Luto
Luto
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NOSSA HISTÓRIA
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de co-
nhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na
sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade,
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publi-
cações e/ou outras normas de comunicação.
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Sumário
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2
5. COMPORTAMENTO SUICIDA..................................................... 26
6. REFERÊNCIAS: ........................................................................... 28
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1. O QUE É O LUTO?
Figura: 01
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menos frequência. Em seus estudos defende que não é possível
generalizar esta experiência, pois ela depende das causas e
circunstâncias da perda, bem como do vínculo com aquele que morreu.
Destaca que não há diferenças significativas entre o luto de crianças,
adolescentes e adultos e que o traço mais permanente no luto é um
sentimento de solidão.
Não existe fórmula ou regra de como a pessoa em luto irá lidar com
a situação de perda. Esse aspecto é muito individual, variável, uma vez
que está relacionado com:
1- a personalidade do enlutado;
2- suas experiências de vida e perdas anteriores;
3- as circunstâncias da perda;
4- momento em que recebeu a notícia;
5- quão próximo o enlutado era da pessoa que se foi;
6- a existência ou não de uma rede de apoio social.
Figura: 02
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É o processo de readaptação da realidade sem a pessoa que se foi e é
importante que o indivíduo vivencie essa experiência para aceitar a perda. O
conjunto de reações adaptativas após a perda podem ajudar o enlutado a se
reorganizar e refazer sua vida, muitas vezes tendo que colocar dentro de suas
atividades o que antes era responsabilidade de quem se foi.
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Saudade: Desejar que o ente querido volte ou querer se encontrar com
ele também é normal. Às vezes é uma saudade mais dolorida, outras vezes,
mais leve e doce.
A personalidade do enlutado:
As circunstâncias da perda:
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A morte pode ocorrer de forma inesperada ou já estar sendo "esperada"
(doenças fatais). Existe também os casos em que os corpos não são
encontrados e a morte permanece incerta e inconclusa. Ainda, existem as
perdas múltiplas, quando um acidente mata mais de um membro da mesma
família de uma única vez. Também existem as mortes por suicídio ou aquelas
em que o enlutado foi direta ou indiretamente responsável, exemplo: em um
acidente ou homicídio.
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da adequação dessas ações estão fortemente enraizados nos costumes e
significados da cultura onde ocorreu a morte ou à qual pertence o grupo afetado
por ela. O que está asseverado pela tradição e confirma o papel organizador dos
rituais reflete significados favorecidos pela cultura, pois esta fornece uma
moldura para que os afetados pela perda se organizem em modelos conhecidos,
sem menosprezar o valor da personalização dos rituais. A religião também se
mostra presente na prática de rituais que já têm sentido e tradição.
Figura: 03
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Essas funções se aplicam a todas as culturas, desde que respeitados os
valores e significados de cada uma. No entanto, elas se perdem se forem
desprovidas de significado particular, específico à pessoa falecida ou à sua
comunidade. Se não houver essa caracterização individualizada, o ritual será
apenas o cumprimento de uma tarefa, perdendo até mesmo suas propriedades
restauradoras.
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Parkes (2009) aponta a religião e a espiritualidade como recursos no
enfretamento do luto, associadas a um melhor ajustamento após a perda,
contribuindo para o processo de construção de significados. Se a fé é parte da
vida do enlutado, este deve expressá-la da maneira que lhe parecer apropriada.
A comunidade religiosa proporciona uma grande contribuição nesse processo,
favorecendo a integração social que muito colabora para o enfretamento voltado
à restauração.
Figura: 04
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espiritualizadade na dimensão espiritual presente no encontro terapêutico,
relevante sobretudo no cuidado que não permite a banalização de experiência
humana, por não desprezar a dimensão sagrada da vida. A compaixão,
agentileza, a amorosidade e a espiritualidade podem alicerçar novas formas de
alívio do sofrimento humano. Essa é a essência do cuidar, conclui a autora.
