SINTAXE
INTRODUÇÃO
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
1. Frase
2. Oração
3. Período
a) Simples
b) Composto
c) Misto
TERMOS DA ORAÇÃO
TERMOS ESSENCIAIS
1. Sujeito
1.1. Tipos de sujeito
a) Simples
Quais termos podem ser núcleos do sujeito?
b) Composto
c) Oculto (desinencial ou eliptico)
d) Indeterminado
Casos de indeterminação do sujeito
Verbo na 3ª pessoa do plural sem um referente expresso.
Verbo transitivo indireto, verbo de ligação ou verbo intransitivo + palavra SE.
e) Inexistente
Verbos que denotam fenômeno natural
Verbo “haver” (no sentido de existir, ocorrer ou acontecer)
f) Oracional
Regras de concordância
2. Predicado
2.1. Tipos
2.2. Verbo de ligação
2.3. Verbo nocional
a) Verbo intransitivo
b) Verbo transitivo
c) Verbo transitivo direto e indireto
TERMOS INTEGRANTES
1. Complementos verbais
1.1. Objeto Direto
1.1.1. Tipos de Objeto Direto
a) Objeto Direto Preposicionado
b) Objeto Direto Pleonástico
1.2. Objeto Indireto
2. Complemento Nominal
3. Agente da passiva
4. Predicativo
TERMOS ACESSÓRIOS
1. Adjunto adnominal
Qual a diferença entre adjunto adnominal e complemento nominal?
2. Adjunto adverbial
3. Aposto
3.1. Tipos de aposto
a) Explicativo
b) Resumitivo
c) Especificativo
d) Enumerativo
e) Distributivo
f) Oracional
4. Vocativo
5. Predicativo do objeto
SINTAXE
INTRODUÇÃO
Sintaxe é a parte da Gramática normativa que estuda a função que os termos
estabelecem entre si quando em um período. Em outras palavras, é a parte da gramática
que estuda as relações entre as palavras dentro de uma frase e/ou oração.
Analisar sintaticamente uma oração é reconhecer a função que cada elemento assume
dentro dela.
Na morfologia, estudamos as classes gramaticais, buscando identificar se uma
determinada palavra é um verbo, um adjetivo, um substantivo etc.
Diferentemente, no estudo da sintaxe, o objetivo é identificar a função que a
palavra assume dentro da oração. Por exemplo, em “O carro está na garagem”, à luz da
morfologia, temos que “carro” é um substantivo, mas sob a ótica da sintaxe, “carro” exerce a
função de sujeito da oração. Se dissermos: “comprei o carro”, já não teremos “carro” como
sujeito, mas como objeto direto, completando o sentido do verbo “comprar”.
Perceba que dentro de uma oração, ao mudarem de posição, as palavras acabam
assumindo sentidos e funções diferentes. É justamente nesse aspecto que se situa a análise
sintática.
A análise sintática deve ser estudada em conjunto com a análise semântica.
Ex.:
1) “O aluno tocou a campainha nervoso.”
2) “O aluno nervoso tocou a campainha.”
Note que no primeiro enunciado, “nervoso” é uma característica temporária do aluno,
ao passo que no segundo, o mesmo adjetivo transmite o sentido de que “nervoso” é uma
característica permanente do aluno.
Para saber mais propriamente o que isso significa, convém fazer uma distinção:
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
1. Frase
É qualquer sentença dotada de sentido. É todo enunciado capaz de transmitir
novas ideias.
Exemplos:
Uma lua clara iluminava o céu.
Puxa!
Que frio!
Socorro!
Atenção! A frase que não possui verbo é chamada de frase nominal. Já a frase que
se organiza em torno de um verbo é chamada de oração.
2. Oração
É a frase que se organiza em torno de uma forma verbal. Para haver oração é
preciso que haja verbo.
Exemplos:
Por favor, volte para casa ainda hoje.
Um lua clara iluminava o céu.
A triste notícia foi transmitida de manhã.
3. Período
É todo enunciado que possui verbo (oração) e sentido completo (frase). Trata-se do
conjunto de orações e pode se dividir em:
a) Simples
Possui apenas uma oração (oração absoluta).
