MONITORIA 6º P – DIARREIA E CONSTIPAÇÃO
DIARREIA
INTRODUÇÃO - Liberação de citocinas e mediadores inflamatórios por lesão
- O que é diarreia? direta da mucosa intestinal (enterite, colite ou enterocolite);
- Eliminação de fezes amolecidas, de consistência - Presença de sangue, pus e muco → disenteria;
líquida; - Pode ser infecciosa ou não!
- Geralmente vem acompanhada de: - O exame que avalia a presença de sangue, pus e muco nas
- a) Aumento do número de evacuações diárias (> 3x fezes é o EAF (Elementos Anormais nas Fezes);
dia) → 3 ou mais evacuações amolecidas em 24 - Aumento da lactoferrina fecal;
horas;
- b) Aumento da massa fecal (> 200 g/dia). DIARREIA + ESTEATORREIA (SÍNDROME DISABSORTIVA)
- Pode acontecer pela redução da absorção ou - Esteatorreia sempre tem origem no intestino delgado;
aumento da secreção. - doença celíaca, espru tropical, doença de Crohn, doença de
- Esse padrão muda em lactentes!!! → Mudança no padrão Whipple, giardíase, estrongiloidíase, linfangiectasia, linfoma
habitual. intestinal;
CLASSIFICAÇÃO DIARREIA FUNCIONAL:
- Em relação ao tempo: - Causada pela hipermotilidade intestinal;
- 1- Diarreia aguda (< 2 semanas); - SII (pseudodiarreia);
- 2- Diarreia protraída ou persistente (entre 2 - 4 - Diarreia diabética (neuropatia autonômica);
semanas);
- 3- Diarreia crônica (> 4 semanas). DIARREIA AGUDA:
- Em relação à origem: - < 2 semanas;
- Alta: - Na grande maioria das vezes é infecciosa;
- Proveniente do intestino delgado; - Outros casos: medicações, ingestão de toxinas, isquemia,
- Episódios mais volumosos (até provocar doença inflamatória intestinal...
choque hipovolêmico); - Em geral são leves, 3-7 evacuações diárias, perda de menos
- Lembrar que é no delgado onde ocorre a de 1L;
absorção dos nutrientes → síndrome - A cólera é um exemplo mais grave:
disabsortiva; - Pode evacuar mais de 20x ao dia;
- Baixa: - Perder > 5L de fluido → desidratação, hipovolemia,
- Proveniente do cólon; choque, acidose metabólica...
- Pouco volume com alta frequência;
- Associada a tenesmo e urgência fecal
(irritação do reto);
- Também podemos classifica-las em relação ao mecanismo
fisiopatológico...
DIARREIA OSMÓTICA:
- Quando existe alguma substância osmoticamente ativa e não
absorvível pelo epitélio intestinal;
- Equilíbrio da osmolaridade em torno de 290mOsm/L;
- Principais exemplos:
- ingestão ou clister de sais de magnésio, sais de
fosfato, sorbitol, manitol, glicerina, lactulose;
- Deficiência da lactase: - Perante um paciente → Inflamatória ou não inflamatória?
- Tambem apresenta distensão abdominal; - Inflamatórias:
- Diarreia dos antibióticos: - Geralmente afetam o cólon → pouco volume, alta
- Geralmente é leve; frequencia, dor no QIE, tenesmo e urgência.
- Redução da flora colônica → prejuízo do
metabolismo dos carboidratos.
- Cessa com jejum!!!
- Absorção de eletrólitos está intacta → menos sódio e potássio
nas fezes → gap osmolar fecal elevado (> 125)
DIARREIA SECRETÓRIA NÃO INVASIVA
- Algum fator está estimulando a secreção ou inibindo a
absorção hidroeletrolítica;
- Geralmente uma toxina, droga ou substancia neuro-hormonal;
- laxativos estimulantes (fenoftaleína, bisacodil), bactérias
produtoras de toxinas (cólera), VIPoma, síndrome
carcinoide;
- Diarreia dos ácidos biliares:
- acontece toda vez que estas substâncias atingem o
cólon;
- provocam secreção de cloreto e água
- Não cessa com o jejum!!!
- Gap osmolar fecal baixo (< 50) pois há muito sódio e potássio
nas fezes;
DIARREIA INVASIVA OU INFLAMATORIA:
- A esteatorreia é confirmada pelo método quantitativo (> 6-7
TRATAMENTO: g/24h de gordura, medido pela coleta de fezes em 72h após
DIETA: refeições leves e de fácil digestão, manter ingestão de agua, uma dieta contendo 100 g de gordura).
manter aleitamento!!
