Ode (Oxossi)
Ode (Oxossi)
(OXÓSSI)
CARACTERÍSTICAS
Dia da semana: Quinta-feira
Cor: Azul-turquesa (Candomblé). Azul-marinho (Batuque). Verde (Umbanda). Algumas qualidades usam
nuances de vermelho.
Saudação: Oke aro (candomblé). Oke ebamo (Batuque). Odé Kokê Maior.
Elemento: terra.
Plantas: milho, jasmim-manga, carqueja, cróton, poejo, capim cidro e alecrim. Flores do campo.
Animais: porco do mato, tatu, veado, javali (quase todos tipos de caça).
Metal: latão e bronze. Mineral Manganes.
Chacra: Esplênico.
Comida: quibebe, milho cozido, tapioca, canjica, frutas. Axoxô (milho de canjica vermelha cozida enfeitado
com fatias de coco), frutas, espiga de milho cozido, pamonha. Carne de caça, taioba, fradinho torrado, papa
de coco
Bebida: água de coco, caldo de cana, vinho tinto, aluá, batida de mel.
O que faz: protege contra perigos, castiga quem faz coisas erradas; protege os animais e plantas.
Odé ou Oxóssi é o irmão mais novo de Ogum. Rege as matas, onde domina as técnicas da caçada.
Odé é o orixá que domina as artes, e aproxima-se do mito grego do Apolo.
Como Ogum, Odé dificilmente prende-se às regras que lhe impõem. O sentimento de liberdade para estar
em contato com a natureza e com tudo que a vida o pode proporcionar fala mais alto.
Orixá provedor e da fartura. Conta a lenda, quando Ayê - a terra -, foi criado, Olorum encheu-o de animais
de todos os tipos, encarregando Odé - a caçador, também conhecido por Oxóssi, irmão caçula de Ogum, o
guerreiro, de ser patrono dos animais, padroeiro dos caçadores e da caça. Oxóssi é o Orixá provedor, o
responsável por trazer alimento e todas as pessoas; o Senhor da Ecologia.
Sua habilidade para a caça garante a alimentação dos outros orixás. Assim as pessoas que trabalham para
garantir o sustento da família podem contar com a proteção com a proteção dessa divindade, cujos
atributos são a fartura e a perseverança - é preciso esperar para saber a hora certa de atirar a flexa! Oxóssi
também é o Deus da agricultura e da natureza.
Além de Oxum, era também muito encantado por Oxumarê (fêmea, Ewa).
Gostava das folhas e tinha também o dom da cura, muito embora seja Ossaim o Orixá da medicina.
Possui muita importância em Ketu, torna-se Alákétu (Rei do Ketu). É àxèxè (princípio dos princípios) dos
descendentes de Ketu.
Os Oge (chifres de touro) fazem a comunicação entre o Aiyé e Orún, chamados de: Olugboohun - o senhor
escuta a minha voz, Ìrùkèrè (Èrùkèrè) - espécie de cetro feitos com pelos do rabo de touro, presos em um
couro duro, constituindo um cabo, e revestido com um couro fino, ornado com contas e cauris (búzios). É
um dos principais instrumentos dos caçadores e detém poderes sobrenaturais. Na África nem um caçador,
se aventuraria, a ir à floresta sem seu ìrùkèrè. É preparado com pós e remédios de diversos tipos, assim
como folhas e fragmentos triturados dos animais sacrificados. Antes de serem presas, as raízes dos pelos
devem durante algum tempo, ficar imerso em um pote com uma combinação de elementos que
constituem um axé especial, que lhe conferirá suas atribuições necessárias. Não é apenas mais um
emblema, tem o poder de manejar e controlar todo tipo de espíritos da floresta. Os pelos do rabo - parte
posterior (poente) - representam os ancestrais, espíritos de animais e de todo tipo de espírito da floresta.
Odé é também parte dos orixás masculinos cujos princípios também são feitos de ferro. Alegre, jovial,
expansivo e irrequieto, tem enorme popularidade na Bahia onde também é conhecido pelo nome de
Oxóssi (Òxòósi).
Apaixona-se facilmente, é verdade, pelo seu próprio temperamento de caçador, mas é fiel ao seu modo,
sendo Oxum sua paixão mais constante. Como um bom caçador, é solitário e individualista, mas não
dispensa as pessoas do seu convívio social e nunca vive sem um grande amor.
Os orixás da caça perderam com a nova sociedade. Oxóssi ganhou a responsabilidade de zelar pela fartura
de alimentos, mas não há mais caçadores para cultuá-lo e muitos Odé foram reagrupados no culto de
Oxóssi, como ocorreu com Erinlé e Otim. O grande papel de Oxóssi no Brasil na verdade decorre de sua
condição de patrono da nação Ketu, instituída com a fundação dos candomblés baianos Casa Branca do
Engenho Velho, Gantois e Axé Opô Afonjá, e que é uma referência à cidade africana de Queto, hoje situada
no Benin, da qual Oxóssi era o orixá da casa real e onde atualmente está praticamente esquecido.
O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos
índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos
igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos
africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.
Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos,
alguns filhos de Oxóssi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.
Conhecedor da forma precisa de atingir um alvo, a sua energia é especialmente para destruir feitiços e
cargas maléficas. Também é mensageiro da duplicidade necessária para fortalecer um propósito e da
necessidade de olharmos sempre os dois lados de uma questão.
Sua dança simula o gesto de atirar flexas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele
imita o cavalheiro que persegue a caça, deslisando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das
danças mais bonitas do CANDOMBLÉ.
Em alguns candomblés é adornado com um chapéu de abas largas enfeitado de penas de avestruz nas
cores azul e branco.
Diz um mito que OXOSSI encontrou IANSÃ na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se
transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por OXUM.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que
provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
Quando dizemos que OXÓSSI é caçador, não devemos enfocar só no sentido de animais. OXÓSSI nos
provém os alimentos, mas também é quem nos caça o bem-estar e a prosperidade, pois ele é filho do IRÉ
(sorte) e quando nenhum outro ORIXÁ pode fazer parir o IRÉ, ele o fez, e IRÉ que é a abundância, chegou à
Terra.
OXÓSSI é muito valente e poderoso e ele não gosta de ser provocado e incomodado. Tudo o que ele faz ele
cumpre. Quando estamos bem com ele, tudo se torna próspero.
HISTÓRIA E ORIGEM
Oxóssi (Òsóòsi) é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura
e da riqueza. Atualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido na África, mas é bastante difundido
no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso se deve ao fato de
a cidade de Ketu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e seus
habitantes, muitos consagrados a Oxóssi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse
fato possibilitou o renascimento de Ketu, não como estado, mas como importante nação religiosa do
Candomblé brasileiro.
Oxóssi é o rei de Ketu, segundo dizem, a origem da dinastia. à Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu,
Rei, Senhor de Ketu, e Onilê, o dono da Terra, pois na África cabia ao caçador descobrir o local ideal para
instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros
habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade, que garante a fartura para seus
descendentes.
Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador
representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por
mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor sua marca no mundo
desconhecido.
A coleta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, orixá que
representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o orixá
da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai e busca da caça para
alimentar a tribo. Mais do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como
utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.
Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, esse caçador
possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor naquilo que
faz, está permanentemente em busca da perfeição.
Na África, os caçadores que geralmente são os únicos na aldeia que possuem as armas, têm a função de
salvar a tribo, são chamados de Oxô, que significa guardião. Oxóssi também foi um Òsó, mas foi um
guardião especial, pois salvou seu povo do terrível pássaro das Iyá-Mi.
Outras histórias relacionadas a Oxóssi o apontam como irmão de Ogum. Juntos, eles dominaram a floresta
e levaram o homem à evolução. Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum-dizem até que seria seu
filho, e onde está Ogum deve estar Oxóssi, suas forças se completam e, unidas, são ainda mais imbatíveis.
Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim (Òsanyìn), com quem aprendeu o segredo das folhas e os
mistérios da floresta, tornou-se um grande feiticeiro e senhor de todas as folhas, mas teve que se sujeitar
aos encantamentos de Ossaim.
A história mostra Oxóssi como filho de Iemanjá, mas a sua verdadeira mãe, segundo os mais antigos, é
Apaoká a jaqueira, que vem a ser uma das Iyá-Mi, por isso a intimidade de Oxóssi com essa árvore.
A rebeldia de Oxóssi é algo latente em sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi tornou-se
orixá.
A exemplo de Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte, porque é expressão da vida. A Oxóssi não importa
o quanto se viva, desde que se viva intensamente. O frio de Ikú (a morte) não passa perto de Oxóssi, pois
ele não acredita na morte.
Senhor das florestas seu habitat natural, onde vive e caça. É a divindade da harmonia e do equilíbrio
ecológico, protege os caçadores e a caça ao mesmo tempo, não permite a caça predatória. Aceita somente
a busca do alimento.
ARQUÉTIPOS
Solitários, no trabalho exigem silêncio e concentração. Observadores e joviais, ágeis e espertos, estão
sempre atentos. Seus objetivos estão em primeiro lugar, são líderes e independentes ao mesmo tempo que
são pacientes com as pessoas, são rápidos e espontâneos nas ações. Comunicativos e ordeiros, amantes e
sonhadores, no fundo são pessoas românticas e vaidosas, que passam por esnobes e exibicionistas e que
necessitam do convívio social para exercitar suas qualidades de liderança. Independência, rapidez,
esperteza. Não apreciam muito ficar em casa. Interessa-se por várias coisas, porém não dá prosseguimento
a muitas. Seu biotipo é leve e ágil, um tanto nervoso.
Aos filhos do caçador também é atribuído o dom da inteligência, da calma, da astúcia e da agilidade.
Os filhos de Oxóssi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente.
Tem, portanto, grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar
seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir.
Fisicamente, os filhos de Oxóssi, tendem a ser relativamente magros, um pouco nervosos, mas controlados.
São reservados, tendo forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote
obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.
No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de
extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, afim de caçar.
Seus filhos, portanto, são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de
rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do
caçador. Assim os filhos de Oxóssi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do
silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um
objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.
Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a
alimentação, o que pode ser entendido como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham
muito, mas sua violência é canalizada e represada para o movimento certo no momento exato.
É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações,
sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.
Os filhos de Oxóssi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado
o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser
desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do
trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de
responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.
