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Sutra Do Diamante

O Sutra do Vajra Cortante, um texto fundamental do Mahāyāna, aborda a sabedoria transcendental e a prática do bodisatva, enfatizando a importância de oferecer doações sem apego e a não discriminação entre seres sencientes. O Buda ensina que a verdadeira compreensão e acumulação de méritos não podem ser mensuradas e que a iluminação não deve ser fixada em conceitos ou formas. O sutra destaca a natureza ilusória das marcas de perfeição e a necessidade de transcender a discriminação para alcançar a verdadeira sabedoria.

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Sutra Do Diamante

O Sutra do Vajra Cortante, um texto fundamental do Mahāyāna, aborda a sabedoria transcendental e a prática do bodisatva, enfatizando a importância de oferecer doações sem apego e a não discriminação entre seres sencientes. O Buda ensina que a verdadeira compreensão e acumulação de méritos não podem ser mensuradas e que a iluminação não deve ser fixada em conceitos ou formas. O sutra destaca a natureza ilusória das marcas de perfeição e a necessidade de transcender a discriminação para alcançar a verdadeira sabedoria.

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

O Nobre Sūtra Mahāyāna da Sabedoria Transcendental


intitulado

O Vajra Cortante

baseado na impressão em tibetano Lhasa Zhol


traduzido para o inglês pelo Gelong Thubten Tsultrim
(o monge budista americano George Churinoff)
www.fpmt.org
© 2011 FPMT Inc.

traduzido para o português por Marcelo Nicolodi


CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodisatva)
2017

CEBB 1 / 23
O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

O Sūtra do Vajra Cortante


Na língua da Índia:
Ārya Vajracchedikā Nāma Prajñāpāramitā Mahāyāna Sūtra1
Em tibetano:
’Phags pa shes rab kyi pha rol tu phyin pa rdo rje gcod pa zhes bya ba theg pa chen po’i mdo
Em português:
O Nobre Sūtra Mahāyāna da Sabedoria Transcendental intitulado ‘O Vajra Cortante’2

Prostro-me diante de todos os budas e bodisatvas.

Assim eu ouvi em certa ocasião. O Bhagavān estava residindo em Śhrāvastī, no bosque do príncipe
Jeta, no jardim de Anāthapiṇḍada3, acompanhado por uma grande Sanga de bhikṣhus com 1250
bhikṣhus e inúmeros bodisatvas mahāsattvas.
Então, pela manhã, tendo vestido os mantos inferior e superior do Darma e carregando a tigela de
mendicância, o Bhagavān entrou na cidade de Śhrāvastī para esmolar.
Assim, tendo ido até a grande cidade de Śhrāvastī para esmolar, o Bhagavān depois partilhou da
comida oferecida, e tendo realizado a atividade do alimento4, uma vez que havia abandonado
oferendas de alimento posteriores5, guardou a tigela de mendicância e o manto superior.
Ele lavou seus pés, sentou-se sobre uma almofada preparada, e assumindo a postura de pernas
cruzadas, endireitou seu corpo e direcionou a atenção mental para o espaço à frente.
Então, muitos bhikshus se aproximaram do local onde o Bhagavān estava. Chegando ali, eles
prostraram suas cabeças aos pés do Bhagavān, circum-ambulando-o três vezes e sentaram-se ao
lado.
E também, naquele momento, o venerável Subhūti, juntando-se à assembleia, sentou-se. Depois o
venerável Subhūti se levantou de seu assento, colocou o manto superior sobre o ombro, encostou
seu joelho direito no chão, curvou-se com as mãos em prece em direção ao Bhagavān, e assim
disse ao Bhagavān:
“Bhagavān, a extensão da ajuda com que o Tathāgata Arhat Perfeitamente Iluminado Buda trouxe
o mais elevado benefício aos bodisatvas mahāsattvas, a extensão na qual o Tathāgata transmitiu
aos bodisatvas mahāsattvas a mais elevada transmissão – Bhagavān, é impressionante; Sugata6, é
impressionante. Bhagavān, como deveria alguém que ingressou corretamente no veículo do
bodisatva repousar, como praticar, como controlar a mente?”
Assim foi falado, e o Bhagavān disse ao venerável Subhūti: “Subhūti, bem dito, bem dito. Subhūti,
é assim mesmo, é assim mesmo. O Tathāgata beneficiou os bodisatvas mahāsattvas com o mais
elevado benefício. O Tathāgata transmitiu aos bodisatvas mahāsattvas a mais elevada
transmissão. Subhūti, portanto, ouça e guarde corretamente em sua mente, eu explicarei como

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

alguém que ingressou corretamente no veículo do bodisatva deveria repousar, como praticar,
como controlar a mente.”
Tendo respondido: “Bhagavān, que assim seja”, o venerável Subhūti ouviu de acordo com o
Bhagavān, e o Bhagavān disse assim: “Subhūti, aqui, alguém que corretamente ingressou no
veículo do bodisatva deveria gerar a mente [da iluminação] pensando assim:
“Todos que estão incluídos na categoria de seres sencientes – nascidos de ovos, nascidos de
úteros, nascidos de calor e umidade, nascidos milagrosamente; com formas, sem formas, com
discriminação, sem discriminação, sem discriminação mas não sem discriminação [sutil] – o reino
dos seres sencientes, todos que são designados por imputação como seres sencientes, todos eles
eu conduzirei completamente para além do sofrimento até o reino do nirvana sem resquícios dos
agregados. Apesar de ilimitados seres sencientes terem assim sido conduzidos completamente
para além do sofrimento, nenhum ser senciente de forma alguma foi conduzido completamente
para além do sofrimento.”
“E por que é assim? Subhūti, porque se um bodisatva se engajar na discriminação de seres
sencientes, ele não deve ser chamado de ‘bodisatva.’ E por quê? Subhūti, se alguém se engajar na
discriminação de seres sencientes, ou se engajar na discriminação de seres vivos, ou se engajar na
discriminação de uma pessoa, então não deve ser chamado de ‘bodisatva.’
“Além do mais, Subhūti, um bodisatva oferece uma doação sem se fixar em coisa alguma; ele
oferece uma doação sem se fixar em qualquer tipo de fenômeno. Uma doação deveria ser
oferecida sem se fixar na forma visual; uma doação deveria ser oferecida sem se fixar no som,
cheiro, sabor, aspecto tátil, ou qualquer fenômeno. Subhūti, sem se fixar na discriminação de
qualquer coisa de qualquer forma como algum sinal, assim é que o bodisatva oferece uma doação.
E por que é assim? Subhūti, porque a acumulação de méritos daquele bodisatva que oferece uma
doação livre de fixações, Subhūti, não é fácil de mensurar.
“Subhūti, o que você acha? É fácil mensurar o espaço a leste?” Subhūti respondeu: “Bhagavān,
não é fácil.” O Bhagavān disse: “Subhūti, da mesma forma, você acha que é fácil mensurar o
espaço ao sul, a oeste, ao norte, acima, abaixo, nas direções intermediárias, e nas dez direções?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é fácil.” O Bhagavān disse: “Subhūti, da mesma forma, a
acumulação de méritos do bodisatva que oferece uma doação livre de fixações também não é fácil
de mensurar.
“Subhūti, o que você acha? Alguém é visto como o Tathāgata devido às marcas da perfeição?7”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim, ninguém é visto como o Tathāgata devido às marcas
da perfeição. E por quê? Porque aquilo mesmo que o Tathāgata chamou de marcas da perfeição
não são marcas da perfeição.”
Ele respondeu assim, e o Bhagavān disse ao venerável Subhūti: “Subhūti, na medida da existência
das marcas da perfeição, nessa mesma medida há engano. Na medida da não existência das
marcas da perfeição,8 nessa medida não há engano. Assim, veja o Tathāgata enquanto marcas e
não marcas.”9
Ele falou assim, e o venerável Subhūti respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, numa era futura, no
final dos quinhentos,10 quando o Darma sagrado perecer totalmente, algum ser senciente
produzirá a discriminação correta a respeito das palavras de sūtras11 como este12 sendo
explicado?”
O Bhagavān disse: “Subhūti, não diga mais o que acabou de dizer, ‘... numa era futura, no final dos
quinhentos, quando o Darma sagrado perecer totalmente, algum ser senciente produzirá a
discriminação correta a respeito das palavras de sutras como este sendo explicado...’13 Além do
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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

