Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Este material tem como objetivo servir de apoio à disciplina, facilitando o acesso ao
conhecimento por parte do aluno. Em hipótese alguma ele substitui a bibliografia adotada, não
devendo ser utilizado como única fonte de pesquisa e referência.
Bibliografia
ALVES, João Bosco da Mota. Teoria geral de sistemas: Em busca da interdisciplinaridade.
Florianópolis: Instituto Stela, 2012. 179 p.
CUNHA, Luiz Egidio Costa. Análise de sistemas: curso técnico de informática. Colatina:
Cead, 2011. 104 p.
LAMPERT, Edna da Luz; BADALOTTI, Greisse Moser. Sistemas de informação. Indaial:
Uniasselvi,
2015. 177 p.
REZENDE, Denis Alcides. Planejamento de Sistemas de Informação e Informática. 5.
ed. Curitiba: Atlas, 2016. 232 p.
UHLMANN, Günter Wilhelm. Teoria Geral dos Sistemas: Do Atomismo ao Sistemismo. São
Paulo:
Manole, 2011. 103 p.
VON BERTALANFFY, Ludwig. Teoria Geral dos Sistemas: Fundamentos,
Desenvolvimento e Aplicações. Curitiba: Vozes, 2008. 360 p.
Curso de Sistemas de Informação 2 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Curso de Sistemas de Informação 3 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Sumário
1- Visão Sistêmica.................................................................................................................................. 6
1.1 Introdução....................................................................................................................... 6
1.2 O Pensamento Sistêmico ........................................................................................... 6
1.3 A Teoria Geral dos Sistemas ........................................................................................... 7
1.4 Definição de Sistema ....................................................................................................... 8
1.5 Leis Universais dos Sistemas ......................................................................................... 11
1.6 Componentes de um Sistema ....................................................................................... 12
1.7 Classificação de um Sistema ......................................................................................... 12
1.6 Estados de um sistema ................................................................................................. 13
1.7 A importância da TGS.................................................................................................... 15
2- Fundamentos dos Sistemas de Informação ................................................................................... 16
2.1 Introdução ...................................................................................................................... 16
2.2 Definição ......................................................................................................................... 16
2.3 Componentes .................................................................................................................. 18
2.3.1 Dados ............................................................................................................................... 18
2.3.2 Informação ...................................................................................................................... 19
2.3.3 Conhecimento ................................................................................................................. 19
2.3.4 Inteligência ...................................................................................................................... 20
2.4 Recursos .......................................................................................................................... 20
2.5 Gestão da Informação ................................................................................................... 23
3- Classificação dos Sistemas de Informação .................................................................................... 25
3.1 Introdução ...................................................................................................................... 25
3.1.1 Sistemas de Apoio às Operações ............................................................................... 26
3.1.2 Sistemas de Apoio Gerencial ...................................................................................... 27
3.1.3 Sistemas Híbridos .......................................................................................................... 28
3.2 Etapas de implantação de um Sistema de Informação ......................................... 29
Curso de Sistemas de Informação 4 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
3.2.1 Levantamento de Requisitos ...................................................................................... 30
3.2.2 Análise de Requisitos.................................................................................................... 30
3.2.3 Projeto............................................................................................................................. 31
3.2.4 Desenvolvimento .......................................................................................................... 31
3.2.5 Testes .............................................................................................................................. 32
3.2.6 Implantação ................................................................................................................... 33
3.2.7 Documentação .............................................................................................................. 33
4- Metodologias para Desenvolvimento de Sistemas ......................................................................... 35
4.1 Introdução ...................................................................................................................... 35
4.2 Por que os projetos falham? ......................................................................................... 35
4.3 O processo de desenvolvimento de um software ...................................................... 37
4.4 Metodologias .................................................................................................................. 38
4.4.1 PMBOK ............................................................................................................................ 39
4.4.2 CMMI ............................................................................................................................... 41
4.4.3 SCRUM ............................................................................................................................. 42
4.4.4 KANBAN .......................................................................................................................... 44
Curso de Sistemas de Informação 5 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
1- Visão Sistêmica
1.1 Introdução
A importância de Sistemas de Informação (SI) para as organizações está na
necessidade de serem tecnologicamente competitivas, tornando os processos da
organização dinâmicos e mais rentáveis. A utilização das tecnologias é essencial para a
sobrevivência da organização, pois é através dos sistemas que tudo será planejado,
organizado, articulado e executado.
Outro fator essencial sobre os SI diz respeito à sua responsabilidade em realizar o
tratamento, a transmissão e o armazenamento de todas as informações existentes em uma
organização.
Desta forma, fica clara a importância dos SI em apresentar relatórios dos processos e
atividades realizadas, e disponibilizar aos gestores quais capacidades a empresa possui,
para realizar o planejamento, investimento e quais são as melhores práticas de ações
possíveis que podem ser desenvolvidas e até mesmo quais delas precisam ser alteradas.
Contudo, antes de tratarmos dos conceitos de Sistemas de Informação, precisamos
entender aspectos relacionados aos sistemas de uma forma geral e mais abrangente.
1.2 O Pensamento Sistêmico
O pensamento sistêmico é uma forma de abordagem que compreende o
desenvolvimento humano sobre a perspectiva da complexidade. Para percebê-lo, a
abordagem sistêmica lança seu olhar não somente para o indivíduo isoladamente,
considera também seu contexto e as relações estabelecidas.
Pensar sistemicamente exige uma nova forma de olhar o mundo, o homem, e
consequentemente, exige também uma mudança de postura por parte do cientista, postura
esta que propicia ampliar o foco e entender que o indivíduo não é o único responsável por
ser portador de um sintoma, mas sim que existem relações que mantém este sintoma.
Para exemplificar, é possível observar no funcionamento da família a maneira pela
qual um determinado comportamento afeta e é afetado pelo outro. Então se pode falar em
coparticipação e corresponsabilidade, ou seja, o sintoma que o indivíduo apresenta é
resultante do material patogênico da família, se esta não funciona de forma saudável.
Curso de Sistemas de Informação 6 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Logo, um sistema é um grupo interdependente de itens, pessoas ou processos,
trabalhando juntos em direção a um propósito comum. As pessoas são parte da maioria
dos sistemas. A compreensão das interações de pessoas e sistemas é crítica para
administrar e melhorar um sistema. O comportamento humano é parte do “sistema
naturalístico”, que deve ser compreendido e avaliado se os líderes pretendem efetuar
melhorias àquele sistema.
Existem muitos obstáculos a enfrentar na compreensão do comportamento das
pessoas com respeito a um sistema. Alguns desses obstáculos estão enraizados em
nossas tradições culturais, nossa própria experiência e em como observamos e
aprendemos com as situações. Muitas de nossas tradições culturais e religiosas trazem a
ideia do indivíduo como um agente autônomo. Nossa própria experiência também contribui
para esta percepção. Pensamos em nós mesmos como livres para escolher nossas ações
e nos sentimos como se fôssemos a causa dos resultados.
O Pensamento Sistêmico, hoje disseminado nas diversas áreas do conhecimento,
ganhou um arcabouço teórico e reconhecimento na primeira metade do século XX. Embora
suas bases tenham sido formuladas entre as décadas de 30 e 40, o processo de mudança
do paradigma mecanicista para o ecológico tem ocorrido de forma não linear há muitos
séculos, com retrocessos e avanços nos vários campos da ciência.
1.3 A Teoria Geral dos Sistemas
A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) foi concebida em 1937 por Ludwig Von
Bertalanffy. Ele era um biólogo que procurava entender o comportamento dos animais em
suas sociedades e quais as regras os regiam para que mantivessem suas características
como grupo. Bertalanfy, considerado o fundador da TGS, após divulgar seus estudos ao
longo dos anos de 1945 a 1956, finalmente escreveu seu livro, intitulado: General System
Theory, em 1968.
Segundo a TGS, em vez de se reduzir uma entidade (um animal, por exemplo) a um
estudo individual das suas propriedades, partes ou elementos (órgãos ou células), deve-se
focalizar no arranjo do todo, ou seja, nas relações entre as partes que se interconectam e
interagem orgânica e estatisticamente. Do ponto de vista do pensamento sistêmico, o
sistema pode ser definido como uma entidade que mantém sua existência por meio da
interação mútua entre suas partes.
Curso de Sistemas de Informação 7 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Bertalanffy defendeu a criação de uma nova disciplina com a intenção de constituir um
amplo campo teórico-conceitual que valorizasse a interação, a inter-relação e a integração,
e que anunciasse uma nova compreensão do mundo ao abordar as questões científicas,
empíricas e/ou pragmáticas dos sistemas enfatizando a complexidade organizada.
Constituía-se, portanto, em uma filosofia da ciência da totalidade, cujo objetivo era reavivar
a unidade da ciência.
Outro autor importante nos estudos da TGS foi Kenneth Boulding. Economista e
estudioso dos sistemas, Kenneth produziu um artigo que descrevia a natureza geral da
teoria dos sistemas, seu objetivo e importância para o estudo dos fenômenos Até os dias
atuais a TGS é estudada por diversos profissionais como administradores, economistas,
biólogos, engenheiros e analistas de sistemas. Apesar de a teoria ter sido proposta, para
alcançar todos os sistemas existentes (sistemas humanos, físicos, cósmicos,
computacionais, organizacionais, etc.), a área de conhecimento que mais tem explorado os
conceitos da TGS é a computação.
A TGS revolucionou a ciência no período pós-guerra, dando suporte ao
desenvolvimento de áreas de conhecimentos, até então desconhecidas, como foi o caso da
linha de sistemas operacionais, em engenharia, a ampliação da base computacional e,
principalmente, na alta tecnologia espacial, desenvolvida pela NASA dos Estados Unidos.
A Teoria Geral de Sistema trouxe um novo modo de ver o mundo e também
revolucionou a Ciência Computacional. Essa ciência foi obrigada a pensar não apenas em
máquinas isoladas realizando tarefas, mas sim em forma de totalidade.
Assim, o objeto da TGS é a formulação dos princípios válidos para os sistemas em
geral, qualquer que seja a natureza dos elementos que compõem as relações ou forças
existentes entre eles. Pode ser considerada uma disciplina que se insere na interface da
lógica da matemática, em si mesma puramente forma, mas aplicável às várias ciências
empíricas.
