação e esclarecer as


responsabilidades financeiras envolvidas nos delitos;​
b) necessária, pois não há outra forma menos invasiva de se obter os dados
requeridos com igual eficácia, e​
c) proporcional, pois está limitada à finalidade da apuração e será submetida à
devida supervisão judicial.

É certo que o sigilo bancário protege dimensão relevante da intimidade, mas tal
direito não é absoluto. A Constituição e a legislação infraconstitucional permitem sua
relativização quando a persecução penal, fundada em elementos objetivos, impõe a
adoção da medida como instrumento de efetividade da justiça criminal e de proteção
da ordem pública e da vida.

III – CONCLUSÃO

Diante do exposto, o Ministério Público Federal manifesta-se favoravelmente


ao deferimento da quebra de sigilo bancário do investigado Juan Vidigal, conforme
requerido pela autoridade policial, no âmbito das investigações sobre o financiamento

Fls. 69
das atividades da organização terrorista Ordem dos Castos, com delimitação temporal e
escopo compatíveis com os objetivos da investigação.

____________________________
Rebeca Utsch​
Procuradora da República​

Fls. 70
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
1ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

IPL nº 1234567-89.2024.0.10.2345

DECISÃO

Trata-se de requerimento formulado pela autoridade policial, com a

finalidade de obter autorização judicial para quebra do sigilo bancário

pertencente a Juan Vidigal, no curso de investigação que apura possível prática

criminosa.

O Ministério Público Federal manifestou-se favoravelmente ao pedido,

entendendo estarem presentes os requisitos legais para a adoção da medida.

Neste sentido, adoto os fundamentos constantes no parecer

ministerial como razões de decidir, por estarem devidamente alinhados com o

ordenamento jurídico e com a necessidade da investigação.

Assim, com base no art. 5º, inciso XII, da Constituição Federal, e no art.

1º, §4º, inciso I da LC nº 105/2021, DEFIRO o pedido de quebra de sigilo

bancário do investigado Juan Vidigal.

Expedientes devem ser encaminhados ao COAF conforme indicado

pela autoridade policial, para cumprimento da presente decisão.

Cientifique-se o Ministério Público Federal.

Cumpra-se com urgência, mantendo-se o sigilo das diligências.

Vale das Nuvens, 26 de novembro de 2024.

Sérgio Salatiel
Sérgio Salatiel
Juiz Federal

Fls. 71
RELATÓRIO DE INTELIGÊNCIA FINANCEIRA - COAF

Referência: Inquérito Policial nº 2024-93654387


Investigado: JUAN VIDIGAL
Assunto: MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS ATÍPICAS E SUSPEITAS – RELAÇÃO COM
ORGANIZAÇÃO TERRORISTA (ORDEM DOS CASTOS)
Data: 03 de dezembro de 2024
Solicitante: Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático
de Direito - Polícia Federal

1. INTRODUÇÃO

O presente Laudo de Inteligência Financeira foi elaborado a partir das


informações encaminhadas pela autoridade policial, com base em indícios
de repasses de recursos por parte do investigado JUAN VIDIGAL, CPF nº
082.358.386-79, para indivíduos e entidades possivelmente vinculados à
seita extremista Ordem dos Castos, apontada como responsável por atos
de terrorismo religioso no Estado de Nova Veredas.

2. OBJETIVO

Identificar movimentações financeiras suspeitas, atípicas ou


incompatíveis com a capacidade econômica do investigado, bem como
eventuais vínculos entre ele e outros investigados ligados à seita,
notadamente Pablo Gaviria, Instituto Esperança e Luz, e outras pessoas
físicas e jurídicas relacionadas.

3. METODOLOGIA

Foram analisadas todas as contas bancárias, aplicações e instrumentos


de pagamento vinculados direta ou indiretamente ao investigado JUAN
VIDIGAL, no período compreendido entre 01/11/2023 e 31/10/2024, com
base em dados fornecidos pelo Banco Central do Brasil e instituições
financeiras, cruzados com cadastros públicos, registros fiscais e dados
já constantes nos autos.

4. RESULTADOS

4.1. Resumo das movimentações

Valor Total Nº de
Tipo de Operação Destinatários Identificados
(R$) Transações

Pablo Gaviria, Instituto


TED 2.185.000,00 17 Esperança e Luz, Assoc. Frat.
Pureza Divina

Fls. 72
Contas pessoais de supostos
PIX 312.450,00 96
membros da Ordem dos Castos

Despesas com hospedagens,


Cartão de crédito 175.900,00 233 aluguéis de imóveis em Vale das
Nuvens

Aplicações/Resgat Fundos resgatados logo antes dos


1.034.200,00 4
es envios a terceiros

4.2. Transferências diretas


Pablo Gaviria (CPF ..*-): Recebimento de R$980.000,00 em 6 TEDs entre
fevereiro e agosto de 2024. Valores enviados a contas de titularidade
pessoal e a contas utilizadas pela Fraternidade da Pureza Divina.

Instituto Esperança e Luz (CNPJ 11.111.111/0001-01): Recebimento de R$


860.000,00 em 5 TEDs identificadas. Os valores foram distribuídos em
seguida a contas de indivíduos investigados por participação nos
atentados.

Associação Fraternidade da Pureza Divina: Recebimento de R$ 345.000,00,


com posterior repasse parcial para contas atribuídas à "Coordenação
Regional da Ordem dos Castos – Vale das Nuvens".

4.3. Vínculos indiretos


PIXs de pequeno valor recorrente (entre R$1.000 e R$5.000) para ao
menos 12 pessoas físicas vinculadas à clínica Instituto Esperança e Luz
ou a cargos de liderança dentro da Ordem dos Castos. A origem de
algumas dessas contas foi identificada como “laranjas” (titulares com
renda incompatível ou ausentes de registros de trabalho formais).

4.4. Movimentações incompatíveis


Juan Vidigal declarou renda mensal de R$110.000,00 oriunda da VidiBet e
atividades de coaching. Contudo, entre janeiro e outubro de 2024,
movimentou R$4.502.300,00, valor muito acima do declarado ao fisco.

Vale das Nuvens/NV, 03 de dezembro de 2024.


Equipe de Inteligência Financeira – COAF
Relator Responsável: Ana Carolina R. Meirelles – Analista de
Inteligência

Fls. 73
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POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 1ª VARA CRIMINAL


FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE VALE DAS NUVENS/NV

Referências: IPL nº 2024-93654387 e B.O. nº 2024-027125600-001-NV


Investigado: Juan Vidigal
Assunto: Representação por prisão preventiva​ ​

RAFAEL GONTIJO, Delegado de Polícia Federal que ao final subscreve, no


exercício dos poderes conferidos pelo art. 144 da Constituição da República, com
fulcro nos artigos 311 a 313, todos do Código de Processo Penal, diante dos fatos
apurados no caderno investigatório em epígrafe, vem à presença de V. Exa.,
representar pela prisão preventiva de Juan Vidigal, brasileiro, empresário,
influenciador digital, conhecido no cenário nacional pelo seu envolvimento com o
mundo do coaching e do fisiculturismo, proprietário da casa de apostas VidiBet,
domiciliado em Rua dos Ventos Alísios, nº 147, Bairro Canto dos Pássaros, Vale das
Nuvens, Estado de Nova Veredas, NV-88450-000, pelos motivos de fato e de direito
a seguir expostos:

Trata-se de procedimento investigativo instaurado por dependência ao IPL


nº 2024-92548574 (Operação Fake Natty), onde se apura a prática dos crimes
previstos nos arts. 2º e 3º, na forma do art. 7º, todos da Lei nº 13.260/2016 (Lei
Antiterrorismo), bem como dos crimes tipificados no art. 121, § 2º, inciso III, do
Código Penal (por 17 vezes), e no art. 62 da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes
Ambientais), relacionados ao atentado terrorista levado a cabo no dia 19 de
outubro de 2024.

Ao longo das investigações, identificou-se um elevado número de repasses


feitos pelo investigado Juan Vidigal para Pablo Gaviria, líder da “Ordem dos Castos”,
organização terrorista apontada como responsável pelos mencionados atos,
corroborando a hipótese de que Juan Vidigal seria o agente financiador do
atentado.

