Fichamento – Apologia da História ou o Ofício de Historiador
Autor: Marc Bloch
Tema: Epistemologia da História – Reflexão sobre o ofício do historiado
Ideias Centrais
1. O Ofício do Historiador
História não é apenas cronologia de fatos, mas análise dos fenômenos humanos no
tempo.
A História é uma ciência com método, que exige rigor, crítica e questionamento
constante.
2. O Objeto da História
A História estuda os homens no tempo, suas ações, mentalidades, instituições e
transformações.
Não se limita a acontecimentos políticos, mas abrange aspectos sociais, culturais,
econômicos e psicológicos.
3. Método Histórico
A pesquisa histórica é fundamentada em perguntas bem formuladas.
As fontes não "falam por si": é o historiador quem interroga os documentos com
questões específicas.
4. Crítica às Fontes
A análise crítica das fontes é essencial: quem produziu, quando, para que fim e com
qual intenção.
A História não trabalha com a "verdade absoluta", mas com reconstruções
fundamentadas.
5. Interdisciplinaridade
O historiador deve dialogar com outras ciências (sociologia, geografia, psicologia,
economia).
Defende uma História aberta, plural, que utiliza métodos diversos para compreender
o passado.
Conteúdos Complementares
Introdução: A Busca pelo Sentido da História
Marc Bloch inicia questionando: "Para que serve a História?"
Crítica às concepções antiquadas da História como simples narração de grandes
feitos.
O Tempo na História
A História se organiza em múltiplas temporalidades:
○ Curta duração: eventos, datas, acontecimentos.
○ Média duração: conjunturas econômicas, sociais.
○ Longa duração: estruturas mentais, culturais, civilizatórias.
A Análise dos Fatos
O historiador deve evitar o anacronismo — interpretar o passado com os olhos do
presente.
Nenhum fato histórico é isolado; tudo está interligado.
Testemunhos e Documentos
O documento não é a História, mas um vestígio, uma pista.
"O documento é um vestígio deixado pelo passado e interpretado pelo historiador."
A Cooperação Científica
A História deve trabalhar em colaboração com outras disciplinas.
O conhecimento histórico enriquece e é enriquecido pelos avanços de outras
ciências.
O Papel da Memória
Memória e História são distintas:
Memória: subjetiva, afetiva, seletiva.
História: busca objetiva, crítica, controlada pela metodologia científica.
O Compromisso Ético
A História tem um papel social: ajuda a compreender a sociedade, a combater
preconceitos e falsificações.
Frases-Chave
"A ignorância do passado não se limita a prejudicar o conhecimento do presente:
compromete, no presente, a ação."
"O historiador é, por natureza, desconfiado."
"A História é a ciência dos homens no tempo."
Conclusão
Marc Bloch defende uma História viva, crítica, científica e comprometida com a
compreensão da humanidade.
O ofício do historiador é, antes de tudo, um exercício de questionamento, rigor
metodológico e busca incessante pela compreensão do passado para iluminar o
presente.
Resumo
Marc Bloch reflete sobre a definição e a função da história. Ele começa questionando: "Para
que serve a história?", deixando claro que essa dúvida não é só dos leigos, mas também
dos próprios historiadores.
Bloch destaca que a história não se limita ao estudo do passado distante, mas sim à
compreensão dos homens em qualquer tempo. Para ele, a história é a ciência dos homens
no tempo, e não simplesmente dos fatos ou dos eventos isolados. Ela busca compreender
as relações humanas, as transformações, as permanências e a dinâmica social.
Ele também discute a importância da crítica às fontes, mostrando que o trabalho do
historiador é muito mais do que apenas colecionar documentos: é analisá-los, interpretá-los
e compreendê-los dentro do seu contexto.
Bloch enfatiza ainda que a história é uma ciência viva, que dialoga com outras ciências,
como a sociologia, a geografia, a economia e a psicologia. O historiador, portanto, deve ser
curioso, crítico e sempre disposto a aprender com outros campos do saber.
Por fim, o capítulo reforça que o ofício do historiador exige não só técnica, mas também
sensibilidade, imaginação controlada e rigor metodológico.
Fichamento - Fontes Históricas
Conceito de Fonte Histórica
Fontes históricas são vestígios, registros ou evidências do passado que permitem
aos historiadores construir o conhecimento histórico.
Podem ser materiais, imateriais, orais, escritas, visuais, sonoras ou digitais.
Classificação das Fontes Históricas
1. Fontes Materiais
Objetos, construções, utensílios, ferramentas, vestimentas.
Permitem entender costumes, economia e tecnologia de épocas passadas.
2. Fontes Orais
Relatos, depoimentos, memórias.
Importantes para grupos sem tradição escrita.
Complementam fontes escritas.
3. Fontes Escritas
Documentos, cartas, jornais, leis, livros, diários.
Mais tradicionais e amplamente usadas na historiografia.
4. Fontes Iconográficas
Pinturas, fotografias, desenhos, esculturas.