1.4 Definição de Sistema
A Teoria Geral de Sistemas tem por objetivo uma análise da natureza dos sistemas e
da inter-relação entre eles em diferentes espaços, assim como a inter-relação de suas
partes. O sistema que é visto como uma totalidade integrada, sendo impossível estudar
seus elementos isoladamente. Ela ainda analisa as leis fundamentais dos sistemas.
Curso de Sistemas de Informação 8 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
O conceito de sistema evoluiu desde que foi proposto na TGS. Vários autores
contribuíram para que o entendimento do que é um sistema pudesse ficar claro para todos.
Atualmente, a palavra “sistema” muitas vezes é mal empregada, sendo usada de forma
indiscriminada e sem qualquer critério, originando, em especial nos meios empresariais,
uma confusão de definição. Ou ainda, é usada para expressar determinadas situações
dentro de um software.
Um sistema pode ser definido como um conjunto de elementos interdependentes que
interagem com objetivos comuns, formando um todo no qual cada um dos elementos
componentes se comporta, por sua vez, como um sistema. Dessa forma, o resultado do
sistema é maior do que o resultado que as unidades poderiam ter se funcionassem
independentemente. Qualquer conjunto de partes unidas entre si pode ser considerado um
sistema, desde que as relações entre as partes e o comportamento do todo sejam o foco de
atenção.
Há anos, pessoas perceberam que há coisas comuns nas diferentes áreas do
conhecimento. Existem problemas similares que podem ser resolvidos com soluções
similares. Estas mesmas pessoas perceberam que algumas características e regras
aconteciam em todas as áreas. Isto quer dizer que todas as áreas do conhecimento
possuem sistemas. E que os sistemas possuem características e leis independentemente
da área onde se encontram. São exemplos de sistema: um carro, o corpo humano, um
computador, uma empresa.
A boa integração dos elementos componentes do sistema é chamada sinergia,
determinando que as transformações ocorridas em uma das partes influenciarão todas as
outras. A alta sinergia de um sistema faz com que seja possível a este cumprir sua
finalidade e atingir seu objetivo geral com eficiência; por outro lado se houver falta de
sinergia, pode implicar em mau funcionamento do sistema, vindo a causar inclusive falha
completa, morte, falência, pane, queda do sistema etc.
Da definição de Bertalanffy, segundo a qual o sistema é um conjunto de unidades
reciprocamente relacionadas, decorrem dois conceitos: o de propósito (ou objeto) e o de
globalismo (ou totalidade). Esses dois conceitos retratam dois atributos básicos em um
sistema.
Em relação ao propósito, todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As
unidades ou elementos (ou objetos), bem como os relacionamentos, definem um arranjo
Curso de Sistemas de Informação 9 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
que visa sempre a um objetivo ou finalidade a alcançar.
Quanto ao globalismo, todo sistema tem uma natureza orgânica, pela qual uma ação
que produza mudança em uma das unidades do sistema, deverá produzir mudanças em
todas as outras unidades. Em outros termos, qualquer estimulação em qualquer unidade do
sistema afetará todas as unidades devido ao relacionamento existente entre elas. O efeito
total dessas mudanças ou alterações proporcionará um ajustamento de todo o sistema. O
sistema sempre reagirá globalmente a qualquer estimulo produzido em qualquer parte ou
unidade. Na medida em que o sistema sofre mudanças, o ajustamento sistemático é
contínuo. Da mudança e dos ajustamentos contínuos do sistema decorrem dois fenômenos:
o da entropia e o da homeostasia.
1.4.1 Entropia
A entropia (S) é uma grandeza termodinâmica que mede a desordem de um sistema
e a espontaneidade dos processos físicos. Quanto maior a desordem do sistema, maior a
entropia.
Comparando este conceito ao cotidiano, podemos pensar que, uma pessoa ao iniciar
uma atividade tem seus objetos organizados, e à medida que ela vai os utilizando e
desenvolvendo suas atividades, seus objetos tendem a ficar cada vez mais
desorganizados.
Se a entropia e a desordem aumentam, quer dizer que o processo é espontâneo. Por
exemplo, considere a queda de um copo de vidro, esse é um processo espontâneo, em que
a desordem do sistema aumenta. O processo contrário, isto é, os cacos do copo quebrado
subirem sozinhos e recuperarem o copo, não ocorre, não é espontâneo e é irreversível.
Outro caso é a queda d’água de barragens, que é um processo espontâneo; neste
caso podemos concluir que a entropia aumenta. No entanto, a água retornar sozinha para o
alto da barragem não é espontâneo, seria necessária uma ação externa, como uma bomba
d’água para realizar isso. E se fosse possível, a entropia iria diminuir.
A “desordem” não deve ser compreendida como “bagunça” e sim como a forma de
organização das moléculas no sistema. Um exemplo simples para entender a desordem
das moléculas em um sistema é o gelo que derrete. As moléculas no estado sólido estão
mais próximas e têm menor possibilidade de movimentação, portanto elas estão mais
organizadas. No entanto, na mudança para o estado líquido, as moléculas irão ganhar cada
vez mais liberdade para se movimentar e com isso se tornarão cada vez mais
Curso de Sistemas de Informação 10 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
desorganizadas. Desse modo, a tendência natural é de aumentar a desordem das
moléculas, o que significa um aumento da entropia.
1.4.2 Homeostasia
Homeostasia ou homeostase, é a tendência existente em alguns organismos para o
equilíbrio e conservação de elementos fisiológicos e do metabolismo através de alguns
mecanismos de regulação. Em termos de sistema, isto quer dizer que, se uma parte não
está funcionando bem, outras terão que trabalhar mais para manter o equilíbrio e para que
o sistema consiga atingir seu objetivo. Por exemplo, se uma pessoa está mancando de uma
parte, a outra perna será sobrecarregada. Uma infecção no pé pode gerar febre e isto afeta
todo o corpo; da mesma forma, outras partes poderão ficar infeccionadas. Numa empresa,
se o setor de vendas não está bem, outros setores devem trabalhar mais, ou melhor, (por
exemplo, marketing).
A homeostasia é a propriedade autorreguladora de um sistema, ou organismo, que
permite manter o estado de equilíbrio de suas variáveis físico-químicas essenciais ou de
seu meio ambiente. O uso mais frequente do termo refere-se à homeostase biológica. A
sobrevivência de organismos vivos requer um meio interno homeostático; muitos
ambientalistas acreditam que este princípio também se aplica ao meio externo. Um grande
número de sistemas ecológicos, biológicos e sociais são homeostáticos, mantêm o
equilíbrio contrariando qualquer mudança, e caso não sejam bem sucedidos em repor o
equilíbrio, isso pode conduzir à interrupção do funcionamento do sistema. Sistemas
complexos, como por exemplo, o corpo humano, precisam de homeostase para manter a
estabilidade e sobreviver. Mais do que apenas sobreviver, estes sistemas devem ter a
capacidade de se adaptar ao seu ambiente externo e interno.
1.5 Leis Universais dos Sistemas
Todo sistema se contrai, ou seja, é composto de subsistemas (e isso ocorre
infinitamente);
Todo sistema se expande, ou seja, é parte de um sistema maior (e isso ocorre
infinitamente);
Quanto maior a fragmentação do sistema (ou seja, o número de subsistemas), maior
será o esforço para coordenar as partes.
Curso de Sistemas de Informação 11 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
1.6 Componentes de um Sistema
Os componentes ou parâmetros são constantes arbitrárias que caracterizam, por suas
propriedades, o valor e a descrição dimensional de um sistema. Os componentes básicos
de um sistema são:
Objetivo: é a finalidade, a razão de ser do sistema;
Entrada: obtida no meio ambiente onde o sistema está inserido, é o que alimenta o sistema;
Processo de transformação: é a modificação feita pelo sistema no material inserido nele,
podendo gerar um produto, serviço ou resultado (saída);
Saída: é o resultado do processo de transformação, o resultado que será devolvido ao
meio ambiente para influenciá-lo;
R e t r o a l i me n t a ç ã o : (feedback): é a reintrodução de informações geradas pelo próprio
sistema como forma de avaliação do processo de transformação;
Ambiente: o meio onde o sistema está inserido;
Subsistemas: as partes menores do sistema.
1.7 Classificação de um Sistema
Para que possamos compreender melhor os sistemas é interessante fazermos algum
tipo de classificação ou categorização, pois, através dela perceberemos melhor as suas
características. A alocação de um sistema em uma determinada categoria é uma atividade
subjetiva e requer que haja, sempre, uma explicação do motivo da alocação. Utilizar os
conceitos de taxionomia (classificação) é útil para conhecer melhor qualquer sistema com o
qual nos defrontemos. Basta pensarmos em classificá-lo e inúmeras dúvidas surgirão. A
resposta a essas dúvidas melhorará, sem dúvida, o conhecimento que tínhamos do sistema
em questão.
Simples x Complexos - Os sistemas são compostos de diversos componentes (partes)
e relações (articulações). Um sistema será tão mais complexo quanto maior for a
quantidade de elementos que o compõem ou a quantidade e complexidade das suas
Curso de Sistemas de Informação 12 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
relações. Um carrinho de mão possui um conjunto pequeno de componentes e também
uma pequena quantidade de conexões entre estes componentes. É um sistema simples
quando comparado a um caminhão, pois este possui milhares de componentes (peças) e
inúmeras conexões entre elas. A avaliação de simples ou complexo é sempre relativa a
algum referencial. Por exemplo, o caminhão é complexo quando comparado a um carrinho
de mão, contudo pode ser considerado um sistema simples quando comparado a um avião
Airbus 380.
Abertos x Fechados - Um sistema fechado é aquele na qual o sistema não possui
nenhuma interação com o meio que o cerca. Ao contrário, um sistema aberto é um sistema
que possui interações com o ambiente. Na prática não existem sistemas completamente
fechados. Sempre há interações suas com o ambiente. O que existem são sistemas mais
abertos ou mais fechados. Um exemplo de sistema fechado seria um tubo de ensaio onde
colocamos ingredientes para uma reação química e desejamos medir/pesar os
componentes gerados. É um sistema muito fechado, mas, na abertura superior há contato
com o exterior que permite interações, os ingredientes recebem calor e luz vindos do
exterior, etc. O conceito de sistema fechado é muito usado, do ponto de vista de teoria,
para simplificar o entendimento dos sistemas.
