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Informativo-08 2021

O STF decidiu que a Justiça Eleitoral é competente para julgar crimes comuns conexos a crimes eleitorais, permitindo que estados definam procedimentos para eleições indiretas. Além disso, a legitimidade dos conselhos seccionais da OAB para agir em defesa de seus associados foi reafirmada, assim como a impossibilidade de normas estaduais que ampliem o foro por prerrogativa de função. A decisão destaca a importância da transparência nas votações e a proteção das prerrogativas da advocacia.

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Informativo-08 2021

O STF decidiu que a Justiça Eleitoral é competente para julgar crimes comuns conexos a crimes eleitorais, permitindo que estados definam procedimentos para eleições indiretas. Além disso, a legitimidade dos conselhos seccionais da OAB para agir em defesa de seus associados foi reafirmada, assim como a impossibilidade de normas estaduais que ampliem o foro por prerrogativa de função. A decisão destaca a importância da transparência nas votações e a proteção das prerrogativas da advocacia.

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Informativo 08/2021 STF - Vacância e eleição indireta

para governador e vice-


governador.
DIREITO CONSTITUCIONAL
Os estados-membros, no
STF - Crime conexo: prescrição exercício de suas autonomias,
do crime eleitoral e podem adotar o modelo federal
competência da Justiça previsto no art. 81, § 1º, da
Eleitoral para julgar crime Constituição, cuja reprodução,
comum. contudo, não é obrigatória.
Os estados-membros não estão
A Justiça Eleitoral é competente sujeitos ao modelo
para processar e julgar crime consubstanciado no art. 81 da
comum conexo com crime Constituição Federal (CF) (1),
eleitoral, ainda que haja o abrindo-se, desse modo, a
reconhecimento da prescrição da possibilidade de disporem
pretensão punitiva do delito normativamente, com fundamento
eleitoral. em seu poder de autônoma
Isso porque, fixada a competência deliberação, de maneira diversa
da Justiça Eleitoral por conexão (2).
ou continência, essa permanece No caso de dupla vacância,
para os demais feitos — mesmo faculta-se aos estados-membros,
quando não mais subsistirem ao Distrito Federal e aos
processos de sua competência municípios a definição legislativa
própria em razão de sentença do procedimento de escolha do
absolutória ou de desclassificação mandatário político.
da infração.
Isso porque essa prerrogativa não
Com base nesse entendimento, a se confunde com a competência
Segunda Turma, por maioria, deu privativa da União para legislar
provimento ao recurso ordinário sobre direito eleitoral [art. 22, I, da
para declarar a incompetência da CF (3)], apesar da indiscutível
Justiça comum estadual e natureza eleitoral do
determinar a remessa dos autos à procedimento de escolha do
Justiça Eleitoral. Vencidos o mandatário político, cujos
ministro Edson Fachin, que negou procedimentos devem observar,
provimento ao recurso e, tanto quanto possível, os
parcialmente, o ministro Nunes requisitos de elegibilidade e as
Marques que dele não conheceu. causas de inelegibilidade em
HC 177243/MG relação aos candidatos, dentre
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outras regras previstas na STF- Reclamação: legitimidade
legislação eleitoral. de conselho seccional da OAB,
No caso de realização de eleição “habeas corpus” de ofício,
indireta, a previsão normativa incompetência da Justiça
estadual de votação nominal e Federal e busca e apreensão.
aberta é compatível com a CF.
Os conselhos seccionais da
Por tratarem-se de votações
Ordem dos Advogados do Brasil
ocorridas no âmbito de órgãos
(OAB) possuem legitimidade para
legislativos, o dever de
ingressar com reclamação
transparência se sobrepõe ao
perante o Supremo Tribunal
sigilo do ato deliberativo. A
Federal (STF) em defesa dos
publicidade é a regra, sendo
interesses concretos e das
colocada como direito e
prerrogativas de seus associados,
ferramenta de controle social do
nos termos da expressa previsão
Poder Público.
legal.
Com base nesses entendimentos,
A Lei 8.906/1994 (Estatuto da
o Plenário julgou improcedente o
Advocacia) confere ampla
pedido formulado em ação direta
legitimidade à OAB para atuar em
de inconstitucionalidade.
defesa da ordem jurídica, do
(1) CF: “Art. 81. Vagando os Estado Democrático de Direito e
cargos de Presidente e Vice- de todos os advogados
Presidente da República, far-se-á integrantes dos seus quadros,
eleição noventa dias depois de conforme se observa do art. 44, I
aberta a última vaga. § 1º e II, do art. 49, parágrafo único, e
Ocorrendo a vacância nos últimos do art. 54, II e III, c/c o art. 57 (1).
dois anos do período presidencial, Essas normas estão em
a eleição para ambos os cargos consonância com a qualificação
será feita trinta dias depois da de função essencial à justiça
última vaga, pelo Congresso atribuída à advocacia pelo art. 133
Nacional, na forma da lei.” da Constituição Federal (CF) (2),
(2) Precedente citado: ADI 4.298 bem assim com o papel da OAB,
(3) CF: “Art. 22. Compete com ampla capacidade
privativamente à União legislar postulatória, conforme
sobre: I - direito civil, comercial, reconhecido pela jurisprudência
penal, processual, eleitoral, do STF (3).
agrário, marítimo, aeronáutico,
Diante de flagrante ilegalidade, é
espacial e do trabalho;”
possível a concessão de “habeas
ADI 1057/BA
corpus” de ofício em sede de
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reclamação constitucional, nos pagas pelos contribuintes e a elas
termos do art. 193, II, do repassadas imediatamente pela
Regimento Interno do STF Receita Federal. Portanto, mesmo
(RISTF) (4) e do art. 654, § 2º, do que esses recursos sejam
Código de Processo Penal (CPP) fiscalizados pelo Tribunal de
(5). Contas da União, não se trata de
Impende registrar a relevância do recursos que integram os bens ou
tema em discussão — o patrimônio da União. Ressalta-
notadamente por se relacionar às se que, para fins de subsunção à
funções e prerrogativas da regra prevista no art. 109, IV, da
advocacia no âmbito do sistema CF (6), o interesse da União
de justiça criminal e do Estado precisa ser direto e específico, não
Democrático de Direito — e a sendo suficiente o interesse
necessidade de se promover o genérico da coletividade.
devido controle de todas as Além de violar prerrogativas da
ilegalidades praticadas, no caso advocacia, a deflagração de
concreto, pelo magistrado da Vara amplas, inespecíficas e
Federal, ora reclamado. Apesar desarrazoadas medidas de busca
de não ter sido demonstrada, e apreensão em desfavor de
pelos conselhos reclamantes, a advogados pode evidenciar a
usurpação de competência do prática de “fishing expedition”.
STF, foram constatadas A jurisprudência do STF confere
ilegalidades flagrantes interpretação estrita e rígida às
concernentes à competência do normas que possibilitam a
juízo reclamado e à decretação de realização de busca e apreensão,
medidas de busca e apreensão em especial quando direcionadas
em desfavor de advogados. a advogados no exercício de sua
Compete à Justiça estadual profissão. Na situação em apreço,
processar e julgar fatos não foram observados os
envolvendo entidades integrantes requisitos legais nem as
do denominado “Sistema S”. prerrogativas da advocacia, com
As entidades do “Sistema S” ampla deflagração de medidas
(Sesc, Senac, Sebrae) são que objetivaram “pescar” provas
pessoas jurídicas de direito contra os advogados denunciados
privado dotadas de recursos e possíveis novos investigados.
próprios, definitivamente Ressalta-se que, ao deferir a
incorporados aos seus busca e apreensão, a autoridade
patrimônios, ainda que com base reclamada não demonstrou a
em contribuições parafiscais imprescindibilidade em concreto
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da medida para o processamento processar, julgar o feito e aferir
dos fatos. eventuais especificidades quanto
Extrai-se do art. 394 e seguintes à remessa de parte da
do CPP que a produção probatória investigação à Justiça Federal do
após o oferecimento da denúncia Distrito Federal ou ao Superior
deve ocorrer em juízo, com as Tribunal de Justiça, nos termos do
garantias do contraditório e da voto do ministro Gilmar Mendes
ampla defesa. (relator). Ficou vencido o ministro
Edson Fachin.
Na espécie, a medida de
investigação prévia foi executada (1) Lei 8.906/1994: “Art. 44. A
depois de ser formalizada a Ordem dos Advogados do Brasil
denúncia contra os advogados, (OAB), serviço público, dotada de
em evidente inversão processual. personalidade jurídica e forma
Com efeito, a ampla realização de federativa, tem por finalidade: I –
medidas de busca e apreensão defender a Constituição, a ordem
depois da formalização da jurídica do Estado democrático de
denúncia, que pressupõe a direito, os direitos humanos, a
colheita de um lastro probatório justiça social, e pugnar pela boa
mínimo e o encerramento da fase aplicação das leis, pela rápida
investigatória, indica o objetivo de administração da justiça e pelo
expandir a acusação, em indevida aperfeiçoamento da cultura e das
prática de fishing probatório. instituições jurídicas; II –
promover, com exclusividade, a
Com base nesses e em outros
representação, a defesa, a
entendimentos, a Segunda
seleção e a disciplina dos
Turma, por maioria, conheceu da
advogados em toda a República
reclamação e, no mérito, por
Federativa do Brasil.(...) Art. 49.
unanimidade, julgou-a
Os Presidentes dos Conselhos e
improcedente. Na sequência, em
das Subseções da OAB têm
votação majoritária, o colegiado
legitimidade para agir, judicial e
concedeu ordem de habeas
extrajudicialmente, contra
corpus, de ofício, para decretar a
qualquer pessoa que infringir as
incompetência absoluta da Justiça
disposições ou os fins desta lei.
Federal, determinar a nulidade de
Parágrafo único. As autoridades
todos os atos decisórios
mencionadas no caput deste
proferidos pelo juízo da 7ª Vara da
artigo têm, ainda, legitimidade
Seção Judiciária do Rio de Janeiro
para intervir, inclusive como
e remeter os autos à Justiça
assistentes, nos inquéritos e
comum do estado do Rio de
processos em que sejam
Janeiro, a quem competirá
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indiciados, acusados ou ofendidos de outrem, bem como pelo
os inscritos na OAB. (...) Art. 54. Ministério Público. (...) § 2º Os
Compete ao Conselho Federal: juízes e os tribunais têm
(...) II – representar, em juízo ou competência para expedir de
fora dele, os interesses coletivos ofício ordem de habeas corpus,
ou individuais dos advogados; III – quando no curso de processo
velar pela dignidade, verificarem que alguém sofre ou
independência, prerrogativas e está na iminência de sofrer coação
valorização da advocacia; (...) Art. ilegal.”
57. O Conselho Seccional exerce (6) CF: “Art. 109. Aos juízes
e observa, no respectivo território, federais compete processar e
as competências, vedações e julgar: (...) IV – os crimes políticos
funções atribuídas ao Conselho e as infrações penais praticadas
Federal, no que couber e no em detrimento de bens, serviços
âmbito de sua competência ou interesse da União ou de suas
material e territorial, e as normas entidades autárquicas ou
gerais estabelecidas nesta lei, no empresas públicas, excluídas as
regulamento geral, no Código de contravenções e ressalvada a
Ética e Disciplina, e nos competência da Justiça Militar e
Provimentos.” da Justiça Eleitoral;”
(2) CF: “Art. 133. O advogado é Rcl 43479/RJ
indispensável à administração da
justiça, sendo inviolável por seus STF - Foro por prerrogativa de
atos e manifestações no exercício função e membros da
da profissão, nos limites da lei.” Defensoria Pública e de
(3) Precedente: ADI 3. Procuradorias estaduais.
(4) RISTF: “Art. 193. O Tribunal
“É inconstitucional norma de
poderá, de ofício: (...) II – expedir
constituição estadual que estende
ordem de habeas corpus
o foro por prerrogativa de função a
quando, no curso de qualquer
autoridades não contempladas
processo, verificar que alguém
pela Constituição Federal de
sofre ou se acha ameaçado de
forma expressa ou por simetria.”
sofrer violência ou coação em sua
As constituições estaduais não
liberdade de locomoção, por
podem instituir novas hipóteses de
ilegalidade ou abuso de poder.”
foro por prerrogativa de função
(5) CPP: “Art. 654. O habeas além daquelas previstas na
corpus poderá ser impetrado por Constituição Federal.
qualquer pessoa, em seu favor ou
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As normas que estabelecem o foro Estado do Amazonas; e das
por prerrogativa de função são expressões “bem como os
excepcionais e devem ser Procuradores de Estado e os
interpretadas restritivamente, não Defensores Públicos”, constante
cabendo ao legislador constituinte do art. 133, IX, a, da Constituição
estadual estabelecer foro por do Estado de Alagoas.
prerrogativa de função a ADI 6501/PA
autoridades diversas daquelas
listadas na Constituição Federal, a STF - Atos de constrição de
qual não cita defensores públicos patrimônio de estatais
nem procuradores. prestadoras de serviço público
Em atenção ao princípio essencial sem fins lucrativos.
republicano, ao princípio do juiz
natural e ao princípio da São inconstitucionais atos de
igualdade, a regra geral é que constrição, por decisão judicial, do
todos devem ser processados patrimônio de estatais prestadoras
pelos mesmos órgãos de serviço público essencial, em
jurisdicionais. Apenas a fim de regime não concorrencial e sem
assegurar a independência e o intuito lucrativo primário, para fins
livre exercício de alguns cargos, de quitação de suas dívidas.
admite-se a fixação do foro Com efeito, a jurisprudência do
privilegiado. Supremo Tribunal Federal tem
Com base nesse entendimento, o reconhecido a
Plenário, por unanimidade, julgou inconstitucionalidade dos
procedentes pedidos formulados bloqueios e sequestros de verba
em ações diretas para declarar, pública de estatais por decisões
com efeitos ex nunc, a judiciais, exatamente por estender
inconstitucionalidade da o regime constitucional de
expressão “e da Defensoria precatórios às estatais
Pública”, constante do art. 161, I, prestadoras de serviço público em
a, da Constituição do Estado do regime não concorrencial e sem
Pará; das expressões “o Defensor intuito lucrativo (1).
Público-Geral” e “e da Defensoria Da mesma forma, a Corte já
Pública”, constante do art. 87, IV, assentou orientação no sentido de
a e b, da Constituição do Estado que, salvo em situações
de Rondônia; da expressão excepcionais, não é possível que,
“Procuradoria Geral do Estado e por meio de decisões judiciais
da Defensoria Pública”, constante constritivas, se altere a destinação
do art. 72, I, a, da Constituição do de recursos públicos previamente
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direcionados para a promoção de procedente o pedido formulado
políticas públicas, sob pena de em arguição de descumprimento
afronta ao art. 167, VI, da CF (2) de preceito fundamental para: (i)
(3). Ressalte-se que a exigência suspender as decisões judiciais
de lei para a modificação da nas quais se promoveram
destinação orçamentária de constrições patrimoniais por
recursos públicos visa resguardar bloqueio, penhora, arresto,
o planejamento chancelado pelos sequestro; (ii) determinar a
Poderes Executivo e Legislativo sujeição da Empresa Maranhense
no momento de aprovação da lei de Serviços Hospitalares –
orçamentária anual. Por isso, a EMSERH ao regime constitucional
interferência do Judiciário na de precatórios; e (iii) determinar a
organização orçamentária dos imediata devolução das verbas
projetos da Administração Pública subtraídas dos cofres públicos, e
— salvo, excepcionalmente, como ainda em poder do Judiciário, para
fiscalizador — ofende o princípio as respectivas contas de que
da separação dos Poderes (CF, foram retiradas.
art. 2º) (4) (5). (1) Precedentes citados: ADPF
Por fim, no caso analisado, o 556; ADPF 485.
princípio da eficiência da (2) CF: “Art. 167. São vedados:
Administração Pública (CF, art. (...) VI - a transposição, o
37, caput) (6) é igualmente remanejamento ou a transferência
relevante para a solução da de recursos de uma categoria de
controvérsia. Isso porque os atos programação para outra ou de um
jurisdicionais impugnados, ao órgão para outro, sem prévia
bloquearem verbas orçamentárias autorização legislativa;”
da empresa pública estadual para (3) Precedentes citados: ADPF
o pagamento de suas dívidas, 620; ADPF 275; ADPF 556.
atuaram como obstáculo ao (4) CF: “Art. 2º São Poderes da
exercício eficiente da gestão União, independentes e
pública, subvertendo o harmônicos entre si, o Legislativo,
planejamento e a ordem de o Executivo e o Judiciário.”
prioridades na execução de (5) Precedente citado: ADPF 114.
políticas públicas de saúde, em (6) CF: “Art. 37. A administração
momento dramático de combate à pública direta e indireta de
pandemia da COVID-19. qualquer dos Poderes da União,
Com base nesse entendimento, o dos Estados, do Distrito Federal e
Plenário confirmou a cautelar dos Municípios obedecerá aos
anteriormente deferida e julgou princípios de legalidade,
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impessoalidade, moralidade, Nesse cenário, é certo que não só
publicidade e eficiência e, as conversas realizadas via
também, ao seguinte: (...)” ligação telefônica, como também
ADPF 789/MA aquelas travadas através do
WhatsApp são resguardadas pelo
STJ - Whatsapp. Divulgação sigilo das comunicações. Em
pública de mensagens consequência, terceiros somente
privadas. Ilicitude. Quebra da podem ter acesso às conversas de
legítima expectativa e da WhatsApp mediante
confidencialidade. Violação à consentimento dos participantes
privacidade e à intimidade. ou autorização judicial.
Dano configurado. Indenização. Na hipótese em que o conteúdo
Cabimento. das conversas enviadas via
WhatsApp possa, em tese,
O sigilo das comunicações é interessar a terceiros, haverá um
corolário da liberdade de conflito entre a privacidade e a
expressão e, em última análise, liberdade de informação,
visa a resguardar o direito à revelando-se necessária a
intimidade e à privacidade, realização de um juízo de
consagrados nos planos ponderação. Nesse aspecto, há
constitucional (art. 5º, X, da que se considerar que as
CF/1988) e infraconstitucional mensagens eletrônicas estão
(arts. 20 e 21 do CC/2002). protegidas pelo sigilo em razão de
No passado recente, não se o seu conteúdo ser privado; isto é,
cogitava de outras formas de restrito aos interlocutores.
comunicação que não pelo
tradicional método das ligações
telefônicas. Com o passar dos
anos, no entanto, desenvolveu-se
a tecnologia digital, o que
culminou na criação da internet e,
mais recentemente, da rede social
WhatsApp, o qual permite a
comunicação instantânea entre
pessoas localizadas em qualquer
lugar do mundo.