HIDRATAÇÃO: DIARREIA INVASIVA OU INFLAMATÓRIA:
- Risco de desidratação é maior os extremos de idade; - As principais causas são: amebíase, doença inflamatória
- Sempre que possível → reidratação ORAL (soluções prontas intestinal, enterite eosinofílica, alergia à proteína do leite de
ou soro caseiro); vaca (“APLV” – comum em crianças pequenas), colite
- Funcionamento do soro caseiro: a glicose faz o sódio colágena e enterite actínica;
entrar na celula, e a água acompanha o sódio - A maioria apresenta exame de fezes positivo para leucócitos
- 1 litro de água filtrada ou fervida + 1 colher de café fecais ou lactoferrina;
(rasa) contendo sal de cozinha (3 g) + 1 colher de - O hemograma pode mostrar leucocitose ou eosinofilia.
sopa (rasa) contendo açúcar (20 g).
- Reidratação IV é reservada para os casos graves ou naqueles DIARREIA FUNCIONAL:
em que o paciente não tolera o uso da via oral --> Ringer - Síndrome do Intestino Irritável:
Lactato; - A maioria alterna diarreia com constipação;
AGENTES ANTIDIARREICOS: - Episodios frequentes de cólica abdominal;
- Só podem ser cogitados em quadros de diarreia não - Pseudodiarreia (< 200g de perda fecal diária);
inflamatória → maior chance de síndrome hemolítico-urêmica - Diarreia diabetica:
e megacólon tóxico. - Aumento da motilidade intestinal pela inibição dos
- Racecadotril, loperamida, bismuto; neurônios adrenérgicos;
PROBIÓTICO: DIARREIA CRÔNICA NA INFÂNCIA – PARTICULARIDADES
- são micro-organismos vivos que conferem benefício para a - Uma das principais causas é a doença celíaca;
saúde do hospedeiro; - Reações alimentares: reações tóxicas x reações não tóxicas
- Baixo risco de efeitos adversos; (quadros não imunomediados / intolerâncias alimentares e quadros
ANTIMICROBIANOS: imunomediados / alergias)
- Alguns pacientes com diarreia aguda devem receber
antibioticoterapia empírica; INTOLERÂNCIA À LACTOSE:
- As drogas de escolha são as fluoroquinolonas (ex.: • deficiência da lactase;
ciprofloxacina 500 mg 12/12h ou levofloxacina 500 mg 1x/dia • causas: primária (deficiência genética – congênita ou adquirida
por 3-5 dias); [hipolactasia do adulto]) x secundária (lesão de mucosa)
- Clínica:
DIARREIA CRÔNICA • diarreia, distensão abdominal com dor, flatulência, hiperemia
- Duração maior ou igual a 4 semanas; perianal;
- Grande numero de causas;
- A classificação em função do mecanismo fisiopatológico é - Avaliação complementar: o diagnóstico pode ser feito com a
preconizada. exclusão da lactose da dieta
• Teste do hidrogênio expiratório
DIARREIA OSMÓTICA: • Teste de absorção da lactose
- suspeitado quando os sintomas desaparecem no estado de
jejum (após uma noite de sono) e reaparecem após uma APLV:
refeição; • Mecanismos/manifestações:
- Uso de laxativos à base de magnésio, fosfato ou sulfato. o Mediados por IgE (urticária, anafilaxia)
- Deficiência de lactase (intolerância à lactose) primária ou ▪ Instalação aguda (minutos/horas)
secundária – neste caso, a diarreia é precipitada pela ingestão ▪ Avaliação pode incluir dosagem da IgE
de laticínios. sérica ou o teste da puntura;
- Ingestão de quantidades expressivas de sorbitol, presente em o Mistos (desordens eosinofílicas)
certos doces e gomas de mascar. o Não mediados por IgE (proctite, enterocolite, FPIES)
- Uso de lactulose ou manitol oral; ▪ Instalação mais insidiosa
▪ Teste de TPO: teste de provocação oral
DIARREIA SECRETÓRIA: (surgimento da manifestação após oferta do
- Síndrome do Cólera Pancreático (VIPoma): alimento suspeito)
- Produção excessiva do Peptídeo Intestinal Vasoativo • Clínica/tratamento:
(VIP) por tumores das ilhotas pancreáticas; o Esofagite eosinofílica: nem sempre tem relação com
- hipersecreção intestinal de água e eletrólitos; APLV
- Diarreia aquosa e volumosa; ▪ Lactentes e pre-escolares: semelhante a
- Hipocalemia e acidose metabólica (grandes perdas DRGE
fecais de potássio e bicarbonato); ▪ Escolares e adolescentes: disfagia e
- A retirada cirúrgica do tumor constitui a única chance impactação alimentar