Os filhos de Oxóssi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo
ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as
provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro
da família. Não é estranho que, quem tem Oxóssi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou
mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas
igualmente independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas
individualidades que nunca se misturam.
Os filhos de Oxóssi, compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas
reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.
Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de amigos. É, portanto, o tipo coerente com
as pessoas que lidam bem com a realidade material, sonha pouco, têm os pés ligados à terra.
São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o
senso da responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da
ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento,
algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.
O tipo psicológico, do filho de Oxóssi é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É
dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas
reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como “complicados”. É solitário, misterioso, discreto,
introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui
extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito
emotiva e romântica.
"O tipo Oxóssi é ágil, nervoso, refinado, interessado em tudo, nem sempre perseverante e instável em seus
relacionamentos". (Cossard-Binon apud Segato, 1995:62).
A Oxóssi, a divindade da caça e "dono de todas as cabeças", de acordo com os candomblés Ketu, estão
associados os distúrbios emocionais, as chamadas doenças da cabeça e as manifestações de loucura. Os
autores explicam que tais sintomas também são atribuídos a Ossaim e, mais raramente, a Iansã, que ainda
está associada à ninfomania. Outros sinais de Oxóssi são os males do fígado e da vesícula, as úlceras
estomacais e as enxaquecas, sintomas que às vezes são notados como particularidades de seu filho
Logunedé, orixá encantado ligado à água doce e à floresta.
No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa atividade é o conceito de forte independência e de
extrema capacidade de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na mata, a fim de
caçar.
Seus filhos, portanto, são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de
rompimento de laços. Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da proximidade do
caçador. Assim os filhos de Oxóssi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do
silêncio e desenvolver a observação tão importante para seu Orixá.
Geralmente Oxóssi é associado às pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Tem,
portanto grande capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação de alcançar seus
objetivos e paciência para aguardar o momento correto para agir. Sua luta é baseada na necessidade de
sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido
como sua luta do dia-a-dia. Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é canalizada e
represada para o movimento certo no momento exato. É basicamente reservado, guardando quase que
exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e
disposição.
Os filhos de Oxóssi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado
o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser
desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do
trabalho em equipe. Ao mesmo tempo, é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de
responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da tribo.
Os filhos de Oxóssi tendem a assumir responsabilidades e a organizar facilmente o sustento do seu grupo
ou família. Podem ser paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do lar, trazendo as
provisões ou trabalhando para que elas possam ser compradas, e não no contato íntimo com cada membro
da família.
Não é estranho que, quem tem Oxóssi como Orixá de cabeça, relute em manter casamentos ou mesmo
relacionamento emocional muito estável. Quando isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente
independentes, já que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas individualidades que
nunca se misturam.
Os filhos de Oxóssi compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina mais, pelas
reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá
(ajuntó). São pessoas tipicamente extrovertidas, gostando de viver sozinhas, preferindo receber grupos
limitados de amigos.
É, portanto o tipo coerente com as pessoas que lida bem com a realidade material, sonha pouco, têm os
pés ligados à terra.
O arquétipo de Oxóssi é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas
cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. São joviais sempre com
um olhar atento e vivo. São pessoas ágeis e esbeltos, tem senso de responsabilidade, apaixonados,
românticos, carinhosos, volúveis e narcisistas. São carismáticas, emotivos, intuitivos, nervosos e inseguros.
São festeiros, amáveis, educados e muito estimados, podem a chegar a serem falsos e traiçoeiros. A lógica
não os atrai muito. Imaturos, acreditam em todos e em tudo.
Os filhos de Oxóssi são joviais, rápidos e espertos, tanto fisicamente, como mentalmente. Estão sempre
pensando adiante; seu cérebro é um computador multi-processável rodando 10 programas ao mesmo
tempo. São suscetíveis no amor, relutando em manter casamentos ou relacionamentos emocionais. Se
apaixonam facilmente, e se ´desapaixonam´ com mais facilidade ainda. São muito amáveis com os amigos e
sinceros em seu desejo de ajudar os outros. Adoram ouvir palavras de sabedoria e conselhos, mas isso não
quer dizer que irá segui-los ou aceitar. Suas maiores fraquezas são a precipitação e a indecisão; se ficarem
no caminho do meio, terão muito sucesso.
Não seja avarento ao proporcionar conforto a um filho de Oxóssi, ele faria duas vezes mais por você, caso a
situação se invertesse. Muito místico, acredita que existe algo além do materialismo. Preocupam-se com o
bem universal, e tendem a tentar resolver os problemas de todos que considera. Adora ouvir palavras de
sabedoria, agarrando com unhas e dentes, em princípio, qualquer conselho ou palavra bondosa, embora
isso não queira dizer que irá aceitá-la.
A determinação e a paciência para aguardar o momento certo de agir, fazem parte da sua personalidade.
Suas maiores fraquezas são a precipitação e a indecisão, se ficar no caminho do meio, poderá ter enorme
sucesso. Faz várias coisas ao mesmo tempo e nunca termina nada. É o próprio caçador de si.
Tem muitas qualidades artísticas, iniciativa, são muito curiosos, as vezes agressivos e franco a ponto de
serem grosseiros, são pessoas que não guardam segredos. Atores notáveis, criativos e por conseguinte
sempre no centro das atenções, despertam ódio de uns por sua naturalidade em se destacar. Por essa
imponência nata, tendem a seguir carreiras artísticas, ou outras que os coloquem diante do público; são
magníficos para se expressar, tanto falando como escrevendo. Versáteis, tendem a conhecer todos os
assuntos. São suscetíveis aos desejos ou ilusões de grandeza. Apesar de sua popularidade, evitam muita
intimidade; livram-se de uma invasão de intimidade com diplomacia, deixando que as pessoas façam parte
de sua vida, até o ponto em que acham suficiente. Alguns filhos desse orixá possuem muita criatividade e
dons artísticos. Adora público. Ator notável, criativo e requisitado, é o centro das atenções. Imponente,
pode seguir qualquer carreira que o coloque diante do público e vive apaixonado. São peritos em passar
responsabilidades para os outros e dificilmente terminam o que começam.
Seus filhos são pessoas muito exigentes no cumprimento das obrigações, de atitudes firmes e até um pouco
duras. Não têm "papas na língua" e costuma falar tudo o que pensam. Dão muito valor aos acordos e não
faltam com sua palavra. Com tendência à timidez, não gostam de demonstrar suas emoções.
Veste roupas práticas, jeans e camisetas são seus favoritos e não gosta de usar sapatos. Os cabelos
geralmente são curtos.
Alimenta-se principalmente de sanduíches, não tem paciência de esperar o almoço ficar pronto.
É magnífico para expressar, seja falando ou escrevendo suas opiniões, às vezes, aumenta um pouco a
coisas. É versátil e conhece todos os assuntos, mas dificilmente completará uma faculdade. Amável com os
amigos é sincero no seu desejo de ajudar os outros. Adora dar presentes. Se tiver um objeto de adorno e
for apreciado por alguém (pode ser até uma joia valiosa) ele se desfaz do ornamento para agradar a pessoa.
São minuciosos verdadeiros e extremamente francos. É um pouco preguiçoso e adora dormir até tarde,
mostra-se suscetível aos elogios ou às ilusões de grandeza. Detesta que entrem em sua privacidade, não é
de muitas intimidades. Livra-se de responsabilidades com diplomacia.
Tem facilidade em ganhar dinheiro, mas gasta tudo na primeira loja que encontra. Tendem a acumular
riquezas, mas não estabilidade, pois não se importam muito com isso. São capazes de perder uma fortuna
ao mergulhar numa paixão, e não se importarem ou se arrependerem disso.
Oportunidades de emprego e outras que envolvam dinheiro, tendem a bater em sua porta, e ele é que
seleciona se quer ou não, portanto, aquele ditado que diz que felicidade e emprego não vêm bater na
porta, não procede para os filhos desse orixá.
Não tem muita segurança nos relacionamentos, mas não se importa muito com isso. Pode perder tudo com
facilidade ao mergulhar numa paixão.
É um homem do mundo, um andarilho. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito
de mudar de residência e achar novos meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida
doméstica harmoniosa e calma. (Verger, P. Orixás).
É um orixá de pessoas presas ao cotidiano e de homens comuns, que não sonham muito. Adoram uma
discussão. Mostram-se instruídos e argumentam com muita facilidade. Suas ideias, parecem melhor na
teoria do que na prática, porque esquecem de considerar o fator humano e o tempo. Perfeccionistas,
minuciosos e imaginativos, de uma forma ou de outra.
Talvez o mais complexo de sua personalidade, seja a instabilidade. Precisam de momentos de introspecção,
aonde se fecham em seu ´mundinho´ precisando da solidão como companhia. Ora buscam a multidão, ora
exigem a solidão, como um caçador, que caça sozinho, e volta para a aldeia, para receber a festa e a
satisfação de todos que aguardavam sua volta. São os famosos ´psicólogos de si mesmos´. Perdem-se em
seus devaneios.
Outro ponto que contrapõe sua personalidade harmoniosa, é o seu temperamento. Os filhos de Oxóssi são
um vulcão de emoções. Diferente do irmão Ogum, conhecido por seu pavio curto, Oxóssi não tem pavio,
ele estoura instantaneamente, enquanto Ogum está se preparando para brigar, Oxóssi já deu sua fechada
certeira, independentemente de ser verbal ou física.
Em contrapartida a esse comportamento explosivo, outrora ele é muito paciente. É o caçador solitário, que
observa tudo meticulosamente, posiciona-se, espera o momento certo, e atira. O eterno apaixonado
caçador (não raramente de si mesmo).
É o ORIXÁ dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração.
São cheios de manias, volúveis em suas relações amorosas, multo susceptíveis e tidos como "complicados".
É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um
desbravador, um pioneiro. Muitas vezes exerce um fascínio sobre os rapazes e pode ser homossexual.
Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é
muito emotiva e romântica.
Os filhos de Odé estão sempre em atividade. Não gostam de ver ninguém mal. Lutam pelo bem estar de
todos.
São fartos, generosos, desconfiados e dotados de uma incrível velocidade de raciocínio, o que os levam a
tomarem muitas decisões precipitadas, das quais, geralmente, logo se arrependem.