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Dessa forma, ao enviar Por fim, é importante consignar
mensagem a determinado ou a que a ilicitude poderá ser
determinados destinatários via descaracterizada quando a
WhatsApp, o emissor tem a exposição das mensagens tiver
expectativa de que ela não será como objetivo resguardar um
lida por terceiros, quanto menos direito próprio do receptor. Nesse
divulgada ao público, seja por caso, será necessário avaliar as
meio de rede social ou da mídia. peculiaridades concretas para fins
Essa expectativa advém não só do de decidir qual dos direitos em
fato de ter o indivíduo escolhido a conflito deverá prevalecer.
quem enviar a mensagem, como REsp 1.903.273-PR
também da própria encriptação a
que estão sujeitas as conversas.
De mais a mais, se a sua intenção DIREITO ADMINISTRATIVO
fosse levar ao conhecimento de
diversas pessoas o conteúdo da STJ - Ação de improbidade
mensagem, decerto teria optado administrativa.
por uma rede social menos restrita Indisponibilidade de bens.
ou mesmo repassado a Inclusão do valor da multa civil
informação à mídia para fosse no importe a ser bloqueado.
divulgada. Incidência nas ações ancoradas
Assim, ao levar a conhecimento no art. 11 da Lei n. 8.429/1992.
público conversa privada, além da Possibilidade. Tema 1055.
quebra da confidencialidade,
estará configurada a violação à A questão submetida à análise é
legítima expectativa, bem como à definir se é possível - ou não - a
privacidade e à intimidade do inclusão do valor de eventual
emissor, sendo possível a multa civil na medida de
responsabilização daquele que indisponibilidade de bens
procedeu à divulgação se decretada na ação de
configurado o dano. improbidade administrativa,
inclusive naquelas demandas
ajuizadas com esteio na prática de
conduta prevista no art. 11 da Lei
8.429/1992, tipificador da ofensa
aos princípios nucleares
administrativos.

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Quanto à primeira questão Assim, muito embora a premissa
levantada, é preciso, para logo, para o não cômputo do valor da
assinalar que, ao que revelam os multa civil, para certos ilustrativos
julgados desta Corte Superior de alguns Tribunais, como do
alusivos ao tema, não há dissídio Tribunal de Justiça do Estado de
jurisprudencial entre os órgãos São Paulo, concentre-se em
Fracionários especializados na alegada antecipação de pena, a
temática, que apontam para a interpretação que se deu neste
admissibilidade de inclusão da colendo Superior Tribunal de
multa civil na indisponibilidade de Justiça é de que devem ser
bens na ação de improbidade. empreendidas providências para
Mesmo ao tempo do julgamento que o processo esteja assegurado
repetitivo acerca da dispensa de quanto à eventual condenação
demonstração de dissipação futura, no que engloba a
patrimonial como requisito para a reprimenda pecuniária. Essa
concessão da medida de concepção ficou bem revelada no
indisponibilidade (REsp entendimento que se formou
1.366.721/BA), já havia acerca da solidariedade passiva
pronunciamentos dos Julgadores nessa determinação constritiva,
desta Corte Superior acerca da ou seja, se é certo que não é
inclusão da multa civil no importe possível promover a totalidade do
a ser constrito na ação de bloqueio sobre todos os
improbidade. Essa posição se acionados (uma supergarantia),
mostrou dominante, uníssona, lado outro qualquer réu está
pacífica e atual. sujeito a experimentar sobre si a
integralidade da medida, ainda
que haja na demanda outros réus
que não tenham suportado
qualquer efeito da
indisponibilidade. Isso porque o
objetivo é, tão logo detectada a
plausibilidade da pretensão, que
se tenha a garantia nos autos:
uma vez alcançada a
integralidade da garantia sobre
qualquer réu, nada mais há de ser
indisponibilizado, até que se
resolva a responsabilidade - se
houver - de cada qual.
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Em desdobramento, na segunda Noutras palavras, ainda que
questão suscitada no aresto de inexistente prova de
afetação ao tema 1.055, busca-se enriquecimento ilícito ou lesão ao
saber se a medida constritiva patrimônio público, é possível a
também poderia incidir nos casos decretação da providência
de ações ancoradas cautelar, notadamente pela
exclusivamente na potencial possibilidade de ser cominada, na
prática de atos tipificados como sentença condenatória, a pena
violadores a princípios pecuniária de multa civil como
administrativos (art. 11 da Lei n. sanção autônoma, cabendo sua
8.429/1992). imposição, inclusive, em casos de
A pergunta se situa no fato de que, prática de atos de improbidade
em casos tais, pode não ocorrer que impliquem tão somente
lesão alguma aos cofres públicos, violação a princípios da
nem mesmo proveito pessoal Administração Pública.
ilícito, isto é, a repercussão Essa providência de inclusão da
patrimonial do fato reputado multa civil na medida constritiva
ímprobo seria limitada ou em ações de improbidade
inexistente. administrativa exclusivamente
Pela pesquisa de jurisprudência amparadas no art. 11 da Lei n.
dos órgãos Fracionários desta 8.429/1992 não implica violação
Corte Superior, essa questão do art. 7º, caput e parágrafo único,
desdobrada da primeira não é da citada lei, pois destina-se, de
causa suficiente para apartar a todo modo, a assegurar a eficácia
compreensão de que, igualmente, de eventual desfecho
o valor da multa civil é passível de condenatório à sanção de multa
ser bloqueado, ainda que seja o civil.
único montante a gerar bloqueio REsp 1.862.792-PR
nessas ações fundadas em
ofensa a princípios nucleares STJ - Pensão por morte.
administrativos. Relação de trato sucessivo.
Inexistência de negativa
expressa da Administração.
Prescrição de fundo de direito.
Não ocorrência. Súmula n.
85/STJ. Aplicabilidade.
Prescrição das prestações

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vencidas no quinquênio Com isso, aclaram-se os itens 6 e
anterior à propositura da ação. 8 da ementa do acórdão proferido
no EREsp 1.269.726-MG, cujas
Merece ser aclarado na ementa do redações devem ser as seguintes:
acórdão embargado o ponto 6. Situação diversa ocorre quando
quanto à prescrição do fundo de houver o indeferimento do pedido
direito, se esta deve ocorrer na administrativo de pensão por
hipótese de expresso morte, pois, em tais situações, o
indeferimento pela Administração, interessado deve submeter ao
a teor da Súmula 85/STJ. Judiciário, no prazo de 5 (cinco)
A partir da leitura do voto condutor anos, contados do indeferimento,
do eminente relator Ministro a pretensão referente ao próprio
Napoleão Nunes Maia Filho, direito postulado, sob pena de
constata-se que ficou fulminar o lustro prescricional. (...)
estabelecido que, nas causas em 8. Nestes termos, deve-se
que se pretende a concessão de reconhecer que não ocorre a
benefício de caráter prescrição do fundo de direito no
previdenciário, inexistindo pedido de concessão de pensão
negativa expressa e formal da por morte, no caso de inexistir
Administração, não há falar em manifestação expressa da
prescrição do fundo de direito, nos Administração negando o direito
termos do art. 1º do Decreto-Lei reclamado, estando prescritas
20.910/1932, porquanto a apenas as prestações vencidas no
obrigação é de trato sucessivo, quinquênio que precedeu à
motivo pelo qual incide, no caso, o propositura da ação, nos termos
disposto na Súmula 85 do STJ (fls. da Súmula 85/STJ.
429). EDCL nos EREsp 1.269.726-MG
Situação diversa ocorre quando
houver o indeferimento do pedido
administrativo de pensão por
morte, pois, em tais situações, o
interessado deve submeter ao
Judiciário, no prazo de 5 (cinco)
anos, contados do indeferimento,
a pretensão referente ao próprio
direito postulado, sob pena de
fulminar o lustro prescricional.

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STJ - Substituição da pena O art. 44, § 3º, do CP, excepciona
privativa de liberdade por o requisito da primariedade para a
restritivas de direitos. Art. 44, § substituição da pena privativa de
3º, do Código Penal. Definição liberdade com a seguinte redação:
do conceito de reincidência "Art. 44. As penas restritivas de
específica. Nova prática do direitos são autônomas e
mesmo crime. Vedação à substituem as privativas de
analogia in malam partem. liberdade, quando: [...] II - o réu
Medida socialmente não for reincidente em crime
recomendável. Condenação doloso; [...] § 3º. Se o condenado
anterior. Necessidade de for reincidente, o juiz poderá
aferição. aplicar a substituição, desde que,
em face de condenação anterior, a
A interpretação que as duas medida seja socialmente
Turmas criminais do STJ dão ao recomendável e a reincidência
art. 44, § 3º, do CP, conclui que a não se tenha operado em virtude
reincidência em crimes da mesma da prática do mesmo crime".
espécie, ainda que não seja no De imediato, o princípio da
mesmo crime, obsta por completo vedação à analogia in malam
a substituição da pena privativa de partem nos recomenda que não
liberdade por restritiva de direitos. seja ampliado o conceito de
Fica prejudicado, assim, o debate "mesmo crime". Toda atividade
quanto à suficiência da pena interpretativa parte da linguagem
substitutiva, porque a reincidência adotada no texto normativo, a
específica torna desnecessário qual, apesar da ocasional fluidez
aferir se a substituição é ou não ou vagueza de seus termos, tem
socialmente recomendável. limites semânticos
Feita essa consideração, a intransponíveis. Existe, afinal,
questão que se apresenta pode uma distinção de significado entre
ser sintetizada nos seguintes "mesmo crime" e "crimes de
termos: para os fins da mesma espécie"; se o legislador,
reincidência específica basta que no particular dispositivo legal em
o réu já tenha sido condenado por comento, optou pela primeira
crime da mesma espécie, ou expressão, sua escolha
somente a condenação pelo democrática deve ser respeitada.
mesmo crime impede a
substituição da pena? A razão
está com a última corrente.

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É verdade que, em sede Por isso, se o art. 44, § 3º, do CP
doutrinária, não é unânime o vedasse a substituição da pena
conceito de reincidência reclusiva nos casos de
específica, havendo quem a reincidência específica, seria
entenda configurada "se o crime mesmo defensável a ideia de que
anterior e o posterior forem os o novo cometimento de crime da
mesmos" ou, contrariamente, mesma espécie obstaria o
"quando os dois crimes praticados benefício legal, em uma
pelo condenado são da mesma interpretação sistemática do CP e
espécie". Esta última definição da LEP. Não foi isso, porém, que
está em sintonia com o art. 83, V, fez o legislador: com o uso da
do CP, que proíbe o livramento expressão "mesmo crime" - ao
condicional para o reincidente invés de "reincidência específica"
específico em crime hediondo - ou -, criou-se no texto legal uma
seja, quando a reincidência se delimitação linguística que não
operar entre delitos daquela pode ser ignorada.
espécie. Pode-se argumentar, é claro, que
Também no art. 112, VII, da LEP, a utilização de conceitos distintos
com as recentes modificações da de reincidência específica (um
Lei n. 13.964/2019, o conceito de para a substituição da pena
reincidência específica está privativa de liberdade, outro para o
atrelado à natureza (hedionda, no livramento condicional e a
caso desse dispositivo) dos progressão de regime)
delitos, e não à identidade entre os prejudicaria a coerência interna da
tipos penais em que previstos. legislação penal. Essa realidade,
aliás, é de conhecimento de todos
que com ela operamos
diariamente: os dois principais
diplomas legislativos que esta
Terceira Seção é chamada a
interpretar - o CP e o CPP -,
ambos octogenários, encontram-
se defasados, repletos de cortes e
alterados de forma pouco
sistemática ao longo das décadas.

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É possível ver, também, outro Essa contradição é impedida pelo
fator relevante em favor da atual entendimento das Turmas
interpretação que hoje prevalece, que compõem a Terceira Seção
neste STJ, sobre o art. 44, § 3º, do deste Tribunal, que considera o
CP. bem jurídico tutelado pelos delitos
Pela redação do dispositivo, há para definir se incide, ou não, a
situações em que a progressão proibição contida no art. 44, § 3º,
criminosa, com a prática de um do CP. Assim, se forem idênticos
delito mais grave, premia o agente os bens ofendidos, não haverá
com a substituição, enquanto o substituição, mesmo que diversos
cometimento de dois crimes mais os tipos penais pelos quais o réu
leves a proíbe. Por exemplo: o réu foi condenado. Contudo, corrigir a
reincidente pela prática de dois discutível técnica legislativa em
crimes de furto simples (art. 155, desfavor do réu é algo incabível no
caput, do CP) não terá direito à processo penal, que rejeita a
substituição da pena, porquanto analogia in malam partem em seu
aplicável a vedação absoluta arsenal jusdogmático.
contida no art. 44, § 3º, do CP. De Por essas razões, entende-se
outro lado, se o segundo crime for pela superação da tese de que a
de furto qualificado (art. 155, § 4º, reincidência em crimes da mesma
do CP), o réu pode fazer jus à espécie impede, em absoluto, a
substituição, se a pena não substituição da pena privativa de
ultrapassar 4 anos de reclusão. liberdade por restritivas de
Em outras palavras, o direitos, porque somente a
cometimento de um segundo reincidência no mesmo crime
crime mais grave poderia, em (aquele constante no mesmo tipo
tese, ser mais favorável ao penal) é capaz de fazê-lo, nos
acusado, em possível violação ao termos do art. 44, § 3º, do CP.
princípio constitucional da Nos demais casos de
isonomia. reincidência, cabe ao Judiciário
avaliar se a substituição é ou não
recomendável, em face da
condenação anterior.
AREsp 1.716.664-SP

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DIREITO PROCESSUAL PENAL Assim, o descumprimento do art.
107 do CPP - quando a autoridade
STJ - Exceção de suspeição da policial deixa de afirmar sua
autoridade policial. própria suspeição - não eiva de
Impossibilidade. Art. 107 do nulidade o processo judicial por si
CPP. Possibilidade de só, sendo necessária a
resolução na esfera demonstração do prejuízo
administrativa. Fase suportado pela parte ré.
inquisitorial. Nulidade da ação Vale ressaltar que, segundo a
penal. Necessidade de tradicional compreensão
demonstração do prejuízo. doutrinária e pretoriana hoje
predominante, o inquérito é uma
Trata-se de discussão sobre o art. peça de informação, destinada a
107 do CPP, segundo o qual "não auxiliar a construção da opinio
se poderá opor suspeição às delicti do órgão acusador. Por
autoridades policiais nos atos do conseguinte, possíveis
inquérito, mas deverão elas irregularidades nele ocorridas não
declarar-se suspeitas, quando afetam a ação penal. Lembre-se
ocorrer motivo legal". Tal previsão que, ressalvadas as provas
é bastante criticada em sede irrepetíveis, cautelares e
doutrinária, mormente pela antecipadas, nos termos do art.
contradição que encerra: se a 155 do CPP, não há propriamente
autoridade deverá pronunciar sua produção de provas na fase
suspeição, soa paradoxal, em inquisitorial, mas apenas colheita
certa medida, impedir que a parte de elementos informativos para
investigada a aponte no inquérito. subsidiar a convicção do
De todo modo, tendo em vista a Ministério Público quanto ao
dicção legal - que permanece oferecimento (ou não) da
válida e vigente, inexistindo denúncia. Também por isso, o
declaração de sua não recepção inquérito é uma peça facultativa,
pelo STF -, seu teor segue como se depreende do art. 39, §
aplicável. Uma solução possível 5º, do CPP.
para a parte que se julgue
prejudicada é buscar, na esfera
administrativa, o afastamento da
autoridade suspeita.

