O FUTURO É JÁ
6. Uma escola pública de qualidade
A Escola Pública é uma das maiores conquistas da nossa democracia. Ao longo de
50 anos de liberdade, o sistema educativo português permitiu o acesso de todos à
educação, erradicou o analfabetismo e assegurou uma ampla mobilidade social a
segmentos muito distintos da população. Se hoje temos as maiores taxas de
sempre de diplomados, e o maior número de jovens a estudar no ensino superior,
isso deve-se ao esforço continuado que permitiu que um número cada vez maior
de crianças e jovens frequentasse com sucesso o ensino básico e secundário,
independentemente da sua condição de origem.
Apenas uma escola pública de qualidade e inclusiva permitirá ao nosso país continuar
a responder aos desafios do presente e do futuro, contrariando as desigualdades de
partida, formando cidadãos e sendo lugar de realização e reconhecimento dos seus
profissionais. O percurso de melhoria progressiva e consistente de resultados – sociais
e educativos – resulta de décadas de compromisso da sociedade portuguesa com a
educação e a igualdade de oportunidades, em alternativa às visões meritocráticas e
individualistas da escola.
Ao longo desta jornada coletiva, os Governos do Partido Socialista introduziram
sempre marcos de referência no direito a uma educação de qualidade para todos.
Do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos à criação da rede
pública de educação pré-escolar; da aposta na qualificação da população adulta à
introdução de Atividades de Enriquecimento Curricular, do investimento na
formação contínua de professores à requalificação do edificado. Estes são alguns
exemplos de reformas estruturais do Partido Socialista nas políticas educativas.
As políticas seguidas nas últimas décadas permitiram a Portugal uma redução
significativa do abandono escolar precoce, a par de uma melhoria das taxas de
transição e conclusão no tempo esperado. Nos recentes Governos do Partido
Socialista foi desenvolvido um conjunto importante de indicadores que permite
hoje identificar problemas e necessidades em vários domínios, fundamentando as
respostas e a intervenção.
A escola pública enfrenta hoje desafios novos e complexos, a que é preciso
responder de forma clara e efetiva. É necessário atrair e formar mais profissionais,
nomeadamente educadores e docentes, para assegurar as necessidades,
sobretudo em regiões mais críticas. É preciso garantir aprendizagens de qualidade,
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PROGRAMA ELEITORAL 2025
reforçando o apoio aos alunos que revelam maiores dificuldades. Os desafios
colocados pelo acolhimento e integração de alunos imigrantes, por outro lado,
requer uma atuação mais sistémica e inclusiva, garantindo condições de
aprendizagem e uma maior equidade.
O desenvolvimento das políticas educativas e a organização do sistema educativo
implica uma capacidade permanente de aferir, diagnosticar, avaliar, corrigir e
inovar, valorizando as conquistas e o património herdado e respondendo aos
desafios que os sistemas educativos e as sociedades atuais enfrentam.
6.1. Alargar a rede e promover a qualidade educativa
Tendo em vista a consolidação da rede pública de escolas e a diversificação da
oferta educativa, o PS vai:
● Corrigir desequilíbrios e carências na rede pública de ensino básico e
secundário, expandindo a oferta atual em territórios que registam uma maior
pressão demográfica;
● Rever o quadro de princípios e objetivos subjacentes à elaboração das Cartas
Educativas Municipais, visando entre outros aspetos mitigar práticas de
segregação de alunos entre escolas;
● Concretizar a gratuitidade da educação pré-escolar para as crianças a partir
dos 3 anos, não só investindo na rede pública, mas recorrendo também ao
setor solidário e à rede privada, na base do modelo já existente para as creches;
● Revisitar a estrutura do ensino Científico-Humanístico no secundário, de
modo a alargar as possibilidades de organização do plano de estudos com um
tronco comum mais robusto e com mais opções;
● Alargar a rede de escolas artísticas de artes visuais, incluindo a possibilidade de
criação de Escolas de Artes que agreguem as diferentes ofertas de Ensino
Artístico Especializado;
● Reforçar os recursos materiais e humanos para a educação inclusiva, através
do reforço de professores de educação especial e do financiamento dos Centros
de Recursos para a Inclusão;
● Reforçar o Programa de Requalificação de escolas do 2.º e 3.º ciclos do ensino
básico e a conclusão das intervenções em escolas secundárias;
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O FUTURO É JÁ
● Reforçar a componente artístico-cultural nos programas escolares e
disponibilizar, nos períodos não letivos, atividades lúdicas opcionais nessas
áreas;
● Alargar a rede pública de escolas com ensino bilíngue, face à procura pelas
famílias de ofertas de ensino em língua portuguesa e inglesa;
● Continuar a qualificar a Rede de Bibliotecas Escolares e a promover o Plano
Nacional de Leitura.
