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Fogao 2

O artigo apresenta o desenvolvimento de um fogão solar elíptico móvel como uma alternativa sustentável para a cocção de alimentos, aproveitando a alta irradiação solar no Brasil. A pesquisa avaliou o desempenho do protótipo por meio do cozimento de alimentos como arroz e feijão, analisando temperatura, irradiância solar e tempo de cozimento. Os resultados indicam que o protótipo é eficaz na otimização do processo de cocção, destacando-se como uma tecnologia de baixo custo e promissora.

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O artigo apresenta o desenvolvimento de um fogão solar elíptico móvel como uma alternativa sustentável para a cocção de alimentos, aproveitando a alta irradiação solar no Brasil. A pesquisa avaliou o desempenho do protótipo por meio do cozimento de alimentos como arroz e feijão, analisando temperatura, irradiância solar e tempo de cozimento. Os resultados indicam que o protótipo é eficaz na otimização do processo de cocção, destacando-se como uma tecnologia de baixo custo e promissora.

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Fogão solar tipo elíptico móvel: uma tecnologia alternativa para o processo de
cocção de alimentos

Article in Revista Eletrônica de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica · September 2020


DOI: 10.21708/issn27635325.v2n1.a9697.2020

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Luiz José de Bessa Neto


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Universidade Federal Rural do Semi-árido
Revista Eletrônica de Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica

Artigo
Fogão solar tipo elíptico móvel: uma tecnologia
alternativa para o processo de cocção de alimentos
Francisco José Sombra Jr[1], Luiz José de Bessa Neto[2], Edson Freire Targino[3] e
Fabiana Karla de Oliveira Martins Varella Guerra[4]
[1] Universidade Federal Rural do Semi-árido; [email protected]
[2] Universidade Federal Rural do Semi-árido; [email protected]
[3] Universidade Federal Rural do Semi-árido; [email protected]
[4] Universidade Federal Rural do Semi-árido; [email protected]

Recebido: dia/mês/ano;
Aceito: dia/mês/ano;
Publicado: dia/mês/ano.

Resumo: A irradiação solar no Brasil tem valores bastante expressivos anualmente, e este recurso brasileiro é
responsável por atingir elevados números na geração de energia através da radiação solar em quase todo o ano,
como acontece, por exemplo, na região Nordeste. Nesse sentido, este cenário favorável tem motivado a
disseminação de tecnologias diversas utilizando a energia solar, assim como pesquisas relacionadas à utilização
de diversos equipamentos, como, por exemplo, o fogão solar para cocção de alimentos. Nessa conjuntura, o
vigente trabalho tem como objetivo desenvolver um fogão solar do tipo elíptico móvel, que configura-se como
uma tecnologia alternativa para otimizar o processo de cocção de alimentos. Dessa maneira, com o intuito de
verificar o desempenho do protótipo confeccionado, realizou-se o cozimento dos alimentos arroz, batata-doce,
ovo e feijão. Aliado a isso, analisou-se os dados concernentes aos valores de temperatura, a irradiância solar e
o tempo de cozimento durante o processo de cocção. Com o desenvolvimento do vigente trabalho, percebeu-se
que os ajustes realizados da posição focal ao decorrer dos ensaios proporcionaram ganhos significativos,
denotando, claramente, que o presente protótipo se apresenta como uma tecnologia alternativa útil para otimizar
o processo de cocção de alimentos.

Palavras-chave: Energia solar; Fogão solar elíptico; Cocção de alimentos

Abstract: Solar irradiation in Brazil has very significant values annually, and this Brazilian resource is
responsible for reaching high numbers in the generation of energy through solar radiation in almost the whole
year, as happens, for example, in the Northeast region. In this sense, this favorable scenario has motivated the
dissemination of different technologies using solar energy, as well as research related to the use of various
equipment, such as, for example, the solar cooker for cooking food. In this context, the current work aims to
develop a mobile elliptical type solar cooker, which is configured as an alternative technology to optimize the
cooking process. Thus, in order to verify the performance of the prototype, rice, sweet potatoes, eggs and beans
were cooked. Allied to this, the data concerning temperature values, solar irradiance and cooking time during
the cooking process were analyzed. With the development of the current work, it was noticed that the
adjustments made to the focal position during the tests provided significant gains, clearly denoting that the
present prototype presents itself as a useful alternative technology to optimize the cooking process.