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POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

Conforme consta do Boletim de Ocorrência nº 2024-0912-1945-47-NV,


compareceu na Delegacia de Polícia Civil de Vale das Nuvens em 09 de dezembro
de 2024 o Sr. Maicon Braga, que relatou, em síntese, ter sido ameaçado e coagido
pelo investigado, Juan Vidigal, para que ajudasse a apagar todos os servidores e
destruir os documentos da empresa em que trabalhava como contador, a casa de
apostas VidBet.

Segundo relatado por Maicon, toda essa movimentação se deu após a


divulgação na mídia, pelo jornalista Emanuel Mendes, de que um famoso coaching
teria sido o responsável pelo financiamento dos atos do dia 19 de outubro.

Nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva


pode ser decretada “como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por
conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal,
quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de
perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado”.

Dessa forma, considerando a evidente intenção do investigado de


embaraçar as investigações, inclusive com a destruição de provas relevantes para a
investigação, somado, ainda, à conduta de proferir ameaças a funcionários que não
compactuam com as ações ilegais, resta evidente a configuração dos requisitos
para a decretação da prisão preventiva do investigado.

Destarte, tendo em vista a demonstração do periculum libertatis,


consubstanciado na urgência de se garantir a ordem pública e, ainda, como medida
de conveniência da instrução criminal, a decretação da prisão preventiva é
imprescindível para assegurar a aplicação da lei penal.

Portanto, nos termos do art. 312, caput e 313, inciso I, na forma do art.
311, todos do Código de Processo Penal, o Delegado de Polícia Federal que ao final

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POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

subscreve, representa pela decretação da prisão preventiva de Juan Vidigal, com o


encaminhamento dos autos devidamente relatados no prazo legal, a contar do dia
em que se executar a ordem de prisão.

Vale das Nuvens/NV, 10 de dezembro de 2024.

Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

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Fls. 79
AO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA
DE VALE DAS NUVENS/NV

Referência: IPL nº 2024-93654387

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por sua representante legal,


no exercício de suas atribuições constitucionais e legais, vem, perante Vossa Excelência,
manifestar-se favoravelmente à representação pela decretação da prisão preventiva
do investigado JUAN VIDIGAL, com fundamento nos artigos 311, 312 e 313 do
Código de Processo Penal, pelas razões a seguir expostas.

Trata-se de investigação, instaurada no âmbito da chamada Operação


“Fake Natty”, visa apurar a prática de crimes de terrorismo e delitos conexos, em razão
de atentado ocorrido em 19 de outubro de 2024.

Com o avanço das investigações, a Autoridade Policial representou pela


decretação da prisão preventiva do investigado, razão pela qual os autos foram
encaminhados ao Ministério Público.

I. DA ADMISSIBILIDADE DA DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

Nos termos do art. 311 do Código de Processo Penal, a prisão preventiva


pode ser decretada em qualquer etapa da investigação criminal ou da persecução penal,
seja por requerimento do Ministério Público, do querelante ou por representação da
autoridade policial. Dessa forma, a presente representação deve ser devidamente
conhecida, pois foi formulada no âmbito de inquérito policial regularmente instaurado,
por autoridade competente e legitimada para tanto

Ainda, nos termos do artigo 312 do Código de Processo Penal, a prisão


preventiva poderá ser decretada:

“como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por


conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da
lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício
suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do
imputado.”

Fls. 80
Na hipótese em exame, encontram-se presentes todos os requisitos
autorizadores da medida extrema.

II. DA NECESSIDADE DE DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

Conforme relatado em boletim de ocorrência nº 2024-0912-1945-47-NV


e demais elementos constantes dos autos, há indícios suficientes de autoria e
materialidade contra o investigado, especialmente no que se refere ao financiamento das
ações criminosas e à tentativa deliberada de obstrução das investigações.

Segundo relato prestado pelo contador da empresa VidiBet, o investigado


teria coagido e ameaçado o colaborador para que destruísse documentos e eliminasse
registros eletrônicos relevantes à elucidação dos fatos, após a veiculação de notícia
jornalística que associava seu nome aos atos terroristas.

O periculum libertatis revela-se de forma concreta, especialmente diante


(i) da tentativa de destruição de provas, que demonstra a intenção do investigado de
obstruir a atuação estatal; (ii) da coação de testemunha, evidenciando risco à regular
colheita da prova e à própria integridade do processo; e, por fim, (iii) da possível
continuidade delitiva, que indica a necessidade de interromper a reiteração criminosa e
preservar a ordem pública.

A conduta de embaraçar a investigação criminal, com destruição de


elementos probatórios e ameaças a testemunhas, demonstra clara incompatibilidade do
investigado com a regularidade da instrução criminal, além de revelar seu desprezo
pelas instituições públicas e pelo devido processo legal.

Assim, impera a adoção da medida extrema como forma de resguardar a


eficácia da persecução penal, presentes os pressupostos processuais previstos no art. 312
do Código de Processo Penal.

III – DO PEDIDO

Diante do exposto, o Ministério Público opina favoravelmente à


decretação da prisão preventiva de JUAN VIDIGAL, como medida necessária à
garantia da ordem pública, à conveniência da instrução criminal e para assegurar a

Fls. 81
aplicação da lei penal, nos termos dos artigos 311, 312 e 313, inciso I, do Código de
Processo Penal.

Vale das Nuvens/NV, 10 de dezembro de 2024.

____________________________
Rebeca Utsch​
Procuradora da República​

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Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
1ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

IPL nº 1234567-89.2024.0.10.2345

DECISÃO

O Ministério Público Federal requereu, no curso do Inquérito Policial

em epígrafe, a decretação da prisão preventiva de Juan Vidigal, investigado por

possível prática criminosa, fundamentando-se que é imperiosa a medida

excepcional para conveniência da investigação criminal.

II – FUNDAMENTAÇÃO

Do cabimento excepcional da prisão preventiva

A prisão preventiva, medida de caráter excepcional e cautelar,

encontra-se disciplinada no art. 312 do CPP, sendo possível desde que

presentes: (a) indícios suficientes de autoria e materialidade (fumus commissi

delicti); e (b) a demonstração de periculum in mora, qual seja, o receio de que,

sem a custódia, a instrução criminal sofra grave comprometimento, sem

prejuízo das hipóteses de garantia da ordem pública ou da aplicação da lei

penal (garantia da ordem pública e conveniência da instrução).

a) Fumus commissi delicti

Nos autos, conforme se depreende do colacionado do Inquérito Policial

e exposto pelo Ministério Público Federal em sua manifestação, tenho que

existem indícios suficientes de autoria e materialidade delitivas.

b) Periculum in mora (conveniência da investigação)

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Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
1ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

O Ministério Público Federal demonstrou que, em liberdade, o

investigado poderá afetar diretamente a investigação por meio de inúmeros

meios em razão de seu alcance midiático e poderio financeiro.

c) Exaurimento de medidas menos gravosas

O art. 319 do CPP elenca medidas cautelares diversas da prisão. Porém,

no presente caso, restou demonstrado que tais medidas (monitoramento

eletrônico, proibição de ausentar-se da comarca, entre outras) mostram-se

insuficientes para resguardar o sigilo e a eficácia das diligências investigativas,

especialmente diante do elevado poder de influência do indiciado sobre

terceiros.

Deve-se destacar que embora resguardado o princípio constitucional

da presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF), a tutela cautelar não implica

antecipação de pena, mas medida indispensável à adequada instrução

processual. A sua decretação deve, contudo, ser calibrada: limitada ao

estritamente necessário às diligências urgentes, com prazo certo, observando-se

a razoável duração do procedimento (art. 5º, LXXVIII, CF e art. 10 do CPP).

III – DISPOSITIVO

Ante o exposto, com fulcro no art. 312 do Código de Processo Penal,

DEFIRO o pedido de prisão preventiva de Juan Vidigal, nos termos

supramencionados, pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias, contado do efetivo

recolhimento.

Expeça-se mandado de prisão preventiva no BNMP, e encaminhe-se

mandado de prisão e esta decisão a Autoridade Policial, para que dê

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Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
1ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

cumprimento à ordem judicial e encaminhe o acusado para o estabelecimento

prisional adequado.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Vale das Nuvens/NV, 26 de novembro de 2024.

Sérgio Salatiel
Sérgio Salatiel
Juiz Federal

Fls. 85
Excelentíssimo Senhor Juiz da 1ª Vara Criminal Federal da
Subseção Judiciária de Vale das Nuvens/VN.