de cura ▪ EDA: aneis concentricos, exsudatos, sulcos
- Síndrome carcinoide: ou estrias, fragilidade mucosa
- Produção de serotonina e outros mediadores por um ▪ Histopatológico: 15 ou mais eosinófilos por
tumor carcinoide; camo
- diarreia secretória, episódios de rubor facial e ▪ Tto: IBP + Dieta + Corticosteroides
taquicardia, broncoespasmo o Proctocolite alérgica:
▪ Ocorre mesmo em AME
DIARREIA DISABSORTIVA: ▪ Sangue nas fezes + criança bem
- perda ponderal e deficiências de múltiplos nutrientes, o Enterocolite:
especialmente ferro, ácido fólico, vitamina B12 e vitaminas ▪ Diarreia crônica + déficit de crescimento
lipossolúveis; ▪ Comum em pacientes com AMmiso
- As fezes são oleosas, grudam ou boiam no vaso, e são mal ▪ Tto: suspende leite de vaca da dieta
cheirosas; materna!
CONSTIPAÇÃO
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
- Acomete tanto crianças quanto adultos, especialmente
mulheres;
- Na maioria dos casos não se encontra causa orgânica →
“constipação intestinal funcional”;
- Não é uma doença, é um sintoma que pode indicar varias
doenças;
- O paciente pode estar querendo dizer que as fezes são muito
pequenas, muito duras, muito difíceis de serem expelidas, ou
que as evacuações são pouco frequentes, ou, ainda, que
persiste sensação de evacuação incompleta após a defecação.
- Definição: defecação insatisfatória caracterizada por
reduzido número de evacuações e dificuldade para
evacuar, pelo menos nos últimos 3 meses.
- fezes endurecidas ou em cíbalos;
- necessidade de esforço para evacuar;
- sensação de evacuação incompleta;
- sensação de obstrução anorretal; ou
- necessidade de usar manobras manuais para facilitar
a evacuação.
EPIDEMIOLOGIA
- Segunda queixa mais comum na gastro, atrás da dor
abdominal;
- Incidência aumenta após os 60 anos;
- Maior parte são mulheres;
- Etiologia multifatorial → Comorbidades, diminuição da
motilidade, defecação e medicamentos;
- Pessoas sedentárias têm maior dificuldade para evacuar e o
fazem com menor frequência.
ETIOPATOGENIA
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL PRIMÁRIA:
- provocada por situações inerentes aos hábitos de vida do pa-
ciente ou por outras circunstâncias, geralmente banais;
- Anatomia do órgão preservada;
- Ingesta alimentar inadequada: pouca fibra, desnutrição,
pouco líquido...
- Sedentarismo: a inatividade física, notadamente nos idosos,
associada à postura antifisio- lógica para defecar, colabora
para a ocorrência de constipação intestinal (+ fraqueza dos
músculos diafragmáticos, abdominais e pélvicos);
- Gravidez: progesterona + compressão pelo útero
- Perda do reflexo da evacuação;
- Posição;
- Viagens;
- Distúrbios psiquiátricos:
- Pouca disponibilidade de sanitários.
- Muitas vezes, são pacientes fóbicos e, nas suas
fantasias, creem ser portadores de grave doença
intestinal;
- Nos pacientes com anorexia nervosa, a reduzida
ingesta de água e alimentos é a causa da constipação
intestinal.
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL IDIOPÁTICA OU FUNCIONAL:
- Não há nenhuma alteração estrutural ou metabólica, nem
qualquer alteração na rotina diária;
- Geralmente é um problema crônico;
- Constipação intestinal com trânsito normal:
- ́ a forma mais comum na prática clínica;
- Transito e frequencia normais, mas sentem
dificuldade e/ou fezes endurecidas;
- Constipação intestinal com trânsito lento:
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL SECUNDÁRIA: - Lentidão pode ser devida a uma miopatia ou
- Ocasionada por doença sistêmica, por iatrogenia ou por neuropatia;
problemas psicossociais; - Defecação dissinérgica ou obstrutiva
- Doenças do cólon: - o que ocorre é uma contração da musculatura da
- Condições que provocam estreitamento ou bloqueio; pelve, em vez de relaxamento, durante a evacuação,
- A constipação intestinal, sobretudo se acompanha- da resultando em acúmulo do bolo fecal na região
de hemorragia, pode ser o primeiro sintoma de câncer retossigmoidiana
do cólon ou do reto.