Key-words: Solar energy; Elliptical solar cooker; Food cooking

R4EM 2020, 2ª ed. https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/r4em


R4EM 2020, 2º ed. 2

1. INTRODUÇÃO

O Sol é a grande fonte de energia renovável do planeta. O aproveitamento adequado de sua energia é a
alternativa mais ambientalmente correta, uma vez que é uma fonte abundante, permanente, renovável,
limpa e disponível em todas as regiões do globo terrestre. Nessa conjuntura, o Brasil configura-se como o
principal país do mundo em disponibilidade de energia solar, em virtude, maiormente, da sua localização
geográfica privilegiada e pelo seu imenso território [1]. Estima-se que o recurso solar brasileiro é equivalente a
1,13 x 1010 GWh, em quase todo o ano, como acontece na região Nordeste [2].
A energia solar no Brasil tem uma irradiação global média anual entre 1.200 e 2.400 kWh/m², o que tem
motivado a disseminação de centrais fotovoltaicas e pesquisas concernentes a utilização de diversos
equipamentos, dentre estes, o fogão solar para cocção de vários alimentos [3-4]. Nesse sentido, o uso de fogões,
fornos e secadores solar ganha um contexto de prioridade pela capacidade de mitigar os efeitos danosos do uso
da lenha e pela opção de obtenção de alimentos a partir de frutas, verduras e legumes de alto grau de
perecibilidade, que fazem parte de um universo de perda de alimentos em torno de 50%, conforme dados da
secretaria de alimentação nacional [5].
Aliado a isso, os fogões solares surgem como resposta ao uso dos fogões convencionais que utilizam gás
ou lenha na cocção de alimentos, já que em termos globais a queima da lenha utilizada para essa finalidade
atinge cerca de 2,5 bilhões de pessoas, dos quais 23 milhões são brasileiros [6]. De acordo com [7], esses fornos
solares encontram ampla aplicação em todo o planeta, essencialmente na Ásia e África, com destaque para a
Índia e China, haja vista que são os países que mais tem investido em programas sociais que viabilizam a
construção de fogões solares à baixo custo.
Segundo [8] essa tecnologia visa utilizar a energia proveniente do sol, através dos raios solares em forma
de calor para cozinhar ou pasteurizar os alimentos. Na literatura perduram quatro tipos de fogões solares: fogão
solar do tipo painel, fogão solar do tipo parabólico, fogão solar do tipo elíptico e fogão solar do tipo caixa.
Por todo o exposto, o vigente trabalho tem como objetivo desenvolver um fogão solar do tipo elíptico
móvel, que configura-se como uma tecnologia alternativa, de baixo custo e promissora para otimizar o processo
de cocção de alimentos. Também foi avaliado o desempenho do protótipo confeccionado, e realizou-se o
cozimento dos alimentos arroz, batata doce, ovo e feijão. Ademais, analisou-se os dados obtidos em campo nos
ensaios realizados, a saber, temperatura, irradiância solar e o tempo de cozimento durante o processo de cocção.

2. FOGÃO SOLAR TIPO ELÍPTICO

O fogão solar de geometria elíptica configura-se como um fogão do tipo concentrador, que capta a
irradiação solar e a concentra em uma região focal, onde se posiciona o absorvedor ou panela, promovendo a
cocção dos alimentos [1]. Entretanto, para que haja essa captação e reflexão da luz solar são necessários
refletores, geralmente espelhos ou adesivos de papel alumínio distribuídos em uma superfície de forma côncava
com alto grau de polimento e uma estrutura de metal para comportar a face refletora [2]. Sendo assim, a área
da superfície absorvedora é menor do que a área do dispositivo de captação da energia solar, de modo a aumentar
a intensidade energética.
É oportuno salientar, que as principais características desse tipo de fogão solar são a temperatura no foco
que pode atingir 350°C ou mais, dependendo do tamanho da parabólica ou da elipse refletora; tempo de
aquecimento rápido, se comparado com os outros modelos de fogões solares; necessita de luz solar direta; faz-
se essencial um mecanismo de acompanhamento da trajetória do sol com reorientação, usualmente a cada 30
minutos; apresenta um esfriamento repentino do alimento se houver desvio de foco ou nebulosidade acentuada;
alguns são instáveis à ventos; risco de fogo ou queimaduras; danos aos usuários devido aos raios refletidos e ao
fato de ficar exposto ao sol [3].
No que concerne aos fogões concentradores, primeiramente tem-se o processo de reflexão dos raios solares
e, posteriormente, ocorre a concentração da energia térmica em um ponto focal no fundo da panela, suscitando,
dessa maneira, a cocção do alimento [9]. A Figura 1 denota o princípio de funcionamento de um fogão solar do
tipo concentrador de estrutura elíptica.
R4EM 2020, 2º ed. 3