IPL nº 1234567-89.2024.0.10.2345

JUAN VIDIGAL, já devidamente qualificado nos autos em


epígrafe, vem, mui respeitosamente, por meio de seu advogado
subscritor, à digna presença de Vossa Excelência, requerer o que
segue:

Em sede de Inquérito Policial, foi juntado um relatório de


quebra de sigilo telefônico em que constam supostas trocas de
mensagens entre o Peticionário e membros da religião “Fraternidade
da Pureza Divina”, porém, que não foram devidamente extraídas.

Com isso, em atenção ao princípio do Contraditório, é a


presente para juntar os seguintes prints das conversas entre o
Peticionário e a Fraternidade da Pureza Divina a respeito de suas
doações:

Fls. 86
Diante do exposto, requer os prints sejam recebidos e
juntados ao acervo probatório produzido durante a presente ação
penal.

Termos em que pede deferimento.


Vale das Nuvens-Nova Veredas, 19/12/2024.

LINO BORNIA

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DE DIREITO

IPL nº 2024-93654387
Investigado: Juan Vidigal​
Delegado responsável: Rafael Gontijo

A POLÍCIA FEDERAL, por intermédio do Delegado Federal signatário, no


exercício de suas funções expressamente definidas nos artigos 144, § 1º, da
Constituição Federal, artigo 2º, § 1º, da Lei Federal no 12.830/2013, artigos 4º e
seguintes do Código de Processo Penal, e demais dispositivos correlatos, vem,
respeitosamente, nos moldes do artigo 10, § 1º do aludido diploma criminal,
reportar-se a Vossa Excelência ofertando o presente RELATÓRIO.

I. DOS FATOS

O procedimento foi instaurado por dependência à Ação Penal nº


1222222-33.2024.0.10.2345 (Operação Fake Natty), onde se apura a prática dos
crimes previstos nos arts. 2º e 3º, na forma do art. 7º, todos da Lei nº 13.260/2016
(Lei Antiterrorismo), bem como dos crimes tipificados no art. 121, § 2º, inciso III,
do Código Penal (por 17 vezes), e no art. 62 da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes
Ambientais), relacionados ao atentado terrorista levado a cabo no dia 19 de
outubro de 2024.

Ao longo das investigações, identificou-se um elevado número de repasses


feitos pelo investigado Juan Vidigal para Pablo Gaviria, líder da “Ordem dos Castos”,
organização terrorista apontada como responsável pelos mencionados atos. Foi,
então, instaurado o presente inquérito policial, a fim de apurar os possíveis ilícitos
penais praticados por Juan Vidigal, em especial os crimes previstos nos arts. 3º e 6º
da Lei nº 13.260/2016 e art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013.

Diante dos indícios, a autoridade policial representou, com apoio do


Ministério Público Federal, pela quebra do sigilo bancário de Juan Vidigal. O pedido

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DE DIREITO

foi deferido judicialmente pela 1ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de


Vale das Nuvens, conforme decisão de 26 de novembro de 2024.

Sucedeu-se Relatório de Inteligência Financeira do COAF, apontando o


repasse de R$2.185.000,00 a Pablo Gaviria, ao Instituto Esperança e Luz e à Assoc.
Fraternidade da Pureza Divina, bem como o repasse de R$312.450,00 a supostos
integrantes da Ordem dos Castos.

Já em 09/12/2024, Maicon Braga, contador da casa de apostas de Juan


Vidigal (VidiBet), registrou Boletim de Ocorrência relatando ter sido ameaçado e
coagido pelo investigado para que ajudasse a apagar todos os servidores e destruir
os documentos da empresa. Foi, então, requerida a sua prisão preventiva,
devidamente autorizada pelo Juiz titular da 1ª Vara Criminal Federal da Subseção
Judiciária de Vale das Nuvens, e efetivada em 11/12/2024. Juan Vidigal foi ouvido
no dia seguinte e se valeu do direito constitucional ao silêncio.

Por fim, foi juntada petição da Defesa Técnica do investigado em


19/12/2024, contendo diálogos de WhatsApp com destinatário de nome
“Fraternidade”.

II. DAS PROVAS OBJETIVAS

​ Na fase investigativa da Ação Penal nº 1222222-33.2024.0.10.2345, foram


realizadas as seguintes diligências, importadas ao presente feito como prova
emprestada:

1.​ Busca e Apreensão (08/11/2024), sendo apreendido o aparelho celular


do líder da Ordem dos Castos, Pablo Gaviria;

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DE DIREITO

2.​ Extração de dados celulares, revelando diversos diálogos entre Pablo


Gaviria e o investigado, sugerindo aportes financeiros destinados a
atividades da seita, inclusive em datas próximas ao atentado;

3.​ Delação premiada de Tales Coelho, um dos autores confessos do


atentado, que revelou a existência de um “patrocinador importante” por trás
dos atos praticados pela Ordem dos Castos;

4.​ Relatório de quebra de sigilo bancário de Pablo Gaviria, identificando


diversos depósitos como oriundos do investigado.

​ Já no bojo da presente investigação, foram juntados:

1.​ RIF do COAF relativo ao investigado, apontando o repasse de


R$2.185.000,00 a Pablo Gaviria, ao Instituto Esperança e Luz e à Assoc.
Fraternidade da Pureza Divina, bem como o repasse de R$312.450,00 a
supostos integrantes da Ordem dos Castos;

2.​ Episódio do podcast “15 minutos com Toninha”, do qual participou o


investigado, que evidencia um discurso de correção punitiva e
fortalecimento de narrativas excludentes, indicando predisposição à adoção
ou incentivo de medidas corretivas contra indivíduos ou grupos que não se
alinhem a essa visão ideológica;

3.​ Boletim de ocorrência registrado pelo contador da empresa de Juan, a


VidiBet, relatando ameaças por parte do investigado para que ele ajudasse
a apagar todos os servidores e a destruir os documentos da empresa, para
além de prestar depoimentos favoráveis a ele.

III. CONCLUSÃO E INDICIAMENTO

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SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
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DE DIREITO

A partir das diligências realizadas, verificou-se que Juan Vidigal realizou


vultuosos repasses financeiros a Pablo Gaviria, líder da organização Ordem dos
Castos, inclusive por meio de transferências dirigidas a entidades ligadas à seita. Os
valores foram enviados em contexto temporal próximo ao atentado de 19 de
outubro de 2024, o que, somado ao teor de mensagens extraídas de aparelhos
celulares, indica ciência do investigado quanto à natureza e finalidade
ideológica do grupo beneficiado.

A delação de Tales Coelho revelou a existência de um “patrocinador


importante”, figura compatível com a atuação de Juan Vidigal, considerando a
materialidade dos repasses e os vínculos estabelecidos.

Além disso, os atos do investigado no sentido de obstruir a investigação,


com destruição de servidores e coação de funcionários, evidenciam dolo na
tentativa de dificultar a apuração da verdade, revelando consciência da gravidade
dos fatos.

Com base nesse conjunto probatório, a Autoridade Policial conclui pelo


indiciamento de Juan Vidigal pelos seguintes crimes:

●​ Art. 3º da Lei nº 13.260/2016 – Financiamento de atos de


terrorismo;​

●​ Art. 6º da Lei nº 13.260/2016 – Ato preparatório de terrorismo


com apoio financeiro;​

●​ Art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013 – Participação em organização


criminosa;​

●​ Art. 344 do Código Penal – Coação no curso do processo.​

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente relatório finaliza a investigação em relação a Juan Vidigal,


delimitando sua atuação no financiamento de ações perpetradas pela organização

Fls. 91
POLÍCIA FEDERAL​
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO ESTADO DE NOVA VEREDAS -
DELEGACIA DE ANTITERRORISMO E DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO

conhecida como Ordem dos Castos, a qual passou a atuar com características de
grupo terrorista, conforme já reconhecido em outras instâncias e processos
conexos.

O conjunto probatório reunido – notadamente os repasses financeiros


vultosos, o teor das mensagens extraídas, a delação homologada de Tales Coelho e
os atos de obstrução praticados pelo investigado – demonstram que Juan não era
um mero doador religioso, mas agente ativo e ciente da estrutura e dos
objetivos do grupo por ele financiado.