TIPO FÍSICO:
Estatura mediana/alta; voz aveludada; as mulheres têm pernas bem feitas e gostam de andar depressa;
tórax largo e bem desenvolvido; pele delicada; fascínio muito forte e expressão magnífica.
Possuem um corpo esguio, sendo geralmente magros e pouco musculosos. Suas mãos são delgadas e finas.
Movimentam-se quase que flutuando, com muita leveza no andar.
LENDAS
A cada ano, após a colheita, o rei de ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo a
população inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não
eram convidadas.
Furiosas com a desconsideração, enviaram a festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio,
encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada.
O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas
elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora.
Um segundo caçador se apresentou, este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei
mandou prendê-lo.
Bem próximo dali vivia Oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava
apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta
aos outros caçadores, a mãe de Oxóssi, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô que aconselhou
que se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso.
A oferenda consistia em sacrificar uma galinha e na hora da entrega dizer três vezes: que o peito do pássaro
receba esta oferenda! Nesse exato momento, Oxóssi deveria atirar sua única flecha. E assim o fez,
acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: oxó wussi, (oxó é popular) passando a ser
conhecido por Oxóssi. O rei, agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de
Ketu, "terra dos panos vermelhos", onde Oxóssi governou até sua morte, tornando-se depois um orixá.
Os sacerdotes da aldeia, fugindo aos seus costumes, não realizavam as oferendas obrigatórias para três das
maiores bruxas conhecidas: as Ìyamì Oxorongá.
Esse ato imperdoável precisava de uma boa punição. Foi assim que elas enviaram um enorme pássaro para
assombrar aquela aldeia.
A ave ficou pousada no telhado do palácio, de onde podia avistar toda a cidade.
Um clima de medo e mau agouro espalharam-se entre os moradores, que não sabiam o que fazer para
acabar com aquele terrível monstro.
Oferendas foram realizadas para as Osorongá, mas sem resultado. Era tarde demais para isso.
Foi então que alguns caçadores se apresentaram para matar o pássaro das bruxas, mas foram todos
derrotados.
O último caçador possuía apenas uma flecha, e era a última esperança de livrar a aldeia da morte.
Sua mãe, que estava longe daquele lugar, teve um mau presságio com relação a ele.
Consultando um babalaô, teve a confirmação do que já sabia: seu filho corria grande perigo.
Foram necessárias muitas oferendas para que a missão de Odé fosse executada com perfeição e, graças a
isso, Odé pôde matar o pássaro com sua única flecha, livrando sua aldeia da aniquilação.
Sua principal ferramenta é o ofá (arco) e a flecha, muito utilizados em sua arte. Acredita-se que esse orixá
conhece o segredo do nosso planeta, pois os dois hemisférios (norte e sul), quando separados,
assemelham-se ao seu arco.
Outra ferramenta importante é o erukerê, objeto sagrado feito com o rabo de búfalo, utilizado,
especialmente, para a magia. Seus poderes mágicos são muito importantes, através dos quais os caçadores
enfrentam os seres encantados que habitam as florestas. O erukerê, que é detentor de "axé", também
serve para espalhar a fertilidade pelo mundo.
Na mitologia iorubana, Odé é filho de Iemanjá e irmão de Ogum, que, assim como ele, adora a liberdade. É
muito confundido com a caçadora Oxóssi, seu correspondente feminino. Ambos estão relacionados à
fartura, prosperidade e à eterna convivência com a natureza.
Odé tem como missão trazer caça para todos os povos do mundo. A caça simboliza o alimento necessário
para a sobrevivência das espécies e, também, a busca de novos caminhos para o desenvolvimento.
A atividade de caçador sempre foi considerada pioneira e muito importante, trazendo para seus
integrantes uma posição de destaque entre os seus.
ÒSÓÒSÍ
Filho de YEMONJA e ÒÒSÀÀLÀ é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os espíritos dos
antepassados. Tem a virtude de dominar os espíritos da floresta.
Na África era a principal divindade de ILOBU, onde era conhecido pelo nome de YRINLÉ ou INLÉ, um
valente caçador de elefantes. Conduziu seu povo de ILOBU a guerra e os ensinou a arte de guerrear,
permanecendo até hoje nesta cidade.
Ocupa um lugar de destaque nos Candomblés em Salvador, isto porque é o patrono de todos os terreiros
tradicionais.
ÒSÓÒSÌ é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si um pó sagrado, avermelhado, chamado
AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune a morte e aos ÉGÚNS.
Sendo ele um rei, carrega o EYRUQUERE (espanta moscas) que só era usado pelos reis africanos, pendurado
no saiote.
Come com ÈSÙ e mora do lado esquerdo, onde está situado toda a sua força. Ele é um EBORÁ da esquerda.
Cura-se e raspa-se pelo lado esquerdo. OLODÉ é o ÈSÙ de ÒSÓÒSÌ e como pelo lado esquerdo.
QUALIDADES
Parece que existe, para cada orixá que conhecemos, uma “qualidade” que é logo citada por alguém, mas,
como costumo dizer aos meus amigos, para mim só existem qualidades é de sabonete, sabão em pó,
margarina; mesmo assim, se formos investigar a fundo veremos que em sua maioria pertencem à mesma
indústria, mudando tão somente o nome fantasia, não passando de maquiagem os seus nomes.
Tem um fator que define o que são "Qualidades de Orixás": Esse fator é o Odu que o Orixá vem. É isso que
faz com que um mesmo Orixá apresente caminhos e características diferentes. Ainda acontece que no
Candomblé, alguns Orixás foram incorporados ao Culto de um outro Orixá. Como é o caso de Erinle (Orixá
feminina), que foi incorporado ao Culto Oxóssi, passando a ser considerada uma Qualidade de Oxóssi.
ORELUERE
Oreluerê (Orèlúéré) – Historicamente Oreluerê teria sido um aliado de Orixalá e um dos chefes dos igbôs
que teria feito forte oposição aos invasores. No conceito religioso este Orixá foi um dos membros do grupo
de Odudua em sua missão de criar a terra. Também conhecido como Orè ou Oregbeule seria, portanto, um
Irunmale, de acordo com a mitologia.
IBUALAMO (A)
Ibualama significa "água profunda". Existe uma certa controvérsia sobre se este seria um outro Orixá ou
uma qualidade de Oxóssi. Na África, em Efan (Ijexa) Ibualamo é cultuado num determinado lugar muito
profundo do rio Erinlè (ibù). Numa guerra entre Efan e Ketu, Efan foi derrotada e Ibualama foi levado à Ketu
passando a ser cultuado por seus moradores, ao lado de Oxóssi. No Brasil, onde é considerado "qualidade"
de Oxóssi, dança trazendo numa das mãos o arco e a flecha de ferro (odématá ou ofá), ferramenta de
Oxóssi e na outra uma espécie de chicote feito com finas tiras de couro (bilala). É velho e caçador. Come
nas águas mais profundas. Conta um mito que IBUALAMO é o verdadeiro pai de LOGUNEDE. Apaixonado
por Oxum Panda e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor,
portanto toda a família é oriunda de Efan. Sua vestimenta é azul-celeste, como suas contas. Come com
OMOLU AZOANI. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha. Usa muitos búzios e palha
da costa em suas indumentárias. Seus animais sagrados incluem o porco e todos os animais ligados à caça e
pesca. Prata é o seu metal preferido. Segura na mão duas Ibilalá, e traz Ofá e Ogue pendurados como
símbolos de caça.
Para alguns ele é uma outra versão para Erinlé quando ele se apresenta mais ao fundo do rio, há um
templo com esse nome na África fazendo alusão ao seu fundador. Aliás, há vários templos, mas todos são
de um orixá só: Erinlé nessa situação o caçador traça um outro caminho e pactuam seus mitos com Omolu,
Oxumarê, Nanã, etc. Para outros axés, Erinle e Ibualamo são qualidades diferentes de Ode.
No Brasil seu culto acontece em Dezembro, e é separado do culto de Oxóssi que é realizado no dia de
Corpus Christi.
A montagem de seu Igbá (cuia) também difere de um simples alguidar com um ofá para cima como é
comum a pessoa não esclarecida assim fazer. Tem fundamento com Oxalá, Obaluaiê e Oxum. Seu oro leva
um peixe na cabeça dentro da agua junto com uma galinha d’angola.
INLE OU ERINLE
É o deus do rio de mesmo nome, que corre na região Ijexá, é um deus da caça, um caçador de elefantes. Na
região de Ilobu se faz o culto ao rio e ao Orixá Orinlè às margens dos lugares profundos, seu símbolo é uma
haste central com um pássaro no topo ladeada por mais de 16 lanças. Conduziu seu povo de ILOBU a guerra
e os ensinou a arte de guerrear, permanecendo até hoje nesta cidade. No Brasil, Erinlè ou Inlé, é
considerado uma das qualidades de Oxóssi, o Orixá caçador. Este Orixá é cultuado em Ijexá e seu templo
principal fica em Ilobu onde existe um rio com o mesmo nome. É nos lugares mais profundos deste rio que
ele recebe oferendas de inhames, bananas, acarajés, milho e feijão assado regado com azeite de dendê.
Tanto em Cuba como no Brasil é conhecido como Inlé.
"Erinlé [ou Ibualamo, uma qualidade de Odé] era o mais belo dos caçadores. Diziam que era andrógino,
mas disso não se tem certeza. O que se sabe é que Erinlé era dono de uma beleza diferente e irresistível. (...)
Erinlé é o mais belo dos caçadores". (Prandi, 2001:130).
Caçador confundido com Oxóssi no Brasil. Seu assentamento é completamente diferente dos demais, pois
Erinlé ou Inle é um orixá do rio do mesmo nome, o rio Erinlé que corta a região de Ilobu na Nigéria.
Encontra-se seus mitos no Odu Okaran-Ogbe e Odi-Obara. Sua esposa é Abatan, pois é considerado médico
e ela enfermeira, seu culto antecede o de Ossaim, o pássaro os representam. Ibojuto é a sua própria
reencarnação representada pelo bastão que vai a seu assentamento e tem a mesma importância do Ofá de
Oxóssi. Tem uma filha chamada Aguta que às vezes se apresenta como irmã ou como filha sendo sua mãe
Ainan. Ode Otim se apresenta como sua filha, às vezes e aí é representado por uma enguia. Ainda temos
Boiko como seu guardião, Asão seu amigo e Jobis seu ajudante. No Brasil o ligam a Oxum e a Iemanjá, pois
segundo sua lenda é pela boca dela que ele fala, Erinlé é um orixá andrógino e considerado o mais belo dos
caçadores. É o filho querido de Oxaguiã e Iemanjá. Veste-se de branco em sua homenagem. Usa chapéu
com plumas: branca e azul-claro. É tão amado que Oxaguiã usa em suas contas uma azul-claro (segui) de
seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamentos com Ogum Já.
