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Moab 01 Ebook Eca

O documento aborda a adoção conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), detalhando requisitos, modalidades e características do processo de adoção, incluindo a adoção internacional. Também menciona o papel do Conselho Tutelar na proteção dos direitos da criança e do adolescente, além de questões práticas relacionadas à adoção e conselhos tutelares. O texto inclui diretrizes sobre a participação dos pais biológicos e a importância do consentimento no processo de adoção.

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O documento aborda a adoção conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), detalhando requisitos, modalidades e características do processo de adoção, incluindo a adoção internacional. Também menciona o papel do Conselho Tutelar na proteção dos direitos da criança e do adolescente, além de questões práticas relacionadas à adoção e conselhos tutelares. O texto inclui diretrizes sobre a participação dos pais biológicos e a importância do consentimento no processo de adoção.

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1.

SUMÁRIO
1. ADOÇÃO ........................................................................ 2
2. CONSELHO TUTELAR................................................. 9
3. DIREITO À EDUCAÇÃO NO ECA ............................ 16
4. ENTIDADES DE ATENDIMENTO ............................ 21

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1. ADOÇÃO REQUISITOS
CONCEITO
O instituto da adoção está previsto nos artigos 39 ao 52-D da O adotante deve ser maior de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado
Lei 8.069/1990 (ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente). Diz civil (art. 42, caput, do ECA), devendo ser no mínimo 16 (dezesseis) anos mais
respeito a um ato jurídico solene por meio do qual há a inserção de uma velho que o adotando (art. 42, § 3º);
criança ou adolescente em família substituta.

O adotando deverá contar com, no máximo, 18 (dezoito) anos, salvo de já estiver


Unilateral: aquela em que um sob a guarda ou tutela do adotante (art. 40 do ECA);
dos cônjuges ou conviventes
adota o filho do outro. Dessa
forma, permanecem os Conforme o art. 45, § 1º, do ECA, será dispensado o consentimento dos pais ou
vínculos de filiação com um do representante legal quando aqueles forem desconhecidos ou destituídos do
dos pais biológicos (art. 41, poder familiar;
§1º, do ECA)
Modalidades de adoção
Conforme estabelece o art. 46, caput, do ECA, o estágio de convivência entre
adotante e adotando terá o prazo de duração que o juiz fixar, exceto em caso de
adoção internacional, em que o legislador estabeleceu um prazo mínimo de 30
(trinta) dias (art. 46, § 3º, do ECA);
Bilateral: aquela em que o
vínculo de filiação rompe-se
por completo
A criança e o adolescente deverão, sempre que possível, serem ouvidos a respeito
de sua possível colocação em uma família substituta (arts 28, § 1, e 168)
A adoção é uma medida excepcional e irrevogável, concedida
após esgotados todos os recursos de manutenção da criança e do O maior de 12 (doze) anos deve ser obrigatoriamente ouvido pelo juiz,
adolescente em sua família natural ou sua colocação em família extensa, manifestando seu consentimento, ou não, em relação ao pedido (art. 45, §2, do
conforme parágrafo único do artigo 25 do ECA, havendo requisitos ECA).
relativos aos adotantes e aos adotados, que deverão ser respeitados
conforme a lei.

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CARACTERÍSTICAS DA ADOÇÃO 32, §2º), inadmitindo escritura pública para a constituição do vínculo.
Trata-se, pois, de ato personalíssimo (art. 39, §2º, do ECA).
A adoção implica na dissolução dos vínculos do adotado com
sua família de origem, salvo os impedimentos matrimoniais (art. 41, No que tange à idade mínima de 18 (dezoito) anos, a
caput, do ECA), passando o adotado a possuir os mesmos deveres e emancipação, casamento ou qualquer outro meio que conduza alguém à
direitos atribuídos a um filho biológico, inclusive os direitos sucessórios. maioridade não autoriza a adoção. Assim, o requisito da idade diz
respeito à maioridade cronológica, não civil.
Qualquer pessoa maior de 18 (dezoito) anos pode adotar,
independentemente de seu estado civil, desde que se encontre no gozo de Os ascendentes e irmãos do adotando estão impossibilitados de
sua saúde física e mental, ofereça ambiente familiar adequado (art. 29 do adotá-lo, nos termos do artigo 42, §1º, do ECA.
ECA) e não possua incompatibilidade com o instituto da adoção.
Somente a sentença judicial, de natureza constitutiva, tem o
ADOÇÃO INTERNACIONAL
condão de constituir o vínculo da adoção, que se torna definitivo com o
trânsito em julgado (art. 47, caput, do ECA). Feitas as principais considerações a respeito do instituto da
adoção, importante destacar acerca da adoção internacional.
Assim, os efeitos da adoção passam a valer com o trânsito em
julgado da sentença, devendo em seguida ser providenciada a inscrição A adoção internacional é aquela em que a pessoa ou casal
no registro de nascimento do adotado, com alteração de seu sobrenome. adotante reside ou possui domicílio fora do Brasil (art. 51, caput, do
ECA). O Estatuto da Criança e do adolescente abrange diretrizes da
De acordo com a alteração promovida no art. 47 do ECA pela
Convenção de Haia de 1993 na adoção internacional, estabelecendo o
Lei 12.955/2014, que inseriu o §9º, “terão prioridade de tramitação os
critério da territorialidade, ou seja, somente de integração da criança e do
processos de adoção em que o adotando for criança ou adolescente com
adolescente em família residente no Brasil.
deficiência ou com doença crônica”.
Por fim, é importante salientar que a sentença não produz efeitos Curiosidades acerca da adoção internacional:
retroativos, dado seu caráter constitutivo. A lei, no entanto, abre exceção  O critério utilizado é o local de domicílio dos postulantes;
para a hipótese de falecimento do adotante, no curso do processo e antes
do trânsito em julgado, retroagindo a decisão, neste caso, à data do
falecimento do adotante.