6.2. Profissionais
No âmbito do reforço, diversificação, qualificação e valorização dos profissionais da
educação, o PS compromete-se a:
● Promover o aumento do número de vagas em cursos de formação no ensino
superior, nomeadamente nas áreas e nas regiões com carências mais
pronunciadas e com níveis de envelhecimento docente mais elevados;
● Acelerar os procedimentos de profissionalização em serviço, com reforço da
capacidade formativa das universidades e politécnicos;
● Aumentar a atratividade no início da carreira docente, reduzindo de forma
progressiva o hiato entre os índices remuneratórios da base e os índices mais
altos;
● Rever os critérios de reposicionamento na carreira docente de forma a
garantir a correção das ultrapassagens na progressão, assegurando a
contabilização de todo o tempo de serviço, independentemente da data de
ingresso;
● Contar o tempo de serviço prestado em creche pelas educadoras de infância
para efeitos de progressão na carreira e não apenas para efeitos de acesso;
● Reconhecer a todos professores do ensino básico secundário o tempo de
serviço efetivo prestado enquanto docentes do ensino superior nas
circunstâncias das previstas no Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto;
● Rever as regras do concurso de colocação do pessoal docente;
● Assegurar apoios extraordinários e temporários à deslocação para todos
docentes, independentemente de serem colocados em escolas designadas
como carenciadas ou não;
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PROGRAMA ELEITORAL 2025
● Assegurar a remuneração de professores estagiários, reconhecendo o
trabalho efetivo que desenvolvem junto dos seus alunos, nos processos de
ensino e aprendizagem.
● Desburocratizar a função docente, revendo e simplificando, de forma
sistemática e participada, processos administrativos e pedagógicos;
● Definir rácios adequados de pessoal técnico especializado nas escolas, com
particular enfoque nas necessidades de alunos com deficiência, garantindo
a respetiva vinculação;
● Rever os rácios e conteúdos funcionais dos assistentes operacionais, com
particular enfoque nas situações de conflitualidade e violência escolar,
enquanto medida integrante de planos de ação adotados nesse âmbito.
6.3. Comunidade escolar
Procurando reforçar o sentido de comunidade das escolas, o PS vai:
● Revisitar o modelo de governação das escolas, aprofundando as dinâmicas
colaborativas e reforçando o envolvimento e participação dos alunos na vida da
escola;
● Aperfeiçoar os procedimentos e práticas de constituição de turmas,
assegurando uma maior heterogeneidade do ponto de vista da integração de
alunos de diferentes estratos socioeconómicos;
● Devolver às escolas a autonomia na gestão do seu crédito horário, reduzida
pelas novas orientações de organização do ano letivo entretanto estabelecidas;
● Implementar, em articulação com as escolas e os municípios, um Sistema de
Alerta Precoce de Risco de Exclusão em Contexto Escolar;
● Equacionar a criação de um Programa de Apoio a Famílias Vulneráveis, assente
em redes permanentes de intervenção na infância e juventude, de base
autárquica, que melhor articulem a ação da escola, das famílias, e das entidades
do tecido institucional local;
● Reforçar os mecanismos de resposta às necessidades dos alunos e profissionais
à disposição das Escolas Integradas em Territórios Educativos de Intervenção
Prioritária;
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O FUTURO É JÁ
● Incentivar a constituição de parcerias entre as escolas profissionais, o tecido
empresarial local e as instituições de ensino superior, melhorando a articulação
entre o planeamento da rede e as necessidades das empresas;
● Proceder a uma avaliação do impacto das recomendações de interdição da
entrada/uso do telemóvel nos espaços escolares, admitindo a sua
interdição efetiva pelo menos até ao 2.º ciclo do ensino básico;
● Promover uma escola que forme cidadãos, valorizando a disciplina de
Cidadania e Desenvolvimento e ponderar o reforço do seu ensino no ensino
secundário;
● Proceder à alteração do Estatuto do Aluno e Ética Escolar, reforçando medidas
de combate à indisciplina e à violência em contexto escolar e criando
mecanismos mais eficazes de monitorização das mesmas.