Exemplo:
Naquele dia, todos voltaram cedo.
b) Composto
Formado por mais de uma oração.
Exemplo:
Ele afirma / que você vencerá. (2 orações)
Ele tirou o brinquedo da gaveta / e verificou / que ele estava quebrado. (3 orações)
c) Misto
Possui mais de um processo de composição. No mínimo, possui três orações.
TERMOS DA ORAÇÃO
A fim de facilitar o estudo da Sintaxe, é interessante começar com uma divisão do
período simples, ou seja, estudar quais são os termos da oração. Vejamos:
Termos Essenciais Termos Integrantes Termos Acessórios
Sujeito Complementos Verbais Adjunto Adnominal
Predicado Complemento Nominal Adjunto Adverbial
Agente da Passiva Aposto
Predicativo do Sujeito Vocativo
Predicativo do Objeto
TERMOS ESSENCIAIS
1. Sujeito
Sujeito é o termo que pratica uma ação ou sobre o qual se declara ou se constata algo.
Aquele, ou aquilo, a respeito do qual se transmite uma informação.
É importante lembrar: sujeito não é uma pessoa e sequer precisa iniciar a sentença.
Além disso, é preciso ressaltar que nem toda oração terá sujeito. O verbo haver, com
sentido de existir, por exemplo (ex.: “havia pessoas no estádio”), é um verbo impessoal e não
possui sujeito. O mesmo ocorre com verbos que indicam fenômenos da natureza (ex.:
“trovejou ontem à noite”).
Por fim, registra-se que tudo o que se diz a respeito do sujeito é predicado.
Atenção!
Em “Aplicaram-se as vacinas”, o sujeito é “as vacinas”. É o mesmo que dizer “as
vacinas foram aplicadas”. A rigor, temos um exemplo de oração disposta na voz passiva.
1.1. Tipos de sujeito
a) Simples
É o sujeito que possui apenas um núcleo.
Quais termos podem ser núcleos do sujeito?
O núcleo do sujeito é a palavra mais importante.
Podem ser núcleos do sujeito os seguintes termos:
Substantivo
Exemplo:
Chegaram os governantes para a reunião.
Verbo
Os governantes =
(quem
sujeito
chegou?)
Governantes = núcleo
do sujeito
Temos um sujeito
Pronome simples (apenas um
núcleo)
Exemplo:
O conceito | que caiu na prova | era refinado.
Na frase acima, temos dois verbos: “caiu” e “era”. Em tais casos, será necessário
identificar dois sujeitos, um para cada verbo.
Podemos desmembrar o enunciado acima em duas frases:
O conceito era refinado;
que caiu na prova.
Vale ressaltar que o “que”, acima destacado, é um pronome relativo e está
retomando a palavra “conceito”.
O sujeito do verbo “cair” não é a palavra “conceito”, mas o pronome relativo “que”,
tanto que pode ser substituído por outro pronome (ex.: “ele caiu na prova”). Logo, o pronome
relativo “que” é núcleo do sujeito do verbo “cair”, ao passo que “conceito” é núcleo do verbo
“ser” (em era refinado).
Expressão Substantivada
Exemplo:
O falar demais denuncia a ignorância.
“O falar demais” aparece como uma expressão inteira que equivale a um substantivo.
Note que “falar” é verbo e “demais” é advérbio. Entretanto, a expressão “O falar demais”
assume valor de substantivo em razão da anteposição do artigo “o”.
Além disso, “O falar demais” é núcleo do sujeito do verbo “denunciar”. Isso
significa que a expressão “o falar demais” é sujeito simples.
b) Composto
É o sujeito que possui mais de um núcleo.
Exemplo:
Quincas e Brás Cubas são personagens de Machado.
Sujeito composto
c) Oculto (desinencial ou eliptico)
É o tipo de sujeito cujo núcleo não aparece expresso antes do verbo, sendo retomado
pela desinência que o verbo apresenta.
Exemplos:
Aquele candidato estudou para o concurso e gabaritou a prova.