IMPEDIMENTOS E VEDAÇÕES
Visando impedir que o adotante formalize a adoção sem
qualquer contato com o adotante, a lei veda a adoção por procuração (art.

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 Brasileiros residentes no exterior submetem-se às regras da
adoção internacional, possuindo, no entanto, prioridade em
relação aos estrangeiros;
 Estrangeiros residentes no Brasil submetem-se às regras da É necessário que os pais biológicos concordem com a adoção,
adoção nacional; haja vista a ruptura definitiva do vínculo genético. O consentimento
só não será exigido quando os pais biológicos forem
 É obrigatório o cumprimento do estágio de convivência em
desconhecidos ou destituídos do poder familiar. (art. 45, §§ 1º e
território nacional, a teor do art. 46, § 3º, do ECA, tendo prazo 2º). Entende-se por desconhecidos aqueles que não constam na
mínimo de trinta dias. Certidão de Nascimento do filho, não podendo ser localizados.
Havendo recusa dos pais, e estando o filho em situação de risco, o
MAIS CONSIDERAÇÕES ACERCA DA ADOÇÃO caminho será a destituição do poder familiar.

É plenamente possível a adoção por casais homoafetivos em razão da união


entre pessoas do mesmo sexo ser reconhecida como entidade familiar.
Art. 42, §4º, do ECA: "Os divorciados, os judicialmente separados
e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, contanto que
A adoção post mortem é aquela em que o adotante, tendo manifestado de acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o
forma inequívoca sua vontade em adotar, venha a falecer no curso do estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do
processo, desde que ainda não prolatada a sentença - art. 42, § 6º, do ECA. período de convivência e que seja comprovada a existência de
Neste caso, a adoção será deferida e seus efeitos retroagirão à data do vínculos de afinidade e afetividade com aquele não detentor da
óbito (ex tunc), conforme ar. 47, § 7º, do ECA. guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão".

O artigo 48 do ECA, com a redação que lhe deu a Lei 12.010/2009, passa
a conferir ao adotado, após completar 18 anos, o direito de conhecer sua
origem biológica bem como o de obter acesso irrestrito ao processo no
qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes. Se ainda não
atingiu os 18 anos, o acesso ao processo de adoção poderá ser
deferidoao adotado, a seu pedido, assegurada orientação e assistência
jurídica e psicológica.

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QUESTÕES g) A colocação da criança em família substituta, na modalidade de
adoção, constitui medida excepcional, preferindo-se que ela seja
Para reforçar, vejamos algumas questões de provas anteriores
criada e educada no seio saudável de sua família natural.
da OAB acerca do tema:
1. (OAB XXI 2017) Marcelo e Maria são casados há 10 anos. O casal h) A guarda destina-se a regularizar a posse de fato e, uma vez
possui a guarda judicial de Ana, que tem agora três anos de idade, deferida pelo juiz, não pode ser posteriormente revogada.
desde o seu nascimento. A mãe da infante, irmã de Maria, é usuária
de crack e soropositiva. Ana reconhece o casal como seus pais.
Passados dois anos, Ana fica órfã, o casal se divorcia e a criança fica 3. (OAB XXV 2018) Beatriz, quando solteira, adotou o bebê Théo.
residindo com Maria. Sobre a possibilidade da adoção de Ana por Passados dois anos da adoção, Beatriz começou a viver em união
Marcelo e Maria em conjunto, ainda que divorciados, assinale a estável com Leandro. Em razão das constantes viagens a trabalho de
afirmativa correta. Beatriz, Leandro era quem diariamente cuidava de Théo,
a) Apenas Maria poderá adotá-la, pois é parente de Ana. participando de todas as atividades escolares. Théo reconheceu
Leandro como pai. Quando Beatriz e Leandro terminaram o
b) O casal poderá adotá-la, desde que acorde com relação à guarda relacionamento, Théo já contava com 15 anos de idade. Leandro,
(unipessoal ou compartilhada) e à visitação de Ana. atendendo a um pedido do adolescente, decide ingressar com ação de
adoção unilateral do infante. Beatriz discorda do pedido, sob o
c) O casal somente poderia adotar em conjunto caso ainda estivesse argumento de que a união estável está extinta e que não mantém um
casado. bom relacionamento com Leandro.
d) O casal deverá se inscrever previamente no cadastro de pessoas a) Considerando o Princípio do Superior Interesse da Criança e do
interessadas na adoção. Adolescente e a Prioridade Absoluta no Tratamento de seus Direitos,
Théo pode ser adotado por Leandro?
b) Não, pois, para a adoção unilateral, é imprescindível que Beatriz
2. (OAB 38 2009). Com relação às disposições do ECA acerca da concorde com o pedido.
colocação da criança e do adolescente em família substituta, assinale
a opção correta. c) Sim, caso haja, no curso do processo, acordo entre Beatriz e
e) Somente a adoção constitui forma de colocação da criança em Leandro, regulamentando a convivência familiar de Théo.
família substituta. d) Não, pois somente os pretendentes casados, ou que vivam em
f) O guardião não pode incluir a criança que esteja sob sua guarda união estável, podem ingressar com ação de adoção unilateral.
como beneficiária de seu sistema previdenciário visto que a guarda
não confere à criança condição de dependente do guardião.