Adaptáveis x Não adaptáveis – O conceito de adaptabilidade está ligado à resposta
dada pelo sistema às mudanças que ocorrem no ambiente em que está inserido. Um
camaleão (é um sistema, certo?) é bastante adaptável às cores do ambiente em que vive,
mas por outro lado não se adapta bem a mudanças climáticas (não pode viver em regiões
muito frias, por exemplo).
A percepção teórica do sistema observado varia de acordo com o conhecimento do
observador. Uma explicação é sempre uma proposição que reformula ou recria as
observações de um fenômeno, num sistema de conceitos aceitáveis para um grupo de
pessoas que compartilham um critério de validação. Fica claro que a percepção da
realidade é alterada conforme os valores do meio em que se vive, sejam estes em termos
científicos, religiosos ou sociais.
1.6 Estados de um sistema
O estado de um sistema é definido como um conjunto mínimo de variáveis
mensuráveis, cujos valores em um instante de tempo são necessários para determinar a
evolução do sistema em um instante futuro de tempo em face de uma entrada (provocação,
excitação, ocorrência de um evento, etc.). Esse conjunto mínimo de variáveis representa as
Curso de Sistemas de Informação 13 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
condições em que o sistema se encontra, denominada de memória do sistema.
A figura a seguir representa um tanque de água que está a encher. O instante inicial
de tempo é denominado t0; o instante de tempo futuro é denominado como t. A cada
desses instantes de tempo corresponde um estado do sistema, isto é, um volume de água
no tanque, que se avalia pela sua altura.
Quando se acrescenta água no tanque, a altura do nível de água se eleva que se
pode medir com um instrumento - pode ser uma régua. A informação sobre o estado (aqui
sendo representada por uma única variável, a altura do nível de água no tanque) é
importante para tomada de decisão, seja para desligar a bomba impedindo que a água
transborde, seja para religá-la, impedindo que o tanque seque e as pessoas fiquem sem
água na torneira.
Outro exemplo de estado representado por uma função de uma única variável é a
conta bancária. Em um instante inicial de tempo (digamos, no dia do pagamento mensal do
salário), o saldo é de R$ 3.000,00. Em outro instante de tempo futuro (por exemplo, pagas
as contas fixas do mês), o saldo passou para R$ 2.000,00. O estado da conta bancária
mudou e essa mudança baliza o comportamento do cliente.
Observa-se que o estado de um sistema em um instante de tempo é tão somente uma
fotografia desse sistema naquele instante de tempo. Em cada desses instantes de tempo,
os valores das varáveis representativas de seu estado adquirem valores específicos.
Enquanto esses valores permanecerem constantes, o estado permanece o mesmo. Basta
que apenas uma das variáveis tenha seu valor modificado para caracterizar outro estado.
Claro que a mudança de estado pode ser feita pela modificação de mais de uma variável de
estado.
Quando há mudanças de estado do sistema, algo deve ter provocado tal mudança.
Um diagrama de estado é um grafo direcionado, com informação dos estados de um
Curso de Sistemas de Informação 14 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
sistema dinâmico, usado para indicar de que forma as transições dos estados de um
sistema podem ser executadas. Considere um interruptor de luz. É um sistema que admite
apenas dois estados: lâmpada acesa e lâmpada apagada. Se o sistema está inicialmente
no estado com a lâmpada apagada, você consegue executar a transição deste para o
estado lâmpada acesa diretamente acionando o interruptor e vice-versa. A transição de um
estado para outro só é possível quando o evento adequado ocorre.
1.7 A importância da TGS
A ideia de sistema tem uma longa história. Para ilustrar, é pertinente lembrar que
desde a Antiguidade, pensadores como Aristóteles, Platão, Sócrates, já se utilizavam desse
conceito à medida que procuravam formas de compreender e explicar os acontecimentos,
fenômenos da natureza e o comportamento humano.
A aplicação da Teoria Geral dos Sistemas – TGS – teve início nos Estados Unidos nas
primeiras décadas do século XX, em conformidade com o avanço da Cibernética.
Atualmente, a TGS contribui para que possamos compreender a inter-relação existente
entre os diversos sistemas que existem atualmente, e a complexidade desses
relacionamentos, tais como: sistema humano, agroindustrial, e o sistema natural, meio
ambiente. Através dos pressupostos gerais dessa teoria podemos estudar a formação,
organização, tendências futuras, potenciais dos sistemas, entre outras coisas.
O novo paradigma desta era da informação e do conhecimento envolve múltiplas
variáveis, interconectadas e complexas. Novas tecnologias, novos mercados, novas mídias,
novos consumidores transformaram o mundo em uma grande sociedade, globalizada e
globalizante, onde a visão sistêmica é essencial. Como essas variáveis atuam nesse novo
contexto, como elas influenciam e são influenciadas não pode ser estudado em caráter
absoluto e isolado.
À medida que os sistemas crescem, diferenciam-se em partes e o funcionamento
destas partes separadas tem de ser integradas para que o sistema inteiro seja viável. Em
uma sociedade complexa e dinâmica, torna-se, portanto, impossível estudar seu
comportamento e evolução baseado em uma visão atomicista e estática. É imprescindível
entender toda a dinâmica do contexto, estudando a complexidade e entrelinhas de seu
funcionamento.
Curso de Sistemas de Informação 15 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
2- Fundamentos dos Sistemas de Informação
2.1 Introdução
Os Sistemas de Informação – SI são entendidos como um conjunto estruturado de
sistemas que estão inter-relacionados e possuem algumas funções essenciais como,
coletar, realizar a manipulação, armazenar principalmente de forma segura e disseminar os
dados e informações. Todas as atividades, sejam elas realizadas na vida pessoal ou
profissional, envolvem os SI, desde o manuseio de um e-mail, de sistemas de banco, ou
realizar um pedido de compra para a organização utilizando os sistemas.
Em qualquer organização, seja ela do poder público ou privado, possuem em sua
estrutura sistemas, máquinas tecnológicas, equipamentos de informática, softwares e
pessoas especialistas, todos esses itens pertencem à estrutura de SI. Como tudo está em
volta das tecnologias de ponta, com surgimento de novas tecnologias constantemente, isso
torna os sistemas imprescindíveis para as organizações, são esses fatores que tornam o
mercado de produtos e serviços competitivo. Demonstra-se essencial que uma organização
tenha uma estrutura adequada para o fluxo de entrada e saída de informações, em que os
sistemas respondam de forma eficiente, rápida e confiável as solicitações de relatórios de
negócio.
Entretanto, os SI não estão atrelados apenas a computadores e sistemas, mas sim
como uma ferramenta que suporta toda a estrutura tecnológica da organização, contendo
todos os dados e informações, estes servem para a tomada de decisão. O grande desafio
das
organizações consiste no gerenciamento das informações e sua disponibilidade de
utilização, pois com o avanço dos sistemas, a necessidade de retorno das informações é
essencial, até mesmo para que a empresa possa tomar decisões e planejar de forma
concisa seu futuro.
2.2 Definição
Podem-se definir os sistemas de informação como uma ferramenta que possui a
finalidade de gerenciar, controlar e disseminar todos os dados e informações que circulam
em uma organização. Compreendem os sistemas de informação – SI, sistemas, softwares,
aplicativos, hardware, periféricos, e não podemos deixar de apresentar um dos fatores mais
importantes que fazem parte dos sistemas de informação, as pessoas. As pessoas na
Curso de Sistemas de Informação 16 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
realidade tornam todos os processos funcionais e executáveis, depende-se do
conhecimento e experiências delas para que todos os processos que compõem o SI
funcionem e atinjam o objetivo esperado e assim dar prosseguimento nas atividades da
organização.
Um SI é um conjunto único de hardware, softwares, banco de dados,
telecomunicações, pessoas e procedimentos que são configurados para coletar, manipular,
armazenar e processar dados em informações. Essas responsabilidades de coletar, realizar
a recuperação, processar, armazenar e transmitir os dados processados pelo sistema e
transformá-los em informações, onde estas já estejam interpretadas e traduzidas para os
usuários e especialistas de tecnologia da informação. Esse processo de gerenciamento de
todas as informações ocorre através da existência de inter-relações entre todos os sistemas
da organização. Essas responsabilidades de SI são para disponibilizar informação correta,
no momento necessário para que a empresa possa desenvolver o plano estratégico e
tomar as decisões certeiras para o desenvolvimento do negócio.
Sistemas de informação são essenciais para a tomada de decisão dos líderes e
gestores das organizações, pois é através do SI que são gerados relatórios das
informações estratégicas para a tomada de decisão. É imprescindível o uso das tecnologias
de informação para realizar a análise dos dados econômicos, de produção e o
desenvolvimento de novos produtos e serviços, todos esses processos são gerenciados,
analisados, processados e executados pelos sistemas existentes na estrutura
organizacional.
O papel principal dos SI é realizar a integração dos processos da organização e a
busca incansável para a melhoria da eficiência e eficácia da organização. Todos esses
Curso de Sistemas de Informação 17 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
processos podem ser observados com o resultado do desenvolvimento da organização, seu
crescimento frente ao mercado competitivo e sua lucratividade para o investimento de
novas tecnologias, novos métodos sistêmicos e novas metodologias, novas práticas de
utilização dos sistemas.
Podemos perceber que os SI estão envolvidos em todas as esferas organizacionais e
servem especificamente para auxiliar o ambiente profissional a gerenciar o tratamento das
informações, bem como as melhores formas para realizar a comunicação, para ambientes
sejam eles internos ou externos à organização, no entanto, precisam ser canais seguros
para que as informações não se percam ou acabem nas mãos de concorrentes. O SI
também é um grande gestor dos dados e informações da organização, por isso que
atualmente se fala tanto na proteção e segurança das informações e o quanto esses dados
são importantes para as estratégias e sobrevivência do negócio da empresa.
2.3 Componentes
Os SI são formados por vários componentes, como por exemplo, pessoas (usuários,
especialistas, programadores, clientes) que possuem a finalidade de executar atividades
utilizando os sistemas. Podem ser identificados como componentes, a localização das
pessoas, dos lugares, das empresas, são informações essenciais para a organização
conhecer onde está atuando e até onde poderá chegar com seus planejamentos. Na
realidade todas as informações significativas que circulam pela organização são
componentes importantíssimos e esses precisam ser gerenciados. A seguir vamos
apresentar os quatro componentes de SI: dados, informação, conhecimento e inteligência.