Sujeito sintático de “estudou” e
sujeito semântico (oculto) de
“gabaritou”
Está bem claro que para o primeiro caso, quem “estudou” foi “aquele candidato”. Tem-
se, aí, um sujeito simples. O sujeito de “gabaritou” também é “aquele candidato”, mas isso é
extraído do contexto, tendo-se realizado um processo de elipse para evitar a repetição de
“aquele candidato”. Caso contrário, teríamos que dizer “aquele candidato estudou para o
concurso e aquele candidato gabaritou a prova”.
[Eu] Fiz o trabalho sem dificuldades.
Sujeito oculto
Pela conjugação do verbo “fazer”, é possível recuperar o pronome “eu”. Em “Fiz o
trabalho sem dificuldades”, o sujeito (oculto) é “eu”.
d) Indeterminado
É o tipo de sujeito cujo núcleo não se consegue determinar, porque não está saliente no
texto. Temos sujeito indeterminado quando a afirmação expressa pelo predicado repousa num
elemento que não pode ser determinado dentro de um conjunto. Surge quando existe um
elemento sobre o qual se declara algo, mas não se pode identificar tal elemento; é aquele que,
embora existindo, não se quis ou não se pôde representar na oração.
Casos de indeterminação do sujeito
Os casos de indeterminação do sujeito são os seguintes:
Verbo na 3ª pessoa do plural sem um referente expresso.
Exemplos:
Propagaram mentiras a respeito de sua posição política.
Compraram a casa ao lado.
Note que nos exemplos acima, o sujeito não pode ser determinado. Não se sabe quem
propagou as mentiras, nem quem comprou a casa. Nesses casos, não há um núcleo de
referência.
Verbo transitivo indireto, verbo de ligação ou verbo intransitivo +
palavra SE.
Note-se que, nesse caso, a palavra SE será classificada como um índice de
indeterminação do sujeito. Além disso, o verbo deverá ficar no singular.
Exemplos:
Vive-se bem nesta cidade.
Trata-se de questões tributárias.
Precisa-se de serventes de pedreiro.
Necessita-se de novos concursos.
O verbo “necessitar” é transitivo indireto (há necessidade de complemento + preposição,
pois quem necessita, necessita de ...). Depois, temos a palavra “se”, que funciona como
índice de indeterminação do sujeito. Quem (ou o quê) necessita de novos concursos?
Perceba que não se pode determinar. Vale ressaltar que, obrigatoriamente, o verbo
permanecerá no singular.
Nem sempre se parece feliz.
Quem é que nem sempre se parece feliz? Da mesma forma, não se pode determinar. O
verbo “parecer” é um verbo de ligação e o “se”, funcionando como índice de
indeterminação, forma um sujeito indeterminado.
Chegou-se a bons resultados com o trabalho.
Aqui, temos um verbo intransitivo seguido do índice de indeterminação “se”.
É importante ressaltar que nem sempre o “se” aparecerá como índice de
indeterminação do sujeito. Conforme explica Flávia Rita:
Muitas vezes, temos o verbo na terceira pessoa do singular mais a partícula SE e o
sujeito será determinado, estando presente na oração.
Existem, na Língua Portuguesa, duas construções bastante semelhantes no que se
refere à função da palavra SE.
A palavra SE funciona, na voz passiva pronominal, como pronome apassivador.
Nesse caso, haverá sujeito expresso na frase. O SE também pode exercer a função de
índice de indeterminação do sujeito1.
e) Inexistente
Há, em Português, enunciados onde ocorre apenas a informação veiculada pelo
predicado, sem que esta se refira especificamente a um sujeito. Dizemos, então, que se
trata de uma oração sem sujeito ou que o sujeito é inexistente2.
O sujeito inexistente ocorre nas situações em que o verbo puder ser classificado como
verbo impessoal. Vejamos alguns casos principais:
Verbos que denotam fenômeno natural
Exemplo:
Nevava naquela manhã de domingo.
Atenção! Se for uma expressão figurada, poderá haver sujeito em razão da mudança
da acepção, pois o verbo passa a assumir um sentido metafórico.
Exemplo:
A mulher chovia críticas sobre o marido.
Verbo “haver” (no sentido de existir, ocorrer ou acontecer)
Exemplos:
Havia problemas com as máquinas.