- Compressão extrínseca → cistos ovarianos, miomas, DIAGNÓSTICO (orgânico → funcional → psicológico)
tumores da próstata; - Anamnese:
- Compressão intríiseca → hérnias, vólvulos e - Inicio dos sintomas, doenças congênitas, problemas
invaginação; emocionais, hábitos alimentares, sedentarismo...
- Dolicocólon → alongamento do intestino grosso, - A dor é mais comum nos quadrantes inferiores do
especialmente do cólon esquerdo e sigmoide; abdome e pode ser consequente à distensão dos
- Doença diverticular; cólons por gases ou por contrações prolongadas;
- Enfermidades neuromusculares → miopatias, - Exame físico:
distrofias, doenças escleroatróficas; - Frequentemente normal;
- Qualquer lesão do reto ou anus que provoque dor - O exame do abdome pode revelar distensão, hérnias,
durante a evacuação; massas palpáveis ou sinais de fecaloma;
- Doenças neurológicas: - Toque retal;
- Lesão de plexos nervosos; - Exames bioquímicos e microbiológicos (lembrar da ITU);
- Neuropatia autonômica; - Retossigmoidoscopia ou colonoscopia;
- Chagas → destruição dos plexos neuronais da - Enema opaco → afastar a possibilidade de um carcinoma;
musculatura lisa do intestino, especialmente o plexo - Avaliação funcional:
de Auerbach. - Determinação do tempo de transito colônico;
- Distúrbios endócrinos e metabólicos: - administração, por via oral, de um marcador
radiopaco;
- considera-se patológica a retenção de 20% do
contras- te ao final do 5o dia.
- TRÂNSITO NORMAL. Quando, ao final do - Ciclo vicioso: dor → comportamento de retenção → endurecimento das
5o dia, restaram menos de 20% dos fezes → mais dor;
marcadores no cólon. - Os critérios de roma IV são aplicados para crianças > 4 anos (controle
- TRÂNSITO LENTO OU INÉRCIA esfincteriano);
COLÔNICA. Observam-se, após o 5o dia, - O diagnóstico é clínico!
mais de 20% dos marcadores espalhados - Tratamento:
pelo cólon ou concentrados no cólon • Desimpactaçao: oral (PEG em doses altas) ou enema (via
ascendente. retal)
- PADRÃO OBSTRUTIVO. Retenção de mais • Laxativos de manutenção: polietilenoglicol
de 20% dos mar- cadores na região o Uma possibilidade é o óleo mineral, mas há grande
retossigmoidiana com um trânsito pratica- risco de aspiração → pneumonia lipoídica
mente normal no restante do cólon (contraindicado em menores de 2 anos e em crianças
com problema de deglutição)
• Hábitos
o Alimentares + treinamento de toilette (após as
refeições → reflexo gastrocólico)
o Adaptação do vaso sanitário
o Prática de atividade física
- Sinais de alarme: sinais de causa orgânica
- Manometria anorretal; • Constipação com inicio no primeiro mês de vida, atraso na
- Eletromiografia do cólon; eliminação do mecônio
- Eletormiografia do esfíncter anal; • Antecedente familiar de doença de hirschsprung (aganglionose
- Avaliação psicológica! intestinal congênita)
• Fezes com formato de fita
TRATAMENTO:
• Sangue nas fezes na ausência de fissura anal
- Medidas gerais:
• Déficit de crescimento
- Relação medico paciente, necessidade de adesão ao
• Febre, vômitos volumosos
tratamento, orientar quanto a variabilidade das
funções intestinais, rotina evacuatória... • Anormalidade na tireoide
- Ritualizar a defecação; • Alterações: distensão abdominal grave, fístula abdominal sinal
- Ingestão de líquidos; de disrafismo oculto...