2.3.1 Dados
Os dados são caracteres em formatos brutos, sem que haja transformação, podem ser
representados por números, símbolos, geralmente formados por elementos de uma
linguagem de programação. Os dados são instruções que estão armazenadas em
servidores, banco de dados e sistemas, onde são processados através de instruções
executadas pelos usuários, para serem transformados e em informações adaptadas e
compreensíveis para a leitura do usuário do sistema. Dados são considerados objetos
primários, são eventos executados e atividades solicitadas para um determinado objetivo,
principalmente para processos utilizados em sistemas tecnológicos.
Curso de Sistemas de Informação 18 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Podemos citar como exemplo de dados brutos, sem que os mesmos tenham sido
organizados ou transformados pela execução de um sistema, o número de matrícula de um
aluno, número de um documento pessoal, nome de um usuário do sistema.
2.3.2 Informação
A informação, por sua vez, está totalmente atrelada à forma de comunicação de uma
organização, é um fator primordial para o desenvolvimento dos processos, das atividades e
principalmente para a tomada de decisão. Sua definição parte do princípio de que a
informação é formada por um conjunto de dados organizados que dão sentido de alguma
forma ao usuário ou cliente do sistema.
A informação é considerada um conjunto, uma coleção de dados organizados e que
dão um significado para o usuário, são geralmente executados por funções e solicitações
através do sistema, onde este interpreta os dados e transmite a informação para o usuário
final de forma compreensível. A informação possui uma série de características que
determinam seu valor para a organização ou processo em análise:
Precisa – Sem erros; em alguns casos, informações incorretas são geradas
porque dados incorretos são lançados como entrada no processo de
transformação (entra lixo, sai lixo);
Completa – Contém todos os fatos relevantes no processo de análise; D
Flexível – Armazenada para apoiar processos diferentes;
Relevante – Essenciais aos tomadores de decisão;
Acessível – Ser facilmente acessível por usuários autorizados, no formato
adequado e no momento certo;
Segura – Segurança de acesso somente por pessoas autorizadas;
As fontes das informações podem ser formais ou informais, bem como podem ser
obtidas no contexto organizacional (interno) ou no meio ambiente onde a organização está
inserida (externo).
2.3.3 Conhecimento
O conhecimento implica estar ciente e ter o entendimento de um conjunto de
informações e como essas informações podem ser úteis para suportar determinado
Curso de Sistemas de Informação 19 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
processo ou tarefa envolvendo uma combinação de instintos, ideias, informações, regras e
procedimentos que guiam ações e decisões. O conhecimento é uma informação valiosa de
mente, inclui reflexão, síntese e contexto. É difícil de estruturar, difícil de capturar em
computadores, normalmente é tácito (não explícito) e sua transparência é complexa.
É tratado pela abordagem chamada de Gerência do Conhecimento (KM - Knowledge
Management), que objetiva estabelecer uma integração e colaboração para capturar, criar,
organizar e usar os ativos de informação da empresa. O KM trabalha o ativo de
informações, independentemente a sua forma, estrutura e domínio (ênfase nos
documentos).
2.3.4 Inteligência
A inteligência é o resultado de um processo que começa com a coleta de dados
organizados e transformados em informação que depois de analisados e contextualizados,
transformam-se em inteligência. A Inteligência de Negócios trata-se do conhecimento e
previsão dos ambientes internos e externos para ações gerenciais visando vantagens
competitivas.
Nessa perspectiva essas informações podem incluir eventos políticos/sociais que
tenham impacto potencial sobre a empresa. O processo de inteligência de negócios analisa
essas informações e as transforma em conhecimento estratégico – sobre atividades
históricas, desempenho no passado, e “forças e fraquezas” e tendências de atuação dos
demais agentes no mercado.
Um processo de inteligência de negócios pode propiciar à empresa: antecipar
mudanças no mercado; antecipar ações dos competidores; descobrir novos ou potenciais
competidores; aprender com os sucessos e as falhas; conhecer as empresas concorrentes;
conhecer novas tecnologias, produtos ou processos que tenham impacto no seu negócio;
conhecer as políticas, as legislações ou mudança dos regulamentos, que possam afetar o
seu negócio; entrar em novos negócios; rever suas próprias práticas de negócio; e auxiliar
na implementação de novas ferramentas gerenciais.
2.4 Recursos
Os recursos de um sistema de informação relacionam-se aos insumos necessários
para o seu pleno funcionamento, almejando o correto funcionamento de resultados, a
satisfação do usuário e o cumprimento dos objetivos aos quais o mesmo é proposto. A
seguir, comentam-se alguns destes recursos:
Curso de Sistemas de Informação 20 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Software – diz respeito aos programas aplicativos disponíveis para que seja realizada a
inclusão e o consequente processamento da informação. Incluem-se neste item,
programas de estoque, financeiro, contabilidade, patrimônio, folha de pagamento,
produção e outros, normalmente relacionados à atividade da empresa. Quanto mais
integrados e coesos forem os softwares escolhidos, melhores serão os resultados.
Banco de dados – é a ferramenta (um software) que tem como função o armazenamento,
manuseio e gerenciamento das informações. É através de um banco de dados que os
sistemas produzem os resultados. Bancos de dados são conjuntos de arquivos que
dialogam entre si, armazenando uma vasta gama de dados: nomes, documentos,
pagamentos, endereços, clientes, serviços, etc. Por meio dessas informações, todo o
funcionamento da empresa é pautado.
Dispositivos – são os equipamentos usados pelos usuários de um Sistema de Informação.
Envolve hardware, sistemas operacionais e os diversos aplicativos como editores de
texto, planilhas eletrônicas e softwares diversos.
Servidores – relacionam-se aos computadores responsáveis por oferecerem serviços aos
usuários de uma organização, como servidores de arquivos, servidores de impressão,
servidores web entre outros. Normalmente são os componentes principais de um sistema
de computação, devendo ser equipamentos mais robustos em termos de memória,
armazenamento e processamento.
Infraestrutura de rede – a rede de computadores é o recurso responsável pelo transporte
das informações entre os diversos componentes do sistema. É por ela que trafegam os
dados das aplicações dos usuários. Tal qual os servidores, comentados no item anterior,
a infraestrutura da rede representa um recurso essencial em um Sistema de Informação.
Uma rede de computadores é um grupo de sistemas de computadores e outros
dispositivos de hardware de computação que estão ligados entre si através de canais de
comunicação para facilitar a comunicação e o compartilhamento de recursos entre uma
ampla gama de usuários.
Segurança dos dados – a segurança da informação diz respeito à proteção de
determinados dados, com a intenção de preservar seus respectivos valores para uma
organização (empresa) ou um indivíduo. Atualmente, a informação digital é um dos
principais produtos de nossa era e necessita ser convenientemente protegida. A
Curso de Sistemas de Informação 21 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
segurança de determinadas informações podem ser afetadas por vários fatores, como os
comportamentais e do usuário, pelo ambiente/infraestrutura em que ela se encontra e por
pessoas que têm o objetivo de roubar, destruir ou modificar essas informações.
Confidencialidade, disponibilidade e integridade são algumas das características básicas
da segurança da informação, e podem ser consideradas até mesmo atributos. Toda
vulnerabilidade de um sistema ou computador pode representar possibilidades de ponto
de ataque de terceiros. Esse tipo de segurança não é somente para sistemas
computacionais, como imaginamos. Além de também envolver informações eletrônicas e
sistemas de armazenamento, esse tipo de segurança também se aplica a vários outros
aspectos e formas de proteger, monitorar e cuidar de dados.
Documentação – A documentação é parte integrante de qualquer sistema ou programa
criado. Normalmente existem pessoas e/ou equipes voltadas única e exclusivamente para
a criação de documentação, sendo que o desenvolvedor fica restrito à codificação e
comentários de seu código. A documentação de um software é composta por várias
partes diferentes que abrangem todo o sistema e pode ser dividida em dois grandes
grupos: documentação técnica e documentação de uso. A primeira é voltada ao
desenvolvedor ou pessoa de TI e compreende principalmente dicionários e modelos de
dados, fluxogramas de processos e regras de negócios, dicionários de funções e
comentários de código. Já a documentação de uso é voltada tanto para o usuário final
quanto para o administrador do sistema e comumente é formada por apostilas ou manuais
que apresentam como o software deve ser usado, o que esperar dele e como receber as
informações que se deseja.
Processos – um processo organizacional é um conjunto de atividades inter-relacionadas,
que envolve pessoas, equipamentos, procedimentos e informações e, quando
executadas, transformam entradas (insumos) em saídas (produtos ou serviços), que
atendem a necessidade de um cliente interno ou externo e que agregam valor e produzem
resultados para uma organização. A gestão de processos envolve o conhecimento do
conceito de processo organizacional e suas classificações para que seja possível o
mapeamento de processos da organização. Através do mapeamento de processo é
possível conhecer as atividades de forma sistêmica. O mapeamento torna possível a
elaboração de um plano de gestão mais eficiente e eficaz para a organização.
Curso de Sistemas de Informação 22 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Fluxo das informações - o fluxo de informações eficaz e eficiente possui um efeito
multiplicador com o poder de dinamizar todos os setores organizacionais, constituindo, por
sua vez, a força motora do desenvolvimento político, econômico, social, cultural e
tecnológico. O acesso à informação e a capacidade de extrair e aplicar os conhecimentos
são vitais para o aumento da capacidade concorrencial e o desenvolvimento das
atividades comerciais em um mercado sem fronteiras. As vantagens competitivas são
agora obtidas através da utilização de redes de comunicação e sistemas tecnológicos que
interconectem empresas, clientes e fornecedores com rapidez e custo reduzido. O correto
uso e fluxo de informações tornaram-se uma necessidade organizacional, permitindo
ultrapassar todo um conjunto de barreiras na medida em que existe uma nova maneira de
pensar em tempo real e possível às empresas agir e reagir rapidamente aos clientes,
mercados e concorrência.
2.5 Gestão da Informação
As informações geram riquezas a partir da exigência de dados que habilitem seus
gestores a fazer avaliações calibradas, à face de quatro tipos de informações: informação
fundamental, informação sobre a produtividade, informação sobre as competências e
informação sobre a locação de recursos escassos. Diante dessa afirmação, podemos
perceber a intrínseca ligação entre a gestão e a informação. A informação se apresenta
baseada em dois níveis:
Nível Estratégico - está situado no topo da pirâmide de uma hierarquia organizacional;
nele são tomadas decisões estratégicas, com informações variadas e seguras, advindas
de fontes externas à organização e de outros níveis hierárquicos. São decisões tomadas a
partir de informações que definem objetivos e diretrizes organizacionais.