Tendo sido alcançado o grau de certeza necessário para o indiciamento, não


se mostra necessária a prorrogação do prazo investigativo, uma vez que o conjunto
de elementos constantes nos autos é suficiente para a propositura da ação penal.

Encaminhe-se o presente Inquérito Policial ao Ministério Público Federal


para as providências legais cabíveis.

Vale das Nuvens, 06 de janeiro de 2025.


Rafael Gontijo

Delegado de Polícia Federal


Delegacia de Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito –
SR/PF/NV

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AO JUÍZO DA 3ª VARA CRIMINAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA
DE VALE DAS NUVENS/NV

Referência: IPL nº 2024-93654387 - Proc. nº 1234567-89.2024.0.10.2345


Acusado: Juan Vidigal

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por intermédio da Procuradora da


República que esta subscreve, no uso de suas atribuições legais e institucionais, com
fundamento no artigo 129, inciso I, da Constituição da República, artigo 24 do Código
de Processo Penal, e nos artigos 1º e 2º, inciso IV, da Lei Complementar nº 75/93, vem,
com o devido respeito, perante Vossa Excelência, oferecer a presente DENÚNCIA em
face de

JUAN VIDIGAL, brasileiro, empresário, influenciador digital,


proprietário da casa de apostas VidiBet, domiciliado em Rua dos
Ventos Alísios, nº 147, Bairro Canto dos Pássaros, Vale das
Nuvens, Estado de Nova Veredas, NV-88450-000, Brasil,
atualmente recolhido no Centro de Detenção Provisória de Vale
das Nuvens, pelos fatos e fundamentos jurídicos que passa a
expor:

1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

A presente denúncia é consequência da Operação “Fake Natty”, levada a cabo


pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal, em prosseguimento aos
desdobramentos das investigações a respeito do ato terrorista do dia 19 de outubro de
2024 em função do amadurecimento das investigações a respeito da organização
terrorista denominada “Ordem dos Castos”, comandada por Pablo Gaviria.

Ao que se apurou, especialmente no decorrer da primeira fase da Operação


“Fake Natty”, adeptos mais enérgicos da filosofia difundida pela Fraternidade da Pureza
Divina, guiados por Pablo Gaviria, instituíram uma ala radical denominada “Ordem dos
Castos”, cuja atuação passou a ser pautada pela intolerância religiosa contra os adeptos
da religião “Círculo das Ervas Eternas”.

Fls. 93
Impulsionados por esse sentimento sectarista, no dia 19 de outubro de 2024,
afiliados da Ordem dos Castos promoveram o atentado anteriormente citado contra o
Templo das Águas Floridas (reconhecido por ser a sede do Círculo das Ervas Eternas”),
evento este que resultou em múltiplas mortes e destruição de patrimônio cultural de
valor histórico nacional, dando ensejo à Operação “Fake Natty”.

Durante as investigações, restou evidenciada a existência de um agente


financiador que teria viabilizado, por meio de aportes financeiros, a atuação do grupo
terrorista. Diante da complexidade do caso, o procedimento investigativo foi
fragmentado em duas fases.

As perquirições revelaram diversas transferências bancárias de alto valor


efetivadas por Juan com destino a contas pessoais e institucionais vinculadas a
Pablo Gaviria, líder da mencionada seita e, mentor intelectual do atentado
perpetrado por seguidores da Ordem dos Castos contra o templo sagrado da religião
minoritária Círculo das Ervas Eternas.

A presente denúncia versa, portanto, sobre a segunda fase da Operação “Fake


Natty”, consubstanciada na atuação de Juan Vidigal como agente financiador da
Organização Terrorista apontada como responsável pelos atos do dia 19 de outubro de
2024.

2. DOS DELITOS APURADOS

Consta dos autos do inquérito policial instaurado no âmbito da Delegacia de


Antiterrorismo e Defesa do Estado Democrático de Direito da Polícia Federal em Nova
Veredas, que Juan Vidigal, agindo com dolo, prestou auxílio à organização terrorista
autodenominada "Ordem dos Castos", grupo dissidente da Fraternidade da Pureza
Divina, por meio do investimento de ativos financeiros destinados ao planejamento,
preparação e execução de atos terroristas.

Extrai-se das investigações que, no período compreendido entre os dias 01 de


novembro de 2023 e 31 de outubro de 2024, Juan Vidigal realizou diversas
transferências bancárias de vultoso montante, tendo como destinatário Pablo Gaviria.
Notadamente as seguintes movimentações:

Fls. 94
●​ Transferências identificadas na quebra de sigilo referente à investigação
no âmbito da primeira fase da Operação “Fake Natty”, todas
identificando pagamentos realizados pelo investigado Juan Vidigal
(diretamente ou por intermédio de sua empresa de apostas online,
VidiBet) em favor de Pablo Gaviria:

Data Tipo Valor (R$) Origem Observações

07/11/2023 TED 35.000,00 Juan Vidigal (Pessoa Física) Referência: "Projeto Pureza II"

23/11/2023 PIX 22.500,00 Juan Vidigal (Pessoa Física) Sem descrição

VidiBet Tecnologia e
05/12/2023 PIX 18.000,00 CNPJ vinculado a Juan Vidigal
Apostas LTDA

20/12/2023 TED 50.000,00 Juan Vidigal Referência: "Doação Filantropia"

15/01/2024 PIX 12.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

28/01/2024 TED 30.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

VidiBet Tecnologia e
14/02/2024 PIX 25.500,00 Descrição: "Iniciativa Jovens Puros"
Apostas LTDA

Referência: "Custo Base Esperança


01/03/2024 TED 40.000,00 Juan Vidigal
e Luz"

18/03/2024 PIX 15.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Descrição: "Reforma Unidade Vale


02/04/2024 TED 48.200,00 Juan Vidigal
das Nuvens"

10/05/2024 PIX 10.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Referência: "Expansão Núcleo


19/05/2024 TED 60.000,00 Juan Vidigal
Castos"

03/06/2024 TED 45.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Fls. 95
VidiBet Tecnologia e
25/06/2024 PIX 8.500,00 Descrição: "Apoio Evento Julho"
Apostas LTDA

09/07/2024 TED 38.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

27/07/2024 PIX 20.000,00 Juan Vidigal Sem descrição

Descrição: "Nova Etapa


15/09/2024 TED 55.000,00 Juan Vidigal
Esperança"

03/10/2024 PIX 9.800,00 Juan Vidigal Sem descrição

●​ Transferências relacionadas à quebra de sigilo referente à investigação no


âmbito da primeira fase da Operação “Fake Natty”, identificando
pagamentos realizados por Juan Vidigal em favor de Pablo Gaviria,
outros membros da organização terrorista “Ordem dos Castos”, além de
pagamentos realizados pelo investigado com relação direta à preparação
e execução dos atos terroristas:

Nº de
Tipo de Operação Valor Total (R$) Destinatários Identificados
Transações

Pablo Gaviria, Instituto


TED 2.185.000,00 17 Esperança e Luz, Assoc. Frat.
Pureza Divina

Contas pessoais de supostos


PIX 312.450,00 96
membros da Ordem dos Castos

Despesas com hospedagens,


Cartão de crédito 175.900,00 233 aluguéis de imóveis em Vale
das Nuvens

Fundos resgatados logo antes


Aplicações/Resgates 1.034.200,00 4
dos envios a terceiros

Como restou apurado pela análise dos câmbios financeiras identificados nas
quebras de sigilo bancário e fiscal tanto de Juan quanto de Pablo, tais valores tiveram
como real destinação a entidade denominada “Instituto Esperança e Luz”, fachada
institucional, coordenada por Matheus Souza e controlada, de fato, por Pablo Gaviria,

Fls. 96
apontada como crucial para o planejamento, preparação e execução dos atos terroristas
ocorridos no dia 19 de outubro de 2024.

Conforme amplamente narrado e provado no âmbito da Operação “Fake


Natty”, referidas movimentações financeiras, identificadas após autorização judicial de
quebra de sigilos bancário e fiscal, demonstram de forma clara que os recursos
encaminhados por Juan Vidigal foram diretamente empregados na execução
logística do ato terrorista, incluindo a compra de materiais utilizados na fabricação
dos explosivos, pagamento de hospedagem e transporte dos executores até o local da
ação, bem como no custeio das atividades regulares da organização extremista.