Na África, Erinle tinha o seu próprio culto e era considerado um Orixá feminino. No Brasil, Erinle foi
incorporado ao Culto de Oxóssi.
A fundamentação de Odé Inle envolve várias etapas, cada uma com seus Orôs específicos..., e existem dois
detalhes dos muitos fundamentos de Erinle. O primeiro, é que este Orixá não come bode e nem pombo.
Sendo seus bichos preferidos: tatu, galinha d’Angola, galos e juriti (uma espécie de pombo). O segundo é
que Odé Inle come sempre junto com uma Oxum, ficando o assentamento desta Oxum, embaixo do de Inle.
Esses são apenas "dois", dos muitos detalhes da fundamentação de Erinle. Mas veja bem: "dois
importantíssimos fundamentos do Culto deste poderoso Orixá"... e que quando bem cuidado traz muita
coisa boa, tanto para o filho, quanto para o Ilê Axé.
DANADANA
Tem fundamento com Exu, Ossaim, Oxumarê e Oyá. É ele o Orixá que entra na mata da morte e sai sem
temer ÉGÚN e a própria morte. Veste azul claro. Dáná-dáná: Literalmente, o caçador acendeu o fogo;
quando termina a sua caçada ele acende o fogo para cozinhá-la e preparar sua refeição. Danadana quer
dizer aquele que ateou fogo ou roubou, um epíteto dos mais perigosos dados ao caçador. Danadana é um
Odé difícil de lidar, por isso muitos Sacerdotes não gostam de iniciar pessoas para este Caminho.
AKUERAN OU AKERAN
Tem fundamento com Oxumarê e Ossaim, e ainda com Iemanjá Sobá, Xangô Aganjú e Oxalá. Muitas de
suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se
de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azuis claras. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tira-
se as penas e solta-se o bicho.
Akueran é um Odé que quando bem fundamentado, traz muita prosperidade tanto para a Iyawo, quanto
para o Ile Asé.
AKÚERAN ou AKERAN é um título de um determinado caçador, cujo o qual foi divinizado transformando-se
em ODE AKERAN. Este “caçador ancestral” é o único reverenciado nos Ritos do ÌPADÉ cerimônia de caráter
privado, no qual é denominado de ESA'KERAN. Alguns dos antigos dizem que este era o único caçador que
fornecia “alimento” aos ÒRÌSÀ FUNFUN e que foi o primeiro a receber das mãos de OBÀTÁLÁ o ÌRÙKÈRÈ –
símbolo dos sacerdotes e reis.
A tradução do nome Akueran aparece de duas formas, primeiro como a união de Eku (rato) e eran (carne),
ou seja, aquele que come rato, ou Okê (montanha), eran (carne), aquele que traz a carne das montanhas.
Eu sigo a segunda tradução. Akeran tem fundamento com Ogum e Exu, seu aspecto na natureza é
representado pela mata ao pé de uma grande montanha, ou mesmo o cerrado.
AKUERAN: Um título que faz referência ao fato de se matar a caça, é o que faz todo caçador. Velho, come
carne crua, culto realizado na madrugada. Tem fundamento com Oxumarè, Osónyín e Exu. Muitas de suas
comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura, ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de
azul claro e tiras vermelhas OU Veste branco e azul e como a lenda cita, ele usa muitas peles grossas.
Carrega o Ofá e o iruquere suas contas são azuis claras. Seus bichos são: papagaio e arara, tira-se as penas e
solta-se o bicho. Senhor do couro dos animais grudados nas paredes das casas de ásé, representando que
ali houve um sacrifício e que ali, houve alimento para a sociedade.
Akueran e Ogum:
Diz a lenda, que Ogum Olodé (chefe dos caçadores), tinha um irmão que mais tarde seria chamado
Akueran, e eram inseparáveis, contudo, Ogum observava que seu irmão, era frágil e muito dependente.
Ogum decidiu procurar Exu, famoso por fazer o certo virar errado, o errado virar certo, ele sabia que o
senhor dos caminhos iria dar um conselho assertivo. E assim foi, Exu disse a Ogum que deveria levar
Akueran até a mata mais escura e deixá-lo sozinho, mas que além disso, limpasse os rastros que davam o
caminho de volta e fazer falsos rastros para a subida da montanha, assim ele não voltaria tão cedo. Ogum
ficou pasmo e perguntou a Exu, porque fazer tal maldade, então que Exu disse:
- O menino só irá crescer, se tiver que enfrentar os perigos sozinho, longe de você Ogum, a montanha
ensinará a ele como ser um grande caçador, acredite!
Ogum então seguiu o que Exu disse, e levou o irmão a uma caçada ao pé da montanha, e assim o deixou,
Akueran sem saber o que estava acontecendo, ficou perdido, com medo, e teve que colocar em prática
tudo que Ogum havia lhe ensinado, a cada passo que subia a montanha o vento ficava mais gelado, e ele
tinha que caçar animais que a pele fosse mais grossa, para que pudesse sobreviver, ao chegar ao alto da
montanha Exu estava esperando, e então o jovem caçador perguntou:
- Ele não te deixou sozinho, ele deixou você com tudo que ele te ensinou, você entrou na mata um menino
e agora é um homem.
Akueran entendeu e de cima do monte viu sua tribo, e assim retornou, onde sentou ao lado de Ogum que
lhe entregou o título de Olodé e Akueran reinou como chefe dos caçadores.
Akueran é cheio de mistérios, em certos momentos, aparece também como o pescador de grandes peixes,
seria ele quem teria guiado Iemanjá pelas matas quando ela fugia de Olofin e por isso ela teria dado a ele
uma concha que refletia a maldade dos inimigos.
Veste branco e azul e como a lenda cita, ele usa muitas peles grossas. Odé Akueran por ser ligado a Ossaim
come bode, porco e gosta de fumo de rolo.
OTIN
Caçador confundido com Oxóssi, sua lenda o identifica ora como uma caçadora ora como um caçador,
contudo sua ligação com Oxóssi é fato, Otim se apresenta sempre junto com ele a ponto de confundi-los.
Guerreiro(a) e muito parecido com seu irmão Ogum, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito
manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente, está sempre pronto a sacar sua arma quando provocado.
Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, contas azuis,
leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a Ogum. Sua energia se volta
para fortalecer os relacionamentos, incentivar o espírito de luta pela obtenção daquilo que precisamos
para a manutenção das necessidades elementares e para a cura de problemas pulmonares especialmente a
pneumonia. Junto com o orixá Odé responde pela fortuna, pois se encarregam de alimentar o corpo que dá
sustentação ao emocional. Sob o axé de Otim encontramos a sensibilidade e o misticismo, o intuitivo e o
carismático. Cor: Azulão / Azul Claro. N°: 8 Dia da Semana: 6ª Feira. Rege: Pulmão. Banho: Eucalipto, erva
cidreira e erva doce.
MUTALAMBO
Origem bantu. Tem fundamento com Pambunjila e Gongobila. É um caçador jovem e come com Lemba e
Dandalunda.
GONGOBILA
É um caçador jovem de origem bantu. Tem fundamento com Lemba e Dandalunda.
KOIFÉ
Não se faz no Brasil e na África, pois muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano
recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma
lança. Come com Ossaim e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis clara,
usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se KOIFÉ e faz-se YBO,
INLÉ ou Oxum Kare. Trinta dias após, faz-se toda a matança.
AROLÉ
Propicia a caça abundante. É invocado no IPADE. É um dos mais belos tipos de Ode. Um verdadeiro rei de
Ketu. As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas
águas, apreciando sua beleza. Come com Ogum e Oxum. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil
na arte de caçar.
WAWA OU WARA
Vem da origem dos Orixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro
selvagem. Come com OXALA e XÀNGÓ, pois dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está
extinto, assenta-se ele e faz-se AIRÁ ou OXUM KARÉ. Não se tem notícia do seu culto no Brasil.
WALÈ OU JULE
É velho e usa contas azul clara. É considerado como rei na África, pois seu culto é ligado, diretamente, a
pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois as considera chatas, falam
demais, são vaidosas e fracas. Come com Exu e Ogum. Não se tem notícia de seu culto no Brasil.
Conhecido por muitos como Ologunede, seria o chefe de guerra de Ede; título ganhado quando seu pai o
entregou aos cuidados de Ogum; Olo = senhor; gun = guerra, Ede = um lugar na África. É filho de um outro
caçador chamado Erinlé/Inle tendo como mãe Oxum Iponda. O posto de axogum, a priori, surge desse mito
que o liga a Ogum companheiro de seu pai. Possui outros nomes como Omo Alade, ou seja, o príncipe
coroado. Não há qualidades de Logun como acreditam alguns, tais como locibain, aro-aro, etc., são apenas
nomes tirados de cânticos, aliás, aro quer dizer tanta coisa menos nome de orixá. O nome Ibain é de um
outro caçador homenageado nos cânticos de Ologun, esse caçador inclusive é o verdadeiro proprietário
dos chifres tão importantes no culto. Oba L'Oge é um outro nome para esse orixá. É da região de Ijexa.
Por ocasião da submersão da Floresta Africana, aquele jovem menino foi deixado para trás e Iyá N'ilá,
Esposa de Odé Agana que se encontravam em uma copa avistou o moleque assustado, e como tudo a volta
estava sendo tragado pela terra Agana pula e socorre o meninote e o deposita num cesto e o mesmo ficou
sendo criado por ela até aquela data, e por se saber que não se deveria criar filhos que não eram seus era
proibição e lei daquela aldeia, Iyá N'ilá pôs a esconder o meninote até aquela data!
O menino achando que havia sido covarde em fugir e deixar a família à deriva nas mãos daquelas
autoridades e por receio do que poderia acontecer a eles resolveu adentrar a cavalgada o Palácio do rei e
ao frear deixou o Rei estupefato pela destreza e maestria com que cavalgava!