Muitos diriam que o sujeito seria “problemas”, mas não é verdade. Problemas é o
complemento do verbo haver. Trata-se, pois, de uma oração com sujeito inexistente.
Deverá haver alunos aprovados no concurso
Aqui, temos uma locução verbal em que o verbo “haver” funciona como verbo principal,
expressando significado de “existir, ocorrer ou acontecer”.
Verbo “haver”, “fazer” ou “ir” (no sentido de tempo transcorrido)
Exemplos:
Há meses, não a vejo.
Faz anos que leciono.
Vai semanas que parti de casa.
Verbo “chegar” ou “bastar”(no sentido de cessamento):
Exemplos:
Chega dessa folia!
Basta de preguiça!
1
SARMENTO, Flávia Rita Coutinho. Português Descomplicado – Gramática a interpretação de texto para
concursos públicos. 4 ed. Grupo Animus, p. 132.
2
SARMENTO, Flávia Rita Coutinho. Português Descomplicado – Gramática a interpretação de texto para
concursos públicos. 4 ed. Grupo Animus, p. 133.
Verbo “ser” (no sentido de tempo ou distância): note-se que, nesse caso, o
verbo concorda com o predicativo.
Exemplos:
Daqui até ali são 300 metros.
Quando temos orações sem sujeito, dizemos que o verbo de tais orações é IMPESSOAL.
Os verbos impessoais, em geral, devem ficar na terceira pessoa do singular. Assim, não
se diz:
Haviam muitas leis no país.
Fazem dois anos que nos conhecemos.
Corrija-se para:
Havia muitas leis no país.
Faz dois anos que nos conhecemos
f) Oracional
O sujeito oracional é uma oração que funciona como sujeito de outra oração, em
vez de um substantivo ou pronome. Trata-se do sujeito formado por uma Oração (frase com
um verbo). O outro nome pode ser Oração Subordinada Substantiva Subjetiva.
Ele é frequentemente introduzido pelas conjunções “que” ou “se”, ou por
verbos no infinitivo. A concordância verbal no sujeito oracional segue regras específicas,
dependendo da estrutura da oração.
Conforme Agnaldo Martino:
Surge quando o sujeito de uma oração é toda uma outra oração.
É bom que todos compareçam.
1ª oração: É bom.
2ª oração (sujeito): que todos compareçam.
O que é bom? sujeito = que todos compareçam 3.
Exemplos:
“Que ele chegue a tempo é muito importante.”: (A oração “que ele chegue a
tempo” é o sujeito da oração principal).
“Descobrir o assassino era uma tarefa difícil.”: (A oração “descobrir o assassino”
é o sujeito da oração principal).
“O importante é que todos se divirtam.”: (A oração “que todos se divirtam” é o
sujeito da oração principal).
Regras de concordância
O verbo principal concorda no singular com o sujeito oracional, mesmo que a oração
oracional contenha vários elementos.
3
MARTINO, Agnaldo. Português: gramática, interpretação de texto, redação oficial, redação discursiva. 10. ed.
São Paulo: Saraiva Educação, 2022, p. 325-326. E-book.
Existem exceções para a concordância, como quando o sujeito oracional é formado por
infinitivos antônimos, onde o verbo pode concordar no plural.
Em algumas situações, a partícula "se" pode ser usada para indicar passiva sintética
com sujeito oracional, e o verbo principal também concorda no singular.
2. Predicado
Por definição, o predicado é aquilo que se declara ou que se constata do sujeito. É a
informação que se transmite a respeito de algo ou alguém.
Exemplo:
O candidato fez muitos exercícios durante a semana.
Sujeito Predicado
2.1. Tipos
A depender da natureza do predicado, podemos ter três tipos:
a) Verbal: formado essencialmente por um verbo nocional.
b) Nominal: formado por um verbo relacional e um predicativo do sujeito.
c) Verbo-nominal: formado por um verbo relacional e por um predicativo (do sujeito
ou o objeto).