6.4. Sucesso Escolar
Tendo em vista promover o sucesso educativo, intervindo junto de alunos com
maiores dificuldades e assegurando o pleno acolhimento e integração dos alunos
migrantes, o PS compromete-se a:
● Garantir que os alunos que frequentaram o ensino básico durante a pandemia
continuam a dispor de um acompanhamento continuado do seu desempenho,
mediante realização de testes de diagnóstico e a adoção de planos
personalizados de recuperação de aprendizagens;
● Desenvolver planos específicos de intervenção nas áreas da matemática, leitura
e literacia, assegurando que a implementação dos novos programas é
acompanhada de recursos de aprendizagem orientados para a superação dos
défices identificados;
● Garantir às escolas autonomia e recursos que permitam uma melhor
integração escolar de alunos migrantes, desenvolvendo programas
intensivos de aprendizagem do português, antes, no início e durante o ano
letivo, promovendo uma integração progressiva no currículo;
● Atualizar os valores de referência no acesso à Ação Social Escolar,
reconhecendo e reforçando o papel fundamental desta dimensão na
alavancagem e promoção da igualdade de oportunidades;
● Garantir aos alunos do secundário beneficiários de Ação Social Escolar a
possibilidade de usufruírem de tutorias e/ou apoios especializados,
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PROGRAMA ELEITORAL 2025
mobilizando para o efeito, entre outros recursos, o seu acompanhamento por
parte de alunos inscritos no ensino superior.
6.5. Governação do sistema
No âmbito da melhoria da governação do sistema educativo, prosseguindo a
aposta na sua modernização contínua e na capacidade de resposta a novos
problemas, o PS propõe:
● Simplificar os mecanismos de articulação entre os Serviços do Ministério da
Educação e as escolas, incluindo a criação de um ponto de coordenação da
comunicação direta para evitar redundâncias, e garantir a uniformização dos
sistemas e a sua interoperabilidade;
● Implementar um novo Plano Tecnológico da Educação, através do reforço das
infraestruturas e equipamentos, a par da dotação adequada em pessoal
qualificado que assegure a sua manutenção;
● Expandir a Rede de Laboratórios Digitais Escolares, com o objetivo de garantir
que todos os agrupamentos de escolas públicas do país tenham, até 2030, pelo
menos um espaço pedagógico equipado com tecnologia atualizada, orientado
para o desenvolvimento das competências digitais do século XXI.
● Garantir, em nome da estabilidade das reformas educativas, que as
alterações curriculares apenas se efetuam na sequência de estudos de
avaliação enquadrados por referenciais internacionais;
● Desenvolver uma estrutura de apoio jurídico e administrativo-financeiro às
direções das escolas;
● Lançar um debate nacional, com vista à criação de um Livro Branco sobre a
relação entre o sistema educativo, o uso da tecnologia, as competências digitais
e de cidadania digital e as dimensões éticas e cognitivas associadas às
transformações aceleradas da IA;
● Promover formação aos profissionais da educação sobre os riscos e benefícios
da utilização da IA em contexto educativo;
● Desenvolver um Plano de Ação de Combate à Violência em Contexto Escolar,
incluindo o combate a todas as formas de discriminação, bullying fomento do
discurso do ódio, sem prejuízo de um reforço mais imediato, neste âmbito, do
apoio dos serviços do Ministério da Educação às escolas;
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O FUTURO É JÁ
● Promover formação aos profissionais da educação sobre os riscos e benefícios
da utilização da IA em contexto educativo;
● Garantir o combate a todas as formas de bullying, discriminação e discurso de
ódio nas escolas, designadamente repondo o guia “Direito a SER nas Escolas».
7. Um Ensino Superior de
qualidade e acessível
O ensino superior é central para as políticas públicas nos países e economias mais
desenvolvidas. A qualidade da formação superior, a par da atividade científica,
constitui a base de disponibilidade de recursos humanos e conhecimento, que
importa transferir para a economia, transformando-o em valor acrescentado.
Com uma democratização no acesso mais tardia, o ensino superior é hoje pilar
essencial da qualificação dos portugueses e do desenvolvimento social e
modernização da economia. Se em 1981 apenas cerca de 2% da população
portuguesa com 15 ou mais anos tinha completado o ensino superior, esse passou
para 8% em 2001 e regista um impulso significativo desde então. Em 2021, segundo
os censos, praticamente 20% da população com 15 e mais anos tinha concluído
uma formação superior.