Nível Operacional - é representado pelas decisões operacionais, com base em problemas
acentuados, sendo necessárias informações bem definidas, provenientes essencialmente
do sistema interno, com vista a ações imediatas.
A informação que circula nas organizações percorre um processo que dá acesso ao
uso nos variados níveis, e para que esse percurso seja percorrido é necessária a criação
de estratégias capazes de dinamizar a informação na estrutura.
Esse comportamento, em relação à informação, possibilita às organizações a se
posicionarem como organizações competitivas. Observa-se a competitividade, nos dias
atuais, como fator que tem como base a capacidade de recuperar, tratar, interpretar e
Curso de Sistemas de Informação 23 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
utilizar a informação de forma eficaz. Portanto, gerenciar informação, pode ser entendido
como a definição e criação de ações, mediante um contexto informacional interno e externo
às organizações que dela necessitem. A administração da informação é vista como a
gestão de uma rede de processos que adquirem, criam, organizam, distribuem e usam a
informação.
A gestão da informação envolve todos os conceitos genéricos de gerência, incluindo:
planejamento, organização, estruturação, processamento, controle, avaliação e relatório de
atividades de informação, ou seja, tudo o que é necessário para satisfazer as necessidades
de quem possui papel organizacional ou funções que dependem de informações. Esses
conceitos genéricos permitem que a informação seja apresentada para o público ou para o
grupo de pessoas correto.
Curso de Sistemas de Informação 24 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
3- Classificação dos Sistemas de Informação
3.1 Introdução
Cada Sistema de Informação é específico para desempenhar uma função dentro de
uma empresa, mas todos visam melhorar a qualidade dos produtos e/ou serviços, bem
como, aumentar a produtividade ou criar um diferencial competitivo. Além disso, os SI
também proveem a automação dos processos e procedimentos rotineiros viabilizando o
aumento de lucratividade.
Os componentes dos sistemas de informação podem ser montados em várias
configurações diferentes, resultando em grande diversidade de sistemas de informação,
tornando útil a ideia de classificar os sistemas de informação por grupos detentores de
características semelhantes.
Os Sistemas de Informação podem ser classificados conceitualmente ora como
operações, ora como sistemas de informações gerenciais. Essa classificação destaca os
papéis principais que cada um desempenha nas operações e administração dentro de uma
organização.
Curso de Sistemas de Informação 25 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
3.1.1 Sistemas de Apoio às Operações
Produzem uma diversidade de produtos de informação para utilização interna e
externa. Têm como principal foco o processamento de transações, o controle de processos
industriais, o apoio às comunicações e a atualização de banco de dados da empresa.
Porém, não enfatizam a produção de informações específicas que podem ser utilizadas
pelos gerentes. Dentre os sistemas de apoio às operações temos:
Sistemas de Processamento de Transações: registram e processam dados resultantes de
transações das empresas. O processamento pode ser feito em lote onde as transações
são acumuladas durante um tempo determinado e periodicamente são processadas; ou
em tempo real, onde os dados são processados imediatamente depois do lançamento de
uma transação. Sistemas de Controle de Processo: monitoram e controlam processos
físicos.
São efetuados continuamente com os processos envolvidos e, se necessário, realizam
ajustes em tempo real. Controlar um processo significa atuar sobre ele, ou sobre as
condições a que o processo está sujeito, de modo a atingir algum objetivo - por exemplo,
podemos achar necessário ou desejável manter o processo sempre próximo de um
determinado estado estacionário, mesmo que efeitos externos tentem desviá-lo desta
condição. Este estado estacionário pode ter sido escolhido por atender melhor aos
requisitos de qualidade e segurança do processo.
Sistemas Colaborativos: aumentam a comunicação e a produtividade de equipes e/ou
grupos de trabalhos. São softwares e aplicativos que operam em redes, preferencialmente
na nuvem, e têm o objetivo de otimizar o trabalho em equipe, a troca de informações e o
fluxo de ideias e materiais, como arquivos, planilhas, apresentações, documentos de texto
e outros.
Os sistemas de informações de apoio às operações nascem da necessidade de
planejamento e controle das diversas áreas operacionais da empresa. Esses sistemas de
informações estão ligados ao sistema físico-operacional e surgem da necessidade de
desenvolver as operações fundamentais da firma. Podemos dizer até que esses sistemas
são criados automaticamente pelas necessidades de administração operacional.
Curso de Sistemas de Informação 26 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
3.1.2 Sistemas de Apoio Gerencial
Fornecem informações e contribuem no processo de tomada de decisões. Podem ser
direcionados a todos os níveis de gerência (altos executivos, gerentes de nível médio e
supervisores). Dentre os sistemas de apoio gerencial tem-se:
Sistemas de Informação Gerencial: fornecem informações integradas e sumarizadas em
formas de relatórios e exibições em vídeos para gerentes. Geram produtos de informação
que apoiam muitas necessidades de tomada de decisão administrativa e são o resultado
da interação colaborativa entre pessoas, tecnologias e procedimentos, que ajudam uma
organização a atingir as suas metas.
Sistemas de Apoio à Decisão: fornecem suporte computacional direto aos gerentes
durante o processo decisório. Têm como características comuns o fato de, além de
recuperarem e apresentarem dados, fazerem sobre esses dados diversas análises
matemáticas e estatísticas. São exemplos simples de apoio à decisão: as planilhas
eletrônicas, os sistemas de análise estatística e programas de previsão mercadológica.
Sistemas de Informação Executiva: fornecem informação crítica de fácil visualização para
uma multiplicidade de gestores. São dirigidos à alta gerência permitindo que estes
acessem informações relevantes para controlar os fatores críticos de sucesso. Combinam
muitas características dos sistemas de informação gerencial e dos sistemas de apoio à
decisão e foram desenvolvidos com objetivo de atender às necessidades de informações
estratégicas da alta administração. Neste sistema, a informação é apresentada segundo
as preferências dos executivos, onde enfatiza o uso de uma interface gráfica com o
usuário e exibições gráficas, que possam ser personalizadas de acordo com as
preferências de informação dos executivos que o utilizam. A ênfase do sistema como um
todo é a interface fácil de usar e a integração com uma variedade de fontes de dados.
Os Sistemas de Apoio Gerencial são sistemas ou processos que fornecem as
informações necessárias para gerenciar com eficácia as organizações, concebendo
produtos de informação que apoiam muitas necessidades de tomada de decisão
administrativa e são o resultado da interação colaborativa entre pessoas, tecnologias e
procedimentos, que ajudam uma organização a atingir as suas metas.
Curso de Sistemas de Informação 27 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
3.1.3 Sistemas Híbridos
No contexto da classificação dos tipos de sistemas considera-se que os sistemas de
informação devem ser medidos pela eficiência e eficácia. A eficiência poderá ser
proporcionada em termos de minimização de custos, tempo e uso dos recursos de
informação como apoio estratégico aos colaboradores e no melhoramento da capacitação
dos processos de negócio dando um maior valor à organização. Existem outras categorias
de sistemas que fornecem classificações exclusivas e amplas. Estes sistemas,
denominados como híbridos, podem suportar aplicativos operacionais ou gerenciais. As
categorias são:
Sistemas Especialistas: utilizam técnicas apropriadas para a representação do
conhecimento e sua manipulação, exibindo o comportamento de um especialista em um
determinado domínio do saber. São de suma importância o desenvolvimento e aplicação
de sistemas deste gênero nas mais variadas áreas do conhecimento humano, a fim de
ampliar e difundir as teorias e conhecimentos adquiridos pelo especialista humano na
prática de seu dia a dia, que serão repassadas e aprimoradas através do sistema.
Sistemas de Gerenciamento do Conhecimento: são sistemas de informação baseados no
conhecimento e apoiam a criação, organização e disseminação de conhecimento para
funcionários e gerentes. Esses softwares são desenvolvidos não só para codificar as
informações neles inseridas, mas também para classificá-las de acordo com o impacto, o
grau e a qualidade que elas têm. Os sistemas conseguem prever qual será a reação que
determinado fato vai desencadear no meio, no caso, na empresa, a partir de experiências
anteriores. Assim, as características identificadas são associadas a perfis de
comportamento, de modo que se torna possível estimar quais serão suas necessidades e
tendências.
Sistemas de Informação Estratégica: aplicam a tecnologia da informação aos produtos,
serviços ou processos de negócios da empresa ajudando-a a obter uma vantagem
competitiva sobre os concorrentes. Trata-se de um processo de obtenção de dados do
ambiente empresarial, sua transformação em informações, bem como sua interação com
as informações internas da empresa, consolidando uma estrutura decisória estratégica
que sustente o direcionamento da empresa para resultados.
Curso de Sistemas de Informação 28 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Os sistemas se relacionam uns com os outros formando uma grande integração dos
sistemas e proporcionando ao ambiente organizacional um forte acoplamento das
informações dos diversos níveis. Neste contexto os sistemas fornecem aos trabalhadores
do conhecimento as informações necessárias para execução do seu trabalho, podendo
assim auxiliar nas decisões departamentais da empresa.
3.2 Etapas de implantação de um Sistema de Informação
Como já comentamos, um SI coleta, processa, armazena, analisa e dissemina
informações com um propósito específico. Abrange entradas (dados) e saídas (relatórios,
cálculos), processa essas entradas e gera saídas que são enviadas para o usuário ou
outros sistemas.
Para competir com êxito no ambiente empresarial moderno, as organizações esperam
contar com diversos recursos poderosos em seus SI. Espera-se que os mesmos processem
transações de forma rápida e precisa, armazenem e acessem rapidamente grandes
massas de dados, que tenha uma boa comunicação entre pessoas e máquinas, uma vez
que estão relacionados com a Tecnologia da informação.
A implantação de um SI é um processo deveras complexo e meticuloso. Não basta
instalar um software, é preciso planejar e preparar a empresa em diversos pontos e setores
seja através de treinamentos, mapeamento de requisitos, aquisição de recursos de
tecnologia da informação, entre outros. Logo, a concepção, desenvolvimento e implantação
de um SI tratam-se de um projeto a ser gerenciado.