Vejamos os exemplos:
Eu li o livro de Matemática. (predicado verbal)
Josias parece abalado. (predicado nominal)
Meus alunos chegaram animados. (predicado verbo-nominal)
Achei você chato. (predicado verbo-nominal)
Antes de classificarmos os predicados, vamos primeiro definir os verbos, como eles
aparecem na formação do predicado, e também os predicativos (do sujeito e do objeto).
2.2. Verbo de ligação
É aquele que liga o sujeito ao seu predicativo (termo que expressa um estado ou
qualidade). A função do verbo de ligação é apenas “ligar” o predicativo ao sujeito.
Pode ser eliminado sem causar prejuízo ao sentido da frase:
Os alunos estavam alegres.
Os alunos ficaram alegres.
Os alunos continuavam alegres
2.3. Verbo nocional
É aquele verbo que expressa ideia de ação. Nesse caso, o verbo não é apenas um
elo, mas o termo que encerra o sentido da frase.
O verbo nocional subdivide-se em:
a) Verbo intransitivo
É aquele que tem o sentido completo, isto é, não precisa de complementos.
Exemplos:
Todos chegaram.
O assaltante baleado morreu.
O assaltante baleado morreu no hospital.
b) Verbo transitivo
É aquele que tem sentido incompleto, ou seja, o verbo precisa de complemento.
O verbo transitivo, por sua vez, subdivide-se em:
b.1) Verbo transitivo direto: exige um objeto direto (complemento sem preposição):
As chuvas transtornam as cidades grandes.
Todos os alunos fizeram as redações solicitadas.
b.2) Verbo transitivo indireto: exige um objeto indireto (complemento com
preposição):
Todos nós precisamos de descanso.
Os alunos devem confiar em seus professores.
Simpatizamos com o novo diretor.
c) Verbo transitivo direto e indireto
Exige dois objetos, um direto e outro indireto:
Ontem emprestei meu carro ao vizinho.
Confiei meu carro ao meu irmão.
Radegondes disse a verdade à sua mãe.
TERMOS INTEGRANTES
1. Complementos verbais
Chamamos de complemento verbal o termo que de alguma forma completa o sentido
de um verbo em uma sentença. Os complementos verbais são, respectivamente, objeto
direto e objeto indireto.
Os objetos completam o sentido dos verbos.
Temos vários tipos de verbos:
a) Intransitivos: não necessitam de complemento; possuem sentido por si sós. Ex.: “a
criança nasceu”.
b) Transitivos: dependem de complemento, pois não possuem sentidos sozinhos. Ex.:
“ele encontrou”. Note que o verbo necessita ser complementado, pois quem encontra,
encontra algo. Não há sentido em dizer apenas “ele encontrou”.
Se o complemento demandar uma preposição, o verbo será transitivo indireto. Se o
verbo não exigir preposição, será transitivo direto.
1.1. Objeto Direto
É o termo que completa o sentido do verbo sem ajuda de uma preposição.
Ex.:
Eles resolveram as questões. [objeto direto]
[Tú] Recebeste os amigos em casa. [objeto indireto]
1.1.1. Tipos de Objeto Direto
a) Objeto Direto Preposicionado
Na Língua Portuguesa, existem verbos que podem ser usados nas duas formas: sem
preposição e com preposição. Ex.: “bebi o vinho chileno”. Também se admite que se diga:
“bebi do vinho chileno”. Perceba que o mecanismo de se antepor uma preposição a um objeto
direto provoca uma alteração de sentido. Ao se dizer que o indivíduo bebeu “do vinho” ao
invés de bebeu “o vinho” transmite-se a ideia de que ele bebeu uma parte do vinho, e não o
vinho todo.
Não se trata de verbo transitivo indireto, pois o uso da preposição é facultativo.
Exemplos:
Ele ama a Deus.
Bebemos do suco de frutas.
Provamos da sopa.
b) Objeto Direto Pleonástico
Ocorre quando se repete o objeto direto.
Exemplos:
A casa, nós a compramos ontem.
“Nós” é sujeito; o verbo é “comprar”. O que compramos ontem? A casa (objeto
direito). Quem compra, compra algo. “A” em a casa, é um artigo e “casa” é
objeto direto, pois não há preposição. O segundo “a”, em “a compramos”, é um
pronome oblíquo átono, cuja função, na sentença, é a de retomar “casa”. Diante
desta repetição, isto é, deste pleonasmo, diz-se que há um objeto direto
pleonástico.