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e) Sim, o pedido de adoção unilateral formulado por Leandro referida adoção, até porque as famílias mantêm convívio em datas
poderá, excepcionalmente, ser deferido e, ainda que de forma não festivas, uma vez que Isabela e Matheus consideram importante que
consensual, regulamentada a convivência familiar de Théo com os P. conheça sua matriz biológica e mantenha convivência com os
pais. membros de sua família originária. Partindo das diretrizes impostas
pelo ECA e sua interpretação à luz da norma civilista aplicáveis à
situação narrada, assinale a afirmativa correta.
4. (OAB XXIV 2017) Os irmãos órfãos João, com 8 anos de idade, e a) Durante o processo de adoção, Isabela, que reside fora do país,
Caio, com 5 anos de idade, crescem juntos em entidade de pode, mediante procuração, constituir Matheus como seu
acolhimento institucional, aguardando colocação em família mandatário com poderes especiais para representar sua esposa
substituta. Não existem pretendentes domiciliados no Brasil e ajuizar a ação como adoção conjunta.
interessados na adoção dos irmãos de forma conjunta, apenas
separados. Existem famílias estrangeiras com interesse na adoção de b) Dispensável a oitiva dos pais biológicos em audiência, desde
crianças com o perfil dos irmãos e uma família de brasileiros que eles manifestem concordância com o pedido de adoção por
domiciliados na Itália, sendo esta a última inscrita no cadastro. escritura pública ou declaração de anuência com firma
Considerando o direito à convivência familiar e comunitária de toda reconhecida.
criança e de todo adolescente, assinale a opção que apresenta a
solução que atende aos interesses dos irmãos. c) Concluído o processo de adoção com observância aos critérios
de regularidade e legalidade, caso ocorra o evento da morte de
f) Adoção nacional pela família brasileira domiciliada na Itália. Isabela e Matheus antes de P. atingir a maioridade civil, ainda
assim não se reestabelecerá o poder familiar dos pais
g) Adoção internacional pela família estrangeira.
biológicos.
h) Adoção nacional por famílias domiciliadas no Brasil, ainda que
d) A adoção é medida excepcional, que decorre de
separados.
incompatibilidade de os pais biológicos cumprirem os deveres
i) Adoção internacional pela família brasileira domiciliada na inerentes ao poder familiar, motivo pelo qual, mesmo os pais
Itália. de P. sendo conhecidos, a oitiva deles no curso do processo é
mera faculdade e pode ser dispensada.

5. (OAB XVIII 2015) Isabela e Matheus pretendem ingressar com ação


judicial própria a fim de adotar a criança P., hoje com 4 anos, que
está sob guarda de fato do casal desde quando tinha 1 ano de idade.
Os pais biológicos do infante são conhecidos e não se opõem à

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RESPOSTAS:

Questão nº 1 – Letra B

Questão nº 2 – Letra C

Questão nº 3 – Letra D

Questão nº 4 – Letra D

Questão nº 5 – Letra C

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2. CONSELHO TUTELAR COMPOSIÇÃO E ELEIÇÃO
CONCEITO Os Conselhos Tutelares são compostos de cinco membros,
denominados conselheiros, escolhidos pela comunidade para um
Trata-se de órgão permanente e autônomo, não jurisdicional,
mandato de quatro anos, sendo permitida uma recondução (art. 132 do
encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da
ECA).
criança e do adolescente, definidos na Lei 8.069/1990 (ECA - Estatuto
da Criança e do Adolescente), nos artigos 131 a 140. Os Conselheiros devem ser eleitos em voto direto, secreto e
facultativo, em eleições promovidas pelo Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e Adolescente, sob a fiscalização do Ministério
CARACTERÍSTICAS DO CONSELHO TUTELAR Público – art. 139, caput, do ECA.
O processo de escolha do Conselheiro deve ocorrer em data
unificada em todo território nacional a cada quatro anos, no primeiro
O Conselho Tutelar é autônomo, permanente (possui natureza domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição
contínua) e independente em suas atribuições, embora esteja
sujeito à fiscalização do Ministério Público e do Poder Judiciário. presidencial, conforme estabelecido pelo art. 139, § 1º, do ECA,
introduzido pela Lei 12.696/2012.
A teor do que dispõe o art. 139, § 2º, do ECA, também
introduzido pela Lei 12.696/2012, a posse dos conselheiros dar-se-á no
dia 10 de janeiro do ano seguinte, sendo vedado ao candidato, no
Não possui personalidade jurídica. Insere-se na estrutura da
administração pública municipal (vide art. 132 do ECA, cuja processo de escolha, doar, oferecer, prometer ou entregar bem ou
redação foi modificada pela Lei 12.696/2012). vantagem pessoal de qualquer natureza ao eleitor (art. 139, § 3º, do
ECA).

É órgão não jurisdocional, portanto, diante de um conflito de


interesses envolvendo criança ou adolescente, não estará
credenciado a atuar, somente podendo fazê-lo o juiz da Vara da
Infância e Juventude.