2. A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO NO
PROCESSO DE LUTO
Figura: 05
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perpassando pelas quatro fases do luto de forma dinâmica e, ao mesmo tempo,
prevista, enquanto outros apresentam maiores complicações no manejo com o
pesar. O aconselhamento psicológico torna-se eficaz nestes últimos casos,
à medida que auxilia os enlutados a resolverem o luto de forma favorável
(Worden, 1998). Visa, portanto, o estabelecimento de condições de vida
saudáveis ao enlutado, ao contar com os recursos psíquicos deste, além de sua
rede de apoio familiar e social (Costa, 2006). A abordagem do aconselhamento
psicológico no luto se torna fundamental no auxílio aos indivíduos enlutados,
em virtude de facilitar a passagem pelo processo de luto, buscando uma
conclusão saudável das etapas, fases e ta refas do luto num período de tempo
benéfico ao enlutado. Assume caráter preventivo, à medida que se caracteriza
por ser uma intervenção psicológica possível de ser feita antes da instauração
de um luto complicado (Parkes, 1998).
O aconselhamento psicológico em situações de luto objetiva, de modo
geral, auxiliar o indivíduo na adaptação da perda para que este se torne capaz
de ajustar-se à nova realidade de forma saudável e funcional mesmo na
ausência do falecido. Trata-se de acreditar e ajudar o enlutado a encontrar meios
para que este possa reinvestir suas emoções na vida e no viver (Worden,2013).
Esta abordagem pode ser vislumbrada como um suplemento para
intervenções tradicionais que podem não funcionar com alguns ou não estarem
disponíveis para outros. O aconselhamento, neste sentido, permite que o
profissional esteja instrumentalizado de forma consistente sem necessariamente
fazer abordagens formais em demasia (Worden, 1998).
A despeito das fases de transição do luto, pode-se dizer que o
aconselhamento funciona como (1) reforçador para a concretização da perda,
ou seja, a realidade da sua ocorrência; (2) um suporte ao enlutado no que se
refere ao sofrimento emocional e às eventuais condutas provindas deste;
(3) facilitador no atravessamento dos desafios impostos pelos reajustas pós-
perda; e (4) promotor das reflexões do enlutado, a fim de que possam ser
encontradas maneiras saudáveis de manter o vínculo com a pessoa querida
e, ao mesmo tempo, sentir-se confortável para reinvestir no processo de viver
(Worden, 2013).
Diferentes profissionais podem executar o trabalho de aconselhamento
e promover a facilitação dos objetivos do luto. Parkes (1980) apresenta três
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modalidades de aconselhadores, sendo a primeira composta por profissionais
capacitados para o serviço – médicos, enfermeiros, psicólogos ou assistentes
sociais; o segundo tipo de aconselhamento no luto envolve serviços em que
voluntários são selecionados, treinados e acompanhados por profissionais; e o
terceiro envolve grupos de autoajuda em que um enlutado oferece amparo
aos demais também enlutados, com ou sem o acompanhamento de um
profissional capacitado. Os referidos serviços são direcionados a uma reduzida
quantidade de indivíduos enlutados que apresentam condutas de risco após
uma perda, e vão desde o acolhimento e amparo a estes ou às famílias, em suas
residências, até mesmo a realização de atendimentos individuais ou sob o viés
de trabalho grupal, no próprio local do serviço de luto (Parkes, 1998).
Worden (2013) defende a ideia de que o aconselhamento psicológico em
situações de luto é mais eficiente quando realizado por volta de uma semana
posteriormente ao funeral. Nas primeiras 24 horas, geralmente, os enlutados
encontram-se em estado de choque e torpor, por isso, supõe-se muito cedo para
que o conselheiro atenda. Considerando que o luto é um processo cujo tempo
de aperceber-se e permitir-se a visualização da concretude do que fora perdido
pode levar longo prazo, enquanto for testemunhado, qualquer elemento que
force o teste de realidade no período inicial tende a causar objeções. Contudo,
salienta-se que há situações em que o próprio serviço funerário dispõe de
assistência psicológica como ferramenta complementar na facilitação de
recursos psíquicos e estratégias de enfrentamento aos enlutados. Portanto,
considera-se que não há regras rígidas quanto à atuação do profissional
conselheiro frente à perda. É preciso pontuar fatores como as circunstâncias da
morte, as possíveis funções exercidas pelo aconselhamento psicológico, bem
como a estruturação do contexto fúnebre (Parkes, 1998).