Naquele momento o Rei reconheceu o filho perdido por ocasião da submersão, e então nomeou Odé
Agana o Guardião dos altos da Cidade do Ketu, que é o mesmo Odé Arò que encontramos nos Ogués das
casas de Candomblé pendurados no alto, e dito o Oxóssi que não põe os pés no chão, e a sua esposa
moraria no outro Ogué em qualquer outra parte da casa!
E o menino foi louvado o verdadeiro nome que ele próprio desconhecia "Odé Ogberunjá!!", que daquele
dia em diante não se habituava mais ficar as vistas dos outros, e é por este motivo ser o único Oxóssi que
mora em panela fechada de barro, diferentemente dos demais!
Opaoká Ogberunjá
Opaoká Ogberunjá
Autoria: Babalorisá Mauro T'osun (Ile Alaketu Asé Osun Iyami Yponda)
Beno: Um dos mais antigos. Detalhe tem assentamento em São Paulo, cidade considerada emergente para
tradições do candomblé Ketu, com poucas casas antigas.
Fomin ou Fibole (Fígbolè): Um de seus nomes. Tem fundamento com Iemanjá e Ogum.
Kuedemo: Tem fundamento com Ìrókò e Oyá. Não tem culto no Brasil.
Odenlé ou Okule (Onículè): um caçador menino. Só veste branco e enfeita-se com penas brancas. Onikunle
é um Odé das montanhas.
Ofà: Não é qualidade, significa, “o arco e a flecha do caçador, sendo de Oxóssi o seu principal apetrecho”.
Ylelo ou Marê: Tem fundamento com Oxum (na feitura); com Oxumarê (obrigação de 3 anos) e Iemanjá e
Oxalá.
Onipapo ou Ajapopo: Um dos antigos, tem culto a mais de um século no país. Tem fundamento com Ìrókò
e Iemanjá.
Orisambo (Iysanbò): Possui seu assentamento diferente dos demais. Isambo caminha com Omolu.
Obaunlu: Segundo registro há um assentamento deste orixá aqui no Brasil desde 1616 no axé de D. Olga de
Alaketu é considerado o patrono de Ketu.
Ode Otókan sósó: Não é qualidade, é um Oriki que significa o caçador que só tem uma flecha. Ele não
precisa de mais nenhuma flecha porque jamais erra o alvo. Título que Oxóssi recebeu ao matar o pássaro
de Ìyamì Eléye. Não fazendo parte do rol dos caçadores que possuíam várias flechas, Oxóssi era aquele que
só tinha uma flecha. Os demais erraram o alvo tantas vezes quantas flechas possuíam, mas, Oxóssi com
apenas uma flecha foi o único que acertou o pássaro de Ìyamì, ferindo-o com um tiro certeiro no peito. Por
essa razão é que ele não recebe mel, pois o mel é um dos elementos fabricado pelas abelhas, que são tidas
como animais pertencentes a Oxum, mas, também as Ìyamì Eléye. Então, é èwò (proibição) para Oxóssi. Por
essa razão também, é que se dá para Oxóssi o peito inteiro das aves, como reminiscência desse itã.
Táfà-táfà: O caçador arqueiro, aquele que é exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de Oxóssi.
Tokuerán: fundamento com Xangô Aganjú e Iemanjá Sobá. (seria Akueran?) tókúeran: O caçador é quem
mata a caça, diz-se da atuação do caçador.
Outros nomes ainda encontrados em nossas pesquisas foram: Agbandada, Age, Alapade, Akanbi, Apala,
Asunara, Fayemi, Gendepè, Ibuanun, Kusi, Olumeye, Ondun, Owala e Ofáberàn.
Dãna dãna o homem que fala e guia suas flechas certeiras e venenosas ...
Dãna dãna aquele caçador que traz em seus filhos a realidade dos Fatos o temperamento quente e
explosivo, odeia meias palavras e Quando desafiado só para quando vence o desafio, odeia a vagareza,
caçador de poucas palavras e muita ação. Não estuda seu inimigo, ataca direto sem chance de defesa
Inlé - calmo, observador, e muito preciso quando se trata de fazer Uma boa emboscada, pois ele pode
gastar o tempo que for, mas Ele certamente acertará seu alvo e quando acerta, odeia que haja sujeira,
barulho ou sofrimento, adora estudar a estratégia perfeita Muito perfeccionista.
ORIKI ÒSÓÒSI
Awo `ode ìjà pìtìpà. Omo ìyá ÒGÚN ONÍRÉ. ÒSÓÒSI gbà mí o. Òrìsà a dinà má yà. Ode tí nje orí eran. eléwà
òsòòsò. Òrìsa tí ngbélé imò, gbe ilé ewé. A bi àwò lóló. ÒSÓÒSÌ kì nwo igbó, kí igbo má mì tìtì. Ofà ni mógàfí
ìbon, oo ta ofà sí iná, iná kú pirá. O tá ofà sí oòrùn, oòrùn rè wèsè. Ogbàgbà tí ngba omo rè. Oní màríwò
pákó. Ode bàbá ò. Odè ojú ÒGÚN, O fi kan soso pa igba ènìyàn. Ode nú igbó, o fi ofà kan soso pa igba
eranko. A wo eran pa si ojúbo ÒGÚN lákayé, má wo mi pa o. Má sì fi ofà owo re dá mi lóró. Odè ò, Odè ò,
Odè ò, ÒSÓÒSI ni nbá Odè inú igbo fà, wípé kí ó de igbó re. ÒSÓÒSÌ oloró tí nba ségun, o bá ajé jà, o ségun.
ÒSÓÒSI o. Má bà mi jà o. ÒGÚN ni o bá mi se o. Bí o bá nbò láti oko. Kí o ká ilá fún mi wá. Kí o re ìréré ìdí rè.
Má gbàgbé mi o, Odè ò, bàbà omo kí ngbàgbé omo.
TRADUÇÃO:
Oxóssi! Ó orixá da luta, irmão de Ogum Onire. Oxóssi, me proteja! Orixá que tendo bloqueado o caminho,
não o desimpede. Caçador que come a cabeça dos animais. Orixá que come ewa osooso. Orixá que vive
tanto em casa de barro como casa de folhas. Que possui a pele fresca. Oxóssi não entra na mata sem que
ela se agite. Ofá é a arma poderosa que o pai usa em lugar da espingarda. Ele atirou a sua flecha contra o
fogo, o fogo se apagou de imediato. Atirou sua flecha contra o sol, e o sol se pôs. Ó salvador, que salva seus
filhos! Ó senhor do màriwó páko! Meu pai caçador chegou na guerra, matou duzentas pessoas com uma
única flecha. Chegou dentro da mata, usou uma única flecha para matar duzentos animais selvagens.
Arrasta um animal vivo até que ele morra e o entrega no ojubo de ÒGÚN. Não me arraste até a morte. Não
atire sofrimentos em minha vida com seu Ofá. Ó ODÉ! ó ODÉ! ó ODÉ! Dentro da mata é OXOSI que luta ao
lado do caçador para que ele possa caçar direito. OXOSI, o poderoso, que vence a guerra para o rei. Lutou
com a feiticeira e venceu. Ó OXOSI, não brigue comigo. Vence as guerras para mim, quando voltar da mata,
colhe quiabos para mim, e se os colher, tire seus talos. Não se esqueça de mim. Ó ODÉ, um pai não se
esquece do filho.
OXOSSI NO BRASIL
O culto à Oxóssi tem sua origem em Ikija, perto de Ijebu Ode, onde este Orixá recebe o título de "Rei de
Ketu". A cidade, depois de inteiramente destruída foi anexada ao Império do Dahomé, hoje República do
Benin. Do culto nada mais resta em seu lugar de origem sobrevivendo ainda no Novo Mundo, para onde foi
trasladado durante o tráfico de escravos. Na verdade, segundo informações fornecidas por Pierre Verger,
atualmente já não existem, na África, pessoas que saibam cultuá-lo.
Apesar disso, no Brasil, este Orixá é amplamente conhecido e seu culto é mantido integralmente de acordo
com as adaptações a que foi submetido em decorrência do novo ambiente onde se instalou. No Brasil, país
dotado de florestas imensas, de fauna riquíssima, não foi difícil a adaptação de um Orixá ligado
exclusivamente às matas e à caça.
Na Umbanda, corrente religiosa onde conceitos de religiões aborígenes, católicos e de culto aos Orixás são
mesclados, Oxóssi representa genericamente os Caboclos, espíritos de indígenas desencarnados que
cumprem missões que lhes foram determinadas.
No Brasil conhece-se diversas "qualidades" deste Orixá, dentre as quais destacamos Akueran, Karê,
Ibualamo, Inlé, etc.
Nas tradicionais casas de origem nagô, seus colares ritualísticos são confeccionados com contas azul-
turquesa. Seu ritmo predileto é o aguerê que dança imitando gestos de um caçador em ação, carregando
nas mãos um ofá – arco e flecha de ferro – e um chicote confeccionado com rabo de boi.
Oxóssi aceita, em suas oferendas, todo o tipo de caça, além de cabritos e frangos. Gosta de frutas, espigas
de milho, coco fatiado e um de seus pratos prediletos é o axoxô, feito com milho, amendoim torrado e
fatias finas de coco.
Considerado filho de Iemanja e Oxala é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os espíritos dos
antepassados. Tem a virtude de dominar os espíritos da floresta. Ocupa um lugar de destaque nos
Candomblés em Salvador, isto porque é o patrono de todos os terreiros tradicionais.
Oxóssi é o único Orixá que entra na mata da morte, joga sobre si uns pós-sagrados, avermelhados,
chamados AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune à morte e aos EGUNS. Sendo
ele um rei, carrega o ERUQUERE (espanta moscas) que só era usado pelos reis africanos, pendurado no
saiote. Come com Exu e mora do lado esquerdo, onde está situado toda a sua força. Ele é um EBORÁ da
esquerda. Cura-se e raspa-se pelo lado esquerdo. OLODÉ é o Exu de Oxóssi e come pelo lado esquerdo.
OXÓSSI NO CARIBE
Em Cuba, onde o Culto de Orunmilá é mantido quase que integralmente, Oxóssi ocupa lugar de destaque
e, na Santeria cubana é um dos Orixás mais reverenciados.