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Com efeito todos os elementos Inicialmente, anota-se que no
colhidos no inquérito, quando acórdão embargado concluiu-se
integram a acusação e são pelo não cabimento do recurso
considerados pela sentença, especial interposto em sede de
submetem-se ao contraditório no ação rescisória, com base no art.
processo judicial, e é este o locus 485, V, do Código de Processo
adequado para rebatê-los. Civil de 1973, porque não se
Também as provas irrepetíveis, limitara aos seus pressupostos de
cautelares e antecipadas passam admissibilidade, impugnando,
pelo crivo do contraditório, ainda assim, diretamente o mérito do
que de forma diferida, cabendo à acórdão rescindendo.
defesa o ônus de apontar O aresto paradigma da Corte
possíveis vícios processuais e Especial, diversamente do aresto
apresentar suas impugnações embargado, considerou que é
fáticas. Por isso, como resta viável recurso especial interposto
preservada a ampla possibilidade contra acórdão proferido em ação
de debate dos elementos de prova rescisória, baseada no art. 485, V,
em juízo, é correto manter do CPC/1973, que se insurge
incólume o processo mesmo contra os fundamentos do
diante de alguma irregularidade acórdão rescindendo.
cometida na fase inquisitorial O entendimento do acórdão
(desde que, é claro, não tenham paradigma mostra-se correto,
sido descumpridas regras de especialmente quando
licitude da atividade probatória). relacionado ao disposto no art.
REsp 1.942.942-RO 485, V, do Código de Processo
Civil de 1973 (atualmente art. 966,
STJ - Recurso especial em sede V, do CPC de 2015), pois se há
de ação rescisória. Art. 485, V, alegação de violação a literal
do CPC/1973. Impugnação dos disposição de lei no acórdão
fundamentos do acórdão recorrido, o mérito do recurso
rescindendo. Possibilidade. especial se confunde com os
próprios fundamentos para a
propositura da ação rescisória,
autorizando o STJ a examinar
também o acórdão rescindendo.

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É de se concluir, portanto, que, Ocorre que sobreveio a Lei n.
em relação a ações rescisórias 14.155/2021, que entrou em vigor
ajuizadas com base no art. 485, V, em 28/05/2021 e acrescentou o §
do CPC de 1973, o recurso 4.º ao art. 70 do Código de
especial poderá ultrapassar os Processo Penal, o qual dispõe
pressupostos da ação e chegar ao que: "§ 4º Nos crimes previstos no
exame do seu mérito. art. 171 do Decreto-Lei nº 2.848,
EREsp 1.434.604-PR de 7 de dezembro de 1940
(Código Penal), quando
STJ - Estelionato praticado praticados mediante depósito,
mediante depósito. mediante emissão de cheques
Superveniência da lei n. sem suficiente provisão de fundos
14.155/2021. Competência. em poder do sacado ou com o
Local do domicílio da vítima. pagamento frustrado ou mediante
Norma processual. Aplicação transferência de valores, a
imediata. competência será definida pelo
local do domicílio da vítima, e, em
Nos termos do art. 70 do Código caso de pluralidade de vítimas, a
de Processo Penal, "[a] competência firmar-se-á pela
competência será, de regra, prevenção."
determinada pelo lugar em que se Como a nova lei é norma
consumar a infração, ou, no caso processual, esta deve ser aplicada
de tentativa, pelo lugar em que for de imediato, ainda que os fatos
praticado o último ato de tenham sido anteriores à nova lei,
execução". notadamente quando o processo
Quanto ao delito de estelionato ainda estiver em fase de inquérito
(tipificado no art. 171, caput, do policial, razão pela qual a
Código Penal), a Terceira Seção competência no caso é do Juízo
do Superior Tribunal de Justiça do domicílio da vítima.
havia pacificado o entendimento CC 180.832-RJ
de que a consumação ocorre no
lugar onde aconteceu o efetivo
prejuízo à vítima.

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DIREITO CIVIL No caso, o ato da operadora de
resilir o contrato coletivo não foi
STJ - A operadora que resiliu discriminatório, ou seja, não foi
unilateralmente plano de saúde pelo fato de a autora ser idosa ou
coletivo empresarial não possui em virtude de suas características
a obrigação de fornecer ao pessoais. Ao contrário, o plano foi
usuário idoso, em substituição, extinto para todos os
plano na modalidade individual, beneficiários, de todas as idades,
nas mesmas condições de valor não havendo falar em
do plano extinto. arbitrariedade, abusividade ou
má-fé.
Na hipótese de cancelamento do Ademais, a situação de usuário
plano privado coletivo de sob tratamento médico que deve
assistência à saúde, deve ser ser amparado temporariamente,
permitido que os empregados ou pela operadora, até a respectiva
ex-empregados migrem para alta em caso de extinção do plano
planos individuais ou familiares, coletivo não equivale à situação
sem o cumprimento de carência, do idoso que está com a saúde
desde que a operadora hígida, o qual pode ser
comercialize esses planos (arts. 1º reabsorvido por outro plano de
e 3º da Res.-CONSU n. 19/1999). saúde (individual ou coletivo) sem
Nesse passo, cabe asseverar não carências, oferecido por empresa
ser ilegal a recusa de operadoras diversa.
de planos de saúde de Desse modo, não se revela
comercializarem planos adequado ao Judiciário obrigar a
individuais por atuarem apenas no operadora de plano de saúde que,
segmento de planos coletivos. De em seu modelo de negócio,
fato, não há nenhuma norma legal apenas comercializa planos
que as obrigue a atuar em coletivos, a oferecer também
determinado ramo de plano de planos individuais, tão somente
saúde. para idosos e com valores de
mensalidade defasados, de efeito
multiplicador, e sem a constituição
adequada de mutualidade: esses
planos não sobreviveriam.

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Por outro lado, a operadora Nas situações de denúncia
também não pode ser compelida a unilateral do contrato de plano de
criar um produto único e exclusivo saúde coletivo empresarial, é
para apenas uma pessoa, (REsp recomendável ao empregador
1.119.370/PE, Rel. Ministra Nancy promover a pactuação de nova
Andrighi, Terceira Turma, DJe avença com outra operadora,
17/12/2010, e REsp evitando-se prejuízos aos seus
1.736.898/RS, Rel. Ministra Nancy empregados (ativos e inativos),
Andrighi, Terceira Turma, DJe que não precisarão se socorrer da
20/09/2019). portabilidade ou da migração a
É dizer, o art. 31 da Lei n. planos individuais, de custos mais
9.656/1998 não pode ser aplicado, elevados. Aplicabilidade do Tema
no ponto, por analogia, e até iria Repetitivo-STJ n. 1.034.
de encontro ao princípio da Ainda, mesmo havendo a
proporcionalidade, não passando migração de beneficiários do
pelos critérios da adequação, da plano coletivo empresarial para o
necessidade e da plano individual, não há falar na
proporcionalidade em sentido manutenção do valor das
estrito. mensalidades em virtude das
Aliás, a função social do contrato peculiaridades de cada regime e
não pode ser usada para esvaziar tipo contratual (atuária e massa de
por completo o conteúdo da beneficiários), pois geram preços
função econômica do contrato. diferenciados. O que deve ser
Um cenário de insolvência de evitado é a onerosidade
operadoras de plano de saúde e excessiva. Por isso é que o valor
de colapso do setor da Saúde de mercado é empregado como
Suplementar é que não seria referência, de forma a prevenir
capaz de densificar o princípio da eventual abusividade.
dignidade da pessoa humana. REsp 1.924.526-PE
Nesse contexto, o instituto da
portabilidade de carências (RN- STJ - Reprodução assistida
ANS nº 438/2018) pode ser post mortem. Implantação de
utilizado e mostra-se razoável e embriões excedentários.
adequado para assistir a Declaração posta em contrato
população idosa, sem onerar em padrão de prestação de
demasia os demais atores do serviços. Inadequação.
campo da saúde suplementar. Autorização expressa e formal.

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Testamento ou documento No rumo desse raciocínio, ganha
análogo. Imprescindibilidade. espaço o instituto do testamento,
que tem como marca distintiva a
Na hipótese em análise, os declaração de vontade, expressão
cônjuges valeram-se da indiscutível da autonomia pessoal,
reprodução assistida homóloga, e, nada obstante escape ao
tendo a fertilização se realizado in tradicional, a simples análise do
vitro, a partir da utilização de seu conceito é o bastante para
material genético dos próprios revelar que seu objeto não se
envolvidos. A partir da fertilização restringe a disposição de
promovida, destacaram-se em patrimônio pelo testador.
qualidade ao menos dois Nesses termos, se as disposições
embriões, os quais foram patrimoniais não dispensam a
criopreservados, não se forma testamentária, maiores são
concluindo a etapa de os motivos para se considerar
transferência (implantação no sejam da mesma forma dispostas
útero). as questões existenciais,
Nos casos em que a expressão da mormente aqueles que
autodeterminação significar a repercutirão na esfera patrimonial
projeção de efeitos para além da de terceiros, não havendo
vida do sujeito de direito, com maneira mais apropriada de
repercussões existenciais e garantir-se a higidez da vontade
patrimoniais, imprescindível que do falecido.
sua manifestação se dê de
maneira inequívoca, leia-se
expressa e formal, efetivando-se
por meio de instrumentos jurídicos
apropriadamente arquitetados
pelo ordenamento, sob de pena de
ser afrontada.

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Seguindo por esse entendimento, Nessa linha, a única conclusão
não há dúvidas de que a decisão possível é a de que a indicação a
de autorizar a utilização de autorização dada no formulário
embriões consiste em disposição pelo parceiro para a transferência
post mortem, que, para além dos do pré-embrião para o primeiro
efeitos patrimoniais, sucessórios, ciclo à parceira, circunscreve-se à
relaciona-se intrinsecamente à autorização para implantação do
personalidade e dignidade dos embrião durante a vida de ambos
seres humanos envolvidos, os cônjuges.
genitor e os que seriam Nessa ordem de ideias, os
concebidos, atraindo, portanto, a contratos de prestação de serviço
imperativa obediência à forma de reprodução assistida firmados
expressa e incontestável, são instrumentos absolutamente
alcançada por meio do testamento inadequados para legitimar a
ou instrumento que o valha em implantação post mortem de
formalidade e garantia. embriões excedentários, cuja
Ademais, ao revés, admitir-se que autorização, expressa e
a autorização posta naquele específica, deveria ter sido
contrato de prestação de serviços, efetivada por testamento, ou por
na hipótese, marcado pela documento análogo, por tratar de
inconveniente imprecisão na disposição de cunho existencial,
redação de suas cláusulas, possa sendo um de seus efeitos a
equivaler a declaração inequívoca geração de vida humana.
e formal, própria às disposições REsp 1.918.421-SP
post mortem, significará o
rompimento do testamento que STJ - Alimentos. Menor.
fora, de fato, realizado, com Presunção de necessidade.
alteração do planejamento Alimentante preso por crime.
sucessório original, sem Capacidade de exercer
quaisquer formalidades, por atividade laboral. Obrigação
pessoa diferente do próprio alimentar. Binônio
testador. necessidade-possibilidade.
Observância.

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O dever dos genitores em assistir O Supremo Tribunal Federal ao
materialmente seus filhos é julgar a ADPF nº 336/DF (DJe
previsto constitucionalmente (arts. 10.05.2021), assentou a
227 e 229), bem como na possibilidade de o trabalho do
legislação infraconstitucional preso ser remunerado em quantia
(artigos 1.634 do Código Civil de inferior a um salário mínimo. No
2002 e 22 da Lei n. 8.069/1990 - item 5 da ementa do voto
Estatuto da Criança e do vencedor, lavrado pelo Ministro
Adolescente - ECA). Não se Luiz Fux, restou consignado
desconhece que os alimentos constituir o labor do preso um
estão atrelados ao direito à vida dever "obrigatório na medida de
digna, o que é protegido, inclusive, suas aptidões e capacidades, e
por tratados internacionais. possui finalidades educativa e
De fato, existe a possibilidade de produtiva, em contraste com a
desempenho de atividade liberdade para trabalhar e prover o
remunerada na prisão ou fora seu sustento garantida aos que
dela, a depender do regime não cumprem pena prisional pelo
prisional de cumprimento de pena, artigo 6º da Constituição. Em
tendo em vista que o trabalho - suma, o trabalho do preso segue
interno ou externo - do condenado lógica econômica distinta da mão-
é incentivado pela Lei de de-obra em geral".
Execução Penal (Lei n. No caso, o tribunal de origem
7.210/1984). afastou de plano a obrigação da
parte por se encontrar custodiado,
sem o exame específico da
condição financeira do genitor,
circunstância indispensável à
solução da lide.
Ora, a mera condição de
presidiário não é um alvará para
exonerar o devedor da obrigação
alimentar, especialmente em
virtude da independência das
instâncias cível e criminal.

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Indispensável identificar se o A cláusula resolutiva expressa,
preso possui bens, valores em como o nome sugere, constitui-se
conta bancária ou se é beneficiário uma cláusula efetiva e
do auxílio-reclusão, benefício expressamente estipulada pelas
previdenciário previsto no art. 201 partes, seja no momento da
da Constituição Federal, celebração do negócio jurídico, ou
destinado aos dependentes dos em oportunidade posterior (via
segurados de baixa renda presos, aditivo contratual), porém, sempre
direito regulamentado pela Lei n. antes da verificação da situação
8.213/1991, o que pode ser de inadimplência nela prevista,
aferido com o encaminhamento de que constitui o suporte fático para
ofícios a cartórios, à unidade a resolução do ajuste firmado.
prisional e ao INSS. Evidentemente, a vantagem da
Ademais, incumbe ao Estado estipulação expressa é que,
informar qual a condição ocorrendo a hipótese específica
carcerária do recorrido, a pena prevista no ajuste, o efeito
fixada, o regime prisional a que se resolutório da relação negocial
sujeita, se aufere renda com disfuncional subsistirá
trabalho ou se o utiliza para independentemente de
remição de pena, e, ainda, se manifestação judicial, sendo o
percebe auxílio-reclusão, não procedimento para o rompimento
incumbindo à autora tal ônus do vínculo mais rápido e simples,
probatório, por versarem em prestígio à autonomia privada
informações oficiais. e às soluções já previstas pelas
REsp 1.882.798-DF próprias partes para solução dos
percalços negociais.
STJ - Ação de reintegração de
posse. Compromisso de
compra e venda de imóvel com
cláusula de resolução expressa.
Inadimplência do
compromissário comprador.
Mora comprovada por
notificação e decurso do prazo
para a purgação. Prévio
ajuizamento de demanda
judicial para a resolução
contratual. Desnecessidade.

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Neste ponto, ressalte-se que Na situação em exame, revela-se
inobstante a previsão legal (art. incontroverso que: (i) há cláusula
474 do Código Civil) que dispensa resolutiva expressa no bojo do
as partes da ida ao Judiciário compromisso de compra e venda
quando existente a cláusula de imóvel firmado entre as partes;
resolutiva expressa por se operar (ii) a autora procedeu à notificação
de pleno direito, esta Corte extrajudicial do réu, considerando,
Superior, ao interpretar a norma a partir do prazo para a purga da
aludida, delineou a sua mora, extinto o contrato
jurisprudência, até então, no decorrente de inadimplemento
sentido de ser "imprescindível a nos termos de cláusula contratual
prévia manifestação judicial na específica entabulada pelas
hipótese de rescisão de partes, sem ajuizar prévia ação de
compromisso de compra e venda rescisão do pacto; e (iii) a
de imóvel para que seja pretensão deduzida na inicial
consumada a resolução do (reintegração na posse do imóvel)
contrato, ainda que existente não foi cumulada com o pedido de
cláusula resolutória expressa, rescisão do compromisso de
diante da necessidade de compra e venda.
observância do princípio da boa-fé Desse modo, caso aplicada a
objetiva a nortear os contratos" jurisprudência sedimentada nesta
(REsp 620.787/SP, Rel. Ministro Corte Superior, sem uma análise
Luis Felipe Salomão, Quarta categórica dos institutos a ela
Turma, DJe 27.04.2009). relacionados e das condições
sobre as quais ancorada a
compreensão do STJ acerca da
questão envolvendo a
reintegração de posse e a
rescisão de contrato com cláusula
resolutória expressa, sobressairia
a falta de interesse de agir da
autora (na modalidade
inadequação da via eleita), por
advir a posse do imóvel da
celebração do compromisso de
compra e venda cuja rescisão
supostamente deveria ter sido
pleiteada em juízo próprio.