- Postura no vaso sanitário;
- Tratar afecções anorretais; AGANGLIONOSE INTESTINAL CONGÊNITA:
- Prática de exercícios físicos; - Ausência de células ganglionares nos plexos nervosos de meissner e
- Evitar uso de laxantes; auerbach na parede intestinal;
- Aumentar teor de fibras; - Falha a migração dos neuroblastos da crista neural;
- Se as medidas gerais juntamente com a dieta não - Progride do final para o início do intestino;
alcança- rem efeitos satisfatórios, torna-se - Perde a capacidade de relaxamento das partes distais do intestino
necessária a prescrição de agentes laxativos: grosso (a região afetada fica estenótica) → Dilatação à montante;
- Chamada de “megacólon congênito” (a região dilatada é a região
SAUDÁVEL)
- Clinica:
• Atraso na eliminação de mecônio (após 48h de vida)
• Constipação nas primeiras semanas de vida
• Ampola retal vazia
• Fezes explosivas após o toque
• Clínica variável: depende do tamanho do seguimento
acometido
• Complicação:
o Enterocolite: diarreia explosiva, fétida, distensão
abdominal e vômitos
o Antes ou após a correção cirúrgica
- Diagnóstico:
• Enema opaco: cone de transição + retenção tardia do
contraste;
• Manometria anorretal: introdução de sonda com balonete pelo
reto, insufla-se o balonete e mede a pressão do esfíncter →
reflexo reto-esfincteriano AUSENTE (ausência de reflexão do
esfíncter)
CONSTIPAÇÃO NA INFÂNCIA: • Biopsia retal: ausência de células ganglionares nos plexos de
- A principal forma é a funcional; meissner e auerbach
- Costuma aparecer ou no momento da introdução alimentar e/ou no - TTO: ressecção do segmento aganglionar
momento de adaptação esfincteriana;
CRITÉRIOS DE ROMA III
A. DISTÚRBIOS ESOFÁGICOS FUNCIONAIS * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
A1. Pirose funcional 6 meses antes do diagnóstico.
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: A2. Dor torácica funcional de presumível origem esofágica
1. Queimação ou dor retroesternal; 2. Falta de evidência de que o refluxo Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
gastroesofágico é a causa do sintoma; 3. Ausência de distúrbios da motilidade 1. Dor ou desconforto retroesternal que não é em queimação; 2. Falta de
esofágica baseados em alterações histopatológicas. evidência de que o refluxo gastroesofágico é a causa do sintoma; 3. Ausência de
distúrbios da motilidade esofágica baseados em alterações histopatológicas.
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
6 meses antes do diagnóstico. 6 meses antes do diagnóstico.
A3. Disfagia funcional B3c. Síndrome do vômito cíclico
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
1. A percepção da passagem dos alimentos, líquidos ou sólidos, ao longo do 1. Episódios de vômito que se repetem de forma semelhante, considerando-se o
esôfago. Na linguagem do paciente pode ser referido como alimento que tranca, início (agudo) e a duração (menos de 1 semana); 2. Três ou mais episódios
fica retido ou passa com dificuldade; 2. Falta de evidência de que o refluxo distintos no ano anterior; 3. Ausência de náusea e de vômito entre os episódios.
gastroesofágico é a causa do sintoma; 3. Ausência de distúrbios da motilidade Critérios de apoio
esofágica baseados em alterações histopatológicas. História ou histórico familiar de dores de cabeça tipo enxaqueca.
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos B4. Síndrome da ruminação em adultos
6 meses antes do diagnóstico. Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
A4. Globus 1. Regurgitação persistente ou recorrente do alimento recém-ingerido à boca,
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: sendo subsequentemente cuspido ou remastigado e engolido; 2. A regurgitação
1. Sensação não dolorosa persistente ou intermitente de presença de um nó não é precedida por esforço de vômito.
("bola"ou "bolo") ou de um corpo estranho na garganta; 2. Ocorrência da Critérios de apoio
sensação entre as refeições; 3. Ausência de disfagia ou de odinofagia; 4. Falta 1. Os episódios de regurgitação geralmente não são precedidos de náusea; 2.
de evidência de que o refluxo gastroesofágico é a causa do sintoma; 5. Ausência Interrupção do processo quando o material regurgitado se torna ácido; 3. A
de distúrbios da motilidade esofágica baseados em alterações histopatológicas. regurgitação contém alimentos que são reconhecidos e cujo sabor é agradável.
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
6 meses antes do diagnóstico. 6 meses antes do diagnóstico.