Estudos realizados nos Estados Unidos da América, com o objetivo de mensurar a
produtividade no desenvolvimento de Sistemas de Informação, revelaram que:
30% a 40% dos projetos são cancelados;
50% dos projetos custam mais que o dobro do custo inicialmente projetado;
15 a 20% dos projetos terminam dentro do prazo e dentro do orçamento.
Um projeto de SI é um processo iterativo, começando com um nível de abstração alto
e diminuindo a cada ciclo, culminando em um produto finalizado e pronto para ser entregue.
Trata- se de uma estrutura contendo processos, atividades e tarefas envolvidas no
Curso de Sistemas de Informação 29 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
desenvolvimento, operação e manutenção de um produto, abrangendo a vida do sistema,
desde a definição de seus requisitos até o término de seu uso. Diversos são os processos
de desenvolvimento de um SI, no entanto há algumas etapas básicas comuns à grande
parte dos processos existentes e que são discutidas a seguir. Ressalta-se que apesar do SI
estar relacionado a vários recursos, com hardware, software, infraestrutura de rede, banco
de dados e outros, dar-se-á ênfase às fases voltadas ao desenvolvimento da aplicação de
software propriamente dita.
3.2.1 Levantamento de Requisitos
Esta atividade tem como objetivo, compreender o problema, dando aos envolvidos, a
mesma visão do que deve ser construído para resolução do problema. Em conjunto, busca-
se levantar e priorizar as necessidades dos futuros usuários do SI, necessidades essas
denominadas como requisitos.
O levantamento de requisitos é a etapa mais importante, no que diz respeito ao
retorno de investimentos no projeto. Vários projetos são abandonados pelo baixo
levantamento de requisitos, ou seja, membros da equipe não disponibilizaram tempo
suficiente para essa fase do projeto, em compreender as necessidades dos clientes em
relação ao sistema a ser desenvolvido.
E como um sistema de informações geralmente é utilizado para automatizar
processos de negócio em uma organização, esses processos da organização devem ser
bem compreendidos para que o restante das atividades do processo de desenvolvimento
flua de acordo com as reais necessidades do cliente.
3.2.2 Análise de Requisitos
Esta etapa, também chamada de especificação de requisitos, é onde se faz um estudo
detalhado dos dados levantados na atividade anterior. De onde são construídos modelos a
fim de representar o sistema a ser desenvolvido.
O interesse nessa atividade é criar uma estratégia de solução, sem se preocupar
como essa estratégia será realizada, ou seja, utilizar as necessidades dos clientes, depois
de compreendido o problema, para resolução do problema solicitado. Assim é necessário
definir o que o sistema deve fazer, antes de definir como o sistema irá fazer. Muitas vezes
as equipes partem para a solução do problema, sem antes ter definido completamente o
problema em questão. Esse é um erro grave. Nesta fase deve-se realizar a validação e
Curso de Sistemas de Informação 30 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
verificação dos modelos construídos, antes de partir para solução do problema.
3.2.3 Projeto
Nesta fase é que deve ser considerado, como o sistema funcionará, para que os
requisitos do cliente possam ser atendidos. Alguns aspectos devem ser observados nessa
fase de projeto do sistema, como: arquitetura do sistema, linguagem de programação
adotada, sistema gerenciador de banco de dados, padrão de interface gráfica, entre outros.
Considerando a parte voltada ao software a ser desenvolvido, o projeto possui duas
atividades básicas: projeto da arquitetura (ou projeto de alto nível), e projeto detalhado (ou
projeto de baixo nível).
Em um processo de desenvolvimento orientado a objetos, o projeto da arquitetura
normalmente é realizado por um arquiteto de software. O projeto da arquitetura visa
distribuir as classes de objetos relacionados do sistema em subsistemas e seus
componentes, distribuindo também esses componentes pelos recursos de hardware
disponíveis.
Já no projeto detalhado, são modeladas as relações de cada módulo com o objetivo
de realizar as funcionalidades do módulo. Além de desenvolver o projeto de interface com o
usuário e o projeto de banco de dados.
3.2.4 Desenvolvimento
Nessa etapa, o software é codificado a partir da descrição computacional da fase de
projeto em uma linguagem de programação. Lembrando que linguagens de programação
são padrões de codificação binária, com sintaxe e semântica específicas, sendo capazes
de criar instruções para máquinas. Desta maneira, torna-se possível criar programas e
sistemas para resolver os mais diversos problemas do cotidiano.
Nesta fase, pode-se fazer uso de várias linguagens de programação como, por
exemplo: Delphi, Java, Python, C++, PHP, entre outras. Pode-se também adotar
ferramentas de software e bibliotecas de classes preexistentes para melhorar a atividade,
bem como fazer uso de ferramentas CASE, que dinamizam o processo de
desenvolvimento.
Entenda que não existe uma linguagem melhor que outra. Cada uma tem suas
características que a tornam mais adequada para cada projeto. É muito importante que
Curso de Sistemas de Informação 31 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
você identifique as necessidades da sua aplicação e busque uma linguagem que ofereça os
melhores recursos para atendê-las. Obviamente, dependendo de sua especialização no
mercado de desenvolvimento, você irá direcionar seus esforços para uma linguagem de
programação específica. Portanto, tenha foco e coerência com a sua área de atuação, mas
ao mesmo tempo, não se prenda a uma única tecnologia salvadora e perfeita. Existem
muitas opções e combinações de conhecimentos que são extremamente válidos.
3.2.5 Testes
O teste do software é a investigação do software a fim de fornecer informações sobre
sua qualidade em relação ao contexto em que ele deve operar, relacionando-se com o
conceito de verificação e validação. Isso inclui o processo de utilizar o produto para
encontrar seus defeitos. Geralmente é a última etapa na construção de um sistema,
aplicativo ou jogo a ser lançado, podendo ser um novo projeto ou uma nova versão.
Não se pode garantir que todo software funcione corretamente, sem a presença de
erros, visto que os mesmos muitas vezes possuem um grande número de estados com
fórmulas, atividades e algoritmos complexos. O tamanho do projeto a ser desenvolvido e a
quantidade de pessoas envolvidas no processo aumentam ainda mais a complexidade.
Idealmente, toda permutação possível do software deveria ser testada. Entretanto, isso se
torna impossível para a ampla maioria dos casos devido à quantidade impraticável de
possibilidades. A qualidade do teste acaba se relacionando à qualidade dos profissionais
envolvidos em filtrar as permutações relevantes.
Diversas atividades de testes são executadas a fim de se validar o produto de
software, testando cada funcionalidade de cada módulo, buscando, levando em
consideração a especificação feita na fase de projeto. O principal resultado é o relatório de
testes, que contém as informações relevantes sobre erros encontrados no sistema, e seu
comportamento em vários aspectos. Ao final dessa atividade, os diversos módulos do
sistema são integrados, resultando no produto de software.
As técnicas de teste de software, conforme as origens das informações utilizadas para
estabelecer os requisitos de teste podem ser classificadas em estruturais e funcionais.
A técnica estrutural (ou teste caixa-branca) revela o comportamento interno do
software, trabalhando diretamente com o código fonte, avaliando aspectos relacionados
com o teste de condição, teste de fluxo de dados, teste de ciclos e testes de caminhos
lógicos. Neste tipo de técnica de teste, o código fonte é analisado e são elaborados casos
Curso de Sistemas de Informação 32 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
de teste, tentando cobrir a maioria das possibilidades e variações originadas pelas
estruturas de condições. Também chamado de testes de caixa de vidro, os testes de caixa
branca possibilitam que o engenheiro de software crie casos de testes que garantam que
todos os caminhos independentes foram executados pelo menos uma única vez, além de
testar todas as decisões lógicas contemplando os estados verdadeiro e falso.
A técnica funcional (ou teste de caixa-preta) consiste em testar o software como ele
fosse uma caixa-preta, não sendo considerado o comportamento interno do mesmo. O
teste é executado e o resultado obtido é comparado a um resultado esperado previamente
conhecido. Chamado também de teste comportamental, possui o foco nos requisitos
funcionais do software, não sendo uma alternativa às técnicas de caixa-branca, podendo
ser considerado uma abordagem complementar. Os testes de caixa-preta procuram
encontrar erros em interface, erros de comportamento ou de desempenho.
3.2.6 Implantação
Por fim a implantação compreende a instalação do software no ambiente do usuário,
que inclui os manuais do sistema, importação dos dados para o novo sistema e treinamento
dos usuários para o uso correto e adequado do sistema. Em alguns casos quando da
existência de um software anterior, também é realizada a migração de dados anteriores
desse software.
Em um projeto de desenvolvimento e implantação de sistemas, independentemente
do tipo de projeto, é comum existir a necessidade de migrar dados de sistemas legados
para o novo sistema. Nesse processo, alguma conversão, tratamento e/ou transformação
dos dados será necessária para que seja possível migrá-los.
A fim de evitar problemas na migração de dados, essa atividade deve ser executada
de uma forma para que se possa garantir sua qualidade final. Para tanto, um processo
sistemático divido em etapas com atividades distintas, em que cada atividade gera insumos
para a execução da atividade seguinte, deve ser seguido.
3.2.7 Documentação
Uma documentação clara e objetiva facilita a comunicação entre todos os envolvidos
no projeto. Em equipes distribuídas geograficamente, por exemplo, o uso de documentação
formal ajuda a organizar o trabalho, aumenta a produtividade e melhora a colaboração
entre os membros do time, com o cliente e demais partes interessadas.
Curso de Sistemas de Informação 33 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Todo tipo de documentação do sistema pode servir como guia para o planejamento e
execução das atividades de teste. Inclusive, um dos objetivos do teste de software é
verificar se o produto atende e está de acordo com a sua especificação. Um cuidado que se
deve ter neste caso é averiguar a qualidade desta documentação, ou seja, se a mesma não
possui informaçõesconfusas, ambiguidades, requisitos incorretos, entre outros, para
garantir que a confiabilidade dos testes não seja afetada.
Registrar as mudanças em um documento específico facilita o controle das
manutenções realizadas no sistema. Neste caso, a atualização das informações pode ser
feita a cada nova versão gerada e estas devem estar condizentes com o que foi
implementado. O indicado aqui é realizar melhorias e atualizações de forma iterativa e
executar revisões de tempos em tempos no documento.
Existem diferentes tipos de documentação, tais como: especificação técnica, help
online, manual do usuário, descrição dos casos de uso, documento de visão do negócio,
especificação de requisitos, documentação das regras de negócio e muitas outras.
