IMAGEM CORPORAL
Definição
Trata-se de um conceito amplo e complexo que envolve vários aspectos.
Abrange processos fisiológicos, psicológicos e sociais.
Há uma relação contínua entre esses processos. A Imagem Corporal não é fixa.
É a representação psíquica que o indivíduo tem do próprio corpo. Experiência
psicológica expressa nos sentimentos e atitudes do indivíduo, para com o próprio
corpo, influenciando na percepção do Ego e sua relação com o mundo externo,
podendo apresentar distorções como sentimentos de perda dos limites corporais ou
sensações de despersonalização.
1- Imagem Corporal refere-se às percepções, idéias e emoções sobre o
corpo e suas experiências. São experiências subjetivas.
2- A Imagem Corporal muda constantemente. Multiplicidade de
imagens.
3- Visão que registramos psiquicamente do nosso corpo.
4- A Imagem Corporal sofre ação direta da cultura e do meio social.
5- O comportamento e as relações interpessoais são influenciados pela
Imagem Corporal do indivíduo.
Paul Schilder – “A Imagem Corporal não é só uma construção cognitiva, mas
também uma reflexão dos desejos, atitudes emocionais e interação com os outros”.
Constituição da Imagem Corporal
É através da exploração do seu corpo e das suas funções que a criança adquire
a noção de si mesma, distinta dos outros e dos objetos externos.
A Imagem Corporal está diretamente ligada à formação do auto-conceito.
A concepção do próprio corpo influi na organização da personalidade. Ego
Corporal.
Imagem Corporal Ideal
Etapas da Formação da Imagem Corporal (Schilder)
1- Percepção do espaço oral
2- Estruturação do campo visual
3- Descobrimento das mãos
4- Incorporação dos pés
5- Delimitação do polo anal
6- Integração do corpo
7- Descobrimento da imagem especular
8- Aquisição da noção de volume do corpo
Condições para a formação da Imagem Corporal
- O bom funcionamento dos órgãos sensoriais é fundamental para a
construção da Imagem Corporal, a partir da estimulação interna e
externa.
- A criança desenvolve suas sensações e percepções a partir dos 9
meses de idade.
- A maturação do sistema nervoso e o desenvolvimento motor trazem
a possibilidade de maior manipulação do ambiente, diferenciando os
objetos externos e integrando a Imagem Corporal da criança.
- A imagem no espelho, a identificação com o corpo dos outros e a
introjeção de imagens que fazem do indivíduo.
Alterações da Imagem Corporal
Construímos e desconstruímos nossa Imagem Corporal. Sucessão de tentativas
para buscar uma imagem e corpo ideais. As imagens corporais estão plenas de
sentimentos.
Aceitamos ou rejeitamos nosso corpo. Imagem Corporal deformada. Registro
do corpo deformado.
Reconhecimento imperfeito da própria Imagem Corporal. Desenhos de auto-
representação corporal.
Dificuldades sensoriais e deficiências físicas afetam a formação da Imagem
Corporal.
Dificuldades em integrar a Imagem Corporal, criam deformações imaginárias e
dificuldades no desenvolvimento da personalidade e na formação do Ego.
Reconstrução positiva dessa imagem deformada.
Em reabilitação é muito importante considerar a necessidade de reformular a
Imagem Corporal, incorporando as limitações físicas.
Membro Fantasma
Histórico
Ambroise Paré – Percebe a existência do membro-fantasma no século XVI.
Membro Fantasma – Alucinação de um membro ausente. As sensações
provenientes do membro-fantasma são principalmente táteis e cinestésicas.
- Registro psíquico da presença de um membro perdido.
- Pacientes que apresentam membro-fantasma descrevem experiências como
uma “réplica” da parte perdida, até um vago formigamento em uma parte do membro
inexistente.
- O indivíduo pode sentir dor, coceira e acredita que pode movimentá-lo. Em
alguns momentos age como se ainda tivesse o membro.
- A dor e sensações no coto do membro-fantasma podem ser devidas a uma
estimulação das fibras nervosas cortadas, mas parece ter um papel importante a
tentativa psicológica de não desprender-se da parte perdida. A dor, em geral, é
descrita como ardor, aperto ou compressão.
- O membro-fantasma é como uma alucinação em pacientes com dificuldades
em aceitar a amputação, e a dor pode ser entendida como o desejo de preservar a
integridade anatômica corporal.
- Sentido ou significado do membro mutilado ou perdido.
- Quanto mais os pacientes falam sobre a dor, mais ela tende a desaparecer.
BIBLIOGRAFIA
Damásio, Antonio (2000) O Mistério da consciência: do corpo e das emoções ao
conhecimento de si. São Paulo. Companhia das Letras.
Le Boulch, Jean (1992) O desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos seis anos.
Porto Alegre. Artes Médicas.
Schilder, Paul (1999) A Imagem do Corpo. 3ª ed. São Paulo. Martins Fontes.