A importância deste Orixá é tão grande no culto de Ifá que, sempre que alguém é iniciado, quer seja como
awofakan, quer seja como apetebí, recebe o seu assentamento junto com o de Ogum. Oxóssi faz parte,
junto com Ogum, Elegbara e Oxum do quadro de "Santos Guerreiros" que todo o iniciado em Ifá possui
para sua defesa.
Temos informações da existência de pelo menos seis "qualidades" de Oxóssi cultuadas pelos santeros de
Cuba, são elas:
Oxossi Adebi.
Oxossi Bi.
Oxóssi Gurumiyo.
Oxóssi Ode.
Oxóssi Odeode.
Oxóssi Odemata (Dono das prisões e dos animais selvagens).
Em Cuba todos os instrumentos relacionados à caça e à pesca são considerados atributos de Oxóssi e seus
colares ritualísticos são feitos com contas azul-da-Prússia intercalada de gomos em gomos por uma firma
de âmbar. O fechamento é feito com quatro búzios alternados de dois em dois por uma conta de âmbar.
Em alguns casos o âmbar pode ser substituído por corais.
Naquele país cultua-se também Ague, Vodum de origem fon que corresponde ao Oxóssi nagô e que, por
sua origem é cultuado pelos ararás, embora o seja também raramente, pelos lukumís.
Em Cuba as ervas deste Orixá são:
Mano poderosa,
Peregun,
Cardo santo
Jaguey
Piñon africano,
Coralillo,
Alacrancillo,
Mango macho,
Prodigiosa,
Itamo real,
Tuna,
Hierba fina,
Manaju,
Mangle rojo,
Aguinaldo Blanco,
Zarza blanca,
Mamoncillo, etc...
Entre os Cubanos a distinção entre Oxóssi e Inlé é observada com perfeição. Para eles, Inlé, apesar de ser
também um caçador, é considerado o Orixá da medicina. Segundo afirmam, Inlé, o médico, aplica os
remédios produzidos por Ossaim, o farmacêutico.
Para eles Inlé possui uma família composta de sete membros que seriam, na verdade, manifestações
diferenciadas do Orixá. São eles:
1. Oruko Irunmole – Nomes pelo qual este Irunmole é mais conhecido entre os outros irunmole, ou seja, o
nome de Oxóssi no orun é Igba-Keji Ogun (secundário de Ogum) e é também chamado de Orixá Ode
Aperan (orixá caçador de animais).
O caçador de bichos deve fazê-lo quando colocado a prova por algo que dizem que fez. Ele faz o juramento
em nome de Ogum e Oxóssi em uma única vez, dizendo a seguinte frase: “SE EU ESTOU MENTIDO QUE
OSOOSI ME MATE, SE NÃO ESTOU MENTINDO QUE OGUN O MATE."
Isto significa que qualquer coisa usada para jurar em nome de Oxóssi ou Ogum devem ser coisas
verdadeiras, da mesma forma no caso de coisas negativas, de forma muito rápida a resposta acontece.
Os Yorubas também creem que esse Irunmole é para Ogum como um vigilante, pois é ele quem Ogum usa
para vigiar os caçadores de animais na floresta. Os caçadores de animais gostam de fazer a imagem de
Oxóssi em suas propriedades (objetos), sempre colocam um pequeno ere (imagem) de Oxóssi em seu
chapéu ou roupas quando saem pra caça. Acreditam também que Oxóssi é um grande protetor para si,
assim como Ogum.
Comumente na África é assentado junto com Ogum devido à relação dos dois Irunmoles, portanto, as
coisas utilizadas para Ogum também podem ser usadas para Oxóssi. Com a identificação do Orun e do
Mariwo Paako.
As mulheres podem cultuar e fazer parte da Egbe Oxóssi, porém, o transe do orixá deve ocorrer em
homens e nunca em mulheres, e estas se insistirem em entrar em transe em Oxóssi terão muitas
desventuras na vida assim como acontece no caso de Ogum.
Somente os caçadores de animais mais velhos e seus chefes são chamados de Baba Ogum.
7.4 Obí
7.7 Elede - Porco (com o cuidado de não ter havido resposta em Irosun)
Semanalmente – É cultuado no terceiro dia da semana, junto com Ogum, feito pelos cultuadores de Ogum
que são os mais velhos caçadores de animais. De vez em quando santificar o chão com o feijão torrado sem
dendê.
Sob consulta ou indicação – Através da pessoa que cultua, pelos sonhos (sendo confirmado pelo Oraculo)
ou através do oráculo mesmo, Oxóssi quem escolhe os elementos e o lugar a ser feita a oferenda, mas
geralmente contem ewa Ososo.
Festa – Feita junto com Ogum, com diferentes elementos de culto, o Baba Ogum e o Oluwode (líder do
culto de Ogum) são quem fazem as oferendas.
Ewa Ososo: Feijão fradinho torrado sem dendê - coloca-se o feijão para aferventar e assim ele cresce um
pouco no tamanho. Cuidado para não cozinhar, apenas levemente aferventar. Colocar em panela de ferro e
tostar.
Observação: Oxóssi não tem a ver, ou melhor, não é a mesma coisa que Orixá Erinle e os vários Ibu do rio:
Erinle, nem Ija, Logun, Otin, Oreluere, etc. Oxóssi é único, não existe as tais qualidades, quem quiser as
faça mas estará fazendo besteira, uma vez que temos que levar em consideração que Oxóssi é um orixá da
cidade de Ikire e cultuado antes de qualquer lugar no mundo em terras Yoruba.
Oriki Oxóssi
IBA ODELADE OSOOSI
FUN MI NI ABO RE TO NI
WA SOMI DI OLORO.
ÀSE TI ELEDUNMARE
ELEDUNMARE ASE
Tradução
Oxóssi eu te saúdo.
Ode que tem cachorros que matam owe (um animal) e os macacos,
Você que guarda a morte em casa, favor não me deixe ver você de
mau humor,
Me dê a paz,
Oxóssi então disse-lhe: Senhor dos aflitos, ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por
diante eu conseguir, comeremos juntos. OMOLÚ agradeceu e seguiu seu caminho. Então Oxóssi jurou que
nunca mais comeria o mel, pois o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho. Por isso Oxóssi
não leva mel e LOGUNEDE é lavado com açúcar mascavo e gengibre.
Toda pessoa de LOGUN tem que assentar AZOANI. Tem que ter um pedaço de colmeia para quando
LOGUN chegar, depois enrola-se num morim e joga-se no rio. Também é proibido aos filhos de LOGUN
comerem palmito, fígado de boi e caças.
OGUM E OXOSSI
Segundo os maiores da religião, OGUN e OXÓSSI têm uma forma muito similar de serem adorados.
Um Pataki do ODÚ IFÁ OGUNDA MASÁ, explica como OGUN foi se consultar com ORUNMILÁ quando
estava tendo problemas para caçar. Quando ele via um animal, começava a abrir caminho com seu facão
para chegar até onde este estava, mas quando chegava, o animal havia fugido.
ORUNMILÁ então recomendou que ele realizasse algumas oferendas e sacrifícios e assim ele fez. O destino
dessas oferendas era a árvore mais alta da mata.
Por outro lado, também OXÓSSI foi procurar ORUNMILÁ para se consultar com IFÁ. OXÓSSI passava por
uma situação similar à de OGUN, mas no caso dele, via a presa, ele atirava uma flecha e ainda assim a mata
fechada o impedia de atingir a caça.
ORUNMILÁ também o recomendou fazer oferendas e sacrifícios e o destino dessas oferendas também foi a
árvore mais alta da mata.
Tanto OGUN quanto OXÓSSI foram colocar suas respectivas oferendas e se encontraram debaixo da tal
árvore. Quando conversaram sobre os problemas pelos quais ambos foram procurar ORUNMILÁ, e então
fizeram um pacto no qual OXÓSSI se encarregaria de caçar e OGUN em abrir o caminho para chegar até a
presa. Desta forma os dois juraram permanecer unidos para sempre e compartir o fruto de seus ganhos.
OXÓSSI é um ORIXÁ guerreiro e sempre guerreou em todos os lugares. No entanto, ele não gosta de
barulho, vozes altas, palavras que incitem a guerra diante dele. OXÓSSI é muito poderoso e não cumprir
com essas determinações pode acarretar alguns problemas à casa onde ele está sendo venerado. Não se
pode ficar movendo OXÓSSI de um lado ao outro. Por essa razão é que OXÓSSI deve estar em um só lugar
para que nos escute bem. São inúmeros ODÚS que falam sobre OXÓSSI, por ser um ORIXÁ muito popular
dentro da Escritura de IFÁ, mas o que mais se destaca é OSHE POLOKANA porque foi o ODÚ que ele
escolheu para baixar à Terra.
OLOGUN E APASHA
Vivendo em Iyagba, que fica ao Norte, havia um caçador chamado Ologun cuja fama se espalhava por
muito longe até mesmo na terra dos Nupe. É dito que quando Ologun ia caçar ele era tão rápido quanto o
antílope que ele perseguia, e nenhuma caça no ermo podia escapar-lhe. Ologun tinha um irmão caçula
chamado Apasha. Apasha ouvia os homens elogiarem Ologun, e ele mesmo ansiava ser um caçador. Muitas
vezes ele disse a Ologun, “Eu irei contigo à caça”, mas Ologun sempre respondia, “Não, eu sou um caçador
que caça sozinho. Que assim seja.” Assim mesmo Apasha persistia. Ouvindo os homens elogiarem Ologun
ele foi afligido pela inveja.
Ologun não se enraivecia com Apasha. Ele dizia, “Irmão caçula, seu tempo há de chegar. Você também será
um grande caçador. Então você entenderá porque eu caço sozinho. Eu mato um veado, eu corro. Eu mato
um antílope, eu não paro. Eu persigo um leopardo, faço a matança, e prossigo a perseguição, uma criatura
do mato após a outra. A corrida é grande, e não termina até que o sol comece a se pôr no céu. Então eu
volto, tiro a pele do leopardo, volto e corto meu antílope, volto e pego meu veado. Um homem caçando
sozinho sabe o caminho, dois homens caçando juntos discutem sobre qual caminho seguir, ou sobre
perseguir o macaco ou o rato-do-mato.”
Havia um ressentimento no coração de Apasha causado pelas grandes habilidades de caça de Ologun. Ele
de tempos em tempos sempre importunava Ologun, algumas vezes chegando a dizer, “Eu sou seu irmão
caçula, ensine-me a arte da caçada,” e outras vezes dizia com raiva, “O mais velho tem medo do mais
novo.”