Sol

Foco
Disco elíptico refletor

Figura 1. Princípio de funcionamento de um fogão solar concentrador de estrutura elíptica. Fonte: Adaptado
de [3].
Pode-se citar como uma das principais vantagens desse tipo de fogão solar a capacidade de gerar maiores
potências em menores tempos de cozimento a depender do tipo de superfície refletora, área de reflexão e
condições climáticas favoráveis. É muito importante que durante o processo de cocção dos alimentos seja
utilizada uma panela na cor preta, para absorver melhor a irradiação solar sobre ela incidida, aumentando a
eficiência do fogão.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Protótipo Desenvolvido

Com o intuito de aprimorar e viabilizar a utilização da tecnologia de cocção de alimentos através da


irradiação solar, foi confeccionado um fogão solar com duplos refletores de geometria elíptica e movimentos
relativos entre si, sendo ambos equidistantes ao ponto focal. O protótipo foi desenvolvido com o auxílio de
materiais reciclados obtidos em sucatas e obras, sendo o mesmo considerado de baixo custo, e com eficiência
considerável em relação a modelos desenvolvidos pela literatura.
Dessa maneira, a inserção do movimento nos refletores fez-se necessária para um melhor aproveitamento
na reflexão dos raios solares no ponto focal, elevando a capacidade de reflexão dos raios no fundo da panela.
Devido aos movimentos de rotação e translação da Terra, há a imprescindibilidade de reajustar os refletores a
cada 30 minutos, aproximadamente, mantendo-os assim, por um período maior a incidência dos raios solares
no recipiente de cocção, que se localiza no ponto focal.
Conforme supracitado, os materiais foram adquiridos em sucatas, sendo alguns doados e outros comprados
por valores atrativos. Para os refletores, por exemplo, foram utilizadas duas antenas do tipo de TV por
assinatura, conforme ilustra a Figura 2. Ao observá-las, pode-se perceber que o receptor de sinal LNB não fica
localizado exatamente ao centro da antena, todavia, localizando-se no foco. Essa incompatibilidade em relação
ao foco de uma parábola dar-se devido às antenas utilizadas terem geometria elíptica com foco deslocado,
representado por uma secção de um elipsoide. A Figura 2 evidencia o tipo de antena utilizada apresentando a
descrição de seus componentes.
LNB
(Foco) Refletor

Pedestal

Suporte

Figura 2. Modelo da antena utilizada. Fonte: Adaptado de [11].


R4EM 2020, 2º ed. 4

Fundamentado em experimentos anteriores, optou-se por dispor os refletores em posição de forma que
ambos ficassem a, aproximadamente, 90 graus um do outro e equidistantes ao eixo onde se localiza os focos
das mesmas. Dessa forma, os dois anteparos de reflexão sempre deverão ficar em posição oposta ao sol, evitando
o sombreamento nas superfícies refletoras, o que aumenta significativamente a área de reflexão dos raios
solares.
Com o intuito de executar a confecção do presente fogão solar do tipo elíptico móvel, foi necessário
desenvolver uma base que atendesse às especificações citadas. Para tal, utilizou-se restos de sucatas de ferro
como tubos, barras chatas e parafusos, além de eletroduto rígido e conexões em PVC. Todas as peças foram
moldadas de acordo com as características de cada material, evitando que possíveis falhas mecânicas em
condições normais de utilização pudessem ocorrer.
Visando aumentar o número de possibilidades de configurações do protótipo, resolveu-se confeccionar
uma base de ferro que possibilitasse futuras modificações na angulação entre os refletores. Assim sendo, a
base de ferro foi produzida possibilitando a regulagem entre os dois refletores; entre os refletores e seus
respectivos pedestais de sustentação; regulagem na altura do eixo do ponto focal; e de toda a estrutura de ferro
em relação à base de madeira, que serve de sustentação a todo o conjunto.
A Figura 3 mostra a referida base e os seus elementos numerados de 1 a 3. Em (1), mostra os suportes de
fixação dos pedestais com os refletores; em (2) é possível ver o eixo vertical de convergência dos focos que
possuem furos para a regulagem de altura do suporte da panela; e finalmente em (3), mostra-se que entre os
suportes 1, há a possibilidade de regular o ângulo entre eles, caso seja necessário.