Subsistem ainda, contudo, desafios importantes na universalização do acesso e
frequência do ensino superior. A taxa de abandono do ensino superior no final do
primeiro ano de frequência ronda os 12%, atingindo no ensino politécnico valores
próximos dos 14%.
Depois de um ano em que pouco ou nada de substancial aconteceu, com a
governação da AD, é urgente retomar a confiança, a estabilidade e a ambição para
o ensino superior, num contexto internacional que é hoje ainda mais exigente e em
acelerada mudança tecnológica. Importa retomar os programas de
desenvolvimento e investimento interrompidos no último ano, devendo o ensino
superior e a ciência voltar a ter um lugar na orgânica do Governo que garanta
espaço efetivo de concretização da ação política. Este renovado impulso
consubstancia-se em cinco objetivos.
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PROGRAMA ELEITORAL 2025
7.1. Autonomia do Ensino Superior
No âmbito do reforço da estabilidade e autonomia do sistema de ensino superior,
o PS vai:
● Celebrar um contrato de legislatura para o quadriénio 2026-2030, que permita
recuperar a confiança das instituições de ensino superior e reforce a sua autonomia
financeira e orçamental, com base num modelo de financiamento plurianual que
garanta previsibilidade e sustentabilidade às opções de cada instituição;
● Promover a contratualização por objetivos, já iniciada nos Programas Impulso
Jovens STEAM e Impulso Adultos do PRR, e incentivando sinergias entre
atividades de educação, investigação e inovação;
● Concluir a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior
(RJIES), mantendo o respeito pela sua autonomia e assegurando a participação
dos docentes, funcionários e estudantes, tendo em vista um maior equilíbrio
entre a gestão democrática das instituições e a eficácia dos modelos de gestão;
● Rever os diferentes Estatutos das Carreiras Docentes e criar o Regime
Jurídico do Pessoal Docente e de Investigação no Ensino Superior Privado,
fomentando uma adequada articulação entre funções de docência e de
investigação, com maior flexibilidade de perfis e a possibilidade de transição
entre estes ao longo da vida;
● Consolidar a política de distinção entre os processos de recrutamento e de
progressão, garantindo maior previsibilidade aos mecanismos de progressão
na carreira, baseados em regimes de avaliação de desempenho da carreira
docente e da carreira de investigação.
7.2. Alargamento a novos públicos
No que respeita ao alargamento a novos públicos, essencial para o aumento das
qualificações dos portugueses, o Partido Socialista pretende:
● Reforçar o número de estudantes a frequentar o ensino superior, com uma
aposta clara na formação ao longo da vida, na diversificação das ofertas
formativas e na inovação curricular e pedagógica;
● Lançar uma estratégia de captação de novos públicos com o alargamento de
vagas no ensino superior para adultos, de modo a atingir a prazo de 25% da
capacidade instalada ao nível das licenciaturas para estes públicos;
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O FUTURO É JÁ
● Criar uma rede de centros de excelência em inovação pedagógica, através de
um programa de financiamento da modernização pedagógica e curricular no
ensino superior, com especial foco em áreas particularmente relevantes para o
desenvolvimento económico e social do país;
● Consolidar a diversificação das formas de acesso ao ensino superior, tendo em
conta os diferentes perfis dos candidatos;
● Estimular a diversificação no acesso, tendo em conta os diferentes perfis dos
candidatos e aprofundando, em particular, o acesso dos estudantes oriundos
de trajetórias profissionais de nível secundário, de ofertas profissionais de pós-
secundário, incluindo os cursos técnicos superiores profissionais (TESP) e os
cursos de especialização tecnológica (CET), e de adultos, de modo a reforçar a
equidade e a justiça social no acesso e a aposta na recuperação de gerações
em que as oportunidades de acesso eram menores;
● Reforçar a intercomunicação entre formação pós-graduada não conducente à
obtenção de grau e percursos que tenham essa componente, estimulando as
instituições e as pessoas a investir neste tipo de formação;
● Prosseguir a aposta no aumento da frequência do ensino superior por alunos
com deficiência, aprovando para o efeito o Regime Jurídico dos Estudantes
com Necessidades Educativas Especiais e reforçando os apoios sociais, a
melhoria das condições de acolhimento e o apetrechamento físico e
tecnológico das instituições;
● Estimular as ofertas internacionais e a entrada de estudantes não nacionais,
considerando a possibilidade de trabalhar em Portugal e frequentar o ensino
superior, em particular no caso de alunos oriundos de países de língua oficial
portuguesa;
● Reduzir os problemas de ingresso dos estudantes internacionais, seja através
do estímulo, no respeito pela autonomia das instituições de ensino superior, a
uma antecipação na colocação de estudantes internacionais no ensino
superior, concomitante ao reforço indispensável da capacidade da rede
consular.