mais, Subhūti, numa era futura, no final dos quinhentos, quando o Darma sagrado perecer
totalmente, haverá bodisatvas mahāsattvas dotados com moralidade, dotados com qualidades,
dotados com sabedoria.
“Subhūti, além disso, esses bodisatvas mahāsattvas não terão feito homenagens a um único buda,
eles não terão produzido raízes de virtude com apenas um único buda. Subhūti, haverá bodisatvas
mahāsattvas que terão feito homenagens a muitas centenas de milhares de budas e produzido
raízes de virtude junto a muitas centenas de milhares de budas.
“Subhūti, aqueles que alcançarão apenas uma simples mente de fé nas palavras de tais sūtras
como este sendo explicado, Subhūti, o Tathāgata conhece. Subhūti, eles são vistos pelo Tathāgata;
Subhūti, todos esses seres sencientes produzirão e acumularão perfeitamente uma quantidade
incomensurável de méritos. E por quê? Subhūti, porque esses bodisatvas mahāsattvas não se
engajarão na discriminação de uma essência e não discriminarão um ser senciente, não
discriminarão um ser vivo, não se engajarão na discriminação de uma pessoa.
“Subhūti, esses bodisatvas mahāsattvas não se engajarão na discriminação de fenômenos nem na
discriminação de não fenômenos; e eles também não se engajarão em discriminação ou não
discriminação.14 E por quê? Subhūti, porque se esses bodisatvas mahāsattvas se engajassem na
discriminação de fenômenos, isso seria o mesmo que eles15 se fixarem a uma essência e se fixarem
a um ser senciente, fixarem-se a um ser vivo, fixarem-se a uma pessoa. Porque mesmo se eles se
engajarem na discriminação dos fenômenos como não existentes16, isto seria o mesmo que eles se
fixarem a uma essência e se fixarem a um ser senciente, fixarem-se a um ser vivo, fixarem-se a
uma pessoa.
“E por que é assim? Subhūti, porque um bodisatva não deveria erroneamente se fixar a
fenômenos, e nem se fixar a não fenômenos.” Portanto, pensando nisso, o Tathāgata disse: “Se,
para aqueles que conhecem este tratado do Darma como sendo um barco, mesmo os darmas
deveriam ser abandonados, qual necessidade há de mencionar os não darmas?”17
Prosseguindo, o Bhagavān disse ao venerável Subhūti: “Subhūti, o que você acha? O darma que foi
manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata, a iluminação insuperável, perfeita e
completa, existe de alguma forma? Algum Darma foi ensinado pelo Tathāgata?”18
Ele falou assim, e o venerável Subhūti respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, como eu entendo o
significado do que foi ensinado pelo Bhagavān, esse darma que foi manifesta e completamente
realizado pelo Tathāgata, a iluminação insuperável, perfeita e completa, não existe de forma
alguma. Esse darma que foi ensinado pelo Tathāgata não existe de modo algum. E por que é
assim? Porque qualquer darma manifesta e completamente realizado ou ensinado pelo Tathāgata
não pode ser fixado, nem expresso; não é nem darma nem não darma. E por quê? Porque os seres
ārya são diferenciados19 pelo não composto.20”
O Bhagavān disse ao venerável Subhūti: “Subhūti, o que você acha? Se algum filho ou filha da
linhagem, preenchendo completamente esse sistema universal de um bilhão de níveis21 com os
sete tipos de coisas preciosas, oferecesse doações22, você acha que esse filho ou filha da linhagem
produziria uma imensa acumulação de méritos com base nisso?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, imensa. Sugata, imensa. Esse filho ou essa filha da linhagem
produziria uma imensa acumulação de méritos com base nisso. E por que é assim? Bhagavān,
porque a própria acumulação de méritos não é uma acumulação; portanto, o Tathāgata diz:
‘Acumulação de méritos, acumulação de méritos.’”
O Bhagavān disse: “Subhūti, comparado a qualquer filho ou filha da linhagem que preenchesse
completamente este sistema universal de um bilhão de níveis com os sete tipos de coisas
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preciosas e oferecesse doações, se alguém tomasse23 mesmo uma única estrofe de quatro linhas
deste discurso do Darma, e também explicasse e correta e completamente a ensinasse aos outros,
com base nisso a acumulação de méritos produzida seria muito maior, incalculável,
incomensurável.
E por quê? Subhūti, porque a iluminação insuperável e perfeitamente completa dos tathāgatas
arhats perfeitamente completos budas surge disso; os budas bhagavāns também são gerados a
partir disso. E por quê? Subhūti, porque os darmas do buda chamados de ‘darmas do buda’ são
aqueles darmas do buda ensinados pelo Tathāgata como não existentes; portanto, eles são
chamados de ‘darmas do buda’.
“Subhūti, o que você acha? Aquele que entrou na corrente pensa: ‘Eu alcancei o resultado de
entrar na corrente’?” Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. E por quê? Bhagavān, porque
ninguém entra em qualquer tipo de coisa; portanto, alguém é chamado de ‘aquele que entrou na
corrente’. Ninguém entrou em uma forma, nem entrou em um som, nem em um cheiro, nem em
um sabor, nem em aspectos táteis, nem em um fenômeno24; portanto, ele é chamado de ‘aquele
que entrou na corrente’. Bhagavān, se ele que entrou na corrente pensasse: ‘Eu alcancei o
resultado de entrar na corrente’, isso mesmo seria fixação àquilo como uma essência25, fixação
como um ser senciente, fixação como um ser vivo, fixação como uma pessoa.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Aquele que retorna mais uma vez pensa: ‘Eu
alcancei o resultado de apenas mais um retorno’?” Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. E
por quê? Porque o fenômeno do ingresso no estado de apenas mais um retorno não existe de
modo algum. Portanto, pode-se dizer ‘apenas mais um retorno.’26”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Aquele que não mais retornará pensa: ‘Eu alcancei o
resultado do não retorno’?” Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. E por quê? Porque o
fenômeno do ingresso no estado de não mais retornar não existe de modo algum. Portanto, pode-
se dizer ‘nenhum retorno mais’.27”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O arhat pensa: ‘Eu alcancei o resultado do estado
de arhat’?” Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. E por quê? Porque o fenômeno
denominado ‘arhat’ não existe de modo algum. Bhagavān, se o arhat pensasse: ‘Eu alcancei o
resultado do estado de arhat’, isto mesmo seria fixação a isto como uma essência, fixação como
um ser senciente, fixação como um ser vivo, fixação como uma pessoa.
“Bhagavān, o Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda declarou que eu sou o mais
avançado entre aqueles que repousam livres de aflições.28 Bhagavān, eu sou um arhat, livre do
apego; mas, Bhagavān, eu não penso ‘eu sou um arhat’. Bhagavān, se eu pensasse ‘eu alcancei o
estado de arhat’, o Tathāgata não teria feito a predição sobre mim ao dizer: ‘O filho da linhagem,
Subhūti, é o mais avançado entre aqueles que repousam livres de aflições. Uma vez que não se
fixa a coisa alguma de qualquer tipo, ele repousa livre de aflições, ele repousa livre de aflições.’”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O darma que foi recebido pelo Tathāgata a partir do
Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda Dīpaṇkara existe de algum modo?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. Esse darma que foi recebido pelo Tathāgata a partir
do Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda Dīpaṇkara não existe de modo algum.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, se algum bodisatva dissesse: ‘Eu criarei campos estruturados’29, ele
estaria falando mentiras. E por quê? Subhūti, como os campos estruturados são chamados de
‘campos estruturados’, essas estruturas são ensinadas pelo Tathāgata como sendo não existentes;
portanto, elas são chamadas de ‘campos estruturados’. Subhūti, portanto, o bodisatva mahāsattva
deveria assim gerar uma mente livre de fixações, deveria gerar uma mente que não se fixa a coisa
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alguma. Ele deveria gerar a mente que não se fixa a forma, deveria gerar a mente que não se fixa a
som, cheiro, sabor, aspecto tátil ou fenômeno.
“Subhūti, é desta forma: se, por exemplo, o corpo de um ser se transformasse assim, se
transformasse desta forma, tão grande quanto Sumeru, o rei das montanhas, Subhūti, o que você
acha? Seria esse corpo30 grande?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, esse corpo seria grande. Sugata, esse corpo seria grande. E por
quê? Porque o Tathāgata ensina que aquilo não é uma coisa; portanto, é chamado de ‘corpo’.
Uma vez que o Tathāgata ensina que não é uma coisa, portanto, ele é chamado de ‘corpo
grande’.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Se houvesse também tantos rios Ganges quanto há
grãos de areia no rio Ganges, seriam os grãos de areia numerosos?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, se esses mesmos rios Ganges fossem numerosos, não há
necessidade de mencionar seus grãos de areia.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, você deveria ponderar, você deveria compreender.31 Se um homem
ou uma mulher preenchesse completamente com os sete tipos de coisas preciosas tantos sistemas
universais quanto há grãos de areia nesses rios Ganges32, e os oferecesse aos tathāgatas arhats
perfeitamente completos budas, Subhūti, o que você acha? Esse homem ou mulher geraria muito
mérito com base nisso?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, muito. Sugata, muito. Esse homem ou mulher geraria muito
mérito com base nisso.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, comparado a alguém que preenchesse completamente tantos
sistemas universais com os sete tipos de coisas preciosas e oferecesse doações aos tathāgatas
arhats perfeitamente completos budas, se alguém tomasse mesmo uma única estrofe de quatro
linhas deste discurso do Darma e a explicasse e correta e totalmente a ensinasse também a
outros, com essa base o mérito que seria produzido seria muito maior, incalculável,
incomensurável.
“Além disso, Subhūti, se em qualquer lugar da terra mesmo uma única estrofe de quatro linhas
deste discurso do Darma for recitada ou ensinada, esse lugar da terra será um verdadeiro altar33
do mundo com devas, humanos e asuras; qual a necessidade de mencionar que alguém que tome
este discurso do Darma, memorizando, lendo, compreendendo e absorvendo adequadamente em
sua mente34, isto seria realmente impressionante. Nesse local da terra [onde] o Professor habita,
outros níveis de gurus também repousam.35”
Ele disse isso e o venerável Subhūti respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, qual é o nome deste
discurso do Darma? Como ele deveria ser relembrado?”
Ele assim falou e o Bhagavān respondeu ao venerável Subhūti: “Subhūti, o nome deste discurso do
Darma é ‘a sabedoria transcendental’; ele deveria ser relembrado desta forma. E por quê?
Subhūti, porque esta mesma sabedoria transcendental que é ensinada pelo Tathāgata não
transcende nada; portanto, ela é denominada ‘sabedoria transcendental’.
“Subhūti, o que você acha? O darma que é ensinado pelo Tathāgata existe de algum modo?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, o darma que é ensinado pelo Tathāgata não existe de modo
algum.36”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? É muito grande a quantidade de partículas de terra
que existem em um sistema universal de um bilhão de níveis?”