1 1
3
Figura 3. Base desenvolvida do fogão solar tipo elíptico móvel confeccionado. Autoria própria, 2020.

Visando reduzir os custos, para não utilizar o espelho como material reflexivo, optou-se por utilizar a fita
adesiva metalizada cromada, encontrada facilmente no comércio. A mesma é bastante utilizada em situações
que se deseja obter maior isolação térmica devido ao seu alto poder de reflexão da irradiação solar, como nas
instalações e manutenções de centrais de ar condicionados, além de ser menos onerosa, se porventura essa fita
for comparada ao espelho.
Ademais, os pedestais originais das antenas foram substituídos por dois pedestais confeccionados com
eletrodutos rígidos de 1 ¼ de polegada e duas curvas tipo joelho em PVC de mesma dimensão. Essas peças
devidamente medidas, cortadas e montadas, formaram dois pedestais em formato de “L”.
Nessa conjuntura, a Figura 4 mostra em (a) a preparação das superfícies dos refletores, onde foi necessário
retirar todas as impurezas através de procedimentos de limpeza; e em (b), a aplicação da fita metálica
propriamente. Posteriormente, a preparação das duas superfícies refletoras, todas as peças do fogão solar em
questão foram encaixadas.
R4EM 2020, 2º ed. 5

(a) (b)
Figura 4. (a) Preparação da superfície; (b) Aplicação da fita. Autoria própria, 2020.

Considerando que os focos das antenas ficam localizados na posição do LNB (vide Figura 2), e
manuseando uma antena já contendo o refletor, o suporte original com o LNB e o pedestal fabricado conforme
já citado, uma de cada vez, as mesmas foram posicionadas próximas à base de ferro de forma que o LNB ficasse
ao longo do eixo vertical, local onde os dois focos se convergem e se localiza a panela. Dessa forma, os pedestais
foram devidamente calibrados no suporte de fixação, garantido que o ponto de convergência entre os focos
sejam incidentes sempre no mesmo eixo vertical. A Figura 5 mostra em (a) o foco com concentração adequada;
em (b), o foco mais disperso; e em (c), a panela centralizada no foco, momento indicado para iniciar a realização
dos ensaios de cocção.

(a) (b) (c)


Figura 5. (a) e (b) Determinação do ponto focal dos refletores; (c) Panela centralizada no foco. Autoria
própria, 2020.

É válido salientar, que as panelas utilizadas para a cocção dos alimentos são de alumínio de cor preta,
tendo em vista que devido à cor escura, a taxa de absorção de irradiação térmica é bastante elevada se a mesma
for comparada com outros corpos de cores mais claras.
A verificação e calibração do ponto focal dos refletores foram realizados no início de cada ensaio, com o
auxílio de um anteparo situado próximo ao ponto focal, que neste caso, utilizou-se um pedaço de papelão. O
mesmo foi posicionado ao lado da panela e realizado a regulagem dos refletores no ponto exato do foco. Nesse
procedimento, observou-se que um refletor possuía o foco mais concentrado que o outro. Isso pode ser atribuído
a dois fatores, sendo o primeiro que as duas antenas utilizadas no projeto são de fabricantes diferentes, logo,
pode haver alguma discrepância entre as dimensões específicas dos refletores; e o segundo, algum defeito
imperceptível visualmente em sua geometria causada por um possível impacto mecânico.

3.2 Ensaios realizados no protótipo desenvolvido

Após a montagem do protótipo do fogão solar, realizou-se um teste experimental utilizando somente água
na panela com o intuito de observar se os procedimentos de manuseio e regulagem dos focos configurar-se-iam
R4EM 2020, 2º ed. 6

conforme o esperado. Seguidamente, escolheu-se quatros alimentos para a realização dos ensaios, a saber, arroz,
ovo, batata-doce e feijão.
Os experimentos de cocção dos alimentos foram realizados entre os dias 29/11/2019 e 05/12/2019 em
horários que variaram das 10h às 14h na parte externa do Laboratório de Engenharias I, localizado no lado Leste
da UFERSA campus Mossoró. Segundo [12], nesse período do ano é primavera no hemisfério sul e quase a
totalidade do Nordeste é caracterizada pela ausência de chuvas e tempo seco, em especial no Rio Grande do
Norte.
Dando início aos experimentos, utilizou-se na realização das medições de temperatura e irradiância solar,
respectivamente, um termômetro com infravermelho e um piranômetro. Nos instantes das medições, foram
tomadas as devidas precauções de sempre realizá-las em um único ponto e por apenas um operador, diminuindo,
dessa forma, as fontes de divergências nos resultados das leituras realizadas.
As medições foram efetuadas no momento inicial dos testes e em intervalos de 5 minutos com a utilização.
As duas leituras foram realizadas simultaneamente, utilizando a função “hold” de ambos os equipamentos,
gravando os valores na tela dos dispositivos por alguns segundos, facilitando a coleta e transcrição dos dados
manualmente para a tabela de dados.