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Entende-se, todavia, que casos Em outras palavras, após a
como o presente reclamam necessária interpelação para
solução distinta, mais condizente constituição em mora, deve haver
com as expectativas da sociedade um período no qual o contrato não
hodierna, voltadas à mínima pode ser extinto e que o
intervenção estatal no mercado e compromissário comprador tem
nas relações particulares, com possibilidade de purgar.
foco na desjudicialização, Entretanto, não há óbice para a
simplificação de formas e ritos e, aplicação da cláusula resolutiva
portanto, na primazia da expressa, porquanto após o
autonomia privada. decurso do prazo in albis, isto é,
Note-se que a mudança de sem a purgação da mora, nada
entendimento que se pretende impede que o compromitente
não encerra posicionamento vendedor exerça o direito
contralegem. Sequer é, pois, de potestativo concedido pela
ordem legislativa, visto que, como cláusula resolutiva expressa para
já dito, a lei não determina que o a resolução da relação jurídica
compromisso de compra e venda extrajudicialmente.
deva, em todo e qualquer caso, Evidentemente, compreender a
ser resolvido judicialmente, mas exigência de interpelação para
pelo contrário, admite constituição em mora como
expressamente o desfazimento de necessidade de se resolver o
modo extrajudicial, exigindo, compromisso de compra e venda
apenas, a constituição em mora ex apenas judicialmente enseja
persona e o decurso do prazo confusão e imposição que
legal conferido ao compromissário refogem a intenção do legislador
comprador poder purgar sua ordinário, por extrapolar o que
mora. determina a legislação específica
sobre o compromisso de compra e
venda de imóvel.

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A eventual necessidade do Não se nega a existência de casos
interessado recorrer ao Poder nos quais, em razão de outros
Judiciário para pedir a restituição institutos, esteja a parte credora
da prestação já cumprida, ou impedida de pôr fim à relação
devolução da coisa entregue, ou negocial, como, por exemplo,
perdas e danos, não tem efeito quando evidenciado o
desconstitutivo do contrato, mas adimplemento substancial.
meramente declaratório de Porém, essas hipóteses não
relação evidentemente já extinta podem transformar a
por força da própria convenção excepcionalidade em regra,
das partes. principalmente caso as partes
Isso porque, cumprida a estipulem cláusula resolutiva
necessidade de comprovação da expressa e o credor demonstre os
mora e comunicado o devedor requisitos para a comprovação da
acerca da intenção da parte mora, aguarde a apresentação de
prejudicada de não mais justificativa plausível pelo
prosseguir com a avença inadimplemento ou a purga e
ultrapassado o prazo para a comunique a intenção de
purgação da mora, o contrato se desfazimento do ajuste,
resolve de pleno direito, sem informação que pode constar da
interferência judicial. Essa própria notificação.
resolução, como já mencionado, Ressalte-se que a notificação
dá-se de modo automático, pelo deve conter o valor do crédito em
só fato do inadimplemento do aberto, o cálculo dos encargos
promitente comprador, contratuais cobrados, o prazo e
independentemente de qualquer local de pagamento e,
outra providência. principalmente, a explícita
advertência de que a não
purgação da mora no prazo
acarretará a gravíssima
consequência da extinção do
contrato por resolução, fazendo
nascer uma nova relação entre as
partes - de liquidação.

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Dito isso, afirma-se que a Frise-se que impor à parte
alteração jurisprudencial é prejudicada o ajuizamento de
necessária para tornar demanda judicial para obter a
prescindível o intento de resolução do contrato quando
demanda/ação judicial nas esse estabelece em seu favor a
hipóteses em que existir cláusula garantia de cláusula resolutória
resolutória expressa e tenha a expressa, é impingir-lhe ônus
parte cumprido os requisitos para demasiado e obrigação contrária
a resolução da avença. ao texto expresso da lei,
Necessário referir, ainda, que em desprestigiando o princípio da
hipóteses excepcionais, quando autonomia da vontade, da não
sobressaírem motivos plausíveis e intervenção do Estado nas
justificáveis para a não resolução relações negociais, criando
do contrato, sempre poderá a obrigação que refoge à verdadeira
parte devedora socorrer-se da via intenção legislativa.
judicial a fim de alcançar a REsp 1.789.863-MS
declaração de manutenção do
ajuste, transformando o STJ - Adoção realizada na
inadimplemento absoluto em vigência do CC/1916 e revogada
parcial, oferecendo, na na vigência do Código de
oportunidade, todas as defesas Menores (Lei n. 6.697/1979),
que considerar adequadas a fim antes da entrada em vigor do
de obter a declaração de Estatuto da Criança e do
prosseguimento do contrato. Adolescente. Legitimidade ativa
do filho adotivo para o
ajuizamento da ação de
inventário. Revogação bilateral
e consensual da adoção.
Compatibilidade do CC/1916
com o art. 227, §6º, da CF/1988.
Possibilidade de flexibilização
excepcional da regra de
irrevogabilidade para atender
aos melhores interesses da
criança e do adolescente.
Ilegitimidade ativa configurada.

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Na vigência do CC/1916, a adoção Conquanto o CC/1916 permitisse,
possuía natureza de ato jurídico em seu art. 374, I, a revogação
negocial, tratando-se de bilateral e consensual da adoção,
convenção celebrada entre os o Código de Menores tornou
pais biológicos e os pais adotivos irrevogável a adoção plena (art. 37
por meio da qual determinada da Lei n. 6.679/1979), que veio a
pessoa passaria a pertencer a substituir a legitimidade adotiva
núcleo familiar distinto do natural, anteriormente prevista no art. 7º
admitida a sua revogação nas da Lei n. 4.655/1965.
seguintes hipóteses: (i) Dado que a adoção plena,
unilateralmente, pelo adotado, em irrevogável, possuía uma série de
até um ano após a cessação da pressupostos específicos, não se
menoridade; (ii) unilateralmente, pode afirmar que a adoção
pelos adotantes, quando o concretizada na vigência do
adotado cometesse ato de CC/1916 tenha automaticamente
ingratidão contra eles; (iii) se transformado em uma adoção
bilateralmente, por consenso plena após a entrada em vigor do
entre as partes. Código de Menores, razão pela
Na hipótese em exame, a adoção qual a regra do art. 37 da Lei n.
ocorreu em junho de 1964, 6.679/1979, embora represente
quando vigoravam no Brasil as uma tendência legislativa, cultural
regras do CC/1916 com as e social no sentido da vinculação
alterações introduzidas pela Lei n. definitiva decorrente da adoção
3.133/1957, ao passo que, ao que veio a se concretizar
tempo da revogação da adoção, amplamente com a entrada em
realizada de forma bilateral e vigor do Estatuto da Criança e do
consensual, ocorrida em Janeiro Adolescente, não se aplica à
de 1990, vigoravam no Brasil, adoção realizada em junho de
concomitantemente, apenas o 1964 e revogada em Janeiro de
CC/1916 e o Código de Menores 1990, bilateral e consensualmente
(Lei n. 6.697/1979), sobretudo pelos pais adotivos e pelo filho
porque o ECA - Estatuto da que, naquele momento, possuía
Criança e do Adolescente (Lei n. 28 anos.
8.069/1990) somente passou a
vigorar em Outubro de 1990, não
se aplicando à hipótese.

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A revogação, realizada em 1990 Conforme apurado pela Corte
de forma bilateral e consensual, local, na fase de liquidação,
de adoção celebrada na vigência "diante da dificuldade e da
do CC/1916, é compatível com o complexidade de efetuarem-se os
art. 227, §6º, da Constituição cálculos, relativos à liquidação do
Federal de 1988, uma vez que a julgado (quantum debeatur), as
irrevogabilidade de qualquer próprias partes, de comum
espécie de adoção somente veio a acordo, transigiram, de forma a
ser introduzida no ordenamento advir o 'termo de acordo e
jurídico com o art. 39, §1º, do quitação mútua', homologado pelo
Estatuto da Criança e do ilustre juiz da Nona Vara Cível da
Adolescente, regra que, ademais, Circunscrição Especial Judiciária
tem sido flexibilizada, de Brasília".
excepcionalmente, quando não Quanto ao mérito do recurso,
atendidos os melhores interesses parece mesmo incorreta a
da criança e do adolescente. invocação, pela Corte local, da
REsp 1.930.825-GO coisa julgada material, pois
sentença que se limita a
homologar transação constitui
DIREITO PROCESSUAL CIVIL mero juízo de delibação, nem
sequer sendo, pois, sujeita à
STJ – Liquidação de sentença impugnação em ação rescisória.
coletiva. Transação De todo modo, isso não tem o
homologada em juízo. Coisa condão de alterar o decidido, pois,
julgada material. Inocorrência. malgrado não se possa falar em
coisa julgada material, segundo a
Inicialmente, a associação, doutrina "o ato jurídico perfeito e a
representando os participantes e coisa julgada podem ser
assistidos de plano de benefícios reconduzidos ao conceito de
de previdência complementar direito adquirido, que abrange os
administrado pela GEAP, ajuizou outros dois institutos".
previamente ação coletiva
vindicando a restituição de valores
vertidos a título de pecúlio, tendo
sido o pedido acolhido pelas
instâncias ordinárias - decisão
transitada em julgada.

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Está presente o ato jurídico Por fim, a Segunda Seção, em
perfeito, consubstanciado em decisão unânime, perfilhou o
contrato de transação firmado entendimento de que, em
entre as partes (legitimado, havendo transação, o exame do
reconhecido pela lei como idôneo juiz deve se limitar à sua validade
para defesa dos interesses e eficácia, verificando se houve
individuais dos associados), com efetiva transação, se a matéria
expressa e incontroversa cláusula comporta disposição, se os
de quitação geral. transatores são titulares do direito
Nessa linha de intelecção, é de do qual dispõem parcialmente, se
todo oportuno salientar que a são capazes de transigir - não
associação ajuizou uma nova podendo, sem que se proceda a
ação condenatória referente à esse exame, ser simplesmente
restituição de pecúlio, malgrado desconsiderada a avença (AgRg
apenas mediante ação anulatória, no AREsp 504.022/SC, Rel.
embasada no artigo 486 do Ministro Luis Felipe Salomão,
CPC/1973 (diploma aplicável ao Segunda Seção, julgado em
caso), é que se poderia cogitar a 10/09/2014, DJe 30/09/2014).
desconstituição do acordo REsp 1.418.771-DF
homologado por sentença. Vale
conferir a redação: "[O]s atos STJ - Agravo de instrumento.
judiciais, que não dependem de Decisão sobre competência.
sentença, ou em que esta for Cabimento. Rol do Art. 1.015 do
meramente homologatória, podem CPC/2015. Taxatividade
ser rescindidos, como os atos mitigada. Entendimento do
jurídicos em geral, nos termos da REsp Repetitivo 1.704.520/MT.
lei civil".
É que o art. 966, § 4º, do Na origem, o Tribunal a quo não
CPC/2015 também dispõe que os conheceu do agravo de
atos de disposição de direitos, instrumento, ao entendimento de
praticados pelas partes ou por que "não é cabível o manejo de
outros participantes do processo e agravo de instrumento contra
homologados pelo juízo, bem decisão que declina competência,
como os atos homologatórios uma vez que não prevista esta
praticados no curso da execução, hipótese no rol taxativo do art.
estão sujeitos à anulação, nos 1.015 do Código de Processo
termos da lei. Civil".

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Por seu turno, no julgamento do Como se vê, há patente
recurso especial, a Segunda dissidência entre as teses
Turma consignou, in verbis: "4. A jurídicas adotadas no acórdão
interpretação do art. 1.015 do embargado e no paradigma,
CPC/2015 deve ser, em regra, acerca da possibilidade em se
restritiva, não sendo possível o recorrer de decisão que define
alargamento das hipóteses para competência por meio de agravo
contemplar situações não de instrumento.
previstas taxativamente na lista A propósito, a controvérsia foi
estabelecida para o cabimento do objeto de julgamento desta Corte,
Agravo de Instrumento; 5. As sob o Rito dos Repetitivos, que
decisões relativas à competência, adotou entendimento contrário ao
temática discutida nos presentes esposado no acórdão embargado:
autos, estão fora do rol taxativo do "Assim, nos termos do art. 1.036 e
art. 1.015 do CPC/2015, não se seguintes do CPC/2015, fixa-se a
enquadrando nas hipóteses dos seguinte tese jurídica: "O rol do
incisos II e XIII. [...]". art. 1.015 do CPC é de
Ao revés, no acórdão paradigma, taxatividade mitigada, por isso
ficou consignado que "A decisão admite a interposição de agravo
que define a competência relativa de instrumento quando verificada
ou absoluta é semelhante à a urgência decorrente da
decisão interlocutória que versa inutilidade do julgamento da
sobre rejeição da alegação de questão no recurso de apelação."
convenção de arbitragem, prevista (REsp 1.704.520/MT, Rel. Ministra
no art. 1.015, III, do CPC/2015 Nancy Andrighi, Corte Especial,
(porquanto visa afastar o juízo DJe 19/12/2018).
incompetente para a causa) e, Por fim, conclui-se ser cabível a
como tal, merece tratamento interposição de agravo de
isonômico a autorizar o cabimento instrumento para impugnar
do agravo de instrumento." (AgInt decisão que define a
nos EDcl no REsp 1.731.330/CE, competência.
Rel. Ministro Lázaro Guimarães - EREsp 1.730.436-SP
Desembargador Convocado do
TRF da 5.ª Região, Quarta Turma, STJ - Execução contra Fazenda
DJe 27/08/2018). Pública. Art. 264 do CPC/1973.
Aditamento de pedido após a

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citação. Nova oportunidade de Uma vez que o objetivo na fase de
contraditório. Possibilidade. execução é a satisfação integral
do título, já havendo a certeza do
O CPC/1973 adotava como regra direito, nada impede que o pedido
a impossibilidade de ampliação do inaugural - inicialmente limitado a
pedido após a citação da parte parcela da cobrança - seja
contrária sem a anuência desta posteriormente aditado para a
(art. 264). perseguição da totalidade do
A limitação imposta pelo referido crédito, desde que a pretensão
artigo dizia respeito à fase de não esteja fulminada pela
conhecimento, tanto que inserida prescrição e seja garantida à parte
apenas no Livro I daquele código, executada nova oportunidade de
não havendo igual previsão na defesa.
seção própria da fase de Aliás, se assim não fosse,
execução (Livro II). Inclusive a possibilitar-se-ia, no particular,
norma fala, no parágrafo único, que o credor promovesse nova
em saneamento do processo execução para cobrar valor
como limite para qualquer remanescente, de modo a
modificação, fase típica do então satisfazer integralmente o crédito,
processo de conhecimento. o que iria na contramão da
Justifica-se a existência do eficiência processual.
supracitado artigo no âmbito do REsp 1.546.430-RS
conhecimento, pois tal fase que
está associada à incerteza do STJ - Técnica de julgamento
direito, pelo que necessária a ampliado. Julgadores
fixação de marcos legais para adicionais. Quantidade.
estabilização da lide, de sorte a se Dispensa do quinto julgador.
delimitar exatamente o que e Impossibilidade.
quem será atingido pelos efeitos
da decisão.

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A técnica de ampliação do Isso porque a técnica do
colegiado previu a inclusão de julgamento tem como intenção
julgadores adicionais, conforme privilegiar, sobretudo, o debate
dispõe o art. 942 do CPC/2015, ampliado de ideias, com o reforço
"em número suficiente para do "contraditório, assegurando às
garantir a possibilidade de partes o direito de influência para
inversão do resultado inicial, que possam ter a chance de
assegurado às partes e a participar do convencimento dos
eventuais terceiros o direito de julgadores que ainda não
sustentar oralmente suas razões conhecem o caso".
perante os novos julgadores". Diante dessa característica,
A doutrina descreve que o quórum mostra-se de todo insuficiente
ampliado será composto, pelo reduzir a aludida técnica a uma
menos, por 3 (três) membros do mera busca pela maioria de votos,
órgão colegiado mais - no mínimo como concebido pelo acórdão
- 2 (dois) julgadores convocados recorrido. Com tal postura, a Corte
segundo as regras do regimento estadual desatende a proposta de
interno do tribunal. ampliação dos debates em sua
O fundamento da mencionada inteireza, bem como torna ineficaz
composição do colegiado o disposto no § 2º do art. 942 do
ampliado está relacionado não só CPC/2015 que autorizou
com o respeito ao princípio do expressamente que "os julgadores
juízo natural, mas também com a que já tiverem votado poderão
possibilidade de, com a inclusão rever seus votos por ocasião do
de 2 (dois) e não apenas 1 (um) prosseguimento do julgamento".
desembargador, maximizar e Com base nessa previsão legal,
aprofundar as discussões aliás, não é possível presumir,
jurídicas ou fáticas a respeito da como feito pela Corte de origem,
divergência então instaurada, que o quinto julgador não teria
possibilitando, para tanto, nenhuma influência sobre o
inclusive, nova sustentação oral. resultado final do acórdão. Tal
equivocada conclusão contraria
frontalmente a proposta da técnica
ampliada.