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Subhūti respondeu: “Bhagavān, as partículas de terra são muitas. Sugata, elas são muitas. E por
quê? Bhagavān, porque aquilo que é uma partícula de terra foi explicado pelo Tathāgata como não
sendo uma partícula; portanto, ela é chamada de ‘partícula de terra’. Aquilo que é conhecido
como um sistema universal foi explicado pelo Tathāgata como não sendo um sistema universal;
portanto, é denominado ‘sistema universal’.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Alguém deve ser visto como o Tathāgata Arhat
Perfeitamente Completo Buda devido às trinta e duas marcas de um grande ser?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim. E por quê? Bhagavān, porque essas trinta e duas
marcas de um grande ser que são ensinadas pelo Tathāgata são ensinadas pelo Tathāgata como
não marcas; portanto, elas são denominadas ‘trinta e duas marcas do Tathāgata.’37”
O Bhagavān disse: “Além do mais, Subhūti, comparado com algum homem ou mulher que
oferecesse corpos no mesmo número dos grãos de areia do rio Ganges, se alguém tomasse
mesmo uma única estrofe de quatro linhas deste discurso do Darma e também a ensinasse aos
outros38, ele geraria com base nisso méritos muito maiores, incalculáveis, incomensuráveis.”
Com isto, o venerável Subhūti, devido ao impacto do Darma, derramou lágrimas. Tendo enxugado
as lágrimas, ele respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, este discurso do Darma ensinado assim pelo
Tathāgata39, Bhagavān, é impressionante; Sugata, é impressionante. Bhagavān, desde que gerei a
sabedoria elevada eu nunca antes havia ouvido este discurso do Darma. Bhagavān, aqueles seres
sencientes que gerarão a correta discriminação sobre este sutra que está sendo explicado serão
muito impressionantes.
“E por quê? Bhagavān, porque aquilo que é a correta discriminação é não discriminação; portanto,
a correta discriminação foi ensinada pelo Tathāgata dizendo ‘correta discriminação’. Bhagavān, em
relação a este discurso do Darma sendo explanado, que eu imagino e aprecio, não é
surpreendente40 para mim. Bhagavān, nos tempos finais, na era final, ao final dos quinhentos,
aqueles seres sencientes que tomarem este discurso do Darma, memorizando, lendo e
compreendendo serão muito impressionantes. Além disso, Bhagavān, eles não se engajarão na
discriminação de uma essência, não se engajarão na discriminação de um ser senciente, na
discriminação de um ser vivo, na discriminação de uma pessoa. E por quê? Bhagavān, porque
aquilo mesmo que é a discriminação como uma essência, discriminação como um ser senciente,
discriminação como um ser vivo, e discriminação como uma pessoa é não discriminação. E por
quê? Porque os budas bhagavāns estão livres de toda discriminação.”
Ele assim disse e o Bhagavān respondeu ao venerável Subhūti: “Subhūti, é isso mesmo, é isso
mesmo. Quando este sūtra for explicado, aqueles seres sencientes que permanecerem sem medo,
livres do terror, e que não se atemorizarem serão realmente impressionantes. E por quê? Subhūti,
porque esta sabedoria mais elevada transcendental ensinada pelo Tathāgata, a mais elevada
sabedoria transcendental que é ensinada pelo Tathāgata, também foi ensinada pelos
incomensuráveis budas bhagavāns – portanto, ela é denominada ‘sabedoria mais elevada
transcendental.’
“Além do mais, Subhūti, até mesmo aquilo que é a paciência transcendental do Tathāgata não é
transcendental. E por quê? Subhūti, porque quando o rei de Kalinga41 cortou meus membros e
pedaços, naquele momento não surgiu em mim a discriminação como uma essência, a
discriminação como um ser senciente, a discriminação como um ser vivo, nem a discriminação
como uma pessoa, e em mim não houve discriminação de qualquer tipo; porém, também não
houve não discriminação. E por quê? Subhūti, porque, se naquele momento tivesse surgido em
mim a discriminação como uma essência, naquele momento também teria surgido a discriminação
da má-vontade; se tivesse surgido a discriminação como um ser senciente, a discriminação como
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um ser vivo, a discriminação como uma pessoa, naquele momento também teria surgido a
discriminação da má-vontade.
“Subhūti, eu sei pela clarividência que num período passado, durante quinhentas vidas, eu fui o
rishi42 chamado de ‘Pregador da Paciência’; mesmo então não surgiu em mim a discriminação
como uma essência, não surgiu a discriminação como um ser senciente, a discriminação como um
ser vivo, a discriminação como uma pessoa. Subhūti, portanto, o bodisatva mahāsattva, ao
abandonar completamente toda discriminação, deveria gerar a mente da iluminação insuperável e
perfeitamente completa. Deveria gerar a mente que não se fixa a forma. Deveria gerar a mente
que não se fixa a som, cheiro, sabor, aspecto tátil ou fenômenos. Deveria gerar a mente que não
se fixa a não fenômenos também. Deveria gerar a mente que não se fixa a coisa alguma de
qualquer tipo. E por quê? Porque aquilo mesmo que é a fixação não tem fixação. Portanto, o
Tathāgata ensinou: ‘O bodisatva deveria oferecer doações livre de fixações.’
“E também, Subhūti, o bodisatva deveria assim oferecer doações totalmente para o benefício de
todos os seres sencientes. Entretanto, aquilo mesmo que é discriminação como um ser senciente
é não discriminação. Mesmo aqueles que foram ensinados pelo Tathāgata ao dizer ‘todos os seres
sencientes’ também não existem. E por quê? Subhūti, porque o Tathāgata ensina a realidade,
ensina a verdade, ensina o que é; o Tathāgata ensina aquilo que é livre de erros.
“Além disso, Subhūti, o darma que é manifesta e completamente realizado ou demonstrado pelo
Tathāgata não apresenta nem verdade nem falsidade. Subhūti, é assim, por exemplo: se um
homem com olhos entrou na escuridão, ele não vê coisa alguma; da mesma forma deveria ser
visto o bodisatva que oferece totalmente uma doação caindo em alguma coisa.
“Subhūti, é assim, por exemplo: na aurora quando o sol se eleva, um homem com olhos verá
diversos tipos de formas; da mesma forma deveria ser visto o bodisatva que oferece totalmente
uma doação sem cair em coisa alguma.
“E também, Subhūti, aqueles filhos ou filhas da linhagem que tomarem este discurso do Darma,
memorizando, lendo, compreendendo e correta e totalmente ensinando-o aos outros em detalhes
são conhecidos pelo Tathāgata, eles são vistos pelo Tathāgata. Todos esses seres sencientes
gerarão uma acumulação incomensurável de méritos.
“Além disso, Subhūti, comparado a um homem ou mulher que ao amanhecer oferece totalmente
corpos numa quantidade igual aos grãos de areia do rio Ganges – e que também oferece
totalmente corpos numa quantidade igual aos grãos de areia do rio Ganges durante o meio-dia e
ao anoitecer, e na mesma medida oferece totalmente corpos por muitas centenas de milhares de
dez milhões, cem bilhões de éons43 – se alguém que ao ouvir este discurso do Darma não o
rejeitar, se ele mesmo geraria um mérito muito superior com base nisto, incalculável,
incomensurável, que necessidade há de mencionar alguém que ao escrevê-lo com letras, assume,
memoriza, lê, compreende, e correta e totalmente ensina aos outros em detalhes?
“Assim, Subhūti, este discurso do Darma é inimaginável e incomparável.44 Este discurso do Darma
foi ensinado pelo Tathāgata para o benefício dos seres sencientes que ingressaram corretamente
no veículo supremo, para o bem-estar dos seres sencientes que ingressaram corretamente no
melhor veículo.
“Aqueles que assumem este discurso do Darma, memorizando, lendo, compreendendo e correta e
totalmente ensinando-o aos outros em detalhes são conhecidos pelo Tathāgata; eles são vistos
pelo Tathāgata. Todos esses seres sencientes estarão dotados com uma acumulação
incomensurável de méritos. Sendo dotados com uma acumulação inimaginável de méritos,
incomparável, incomensurável e ilimitada, todos esses seres sencientes carregarão minha

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iluminação sobre os ombros. E por quê? Subhūti, este discurso do Darma não pode ser ouvido por
aqueles que apreciam o que é inferior, por aqueles que veem uma essência, por aqueles que veem
um ser senciente, por aqueles que veem um ser vivo, aqueles que veem uma pessoa são incapazes
de ouvir, assumir, memorizar, ler e compreender porque não conseguem.
“Desta forma, Subhūti, qualquer lugar da terra onde este sūtra for ensinado, esse lugar na terra se
tornará digno de receber homenagens do mundo pelos devas, humanos e asuras. Esse lugar na
terra se tornará digno como um objeto de prostração e digno como um objeto de circum-
ambulação. Esse local na terra se tornará como um altar.45
“Subhūti, qualquer filho ou filha da linhagem que toma as palavras de um sūtra como este,
memorizando, lendo, e compreendendo, será atormentado, será intensamente atormentado.46 E
por quê? Subhūti, porque quaisquer ações não virtuosas de vidas anteriores que foram cometidas
por esses seres sencientes e que conduziriam ao renascimento nos reinos inferiores, devido aos
tormentos nesta mesma vida, essas ações não virtuosas de vidas anteriores serão purificadas, e
eles também atingirão a iluminação de um buda.
“Subhūti, eu sei por clarividência que em tempos passados, em éons ainda mais incontáveis dos
incontáveis, muito além mesmo além47 do Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda
Dīpaṇkara, houve oitenta e quatro centenas de milhares de dez milhões, cem bilhões de budas
que eu satisfiz, e tendo os satisfeito, não os aborreci. Subhūti, com tudo o que fiz, tendo satisfeito
e não tendo aborrecido esses budas bhagavāns, e num período futuro, no final dos quinhentos, ao
tomar este sūtra, memorizando, lendo e compreendendo, Subhūti, comparada a esta acumulação
de méritos, a acumulação anterior de méritos não se aproxima48 mesmo de uma centésima parte,
milésima parte, centésima milésima parte; não suporta enumeração, medida, cálculo,
similaridade, equivalência ou comparação.
“Subhūti, nesse tempo, os filhos e filhas da linhagem reunirão uma quantidade de acumulação de
méritos tal que, se eu tivesse que expressar a acumulação de méritos desses filhos ou filhas da
linhagem, os seres sencientes enlouqueceriam, ficariam perturbados.
“Além do mais, Subhūti, sendo este discurso do Darma inimaginável, a sua maturação de fato
deveria ser vista como inimaginável.”
Então o venerável Subhūti respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, como deveria alguém que
ingressou corretamente no veículo do bodisatva repousar, como praticar, como controlar a
mente?”
O Bhagavān disse: “Subhūti, aqui, alguém que ingressou corretamente no veículo do bodisatva
deveria gerar uma mente que pensa assim: ‘Eu conduzirei todos os seres sencientes
completamente além do sofrimento até o reino do nirvana sem resquícios dos agregados. Apesar
de seres sencientes serem conduzidos completamente além do sofrimento dessa forma, nenhum
ser senciente de qualquer forma foi conduzido além do sofrimento.’ E por quê? Subhūti, porque se
um bodisatva se engajasse na discriminação de um ser senciente ele não deveria ser chamado de
‘bodisatva’. E também, se ele se engajasse na discriminação de uma pessoa não deveria ser
chamado de ‘bodisatva’. E por quê? Subhūti, porque o darma denominado ‘alguém que ingressou
corretamente no veículo do bodisatva’ não existe de modo algum.
“Subhūti, o que você acha? O darma que foi manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata
a partir do Tathāgata Dīpaṇkara, a iluminação insuperável, perfeita e completa, existe de algum
modo?”