3.2.1 Cocção da batata-doce

Os testes foram iniciados no dia 29/11/19, a partir das 10h50min, com a cocção de 320 gramas de batata-
doce. Inicialmente, as batatas foram dispostas dentro da panela e em seguida adicionou-se água,
aproximadamente 400ml, de modo que as mesmas ficassem submersas, de acordo com a Figura 6 (a). Em
seguida, antes de iniciar o processo de cocção, colocou-se a panela no fogão solar e realizou-se a regulagem
dos focos dos refletores. Após aproximadamente 30 minutos do início do ensaio, percebeu-se a necessidade de
regular os focos novamente, uma vez que os mesmos se encontravam divergentes em relação à panela. Para
isso, foram realizadas duas regulagens, na primeira a base foi rotacionada cerca de 15 graus no sentido horário;
e na segunda, um refletor foi rotacionado verticalmente para cima, e o outro verticalmente para baixo, ambos
em relação aos seus pedestais. A Figura 6 (b), evidencia as batatas cozidas após aproximadamente 50 minutos
de cocção. Neste dia o céu apresentava algumas nuvens, fato que contribuiu para a redução da irradiação solar
em determinados instantes, contribuindo para a diminuição da temperatura nesses pontos.

(a) (b)
Figura 6. (a) Cocção das batatas; (b) Batatas cozidas. Autoria própria, 2020.

3.2.2 Cocção do arroz

O presente ensaio foi realizado no dia 03 de dezembro de 2019, a partir das 10h25min, com o objetivo de
cozinhar uma porção referente a uma xícara de arroz, aproximadamente, 180 gramas. A priori, a panela foi
R4EM 2020, 2º ed. 7

levada ao fogão e, seguidamente, realizou-se a regulagem dos focos, vide Figura 7 (a). Posteriormente, o arroz
foi refogado e adicionadas duas xícaras e meia de água em temperatura ambiente conforme indicava na
embalagem do mesmo. As medições de temperatura e irradiação solar foram efetuadas após a água ser
adicionada, e a cada intervalo de 5 (cinco) minutos.
No dia do experimento, o céu apresentava-se sem nuvens, indicando valores de irradiação bastante
satisfatórios para o êxito da cocção. Após algo em torno de 23 minutos o arroz se encontrava completamente
cozido, pronto para ser consumido, conforme evidenciado na Figura 7 (b).

(a) (b)
Figura 7. (a) Panela no ponto focal; (b) Porção de arroz cozido. Autoria própria, 2020.

3.2.3 Cocção dos ovos

O ensaio com os ovos ocorreu no mesmo dia que o ensaio anterior, iniciado às 11h20min, com objetivo
de cozinhar três ovos no protótipo de fogão solar em questão. Incialmente, adicionou-se, 400mL de água em
temperatura ambiente à panela juntamente com os três ovos. Seguidamente, os refletores foram ajustados de
forma que seus focos convergissem na panela. É oportuno ressaltar, que as condições climáticas estavam
favoráveis, apresentando céu sem nuvens, fato que contribuiu para valores constantes de irradiação solar,
denotando índices adequados para o êxito do ensaio.
As medições foram realizadas em intervalos semelhantes aos ensaios anteriores. Decorridos 20 minutos,
o primeiro ovo foi retirado para ser avaliado em relação à cocção, sendo constatado que o mesmo se encontrava
pronto para degustação e, consequentemente, os outros dois. A Figura 8 mostra em (a) o fogão solar em pleno
funcionamento durante a cocção dos ovos, e em (b), os mesmos já cozidos.

(a) (b)
Figura 8. (a) Cocção dos ovos; (b) Ovos cozidos. Autoria própria, 2020.