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REQUISITOS PARA CANDIDATURA AO CONSELHO IMPEDIMENTOS
TUTELAR Conforme estabelecido no art. 140 do ECA:
Conforme art. 132 do ECA, cada município e cada Região “São impedidos de servir no mesmo Conselho marido
Administrativa do Distrito Federal deverá ter, no mínimo, um e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou
Conselho Tutelar constituído de cinco membros, ainda que se trate nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e
de cidade com número pequeno de habitantes; sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado.
Se porventura no município ainda não houver sido instalado o
Conselho Tutelar, caberá ao Juiz da Vara da Infância e Juventude Parágrafo único. Estende-se o impedimento do
fazer as suas vezes, segundo estabelece o art. 262 do ECA; conselheiro, na forma deste artigo, em relação à
A estrutura administrativa, remuneração dos conselheiros, local, dia autoridade judiciária e ao representante do Ministério
de funcionamento e tudo que se fizer necessário ao bom Público com atuação na Justiça da Infância e da
funcionamento do Conselho Tutelar deverá ser disciplinada por lei a Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou
ser editada pelo legislativo municipal ou distrital (art. 134 do ECA); distrital”.

Considerando a modificação implementada no art. 134 do ECA pela


Lei 12.696/2012, os membros do Conselho Tutelar contam com DENÚNCIAS AO CONSELHO TUTELAR
alguns direitos previdenciários e trabalhistas, a saber:
Os conselheiros tutelares atuam em parceria com escolas,
a) Cobertura previdenciária; organizações sociais e serviços públicos. O ECA estabelece que os casos
b) Gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de um terço de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou
do valor da remuneração mensal; degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão
obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva
c) Licença-maternidade; localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Qualquer cidadão
d) Licença-paternidade; pode acionar o conselho tutelar e fazer uma denúncia anônima. Os
dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental também devem
e) Gratificação natalina. comunicar ao Conselho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus
Embora haja decisões em sentido contrário, prevalece o alunos, reiteração de faltas injustificadas e evasão escolar, bem como
entendimento segundo o qual a lei municipal pode estabelecer outras elevados níveis de repetência.
condições de exigibilidade, além daquelas referidas no art. 133 do
ECA (reconhecida idoneidade moral; idade superior a 21 (vinte e
um) anos; e residência no município.

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ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR

Atender as crianças e os adolescentes nas hipóteses previstas nos Assessorar o Poder Executivo local na elaboração de proposta
arts. 98 e 105 do ECA, aplicando as medidas previstas no ar. 101, I a orçamentária para planos e programas de atendimento aos direitos
VII, do Estatuto; da criança e do adolescente;

Atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas


previstas no art. 129, I a VII, do ECA; Representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação
dos direitos previstos no art. 220, § 3º, II, da Constituição Federal;

Promover a execução de suas decisões, podendo, para tanto:


a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço
social, previdência, trabalho e segurança; Representar ao MP para efeito das ações de perda ou suspensão
do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção
b) representar junto às autoridades judiciária nos casosde de criança ou adolescente junto à família natural.
descumprimento injustificadode suas deliberações;

Encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração


administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente,
bem como encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua
competência;

Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as


previstas no art. 101, de I a VI, do ECA, para o adolescente autor de ato
infracional;

Expedir notificações e requisitar certidões de nascimento e de óbito de


criança ou adolescente, quando necessário;

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PARA REFORÇAR, VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES na hipótese de inclusão em programa oficial ou comunitário de
DE PROVAS ANTERIORES DA OAB ACERCA DO TEMA: auxilio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.
b) O Conselho Tutelar, em consequência de sua natureza não
1. (OAB XVII 2015) Um conselheiro tutelar, ao passar por um jurisdicional, não é competente para encaminhar ao Ministério
parquinho, observa Ana corrigindo o filho, João, por ele não permitir Público as ocorrências administrativas ou criminais que
que os amigos brinquem com o seu patinete. Para tanto, a genitora importem violação aos direitos da criança e do adolescente.
grita, puxa o cabelo e dá beliscões no infante, na presença das outras
c) O Conselho Tutelar pode assessorar o Poder Executivo local na
crianças e mães, que assistem a tudo assustadas. Assinale a opção que
elaboração da proposta orçamentária para planos e programas
indica o procedimento correto do Conselheiro Tutelar.
de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, em
e) Requisitar a Polícia Militar para conduzir Ana à Delegacia de decorrência de sua natureza jurisdicional não autônoma.
Polícia e, após a atuação policial, dar o caso por encerrado.
d) O Conselho Tutelar não poderá promover a execução de suas
f) Não intervir, já que Ana está exercendo o seu poder de correção, decisões, razão pela qual só lhe resta encaminhar ao Ministério
decorrência do atributo do poder familiar. Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou
penal contra os direitos da criança ou adolescente.
g) Intervir imediatamente, orientando Ana para que não corrija o
filho dessa forma, e analisar se não seria recomendável a
aplicação de uma das medidas previstas no ECA.
3. (OAB XL 2009) Assinale a opção correta conforme as disposições
h) Apenas colher elementos para ingressar em Juízo com uma do ECA.
representação administrativa por descumprimento dos deveres
inerentes ao poder familiar.
a) Inclui-se, entre as medidas aplicáveis aos pais ou responsável do
menor, o encaminhamento a tratamento psicológico
ou psiquiátrico.
2. (OAB VIII 2012) Acerca das atribuições do Conselho Tutelar
determinadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a b) O prazo máximo previsto para a medida de internação é de três
alternativa correta. anos, devendo ser prefixado pelo magistrado na sentença.
a) O Conselho Tutelar, considerando sua natureza c) Não havendo arquivamento dos autos ou concessão
não jurisdicional, destaca‐se no aconselhamento e na orientação de remissão, o membro do MP procederá à apresentação
à família ou responsável pela criança ou adolescente, inclusive de denúncia contra o adolescente.