Revelam aspectos culturais, estéticos e sociais.
5. Fontes Sonoras
Gravações, músicas, discursos, entrevistas.
Auxiliam na compreensão de contextos culturais e sociais.
6. Fontes Digitais
Registros da internet, mídias sociais, e-mails, bancos de dados digitais.
Desafio contemporâneo para a preservação e análise.
Importância das Fontes
● Sem fontes, não há história, apenas suposições.
● A análise crítica das fontes permite:
○ Compreender intencionalidades.
○ Identificar manipulações.
○ Contextualizar informações.
Crítica das Fontes (Método Crítico)
● Processo de seleção, verificação e interpretação das fontes.
● Dividida em:
○ Crítica Externa: Avalia autenticidade, material, origem.
○ Crítica Interna: Analisa conteúdo, intencionalidade, veracidade e coerência.
Desafios da Análise Histórica
Nem sempre as fontes são imparciais.
A ausência de fontes sobre determinados grupos (ex.: populações marginalizadas)
gera lacunas.
Crescimento das fontes digitais traz novos desafios metodológicos.
Síntese Essencial
Fontes são essenciais para a produção histórica.
A crítica das fontes (interna e externa) é central para garantir rigor histórico.
A diversidade de fontes amplia a visão do passado e permite incluir grupos antes
invisibilizados.
Resumo
Fontes históricas são registros, vestígios ou evidências do passado que permitem aos
historiadores reconstruir e interpretar os acontecimentos históricos. Elas podem ser
materiais (objetos, construções, ferramentas), orais (depoimentos, relatos), escritas
(documentos, cartas, livros, leis), iconográficas (fotografias, pinturas, gravuras), sonoras
(gravações, músicas, discursos) e digitais (registros da internet, mídias sociais, bancos de
dados).
O uso das fontes exige uma análise crítica, dividida em crítica externa (verificação da
autenticidade, origem e material) e crítica interna (interpretação do conteúdo, intenções e
coerência das informações).
As fontes são fundamentais para a construção do conhecimento histórico. Entretanto, o
historiador enfrenta desafios, como a ausência de registros sobre determinados grupos e a
adaptação às novas fontes digitais. A análise correta das fontes permite compreender o
passado de forma mais ampla, crítica e inclusiva.
Fichamento: "A Historiografia e os Conceitos
Relacionados ao Tempo"
1. Tema Central
Discussão sobre a construção do conhecimento histórico.
Relação da historiografia com os conceitos de tempo e suas transformações.
2. Ideias Centrais
Historiografia: Ciência que estuda como a história é escrita. Analisa métodos,
fontes, narrativas e interpretações ao longo do tempo.
Conceito de Tempo na História: O tempo não é apenas cronológico (sequência
linear de datas), mas também experiencial, simbólico e construído socialmente.
Ruptura com o Positivismo: A partir do século XX, a história deixa de ser apenas
narrativa factual para se tornar uma interpretação dos processos sociais, culturais e
econômicos.
Tempo Histórico: Não é linear nem absoluto. É múltiplo, relativo e pode ser
analisado em três dimensões (segundo Fernand Braudel):
○ Tempo curto: Eventos (acontecimentos).
○ Tempo médio: Conjunturas (períodos de transformações).
○ Tempo longo: Estruturas (mudanças lentas, quase imperceptíveis).
História como Construção: O historiador não reproduz o passado; ele o reconstrói
a partir de vestígios, fontes e interpretações.
3. Conceitos Importantes
Memória x História: A memória é subjetiva, coletiva, viva e seletiva. A história
busca uma análise crítica, com método, distanciamento e fundamentação em fontes.
Fontes Históricas: Podem ser materiais (documentos, objetos), orais (relatos),
visuais (imagens) e digitais. Todas exigem crítica e interpretação.
Subjetividade do Historiador: Não existe neutralidade. Todo historiador é produto
do seu tempo, influenciado por sua cultura, sociedade e contexto.
História e Multitemporalidade: Na sociedade coexistem diferentes tempos —
arcaico, moderno e contemporâneo —, dependendo do grupo social ou cultura.
Desafios da Historiografia Contemporânea: Necessidade de lidar com novas
fontes, tecnologias, memórias múltiplas e narrativas diversificadas.
4. Citações-Chave
"O tempo histórico é um tempo vivido, carregado de sentidos, múltiplo e
descontínuo."
"A história é sempre uma interpretação do passado feita no presente."
5. Aplicações para o Estudo
Compreender que estudar história vai além de decorar datas.
Refletir sobre como as interpretações do passado influenciam o presente.
Analisar criticamente fontes e discursos históricos.
Resumo
O texto aborda a historiografia como campo que investiga os modos de construção do
conhecimento histórico. Ao longo do tempo, a visão sobre o passado deixou de ser apenas
cronológica e factual (como no positivismo) para se tornar interpretativa, considerando os
contextos culturais, sociais e econômicos.