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

Ele disse isto e o venerável Subhūti respondeu ao Bhagavān: “Bhagavān, o darma que foi
manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata a partir do Tathāgata Dīpaṇkara, a
iluminação insuperável, perfeita e completa, não existe de modo algum.”
Ele assim disse e o Bhagavān respondeu ao venerável Subhūti: “Subhūti, é assim mesmo. É assim
mesmo, esse darma que foi manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata a partir do
Tathāgata Dīpaṇkara, a iluminação insuperável, perfeita e completa, não existe de modo algum.
Subhūti, se esse darma que foi manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata existisse de
qualquer forma, o Tathāgata Dīpaṇkara não teria feito a predição para mim, dizendo: ‘Jovem
brâmane, em uma era futura você se tornará o Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda
conhecido como Śākyamuni.’ Subhūti, assim, visto que esse darma que foi manifesta e
completamente realizado pelo Tathāgata, a iluminação insuperável, perfeita e completa, não
existe de modo algum, portanto, o Tathāgata Dīpaṇkara fez a predição para mim, dizendo: ‘Jovem
brâmane, em uma era futura você se tornará o Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda
conhecido como Śākyamuni.’ E por quê? Porque, Subhūti, ‘Tathāgata’ é um epíteto da talidade da
realidade.49
“Subhūti, se alguém dissesse: ‘O Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda realizou
manifesta e completamente a iluminação insuperável perfeita e completa’, estaria falando de
modo errôneo. E por quê? Subhūti, porque esse darma que foi manifesta e completamente
realizado pelo Tathāgata, a iluminação insuperável, perfeita e completa, não existe de modo
algum. Subhūti, esse darma que foi manifesta e completamente realizado50 pelo Tathāgata não é
nem verdade nem falsidade. Portanto, ‘todos os darmas são buda darmas’ foi ensinado pelo
Tathāgata. Subhūti, ‘todos os darmas’, todos eles são não darmas. Portanto, é dito que ‘todos os
darmas são buda darmas’. Subhūti, é desta forma, por exemplo: como um humano dotado com
um corpo51 e o corpo se tornando enorme.”
O venerável Subhūti respondeu: “Bhagavān, isso ensinado pelo Tathāgata, ‘um humano dotado
com um corpo e um grande corpo’, é ensinado pelo Tathāgata como não sendo um corpo.
Portanto, ‘dotado com um corpo e um grande corpo’ é dito.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, é assim, se algum bodisatva dissesse: ‘Eu conduzirei os seres
sencientes completamente além do sofrimento’, ele não deveria ser chamado de ‘bodisatva’. E por
quê? Subhūti, o darma que é chamado de ‘bodisatva’ existe de algum modo?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não existe.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, portanto, foi ensinado pelo Tathāgata que ‘todos os darmas são livres
de seres sencientes, de seres vivos, de pessoas.’
“Subhūti, se algum bodisatva dissesse: ‘Eu criarei campos estruturados’, ele também deveria ser
expresso de modo similar.52 E por quê? Subhūti, porque os campos estruturados denominados
‘campos estruturados’ são aqueles ensinados pelo Tathāgata como não estruturados. Portanto,
eles são denominados ‘campos estruturados’. Subhūti, qualquer bodisatva que aprecie os darmas
como livres de essências, dizendo ‘os darmas são livres de essências’, será citado pelo Tathāgata
Arhat Perfeitamente Completo Buda como um bodisatva denominado um ‘bodisatva’.53
“Subhūti, o que você acha? O Tathāgata possui o olho físico?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, o Tathāgata possui o olho físico.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O Tathāgata possui o olho divino?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, o Tathāgata possui o olho divino.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O Tathāgata possui o olho da sabedoria?”
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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, o Tathāgata possui o olho da sabedoria.”


O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O Tathāgata possui o olho do darma?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, o Tathāgata possui o olho do darma.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? O Tathāgata possui o olho do buda?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, o Tathāgata possui o olho do buda.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Se houvesse também tantos rios Ganges quanto há
grãos de areia no rio Ganges, e houvesse da mesma forma tantos sistemas universais quanto há
grãos de areia nesses rios, seriam esses sistemas universais numerosos?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo, esses sistemas universais seriam numerosos.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, entre tantos seres sencientes existentes nesses sistemas universais,
eu conheço totalmente seus fluxos de consciência de diferentes pensamentos.54 E por quê?
Subhūti, porque um assim chamado ‘fluxo de consciência’ é aquilo que o Tathāgata ensina como
um não fluxo. Portanto, isto é chamado de ‘fluxo de consciência’. E por quê? Subhūti, porque a
consciência passada não existe como algo observável, nem a consciência futura existe como algo
observável, nem a consciência presente existe como algo observável.
“Subhūti, o que você acha? Se alguém preenchesse este sistema universal de um bilhão de níveis
com os sete tipos de coisas preciosas e oferecesse doações, você acha que esse filho ou filha da
linhagem geraria uma enorme acumulação de méritos com base nisto?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, enorme. Sugata, enorme.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, é assim mesmo, é assim mesmo. Esse filho ou filha da linhagem
geraria uma acumulação enorme de méritos com base nisto. Subhūti, se uma acumulação de
méritos fosse uma acumulação de méritos, o Tathāgata não teria ensinado sobre a acumulação de
méritos chamada de ‘acumulação de méritos’.
“Subhūti, o que você acha? Deveria alguém ser visto como o Tathāgata devido à total realização
do corpo da forma?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim, ninguém deveria ser visto como o Tathāgata devido à
total realização do corpo da forma. E por quê? Bhagavān, porque ‘a total realização do corpo da
forma’ é ensinada pelo Tathāgata como não sendo uma realização total; portanto, ela é chamada
de ‘total realização do corpo da forma.’”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Alguém deveria ser visto como o Tathāgata devido
às marcas da perfeição?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim, ninguém deveria ser visto como o Tathāgata devido
às marcas da perfeição. E por quê? Porque aquilo que foi ensinado pelo Tathāgata como marcas
da perfeição foi ensinado pelo Tathāgata como não sendo marcas da perfeição; portanto, elas são
chamadas de ‘marcas da perfeição’.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, o que você acha? Se houver o pensamento de que o Tathāgata
considera ‘o darma é demonstrado por mim’, Subhūti, não veja desta forma, porque o darma que
é demonstrado pelo Tathāgata não existe de modo algum. Subhūti, se alguém dissesse ‘o darma é
demonstrado pelo Tathāgata’, Subhūti, ele estaria me depreciando, uma vez que é não existente e
erroneamente captado. E por quê? Subhūti, porque esse darma demonstrado denominado ‘darma
demonstrado’, ao qual se refere dizendo ‘darma demonstrado’, não existe de modo algum.”