Certamente algum destes materiais poderá servir de suporte para a execução de algum
procedimento operacional na empresa em questão.
Manter uma documentação atualizada é um grande desafio e cabe aos responsáveis
entender a importância e destinar uma parcela do tempo da equipe exclusivamente para
esta tarefa. Cada empresa deve escolher a sua forma de documentar e o nível apropriado
de detalhe para extrair os melhores resultados.
Curso de Sistemas de Informação 34 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
4- Metodologias para Desenvolvimento de Sistemas
4.1 Introdução
A indústria de desenvolvimento de software tem se tornado uma das mais importantes
atividades do nosso tempo. Empregando milhares de trabalhadores em todos os países do
mundo, essa indústria cria alguns dos produtos mais essenciais que nós utilizamos para
manter o nosso estilo de vida. Utilizado para o controle de produção, controle da segurança
dos veículos, automação dos negócios e em muitas outras áreas de nossas vidas, o
software tem se tornado um dos maiores valores de propriedade intelectual do mundo.
Contudo, o desenvolvimento de software precisa ser reconhecido como um processo
imprevisível e complicado. Compreender que um software nunca foi construído da mesma
forma, com a mesma equipe, sob as mesmas circunstâncias antes é a grande mudança do
pensamento tradicional de desenvolvimento de software. Mas, o mais importante é
entendê-lo como um processo empírico: que aceita a imprevisibilidade e tem mecanismos
de ação corretiva.
4.2 Por que os projetos falham?
O desenvolvimento de um software é um projeto e como tal necessita ser coordenado.
O gerenciamento de projetos é essencial para desenvolver o conjunto de atividades
destinadas a produzir um produto, serviço ou resultado exclusivo. A sua boa execução
depende de planejamento e cumprimento de metas desde a etapa de idealização até sua
finalização.
Normalmente as empresas executam dois tipos de trabalho: projetos e o trabalho
operacional. O trabalho operacional permite uma sistematização dos processos, visto que
possui uma natureza repetitiva de trabalho. Já os projetos possuem datas de início e
término específicas, tornando-os de natureza única. Assim, misturar membros destas
equipes pode dificultar o processo de sistematização e desenvolvimento de metodologias
para a execução das tarefas.
O sucesso ou fracasso de um projeto depende da forma como ele será conduzido e
ferramentas são importantes para auxiliar o gestor tanto na implementação de
metodologias, quanto na execução do projeto propriamente dito. Uma grande parte das
organizações têm sentido as consequências de planos que extrapolam o prazo, ficam
acima do orçamento ou sofrem muitas alterações ao longo do tempo. Projetos podem cair
Curso de Sistemas de Informação 35 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
em muitas armadilhas que podem afundá-los.
A seguir, observe alguns fatores críticos responsáveis pelas falhas em projetos:
Falta de visibilidade - um motivo comum que projetos falham está relacionado com a
visibilidade. Todos os componentes do projeto, em todos os níveis, precisam ter acesso
às informações no momento certo. Uma reclamação ouvida com frequência pelos
membros de equipe é sobre a falta de uma base com informações das tarefas em que
eles supostamente estão trabalhando durante o dia. Por outro lado, quando os membros
da equipe estão trabalhando em vários projetos ao mesmo tempo, eles podem ficar
confusos no que tange à prioridade das tarefas.
Objetivos pouco claros - grande parte das empresas aceitam mais oportunidades de
projetos do que eles têm capacidade de cumprir. Isso pode gerar excesso de demanda e
sobrecarga nos na equipe, ou seja, por esse motivo, muitos projetos falham. Nessa
questão, os executivos desempenham um papel essencial. Há organizações que não
definem de forma adequada quais as suas estratégias e metas. Se a gestão por parte
dessa área da empresa não é clara a respeito das prioridades dos projetos, logo a seguir,
o resto da organização também não saberá quais projetos são mais importantes. Uma
boa parte das empresas se preocupa tanto em conseguir mais projetos que se esquecem
da importância de se discutir metas e estratégias para que atinjam essas metas. Para os
gerentes de projeto, às vezes lhes são dados tantos projetos que eles não podem
conseguir executar todos no tempo necessário. Alguns gerentes mais experientes podem
logo recusar, alegando que não darão conta de tudo. Entretanto, há aqueles que aceitam
por medo de perder o emprego ou algum outro motivo.
Deficiência na comunicação - a partir do momento em que o projeto está em execução,
um problema típico é a comunicação entre as partes. A maioria das equipes de projeto
usam e-mails para troca de informações a respeito dos projetos e tarefas. Nesse caso, a
principal reclamação é que as informações ficam na caixa de e-mail de cada membro, de
forma que, se um membro novo se junta à equipe, não terá uma visão centralizada do
histórico do projeto. Os membros da equipe costumam reclamar da quantidade de e-mails
que recebem, dificultando encontrar aqueles que são realmente mais importantes para
eles. Essa prática desperdiça um tempo precioso que poderia estar sendo aproveitado
para executar as atividades.
Estimativas não confiáveis - muitas vezes, as estimativas a respeito do gasto de tempo
nas tarefas são apenas suposições feitas pelos membros da equipe, com base no tempo
Curso de Sistemas de Informação 36 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
gasto na última vez. Essa pode vir a se tornar uma suposição totalmente errada e, se der
errado, causa uma falha no planejamento e um aumento de risco.
Ausência de análise de riscos - todo projeto é único e isso faz com que cada um possua
riscos diferentes. É tarefa do gerente de projeto analisar antecipadamente o que pode dar
errado. Uma vez identificados, a equipe precisa discutir sobre quais decisões tomar
quando um erro acontecer e, principalmente, trabalhar de forma a evitar que tais erros
aconteçam.
Alterações no projeto original - quando o projeto tem suas necessidades alteradas, então
a atividade que estava sendo executada pode se tornar desatualizada ou até mesmo inútil
antes que seja concluída. Pode ser necessário reavaliar as metas e objetivos e alterar
partes do projeto ou, no pior dos casos o projeto inteiro.
Execução incorreta de requisitos - o projeto ainda pode fracassar mesmo que entregue
tudo dentro do prazo, qualidade e orçamento exigidos. Basta que esteja configurado para
entregar algo errado. Por mais cruel que pareça, se o projeto não entregar o que é pedido,
ele infelizmente falhará. Isso afetará a equipe e a forma como ela é vista. Por isso é
importante fazer uma análise detalhada de tudo que é solicitado.
Mas como reduzir as chances de fracasso de um projeto? Na opinião de especialistas,
mais do que empregar tempo tentando identificar pontos falhos, é importante que sejam
criadas condições para que os projetos sejam bem-sucedidos. Avanços no entendimento
das habilidades necessárias para ser um bom executivo patrocinador tem provado ser
muito valioso para diminuir as taxas de fracasso. Outros fatores importantes são o aumento
da capacitação dos gerentes de projetos e a crescente utilização de métodos e ferramentas
como o gerenciamento de projetos para garantir a eficiência e a eficácia na execução dos
projetos.
4.3 O processo de desenvolvimento de um software
O desenvolvimento de softwares tem se tornado mais complexo ao longo dos anos.
As exigências por parte dos clientes são cada vez maiores em termos de produtividade,
qualidade de software e prazos cada vez menores. O surgimento de novas tecnologias e a
necessidade de realização de mudanças nos softwares desenvolvidos para atender às
exigências dos cliente também dificulta a tarefa de desenvolver software com qualidade.
Acompanhar as mudanças tecnológicas e atender às necessidades de mudança pode ser
uma tarefa bastante complicada se o software não estiver preparado para suportar essas
Curso de Sistemas de Informação 37 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
mudanças.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Qualidade e Produtividade no Setor de
Software Brasileiro do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, 72,8% da força de
trabalho efetiva do setor de software no Brasil estão concentradas nas micro e pequenas
empresas.
A pesquisa também aponta que, 89% dessas empresas não utilizam processos de
desenvolvimento de software estruturados. Portanto, cerca de 64% dos softwares
produzidos no Brasil por micro e pequenas empresas não possuem um processo de
desenvolvimento que garanta sua qualidade e conformidade com os padrões exigidos pelo
mercado.
Um modelo (ou metodologia) de desenvolvimento de software define o que deve ser
realizado em cada fase do desenvolvimento e fornece instruções de como realizar essas
atividades. Um modelo serve como um guia, um roteiro para a execução de um processo
de desenvolvimento. O modelo de desenvolvimento de um software determina as fases
pelas quais o processo de criação de um software deve passar, além da ordem e o número
de repetições dessas fases.
Um modelo de processo pode ser muito ou pouco flexível. Ele pode permitir a escolha
de um modelo de ciclo de vida diferente em cada desenvolvimento ou determinar que todos
os desenvolvimentos irão usar o mesmo modelo de ciclo de vida. Além disso, ele pode ser
bastante detalhista ou mais generalista: pode definir subatividades dentro de cada atividade
ou pode apenas dar uma definição geral do que deve ser realizado em cada fase do
desenvolvimento.
Com tantas possibilidades, é fácil perceber que um modelo deve ser adequado à
realidade de uma empresa ou de um tipo de empresas, por exemplo, um modelo para
grandes empresas deve ser diferente de um modelo para pequenas empresas.
4.4 Metodologias
Em termos de ferramentas e métodos para gerência de projetos e desenvolvimento de
software, acompanhe nos próximos itens, informações e comentários relacionados às
características de algumas delas.
Curso de Sistemas de Informação 38 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
4.4.1 PMBOK
A publicação Guide to the Project Management Body of Knowledge (ou guia para o
conjunto de conhecimentos de gerenciamento de projetos) pode ser considerada como um
divisor de águas na história da gestão de projetos. Mais conhecida como PMBOK, é de
autoria do Project Management Institute (PMI). Por mais que tenha o objetivo de abranger
os principais aspectos contidos no gerenciamento de um projeto, não deve ser confundido
com metodologia. O PMBOK consiste, na verdade, em uma padronização que identifica e
conceitua processos, áreas de conhecimento, ferramentas e técnicas.
Ainda que seja um conceito muito propagado, reforça-se que o PMBOK não é uma
metodologia, afinal, não fornece abordagens diferentes de acordo com cada tipo de projeto.
É óbvio que gerenciar um projeto de construção é totalmente diferente de gerenciar
projetos de desenvolvimento de software, mas o guia não aborda essas minúcias.