Pode-se dizer que há três filosofias do aconselhamento do luto no que
tange ao recebimento desta modalidade de serviço.
▶A primeira refere que o aconselhamento psicológico pode ser oferecido
a todos os que sofrem devido às perdas por morte, em razão de ser um evento
traumático aos envolvidos. Porém, ressalta-se que o atendimento universal,
embora compreensível, apresenta custos, à medida que se torna inviável
oferecê-lo de forma integral.
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▶ A segunda filosofia diz respeito à necessidade de ajuda por parte dos
enlutados após o surgimento de dificuldades maiores. Em outras palavras, a
busca pelo aconselhamento acontece, geralmente, após um longo período
de estresse que se torna irreversível ao enlutado.
▶ A terceira filosofia está ancorada num modelo preventivo de saúde
mental. Neste sentido, o profissional pode atuar de forma a prevenir
precocemente eventuais adaptações precárias à perda e dificuldades
posteriores (Worden, 2013).
Diante da perda sofrida, o enlutado precisa de um suporte que lhe
possibilite falar sobre o seu pesar e a experiência vivenciada pela morte do
próximo, sobre o funeral e as lembranças do falecido. O profissional
aconselhador deve ser continente e permitir que o enlutado sinta que suas
expressões de dor estejam sendo escutadas e aceitas; saber que algum grau
de culpa e raiva se fazem presentes, mas que pode conversar sobre isso com
tranquilidade; proteger-se dos desvios que o processo de luto, não raras vezes,
impõe. Do mesmo modo, experimentar-se diante do primeiro aniversário de
morte com acompanhamento; reconhecer, compreender e atender as
necessidades do enlutado quando visualizar maior indisponibilidade por parte
deste.
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para lidar com o fim, o que torna mais difícil e delicada a aceitação do término
do ciclo da vida (BASSO; WAINER, 2011).
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terminal uma experiência apavorante para muitos profissionais. E, quanto mais
jovem o paciente, mais difícil lidar com a situação. A morte é evento “previsível”
para as pessoas idosas e, por isso, o grau de aceitação da morte desses
pacientes é maior, dado ser encarada como a fase final do ciclo da vida.
A morte não atinge a equipe de saúde do mesmo modo, porque a
percepção da perda é determinada por fatores como idade, circunstância da
morte e, sobretudo, pelo grau de envolvimento com o paciente. Contudo, embora
a morte faça parte do contexto da vida e da rotina do ambiente hospitalar, os
integrantes da equipe multiprofissional de saúde – em geral – não estão
preparados para enfrentar a morte e lidar com a perda de pacientes. Somente
os indivíduos seguros em relação aos seus sentimentos, e com atitudes naturais
diante da vida e da morte, terão atingido o estágio que lhes outorga capacidade
de compreensão para auxiliar terceiros. Conforme sustentam Costa e Lima,
para que se possa dar assistência adequada aos pacientes terminais, é
necessário compreender as reações e comportamentos que tanto os pacientes
quanto os familiares podem apresentar diante da proximidade da morte.
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conhecimento de que está morrendo, mas emocionalmente se sentir incapaz
de aceitar; ou poderá aceitá-la, mas não conseguir verbalizar a situação .
Segundo Kübler-Ross, o diagnóstico de uma doença potencialmente terminal
é fator de desestruturação psicológica, fazendo com que pacientes e familiares
passem por algumas fases emocionais características. Sem necessariamente
constituir um processo linear, de sequência rigorosa, já que nem todos os
pacientes o vivenciam da mesma forma, os estágios sistematizados pela
psiquiatra suiça, Elisabeth Kübler-Ross ( 1969 Apud DIPP, 2002), pesquisou
sobre esse tema e descreveu cinco fases do processo de luto, sendo elas:
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convivem com ele, de lidar com essa dor. Em geral, a negação não persiste por
muito tempo. No entanto, alguns pacientes podem jamais ultrapassar esse
estágio, indo de médico em médico, até encontrar alguém que o apoie em sua
posição. O mais sensato seria falar sobre a morte com pacientes e familiares
antes que ela ocorra de fato e desde que o queiram, até porque é mais fácil para
a família discutir esses assuntos em tempos de relativa saúde e bem-estar do
paciente. Ademais, adiar esse tipo de conversa não beneficia o doente em
nenhum aspecto.