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

Então, o venerável Subhūti disse ao Bhagavān: “Bhagavān, numa era futura, haverá algum ser
senciente que ao ouvir esta demonstração55 de tal darma acreditará com clareza?”
O Bhagavān disse: “Subhūti, eles não são seres sencientes e nem seres não sencientes. E por quê?
Subhūti, os assim chamados ‘seres sencientes’, por terem sido ensinados pelo Tathāgata como
seres não sencientes, portanto são denominados ‘seres sencientes’.
“Subhūti, o que você acha? O darma que foi manifesta e completamente realizado pelo Tathāgata,
a iluminação insuperável, perfeita e completa, existe de algum modo?”
O venerável Subhūti respondeu: “Bhagavān, esse darma que foi manifesta e completamente
realizado pelo Tathāgata, a iluminação insuperável perfeita e completa, não existe de modo
algum.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, é assim mesmo, é assim mesmo. Para ela56 mesmo o menor darma
não existe e não é observado57; portanto, ela é denominada ‘iluminação insuperável, perfeita e
completa’.
“Além do mais, Subhūti, esse darma é equivalente, visto que, para ele, a não equivalência58 não
existe de qualquer modo; portanto, ele é denominado ‘iluminação insuperável, perfeita e
completa.’ Essa iluminação insuperável, perfeita e completa – equivalente como ausência de
essências, livre de seres sencientes, livre de seres vivos, livre de pessoas – é manifesta e
completamente realizada através de todos os darmas virtuosos. Subhūti, darmas virtuosos
denominados ‘darmas virtuosos’, eles são ensinados pelo Tathāgata como apenas não darmas, e
portanto são denominados ‘darmas virtuosos’.
“E também, Subhūti, comparado a qualquer filho ou filha da linhagem que reunisse uma
acumulação dos sete tipos de coisas preciosas comparável a qualquer Sumeru, o rei das
montanhas, existente em um bilhão de sistemas universais, e oferecesse como doações, se
alguém tomasse tão somente uma única estrofe de quatro linhas desta sabedoria transcendental e
a ensinasse aos outros, Subhūti, comparada a esta acumulação de méritos a acumulação anterior
não se aproximaria mesmo a uma centésima parte e não poderia ser comparada.
“Subhūti, o que você acha? Se alguém pensar que o Tathāgata considera ‘Seres sencientes serão
liberados por mim’, Subhūti, não veja desta forma. E por quê? Subhūti, porque esses seres
sencientes que são liberados pelo Tathāgata não existem de modo algum. Subhūti, se algum ser
senciente fosse liberado pelo Tathāgata, isso mesmo seria da parte do Tathāgata fixação a uma
essência, fixação a um ser senciente, fixação a um ser vivo, fixação a uma pessoa. Subhūti, a assim
chamada ‘fixação a uma essência’ é ensinada pelo Tathāgata como não fixação, porém ela é fixada
pelos seres comuns infantis. Subhūti, os assim chamados ‘seres comuns infantis’ também são
ensinados pelo Tathāgata como apenas não seres; portanto, eles são denominados ‘seres comuns
infantis’.
“Subhūti, o que você acha? Alguém pode ser visto como o Tathāgata devido às marcas da
perfeição?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não é assim, ninguém é visto como o Tathāgata devido às marcas
da perfeição.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, é assim mesmo, é assim mesmo. Ninguém é visto como o Tathāgata
devido às marcas da perfeição. Subhūti, se alguém pudesse ser visto como o Tathāgata devido às
marcas da perfeição, mesmo um rei chakravartin seria o Tathāgata; portanto, ninguém é visto
como o Tathāgata devido às marcas da perfeição.”

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

Então o venerável Subhūti disse ao Bhagavān: “Bhagavān, se eu compreendo o significado do que


o Bhagavān disse, ninguém é visto como o Tathāgata devido às marcas da perfeição.”
Então estes versos foram ditos pelo Bhagavān naquele momento:
“Aquele que me vê como forma, aquele que me conhece como som, erroneamente se engajou
pelo abandono59, esses seres não me veem. Os budas são o dharmatā60 visto, os guias são o
dharmakāya. Uma vez que o dharmatā não pode ser conhecido, não é possível conhecê-lo.61”
“Subhūti, o que você acha? Se alguém se fixar a ‘o Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda
se deve às marcas da perfeição’, Subhūti, você não deveria ver assim, pois, Subhūti, o Tathāgata
Arhat Perfeitamente Completo Buda não realiza a manifesta e completamente insuperável,
perfeita e completa iluminação devido às marcas da perfeição.
“Subhūti, se alguém se fixar a ‘algum darma foi designado como destruído ou aniquilado62 por
aqueles que ingressaram corretamente no veículo do bodisatva’, Subhūti, não se deveria ver
assim; aqueles que ingressaram corretamente no veículo do bodisatva não designaram qualquer
tipo de darma como destruído ou aniquilado.
“Além do mais, Subhūti, comparado a qualquer filho ou filha da linhagem que preenchesse
completamente com os sete tipos de coisas preciosas tantos sistemas universais quanto há grãos
de areia nos rios Ganges, e oferecesse como doações, se qualquer bodisatva atingisse a tolerância
de que os darmas são livres de essência e não produzidos63, com base nisto a acumulação de
méritos que ele mesmo produziria seria muito superior. Além disso, Subhūti, uma acumulação de
méritos não deveria ser adquirida pelo bodisatva.”
O venerável Subhūti replicou: “Bhagavān, uma acumulação de méritos não deveria ser adquirida
pelo bodisatva?”
O Bhagavān disse: “Subhūti, adquirir, não erroneamente fixar-se;64 portanto, é chamado de
‘adquirir’. Subhūti, se alguém dissesse, ‘o Tathāgata vai, ou vem, ou está em pé, ou se senta, ou
deita’, ele não compreende o significado do que expliquei. E por quê? Subhūti, porque ‘o
Tathāgata’ (‘Aquele Que Assim se Foi’) não vai a lugar algum nem vem de nenhum lugar; portanto,
dizemos ‘o Tathāgata Arhat Perfeitamente Completo Buda’.
“E também, Subhūti, se algum filho ou filha da linhagem transformasse tantos átomos de terra
quantos existem em um sistema universal de um bilhão de níveis, como este por exemplo, em
poeira como uma coleção dos mais sutis átomos, Subhūti, o que você acha? Seria essa coleção dos
mais sutis átomos numerosa?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, é assim mesmo. Essa coleção de átomos mais sutis seria
numerosa. E por quê? Bhagavān, porque se houvesse uma coleção o Bhagavān não teria dito
‘coleção de átomos mais sutis’. E por quê? Porque essa ‘coleção dos mais sutis átomos’ foi
ensinada pelo Tathāgata como não coleção; portanto, dizemos ‘coleção dos mais sutis átomos’.
Esse ‘sistema universal de um bilhão de níveis’ que foi ensinado pelo Tathāgata foi ensinado pelo
Tathāgata como um não sistema; portanto, podemos dizer ‘sistema universal de um bilhão de
níveis’. E por quê? Bhagavān, porque se houvesse um sistema universal, isso mesmo seria fixação
a algo sólido. Aquilo que foi ensinado pelo Tathāgata como fixação a uma coisa sólida foi ensinado
pelo Tathāgata como não fixação; portanto, podemos dizer ‘fixação a uma coisa sólida.’”
O Bhagavān disse: “Subhūti, a fixação a uma coisa sólida é ela mesma uma convenção; esse darma
não existe conforme expresso, porém ele é fixado por seres comuns infantis. Subhūti, se alguém
dissesse: ‘A visão de uma essência foi ensinada pelo Tathāgata e a visão de um ser senciente, a

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

visão de um ser vivo, a visão de uma pessoa foram ensinadas pelo Tathāgata’, Subhūti, isto teria
sido dito por uma fala correta?”
Subhūti respondeu: “Bhagavān, não teria. Sugata, não teria. E por quê? Bhagavān, porque aquilo
que foi ensinado pelo Tathāgata como a visão de uma essência, foi ensinado pelo Tathāgata como
não visão; portanto, podemos dizer ‘visão de uma essência’.”
O Bhagavān disse: “Subhūti, aqueles que ingressaram corretamente no veículo do bodisatva
deveriam saber, deveriam ver, deveriam apreciar todos os darmas desta forma; eles deveriam
apreciar65 desta forma, sem se fixarem de qualquer forma a qualquer discriminação como um
darma. E por quê? Subhūti, porque a discriminação como um darma, denominada ‘discriminação
como um darma’, é ensinada pelo Tathāgata como não discriminação; portanto, podemos dizer
‘discriminação como um darma’.
“Além disso, Subhūti, comparado a qualquer bodisatva mahāsattva que preenchesse
completamente incomensuráveis e incalculáveis sistemas universais com os sete tipos de coisas
preciosas e oferecesse como doações, se qualquer filho ou filha da linhagem tomasse66 apenas
uma única estrofe de quatro linhas desta perfeição da sabedoria, memorizasse ou lesse ou
compreendesse ou correta e totalmente ensinasse isto aos outros em detalhes, com esta base o
mérito que este produziria seria maior, incalculável, incomensurável.
“Como deveria alguém ensinar correta e totalmente? Apenas como alguém não ensinaria correta
e totalmente; portanto, podemos dizer ‘ensinar correta e totalmente’.
“Como uma estrela, uma aberração visual, uma lâmpada, uma ilusão, o orvalho, uma bolha, um
sonho, relâmpagos, e uma nuvem – vejam tudo o que é composto dessa forma.”
Quando isto foi dito pelo Bhagavān, o venerável67 Subhūti, aqueles bodisatvas,68 os quatro tipos
de discípulos - bhikṣhus, bhikṣhunis, upāsakas e upāsikas69 – e o mundo com seus devas, humanos,
asuras e gandharvas exultaram, louvando enormemente o que havia sido ensinado pelo Bhagavān.

O Nobre Sūtra Mahāyāna da Sabedoria Transcendental intitulado ‘O Vajra Cortante’ foi concluído.

Colofão do texto Lhasa Zhol:70


Compilado revisando a tradução do abade indiano Śilendra Bodhi e Yeshe sDe com o novo padrão
de linguagem.

Colofão da tradução para o inglês:


Esta tradução do Sūtra do Vajra Cortante se baseou no texto tibetano Lhasa Zhol, o qual foi
comparado com diversas outras impressões tibetanas, bem como versões em sânscrito, e também
foram analisadas várias excelentes traduções anteriores para o inglês. Foi completada em 22 de
março de 2002 no Centro de Meditação Budista Tibetana Chandrakirti, próximo a Nelson, Nova
Zelândia, pelo Gelong Thubten Tsultrim (o monge budista americano George Churinoff).
Primeira edição revisada incluindo revisões menores pelo tradutor da versão em inglês em junho
de 2007.