● Melhorar os concursos de acesso ao ensino superior artístico, incentivando as
instituições de ensino superior a definirem calendários articulados com o
concurso nacional de acesso e promovendo uma maior colaboração inter-
institucional na aferição dos requisitos específicos, por forma a reduzir os custos
e a dispersão de processos de candidatura para cada estudante;
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● Fomentar, através dos contratos de legislatura com as instituições de ensino
superior, a criação de cursos e de oferta formativa modular, de modo a permitir
uma maior flexibilidade na formação da população adulta e na formação ao
longo da vida, promovendo o alargamento da oferta em horário pós-laboral, o
ensino à distância e modelos híbridos, incluindo a concretização e consolidação
do Programa Impulso Adultos, no quadro da implementação do PRR;
● Atualizar o enquadramento legal deste tipo de oferta formativa, favorecendo
percursos de aprendizagem personalizados e adaptados às necessidades
específicas de formação dos estudantes e a flexibilidade da estrutura curricular.
7.3. Condições de acesso
Em relação às condições de acesso, frequência e conclusão dos ciclos de estudo, o
PS propõe:
● Reduzir a propina das licenciaturas de forma progressiva até à sua
gratuitidade no prazo de uma década;
● Avaliar a regulamentação das propinas dos mestrados cuja frequência seja
prática obrigatória para o acesso à profissão;
● Revisitar o modelo de comparticipação nos custos dos ciclos de mestrado e
doutoramento;
● Reforçar as condições de frequência do ensino superior que facilitem a
conclusão dos ciclos de estudo e mitiguem situações de abandono,
reforçando o número de bolsas de estudo e complementos até 100 mil
bolseiros;
● Reforçar o Fundo de Ação Social, procurando atingir, no final da legislatura,
o valor de €150 milhões, oriundos das receitas de impostos (a que acresce o
valor dos fundos europeus);
● Reforçar os mecanismos de ação social, criando a Garantia Superior,
mecanismo que assegura condições de frequência do Ensino Superior e de
conclusão dos ciclos de estudos para estudantes carenciados;
● Prosseguir a simplificação dos processos de atribuição e renovação de
bolsas, garantindo o seu rápido pagamento no início dos anos letivos;
● Regular o regime de taxas de emolumentos, vedando a sua cobrança pelos
seguintes atos académicos:
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○ Matrícula e inscrição;
○ Frequência, presencial ou à distância, de unidades curriculares, dentro do
limite de créditos e no âmbito regularmente definidos como inerentes da
normal frequência do curso;
○ Inscrição em momentos avaliativos em época normal;
○ Prestação de provas de mestrado ou doutoramento, incluindo a entrega
de teses e dissertações;
○ Emissão de qualquer cartão de estudante cuja apresentação seja
obrigatória;
○ Requerimento e emissão das declarações ou certificados necessários para
efeitos de atribuição de prestações ou apoios sociais, reconhecimento e
exercício do estatuto de trabalhador-estudante ou para o exercício de
direitos cívicos; e
○ Emissão da carta de curso;
● Lançar uma segunda geração do Plano Nacional para o Alojamento no
Ensino Superior (PNAES) e a execução plena da sua primeira geração;
● Reforçar a ação social para os territórios de baixa densidade, através das
bolsas +Superior, apoiando o transporte semanal pendular dos estudantes
deslocados, criando condições equiparadas aos passes sociais das áreas
metropolitanas;
● Efetivar o alargamento do apoio ao alojamento a não-bolseiros,
combatendo a informalidade do arrendamento estudantil;
● Criar o Estatuto do Estudante do Ensino Superior, reforçando os direitos dos
estudantes e promovendo a sua efetivação, através da agregação de
legislação dispersa.
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