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Por esses motivos, não é possível Vale destacar que as reformas
admitir a dispensa do quinto introduzidas no processo
julgador, integrante necessário da executivo e na fase de
composição do quórum ampliado cumprimento de sentença
do art. 942 do Código de Processo (notadamente pelas Leis n.
Civil de 2015, sob o argumento de 10.444/2002 e 11.382/2006)
que, com o voto do quarto visaram à simplificação e
desembargador, já teria sido efetividade dos procedimentos
atingida a maioria sem previstos pelo antigo Código, a fim
possibilidade de inversão do de alcançar atividade satisfativa
resultado. jurisdicional célere e eficaz, dentre
REsp 1.890.473-MS elas se destacando a
possibilidade de intimar o
STJ - Penhora de bem imóvel executado "na pessoa de seu
por termo nos autos. advogado", para fins de constituí-
Necessidade de intimação lo como depositário.
pessoal do devedor assistido Em se tratando, todavia, de parte
pela Defensoria Pública. Múnus representada pela Defensoria
público. Constituição de Pública, algumas peculiaridades
poderes gerais para o foro. Ato merecem maior aprofundamento,
de natureza material que notadamente as relacionadas ao
demanda ação positiva pessoal tipo de intimação, aos seus ônus e
do assistido. Súmula n. às características da
319/STJ. assistência/representação
realizada pela Defensoria Pública.
Discute-se a validade da
intimação dirigida à Defensoria Nessa senda, imperioso
Pública, para fins de constituição pontuar a distinção existente entre
do devedor assistido como o defensor constituído pela parte e
depositário fiel da penhora o Defensor Público, atuando em
realizada por termo nos autos. razão de múnus público
legalmente atribuído, em que não
há escolha ou relação prévia de
confiança entre assistido e
representante.

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Nesse contexto, a representação Pertinente, ainda, apontar que,
da parte em juízo, justamente por segundo o art. 666, §3º do
ser constituída legalmente, CPC/73, "a prisão do depositário
dispensa a apresentação de infiel será decretada no próprio
mandato, possuindo o defensor processo, independentemente de
apenas os poderes relacionados à ação de depósito". No CPC/15,
procuração geral para o foro, visto dispõe o artigo 161, parágrafo
que o exercício de poderes único, que "o depositário infiel
especiais demanda mandato com responde civilmente pelos
cláusula expressa, conforme o prejuízos causados, sem prejuízo
disposto nos artigos 38, caput, do de sua responsabilidade penal e
CPC/1973 e 16, parágrafo único, da imposição de sanção por ato
"a", da Lei n. 1.060/1950. atentatório à dignidade da justiça
Ademais, percebe-se que o Dessa forma, a constituição do
legislador fez clara distinção entre devedor como depositário do bem
os atos puramente processuais e penhorado não pode ser
aqueles materiais, que demandam considerada, sob qualquer
ação positiva pessoal do assistido. aspecto, como ato de natureza
Nesse ponto, a doutrina preceitua puramente processual,
que a intimação é essencial à justamente em razão das
garantia constitucional do consequências civis e penais que
contraditório, de modo que a o descumprimento do mister pode
distinção dos destinatários da acarretar. Entendimento diverso
intimação, a própria parte ou o implicaria a atribuição ao Defensor
advogado na qualidade de Público de responsabilidade
defensor dessa, é feita a partir da desproporcional pelo
natureza dos atos a se realizar. cumprimento e respeito do
comando judicial por parte do
assistido que, muitas das vezes,
sequer mantém ou atualiza o
contato junto à instituição.

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Observa-se que a intimação Assim sendo, apesar de o antigo
pessoal é pressuposto lógico da CPC/1973 não prever de forma
adequada observância do expressa a necessidade de
comando contido na consolidada intimação pessoal da parte
Súmula n. 319/STJ, que prevê que quando assistida pela Defensoria
"o encargo de depositário de bens Pública, o que pode ser justificado
penhorados pode ser também em razão de o citado
expressamente recusado." órgão ter adquirido estatura
Com efeito, a possibilidade de constitucional somente quando da
recusa expressa do encargo de promulgação da Constituição
depositário de bens somente é Federal de 1988, e a Defensoria
respeitada caso seja oportunizada ter sido dotada de autonomia
à parte, previamente, a opção de funcional e administrativa apenas
fazê-lo, de forma pessoal, não por força da EC 45/2004, o novo
sendo preservado o direito do CPC, atento às necessidades
devedor-depositário pela verificadas na prática forense e às
circunstância de poder, críticas acadêmicas, foi explícito
ulteriormente, requerer ao Juízo em diversos artigos a respeito da
que preside o feito sua obrigatoriedade de intimação
exoneração. Isso porque as pessoal do devedor representado
situações caracterizadoras de pela Defensoria Pública.
responsabilidade civil e criminal Evidencia-se, portanto, que há
do depositário já podem estar, clara diferença entre a relação
inclusive, concretizadas em razão representante-representado
da ausência de ciência pessoal do quando o advogado é designado e
devedor do encargo, que já pode não constituído voluntária e
ter alienado ou instituído gravame pessoalmente pela parte.
sobre o bem penhorado.

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Dessa forma, há a necessidade de Trata a controvérsia sobre a
intimação pessoal do devedor possibilidade de cominação de
assistido pela Defensoria Pública multa em ação de exibição
para que seja constituído como incidental ou autônoma de
depositário fiel do bem imóvel documentos requerida contra a
penhorado por termo nos autos, parte ex adversa em demanda de
seja em virtude de o ato possuir direito privado.
conteúdo de direito material e O procedimento da exibição de
demandar comportamento documentos encontra-se
positivo da parte, b) seja em razão disciplinado nos arts. 396 a 404 do
de o Defensor Público, na CPC/2015, sendo que o
condição de defensor nomeado e pagamento de multa somente foi
não constituído pela parte, exercer previsto na exibição contra
múnus público que impede o seu terceiro (art. 403), não tendo
enquadramento no conceito de havido semelhante previsão do
"advogado" para os fins previstos art. 400, que trata da exibição
no artigo 659, § 5°, do CPC/1973, deduzida contra a parte.
possuindo apenas, via de regra, Sobre o tema, vale dizer que a
poderes gerais para o foro. presunção de veracidade seria
REsp 1.331.719-SP insuficiente para compelir a parte
a atender à ordem de exibição,
STJ - Desde que prováveis a pois entre o mero risco de
existência da relação jurídica sucumbência (no caso de recusa
entre as partes e de documento de exibição) e a certeza da derrota
ou coisa que se pretende seja (no caso de exibição do
exibido, apurada em documento essencial para o
contraditório prévio, poderá o desfecho do litígio), a parte
juiz, após tentativa de busca e tenderia a assumir a primeira
apreensão ou outra medida postura, recusando-se a exibir o
coercitiva, determinar sua documento pretendido.
exibição sob pena de multa com Sob a ótica da ampla defesa e o
base no art. 400, parágrafo dever de cooperação, a
único, do CPC/2015. cominação de astreintes seria
cabível na exibição de
documentos, pois aumenta-se a
probabilidade de sucesso da
ordem de exibição.

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Por outro lado, o direito de não Por fim, não se justifica a
produzir prova contra si mesmo se impossibilidade de aplicação das
restringe à não autoincriminação astreintes sob o fundamento de
em matéria penal, prevalecendo que haveria estímulo ao
no âmbito do direito privado enriquecimento sem causa, pois,
garantia da ampla defesa se a recusa da parte em exibir o
conjugada com o dever de documento for reputada ilegítima
cooperação das partes com a (art. 399 do CPC), basta a sua
instrução probatória. apresentação para que a multa
Sob perspectiva histórica, verifica- não incida.
se que o avanço em termos de Com efeito, firma-se a tese do
efetividade dos provimentos recurso repetitivo para que, desde
jurisdicionais serviu de norte para que prováveis a existência da
o novo codex, como bem apontou relação jurídica entre as partes e
a DPU, de modo que esse norte de documento ou coisa que se
interpretativo conduz ao pretende seja exibido, apurada
entendimento de que a previsão mediante contraditório prévio,
do gênero "medidas coercitivas" poderá o juiz, após tentativa de
no art. 400, parágrafo único, busca e apreensão ou outra
também abrange a multa medida coercitiva, determinar sua
pecuniária, pois essa exibição sob pena de multa, com
interpretação confere maior base no art. 400, parágrafo único,
eficácia à ordem de exibição. do CPC/2015.
Ainda, vale destacar que não se REsp 1.777.553-SP
trata de silêncio eloquente do
artigo 400, mas sim de excesso de STJ - É admissível a extensão
zelo do legislador no artigo 403 ao da prerrogativa conferida à
ressaltar a possibilidade de Defensoria Pública de requerer
incidência de multa em desfavor a intimação pessoal da parte na
de um terceiro estranho à relação hipótese do art. 186, §2º, do
processual, já que, em relação às CPC ao defensor dativo
partes, a aplicação dessa medida nomeado em razão de convênio
coercitiva é natural. entre a Ordem dos Advogados
do Brasil e a Defensoria.

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A interpretação literal das regras É igualmente razoável concluir
contidas do art. 186, caput, § 2º e que a altíssima demanda recebida
§ 3º, do CPC/2015, autoriza a pela Defensoria Pública, que
conclusão no sentido de que pressiona a instituição a tratar de
apenas a prerrogativa de cômputo muito mais causas do que
em dobro dos prazos prevista no efetivamente teria capacidade de
caput seria extensível ao defensor receber, também se verifica
dativo, mas não a prerrogativa de quanto ao defensor dativo,
requerer a intimação pessoal da especialmente porque se trata de
parte assistida quando o ato profissional remunerado de
processual depender de maneira módica e que, em virtude
providência ou informação que disso, naturalmente precisa
somente por ela possa ser assumir uma quantidade
realizada ou prestada. significativa de causas para que
Esse conjunto de regras, todavia, obtenha uma remuneração digna
deve ser interpretado de modo e compatível.
sistemático e à luz de sua A interpretação literal e restritiva
finalidade, a fim de se averiguar se da regra em exame, a fim de
há razão jurídica plausível para excluir do seu âmbito de
que se trate a Defensoria Pública incidência o defensor dativo,
e o defensor dativo de maneira prejudicará justamente o assistido
anti-isonômica nesse particular. necessitado que a regra
Dado que o defensor dativo atua pretendeu tutelar, ceifando a
em locais em que não há possibilidade de, pessoalmente
Defensoria Pública instalada, intimado, cumprir determinações e
cumprindo o quase altruísta papel fornecer subsídios, em
de garantir efetivo e amplo acesso homenagem ao acesso à justiça,
à justiça àqueles mais ao contraditório e à ampla defesa,
necessitados, é correto afirmar razão pela qual deve ser admitida
que as mesmas dificuldades de a extensão da prerrogativa
comunicação e de obtenção de conferida à Defensoria Pública no
informações, dados e art. 186, § 2º, do CPC/2015,
documentos, experimentadas pela também ao defensor dativo
Defensoria Pública e que nomeado em virtude de convênio
justificaram a criação do art. 186, celebrado entre a OAB e a
§2º, do CPC/2015, são igualmente Defensoria.
frequentes em relação ao RMS 64.894-SP
defensor dativo.

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STJ - Recuperação judicial. Por outro lado, e como é cediço, o
Crédito reconhecido art. 59, caput, da LFRE, prevê que
judicialmente. Ação que o plano de recuperação judicial
demandava quantia ilíquida. implica novação dos créditos
Cumprimento de sentença. anteriores ao pedido e obriga o
Submissão aos efeitos do devedor e todos os credores a ele
processo de soerguimento. sujeitos.
Ausência de recusa voluntária Destarte, o adimplemento das
ao adimplemento da obrigação. dívidas da recuperanda deverá
Multa do art. 523, § 1º, do seguir as condições pactuadas
CPC/2015. Não incidência. entre os sujeitos envolvidos no
processo de soerguimento,
Nos termos do art. 49, caput, da sempre respeitando-se o
Lei n. 11.101/2005, estão sujeitos tratamento igualitário entre os
à recuperação judicial todos os credores de cada classe. Fica
créditos existentes na data do claro que, na espécie, a satisfação
pedido (ainda que não vencidos), do crédito objeto da ação
sendo certo que a aferição da indenizatória deverá ocorrer, após
existência ou não do crédito deve devidamente habilitado, de acordo
levar em consideração a data da com as disposições do plano de
ocorrência de seu fato gerador recuperação judicial.
(fonte da obrigação). Nesse contexto, não se pode
Tratando-se, contudo, de crédito considerar que a causa que dá
derivado de ação na qual se ensejo à aplicação da penalidade
demandava quantia ilíquida, a Lei prevista no § 1º do art. 523 do
de Falências e Recuperação de CPC/2015 - recusa voluntária ao
Empresas estabelece que ele adimplemento da obrigação
somente passa a ser passível de constante de título executivo
habilitação no quadro de credores judicial - tenha se perfectibilizado
a partir do momento em que na hipótese.
adquire liquidez, de modo que o
prosseguimento da execução
singular, desse momento em
diante, deve ficar obstado
(inteligência do art. 6º, § 1º, da Lei
n. 11.101/2005).