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O Sutra do Vajra Cortante - FPMT

Bibliografia

- O Sūtra do Vajra Cortante, do “Lhasa Zhol bKa’-’gyur, shes phyin sna tshogs”, vol. ka, fólios 215a–
235b, originalmente impresso em 1934.
- O Sūtra do Vajra Cortante, do Manuscrito do Palácio Tog do Kanjur tibetano, vol. 51, Leh, 1979.
- O Sūtra do Vajra Cortante, pequena edição republicada pela FPMT (detalhes desconhecidos).
- Edição Lanchou do Vajra Cortante e Seu Comentário (rDo rje gcod pa dang de’i ’grel ba bzhugs
so) contendo O Sūtra do Vajra Cortante com comentários de Cone Gragspa.
- Vajracchedikā Prajñāpāramitā, editado e traduzido por Edward Conze, Serie Orientale Roma,
Istituto Italiano per il Medio ed Estremo Oriente, vol. 13, 1957.
- “O Manuscrito do Vajracchedikā Encontrado em Gilgit, Uma Transcrição e Tradução Anotadas
por Gregory Schopen, 1989.” Em Estudos na Literatura do Grande Veículo: Três Textos Budistas
Mahāyāna, editado por L. O. Gómez e J. A. Silk. Ann Arbor: The University of Michigan, págs. 89–
139.
- Comentário Detalhado sobre o Nobre Vajra Cortante da Sabedoria Transcendental (’Phags pa
shes rab kyi pha rol tu phyin pa rdo rje gcod pa’i rgya cher ’grel pa), por Kamalashila, traduzido
pelo grupo Mañjushrī, Jinamitra, e Yeshe sDe, do volume “mDo ’grel ma do sDe dge bstan ’gyur”,
TOH 3818, “mDo ’grel ma” 204a–67a.
- Material para um Dicionário da Literatura Prajñāpāramitā, Edward Conze, Suzuki Research
Foundation, Tokyo, 1973.
- O Dicionário Prático Sânscrito-Inglês, Vaman Shivaram Apte, Rinsen Book Co., Kyoto, 1992.
- Dicionário Tibetano-Sânscrito, Lokesh Chandra, Rinsen Book Co., Kyoto, 1982.

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Notas

1. As palavras do título do sūtra estão numa ordem um pouco diferente nas várias edições.
2. Frequentemente traduzido como Sūtra do Diamante ou Sūtra do Diamante Cortante.
Entretanto, a palavra ‘vajra’ utilizada no título não é explicada com o significado de ‘diamante’ seja
no próprio sūtra ou nos comentários indianos aos quais tivemos acesso (de Asanga, Vasubandhu e
Kamalashila).
Na verdade, o Buda nem mesmo menciona a palavra ‘vajra’ durante o discurso (pelo menos nas
edições tibetanas ou em sânscrito), denominando-o simplesmente ‘Prajñāparamitā’: “Subhūti, o
nome deste discurso do Darma é ‘a sabedoria transcendental’; ele deveria ser relembrado assim.”
Na introdução à sua edição e tradução, o erudito budista Edward Conze disse (pág. 7): “É comum,
seguindo Max Mueller, traduzir Vajracchedikā Sūtra como ‘Sutra do Diamante’. Não há razão para
descontinuar esse uso popular, mas falando de modo estrito, é mais que improvável que os
budistas entendam aqui ‘vajra’ como a substância material que chamamos de ‘diamante’.”
O comentário de Kamalashila (pág. 204a) assume ‘vajra’ com o significado do implemento
diamantino: “Desta forma, ele é o ‘vajra cortante’ de duas formas. Por cortar as obstruções aflitas
e as obstruções sutis à onisciência, que são tão difíceis de destruir quanto um vajra – isto indica a
necessidade de abandonar as duas obstruções. Alternativamente, o cortar é ‘como um vajra’, visto
que é similar à forma do vajra: o vajra é protuberante nas pontas e fino no centro. De modo
similar, esta sabedoria transcendental também é ensinada como extensa no início e no fim – a
base da atividade da aspiração e a base búdica. O meio fino indica as bases puras da intenção
superior. Portanto, é como o aspecto de um vajra, e isto indica três bases como seu tema.”
3. O nome de um dos principais patronos leigos do Buda, frequentemente aparece em páli como
Anāthapiṇḍika.
4. O comentário de Kamalashila (pág. 6b-7) explica que ‘a atividade do alimento’ inclui muitos
aspectos da atividade, todos realizados para beneficiar seres sencientes de alguma forma.
5. O comentário de Kamalashila (pág. 7b) explica isto como se referindo às virtudes ascéticas
especiais prescritas pelo Buda (sct: dūta-guṇgāh; tib: sbyangs pa’i yon tan), que incluem o
alimentar-se apenas uma vez durante o dia.
6. Literalmente, ‘Aquele Que se Foi para a Bem-Aventurança’ (sct: sugata; tib: bde bar gsheg pa),
que é um epíteto comum para o Buda.
7. “Devido às marcas da perfeição” (sct: lakṣana-sampadā; tib: mtsan phun sum tsogs pas) pode
ser traduzido do sânscrito como “devido à posse das marcas”; a palavra ‘sampad’ significando
“obtenção”, “posse”, etc. Por isso a escolha de Conze “posse de suas marcas”. Entretanto,
‘sampad’ também significa “perfeição”, “excelência”, etc. (Apte, pág. 1644), e é este o significado
utilizado no comentário de Kamalashila (pág. 220b): “Uma vez que estão situadas em posição,
claras e completas, elas também são perfeitas...” (tib: de dag kyang yul na gnas pa dang, gsal ba
dang, rdzogs pas phun sum tsogs pa’o).
8. Leia-se “’di ji snyam du sems, mtsam phun sum tsogs pa” como “ji tsam du mtsan phun sum
tsogs pa,” de acordo com as edições Palácio Tog, pequena e Lanchou.
9. Conze e outros assumem “lakṣaṇa-alakṣaṇatas tathāgato draṣåavyah” como “o Tathāgata deve
ser visto a partir de não marcas como marcas”. (A edição de “Os Livros Sagrados do Oriente”
apresenta na pág. 115: “lakṣaṇālakṣaṇatvatah”). Entretanto, as traduções tibetanas apresentam:
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“de bzhin gshegs pa la mtsan dang mtsan ma med par blta’o” (lendo “mtsan dang mtsan med” em
nosso texto como os outros textos leem “mtsan dang mtsan ma med”), que assume o composto
“lakṣaṇa-alakṣaṇa” como “marcas e não marcas” ao invés de “não marcas como marcas”.
A tradução tibetana está de acordo com o comentário de Kamalashila (pág. 221a): “‘...no grau em
que existem marcas perfeitas’ significa ‘em última instância, no grau em que houver aderência às
marcas da perfeição, nesse mesmo grau há aderência errônea.’ ‘No grau em que não há marcas da
perfeição’ deve ser entendido conforme explicado de modo oposto. Isto indica aqui como alguém
deveria praticar – pelo equilíbrio em ioga. Aqui é indicado como proteger a mente – através do
abandono dos dois extremos. ‘Assim’ alguém deveria ver o Tathāgata devido às marcas, como o
Buda magicamente criado. Isto dissipa o extremo da depreciação, por não depreciar o
nirmāṇakāya do Bhagavān convencionalmente. Nenhuma marca deve ser vista de modo absoluto,
porque as marcas não são estabelecidas de forma alguma. Isto dissipa o extremo da projeção.”
10. O comentário de Kamalashila explica isto (na pág. 220a): “Uma vez que a doutrina do
Bhagavān é renomada por ‘permanecer por cinco conjuntos de quinhentos...’, portanto, ‘o final’ é
tratado em especial devido à preponderância das cinco degenerescências nesse período.”
11. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam “bshad pa ’di la,” que acho difícil de
compreender, enquanto em nossas outras duas edições temos “bshad pa dag la,” ou “devido a
explicações” que está de acordo com Kamalashila (pág. 221b) e o sânscrito.
12. Kamalashila (pág. 221b) “... ‘tais como este’ quer dizer profundo e extenso significado...”
13. Todas as quatro edições tibetanas apresentam o Bhagavān dizendo a Subhūti para não fazer a
afirmação citada, enquanto na edição em sânscrito podemos ler, como Conze, o Bhagavān dizer:
“Não fale assim Subhūti!” e então dizer “Sim, haverá num período futuro...” Isto parece estar mais
de acordo com a palavra seguinte “além do mais” nas edições Lhasa Zhol e Palácio Tog.
14. Visto que as edições Palácio Tog e Lanchou estão de acordo com o sânscrito assim como o
comentário de Kamalashila (pág. 223a), traduzimos assim aqui. A edição Lhasa Zhol apresenta: “...
nem eles se engajarão em discriminação como discriminação ou não discriminação”; o texto
pequeno apresenta: “... nem eles se engajarão em não discriminação.”
15. O texto curto apresenta “por eles”, os outros três apresentam “deles”. Conze traduz o
sânscrito “tesām” por “com eles” – assim, “... isso seria com eles a apreensão de uma essência...”
16. Esta sentença completa está faltando no sânscrito. Entretanto, ela ocorre em uma das três
variações das edições tibetanas. A edição Lhasa Zhol apresenta “... mesmo se eles se engajarem
nos fenômenos como não existentes...”; a edição Palácio Tog apresenta “... mesmo se eles se
engajarem na discriminação de fenômenos como não existentes...”; os textos Lanchou e pequeno
apresentam “...mesmo se eles se engajarem na discriminação de fenômenos como livres de
essências...” O comentário de Kamalashila não menciona isto, permitindo-nos assumir que pode
não aparecer na versão que ele estava usando.
17. Como a próxima sentença começa introduzindo o Bhagavān novamente como o interlocutor,
não está claro se o Bhagavān fez esta afirmação nesta ocasião. O comentário de Kamalashila (pág.
224b) cita o Ārya Ratna Karaṇḍaka Sūtra (’Phags pa dkon mchog za ma tog gi mdo): “Venerável
Subhūti, se, por aqueles que conhecem o tratado do Darma como um barco, mesmo dharmatā
deveria ser abandonado, qual a necessidade de mencionar não darmas? Nem é o abandono de
qualquer darma mesmo um não darma.”
18. Os textos Lanchou e o pequeno ambos apresentam “...realizado pelo Tathāgata como
insuperável...” e “aquele Darma foi ensinado de forma alguma...”