B. DISTÚRBIOS GASTRODUODENAIS FUNCIONAIS C. DISTÚRBIOS INTESTINAIS FUNCIONAIS
B1. Dispepsia funcional
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: C1. Síndrome do intestino irritável
1. Um ou mais dos itens a seguir: a. sensação incômoda de plenitude pós- Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
prandial; b. saciedade precoce c. dor epigástrica d. queimação epigástrica 2. Dor ou desconforto abdominal recorrente** pelo menos 3 dias/mês, nos últimos
Nenhuma evidência de doença estrutural (presente na endoscopia do trato 3 meses, associada com dois ou mais dos seguintes:
digestivo superior) que seja capaz de explicar os sintomas 1. Melhora com a defecação; 2. Início associado com mudança na frequência das
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos evacuações; 3. Início associado com mudança no formato (aparência) das fezes.
6 meses antes do diagnóstico. * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
B1a. Síndrome do desconforto pós-prandial 6 meses antes do diagnóstico. ** "Desconforto" significa uma sensação
Os critérios* diagnósticos devem incluir um ou ambos os itens a seguir: desconfortável não descrita como dor. Recomenda-se que, para uma pessoa
1. Sensação incômoda de plenitude pós-prandial que ocorre após refeições possa participar e ser incluida nos protocolos de pesquisas de fisiopatologia e em
habituais, pelo menos várias vezes na semana; 2. Saciedade precoce que estudos clínicos, tenha frequência de dor/desconforto de ao menos 2 dias por
impede finalizar uma refeição comum, pelo menos várias vezes na semana. semana durante o período de avaliação.
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
6 meses antes do diagnóstico. C2. Estufamento/Empachamento funcional
Critérios de apoio Os critérios* diagnósticos devem incluir os dois itens a seguir:
1. Empachamento/estufamento abdominal superior ou náusea pós-prandial ou 1. Sensação recorrente de estufamento/empachamento ou distensão visível por
eructação excessiva podem estar presentes; 2. Síndrome da dor epigástrica pode pelo menos 3 dias/mês em 3 meses 2. Critérios insuficientes para diagnóstico de
coexistir. dispepsia funcional, síndrome do intestino irritável ou outro distúrbio
B1b. Síndrome da dor epigástrica gastrointestinal funcional
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
1. Dor ou queimação localizada no epigástrio com intensidade moderada, pelo 6 meses antes do diagnóstico.
menos uma vez por semana; 2. A dor é intermitente; 3. Não é generalizada ou
localizada para outras regiões do abdome ou do tórax; 4. Não é aliviada com a C3. Constipação funcional
defecação ou por flatulência; 5. Não preenche os critérios para os distúrbios da Os critérios* diagnósticos devem incluir:
vesícula e do esfíncter de Oddi. 1. Dois ou mais dos seguintes: a. Esforço evacuatório durante pelo menos 25%
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos das defecações; b. Fezes grumosas ou duras em pelo menos 25% das
6 meses antes do diagnóstico. defecações; c. Sensação de evacuação incompleta em pelo menos 25% das
Critérios de apoio defecações; d. Sensação de obstrução/bloqueio anorretal das fezes em pelo
1. A dor pode ser em queimação, mas sem um componente retroesternal; 2. A menos 25% das defecações; e. Manobras manuais para facilitar pelo menos 25%
dor é comumente induzida ou aliviada pelas refeições, mas pode ocorrer também das defecações (por exemplo, evacuação com ajuda digital, apoio do assoalho
durante o jejum; 3. A síndrome do desconforto pós-prandial pode coexistir pélvico); f. Menos de três evacuações por semana. 2. Fezes moles estão
B2. Distúrbios da eructação raramente presentes sem o uso de laxantes; 3. Critérios insuficientes para SII.
B2a. Aerofagia * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: 6 meses antes do diagnóstico.
1. Aerofagia repetitiva e incômoda pelo menos várias vezes na semana; 2.
Engolir o ar de modo que possa ser objetivamente observado ou medido. C4. Diarreia funcional
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos Critérios diagnósticos*
6 meses antes do diagnóstico. Fezes moles ou aquosas sem dor, ocorrendo em pelo menos 75% das
B2b. Eructação excessiva inespecífica evacuações.
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
1. Aerofagia repetitiva e incômoda pelo menos várias vezes na semana; 2. Não 6 meses antes do diagnóstico
há evidências de que engolir ar em excesso seja a causa do sintoma.
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos C5. Distúrbio intestinal funcional inespecífico
6 meses antes do diagnóstico. Critérios diagnósticos*
B3. Distúrbios da náusea e do vômito Sintomas intestinais não atribuíveis a uma etiologia orgânica e que não
B3a. Náusea idiopática crônica preenchem critérios para as categorias definidas previamente.