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d) As eleições para o conselho tutelar, órgão com d) J. e M. praticaram atos infracionais. Ambos deverão ser
poderes jurisdicionais, são organizadas em âmbito municipal. encaminhados para a autoridade policial;
e) J. e M. praticaram atos infracionais. Ambos deverão ser
encaminhados para a autoridade policial. A indisciplina de L.
4. (OAB XVIII) J., com 11 anos, L., com 12 anos, e M., com 13 anos
deverá ser coibida pela própria direção escolar.
de idade, são alunos do 8º ano do ensino fundamental de uma
conceituada escola particular. Os três, desde que foram estudar na
mesma turma, passaram a causar diversos problemas para o
transcurso normal das aulas, tais como: escutar música; conversar; 5. (OAB VIII) Acerca das atribuições do Conselho Tutelar
dormir; colocar os pés nas mesas e não desligar o aparelho celular. O determinadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a
professor de matemática, inconformado com a conduta desrespeitosa alternativa correta.
dos alunos, repreende-os, avisando que os encaminhará para a a) O Conselho Tutelar, em consequência de sua natureza não
direção da escola. Ato contínuo, os alunos reagem da seguinte forma: jurisdicional, destaca-se no aconselhamento e na orientação à
J. chama o professor de “velho idiota”; L. levanta e sai da sala no família ou responsável pela criança ou adolescente, inclusive na
meio da aula; e M. ameaça mata-lo. Diante dos atos de indisciplina hipótese de inclusão em programa oficial ou comunitário de
dos três alunos, a direção da escola entra em contato com o seu auxílio, orientação e tratamento a alcóolatra e toxicômanos;
departamento jurídico para, com base no Estatuto da Criança e do
Adolescente, receber a orientação de como proceder. Com base na b) O Conselho Tutelar, em consequência de sua natureza não
hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a orientação jurisdicional, não é competente para encaminhar ao Ministério
recebida pela direção escolar. Público as ocorrências administrativas ou criminais que
importem violação aos direitos da criança e do adolescente;

a) Os atos de indisciplina praticados por J., L., e M. deverão ser c) O Conselho Tutelar pode assessorar o Poder Executivo local na
coibidos pela própria direção escolar; elaboração da proposta orçamentária para planos e programas
de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, em
b) J. e M. praticaram atos infracionais. J. deverá ser encaminhado decorrência de sua natureza jurisdicional não autônoma;
ao Conselho Tutelar e M. para a autoridade policial. A
indisciplina de L. deverá ser coibida pela própria direção d) O Conselho Tutelar não poderá promover a execução de suas
escolar; decisões, razão pela qual só lhe resta encaminhar ao Ministério
Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou
c) J., L. e M. praticaram atos infracionais e deverão ser penal contra os direitos da criança e do adolescente.
encaminhados para a autoridade policial;

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RESPOSTAS:
Questão nº 1 – Letra C

Questão nº 2 – Letra A
Questão nº 3 – Letra A
Questão nº 4 – Letra B
Questão nº 5 – Letra A

P á g i n a | 14
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3. DIREITO À EDUCAÇÃO NO ECA Para que estes direitos sejam observados, o ECA também
estipula os deveres do Estado (artigo 54). São eles:
CONCEITO
 Garantir ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive
O direito à educação, segundo o ECA – Estatuto da Criança e
para os que a ele não tiveram acesso na idade própria;
do Adolescente, é fundamental e indispensável para efetivação dos
objetivos de proteção integral à criança e ao adolescente.  Assegurar progressivamente a extensão da obrigatoriedade e
gratuidade ao ensino médio;
A Constituição Federal, em seus artigos 205 e 206, estabelece
que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, devendo  Oferecer atendimento educacional especializado aos portadores
ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da  Oferecer atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero
cidadania e sua qualificação para o trabalho. a cinco anos de idade (Redação dada pela Lei nº 13.306, de
O Estatuto visa cumprir os preceitos constitucionais, 2016);
assegurando à criança e ao adolescente preferencialmente uma educação  Garantir acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa
voltada ao integral desenvolvimento da pessoa, com prática para a
e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
cidadania de forma clara e objetiva, bem como capacitação para o
trabalho, sempre preconizando o absoluto respeito aos direitos  Ofertar ensino noturno regular, adequado às condições do
fundamentais da criança e do adolescente. adolescente trabalhador;
 De acordo com o artigo 53 do ECA, são assegurados à criança  Promover atendimento no ensino fundamental, por meio de
e ao adolescente, entre outros: programas suplementares de material didático escolar,
transporte, alimentação e assistência à saúde.
 Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
 Direito de ser respeitado por seus educadores;
O DIREITO À EDUCAÇÃO AOS PORTADORES DE
 Direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às DEFICIÊNCIAS
instâncias escolares superiores;
Quando se trata de garantia do direito à educação, os portadores
 Direito de organização e participação em entidades estudantis; de deficiência física e/ou psíquica também recebem atenção especial do
 Acesso à escola pública e gratuita próxima à sua residência. Estado. A teor do art. 208, inciso II do ECA, o não oferecimento ou
Vide: STJ, REsp 1.175.445/PR. 2ª T., j. 04.03.2010, rel. Min. oferecimento irregular de atendimento educacional especializado aos
Eliana Calmon DJe 18.03.2010; portadores de deficiência pode gerar uma ação de responsabilidade, por
ofensa aos direitos das crianças e dos adolescentes.