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Vale dizer, não há como fazer Mercadorias e Serviços (ICMS)
incidir à espécie a multa (1).
estipulada no dispositivo legal Para haver substituição tributária
precitado, uma vez que o relativamente ao ICMS, é
pagamento do valor da imprescindível que haja a lei
condenação - por decorrência complementar federal a que alude
direta da sistemática prevista na o art. 155, § 2º, XII, b, da
Lei n. 11.101/2005 - não era Constituição Federal (CF) (2) e
obrigação passível de ser exigida que o mecanismo esteja previsto
nos termos da regra geral da em lei estadual, conforme
codificação processual. determina o art. 150, § 7º, da CF
Ademais, estando em curso (3) (4).
processo recuperacional, a livre
No que diz respeito ao primeiro
disposição, pela devedora, de seu
requisito, a Lei Complementar
acervo patrimonial para
(LC) 87/1996 (Lei Kandir) permite
pagamento de créditos individuais
que essa responsabilidade seja
sujeitos ao plano de soerguimento
atribuída por lei estadual (art. 6º)
violaria o princípio (comum a toda
(5), observada, ainda, a
espécie de procedimento
necessidade de acordo celebrado
concursal) segundo o qual os
pelos estados interessados, se a
credores devem ser tratados em
operação for interestadual (art. 9º)
condições de igualdade dentro
(6). Em relação às operações com
das respectivas classes.
energia elétrica, a própria Lei
REsp 1.937.516-SP
Kandir já trouxe quais atores
econômicos podem ser eleitos
como substitutos tributários (art.
DIREITO TRIBUTÁRIO
9º, § 1º, II) (7), mas não atribuiu,
ela própria, desde logo, a nenhum
STF - Necessidade de lei em
sujeito passivo alguma
sentido estrito para a instituição
responsabilidade por substituição
de substituição tributária.
tributária.
É inconstitucional decreto Assim, se a substituição tributária
estadual que atribua às empresas não está prevista em lei estadual
geradoras de energia elétrica a em sentido estrito, o decreto, ao
responsabilidade por substituição tratar originariamente do assunto,
tributária pelo recolhimento do inova no ordenamento jurídico e
Imposto sobre Circulação de incide em inconstitucionalidade
formal, por ofensa ao princípio da
legalidade tributária.
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Com base nesse entendimento, o (3) CF: “Art. 150. Sem prejuízo de
Plenário, por maioria, em análise outras garantias asseguradas ao
conjunta, julgou prejudicadas as contribuinte, é vedado à União,
ações diretas quanto ao art. 1º, II, aos Estados, ao Distrito Federal e
do Decreto 40.628/2019 do aos Municípios: (...) § 7º A lei
Estado do Amazonas, na parte em poderá atribuir a sujeito passivo de
que fixou a Margem de Valor obrigação tributária a condição de
Agregado (MVA) de 150% em responsável pelo pagamento de
relação à energia elétrica, e as imposto ou contribuição, cujo fato
julgou procedentes na parte gerador deva ocorrer
subsistente, declarando a posteriormente, assegurada a
inconstitucionalidade dos arts. 1º, imediata e preferencial restituição
I e II, e 2º do mesmo decreto. da quantia paga, caso não se
Foram modulados os efeitos da realize o fato gerador presumido.”
declaração de (4) Precedente: RE 598.677
inconstitucionalidade, (Tema 456 da Repercussão
estabelecendo-se que a decisão Geral)
produza efeitos a partir do início
(5) LC 87/1996: “Art. 6º Lei
do próximo exercício financeiro
estadual poderá atribuir a
(2022), ficando ressalvadas as
contribuinte do imposto ou a
ações ajuizadas até a véspera da
depositário a qualquer título a
publicação da ata de julgamento
responsabilidade pelo seu
do mérito. Vencidos parcialmente
pagamento, hipótese em que
os ministros Marco Aurélio e
assumirá a condição de substituto
Edson Fachin, que divergiram tão
tributário.”
somente no tocante à projeção
dos efeitos da decisão referente à (6) LC 87/1996: “Art. 9º A adoção
declaração de do regime de substituição
inconstitucionalidade. tributária em operações
interestaduais dependerá de
(1) Precedente: ADI 4.281.
acordo específico celebrado pelos
(2) CF: “Art. 155. Compete aos Estados interessados.”
Estados e ao Distrito Federal
(7) LC 87/1996: “Art. 9º. (...) § 1º A
instituir impostos sobre: (...) § 2º O
responsabilidade a que se refere o
imposto previsto no inciso II
art. 6º poderá ser atribuída: (...) II -
atenderá ao seguinte: (...) XII -
às empresas geradoras ou
cabe à lei complementar: (...) b)
distribuidoras de energia elétrica,
dispor sobre substituição
nas operações internas e
tributária;”
interestaduais, na condição de
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contribuinte ou de substituto Também é de se registrar que esta
tributário, pelo pagamento do Corte, por ambas as Turmas de
imposto, desde a produção ou Direito Tributário, compreende
importação até a última operação, que o destino tributário dos
sendo seu cálculo efetuado sobre benefícios recebidos de entidade
o preço praticado na operação de previdência privada não pode
final, assegurado seu ser diverso do destino das
recolhimento ao Estado onde importâncias correspondentes ao
deva ocorrer essa operação.” resgate das respectivas
ADI 6144/AM e ADI 6624/AM contribuições. Desse modo, se há
isenção para os benefícios
STJ - O fato de se pagar parte ou recebidos por portadores de
totalidade do IRPF sobre o moléstia grave, que nada mais são
rendimento do contribuinte ou que o recebimento dos valores
sobre o resgate do plano e o aplicados nos planos de
fato de um plano ser previdência privada de forma
tecnicamente chamado de parcelada no tempo, a norma
"previdência" (PGBL) e o outro também alberga a isenção para os
de "seguro" (VGBL) são resgates das mesmas
irrelevantes para a aplicação da importâncias, que nada mais são
isenção prevista no art. 6º, XIV, que o recebimento dos valores
da Lei n. 7.713/1988 c/c art. 39, § aplicados de uma só vez.
6º, do Decreto n. 3.000/1999. Para a aplicação da jurisprudência
é irrelevante tratar-se de plano de
Conforme posicionamento já previdência privada modelo PGBL
pacificado por este Superior (Plano Gerador de Benefício
Tribunal, a extensão da aplicação Livre) ou VGBL (Vida Gerador de
do art. 6º, XIV, da Lei n. Benefício Livre), isto porque são
7.713/1988 (isenção para apenas duas espécies do mesmo
proventos de aposentadoria ou gênero (planos de caráter
reforma recebidos por portadores previdenciário) que se diferenciam
de moléstia grave) também para em razão do fato de se pagar parte
os recolhimentos ou resgates do IR antes (sobre o rendimento
envolvendo entidades de do contribuinte) ou depois (sobre o
previdência privada ocorreu com o resgate do plano).
advento do art. 39, §6º, do Decreto
n. 3.000/1999.

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O fato de se pagar parte ou Pelo critério da sucumbência, a
totalidade do IR antes ou depois e parte vencida deve pagar
o fato de um plano ser honorários à parte vencedora. O
tecnicamente chamado de parágrafo primeiro deve ser lido
"previdência" (PGBL) e o outro de em consonância com o caput. Ele
"seguro" (VGBL) são irrelevantes tem o condão de destacar que os
para a aplicação da leitura que honorários não são devidos
este Superior Tribunal de Justiça apenas no processo de
faz da isenção prevista no art. 6º, conhecimento natural, mas são
XIV, da Lei n. 7.713/88 c/c art. 39, também devidos na reconvenção,
§6º, do Decreto n. 3.000/99. Isto no cumprimento de sentença, na
porque ambos os planos irão gerar execução e nos recursos.
efeitos previdenciários, quais Quando o parágrafo primeiro
sejam: uma renda mensal - que afirma que os honorários são
poderá ser vitalícia ou por período devidos para a execução resistida
determinado - ou um pagamento ou não resistida, quer dizer, em
único correspondentes à verdade, que, quando existe a
sobrevida do formação da relação jurídica
participante/beneficiário. processual entre exequente e
REsp 1.583.638-SC executado, independentemente
de apresentação de defesa em
STJ - Execução fiscal. autos próprios ou apartados,
Pagamento do débito após o existe a incidência honorários
ajuizamento e antes da citação. advocatícios.
Honorários advocatícios. Não
cabimento.

O caput do art. 85 do CPC/2015


fixa o critério da sucumbência
como a regra matriz da fixação de
honorários advocatícios. O § 10
estabelece o critério da
causalidade como complemento à
sucumbência.

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Essa interpretação decorre não só Registre-se, por fim, tratar o caso
da leitura do parágrafo primeiro concreto de execução fiscal
em consonância com o caput do ajuizada pela Fazenda Pública
art. 85, mas também pela leitura Municipal, na qual não há previsão
do art. 312 do CPC. Esse de encargos da dívida ativa de
dispositivo prevê que a forma automática, hipótese
propositura da demanda só diversa da Fazenda Pública
produz efeitos para o polo passivo Federal, em que o art. 1º do
na citação. Essa previsão é Decreto-lei 1025/69 prevê a
aplicável ao processo de cobrança de 20% (vinte por cento)
execução por força do disposto no sobre o valor do crédito, montante
parágrafo único, do art. 318 do esse que substitui a condenação
CPC, o qual preconiza que o em honorários de sucumbência.
procedimento comum aplica-se REsp 1.927.469-PE
subsidiariamente aos demais
procedimentos especiais e ao STJ - Recuperação judicial.
processo de execução. Habilitação de crédito. Multa
Assim, verifica-se que a administrativa. Natureza não
sucumbência não poderia recair tributária. Fazenda Pública.
sobre a parte executada se o Concurso de credores. Não
pagamento ocorreu em momento sujeição.
anterior à citação, já que os efeitos
da demanda não a alcançam. Nos termos do art. 49, caput, da
Evidentemente, a causalidade Lei n. 11.101/2005, estão sujeitos
impede que a Fazenda Pública à recuperação judicial do devedor
seja condenada em honorários todos os créditos existentes na
pelo pagamento anterior à citação data do pedido (ainda que não
e após o ajuizamento. Ela teria o vencidos), sendo certo que a
condão, neste caso, de afastar a aferição da existência ou não do
responsabilidade pelo pagamento crédito deve levar em
da verba, uma vez que, no consideração a data da ocorrência
momento da propositura da de seu fato gerador (fonte da
demanda, o débito inscrito estava obrigação).
ativo.

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O art. 187, caput, do Código Ademais, a própria Lei n.
Tributário Nacional exclui os 10.522/2002 - que trata do
créditos de natureza tributária dos parcelamento especial previsto no
efeitos da recuperação judicial do art. 68, caput, da LFRE - prevê,
devedor, nada dispondo, contudo, em seu art. 10-A, que tanto os
acerca dos créditos de natureza créditos de natureza tributária
não tributária. quanto não tributária poderão ser
A Lei n. 11.101/2005, ao se referir liquidados de acordo com uma das
a "execuções fiscais" (art. 6º, § 7º- modalidades ali estabelecidas, de
B), está tratando do instrumento modo que admitir a submissão
processual que o ordenamento destes ao plano de soerguimento
jurídico disponibiliza aos equivaleria a chancelar a
respectivos titulares para possibilidade de eventual
cobrança dos créditos públicos, cobrança em duplicidade.
independentemente de sua Tampouco a Lei n. 6.830/1980, em
natureza, conforme disposto no seus artigos 5º e 29, faz distinção
art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei n. entre créditos tributários e não
6.830/1980. tributários, estabelecendo apenas,
Desse modo, se, por um lado, o em sentido amplo, que a
art. 187 do CTN estabelece que os "cobrança judicial da Dívida Ativa
créditos tributários não se da Fazenda Pública não é sujeita
sujeitam ao processo de a concurso de credores ou
soerguimento - silenciando quanto habilitação em falência,
aqueles de natureza não tributária concordata, liquidação, inventário
-, por outro lado verifica-se que o ou arrolamento".
próprio diploma recuperacional e
falimentar não estabeleceu
distinção entre a natureza dos
créditos que deram ensejo ao
ajuizamento do executivo fiscal
para afastá-los dos efeitos do
processo de soerguimento.

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Esta Corte Superior, ao tratar de julgadas julgadas no REsp
questões envolvendo a 1.089.720/RS e recurso
possibilidade ou não de representativo da controvérsia
continuidade da prática, em REsp 1.227.133/RS.
execuções fiscais, de atos Preservação da totalidade da
expropriatórios em face da tese julgada no recurso
recuperanda, também não se representativo de controvérsia
preocupou em diferenciar a REsp 1.138.685/SC.
natureza do crédito em cobrança, Integralidade, estabilidade e
denotando que tal distinção não coerência da jurisprudência.
apresenta relevância para fins de Tema 878.
submissão (ou não) da dívida aos
efeitos do processo de
soerguimento.
Assim, em que pese a dicção
aparentemente restritiva da norma
do caput do art. 187 do CTN, a
interpretação conjugada das
demais disposições que regem a
cobrança dos créditos da Fazenda
Pública insertas na Lei de
Execução Fiscal, bem como
daquelas integrantes da própria
Lei n. 11.101/2005 e da Lei n.
10.522/2002, autorizam a
conclusão de que, para fins de não
sujeição aos efeitos do plano de
recuperação judicial, a natureza
tributária ou não tributária do valor
devido é irrelevante.
REsp 1.931.633-GO

STJ - Imposto de renda da


pessoa física - IRPF. Incidência
sobre juros de mora. Adaptação
da jurisprudência do STJ ao que
julgado pelo STF no RE n.
855.091/RS (Tema 808 - RG).
Preservação em parte das teses
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O Supremo Tribunal Federal no O dever de manter a
julgamento do RE 855.091/RS jurisprudência deste Superior
(Tribunal Pleno, Rel. Min. Dias Tribunal de Justiça íntegra,
Toffoli, julgado em 15.03.2021), estável e coerente (art. 926, do
apreciando o Tema 808 da CPC/2015) impõe realizar a
Repercussão Geral, em caso compatibilização da jurisprudência
concreto onde em discussão juros desta Casa formada em
moratórios acrescidos a verbas repetitivos e precedentes da
remuneratórias reconhecidas em Primeira Seção ao que decidido
reclamatória trabalhista, no Tema 808 pela Corte
considerou não recepcionada pela Constitucional. Dessa análise,
Constituição Federal de 1988 a após as derrogações perpetradas
parte do parágrafo único do art. pelo julgado do STF na
16, da Lei n. 4.506/1964 que jurisprudência deste STJ,
determina a incidência do imposto exsurgem as seguintes teses: 1)
de renda sobre juros de mora Regra geral, os juros de mora
decorrentes de atraso no possuem natureza de lucros
pagamento das remunerações cessantes, o que permite a
previstas no artigo, ou seja, incidência do Imposto de Renda -
rendimentos do trabalho Precedentes: REsp.
assalariado (remunerações 1.227.133/RS, REsp. n.
advindas de exercício de 1.089.720/RS e REsp.
empregos, cargos ou funções). 1.138.695/SC; 2) Os juros de mora
Fixou-se então a seguinte tese: decorrentes do pagamento em
Tema 808 da Repercussão Geral: atraso de verbas alimentares a
"Não incide imposto de renda pessoas físicas escapam à regra
sobre os juros de mora devidos geral da incidência do Imposto de
pelo atraso no pagamento de Renda, posto que,
remuneração por exercício de excepcionalmente, configuram
emprego, cargo ou função". indenização por danos
emergentes - Precedente: RE
855.091/RS; 3) Escapam à regra
geral de incidência do Imposto de
Renda sobre juros de mora
aqueles cuja verba principal seja
isenta ou fora do campo de
incidência do IR - Precedente:
REsp. 1.089.720/RS.
REsp 1.470.443-PR
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DIREITO EMPRESARIAL Nos termos do artigo 6º da Lei da
Anvisa, sua finalidade institucional
STJ - Propriedade industrial. consiste em promover a proteção
Patente de fármacos. Art. 229-C da saúde da população, por
da Lei n. 9.279/1996. Anuência intermédio do controle sanitário da
prévia da ANVISA. Manifestação produção e da comercialização de
quanto ao eventual risco à produtos e serviços submetidos à
saúde pública e aos requisitos vigilância sanitária, inclusive dos
de patenteabilidade. ambientes, dos processos, dos
Necessidade. insumos e das tecnologias a eles
relacionados, bem como o
A controvérsia diz respeito aos controle de portos, aeroportos e
"limites da análise" a ser efetuada de fronteiras.
pela agência reguladora para fins Entre outras competências
da anuência prévia imposta pelo previstas no artigo 7º da lei,
artigo 229-C da Lei de destaca-se a voltada à correção
Propriedade Industrial, ou seja: de falhas de mercado do setor de
deve ficar adstrita a certificar se os fármacos, mediante o
produtos ou os processos monitoramento da evolução dos
farmacêuticos - objetos do pedido preços de medicamentos,
de patente - apresentam ou não podendo a agência reguladora,
potencial risco à saúde ou lhe é para tanto, requisitar informações,
permitido adentrar os requisitos de proceder ao exame de estoques
patenteabilidade - novidade, ou convocar os responsáveis para
atividade inventiva e aplicação explicarem conduta indicativa de
industrial -, cuja análise técnica, infração à ordem econômica, tais
em linha de princípio, compete ao como a imposição de preços
INPI. excessivos ou aumentos
injustificados (inciso XXV).

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O relevante papel desempenhado Assim, conquanto não se possa
pela Anvisa na esfera da descurar das atribuições legais do
regulação econômico-social do INPI - principalmente a execução,
setor extrai-se, ainda, do fato de no âmbito nacional, de normas
exercer a Secretaria-Executiva da que regulam a propriedade
Câmara de Regulação do industrial, tendo em vista a sua
Mercado de Medicamentos função social, econômica, jurídica
(CMED), órgão interministerial e técnica -, em relação às patentes
criado pela Lei n. 10.742/2003 - de fármacos, não há falar em
integrado pelos Ministros da invasão institucional por parte da
Saúde, da Casa Civil, da Fazenda, Anvisa, quando a recusa da
da Justiça e do Desenvolvimento, anuência prévia estiver
Indústria e Comércio Exterior - e fundamentada em qualquer
que tem por objetivos a adoção, a critério demonstrativo do impacto
implementação e a coordenação prejudicial da concessão do
de atividades destinadas a privilégio às políticas de saúde
promover a assistência pública, que abrangem a garantia
farmacêutica à população, por de acesso universal à assistência
meio de mecanismos que farmacêutica integral.
estimulem a oferta dos produtos e Isso porque a diferença das
a competitividade entre os perspectivas de análise das
fornecedores. referidas autarquias federais
sobre o pedido de outorga de
patente farmacêutica afasta
qualquer conflito de atribuições.