O vínculo do denunciado com a Fraternidade da Pureza Divina é público e


notório, sendo de amplo conhecimento que ele professava os valores daquela doutrina e
já havia declarado publicamente apoio à atuação da Ordem dos Castos. Não obstante, as
provas colhidas evidenciam que o denunciado tinha plena ciência dos objetivos,
métodos e natureza criminosa da referida organização, não podendo se escusar da
responsabilidade alegando desconhecimento quanto ao uso dos recursos repassados.

Aliás, convém ressaltar que a descrição de algumas das transferências


realizadas possuem indicativos evidentes do conhecimento de Juan da real destinação
dos valores. Expressões como “Projeto Pureza II”, “Expansão Núcleo Castos”, “Custo
Base Esperança e Luz”, entre outras, demonstram amplo conhecimento da estrutura da
Organização Terrorista e dos verdadeiros objetivos do grupo.

Ademais, consta, ainda, do inquérito que, após a veiculação de matéria


jornalística nas redes sociais por conhecido comunicador local, associando um influente
empresário ao financiamento do atentado, o denunciado passou a adotar condutas
voltadas à destruição de provas e coação de testemunhas.

Consoante restou detalhado no depoimento prestado por Maicon Braga,


contador da empresa VidiBet, Juan, ao tomar conhecimento da publicação do jornalista
Emanuel Mendes na sua página na rede social “Y”, apagou subitamente todos os
servidores da referida sociedade empresária, destruiu todos os documentos contábeis e
eletrônicos e, ainda, pressionou os funcionários da empresa aludida para que prestassem
depoimentos falsos às autoridades.

Importa destacar que, o dinheiro arrecadado por Juan e repassado para Pablo,
conforme consta das movimentações financeiras advinham justamente da casa de

Fls. 97
apostas VidiBet, de forma que a perda dos dados relativos às movimentações financeiras
interferem diretamente nas investigações levadas a cabo na Operação “Fake Natty”.

Diante da gravidade dos fatos e da materialidade comprovada por meio de


quebras de sigilo autorizadas judicialmente, análise de documentos bancários e fiscais,
conversas telemáticas, testemunhos diretos e demais elementos probatórios constantes
nos autos, não restam dúvidas quanto à efetiva contribuição do denunciado para a
consolidação e o financiamento das atividades da organização terrorista
denominada Ordem dos Castos, bem como quanto à prática deliberada de atos
destinados a obstruir a investigação criminal em curso, revelando clara consciência
da ilicitude e do impacto de suas ações.

A materialidade e autoria encontram-se evidenciadas nos seguintes elementos


probatórios:

i.​ Termo de delação premiada de Tales Coelho, homologado


judicialmente;
ii.​ Depoimento de Maicon Braga, prestado espontaneamente à
Polícia Federal;
iii.​ Relatórios de quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e
telemático do denunciado e dos demais envolvidos;
iv.​ Interrogatório do próprio Juan Vidigal, no qual admite os
repasses financeiros;
v.​ Comprovantes de transferências bancárias e registros contábeis;
vi.​ Relatórios de inteligência da Polícia Federal e laudos periciais;
vii.​ Provas documentais e testemunhais colhidas na audiência de
instrução e julgamento.

Resta, portanto, suficientemente demonstrado que Juan Vidigal incorreu nos


atos delituosos de “prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização
terrorista”; “investir, de qualquer modo, direta ou indiretamente, recursos, ativos (...) de
qualquer natureza, para o planejamento, a preparação ou a execução dos crimes [de
terrorismo]”; “impedir ou, de qualquer forma embaraçar a investigação de infração
penal que envolva organização [terrorista]” e; “usar de violência ou grave ameaça, com
o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra (...) qualquer pessoa que funciona
ou é chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juízo
arbitral”.

Fls. 98
3. CONCLUSÃO

Diante de todo o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL denuncia


JUAN VIDIGAL como incurso nas sanções penais previstas nos artigos 3º e 6º da
Lei nº 13.260/2016 (Lei Antiterrorismo) c/c ao art. 61, II, “a” do Código Penal;
artigo 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa); e artigo 344
do Código Penal (Coação no curso do processo), todos em concurso material, na
forma do artigo 69, caput, do Código Penal, requerendo:

A.​O recebimento da presente denúncia, com a consequente instauração da


competente ação penal;
B.​A citação do denunciado, para responder aos termos da presente ação
penal, sob pena de revelia;
C.​A intimação das testemunhas abaixo arroladas para audiência de
instrução;
D.​A observância do rito ordinário, nos termos do artigo 394 e seguintes do
Código de Processo Penal;
E.​Ao final, a condenação do acusado pelos crimes acima descritos, nos
exatos termos da legislação penal em vigor.

VÍTIMA:
1.​ Kauani Mattar

ROL DE TESTEMUNHAS:

1.​ Tales Coelho


2.​ Maicon Braga
3.​ Rafael Gontijo
4.​ Lúcia Navarro
5.​ Pablo Gaviria

Vale das Nuvens/VN, 10 de fevereiro de 2025.

____________________________
Rebeca Utsch​
Procuradora da República​

Fls. 99
AO JUÍZO DA ___ VARA CRIMINAL FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA
DA COMARCA DE VALE DAS NUVENS/NV

Referência: IPL nº 2024-93654387 - Proc. nº 1234567-89.2024.0.10.2345

Ofereço, em separado e em 08 (oito) laudas, denúncia em face do investigado


JUAN VIDIGAL.

Em relação ao oferecimento de proposta de Acordo de Não Persecução Penal,


compreende-se que não houve o preenchimento dos requisitos legais previstos no art.
28-A do Código de Processo Penal.

Quanto ao requisito subjetivo, considerando a gravidade em concreto das


infrações penais pelas quais o Juan é, neste ato denunciado, o Acordo de não Persecução
Penal, na visão do Ministério Público, presentado por esta Procurador da República, não
se mostra suficiente para a reprovação e prevenção dos crimes perpetrados.

Quanto aos requisitos objetivos, verifica-se que não houve confissão por parte
de Juan, bem como a pena relativa aos delitos imputados, não se amoldam ao mínimo
de 04 (quatro anos) exigidos pela legislação processual penal, restando impossibilitado,
portanto, o oferecimento de acordo.

Considerando, ademais, as consequências dos crimes, requer, desde já, o


Ministério Público Federal, em caso de procedência da denúncia, a condenação de Juan
Vidigal ao pagamento de indenização a título de Danos Morais Coletivos em valor a ser
fixado em montante não inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) a ser revertido
em favor do Fundo Nacional de Proteção ao Patrimônio Histórico, Artístico e
Paisagístico (FUNPAP), com vistas à reparação do imensurável prejuízo advindo do ato
terrorista financiado pelo denunciado. Requer-se, por fim, a vinda aos autos de folha de
antecedentes criminais e certidões do que constar.

Vale das Nuvens/VN, 10 de fevereiro de 2025.

____________________________
Rebeca Utsch​
Procuradora da República​

Fls. 100
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

Proc. nº 1234567-89.2024.0.10.2345

DESPACHO

Vistos etc.,

1)​ Em juízo preliminar de admissibilidade, verifico que a denúncia atende aos

requisitos processuais básicos do art. 41 do CPP, descrevendo

suficientemente o fato delituoso, com indícios de autoria e provas suficientes

de materialidade, evidenciando justa causa para a instauração da ação

penal.

2)​ Presentes, portanto, os pressupostos processuais e as condições para o

exercício da ação penal, RECEBO A DENÚNCIA em face de JUAN

VIDIGAL

3)​ Determino seja o acusado citado e notificado para apresentar a sua resposta

à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias, nos termos do art. 396 do

CPP.

4)​ Declarada a hipossuficiência do réu, dê-se vista ao (a) Defensor (a) Público

(a) para apresentar a resposta, em até 10 (dez) dias.

Cumpra-se, com urgência.

Belo Horizonte, 28 de fevereiro de 2025.

1
Fls. 101
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

MARIA ANTÔNIA GIRODO

Juíza Federal Titular da 3ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária de Vale das

Nuvens/VN

2
Fls. 102
Excelentíssimo Senhor Juiz da 3ª Vara Criminal Federal da Subseção
Judiciária da Comarca de Vale das Nuvens/VN.