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
1. Náusea significativa, ocorrendo pelo menos algumas vezes na semana; 2. 6 meses antes do diagnóstico.
Habitualmente não está associada com vômito; 3. Ausência de anormalidades
na endoscopia digestiva superior ou doença metabólica que explique a náusea. D. DOR ABDOMINAL FUNCIONAL
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos D. Síndrome da dor abdominal funcional
6 meses antes do diagnóstico. Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
B3b. Vômito funcional 1. Dor abdominal contínua ou quase contínua; 2. Ausência ou relacionamento
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: somente ocasional de dor com eventos fisiológicos (por exemplo, alimentação,
1. Cerca de um ou mais episódios de vômito por semana; 2. Ausência de critério defecação ou menstruação); 3. Alguma diminuição no funcionamento diário; 4. A
para distúrbio alimentar, ruminação ou distúrbio psiquiátrico maior de acordo com dor não é dissimulada (por exemplo, fingir-se de doente); 5. Sintomas
o DSM-IV; 3. Ausência de vômito auto-induzido, uso crônico de canabinoide, insuficientes para atingir o critério para outro distúrbio gastrointestinal funcional
ausência de anormalidades no sistema nervoso central ou doenças metabólicas que explicariam a dor abdominal.
que expliquem o vômito recorrente. * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
6 meses antes do diagnóstico.
1. Dor ou dolorimento retal crônico ou recorrente; 2. Episódios devem durar 20
E. DISTÚRBIOS FUNCIONAIS DA VESÍCULA BILIAR E DO ESFÍNCTER DE minutos ou mais; 3. Exclusão de outras causas de dor retal, tais como isquemia,
ODDI doença inflamatória intestinal, criptite, abscesso intramuscular, fissura anal,
E. Distúrbios funcionais da vesícula biliar e do esfíncter de Oddi hemorroida, prostatite e coccigodínia
Critérios diagnósticos* devem incluir episódios de dor localizada no epigástrico * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
e/ou quadrante superior direito e todos os seguintes: 6 meses antes do diagnóstico. A proctalgia crônica deve ser a seguir
1. Episódios com duração de 30 minutos ou mais; 2. Sintomas recorrentes caracterizada comoSíndrome do Elevador do Ânus ou como dor anorretal
ocorrendo em diferentes intervalos de tempo (não diariamente); 3. A dor aumenta inespecífica, baseada no exame digital retal.
até chegar a um nível que se mantém constante; 4. A dor é de moderada a grave, F2a1. Síndrome do elevador do ânus
suficiente para interromper as atividades cotidianas do paciente ou levá-lo a Critério diagnóstico;
buscar por ajuda em serviço de emergência; 5. A dor não é aliviada pelas Critérios de sintomas para proctalgia crônica e desconforto doloroso durante
evacuações; 6. A dor não é aliviada por alteração postural; 7. A dor não é aliviada tração posterior no músculo puborretal.
com antiácidos; 8. Exclusão de outras doenças estruturais que explicariam os F2a2. Dor anorretal funcional inespecífica
sintomas. Critério diagnóstico:
Critério de apoio Critérios de sintoma para proctalgia crônica, mas sem desconforto doloroso
A dor pode apresentar com um ou mais dos seguintes itens: durante a tração posterior no músculo puborretal.
1. Estar associada com náusea e vômito; 2. Irradiar para as costas e/ou para a F2b. Proctalgia fugaz
região subescapular direita; 3. Despertar do sono no meio da noite. Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
E1. Distúrbio funcional da vesícula biliar 1. Episódios recorrentes de dor localizada no ânus ou no reto baixo; 2. Os
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: episódios duram de segundos a minutos; 3. Ausência de dor anorretal entre os
1. Critério para distúrbio funcional da vesícula biliar e do esfíncter de Oddi; 2. A episódios; Para propósitos de pesquisa, os critérios devem ser preenchidos por
vesícula biliar está presente; 3. Enzimas hepáticas, bilirrubina conjugada e 3 meses; entretanto, o diagnóstico clínico e a avaliação devem ter sido feitos
amilase/lipase normais. antes de 3 meses.