O e-mail, li-o várias vezes.
As crianças, levei-as ao parque.
1.2. Objeto Indireto
É aquele que completa o sentido do verbo com ajuda de uma preposição. No objeto
indireto, a preposição é necessária.
Exemplos:
O governo precisa de novos rumos.
Quem precisa, precisa de algo. Note que há necessidade de uma preposição para
o complemento do verbo.
Necessitam de bons livros.
Aludimos aos problemas da empresa.
2. Complemento Nominal
É o termo que completa o sentido de um substantivo, de um adjetivo ou de um
advérbio. É importante ressaltar que o complemento nominal é sempre um termo indireto,
ou seja, é introduzido por uma preposição ou representado por um pronome de forma indireta.
Em suma, complemento nominal é o elemento que completa o sentido de um nome
(substantivo, adjetivo, advérbio), sempre com a ajuda de uma preposição.
Ex.:
Naquele lugar, não há acesso a conteúdos específicos.
O verbo “haver”, nesse caso, não tem sujeito. O que vem depois é “acesso a
conteúdos específicos”. Todo esse termo é objeto direto. Mas a análise não
termina aí, ela pode ser minudenciada. O núcleo do objeto direto é “acesso”
(substantivo proveniente do verbo acessar = substantivo deverbal). Sempre que
estivermos diante de um substantivo deverbal, haverá necessidade de um
complemento. Não há acesso a que? R.: a conteúdos específicos. O termo “a
conteúdos específicos” começa com a preposição “a” e serve para completar o
sentido de “acesso”. Como se completa o sentido de um nome, estamos diante
de um complemento nominal.
O vídeo não era adequado para crianças.
Marina mora longe de sua mãe.
Ele tem necessidade de calma.
A criança tem carência de afeto.
Ela está sujeita aos desmandos do chefe.
Votamos favoravelmente ao projeto.
3. Agente da passiva
É o elemento que pratica a ação verbal em uma oração na voz passiva. Trata-se de
termo que pratica a ação na voz passiva analítica.
Ex.:
O crime foi cometido por um desconhecido.
O crime = sujeito paciente.
Foi cometido = locução verbal de voz passiva.
Por um desconhecido = indica quem pratica a ação dentro da estrutura de voz
passiva. É o agente da passiva, que sempre será preposicionado. Geralmente,
é precedido da preposição “por”, mas pode aparecer a preposição “de” (ex.:
Carlão foi rodeado de amigos).
Fomos convidados pelo amigo.
As questões foram avaliadas pelo mestre.
Ele foi recebido pelo diretor.
4. Predicativo
É o termo que transmite ao sujeito um estado, uma qualidade, uma característica por
meio de um verbo de ligação (ser, estar, ficar, parecer, permanecer, continuar…). Ele
pertence, formalmente, ao predicado, mas caracteriza o sujeito.
Atenção! O predicativo sempre estará inserido dentro do predicado.
Ex.:
O presidente está preocupado.
“O presidente” é sujeito; “preocupado”, na morfologia, é um adjetivo. Nesta
frase, o adjetivo está caracterizando o sujeito. Então, dizemos que “preocupado”
é predicativo do sujeito, isto é, uma caracterização imediata dada ao sujeito.
Meu amigo nasceu rico.
“Meu amigo” é o sujeito; “nasceu” é verbo intransitivo; “rico” é uma
característica do sujeito que pertence formalmente ao predicado. Se houvesse
um deslocamento do predicativo, haveria necessidade de colocação de vírgula
(ex.: rico, nasceu meu amigo).
As questões pareciam fáceis.
“As questões” é o sujeito; “pareciam fáceis” é o predicado; “fáceis” é o
predicativo do sujeito.
Todos chegaram à festa sorridentes.
“Todos” é o sujeito; “chegaram à festa sorridentes” é o predicado.
Importante ressaltar que temos um verbo de ligação subentendido na oração
acima (todos chegaram à festa [e estavam] sorridentes). Logo, sorridentes é o
predicativo do sujeito.