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19. O comentário de Kamalashila (pág. 225b) cita um texto, que ele chama de ‘Compêndio do
Buda’ (tib: Sangs rgyas yang dag par sdud pa), Buddha-sangīti: “Ānanda, aquilo que é a não
produção, a não desintegração, a não fixação, e a não alteração dos fenômenos é ‘a verdade ārya’.
Ānanda, o Tathāgata ao considerar isto disse: ‘Os ouvintes ārya (shravaka) são distinguidos pelo
não composto.’ Isto (significa) que quer os tathāgatas surjam ou não, por existirem
permanentemente desta forma e imutáveis, (eles são) não compostos. Por realizarem isto, os
seres ārya são distinguidos desta forma porque os āryas são distinguidos por realizarem o estado
único dos fenômenos (tib: chos kyi de kho na). Porque outra entidade de estado único não é
aceitável.”
20. Leiam “’dus ma byas” como “’dus ma bgyis.” Talvez a intenção do editor do texto Lhasa Zhol
aqui é tornar “não composto” mais honorífico, uma vez que se refere àquilo que distingue os seres
ārya.
21. Literalmente “os grandes mil de três mil sistemas universais” (sct: trisāhasramahāsāhasram
lokadhātu; tib: stong gsum gyi stong chen po’i ’jig rten gyi khams), que é bastante conhecido na
literatura budista. Aqui, o universo básico citado inclui quatro continentes, o sol e a lua, Sumeru
(rei das montanhas), os deuses do reino do desejo, e o primeiro dos reinos da forma de Brahma.
Os “sistemas universais de três mil” se referem às três categorias de tais universos – mil sistemas
universais básicos (com os quatro continentes, etc) denominados “os pequenos mil”, e mil desses
(ou um milhão de tais sistemas universais) denominados “os mil intermediários”, e mil desses (ou
um bilhão de sistemas universais) denominados “os mil grandiosos”. A última das três categorias
“os grandiosos mil de três mil sistemas universais”, assim, inclui um bilhão de sistemas universais.
22. Nenhum receptor é especificado em qualquer das quatro edições tibetanas nem no
comentário de Kamalashila neste ponto, enquanto que a edição em sânscrito de Conze especifica
os receptores como os tathāgatas arhats perfeitamente completos budas.
23. O comentário de Kamalashila (pág. 227a) explica “tendo assumido” como “realizado em
recitação” (bzung nas ni zhes bya ba kha ton du byas ba’o). O comentário tibetano diz (pág. 93-4)
“Assumir é assumir as palavras na mente – adequado aplicar mesmo tendo o texto em mãos – e
recitar.”
24. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog ambas apresentam no singular. Os textos Lanchou e
pequeno ambos trazem o plural.
25. Conze traduz o sânscrito (seção 9a) “sa eva tasya-ātma-grāho bhavet sattva-grāho jīva-grāho
pudgalagrāho bhaved iti” como “... então isso seria nele o apego a uma essência, apego a um ser,
apego a uma alma, apego a uma pessoa.”
Entretanto, o comentário tibetano explica o genitivo “disso” (“de’i” ou “de yi”) da seguinte forma
(pág. 95): “Dizendo ‘isso mesmo seria o apego àquilo como uma essência’ (de nyid de yi bdag tu
’dzin par ’gyur ro) ensina (a fixação à) pessoa e o resultado como apego a si mesmo e apego
verdadeiro. O primeiro é o apego a uma essência da pessoa e o segundo é o apego a uma essência
dos fenômenos.”
Pode-se argumentar que seria melhor traduzir a frase “de nyid de’i bdag tu ’dzin par ’gyur lags so”
por “isso mesmo seria uma fixação a uma essência daquilo”, ao invés de “isso mesmo seria uma
fixação àquilo enquanto essência.”
Mas de acordo com a escola Prāsangika Madhyamaka, a ação mental denominada “apego a si
mesmo” ou “apego a uma essência” (bdag tu ’dzin pa) toma como objeto de referência a
identidade convencional (de uma pessoa ou outros fenômenos) e a concebe como essência
verdadeiramente existente. O “próprio” de “apego a si próprio” não é o que está sendo fixado.
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26. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog, assim como a edição em sânscrito utilizada por Conze, não
apresentam a seguinte sentença encontrada nas outras duas edições tibetanas: “Bhagavān, se
aquele que retornará mais uma vez pensasse ‘eu atingi o resultado de mais um retorno’, isso
mesmo seria uma fixação àquilo como uma essência, fixação como um ser senciente, fixação como
um ser vivo, fixação como uma pessoa.”
27. Novamente, a seguinte sentença foi abandonada como no caso anterior: “Bhagavān, se
alguém que não mais retornará pensasse ‘eu atingi o resultado de não retorno’, isso mesmo seria
fixação àquilo como uma essência, fixação como ser senciente, fixação como ser vivo, fixação
como uma pessoa.”
28. Conze traduz esta passagem como “o mais avançado daqueles que repousam em paz” (sct:
araṇā-vihāriṇām agryo; tib: nyon mongs pa med par gnas pa rnams kyi mchog). Na tradução dos
Discursos de Média Extensão do Buda (Majjhima Nikāya) (pág. 1345, n. 1263), é mencionado que
Subhūti era reconhecido como o mais avançado em duas categorias, “aqueles que vivem sem
conflitos e aqueles que são dignos de oferendas.” Apesar da palavra em sânscrito “araṇa” poder
significar “não lutar” (Apte, pág. 213) e portanto, “sem conflito” ou “paz”, a tradução tibetana de
“nyon mongs pa med pa” como “livre de aflições” pode refletir a intenção do epíteto, segundo o
qual Subhūti era visto como muito raivoso quando jovem e teve que superar este comportamento
incorreto em especial para alcançar realizações mais elevadas.
29. Campos estruturados (sct: kṣetra-vyūhān; tib: zhing bkod pa rnams) [traduzido por Conze
como “harmonias de campos búdicos” e por Schopen como “estruturas maravilhosas em minha
esfera de atividade”] referem-se à atividade do bodisatva de criar as causas para seu futuro campo
búdico.
30. A edição em sânscrito de Conze apresenta “existência pessoal” (sct: ātmabhāva) nesse ponto e
no parágrafo seguinte para a palavra “corpo” (sct: kāya; tib: lus). Entretanto, a palavra em
sânscrito kāya é utilizada no início deste parágrafo (... se, por exemplo, o corpo de um ser se
tornasse assim, tornasse-se assim, tão grande quanto Sumeru...)
31. A edição em sânscrito de Conze apresenta “ārocayāmi te Subhūti prativedayāmi te,” que ele
traduz como “Isto é o que eu anuncio, Subhuti, isto é o que eu revelo a você” – ambas as
sentenças na primeira pessoa. Entretanto, todas as quatro edições tibetanas utilizadas para esta
tradução apresentam “rab ’byor, khyod mos par bya, khyod kyis khong du chud par bya’o,” cuja
segunda frase é traduzida por “você deveria entender”. A primeira frase poderia ser traduzida
como “Eu anunciarei a você” se assumirmos que a palavra tibetana “mos” (“apreciar” ou
“acreditar”) seja de fato “smos” (“mencionar” ou “anunciar”), um equivalente em sânscrito de
“smos” é “ārocayati” (ver Lokesh Chandra, pág. 1882).
Para complicar ainda mais, o comentário de Kamalashila (pág. 233a) apresenta “mos par bya zhes
bya ba ni ’dod pa ste, mos pa bskyed par bya’o khong du chud par bya’o zhes bya ba ni rtogs par
bya ba ste shes rab bskyed do zhes bya ba’i tha tsig go / ’di la snga ma ni phyi ma’i ’bras bu’o /
yang na phyi ma ni snga ma’i bshed pa’o / bshed ces bya ba ni sgra’o / wang dag par bstan zhes
bya ba ni ’dod pa ste mos par bskyed pa’i don to.”
32. A edição Lhasa Zhol difere das outras três edições tibetanas e da edição em sânscrito de Conze
colocando “...sistemas universais iguais aos grãos de areia do rio Ganges.” Como isto parece
ignorar o elaborado exemplo imediatamente anterior, a versão dos outros textos é utilizada aqui
supondo um erro de cópia.
33. “verdadeiro altar” (tib: mchod rten du gyur; sct: caityabhūta).