Até que Ologun disse para Apasha, “Muito bem, vamos caçar juntos. Prepare-se. Prepare sua lança e seu
arco. Amanhã nós iremos à mata. Perseguiremos os animais selvagens. O animal que você ver primeiro,
sera seu. Se houverem dois animais juntos eu ficarei com um, e você com o outro. Mas nós não iremos
‘grudados’ feito gêmeos. Onde quer que sua presa vá, persiga-a. Onde a minha for, eu persegui-la-ei.
Quando o sol se pôr no céu nós iremos retornar e reunir nossas carnes.”
Então Apasha preparou-se. Ele pegou suas flechas e ajustou seu arco. Ele afiou sua lança e sua faca. Ele
dormiu. Ologun dormiu. Eles acordaram quando o céu apresentou uma tênue luz. Eles partiram para a
mata, e quando o sol apareceu, eles já estavam longe da cidade. A princípio eles não viram caça alguma
nem rastros de animais. Até que Ologum avistou um veado e seguiu-o prontamente, com Apasha correndo
atrás dele. Ologun pegou o veado e o matou. Apasha ainda não o tinha alcançado. Quando Apasha chegou,
Ologun já estava atrás de um antílope. Quando Ologun havia matado seu antílope Apasha ainda não tinha
chego ao lugar. Ele chegou.
À distância ele avistou Ologun correndo atrás de um leopardo. Apasha nunca havia corrido tanto assim em
sua vida. Foi tomado por uma imensa sede. Então o orisha Eshu estava na mata. Ele viu os caçadores indo
aqui e acolá. Ele viu Ologun parar em um certo riacho e beber, e lá longe ele viu Apasha vindo. Eshu foi até
o riacho. Ele agitou a água, tornando-a barrenta e imprópria para beber. Quando Apasha chegou ao lugar
sua sede o atormentava. Mas ele não pôde beber a água pois estava suja. Com raiva ele disse a si mesmo,
“Meu irmão fez isso de propósito.” Ele partiu.
Ologun abateu seu leopardo. Ele continuou correndo, perseguindo um javali. Ele foi até um riacho. Ali ele
rapidamente matou sua sede e prosseguiu sua caçada. Eshu foi até a água e a remexeu, tornando-a
imunda. Quando Apasha chegou ele procurou por um bocado de água limpa para beber, mas nem um
pouco era potável. Sua raiva contra Ologun aumentou dentro dele. Ele disse, “Ologun quer tornar minha
vida insuportável. Ele bebe, e me priva água.” Ele partiu.
Ologun matou seu javali. Matou um macaco. Matou um buffalo. Novamente ele veio até um riacho e
bebeu. Após sua partida, Eshu veio e agitou a água tornando-a intragável. Quando Ashapa chegou ele
percebeu que a água tinha sido recentemente enlameada. Embora sua sede era maior que antes, ele não
podia bebê-la. Encheu-se de raiva e amargura. Ele voltou para trás, dizendo, “Meu irmão me quer morto no
ermo.” Ele retornou ao lugar onde Ologun havia abatido o veado. E ali ele esperou.
Quando Ologun terminou sua expedição de caça ele também retornou. Onde quer que ele havia deixado o
corpo de um animal, ele parava e cortava a carne. Ele cortou seu búfalo e esticou o couro em uma árvore.
Cortou seu rato-do-mato, seu leopardo, e seu antílope, deixando suas peles nas árvores. Ele chegou ao
local onde tinha apanhado o veado, e ali despiu-se de suas armas. Ele viu Apasha sentado lá. Ele disse,
“Apasha, meu irmão. Pelo caminho eu procurei por um sinal seu, mas você não estava visível para mim.”
Apasha levantou-se. E nada disse. Ele atirou sua lança em Ologun e o matou. Ele pegou o veado e começou
sua jornada de volta à cidade. No caminho ele encontrou Eshu sentado na trilha e segurando seu cajado. O
cajado estava molhado e sujo de lama. Eshu disse, “Se você tem sede, beba,” e ofereceu a Apasha uma
cabaça cheia de água lamacenta.
Ao que Eshu respondeu, “Esta água é pior que a que você teve acesso durante sua caçada?”
Apasha ficou sem palavras. Ele finalmente percebeu que não fora Ologun quem sujara os riachos, mas
Eshu, que ele havia confundido as intenções de Ologum. Apasha prosseguiu mais um pouco. Ele parou. Ele
disse, “Como poderei retornar à Iyagba? Meu irmão mais velho não desejou nada além do melhor para
mim, e mesmo assim eu o assassinei. Ele foi um grande caçador. O que os homens diziam dele era verdade.
Somente eu, o irmão caçula, presenciei a grandiosidade de Ologun. Nenhum outro homem testemunhou
suas habilidades de caça além de mim. E mesmo assim eu não posso voltar para contar sobre isso. Como eu
poderia dizer, “Sim, Ologun era mais rápido que o antílope e mais feroz que o leopardo’? Como eu poderia
dizer, ‘Ologun foi o mais brilhante dentre todos os caçadores, ele está morto, pois eu mesmo o matei com
minha lança’? Minha vergonha e meu pesar são muito grandes para suportar. Eu prefiro permanecer aqui
no ermo.”
Apasha jogou o veado no chão. Ele voltou onde o corpo de Ologun estava caído. Ele sentou. E disse,
“Ologun, meu irmão mais velho, aqui permanecerei para sempre.”
E assim Apasha o fez. Ele nunca se moveu desse lugar. Ele transformou-se num montículo de terra. E
quando isso aconteceu, Ologun tornou-se numa fonte, da qual água límpida fluiu para que Apasha pudesse
beber.
Obs.: Na narrativa de Ologun e Apasha fica, à primeira vista, um tanto velado o motivo de Esu ter
ocasionado o infortúnio de Apasha e a subseqüente ‘morte’ de Ologun.
Isso é estranho porque sabemos que Exu não é mal, a maldade pode ser executada por Exu mas como
consequência de um ato injusto ou alguma falta de outrem, assim como a bondade (Odara) é por Ele
veiculada àquele que não incorre no erro.
Entretanto uma análise mais cuidadosa logo revela a causa motora da fatal traquinagem de Exu.
Antes dos dois irmãos partirem à caçada eles haviam concordado em não seguirem o caminho um do
outro. Mesmo assim Apasha seguia Ologun a cada empreitada deste.
A incoerência de Apasha o fez sedento e Exu vendo que esta sede era consequência de uma palavra não
cumprida não poderia permitir que ela fosse saciada assim tão rápido, meio que como uma chance de
Apasha refletir e perceber que se seguisse seu próprio caminho as coisas seriam diferentes.
Enquanto Apasha fora eternizado como um montículo de terra, a representação de seu derradeiro destino,
Ologun por virtude de sua inocência e nobreza tornou-se um rio, a perpetuação de suas qualidades de
generosidade e excelência enquanto homem.
Ologun e Eyinlé tiveram no Brasil e em Cuba, respectivamente, suas identidades matizadas com nuances de
androginia, muito provavelmente devido a uma interpretação errônea decorrente do fato de ambos terem
tido sua apoteose, isto é tornaram-se iwin/orixá, ao transformarem-se em rios ou nascentes, algo em
comum com divindades femininas muito populares, e justamente essa popularidade pode ter pesado nessa
associação, porque transformar-se em rio era algo marcadamente próprio das Iyagbas fez com que na
diáspora se desse essa atribuição equivocada aos dois.
Eru Awo é uma das saudações de Logun-Édé, em Ioruba 'rú' significa brotar, feito água ou vegetação. E ru
Awo: Ele brotou do Mistério, Ele brotou admirávelmente (a wo).
Fonte: Conto Yoruba da Nigéria, por Harold Courlander, Olode o Hunter NY 1968.
Depois de um certo tempo, cada vez que INLÉ chegava em sua casa queria fazer amor com ÓBA.
Esta lhe dizia que se sentia mal e que não queria fazer nada. Então INLÉ, já cansado desse acontecimento,
foi à Casa de ORUNMILÁ para lhe pedir conselhos e este lhe disse:
Se está assim, deixe essa mulher, pois contigo ela não é feliz e quiçá encontre outro homem que a faça
feliz.
E o que faremos com nossa filha OSIÁ? Deixe-a com sua mãe, disse ORUNMILÁ.
Depois disso, ÓBA conheceu SHANGÓ e antes de se casar com ele, já vivia maritalmente.
Numa noite, OSIÁ se levantou porque não dormia bem e foi a chamar sua mãe e viu o homem que estava
com sua mãe fazendo amor e esta ficou horrorizada e deu um grito de terror.
ÓBA se casou com SHANGÓ para quitar essa vergonha com sua filha, mas o mal já estava feito e a menina
ficou abalada psicologicamente. Passou a ver fantasmas e chegaram os ARAJÉS da noite e a faziam ter
pesadelos.
A menina cresceu e se casou com um homem muito bem sucedido que era muito feiticeiro.
Ela pensou que sua vida havia mudado, mas este homem começou a fazer amor com ela e o trauma, já
esquecido, começou de novo a renascer com mais força e os ARAJÉS a dominar sua mente ao ponto de
deixá-la frígida.
Seu esposo com desejos de dominá-la, passava unguentos por seu ventre.
ABATA, a esposa de seu pai, que era muito curandeira, ao ver OSIÁ tão abatida lhe disse:
ABATA envolta em seu vaporoso véu azul, saiu com a menina da lagoa e a levou à Casa de ORUNMILÁ para
que este a consulta-se com IFÁ e este lhe disse que todos os seus males provinham de uma impressão da
sua infância e que era necessário que ela se separasse de seu marido que era um vicioso e malvado
feiticeiro e que deveria fazer alguns sacrifícios para apagar de sua mente o trauma que adquiriu quando viu
o que sua mãe fazia no passado.
Além do que OZAIN EWEYELE, que andava com ORUNMILÁ, lhe preparou um unguento para afastar dela os
ARAJÉS.
Então ela foi viver junto a seu pai INLÉ e a esposa dele ABATA, voltando a ser uma mulher completa,
vencendo assim todos os seus males, graças a ORUNMILÁ.
Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o
acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura.