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A Constituição Federal também prevê a “criação de programas
de prevenção e atendimento especializado para os portadores de
deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem
do adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento para o como participar da definição das propostas educacionais.
trabalho e convivência, e a facilidade de acesso aos bens e serviços
coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos
É dever dos pais ou responsável matricularem seus filhos ou pupilos na rede
arquitetônicos” (artigo 227, parágrafo 1º, inciso II da CF/88).
regular de ensino. Inclusive, alguns programas públicos de distribuição de
Outras legislações também garantem proteção especial à renda condicionam o benefício à frequência escolar dos jovens sob tutela
educação de jovens portadores de deficiência física e/ou psíquica. A Lei dos pais, atestando a família como principal incentivadora dos estudos.
de Diretrizes e Bases, em seu artigo 4º, inciso III, por exemplo, prevê o
atendimento educacional especializado e gratuito aos jovens com
necessidades especiais, dispondo em seu art. 58 que se entende por Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental devem
comunicarao Conselho Tutelar:
educação especial a modalidade de educação escolar oferecida a) maus-tratos envolvendo seus alunos;
preferencialmente na rede regular de ensino para educandos portadores b) reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar;
de necessidades especiais. c) elevados níveis de repetência.

CONSIDERAÇÕES RELEVANTES:

O art. 208, I, da CF, cuja redação foi determinada pela EC 50/2009, impõe ao
Estado o dever de garantir a todos educação básica obrigatória e gratuita dos
4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta
gratuita a todos que a ela não tiveram acesso na idade própria.

É importante lembrar que o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é um


direito público subjetivo, ou seja, pode sempre ser exigido do Estado por
parte do cidadão. Assim, caso o Poder Público não garanta o acesso à
educação ou caso não o faça de maneira regular, o cidadão tem a
possibilidade de exigir judicialmente que seu direito seja observado,
obrigando o Estado a fazê-lo.

O STJ já decidiu que inexiste amparo constitucional e legal que autorize os


pais a ministrarem disciplinas do ensino fundamental aos filhos.

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PARA REFORÇAR, VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES De acordo com as disposições expressas no Estatuto da Criança e do
DE PROVAS ANTERIORES DA OAB ACERCA DO TEMA: Adolescente, é correto afirmar que:
a) Toda criança e todo adolescente têm direito a serem respeitados
por seus educadores, mas não poderão contestar os critérios
6. (OAB XXIV) Maria, aluna do 9º ano do Ensino Fundamental de uma
avaliativos, uma vez que estes são estabelecidos pelas
escola que não adota a obrigatoriedade do uso de uniforme, frequenta
instâncias educacionais superiores, norteados por diretrizes
regularmente culto religioso afro-brasileiro com seus pais. Após
fiscalizadas pelo MEC;
retornar das férias escolares, a aluna passou a ir às aulas com um
lenço branco enrolado na cabeça, afirmando que necessitava b) É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino
permanecer coberta por 30 dias. As alunas Fernanda e Patrícia, fundamental, obrigatório e gratuito, mas sem a progressiva
incomodadas com a situação, procuraram a direção da escola para extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
reclamar da vestimenta da aluna. O diretor da escola entrou em
contato com o advogado do estabelecimento de ensino, a fim de obter c) Não existe obrigatoriedade de matrícula na rede regular de
subsídios para a sua decisão. A partir do caso narrado, assinale a ensino àqueles genitores ou responsáveis pela criança ou
opção que apresenta a orientação que você, como advogado da adolescente que, por convicções ideológicas, políticas ou
escola, daria ao diretor. religiosas, discordem dos métodos de educação escolástica
a) Proibir o acesso da aluna à escola; tradicional para seus filhos ou pupilos;

b) Marcar uma reunião com os pais da aluna Maria, s fim de d) Os dirigentes de estabelecimento de ensino fundamental
compeli-los a descobrir a cabeça da filha; comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de maus-tratos
envolvendo seus alunos, a reiteração de faltas injustificadas e a
c) Permitir o acesso regular da aluna; evasão escolar, esgotados os recursos escolares, assim como os
elevados níveis de repetência.
d) Proibir o acesso das três alunas.

7. (OAB VII) Com forte inspiração constitucional, a Lei nº 8.069, de 13


de julho de 1990 consagra a doutrina da proteção integral da criança
e do adolescente, assegurando-lhes direitos fundamentais, entre os
quais o direito à educação. Igualmente, é-lhes franqueado o acesso à
cultura, ao esporte e ao lazer, preparando-os para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho, fornecendo-lhes elementos
para seu pleno desenvolvimento e realização como pessoa humana.