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contínua, faz críticas e tem explosões comportamentais caso não seja atendido
ou se sinta incompreendido e desrespeitado. É importante que, nesse estágio,
haja compreensão dos demais sobre a angústia transformada em raiva no
paciente que teve de interromper as atividades da sua vida por causa da doença.
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3.4 Quarto estágio: Depressão
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e todos os que amam, por isso é importante que passe os momentos finais junto
de seus familiares e entes queridos
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Última fase do luto. Assim, é quando a pessoa aceita a perda com paz e
serenidade, sem desespero ou negação. Nessa fase, o espaço vazio deixado
pela perda é preenchido. Entretanto, é um período que depende muito da
capacidade da pessoa de mudar a perspectiva e preencher o vazio. Voltando-se
para a religiosidade, para a fé ou a ajuda de um profissional num processo de
psicoterapia.
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4. LUTO ANTECIPADO
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descrever uma doença terminal. Essas metáforas sugerem incorretamente que
os pacientes podem “vencer” sua doença com esforço suficiente. Isso pode
dificultar para a pessoa que está morrendo e seus entes queridos expressarem
pesar antes da morte.
▶ A perda de um companheiro
▶ A perda de memórias compartilhadas.
▶ A perda de sonhos para o futuro.
▶ Às vezes, a dor do passado pode ressurgir durante esse período.
Negar a dor que você sente agora pode prolongar a dor mais tarde. O luto
tem um propósito, quer ocorra antes ou depois da morte.
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▶ Conectando-se ao seu ente querido de uma maneira diferente conforme
vocêavança.
Isso não significa que você deva desistir de seu ente querido ou esquecê-
lo. Em vez disso,essas tarefas o ajudarão a manter a alegria e o amor que você
compartilhou antes. Eles também podem ajudar a interromper a profunda tristeza
que pode tornar dolorosa a lembrança.
Passe algum tempo com seu ente querido que está morrendo
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Encontre maneiras significativas de passar algum tempo, juntos.
Experimente compartilhar fotos antigas ou recordações. Peça ao seu ente
querido para compartilhar histórias sobre relíquias de família e outras por
exempo, como joias. Você pode descobrir que relembrar pode ser uma limpeza.
5. COMPORTAMENTO SUICIDA
Figura: 15
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drogas psicoativas. Esquizofrenia e certas características de personalidade
também são importantes fatores de risco. A situação de risco é agravada quando
mais do que uma dessas condições combinam-se, como por exemplo depressão
e alcoolismo; ou ainda, a coexistência de depressão, ansiedade e agitação.
Não se trata de afirmar que todo suicídio relaciona-se a uma doença
mental, nem que toda pessoa acometida por uma doença mental vá se suicidar,
mas não se pode fugir da constatação de uma doença mental é um importante
fator de risco para o suicídio. A causa de um suicídio (fator predisponente) em
particular é invariavelmente mais complexa do que um acontecimento recente,
como a perda do emprego ou um rompimento amoroso (fatores precipitantes).
É importante estar atento aos fatores de risco, conhecê-los e saber como
lidar com eles. Os dois principais fatores de risco são a tentativa prévia e a
presença de transtorno mental, mas outros aspectos também estão diretamente
ligados aos índices de suicídio:
- Uso de álcool e outras drogas.
- Desesperança e desespero: busca de sentido existencial, razão para
viver, falta de habilidade de resolução de problemas.
- Isolamento social, ausência de amigo íntimos.
- Possuir acesso a meios letais.- Impulsividade
Vídeo complementar
Link:
[Link]
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6. REFERÊNCIAS:
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PARKES, C. M. “ amor e perda: as raízes do luto e suas complicações.
Trad. Maria Helena Pereira Franco. São Paulo: summus, 2009.
WORDEN, J. W. (2013). Aconselhamento do luto e terapia do luto: Um
manual para profissionais da saúde mental. (A. Zilberman, L. Bertuzzi & S.
Smidt,Trads.). São Paulo: Rocca.
WORDEN, J. W.(1998). Terapia do luto: Um manual para o profissional
de saúde mental . (M. Brener & M. R. Hofmeis ter, Trads.). Porto Alegre: Artes
Médicas.
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