Preocupados, os jogadores conheciam sua responsabilidade.
A oração acima equivale a “os jogadores, que estavam preocupados,
conheciam sua responsabilidade”. “Os jogadores” é o sujeito. “Preocupados”
é o predicativo do sujeito.
Observe os exemplos abaixo:
A linda bailarina russa | parecia tensa.
Predicativo
Sujeito Predicado
Note que a despeito de “linda” e “russa” serem termos que qualificam a “bailarina”,
esses termos estão inseridos dentro do próprio sujeito e, portanto, não são enquadrados como
predicativos, mas adjuntos adnominais. A rigor, na oração acima, o único predicativo será
“tensa”, já que se insere dentro do predicado.
O excelente trinador inglês estava seguro e sorridente.
Predicativo
Sujeito
Predicado
TERMOS ACESSÓRIOS
1. Adjunto adnominal
O adjunto adnominal é o termo que particulariza o núcleo de uma expressão de caráter
nominal. É um termo acessório que qualifica, caracteriza um substantivo.
É o termo da oração que se liga a um nome, sem mediação de verbo a fim de
determiná-lo ou caracterizá-lo4.
Usualmente, artigos, pronomes, adjetivos, locuções adjetivas e numerais desempenham
a função de adjuntos adnominais.
Exemplo:
Uma medida será necessária.
“Uma medida” é o sujeito, cujo núcleo é “medida”. “Uma”, artigo, incide sobre
“medida” para particularizá-la. Funciona, assim, como adjunto adnominal.
Duas posições foram criticadas.
Sujeito: “duas posições”. “Duas” particulariza “posições”, que é substantivo.
Funciona, assim, como adjunto adnominal
A mulher do vizinho comprou minha casa.
Sujeito: “A mulher do vizinho”. Verbo: “comprou”. Objeto direto: “minha casa”.
“A” e “do” funcionam como adjunto adnominal, pois particularizam os nomes
“mulher” e “vizinho”. “Minha” também funciona como adjunto adnominal.
Aquela questão fácil me salvou na prova.
“Aquela questão fácil” é o sujeito. O núcleo do sujeito é “questão”. “Aquela”
(pronome) e “fácil” (adjetivo) são os adjuntos adnominais.
Qual a diferença entre adjunto adnominal e complemento
nominal?
O adjunto adnominal apenas caracteriza o substantivo, ao passo que o complemento
nominal completa o sentido do substantivo.
Como esclarece Flávia Rita:
“Complemento nominal
• Completa nomes transitivos (substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios).
• Substantivo abstrato: sentimento, ação, qualidade ou estado. Os sentimentos e as
ações têm uma maior probabilidade de pedirem complemento.
• É obrigatoriamente preposicionado.
• Quando se refere a um substantivo abstrato, tem natureza passiva.
O medo da morte aproxima as pessoas.
Medo: substantivo abstrato; da morte: prep. "de"; tem natureza passiva (a morte é
temida). É complemento nominal.
Isso é favorável ao país.
Favorável: adjetivo; preposição "ao"; ao país: complemento nominal.
Nota: Palavras que completam adjetivos só podem ser complementos nominais.
Agiu contrariamente a seus princípios.
4
SARMENTO, Flávia Rita Coutinho. Português Descomplicado – Gramática a interpretação de texto para
concursos públicos. 4 ed. Grupo Animus, p. 137.
Contrariamente: advérbio; prep. "a"; a seus princípios: complemento nominal.
Nota: Palavras que completam advérbios só podem ser complementos nominais.
Amor de mãe é bom.
Amor: substantivo abstrato; prep. "de"; a natureza é ativa - a mãe está amando. Então,
o termo destacado não é complemento nominal, é adjunto adnominal, pois tem natureza ativa.
Amor à mãe é bom.
Amor: substantivo abstrato; prep. "a"; natureza passiva - a mãe está sendo amada.
Então, o termo é complemento nominal, pois tem natureza passiva.
Adjunto adnominal
• Acompanha substantivos abstratos ou concretos.