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RESPOSTAS:
Questão nº 1 – Letra C

Questão nº 2 – Letra D

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4. ENTIDADES DE ATENDIMENTO
Liberdade assistida;
CONCEITO
As entidades de atendimento são destinadas a atender crianças Semiliberdade;
e adolescentes que estiverem em situação de risco pessoal ou social por
terem seus direitos violados, seja em razão de ação ou omissão da
sociedade ou do Estado, seja em razão da falta, omissão ou abuso dos Internação.
pais ou responsável, nos termos do artigo 98 da Lei 8.069/90 - Estatuto
da Criança e do Adolescente. O ECA classifica as entidades de atendimento em
Conforme disposto nos artigos 111 e 112 da lei governamentais ou não governamentais, regulando-as em seus artigos 90
supramencionada, tais entidades são responsáveis pelo planejamento e e subsequentes, sendo exigido a ambas que procedam ao registro de seus
execução de programas de proteção e socioeducativos destinados a programas perante o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
crianças e adolescentes em regime de: Adolescente, que comunicará o Conselho Tutelar e a autoridade
judiciária local.
Acolhimento institucional;
Os recursos destinados à implementação e manutenção dos
programas serão previstos nas dotações orçamentárias dos órgãos
Prestação de serviços à comunidade; públicos encarregados das áreas de Educação, Saúde e Assistência
Social, dentre outros, observando-se o princípio da prioridade absoluta à
criança e ao adolescente (art. 90, § 2º, do ECA).
Liberdade assistida; A teor do art. 90, § 3º, do ECA, os programas em execução serão
reavaliados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos, constituindo-se critérios
Orientação e apoio sócio familiar; para renovação da autorização de funcionamento:
 O efetivo respeito às regras e princípios do Estatuto da
Criança e do Adolescente, bem como às resoluções relativas
Apoio socioeducativo em meio aberto; à modalidade de atendimento prestado expedidas pelos
Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos
os níveis.
Colocação familiar;

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 A qualidade e eficiência do trabalho desenvolvido, atestadas Adolescente, o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à
pelo Conselho Tutelar, pelo Ministério Público e pela Justiça autoridade judiciária da respectiva localidade, sendo negado o registro à
da Infância e da Juventude. entidade que:
 Em se tratando de programas de acolhimento institucional ou  Não ofereça instalações físicas em condições adequadas de
familiar, serão considerados os índices de sucesso na habitabilidade, higiene, salubridade e segurança;
reintegração familiar ou de adaptação à família substituta,  Não apresente plano de trabalho compatível com os
conforme o caso. princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente;
 Esteja irregularmente constituída;
 Tenha em seus quadros pessoas inidôneas.
Submetem-se obrigatoriamente à
política do poder público  Não se adequar ou deixar de cumprir as resoluções e
municipal deliberações relativas à modalidade de atendimento prestado
Governamentais expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança e do
Adolescente, em todos os níveis.
 O registro terá validade máxima de 4 (quatro) anos, cabendo
Entidades de ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Atendimento Adolescente, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua
renovação.
Seu registro condiciona-se ao
preenchimento de 4 requisitos:
Não qualidade das instalações físicas,
Governamentais metodologia e pedagogia de PRINCÍPIOS A SEREM ADOTADOS PELAS ENTIDADES
trabalho compatíveis com os QUE DESENVOLVEM PROGRAMAS DE ACOLHIMENTO
princípios do ECA, regularidade da FAMILIAR OU INSTITUCIONAL
sociedade perante o Cartório de
Registro e idoneidade de
funcionários.
 Preservação dos vínculos familiares e promoção da
reintegração familiar; (Inciso com redação dada pela Lei nº
12.010, de 3/8/2009);
Ainda em relação às entidades não governamentais, de acordo
 Integração em família substituta, quando esgotados os
com o art. 91 do ECA, estas somente poderão funcionar depois de
recursos de manutenção na família natural ou extensa;
registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
(Inciso com redação dada pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009);

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 Atendimento personalizado e em pequenos grupos;  Oferecer instalações físicas em condições adequadas de
habitabilidade, higiene, salubridade e segurança e os objetos
 Desenvolvimento de atividades em regime de coeducação;
necessários à higiene pessoal;
 Não desmembramento de grupos de irmãos;
 Oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à
 Evitar, sempre que possível, a transferência para outras faixa etária dos adolescentes atendidos;
entidades de crianças e adolescentes abrigados;
 Oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e
 Participação na vida da comunidade local; farmacêuticos;
 Preparação gradativa para o desligamento;  Propiciar escolarização e profissionalização;
 Participação de pessoas da comunidade no processo  Propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer;
educativo.
 Propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de
acordo com suas crenças;
OBRIGAÇÕES DAS ENTIDADES QUE DESENVOLVEM  Proceder a estudo social e pessoal de cada caso;
PROGRAMAS DE INTERNAÇÃO
 Reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo
de seis meses, dando ciência dos resultados à autoridade
 Observar os direitos e garantias de que são titulares os competente;
adolescentes;  Informar, periodicamente, o adolescente internado sobre sua
 Não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de situação processual;
restrição na decisão de internação;  Comunicar às autoridades competentes todos os casos de
 Oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades adolescente portadores de moléstias infectocontagiosas;
e grupos reduzidos;  Fornecer comprovante de depósito dos pertences dos
 Preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e adolescentes;
dignidade ao adolescente;  Manter programas destinados ao apoio e acompanhamento
 Diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação de egressos;
dos vínculos familiares;  Providenciar os documentos necessários ao exercício da
 Comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos cidadania àqueles que não os tiverem;
em que se mostre inviável ou impossível o reatamento dos  Manter arquivo de anotações onde constem data e
vínculos familiares; circunstâncias do atendimento, nome do adolescente, seus