Processo n. 1234567-89.2024.0.10.2345

JUAN VIDIGAL, qualificado nos autos em referência, vem


perante [Link]., respeitosamente, por seu Advogado (procuração
anexa), apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fulcro no art. 396-A
do Código de Processo Penal, nos termos a seguir aduzidos.

Juan Vidigal, foi denunciado pelo Ministério Público Federal


como incurso nas disposições do art. 3º e 6º da Lei nº 13.260/2016;
art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013; e art. 344 do CP, todos em concurso
material, na forma do artigo 69, caput, do CP.

Consta na exordial acusatória que Juan teria, entre novembro


de 2023 e outubro de 2024, realizado diversas transferências
bancárias -tanto em seu nome pessoal, quanto por meio da empresa
“VidiBet Tecnologia e Apostas Ltda” - em favor de Pablo Gaviria,
suposto líder da organização denominada “Ordem dos Castos”.

Segundo o Parquet, essa organização teria sido responsável


pelo atentado ocorrido no dia 19/10/2024 contra o Templo das Águas
Floridas, local de culto da religião “Círculo das Ervas Eternas”.

Fls. 103
Por fim, a denúncia aponta, ainda, que após a veiculação de
notícia associando o nome do Defendente aos fatos investigados,
este teria adotado “condutas voltadas à destruição de provas e
coação de testemunhas”, o que levou à imputação do crime de coação
no curso do processo.

Sendo esses os limites da acusação, a Defesa reserva-se ao


direito de desenvolver suas teses com a devida profundidade em
sede de alegações finais, após a instrução probatória, momento em
que será demonstrado, de forma clara, que o ímpeto acusatório não
merece prosperar.

Por fim, requer-se que sejam arroladas como testemunhas da


defesa, também, aquelas indicadas na Denúncia pelo Parquet, a
saber:

1.​ Kauani Mattar


2.​ Tales Coelho
3.​ Maicon Braga
4.​ Rafael Gontijo
5.​ Lúcia Navarro
6.​ Pablo Gaviria

Pede deferimento.

Vale das Nuvens/Nova Veredas, 19 de março de 2025.

LINO BORNIA

Lucas:.Braga
LUCAS BRAGA

Fls. 104
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

Processo nº: 1234567-89.2024.0.10.2345


Classe: Ação Penal
Autor: Ministério Público Federal
Réu: Juan Vidigal

ATA DE AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO

Aos 24 dias do mês de junho de 2025, às 15:00h, na sala de audiências da

3ª Vara Criminal Federal da Subseção Judiciária da Comarca de Vale das

Nuvens/NV, sob a presidência da MM. Juíza Federal Maria Antônia Girodo, foi

aberta a audiência de instrução e julgamento nos autos da ação penal em que

figura como réu JUAN VIDIGAL, acusado da prática dos crimes previstos nos

arts. 3º e 6º da Lei nº 13.260/2016, art. 2º, §1º, da Lei nº 12.850/2013, e art. 344 do

Código Penal. Presentes: a Procuradora Rebeca Utsch; e os Advogados Lino

Bornia e Lucas Braga, representando o acusado Juan Vidigal que também

compareceu ao feito.

Aberta a audiência, verificada a presença das partes e a regularidade da

representação processual, passou-se à oitiva das testemunhas. Foram ouvidas,

sob compromisso legal, as seguintes testemunhas: Sra. Kauani Mattar; Sr. Pablo

Gaviria; Sra. Lúcia Navarro; Sr. Rafael Gontijo; Sr. Tales Coelho; e Sr. Maicon

Braga.

Encerrada a oitiva das testemunhas, procedeu-se ao interrogatório do réu

Juan Vidigal, que respondeu aos questionamentos formulados pela acusação e

pelos seus defensores.

Fls. 105
Poder Judiciário
JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária de Nova Veredas
3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

Todos os depoimentos, bem como o interrogatório do réu, foram

integralmente registrados por meio audiovisual, conforme previsto no art. 405,

§1º, do Código de Processo Penal.

Concedo o prazo de 05 (cinco) dias para que as partes apresentem suas

alegações finais em forma de memoriais, nos termos do art. 403, § 3º do Código

de Processo Penal.

Nada mais havendo, foi encerrada a presente audiência, cujo termo

segue lavrado, lido e assinado pela magistrada e pelos presentes.

Na oportunidade, disponibiliza-se o link de acesso à gravação desta

audiência:

[Link]

Vale das Nuvens/NV, 24 de junho de 2025.

Maria Antônia Girodo


Juíza Federal

Lino Bornia
Lucas:.Braga
Advogado(a) do réu

Rebeca Utsch
Ministério Público Federal

Fls. 106
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Seção Judiciária de Nova Veredas
3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

Processo nº: 1234567-89.2024.0.10.2345


Classe/Assunto: Ação Penal Pública.
Autor: Ministério Público do Estado de Nova Veredas.
Réu(s): Juan Vidigal.

SENTENÇA

1.​ RELATÓRIO

Trata-se de Denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de

Nova Veredas, contra JUAN VIDIGAL, imputando-lhe a prática dos delitos

previstos no art. 3º e art. 6º da Lei nº 13.260/2016, art. 2º, §1º, da Lei nº

12.850/2013 e art. 344 do Código Penal.

Narra a Exordial Acusatória que entre os dias 01 de novembro de 2023 e

31 de outubro de 2024, o Sr. Juan realizou diversas transferências bancárias para

o Sr. Pablo Gaviria, líder da Ordem dos Castos, suposta organização terrorista

derivada da religião Fraternidade da Pureza Divina.

Conforme a Denúncia, as transferências realizadas por Juan foram

utilizadas para financiar a execução do ato terrorista que a Ordem dos Castos

supostamente realizou contra o grupo religioso Círculo das Ervas Eternas no

dia 19 de outubro de 2024. Os valores teriam sido empregados na compra de

materiais utilizados na fabricação dos explosivos, no pagamento da

hospedagem e transporte dos executores até o local da ação, além do custeio de

atividades regulares da organização.

Ademais, de acordo com a acusação, Juan teria supostamente destruído

provas e coagido testemunhas do caso, apagando os servidores da sua empresa

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“VidiBet”, destruindo seus documentos contábeis e telefônicos, bem como

pressionando seus funcionários a prestarem depoimentos falsos.

Em 24 de junho de 2025 foi realizada a Audiência de Instrução e

Julgamento, oportunidade na qual foi ouvida a vítima Sra. Kauani Mattar, as

testemunhas, Sr. Tales Coelho, Sr. Maicon Braga, Sra. Lúcia Navarro, Sr. Rafael

Gontijo e o Sr. Pablo Gaviria. Por fim, foi realizado o interrogatório do Réu.

Oficialmente finalizada a instrução, o Ministério Público requereu a

condenação de Juan nos termos da Denúncia, alegando a existência de provas

suficientes de autoria e materialidade delitiva. A defesa de Juan pleiteou a sua

absolvição, por inexistência de provas suficientes para embasar qualquer édito

condenatório.

Vieram os autos conclusos.

É o relatório. Passo a decidir.

2.​ FUNDAMENTAÇÃO

Não existem preliminares ou nulidades arguidas e nem vislumbro alguma

a ser identificada, por isso, estando presentes os pressupostos processuais e as

condições da ação penal, passa-se à análise da matéria penal de fundo do caso

sob exame.

2.1.​ Art. 3º da Lei n. 13.260/2016

No crime em exame, o fato típico consiste em "oferecer, obter, guardar,

manter em depósito, investir ou de qualquer forma contribuir, por meio direto

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ou indireto, para o financiamento de pessoa, organização, associação, grupo ou

rede voltados para a prática dos crimes de terrorismo previstos nesta Lei".

In casu, restou comprovado, por meio dos relatórios de inteligência

financeira e das quebras de sigilo bancário devidamente autorizadas acostados

aos autos, que Juan Vidigal efetuou diversas transferências financeiras para

contas vinculadas a Pablo Gaviria, líder da seita conhecida como Ordem dos

Castos. Tais transferências foram realizadas a partir de contas bancárias da

empresa VidiBet, de propriedade do réu, conforme confirmado pelo

depoimento do delegado Rafael Gontijo, que atestou que "a análise dos dados

bancários confirmou transferências incompatíveis com o perfil de doações

religiosas comuns".