3.2.4 Cocção do feijão

O referido ensaio foi realizado no dia 05/12/19, a partir das 10h25min, utilizando 180g de feijão-de-corda.
As superfícies refletoras foram ajustadas conforme descrito nos ensaios anteriores, bem como as medições,
R4EM 2020, 2º ed. 8

fazendo-se convergir seus focos ao centro, incidindo na panela. No referido dia, o céu apresentava pouca
nebulosidade, mas houveram momentos que as mesmas encobriram o sol, ocasionando redução tanto na
temperatura no interior da panela quanto nos valores obtidos de irradiância solar. Ainda assim, após duas horas
de cocção, pôde-se constatar que a devida porção encontrava-se cozida, pronto para ser consumida. Vale
salientar que a cada 30 minutos, era necessário realizar a regulagem dos focos conforme citado anteriormente.
Na Figura 9 (a), é possível observar a panela no centro focal e em (b), o feijão já cozido.

(a) (b)
Figura 8. (a) Fogão solar em pleno funcionamento, com a panela no centro focal; (b) Feijão totalmente cozido.
Autoria própria, 2020.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 Análise dos Ensaios de Cocção

De posse dos valores obtidos nas medições da temperatura e irradiância solar realizadas a cada 5 (cinco)
minutos, juntamente com seus respectivos horários, gráficos foram elaborados contendo as informações de cada
ensaio. A partir desses dados, tornou-se possível visualizar a influência da irradiância solar sobre as
temperaturas obtidas, e por decorrência, o tempo de cozedura dos alimentos. Após cada ensaio e comprovação
da cozedura dos alimentos, os mesmos foram degustados, apresentando texturas e sabores semelhantes em
relação aos alimentos preparados, por ex., no fogão a gás. As seções 4.1.1, 4.1.2, 4.1.3 e 4.1.4 apresentam os
resultados destas análises para cada tipo de alimento submetido à cocção.

4.1.1 Cocção da batata-doce

A Figura 10 representa as curvas da temperatura e irradiação solar em função do tempo referentes aos
dados coletados no processo de cocção da batata-doce.

COCÇÃO DA BATATA-DOCE
1580 1572 1629 1593 1634 1632
1547 1557
354,7 373,2
73,7 91,3 326,7 83,1 91,2 88,9 98,8 104,9
33,1 71,6
82,7 93,3
10:50 10:55 11:00 11:05 11:10 11:15 11:20 11:25 11:30 11:35 11:40

HORÁRIOS
TEMPERATURA [°C] IRRADIAÇÃO SOLAR [W/m²]

Figura 10. Cocção da batata-doce. Autoria própria, 2020.


R4EM 2020, 2º ed. 9

4.1.2 Cocção do arroz

O Figura 11 mostra os resultados obtidos das medições realizadas. Pode-se perceber que os valores da
irradiação estão aproximadamente uniformes, fato esse que reflete diretamente no aumento e na conservação
das temperaturas.

COCÇÃO DO ARROZ
1510 1423 1402 13…
1411
955,3

33,1 76,8 83,7 97 100,9 96,4

10:25 10:30 10:35 10:40 10:45 10:50


HORÁRIOS
TEMPERATURA [°C] IRRADIAÇÃO SOLAR[W/m²]

Figura 11. Cocção do arroz. Autoria própria, 2020.

4.1.3 Cocção dos ovos

A Figura 12 denota o comportamento das temperaturas e irradiação solar obtidas em função dos horários
de medições. Ao analisar o mesmo, é visível a estabilidade da irradiação solar, fato esse que afeta diretamente
nos bons resultados obtidos das temperaturas atingidas.

COCÇÃO DOS OVOS


1331 1293 1318 1289 1302

33,6 80,6 90,7 100,2 100,8

11:20 11:25 11:30 11:35 11:40

HORÁRIOS
TEMPERATURA [°C] IRRADIAÇÃO SOLAR [W/m²]

Figura 12. Cocção dos ovos. Autoria própria, 2020.

4.1.4 Cocção do feijão

Averiguando-se a Figura 13, pode-se notar o comportamento da temperatura e irradiação solar em função
do tempo. É notável a excelência nos valores obtidos da irradiação e, consequentemente, da temperatura,
havendo, entretanto, um intervalo de 20 minutos onde ocorreu redução significativa das duas variáveis
analisadas devido à presença de nuvens espaçadas.
É oportuno salientar que foi necessário adicionar mais água em temperatura ambiente à panela por duas
vezes. A primeira vez às 11h25min, e a segunda, 11h55min. Esse fato levou à redução momentânea no valor
da temperatura na panela, mas devido aos valores satisfatórios da irradiação, logo a mesma se restabeleceu.
R4EM 2020, 2º ed. 10