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pais ou responsável, parentes, endereços, sexo, idade, Em caso de reiteradas infrações cometidas por entidades de
acompanhamento da sua formação, relação de seus pertences atendimento, que coloquem em risco os direitos assegurados nesta Lei,
e demais dados que possibilitem sua identificação e a deverá ser o fato comunicado ao Ministério Público ou representado
individualização do atendimento. perante autoridade judiciária competente para as providências cabíveis,
inclusive suspensão das atividades ou dissolução da entidade. (Parágrafo
único transformado em § 1º pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009)
FISCALIZAÇÃO DAS ENTIDADES
As pessoas jurídicas de direito público e as organizações não
Conforme disposto nos artigos 95 e 96 do ECA, as entidades governamentais responderão pelos danos que seus agentes causarem às
governamentais e não governamentais serão fiscalizadas pelo Judiciário, crianças e aos adolescentes, caracterizado o descumprimento dos
pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares, sendo que seus princípios norteadores das atividades de proteção específica. (Parágrafo
planos de aplicação e prestação de contas serão apresentados ao Estado 2º, acrescido pela Lei nº 12.010, de 3/8/2009)
ou ao município, de acordo com a origem das dotações orçamentárias.

a) advertência; b)
afastamento provisório
de seus dirigentes; c)
afastamento definitivo
às entidades de seus dirigentes; d)
Medidas aplicáveis às governamentais: fechamento de
entidades de unidade ou interdição
atendimento que de programa.
descumprirem
obrigação constante do
art. 94, sem prejuízo
da responsabilidade
civil e criminal de seus a) advertência; b)
dirigentes ou suspensão total ou
prepostos: às entidades não- parcial do repasse de
governamentais: verbas públicas; c)
interdição de unidades
ou suspensão de
programas; d)
cassação do registro.

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PARA REFORÇAR, VEJAMOS ALGUMAS QUESTÕES 2. (OAB XXII) João, criança de 7 anos de idade, perambulava pela rua
DE PROVAS ANTERIORES DA OAB ACERCA DO TEMA: sozinho, sujo e com fome, quando, por volta das 23 horas, foi
encontrado por um guarda municipal, que resolve encaminhá-lo
diretamente para uma entidade de acolhimento institucional, que fica
1. (OAB XXIII) Os irmãos Fábio (11 anos) e João (9 anos), foram a 100 metros do local onde ele foi achado. João é imediatamente
submetidos à medida protetiva de acolhimento institucional pelo acolhido pela entidade em questão. Sobre o procedimento adotado
Juízo da Infância e da Juventude, pois residiam com os pais em área pela entidade de acolhimento institucional, de acordo com o que
de risco, que se recusavam a deixar o local, mesmo com a interdição dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa
do imóvel pela Defesa Civil. Passados uma semana do correta.
acolhimento institucional, os pais de Fábio e João vão até a
a) A entidade pode regularmente acolher crianças e
instituição para visitá-los, sendo impedidos de ter contato com
adolescentes, independentemente de determinação da
os filhos pela diretora da entidade de acolhimento institucional,
autoridade competente e da expedição de guia de
ao argumento de que precisariam de autorização judicial para
acolhimento;
visitar as crianças. Os pais dos irmãos decidem então procurar
orientação jurídica de um advogado. Considerando os ditames b) A entidade somente pode acolher crianças e adolescentes
do Estatuto da Criança e do Adolescente, a direção da encaminhados pela autoridade competente por meio de guia
entidade de acolhimento institucional agiu corretamente? de acolhimento;
a) Sim, pois o diretor da entidade de acolhimento institucional é
c) A entidade pode acolher regularmente crianças e
equiparado ao guardião, podendo proibir a visitação dos pais;
adolescentes sem a expedição da guia de acolhimento apenas
b) Não, porque os pais não precisam de uma autorização judicial, quando o encaminhamento for feito pelo Conselho Tutelar;
mas apenas de um ofício do Conselho Tutelar autorizando a
d) A entidade pode, em caráter excepcional e de urgência,
visitação;
acolher uma criança sem determinação da autoridade
c) Sim, pois a medida protetiva de acolhimento institucional foi competente e guia de acolhimento, desde que faça a
aplicada pelo Juiz da Infância, assim somente ele poderá comunicação do fato à autoridade judicial em até 24 horas.
autorizar a visita dos pais;
d) Não, diante da ausência de vedação expressa da autoridade 3. (OAB XII) o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece os
judiciária para a visitação, ou decisão que os suspenda ou princípios que devem ser adotados por entidades que desenvolvam
destitua do exercício do poder familiar. programas de acolhimento familiar ou institucional. Segundo esses
princípios, assinale a afirmativa correta.

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a) As entidades devem buscar constantemente a transferência
para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados, a
fim de promover e aprofundar a integração entre eles e os
diferentes contextos sociais;
b) Por força de disposição expressa de lei, o dirigente das
entidades com o objetivo de acolhimento institucional ou
familiar é equiparado ao guardião, para todos os efeitos de
direito;
c) Mesmo inserida em programa de acolhimento institucional
ou familiar, a criança ou o adolescente deve ser estimulado a
manter contato com seus pais ou responsável;
d) É vedado o acolhimento de crianças e adolescentes em
entidades que mantenham programa de acolhimento
institucional sem prévia determinação da autoridade
competente.

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RESPOSTAS:
Questão nº 1 – Letra D

Questão nº 2 – Letra D
Questão nº 3 – Letra C

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