Embora o réu tenha declarado em juízo que as doações foram feitas em

nome da fé e sem conhecimento da destinação final, os elementos probatórios

apontam em sentido diverso. Destaca-se o depoimento de Pablo Gaviria, que

confirmou o recebimento das quantias e reconheceu que Juan defendia uma

atuação "mais ativa e presente nas ruas" por parte da Fraternidade, revelando uma

postura mais radical. Também é relevante a fala de Tales Coelho, colaborador

premiado, que declarou que "o Pablo sempre dizia que a missão só era viável porque

tínhamos o apoio de um 'irmão influente', que acreditava na causa", associando essa

figura diretamente a Juan Vidigal.

O dolo se revela na convergência entre a atuação pública do réu —

propagando ideais de purificação e combate às religiões que utilizam

substâncias psicotrópicas — e sua atuação privada como financiador da

estrutura que deu suporte ao atentado de 19 de outubro de 2024. Embora Pablo

negue que tenha revelado a Juan a destinação dos recursos, a regularidade, a

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quantia e o contexto das transferências revelam ciência do desvio de finalidade

e anuência com os fins perseguidos pela organização.

Preenchidos, portanto, os requisitos objetivos e subjetivos do tipo penal

em questão.

2.2.​ Art. 6º da Lei n. 13.260/2016

O fato típico previsto no art. 6º da Lei nº 13.260/2016 consiste em "fazer

apologia pública de fato tipificado como crime nesta Lei ou de seu autor".

Durante a instrução, foram juntadas publicações realizadas por Juan

Vidigal nas redes sociais e em suas palestras motivacionais, nas quais exalta a

necessidade de "purificação espiritual da juventude" e de "limpeza dos vícios que

corrompem a alma nacional". Embora o réu tenha afirmado que tais expressões

possuíam sentido simbólico e estavam relacionadas à moralidade individual, o

conteúdo apresentado revela alinhamento discursivo com a retórica da Ordem

dos Castos.

Tales Coelho, em juízo, afirmou que as palavras de Juan "serviam como

legitimação moral para os atos violentos", sendo recorrentes em reuniões internas

da organização. O colaborador destacou que os executores do atentado viam

Juan como um patrocinador ideológico, mesmo que não diretamente envolvido.

Além disso, a vítima Kauani Mattar relatou que, após o ataque, membros do

Círculo ouviram dos agressores que o templo seria queimado graças ao apoio

de um "patrocinador" — figura que, à época, passou a ser associada a Juan

Vidigal após veiculação de reportagens.

Embora não se tenha prova de exaltação explícita a autores identificados, o

conjunto discursivo do réu, reiterado publicamente, reforçou ideais que

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motivaram o atentado, legitimando a intolerância como instrumento de ação. A

incitação indireta e a reverência aos fundamentos ideológicos dos ataques

tornam a conduta penalmente relevante, nos moldes do art. 6º da Lei nº

13.260/2016.

Assim, verifica-se que Juan Vidigal incorreu na conduta descrita no art. 6º

da Lei Antiterrorismo, uma vez que publicamente reverenciou tanto os ideais

quanto os autores dos atos terroristas perpetrados em 19 de outubro de 2024.

2.3.​ Art. 2º, §1º, da Lei 12.850/2013

O artigo 2º, §1º, da Lei n. 12.850/2013 define como crime a "impedir ou, de

qualquer forma, embaraçar a investigação de infração penal que envolva

organização criminosa".

A conduta de Juan Vidigal, após o início das investigações, denota

tentativa deliberada de embaraçar a persecução penal. O depoimento do

ex-contador da VidiBet, Maicon Braga, foi enfático ao relatar que o réu

determinou a "eliminação de arquivos", o "fechamento de servidores antigos" e

incentivou a adoção de práticas que comprometiam a rastreabilidade financeira.

Disse, ainda, que havia um ambiente de temor entre os funcionários, em razão

da postura autoritária de Juan.

Embora o réu tenha negado a intenção de obstruir o trabalho da polícia,

alegando que buscava apenas "evitar interpretações equivocadas", os atos

praticados, somados à ausência de justificativa plausível para a eliminação de

dados sensíveis, evidenciam o dolo específico de frustração da investigação.

Ressalte-se, ademais, que os elementos suprimidos estavam diretamente

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relacionados à movimentação financeira da empresa usada como veículo das

doações.

Configurada, portanto, a prática do delito previsto no art. 2º, §1º, da Lei nº

12.850/2013.

2.4.​ Art. 344, do Código Penal

O art. 344 do Código Penal tipifica a conduta de "usar de violência ou

grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra

autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a

intervir em processo judicial, policial ou administrativo".

Embora não tenha sido demonstrada ameaça direta ou física, o

depoimento de Maicon Braga esclareceu que Juan Vidigal impôs a seus

subordinados forte pressão psicológica e moral para que "alinhassem seus

depoimentos", sugerindo a adoção de versão comum que o isentasse de

responsabilidade pelos repasses à Fraternidade. Maicon afirmou que "dava a

entender que a gente tinha que seguir o que ele dizia" e que "as pessoas estavam

com medo mais pela pressão do clima do que por algo dito com todas as letras".

Tal conduta, mesmo ausente de violência ostensiva, caracteriza grave

ameaça no contexto de relação hierárquica e profissional, tendo por finalidade

direta influenciar o conteúdo das declarações prestadas por testemunhas-chave.

Assim, está configurado o crime de coação no curso do processo, nos termos do

art. 344 do Código Penal.

3.​ DISPOSITIVO

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Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE a pretensão acusatória

deduzida na Denúncia, condenando o Réu JUAN VIDIGAL, nos termos do Art.

3º e 6º da Lei n. 13.260/2016; Art. 2º, §1º, da Lei n. 12.850/2013; e Art. 344, do

Código Penal na forma do art. 69 do mesmo codex. Passo à dosimetria da pena,

observando os critérios previstos no Art. 68 do Código Penal.

3.1.​ DOSIMETRIA DA PENA

3.1.1 - Art. 3º da Lei 13.260/2016

Na primeira fase, analiso as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do

Código Penal. A culpabilidade do réu é compatível com o tipo penal violado,

sem elementos que justifiquem maior reprovabilidade. Não possui antecedentes

criminais, conforme os documentos constantes nos autos. Sua conduta social

não apresenta desvios que mereçam destaque, e não há elementos suficientes

para valorar negativamente sua personalidade. Os motivos do crime são

próprios do tipo penal, não demonstrando maior censurabilidade. As

circunstâncias do crime não extrapolam aquelas ordinariamente esperadas para

o delito em questão, limitam-se aos resultados típicos, e o comportamento da

vítima em nada contribuiu para a prática delitiva. As consequências do crime

devem ser valoradas negativamente, tendo em vista que ocasionou a morte por

carbonização de 17 pessoas, resultando em um grande abalo emocional aos

integrantes do Círculo das Ervas Eternas, como é possível apurar no

depoimento prestado pela Sra. Kauani Mattar durante a instrução. Assim,

diante da presença de circunstância judicial negativa, aumento a pena base em

1/8 , fixando-a em 05 (cinco) anos, 04 (quatro) meses e 15 (quinze) dias.

Na segunda fase, passo à análise das circunstâncias agravantes e

atenuantes. Não se verifica a presença de agravantes ou atenuantes que possam

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interferir na dosimetria, razão pela qual mantenho a pena fixada na fase

anterior.

Na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de

diminuição de pena que incidam sobre os delitos apurados, permanecendo a

pena fixada em 05 (cinco) anos, 04 (quatro) meses e 15 (quinze) dias de

reclusão.

3.1.2 - art. 6º da Lei 13.260/2016;

Na primeira fase, analiso as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do

Código Penal. A culpabilidade do réu é compatível com o tipo penal violado,

sem elementos que justifiquem maior reprovabilidade. Não possui antecedentes

criminais, conforme os documentos constantes nos autos. Sua conduta social

não apresenta desvios que mereçam destaque, e não há elementos suficientes

para valorar negativamente sua personalidade. Os motivos do crime são

próprios do tipo penal, não demonstrando maior censurabilidade. As

circunstâncias do crime não extrapolam aquelas ordinariamente esperadas para

o delito em questão. As consequências do crime limitam-se aos resultados

típicos, e o comportamento da vítima em nada contribuiu para a prática

delitiva. Diante da neutralidade das circunstâncias judiciais, fixo a pena-base no

mínimo legal para o delito em 15 (quinze) anos de reclusão.