O conceito de tempo na história é central: não se resume a uma sequência linear de datas,
mas envolve diferentes ritmos e durações. Fernand Braudel propôs uma visão tripartida do
tempo histórico — curto (eventos), médio (conjunturas) e longo (estruturas) — que permite
compreender a complexidade das transformações humanas.
O historiador, ao lidar com fontes, assume uma posição ativa, interpretando vestígios do
passado a partir das demandas do presente. A história, portanto, não é uma reprodução fiel
dos fatos, mas uma construção elaborada com base em fontes, métodos e subjetividades.
Por fim, o texto evidencia que a historiografia contemporânea enfrenta o desafio de lidar
com uma multiplicidade de memórias, fontes digitais e diferentes percepções de tempo,
exigindo dos historiadores uma postura crítica, reflexiva e metodologicamente rigorosa.
FICHAMENTO – Tempo na História
Tema Central:
O tempo como conceito fundamental e irredutível da História, diferenciando-a das demais
ciências humanas.
Ideias Centrais
Tempo:
Elemento irredutível da História. Sem ele, a História perde sua especificidade como
saber.
Fontes Históricas:
São necessárias justamente porque o historiador trabalha com o tempo — seja
passado ou presente.
Temporalidade:
Percepção e organização do tempo pelas sociedades. Permite dividir o tempo em
períodos (Antiguidade, Idade Média, etc.) para torná-lo inteligível.
Duração:
Conceito elaborado por Henri Bergson e aplicado à História por Fernand Braudel.
Refere-se à velocidade e ao ritmo das transformações no tempo.
Multiplicidade das Durações:
O tempo histórico não é único nem homogêneo. Há ritmos diferentes coexistindo:
○ Curta duração: eventos rápidos (guerras, eleições).
○ Média duração: processos econômicos, sociais.
○ Longa duração: estruturas de mentalidades, cultura, geografia.
Arquitetura do Tempo:
Metáfora de Krysztof Pomian, que entende o tempo como uma construção
complexa, com vários níveis e durações interligadas.
Evento, Processo e Estrutura:
○ Evento: Acontecimento pontual, que é narrado.
○ Processo: Sequência de mudanças, que combina narrativa e descrição.
○ Estrutura: Elemento de longa duração, que é descrito.
Ruptura e Continuidade:
Comparar diferentes períodos permite identificar o que muda (ruptura) e o que
permanece (continuidade ou permanência).
Koselleck:
Analisa como diferentes sociedades percebem o tempo, relacionando o campo de
experiência (passado) e o horizonte de expectativa (futuro).
Questão Filosófica:
O tempo é algo externo ao homem (objetivo) ou uma criação humana (subjetivo)?
Tema de debate constante na Filosofia e na História.
Conceitos Fundamentais
Conceito Definição
Tempo: Elemento central da História; define sua especificidade.
Temporalidade: Forma como diferentes sociedades percebem e organizam o
tempo.
Duração: Ritmo das transformações no tempo (longa, média e curta
duração).
Evento: Fato isolado e pontual (ex.: guerra, revolução).
Processo: Conjunto de mudanças interligadas e progressivas (ex.:
industrialização).
Estrutura: Elementos de longa duração, resistentes ao tempo (ex.:
mentalidades, geografia, cultura).
Ruptura: Mudança brusca que quebra uma continuidade (ex.: Revolução
Francesa).
Continuidade: Permanência de certos elementos ao longo do tempo (ex.:
tradições culturais).
Devir: A percepção do tempo como fluxo, movimento constante.
Koselleck: Campo da experiência (passado) e horizonte de expectativa
(futuro).
Arquitetura do Imagem proposta por Pomian para descrever como diferentes
Tempo: durações se articulam na História.
RESUMO
O tempo é o conceito mais fundamental da História, sendo o que a distingue das demais
ciências humanas. A necessidade de trabalhar com fontes históricas decorre da própria
relação da História com o tempo, seja ele passado ou presente.
Para dar inteligibilidade ao tempo, os historiadores constroem temporalidades, como
Antiguidade, Idade Média ou Contemporaneidade. Isso é uma forma de "territorializar" o
tempo.
O conceito de duração, formulado por Henri Bergson e aplicado à História por Fernand
Braudel, permite entender que os processos históricos se movem em ritmos diferentes:
● Curta duração: eventos imediatos.
● Média duração: processos sociais e econômicos.
● Longa duração: estruturas culturais, mentais e geográficas.
A História não é uma linha contínua, mas sim uma arquitetura de tempos sobrepostos,
como defende Krysztof Pomian. Há tensões entre ruptura e continuidade, entre o que
muda e o que permanece.
Reinhart Koselleck contribui ao demonstrar que as sociedades vivem entre o campo da
experiência (passado) e o horizonte de expectativa (futuro), moldando suas percepções
do tempo.
Por fim, permanece aberta a grande questão filosófica: o tempo seria algo externo, objetivo,
ou uma criação humana, subjetiva? Esse questionamento continua sendo central tanto para
historiadores quanto para filósofos