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Com efeito, é certo que o INPI, A atuação da agência reguladora,
vinculado atualmente ao no caso, traduz, marcadamente,
Ministério da Economia, tem por uma função redistributiva, na qual
objetivo garantir a proteção se procura conciliar o interesse
eficiente da propriedade industrial privado - direito de exclusividade
e, nesse mister, parte de critérios da exploração lucrativa da
fundamentalmente técnicos, invenção - com as metas e os
amparados em toda a sua objetivos de interesses públicos
expertise na área, para avaliar os encartados nas políticas de
pedidos de patente, cujo ato de saúde.
concessão consubstancia ato A tese ora proposta, portanto,
administrativo de decorre da interpretação
discricionariedade vinculada aos sistemática das normas contidas
parâmetros abstratos e no inciso I do artigo 18 da Lei de
tecnológicos constantes da lei de Propriedade industrial - proibição
regência e de seus normativos de outorga de patentes a
internos. invenções contrárias à saúde
Por outro lado, a Anvisa, detentora pública - e nas Leis n. 9.782/1999
de conhecimento especializado no e 10.742/2003, que delineiam as
setor de saúde, no exercício do funções institucionais e as
"ato de anuência prévia", deve competências expressamente
adentrar quaisquer aspectos dos atribuídas à Anvisa no sentido de
produtos ou processos resguardar a viabilidade das
farmacêuticos - ainda que políticas de saúde consideradas
extraídos dos requisitos de "de relevância pública" pela
patenteabilidade (novidade, Constituição de 1988.
atividade inventiva e aplicação
industrial) - que lhe permitam
inferir se a outorga do direito de
exclusividade representará
potencial prejuízo às políticas
públicas do SUS voltadas a
garantir a assistência
farmacêutica à população.

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Nessa perspectiva, a estipulação Em acréscimo, ressalta-se que, à
da "anuência prévia" da autarquia luz da norma legal analisada
especial, como condição para a (artigo 229-C da Lei n.
concessão da patente 9.279/1996), a exigência de
farmacêutica, tem por base o seu anuência prévia da Anvisa
papel de regulação econômico- constitui pressuposto de validade
social - ou socioeconômica - do da concessão de patente de
setor de medicamentos, que se produto ou processo farmacêutico
justifica pelos mandamentos - o que, por óbvio, decorre da
extraídos da Carta Magna, no extrema relevância dos
sentido da necessária medicamentos para a garantia do
harmonização do direito à acesso universal à assistência
propriedade industrial com os integral à saúde -, não podendo,
princípios da função social, da assim, o parecer negativo, em
livre concorrência e da defesa do casos nos quais demonstrada a
consumidor, assim como o contrariedade às políticas de
interesse social encartado no saúde pública, ser adotado
dever do Estado de, observada a apenas como subsídio à tomada
cláusula de reserva do possível, de decisão do INPI. O caráter
conferir concretude ao direito vinculativo da recusa de anuência
social fundamental à saúde é, portanto, indubitável.
(artigos 5º, incisos XXIII, XXIX, 6º, Nada obstante, eventual
170, incisos III, IV e V, e 196). divergência entre as autarquias
sobre os fundamentos exarados
no parecer desfavorável à
pretensão patentária, deve ser
dirimida sob uma ótica dialética e
cooperativa - recomendável no
âmbito da Administração Pública -
, em que busquem equacionar "o
propósito de estímulo da atividade
inventiva conducente ao
desenvolvimento tecnológico e
econômico do País" e "o interesse
social de concretização do direito
fundamental à saúde objeto das
políticas públicas do SUS".
REsp 1.543.826-RJ

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STJ - Ação de execução de Assim, na hipótese de indícios de
títulos extrajudiciais. Empresa abuso da autonomia patrimonial, a
Individual de Responsabilidade personalidade jurídica da EIRELI
Limitada - EIRELI que não é pode ser desconsiderada, de
parte na execução. Penhora de modo a atingir os bens
bens. Impossibilidade. particulares do empresário
Desconsideração inversa da individual para a satisfação de
personalidade jurídica. dívidas contraídas pela pessoa
Necessidade. jurídica. Também se admite a
desconsideração da
A Empresa Individual de personalidade jurídica de maneira
Responsabilidade Limitada - inversa, quando se constatar a
EIRELI foi introduzida no utilização abusiva, pelo
ordenamento jurídico pátrio pela empresário individual, da
Lei n. 12.441/2011, com vistas a blindagem patrimonial conferida à
sanar antiga lacuna legal quanto à EIRELI, como forma de ocultar
limitação do risco patrimonial no seus bens pessoais.
exercício individual da empresa. Em uma ou em outra situação,
Importa destacar que o todavia, é imprescindível a
fundamento e efeito último da instauração do incidente de
constituição da EIRELI é a desconsideração da
separação do patrimônio - e personalidade jurídica de que
naturalmente, da tratam os arts. 133 e seguintes do
responsabilidade - entre a pessoa CPC/2015, de modo a permitir a
jurídica e a pessoa natural que lhe inclusão do novo sujeito no
titulariza. Uma vez constituída a processo - o empresário individual
EIRELI, por meio do registro de ou a EIRELI -, atingido em seu
seu ato constitutivo na Junta patrimônio em decorrência da
Comercial, não mais entrelaçadas medida.
estarão as esferas patrimoniais da REsp 1.874.256-SP
empresa e do empresário, como
explicitamente prescreve o art. STJ - Cheque. Não
980-A, § 7º, do CC/2002. apresentação ao banco sacado
para compensação. Juros de
mora. Termo inicial. Primeiro
ato tendente à satisfação do
crédito.

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Cinge-se a controvérsia sobre o A apresentação não constitui
termo inicial dos juros moratórios requisito intrínseco para que se
para a cobrança de cheque possa cobrar do emitente a dívida
prescrito não apresentado para inserta na cártula, porém, nos
pagamento junto ao banco termos da lei de regência, se
sacado. efetivada a apresentação para
Esta Corte, no julgamento do pagamento ao banco sacado, os
Recurso Repetitivo 1.556.834/SP juros moratórios tem incidência a
sedimentou o seguinte partir da referida data nos termos
entendimento: "Em qualquer ação do artigo 52, inciso II da Lei n.
utilizada pelo portador para 7357/1985. O ponto nodal é se
cobrança de cheque, a correção quando não realizado tal
monetária incide a partir da data procedimento - apresentação - os
de emissão estampada na cártula, encargos moratórios incidentes
e os juros de mora a contar da ficariam protraídos para termo
primeira apresentação à futuro ou retroagiriam para a data
instituição financeira sacada ou do vencimento da dívída ou da
câmara de compensação." (REsp assinatura do título.
1556834/SP, Rel. Ministro Luis
Felipe Salomão, Segunda Seção,
DJe 10/08/2016).
Assim, consoante se extrai do
referido julgado, o termo inicial dos
juros de mora depende da
apresentação da cártula à
instituição financeira sacada, o
que vai ao encontro do disposto no
art. 52, inciso II, da Lei n.
7.357/1985, que dispõe sobre o
cheque e dá outras providências.
Na hipótese analisada, contudo,
não houve apresentação do
cheque ao banco sacado, ou
tampouco a adoção de qualquer
providência no sentido da
cobrança da dívida.

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O valor estampado na cártula Como já referido, a Lei do Cheque
constitui dívida líquida e com (Lei n. 7.357/1985) possui regra
vencimento certo, o que, em expressa que disciplina os juros
princípio poderia atrair a aplicação relacionados com a cobrança de
do artigo 397 do Código Civil de crédito estampado neste título.
2002, antigo 960 do diploma Segundo o referido texto legal, os
civilista revogado, considerando- juros de mora devem ser contados
se em mora o devedor desde o desde a data da primeira
vencimento. Tal compreensão, em apresentação do cheque pelo
princípio, e sem que se fizesse o portador à instituição financeira,
devido distinguishing, viria ao conforme previsto no art. 52,
encontro do entendimento inciso II.
sedimentado no âmbito da Corte Por força do disposto no normativo
Especial segundo o qual a acima mencionado, a obrigação
circunstância da dívida ter sido decorrente do cheque, a despeito
cobrada por meio de ação de ser uma forma de pagamento à
monitória não interfere na data de vista, ganha os contornos da mora
início da fluência dos juros de ex persona, em virtude de ser um
mora, a qual recairia no dia do título cuja relação cambiária é
vencimento, conforme tripartite - emitente (sacador):
estabelecido pela relação de aquele que dá a ordem de
direito material. pagamento; sacado: aquele que
Entretanto, é imprescindível recebe a ordem de pagamento (o
mencionar que essa assertiva, banco) e beneficiário (tomador,
contrasta com o disposto no art. portador): é o favorecido da ordem
52, inciso II, da Lei n. 7357/1985 - de pagamento, ou seja, aquele
regra especial atinente ao título de que tem o direito de receber o
crédito ora objeto de análise - e valor escrito no cheque, não
não observa o instituto duty to bastando para a configuração da
mitigate the loss. mora o decurso do prazo
Com efeito, a inércia do credor estampado para o vencimento do
jamais pode ser premiada, motivo título, por constituir ordem para
pelo qual o termo inicial dos juros que terceiro (banco sacado)
de mora deve levar em conta um realize o pagamento da quantia na
ato concreto do interessado cártula, ou seja, demanda, por
tendente a satisfazer o seu este motivo, uma atuação
crédito. comissiva do credor.

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A Corte Especial, em recentíssimo Nesse contexto, em consonância
pronunciamento (EAREsp ao entendimento firmado no
502.132/RS, Rel. Ministro Raul Recurso Repetitivo 1.556.834/SP,
Araújo, Corte Especial, DJe no novo pronunciamento da Corte
03/08/2021), procurou elucidar a Especial (EAREsp 502.132/RS),
questão envolvendo a mora do com base no regramento especial
devedor, oportunidade na qual da Lei n. 7.357/1985, a melhor
concluiu que "não é o meio judicial interpretação a ser dada quando o
de cobrança da dívida que define cheque não for apresentado à
o termo inicial dos juros moratórios instituição financeira sacada para
nas relações contratuais, mas sim a respectiva compensação, é
a natureza da obrigação ou a aquela que reconhece o termo
determinação legal de que haja inicial dos juros de mora a partir do
interpelação judicial ou primeiro ato do credor no sentido
extrajudicial para a formal de satisfazer o seu crédito, o que
constituição do devedor em mora". pode se dar pela apresentação,
Acrescentou, ainda, "que a mora protesto, notificação extrajudicial,
do devedor pode se configurar de ou, como no caso concreto, pela
distintas formas, de acordo com a citação (art. 219 do CPC/73
natureza da relação jurídico- correspondente ao art. 240 do
material estabelecida entre as CPC/15).
partes ou conforme exigência REsp 1.768.022-MG
legal".

DIREITO PREVIDENCIÁRIO

STF - Concubinato e rateio de


pensão por morte.

É inconstitucional o
reconhecimento de direitos
previdenciários nas relações que
se amoldam ao instituto do
concubinato, mesmo que a união
tenha sido mantida durante longo
período e com aparência familiar.
O microssistema jurídico que rege
a família como base da sociedade
[CF, art. 226, caput (1)] orienta-se
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pelos princípios da monogamia, (2) CC/2002: “Art. 1.566. São
da exclusividade e da boa-fé, bem deveres de ambos os cônjuges: I -
como pelos deveres de lealdade e fidelidade recíproca;”
fidelidade que visam a conferir (3) CC/2002: “Art. 1.727. As
maior estabilidade e segurança às relações não eventuais entre o
relações familiares. homem e a mulher, impedidos de
No Código Civil (CC), a relação casar, constituem concubinato.”
duradoura estabelecida entre (4) CC/2002: “Art. 1.723. É
pessoas impedidas de casar é reconhecida como entidade
nomeada concubinato para familiar a união estável entre o
distingui-la da união estável, homem e a mulher, configurada na
precisamente sob o aspecto do convivência pública, contínua e
impedimento ao casamento, e duradoura e estabelecida com o
afastar seu reconhecimento como objetivo de constituição de família.
entidade familiar [CC, art. 1.566, I § 1º A união estável não se
(2)]. Para efeito de diferenciação constituirá se ocorrerem os
entre a união estável e o impedimentos do art. 1.521; não
concubinato, o art. 1.727 do CC se aplicando a incidência do inciso
(3) deve ser lido em conjunto com VI no caso de a pessoa casada se
o art. 1.723, § 1º, do CC (4). achar separada de fato ou
Ademais, o Tribunal, ao debater judicialmente.”
questões similares, concluiu não (5) Precedente: RE 1.045.273
ser possível o reconhecimento de (Tema 529 RG).
uma segunda união estável e o
RE 883168/SC
consequente rateio de pensão por
morte (5).
Assim, ao apreciar o Tema 526 da ESTATUTO DA CRIANÇA E DO
repercussão geral, o Plenário, por ADOLESCENTE
maioria, deu provimento a recurso
extraordinário para reformar o STJ - Adoção personalíssima.
acórdão impugnado, uma vez que, Intrafamiliar. Parentes
ante a configuração do colaterais por afinidade.
concubinato, a recorrida não tem Habilitação junto ao Cadastro
direito à pensão pleiteada. Nacional de Adoção. Menor
Vencido o ministro Edson Fachin. colocado em estágio de
(1) CF/1988: “Art. 226. A família, convivência em família
base da sociedade, tem especial substituta no curso do
proteção do Estado.” procedimento. Insurgência dos
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pretendentes à adoção A Constituição Federal de 1988
intrafamiliar e do casal terceiro rompeu com os paradigmas
prejudicado (família substituta). clássicos de família consagrada
Conceito de família amplo. pelo casamento e admitiu a
Afeto e afinidade. Colocação em existência e a consequente
família substituta. regulação jurídica de outras
Excepcionalidade. modalidades de núcleos familiares
(monoparental, informal, afetivo),
Trata-se de ação de adoção diante das garantias de liberdade,
personalíssima ajuizada pelos pluralidade e fraternidade que
pretendentes à adoção permeiam as conformações
intrafamiliar - parentes colaterais familiares, sempre com foco na
por afinidade da criança - que dignidade da pessoa humana,
estavam com a guarda de fato do fundamento basilar de todo o
menor desde o seu nascimento, ordenamento jurídico.
não se tendo notícia de que O legislador ordinário, ao
faltassem aos cuidados estabelecer no artigo 50, § 13,
necessários e adequados ou inciso II, do ECA que podem
negligenciassem o infante, adotar os parentes que possuem
somando-se os fatos afinidade/afetividade para com a
incontroversos segundo os quais: criança, não promoveu qualquer
limitação (se aos consanguíneos
a) não ocorreu a adoção à em linha reta, aos consanguíneos
brasileira; b) os insurgentes são colaterais ou aos parentes por
habilitados junto ao Cadastro afinidade), a denotar, por esse
Nacional de Adoção; c) a criança aspecto, que a adoção por parente
fora lançada para estágio de (consanguíneo, colateral ou por
convivência com guarda precária afinidade) é amplamente admitida
deferida em favor de família quando demonstrado o laço
substituta, sem que fossem os afetivo entre a criança e o
autores comunicados e, ainda, em pretendente à adoção, bem como
momento anterior ao próprio quando atendidos os demais
julgamento do recurso de requisitos autorizadores para
apelação contra a sentença de tanto.
extinção da adoção
personalíssima intrafamiliar.

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Em razão do novo conceito de Isso porque, se a própria Lei n.
família - plural e eudemonista - 8.069/1990, lei especial e,
não se pode, sob pena de portanto, prevalecente em casos
desprestigiar todo o sistema de dessa jaez, estabelece no § 1º do
proteção e manutenção no seio artigo 42 que "não podem adotar
familiar amplo preconizado pelo os ascendentes e os irmãos do
ECA, restringir o parentesco para adotando", a única outra categoria
aquele especificado na lei civil, a de parente próximo supostamente
qual considera o parente até o considerado pelo ditame civilista
quarto grau. capacitado legalmente à adoção a
fim de que o adotando
permanecesse vinculado à sua
"família" seriam os tios
consanguíneos (irmãos dos pais
biológicos), o que afastaria por
completo a possibilidade dos tios
colaterais e por afinidade
(cunhados), tios-avós (tios dos
pais biológicos), primos em
qualquer grau, e outros tantos
"parentes" considerados membros
da família ampliada, plural,
extensa e, inclusive, afetiva,
muitas vezes sem qualquer grau
de parentalidade como são
exemplos os padrinhos e
madrinhas, adotarem, o que seria
um contrassenso, isto é,
conclusão que iria na contramão
de todo o sistema jurídico protetivo
de salvaguarda do menor
interesse de crianças e
adolescentes.