• Pode ser representado por artigos, pronomes, numerais, adjetivos ou locuções
adjetivas.
• Quando se refere a um substantivo abstrato, tem natureza ativa.
As duas últimas casas de José eram bonitas.
As palavras destacadas funcionam como adjuntos adnominais do vocábulo CASA, que é
um substantivo concreto.
EXPLICANDO...
A crítica do diretor foi severa.
Nesse caso, crítica é um substantivo abstrato e o termo ligado a ele sugere uma noção
ativa. Então, do diretor é adjunto adnominal.
A crítica ao diretor foi severa.
Nesse caso, o diretor foi criticado, reforçando a natureza passiva do termo. Logo, trata-
se de um complemento nominal5.”
2. Adjunto adverbial
É o termo acessório da oração que, com ou sem preposição, refere-se a um verbo, a
um adjetivo ou a um advérbio atribuindo-lhes alguma circunstância. Em sintaxe,
o adjunto adverbial é exercido pelos advérbios e pelas locuções adverbiais. Este
termo representa o “caso ablativo” do latim6.
É o termo que expressa uma circunstância, referindo-se a um verbo, a um adjetivo ou a
um advérbio. Trata-se do termo que imprime uma circunstância sobre verbo, adjetivo ou
advérbio. Na verdade, adjunto adverbial é o nome sintático de um advérbio ou de uma locução
adverbial.
Ex.:
Por medo, o homem ficou calado.
Na semana anterior, não houve aula.
Talvez ele faça parte do grupo.
5
SARMENTO, Flávia Rita Coutinho. Português Descomplicado – Gramática a interpretação de texto para
concursos públicos. 4 ed. Grupo Animus, p. 138.
6
BEZERRA, Rodrigo. Nova gramática da língua portuguesa para concursos. 7.ª ed. Rio de Janeiro: Forense;
São Paulo: Método, 2015, p. 477.
3. Aposto
É o elemento usado para esclarecer, explicar um outro termo. Trata-se do termo que
serve para explicar, resumir, especificar, enumerar ou distribuir um referente, com o qual
estabeleça identificação semântica.
Ex.:
Gustavo Kuerten, tenista brasileiro campeão, vive em Floripa.
Van Gogh, mestre holandês da pintura, morreu deprimido.
Comprei vários produtos no mercado: verduras, legumes, frutas e cereais.
3.1. Tipos de aposto
a) Explicativo
Aparece isolado por vírgulas ou travessões.
Graciliano Ramos, o autor de “Vidas Secas”, era nordestino.
b) Resumitivo
Geralmente, aprece após uma listagem.
AFO, Economia, Português, RLM, tudo ele gabaritou.
c) Especificativo
Aprece sem isolamento, mas ainda assim especifica o elemento antecedente.
O vereador Jucelino Doidivanas assinou a correspondência.
d) Enumerativo
Este tipo cria uma enumeração ou indica uma quantidade do termo a que se refere. Este
tipo de aposto faz uso frequente dos dois pontos e, mais raramente, da vírgula e do travessão.
Há dois problemas para a produção de alimentos: o da seca e o das chuvas.
e) Distributivo
Os comunicados vieram separadamente: o do concurso, primeiro; o do processo,
depois.
f) Oracional
Este tipo cria uma enumeração ou indica uma quantidade do termo a que se refere. Este
tipo de aposto faz uso frequente dos dois pontos e, mais raramente, da vírgula e do travessão.
Solicitei esta alteração: que ela não fosse a primeira da lista. O pedido, que
fizessem um curso específico, foi atendido.
4. Vocativo
É um chamamento. Trata-se de uma interpelação que indica com quem se fala. É o
termo que indica quem é o interlocutor da sentença.
Ex.:
Pedro, faça a revisão do texto.
Não fique tenso, meu filho.
Senhores, ocupem seus lugares.
5. Predicativo do objeto
Trata-se da característica ou qualidade do objeto que foi atribuída pelo sujeito da
sentença. Como o próprio nome já o diz, esse termo se refere ao objeto por meio de um verbo
de ligação implícito.
O povo achou a atitude incorreta.
Eu considero meu irmão um ótimo atleta.