Muito pelo contrário, fornece uma visão geral. Isso quer dizer que o PMBOK não
contempla peculiaridades de linguagem restritas à cultura de cada organização e também
não apresenta modelos únicos de documentos a serem utilizados.
Em linhas gerais, o guia conceitua um projeto como um esforço temporário, ou seja,
finito. Tem, portanto, início e fim bem determinados e empreendidos para se alcançar um
objetivo exclusivo, ou seja, um resultado específico que o torna único.
Os projetos são executados por pessoas, com limitações de recursos e planejados,
executados e controlados ao longo de seu ciclo de vida. De forma simples, é possível
afirmar que os projetos diferem dos processos e das operações, porque esses últimos são
Curso de Sistemas de Informação 39 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
contínuos e repetitivos, enquanto os projetos têm caráter singular.
Para que se tenha uma dimensão melhor da importância dos projetos, basta
compreender que, para que qualquer organização alcance seus objetivos, ela precisará de
esforços organizados. E isso é válido desde a construção de uma nova fábrica até a
ampliação de uma unidade operacional, por exemplo.
Para o PMBOK, o gerenciamento de um projeto é a aplicação de habilidades,
conhecimentos, ferramentas e técnicas nas atividades da iniciativa com o objetivo de
satisfazer seus requisitos. Ele pode ser mais bem compreendido por meio dos processos
que o compõem, organizados em cinco grupos:
Iniciação;
Planejamento;
Execução;
Monitoramento e controle;
Encerramento.
As melhores práticas de gerenciamento de projetos descritas no PMBOK podem ser
aplicadas a todos os tipos de projetos, independentemente do nicho, da dimensão, do
pessoal envolvido, dos prazos e orçamentos.
Infelizmente, porém, é até bastante comum que projetos não sejam percebidos como
tais, de forma a não serem gerenciados como deveriam. Com base nisso, é importante se
atentar para o fato de que os projetos fazem parte do cotidiano, tanto que lidamos com eles
a todo o momento, como, por exemplo, ao:
Criar um novo meio de transporte;
Construir um prédio ou uma instalação;
Desenvolver um site;
Conduzir uma campanha publicitária;
Implementar um software;
Curso de Sistemas de Informação 40 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Organizar uma festa de aniversário.
A partir dos conhecimentos adquiridos com o PMBOK, o gestor de projetos tem a
possibilidade de padronizar os processos, estabelecer diretrizes claras de gestão e
socializar a informação de maneira adequada, garantindo confiabilidade e qualidade na
gestão de projetos.
4.4.2 CMMI
O CMMI (Capability Maturity Model Integration) trata-se de um modelo utilizado para o
desenvolvimento de software. O CMMI é uma referência mundialmente conhecida que tem
como base as melhores práticas para desenvolver e entregar sistemas de informação.
Um processo representa, dentro da área de software, um conjunto de atividades cujo
objetivo é atingir uma meta previamente estipulada. A capacidade e maturidade de um
processo associam-se à noção do grau de qualidade com o qual um processo atinge um
resultado esperado.
O CMMI está dividido em cinco níveis de maturidade que atestam, por sua vez, o grau
de evolução em que uma organização se encontra em um determinado momento. Cada
nível indica, por sua vez, o grau de maturidade dos processos em um determinado instante:
Nível 1 - Inicial: os processos normalmente estão envoltos num caos decorrente da não
obediência ou ainda, inexistência de padrões;
Nível 2 - Repetível: os projetos têm seus requisitos gerenciados neste ponto. Além disso,
há o planejamento, a medição e o controle dos diferentes processos;
Curso de Sistemas de Informação 41 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Nível 3 - Definido: os processos já estão claramente definidos e são compreendidos
dentro da organização. Os procedimentos se encontram padronizados, além de ser
preciso prever sua aplicação em diferentes projetos;
Nível 4 - Gerenciado: ocorre o aumento da previsibilidade do desempenho de
diferentesprocessos, uma vez que os mesmos já são controlados quantitativamente;
Nível 5 - Otimização: existe uma melhoria contínua dos processos.
Além disso, o CMMI tem por objetivo principal funcionar como um guia para a melhoria
dos processos da organização, considerando para isto atividades como o gerenciamento do
desenvolvimento de software, prazos e custos previamente estabelecidos. O objetivo maior,
considerando o CMMI e seus diferentes conceitos, está justamente na produção de
software com maior qualidade e menos propenso a erros.
O CMMI é mais aplicado em empresas de médio e grande porte, pois são as que
desejam conquistar seu mercado de atuação. É importante ter em mente que, para que a
ferramenta seja eficaz, é necessário que a organização evolua em conjunto com seus
processos, ou seja, é preciso minimizar possíveis resistências por parte dos colaboradores.
Implementar os diversos estágios é uma tarefa árdua, não só numa fase inicial, mas
também quando se leva em conta a migração de um nível para outro. Isto exigirá,
invariavelmente, a realização de vultosos investimentos financeiros, assim como uma
mudança de postura da organização (principalmente quando a mesma não contava uma
experiência anterior bem- sucedida no gerenciamento de processos).
4.4.3 SCRUM
O Scrum não é um processo padronizado onde metodicamente você segue uma série
de etapas sequenciais e que vão garantir que você produza, no prazo e no orçamento, um
produto de alta qualidade e que encanta os seus clientes. Em vez disso, o Scrum é um
framework para organizar e gerenciar trabalhos complexos, tal como projetos de
desenvolvimento de software.
O framework Scrum é um conjunto de valores, princípios e práticas que fornecem a
base para que a uma organização adicione suas práticas particulares de engenharia e
gestão e que sejam relevantes para a realidade da sua empresa. O resultado será uma
versão de Scrum que é exclusivamente desta empresa.
Curso de Sistemas de Informação 42 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Para melhor entender este conceito, imagine que o framework seja como a fundação e
as paredes de um edifício. Os valores do Scrum, princípios e práticas seriam os principais
componentes estruturais. Você não pode ignorar ou mudar fundamentalmente um valor,
princípio ou prática sem o risco de colapso. O que você pode fazer, porém, é personalizar o
interior da estrutura do Scrum, acrescentando artefatos e recursos até que você tenha e um
processo que funciona para sua empresa.
No Scrum, os projetos são divididos em ciclos (tipicamente mensais) chamados de
Sprints que são concebidos para que tenham sempre um início e fim data fixa, e,
geralmente, todos eles devem estar com a mesma duração.
As funcionalidades a serem desenvolvidas em um projeto são mantidas em uma lista
que é conhecida como Product Backlog. No início de cada Sprint, faz-se um Sprint Planning
Meeting, ou seja, uma reunião de planejamento na qual o Product Owner (responsável
maior pelo projeto) prioriza os itens do Product Backlog e a equipe seleciona as atividades
que ela será capaz de implementar durante o Sprint que se inicia. As tarefas alocadas em
um Sprint são transferidas do Product Backlog para o Sprint Backlog (lista de tarefas a
serem executadas).
A cada dia de um Sprint, a equipe faz uma breve reunião (normalmente de manhã),
chamada Daily Scrum. O objetivo é disseminar conhecimento sobre o que foi feito no dia
anterior, identificar impedimentos e priorizar o trabalho do dia que se inicia.
Ao final de um Sprint, a equipe apresenta as funcionalidades implementadas em uma
Curso de Sistemas de Informação 43 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Sprint Review Meeting. Finalmente, faz-se uma Sprint Retrospective e a equipe parte para
o planejamento do próximo Sprint. Assim reinicia-se o ciclo.
A origem do termo Scrum vem do esporte rúgbi, onde Scrum define a aglomeração
dos jogadores, muitas vezes vista como "formação ordenada". No Scrum, 8 jogadores de
cada time estão frente a frente e têm que fazer um esforço para recuperar a bola que se
encontra no meio do "aglomerado".
4.4.4 KANBAN
Kanban é um termo de origem japonesa e significa literalmente “cartão” ou
“sinalização”. Este é um conceito relacionado com a utilização de cartões (post-it e outros)
para indicar o andamento dos fluxos de produção em empresas de fabricação em série.
Nesses cartões são colocadas indicações sobre uma determinada tarefa, por exemplo,
“para executar”, “em andamento” ou “finalizado”.
A utilização de um sistema Kanban permite um controle detalhado de produção com
informações sobre quando, quanto e o que produzir. Quando aplicado no desenvolvimento
de sistemas, organiza-se o quadro Kanban em diversas colunas, que representam as
etapas do ciclo de produção, desde ideia inicial até implementação final. Cada tarefa é
normalmente representada por um cartão, que deve ser movido da primeira até a última
coluna, respeitando-se algumas regras.
O sistema Kanban não prescreve regras específicas. Apesar disso, a maioria das
implementações adota algumas regras para ajudar a fazer com que a adoção do sistema
Kanban seja mais bem sucedida. Algumas regras comuns são:
Curso de Sistemas de Informação 44 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação
Cada cartão só pode ser movido para a coluna imediatamente à direita ou à esquerda da
atual;
Cada coluna possui um número restrito de cartões que podem estar alocados nela a
qualquer momento;
Para mover um cartão de coluna, é preciso que haja espaço disponível na coluna em
questão;
Cartões só podem ser adicionados na primeira coluna e se solicitados pelo(s) cliente(s).
Os benefícios dessas regras e do uso do sistema Kanban no ciclo de produção são,
mais notavelmente, permitir que toda a equipe tenha uma visão completa do processo e
forçar o trabalho entre todos os envolvidos para que nenhuma parte atrase a outra.
Atualmente, o Kanban é muitas vezes usado em conjunto com o Scrum, pois são duas
metodologias usadas no desenvolvimento ágil de software.
Podemos perceber que todas as metodologias discutidas possuem
pa rticularidades próprias e apresentam vantagens e desvantagens. Assim, a
escolha de uma em particular, depende do contexto do projeto onde esta
será aplicada. Nenhum modelo (metodologia) é tido como ideal, pois aquele
que é mais rápido e eficiente em certos projetos pode ser mais lento ou
complexo quando o domínio do problema é trocado.
O mais importante é que as empresas de desenvolvimento de software
tenham algum modelo de desenvolvimento, ou melhor, um "catálogo" de
modelos personalizado de acordo com a sua estrutura organizacional e
projetos (demandas e expectativas dos clientes) para que consigam níveis de
excelência em seus produtos e serviços.
Curso de Sistemas de Informação 45 Disciplina de Teoria dos Sistemas de Informação