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Em hipóteses como a tratada no Ademais, nos termos da
caso, critérios absolutamente jurisprudência do STJ, a ordem
rígidos previstos na lei não podem cronológica de preferência das
preponderar, notadamente pessoas previamente cadastradas
quando em foco o interesse pela para adoção não tem um caráter
prevalência do bem estar, da vida absoluto, devendo ceder ao
com dignidade do menor, princípio do melhor interesse da
recordando-se, a esse propósito, criança e do adolescente, razão
que no caso sub judice, além dos de ser de todo o sistema de defesa
pretensos adotantes estarem erigido pelo Estatuto da Criança e
devidamente habilitados junto ao do Adolescente, que tem na
Cadastro Nacional de Adoção, doutrina da proteção integral sua
são parentes colaterais por pedra basilar (HC 468.691/SC,
afinidade do menor "(...) tios da Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,
mãe biológica do infante, que é Quarta Turma, DJe de
filha da irmã de sua cunhada" e 11/03/2019).
não há sequer notícias de que REsp 1.911.099-SP
membros familiares mais
próximos tenham demonstrado
interesse no acolhimento familiar DIREITO ELEITORAL
dessa criança.
Este Superior Tribunal de Justiça STF - Crime de divulgação de
tem reconhecido a relativização ato objeto de denunciação
de regras previstas no ECA, em caluniosa eleitoral.
atenção à primazia dos interesses
do menor tutelado, sendo A pena cominada ao delito
permitido, excepcionalmente, de previsto no § 3º do art. 326-A do
acordo com as peculiaridades do Código Eleitoral (1) não se mostra
caso concreto, que o adotante desproporcional aos bens
seja pessoa não inscrita jurídicos tutelados em face das
previamente no cadastro e, ainda, consequências da conduta. Em
não raro, seja "escolhida" pelos seu patamar mínimo, a reclusão é
pais do adotando na chamada de dois anos. Não há como
adoção intuitu personae. equiparar a reprovabilidade do
delito em questão com as
infrações contra a honra previstas
no Código Penal ou no Código
Eleitoral. O objeto jurídico tutelado
pelo § 3º do art. 326-A não se
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refere apenas à honra subjetiva ou O instituto da “candidatura nata” é
objetiva do acusado, mas incompatível com a Constituição
abrange, principalmente, a Federal de 1988 (CF), tanto por
legitimidade do processo eleitoral. violar a isonomia entre os
Com base nesse entendimento, o postulantes a cargos eletivos
Plenário julgou improcedente o como, sobretudo, por atingir a
pedido formulado em ação direta autonomia partidária (CF, arts. 5º,
de inconstitucionalidade. “caput”, e 17) (1).
(1) Código Eleitoral: “Art. 326-A. A denominada “candidatura nata”
Dar causa à instauração de — entendida como um direito
investigação policial, de processo potestativo de detentor de
judicial, de investigação mandato eletivo à indicação pelo
administrativa, de inquérito civil ou partido para as próximas eleições,
ação de improbidade independentemente de aprovação
administrativa, atribuindo a em convenção partidária — é
alguém a prática de crime ou ato absolutamente incompatível com
infracional de que o sabe inocente, a atual atmosfera de liberdade de
com finalidade eleitoral: Pena - ação partidária.
reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) A imunização pura e simples do
anos, e multa. § 1º A pena é detentor de mandato eletivo
aumentada de sexta parte, se o contra a vontade colegiada do
agente se serve do anonimato ou partido acaba sendo um privilégio
de nome suposto. § 2º A pena é completamente injustificado, que
diminuída de metade, se a contribui tão-só para a
imputação é de prática de perpetuação de ocupantes de
contravenção. § 3º Incorrerá nas cargos eletivos, em detrimento de
mesmas penas deste artigo quem, outros pré-candidatos, sem
comprovadamente ciente da qualquer justificativa plausível
inocência do denunciado e com para o funcionamento do sistema
finalidade eleitoral, divulga ou democrático, e sem que haja
propala, por qualquer meio ou meios para que o partido possa
forma, o ato ou fato que lhe foi fazer imperar os objetivos
falsamente atribuído.” fundamentais inscritos no seu
ADI 6225/DF estatuto.
Num contexto em que a fidelidade
STF - Candidatura nata:
partidária é um princípio
violação à autonomia partidária
fundamental da dinâmica dos
e à isonomia entre postulantes
partidos políticos, especialmente
a cargos eletivos.
no que diz respeito aos titulares de
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cargos eletivos obtidos pelo recebimento de recursos
sistema proporcional (2), cabe ao financeiros de entidade ou
candidato submeter-se à vontade governo estrangeiros ou de
coletiva do partido, e não o subordinação a estes; III -
contrário. A “candidatura nata” prestação de contas à Justiça
contrasta profundamente com Eleitoral; IV - funcionamento
esse postulado e, por esse parlamentar de acordo com a lei.”
aspecto, esvazia toda a ideia de (2) Precedente: ADI 3.999
fidelidade partidária em favor de ADI 2530/DF
um suposto “direito adquirido” à
candidatura dos detentores de
mandato eletivo pelo sistema DIREITO INTERNACIONAL
proporcional.
Com base nesse entendimento, o STF - Imunidade de jurisdição
Plenário julgou procedente o de Estado estrangeiro por ato
pedido formulado para declarar a ofensivo aos direitos humanos.
inconstitucionalidade do § 1º do
art. 8º da Lei 9.504/1997, com A imunidade de jurisdição de
modulação dos efeitos da Estado estrangeiro não alcança
declaração de atos de império ofensivos ao
inconstitucionalidade. direito internacional da pessoa
(1) CF/1988: “Art. 5º Todos são humana praticados no território
iguais perante a lei, sem distinção brasileiro, tais como aqueles que
de qualquer natureza, garantindo- resultem na morte de civis em
se aos brasileiros e aos período de guerra.
estrangeiros residentes no País a A imunidade de jurisdição de
inviolabilidade do direito à vida, à Estado soberano em razão de ato
liberdade, à igualdade, à de império tem fonte no direito
segurança e à propriedade, nos costumeiro. Este, ainda que tenha
termos seguintes (...) Art. 17. É status elevado no direito
livre a criação, fusão, internacional, nem sempre deve
incorporação e extinção de prevalecer. É que atos de império
partidos políticos, resguardados a que resultem na morte de
soberania nacional, o regime cidadãos brasileiros não
democrático, o pluripartidarismo, combatentes, ainda que
os direitos fundamentais da praticados num contexto de
pessoa humana e observados os guerra, são atos ilícitos, seja por
seguintes preceitos: I - caráter ofenderem as normas que
nacional; II - proibição de regulamentam os conflitos
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armados (1), seja por ignorarem (1) Estatuto do Tribunal Militar
os princípios que regem os direitos Internacional de Nuremberg:
humanos (2). “Artigo 6 - O Tribunal instituído
Ademais, em hipóteses como pelo Acordo mencionado no Artigo
essa, devem prevalecer os 1 acima, para julgamento e
direitos humanos tal como punição dos principais criminosos
determina o art. 4º, II, da de guerra dos países do Eixo
Constituição Federal de 1988 Europeu, é competente para julgar
(CF/1988) (3), quando se fez a e punir pessoas que, agindo no
explícita opção normativa por um interesse dos países do Eixo
paradigma novo nas relações Europeu tenham cometido, quer a
internacionais, no qual são título individual ou como membros
preponderantes, não mais a de organizações, algum dos
soberania dos Estados, mas os seguintes crimes: (...) b) Crimes
seres humanos. de Guerra: nomeadamente,
violações das leis ou costumes de
No caso, trata-se de ação de
guerra. Tais violações incluem,
ressarcimento de danos materiais
mas não se limitam a assassínio,
e morais de autoria de netos ou de
maus-tratos ou deportação para
viúvas de netos de cidadão
trabalhos forçados ou qualquer
brasileiro não combatente que
outro fim, da população civil do ou
morreu em decorrência de ataque
no território ocupado, assassínio
feito por submarino alemão a
ou maus-tratos dos prisioneiros de
barco pesqueiro localizado no mar
guerra ou de pessoas no mar,
territorial brasileiro, durante a II
execução de reféns, pilhagem dos
Guerra Mundial.
bens públicos ou privados,
Com base nesse entendimento, o destruição sem motivo de cidades,
Plenário, por maioria, apreciando vilas ou aldeias ou devastação
o Tema 944 da repercussão geral, não justificada por necessidade
deu provimento ao recurso militar;”
extraordinário para, afastando a (2) Decreto 592/1992 (Pacto
imunidade de jurisdição da Internacional sobre Direitos Civis
República Federal da Alemanha, e Políticos): “ARTIGO 6 - 1. O
anular a sentença que extinguiu o direito à vida é inerente à pessoa
processo sem resolução de humana. Esse direito deverá ser
mérito. Vencidos os ministros protegido pela lei. Ninguém
Gilmar Mendes, Alexandre de poderá ser arbitrariamente privado
Moraes, Nunes Marques, Luiz Fux de sua vida.”
(Presidente) e Marco Aurélio.

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(3) CF/1988: “Art. 4º A República É de se notar, porém, que o art.
Federativa do Brasil rege-se nas 49, § 2º estatui que "as obrigações
suas relações internacionais pelos anteriores à recuperação judicial
seguintes princípios: (...) II - observarão as condições
prevalência dos direitos originalmente contratadas ou
humanos;” definidas em lei, inclusive no que
ARE 954858/RJ diz respeito aos encargos, salvo
se de modo diverso ficar
estabelecido no plano de
DIREITO FALIMENTAR
recuperação judicial".
Todavia, essa parte final da norma
STJ - Recuperação judicial. há de ser interpretada em
Cláusula de supressão de harmonia com a regra do já citado
garantias reais e fidejussórias. artigo 50, § 1º a qual, seguindo o
Decisão da assembleia-geral. critério da especialidade, trata de
Extensão aos credores modo específico e inequívoco
ausentes ou divergentes. acerca da subordinação da
Descabimento. Impacto deliberação assemblear de
negativo nos mercados de supressão ou substituição da
crédito e de fornecimento de garantia à concordância expressa
insumos e mercadorias. do credor titular da respectiva
garantia.
A Lei n. 11.101/2005, nos arts. 49,
§§ 1º e 3º, e 50, § 1º, é expressa
ao dispor que a alienação de bem
objeto de garantia real, a
supressão de garantia ou sua
substituição somente serão
admitidas mediante aprovação
expressa do credor titular da
respectiva garantia.

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Sob a ótica do mercado, é Ao contrário, o desprestígio das
evidente que a supressão de garantias será danoso para toda a
garantias reais e fidejussórias atividade econômica do país,
contra a vontade dos credores trazendo insegurança jurídica e
dissidentes traria evidente econômica, com a elevação dos
insegurança jurídica e profundo juros e do spread bancário,
abalo ao mercado de crédito, especialmente para aqueles
essencial para o financiamento do submetidos justamente ao regime
setor produtivo da economia, de recuperação judicial.
fornecedor de imprescindível Deveras, é de se lembrar que a
apoio à continuidade e expansão dificuldade de financiamento para
das atividades das sociedades os empresários submetidos à
empresárias saudáveis, assim recuperação judicial, no
como para o saneamento concernente à concessão de
financeiro e revitalização das crédito, a prazos para amortização
próprias sociedades em de empréstimos, à taxas de juros,
recuperação judicial. à garantias e outras condições,
De fato, enquanto se perceberem mereceu recente atenção do
dotados de garantias sólidas legislador pátrio, induzindo-o a
quanto ao retorno de seus aportes alterar a legislação específica, a
e investimentos, os financiadores Lei n. 11.101/2005, pelo advento
da atividade produtiva, integrantes da Lei n. 14.112/2020, atendendo
do mercado financeiro, a valiosas recomendações de
fornecedores de insumos ou de toda a comunidade jurídica e
bens de capital, sentirão empresarial envolvida no
segurança em disponibilizar às processo de modernização do
empresas tomadoras capital mais microssistema de recuperação
barato, com condições mais judicial.
favoráveis e prazos mais longos, o
que, até mesmo, contribui para a
atração de investimentos e de
capitais estrangeiros, cuja falta é
sentida na economia nacional.

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A novidade, sob esse ângulo, No ponto, o financiamento da
consagra forte marco teórico- sociedade em recuperação
filosófico da percepção de que o judicial é tão vital para o sucesso
afã pela supressão de garantias do fortalecimento da atividade
nos processos de recuperação produtiva no País, que a Lei n.
judicial é sintoma da crônica 14.112/2020, ao modificar a Lei n.
carência de financiamento da 11.101/2005, concebeu
atividade econômica nacional, que modalidade específica de
apenas se agudiza com o pedido financiamento aos recuperandos,
de recuperação judicial e a introduzindo no Direito Pátrio os
fragilização das garantias dos institutos do "Dip (debtor-in-
credores. possession) Finance" e do "Credor
Essa posição, coloca-se em linha Parceiro". De fato, a nova redação
com a vigorosa atualização da Lei do parágrafo único do art. 67 da
n. 11.101/2005 promovida pela Lei Lei n. 11.101/2005, prestigia o
n. 14.112/2020, em especial, com chamado "Credor Parceiro" ou
a previsão dos modernos "Credor Estratégico", que é aquele
institutos de financiamento das que recebe vantagens e
pessoas jurídicas recorrentes à privilégios caso continue a
recuperação judicial. fornecer insumos, mercadorias,
créditos ou que adquira papéis e
debêntures da recuperanda.
A preservação da atividade
produtiva, um dos principais
objetivos da recuperação judicial,
necessita, assim como o enfermo
de oxigênio, da continuidade da
cadeia de fornecimento de
insumos, mercadorias e crédito.
Em troca, se deve assegurar
condições diferenciadas de
pagamento e fortalecimento de
garantias a tais credores e
fornecedores, essenciais à
continuidade da atividade
produtiva, atribuindo-se-lhes a
natureza de parceiros essenciais.

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As assinaladas vantagens e Segundo a doutrina mais
privilégios podem compreender especializada e moderna da
melhores condições para matéria, "nesta modalidade de
recebimento dos créditos, financiamento, a recuperanda
menores deságios do que aqueles mantém a posse e controle dos
impostos aos demais credores, ou bens ou direitos dados em
mesmo, tudo "ad exemplum", a garantia, para que a empresa
redução das parcelas de resgate possa se manter operante. Com
do crédito. A permissão legal para isso, é possível suprir a falta de
essas negociações acarreta fluxo de caixa para cobrir as
significativa melhora nos despesas operacionais, de
relacionamentos no ambiente reestruturação e de preservação
empresarial. do valor dos ativos".
Na mesma esteira, outra essencial Assim, o Dip Finance permite que
inovação foi inserida na Lei n. o juiz, eventualmente, depois de
11.101/2005, pela Lei n. ouvir o comitê de credores, caso
14.112/2020, com os arts. 69-A e constituído, autorize a contratação
seguintes. Trata-se do instituto, de de novos financiamentos pela
comum aplicação no direito recuperanda, que sejam
estadunidense, do "Dip (debtor-in- garantidos pela oneração ou pela
possession) Finance", o que alienação fiduciária de bens e
revela a hercúlea preocupação do direitos, próprios (pertencentes ao
legislador com a continuidade do ativo não circulante do devedor)
fluxo de caixa e de novos ou de terceiros, desde que o
financiamentos (Fresh Money) "dinheiro novo" (Fresh Money)
para a recuperação judicial. seja utilizado para financiar as
atividades e as despesas de
reestruturação ou de preservação
do valor de ativos da recuperanda.

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Desse modo, pode-se concluir
que a manutenção das garantias
reais e fidejussórias em favor do
credor dissidente é pilar da
economia de mercado, assentada
na ponderação de oportunidade e
risco feita pelo financiador da
atividade produtiva, seja na época
de fartura, seja em momento de
dificuldade. Outrossim, os
institutos do Dip Finance e do
Credor Parceiro são a viga mestra
(chão da fábrica) da recuperação
judicial, sem quebra das garantias
dos investidores e sem abalo do
mercado de crédito.
De outro modo, a extensão da
supressão das garantias ao credor
discordante impacta
negativamente o ambiente
econômico empresarial,
especialmente os mercados de
crédito e de fornecimento de
insumos e mercadorias, que, junto
à força de trabalho, representam
os elementos mínimos para a
continuidade da atividade
produtiva, um dos princípios
fundantes do processo de
recuperação judicial.
REsp 1.828.248-MT

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LEGISLAÇÃO 10 de janeiro de 2002 (Código
Civil).
Lei nº 14.192 - Estabelece
normas para prevenir, reprimir e
combater a violência política
contra a mulher; e altera a Lei nº
4.737, de 15 de julho de 1965
(Código Eleitoral), a Lei nº 9.096,
de 19 de setembro de 1995 (Lei
dos Partidos Políticos), e a Lei nº
9.504, de 30 de setembro de 1997
(Lei das Eleições), para dispor
sobre os crimes de divulgação de
fato ou vídeo com conteúdo
inverídico no período de
campanha eleitoral, para
criminalizar a violência política
contra a mulher e para assegurar
a participação de mulheres em
debates eleitorais
proporcionalmente ao número de
candidatas às eleições
proporcionais.

Lei nº 14.195 - Dispõe sobre a


facilitação para abertura de
empresas, sobre a proteção de
acionistas minoritários, sobre a
facilitação do comércio exterior,
sobre o Sistema Integrado de
Recuperação de Ativos (Sira),
sobre as cobranças realizadas
pelos conselhos profissionais,
sobre a profissão de tradutor e
intérprete público, sobre a
obtenção de eletricidade, sobre a
desburocratização societária e de
atos processuais e a prescrição
intercorrente na Lei nº 10.406, de
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