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34. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog assim como o comentário de Kamalashila (pág. 233b)
concordam com esta lista. As edições Lanchou e a pequena apresentam “quem quer que assuma
este discurso do Darma, escrevendo, memorizando, sustentando, lendo, compreendendo, e
adequadamente tomando em sua mente...”
35. As palavras das edições Lhasa Zhol e Palácio Tog diferem das edições Lanchou e a pequena. As
anteriores estão como traduzido acima (sa phyogs de na ston pa yang bzhugs te, bla ma’i gnas
gzhan dag kyang gnas so); as posteriores podem ser traduzidas como “Nesse local na terra ou o
Professor ou algum guru repousa” (sa phyogs de na ston pa’m, bla ma lta bu gang yang rung bar
gnas so).
36. O fragmento de Gilgit começa neste ponto.
37. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog ambas apresentam “trinta e duas marcas do Tathāgata”,
enquanto as edições Lanchou, pequena e em sânscrito apresentam “trinta e duas marcas de um
grande ser.”
38. As edições Lanchou e a pequena apresentam “Se alguém, tomando mesmo um pequeno
trecho como uma estrofe de quatro linhas deste discurso do Darma, corretamente o ensinasse aos
outros...” O texto do fragmento de Gilgit para este parágrafo está de acordo com as edições Lhasa
Zhol e Palácio Tog. A tradução de Conze: “O Senhor: E ainda mais Subhūti, suponha que um
homem ou mulher dia após dia renunciasse a tudo o que possui e tudo o que é, tantas vezes
quanto há grãos de areia no rio Ganges, e se eles renunciassem a tudo o que possuem e tudo o
que são por tantos éons quanto há grãos de areia no rio Ganges – mas se outra pessoa, ao extrair
deste discurso do Darma apenas uma estrofe de quatro linhas, a demonstrasse e a iluminasse aos
outros...”, mistura elementos de outros textos.
39. As palavras das edições Lanchou e pequena diferem: “Este discurso do Darma ensinado não
importa o quanto pelo Tathāgata...” O comentário de Kamalashila (pág. 236b) está de acordo com
essa leitura e explica “não importa o quanto” como significando “explicar aos bodisatvas com a
quantidade de formas que são dignas de serem explicadas.”
40. Apesar das edições Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentarem “apreciar” (tib: mos pa), as outras
duas edições tibetanas, o comentário de Kamalashila (pág. 237b), assim como o fragmento em
sânscrito de Gilgit todos apresentam “surpreendente” (tib: ngo mtshar; Skt: āscaryam), e a edição
em sânscrito de Conze escolhe “difícil” (sct: duṣkaram).
41. Apesar de Schopen observar que o fragmento de Gilgit apresenta “rei maldoso” (sct: kalirājah),
todas as quatro edições em tibetano assim como a em sânscrito de Conze apresentam “kalinga.”
42. Sct: rṣi.
43. Dez milhões (sct: koti; tib: bye ba) e cem bilhões (sct: niyuta; tib: khrag khrig) são
frequentemente usados para expressar números grandes.
44. Apesar de estar faltando na edição Lhasa Zhol e na edição em sânscrito de Conze, as edições
Palácio Tog, Lanchou e pequena apresentam uma frase adicional aqui, “Deve-se entender como
tão inimaginável também a maturação disto.”
45. Tib: mchod rten; sct: caitya (caityabhūta). A palavra em sânscrito “stupa” também é traduzida
pela mesma palavra tibetana “mchod rten”, mas o texto em sânscrito apresenta “caitya”.
Anteriormente no texto a frase “mchod rten du gyur” foi traduzida por “verdadeiro altar”. Aqui a
frase em tibetano “mchod rten lta bur ’gyur ro” é traduzida como “se tornará como um altar”.
46. “Atormentado” (tib: mnar ba; sct: paribhūta). O sânscrito “paribhūta” é traduzido por Conze
como “humilhado” e por Schopen como “ridicularizado”. Entretanto, Apte (pág. 982) define
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“paribhūta” como “1. Sobrepujado, conquistado. 2. Desconsiderado, menosprezado.” O tibetano


“mnar ba” também se refere a tortura ou dor excruciante em geral. O comentário tibetano de
Cone Gragspa (pág. 119-20) lista “várias doenças e brigas, disputas, revelação de falhas e
escravidão, espancamento, e assim por diante.” Schopen observa (nota 11, pág. 137) “esse carma
não meritório poderia ser eliminado como resultado de ser abusado por outros por ter adotado
uma prática ou posição particular”, mas a posição geral parece ser a de que esse carma não
meritório é purificado ao passar por muitos tipos de sofrimento.
47. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam “além”, que está de acordo com o sânscrito.
As edições pequena e Lanchou apresentam “antes”.
48. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam “mi pod”; as edições pequena e Lanchou
apresentam “nye bar mi ’gro.” Ambas as frases podem ser traduções do sânscrito “nopaiti”,
“aproximar”.
49. Tib: yang dag pa de zhin nyid; sct: bhūta-tathatāyā.
50. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog assim como o fragmento de Gilgit estão como foi aqui
traduzido. As edições pequena e Lanchou assim como uma das diversas edições em sânscrito que
Conze consultou (a de Pargiter) apresentam a frase adicional “ou ensinada”.
51. As edições pequena e Lanchou apresentam “um ser dotado com um corpo humano.”
52. “De modo similar” aqui significa “ele não deveria ser chamado de ‘bodisatva’.” Ver Schopen (n.
15, pág. 138).
53. As edições Lhasa Zhol e Palácio Tog e o fragmento de Gilgit apresentam “bodisatva” repetido
duas vezes. As edições pequena e Lanchou e a edição em sânscrito de Conze apresentam
“bodisatva” seguido por “mahāsattva.”
54. “Diferentes pensamentos” (sct: nānābhāvām; tib: bsam pa tha dad pa) é traduzido por Conze
como “numerosos” e por Schopen como “diversos”, mas a tradução tibetana toma o sânscrito
“bhāvām” como “pensamentos” ou “inclinações” (tib: bsam pa).
55. Os outros três textos tibetanos apresentam “explicação” (tib: bshad pa). Na ‘Nota Textual
sobre o Fólio 9b’ de Schopen (pág. 117, nota 6), ele parece reconstruir o sânscrito de “explicação”
[sct: (bhāṣyamā)ṇām] e cita diversas edições que apresentam um equivalente sânscrito de
“explicação”. Conze deixa o verbo de fora.
56. Os textos Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam simplesmente “isto” (tib: de), enquanto que os
textos pequeno e Lanchou apresentam “para isto” (ou “ali”) (tib: de la). A edição de Conze e o
fragmento Gilgit apresentam o sânscrito “tatra” (“para isto” ou “ali”).
57. Os textos pequeno e Lanchou apresentam a ordem inversa, ou seja, “não é observado e não
existe.”
58. Os textos pequeno e Lanchou apresentam “não equivalência e equivalência não existem aqui”,
mas a edição em sânscrito de Conze e o fragmento de Gilgit apresentam apenas “para isto, a não
equivalência não existe de forma alguma” (sct: na tatra kimcid viṣamas).
59. Os textos pequeno e Lanchou apresentam “engajaram-se no caminho errôneo” (tib: log pa’i
lam du zhugs pa ste), mas os textos Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam “engajaram-se
erroneamente ao abandonarem” (tib: log par spong bas zhugs pa ste), que está de acordo com a
edição em sânscrito de Conze e com o fragmento de Gilgit, (mithyā-prahāṇa-prasrtā).

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60. A palavra sânscrita dharmatā (tib: chos nyid) refere-se à natureza dos dharmas, a natureza dos
fenômenos. Aqui, refere-se à natureza última dos fenômenos, não apenas à natureza
convencional nem à doutrina (como é traduzido por Conze e Schopen).
61. O comentário tibetano de Cone Gragspa (pág. 141) diz: “A razão para não ver (na primeira
estrofe) é de que é necessário ver o dharmakāya dos budas, o corpo da natureza, como o corpo da
natureza última (dharmatā) – e o corpo dos guias, os budas, dharmatā, verdade última, não é um
objeto a ser conhecido por uma consciência presa ao verdadeiro apego, porque o dharmakāya não
pode ser conhecido por essa consciência.” Ver também a discussão no comentário de Kamalashila
(págs. 259a-b).
62. Sct: kasyacid dharmasya vināsah prajñapta ucchedo va (veti); tib: chos la la zhig rnam par bshig
gam, chad par btags pa.
63. O texto Lhasa Zhol apresenta “sem essência e não produzido” assim como a edição em
sânscrito de Conze (nirātmakeṣv anutpattikeṣu). O fragmento de Gilgit apresenta apenas “sem
essência” (nirātmakeṣu), deixando de fora “não produzido”. Os textos pequeno e Lanchou
concordam com a edição Lhasa Zhol com “sem essência e não produzido”, mas apresentam
(material entre parênteses do comentário de Cone Gragspa, pág. 143) “... se qualquer bodisatva
(realizasse diretamente o significado de) sem essência (na dependência deste) discurso do Darma
(o texto da sabedoria transcendental) e alcançasse (a grande) tolerância sobre (os fenômenos da)
não produção...”
64. “Subhūti, adquira, não se fixe erroneamente” (tib: rab ’byor, yongs su gzung mod kyi, log par
mi gzung ste; sct: parigrahītavyah subhūte nograhītavyah). O sânscrito traz “deveria ser adquirido,
Subhūti, não deveria ser fixado”.
65. Os textos pequeno e Lanchou apresentam “conhecer” (tib: shes).
66. Apesar dos textos pequeno e Lanchou apresentarem a palavra “escrita” (tib: bris), os textos
Lhasa Zhol e Palácio Tog apresentam “tomado” (tib: blang), que concorda com a edição em
sânscrito de Conze e o fragmento de Gilgit (sct: udgrhya).
Além disso, o comentário de Kamalashila (pág. 265b) explica “tomado” (tib: blang) como “ler na
recitação” (tib: blangs nas zhes bya ba ni kha ton du bklags pa’o).
67. “Venerável (irmão mais velho)” (sct: sthavira; tib: gnas brtan).
68. Os outros três textos tibetanos apresentam “esses bhikṣhus, esses bodisatvas...”
69. Upāsakas e upāsikas são homens e mulheres leigos que assumiram os votos por toda a vida de
um praticante leigo. Monges noviços e monjas noviças podem ser incluídos nas categorias de
bhikṣhus e bhikṣhunis, os monges e monjas completamente ordenados.
70. O colofão é encontrado no catálogo da edição Lhasa Zhol da coleção de traduções tibetanas
das Palavras do Buda (bka’ ’gyur). O índice do ACIP diz que a edição Lhasa Zhol foi composta em
1934 a pedido do décimo-terceiro Dalai Lama. Os textos individuais na edição Lhasa Zhol,
entretanto, foram traduzidos em momentos diferentes antes disto. O colofão diz, de modo
completo, “Da pág. 215 frente (até pág. 235 posterior), a “Sabedoria Transcendental em
Trezentos” ou “Vajra Cortante”. Uma seção (bam bo). Compilado revisando a tradução do abade
indiano Śilendra Bodhi e Yeshe sDe com o novo padrão de linguagem.”

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A Fundação para a Preservação da Tradição Mahayana (FPMT) é uma dinâmica organização


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Lama Zopa Rinpoche, a FPMT toca as vidas de seres em todo o mundo. No início dos anos 1970,
jovens ocidentais inspirados pela inteligência e praticidade do enfoque budista fizeram contato
com esses lamas no Nepal e a organização nasceu. Agora abrangendo mais de 150 centros de
Dharma, projetos, serviços sociais e editoras em trinta e três países, continuamos a levar a
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