De repente, um grande pássaro, (èlèye), pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e
lançando fardas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem
oferecido uma parte da colheita as Àjès (feiticeiras, portadoras do pássaro), personificando seus poderes
através de Ìyamì Òsóróngà.
O Oba então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si,
errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas.
Chamaram desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também
desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro.
Ainda foi convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o
guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra
o pássaro encantado e nada aconteceu.
Por fim, já com todos sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de
apenas uma flecha.
Sua mãe Iemanjá sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a
não ser uma oferenda, vez que três dos melhores caçadores falharam em suas tentativas.
Iemanjá foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Foi consultar os Babalawo. Eles disseram que faça oferendas.
Eles dizem que Iemanjá prepare ekùjébú (grão muito duro) naquele dia. Eles dizem que tenha também um
frango òpìpì (frango com as plumas crespas). Eles dizem que tenha èkó (massa de milho envolta em folhas
de bananeira). Eles dizem que Iemanjá tenha seis kauris. Iemanjá faz então assim, pediram ainda que,
oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção. Eles dizem que ofereça em
uma estrada, dizem que recite o seguinte:
Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abria sua guarda
recebendo a oferenda ofertada por Iemanjá, recebendo também a flecha certeira e mortal de
Òsotokànsosó.
Todos após tal ato começaram a dançar e gritar de alegria: "òsóòsì! òsóòsì!" (caçador do povo).
A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e
carrega seu título até hoje: Òsóòsì.
II
Desrespeitando a proibição de caçar num determinado dia, não cumprindo assim a determinação de Ifá,
Oxóssi seguiu seu caminho em direção à floresta. Oxum, sua esposa, cansada de tanto ver seu marido
quebrar os tabus, abandonou o caçador.
"Eu não sou bicho de penas para ser morta por você!".
Obstinado Oxóssi encontrou a serpente, atravessando-a com sua lança e partindo-a em vários pedaços. No
caminho de volta, Oxóssi continuou escutando o mesmo canto.
Ao chegar em casa, foi para a cozinha e preparou uma iguaria com o fruto de sua caça e, como sempre
estava faminto, devorou-a rapidamente.
Na manhã seguinte Oxum retornou à casa para ver como estava o caçador. Para seu espanto encontrou
Oxóssi morto, caído no chão e ao seu lado um rastro de cobra que se alongava até a entrada da floresta.
Desesperada Oxum procurou Orunmilá que ouviu seu pleito, fez renascer Oxóssi como orixá protetor de
todos os caçadores e transformou Oxum num rio sagrado.
III
Conta-se no Brasil que Oxóssi era o irmão mais jovem de Ogum e Exu, todos três filhos de Iemanjá. Exu,
por ser indisciplinado, foi por ela mandado embora. Ogum trabalhava no campo e Oxóssi caçava nas
florestas vizinhas. A casa encontrava-se, assim, abastecida de produtos agrícolas e caça.
No entanto, um Babalaô alertou Iemanjá para o risco de Osanyín, aquele que possuía o conhecimento das
virtudes das plantas e vivia nas profundezas da floresta, enfeitiçar Oxóssi e obrigá-lo a ficar em sua
companhia.
Iemanjá ordenou então ao filho que renunciasse às atividades de caçador. Ele, porém, de personalidade
independente, continuou suas incursões pela floresta.
Tendo encontrado Osanyín, que o convidou a beber uma poção de folhas maceradas, caiu em estado de
amnésia. Ficou, pois, vivendo em companhia de Osanyín, como previra o Babalaô.
Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta.
Ele o trouxe de volta, mas Iemanjá irritada, não quis receber o filho desobediente.
Quanto a Oxóssi, este preferiu voltar para a floresta, para perto de Osanyín.
ERVAS DE ODE
Jaborandi, São Gonçalinho, espinho cheiroso, alecrim do campo, maminha de vaca, abre caminho, alfavaca,
saião, ingá, acácia jurema, alecrim caboclo, arruda miúda, bredo de Santo Antônio caiçara, erva curraleira,
aperta Ruão, groselha (folhas), pitanga, rabo de tatu, patchuli (folhas) e língua de vaca.
INVOCAÇÃO DE OXÓSSI
Òsósii ode maa ta ata, Esi dúró ni, dúró maa ta
Alawo meren
Isiman
Adoro dun
Ágüe e um ko e um ko
Aja pan guele á
Kon bo miun
ORIN ODE
Oju oro
Ni nwole de omi o
Osibata
Ni nwole de odo
Omo-ode ma nsawo lo
Ng o pada wa sile o
Ode wole de mi o
Emi ma nsawo lo
Ng o pada wa sile
É OJU ORO
É OSIBATA
OMO-ODE está saindo para fazer AWO assim como saiu, voltarei pra casa.
CANTIGAS DE ODE
Eleoabrequete o abrequete oara.
TOQUE (IJEXA)
keve keve
koque maior
ia coro
erun mole
Odé comorodé
Odé arere
Odé arere
Odé omota.
Odé omata.
Ajacuna pamirô ajacuna ajacuna pamirô o ajacuna olemote emote afarireo ajacuna pamirô.
Responder: Ajacuna jamirô ajacuna ajacuna pamirô o ajacuna olemote emote afarireo pamirô.
Odé pamilaro.
Cecarelê cacarelê.
Otim e ae.
Responder: E ae.
Otim acarô.
Responder: Acorô.
Otim abeçu.
Responder: Acorô.
Eloamachite adibeô.
Beni beni seodéo beni beni seodéo acacao dão cunfarerê beni beni seodéo.
Responder: Beni beni seodéo beni beni seodéo acacao dão cunfarerê beni beni seodéo.
E a coquino quê.
Ogum béo.
E edipê.
Responder: Adioê.
Adioelo.
Responder: Adioelogum.
Responder: Otim.
1(AGUERÊ)
Abastado senhor que faz barulho com os pés como se fosse muitas pessoas ao redor
Ele faz muito barulho com os pés como se fosse muitas pessoas ao redor
3(AGUERÊ)
O filho do caçador origina-se das folhas de Iroco, Origina-se da beleza e poder das florestas
O filho do caçador origina-se das folhas de Iroco, Origina-se da beleza e poder das florestas
O filho do caçador origina-se das folhas de Iroco, Origina-se da beleza e poder das florestas
4(AGUERÊ)
Senhor da terra, faça com que estejamos bem e dê-nos licença nas matas senhor da terra
Senhor da terra, faça com que estejamos bem e dê-nos licença nas matas senhor da terra
5(AGUERÊ)
Grande senhor proprietário das folhas, grande senhor das folhas e pai
6(AGUERÊ)
Odé ki a mó dódé odé ki a mó dódé odé a rerê
Caçador que nos faz saber como ir à caça, caçador que nos faz saber como ir a caça, nosso bom caçador
ni mauô
(cumprimento de governante)
Caçador que nos faz saber como ir a caça e senhor que nos favorece [...]
7(AGUERÊ)
8(AGUERÊ)
Dê-me licença floresta que Irôco me faça cultuar dentro das tradições e costumes dos Irunmalé
Dê-me licença floresta que Irôco me faça cultuar dentro das tradições e costumes dos Irunmalé
9(AGUERÊ)
Seu arco e flecha são adequados e convenientes para a floresta, para caçar na floresta
Ofá ré ié ié có xé ómódé
10(AGUERÊ)
11(AGUERÊ)
Ará wá uan nijé ki ofá ré uã ofá ré ié jé ni uan
Dê licença para os de Arô-ilé, ensine a arte da caça a nós que dançamos na mata para você
12(AGUERÊ)
Que faz barulho com os pés como se fosse muitas pessoas ao redor. Ele é o caçador
13(AGUERÊ)
Senhor da humanidade é para o irunmalé das matas que nós dançamos aquele que tem pacto de ajuda
mútua
Ibô si imanlé ki wá jô
IGBA ODE
Igba Oxóssi ou assentamento de Oxóssi como é chamado popularmente pelo povo de santo, são
construídos de duas formas, todavia as duas formas são semelhantes no que se refere a um artefato de
ferro em forma de arco e flecha denominado de ofá e um otá de cor escura.
Diferença
O ofá é fixado numa haste do mesmo metal, com base arredondada para que o conjunto possa ficar em pé
dentro de uma alguidar ou qualquer outro recipiente de barro. A grande diferença é que alguns
assentamentos são confeccionados com uma mistura especial de argamassa, contendo vários elementos do
reino animal, vegetal e mineral como folha sagrada, oguê, iruexin, rabo de tatu, chifre de veado e o ofá
fixado nesta mistura sagrada.
Nota: Todos assentamentos (igba orixá), devem ser preparados e sacralizados em rituais próprios por
Babalorixás ou Iyalorixás. Na preparação de qualquer assentamento de orixá os rituais da sassanha, folha
sagrada e água sagrada são imprescindíveis.
Fonte: Cossard, Giselle Omindarewá, Awô, O mistério dos Orixás. Editora Pallas.
BANHO DE ODE
Melhor dia: quinta-feira
Materiais:
Cravos da índia
Canela
Erva doce
Anis estrelado
01 vela
Preparo:
Em 2 litros de agua coloque um punhado de cravos da índia, 1 pau de canela, um punhado de erva doce e 6
anis estrelado, deixe ferver apague o fogo e abafe ate amornar. Tome o banho, após seu banho higiênico.
Depois passe a vela por todo o corpo e acenda perto de um planta oferecendo a Ode.
Preparo:
Abra uma das artérias de um dos corações por cima e coloque o nome do casal dentro, o coração
permanece intacto. Daí junte os dois corações, dentro do alguidar, atravesse-os com dois palitos,
separando um coração acima do outro (tipo o do cupido). Em seguida prepare 2 cordinhas feitas com palha
da costa e amarre-as nos dois corações, dando 7 noz (a conta de Oxóssi) daí de um laço, faça o mesmo com
a outra cordinha dando os noz mais o laço (cada laço deve ficar de um lado de onde é a entrada e a saída
dos palitos). Quando tiver dando os nos peça e reze para Oxóssi pedindo a ele para unir aquele casal.
Acenda a vela de 7 dias no roncó ou onde fizer o ebó e cante várias cantigas para ele.
Obs.: coloque este trabalho no mesmo dia numa mata e acenda 4 velas brancas ao redor do alguidar lá na
mata e faça novamente o pedido na hora de entregar. Alguns enchem os corações com milho de galinha
cozido.