COCÇÃO DO FEIJÃO

1409 1374 1370 1383 1373 1397


1304 1324 1340 1308 1307 1282
1152
1406 1372 1352 1011
1329 1342 1314 1293
1255 1265

463,3

270,6
92 100,8 89,3 97,3 92 107 96,3 91,5 95,6 76,7 102,3 96,1
30,6
93,4 102,3 92,3 103 105,7 101,3 83,7 95,9 94,3 97,3 94,3
76
10:25
10:30
10:35
10:40
10:45
10:50
10:55
11:00
11:05
11:10
11:15
11:20
11:25
11:30
11:35
11:40
11:45
11:50
11:55
12:00
12:05
12:10
12:15
12:20
12:25
HORÁRIOS
TEMPERATURA [°C] IRRADIAÇÃO SOLAR [W/m²]

Figura 13. Cocção do feijão. Autoria própria, 2020.

4.2 Análise entre o Fogão Solar versus Fogão a Gás

Com o intuito de verificar o desempenho do fogão em estudo, os dados obtidos nos ensaios supracitados
foram comparados com os dados do fogão convencional a gás, confrontando o tempo de cocção dos alimentos
preparados. A Tabela 1 indica os alimentos submetidos aos ensaios com suas respectivas quantidades, tempo
de cocção no fogão solar elíptico e tempo estimado de cozedura no fogão a gás. É válido salientar que os valores
denotados na última coluna da Tabela 1 representa o tempo estimado de cocção dos referidos alimentos, sendo
estes sujeitos à alteração, dependendo tanto das características físicas do fogão a gás quanto das propriedades
intrínsecas dos alimentos.

Quantidade Tempo de cocção no Tempo de cocção no


Alimentos
fogão solar (minutos) fogão a gás (minutos)

Batata-doce 320 gramas 50 25 - 35


Arroz 180 gramas 23 15 - 20
Ovos 3 unidades 20 10 - 13
Feijão 180 gramas 120 50 - 60
Tabela 1. Comparação entre o tempo de cocção do fogão solar e a gás. Autoria própria, 2020.

Observando a Tabela 1, é possível perceber que o tempo de cocção da batata-doce, ovos e feijão é
praticamente o dobro quando comparado ao fogão a gás, com exceção do arroz que obteve tempo bastante
semelhante.
Mesmo apresentando o dobro de tempo na cocção de alguns alimentos na comparação supracitada, o fogão
solar em estudo expressou bons resultados nos ensaios realizados, visto que a cocção foi concluída em todos os
testes. Outra vantagem a ser analisada é o custo-benefício do mesmo, pois em sua confecção o custo monetário
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foi de aproximadamente R$60. Com este valor foi possível comprar uma antena de tv usada por R$40, uma fita
adesiva cromada por R$4, e os R$16 restantes foram utilizados na compra de lixa, parafuso, tinta preta e
conexões de PVC. Vale ressaltar que os outros componentes como madeira, eletroduto, retalhos de ferro e a
outra antena, foram adquiridos por meio de doações, aumentando a viabilidade de construção do fogão em
estudo.

4.3 Fenômenos observados durante o processo de cocção dos alimentos

Durantes os ensaios, percebeu-se que a água contida na panela para a cocção dos alimentos iniciava o
processo de ebulição mais rápido em um lado que do outro, evidenciando que a temperatura no interior da
mesma não estava uniforme. Esse fato se deve ao tipo de fogão utilizado, haja vista que devido aos pontos focais
dos refletores serem próximos à superfície de reflexão, os mesmos são impossibilitados de convergirem se
ambos estiverem com os refletores na posição horizontal. Portanto, este fogão solar apresenta a maior porção
de incidência dos raios na lateral da panela, e não no fundo da mesma, como nos casos dos fogões a gás, lenha
e solar parabólico.
Na tentativa de contornar essa questão, foi necessário girar a panela em sua base por várias vezes, no
intento de que a temperatura em seu interior ficasse a mais uniforme possível, fazendo a cocção dos alimentos
por igual. Dessa maneira, após a cozedura, os aspectos visuais dos alimentos assemelhavam-se aos do modo de
cocção tradicional. No sabor, por exemplo, não houve diferença significativa que pudesse ser questionada
quanto ao método utilizado na cocção, ficando evidenciado a eficácia de tal modo de cocção de forma alternativa
às opções tradicionais.
Outro fato importante observado nos ensaios refere-se à proteção da pele e dos olhos durante o manuseio
com o fogão. Devido às condições impostas em tal modalidade de cocção, até mesmo em função do horário de
uso para preparo dos alimentos, deve-se sempre utilizar equipamentos de proteção como protetor solar, óculos
de sol e roupas longas com proteção UV, pois mesmo com pouca exposição, a médio ou longo prazo a referida
exposição poderá prejudicar a saúde do usuário exposto.
Analisando os gráficos mostrados nas Figuras de 10 a 13, pode-se perceber que nos dias e horários neles
especificados, a água no interior da panela entrava no processo de ebulição em aproximadamente 15 minutos
após o início dos ensaios, e que nos instantes que a irradiação solar tornava-se ínfima, a temperatura logo
diminuía. Entretanto, não se sabe ao certo se essa rápida variação de temperatura é ocasionada pela
condutividade térmica do material da panela ou se pode ser devido a fatores externos como o vento, por
exemplo, mas é visível que tais alterações influenciam na eficiência do fogão.

