TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
No estudo da Termodinâmica dos Gases Perfeitos, encontramos cinco transformações particulares que
devem ser analisadas com mais detalhes: a isotérmica, a isométrica, a isobárica, a adiabática e a
cíclica.
1- TRANSFORMAÇÃO ISOTÉRMICA
Nas transformações isotérmicas, a temperatura do sistema gasoso mantém-se constante e, em
consequência, a variação de sua energia interna é nula (ΔU=0). Lembre-se de que a energia interna de um
gás perfeito é função de sua temperatura absoluta U = 3/2( nRT).
Aplicando a equação da 1a Lei da Termodinâmica a essa transformação, temos:
ΔU = Q - Wgás
0 = Q - Wgás
Q = Wgás
Isso significa que o calor e o trabalho trocados com o meio externo são iguais.
Esse fato indica duas possibilidades:
a) Se o sistema gasoso recebe calor (Q > 0), essa energia é
integralmente utilizada na realização de trabalho (Wgás > 0).
b) Se o sistema gasoso recebe trabalho (Wgás < 0), ele cede
para o meio externo igual quantidade de energia em forma de
calor (Q < 0).
É importantíssimo observar que a temperatura do gás não varia em uma transformação
isotérmica, mas ele troca calor com o meio externo.
TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
2- TRANSFORMAÇÃO ISOMÉTRICA
Nas transformações isométricas (também denominadas isovolumétricas, ou ainda isocóricas), o volume do
gás mantém-se constante e, em consequência, o sistema não troca trabalho com o meio externo
(Wgás=0). Portanto, nesse tipo de transformação o sistema não realiza nem recebe trabalho. Utilizando a
equação da 1a Lei da Termodinâmica, obtemos:
ΔU = Q - Wgás
ΔU = Q - 0
ΔU = Q
Isso significa que a variação de energia interna sofrida pelo sistema gasoso é igual ao calor trocado com o
meio externo.
Temos, então, duas situações a considerar:
a) Se o sistema gasoso recebe calor (Q>0), sua
energia interna aumenta (ΔU > 0) em igual
valor.
b) Se o sistema gasoso cede calor (Q<0), sua
energia interna diminui (ΔU < 0) em igual valor.
TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
3- TRANSFORMAÇÃO ISOBÁRICA
Nas transformações isobáricas, a pressão do sistema gasoso mantém-se constante. Dessa forma, a análise
do que ocorre é feita pela Equação de Clapeyron (é bom lembrar que estamos utilizando o gás perfeito
como sistema físico intermediário):
p.V = n.R. T
Note que o volume (V) do gás varia na razão direta da temperatura absoluta (T), já que as demais
grandezas permanecem constantes nessa transformação.
Há, então, duas situações a considerar:
a) Quando a temperatura absoluta do sistema aumenta, seu volume também aumenta. Isso significa que
sua energia interna aumenta (ΔU > 0) e que o sistema realiza trabalho (Wgás > 0). É evidente que toda essa
energia entra no sistema na forma de calor.
ΔU = Q - Wgás ou Q = Wgás + ΔU
b) Quando a temperatura absoluta do sistema diminui, seu volume também diminui. Isso significa que sua
energia interna diminui (ΔU < 0) e que o sistema recebe trabalho (Wgás < 0). É evidente que toda essa
energia sai do sistema na forma de calor.
ΔU = Q - Wgás ou Q = Wgás + ΔU
TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
4- TRANSFORMAÇÃO ADIABÁTICA
Nas transformações adiabáticas, não há troca de calor entre o sistema e o meio externo. Dessa forma, toda
a energia recebida ou cedida pelo sistema ocorre por meio de trabalho. Da equação da 1a Lei da
Termodinâmica, sendo Q=0, temos:
ΔU = Q - Wgás
ΔU = 0 - Wgás
ΔU = - Wgás
Isso significa que o módulo da variação de energia interna sofrida pelo sistema é igual ao módulo do
trabalho que o sistema troca com o meio externo.
Assim, temos duas situações a considerar:
a) Quando o sistema recebe trabalho (Wgás < 0), sua energia interna aumenta (ΔU > 0) em igual valor.
b) Quando o sistema realiza trabalho (Wgás > 0), ele o faz retirando essa energia da própria energia interna,
que diminui (ΔU < 0).
TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
5- TRANSFORMAÇÃO CÍCLICA
Mais adiante veremos que, nas máquinas térmicas (como, por exemplo, a máquina a vapor), os gases
sofrem transformações cíclicas. isso quer dizer que o gás sai de um estado inicial A, sofre várias
transformações e no final volta ao estado A.
Na figura abaixo vemos um exemplo de transformação cíclica: o gás sai do estado A, vai em seguida para os
estados B, C, D e E e, no final, volta ao estado A. Cada sequência desse tipo de transformação é chamada de
ciclo. Em um ciclo, o estado final coincide com o estado inicial e, portanto, a temperatura final coincide com
a temperatura inicial. Assim, de acordo com a lei de Joule, durante um ciclo a variação da energia interna é
nula:
ΔU = 0 (em cada ciclo)
Aplicando a primeira lei da Termodinâmica ao ciclo, temos:
ΔU = Q – W
Q= W (em cada ciclo)
TRANSFORMAÇÕES TERMODINÂMICAS
TRANSFORMAÇÃO ADIABÁTICA
Nas transformações adiabáticas, não há troca de calor entre o sistema e o meio externo. Dessa forma, toda
a energia recebida ou cedida pelo sistema ocorre por meio de trabalho. Da equação da 1a Lei da
Termodinâmica, sendo Q=0, temos:
ΔU = Q - Wgás
ΔU = 0 - Wgás
ΔU = - Wgás
Isso significa que o módulo da variação de energia interna sofrida pelo sistema é igual ao módulo do
trabalho que o sistema troca com o meio externo.
Assim, temos duas situações a considerar:
a) Quando o sistema recebe trabalho (Wgás < 0), sua energia interna aumenta (ΔU > 0) em igual valor.
b) Quando o sistema realiza trabalho (Wgás > 0), ele o faz retirando essa energia da própria energia interna,
que diminui (ΔU < 0).