Na segunda fase, passo à análise das circunstâncias agravantes e

atenuantes. Verifica-se que, no caso concreto, o crime foi praticado devido a

incompatibilidade religiosa do réu com as vítimas, configurando um motivo

torpe, sendo necessária a aplicação da agravante prevista no art. 61, II, “a” do

Código Penal, razão pela qual aumento a pena em ⅙, fixando-a em 16

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(dezesseis) anos, 06 (seis) meses e 01 (um) dia. Não existem atenuantes que

possam ser aplicadas.

Na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de

diminuição de pena que incidam sobre os delitos apurados,permanecendo a

pena em 16 (dezesseis) anos, 06 (seis) meses e 01 (um) dia de reclusão.

3.1.3 - art. 2º, §1º, da Lei 12.850/2013;

Na primeira fase, analiso as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do

Código Penal. A culpabilidade do réu é compatível com o tipo penal violado,

sem elementos que justifiquem maior reprovabilidade. Não possui antecedentes

criminais, conforme os documentos constantes nos autos. Sua conduta social

não apresenta desvios que mereçam destaque, e não há elementos suficientes

para valorar negativamente sua personalidade. Os motivos do crime são

próprios do tipo penal, não demonstrando maior censurabilidade. As

circunstâncias do crime não extrapolam aquelas ordinariamente esperadas para

o delito em questão. As consequências do crime limitam-se aos resultados

típicos, e o comportamento da vítima em nada contribuiu para a prática

delitiva. Diante da neutralidade das circunstâncias judiciais, fixo a pena-base no

mínimo legal para o delito em 3 (três) anos de reclusão.

Na segunda fase, passo à análise das circunstâncias agravantes e

atenuantes. Não se verifica a presença de agravantes ou atenuantes que possam

interferir na dosimetria, razão pela qual mantenho a pena fixada na fase

anterior.

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Na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de

diminuição de pena que incidam sobre os delitos apurados, permanecendo a

pena tal como estabelecida no mínimo legal.

3.1.4 - art. 344 do Código Penal

Na primeira fase, analiso as circunstâncias judiciais previstas no art. 59 do

Código Penal. A culpabilidade do réu é compatível com o tipo penal violado,

sem elementos que justifiquem maior reprovabilidade. Não possui antecedentes

criminais, conforme os documentos constantes nos autos. Sua conduta social

não apresenta desvios que mereçam destaque, e não há elementos suficientes

para valorar negativamente sua personalidade. Os motivos do crime são

próprios do tipo penal, não demonstrando maior censurabilidade. As

circunstâncias do crime não extrapolam aquelas ordinariamente esperadas para

o delito em questão. As consequências do crime limitam-se aos resultados

típicos, e o comportamento da vítima em nada contribuiu para a prática

delitiva. Diante da neutralidade das circunstâncias judiciais, fixo a pena-base no

mínimo legal para o delito em 1 (um) ano de reclusão.

Na segunda fase, passo à análise das circunstâncias agravantes e

atenuantes. Não se verifica a presença de agravantes ou atenuantes que possam

interferir na dosimetria, razão pela qual mantenho a pena fixada na fase

anterior.

Na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de

diminuição de pena que incidam sobre os delitos apurados, permanecendo a

pena tal como estabelecida no mínimo legal.

3.2 Do concurso material

Fls. 116
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3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de Vale das Nuvens

Diante da prática de crimes distintos, aplico o concurso material, conforme

disposição do art. 69 do Código Penal, procedendo-se à soma das penas

impostas. Assim, a pena definitiva resta consolidada em 25 (vinte e cinco) anos,

8 (oito) meses e 16 (dezesseis) dias de reclusão.

Considerando o montante da pena aplicada e a gravidade dos crimes

cometidos, fixo o regime inicial de cumprimento em regime fechado, nos

termos do art. 33, §2º, "a", do Código Penal.

Além disso, pela natureza dos delitos e pela quantidade da pena imposta,

revela-se inviável a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas

de direitos, bem como a concessão do benefício da suspensão condicional da

pena (sursis), conforme preceituam os arts. 44 e 77 do Código Penal.

Vale das Nuvens/NV, 03 de julho de 2025.

Maria Antônia Girodo


Juíza Federal

Fls. 117
FOLHA VEREDENSE 04 de julho de 2025

FAKE NATTY!
Empresário, coach e influenciador Juan Vidigal
é condenado pela 3ª Vara Criminal Federal de
Vale das Nuvens como financiador e membro da
organização terrorista “Ordem dos Castos”.
Em sentença prolatada ontem, a Juíza Federal
Maria Antônia Girodo condenou o réu Juan Vidigal
à pena de 24 anos de reclusão, em regime inicial
fechado, por considerar que ele praticou os crimes
de financiar e integrar organização terrorista,
obstrução de justiça e coação no curso do Segundo a Juíza, “O dolo [de Juan] se revela na
processo. Juan, que está preso preventivamente no convergência entre a atuação pública do réu -
Presídio Estadual de Nova Veredas continuará propagando ideais de purificação e combate às
detido lá, pois não lhe foi concedido o direito de religiões que utilizam substâncias psicotrópicas -
e sua atuação privada como financiador da
recorrer em liberdade. Apesar de ele, como
estrutura que deu suporte ao atentado de 19 de
suposto financiador da organização terrorista, já outubro de 2024”. Em nota, a Defesa de Juan
ter sido condenado, os supostos executores e classificou o processo como uma “farsa”; já a
mentores do ataque ao Templo das Águas Floridas Procuradora Rebeca disse esperar que Juan
ainda aguardam julgamento pela Vara Federal do finalmente pague por seus crimes, pois “lugar de
terrorista é apodrecendo na cadeia”.
Júri de Vale das Nuvens.

Em nota divulgada nas redes sociais, os Advogados de Juan, Dr. Lino Bornia e Dr. Lucas Braga, disseram que
nos próximos dias irão recorrer da sentença, por eles chamada de “absurda”, “injusta” e “mal-feita”; na
visão da defesa, as provas dos autos deixam claro que Juan é apenas uma pessoa caridosa. Já na visão da
Procuradora da República Rebeca Utsch, responsável pela acusação, ao final do processo ficou claro que
apesar de seu discurso de pureza, Juan é um verdadeiro “Fake Natty”, pois se utilizava da aparência de
pessoa pacífica e caridosa para financiar atentados terroristas. O caso ainda promete gerar grandes
discussões em 2ª instância, especialmente em razão do fato de que a Juíza Maria Antônia, no ano passado,
estava presente em um bar de Vale das Nuvens quando ele foi fortemente atacado com pedras por membros
da Ordem dos Castos, mas não se declarou suspeita ou impedida para atuar no presente processo.

STJ REJEITA RECURSO ESPECIAL DO MP E MANTÉM


DECISÃO DO TJAB QUE ABSOLVEU JOVEM ACUSADO
DE ESTUPRO CONTRA NAMORADA EM ROXINLÂNDIA
Vítima tinha 13 anos de idade, enquanto o acusado, seu então namorado tinha 18
Em sessão na tarde de ontem, uma das turmas do O caso, que ocorreu em meados de 2017 no vilarejo de
Superior Tribunal de Justiça negou provimento a Vila Esperança, distrito de Roxinlândia/AB, teve início
Recurso Especial interposto pelo Ministério Público do após a irmã da vítima relatar à sua professora que a
Estado de Albuquerque contra o acórdão do Tribunal de vítima iria se casar e que a criança seria sua “daminha
Justiça do Estado de Albuquerque que, em 9 de de honra”, porque seu pai havia flagrado Maria e Lucas
novembro de 2024 reformou sentença do Juízo da Vara no quarto sozinhos, fazendo “coisa errada”. Com a
Criminal da Comarca de Roxinlândia e absolveu o réu confirmação da absolvição, Lucas postou em suas
Lucas Barreto da acusação de ter praticado estupro de redes sociais um vídeo no qual agradeceu o apoio de
vulneráve contra ex-namorada menor de 14 anos. estudantes de Direito de todo o país que o defenderam.

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