5. CONCLUSÃO
Mediante o desenvolvimento do protótipo de fogão solar tipo elíptico móvel apresentado no vigente
trabalho, é possível afirmar claramente que o mesmo apresenta-se como uma tecnologia alternativa viável nas
condições climáticas e geográficas analisadas neste trabalho para o processo de cocção de alimentos.
A comparação entre o fogão solar elíptico e o fogão a gás indicou que o protótipo desenvolvido neste
estudo mostra-se eficaz, mesmo havendo uma certa discrepância entre os tempos de cocção dos fogões em
análise. Dos quatro ensaios realizados, apenas o tempo de cocção arroz assemelhou-se ao do fogão a gás, tendo
os outros três levado aproximadamente o dobro do tempo para a finalizar seu processo de cozedura. Esse fato
não põe à prova o desempenho do mesmo, visto que a cocção foi concluída em todos os ensaios e o custo-
benefício o faz ser uma tecnologia atrativa. Em termos de custo-benefício o presente fogão mostrou-se atrativo,
haja vista que a confecção do mesmo foi realizada com custo monetário de R$60, visto que boa parte dos
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materiais utilizados foram reciclados e recebidos de doações, contribuindo significativamente para a produção
e disseminação desta tecnologia.
Mecanismos para o aprimoramento do ajuste da posição focal e métodos de conservação térmica da panela
utilizada com materiais ou compósitos isolantes devem fazer parte de futuros estudos e ensaios dessa técnica
de cocção, pois verificou-se que a temperatura no interior da panela diminui bastante ao acontecer um
sombreamento do fogão, mesmo que por poucos instantes.
Nessa conjuntura, configura-se como uma excelente opção a utilização de fogões solares em algumas
regiões do semiárido nordestino, visto que são áreas privilegiadas no que se refere ao recurso solar, e vale
destacar também a simplicidade de confecção do protótipo desenvolvido utilizando material reaproveitável que
seriam descartados.

REFERÊNCIAS
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96f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica), Departamento de Engenharia Mecânica, Programa de
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Norte, Natal, 2011.
[3] Bessa Neto, L. J. et al. Fogão Solar Parabólico x Fogão Solar Tipo Caixa. R4EM 2019, Volume 1, 8 pág.
[4] Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL. Banco de Informação de Geração - BIG. Disponível em:
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Elementos Absorvedores em Coletores de um Sistema de Aquecimento de Água por Energia Solar. Tese
(Doutorado em Ciência e Engenharia de Materiais), Programa de Doutorado em Ciência e Engenharia de
Materiais, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2002.
[6] Rafsunjani, Md.; Joyee, E. B.; Rahman, A. N. M. Development and Testing of a Two-axis Tracking
Spherical Solar Cooker. IEEE Xplore. p.1-8, 2016. DOI: 10.1109/ICDRET.2016.7421500.
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Monografia (Graduação em Engenharia Mecânica), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2018.
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Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2010.
[9] Dantas, R. A. R. Construção e Análise Térmica de um Fogão Solar de Baixo Custo Tipo Concentrador em
Mossoró/RN. 2015. 54f. Monografia (Graduação em Engenharia de Energia), Departamento de Ciências
Ambientais e Tecnológicas, Universidade Federal Rural do Semiárido - UFERSA, 2015.
[10] Disponível em:<www. antenistaemcuritiba.com.br/antena-parabolica-em-curitiba/-antena-para-tv-por-
assinatura-em-curitiba>. Acesso em 03 de junho de 2020.
[11] Disponível em: < https://clima1.cptec.inpe.br/estacoes>. Acesso em 03/06/2020.

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