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CAMÕES

O documento aborda a transição da Idade Média para o Renascimento em Portugal, destacando a vitalidade intelectual e a influência das civilizações antigas. A poesia camoniana é analisada em termos de linguagem, estilo e temas, como a experiência amorosa, a representação da amada, a vida pessoal do poeta, o desconcerto do mundo e a mudança. Camões reflete sobre o amor, a sorte, a injustiça social e a inevitabilidade do tempo, evidenciando um profundo desencanto com a realidade.

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O documento aborda a transição da Idade Média para o Renascimento em Portugal, destacando a vitalidade intelectual e a influência das civilizações antigas. A poesia camoniana é analisada em termos de linguagem, estilo e temas, como a experiência amorosa, a representação da amada, a vida pessoal do poeta, o desconcerto do mundo e a mudança. Camões reflete sobre o amor, a sorte, a injustiça social e a inevitabilidade do tempo, evidenciando um profundo desencanto com a realidade.

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CAMÕES

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICO-LITERÁRIA
A idade média foi considerada uma época de trevas, de ignorância e de atraso. Existia
uma grande vitalidade intelectual na idade média já que, durante este longo período, se
sucederam os “renascimentos” e os esforços para recriar a sabedoria clássica.

RENASCIMENTO – movimento cultural que marca a transição da idade média para a


idade moderna e teve repercussões políticas, sociais, económicos e culturais.
O renascimento surgiu em Portugal na segunda metade do século XVI e apresentou a
particularidade de estar ligado à expansão marítima.

RENASCENTISMO
- estudo das civilizações antigas (gregas, latinas e hebraicas) e respetivas línguas e
culturas;
- recuperação e imitação criativa de valores e modelos da antiguidade greco-romana;
- renovação das artes plásticas, arquitetura e letras, inspiradas no clássico;
- forte curiosidade diante da vida e do Homem.

LINGUAGEM, ESTILO E ESTRUTURA

Esta poesia foi influenciada por duas tendências estéticas - uma mais tradicional e
outra mais clássica.
REDONDILHAS - poemas com versos de 5 ou 7 sílabas métricas, ou seja, a medida
velha e podem ter a forma de cantigas, vilancetes, esparsas ou trovas;
SONETOS - poemas com influências de Itália e da valorização clássica. Encontra-se
então versos com 10 sílabas métricas (decassilábico), a chamada medida nova.
As líricas tradicionais seguem uma estrutura comum da poesia palaciana, um mote
desenvolvido em voltas ou glosas.
MOTE - verso ou conjunto de versos que começam o poema e que servem para
apresentar a ideia que será desenvolvida nos versos seguintes.
GLOSAS OU VOLTAS - versos que aparecem depois do mote agrupados em estrofes.
Ao recuperar o tema explicitado no mote, a glosa pode repetir um ou mais vezes o
mote, funcionando assim, como um refrão.
Já a inspiração clássica está presente na transformação das composições em
decassílabos que podiam ser em formas de odes, sonetos ou canções.
SONETO - constituído por 2 quadras e 2 tercetos com vários tipos de esquemas
rimáticos.

TEMÁTICAS DA LÍRICA CAMONIANA


(1) A EXPERIÊNCIA AMOROSA E A REFLEXÃO SOBRE O AMOR
- Existem 2 tipos de mulher (a espiritual e a carnal) - a mulher sensual desperta o amor
carnal e físico. A mulher petrarquista é descrita como um ser ideal, que não deve ser
desejado fisicamente, mas amado e idolatrado. (*petrarquista- inspiração na deusa
Petrarca)
- O poeta sente às vezes que a realização total do amor só é possível através do amor
espiritual e do amor físico/carnal.
- O sujeito poético está dividido entre o fascínio do amor platónico
(espiritual)/petrarquista vs. a atração por um amor carnal (entre mulher que admira e a
que deseja).
- A ausência da mulher amada origina sofrimento, saudade e ânsia por um reencontro
físico.
- A experiência de uma vida amorosa fracassada poderá explicar a influência do amor
de conceção platónica.
- O amor e os seus efeitos têm um poder transformador.

(2) A REPRESENTAÇÃO DA AMADA


- Imagem de uma mulher angélica, um ser divido, de pele, olhos e cabelo claros,
elementos físicos reveladores das qualidades da alma, com um poder transformador da
Natureza e do Homem (influência petrarquista).

- Representação de uma mulher maléfica, em contraste com a mulher anjo.


- Novo conceito de beleza feminina distante do de Petrarca (pele, olhos e cabelos
escuros), capaz de provocar fascínio e tranquilidade no amador.
- É locus amoenus (lugar ameno), a paisagem amena, verdejante, colorida, mágica,
harmónica.

(3) A REPRESENTAÇÃO DA VIDA PESSOAL


- Reflexão do poeta sobre o destino (que nunca lhe foi favorável), os erros que
cometeu, o amor fracassado, o desterro...
- Afirma que nasceu para sofrer e que ele é o seu próprio tormento.
- Considera-se com pouca sorte (“má fortuna”), e com azar no amor, refletindo sobre o
seu infortúnio e sobre o seu sofrimento.
- O sujeito poético amaldiçoa o dia do seu nascimento, pois esse dia “deitou ao mundo
a vida/mais desventurada que se viu”.

(4) O TEMA DO DESCONCERTO


- Camões apresenta o destino e ele próprio como os responsáveis pelo seu infortúnio.
- Nesta temática, já não é só o amor o sentimento que é explorado, mas também a
revolta, o remorso, o cansaço e o desespero perante a existência da morte.
- Socialmente, o mundo é um desconcerto, provocando injustiças aos bons premiando
os maus.
- As destruições do amor puro, a morte e a passagem do tempo, que só traz infortúnio,
são algumas realidades que chocam o poeta.
- O desconcerto do mundo provoca espanto, revolta e inconformismo.
- Reflexão sobre o desconcerto do mundo, ao nível social e moral, evidenciada em
aspetos como: a errada distribuição dos prémios e castigos (os maus são galardoados,
os bons severamente castigados); os contrastes entre a riqueza e a miséria; o
crescente interesse dos homens por valores materiais.

(5) O TEMA DA MUDANÇA


- A sucessão de mudanças ocorre através do tempo.
- Na Natureza, a mudança opera de forma cíclica, natural e positiva, enquanto na vida
do poeta se concretiza de modo negativo.
- A passagem do tempo traz novidade, mas nem sempre esperança.
- A consciência da irreversibilidade do tempo que conduz à reflexão sobre a renovação
cíclica da Natureza, sobre a mudança da vida e das coisas e o caminho implacável do
poeta para a morte, razão que lhe acentua a angustia.

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