E2. DISTÚRBIO FUNCIONAL DO ESFÍNCTER DE ODDI BILIAR F3. Distúrbios funcionais da defecação
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir: Critérios diagnósticos*
1. Critério para distúrbio funcional do esfíncter de Oddi; 2. Amilase/lipase 1. O paciente deve satisfazer os critérios diagnósticos para constipação
normais. funcional**; 2. Durante tentativas repetidas de defecar deve haver pelo menos
Critério de apoio dois dos seguintes itens: a. Evidência de incapacidade de evacuação, baseada
Elevação temporária de transaminases, fosfatase alcalina ou bilirrubina no teste de expulsão do balão ou por exames de imagem; b. Contração
conjugada séricas, relacionada a, pelo menos, dois episódios de dor. inadequada dos músculos do assoalho pélvico (por exemplo, do esfíncter anal
E3. Distúrbio funcional do esfíncter de Oddi pancreático ou do puborretal) ou menos de 20% de relaxamento da pressão esfincteriana de
Os critérios* diagnósticos devem incluir ambos os itens a seguir: repouso, avaliada por manometria, exame de imagem ou eletromiografia (EMG);
1. Critérios para distúrbios funcionais da vesícula e do esfíncter de Oddi; 2. c. Força propulsiva evacuatória inadequada, avaliada por manometria ou exames
Amilase/lipase elevadas. de imagem;
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses com início dos sintomas pelo menos
F. DISTÚRBIOS FUNCIONAIS ANORRETAIS 6 meses antes do diagnóstico.
F1. Incontinência fecal funcional ** Critério diagnóstico para constipação funcional:
Critérios diagnósticos*: (1) Deve incluir dois ou mais dos seguintes itens: (a) esforço evacuatório
1. Eliminação recorrente e descontrolada de material fecal em indivíduo com aumentado durante pelo menos 25% das defecações, (b) Fezes grumosas ou
desenvolvimento correspondente a, pelo menos, 4 anos de idade associada a duras em pelo menos 25% das defecações, (c) Sensação de evacuação
um ou mais dos itens a seguir: a. Funcionamento anormal dos músculos incompleta em pelo menos 25% das defecações, (d) Sensação de obstrução
esfincterianos, normalmente enervados e estruturalmente intactos; b. Discreta /bloqueio anorretal em pelo menos 25% das defecações, (e) Manobras manuais
anormalidade estrutural e/ou enervação da musculatura esfincteriana; c. Hábito para facilitar pelo menos 25% das defecações (por exemplo, evacuação com
intestinal normal ou alterado (por exemplo, retenção fecal ou diarréia); d. Causas ajuda digital, apoio do assoalho pélvico), (f) Menos de três defecações por
psicológicas. 2. Exclusão de todos os itens seguintes: a. Enervação anormal semana. (2) Fezes moles raramente estão presentes sem o uso de laxantes. (3)
causada por lesão(ões) no cérebro (por exemplo, demência), na medula Existem critérios insuficientes para síndrome do intestino irritável.
espinhal, ou na inervação sacral, ou lesões mistas (por exemplo, esclerose F3a. Defecação dissinérgica
múltipla), ou como parte de neuropatia generalizada periférica ou autonômica Critério diagnóstico*
(por exemplo, em decorrência de diabetes); b. Anormalidades da função Contração inapropriada dos músculos do assoalho pélvico ou menos de 20% de
esfincteriana anal associadas com uma doença sistêmica (por exemplo, relaxamento da pressão esfincteriana basal em repouso, com força propulsiva
esclerodermia); c. Anormalidades estruturais ou neurogênicas creditadas como adequada durante tentativa de evacuação
causa mais importante ou primária da incontinência fecal; F3b. Propulsão defecatória inadequada
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses. Critério diagnóstico*
F2. Dor anorretal funcional Força propulsiva inadequada com ou sem contração inapropriada ou menos de
F2a. Proctalgia crônica 20% de relaxamento esfincteriano anal durante tentativa de defecação.
Os critérios* diagnósticos devem incluir todos os itens a seguir:
CRITÉRIOS DE ROMA IV
1. Náuseas e Vômitos funcionais
1A– Síndrome dos Vômitos Cíclicos (SVC)
1B- Náusea Funcional e Vômito Funcional
1C- Síndrome da Ruminação
1D- Aerofagia
4C- Enxaqueca Abdominal (EA)
2. Regurgitação do Lactente
3. Cólica do Lactente 4D- Dor abdominal funcional inespecífica (DAFI)
4. Transtornos da Dor Abdominal Funcional
4A- Dispepsia Funcional (DF)
5. Transtornos Funcionais da Evacuação
5A- Constipação Funcional (CF)
5B-Incontinência Fecal Não Retentora (IFNR)
4B- Síndrome do Intestino Irritável (SII)